Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009

8,275 views
8,146 views

Published on

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009

Published in: Health & Medicine
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
8,275
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
89
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009

  1. 1. DIRETRIZES SBD 2009 2009Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes DE
  2. 2. Reprodução autorizada pela Sociedade Brasileira de Diabetes
  3. 3. DIRETRIZES SBD 2009 2009Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes DE
  4. 4. Diretrizes SBD 2009 Apresentação O processo de aprendizagem ba- cos envolvidos na atenção a seus pacien- seado em evidências científicas vem tes utilizam as diretrizes como uma das ganhando cada vez mais espaço na formas de constante atualização perante medicina da atualidade. Sabe-se que o avanço extremamente rápido do co- o conhecimento encontra-se em cons- nhecimento médico e das opções farma- tante mutação, sendo necessária uma cológicas disponíveis como instrumento atualização periódica. Foi pensando de terapia. Especialistas de reconhecido nissto que surgiram as Diretrizes da saber foram convidados a elaborar e Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), atualizar os temas apresentados desde que agora chegam a sua edição 2009. a primeira edição das Diretrizes da SBD. A prescrição médica deve ser reali- Nesta edição, contamos também com a zada de forma consciente. No processo participação de profissionais de outras de tomada de decisão, devem ser con- especialidades, permitindo uma aborda- sideradas as preferências do paciente, gem multidisciplinar, aspecto que deve após esclarecimento dos riscos e be- ser frequentemente enfatizado. nefícios da terapêutica , as circunstân- Finalizando, gostaria de agradecer cias do atendimento, o estadiamento aos colegas que, generosamente, em- da doença e os recursos disponíveis. prestaram seu tempo dedicando-se à Além dissto, a experiência profissional produção deste importante e útil tra- é fundamental e faz muita diferença na balho. Com isso, estamos contribuin- conduta final, garantindo um melhor do para a missão da SBD, que é servir acompanhamento do paciente. de instrumento de atualização e reci- É essencial, portanto, entender que clagem. Nosso objetivo final — valeDra. Marília de Brito Gomes as evidências são apenas um dos compo- a pena destacar — é a qualidade daPresidente da SBD – Gestão 2008/2009 nentes na tomada de decisão. Os médi- atenção ao paciente com diabetes.
  5. 5. 2009 Diretrizes SBDSBDSociedade Brasileira de Diabetes DIRETORIA GESTÃO 2009 Presidente Dra. Marília de Brito Gomes Vice-Presidentes Dr. Balduíno Tschiedel Dr. Mario José A. Saad Dr. Saulo Cavalcanti da Silva Dr. Nelson Rassi Dra. Reine Marie Chaves Fonseca Secretário-Geral Dr. Sergio Atala Dib Segunda Secretária Dra. Rosane Kupfer Tesoureiro Dr. Antonio Carlos Lerario Segundo Tesoureiro Dr. Domingos Malerbi Diretor para Assuntos Internacionais e Sociais Dr. Antonio Roberto Chacra Conselho Fiscal Dr. Milton César Foss Dr. Walter Minicucci Dr. Marco Antônio Vívolo Suplente Dr. Adriana Costa e Forti
  6. 6. Diretrizes SBD 2009 EDITORES AUTORES Marília de Brito Gomes SBD/SBEM/ABESO Mônica Gabbay Adolpho Milech Nelson Rassi Antonio Carlos Lerario Adriana Perez Angelucci Paula Pascalli Airton Golbert Paulo Henrique de Ávila Morales Alexandre José Faria Carrilho Regina Célia Santiago Moisés Ana Claudia Ramalho Reginaldo Albuquerque Anita Sachs Renata Szundy Berardo Annelena Soccal Seyffarth Roberta Arnoldi Cobas Antonio Carlos Lerario Roberta Coelho Antonio Carlos Pires Ruy Lyra Antonio Roberto Chacra Saulo Cavalcanti da Silva Antonio Rodrigues Ferreira Sérgio Vencio Augusto Pimazoni Netto Silmara Leite Balduino Tschiedel Sonia Grossi Bernardo Leo Wajchenberg Walter Minicucci Bruno Gelonese Sociedade Brasileira de Carlos Antônio Negrato Hipertensão Celeste Elvira Viggiano Eduardo Tibiriçá Claudia Piepper Sociedade brasileira de Deise Baptista neurologia Durval Damiani Gerson Canedo de Magalhães Edgar D`ávila Niclewicz Sociedade Brasileira de Gisele Rossi Govea Psiquiatria Hermelinda Pedrosa Marco André Mezzasalma Ivan Ferraz sOCIEDADE BRASILEIRA DE João Felipe Mota Reumatologia João Roberto de Sá Mauricio Levy Neto Jose Egidio P. de Oliveira sociedade brasileira de Josefina Bressan Cardiologia Laércio Joel Franco Raul Santos Luciana Bruno Sociedade Brasileira de Luciano Oliveira Infectologia Luis H. Canani Nanci Silva Marcia Nery Sociedade Brasileira de Márcio Mancini Angiologia e Cirurgia Vascular Marcos Tadashi Kikitami Toyoshima Carlos Eduardo Virgini Magalhães Marcos Tambascia Outros Maria Tereza Zanella Camila Barcia Marilia de Brito Gomes Daniel Deluiz Mário José A. Saad Livia Ferreira da Costa Marlene Merino Alvarez Mauro Scharf Milton César Foss Mirela Azevedo
  7. 7. 2009 Diretrizes SBDSUMÁRIOEpidemiologia do diabetes mellitus 9Classificação etiológica do diabetes mellitus 13Métodos e critérios para o diagnóstico de diabetes mellitus 18Análise dos marcadores de resistência à insulina na clínica diária 21Princípios para orientação nutricional no diabetes mellitus 23Como prescrever o exercício no tratamento do diabetes mellitus 33Medicamentos orais no tratamento do diabetes mellitus: como selecioná-los de acordo com as características clínicas do paciente 39Uso da insulina no tratamento do diabetes mellitus do tipo 2 47Tratamento combinado: drogas orais e insulina no diabetes mellitus do tipo 2 55Diabetes mellitus do tipo 2 no jovem 60Uso da insulina no tratamento do diabetes mellitus do tipo 1 67Tratamento de crianças e adolescentes com diabetes mellitus do tipo 1 73Alvos no controle clínico e metabólico de crianças e adolescentes com diabetes mellitus do tipo 1 83Métodos para monitorar o tratamento da hiperglicemia 88Tratamento da hipertensão arterial no diabetes mellitus 93Tratamento da dislipidemia associada ao diabetes mellitus 98Uso de antiagregantes plaquetários no tratamento do diabetes mellitus 102Prevenção primária e secundária da doença macrovascular no paciente com diabetes mellitus 107Diagnóstico de isquemia miocárdica silenciosa no paciente diabético 111Retinopatia diabética 116Tratamento da nefropatia diabética 120Neuropatia diabética 129Diagnóstico precoce do pé diabético 135Diabetes mellitus gestacional: diagnóstico, tratamento e acompanhamento pós-gestacional 144Tratamento do paciente idoso diabético 150Crises hiperglicêmicas agudas no diabetes mellitus 159Avaliação da função endotelial e marcadores laboratoriais de estresse oxidativo no diabetes 165Aplicação de insulina 171Tratamento com insulina em pacientes internados 177Preparo pré e pós-operatório do paciente com diabetes mellitus 180Cirurgia bariátrica no paciente diabético 186Transplante de pâncreas 192Indicações e uso da bomba de infusão de insulina 195Educação do paciente com diabetes mellitus 201Transtornos alimentares no paciente diabético: diagnóstico e conduta 205Avaliação do controle glicêmico 210Gerenciamento eletrônico do diabetes 219Diabetes e drogas antipsicóticas 231Doença arterial obstrutiva periférica no paciente diabético 237Diabetes mellitus pós-transplante 245Manifestações reumatológicas do diabetes 252Diabetes e doença periodontal 259Disglicemias na gestação 266Cirurgia para diabetes 281
  8. 8. Diretrizes SBD 2009SUMÁRIOIndicação de vacinas ao paciente diabético 288Síndrome metabólica em crianças e adolescentes 292HIV, diabetes e síndrome metabólica 297Depressão no paciente diabético 304Degeneração vascular cerebral 310Definição de indicadores de desempenho dos programas de atendimento aos diabéticos 314Consenso brasileiro para avaliação da hemoglobina glicada 318 CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ D635 Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009 / Sociedade brasileira de diabetes. - [3.ed.]. - Itapevi, SP : A. Araújo Silva Farmacêutica, 2009. 400p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-60549-30-6 1. Diabetes Mellitus. 2. Diabetes - Tratamento. I. Sociedade Brasileira de Diabetes 09-5712. CDD: 616.462 CDU: 616.379-008.64 03.11.09 10.11.09 016092É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,fotocópia, distribuição na Web, entre outros), sem permissão expressa da Editora. AC Farmacêutica Diretores: Silvio Araujo e André Araujo Coordenadoras editoriais: Roberta Monteiro e Christina Araujo Designer gráfico: Vinícius Nuvolari e Gabriel Meneses | Revisora ortográfica: Patrizia Zagni Comercial: Selma Brandespim, Wilson Neglia, Rosângela Santos, Karina Maganhini, Fabiola Pedroso, Sidney Azevedo e Flávio Cardoso SP Rua Dr. Martins de Oliveira, 33 - Jardim Londrina - CEP 05638-030 - São Paulo - SP - Tel.: (11) 5641-1870 RJ Estrada do Bananal, 56 - Freguesia/Jacarepaguá - CEP 22745-012 - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: (21) 2425-1440 Todo o desenvolvimento, bem como suas respectivas fotos e imagens de conteúdo científico, é de responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a posição da editora e do laboratório, que apenas patrocina sua distribuição à classe médica. Esta publicação contém publicidade de medicamentos sujeitos a prescrição médica, sendo destinada exclusivamente a profissionais habilitados a prescrever, nos termos da Resolução RDC Anvisa n. 96/08.
