Apostila do curso de liturgia

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Apostila do curso de liturgia

  1. 1. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)ÍNDICE PRIMEIRO MÓDULO - SAGRADA LITURGIAINTRODUÇÃO À SAGRADA LITURGIA 01DOCUMENTO “MAGNO” DA IGREJA SOBRE A LITURGIA 03PRINCÍPIOS E DIMENSÕES DA LITURGIA 05ANO LITÚRGICO 07ANO LITÚRGICO (RESUMO) 14PASTORAL LITÚRGICA 16MANUAL PARA EQUIPES DE LITURGIA 17COMUNICAÇÃO LITÚRGICA 25SÍMBOLOS LITÚRGICOS 27CANTOS LITÚRGICOS 36ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA 41A MISSA PARTE POR PARTE 42CONSIDERAÇÕES FINAIS 53ORAÇÃO VOCACIONAL 60
  2. 2. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) PRIMEIRO MÓDULO - SAGRADA LITURGIAINTRODUÇÃO À SAGRADA LITURGIA Liturgia não é somente a “Festa do Rei Jesus...” Um dos nossos maiores pecados hoje em dia é reduzirmos o assunto liturgia àcelebração da missa e defini-la apenas como um conjunto de rituais e orações que noslevam ao céu. E tudo isso fruto de uma crescente automação religiosa, que podemosperceber a cada domingo em nossas assembléias litúrgicas. As pessoas vão à missasem saber o porque de estarem ali e nem o que está acontecendo perante elas. Sãomeros espectadores do preceito dominical ensinado por seus pais. Talvez seja por issoque nós católicos sejamos tão criticados. Destinados àqueles que querem assumir em plenitude o mistério que Cristoconfiou à sua Igreja, e romper com “tradicionalismos”, este manual, de maneirasimples e objetiva, abordará de um modo geral a liturgia em si. Uma breve palavra sobre história da salvação . . . O gráfico acima é uma representação do plano de salvação de Deus para ahumanidade. Vale aqui recordar que o sentido da palavra “salvar” em Teologiasignifica “unir com Deus”. O gráfico mostra como Deus, após a queda original, age nahistória da humanidade, até que esta assuma sua plenitude, conforme os planosoriginais do Pai (I Jo 3,2). E como se dá a ação do Pai na história? Ela é essencialmente Cristológica. Cristo éo nosso intercessor ao longo de toda história (Ef 1), por ele somos salvos. De fato,Cristo esteve presente no início da história, pois todas as coisas foram criadas nele (Jo1,3). Está presente junto ao povo da antiga aliança, através da promessa, manifestadaatravés dos patriarcas e profetas. Encarna-se na plenitude dos tempos, salvando-nosdefinitivamente através de sua paixão, morte e ressurreição. Ascende aos céus,prometendo permanecer conosco até o fim dos tempos (Mt 28,20). Presença essamística, manifesta em sua Igreja e em seus sacramentos - a liturgia. No final dostempos Cristo retornará para levar toda criação à plenitude.
  3. 3. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) Definição Após considerarmos estes aspectos, podemos apropriar-nos da definição que aIgreja faz da liturgia: “Liturgia é uma ação sagrada, através da qual, com ritos, na Igreja e pela Igreja,se exerce e prolonga a obra sacerdotal de Cristo, que tem por objetivos a santificaçãodos homens e a glorificação de Deus” (SC 7). Em outras palavras, a liturgia é a continuidade do plano de salvação do Pai,através da presença mística de Cristo nos sacramentos, que são administrados eperpetuados pela Igreja. Note-se, à Igreja cabe a missão de continuar a obra de Cristo,que se dá, sobretudo, através da liturgia. Sem liturgia, não há Igreja e sem Igreja nãohá liturgia. E sem liturgia não há continuidade no mistério da salvação dahumanidade. Mesmo com todo o empenho dos liturgistas brasileiros, muitos desafios continuamnos convidando a não descuidarmos da liturgia, continuam lembrando que aimplantação da reforma entre nós permanece em aberto, interpelando nossa coragem,nosso esforço, nosso estudo, formação, ação, dedicação, etc. . . Entre alguns desafios,destaco: - A participação ativa do povo (parece que só o Padre participa da celebração); - A formação Litúrgica de modo geral (a maioria dos fiéis desconhece os ritos, os símbolos, etc. . . ); - A linguagem Litúrgica, desconhecida pelos fiéis; - O Canto e a música litúrgica (muitas vezes a Missa acaba sendo um show, com baterias, etc. . , menos a celebração do mistério); - A Adaptação da liturgia às culturas, aos lugares e às pessoas (creio ser o maior desafio com relação à inculturação);
  4. 4. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) DOCUMENTO “MAGNO” DA IGREJA SOBRE A LITURGIA No ano que findou inúmeros documentos do magistério foram escritos,relembrando os 40 anos da Sacrosanctum Concilium (carta magna da Liturgia). OSanto Padre João Paulo II também nos presenteou com a Carta Apostólica: Spiritus etSponsa de 4 de dezembro de 2003. Gostaríamos, à luz destes documentos focalizaralguns aspectos fundamentais para uma verdadeira vivência da Liturgia. Há na liturgia um princípio básico: a liturgia é em primeiro lugar "a obra de Deusem nós" antes de ser nossa obra para Deus. A liturgia é, em sua própria essência, umdatum, um dom. Ela nos ultrapassa e existe bem antes que tenhamos podido nelaparticipar. O sujeito ativo da liturgia é Cristo ressuscitado. É ele o primeiro e únicoSumo Sacerdote, o único capaz de oferecer o culto a Deus e santificar a assembléia.Não se trata apenas de uma verdade teológica abstrata; o fato deve tornar-se evidentee visível na liturgia. O coração da liturgia já se encontra nos gestos da sua instituiçãopelo Senhor. Não quer dizer que a pessoa ou comunidade que celebra não tenhajamais poder ou autorização de apelar para sua criatividade. A comunidade écriadora, mas não é uma "instância de criação". Doutra forma, a liturgia não seria maisepifania dos mistérios de Cristo através do serviço da Igreja, a continuação de suaencarnação, crucifixão e ressurreição, a "encarnação" dum projeto divino na história eno mundo das pessoas humanas, por meio de símbolos sagrados. Em tal situação, aliturgia nada mais seria do que auto-celebração da comunidade. A liturgia "preexiste". A comunidade que celebra nela penetra como numaarquitetura preestabelecida, divina e espiritual. Em certa medida, é igualmentedeterminada pelo lugar de Cristo e de seus mistérios na história. A Eucaristia não éem si uma "refeição sagrada" mas antes a atualização de uma refeição espiritual;aquele que Cristo tomou com os discípulos na véspera de sua paixão. Neste sentido, aliturgia não pode jamais tornar-se uma fina refeição da comunidade celebrante. Nãosomos criadores; somos servos e guardas dos mistérios. Não somos proprietários,nem autores. A atitude fundamental do homo liturgicus (homem litúrgico) - pessoal ecoletivamente - supõe a receptividade, a escuta, o dom de si e a capacidade de serelativizar. É a atitude de fé e da obediência fiel. Não é porque uma caricatura destaatitude de obediência conduziu no passado a um levantamento e a um rubricismoservil e absurdo que se viu diminuindo o senso de "penetrar naquilo que nosultrapassa". O homo liturgicus não manipula e o gesto que ele faz não se reduz a uma pressãode si ou a um desabrochar pessoal. É uma atitude de orientação para Deus, de escuta,de obediência, acolhimento reconhecido, de encantamento, de adoração e de louvor. Éatitude que consiste em escutar e ver, e que Guardini (grande liturgista alemão)
  5. 5. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)denominava "contemplar", atitude desconhecida do homo faber (homem produtor) demuitos de nós. Em resumo, a atitude fundamental do homo liturgicus é uma atitudede oração, de oferta de nós mesmos a Deus para que sua vontade se cumpra em nós. Não é de surpreender que numa época como a nossa, que intervém ativamentena realidade cotidiana e submete esta realidade ao pensamento científico e à períciatecnológica, seja particularmente difícil uma atitude litúrgica. A dimensão"contemplativa" da pessoa humana hoje não é mais evidente, nessas condições; ocerne da liturgia é ainda menos evidente. A participação ativa deve, pois, serrecolocada nessa atitude "contemplativa" e ter, por conseguinte suas característicasespecíficas. Ao se tratar de liturgia, é necessário ater-se á seguinte regra: primeiro aexperiência, primeiro "viver" a liturgia, e em seguida refletir e explicar. Os olhos docoração devem abrir-se antes dos olhos do intelecto porque só se entende de fato aliturgia com a inteligência do coração. Tudo isso tem conseqüências para as equipesde liturgia. Os que querem atuar sobre a liturgia, deverão primeiro escutar o temacom atenção e participar da celebração da liturgia em seu estado atual. Sem isso, todameta litúrgica nada mais será do que "expressão de si próprio" em vez de modelaruma entidade já constituída, que mergulha as raízes na tradição litúrgica do Antigo edo Novo Testamento e na Tradição viva da Igreja. O liturgista digno deste nome começa por escutar, meditar, rezar e interiorizar.Só depois pode "modular".Aqui está a mística da verdadeira reforma litúrgica como asonhou o Concílio Vaticano II.
