Tratamento de fibromialgia com amitriptilina e pregabalina.pdf

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Tratamento de fibromialgia com amitriptilina e pregabalina.pdf

  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS BRUNO VINÍCIUS FAVARETTO PRISCILA CAROLINA DE ALMEIDA RIANE BERTOLASSI PEREIRA VALÉRIA APARECIDA PENHA EVANGELISTATRATAMENTO DE FIBROMIALGIA COM AMITRIPTILINA E PREGABALINA FERNANDÓPOLIS 2011
  2. 2. BRUNO VINÍCIUS FAVARETTO PRISCILA CAROLINA DE ALMEIDA RIANE BERTOLASSI PEREIRA VALÉRIA APARECIDA PENHA EVANGELISTATRATAMENTO DE FIBROMIALGIA COM AMITRIPTILINA E PREGABALINA Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientadora: Prof.ª Esp. Rosana Matsumi Kagesawa Motta FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2011
  3. 3. BRUNO VINÍCIUS FAVARETTO PRISCILA CAROLINA DE ALMEIDA RIANE BERTOLASSI PEREIRA VALÉRIA APARECIDA PENHA EVANGELISTA TRATAMENTO DE FIBROMIALGIA COM AMITRIPTILINA E PREGABALINA Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em __ de novembro de 2011. Banca examinadora Assinatura ConceitoProf.ª Esp. Rosana MatsumiKagesawa MottaProf.ª MSc. Luciana EstevamSimonatoFarmacêutica Daniele Cristina Dan Prof.ª Esp. Rosana Matsumi Kagesawa Motta Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. À minha mãe, que sempre acreditou e cuja presençame acompanha em todos os momentos. Ao meu pai,pelos momentos de compreensão e apoioincondicional. A minha família, porque acreditaram,investiram e ajudaram, e sem os quais a minhaexistência perde o significado. (Bruno Favaretto)Dedico este trabalho primeiramente a Deus, queiluminou nosso caminho, dando-nos paciência esabedoria. Aos meus pais, Sueli e Milton, quesempre estiveram ao meu lado e acreditaram nomeu potencial, me dando força e garra para seguirenfrente, sem nunca desanimar. E aos meus amigosque batalharam e sofreram junto comigo para quefosse possível chegar até aqui. (Priscila Carolina de Almeida)Dedico este trabalho primeiramente a Deus, que meproporciona tudo na vida. À minha mãe Leila, pelavida, educação e incentivo que me deu para quepudesse me tornar a pessoa que sou hoje. Aosmeus irmãos Lerissa e Filipi que me ajudaram eestiveram ao meu lado. Ao meu sobrinho Luca pelaalegria e diversão. Em especial ao meu namoradoRodolfo pelo apoio, carinho, compreensão ecompanheirismo. À todos muito obrigada por tudo,principalmente por estarem presentes em mais estaconquista. (Riane Bertolassi Pereira)Dedico este trabalho de conclusão de cursoprimeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seriapossível. Aos meus pais Sílvia e Antonio, peloesforço, dedicação e compreensão, em todos osmomentos desta importante etapa em minha vida. Ameus irmãos e amigos que de muitas maneiras meincentivaram e ajudaram para que fosse possível aconcretização deste trabalho. (Valéria Ap. Penha Evangelista)
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradecemos em primeiro lugar a Deus que iluminou o nosso caminhodurante esta caminhada. À professora orientadora Rosana, pelo seu empenho, dedicação nas diversasanálises deste trabalho e por acreditar em nossa capacidade. Aos nossos pais: que foram à base de tudo pra nós, apoiando nos momentosdifíceis com força, confiança, amor, ensinando-nos a persistir nos nossos objetivos eajudando a alcançá-los. A todos os professores do curso de Farmácia pela maneira com que nosincentivaram a trilhar esse caminho repleto de novos saberes. Enfim a todos que contribuíram para o sucesso deste trabalho e para garantirnosso aprendizado. Muito obrigada.
  6. 6. "Chegar ao fim é um privilégio para quem temcoragem de começar e persistência para nãodesistir" (Cardoso).
  7. 7. RESUMOCom base em estudos, este trabalho foi em busca de esclarecimentos onde o usode antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina) e anticonvulsivantes (Pregabalina) notratamento de fibromialgia possa alcançar a melhoria da dor visando tambémmelhoria na qualidade de vida dos portadores dessa doença. A fibromialgia é umasíndrome reumática caracterizada por dor difusa, referida nos ossos, músculos,tendões e fáscias, de caráter crônico, um processo patológico que se manifesta pordores em partes específicas do corpo como: parte traseira da cabeça, entre asomoplatas, top de ombros, os lados frontal do pescoço, parte superior do tórax,cotovelos exterior, nos lados superior e dos quadris e joelhos Interior. Buscando umentendimento sobre o uso de antidepressivo tricíclico e do anticonvulsivante,apresentamos neste trabalho um estudo mostrando todos os efeitos benéficos emaléficos no uso dos mesmos; apresentando toda a farmacologia de cada um dosfármacos como: mecanismos de ação, interações, reações adversas. Este estudoconta também com uma pequena base de outros tipos de tratamentos dafibromialgia como acupuntura, massoterapia, exercícios físicos, terapia cognitivacomportamental, alongamento muscular e programas educacionais.Palavras-chaves: Fibromialgia. Amitriptilina. Pregabalina. Tratamento.
  8. 8. ABSTRACTBased on previous studies, this research sought to clear up how to use tricyclicantidepressants (Amitriptyline) and anticonvulsants (Pregabalin) in treatment offibromyalgia in which can relief pain and beside that, it decrease the patientmorbidity. Fibromyalgia is a chronic disorder characterized by widespread pain andusually it’s constant dull ache, typically arising from bones and muscles. Patients feelpain especially when firm pressure is applied to specific areas of our bodies like:Back of the head, Between shoulder blades, Top of shoulders, Front sides of neck,Upper chest, Outer elbows, Upper and Sides of hips and Inner knees. Therefore, inorder to better understand the use of tricyclic antidepressants and anticonvulsants,we will display in this research all the beneficial and the side effects on these drugs;in addition to that, we provide all the pharmacokinetic and pharmacodynamic of eachdrug as: mechanism of action, interactions, and adverse reactions. This study hasalso other options of fibromyalgia treatment, such as acupuncture, massage therapy,physical exercise, behavioral cognitive therapy, muscle stretching and educationalprograms.Key words: Fibromyalgia. Amitriptyline. Pregabalin. Treatment.
