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Análise parasitológica em fezes de crianças da zona rural e urbana de fernandópolis

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  • 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS CAMILA YARA BARBOSA ELISA SEIKO IKEDA JÉSSICA LAÍS DE SOUZA STÉFANI DA SILVEIRA BISSIANÁLISE PARASITOLÓGICA EM FEZES DE CRIANÇAS DA ZONA RURAL E URBANA DE FERNANDÓPOLIS-SP FERNANDÓPOLIS 2012
  • 2. CAMILA YARA BARBOSA ELISA SEIKO IKEDA JÉSSICA LAÍS DE SOUZA STÉFANI DA SILVEIRA BISSIANÁLISE PARASITOLÓGICA EM FEZES DE CRIANÇAS DA ZONA RURAL E URBANA DE FERNANDÓPOLIS-SP Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientadora: Profa. MSc. Daiane Fernanda Pereira Mastrocola FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2012
  • 3. CAMILA YARA BARBOSA ELISA SEIKO IKEDA JÉSSICA LAÍS DE SOUZA STÉFANI DA SILVEIRA BISSI ANÁLISE PARASITOLÓGICA EM FEZES DE CRIANÇAS DA ZONA RURAL E URBANA DE FERNANDÓPOLIS-SP Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: ____ de novembro de 20____. Banca examinadora Assinatura ConceitoProfa. MSc. Daiane FernandaPereira Mastrocola (Orientadora)Profa. Dra. Maria Elisa FurlanGandini Castanheira(Avaliadora 1)Profa. Maria Laís Devólio(Avaliadora 2) Profa. MSc. Daiane Fernanda Pereira Mastrocola Presidente da Banca Examinadora
  • 4. Dedicamos este trabalho aos nossos pais, quesempre nos incentivaram e apoiaram e a todos osprofessores do curso de Farmácia, que nos deram conselhos e sabedoria necessária para a realização deste.
  • 5. AGRADECIMENTOSAgradecemos primeiramente a nossa orientadora, professora Daiane, que nosorientou e nos preparou para a realização deste trabalho; à diretora da CEMEI MariaSimão - Sílvia, que abriu as portas da sua escola e nos recebeu com toda atenção;aos professores do Laboratório de Análises Clínicas, Jeferson, Maria Laís, Vânia,Anísio, Nayara e Veida, por nos ajudar na parte prática deste trabalho eagradecemos imensamente à Josi por nos ajudar com as crianças na escola.
  • 6. RESUMOAs enteroparasitoses são doenças comuns no mundo, tendo sua gravidadedependente de alguns fatores como a situação imunológica em que o hospedeiro seencontra e a quantidade de cistos encontrada no organismo. Os parasitasapresentam prevalência em regiões onde as condições socioeconômicas, osaneamento básico, os hábitos de higiene e a falta de informação da população sãoprecários. São transmitidos principalmente através de água e alimentoscontaminados com cistos, e pelo contato direto de pessoa para pessoa. Ospacientes mais acometidos são as crianças devido à falta de higiene, principalmentepor sempre levarem as mãos sujas à boca. O objetivo desse trabalho é verificar aocorrência destes protozoários em crianças da zona rural e urbana de Fernandópolise comparar os resultados com as pesquisas citadas. Foram examinadas vintecrianças, sendo dez delas habitantes da zona urbana e dez da zona rural, de idadesentre seis e oito anos. Em 25% do total destas foi encontrado algum tipo de parasitaapresentando monoparasitismo e poliparasitismo. Das crianças positivas, 60%habitam a zona urbana e 40% habitam a zona rural, podendo ser indício de maiorconscientização da população desta área. A maior frequência de parasitasencontrados foi de E. nana em 10% das amostras, seguidas de G. lamblia e E. coliem 5% das amostras. Em relação aos métodos utilizados, o método de Hoffmanmostrou-se mais eficaz, pois todas as amostras positivas foram detectadas nele,enquanto que o método de Faust detectou apenas 40% dos parasitas. A importânciada realização dos Exames Parasitológicos de Fezes com mais de uma amostra foiconfirmada através da verificação da eliminação intermitente da G. lamblia. Foramobservados também as condições socioeconômicas e os hábitos higiênicos dascrianças, onde se pode concluir que a prevalência destes protozoários estárelacionada com a quantidade de pessoas residindo na mesma casa, a rendafamiliar baixa, hábitos higiênicos inadequados, como lavar as mãos, e o hábito debeber água da torneira, já que os cistos de G. lamblia sobrevivem à cloração daágua. Assim, as enteroparasitoses podem ser consideradas um problema familiar enão somente individual, independentemente da zona onde vivem.Palavras chave: enteroparasitoses, condições socioeconômicas, eliminaçãointermitente, saneamento básico.
  • 7. ABSTRACTEnteroparasitosis are the most common diseases worldwide, and their gravenessdepend on some factors as the host immunological situation and the amount of cystsfound in the organism, which also determines if these pathologies will besymptomatic or asymptomatic. The parasites are found all over the world, and theirprevalence is on regions where the social and economic conditions, the basicsanitation, the hygiene customs and the lack of information are precarious. They aremainly transmitted by contaminated water and food where the cysts are and also bydirect contact from person to person. The patients most attacked by thesepathologies are children due to the lack of hygiene, mostly because dirty hands tomouth. This work aims to verify the occurrence of these protozoa in children of therural and urban zone of Fernandópolis and to compare the results with the citedresearches. Twenty children were examined, being ten of them inhabitants of theurban zone and ten from the rural zone, with ages among six to eight. Parasite wasfound in 25% of the total presenting monoparasitism and polyparasitism. Of thepositive children, 60% reside in the urban zone and 40% in rural zone, which can bean indication of more awareness of this area. The most frequency of parasites wasthe E. nana in 10% of the samples, followed by G. lamblia and E. coli in 5% of thesamples. In relation to the concentration methods, the Hoffman’s was the mosteffective, because all the positive samples were detected in this method, whereas theFaust’s detected just 40% of parasites. The importance of the ParasitologicalExamination of Faeces realization with more than one sample was confirmed throughthe verification of the intermittent elimination of G. lamblia. The children social andeconomic conditions and their hygiene customs were also observed and we canconclude that the prevalence of these protozoa is due to the quantity of people livingin the same house, the low household income, inadequate hygiene customs, likewashing the hands, and also the habit of drinking tap water, as the G. lamblia cystssurvive from the water chlorination. Thereby, the Enteroparasitosis can beconsidered a familiar problem and not only individual, independently of which zonethey live.Key-words: Enteroparasitosis, Social and Economic Conditions, IntermittentElimination, Basic Sanitation.