  9. 9. 2009 Diretrizes SBDEpidemiologia do diabetes mellitusMagnitude do problema Uma epidemia de diabetes mellitus (DM) está em curso. Em 1985, estimava-se haver 30milhões de adultos com DM no mundo; esse número cresceu para 135 milhões em 1995,atingindo 173 milhões em 2002, com projeção de chegar a 300 milhões em 2030. Cerca dedois terços desses indivíduos com DM vivem em países em desenvolvimento, onde a epide-mia tem maior intensidade, com crescente proporção de pessoas afetadas em grupos etáriosmais jovens, coexistindo com o problema que as doenças infecciosas ainda representam (B)1. O número de indivíduos diabéticos está aumentando devido ao crescimento eao envelhecimento populacional, à maior urbanização, à crescente prevalência deobesidade e sedentarismo, bem como à maior sobrevida de pacientes com DM.Quantificar a prevalência de DM e o número de pessoas diabéticas, no presente e nofuturo, é importante, pois permite planejar e alocar recursos de forma racional (D)2. No Brasil, no final da década de 1980, estimou-se a prevalência de DM na popula-ção adulta em 7,6% (A)3; dados mais recentes apontam para taxas mais elevadas, como12,1% no estudo de Ribeirão Preto (SP) (A)4 e de 13,5% em São Carlos (SP) (A)5. O Estudo Multicêntrico sobre a Prevalência do Diabetes no Brasil3 evidenciou a in-fluência da idade na prevalência de DM e observou incremento de 2,7% na faixa etáriade 30 a 59 anos para 17,4% na de 60 a 69 anos, ou seja, um aumento de 6,4 vezes (A)3. Há marcantes diferenças na prevalência de DM entre diversos países e gruposétnicos. Descreveram-se taxas mais elevadas para Nauru, na Oceania, e para os ín-dios Pima, no Arizona, nos Estados Unidos, onde praticamente metade da popula-ção adulta apresenta DM (B)6. Outros aspectos a destacar são as repercussões de mudanças no estilo de vida,em curto período de tempo, em grupos de migrantes. No Brasil, um estudo reali-zado na comunidade nipo-brasileira mostrou aumento vertiginoso na prevalênciade DM, cuja taxa passou de 18,3%, em 1993, para 34,9%, em 2000, evidenciando oimpacto de alterações no estilo de vida, em particular do padrão alimentar, intera-gindo com provável suscetibilidade genética (A)7. É difícil determinar a incidência de DM do tipo 2 (DM2) em grandes populações, pois en-volve seguimento durante alguns anos, com medições periódicas de glicemia. Os estudosde incidência são geralmente restritos a DM do tipo 1 (DM1), pois suas manifestações iniciaistendem a ser bem características. A incidência de DM1 demonstra acentuada variação geo-gráfica, apresentando taxas por 100 mil indivíduos com menos de 15 anos de idade: 38,4 naFinlândia, 7,6 no Brasil e 0,5 na Coreia, por exemplo (B)8. Atualmente, sabe-se que a incidênciade DM1 vem aumentando, particularmente na população infantil com menos de cinco anosde idade (B)9. Frequentemente, na declaração de óbito não se menciona DM pelo fato de seremsuas complicações, particularmente as cardiovasculares e cerebrovasculares, as causas da 9
  10. 10. Diretrizes SBD 2009morte. No início do século XXI, estimou-se patologia eram o dobro ao triplo maiores Isso pode ocorrer mediante prevençãoque se atribuíram 5,2% de todos os óbi- dos que os para um sem a doença (C)15. do início de DM (prevenção primária) outos no mundo ao diabetes, o que torna Os custos do DM afetam todos, porém de suas complicações agudas ou crônicasessa patologia a quinta principal causa de não são apenas um problema econômi- (prevenção secundária).morte. Parcela importante desses óbitos co. Os custos intangíveis (dor, ansiedade, A prevenção primária protege indiví-é prematura, ocorrendo quando ainda os inconveniência e perda de qualidade de duos suscetíveis de desenvolver DM, ten-indivíduos contribuem economicamente vida, por exemplo) também apresentam do impacto por reduzir ou retardar tantopara a sociedade (D)10. grande impacto na vida das pessoas com a necessidade de atenção à saúde como Dados brasileiros de 2006 mostram que essa patologia e suas famílias, sendo difí- a de tratar as complicações do DM.as taxas de mortalidade por DM (por 100 mil ceis de quantificar. Atualmente, a prevenção primária dehabitantes) apresentam acentuado aumento Os custos diretos com DM variam entre DM1 não tem uma base racional que se pos-com o progredir da idade, variando de 0,46 para 2,5% e 15% do orçamento anual da saúde, sa aplicar a toda população. As intervençõesa faixa etária de 0 a 29 anos a 223,3 para a de 60 dependendo de sua prevalência e do grau populacionais ainda são teóricas, necessitan-anos ou mais, ou seja, um gradiente próximo a de sofisticação do tratamento disponível. Es- do de estudos que as confirmem. As proposi-400 vezes (B)11. Na maioria dos países desenvol- timativas do custo direto para o Brasil oscilam ções mais aceitáveis baseiam-se no estímulovidos, quando se analisa apenas a causa básica em torno de 3,9 bilhões de dólares america- do aleitamento materno e em evitar a admi-do óbito, verifica-se que o DM, entre as prin- nos, em comparação com 0,8 bilhão para a nistração do leite de vaca nos primeiros trêscipais, figura entre a quarta e a oitava posição. Argentina e 2 bilhões para o México (C)16. meses de vida2. Entretanto, o recrutamentoEstudos brasileiros sobre mortalidade por DM, Muitos indivíduos com diabetes são de indivíduos de maior risco para participaranalisando as causas múltiplas de morte, ou incapazes de continuar a trabalhar em de- de ensaios clínicos é justificável. As interven-seja, quando se menciona DM na declaração corrência de complicações crônicas ou per- ções propostas têm se baseado em imuno-de óbito, mostram que a taxa de mortalidade manecem com alguma limitação no seu modulação ou imunossupressão (B)2,6.por essa enfermidade aumenta até 6,4 vezes desempenho profissional. Estimar o custo Quanto ao DM2, condição na qual a(B)12. Ao analisar a importância do DM como social dessa perda de produtividade não é maioria dos indivíduos também apresentacarga de doença, ou seja, o impacto da morta- fácil. Entretanto, em algumas situações nas obesidade, hipertensão arterial e dislipide-lidade e dos problemas de saúde que afetam a quais se tem feito essa estimativa, tais cus- mia, as intervenções devem abranger essasqualidade de vida de seus portadores, por meio tos são equivalentes ou mesmo superiores múltiplas anormalidades metabólicas, o que,do Disability Adjusted Life ofYears (DALY), verifi- aos diretos com a saúde. Por exemplo, em além de prevenir o surgimento de diabetes,ca-se que em 1999 DM apresentava taxa de 12 2007, as estimativas para os Estados Uni- estaria também evitando doenças cardiovas-por mil habitantes, ocupando a oitava posição, dos dos custos diretos para o tratamento culares e reduzindo a mortalidade (A)2.sendo superado pelo grupo das doenças infec- de DM foram de US$ 116 bilhões em com- Há evidências de que alterações no estilociosas e parasitárias, neuropsiquiátricas, cardio- paração com US$ 58 bilhões para os custos de vida, com ênfase na alimentação e na re-vasculares, respiratórias crônicas, do aparelho indiretos (C)15. Combinando as estimativas dução da atividade física, associam-se a acen-digestivo, neoplasias malignas e doenças mus- para 25 países latino-americanos, pode-se tuado incremento na prevalência de DM2. Osculoesqueléticas(C)13.Nessacomparação,deve- inferir que os custos decorrentes da perda programas de prevenção primária do DM2se considerar que o DM, como única entidade, de produção pela presença de DM podem baseiam-se em intervenções na dieta e naestá sendo comparado a grupos de doenças e, ser cinco vezes maiores que os diretos15. prática de atividades físicas, visando a com-mesmo assim, pode-se notar sua importância. Tal fato se deveria ao acesso limitado à boa bater o excesso de peso em indivíduos com Sua natureza crônica, gravidade das assistência à saúde, com consequente ele- maior risco de desenvolver diabetes, particu-complicações e os meios necessários para vada incidência de complicações, incapaci- larmente nos com tolerância à glicose dimi-controlá-las tornam o DM uma doença tações e morte prematura (D)16. nuída. Os resultados do Diabetes Preventionmuito onerosa não apenas para os indiví- Program (DPP) demonstraram redução deduos afetados e suas famílias, mas também Prevenção 58% na incidência de casos de DM mediantepara o sistema de saúde (D)14. Nos Estados o estímulo a uma dieta saudável e à práticaUnidos, estimou-se que os custos dos cui- Prevenção efetiva também significa de atividades físicas, sendo essa intervençãodados de saúde para um indivíduo com tal mais atenção à saúde de forma eficaz. mais efetiva que o uso de metformina (A)17.10