  9. 9. LISTA DE FIGURASFigura 1 Representação dos tender points 20
  10. 10. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASATM – Articulação Temporo-mandibularFDA – Food and Drug AdministrationFM − FibromialgiaGABA – Ácido Gama AminobutíricoOMS − Organização Mundial da SaúdeFEF – Fundação Educacional de FernandópolisFUNEC – Fundação Municipal de Ensino e CulturaUNIFESP – Universidade Federal do Estado de São PauloGABA A e GABA B – Receptores do neurotransmissor ácido gama aminobutírico
  11. 11. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ......................................................................................................... 121 OBJETIVOS .......................................................................................................... 141.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................ 141.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 142 MATERIAIS E MÉTODOS................................................................................. .... 153 DESENVOLVIMENTO .......................................................................................... 163.1 DEFINIÇÃO ........................................................................................................ 163.2 QUADRO CLÍNICO ............................................................................................ 173.3 DIAGNÓSTICO ................................................................................................... 194 TRATAMENTOS ................................................................................................... 234.1 TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS ............................................................. 234.1.1 Analgésicos simples ..................................................................................... 234.1.2 Analgésicos opióides.................................................................................... 244.1.3 Anticonvulsivantes ....................................................................................... 244.1.4 Antidepressivos tricíclicos ........................................................................... 254.1.5 Ansiolíticos .................................................................................................... 254.1.6 Indutores do sono ......................................................................................... 264.1.7 Miorrelaxantes ............................................................................................... 264.2 TRATAMENTOS NÃO-FARMACOLÓGICOS .................................................... 264.2.1 Exercícios físicos .......................................................................................... 264.2.2 Acupuntura .................................................................................................... 274.2.3 Ioga ................................................................................................................. 274.2.4 Terapia cognitiva-comportamental .............................................................. 284.2.5 Alongamento muscular................................................................................. 284.2.6 Programas educacionais .............................................................................. 284.2.7 Massoterapia ................................................................................................. 29
  12. 12. 5 MEDICAMENTOS DE ESCOLHA ........................................................................ 305.1 MEDICAMENTO DE INDICAÇÃO MÉDICA ....................................................... 305.2 MEDICAMENTO DE INDICAÇÃO LITERÁRIA .................................................. 326 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 35REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 36
  13. 13. 12INTRODUÇÃO A patologia hoje conhecida como fibromialgia (FM) não é nova (BATES eHANSON, 1998 apud MAIA, 2006). Esta síndrome reumática representa desde a antiguidade, um importantesegmento da fenomenologia dolorosa do ser humano, através das queixas de dorprofunda, exaustão e distúrbios do sono (HELFENSTEIN e FELDMAN, 2002 apudMAIA, 2006). Sendo atualmente uma síndrome de grande incidência, representada por 5 a8% da população geral e responsável por 25% das consultas nos ambulatórios dereumatologia. Nos ambulatórios de ortopedia as queixas dolorosas músculo-esqueléticas representam 26% dos casos novos atendidos, onde 55 a 88%preenchem critérios de FM (SILVA et al., 1997 apud MAIA, 2006). Anteriormente denominada fibrosite, a FM não era considerada uma entidadeclinicamente bem definida até a década de 70, quando foram publicados osprimeiros relatos sobre os distúrbios do sono, incluindo os achadospolissonográficos, que deram margem a um aprofundamento na investigaçãoetiopatogênica (WEIDEBACH, 2002). De acordo com Heymann (2006a), Smythe e Moldofsky elaboraram em1977 o conceito de fibromialgia que prevalece até hoje, onde relatam a presença depontos anatômicos específicos, com aumento da sensibilidade dolorosa adigitopressão (os chamados Tender Points) e alterações do sono (MARQUES eCOVRE, 2009). Trata-se de uma síndrome muito frequente entre mulheres de 30 a 60 anos(há uma relação de 20 mulheres para cada homem) em que a principal característicaé a amplificação dolorosa. A expressão "dói tudo" é uma constante na anamnesedessas pacientes e é caracterizada por dores musculares difusas crônicas e sítiosdolorosos específicos, associados frequentemente a distúrbios do sono, fadiga,cefaléia crônica, distúrbios psíquicos e intestinais funcionais (WEIDEBACH, 2002). É considerada uma síndrome porque engloba uma série de manifestaçõesclínicas (MARTINEZ et al., 1992 apud ZANINI, 2004). De acordo com Heymann (2006b) o reconhecimento da fibromialgia comouma entidade nosológica real propiciou um grande avanço no entendimentodos mecanismos de geração e perpetuação da dor (MARQUES e COVRE, 2009)
  14. 14. 13 O reconhecimento das vias excitatórias e inibitórias da dor, as ações e interações de diversos neurotransmissores, tais como a serotonina, substância P, glutamato, com seus respectivos receptores, possibilitaram uma melhor compreensão dos mecanismos de amplificação dolorosa, neuroplasticidade e sensibilização central e periférica, que explicam muitos dos seus sintomas (HEYMANN 2006b apud MARQUES e COVRE, 2009, p.12). Apesar de a determinação dos “pontos dolorosos” ter sido de grande utilidade,ainda não são considerados suficientes para o diagnóstico da FM (MARTINEZ,2006a). Mas, Provenza et al. (2004) destaca que o número de tenderpoints está relacionado com a avaliação global da gravidade das manifestaçõesclínicas, fadiga, distúrbio do sono, depressão e ansiedade (MARQUES e COVRE,2009). De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) a dor crônicaagride grande parte da humanidade, firmando-se como uma das principais causasde incapacidade física para o trabalho e como um forte empecilho para a boaqualidade de vida do homem atual. Esses dados ainda mostram que 10% dapopulação mundial, incluindo crianças e adultos, sofrem de dor crônica difusa, sendoque destes 3% a 5% estão relacionados à casos de FM (HEYMANN, 2006b apudMARQUES e COVRE, 2009).
  15. 15. 141 OBJETIVOS1.1 OBJETIVO GERAL Este trabalho tem por objetivo trazer esclarecimentos sobre os tratamentosfarmacológicos para fibromialgia (FM), envolvendo o uso dos medicamentosamitriptilina e pregabalina.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Em estudos com base na literatura o trabalho tem como foco: a) O tratamento da patologia visando o alívio da dor com o uso de antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina) e anticonvulsivantes (Pregabalina), visando também à melhoria na qualidade de vida dos pacientes portadores dessa doença. b) Buscar um entendimento sobre o uso desses medicamentos, apresentando os efeitos benéficos e maléficos no uso dos mesmos, e sua farmacologia. c) Apresentar tratamentos complementares que permitam alcançar resultados positivos no alívio da dor e na melhora da qualidade de vida dos pacientes que apresentam essa doença.