  • 8. LISTA DE FIGURASFigura 1 – Trofozoíto de Entamoeba histolytica 15Figura 2 – Cisto de Entamoeba histolytica 15Figura 3: Ciclo biológico da Entamoeba histolytica 16Figura 4 – Trofozoíto de Entamoeba coli 17Figura 5 – Cisto de Entamoeba coli 17Figura 6 – Trofozoíto de Endolimax nana 18Figura 7 – Cisto de Endolimax nana 18Figura 8 – Trofozoíto de Iodamoeba bütschlii 19Figura 9 – Cisto de Iodamoeba bütschlii 19Figura 10 – Trofozoíto de Giardia lamblia 21Figura 11 – Cisto de Giardia lamblia 21Figura 12: Ciclo biológico da Giardia lamblia 22Figura 13 – Distribuição das amostras quanto ao sexo 30Figura 14 – Distribuição de amostras positivas 31Figura 15 – Percentual de monoparasitismo e poliparasitismo 31Figura 16 – Distribuição das amostras positivas em relação à zona onde 33vivemFigura 17 – Relação de amostras positivas com o nível de escolaridade dos 35responsáveisFigura 18 – Relação de amostras positivas e quantidade de moradores da 36casaFigura 19 – Relação entre amostras positivas e renda familiar 36Figura 20 – Relação de amostras positivas e higiene pessoal 37Figura 21 – Relação das respostas do questionário das crianças da zona 38rural
  • 9. LISTA DE TABELASTabela 1 – Porcentagem e freqüência dos parasitas e suas associações 32Tabela 2 – Comparação entre os métodos de concentração 33Tabela 3 – Relação dos resultados considerando o intervalo entre as amostras 34
  • 10. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASCEMEI – Centro Municipal de Educação InfantilEPF – Exame parasitológico de fezesLAC – Laboratório de Análises Clínicas da FEFOMS – Organização Mundial de Saúdeµm - MicrômetroE. nana – Endolimax nanaE. coli – Entamoeba coliG. lamblia – Giardia lamblia
  • 11. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 122. REVISÃO DA LITERATURA.............................................................................. 14 2.1 Entamoeba histolytica .................................................................................. 14 2.1.1 Morfologia .............................................................................................. 14 2.1.2 Sintomas ................................................................................................ 15 2.1.3 Ciclo biológico........................................................................................ 16 2.2 Entamoeba coli ............................................................................................ 17 2.2.1 Morfologia .............................................................................................. 17 2.2.2 Ciclo biológico........................................................................................ 18 2.3 Endolimax nana ........................................................................................... 18 2.3.1 Morfologia .............................................................................................. 18 2.4 Iodamoeba bütschlii ..................................................................................... 19 2.4.1 Morfologia .............................................................................................. 19 2.5 Giardia lamblia ............................................................................................. 20 2.5.1 Morfologia .............................................................................................. 20 2.5.2 Sintomas ................................................................................................ 21 2.5.3 Ciclo biológico........................................................................................ 21 2.6 Tratamento e profilaxia................................................................................. 22 2.7 Métodos laboratoriais para o diagnóstico de enteroparasitas ...................... 23
  • 12. 3. MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................. 26 3.1 Amostras ...................................................................................................... 26 3.2 Instrumento de pesquisa .............................................................................. 26 3.3 Materiais....................................................................................................... 27 3.4 Métodos ....................................................................................................... 27 3.4.1 Método de Hoffman ............................................................................... 28 3.4.2 Método de Faust .................................................................................... 28 3.4.3 Microscopia ........................................................................................... 28 3.5 Processamento de dados e resultados ........................................................ 294. RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................... 305. CONCLUSÃO ..................................................................................................... 396. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 417. APÊNDICE ......................................................................................................... 478. ANEXO ............................................................................................................... 59
  • 13. 12 1. INTRODUÇÃO Os protozoários intestinais estão espalhados universalmente e sãorelacionados com a condição sócio- econômica da população, condição desaneamento do meio, a falta de conhecimento da população sobreenteroparasitoses e a falta de hábitos higiênicos (GARCIA et al., 2006). Assim, as enteroparasitoses estão entre as doenças mais comuns nomundo, tendo prevalência em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos(ANDRADE et al., 2010). Em 2005, a prevalência de giardíase em países industrializados foi de 2% a7%, enquanto que em países em desenvolvimento, a prevalência foi maior atingindode 20% a 30% da população (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). Os protozoários mais comuns encontrados nos humanos são a Entamoebahistolytica e a Giardia lamblia. Assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS)estima que existem no mundo cerca de 200 milhões de pessoas infectadas porGiardia lamblia e 500 milhões por Entamoeba histolytica. Deste número de pessoascom amebíase, 50 milhões apresentam a forma invasiva, provocando a morte de100.000 pessoas por ano, sendo que a maioria por colite e abcesso hepático(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). No Brasil, a taxa de pessoas com enteroparasitoses diminuiu, mas estima-seque 30% da população esteja infectada por parasitas, mesmo em áreas maisdesenvolvidas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). A transmissão é feita principalmente pela falta de tratamento adequado àágua e em consequência, os alimentos são contaminados, principalmente vegetais efrutas quando consumidos crus podem transmitir cistos. A falta de higiene domiciliartambém é um fator importante, pois insetos como baratas e moscas podem passarpor fezes contaminadas e transmiti-las para os humanos (MARKELL et al., 2003). Lugares com aglomeração de pessoas como as creches e escolas, tambémpodem ajudar na disseminação dos cistos, pois, o contato direto de pessoa parapessoa, pode ser uma forma de contaminação principalmente quando não háhábitos higiênicos regulares, como lavar as mãos. Os portadores assintomáticospodem transmitir a doença principalmente ao manipular alimentos. Portanto, o
  • 14. 13diagnóstico e o tratamento são de suma importância, não apenas em casos comsintomas (BELLOTO et al., 2011; MARKELL et al., 2003; MONTAGNA et al., 2008). As crianças são mais acometidas que os adultos, pois possuem hábitoshigiênicos mais precários e acostumam e colocar as mãos na boca, sem antes lavá-las (ANTUNES et al., 2011; BELLOTO et al., 2011; BRITO, 2006; GARCIA et al.,2006; LODO et al., 2010; MONTAGNA et al., 2008; ORO et al., 2010; PEZZI;TAVARES, 2007; PITTNER et al., 2006; SILVA ; SANTOS, 2001). Na zona rural há mais condições para as enteroparasitoses se instalarem,visto que na maioria das vezes, a água não é tratada e há menor cobertura deesgotamento sanitária. Sendo assim, 25,2% da população rural não recebe águatratada, enquanto que 91,9% da população urbana é servida com rede de água(ANDRADE et al., 2010). Para não haver maior disseminação destas doenças, é preciso,primeiramente, tratar a água e o esgoto de forma correta, pois são a principal formade transmissão, além de proteger os reservatórios naturais de insetos e animais.Como a giárdia sobrevive à filtração e cloração da água, é necessário purifica-la comsolução saturada de iodo, que pela sua concentração consegue destruir os cistosapós 20 minutos a 20°C.É recomendado adicionar 12,5mL de solução para 1 litro deágua e beber em até 15 minutos (MARKELL et al., 2003). É preciso também conscientizar a população sobre a importância doshábitos higiênicos, a realização de exames parasitológicos periodicamente emcozinheiras e funcionários que tenham contato com as crianças em creches eescolas e o tratamento de indivíduos assintomáticos (MARKELL et al., 2003). Em suma, o principal objetivo este trabalho é analisar a prevalência deenteroparasitoses em crianças da zona rural e urbana de Fernandópolis - SP a fimde comprovar os estudos da literatura.