  6. 6. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) PRINCÍPIOS E DIMENSÕES DA LITURGIA “Lex orandi, lex credendi” Para uma profunda consciência de liturgia, numa visão geral e numaprendizado sério, assimilando o ensinamento tradicional da Igreja sobre o mistériolitúrgico, devemos inicialmente dizer que a norma da oração é a norma da fé, ou seja,aquilo que rezamos é aquilo que cremos. Daí, o adágio litúrgico: “Lex orandi, lexcredendi”. Portanto, não rezamos e cantamos na liturgia, mas rezamos e cantamos aliturgia. Este princípio fundamental está a exigir profunda mudança na nossapastoral litúrgica, em sentido amplo, o que, às vezes, não tem sido objeto de reflexão. A LITURGIA COMO “AÇÃO SIMBÓLICA” A palavra liturgia (do grego “laos”, que significa povo, e “ergon”, que significaobra, trabalho,) é algo que se faz. Etimologicamente, e em sentido primitivo, liturgiasignifica, pois, serviço do povo, e no vocabulário teológico da Igreja, mesmo com asreformulações mais atuais e expressivas, significa, sempre, celebração do povo,enquanto assembléia por Deus convocada. Não é portanto a liturgia discurso, masprática, atividade, ação. Em documentos de liturgia, é traduzida, com acerto, comoação sagrada ou ação simbólica. O conceito de ação é, pois, empregado comfrequência pelos textos do Concílio Vaticano II, unido aos adjetivos “eclesial”,“sagrada”, “pastoral” ou “apostólica”, destacando-se a ênfase dada à liturgia comoação sagrada por excelência, onde nenhuma outra ação da Igreja se encontra nomesmo nível (Cf. SC 7d). Toda a liturgia é, portanto, ação simbólica, que, servindo-sede sinais sensíveis e visíveis, aponta para o mistério insondável de Deus. A LITURGIA COMO EXERCÍCIO DO SACERDÓCIO DE CRISTO A liturgia, como se vê, não é mera devoção, catequese ou simplesmente ocasião deculto. É ação de Cristo no projeto redentor de Deus, que se faz visível na Igreja. Aqui,o grande liturgo é, verdadeiramente, Cristo, no exercício de seu sacerdócio real, aoqual, pelo batismo, ele incorpora todos os fiéis. Esta ação, sagrada por excelência,volta a dizer, aponta para o compromisso libertador e missionário de todo o povo deDeus.Focalizando ainda outros princípios e dimensões da liturgia, podemos dizerque ela é:TRINITÁRIA: Nesta dimensão, o Pai é fonte da liturgia; o Filho, sua centralidade, e oEspírito Santo, sua alma, seu sopro vitalizante. Sendo, pois, Cristo o centro daliturgia, a Igreja ensina que o coração desta, isto é, o seu núcleo vital, é o Mistério
  7. 7. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)Pascal, com toda a sua eficácia redentora. Daí, a ênfase litúrgica, sempre, masprincipalmente na grande doxologia: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo...”.MISTÉRICA: A liturgia contém o mistério de Deus, que a Igreja anuncia, celebra eprocura viver na dinâmica e na espiritualidade do Evangelho. E como a liturgiaabarca o mistério divino, ela é também, como consequência, mistério, e, como tal,escapa ao conhecimento simplesmente racional. De fato a liturgia não se limita aoespaço temporal, mas é celebrada eternamente no céu, e do céu é trazida por Cristo,como o cântico de louvor que ressoa vivamente nas moradas celestes. Também não é -diga-se - função da liturgia discursar sobre o mistério, mas celebrá-lo e vivê-lo nasimplicidade dos símbolos. Na liturgia, o mistério não é, pois, racionalizado, comonos estudos teológicos, mas vivido e celebrado, mesmo então por gente simples, umavez que o sujeito primeiro da liturgia é a assembléia celebrante, na sua diversidadecultural e de ministérios.COMUNITÁRIA: Na catequese litúrgica deve-se enfatizar que a liturgia não éindividual, subjetiva, mas ação da Igreja, portanto ação comunitária, centrada, comojá se falou, no Mistério Pascal de Cristo, que se celebra sobretudo na Eucaristia. Naliturgia, o “eu” individual, psicológico, cede lugar ao “nós” comunitário e litúrgico,em verdadeira participação, sem perder, porém, a sua identidade pessoal.BÍBLICA: Nesta dimensão, a Palavra de Deus se faz, sacramentalmente, palavra desalvação, e o sacrifício redentor de Cristo dá às celebrações eficácia redentora. Porisso, na liturgia, a Palavra de Deus não é simplesmente lida, mas proclamada,celebrada, para ser devidamente ouvida e vivida.HIERÁRQUICA: Quando se diz que a liturgia é hierárquica, diz-se que ela seidentifica com a natureza da Igreja. Portanto, é exercida em graus diversos, mas naunidade da assembléia celebrante. Na hierarquia, tanto da Igreja como da liturgia,tudo é serviço que se presta ao povo de Deus e a Deus. A dimensão hierárquica daliturgia é, pois, de longo alcance: diz respeito ao tempo litúrgico, às própriascelebrações, aos ritos, aos cantos etc..ESCATOLÓGICA: Com esta dimensão, o Concílio Vaticano II ensina que a liturgiaantecipa, no tempo, a glória futura dos filhos de Deus, e a ela se ordena. “Na liturgiaterrena, antegozando, participamos da liturgia celeste, que se celebra na cidade santade Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos” (Cf. SC nº 8).
  8. 8. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)LAUDATÓRIA: A liturgia é puro louvor de Deus, na linguagem de um povo orante,que Cristo inaugurou nesta terra de exílio, e que a Igreja repete pelos séculos, namaravilhosa variedade de suas formas (Cf. Constituição Apostólica “Cântico deLouvor”, de Paulo VI). É, pois, a mais viva expressão da Igreja e verdadeira epifaniada comunhão sobrenatural, tornando-se, na verdade, manifestação visível dacomunhão invisível. ANO LITÚRGICO Nos inícios da Igreja, todo Domingo era dia de Páscoa. Os cristãos se reuniampara celebrar a ressurreição de Jesus. Aos poucos, os cristãos foram percebendo que oMistério Pascal de Jesus está presente no mistério da vida de todos os dias. Cristocontinua nascendo, vivendo, morrendo e ressuscitando na vida da Igreja. Não eramais possível recordar tudo isso num só Domingo. Foi por isso que surgiu o que hojeconhecemos por ANO LITÚRGICO. A Igreja percebeu que era melhor celebrar os mistério da vida de Cristo aolongo do ano. Este ano não coincide com o ano civil, que começa no dia primeiro dejaneiro e termina em trinta e um de dezembro. O ano litúrgico começa no advento, passa pelo Natal e pela Epifania, continuana Quaresma, Semana Santa e Páscoa, atravessa a Ascensão e Pentecostes e terminacom o tempo comum, na festa de Cristo Rei. Ao longo deste ano são recordados osprincipais fatos e ensinamentos da vida de Cristo. A equipe de Liturgia precisa estar muito atenta ao Ano Litúrgico. Cada épocatem a sua mensagem própria. Os comentários, cartazes e canções precisam estar emsintonia com esta mensagem. CONSIDERAÇÕES INICIAIS01 - Chama-se Ano Litúrgico o tempo em que a Igreja celebra todos os feitos salvíficosoperados por Deus em Jesus Cristo. "Através do ciclo anual, a Igreja comemora omistério de Cristo, desde a Encarnação ao dia de Pentecostes e à espera da vinda doSenhor" (NUALC nº 43 e SC nº 102).02 - Ano Litúrgico é, pois, um tempo repleto de sentido e de simbolismo religioso, deessência pascal, marcando, de maneira solene, o ingresso definitivo de Deus nahistória humana. É o momento de Deus no tempo, o "kairós" divino na realidade domundo criado. Tempo, pois, aqui entendido como tempo favorável, "tempo de graça ede salvação", como nos revela o pensamento bíblico (Cf. 2Cor 6,2; Is 49,8a).
  9. 9. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)03 - As celebrações do Ano Litúrgico não olham apenas para o passado,comemorando-o. Olham também para o futuro, na perspectiva do eterno, e fazem dopassado e do futuro um eterno presente, o "hoje" de Deus, pela sacramentabilidade daliturgia (Cf. Sl 2,7; 94(95)7; Lc 4,21; 23,43). Aqui, enfatiza-se então a dimensãoescatológica do Ano Litúrgico.04 - O Ano Litúrgico tem como coração o Mistério Pascal de Cristo, centro vital detodo o seu organismo. Nele palpitam as pulsações do coração de Cristo, enchendo davitalidade de Deus o corpo da Igreja e a vida dos cristãos. TEMPO CÓSMICO E VIDA HUMANA05 - Como sabemos, a comunidade humana vive no tempo, sempre em harmonia como ano natural ou cósmico, com as mudanças básicas e salutares das quatro estaçõesclimáticas. Estas como que dinamizam a vida humana, quebrando-lhe toda possívelrotina existencial. A pessoa é, pois, chamada a viver toda a riqueza natural da própriaestação cósmica. Na organização da sociedade humana, o ano cósmico é chamado anocalendário ou ano civil. Nele, as pessoas, em consenso universal, desenvolvem astarefas da atividade humana. ANO LITÚRGICO E PROJETO DE DEUS06 - Como a vida humana, no seu aspecto natural, se desenvolve no clima salutar doano cósmico, assim também a vida cristã, na plena comunhão com Deus, vai viver oprojeto do Senhor numa dinâmica litúrgica própria de um ano específico, chamado,como vimos, Ano Litúrgico.07 - O Ano Litúrgico não deve, porém, ser visto como um concorrente do ano civil,porque, mesmo este, é um dom do Criador. Deus, inserindo-se no tempo, através deCristo, pela Encarnação, santificou ainda mais o tempo. Por isso, todo o tempo setorna também tempo de salvação. SIMBOLISMO DO ANO LITÚRGICO08 - O Ano Litúrgico tem no círculo a sua simbologia mais expressiva, pois o círculo éimagem do eterno, do infinito. Notamos isso, olhando uma circunferência. Ela nãotem começo nem fim, pois, nela, o fim é um retorno ao começo. Não, porém, umretorno exaustivo, rotineiro, mas verdadeiramente um começo sempre novo, devitalidade essencial.
