Artigo de conclusão da pós em docência do ensino superior

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Este é o meu TCC da Pós Graduação em Docência do Ensino Superior. Fala sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e/ou Impulsividade -TDAH - em adultos que frequentam curso superior. Assim como todo cidadão diagnosticado "normal", um portador de TDAH merece respeitos e cuidados. Não é nada fácil para um portador deste transtorno viver numa sociedade cruelmente preconceituosa. Porém, todo portador de TDAH pode ter uma vida normal, desde que aqueles que convivem com ele tenham consciência das limitações e carências desse ser especial e tenham, sobretudo, paciência. Foi um trabalho que tive bastante prazer em fazer, não foi fácil, foi algo muito sofrido, até porque eu sou portadora deste transtorno. Eu me assumo e isso facilita minha vida em sociedade. Conheço meus direitos, sem negligenciar meus deveres. É bom ler para conhecer o que é o TDAH. A boa notícia é que a alegria de um portador deste transtorno, o carinho e o companheirismo são contagiantes, mas, sua impulsividade, hiperatividade, apesar de bloqueá-lo um pouco, não são contagiosos! Aproveite o lado bom de um TDAH e você terá um parceiro fiel para toda vida.

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Artigo de conclusão da pós em docência do ensino superior

  1. 1. FLATED – FACULDADE LATINO AMERICANA DE EDUCAÇÃO ADULTOS COM TDAH NO ENSINO SUPERIOR RESPEITO E CUIDADOS SOLANGE MARIA BARRETO GUIMARÃES AGOSTO DE 2013 Artigo de conclusão do Curso de Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior.
  2. 2. ADULTOS COM TDAH NO ENSINO SUPERIOR RESPEITO E CUIDADOS RESUMO O presente trabalho foi baseado em observações feitas pela autora, em cursos de graduação e pós-graduação, variados, na cidade de Aracati. Vale ressaltar que suas observações foram feitas em instituições de ensino privadas, uma vez que, o Ensino Superior Público em Aracati, Estado do Ceará, ainda não possui uma demanda diversificada e tão exigente, pois, pelo fato de “estar pagando”, ser um “pretexto” para que a qualidade do ensino superior seja realmente superior às outras, houve um interesse maior nesse sentido. Descobrimos, principalmente, nos cursos de pós-graduação em Psicopedagogia que muito se fala na questão do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade – TDAH em crianças, limitando-se a enxergar que a realidade também está em adultos, e que frequentam o próprio curso. O pior de tudo isso é que nem sempre se dá a devida atenção e o devido respeito a este ser que, assim como os outros, é amparado por lei, porém, desconhece seus direitos e, tanto professores, quanto diretores, e principalmente colegas, veem o (a) aluno (a) como problemático (a), perturbador (a), preguiçoso (a), e, enfim, acabam por derrubar o castelo de sonhos que o portador de TDAH criou no Nível Superior, gerando, aí sim, um grande problema, por contradição. 2
  3. 3. INTRODUÇÃO Para que a questão da Educação tão comentada nos dias de hoje seja vista de maneira completa, é importante, sim, que vejamos a pessoa em sua infância e em sua adolescência, que busquemos uma boa educação de base infantil e uma boa educação fundamental em sua pré-adolescência e em sua adolescência. Nisso, consiste o êxito ou não na fase adulta de um indivíduo enquanto membro de uma sociedade cada vez mais exigente quanto aos valores, principalmente, no mercado de trabalho, de onde esse membro retira seu sustento e possa, através dos seus conhecimentos, também, sustentar suas crianças, completando, dessa forma, o ciclo da complexa existência humana. Devemos, no entanto, observar que cada pessoa é única, ou seja, não podemos, jamais, julgar “a parte pelo todo”, nem “o todo pela parte”; cada ser humano tem suas peculiaridades. Hoje, vemos a triste realidade de alguns adultos que, por terem sido “diferentes” na infância e na adolescência, foram excluídos, difamados, mal interpretados, rejeitados, por serem portadores de valores especiais; seja por ignorância dos conviventes, seja por falta dos avanços na ciência que a cada dia descobrem coisas novas e dão a essas coisas, novas nomenclaturas, refinando, assim, a busca pelo que vai além dos rótulos e aparências. O conceito estereotipado que a sociedade, principalmente, educativa, criou, devido aos seus processos de avaliação, impostos não se sabe por quem, é de que, para estar cursando uma faculdade, uma especialização, um mestrado, um doutorado, e pós-doutorado, “só chegam lá os melhores”, os “mais inteligentes”, os “mais estudiosos”. Devemos pensar diferente da maioria e igual a uma minoria que sofre para alcançar seus objetivos. Devemos pensar que, para que isso aconteça, a pessoa só precisa ser capaz, o que não quer dizer, necessariamente, que seja a melhor, mas, o mais esforçado, aquele que vence não a si mesmo, mas ao preconceito dos que se acham melhores e que 3