  16. 16. 152 MATERIAIS E MÉTODOS Através de uma revisão literária, nosso trabalho buscou conhecimento e otratamento farmacológico da doença. Mostrando os tipos de tratamentos eenfocando no tratamento farmacológico com antidepressivos tricíclicos eanticonvulsivantes. Após a escolha do tema do trabalho foram feitas buscas em bibliotecas comoa da Fundação Educacional de Fernandópolis (FEF), e a Fundação Municipal deEnsino e Cultura (FUNEC), em bibliotecas computadorizadas, em sites de buscas esites especializados e em revistas médicas. Apoio da Dr.ª Silvia H. Farão Sandin especialista em reumatologia, com seuconhecimento clínico e convívio com pacientes portadores da doença.
  17. 17. 163 DESENVOLVIMENTO3.1 DEFINIÇÃO Define-se fibromialgia (FM) como uma síndrome reumática, caracterizada pordor difusa, referida nos ossos, músculos, tendões e fáscias, de caráter crônico, eque apresenta pontos muito dolorosos à palpação em locais predeterminadoschamados “pontos dolorosos ou tender points” (FELDMAN, 1998; GASHU, et al.,2001). Não há qualquer indício de processo inflamatório articular ou muscular(LIPHAUS et al., 2006). As dores podem ser desencadeadas por outras algias, frio,excesso de atividades, fadiga e estresse (XHARDEZ, 2001 apud ZANINI, 2004). A sinonímia de FM é variada, encontrando-se na literatura outrasdenominações como: fibrosite, fibromiosite, síndrome fibromiálgica, síndrome dafibrosite e síndrome de modulação da dor reumática (REIMÃO, 1994 apud ZANINI,2004). Sabe-se que a FM é uma doença relacionada ao funcionamento do sistemanervoso central e ao mecanismo de supressão da dor. Pesquisas apontam para umdesequilíbrio nessa regulação da dor, embora permaneça de etiologia desconhecida.Na fibromialgia esse desequilíbrio acontece em neurotransmissores eneuroreceptores relacionados à dor, que se tornam aumentados e hiper-reativos,fazendo com que sinais que não seriam considerados dolorosos passem a ser. Esseprocesso é conhecido como sensibilização central a dor. A síndrome de FM não éuma doença psicossomática nem do foro psiquiátrico; não provocacomprometimento de articulações, nem deformações. Os sintomas, algumas vezes,iniciam após trauma físico, psíco, cirúrgico, infeccioso ou estresse psicológicosignificante (MACHADO, 2011). A característica clínica mais constante na FM é, sem dúvida, a presença dedistúrbios do sono, bruxismo, sono não-reparador, interrompido, superficial. Aspacientes invariavelmente referem que acordam cansadas.Outros achados freqüentes são os estados depressivos, ansiedade, sintomascompatíveis com síndrome do pânico, fadiga (em especial pela manhã), déficit dememória, desatenção, obstipação ou diarréia (sintomas compatíveis com síndrome
  18. 18. 17do cólon irritável), distúrbios funcionais da articulação temporo-mandibular (ATM)secundários ao bruxismo, boca seca, cefaléia tensional ou enxaqueca. O perfilpsicológico dos pacientes está associado ao perfeccionismo, à autocrítica severa, àbusca obsessiva do detalhe (WEIDEBACH, 2002). Segundo um trabalho realizado por Kuchinad e colaboradores, que foipublicado no The Journal of Neuroscience no ano de 2007, apresentou evidênciasde que pacientes com FM sofrem um envelhecimento acelerado do cérebro. Apesquisa conclui que 1 ano de vida de pacientes portadores de FM equivale a 9anos de vida de uma pessoa normal e quanto maior o tempo de instalação dadoença, menor é a quantidade de massa no cérebro desses indivíduos (YENG,2008). Atualmente, sabe-se que a FM é uma forma de reumatismo associada à dasensibilidade do indivíduo frente a um estímulo doloroso. O termo reumatismo podeser justificado pelo fato de a FM envolver músculos, tendões e ligamentos. O quenão quer dizer que acarrete deformidade física ou outros tipos de sequela. Noentanto, a FM pode prejudicar a qualidade de vida e o desempenho profissional,motivos que plenamente justificam que o paciente seja levado a sério em suasqueixas. Como não existem exames complementares que por si só confirmem odiagnóstico, a experiência clínica do profissional que avalia o paciente com FM éfundamental para o sucesso do tratamento (BRAVIM, 2000).3.2 QUADRO CLÍNICO O quadro clínico desta síndrome costuma ser polimorfo, exigindo umaanamnese cuidadosa e exames físicos detalhados. Uma proporção dos pacientesrelata que a dor é inicialmente mais localizada em uma determinada região,principalmente na coluna cervical, envolvendo ou não o trapézio, outras vezes inicia-se com uma cervicobraquialgia ou uma cervicodorsalgia. Já outra parte dospacientes alega que o quadro doloroso inicia-se de maneira difusa, afetandosegmentos da coluna vertebral, membros superiores e inferiores (PROVENZA et al.,2004 apud BADKE; CAPPELLESO; POLETTO, 2006). Caracteristicamente, o quadro clínico da FM é de dores intensas pelo corpointeiro, predominando na região da coluna vertebral, com pelo menos três meses de
  19. 19. 18duração. Estes sintomas são acompanhados de rigidez matinal, cansaço ou fadigafácil e aos mínimos esforços, perturbação do sono (insônia, sonolência e/ou sononão-restaurador), depressão e ansiedade, enxaqueca, mucosas secas, parestesiasem mãos e pés, retenção de líquidos, dor torácica, podendo também apresentarcefaléia, cólon irritável, síndrome da tensão pré-menstrual, síndrome das pernas efenômeno de Raynaud. Alguns pacientes referem ainda sensação de edema naspartes moles, sobretudo em território periarticular (PAIVA et al., 2003 apud BADKE;CAPPELLESO; POLETTO, 2006). A dor difusa crônica e a hiperalgesia são os principais marcadores da FM. Opaciente relata piora do quadro álgico mediante lesões de partes moles, privação dosono, estresse emocional, exposição ao frio, dentre outros. A dor épredominantemente axial, mas mão e pés podem também ser acometidos, porvezes levando a hipótese diagnóstica de um quadro de artrite reumatóide "inicial".Segundo estudo realizado na Universidade da Flórida, pelo Dr. Roland Staud ecolaboradores, pacientes fibromiálgicos possuem memória para a sensaçãodolorosa. Os pesquisadores aplicaram estímulos de calor intenso em diferentespartes das mãos de pacientes controles e fibromiálgicos com intervalos variando de2 a 5 segundos entre as aplicações. Os pacientes fibromiálgicos apresentaramrespostas mais intensas que persistiram durante os intervalos entre as aplicações,além de sentirem dor em áreas maiores em relação ao grupo controle. Essesresultados segundo os autores representam problemas com o processamentocentral da dor o que nesse estudo, não foi esclarecido (BRAVIM, 2000). Sintomas-satélite associados à FM são comuns e marcam a maiorsensibilidade do paciente em outras áreas e funções do organismo. Entre estesencontramos a síndrome do intestino irritável, a cistite intersticial, a dor pélvicacrônica, cefaléias, a disfunção da ATM e hipotensão postural (PAIVA, 2006). Segundo Russel (1995), a deficiência relativa da serotonina pode acarretardepressão, distúrbios do sono e amplificação da dor (MOLDOFSKY, 1989)presentes nessa entidade. Quando ocorre diminuição da serotonina, observa-seredução do sono de ondas lentas e aumento das queixas dolorosas,psicossomáticas e depressivas (RUSSEL, 1995). Além disso, a redução dos níveisde serotonina na musculatura lisa pode estar relacionada com o aumento daprevalência na FM, de manifestações semelhantes às da síndrome de Raynaud e da