  10. 10. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)09 - O círculo é, pois, imagem da vida eterna, e a vida eterna, como sabemos, nãoclama por progresso, visto não existir na eternidade carência, de forma alguma. Avida eterna - podemos afirmar - permanece em constante plenitude.10 - Cada ano litúrgico, que celebramos e vivemos, deve ser um degrau que subimosrumo à eternidade do Pai. Em outras palavras, deve ser um crescendo cada vez maisvivo rumo à pátria celeste. Celebrar o Ano Litúrgico é como subir a montanha deDeus, não de maneira esportiva, como alpinista, mas como peregrino do Reino, onde,a cada subida, sente-se mais perto de Deus. RITMO CÓSMICO DO ANO LITÚRGICO11 - Como se sabe, o ano civil está inteiramente identificado com o ciclo solar,regendo-se pelos ditames das quatro estações, mas marcado também pelo movimentolunar, onde se contam as semanas. Ano, mês e dia, como frações do tempo, aqui seharmonizam, no desenvolvimento da vida humana.12 - Na datação cósmica do Ano Litúrgico, seguindo a tradição judaica, os cristãos, noHemisfério Norte, vão escolher, para a celebração anual da Páscoa, o equinócio daprimavera, por este ser ponto de equilíbrio, de harmonia, de duração igual da noite edo dia, de equiparação, pois, entre horas de luz e horas de escuridão, momento desurgimento de vida nova na natureza e de renascimento da vida. Além da estação dasflores, no Hemisfério Norte há ainda o simbolismo suplementar da lua cheia, dando aentender que, na ressurreição de Cristo, o dia tem vinte e quatro horas de luz.13 - No Hemisfério Sul, onde vivemos, não estaremos, contudo celebrando a Páscoana primavera, mas no outono, dada a inversão do equinócio nos dois hemisférios. Daí,a polêmica entre estudiosos da liturgia, os quais reclamam uma data universal, fixa,para a Páscoa, não levando em conta a situação lunar, mas a solar. A Igreja estáestudando essa problemática que, ao que tudo indica, virá no futuro.14 - Nota explicativa: A Igreja, hoje, celebra a Páscoa não no dia quatorze do mês deNisã, isto é, na data da páscoa judaica, como celebravam os cristãos da Ásia Menor eda Síria, mas no domingo seguinte, acabando assim com a controvérsia pascal doséculo segundo, por determinação do Concílio de Nicéia.15 - Para a celebração do Natal, a evolução litúrgica vai escolher outro núcleo do ano.Este outro momento é o solstício de inverno, o "dies natalis solis invictus", ou seja, o"dia de nascimento do sol invicto". Isto também no Hemisfério Norte, pois, noHemisfério Sul, nós nos encontramos em pleno verão. Neste tempo, os dias começama crescer, e o sol, parecendo exausto e exangue, depois de uma longa marcha anual,renasce vivo e surpreendente. É neste contexto, do "Sol Invicto", solsticial, que vai
  11. 11. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)aparecer na face da Terra "o verdadeiro Sol Nascente" (Cf. Lc 1,78), isto é, Cristo JesusNosso Senhor. Também a antífona da Liturgia das Horas, do dia 24 de dezembro,inspirando-se no Sl 19,5-6, na sua realidade cósmico-histórico-salvífica, vai cantarbelamente: "Quando o sol sair, vereis o Rei dos reis que vem do Pai, como o esposo saida sua câmara nupcial". QUANDO SE INICIA O ANO LITÚRGICO?16 - Diferente do ano civil, mas, como foi dito, não contrário a ele, o Ano Litúrgico nãotem data fixa de início e de término. Sempre se inicia no primeiro Domingo doAdvento, encerrando-se no sábado da 34ª semana do Tempo Comum, antes dasvésperas do domingo, após a Solenidade de Cristo Rei do Universo. Esta últimasolenidade do Ano Litúrgico marca e simboliza a realeza absoluta de Cristo no fimdos tempos. Daí, sua celebração no fim do Ano Litúrgico, lembrando, porém, que aprincipal celebração litúrgica da realeza de Cristo se dá, sobretudo no Domingo daPaixão e de Ramos.17 - Mesmo sem uma data fixa de início, qualquer pessoa pode saber quando vai terinício o Ano Litúrgico, pois ele se inicia sempre no domingo mais próximo de 30 denovembro. Na prática, o domingo que cai entre os dias 27 de novembro e 3 dedezembro. A data de 30 de novembro é colocada também como referencial, porquenela a Igreja celebra a festa de Santo André, apóstolo, irmão de São Pedro, e SantoAndré foi, ao que tudo indica, um dos primeiros discípulos a seguir Cristo (Cf. Jo1,40). ANO LITÚRGICO E DINÂMICA DA SALVAÇÃO18 - Tendo como centro o Mistério Pascal de Cristo, todo o Ano Litúrgico édinamismo de salvação, onde a redenção operada por Deus, através de Jesus Cristo,no Espírito Santo, deve ser viva realidade em nossas vidas, pois o Ano Litúrgico nospropicia uma experiência mais viva do amor de Deus, enquanto nos mergulha nomistério de Cristo e de seu amor sem limites. O DOMINGO, FUNDAMENTO DO ANO LITÚRGICO19 - O Concílio Vaticano II (SC nº 6), fiel à tradição cristã e apostólica, afirma que odomingo, "Dia do Senhor", é o fundamento do Ano Litúrgico, pois nele a Igrejacelebra o mistério central de nossa fé, na páscoa semanal que, devido à tradiçãoapostólica, se celebra a cada oitavo dia.20 - O domingo é justamente o primeiro dia da semana, dia da ressurreição do Senhor,que nos lembra o primeiro dia da criação, no qual Deus criou a luz (Cf. Gn 1,3-5).Aqui, o Cristo ressuscitado aparece então como a verdadeira luz, dos homens e das
  12. 12. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)nações. Todo o Novo Testamento está impregnado dessa verdade substancial, quandoenfatiza a ressurreição no primeiro dia da semana (Cf. Mt 28,1; Mc 16,2; Lc 24,1; Jo20,1; como também At 20,7 e Ap 1,10).21 - Como o Tríduo Pascal da Morte e Ressurreição do Senhor derrama para todo oAno Litúrgico a eficácia redentora de Cristo, assim também, igualmente, o domingoderrama para toda a semana a mesma vitalidade do Cristo Ressuscitado. O domingoé, na tradição da Igreja, na prática cristã e na liturgia, o "dia que o Senhor fez paranós" (Cf. Sl 117(118),24), dia, pois, da jubilosa alegria pascal. AS DIVISÕES DO ANO LITÚRGICO22 - Os mistérios sublimes de nossa fé, como vimos, são celebrados no Ano Litúrgico,e este se divide em dois grandes ciclos: o ciclo do Natal, em que se celebra o mistérioda Encarnação do Filho de Deus, e o ciclo da Páscoa, em que celebramos o mistério daPaixão, Morte e Ressurreição do Senhor, como também sua ascensão ao céu e a vindado Espírito Santo sobre a Igreja, na solenidade de Pentecostes.23 - O ciclo do Natal se inicia no primeiro domingo do Advento e se encerra na Festado Batismo do Senhor, tendo seu centro, isto é, sua culminância, na solenidade doNatal. Já o ciclo da Páscoa tem início na Quarta-Feira de Cinzas, início também daQuaresma, tendo o seu centro no Tríduo Pascal, encerrando-se no Domingo dePentecostes. A solenidade de Pentecostes é o coroamento de todo o ciclo da Páscoa.24 - Entremeando os dois ciclos do Ano Litúrgico, encontra-se um longo período,chamado "Tempo Comum". É o tempo verde da vida litúrgica. Após o Natal, exprimea floração das alegrias natalinas, aí aparecendo o início da vida pública de Jesus, comsuas primeiras pregações. Após o ciclo da Páscoa, este tempo verde anunciavivamente a floração das alegrias pascais. Os dois ciclos litúrgicos, com suas duasirradiações vivas do Tempo Comum, são como que as quatro estações do AnoLitúrgico.25 - Mais adiante estudaremos cada parte do Ano Litúrgico, com sua expressividadeprópria, suas celebrações, sua dinâmica e seu mistério. O "SANTORAL" OU "PRÓPRIO DOS SANTOS"26 - Em todo o Ano Litúrgico, exceto nos chamados tempos privilegiados (segundaparte do Advento, Oitava do Natal, Quaresma, Semana Santa e Oitava da Páscoa), aIgreja celebra a memória dos santos. Se no Natal e na Páscoa, Deus apresenta à Igrejao seu projeto de amor em Cristo Jesus, para a salvação de toda a humanidade, noSantoral a Igreja apresenta a Deus os copiosos frutos da redenção, colhidos naplantação de esperança do próprio Filho de Deus. São os filhos da Igreja, que
  13. 13. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)seguiram fielmente o Cristo Senhor na estrada salvífica do Evangelho. Em outraspalavras, o Santoral é a resposta solene da Igreja ao convite de Deus para a santidade. AS CORES DO ANO LITÚRGICO27 - Como a liturgia é ação simbólica, também as cores nela exercem um papel de vitalimportância, respeitada a cultura de nosso povo, os costumes e a tradição. Assim, éconveniente que se dê aqui a cor dos tempos litúrgicos e das festas. A cor diz respeitoaos paramentos do celebrante, à toalha do altar e do ambão e a outros símboloslitúrgicos da celebração. Pode-se, pois, assim descrevê-la: Cor roxa - Usa-se: No Advento, na Quaresma, na Semana Santa (até Quinta-Feira Santa de manhã), e na celebração de Finados, como também nas exéquias. Cor branca - Usa-se: Na solenidade do Natal, no Tempo do Natal, na Quinta-Feira Santa, na Vigília Pascal do Sábado Santo, nas festas do Senhor e na celebração dos santos. Também no Tempo Pascal é predominante a cor branca. Cor vermelha - Usa-se: No Domingo da Paixão e de Ramos, na Sexta-Feira da Paixão, no Domingo de Pentecostes e na celebração dos mártires, apóstolos e evangelistas. Cor rosa - Pode-se usar: No terceiro Domingo do Advento (chamado "Gaudete") e no quarto Domingo da Quaresma chamado "Laetare"). Esses dois domingos são classificados, na liturgia, de "domingos da alegria", por causa do tom jubiloso de seus textos. Cor preta - Pode-se usar na celebração de Finados Cor verde - Usa-se: Em todo o Tempo Comum, exceto nas festas do Senhor nele celebradas, quando a cor litúrgica é o branco.Nota explicativa: Se uma festa ou solenidade tomar o lugar da celebração do tempolitúrgico, usa-se então a cor litúrgica da festa ou solenidade. Exemplo: em 8 dedezembro, celebra-se a Solenidade da Imaculada Conceição. Neste caso, a cor litúrgicaé então o branco, e não o roxo do Advento. Este mesmo critério é aplicável para acelebração dos dias de semana. ESTRUTURA CELEBRATIVA E PEDAGÓGICA DO ANO LITÚRGICO28 - Como se vê pelo gráfico, e como já foi referido neste trabalho, o Ano Litúrgico sedivide em dois grandes ciclos: Natal e Páscoa. Entre eles situa-se o Tempo Comum,não os separando, mas os unindo, na unidade pascal e litúrgica.