  • 15. 14 2. REVISÃO DA LITERATURA O parasitismo é uma associação entre seres vivos que depende da presençade um hospedeiro apropriado para lhe fornecer proteção e alimento. Asenteroparasitoses protozoárias são doenças causadas por protozoários que habitama luz intestinal, podendo ser sintomáticas ou não, dependendo do número de cepasde cistos ingeridas, deficiência imunitária do hospedeiro e baixa acidez do sucogástrico (NEVES, 2006). Podem apresentar duas formas evolutivas: trofozoítos e cistos. Ostrofozoítos são a forma de multiplicação que ao sofrerem divisão, se diferenciam emsua forma infectante, os cistos (MARKELL et al., 2003). 2.1 Entamoeba histolytica 2.1.1 Morfologia A Entamoeba histolytica é uma ameba patogênica causadora da amebíase.Seus trofozoítos, encontrados na região do ceco e reto sigmoide, não tem umaforma definida se observados no microscópio. Ao serem corados, adquirem umaforma esférica onde se pode ver seu citoplasma dividido em ectoplasma, claro euniforme, e endoplasma, granuloso e vacuolizado, às vezes com hemácias. Possuiaté 4 núcleos com cromatina delicada, uniforme e fina, aderida à membrana nuclearcom cariossoma pequeno e central. Possui boa motilidade através de seuspseudópodes, sendo progressiva e direcional. Seu tamanho varia de 12 a 60 µm,mas em média possui 20 µm de diâmetro (Figura 1). Já os seus cistos (Figura 2) ,encontrados nas fezes, tem forma de pequenas esferas com parede dupla e 12 µmde diâmetro. A quantidade de núcleos depende da maturação dos cistos, assim, umcisto jovem pode ter um núcleo e um vacúolo de glicogênio, que quando coradoscom lugol, adquirem uma coloração castanho e um cisto maduro, pode apresentar 4
  • 16. 15núcleos com corpos cromatóides em forma de bastão (MARKELL et al., 2003;NEVES, 2006). Figura 1: Trofozoíto de E. histolytica Figura 2: Cisto de E. histolytica Fonte: www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Library.htm 2.1.2 Sintomas A maioria dos portadores desta doença são assintomáticos, caracterizando-se por 90% dos casos. Os sintomas mais comuns são diarreia leve com fezeslíquidas, náuseas e cólicas esporádicas. Portanto, a colite amebiana é classificadacomo a manifestação clínica mais frequente tendo início gradual com doresabdominais, diarreia com fezes líquidas, sangue e muco, podendo estar associada avômitos com períodos de constipação e diarreia intercalados. Pode ocorrer tambéma invasão da mucosa do cólon pelos trofozoítos, que se multiplicam causandonecroses e formando úlceras denominadas de botão de camisa. Uma complicaçãorara é a colite fulminante que pode ter o quadro agravado pela diarreia intensa esanguinolenta, febre e necrose transmural. Os sintomas duram de uma a duassemanas e poucos possuem febre (MOTTA; SILVA, 2002). Algumas vezes podem ser encontradas lesões hepáticas, pulmonares,cerebrais e cutâneas chamadas abcessos amebianos. Estas lesões são causadas
  • 17. 16por amebas que entram na corrente sanguínea e se fixam em outros órgãos que nãoo intestino grosso, sendo a mais frequente localização o fígado. Em casos raros,pode-se encontrar a hepatite amébica causada por esses abcessos (VERONESI,1991). 2.1.3 Ciclo biológico O Ciclo biológico se inicia pela ingestão de cistos maduros, que vão para oestômago onde sua parede sofre ligeira digestão. Depois, vão para o intestinodelgado deixando passar o metacisto por uma fenda na membrana, se dividemformando quatro trofozoítos metacísticos que se alimentam e se dividem novamenteresultando em oito trofozoítos. Estes, vão para o intestino grosso onde sofremdesidratação e se transformam em pré-cistos, sem movimentos e sem paredecística. Depois, se diferenciam em cistos formando a parede esférica, amadurecempor divisão nuclear e são eliminados nas fezes (NEVES, 2006). Figura 3: Ciclo biológico da E. histolytica Fonte: www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Library.htm
  • 18. 17 2.2 Entamoeba coli 2.2.1 Morfologia A Entamoeba coli é uma ameba não patogênica comensal que vive na luz dointestino grosso. Suas características, bem como seu ciclo biológico, transmissão eprofilaxia são parecidos com os da Entamoeba histolytica, podendo ser confundidas(MARKELL et al., 2003). Seus trofozoítos se caracterizam por terem 25 µm de diâmetro, citoplasmanão diferenciado em ectoplasma e endoplasma e um núcleo bem visível comcromatina grosseira e irregular, apresentando cariossomo grande e excêntrico. Nocitoplasma aparecem frequentemente muitos vacúolos. Sua motilidade em relação aE. histolytica é vagarosa e não progressiva com pseudópodes curtos (Figura 3).Enquanto que seus cistos (Figura 4) medem de 15 a 20 µm, possuindo até oitonúcleos com corpos cromatóides em forma de feixes menos comuns que na E.histolytica, com citoplasma muito granuloso. A diferenciação entre E.coli e E.histolytica, quando coradas com lugol, se dá pelo número de núcleos (MARKELL etal., 2003). Figura 4: Trofozoíto de E.coli Figura 5: Cisto de E.coli Fonte: www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Library.htm
  • 19. 18 2.2.2 Ciclo biológico Sua forma de transmissão, ciclo biológico, sintomas e profilaxia sãocaracterísticos de amebas, descritos anteriormente (MARKELL et al., 2003). 2.3 Endolimax nana 2.3.1 Morfologia É a menor ameba intestinal comensal, é mais frequente do que as outrasjuntamente com a E coli. Seus trofozoítos (Figura 5) tem em média 7 µm dediâmetro, podendo ter de 5 a 12 µm. Sua locomoção é rápida como na E. histolytica,mas não é direcionada. Possuem citoplasma com vacúolos, membrana nuclear fina,sem grãos de cromatina, apenas um núcleo com cariossomo grande e irregular.Seus cistos (Figura 6) tem mais ou menos a mesma faixa de tamanho dostrofozoítos, com 8 µm de diâmetro. Devido ao seu tamanho pequeno, é muito difícilver suas características mesmo coradas. Sua identificação se deve à sua formaovóide e seus 4 núcleos (MARKELL et al., 2003). Figura 6: Trofozoíto de E. nana Figura 7: Cisto de E. nana Fonte: www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Library.htm
  • 20. 19 2.4 Iodamoeba bütschlii 2.4.1 Morfologia É uma ameba não patogênica comensal do ceco e colo intestinal. Seustrofozoítos possuem de 4 a 20 µm de diâmetro, mas a maioria fica na faixa de 9 a 14µm (Figura 7). Esta característica dificulta a identificação dos trofozoítos nãocorados. Sua locomoção é lenta e progressiva com pseudópodes hialinos. Seu úniconúcleo, geralmente não é visível sem coloração. Com coloração, é possível observaro cariossomo grande e mais ou menos centralizado cercado de pequenos grânulos.Os cistos (Figura 8) possuem diâmetro de 6 a 16 µm, com média de 9 a 10 µm.Possuem parede com contorno irregular, grande variedade em sua forma, vacúolosde glicogênio constantes com contorno regular e um único núcleo (MARKELL et al.,2003). Figura 8: Trofozoíto de Iodamoeba bütschlii Figura 9: Cisto de Iodamoeba bütschlii Fonte: www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Librart.htm
  • 21. 20 2.5 Giardia lamblia 2.5.1 Morfologia A Giardia lamblia é um protozoário intestinal flagelado e patogênico, comcistos e trofozoítos bem conhecidos. Assim, por análise microscópica, pode-seobservar que o trofozoíto possui corpo em forma de pera, possui disco suctorial ouadesivo na porção anterior da superfície ventral do organismo e mergulhados nocitoplasma, possui dois núcleos ovóides na região do disco adesivo, com grandecariossomo central, com comprimento de 9 a 21 µm e largura de 5 a 15 µm. Possuitambém quatro pares de flagelos, axonemas retos, muito próximos e paralelos e doiscorpos medianos (MARKELL et al., 2003). Os trofozoítos (Figura 9) são encontrados na porção superior do intestinodelgado, podem estar aderidos à mucosa pela ação dos discos adesivos e emalguns casos podem produzir irritação dos tecidos. Sua motilidade se deve aos seusflagelos, e é caraterizada pela lenta oscilação do seu eixo longo. Tal movimentopode ser comparado ao de uma folha caindo (MARKELL et al., 2003). Quando analisados sem corante, pode-se observar sua forma típica e suamotilidade e ao usar o corante, geralmente hematoxilina férrica, pode-se observarsua forma, núcleos, axonemas e corpos medianos bem como suas quantidades(MARKELL et al., 2003). Os cistos (Figura 11), presentes nas fezes, são ovoides, com comprimentode 8 a 14 µm e largura de 7 a 10 µm, possuem de dois a quatro núcleosproeminentes, quatro corpos medianos e flagelos com aparência desordenada emquantidades duas vezes maior que nos trofozoítos (MARKELL et al., 2003). Quando corados por solução de Lugol, seus cistos são identificados pelacoloração amarelada, sua membrana evidente e seus quatro núcleos (VERONESI,1991).