  20. 20. 19síndrome do cólon irritável (JACOBSEN et al., 1990 apud ZANINI, 2004). No exame físico também podem ser encontrados espasmos musculareslocalizados referidos como nódulos e sensibilidade cutânea ao pregueamento(alodíneas). A disestesia é a sensação desagradável que varia desde amortecimentoaté agulhadas sentidas nas extremidades (PEREA, 2003 apud BADKE;CAPPELLESO; POLLETO, 2006). Sabe-se ainda, que a diminuição de serotonina e outros neurotransmissoresprovocam maior sensibilidade aos estímulos dolorosos e podem estar implicados nadiminuição do fluxo de sangue que ocorre nos músculos e tecidos superficiaisencontrados na FM (PAIVA, 2006 apud REIS, 2005).3.3 DIAGNÓSTICO A FM pode ser vista como uma síndrome constituída de um núcleo central demanifestações que são essenciais para o diagnóstico, superimpostas a um númerovariável de manifestações subsidiárias frequentemente notadas em associação,porém não imprescindíveis para o diagnóstico final desta condição. Asmanifestações principais são: dor generalizada e dolorimento difuso sobre áreasdesignadas como tender points (ANTÔNIO, 2001 apud BADKE; CAPPELLESO;POLLETO, 2006). Segundo Bennett (2005) dificilmente a FM irá surgir do nada, ela normalmenteestá associada a uma lesão aguda, uma carga de trabalho repetitivo, estresse,infecções e toxinas antes ou durante seu início. Da mesma forma, é normal que umestado doloroso regional evolua para FM. Estudos comprovam uma prevalência de22% de FM um ano depois de se ter sofrido lesões parecidas com as de chicotadas(MARQUES; COVRE, 2009). A dor pode aparecer como queimação, pontada, peso, cansaço pela manhãacompanhado de dor devido à sensação de não ter repousado à noite, ou entãocontusão. O frio, a umidade, alterações climáticas, tensão emocional ou por esforçofísico são fatores que podem levar à piora da dor (PROVENZA et al., 2006 apudMARQUES; COVRE, 2009). Provenza et al. (2006) destaca a possibilidade de existir uma associação
  21. 21. 20entre a dor e uma sensação subjetiva de edema e parestesias, onde o paciente sequeixa de inchaço em mãos e antebraços, mas que, porém, o médico nãodiagnostica e nem está associado a nenhum processo inflamatório (MARQUES;COVRE, 2009). Uma vez que ainda não existe exame laboratorial que comprove a doença, odiagnóstico tem de ser feito a partir de sintomas relatados pelo paciente e de umexame clínico que mede a sensibilidade à dor em 18 pontos espalhados pelo corpo.Segundo Jamil Natur, reumatologista da Universidade Federal do Estado de SãoPaulo (UNIFESP), para um paciente ser diagnosticado como fibromiálgico, eleprecisa queixar-se de dor difusa há mais de três meses, ter distúrbio na qualidade dosono e apresentar sensibilidade à dor em pelo menos 11 dos 18 pontos do exameclínico (BRAVIM, 2000). De acordo com os critérios atuais, devem ser pesquisados os seguintes paresde pontos: 1. Subocciptal - na inserção do músculo subocciptal; 2. Cervical baixo - atrás do terço inferior do esternocleidomastoideo, no ligamento intertransverso C5-C7; 3. Trapézio - ponto médio do bordo superior, numa parte firme do músculo; 4. Supra-espinhoso - acima da escápula, próximo à borda medial, na origem do músculo supra-espinhoso; 5. Segunda junção costo-condral - lateral à junção, na origem do músculo grande peitoral; 6. Epicôndilo lateral - 2 a 5 cm de distância do epicôndilo lateral; 7. Glúteo médio - na parte média do quadrante súpero-externo na porção anterior do músculo glúteo médio; 8. Trocantérico - posterior à proeminência do grande trocanter; 9. Joelho - no coxim gorduroso, pouco acima da linha média do joelho (PROVENZA et al., 2004). A pressão exercida nos pontos deve ser de 4 Kg/cm², o que, do ponto de vistaprático, é a pressão necessária para que o leito ungueal do polegar fiqueesbranquiçado (BRAVIM, 2000). O exame físico fornece poucos achados. Eles apresentam bom aspecto geral,sem evidência de doença sistêmica, sem sinais inflamatórios, sem atrofia muscular,sem alterações neurológicas, com boa amplitude de movimentos e com força
  22. 22. 21muscular preservada, apesar dos sintomas citados. O único achado clínicoimportante é a presença de sensibilidade dolorosa em determinados sítiosanatômicos, chamados de tender points. É importante ressaltar que estes “pontosdolorosos” não são geralmente conhecidos pelos pacientes, e normalmente não sesituam na zona central de dor por eles referida (PROVENZA et al., 2004). Figura 1: Representação dos tender points. Fonte: ZAMBONE, Fibromialgia: Tratamento Medicamentoso, 2004, p.01. Devemos ter cuidado em diferenciar os tender points (pontos dolorosos) daFM dos trigger points (pontos gatilhos) presentes na síndrome dolorosa miofascial. Apalpação dos primeiros produz dor localizada não irradiada, portanto não ocorre dorem locais proximais ou distais às áreas examinadas, não havendo enduração oucontratura nítida dos pontos. Os trigger points, por sua vez, apresentam,caracteristicamente, dor referida e sua irradiação pode ser previsível eanatomicamente mapeada, seguindo um padrão estereotipado, segundo descrições