  11. 11. 2009 Diretrizes SBDO Finnish Diabetes Prevention Study (DPS)17 tive Diabetes Study (UKPDS) para o DM2 (A)21. a importante repercussão nos custosmostrou que redução do peso em torno de 3 Outras medidas importantes na diretos, indiretos e intangíveis da ce-a 4 kg em quatro anos diminuiu a incidência prevenção secundária são: gueira (B)2;de DM em 58% (A)18. Num estudo longitudi- – tratamento da hipertensão arterial e – rastreamento para microalbumi-nal com 84.941 enfermeiras e seguimento de dislipidemia, o que reduz substancialmen- núria é um procedimento recomendá-16 anos, o controle de fatores de risco modifi- te o risco de complicações do DM (A)2; vel para prevenir ou retardar a progres-cáveis, como dieta habitual, atividade física, ta- – prevenção de ulcerações nos são da insuficiência renal, permitindobagismo e excesso de peso, associou-se à re- pés e de amputações de membros intervir mais precocemente no cursodução de 91% na incidência de DM e de 88% inferiores por meio de cuidados es- natural da doença renal (B)2;nos casos com história familiar de DM (A)19. pecíficos que podem reduzir tanto a – medidas para reduzir o consu- Quanto à prevenção secundária, há evi- frequência e a duração de hospitali- mo de cigarro também auxiliam nodências de que o controle metabólico estrito zações como a incidência de ampu- controle do DM, visto que o taba-tem papel importante na prevenção do sur- tações em 50% (A)2; gismo se associa de modo intensogimento ou da progressão de suas compli- – rastreamento para diagnóstico a mau controle dessa patologia ecações crônicas, conforme evidenciou o Dia- e tratamento precoce da retinopatia, causalmente a hipertensão e doen-betes Control and Complications Trial (DCCT) que apresenta grande vantagem do ça cardiovascular em pessoas com(A)20 para o DM1 e o United Kingdom Prospec- ponto de vista custo-efetividade, dada ou sem DM (B) 2. Conclusões finais Grau de reco- Conclusão mendação A frequência do DM está assumindo proporções epidêmicas na maioria dos países. A Na maioria dos países em desenvolvimento, o incremento da incidência do DM ocorre com maior intensidade nos grupos B etários mais jovens. A incidência do diabetes do tipo 1 está aumentando, particularmente na população infantil com menos de cinco anos B de idade. As estatísticas de mortalidade e hospitalizações por diabetes subestimam sua real contribuição. B As doenças cardiovasculares e cerebrovasculares são as principais causas de óbito de portadores de diabetes. B Parcela importante de óbitos em indivíduos com diabetes é prematura, ocorrendo quando ainda contribuem economi- D camente para a sociedade. Na atualidade, a prevenção primária do diabetes do tipo 1 não tem uma base racional que se possa aplicar à B população geral. Intervenções no estilo de vida, com ênfase em alimentação saudável e prática regular de atividade física, reduzem A a incidência de diabetes do tipo 2. Intervenções no controle da obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e sedentarismo, além de evitar o surgi- A mento do diabetes, também previnem doenças cardiovasculares. O bom controle metabólico do diabetes previne o surgimento ou retarda a progressão de suas complicações A crônicas, particularmente as microangiopáticas. Medidas de combate ao tabagismo auxiliam no controle do diabetes e na prevenção da hipertensão arterial e de B doença cardiovascular. Legenda A. Estudos experimentais e observacionais de melhor consistência. B. Estudos experimentais e observacionais de menor consistência. C. Relatos de casos – Estudos não controlados. D. Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consenso, estudos fisiológicos ou modelos animais. 11
  12. 12. Diretrizes SBD 2009Referências developing glucose disturbance – A 15. American Diabetes Association. study of a Japanese-Brazilian popula- Economic costs of diabetes in the USA 1. Wild S, Roglic G, Green A, Sicree R, tion. J Epidemiol. 2000;10(2):103-10. in 2007. Diabetes Care. 2008;31(3):1-20.King H. Global prevalence of diabetes. Esti-mates for the year 2000 and projections for 8. Onkamo P, Väänänen S, Karvonen 16. Barceló A, Aedo C, Rajpathak S,2030. Diabetes Care. 2004; 27(5):1047-53. M, Tuomilehto J. Worldwide increase in Robles S. The cost of diabetes in Latin incidence of type 1 diabetes: the analysis America and the Caribean. Bull World 2. World Health Organization. The of the data on published incidence tren- Health Organ. 2003;81(1):19-27.World Health Organization Report ds. Diabetologia. 1999;42(12):1395-403.2002: reducing risks, promoting heal- 17. Diabetes Prevention Programthy life. Geneve, WHO, 2002. 9. Karvonen M, Viik-Kajander M, Mol- Research Group. Reduction of the inci- tchanova E, Libman I, LaPorte R, Tuomi- dence of type 2 diabetes with life sty- 3. Malerbi D, Franco LJ; the Brazilian lehto J for the Diabetes Mondiale (Dia- le intervention or metformin. N Engl JCooperative Group on the Study of Dia- Mond) Project Group. Incidence of the Med. 2002; 346(6):393-403.betes Prevalence. Multicenter study of childhood type 1 diabetes worldwide.the prevalence of diabetes mellitus and Diabetes Care. 2000;23:1516-26. 18. Tuomilehto J, Lindstrom J, Erikssonimpaired glucose tolerance in the urban JG, Valle TT, Hamalainen H, Hanne-ParikkaBrazilian population aged 30-69 years. 10. Roglic G, Unwin N, Bennett PH, P, et al.; for the Finnish Diabetes Preven-Diabetes Care. 1992;15(11):1509-16. Mathers C, Tuomilehto J, Nag S, et al. tion Program. Prevention of type 2 diabe- The burden of mortality attributable to tes mellitus by changes in life style among 4. Torquato MTCG, Montenegro diabetes: realistic estimates for the year subjects with impaired glucose tolerance.Jr RN, Viana LAL, Souza RAHG, Ianna 2000. Diabetes Care. 2005;28(9):2130-5. N Engl J Med. 2001;344(18):1343-50.CMM, Lucas JCB, et al. Prevalence ofdiabetes mellitus and impaired gluco- 11. BRASIL. Ministério da Saúde. Se- 19. Hu EB, Manson JE, Stamper MJ,se tolerance in the urban population cretaria de Vigilância em Saúde. Siste- Colditz G, Liu S, Solomon CG, et al. Diet,aged 30-69 years in Ribeirão Preto ma de Informações sobre Mortalidade. lifestyle, and the risk of type 2 diabetes(São Paulo), Brazil. São Paulo Med J. Disponível em: http://www.datasus. mellitus in women. N Engl J Med. 2001;2003;121(6):224-30. gov.br. Acessado em 08/07/2009. 345(11):790-7. 5. Bosi PL, Carvalho AM, Contrera D, Casa- 12. Franco LJ. Um problema de saúde 20. The Diabetes Control and Com-le G, Pereira MA, Gronner M, et al. Prevalência pública. Epidemiologia. In: Oliveira JEP, plications Trial Research Group. Thede diabete melito e tolerância à glicose dimi- Milech A (eds.). Diabetes mellitus: clínica, effect of intensive treatment of diabe-nuída na população urbana de 30 a 79 anos diagnóstico, tratamento multidisciplinar. tes on the development and progres-da cidade de São Carlos, São Paulo. Arq Bras São Paulo: Atheneu, 2004. p. 19-32. sion of long-term complications inEndocrinol Metab. 2009;53(6):726-32 insulin-dependent diabetes mellitus. N 13. Schramm JMA, Oliveira AF, Leite Engl J Med. 1993; 329(14):977-86. 6. Ekoé JM, Rewers M, Williams R, Zim- IC, Valente JG, Gadelha AMJ, Portela MC,met P (eds.). The epidemiology of diabetes et al. Transição epidemiológica e o estu- 21. UK Prospective Diabetes Studymellitus. 2. ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2008. do de carga de doença no Brasil. Ciência (UKPDS) Group. Intensive blood glu- & Saúde Coletiva. 2004;9(4):897-908. cose control with sulphonylureas or 7. Gimeno SGA, Ferreira SRG, Car- insulin compared with conventionaldoso MA, Franco LJ, Iunes M; the Japa- 14. World Health Organization. Dia- treatment and risk of complications innese-Brazilian Diabetes Study Group. betes: the cost of diabetes. WHO fact patients with type 2 diabetes. Lancet.Weight gain in adulthood and risk of sheet. September 2002, n. 236. 1998; 352(9131):837-53.12