  4. 4. injetam medo, insatisfação, baixa autoestima e complexo de inferioridade em pessoas com certas limitações. Neste caso aqui chamaremos tais limitações de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. O presente artigo tem o objetivo de conscientizar as pessoas que lidam diretamente com adultos portadores de TDAH, em especial, no Nível Superior, de que, apesar desse Transtorno, assim como os demais, merecem respeito e cuidados, diferenciados e especializados. Visa também informar que o TDAH no adulto de Nível Superior como parte do desenvolvimento humano, é uma realidade bem presente no nosso dia a dia, embora não seja tão fácil detectar seus sintomas e não é apenas “coisa de criança e adolescente”; despertar os mestres para o fato de que o portador de TDAH é amparado por Lei e tem direito a esse respeito e esses cuidados, pois trata-se de um ser humano importante para a construção de uma sociedade menos preconceituosa. Por fim, há um desejo imenso de contribuir para com a sociedade, apontando técnicas e atitudes adequadas para lidar com a presença de TDAH em estudantes adultos no Nível Superior, provando, com embasamento em Leis e estudos científicos que qualquer forma de desrespeito a um portador de TDAH, seja criança ou adulto, assim como qualquer pessoa que possua algum tipo de eficiência distinta, caracteriza um crime contra o ser humano. 4
  5. 5. COMPREENDENDO O TDAH A sigla TDAH quer dizer Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e é um transtorno neurobiológico (causado pelo sistema nervoso e de causas biológicas) que se apresenta logo na infância, podendo se estender à fase adulta, se não houver um diagnóstico correto feito a tempo. Caso não haja um diagnóstico correto e dentro do tempo certo, passa a ser um transtorno crônico, ou seja, sem cura, que acompanha o indivíduo durante toda a sua vida e ele precisará saber conviver com esse transtorno, sabendo que precisará de cuidados especiais durante toda a sua vida. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já reconheceu, assim como vários países no mundo, o TDAH um fato presente, real, portanto, embora muitos não acreditem, é sim, um caso científico comprovado, não havendo controvérsia alguma. De acordo com o site www.tdah.org.br, há até um Consenso Internacional a respeito do TDAH. Segundo o site, um Consenso é uma publicação científica resultante de inúmeros debates a respeito de vários transtornos, realizados entre pesquisadores de todo o mundo, inclusive, pessoas que não pertencem a um mesmo grupo ou instituição e que não comungam das mesmas ideias dos demais. Logo em seguida, o Consenso lança publicações a respeito das descobertas durante os debates. Algumas pessoas, por diversas razões que vão desde ignorância à má vontade em enxergar as descobertas como científicas, afirmam que o TDAH é, segundo o site supracitado, “uma „invenção‟ médica ou da indústria farmacêutica, para terem lucros com o tratamento”. Os que ignoram o TDAH, geralmente o fazem por falta de estudos, pesquisas científicas, tiram conclusões precipitadas, sem embasamento algum, e nunca publicaram nada que comprove que estão corretos em suas afirmações. Os de má vontade, até conhecem a respeito, mas, negam, oferecendo tratamentos alternativos, alegando que eles possuem o tratamento correto. 5
  6. 6. Nos dois casos, afirma-se que o tratamento do TDAH com medicamentos causa consequências terríveis. O site diz ainda:”quando a literatura é pesquisada, nada daquilo que eles afirmam é encontrado em qualquer pesquisa em qualquer país do mundo. [...] apesar de terem uma „aparência‟ de cientistas ou pesquisadores, jamais publicaram nada que comprovasse o que dizem.” Este é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados e ocorre, estatisticamente, entre 3 a 5% das crianças, e em adultos, estudos feitos nesses chamados “Consensos”, mostra que se aplica a cerca de 4% da população mundial. Dados do próprio site pesquisado. O mesmo site afirma que o diagnóstico de TDAH é clínico e não se baseiam em testes neuropsicológicos. Os testes servem apenas para esclarecer características do desempenho dos pacientes. Os professores Drs Luis Augusto Rohde e Paulo Mattos, num texto para o site pesquisado, dão a devida resposta a um Sr. Chamado