  23. 23. 22de Simmons (1988), sendo considerado como especificidade e sensibilidade para asíndrome dolorosa miofascial (SHRIWISE, 1997; MAEDA et al., 2006 apud MAIA,2006). As doenças mais suceptíveis de causar confusões diagnósticas são:miopatias endócrinas (hipotireoidismo, hiperparatireoidismo primário,hipertireoidismo e insuficiência adrenal), osteomalácia, polimialgia reumática e artritede células gigantes, polimiosites, algumas doenças auto-imunes do colágeno comoa artrite reumatóide e o lúpus eritematoso sistêmico, a síndrome de Sjögren, asíndrome paraneoplásica, o reumatismo psicogênico e extra-articular, a síndromemiofascial, neoplasias e doença de Parkinson (PROVENZA et al., 2004;HELFENSTEIN, 2006 apud MARQUES; COVRE, 2009). Além de doenças, algumas reações adversas a determinados medicamentostambém podem dar origem à mialgias difusas, principalmente bloqueadores dereceptores H2, fibratos, estatinas e corticosteróides (HELFENSTEIN, 2006 apudMARQUES; COVRE, 2009). Devido a esta série de fatores, a FM é uma doença que não há comoprevenir, mas, parece que aqueles indivíduos que realizam exercícios físicosregularmente e não passam por situações de estresse tem uma incidência defibromialgia menor do que aqueles indivíduos sedentários e que vivem em situaçõesde estresse emocional. Vale ressaltar que ficar alerta aos fatores de risco é umaforma de prevenção (FELDMAN, 2009 apud MARQUES; COVRE, 2009).
  24. 24. 234 TRATAMENTOS4.1 TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS A procura pelo tratamento medicamentoso da FM é muito variada, isso ocorredevido ao fato de a intensidade dos sintomas e a amplitude de sistemas acometidosserem diferentes de pessoa para pessoa, por isso encontramos indivíduos que nãoprocuram o serviço médico para se tratar, enquanto encontramos aqueles que estãogravemente limitados pela enfermidade, tendo que ser submetidos a diversostratamentos (POLLAK, 2006 apud MARQUES; COVRE, 2009). A FM deve ser tratada visando alguns pontos como a melhoria da qualidadedo sono do paciente, nos quadros de stress, ansiedade, humor e também o controledos sintomas dolorosos (WEIDEBACH, 2002 apud MARQUES; COVRE, 2009). A abordagem de tratamento mais divulgada para a FM envolve o uso dediversos agentes farmacológicos e é útil avaliar os resultados dos estudos sobre asua eficácia. O medicamento antidepressivo tricíclico aumenta a quantidade deserotonina no sistema nervoso central e aumenta a fase de sono da onda delta; éutilizado consistentemente para melhorar os sintomas de FM, entretanto, não agindocomo um antidepressivo e nem em todos os pacientes tratados (CHAITOW, 2002apud ZANINI, 2004). Segundo Pollak (2006), no tratamento da FM são usadas algumas classesfarmacológicas dentre as quais cita-se: analgésicos simples; analgésicos opióides;anticonvulsivantes; antidepressivos tricíclicos; ansiolíticos; indutores do sono;miorrelaxantes.4.1.1 Analgésicos simples Um dos pontos mais importantes no tratamento da FM é a de cessar a dorsentida pelo paciente, embora os analgésicos não sejam os únicos recursos para amelhoria da dor eles são essenciais. Os analgésicos correspondem a um grupo de
  25. 25. 24medicamentos com um uso mais amplo, pois são utilizados para o alívio da dor, suadisponibilidade fora dos estabelecimentos farmacêuticos é muito grande, podendoser encontrados em mercearias, armazéns, levando em conta os veículos decomunicação que nos induzem ao seu uso. Dentre os analgésicos simples utilizadospara o tratamento da FM, encontram-se o paracetamol, a dipirona e algunsantiinflamatórios como o diclofenaco (TIERLING et al., 2004 apud MARQUES;COVRE, 2009).4.1.2 Analgésicos opióides O corpo humano possui naturalmente peptídeos opióides endógenos comopor exemplo, as endorfinas, que ativam sistemas de supressão da dor no cérebro ena medula espinhal, os analgésicos opióides agem da mesma forma, imitando aação desses compostos endógenos, ligando-se aos mesmos receptores opióidespara que a dor cesse. O mecanismo de ação dos analgésicos opióides é devido àocupação de receptores como o mu, kappa e delta localizados no sistema nervosocentral, inibindo a liberação de neuromediadores da dor como a substância P.Dentre a classe dos analgésicos opióides, os mais utilizados no tratamento da FMsão a morfina e o tramadol (JARDIM, 2007 apud MARQUES; COVRE, 2009).4.1.3 Anticonvulsivantes Os anticonvulsivantes fazem parte de uma classe de medicamentos usadosno tratamento de convulsões, porém eles também são usados no tratamento da FM,alguns medicamentos como a gabapentina e a carbamazepina apresentampropriedades analgésicas quando usadas diariamente (POLLAK, 2006 apudMARQUES; COVRE, 2009). O primeiro medicamento a ser aprovado pelo órgão governamental americanoFood and Drug Administration (FDA), e também aprovado no Brasil, para a síndromeda FM é a pregabalina, um modulador do canal de cálcio que atua em neurônioshiperexcitados, promovendo a diminuição da liberação de vários neuro-hormôniosestimulantes da dor, como o glutamato e a substância P. Diversos estudosmostraram eficácia no combate a dor, na qualidade do sono, na fadiga e nas
  26. 26. 25avaliações globais de melhora dos pacientes com síndrome da FM (HELFENSTEIN,2006).4.1.4 Antidepressivos tricíclicos Os antidepressivos são fármacos bastante estudados no tratamento da FM,especialmente porque eles melhoram a dor, o sono e a fadiga em 30 a 40% dospacientes, as doses usuais pelos pacientes portadores desta síndrome são menoresquando comparadas com as doses necessárias para pacientes com depressão.Pacientes que utilizam antidepressivos muitas vezes reclamam de certos efeitosadversos como sonolência excessiva, ganho de peso, constipação intestinal e faltade libido. Os antidepressivos tricíclicos mais utilizados em pacientes com FM são aamitriptilina e a imipramina. O uso de antidepressivos de segunda geração porpacientes com FM também são eficazes, dentre eles estão a fluoxetina, a sertralinae a paroxetina (POLLAK, 2006 apud MARQUES; COVRE, 2009). No geral, antidepressivos tricíclicos atuam modificando o metabolismo decertos neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina, promovendo umaanalgesia periférica central, aumentando também os efeitos dos analgésicosopióides endógenos, age também melhorando os distúrbios do sono com o aumentoda fase 4 (PROVENZA et al., 2004 apud MARQUES; COVRE, 2009).4.1.5 Ansiolíticos Os benzodiazepínicos é uma classe de medicamentos utilizados notratamento da FM, dentre essa classe o alprazolam é um dos fármacos de escolhapara o tratamento da FM, ficou-se comprovado que doses entre 0,5 a 3,0mg naterapêutica, age melhorando tanto os sintomas dolorosos, como também osproblemas relacionados ao sono. O alprazolam é um potencializador do ácido gamaaminobutírico (GABA), seu uso contínuo poderá levar o paciente a uma dependênciaquímica (BENITEZ FILHO; MOLINARI, 2006; POLLAK, 2006 apud MARQUES;COVRE, 2009).