  13. 13. 2009 Diretrizes SBDClassificação etiológica do diabetesmellitus Diabetes mellitus (DM) não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de dis-túrbios metabólicos que apresenta em comum a hiperglicemia, a qual é o resultado dedefeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambos. A classificação atual do DM baseia-se na etiologia e não no tipo de tratamento, por-tanto se deve eliminar os termos DM insulinodependente e DM insulinoindependente.A classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (D)1 e AssociaçãoAmericana de Diabetes (ADA) (D)2 e aqui recomendada inclui quatro classes clínicas: DMtipo 1 (DM1), DM tipo 2 (DM2), outros tipos específicos de DM e DM gestacional (Tabela1). Ainda há duas categorias, referidas como pré-diabetes, que são a glicemia de jejumalterada e a tolerância à glicose diminuída. Tais categorias não são entidades clínicas, masfatores de risco para o desenvolvimento de DM e doenças cardiovasculares (DCVs). Tabela 1. Classificação etiológica do DM DM1 Autoimune Idiopático DM2 Outros tipos específicos de DM DM gestacionalDiabetes mellitus do tipo 1 O DM1, forma presente em 5% a 10% dos casos, é o resultado da destruiçãode células betapancreáticas com consequente deficiência de insulina. Na maioriados casos, essa destruição de células beta é mediada por autoimunidade, porémexistem casos em que não há evidências de processo autoimune, sendo, portan-to, referida como forma idiopática de DM1. Os marcadores de autoimunidade sãoos autoanticorpos anti-insulina, antidescarboxilase do ácido glutâmico (GAD 65) eantitirosina-fosfatases (IA2 e IA2B) (A)3-7. Esses anticorpos podem estar presentesmeses ou anos antes do diagnóstico clínico, ou seja, na fase pré-clínica da doença,e em até 90% dos indivíduos quando se detecta hiperglicemia. Além do compo-nente autoimune, DM1 apresenta intensa associação com determinados genes dosistema antígeno leucocitário humano (HLA), alelos esses que podem suscitar odesenvolvimento da doença ou proteger contra esta (A)8,9. A taxa de destruição das células beta é variável, sendo, em geral, mais rápida 13
  14. 14. Diretrizes SBD 2009entre as crianças. A forma lentamente 95% dos casos e caracteriza-se por defeitos de processos patogênicos específicosprogressiva ocorre em adultos, sendo na ação e secreção da insulina. Em geral, ou defeitos genéticos, o número dereferida como latent autoimmune dia- ambos os defeitos estão presentes quando pessoas com essa forma de DM irá di-betes in adults (LADA). a hiperglicemia se manifesta, porém pode minuir à custa de mudanças para uma O DM1 idiopático corresponde à mi- haver predomínio de um deles. A maio- classificação mais definitiva em outrosnoria dos casos e caracteriza-se pela au- ria dos pacientes com essa forma de DM tipos específicos de DM.sência de marcadores de autoimunidade apresenta sobrepeso ou obesidade, e ceto-contra as células beta e não associação acidose raramente se desenvolve de modo Outros tipos específicoscom haplótipos do sistema HLA. Os in- espontâneo, ocorrendo apenas quando se de DMdivíduos com essa forma de DM podem associa a outras condições como infecções.desenvolver cetoacidose e apresentam DM2 pode ocorrer em qualquer idade, mas Pertencem a essa classificaçãograus variáveis de deficiência de insulina. é geralmente diagnosticado após os 40 formas menos comuns de DM cujos Como a avaliação dos autoanticorpos anos. Os pacientes não dependem de insuli- defeitos ou processos causadores po-não se encontra disponível em todos os na exógena para sobreviver, porém podem dem ser identificados. A apresentaçãocentros, a classificação etiológica do DM1 necessitar de tratamento com insulina para clínica desse grupo é bastante variadanas subcategorias autoimune e idiopáti- obter controle metabólico adequado. e depende da alteração de base. Es-co pode não ser sempre possível. Diferentemente do DM1 autoimu- tão incluídos nessa categoria defeitos ne, não há indicadores específicos para genéticos na função das células beta,Diabetes mellitus do tipo 2 o DM2. Há, provavelmente, diferentes defeitos genéticos na ação da insulina, mecanismos que resultam nessa forma doenças do pâncreas exócrino e outras O DM2 é a forma presente em 90% a de DM, e com a identificação futura condições listadas na tabela 2. Tabela 2. Outros tipos específicos de DM Defeitos genéticos na função das células beta MODY 1 (defeitos no gene HNF-4 alfa) MODY 2 (defeitos no gene da glicoquinase) MODY 3 (defeitos no gene HNF-1 alfa) MODY 4 (defeitos no gene IPF-1) MODY 5 (defeitos no gene HNF-1 beta) MODY 6 (defeitos no gene Neuro D1) DM mitocondrial Outros Defeitos genéticos na ação da insulina Resistência à insulina do tipo A Leprechaunismo Síndrome de Rabson-Mendenhall DM lipoatrófico Outros Doenças do pâncreas exócrino Pancreatite Pancreatectomia ou trauma Neoplasia Fibrose cística14
  15. 15. 2009 Diretrizes SBD Continuação - Tabela 2Tabela 2. Outros tipos específicos de DM Pancreatopatia fibrocalculosa Outros Endocrinopatias Acromegalia Síndrome de Cushing Glucagonoma Feocromocitoma Somatostinoma Aldosteronoma Outros Induzido por medicamentos ou agentes químicos Determinadas toxinas Pentamidina Ácido nicotínico Glicocorticoides Hormônio tireoidiano Diazóxido Agonistas betadrenérgicos Tiazídicos Interferon alfa Outros Infecções Rubéola congênita Citomegalovírus Outros Formas incomuns de DM auto-imune Síndrome stiff man Anticorpos antirreceptores de insulina Outros Outras síndromes genéticas por vezes associadas a DM Síndrome de Down Síndrome de Klinefelter Síndrome de Turner Síndrome de Wolfram Ataxia de Friedreich Coreia de Huntington Síndrome de Laurence-Moon-Biedl Distrofia miotônica Síndrome de Prader-Willi Outros MODY = maturity onset diabetes of the young. 15
  16. 16. Diretrizes SBD 2009Diabetes MELLITUS dade e mortalidade perinatais (B)13-16. diário entre a homeostase normalgestacional Deve-se reavaliar pacientes com DM da glicose e o DM. A categoria gli- gestacional quatro a seis semanas cemia de jejum alterada refere-se Trata-se de qualquer intolerância após o parto e reclassificá-las como às concentrações de glicemia deà glicose, de magnitude variável, com apresentando DM, glicemia de jejum jejum inferiores ao critério diag-início ou diagnóstico durante a ges- alterada, tolerância à glicose diminuí- nóstico para DM, porém mais ele-tação. Não exclui a possibilidade de da ou normoglicemia. Na maioria dos vadas que o valor de referênciaa condição existir antes da gravidez, casos, há reversão para a tolerância normal. A tolerância à glicose di-mas não ter sido diagnosticada. Simi- normal após a gravidez, porém existe minuída representa uma anorma-lar ao DM2, o DM gestacional associa- 10% a 63% de risco de desenvolver lidade na regulação da glicose nose tanto à resistência à insulina quan- DM2 dentro de cinco a 16 anos após estado pós-sobrecarga, que é diag-to à diminuição da função das células o parto (B)17-19. nosticada por meio de teste oral debeta (B)10-12. O DM gestacional ocorre tolerância à glicose (TOTG), o qualem 1% a 14% de todas as gestações, Pré-diabetes inclui a determinação da glicemiadependendo da população estudada, de jejum e de duas horas após a so-e relaciona-se a aumento de morbi- Refere-se a um estado interme- brecarga com 75 g de glicose. Conclusões finais Conclusão Grau de recomendação Classificação atual baseada na etiologia e não no tipo de tratamento D Classes clínicas: DM 1, DM 2, DM gestacional e outros tipos específicos de DM D Pré-diabetes: glicemia de jejum alterada e tolerância à glicose diminuída D Legenda A. Estudos experimentais e observacionais de melhor consistência. B. Estudos experimentais e observacionais de menor consistência. C. Relatos de casos – Estudos não controlados. D. Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consenso, estudos fisiológicos ou modelos animais.Referências nosis and Classification of Diabetes Mellitus. 1990;347:151. Diabetes Care. 2009; 32(suppl. 1):S62. 5. Rabin DU, Pleasic SM, Shapiro JA, 1. Alberti KGMM, Zimmet PZ, for 3. Palmer JP, Asplin CM, Clemons P, et al. Islet cell antigen 512 is a diabetes-the World Health Organization Con- et al. Insulin antibodies in insulin-de- specific islet autoantigen related tosultation. Definition, diagnosis and pendent diabetics before insulin treat- protein tyrosine phosphatases. J Im-classification of diabetes mellitus and ment. Science. 1983;222:1337. munol. 1994;152:3183.its complications. Part 1: diagnosis andclassification of diabetes mellitus. Re- 4. Baekkeskov S, Aanstoof H, Christ- 6. Gorus KF, Goubert P, Semakula C et al.port of a WHO Consultation. Geneva: gau S, et al. Identification of the 64K au- IA-2-autoantibodies complement GAD65-WHO, 1999. toantigen in insulindependent diabe- autoantibodies in new-onset IDDM pa- tes as the GABA-synthesizing enzyme tients and help predict impending diabe- 2. American Diabetes Association. Diag- glutamic acid decarboxilase. Nature. tes in their siblings. The Belgian Diabetes16