  14. 14. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)29 - Em cada ciclo há três momentos, de grande importância para a compreensão maisexata da liturgia. São eles: um, de preparação para a festa principal; outro, decelebração solene, constituindo assim o seu centro; e outro ainda, de prolongamentoda festa celebrada.30 - No centro do Ano Litúrgico encontra-se Cristo, no seu Mistério Pascal (Paixão,Morte e Ressurreição). É o memorial do Senhor, que celebramos na Eucaristia. OMistério Pascal é, portanto, o coração do Ano Litúrgico, isto é, o seu centro vital.31 - O círculo é um símbolo expressivo da eternidade, e o Mistério Pascal de Cristo, noseu centro, constitui o eixo fundamental sobre o qual gira toda a liturgia. GRAUS DAS CELEBRAÇÕES E PRECEDÊNCIA DOS DIAS LITÚRGICOS Um dado importante vamos ver agora: é que o aspecto hierárquico da Igrejaestende-se também à liturgia. Assim, entende-se que, na liturgia, não só os ritos têmgrau de importância diferente, como também as próprias celebrações divergemquanto à sua importância litúrgica. Podemos afirmar então que existem graus e precedência nas celebrações, e sedizemos genericamente "festas", três na verdade são os graus da celebração:"solenidade", "festa" e "memória", podendo esta última ser ainda obrigatória oufacultativa. Neste subsídio, a palavra "festa" sempre é usada no conceito aqui oraexposto, a fim de evitar mal-entendidos. Vejamos então: Solenidade É o grau máximo da celebração litúrgica, isto é, aquele que admite, como opróprio nome sugere, todos os aspectos solenes e próprios da liturgia. Na"solenidade", então, três são as leituras bíblicas, canta-se o "Glória" e faz-se a profissãode fé. Para a maioria das solenidades existe também prefácio próprio. Embora nomesmo grau, as "solenidades" distinguem-se ainda, entre si, quanto à precedência.Somente o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e ressurreição do Senhor está na liturgiaem posição única. As demais solenidades, portanto se acham na tabela oficialdistinguindo-se apenas quanto ao lugar que ocupam no mesmo nível. Assim, depoisdo Tríduo Pascal, temos: Natal, Epifania, Ascensão e Pentecostes, o que equivale adizer que estas quatro solenidades são as mais importantes depois do Tríduo Pascal,mas Natal vem em primeiro lugar, na ordem descrita. Festa "Festa" é a celebração um pouco inferior à "solenidade". Identifica-se,inicialmente, com as do dia comum, mas nela canta-se o "Glória" e pode ter prefácio
  15. 15. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)próprio, dependendo de sua importância. Com referência a "festa" e "solenidade", naLiturgia das Horas (Ofício das Leituras), canta-se ainda o "Te Deum", fora, porém, daQuaresma. Como já se falou, as "festas" do Santoral são omitidas quando caem emdomingo. Memória "Memória" é, sempre, celebração de santos, um pouco ainda inferior ao grau de"festa". Na celebração da "memória", não se canta o "Glória". A "memória" éobrigatória quando o santo goza de veneração universal. Isto quer dizer que em todaa Igreja se celebra a sua memória. É, porém, facultativa quando se dá o contrário, ouseja, quando somente em alguns países ou regiões ele é cultuado. As "memórias" não são celebradas nos chamados tempos privilegiados, a nãoser como facultativas, e dentro das normas litúrgicas para a missa e Liturgia dasHoras, conforme já se falou neste trabalho. Quando caem em domingo, são tambémomitidas, repetindo-se aqui o que já foi explanado. A "memória" pode tornar-se "festa", ou mesmo "solenidade", quando celebraçãoprópria, ou seja, quando o santo festejado for padroeiro principal de um lugar oucidade, titular de uma catedral, como também quando for titular, fundador oupadroeiro principal de uma Ordem ou Congregação. Também a "festa" pode tornar-se"solenidade" nas circunstâncias litúrgicas aqui descritas, estendendo-se esseentendimento às celebrações de aniversário de dedicação ou consagração de igrejas.
  16. 16. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) ANO LITÚRGICO - RESUMO
  17. 17. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)
  18. 18. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)
  19. 19. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) PASTORAL LITÚRGICA A Pastoral Litúrgica é tão importante quanto as outras pastorais. Muita genteatua em alguma pastoral ou movimento e nas horas vagas faz papel de “quebra-galho” em alguma celebração. É fundamental que se forme a consciência de que aliturgia também é Pastoral. Podemos dizer até que todas as pastorais brotam da liturgia e para elaconvergem. A liturgia deveria dinamizar todas as pastorais. Ela é fonte de vida para acomunidade. Não basta que existam equipes de celebração. É preciso que hajatambém uma equipe de liturgia. EQUIPE DE CELEBRAÇÃO É um grupo de pessoas encarregado de preparar uma celebração específica. Porexemplo, a missa da dez no Domingo. Esta equipe é formada por leitores, músicos ecomentaristas e hoje já se falta até mesmo em alguém que esteja preparado paracantar o Salmo Responsorial. É o salmista. A Equipe de Celebração é uma verdadeiraequipe. As celebrações são preparadas com antecedência. Não é uma equipe emgavetas. Os mistérios e serviços vão surgindo de acordo com as necessidades dacomunidade reunida para celebrar. EQUIPE DE LITURGIA Este grupo é diferente. Ele não está encarregado de nenhuma celebraçãoespecífica. É formado por membros das diversas equipes de celebração de umaParóquia. Reúne-se periodicamente para estudar, rezar, avaliar e programar a liturgiade toda a Paróquia. Esta equipe promove cursos e encontros. Sua principal função é animar aatividade das equipes de celebração. É muito importante que esta equipe sejaassessorada pelo sacerdote. Nesta equipe acontecerá o diálogo. O Documento 43 da CNBB diz que esta equipe é o coração e o cérebro dapastoral litúrgica (nº 187). ESTA ORGANIZAÇÃO É O QUE CHAMAMOS DE PASTORAL LITÚRGICA A equipe de Pastoral litúrgica não precisa ser muito grande. Seu coordenadorgeral normalmente o Pároco ou um seu cooperador. Deverá ter um coordenador quetenha uma boa formação litúrgica e alguém que entenda de canto litúrgico. Se houveralguém que domine um instrumento musical é muito bom.
  20. 20. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) MANUAL PARA EQUIPES DE LITURGIA01 - As Equipes de Liturgia são formadas para o exercício dos ministérios particulares,próprios dos cristãos leigos, dado o sacerdócio batismal destes, conhecido comosacerdócio comum dos fiéis. Exercidos nas celebrações litúrgicas, em profunda uniãoe comunhão com o sacerdócio ministerial ordenado, não são, pois, os ministériosleigos como que uma ajuda material aos sacerdotes, mas sim participação mais plenano mistério da Liturgia, sendo então, ao mesmo tempo, direito e dever de todos oscristãos, como batizados.02 - Na sua nova concepção, as Equipes de Liturgia são, pois, um fruto feliz darenovação litúrgica do Concílio Vaticano II. De fato, a reforma teve o mérito deenfatizar a participação dos fiéis na liturgia, como direito e como dever, dada a suacondição de batizados, inseridos que foram no mistério de Cristo, quando,sacramentalmente, renascem para uma vida nova, também ela essencialmentemissionária, a serviço e a caminho do Reino.03 - Em paróquias com diversas comunidades, estas precisam de ter sua própriaequipe. Neste caso, é desejável que tenham o mesmo espírito e estejam articuladascom a equipe principal. Também é de esperar que cada equipe de liturgia tenha umcoordenador, que seja aceito por todos. Deve ele coordenar a equipe, convocando edirigindo suas reuniões, e, sempre com outros membros, procurar o crescimentoespiritual de todos.04 - Os membros de uma equipe litúrgica devem estar conscientes não só de suaparticipação na Liturgia, que deve ser sempre mais plena, mas também de que estãovoltados para o serviço do louvor de Deus e santificação dos homens, dimensãoessencial da Liturgia, o que supõe não só atitude orante, mas também preparação edisposição e, mais ainda, o testemunho existencial e cúltico, manifestado por uma fénão só rezada e crida, mas também plenamente vivida.05 - Algumas orientações, de sentido mais celebrativo, são dadas nesse Manual, oqual, por sua vez, implicitamente, vai exigir encontros de formação, de interiorização,de avaliação etc., pois é desejável que as Equipes de Liturgia alcancem, por exigênciade sua própria natureza, uma compreensão mais viva de todo o mistério da salvaçãoque a Igreja celebra, na dinâmica salvífica do Ano Litúrgico e ao ritmo, sobretudo denossas eucaristias. Pensando em atualização, as orientações aqui formuladas já estãofundamentadas na nova Instrução Geral sobre o Missal Romano.