  • 22. 21 Figura 10: Trofozoíto de G.lamblia Figura 11: Cisto de G. lamblia Fonte: www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Library.htm 2.5.2 Sintomas A giardíase é uma doença frequente na infância, podendo ser sintomática ouassintomática. Dos casos sintomáticos, a diarreia com fezes liquefeitas e com mucoestá presente em 90% dos casos, sendo o sintoma mais comum desta patologia. Adiarreia acompanhada de perda de peso, náuseas, desconforto, distensãoabdominal e flatulência representam 60% a 70% dos casos, podendo evoluir paraesteatorréia. Em casos mais raros, 30% a 50% desta diarreia se torna crônicaacompanhada de retardo no crescimento devido à má absorção intestinal. Hátambém a deficiência de vitaminas lipossolúveis K, E, D e A, ferro e zinco econsequentemente perda de peso (MOTTA; SILVA, 2002). 2.5.3 Ciclo biológico Seu ciclo biológico começa pela ingestão de cistos que são transportadosaté o duodeno de onde saem de sua membrana e se multiplicam intensamente por
  • 23. 22divisão binária formando trofozoítos. Estes, que estão presos pelos discos adesivosà mucosa duodenal, se soltam dias depois e começam o processo de encistamentoonde adquirem um revestimento espesso. Os cistos formados são eliminados nasfezes (NEVES, 2006). E excreção de cistos não é regular e constante, variando dentro de padrõesbaixo, médio e grande pelo número de cistos eliminados nas fezes (GARCIA et al.,2006). Figura 12: Ciclo biológico da Giardia lamblia. Fonte: www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Library.htm 2.6 Tratamento e profilaxia Segundo Veronesi (1991),a transmissão destes protozoários é causada porágua ou bebidas contaminadas, alimentos vegetais comidos crús, onde os
  • 24. 23manipuladores destes alimentos também podem ser uma forma de disseminação,contato direto com pessoas infectadas e contado indireto através de animais comobaratas e moscas. Por isso, são doenças frequentemente encontradas emambientes coletivos, como creches e escolas onde as crianças ficam mais expostasa esta doença por colocar as mãos na boca sem lava-las (ORO et al., 2010;VERONESI, 1991). Assim, além da água usada para consumo próprio, piscinas, rios, banheirase reservatórios também são considerados formas de transmissão mesmo sendomais raras. Os cistos de G. lamblia quando eliminados, podem sobreviver por váriosdias no meio externo e são resistentes ao cloro usado no tratamento da águaprincipalmente se esta for fria (BRITO, 2006). O Tratamento medicamentoso da giardíase em crianças se dá através dederivados nitroimidazóicos, como o metronidazol e tinidazol. O primeiro énormalmente usado de 15 a 20 mg/ kg/dia, duas vezes ao dia durante 7 dias. E osegundo é recomendado 50 mg/kg em dose única por dia. O albendazol tambémpode ser usado com 400 mg/dia de 3 a 5 dias. Já a amebíase é tratada commetronidazol 35 a 50mg/kg dividido em 3 doses por 7 a 10 dias(GOODMAN &GILMAN, 2007). A profilaxia é muito importante. Pois, apesar de alguns pacientes nãoapresentarem sintomas e algumas amebas não serem patogênicas, estes tambémsão focos de transmissão, devendo ser diagnosticada e tratada para não haverdisseminação. Assim, sua profilaxia é difícil de executar, pois depende além dotratamento do paciente, do tratamento correto do lixo e das fezes, da eliminação deinsetos, da higiene pessoal e do tratamento correto da água e dos alimentos(VERONESI, 1991). 2.7 Métodos laboratoriais para o diagnóstico de enteroparasitas O diagnóstico e identificação das doenças parasitárias é realizado atravésdo EPF que diferencia os parasitas por sua morfologia, já que os sintomas, quepodem ou não ocorrer, não são constantes e podem diminuir ou se agravar
  • 25. 24conforme as características do paciente, como idade, sistema imunitáriocomprometido e número de cepas de cistos (MARKELL et al., 2003; NEVES, 2006;VERONESI, 1991). No EPF adequado, é realizada primeiramente uma análise macroscópica daamostra, para verificar a consistência e presença de sangue e muco. Tal análise sóé possível se a amostra não tiver conservante (MARKELL et al., 2003). O exame microscópico pode ser realizado pelo exame direto com fezes semconservantes. Uma vantagem deste método é a possibilidade de se observar cistose trofozoítos de flagelados como a Giardia lamblia bem como sua motilidadecaracterística. Após a coloração com solução de iodo, pode-se observar suasestruturas mais detalhadamente. Porém, este método é pouco usado peladificuldade de identificar os parasitas em relação a quantidade de sedimentos ematéria fecal (MARKELL et al., 2003). Assim, as técnicas mais usadas são as de concentração, que tem afinalidade de concentrar o maior número de parasitas em uma pequena quantidadede amostra. Os cistos são separados do restante da matéria fecal através dediferenças na densidade específica (MARKELL et al., 2003). Esta técnica é dividida em sedimentação e flutuação. A técnica desedimentação mais usada é a de Hoffman, Pons & Janer, que consiste em umasedimentação espontânea, onde os cistos são mais pesados que as bactérias epartículas de alimento não digeridas e se depositam no fundo. Já o método deFaust, consiste em uma flutuação usando um meio líquido mais pesado que osparasitas, assim, estes ficam na superfície (GARCIA et al., 2006). Outros métodos capazes de identificar parasitas são a microscopia comhematoxilina férrica e a pesquisa de coproantígeno com leitura realizada pelo ELISA.Este último tem sua execução mais rápida, cerca de 1/3 do tempo do Faust, porém,tem um custo elevado e é muito específico. Tal especificidade não permite aidentificação de outros parasitas. A hematoxilina férrica é capaz de detectar cistos etrofozoítos, mas é pouco usada por ter um custo mais alto que o Hoffman e o Fauste execução mais lenta (BRITO, 2006; MACHADO et al., 2001). Por esta razão, os métodos escolhidos para a realização do presentetrabalho foram Hoffman e Faust, pois são os mais empregados visto que possuemcusto baixo e execução rápida compatíveis com a rotina laboratorial (ANTUNES et
  • 26. 25al., 2011; BAPTISTA et al., 2006; BELLOTO et al., 2011; BRITO, 2006; GARCIA etal., 2006; LODO et al., 2010; MACHADO et al., 2001; ORO et al., 2010; PEZZI;TAVARES, 2007).
  • 27. 26 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Amostras As amostras foram selecionadas aleatoriamente e coletadas de 20 criançascom idade entre 6 e 8 anos, sendo 10 da zona rural e 10 da zona urbana da cidadede Fernandópolis, na escola CEMEI Maria Simão. Cada criança devia coletar 3 amostras de fezes com 3 dias de intervalocada. Assim, nos dias anteriores às coletas, os alunos receberam os kits coletores. 3.2 Instrumento de pesquisa Após uma autorização da Secretaria de Educação do município para arealização da pesquisa, foi realizada uma reunião com as crianças na biblioteca daescola explicando assim o trabalho. Cada aluno recebeu uma pasta, identificada com o nome, um comunicadodirecionado aos pais contendo manual e cronograma de coleta, para orientá-los,duas vias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e do Termo deConsentimento de Participação e um questionário abordando questões sobre acriança, seus hábitos, moradia e sobre os responsáveis. Após a devolução dos termos e do questionário ambos assinados erespondidos foram enviados na mochila de cada criança um kit de coleta com umcoletor contendo formol a 10%, uma pá e uma etiqueta para identificação. Os responsáveis enviaram as amostras nas mochilas das crianças e otransporte até o Laboratório de Análises Clínicas da FEF foi feito dentro de umacaixa de isopor.Todas as análises foram feitas no LAC-FEF.