  17. 17. 2009 Diretrizes SBDRegistry. Diabetologia 1997; 40:95 resistance and inadequate beta-cell 15. Dornhorst A, Paterson CM, Ni- secretion characterize lean gestational cholls J et al. High prevalence of gesta- 7. Baekkeskov S, Aanstoot HJ, Christ- diabetes during and after pregnancy. tional diabetes in women from ethnicgau S et al. Identification of the 64K auto- Diabetes Care 1997; 20:1717 minority groups. Diabet Med 1992; 9:820antigen in insulin-dependent diabetes asthe GABA-synthesizing enzyme glutamic 12. Buchanan TA, Meltzger BE, 16. Schmidt MI, Duncan BB, Reicheltacid decarboxylase. Nature 1990; 347:151 Freinkel N, Bergman RN. Insulin sensiti- AJ et al. Gestational diabetes mellitus vity and B-cell responsiveness to glucose diagnosed with a 2-h 75-g oral glucose 8. Todd JA, Bell JI, McDevin HO. HLA- during late pregnancy in lean and mode- tolerance test and adverse pregnancyDQb gene contributes to susceptibility rately obese women with normal gluco- outcomes. Diabetes Care 2001; 24:1151and resistance to insulin-dependent se tolerance or mild gestational diabetes.diabetes mellitus. Nature. 1987;329:599. Am J Obstet Gynecol 1990; 162:1008 17. Kim C, Newton KM, Knoop RH. Ges- tational diabetes and the incidence of type 9. Erlich H, Valdes AM, Noble J et al. 13. Coustan DR. Gestational diabe- 2 diabetes. Diabetes Care 2002; 25:1862HLA DR-DQ haplotypes and genotypes tes. Diabetes in America. In: Nationaland type 1 diabetes risk: analysis of the Institutes of Diabetes and Digestive 18. Jarvela IY, Juutinen J, Koskelatype 1 diabetes genetics consortium and Kidney Diseases. 2 ed. NIH Publica- P et al. Gestational diabetes identifiesfamilies. Diabetes 2008; 57:1084 ção n. 95-1468. Bethesda: NIDDK, 1995. women at risk for permanent type 1 p. 703-17. and type 2 diabetes in fertile age: Pre- 10. Kuhl C. Insulin secretion and dictive role of autoantibodies. Diabe-insulin resistance in pregnancy and 14. Lawrence JM, Contreras R, Chen tes Care 2006, 29:607GDM: implications for diagnosis and W, Sacks DA. Trends in the prevalence ofmanagement. Diabetes. 1991;40:18. preexisting diabetes and gestational dia- 19. Henry OA, Beischer N. Long-term betes mellitus among a racially/ethnically implications of gestational diabetes for 11. Kaulzky-Willer A, Prager R, Wal- diverse population of pregnant women, the mother. Bailliere´s Clinical Obste-dhausl W et al. Pronounced insulin 1999-2005. Diabetes Care 2008; 31:899 trics and Gynaecology 1991; 5:461 17
  18. 18. Diretrizes SBD 2009 Métodos e critérios para o diagnóstico de diabetes mellitus A evolução para o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) ocorre ao longo de um período de tempo variável, passando por estágios intermediários que recebem a denomina- ção de glicemia de jejum alterada e tolerância à glicose diminuída. Tais estágios se- riam decorrentes de uma combinação de resistência à ação insulínica e disfunção de células beta. Já no diabetes mellitus do tipo 1 (DM1), o início geralmente é abrupto, com sintomas indicando, de maneira sólida, a presença da enfermidade1,2. Em 1997, o critério diagnóstico foi modificado pela American Diabetes Associa- tion (ADA), posteriormente aceito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)1,2. As modificações foram realizadas com a finalidade de prevenir, de maneira eficaz, as complicações micro e mascrovasculares do DM3-5. Atualmente, são três os critérios aceitos para o diagnóstico de DM: – sintomas de poliúria, polidipsia e perda ponderal acrescidos de glicemia casual acima de 200 mg/dl. Compreende-se por glicemia casual aquela realizada a qual- quer hora do dia, independentemente do horário das refeições (A)1,2; – glicemia de jejum igual ou superior a 126 mg/dl (7 mmol). Em caso de pequenas elevações da glicemia, deve-se confirmar o diagnóstico pela repe- tição do teste em outro dia (A)1,2; – glicemia de duas horas pós-sobrecarga de 75 g de glicose acima de 200 mg/dl (A)1,2. Deve-se efetuar o teste de tolerância à glicose com os cuidados preconizados pela OMS, com colheita para diferenciação de glicemia em jejum e 120 minutos após a ingestão de glicose. Reconhece-se um grupo intermediário de indivíduos em que os níveis de glicemia não preenchem os critérios para o diagnóstico de DM. São, entretanto, muito elevados para serem considerados normais6. Nesses casos, consideraram-se as categorias de glicemia de jejum alterada e tolerância à glicose diminuída, cujos critérios são apresentados na tabela 1. Tabela 1. Valores de glicose plasmática (em mg/dl) para diagnóstico de diabetes mellitus e seus estágios pré-clínicos Categoria Jejum* Duas horas após 75 g de glicose Casual Glicemia normal Menor que 100 Menor que 140 - Tolerância à glicose Maior que 100 a Igual ou superior a 140 a - diminuída menor que 126 menor que 200 Igual ou superior a Igual ou superior a 200 Diabetes mellitus Igual ou superior a 200 126 (com sintomas clássicos)*** *Define-se jejum como a falta de ingestão calórica por, no mínimo, oito horas. **Glicemia plasmática casual é a realizada a qualquer hora do dia, sem se observar o intervalo desde a última refeição. ***Os sintomas clássicos de DM incluem poliúria, polidipsia e perda não explicada de peso. Nota: deve-se sempre confirmar o diagnóstico de DM pela repetição do teste em outro dia, a menos que haja hiperglicemia inequívocacom descompensação metabólica aguda ou sintomas óbvios de DM.18
  19. 19. 2009 Diretrizes SBDGlicemia de jejum alterada deverá ser congelado para posterior As fitas com reagentes não são tão utilização. Caso não se disponha desse precisas quanto as dosagens plasmáti- Glicemia de jejum acima de 100 mg/ reagente, a determinação da glicemia cas, não se devendo utilizá-las para odl e abaixo de 126 mg/dl – A OMS ain- deverá ser imediata ou o tubo mantido diagnóstico.da não oficializou esse critério, porém a 40C por, no máximo, duas horas8. Em julho de 20099, propôs-se a uti-já existe uma recomendação da Fede- Para realizar o teste de tolerância à lização de hemoglobina glicada comoração Internacional de Diabetes (Inter- glicose oral, deve-se levar em conta al- critério de diagnóstico para diabetesnational Diabetes Federation [IDF]) aca- gumas considerações: mellitus. A alegação é que a medida datando o ponto de corte para 100 mg/dl. – período de jejum entre 10 e 16 horas; A1c avalia o grau de exposição à glice- Tolerância à glicose diminuída – – ingestão de pelo menos 150 g de mia durante o tempo e os valores seQuando, após uma sobrecarga de 75 g de glicídios nos três dias anteriores à reali- mantêm estáveis após a coleta. As re-glicose, o valor de glicemia de duas horas zação do teste; comendações são as seguintes:se situa entre 140 e 199 mg/dl (B)2-7. – atividade física normal; – Diabetes: A1c acima de 6,5% a ser O método preferencial para deter- – comunicar a presença de infec- confirmada em outra coleta. Dispensá-minar glicemia é sua aferição no plas- ções, ingestão de medicamentos ou vel em caso de sintomas ou glicemiama. Deve-se coletar sangue em um inatividade; acima de 200 mg%.tubo com fluoreto de sódio, centrifu- – utilizar 1,75 g de glicose por quilo- – Indivíduos com alto risco para de-gado, com separação do plasma, que grama de peso até o máximo de 75 g8. senvolver diabetes: A1c entre 6% e 6,5%. Conclusões finais Conclusão Grau de recomendação DM – Glicemia de jejum acima de 126 mg% A DM – Glicemia acima de 200 mg% após duas horas no TOTG* A DM – Sintomas de diabetes: poliúria, polidipsia, perda ponderal e glicemia ao acaso acima de 200 mg% A DM – A1c superior a 6,5% B IGT – Glicemia após duas horas no TOTG entre 140 e 199 mg% B IFG – Glicemia de jejum entre 100 e 126 mg% B Risco para desenvolver diabetes mellitus – A1c entre 6% e 6,5% D *TOTG: teste oral de tolerância à glicose; IGT: tolerância à glicose diminuída; IFG: glicemia de jejum alterada. Legenda A. Estudos experimentais e observacionais de melhor consistência. B. Estudos experimentais e observacionais de menor consistência. C. Relatos de casos – Estudos não controlados. D. Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consenso, estudos fisiológicos ou modelos animais.Referências 2. Engelgau MM, Thompson TJ, Her- 3. Fuller JM, Shipley MJ, Rose G, et man WH, et al. Comparison of fasting al. Coronary heart disease risk and im- 1. Report of Expert Committee and 2 hours glicose and HbA1c levels paired glucose: the Whitehall study.on the Diagnosis and Classification for diagnosing diabetes. Diagnostic cri- Lancet. 1980;1:1373-6.of Diabetes Mellitus. Diabetes Care. teria and performance revisited. Diabe-1997;20:1183-97. tes Care. 1997;20:785-91. 4. Charles MA, Shipley MJ, Rose G, et 19