  21. 21. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) OS MEMBROS DA EQUIPE DE LITURGIA06 - São membros de uma equipe litúrgica: o acólito, o ministro extraordinário dacomunhão, o leitor, o salmista, o grupo dos cantores ou coral, o cantor (ou animadordo canto), o organista, o comentarista, os que acolhem os fiéis, os que fazem as coletasou delas cuidam, como ainda o sacristão. AS DIVERSAS FUNÇÕES NA LITURGIAa) - Funções do acólito07 - O acólito é instituído para o serviço do altar, auxiliando assim o sacerdote e odiácono. Na procissão de entrada leva a cruz entre dois ministros. Durante toda acelebração, cabe ao acólito aproximar-se do sacerdote ou do diácono para lhesapresentar o livro (Missal e Evangeliário) e ajudá-los em outras tarefas necessárias.Convém, portanto que ocupe um lugar do qual possa facilmente cumprir o seuministério, quer junto à cadeira presidencial quer junto ao altar. No rito das oferendas,e na ausência do diácono, o acólito põe sobre o altar o corporal, o sanguíneo, o cálice,a patena, a pala, as âmbulas com hóstias para a consagração e o Missal, como tambémauxilia na preparação das oferendas e no Lavabo.08 - Quando há incensação, o acólito apresenta ao sacerdote o turíbulo e o auxilia. Aincensação na missa acontece: no início, quando são incensados o altar, a cruz eimagem, se for o caso. A imagem de um santo só é incensada uma vez, no início. Aincensação vai continuar depois: na proclamação do Evangelho, no rito das oferendas(oferendas, cruz, altar e, em seguida, o sacerdote e o povo) e nas elevações durante aconsagração.09 - Como ministro extraordinário da comunhão, o acólito instituído ajuda a distribuira comunhão e no rito sobre as duas espécies ele deve ministrar o cálice, função esta,porém, que cabe ao diácono, quando presente. Pode ainda, quando legalmenteinstituído, terminada a distribuição da comunhão, ajudar o diácono ou o sacerdote napurificação dos vasos sagrados, o que se recomenda seja feito na credência, e não noaltar como se costuma fazer.b) - Funções do ministro extraordinário da comunhão10 - Na ausência de acólito instituído, o ministro extraordinário da comunhão podeexercer todas as suas funções, entendendo-se que, naquelas situações em que há apresença tanto do acólito como dos demais ministros extraordinários, as funções doaltar devem ser assumidas em primeiro lugar pelo acólito ou acólitos instituídos. Nasíntese das funções, eles são equiparados, mas só por ordem prática, dada a distinção
  22. 22. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)entre ministério instituído (acólito) e ministério por mandato (ministro extraordinárioda Comunhão).11 - Se na igreja, casa de oração, já se pede aos fiéis respeito, reverência e atitudepiedosa, muito mais se espera dos diferentes ministros. Que todos saibam, pois,portar-se com dignidade, e estejam atentos às suas responsabilidades. Evitemdeslocamentos desnecessários, no presbitério ou no altar, e não chamem atenção parasi. Em deslocamento, às vezes necessário, sejam discretos e simples, sem desviar aatenção da assembléia.12 - É desejável que tantos os acólitos como os ministros extraordinários da comunhãocultivem uma espiritualidade eucarística mais plena, e a eles seja lembrado o que obispo diz no rito da instituição: “Designados de modo especial para este ministério,esforçai-vos por viver mais intensamente do sacrifício do Senhor, conformando-vosmais plenamente a ele. Procurai entender o sentido profundo e espiritual daquilo quefazeis, oferecendo-vos todos os dias como oblações espirituais, agradáveis a Deus porJesus Cristo”. E mais: “Servi, portanto, com sincero amor, o corpo místico de Cristo,que é o povo de Deus, especialmente os fracos e os enfermos...”c) - Funções do leitor13 - Tudo aquilo que se diz do acólito instituído e que, na sua ausência, pode serassumido por outros leigos, como os ministros extraordinários da comunhão, aquitambém, com relação ao leitor instituído, acontece o mesmo: não havendo aqueles quereceberam o ministério pela instituição, então outras pessoas, devidamentepreparadas, podem assumir a sua função.14 - O leitor tem o mérito de ser aquele pelo qual a Palavra de Deus chegainicialmente à assembléia, em preparação do ponto culminante, que vai ser oEvangelho. Ele é, pois, um arauto da mensagem salvífica, um precursor da Boa Nova,podemos dizer. Daí, a importância e a dignidade de sua função ministerial. Por isso, épreciso que ele se prepare para o exercício de tão nobre função, familiarizando-se como texto, também quanto ao gênero literário (profecia, parábola, sapiencial, epístolaetc.), revelando pela leitura ter assimilado a mensagem que transmite à assembléia.15 - Cristo Nosso Senhor, na Sagrada Liturgia, primeiro nos é dado como Palavrasalvadora (o Pão da Palavra) e, depois, como Pão da vida eterna, a Eucaristia. Por issofalamos também de duas mesas, a da Palavra (ambão), e a do Pão Eucarístico (altar).Vê-se, pois, que a Palavra de Deus, na Liturgia, é de valor sacramental. Assim, nãodeve ser apenas lida, mas proclamada, como coloca agora a nova Instrução Geral.
  23. 23. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)Proclamada, a Palavra de Deus se torna celebração, festa, um acontecimento, pois,salvífico.16 - Uma orientação, de ordem prática: no exercício de seu ministério, o leitor nãoprecisa dizer, por exemplo: “Proclamação da profecia de Isaías...”, ou “Leitura daepístola de São Paulo aos romanos”, mas melhor seria simplesmente dizer: “Profeciade Isaías”, ou “Carta de São Paulo aos romanos”. Em sentido litúrgico, não énecessária também a citação de capítulos e versículos do livro sagrado. Também odiácono ou o sacerdote deveria dizer: “Evangelho de NSJC, segundo Mateus”, porexemplo, preferível a “Proclamação do Evangelho...”17 - Para o bom exercício de seu ministério, algumas exigências, mínimas, de ordemtécnica, devem ser lembradas e pedidas ao leitor, como: a) - Vocalização, isto é, o cuidado especial em pronunciar bem cada sílaba, cada palavra. b) - Regulação do volume da voz, de modo que se ouça bem o que é dito, especialmente em fins de frase. c) - Regulação do ritmo da leitura, reduzindo ou acelerando a emissão de voz, segundo o caso, mas, sobretudo intercalando pausas nas vírgulas e nos pontos. d) - Modulação da voz, ou seja, mudando de tom, quando as variações do texto assim o exigir. Isto acontece porque o texto deve ser lido de acordo com o seu gênero literário.18 - A exemplo do que se recomenda aos acólitos e aos ministros extraordinários dacomunhão, com referência a espiritualidade, aos leitores também se faz a mesmaexortação. É desejável, pois, que eles, no exercício de sua função, se dediquem aocultivo da espiritualidade bíblica, familiarizando-se não só com a Sagrada Escritura,mas também com os lecionários e com a dinâmica litúrgica da Palavra de Deus nostrês ciclos de A, B e C. Daí, a necessidade de encontros de formação, de retiro, parauma compreensão mais plena, por exemplo, da dinâmica do Ano Litúrgico em toda aLiturgia.19 - Útil a todos os leitores, e não somente aos que receberam o ministério instituído, éa exortação do bispo no rito de instituição: “ Tornando-vos leitores ou proclamadoresda Palavra de Deus, ireis colaborar nessa missão. Recebereis assim um ministérioespecial dentro do povo de Deus e sereis delegados para o serviço da fé, que sefundamenta na Palavra de Deus. Proclamareis esta Palavra na assembléia litúrgica,
  24. 24. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)instruireis as crianças e os adultos, preparando-os para receberem dignamente ossacramentos”. E ainda: “Anunciando aos outros a Palavra divina, sede também dóceisao Espírito Santo, recebendo-a de coração aberto, e meditando-a assiduamente, a fimde amá-la cada vez mais. Manifestai pelas vossas vidas Jesus Cristo, nosso Senhor”.20 - Dada a ênfase que se dá hoje à participação dos fiéis na Sagrada Liturgia, o ideal,porém, é que haja verdadeira distribuição de funções, como deixa transparecertambém a Instrução Geral (nº. 91), referindo-se aos princípios da reforma litúrgica doVaticano II, que diz: “Nas celebrações litúrgicas, cada qual, ministro ou fiel, aodesempenhar a sua função, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelasnormas litúrgicas lhe compete” (SC 28).21 - Embora então o próprio Missal permita para o leitor as diversas funções, como seexplicitou acima, não devemos cair na tentação de procurar o lado prático, admitindo,em circunstâncias não aplicáveis ao espírito da Liturgia, que um mesmo leitor, por terqualidades maiores, venha a monopolizar tais funções.d) - Funções do salmista22 - “Compete ao salmista proclamar o salmo ou outro cântico bíblico colocado entreas leituras. Para bem exercer sua função, é necessário que o salmista saiba salmodiar etenha boa pronúncia e dicção” (IGMR 102).23 - Embora a Instrução Geral fale de “proclamar”, e que é correta, dada a naturezapoética do salmo, contudo, liturgicamente, é melhor falar de canto ou recitação,principalmente na modalidade “responsorial”, que é a mais antiga. O salmo é aresposta da assembléia à palavra ouvida, portanto tem dimensão ascendente, e, namodalidade proposta, o salmista canta ou recita a antífona, que a assembléia respondeno mesmo tom, continuando o salmista a cantar ou recitar as estrofes entre as quais aassembléia repete a antífona.24 - A Instrução Geral fala apenas de “saber salmodiar e ter boa pronúncia e dicção”,mas recomenda-se ao salmista cultivar também a espiritualidade bíblica e salmica,identificando-se com o autor sagrado nos diferentes gêneros salmicos. Aqui, édesejável, pois, a formação bíblica, especialmente aquela ligada a salmodia.
  25. 25. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)e) - Funções dos cantores, coral, animador do canto, músicos e organistas25 - “Entre os fiéis, exerce sua função litúrgica o grupo dos cantores ou coral. Cabe-lheexecutar as partes que lhe são próprias, conforme os diversos gêneros de cantos, epromover a ativa participação dos fiéis no canto” (IGMR 103).26 - Vê-se pela Instrução que não é função dos cantores substituir os fiéis na execuçãodo canto litúrgico, mas favorecer e ajudar a sua participação. Mas isso, às vezes, nãoacontece. Muitos cantam sozinhos, em tom exageradamente alto, dificultando aparticipação de todos. Outras vezes são os instrumentos que acabam abafando a vozdos fiéis. Ouve-se a música, mas não se ouve a mensagem da letra, e esta é maisimportante. Também, às vezes, canta-se algo que é apenas do gosto dos cantores, semnenhuma fidelidade ao tempo litúrgico ou à festa que se celebra. Tudo isso precisa seravaliado e repensado sempre, para que o canto litúrgico recupere a sua importânciano âmbito da Liturgia.27 - Conforme a Instrução Geral, “o que se diz do grupo de cantores vale também,com as devidas ressalvas, para os outros músicos, sobretudo para o organista”. Econclui dizendo que “mesmo não havendo um grupo de cantores, compete ao cantordirigir os diversos cantos, com a devida participação do povo”.28 - É desejável que o canto litúrgico tenha nas celebrações o seu devido apreço, vistoser ele integrante das ações litúrgicas, e não mero enfeite festivo. Por isso, seusministros precisam conhecer a real função do canto litúrgico, isto é, suaministerialidade na Liturgia. Na prática muitas vezes se vê um canto sem tantaimportância litúrgica elaborado, porém, com muito esmero, e outro, de maiorimportância, como que não trabalhado devidamente, o que acaba por manifestardesconhecimento por parte dos responsáveis pela equipe do canto. Fala-se aqui dosgraus de importância do canto na Liturgia, ou seja, da compreensão de suagraduação.f) - Funções do comentarista29 - Sobre o comentarista, devemos dizer que sua função, a serviço dos fiéis, deveconter breves explicações e exortações, visando dispor a comunidade para umaparticipação também mais plena e consciente. Sejam então suas explicaçõescuidadosamente preparadas, sóbrias e claras. Deve ele exercer a sua função em lugaradequado, voltado para a assembléia, uma vez que está a serviço dela, mas não devefazê-lo do presbitério e, muito menos, do ambão.