  • 28. 27 3.3 Materiais Todos os materiais foram cedidos pelo LAC-FEF e todas as análises foramfeitas no mesmo. - Coletores - Solução de formol a 10% - Pá - Etiquetas - Copos descartáveis - Cálices - Peneiras - Gaze - Tubo cônico - Canudo plástico - Centrífuga - Água destilada - Lâminas - Sulfato de zinco a 33% - Alça bacteriológica - Lugol - Microscópios 3.4 Métodos Para a pesquisa dos parasitas intestinais foram usados os métodos deHoffman, Pons & Jener e FAUST já que ambos tem o custo mais baixo e sãoaplicados rotineiramente nos laboratórios (ANTUNES et al., 2011; BAPTISTA et al.,2006; BELLOTO et al., 2011; BRITO, 2006; GARCIA et al., 2006; LODO et al., 2010;MACHADO et al., 2001; ORO et al., 2010; PEZZI; TAVARES, 2007).
  • 29. 28 3.4.1 Método de Hoffman Este método é realizado a partir de sedimentação espontânea, onde umapequena parte de fezes é diluída em água destilada, filtrada em uma peneira comgaze dobrada, adicionando mais água e deixado em repouso por no mínimo 1 hora.Para esta pesquisa, deixamos em repouso por 24 horas a fim de concentrar ummaior número de parasitas. O sedimento foi analisado em uma lâmina com soluçãode lugol (HOFFMAN et al., 1934 apud GARCIA et al ., 2006). 3.4.2 Método de Faust Este método consiste em uma flutuação de parasitas por ação de umasolução de sulfato de zinco a 33%. Assim como o método de Hoffman é necessáriodiluir e filtrar. Depois, 10 mL do filtrado é passado para um tubo cônico ecentrifugado por 5 minutos. A aparência do sobrenadante deve ser límpida, caso nãoesteja nesta condição, deve-se descartar o sobrenadante, adicionar 10 mL águadestilada e centrifugar por 5 minutos. Esta etapa deve ser repetida até osobrenadante ficar límpido.Feito isso, o sobrenadante é descartado e adicionado 10mL de solução de sulfato de zinco a 33% e centrifugado novamente por 5 minutos.Com ajuda de uma alça bacteriológica já esterilizada, a película superior foi colhida ecolocada em uma lâmina corada com lugol (FAUST et al., 1939 apud GARCIA et al.,2006). 3.4.3 Microscopia A observação do aspecto realizada na análise macroscópica não foi possíveldevido a utilização do formol a 10%. Após a confecção das lâminas (sedimento e
  • 30. 29lugol), estas foram analisadas em microscópio no aumento de 10x e confirmadas noaumento de 40 x. 3.5 Processamento de dados e resultados Os resultados obtidos com as análises foram anotados em um livro ata comfolhas separadas para cada aluno. Foram analisados também seus questionários eos laudos foram emitidos.
  • 31. 30 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados e a discussão foram feitos com base nos dados obtidos pelosquestionários, a descoberta e identificação de enteroparasitas e com baseamentoliterário através de artigos científicos. De todas as amostras, 65% são do sexo masculino e 35% do sexo feminino(Figura 13), sendo que apenas os meninos apresentaram positividade nas amostras. A relação entre a positividade e o sexo masculino foi relatada em outraspesquisas, mas não há dados comprovando esta predisposição (BAPTISTA et al.,2006; PRADO et al., 2001). 35% Meninos 65% MeninasFigura 13: Distribuição das amostras quanto ao sexo. De 20 crianças, cinco apresentaram positividade para algum tipo de parasitarepresentando 25% do total (Figura 14). Assim, 15% se apresentarammonoparasitadas e 10% se apresentaram poliparasitadas (Figura 15).
  • 32. 31 25% 75% Amostras positivas Amostras negativas Figura 14: Distribuição de amostras positivas. 10% 15% Amostras monoparasitadas Amostras poliparasitadas Figura 15: Percentual de monoparasitismo e poliparasitismo. Foram encontrados os seguintes protozoários: Endolimax nana, Entamoebacoli e Giardia lamblia, sendo que alguns estavam associados de acordo com aTabela 1. A frequência destes protozoários é compatível com algumas pesquisas
  • 33. 32como um estudo feito em Araraquara- SP onde a maior prevalência foi de E. nana(22,5%), E. coli (21,5%) e G. lamblia (18,5%), um estudo feito em Bom Jesus dosPerdões- SP, onde foram encontrados E. nana (44,7%), E. coli (24%) e G. lamblia(14,9%) e outra pesquisa feita em Caxias do Sul –SP onde as espécies de maiorprevalência foram, E. nana, E. coli e G. lamblia representando 37,36%; 29,67% e13,9% respectivamente (LODO et al ., 2010; PEZZI; TAVARES, 2007). A associação entre E. nana e E. coli é comumente encontrada em pessoascom condições de higiene precária, sendo um indicador de condições sanitárias esócio econômicas da população estudada. Há também uma relação entre esses doisparasitas e a contaminação fecal já que a maior forma de transmissão é o contatofecal oral (ANTUNES et al., 2011; LODO et al., 2010; SANTOS; MERLINI, 2010).Tabela 1: Porcentagem e frequência dos parasitas e suas associaçõesParasitas Frequência PorcentagemG. lamblia 1 5%G. lamblia/ E.nana 1 5%E. nana 2 10%E.nana/E. coli 1 5%Total 5 25% Comparando a positividade com a zona em que vivem, 60% das criançaspositivas moram na zona urbana e 40% moram na zona rural (Figura 16). Tal dadodiscorda de dois estudos: um estudo feito no município de Ibiassucê- BA, onde amaior prevalência foi de crianças da zona rural representando 42,09% das amostras(MATOS; CRUZ, 2012) e outro feito em Itambé do Mato Dentro-MG onde 39,05%dos infectados eram moradores de zona rural (MATI et al., 2010). Porém, em umestudo feito na cidade de Maria Helena-PR a instalação de enteroparasitoses foimaior na zona urbana (71,1%). Assim, é possível acreditar que o crescimentodesordenado das cidades gera um ambiente sem condições sanitárias ideais,
  • 34. 33fazendo com que a prevalência de enteroparasitoses nestas áreas seja maior do quena área rural (LODO et al., 2010; MATOS; CRUZ, 2012; SANTOS; MERLINI, 2010). 40% 60% Zona rural Zona urbana Figura 16: Distribuição das amostras positivas em relação à zona onde vivem. Em relação aos métodos de concentração usados, todas as amostraspositivas foram identificadas no Método de Hoffman e apenas 10% destas foramidentificadas no Método de Faust (Tabela 2), discordando de alguns trabalhos, jáque neste presente estudo os dois métodos não foram equivalentes quanto a suasensibilidade (BELLOTO et al., 2011; GARCIA et al ., 2006; PEZZI; TAVARES,2007).Tabela 2: Comparação entre os métodos de concentraçãoMétodos Frequência PorcentagemHoffman 5 25%Faust 2 10%Total de amostras positivas 5 25%
  • 35. 34 Em relação ao intervalo entre as amostras, foi observado que a G. lamblia sófoi encontrada na segunda e terceira amostra, comprovando assim sua eliminaçãointermitente e a importância de fazer o EPF com mais de uma amostra (GARCIA etal ., 2006; MARKELL et al., 2003). A E. nana, foi encontrada somente na segunda amostra, sugerindoeliminação intermitente. Contudo não existem estudos que relatam esta situação(Tabela 3).Tabela 3: Relação dos resultados considerando o intervalo entre as amostrasParasitas Primeira amostra Segunda amostra Terceira amostraG. lamblia Não encontrado Encontrado EncontradoG. lamblia/ E. nana Não encontrado Encontrado EncontradoE. nana Não encontrado Encontrado Não encontradoE. nana/ E. coli Encontrado Encontrado Encontrado Sobre o nível de escolaridade dos responsáveis pelas crianças, a maioriahavia completado o ensino médio. Assim, em relação às amostras positivas (Figura17), a maioria dos pais também completou o ensino médio somando 60% dos casos.Contudo, este dado discorda de alguns estudos onde a maioria dos infectadospossuíam responsáveis com nível de escolaridade mais baixo (MACEDO, 2005;PEZZI;TAVARES, 2007).