  20. 20. Diretrizes SBD 2009al. Risk factors for NIDDM in white popu- Guide to diagnosis and classification of 8. Bennet PH. Definition, diagnosislation. Paris Prospetive Study. Diabetes. diabetes mellitus and ofter categories and classification of diabetes mellitus1991;40:796-9. of glicose intolerance. Diabetes Care. and impaired glucose tolerance. In: 1997;suppl. 20:215-25. Kahn CR, Weir GC (eds.). Joslin’s diabe- 5. Decode Study Group. Glucose tes mellitus. 13 ed. Philadelphia: Lea etolerance and mortality: comparasion 7. The Expert Comitee on the Diag- Febiger, 1994. p. 193-215.of WHO and American Diabetes As- nosis and Classification of Diabetessociation diagnostic criteria. Lancet. Mellitus. Follow-up report on the diag- 9. The International Expert Committee.1999;354:617-21. nosis of diabetes mellitus. Diabetes International expert committee report on Care. 2003;26:3160-7. the role of the A1c assay in the diagnosis of 6. American Diabetes Association. diabetes. Diabetes Care. 2009;32(7):1327-34.20
  21. 21. 2009 Diretrizes SBDAnálise dos marcadores de resistência àinsulina na clínica diária A resistência à insulina, definida como uma resposta biológica subnormal a umadeterminada concentração desse hormônio, é uma condição fisiopatológica de granderepercussão clínica. Estudos epidemiológicos demonstram que indivíduos que apresen-tam resistência à insulina têm chance maior de desenvolver diabetes mellitus do tipo 2(DM2), alguns tipos de dislipidemia, hipertensão arterial, esteatoepatite não alcoólica,doenças neurodegenerativas, algumas neoplasias, como de mama, pâncreas e cólon, erisco cardiovascular aumentado em duas a quatro vezes. Assim, tornou-se importante,na prática clínica, estabelecer se um paciente apresenta ou não resistência à insulina. Os bons métodos utilizados para avaliar a resistência à insulina são: – teste de infusão quádrupla; – teste de tolerância endovenosa à glicose (modelo mínimo de Bergman); – teste de tolerância oral à glicose (TOTG); – teste de tolerância à insulina (KITT); – clamp de glicose (clamp euglicêmico hiperinsulinêmico). Há métodos mais simples, que só usam a dosagem basal de insulina e/ou glicose.Desses, o mais amplamente utilizado é o índice homeostasis model assessment – insulinresistance (HOMA-IR), calculado por meio da fórmula glicemia de jejum (mmol/l = mg/dl÷ 18) × insulinemia de jejum (μU/ml)/22,5.Critérios para definir resistência à insulina Estudo recente realizado por Stern et al.1 utilizou a maior coleção de resultados declamp euglicêmico associando dados de diferentes populações. Permitiu o desenvolvi-mento de critérios clinicamente viáveis e rotineiros, tendo como base a definição de re-sistência à insulina no método padrão-ouro (clamp euglicêmico). Foram avaliados 2.321resultados de clamp, sendo 2.138 em indivíduos não diabéticos. Os resultados práticosresumidos desse estudo definem resistência à insulina na prática clínica por meio de trêsmodelos. Veja-os a seguir. Critérios para diagnóstico de resistência à insulina Modelo 1 utiliza índice de massa corporal (IMC) e/ou HOMA-IR a) IMC > 28,9 kg/m2; ou b) HOMA-IR > 4,65; ou c) IMC > 27,5 kg/m2 e HOMA-IR > 3,6 Esses critérios do modelo 1 têm sensibilidade de 84,9% e especificidade de 78,7%. 21
  22. 22. Diretrizes SBD 2009 Critérios para diagnóstico de resistência à insulina Modelo 2 utiliza só critérios clínicos a) IMC > 28,7 kg/m2; ou b) IMC > 27 kg/m2 e história familiar de DM Os critérios do modelo 2 têm sensibilidade de 78,7% e especificidade de 79,6%. Critérios para diagnóstico de resistência à insulina Modelo 3 utiliza variáveis clínicas e determinações de lipídios a) IMC > 28,7 kg/m2; ou b) IMC > 27 kg/m2 e história familiar de DM; ou c) história familiar de DM negativa, mas triglicérides (TG) > 2,44 mmol/l Os critérios do modelo 2 têm sensibilidade de 78,7% e especificidade de 79,6%. Os critérios do modelo 3 têm sensibilidade de 81,3% e especificidade de 76,3%. Esse estudo certamente será um divíduos analisados e, principalmente, como critérios para se definir resistên-marco na transição da pesquisa de por usar como parâmetro de definição, cia à insulina em estudos clínicos ou naresistência à insulina para a prática para efeitos de comparação, o clamp prática médica (B, 1), mas o modelo 1clínica, por ter avaliado diferentes po- euglicêmico. Os três modelos deriva- apresenta melhor sensibilidade e deve,pulações, pelo grande número de in- dos desse estudo devem ser difundidos sempre que possível, ser utilizado. Conclusões finais Conclusão Grau de recomendação Pode-se definir que um paciente tem resistência à insulina, na prática clínica, quando se enquadra nos crité- A rios dos modelos 1, 2 ou 3 propostos por Stern et al.1 Legenda A. Estudos experimentais e observacionais de melhor consistência. B. Estudos experimentais e observacionais de menor consistência. C. Relatos de casos – Estudos não controlados. D. Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consenso, estudos fisiológicos ou modelos animais.Referências 1. Stern SE, Williams K, Ferrannini E, DeFronzo RA, Bogardus C, Stern MP. Identification of individuals with insulin resistanceusing routine clinical measurements. Diabetes. 2005;54:333-9.22
  23. 23. 2009 Diretrizes SBDPrincípios para orientação nutricional apacientes com diabetes mellitus A orientação nutricional e o estabelecimento de dieta para controlar pacientescom diabetes mellitus (DM) em associação a mudanças no estilo de vida, incluindoatividades físicas, são considerados terapias de primeira escolha (A)1-4. Comprovou-se que essa associação provoca melhora na sensibilidade à insuli-na, diminui os níveis plasmáticos de glicose e, de forma expressiva, a circunferênciaabdominal e a gordura visceral, melhorando o perfil metabólico com redução nosníveis de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) e triglicerídeos eaumento de colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-C)2,5. Diversos estudos em pacientes com DM fundamentam as condutas referentesà terapia nutricional e a exercícios físicos como tratamento, as quais serão apresen-tadas a seguir.Terapia nutricional A terapia nutricional desempenha papel preponderante na prevenção do DM,no gerenciamento da doença já existente e na prevenção do desenvolvimento dascomplicações decorrentes dessa doença crônica4,6. As diretrizes nutricionais publicadas por importantes órgãos como AmericanDiabetes Association (ADA)6, European Association for Study of DM (EASD) e Dia-betes Care Advisory Comitee of DM (UK)7 sobre o tratamento do DM enfatizam quealcançar as metas de tratamento propostas nessa doença crônica requer esforçoenvolvendo a equipe de saúde com educadores em DM, nutricionista especializa-do e o portador de DM. A conduta nutricional deverá ter como foco a individualização, considerandotodas as fases da vida, diagnóstico nutricional, hábitos alimentares e sociocultu-rais, não diferindo de parâmetros estabelecidos para população em geral, conside-rando também o perfil metabólico e o uso de fármacos6. A importância do controle de peso corporal, na redução dos riscos relaciona-dos ao DM, é de grande importância. O risco de comorbidades associadas ao ex-cesso do tecido adiposo aumenta com o ganho ponderal. Em razão dos efeitosda obesidade na resistência à insulina, a perda de peso é um importante objetivoterapêutico para indivíduos com risco de desenvolver DM6. O componente dietético desempenha importante papel para o desenvolvimen-to da obesidade, devendo-se considerar os macronutrientes e micronutrientes doplano alimentar, além da energia, como fatores de aumento de risco para o desen-volvimento da obesidade. Atenção especial deve-se dar às gorduras, envolvidas nobalanço energético da dieta e na alteração do perfil lipídico, quando consumidas deforma desbalanceada. Ainda não se estabeleceu a melhor distribuição de macronu- 23