  26. 26. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)30 - Com relação ao ministério do comentarista, algumas orientações, de ordemtambém pratica, talvez sejam valiosas. Assim, na Liturgia da Palavra, por exemplo,em vez de antecipar explicações de sua temática, melhor seria se ele convidasse aassembléia simplesmente a ficar assentada, predispondo-a para a escuta atenta daPalavra de Deus.31 - Entendamos: referindo-se a “primeira leitura”, “segunda leitura”, o comentaristaestá falando o óbvio, isto é, aquilo que toda a assembléia já sabe. Voltando ao tema daPalavra de Deus, muitas vezes aquilo que ele diz não é o que a Liturgia de fato estácelebrando, dada a riqueza da revelação bíblica, com suas múltiplas aplicações.Melhor, pois, é deixar que Deus fale. Cabe à assembléia ouvir. De acordo então com oque aqui se propõe, o comentarista poderia, quando muito, dizer, com sobriedade:“Assentados. Vamos celebrar a Liturgia da Palavra. Atentos, ouçamos o que Deus vainos dizer, pelo profeta e pelo Apóstolo (quando for o caso). No Evangelho, diriasimplesmente: “De pé, vamos aclamar e ouvir o Evangelho. É o próprio Cristo quenos fala, como Palavra de vida e de paz”.32 - Não é preciso nem conveniente que o comentarista diga exatamente as palavrasacima, mas são exemplos que podem ser mudados, melhorados e atualizados. Emalgumas comunidades, costuma-se dizer o nome do leitor, mas não é recomendável,pois a atenção deve voltar-se para o Senhor que fala, sendo aqui o leitor instrumentoque Deus usa para comunicar-se com o seu povo.g) - Funções da equipe de acolhida33 - É desejável que em todas as celebrações, principalmente as da Eucaristia, haja umgrupo de leigos que, no espírito da liturgia, acolham os fiéis, levando-os aos seuslugares, principalmente quando se trata de pessoas idosas, de crianças e dedeficientes. Tal acolhida muito os ajudará na participação, na compreensão e nadescoberta do espírito fraterno, que sempre deve manifestar-se na Liturgia. É claroque a equipe de acolhida deve ser constituída por pessoas comunicativas, respeitosase alegres. Um grupo de “cara fechada” poria tudo a perder. Lembremo-nos de que, sea Igreja não sabe acolher os seus membros, muito menos saberá acolher os de fora(aqui o mundo inteiro) para pregar-lhes o Evangelho da salvação.
  27. 27. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)h) - Funções da equipe das oferendas34 - Como sabemos, nos primórdios da Igreja, os dons do pão e do vinho, comotambém a ajuda para os mais necessitados, eram trazidos de casa pelos fiéis eapresentados ao sacerdote neste momento (que nós chamamos de preparação eapresentação das oferendas, não mais, portanto de ofertório, como se diziaantigamente).35 - O verdadeiro ofertório, como se sabe, só é celebrado após a consagração.Portanto, esse momento, por causa de sua simbologia, deve, em nossas celebrações,ser assumido pela assembléia, representada por alguns de seus membros, que serãopreviamente convidados para tal função, também na modalidade de equipe. Cadacomunidade, porém, pode ter aqui a sua criatividade e sua liberdade, e, variando,convidar, por exemplo, pessoas que tenham alguma identificação com o temacelebrado (dia das mães, dos pais, dos catequistas, das crianças etc.). Os que fazem aprocissão das oferendas sejam instruídos para que, chegando ao altar, façaminclinação simples, atendendo a orientação da Instrução Geral.i) - Funções do sacristão36 - A Instrução nomeia também a figura do sacristão, que é aquele “que dispõe comcuidado os livros litúrgicos, os paramentos e outras coisas necessárias para acelebração da missa”. Acrescentamos ainda: para cuidar das hóstias não consagradas,do vinho, da igreja, como casa de oração, abrindo-a e fechando-a. É função simples,mas de importância capital, que deve, pois, ser exercida no mesmo espírito de todosos ministérios. OUTRAS CONSIDERAÇÕES PARA A COMPREENSÃO DOS MINISTÉRIOS LEIGOS37 - Aqui são dadas outras orientações, às vezes gerais, que podem ajudar noenriquecimento e na compreensão dos ministérios leigos.38 - “O sacerdote celebrante, o diácono e demais ministros (leitores, salmistas,ministros extraordinários da comunhão) tomarão lugar no presbitério” (IGMR 294).Aí também serão dispostas as cadeiras dos concelebrantes, tudo exprimindo aordenação hierárquica da Igreja e constituindo uma unidade íntima. Também estejajunto da cadeira do presidente a cadeira do diácono. Para os demais ministros, sejamdispostas as cadeiras de maneira tal que se distingam claramente das do clero, e elespossam exercer com facilidade a função que lhes é confiada (Cf. IGMR 310).
  28. 28. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)39 - A cadeira do presidente da celebração deve distinguir-se das demais, tambémpelo bom gosto, manifestando a função de presidência. Não deve, porém, assemelhar-se a trono. Na celebração, o lugar apropriado para a cadeira do presidente é de frentepara o povo, no fundo do presbitério, a não ser que a estrutura da igreja não facilitetal disposição.40 - De acordo com a Instrução Geral, os outros ministros (comentaristas, cantores,organistas etc.) não tomam lugar no presbitério, uma vez que fazem parte daassembléia dos fiéis, e, como estão diretamente a serviço dela, devem ser colocados detal forma que a execução de suas funções se torne mais fácil e que cada um de seusmembros possa participar mais plenamente da missa, também na participação maisplena que é a sacramental.
  29. 29. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) COMUNICAÇÃO LITÚRGICA A Comunicação se dá principalmente através de realidades sensíveis que nosatingem: gemido, palavra, olhar, carta, desenho, escultura, silêncio, etc. . . Fico sabendo o que meu amigo pensa, quando ele o expressa, exterioriza,comunica. Ele o faz com seu próprio corpo (expressão corporal e verbal) ou lançandomão de recursos externos: instrumento musical, caneta, pincel, argila, etc. Também na liturgia, não só as pessoas comunicam o que trazem em seu íntimo.Cada elemento que nos rodeia nos põe em relação com o que eles representam.Assim, o espaço celebrativo, a ornamentação, o cuidado com os objetos litúrgicos, asatitudes dos membros da assembléia, tudo nos fala de como é nossa fé, nossa teologia,nosso respeito em relação aos mistérios que celebramos. Muitas são as realidades que tocam nossos sentidos, nos comunicam algo e decerto modo provocam em nós algum tipo de reação. Enumero, a seguir, algumasdessas realidades, canalizando-as para o campo da liturgia: PALAVRA – é o meio mais comum da comunicação entre pessoas (a fonte demais mal-entendidos também); ESPAÇO CELEBRATIVO – é o espaço onde se desenrola a ação litúrgica. Oestilo da construção, a disposição do altar, dos bancos, cada vez mais devem mostraro rosto de uma comunidade de irmãos; ORNAMENTAÇÃO – refere-se aos objetos artísticos, pinturas, imagens earranjos que revelam o bom gosto da comunidade e comunicam Deus e suamensagem; VESTIMENTAS – não servem apenas para cobrir e proteger. Elas informam seé dia de festa ou de trabalho, se temos papel preciso a desempenhar na sociedade ounão. Na liturgia as vestes indicam também a função de cada ministro. As vestes dosministros chamam-se paramentos – por isso é preciso que estejam dignamenteparamentados (vestes limpas e não amarrotadas); OBJETOS LITÚRGICOS - não são apenas coisas concretas, são sinais(símbolos), por isso transmitem mensagem, não só pela presença deles, mas pelomodo como são utilizados ou conservados. A beleza da patena, do cálice e âmbulas, oformato e acabamento das velas, as flores naturais e sua conservação, tudo isso deveconcorrer para uma proveitosa celebração do memorial da páscoa de Cristo;
  30. 30. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) SÍMBOLOS – é a expressão, a manifestação de uma realidade invisível, de umaexperiência profunda. Com efeito, não podemos atingir Deus diretamente, mas pelasrealidades por ele criadas. Aí encontramos a marca do Criador. Na liturgia cristã, o pão e o vinho, unidos à palavra de Cristo na celebraçãoeucarística, tornam o Cristo presente no seio da sua comunidade. Neste caso, osímbolo torna-se sacramento. EXPRESSÃO CORPORAL – é a comunicação do corpo. Nosso modo de olhar,gesticular, entrar na igreja, tudo revela nosso interior: Gestos (abrir os braços, etc. . . ); Posturas: De pé – posição de Cristo Ressuscitado; Sentados – posição de quem ouve (aprende); Ajoelhados – espírito de humildade e reconhecimento dos próprios erros; ato de profunda adoração a Deus; Prostrados – é o ato de deitar de bruços no chão. É realizada no início da ação litúrgica da sexta-feira santa – entregar-se, pedir intercessão; Genuflexão – exprime a fé na presença de Cristo Ressuscitado; Movimentos: procissões, danças, encenações, etc. . . (desde que não perturbe a celebração); Silêncio – Não somente a ausência de palavras ou ruídos. O silêncio é, acima de tudo, atitude que envolve a pessoa toda: nas suas dimensões corporal e espiritual. Ele: É atitude de fé e reverência da assembléia litúrgica diante de Deus; Oferece condições para que a pessoa penetre mais profundamente o mistério que celebra; É meio para que ressoe no íntimo dos participantes a palavra de Deus, que os conforta e alimenta-lhes a esperança; Leva a pessoa a reconhecer suas potencialidades e seus limites, por isso ela admite que tem muito a aprender de Deus e dos irmãos; Ruídos na Comunicação - os obstáculos, atrapalhões, incômodos que prejudicam o bom andamento de qualquer comunicação: Andar de lá para cá; Conversar/afinar instrumentos musicais na hora da consagração; O chio do microfone; Outros mais . . .