  27. 27. 264.1.6 Indutores do sono Dentre as classes farmacológicas de medicamentos utilizados no tratamentoda FM, os anti-histamínicos e os hipnóticos são classificados como indutores dosono (POLLAK, 2006 apud MARQUES; COVRE, 2009). Conforme a elucidação de Benitez (2006) um dos medicamentospertencentes à classe dos hipnóticos e utilizados no tratamento da FM é o zolpidem,um hipnótico sintético, considerado um agente clinicamente seletivo devido ao seucaráter agonista dos receptores ômega-1 (MARQUES; COVRE, 2009).4.1.7 Miorrelaxantes Os miorrelaxantes também são usados no tratamento da FM, dentre os maisutilizados estão a tizanidina e o baclofeno (POLLAK, 2006 apud MARQUES;COVRE, 2009).4.2 TRATAMENTOS NÃO-FARMACOLÓGICOS Na FM, por ser uma doença que envolve diversas causas até hoje nãocompletamente elucidadas, o tratamento medicamentoso isolado não tem semostrado totalmente suficiente no controle dos seus sintomas, por isso é necessárioa agregação de outras terapias como exercícios aeróbios, alongamento muscular,massoterapia, hidroterapia, ioga, acupuntura, terapia cognitivo-comportamental,programas educacionais, etc (BRESSAN et al., 2008 apud MARQUES; COVRE,2009).4.2.1 Exercícios físicos Os benefícios dos exercícios físicos na FM, segundo Valim (2006) são degrande relevância, pois esses pacientes geralmente apresentam uma diminuição dacapacidade cardiorrespiratória, existe também uma relação da dor com a atividadefísica, sendo ela muito importante no controle da dor em pacientes portadores da
  28. 28. 27FM. Alguns estudos mostraram que pessoas que tiveram seu sono privado e eramsedentárias, apresentavam uma percepção da dor maior quando comparada apessoas que praticavam exercícios físicos, dessa forma, ficou-se comprovado queos exercícios físicos diminuem as sensações dolorosas (MARQUES; COVRE, 2009). A atividade física pode ajudar o paciente com FM, pois ele pode apresentarum efeito analgésico, com a estimulação da liberação de hormônios como aendorfina na corrente sanguínea durante a atividade física, que é a responsável pelanossa analgesia endógena, proporcionando não só um efeito analgésico comotambém bem-estar. Os exercícios também induzem o relaxamento, esse efeito éconseqüente da elevação da temperatura corporal durante a prática dos exercíciosfísicos (PRANDO; ROGATTO, 2006 apud MARQUES; COVRE, 2009).4.2.2 Acupuntura A acupuntura de acordo com Magalhães e Rocha (2007) é um método muitoapropriado no tratamento da dor crônica, sendo usada para tratar inúmerascondições dolorosas. O tratamento da FM com a acupuntura visa interferir sobreneurotransmissores que estão interligados com a depressão e a dor, a base dotratamento com esse método é no reequilíbrio energético dos meridianos, que sãoos canais que transportam a energia vital pelo nosso organismo (MARQUES;COVRE, 2009).4.2.3 Ioga A ioga traz benefícios aos pacientes com FM pois, através das posturas dealongamento, a pessoa aumenta a sua flexibilidade, pois esses pacientesnormalmente possuem rigidez e encurtamento muscular que consequentementeaumentam os quadros de fadiga e dor (SILVA; LAGE, 2006 apud MARQUES;COVRE, 2009). O exercício da ioga pode levar o paciente com FM à uma redução daatividade cerebral em áreas relacionadas com as sensações dolorosas, sendo quealguns pacientes durante a meditação relatam não sentirem dor. O tratamento comioga também diminui os quadros de ansiedade e depressão, características que na
  29. 29. 28maioria das vezes estão presentes nos pacientes com FM e que podem influenciaros componentes emocionais da dor (MARQUES; COVRE, 2009).4.2.4 Terapia cognitiva-comportamental A terapia cognitiva-comportamental tem como finalidade modificar ascaracterísticas comportamentais e emocionais do paciente com FM que as levam apiorar seu quadro doloroso. Padrões cognitivos mal adaptados, que dificultam a melhora da dor e da qualidade de vida do paciente, são identificados na reestruturação cognitiva com o objetivo de aumentar a habilidade de lidar com a condição dolorosa crônica e acelerar a melhora clínica (LAGE e VALIM 2006 apud MARQUES e COVRE, 2009, p.55).4.2.5 Alongamento muscular O alongamento muscular exerce um papel muito importante no tratamento,melhorando os sintomas da dor através do fortalecimento da musculatura(BRESSAN et al., 2008 apud MARQUES; COVRE, 2009). O alongamento tem por finalidade equilibrar e restaurar estruturas como omúsculo, o tendão e o ligamento, pois os mesmo podem apresentar certa rigidez, elealtera o comprimento dos músculos facilitando assim os movimentos. Oalongamento provoca uma deformação elástica no tecido, assim o tecido irárecuperar sua elasticidade original (SANTOS, 2003 apud MARQUES; COVRE,2009).4.2.6 Programas educacionais Programas de educação para pacientes com FM têm por objetivo esclarecerdiversos pontos sobre a doença como, sua epidemiologia, os seus mecanismos efatores desencadeantes, os seus sintomas, o diagnóstico, o papel do paciente notratamento, seu tratamento medicamentoso e não-medicamentoso, exercíciosfísicos, etc (LAGE; VALIM, 2006 apud MARQUES; COVRE, 2009).