  24. 24. Diretrizes SBD 2009trientes da dieta para promover o ema- perda de peso em longo prazo em tor- A nutrição equilibrada, estabeleci-grecimento, entretanto sabe-se que a no de 5% a 7% do peso corporal (A)3-6. da segundo concentrações adequadasconduta nutricional deve-se basear na Dessa forma, exercícios e modificação de macronutrientes e micronutrientespromoção da perda de peso gradual, comportamental são muito úteis como prescritos de forma individualizada,manutenção do peso saudável e pre- adjuntos a outras estratégias para per- deve-se basear nos objetivos do trata-venção de ganho de peso6. da e manutenção de peso (A)2,4,6. mento. A ingestão dietética recomen- Programas estruturados que enfa- A intervenção nutricional direcio- dada segue recomendações semelhan-tizam mudanças no estilo de vida, in- nada a portadores de DM tipo 1 (DM1) tes às definidas para a população geral,cluindo educação nutricional, redução aponta a importância de integrar insuli- considerando todas as faixas etárias8.de gorduras (menos de 30% da inges- na, dieta e atividade física, reforçando otão energética) e ingestão energética, ajuste da terapia insulínica ao plano ali- As recomendações de ingestão deatividade física regular e contato regu- mentar individualizado como chave para calorias e macronutrientes estão suma-lar com profissionais, podem ocasionar adequado controle metabólico (A)6. rizadas na tabela 1. Tabela 1. Composição nutricional Macronutrientes Ingestão recomendada Considerar as necessidades individuais Valor energético total (VET) Utilizar parâmetros semelhantes aos da população geral em todas as faixas etárias Carboidratos (CHOs)1 Carboidratos totais (45% a 60%) Sacarose Até 10% Frutose Não se recomenda adição nos alimentos Fibra alimentar2 Mínimo de 20 g/dia ou 14 g/1.000 kcal Gordura total (GT)3 Até 30% do VET Ácidos graxos saturados (AGSs)4 Menos de 7% do VET Ácidos graxos poli-insaturados (AGPIs)5 Até 10% do VET Ácidos graxos monoinsaturados (AGMIs)6 Completar de forma individualizada Colesterol7 Menos de 200 mg/dia Proteína8 15% a 20% (VET)Carboidratos dieta saudável (A). restringir sacarose nem alimentos con- O açúcar de mesa ou produtos con- tendo sacarose, no entanto devem subs- A adoção do modelo dietético Die- tendo açúcar (fonte de frutose) podem tituí-la por outra fonte de carboidrato ou,tary Approaches to Stop Hypertension eventualmente ser ingeridos no contex- se adicionada, compensá-la com doses(DASH) associado à intervenção no es- to de um plano alimentar saudável (A), adicionais de insulina ou outro medica-tilo de vida pode aumentar a sensibili- contudo se recomenda não ultrapassar mento hipoglicemiante (A). Adoçantesdade à insulina. Para os carboidratos, 10% do valor calórico total (D)9. Como a não nutritivos são seguros quando con-recomenda-se o uso de hortaliças, le- sacarose não aumenta a glicemia mais sumidos até o nível diário aceitável de in-guminosas, grãos integrais e frutas, que do que quantidades isocalóricas de ami- gestão estabelecido pela Food and Drugdevem ser consumidos segundo uma do, pessoas com DM não necessitam Administration (FDA) (A)1,2,4,10,11.24
  25. 25. 2009 Diretrizes SBD Em relação ao efeito do índice glicê- cose alimentar, proporcionando picos 200 mg (D). Todavia, a redução de áci-mico dos carboidratos, pode-se afirmar glicêmicos pós-prandiais menores16. do graxo saturado também pode dimi-que a quantidade do carboidrato na re- Como para todas as pessoas, o con- nuir as concentrações de HDL-C. Pou-feição ou lanche é mais importante que sumo de fibras alimentares deve ser cos estudos com portadores de DMa fonte ou tipo dele (A)12. O método de encorajado, porém não há razão para demonstram os efeitos das porcenta-contagem de carboidratos é considera- recomendá-lo em maior quantidade gens de ácidos graxos saturado, transdo pela ADA a chave do tratamento nu- aos portadores de DM (A)6. Alto teor de e do consumo de colesterol dietéticotricional do DM1 (A)1 . fibras na alimentação pode afetar sig- sobre os lipídios plasmáticos. Por essa A aplicação clínica do índice glicê- nificativamente os hábitos alimentares razão, as metas dietéticas para porta-mico na prevenção e tratamento das e a palatabilidade desta, não havendo dores de DM são as mesmas que paradoenças crônicas é controversa. Não há evidências de que o alto consumo in- indivíduos com doença cardiovascu-indício da implementação de planos ali- terfere na glicemia e no perfil lipídico lar, já que ambos os grupos apresen-mentares com baixo índice glicêmico na de forma diferenciada. As fibras devem tam risco cardiovascular idêntico6.redução da morbidade e mortalidade ter origem dietética, não sendo neces- Alguns estudos mostram que pla-por doenças cardiovasculares e na re- sária suplementação se na alimenta- nos alimentares com quantidades re-dução da glicemia em DM. Estudos ob- ção diária estiverem presentes cereais duzidas de ácido graxo saturado e altasservacionais não evidenciam o papel da integrais, hortaliças, leguminosas e em carboidrato ou ácido graxo cis-mo-dieta de baixo índice glicêmico e o risco frutas em porções recomendadas pela noinsaturado diminuem as concentra-de desenvolvimento de doença cardio- pirâmide alimentar para a população ções de LDL-C de maneira equivalente3.vascular. Estudos clínicos relatam modesta brasileira17. Entretanto, planos alimentares com ele-redução no colesterol total (- 6,6 mg/dl) com vada quantidade de carboidrato (apro-a ingestão de alimentos de baixo índice Gorduras ximadamente 55% do total de calorias)glicêmico em comparação com alimentos aumentam a glicemia, insulinemia ede elevado índice glicêmico, porém não re- A primeira meta para portadores de trigliceridemia pós-prandial quandoduzem outros fatores de risco como LDL-C, DM é limitar a ingestão de ácido graxo comparados ao maior consumo de áci-colesterol total, triacilgliceróis, glicemia saturado, ácido graxo trans e colesterol do graxo monoinsaturado (30% a 40%de jejum, insulina e peso corporal. Não com a finalidade de reduzir o risco car- do total de calorias). Além disso, o planose encontraram evidências suficientes diovascular6. A recomendação para o alimentar rico em ácido graxo monoin-para recomendar o uso de alimentos de ácido graxo saturado é atingir menos saturado, quando comparado ao hiper-baixo índice glicêmico como estratégia de 7% do total de calorias (A). glicídico, pode repercutir em melhoraprimária no plano alimentar (B)1,11,13. A ingestão de gorduras saturada e na glicemia de jejum, sem promover Carboidrato e gordura monoinsatu- trans positivamente se associa a mar- ganho de peso quando isocalórico.rada juntos devem perfazer 60% a 70% cadores inflamatórios e inversamente Planos alimentares ricos em ácidoda ingestão energética14. Entretanto, à sensibilidade à insulina18. Os ácidos graxos poli-insaturados parecem terdeve-se considerar o perfil metabólico e graxos trans devem ter seu consumo efeitos similares aos ácidos graxos mo-a necessidade de perda de peso quando reduzido (D). De acordo com a Organi- noinsaturados sobre os lipídios plasmá-se determina a quantidade de gordura zação Mundial da Saúde, não se deve ticos. A suplementação com ácidos gra-monoinsaturada da dieta (B)3,4,6,14,15. ultrapassar 2% do total de calorias. xos poli-insaturados n-3 pode reduzir Os ácidos graxos saturados e trans as concentrações de triacilgliceróis emFibras também são os principais determi- diabéticos19, bem como modular a res- nantes dietéticos das concentrações posta inflamatória nesses indivíduos20. Deve haver oferta adequada e su- de LDL-C. Dessa forma, a redução na Embora a suplementação possa provo-ficiente de fibras. Recomenda-se o ingestão desses ácidos graxos e de co- car pequeno aumento nas concentra-consumo de, no mínimo, 20 g ao dia lesterol pode reduzir as concentrações ções de LDL-C, o incremento de HDL-Cou 14 g/1.000 kcal6. As fibras solúveis de LDL-C. A recomendação para inges- pode compensar esse efeito.podem interferir na absorção da gli- tão do colesterol alimentar é inferior a O consumo de ácido graxo n-3 de 25