  • 36. 35 40% Ensino médio concluído 1º Grau concluído 60% Figura 17: Relação de amostras positivas com o nível de escolaridade dosresponsáveis. Relacionando as amostras positivas com a quantidade de pessoas morandona mesma casa, a maioria das crianças residem com 4 e 5 pessoas, representando40% e 20% vivem com 8 pessoas( Figura 18). Portanto, esse dado está de acordocom alguns estudos onde há uma relação entre a quantidade de pessoas na casa eos parasitas, visto que a partir de 4 pessoas na casa, aumentam as chances decontaminação por haver precariedade nos hábitos higiênicos. A menor porcentagemem relação à 8 pessoas, se deve à uma menor amostragem de crianças que vivecom esta quantidade de pessoas na mesma casa (ORO et al., 2010; SILVA;SANTOS, 2001).
  • 37. 36 40% 35% 30% 40% 40% 25% 20% 15% 20% 10% 5% 0% 4 Pessoas 5 Pessoas 8 PessoasFigura 18: Relação de amostras positivas e a quantidade de moradores da casa. Em relação à classe salarial (Figura 19), a maioria vive com 2 saláriosmínimos, sendo um fator determinante para a instalação de parasitas junto com onúmero de pessoas residentes em cada domicílio, já que estas famílias sustentam 5e 4 pessoas com esta renda (MACEDO, 2005; OLIVEIRA et al., 1996;PEZZI;TAVARES, 2007; PRADO et al.,2001; VIEIRA et al., 1995). 45% 40% 35% 30% 25% 20% 40% 15% 10% 20% 20% 20% 5% 0% 1 Salário mínimo 2 Salários 3 Salários 4 Salários mínimos mínimos mínimosFigura 19: Relação entre amostras positivas e renda familiar.
  • 38. 37 Comparando as amostras positivas com as respostas do questionário sobrea higiene pessoal das crianças (Figura 20), foi observado que a maioria (60%)respondeu que às vezes lava as mãos após brincar e antes das refeições,comprovando assim a relação entre os hábitos higiênicos e as enteroparasitoses.Sobre a ingestão de água da torneira foi observado que as crianças bebem dessaágua com frequência, o que provavelmente poderia ter contribuído com a instalaçãodos parasitas, principalmente a G. lamblia que sobrevive a cloração da água. Essasuposição não pode ser confirmada, visto que não foi realizada a análise da água(BRITO, 2006; COELHO et al., 2011; GUIMARÃES et al., 2003; LUDWIG et al.,1999; MARKELL et al., 2003; MARZOCHI, 1977;ORO et al.., 2010; SANTOS;MERLINI, 2010).Figura 20: Relação entre amostras positivas e higiene pessoal. Das crianças da zona rural, a maioria respondeu que lava as mãos apósbrincar e sempre antes das refeições, representando assim 70% e 56,25%respectivamente. Quanto à ingestão de água da torneira, 44,4% respondeu quesempre bebe desta água e 50% respondeu que não bebe(Figura 21). Com isso,podemos sugerir que a menor incidência de parasitas nesta zona se deve a
  • 39. 38melhores hábitos higiênicos e maior conscientização da população rural (BRITO,2006; COELHO et al., 2011; GUIMARÃES et al., 2003; LUDWIG et al., 1999;MARKELL et al., 2003; MARZOCHI, 1977;ORO et al.., 2010; SANTOS; MERLINI,2010).Figura 21: Relação das respostas do questionário das crianças da zona rural.
  • 40. 39 5. CONCLUSÃO A partir deste trabalho, podemos concluir que a prevalência de parasitasestá relacionada com condições sócio-econômicas, como a renda familiar e aquantidade de pessoas morando na mesma casa, e com os hábitos higiênicos comolavar as mãos e beber água da torneira. Concluímos também que 25% das crianças estavam infectadas com algumtipo de protozoário, estando monoparasitadas e poliparasitadas. Entre os parasitasencontrados, a maior frequência foi de E. nana em 10% das amostras, seguidas deG. lamblia e E. coli em 5% das amostras. A prevalência de E. nana associada ounão a outros parasitas indica contaminação fecal e está relacionada com ascondições sócio-econômicas e higiênicas da população estudada, conforme foiobservado na análise dos questionários individuais. Assim, as crianças residentes da zona urbana apresentaram maiorpositividade que a zona rural representando 60% das amostras positivas.Portanto,este dado pode ser explicado por uma maior conscientização da importância doshábitos higiênicos pela população rural, visto que seus hábitos higiênicos eram maisadequados que das crianças da zona urbana, como foi comprovado peloquestionário. Podemos sugerir também que com o crescimento desordenado dascidades e consequentemente uma maior precariedade nos hábitos higiênicos sejauma possível explicação para a maior incidência na zona urbana. Foi observado também a importância de coletar amostras com intervaloentre elas de pelo menos 3 dias e a realização de mais de um método deconcentração para a obtenção de um resultado adequado, já que a G. lamblia possuieliminação intermitente e o método de Hoffman teve maior sensibilidade que ométodo de Faust. O tratamento destas enteroparasitoses é necessário, mesmo em indivíduosassintomáticos ou infectados por parasitas não patogênicos, pois a disseminaçãodestes pode ser perigosa para crianças e adultos imunodeprimidos. Em suma, é importante tratar todas as pessoas infectadas, principalmente osassintomáticos e manipuladores de alimentos, além de conscientizar a populaçãosobre hábitos higiênicos corretos e importância da realização de EPF adequados,
  • 41. 40bem como sua profilaxia e tratamento, para que se tenha uma diminuição naincidência destes.
  • 42. 41 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASANDRADE, E. C.; LEITE, I. C. G.; RODRIGUES, V. O.; CESCA, M. G. Parasitosesintestinais: uma revisão sobre seus aspectos sociais, epidemiológicos, clínicos eterapêuticos. Revista APS, Juiz de Fora, v. 13, n. 2, p. 231-240, 2010.ANTUNES, R. M; ANTUNES, J. V. M.; OLIVEIRA, L. G. A; BELINELO, V. J.; VIEIRAFILHO, S. A. Prevalência de enteroparasitoses em crianças de um centroescolar de ambiente rural de São Mateus, ES. Enciclopédia Biosfera, CentroCientífico Conhecer, Goiânia, v. 7, n. 12, p. 108-119, 2011.BAPTISTA, S. C.; BREGUEZ, J. M. M.; BAPTISTA, M. C. P.; SILVA, G. M. S.;PINHEIRO, R. O. Análise da incidência de parasitoses intestinais no municípiode Paraíba do Sul, RJ. Revista Brasileira de Análises Clínicas, Rio de Janeiro, v.38, n. 4, p. 271-273, 2006.BELLOTO, M. V. T.; JUNIOR, J. E. S.; MACEDO, E. A.; PONCE, A.; GALISTEU, K.J.; CASTRO, E.; TAUYR, L. V.; ROSSIT, A. R. B.; MACHADO, R. L.Enteroparasitoses numa população de escolares da rede pública de ensino domunicípio de Mirassol, São Paulo, Brasil. Revista Pan- Amazônica de Saúde,Pará, v. 2, n. 1, p. 37-44, 2011.BRITO, T. Diagnóstico Laboratorial da Giardia lamblia. Saúde & Ambiente emRevista, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 18-25, jul-dez. 2006.