  30. 30. 29 A educação do paciente pode ser tanto individual como em grupo, e tem semostrado muito eficiente na melhora dos sintomas, isso se comprova através deestudos comparando pacientes que participaram dos programas educacionais comos que não participaram, os que participaram disseram que a educação melhorousintomas como a dor, o sono, a fadiga e a sua qualidade de vida (LAGE; VALIM,2006 apud MARQUES; COVRE, 2009).4.2.7 Massoterapia A massoterapia também tem mostrado grande eficácia no tratamento da FM,a massagem proporcionou aos pacientes uma diminuição significativa da dor e dadepressão, sendo assim os pacientes diminuíram a ingestão de analgésicos, isso sedeve ao fato da massagem possuir propriedades analgésicas devido aos estímulosaplicados à pele, pois quando ocorre um estimulo sensorial como coçar epressionar, que são transmitidos por fibras grossas, essas podem dificultar atransmissão dos impulsos nervosos pelas fibras finas, que estão relacionadas com ador. A massagem também proporciona um relaxamento podendo ajudar nadiminuição dos quadros de dor, pois estimulam mecanismos de modulação da dorcom a secreção de peptídeos opióides endógenos (LAGE; VALIM, 2006 apudMARQUES; COVRE, 2009).
  31. 31. 305 MEDICAMENTOS DE ESCOLHA5.1 MEDICAMENTO DE INDICAÇÃO MÉDICA Os antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando ohumor e, consequentemente, melhorando a psicomotricidade de maneira global(BALLONE, 2005). Os antidepressivos tricíclicos estão disponíveis há mais de 40 anos econstituem a primeira escolha na abordagem da FM. Trazem benefício a curtoprazo, em geral nas duas primeiras semanas de tratamento (ZAMBONE, 2004). Os antidepressivos tricíclicos possuem ação analgésica indireta, não causamdependência e não possuem efeito narcótico. Promovem aumento da quantidade deneurotransmissores como serotonina, dopamina e norepinefrina. Isso resulta emaumento na quantidade de sono profundo, favorecimento da transmissão neuronalmediada por serotonina, potencialização da ação analgésica das endorfinas erelaxamento muscular (ZAMBONE, 2004). Segundo Silva (2006), essa classe de antidepressivos produz uma diminuiçãodo número de receptores pós-sinápticos, tanto beta-adrenérgicos pós-sinápticosquanto alfa-adrenérgicos pré-sinápticos. Esse fenômeno recebe o nome dedessensibilização ou infra-regulação. Como a dessensibilização dos receptores pós-sinápticos é semelhante ao tempo habitualmente necessário para o efeitoterapêutico, alguns autores sugerem que esse fenômeno seja o suporte bioquímicoexplicativo da ação terapêutica dos antidepressivos. A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico da classe das aminas terciárias,que inibe de maneira não seletiva a recaptação de serotonina e noradrenalina nosistema nervoso central (PAIVA, 2010). As ações dos antidepressivos tricíclicos semelhantes à imipramina incluemdiversas adaptações complexas secundárias as suas ações iniciais confirmadascomo inibidores do transporte neuronial (recaptação) da norepinefrina e o bloqueiovariável do transporte da serotonina (GOODMAN; GILMAN, 2006). A depressão está presente em 30% dos pacientes no momento dodiagnóstico e em 50% dos pacientes ao longo da vida. Considerar a FM como umacondição secundária à depressão é errado, sob o ponto de vista fisiopatológico.
  32. 32. 31Ignorá-la e deixar de tratar também é um erro grave, pois a depressão piora apercepção da dor, altera o sono e desmotiva o paciente para a prática de exercíciosfísicos (PAIVA, 2006). As dores crônicas, como as cefaléias e a FM, podem ser aliviadas com baixasdoses de antidepressivos tricíclicos, principalmente a amitriptilina. Estes agentesinibem, de forma não específica, a recaptação central da serotonina e danoradrenalina, potencializando o efeito de ambos os neurotransmissores,influenciando as vias descendentes inibitórias que modulam a transmissão aferentede dor (PAIVA, 2010). Para melhor entendimento da ação dos antidepressivos é bom lembrar que aserotonina é uma substância chamada de neurotransmissor, existe naturalmente emnosso cérebro e, como tal, serve para conduzir a transmissão de uma célula nervosa(neurônio) para outra, ela é responsável pela sensação de bem-estar no ser humano(BALLONE, 2005). Baixos níveis de serotonina caracterizam tanto a FM como a depressão,portanto os antidepressivos agem de forma a aumentar a concentração desseneurotransmissor no corpo. Dessa forma, este tipo de medicamento é usado nafibromialgia em função de seu efeito nos níveis de serotonina, e têm se mostradoeficaz no tratamento da dor (ARAÚJO, 2004). Os antidepressivos tricíclicos são rapidamente absorvidos após administraçãooral. Normalmente, após um período de quatro horas, a absorção é virtualmentecompleta. Essa classe de medicamentos liga-se em altas proporções às proteínassanguíneas (75-97%). Concentrações elevadas são encontradas tanto no cérebrocomo em outros órgãos (SILVA, 2006). As doses mais indicadas para pacientes com FM são de 12,5 à 50 mg deamitriptilina, sempre em dose única e a noite, já que este medicamento age somenteno sono (CHAHADE, 2010). De acordo com Ballone (2005), ela é bem e rapidamente absorvida por viaoral. Metaboliza-se exclusivamente no fígado e seu metabólito ativo é a nortriptilina. Chahade (2010) afirma que, a efetividade destas drogas não é muitoimpressionante, cerca de 30% dos pacientes consegue usar amitriptilina por umlongo tempo. As doses iniciais devem ser sempre pequenas. Efeitos como sedaçãoexcessiva, boca seca e constipação muitas vezes não são toleráveis pelospacientes. Existe descrito para amitriptilina um efeito de taquifilaxia (perda de efeito