  31. 31. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) GESTOS, SÍMBOLOS E SINAIS LITÚRGICOS Desde os primeiros séculos, os cristãos sentiram a necessidade de expressarseus louvores a Deus através de gestos, símbolos e sinais que também fossemcompreensíveis aos homens. Assim, com o passar dos séculos, a liturgia da missa sedesenvolveu e enriqueceu mas, devido a uma maior falta de preparo, nem sempre osfiéis que participam de uma celebração a compreendem totalmente. Para aproveitar as inúmeras graças concedidas durante a missa, todo fiel devetentar conhecê-la melhor e não simplesmente repetir o que os outros fazem ou dizem,sem saber o porquê. A missa compreendida pode ser amada e muito bem amada! Noentanto, ninguém ama aquilo que não conhece e, dessa forma, acaba por não sebeneficiar em tudo que poderia... Assim como toda a nossa vida, também a missa é formada por diversos gestos,símbolos e sinais. São meios humanos de se expressar todo o louvor e adoração quepodemos prestar a Deus. Obviamente, tudo isso possui significado dentro da missa.No entanto, devem ser feitos de maneira lúcida e não de qualquer modo, pois senãoperdem o seu valor e, quando fazemos algo sem saber seu motivo, que valor poderáter para Aquele a quem é dirigido? Portanto, toda liturgia é formada por estes trêselementos: sinal, símbolo e gesto. SINAL É algo que significa alguma coisa. Podemos dizer que o sinal ou figura é sempremenor que o seu significado. Por exemplo: quando colocamos galhos ou ramos deárvores em uma curva na estrada alertamos para os outros carros que pode haveralgum acidente ou veículo parado na estrada logo após a curva; outro exemplo desinal, agora do meio cristão, é o uso da vela: a chama de uma vela acesa significa avida eterna, que nunca se acaba. Observe que ambos os exemplos são deconhecimento universal. SÍMBOLO O símbolo, ao contrário do sinal, exige um conhecimento especial, podendo nadarepresentar para pessoas que não convivem em determinado meio. Exemplificando,os primeiros cristãos desenhavam peixes nas catacumbas porque a palavra peixe emgrego (IXTUS) correspondia à abreviação da expressão "Jesus Cristo Filho de DeusSalvador".
  32. 32. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) GESTOS Os gestos são movimentos que fazemos com os membros de nosso corpo ou,ainda, com todo o corpo, que também possui seus significados. Na missa, nossosgestos devem ser sinceros, pois senão nada representam. Contudo, quando todosfazem o mesmo gesto, demonstra-se a unidade da comunidade. Para exemplificar,levantamos as mãos quando oramos significando súplica e entrega a Deus. O ser humano é, ao mesmo tempo, corporal e espiritual. É matéria e espírito. Suapercepção, pois, das realidades espirituais depende de imagens e de símbolos, e suacomunicação só é plenamente objetiva na linha de comunhão. Em todas ascivilizações e culturas e em todos os momentos da história, esse dado antropológico éregistrado, sem discussões. O homem percebe as coisas pela linguagem própria, vivae silenciosa das coisas e se situa - ele próprio - no mundo do mistério. Tendoconsciência de sua realidade transcendente, o homem busca, pois, a comunhão nomistério, que se dá, sobretudo na linguagem silenciosa dos símbolos. De fato, os símbolos nos mostram, em sua visibilidade, uma realidade que ostranscende, invisível. Falam sempre a linguagem do mistério, apontando para alémdeles próprios. Por aqui pode-se perceber o quanto é útil e necessária na liturgia estalinguagem misteriosa dos símbolos, e eles não têm, como objetivo, explicar o mistérioque se celebra, pois o mistério é para ser vivido, mais portanto que ser explicado. Afinalidade dos símbolos é adornar, na linguagem simples das coisas criadas, aexpressão profunda do mistério, que é invisível. Todo símbolo litúrgico deve, pois, mergulhar-nos na grandeza do mistério, semreduzir este, e sem banalizá-lo, e, como símbolo, deve ser simples, como simples étoda a criação visível. Sua principal função, sobretudo na liturgia, é, pois, comunicar-nos aquela verdade inefável, que brota do mistério de Deus e que, portanto, não sepode comunicar com palavras. Na participação litúrgica devemos passar davisibilidade do símbolo, isto é, de seu sentido imediato, de significante, para a suadimensão mistérica, invisível, atingindo o significado, que é o objetivo final de todarealidade simbólica. Se o símbolo não nos leva a essa passagem para um nívelsuperior de crescimento espiritual, ou ele já não tem mais força expressiva, simbólica,ou somos nós que falhamos na nossa maneira de participar da liturgia. Um exemplode perda de significação simbólica, podemos citar a batina dos padres, ou o uso dovéu na igreja pelas mulheres. Insistir, em nossa cultura, no uso de tais símboloslitúrgicos, seria forçar uma prática já inexpressiva e que até causaria espanto emmuitas cabeças, para não dizer em toda a assembléia. Na liturgia - saibamos - tudo, pois, é simbólico. E a liturgia é descrita como açãosimbólica, no sentido mais pleno. Desde a assembléia reunida até a pequenina chama
  33. 33. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)da vela que arde, tudo é expressão simbólica, que nos remete ao abismo do mistériode Deus. Na compreensão desse dado litúrgico está a beleza de todo ato celebrativo, ede sua consciência brota já a alegria pascal, como antecipação sacramental das alegriasfuturas, definitivas e eternas. Vejamos então algumas noções dos símbolos e procuremos descobrir suaministerialidade na liturgia.01 - ALFAIAS LITÚRGICAS - Nome que se dá ao conjunto dos objetos litúrgicosusados nas celebrações. Deve-se também considerar aqui a Arte Sacra, que se estende,por sua vez, a tudo o que diz respeito ao culto e ao uso sagrado. "Com especial zelo aIgreja cuidou que as sagradas alfaias servissem digna e belamente ao decoro do culto,admitindo aquelas mudanças ou na matéria, ou na forma, ou na ornamentação que oprogresso da técnica da arte trouxe no decorrer dos tempos" (SC 122c). Aqui, pode-sever como a reforma conciliar do Vaticano II se preocupa com a dignidade das coisassagradas. Templo, altar, sacrário, imagens, livros litúrgicos, vestes e paramentos, etodos os objetos devem, pois, manifestar a dignidade do culto, que, como expressãoviva de fé, identifica-se com a natureza de Deus, a quem o povo, congregado peloFilho e na luz do Espírito Santo, adora "em espírito e verdade" (Cf. Jo 4,23-24). LIVROS LITÚRGICOS02 - MISSAL - Livro usado pelo sacerdote na celebração eucarística.03 - LECIONÁRIO - Livro que contém as leituras para a celebração. São três: I - Lecionário dominical - Contém as leituras dos domingos e de algumassolenidades e festas. II - Lecionário semanal - Contém as leituras dos dias de semana. A primeiraleitura e o salmo responsorial estão classificados por ano par e ímpar. O evangelho ésempre o mesmo para os dois anos. III - Lecionário santoral - Contém as leituras para as celebrações dos santos.Nele também constam as leituras para uso na administração de sacramentos e paradiversas circunstâncias.04 - EVANGELIÁRIO - É o livro que contém o texto do evangelho para as celebraçõesdominicais e para as grandes solenidades.