  • 43. 42CENTERS FOR DISEASE CONTROL & PREVENTION. Laboratory Identificationof Parasites of Public Health Concern. Disponível em<www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/Image_Library.htm> Acesso em: 18 set. 2012, 19:29.COELHO, L. M. P. S.; OLIVEIRA, S. M.; MILMAN, M. H. S. A.; KARASAWA, K. A.;SANTOS, R. P. Detecção de formas transmissíveis de enteroparasitas na águae nas hortaliças consumidas em comunidades escolares de Sorocaba, SãoPaulo, Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Brasília, v. 34,n. 5, p. 479-482, set-out. 2011.GARCIA, J. G. D.; SIMÕES, M. J. S.; ALVARENGA, V. L. S. Avaliação dediferentes métodos no diagnóstico laboratorial de Giardia lamblia. Revista deCiências Farmacêuticas Básica e Aplicada, v. 27, n. 3, p. 253-258, 2006.GOODMAN & GILMAN. As bases farmacológicas da terapêutica. 11 ed. Rio deJaneiro: McGraw Hill, 2007.GUIMARÃES, A. M.; ALVES, E. G. L.; FIGUEIREDO, H. C. P.; COSTA, G. M.;RODRIGUES, L. S. Frequência de enteroparasitas em amostras de alface(Lactuca sativa) comercializadas em Lavras, Minas Gerais. Revista Brasileira deMedicina Tropical, Brasília, v. 36, n. 5, p. 621-623, set-out. 2003.LODO, M.; OLIVEIRA, C. G. B.; FONSECA, A. L. A.; CAPUTTO, L. Z.; PACKER, M.L. T.; VALENTI, V. E.; FONSECA, F. L. A. Prevalência de enteroparasitas emmunicípio do interior paulista. Revista Brasileira de Crescimento eDesenvolvimento Humano, São Paulo, v. 20, n. 3, p. 769-777, 2010.
  • 44. 43LUDWIG, K. M.; FREI, F.; ALVARES FILHO, F.; PAES, J. T. R.. Correlações entrecondições de saneamento básico e parasitoses intestinais na população deAssis, Estado de São Paulo. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical,Brasília, v. 32, n. 5, p. 547-555, set-out.1999.MACEDO, H.S. Prevalência de parasitos e comensais intestinais em criançasde escolas da rede pública municipal de Paracatu (MG). Revista Brasileira deAnálises Clínicas, Rio de Janeiro, v. 37, n. 4, p. 209-213, 2005.MACHADO, R. L. D.; FIGUEREDO, M. C.; FRADE, A. F.; KUDÓ, M. E.; SILVAFILHO, M. G.; PÓVOA, M. M. Comparação de quatro métodos laboratoriais paradiagnóstico da Giardia lamblia em fezes de crianças residentes em Belém,Pará. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Brasília, v. 34, n.1, p.91-93, jan-fev. 2001.MARZOCHI, M. C. A. Estudo dos fatores envolvidos na disseminação dosenteroparasitas: estudo da contaminação de verduras e solo de hortas nacidade de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Revista do Instituto Médico Tropical,São Paulo, v. 19, n. 3, p. 148-155, maio-jun, 1977.MARKELL, E. K.; JOHN, D. T.; KROTOSKI, W. A. Parasitologia Médica. 8 ed. Riode Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.MATOS, M. A.; CRUZ, Z. V. Prevalência das parasitoses intestinais nomunicípio de Ibiassucê- Bahia. Revista Educação Meio Ambiente e Saúde,Salvador, v. 5, n. 1, p. 64-71, 2012.
  • 45. 44MINISTÉRIO DA SAÚDE. Plano Nacional de Vigilância e Controle dasEnteroparasitoses. Brasília, 2005.MATI, V. L. T.; PINTO, J. H.; MELO, A. L. Levantamento de parasitos intestinaisnas áreas urbana e rural de Itambé do Mato Dentro, Minas Gerais, Brasil.Revista de Patologia Tropical, Belo Horizonte, 2010.MONTAGNA, H. E.; BOSSO, R. L.; TASHIMA, N. T. Ocorrência deenteroparasitoses em crianças de 0 a 6 anos atendidas no laboratório clínicoda UNOESTE no período de janeiro a dezembro de 2008. (Trabalho deConclusão de Curso) – Faculdade de Farmácia, Universidade do Oeste Paulista,Presidente Prudente, 2008.MOTTA. M. E. F. A. ; SILVA, G. A. P. Diarréia por parasitas. Revista Brasileira deSaúde Materno Infantil, Recife, v. 2, n. 2, p. 117-127, maio-ago, 2002.NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 10 ed, São Paulo: Atheneu, 2006.OLIVEIRA, C. M.; VALTER, V. L.; NILO, C. V. Estudo da prevalência deenteropasitoses em escolares no município de Baependi. In: Anais do XVICongresso Brasileiro de Parasitologia, Poços de Caldas, 1996.ORO, D.; KROPOSKI, G.K.; ORO, N. A.; SABARDELOTTO, C.; SEGER, J.Prevalência de parasitas intestinais em crianças de Descanso – Santa Catarina– Brasil. Unoesc & Ciência - ACBS, Joaçaba, v. 1, n. 2, p. 151-156, jul./dez. 2010.
  • 46. 45PEZZI, N.C.; TAVARES, R. G. Relação de aspectos sócio-econômicos eambientais com parasitoses intestinais e eosinofilia em crianças da ENCA,Caxias do Sul - RS. Revista Estudos, Goiânia, v. 34, n. 11/12, p. 1041-1055, nov-dez. 2007.PITTNER, E.; MORAES, I. F.; SANCHES, H. F.; TRINCAUS, M. R.; RAIMONDO, M.L.; MONTEIRO, M. C. Enteroparasitoses em crianças de uma comunidadeescolar na cidade de Guarapuava, PR. Revista Salus, Guarapuava, v. 1, n. 1, p.97-100, jan-jun. 2007.Prado M. S.; BARRETO, M. L.; STRINA, A.; FARIA, J. A. S.; NOBRE, A. A.; JESUS,S. R. Prevalência e intensidade da infecção por parasitas intestinais emcrianças com idade escolar na cidade de Salvador (Bahia, Brasil). Revista daSociedade Brasileira de Medicina Tropical, Brasília, v. 34, n. 1, p. 99-101, 2001.SANTOS, S. A.; MERLINI, L. G. Prevalência de enteroparasitoses na populaçãodo município de Maria Helena, Paraná. Revista Ciência & Saúde Coletiva, Rio deJaneiro, v. 15, n. 3, p. 899-905, 2010.SILVA, G. C.; SANTOS, H. A. Ocorrência de parasitoses intestinais da área deabrangência do Centro de Saúde Cícero Idelfonso da Regional Oeste daPrefeitura Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais. Revista de Biologia eCiências da Terra, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, 2001.VERONESI, R. Doenças Infecciosas e Parasitárias. 8 ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 1991.
  • 47. 46VIEIRA, L. M; NICOLATO, R. L. C.; JULIÁ, M. S. F. Prevalência de parasitasintestinais na população de. Ouro Preto, MG. Revista Brasileira Análises Clínicas,Rio de Janeiro, v. 27, n. 3, p. 99-101, 1995.