  33. 33. 32com o tempo) e alguns autores sugerem a troca rotineira por outra medicação. Os antidepressivos tricíclicos têm uma forte tendência em ligar-se àsproteínas plasmáticas, embora a fração livre tenha também uma grande importânciana ação terapêutica. Apenas 5% da dose ingerida é excretada em sua forma original(BALLONE, 2005). Ainda segundo Ballone (2005), a união da amitriptilina as proteínas é elevadano plasma e em tecidos (96%). A eliminação é principalmente renal e ocorre durantevários dias. Sua meia-vida é de 10 a 50 horas. A amitriptilina pode causar algumas reações adversas como visão turva,movimentos incontrolados das pernas ou braços, confusão, delírio, alucinações,constipação (principalmente em idosos), dificuldade ao falar ou engolir, nervosismo,agitação, rigidez muscular, fotossensibilidade, crises convulsivas, sudoreseexcessiva, vômitos. Sendo que as seguintes reações indicarão a suspensão dotratamento, náuseas, vômitos, diarréia, excitação não habitual e perturbações dosono (BALLONE, 2005). Segundo Ballone (2005), algumas das interações apresentadas por esse tipode medicação são as seguintes: aumenta a ação dos anticoagulantes por inibição dometabolismo enzimático do anticoagulante. Potencializa a depressão do sistemanervoso central, o que diminui o limiar das crises convulsivas a doses elevadas ediminui os efeitos da medicação anticonvulsiva. Os corticóides, anti-histamínicos ouantimuscarínicos potencializam os efeitos antimuscarínicos; principalmente os deconfusão mental, alucinações e pesadelos. Os efeitos dos antidepressivos tricíclicospodem ser diminuídos quando usados com barbitúricos. A cimetidina inibe ometabolismo da amitriptilina e aumenta sua concentração plasmática. Outrosdepressores do sistema nervoso central potencializam sua ação. Não érecomendado seu uso com inibidores da monoamina oxidase devido ao aumento dorisco de convulsões graves e crises hipertensivas.5.2 MEDICAMENTO DE INDICAÇÃO LITERÁRIA Anticonvulsivantes foram alvos de estudos para o tratamento da dor na FM. Apregabalina é uma bloqueadora dos canais de cálcio voltagem-dependentes,inibindo a neurotransmissão da dor (PAIVA, 2010). O FDA já havia aprovado o medicamento para a epilepsia, a neuropatia
  34. 34. 33diabética e a neuralgia pós-herpética, em 21 de junho de 2007 ele aprovou apregabalina como a primeira droga com indicação para o tratamento medicamentosoda FM (PAIVA, 2010; OWEN, 2007; COSTA, 2008). Apesar de ser estruturalmente similar ao GABA, a pregabalina não tem efeitossobre o GABAA, GABAB ou sobre os receptores da benzodiazepina. Ela não alteraas concentrações do GABA no cérebro e não tem efeitos agudos na absorção oudegradação do GABA. Atualmente, acredita-se que a proteína da subunidade alfa-2-delta de canais de cálcio operados por voltagem média os efeitos ansiolíticos,convulsivos e antinociceptivos da pregabalina. Esta ação pré-sinapticamentemediada reduz a descarga da substancia P pelo neurotransmissor excitatório, opeptídeo de calcitonina relacionado ao gene, glutamato e neurotransmissoresmonoaminérgicos. Estudos pré-clinicos observaram esses efeitos com constânciaem concentrações terapêuticas relevantes. É provável que os efeitos da pregabalinasobre a fibromialgia possam ser principalmente explicados por suas ações naproteína da subunidade alfa-2-delta de canais de cálcio operados por voltagemembora um efeito ansiolítico não seja um pré-requisito para o alivio eficaz da dor(OWEN, 2007). O U.S. Prescribing Information (Informação para prescrição – EUA) afirmaque a dose recomendada de pregabalina na FM deve ser de 300 mg/dia a 450mg/dia. Doses de 600 mg/dia conferiram pouco benefício adicional, porémaumentaram as taxas de eventos adversos (OWEN, 2007). Ainda segundo Owen (2007), devido a natureza desafiadora dos sintomas daFM, é provável que uma proporção de pacientes necessitará de terapia combinada.A pregabalina demonstrou ser eficaz em tratar tanto a dor quanto os sintomas queacompanham esta patologia. Foi bem tolerada e não há novos eventos adversosque tenham sido relatados após seu uso para outras indicações. A pregabalina tem mostrado um perfil de eficácia superior a amitriptilina, poisé rapidamente absorvida através do trato digestivo, com uma biodisponibilidade de90%, uma farmacocinética altamente previsível e linear com baixa variabilidade emeia-vida longa; permitindo assim uma administração de duas vezes ao dia (RÍOS,2010). Segundo Ríos (2010), a pregabalina não se liga às proteínas plasmáticas e éexcretada inalterada na urina quase que totalmente, por isso tem pouca interação
  35. 35. 34com outras drogas. As interações medicamentosas com a pregabalina foram pouco expressivas,inclusive com medicamentos utilizados no tratamento da dor, comoanticonvulsivantes. Dessa forma, a pregabalina é um produto limpo, puro, compouca interação medicamentosa e eficácia comprovada por vários estudos.
  36. 36. 356 CONSIDERAÇÕES FINAIS Hoje para o tratamento da FM, buscam-se alternativas que melhorem aqualidade de vida dos pacientes, podendo ser utilizado o tratamento farmacológico,embasado na literatura que nos informa sobre a utilização de medicamentosanticonvulsivantes, ou então, a uma indicação clínica através do uso deantidepressivos tricíclicos. Seja qual for o tratamento farmacológico escolhido, elesempre deverá estar acompanhado de um tratamento alternativo, que incluiprincipalmente exercícios físicos. Ao realizarmos uma revisão baseada na literatura podemos analisar que otratamento medicamentoso mais indicado e comprovado para o tratamento da FM éo uso da Pregabalina, um anticonvulsivante, modulador do canal de cálcio que atuaem neurônios hiperexcitados, promovendo a diminuição da liberação de váriosneuro-hormônios estimulantes da dor, como o glutamato e a substância P. Por outro lado, quando falamos na síndrome da dor difusa, a indicação clínicamais utilizada, conforme relatado pela Dr.ª Silvia H. Farao Sandin, médicareumatologista especializada em FM é a Amitriptilina, um antidepressivo tricíclicoque age inibindo a noradrenalina e a serotonina que são os causadores da dor. A literatura embasa a Pregabalina, pois quando utilizada por muito tempo,apresenta propriedade analgésica, melhorando os sintomas da dor. A indicação deAmitriptilina é devido à melhoria do sono, fadiga e também da dor. Assim, podemos ter uma melhoria na qualidade de vida dos pacientesoptando por um desses dois tipos de tratamento farmacológico, onde os mesmospromovem a melhora da dor.
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