Thomas Armstrong, em que chama o TDAH de “mito”; e rebatem: “Porque rotulá-los como tendo TDAH? Talvez, para que essas crianças possam ser adequadamente reconhecidas e tratadas. Ou o autor prefere que elas continuem sendo rotuladas nas escolas como burras, incompetentes, ou mal criadas, como normalmente acontece quando não se conhece o TDAH?” Mito é achar que portadores de TDAH não podem ser pessoas talentosas e altamente eficientes naquilo que gostam de fazer. Pois, o TDAH, de acordo com observações feitas em faculdades e pós-graduação, são altamente interessados, ao extremo, até, no assunto do qual gostam de estudar, porém, altamente desligados, inquietos, desatenciosos e irritadiços com aquilo de que não gostam, mas, que são “obrigados a fazer”. Segundo Gerardo J. Ballone, além das inúmeras definições que já deram ao TDAH, as características são mais comumente observáveis em crianças, por isso, adultos com diagnóstico deste transtorno, acabam por 6
  7. 7. não preencher os critérios diagnósticos para Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) de acordo com o DSM. Ele cita: Acreditava-se antes, que os sintomas de Distúrbio de Déficit de Atenção desapareciam, espontaneamente na adolescência ou, no máximo, no início da idade adulta, entretanto, alguns autores têm acreditado que o transtorno persiste em aproximadamente 50 a 70% dos casos na idade adulta, embora o quadro clínico sofra algumas modificações com o passar do tempo. (Wender, 1995) Um grupo de pesquisadoras formado por Fabiane Gomes dos Santos, Vânia Aparecida Rodrigues dos Santos e Valderice Cecília Limberger Rippel, descreve o TDAH em adultos da seguinte forma: “A maioria dos adultos com TDAH apresenta desfechos negativos em diversas áreas da vida, como desempenho acadêmico e profissional, posição sócio-econômica e marital. Apesar das evidências de associação entre desfechos negativos e TDAH, não há relatos publicados entre este transtorno e eventos de vida negativos no adulto”. Os estudos sobre o TDAH tiveram início no século passado. Em 1902 descreveu-se pela primeira vez sobre o Transtorno do Déficit de Atenção, ou seja, não é puro modismo ou diagnóstico recente; é uma área da ciência que vem sendo pesquisada e desenvolvida e muito discutida ao longo de vários anos, já. Desde os primeiros estudos sobre o caso do ser desatencioso e hiperativo esse transtorno recebeu várias denominações como: “Síndrome da Criança Hiperativa, Lesão Cerebral ou Disfunção Cerebral Mínima e Transtorno Hipercinético. A Associação americana de Psiquiatria em 1994 adotou o termo Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (a presença da barra se dá porque nem todos apresentam as duas características). Este transtorno é mais comum no sexo masculino do que no sexo feminino, chegando para eles a ser três vezes mais frequentes. No sexo feminino o quadro clínico apresenta mais desatenção e raramente, hiperatividade. No geral, em crianças, atinge entre 3 a 7% dos casos e, em 7
  8. 8. adultos, chega a atingir 4% das pessoas. O transtorno do Déficit de atenção com ou sem Hiperatividade, comum na infância é um dos principais responsáveis pelo fracasso escolar, porém, está mais do que certo que o problema não está restrito à infância. Dizia-se que no final da adolescência os sintomas regrediam com ou sem o tratamento e ao chegar na fase adulta, os sintomas passariam a não existir mais, como na infância. Muitos atribuíram este fato, não por pesquisas científicas, porém, muito mais pelo senso comum que, com a maturidade, as pessoas adquiriam responsabilidades, o que levava as pessoas a serem mais comedidas e interessadas pelas coisas às quais estariam diretamente ligadas, como casa, filhos, casamento, emprego, etc. Essa teoria acima vem caindo por terra à medida que os estudos avançam, pois percebem-se diferenças entre adultos e adultos, e, há sempre aquele que age diferentemente dos demais da mesma faixa etária. Se, por um lado, as crianças hiperativas estão constantemente correndo, pulando, brincando, o adulto hiperativo interioriza a mesma hiperatividade e demonstra-a de acordo com sua idade. Ou seja, os sintomas apenas mudam de idade para idade. 8