  • 48. 47 7. APÊNDICEAPÊNDICE A – Comunicado e manual de coleta COMUNICADO Prezados pais e responsáveis, somos alunas do último semestre de FarmáciaBioquímica da Fundação Educacional de Fernandópolis-FEF e estamos realizandoum trabalho de conclusão de curso com o tema: Análise parasitológica em fezesde crianças da zona rural e urbana da cidade de Fernandópolis-SP. Seu filho(a)está sendo convidado para participar desta pesquisa, que tem o objetivo de verificare propor medidas para diminuir a ocorrência de parasitas intestinais em crianças de6 a 8 anos de idade. A participação de seu filho(a) consiste em uma coleta de fezes que serárealizada por vocês e enviada à escola no dia seguinte da coleta para nósbuscarmos. Abaixo está um manual de coleta de fezes, que explica como coletar asfezes e os cuidados necessários e o cronograma da coleta para orienta-los. Casoestejam interessados em deixar seu filho(a) participar da pesquisa, por favorresponda o questionário, leiam e assinem o termo de participação e o termo deconsentimento livre e esclarecido. O questionário e o termo de participação devem ser assinados emandados à escola. O termo de consentimento livre e esclarecido contémduas cópias onde ambas devem ser assinadas. Uma cópia fica para você eoutra deve ser mandada à escola que repassará estes termos para nós. Obrigada COLETA DE FEZES Após assinar os termos e responder os questionários, vocês deverão coletaras fezes da criança. Ao todo serão coletadas 3 amostras com 3 dias de intervalocada. É muito importante seguir o cronograma e o manual de coleta para arealização do trabalho corretamente.
  • 49. 48 Será entregue à vocês no dia 21/08 (terça-feira), 3 potes coletoresacompanhados de uma pá cada um. No dia 22/08 (quarta-feira) vocês deverão realizar a primeira coleta de fezesseguindo este manual:  Coletar a porção do meio da amostra se houver sangue ou muco coletar também.  Não é necessário um volume maior que ¾ do frasco  O frasco contém conservante, portanto é preciso agitar o frasco depois de fechado para misturar as fezes com o conservante.  Colar no rótulo do frasco a etiqueta com o nome da criança, data e hora da coleta.  Não é necessário guardar na geladeira  Levar o frasco fechado e identificado dentro na mochila da criança. Se for necessário colocar o frasco em uma sacola de plástico e colocar na mochila. No dia 23/08 (quinta-feira) vocês deverão levar o potinho com as fezes na escola. No dia 26/08 (domingo) vocês farão a segunda coleta das fezes. No dia 27/08 (segunda-feira) vocês levarão o potinho com as fezes na escola. No dia 30/08 (quinta-feira) vocês irão fazer a terceira coleta de fezes. No dia 31/08 (sexta-feira) vocês levarão o potinho com a terceira amostra na escola. OBS: As outras coletas de fezes também deverão seguir este manual e cronograma.
  • 50. 49APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Seu filho(a) está sendo convidado (a) para participar da pesquisa: Análiseparasitológica de fezes de crianças da zona rural e urbana da cidade deFernandópolis-SP, no caso de você concordar em participar, favor assinar no finaldo documento. Sua participação não é obrigatória, e, a qualquer momento vocêpoderá desistir de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa não traránenhum prejuízo em sua relação com os pesquisadores ou com a instituição deensino. Você receberá uma cópia deste termo onde consta o telefone do orientadorda pesquisa, podendo tirar dúvidas do projeto e da sua participação. Nome da pesquisa: Análise parasitológica de fezes de crianças da zona rurale urbana da cidade de Fernandópolis-SP. Orientador da pesquisa: Daiane Fernanda Pereira Mastrocola Telefone: (17) 97440385 Pesquisadores participantes: Camila Yara Barbosa, Elisa Seiko Ikeda,Jéssica Laís de Souza e Stéfani da Silveira Bissi. Objetivos: Este projeto visa analisar a ocorrência de enteroparasitas emfezes de crianças da zona rural e urbana da cidade de Fernandópolis, contribuindopara a diminuição da disseminação destes. Procedimentos do estudo: Os responsáveis pela criança devem responderum questionário com informações sobre o paciente e responsável, moradia, rendafamiliar e saneamento básico da criança. Deverá também coletar três amostras defezes da criança com três dias de intervalo cada e levar á escola a fim de seguirpara o laboratório. Riscos e desconforto: Não há.
  • 51. 50 Benefícios: Com o conhecimento dos enteroparasitas que prevalecem nascrianças é possível servir de baseamento para trabalhos e campanhas contra adisseminação destas doenças. Custo/ reembolso para o participante: Não há. Confidencialidade da pesquisa: Não haverá divulgação de nomes dosparticipantes da pesquisa, bem como seus responsáveis. Assinatura do orientador responsável: ______________________________
  • 52. 51APÊNDICE C – Termo de Consentimento de Participação TERMO DE CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃOEu,___________________________________________________________________ , portador do RG: ___________________e CPF: __________________declaroque li as informações contidas neste documento, fui devidamente informado pelasalunas Camila Yara Barbosa, Elisa Seiko Ikeda, Jéssica Laís de Souza e Stéfani daSilveira Bissi dos procedimentos que serão utilizados, riscos, desconfortos,benefícios, custo/reembolso dos participantes, confidencialidade da pesquisa,concordando ainda que meufilho(a)_________________________________________________________participe da pesquisa. Foi me garantido que posso retirar meu consentimento aqualquer momento, sem que isso leve a penalidade. Declaro ainda que recebi umacópia desse Termo de Consentimento.Local e data:Nome do responsável por extenso:_________________________________________________
  • 53. 52APÊNDICE D – Questionário QUESTIONÁRIO Idade da criança:  Marque com o X uma única alternativa para cada pergunta: 1) Sexo da criança: ( ) Masculino ( ) Feminino 2) Local onde mora: ( ) Zona rural ( ) Zona urbana 3) Grau de ensino do responsável (pai ou mãe): ( ) Graduação completa (faculdade) ( ) Graduação incompleta (faculdade) ( ) Ensino médio concluído ( de 1º a 3º colegial) ( ) Ensino médio incompleto ( de 1º a 3º colegial) ( ) 2º grau concluído ( de 5ª a 8ª série) ( ) 2º grau incompleto ( de 5ª a 8ª série) ( ) 1º grau concluído (de 1ª a 4ª série) ( ) 1º grau incompleto ( de 1ª a 4ª série) ( ) Não alfabetizado(a) 4) Renda familiar: ( ) Um salário mínimo
  • 54. 53( ) Dois salários mínimos( ) Três salários mínimos( ) Quatro salários mínimos( ) Outros: ________________5) Número de pessoas que moram na casa:( ) 2 pessoas( ) 3 pessoas( ) 4 pessoas( )5 pessoas( ) 6 pessoas( ) 7 pessoas( ) 8 pessoas( ) 9 pessoas( ) 10 ou mais pessoas6) A criança lava as mãos após brincar?( ) Sim( ) Não( ) As vezes7) A criança lava as mãos antes das refeições?( ) Sim( ) Não( ) As vezes8) A criança bebe água da torneira?
  • 55. 54( ) Sim( ) Não( ) As vezes
  • 56. 55APÊNDICE E – FOTOSCisto de Entamoeba coli.
  • 57. 56Cisto de Endolimax nana.
  • 58. 57Cisto de Giardia lamblia (método de Hoffman).
  • 59. 58Cisto de Giardia lamblia (método de Faust)
  • 60. 59 8. ANEXOANEXO A – Autorização da Secretaria de Educação de Fernandópolis