  26. 26. Diretrizes SBD 2009fontes como peixes ou por meio de su- dências que sugiram que se deva mo- doença óssea. Contudo, não há evidên-plementos mostra redução nos riscos dificar a ingestão habitual proteica cias suficientes quanto ao benefício dacardiovasculares21. Uma recente revisão (15% a 20% das necessidades diárias suplementação de vitaminas e mineraisindicou que o consumo de n-3 pode re- de energia) caso a função renal esteja em portadores de DM que não pos-duzir a resistência à insulina22. Pode-se normal (A)3,4,6. suem deficiência desses nutrientes (A).recomendar consumo de duas ou mais Desconhecem-se os efeitos a longo Em razão de o DM aumentar o es-porções de peixes por semana, com ex- prazo de dietas com conteúdo proteico tresse oxidativo, a terapia com antioxi-ceção dos filés de peixe fritos (B)21,23. elevado e baixo em carboidrato. Embo- dantes tem despertado interesse dos Em estudos recentes com esteróis ra tais dietas possam promover perda pesquisadores, mas infelizmente não háde plantas e ésteres de estanol, veri- de peso a curto prazo e melhorar o per- estudos que examinaram os efeitos daficou-se que esses componentes blo- fil glicêmico, ainda não se estabeleceu intervenção dietética sobre as concen-queiam a absorção intestinal de coles- se essa perda de peso será mantida por trações plasmáticas de antioxidantes eterol dietético e biliar. Em portadores de um período mais prolongado de tempo. biomarcadores inflamatórios em dia-DM, a ingestão de 2 g/dia de esteróis de O efeito de tais dietas no perfil de LDL-C béticos. Alguns estudos mostram be-plantas e ésteres de estanol demonstra plasmático é também um ponto inte- nefícios com a utilização de alimentosredução nas concentrações de coleste- ressante (B)6. funcionais com potenciais efeitos an-rol total e LDL-C24,25. tioxidantes, tais como café, chá, cacau e Vitaminas e minerais canela29-31. No entanto, ressalta-se que aProteína suplementação rotineira de antioxidan- DM é uma doença que frequente- tes com vitaminas E, C e caroteno não As necessidades proteicas variam de mente se associa à deficiência de micro- é recomendada, devido à carência deacordo com as fases da vida e a oferta nutrientes26, por isso os indivíduos com estudos sobre a eficácia e segurança adeve ser suficiente para atender às de- DM devem ter um suporte de vitaminas longo prazo (A).mandas. Essa oferta deve constituir-se e minerais atingido diariamente por Deficiências de cromo, potássio,de um terço de proteína de alto valor meio de fontes alimentares e plano ali- magnésio e zinco podem agravar a in-biológico e as proteínas vegetais, como mentar balanceado27. O plano alimen- tolerância à glicose. Níveis séricos deas leguminosas, devem ser incluídas a tar deve prover a recomendação para potássio e magnésio são facilmentefim de suplementar a necessidade de o consumo diário de duas a quatro por- detectáveis, todavia a verificação daaminoácidos para a síntese e manuten- ções de frutas, sendo pelo menos uma deficiência de zinco e cromo é difícil32.ção dos tecidos. Além disso, esses grãos rica em vitamina C (frutas cítricas), e de Recentes estudos sinalizam que a suple-oferecem fibras solúveis e amido resis- três a cinco porções de hortaliças cruas mentação de cromo pode apresentartente, que favorecem a resposta glicê- e cozidas. Recomenda-se, sempre que importante papel na manutenção damica pós-prandial. possível, dar preferência aos alimentos homeostase glicêmica33,34. Entretanto, Pode haver catabolismo proteico integrais6. a ADA enfatiza que os benefícios comaumentado em portadores de DM tra- Estudos longitudinais são necessá- a suplementação de cromo em diabéti-tados com esquema de insulinização rios para avaliar a segurança e os benefí- cos ou obesos não têm sido claramen-convencional, sugerindo ser necessário cios da suplementação de cromo, mag- te demonstrados, por isso não se deveaporte proteico suficiente, assim como nésio, antioxidantes e outras terapias recomendá-los (D).monitorar as reservas corporais de pro- complementares no manejo do DM228. Da mesma maneira, não há evi-teína, de forma a aumentar a demanda Em alguns grupos como idosos, gestan- dências suficientes que demonstramalimentar, se necessário. Indivíduos ex- tes ou lactentes, vegetarianos restritos a eficácia de suplementos herbáceospostos à cetoacidose podem necessitar ou aqueles em restrição calórica, a su- em pessoas com DM35. Suplementosde correção do estado nutricional por plementação de multivitamínicos pode comercialmente disponíveis para ven-meio do aumento da oferta de energia ser necessária3. Outras exceções são da não são padronizados e variam eme proteínas na dieta (B). feitas ao folato, para prevenir doenças quantidade de ingredientes ativos, logo Para pessoas com DM, não há evi- congênitas, e ao cálcio, para prevenir não são recomendados. Preparações26
  27. 27. 2009 Diretrizes SBDherbáceas também podem apresentar prolongadas (até 16 horas após sua Situações especiaisinterações com outros medicamentos36. ingestão). Deve-se sempre enfatizar aPortanto, é importante que profissio- educação quando adolescentes e adul- Crianças e adolescentesnais da saúde estejam atentos ao uso tos iniciam a ingesta de álcool na rotinadesses produtos por pessoas com DM diária37. Ao fazerem uso da bebida alco- Planos alimentares individualizadosdevido a possíveis efeitos colaterais e ólica, a ingestão diária deve-se limitar a e regimes intensivos de insulina podeminterações erva-droga ou erva-erva. uma quantidade moderada (uma dose fornecer flexibilidade a crianças e ado- ou menos por dia para mulheres e duas lescentes com DM para acomodar oSal de cozinha doses ou menos por dia para homens). tempo e os horários de refeições irregu- Uma dose é definida como 360 ml de lares, em situações de variação de apeti- O consumo de sódio deve-se limitar cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de be- te e níveis de atividade física (A). As ne-a 2.400 mg por dia, o que equivale a 6 g bida destilada (D)3,4,6,38. Deve-se encora- cessidades de nutrientes para criançasde sal de cozinha. Segundo o Ministério jar o uso de algum tipo de identificação, e adolescentes com DM1 e 2 parecemda Saúde, o consumo populacional aci- como “tenho DM”37. ser similares às de outros indivíduos dema dessa meta é causa importante de O consumo de carboidratos coin- mesma idade (B)1,3,4.hipertensão arterial. Deve-se evitar pro- gerido com álcool em drinques mistos, Dessa forma, sugere-se, para o cál-dutos alimentícios que, além de conter por exemplo, pode elevar a glicemia culo do plano alimentar de crianças esal, são ricos em ingredientes fontes de (B)11. Deve-se tomar cuidado especial adolescentes com DM, o uso das reco-sódio, os quais incluem conservantes e para prevenir a hipoglicemia noturna. mendações nutricionais por faixa etáriaacidulantes, entre outros. São ricos em Nesse sentido, carboidratos devem ser e com as mesmas características parasódio, porém, ao contrário do sal, não ingeridos antes e/ou durante e/ou após macronutrientes indicadas na tabela 1.agregam sabor salgado aos alimentos, a ingestão da bebida alcoólica. Também Ressalta-se que o objetivo prioritário dao que pode favorecer o consumo inade- pode ser necessário ajustar a dose de conduta nutricional nessa faixa etária équado. São exemplos desses alimentos insulina ou secretagogos de insulina, manter crescimento e desenvolvimentonão recomendados: embutidos, conser- particularmente se houver a associação adequados e, posteriormente, adequarvas, enlatados, defumados, salgados de de exercício físico no período da inges- aos aspectos relacionados ao controlepacote, macarrão instantâneo, pipoca ta da bebida alcoólica (ex.: festas com glicêmico (D)39.para micro-ondas, temperos em cubos dança). Deve-se incentivar a monito- Recomenda-se o uso do método deou sache e molhos prontos9. ração da glicemia durante a noite e no contagem de carboidrato como estra- Por outro lado, plano alimentar rico dia seguinte, após a ingestão de bebida tégia para individualizar e flexibilizar aem temperos naturais, frutas, vegetais, alcoólica (D)6. ingestão alimentar para obter bom con-laticínios magros e outros alimentos trole glicêmico (A)6. O método de conta-saudáveis, associado a menor teor de Recomendações alimentares gem de carboidrato prioriza o total desódio (menos de 2.300 mg/dia), pode complementares carboidratos por refeição, considerandoauxiliar a reduzir a pressão arterial. Esse que sua quantidade determina a res-padrão alimentar reflete o preconizado Recomenda-se fracionar o plano posta glicêmica pós-prandial. Tal fatopela dieta DASH (A). As recomenda- alimentar em seis refeições, sendo três ocorre em razão de os carboidratos seções da ADA ressaltam que portadores principais e três lanches. Quanto à for- converterem totalmente à glicose, node DM e doença cardíaca sintomática ma de preparo dos alimentos, deve-se período que varia de 15 minutos a duaspodem ter os sintomas reduzidos com preferir grelhados, assados, cozidos no horas, enquanto apenas parte das pro-consumo de sódio de 2.000 mg/dia (C)1. vapor ou até mesmo crus. Pode-se in- teínas (35% a 60%) e somente 10% das dicar alimentos diet e light no contexto gorduras podem ser convertidas à gli-Álcool do plano alimentar, não os utilizando cose, no período de três a quatro horas de forma exclusiva. Deve-se respeitar as e cinco horas, respectivamente40. O excesso de bebida alcoólica é preferências individuais e o poder aqui- A hipoglicemia em crianças e ado-perigoso e pode induzir hipoglicemias sitivo do paciente e da família (C)4,6. lescentes pode ocasionar danos seve- 27

×