  9. 9. OS SINTOMAS DO TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE COMO DETECTAR UM SER DESATENCIOSO E HIPERATIVO Segundo o artigo das três pesquisadoras mencionadas anteriormente, o Transtorno do Déficit de Atenção manifesta-se por três grupos de sintomas que são: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Mas, estes sintomas são variáveis e inespecíficos, sendo encontrados comumente em outros transtornos e podem ser facilmente confundidos, bem como podem ser encontrados em alguns momentos na vida psíquica normal. A Hiperatividade caracteriza-se pelo distúrbio do auto-controle, do desenvolvimento adequado da inibição e da modulação das respostas. Há características de TDAH em pessoas normais também. No entanto, para identificar esse transtorno, é necessário que os sinais de desatenção, hiperatividade e impulsividade sejam mais intensos que os apresentados pelas pessoas da mesma idade, cujos sintomas sejam persistentes. É como um padrão de vida, por exemplo, quando se diz que “a pessoa sempre foi assim”. É necessário que estes sintomas sejam constantes e intensos de uma forma que que haja um comprometimento do seu funcionamento em mais de uma área de atuação, como casa, escola, trabalho, vida social, entre outras. Tanto a criança quanto o adulto com TDAH na hora de fazer um trabalho em casa, sozinho, se distrai facilmente, é muito lento nos afazeres que não lhes interessa, e, ao contrário, é supereficiente naquilo que lhes dá prazer. Não raras vezes é do tipo que começa e não termina, pois muda constantemente seus interesses. A pessoa hiperativa tem pouca atenção, comete erros frequentes nos ambientes em que frequente: escola, trabalho, lar, (conforme 9
  10. 10. fora citado)e quando consegue ver o seu erro, se surpreende e se aborrece ao ver que errou, não aceitando as próprias falhas. São desorganizados com seus pertences e geralmente perdem seus pertences, inclusive aqueles mais usuais, como canetas, celulares, chaves, lápis, livros, até aquela roupa que ela está procurando, mas que está ali bem à sua frente. O ser hiperativo, quando se solicita que transmita recados ou execute mais de três tarefas ao mesmo tempo, ele não concluirá as tarefas, muitas vezes nem conseguindo fazer a primeira, pois fica perdido entre as tarefas atribuídas. Quando isso ocorre, normalmente, chora, grita, e ao ser cobrado, perde o controle sobre as emoções e suas ações.  Os sinais de hiperatividade mais claros são:  Inquietação;  Perturba a classe;  Não consegue aguardar sua vez de falar quando participa de encontros em que se pedem opiniões e, normalmente, suas falas são ditas em momentos inapropriados;  Machucam-se com frequência por não ter noção do perigo;  Não suportam ser contrariadas, nem aceitam respostas negativas. A hiperatividade na adolescência ocorre da seguinte forma:  Iniciam suas tarefas, mas, terminam poucas delas;  São desorganizados;  Esquecem compromissos, onde guardaram as coisas, etc;  Expõem-se a acidentes com mais frequência que as outras, desde um simples corte no dedo a algo mais grave;  São impacientes e inquietos; 10
  11. 11.  Tem maior tendência ao uso de álcool e outras drogas, usando seu vício como forma de compensação e alívio para uma vida que ele considera “injusta”. É uma automedicação, só que de forma inadequada.  O sentimento de rejeição e a baixa auto-estima também é muito comum nessa fase da vida de um hiperativo. A tendência, então, é se isolar ou exagerar nas atividades físicas. Já, no adulto com hiperatividade, as particularidades são semelhantes aos da criança e do adolescente, com as modificações causadas pela idade. Podemos citar, então, algumas destas particularidades:  Para ler um livro inteiro o assunto tem que ser muito interessante para ele;  Apresenta tendência a terminar somente as tarefas que lhe interessam;  Seu estilo de vida é desorganizado, esquece de pagar as contas em dias, sua mesa de trabalho é caótica, esquece compromissos;  Sente-se confuso quando tem muitas coisas a fazer;  Não consegue estabelecer prioridades;  Atrasa-se com frequência ou antecipa-se nos horários;  Em férias, procura mais atividades para fazer;  Muito falante, nem sempre bom ouvinte;  Por ser impaciente, toma decisões precipitadas e provavelmente se arrepende depois;  Não se adapta a trabalhos monótonos, relacionamentos;  É muito emotivo;  Tem frequentes oscilações de humor e se irrita com facilidade. Ou seja, poderia ser mais capaz do que normalmente é. O fato é que uma pessoa portadora de TDAH se sente insegura perante uma sociedade que o rotula e massacra o tempo todo devido 11
  12. 12. as suas evidências, isolando-o, atribuindo-lhe deveres sociais como: “ah, você deve ser assim e assim, porque todo mundo é assim”, por exemplo. O fato de não ser aceito pelas pessoas do seu convívio como ele é lhe causa grandes frustrações e crises de identidade, pois se esforça para ser igual aos demais, sem êxito. Isso porque as pessoas são ignorantes acerca do Transtorno em questão, não conhecem. E, como são pessoas altamente inteligentes, as pessoas esperam muito mais dele do que ele mesmo está disposto a dar, pois um hiperativo não sabe agir sobre pressão. Fica confuso e a dor por ser assim, sendo cobrado o tempo todo por pessoas que não o compreendem causa um sofrimento tal que só o tratamento adequado, com psicoterapia pode aliviar. Portadores de TDAH têm dificuldade em seguir as regras sociais. Primeiro, porque elas não são escritas, são supostamente conhecidas, ou seja, tais portadores podem não ter prestado atenção quando as regras foram impostas e cometem quase sempre os mesmos “erros”. Adultos portadores deste transtorno são aptos para estudar, trabalhar, enfim, viver em sociedade, porém, a sociedade e o mercado de trabalho têm, em si, uma natureza de exclusão, não admitindo diferenças. Deve-se colocar um TDAH em uma atividade aderente ao seu perfil, como deve ser aplicado a todos e ele mostrará uma possível versatilidade e performance que o destacará dos demais, porque não são deficiente, são supereficientes naquilo com o que ele se identifica. 12
  13. 13. CONCLUSÃO De acordo com o que foi pesquisado através de obras de autores já mencionados aqui, e através de observações feitas por mim, além de experiências vividas por ser portadora de TDAH, chego à conclusão de que em momento algum uma pessoa que possui esse transtorno é uma pessoa incapacitada para a vida. O TDAH não incapacita ninguém. Algumas pessoas é que são incapazes de detectar este transtorno por pura desinformação, por isso, não a compreendem e não lhe dão o devido tratamento, não lhe tem o devido respeito. Há pessoas, inclusive psicopedagogos que acreditam que todo transtorno é incapacitante, e com TDAH não é diferente, porém, depende do estímulo que se dá a um TDAH. Diferentes pessoas consideradas normais têm os mais variados estímulos para realizarem suas tarefas e podem, com muita facilidade, ou certo grau de dificuldade, exercer trabalhos diferentes ao mesmo tempo, pois sabem administrar bem a atenção e o tempo certo para realizar quaisquer tarefas. O que não significa que não ficarão perdidas em determinado tempo de suas vidas. Porém o TDAH é um transtorno no qual as pessoas que são portadoras do mesmo, precisam de uma atenção especial, precisam de mais elogios do que de críticas, para se sentirem motivadas a ir além e serem mais capazes e não se sentirem rejeitadas, excluídas. O portador de TDAH é amparado por Lei, pois existem Projetos de Lei e Ações Públicas sobre TDAH, ENTRE OS QUAIS PODEMOS CITAR: 1. Pl nº 7081/2010 (Câmara de Deputados) - dispõe sobre o diagnóstico e tratamento do TDAH e dislexia na rede pública de Educação Básica; 13
  14. 14. 2. PLC nº 118/2011 (Senado) – dispõe sobre a obrigatoriedade de exames físico e mental para detectar TDAH em motociclistas; 3. PL nº 909/2011 (Câmara dos Deputados. Autoria de Gabriel Chalita) – dispõe sobre o aperfeiçoamento de política educacional na rede pública para alunos com Transtornos de aprendizagem; 4. LEI nº 6308/2012 (Autoria da Deputada claise Maria Zito) Institui a Semana Estadual de Informação e Conscientização sobre TDAH; 5. PL nº 3092/2012 (Câmara de Deputados. Autoria do Deputado Dimas obrigatoriedade Fabiano) de – dispõe fornecimento sobre gratuito a de medicamentos para TDAH através do SUS; Entre outros Projetos de Lei e Leis, o portador de TDAH, deve receber, além do respeito enquanto ser humano capaz de conviver em sociedade, o direito a certos cuidados, sejam eles desde conscientização das pessoas ao amparo pelo poder público quanto ao tratamento. 14
  15. 15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARKLEY, R.A. (1998). Attention Deficit/ Hyperactivity Disorder: a handbook for diagnosis and treatment. New York: Guilford Press. CHADD (1997). ADD abd adults: strategies for success from CH. A.D.D. Plantation, FLA CHADD (2000) The CHADD information and resource guide to AD/HD. Landover, MD GOLDENSTEIN, S. (1997). Managing attention and learning disorders in late adolescence and adulthood. A guide for practitioners. New York: John Wiley & Sons, Inc. NADEAU. K.G. (1995) A comprehensive guide to Attention Deficit Disorder in Adults: research diagnosis and treatment. Brunner/Mazel. HALLOWELL, E.M. e RATEY, J. (1999). Tendência à Distração. Rio de Janeiro: Rocco www.psicologianet.com.br www.webartigos.com/artigos/hiperatividade-da-infancia-ao-adulto/18262/ www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/o-que-e-o-tdah.html www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/legislacao.html 15

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