  34. 34. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) ESPAÇO CELEBRATIVO05 - ALTAR - Mesa fixa, podendo também ser móvel, destinada à celebraçãoeucarística. É o espaço mais importante da Igreja. Lugar onde se renova o sacrifícioredentor de Cristo.06 - AMBÃO - Chama-se também Mesa da Palavra. É a estante de onde se proclama apalavra de Deus. Não deve ser confundida com a estante do comentador e doanimador do canto. Esta não deve ter o mesmo destaque do ambão.07 - CREDÊNCIA - Pequena mesa onde se colocam os objetos litúrgicos, que serãoutilizados na celebração. Geralmente, fica próxima do altar.08 - PRESBITÉRIO - espaço ao redor do altar, geralmente um pouco mais elevado,onde se realizam os principais ritos sagrados.09 - NAVE DA IGREJA - Espaço do templo reservado aos fiéis.10 - SACRÁRIO - Chama-se também Tabernáculo. É uma pequena urna onde sãoguardadas as partículas consagradas e o Santíssimo Sacramento. Recomenda-se quefique num lugar apropriado, com dignidade, geralmente numa capela lateral.PÚLPITO - Lugar nas igrejas antigas de onde o presidente fazia a pregação. Hoje,praticamente não é mais usado. OBJETOS LITÚRGICOS11 - CORPORAL - Tecido em forma quadrangular sobre o qual se coloca o cálice como vinho e a patena com o pão.12 - MANUSTÉRGIO - Toalha com que o sacerdote enxuga as mãos no rito doLavabo. Em tamanho menor, é usada pelos ministros da Eucaristia, para enxugaremos dedos.13 - PALA - Cartão quadrado, revestido de pano, para cobrir a patena e o cálice.14 - SANGUINHO - Chamado também purificatório. É um tecido retangular, com oqual o sacerdote, depois da comunhão, seca o cálice e, se for preciso, a boca e osdedos.15 -VÉU DE ÂMBULA - Pequeno tecido, branco, que cobre a âmbula, quando estacontém partículas consagradas. É recomendado o seu uso, dado o seu fortesimbolismo. O véu vela (esconde) algo precioso, ao mesmo tempo que revela (mostra)possuir e trazer tal tesouro. (O véu da noiva, na liturgia do Matrimônio, tem também
  35. 35. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)esta significação simbólica, embora, na prática, não seja assim percebido, muitas vezespassando como mero adorno de ostentação).16 - ÂMBULA, CIBÓRIO OU PÍXIDE - É um recipiente para a conservação edistribuição das hóstias aos fiéis.17 - CÁLICE - Recipiente onde se consagra o vinho durante a missa.18 - CALDEIRINHA E ASPERSÓRIO - A caldeirinha é uma pequena vasilha, ondese coloca água benta para a aspersão. Já o aspersório é um pequeno instrumento como qual se joga água benta sobre o povo ou sobre objetos. Na liturgia são inseparáveis.19 - CASTIÇAL - Utensílio que se usa para suporte de uma vela.20 - CANDELABRO - Grande castiçal, com várias ramificações, a cada uma das quaiscorresponde um foco de luz.21 - PATENA - Pequeno prato, geralmente de metal, para conter a hóstia durante acelebração da missa.22 - BACIA E JARRA - Em tamanho pequeno, contendo a jarra a água, para o rito do"Lavabo", na preparação e apresentações dos dons.23 - CÍRIO PASCAL - Vela grande, que é abençoada solenemente na Vigília Pascal doSábado Santo e que permanece nas celebrações até o Domingo de Pentecostes.Acende-se também nas celebrações do Batismo.24 - CRUZ - Não só a cruz processional, isto é, a que guia a procissão de entrada, mastambém uma cruz menor, que pode ficar sobre o altar.25 - VELAS - As velas comuns, porém de bom gosto, que se colocam no altar,geralmente em número de duas, em dois castiçais.26 - OSTENSÓRIO - Objeto que serve para expor a hóstia consagrada, para adoraçãodos fiéis e para dar a bênção eucarística.27 - CUSTÓDIA - Parte central do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagradapara exposição do Santíssimo. É parte fixa do Ostensório.28 - LUNETA - Peça circular do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada, para aexposição do Santíssimo. É peça móvel.29 - GALHETAS - São dois recipientes para a colocação da água e do vinho, para acelebração da missa.
  36. 36. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)30 - HÓSTIA - Pão não fermentado (ázimo), usado na celebração eucarística. Aqui seentende a hóstia maior. É comum a forma circular.31 -PARTÍCULA - O mesmo que hóstia, porém em tamanho pequeno e destinadageralmente à comunhão dos fiéis.32 - RESERVA EUCARÍSTICA - Nome que se dá às partículas consagradas,guardadas no sacrário e destinadas, sobretudo aos doentes e à adoração dos fiéis, emvisita ao Santíssimo. Devem ser consumidas na missa seguinte.33 - INCENSO - É uma resina aromática, extraída de várias plantas, usada sobrebrasas, nas celebrações solenes (Ver também a referência do nº 66).34 - NAVETA - Pequeno vaso onde se transporta o incenso nas celebrações litúrgicas.35 - TECA - Pequeno estojo, geralmente de metal, onde se leva a Eucaristia para osdoentes. Usa-se também, em tamanho maior, na celebração eucarística, para conter aspartículas.36 - TURÍBULO - Vaso utilizado nas incensações durante a celebração. Nele secolocam brasas e o incenso. OUTROS SÍMBOLOS37 - IHS - Iniciais das palavras latinas Iesus Hominum Salvator, que significam: JesusSalvador dos homens. Empregam-se sempre em paramentos litúrgicos, em portas desacrário e nas hóstias.38 - ALFA E ÔMEGA - Primeira e última letra do alfabeto grego. No Cristianismoaplicam-se a Cristo, princípio e fim de todas as coisas.39 - TRIÂNGULO - Com seus três ângulos iguais (equilátero), o triângulo simboliza aSantíssima Trindade. É um símbolo não muito conhecido pelo nosso povo.40 - INRI - São as iniciais das palavras latinas Iesus Nazarenus Rex Iudaerum, quequerem dizer: Jesus Nazareno Rei dos Judeus, mandadas colocar por Pilatos nacrucifixão de Jesus (Cf. Jo 19,19).41 - XP - Estas letras, do alfabeto grego, correspondem em português a C e R. Unidas,formam as iniciais da palavra CRISTÓS (Cristo). Esta significação simbólica é, porém,ignorada por muitos.
  37. 37. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) VESTES LITÚRGICASVestes usadas pelos ministros ordenados. São elas:42 - ALVA - Túnica longa, de cor branca.43 - TÚNICA - O mesmo que alva. Atualmente pode ser de cor neutra.44 - AMITO - Pano que o ministro coloca ao redor do pescoço antes de outras vesteslitúrgicas.45 - CASULA - Veste própria do sacerdote que preside a celebração. Espécie de mantoque se veste sobre a alva e a estola.46 - ESTOLA - Veste litúrgica do sacerdote. Os diáconos também a usam, porém atiracolo, sobre o ombro esquerdo, pendendo-a do lado direito.47 - CAPA PLUVIAL - Capa longa, que o sacerdote usa ao dar a bênção do Santíssimoou ao conduzí-lo nas procissões. Usa-se também no rito de aspersão da assembléia.48 - CÍNGULO - Cordão com o qual se prende a alva ao redor da cintura.49 -VÉU UMERAL - Chama-se também véu de ombros. Manto retangular, de cordourada, usado pelo sacerdote na bênção do Santíssimo.50 - DALMÁTICA - Veste própria do diácono. É colocada sobre a alva e a estola.POSIÇÕES CORPORAIS - Na liturgia toda a pessoa é chamada a participar. Sentido,corpo, espírito. Assim, os gestos corporais são também vivamente litúrgicos. E comono corpo humano cada membro tem uma função própria, a serviço, porém, de todo ocorpo, assim, na liturgia, cada gesto do corpo recebe um simbolismo próprio, aserviço de todo o ato celebrativo. Assim, temos:57 - AS MÃOS - Que ora se erguem em louvor; ora se estendem em abertura eoferecimento; ora se elevam em súplica; ora se juntam em recolhimento; ora se abremem oferta. Também se faz a imposição de mãos nas ordenações.58 - OS PÉS - Não só caminham nas procissões litúrgicas, em sentido simbólico deperegrinação, como também se prestam para o ritmo de danças. Na missa da Quinta-Feira Santa são lavados em memória do mandamento novo da última Ceia do Senhorcom seus discípulos. Podemos pensar nos pés do Cristo Peregrino, nas estradas
  38. 38. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)difíceis da Palestina, identificados com os nossos pés, na difícil caminhada de nossavida.59 - OS OLHOS - Na leitura eucarística, principalmente, os olhos devem ver,enxergar, contemplar. Aqui o mistério é "visto". Daí, a atenção que se requer para osmovimentos litúrgicos que se realizam no altar.60 - OS OUVIDOS - Na Liturgia da Palavra, nosso sentido auditivo é chamado aparticipar mais vivamente. Trata-se de ouvir, como no Antigo Testamento: "OuveIsrael...", a oração judaica mais preciosa (o Xemá judaico, no convite de Dt 6,4).61 - OUTROS MOVIMENTOS E GESTOS CORPORAIS - Podemos falar ainda: deajoelhar-se, de prostrar-se, de sentar-se, de ficar de pé, como também de persignar-se,de traçar o sinal da cruz. Ainda falamos de genuflexão, do gesto sereno da vênia, estecomo reverência diante do Santíssimo e de autoridades eclesiásticas. Atente-se pelofato de a posição "de pé", na liturgia, ser a mais expressiva, por indicar prontidão enos revelar a atitude de ressuscitados. É como Cristo se mostra depois da ressurreição(Cf. Jo 20,14; 21,4; Ap 5,6). SÍMBOLOS LITÚRGICOS LIGADOS À NATUREZA62 - A ÁGUA - A água simboliza a vida (remete-nos, sobretudo ao nosso batismo,onde renascemos para uma vida nova). Pode simbolizar também a morte (enquantopor ela morremos para o pecado). Nesse sentido, ela é mãe e sepulcro, de acordo comos Santos Padres. (Ver a referência litúrgica do nº 67, em que se fala da água, nos ritosdo Batismo, do Lavabo e do "asperges").63 - O FOGO - O fogo ora queima, ora aquece, ora brilha, ora purifica. Está presentena liturgia da Vigília Pascal do Sábado Santo e nas incensações, como as brasas nosturíbulos. O fogo pode multiplicar-se indefinidamente. Daí, sua forte expressãosimbólica. É símbolo, sobretudo da ação do Espírito Santo (Cf. Eclo 48,1; Lc 3,16; 12,49;At 2,3; 1Ts 5,19), e do próprio Deus, como fogo devorador (Cf. Ex 24,17; Is 33,14; Hb12,29).64 - A LUZ - A luz brilha, em oposição às trevas, e mesmo no plano natural énecessária à vida, como a luz do sol. Ela mostra o caminho ao peregrino errante. A luzproduz harmonia e projeta a paz. Como o fogo, pode multiplicar-se indefinidamente.Uma pequenina chama pode estender-se a um número infinito de chamas e destruir,assim, a mais espessa nuvem de trevas. É o símbolo mais expressivo do Cristo Vivo,como no Círio Pascal. A luz e, pois, a expressão mais viva da ressurreição.
  39. 39. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)65 - O PÃO E O VINHO - Símbolos do alimento humano. Trigo moído e uvaespremida, sinais do sacrifício da natureza, em favor dos homens. Elementos tomadospor Cristo para significarem o seu próprio sacrifício redentor.66 - O INCENSO - Como se falou no número 33, com sua especificidade aromática.Sua fumaça simboliza, pois, a oração dos santos, que sobe a Deus, ora como louvor,ora como súplica (Cf. Sl 140(141)2; Ap 8,4).67 - O ÓLEO - Temos na liturgia os óleos dos Catecúmenos, do Crisma e dosEnfermos, usados liturgicamente nos sacramentos do Batismo, da Crisma e da Unçãodos Enfermos. Nos três sacramentos, trata-se do gesto litúrgico da unção. Aqui vemosque o objeto - no caso, o óleo - além de ele próprio ser um símbolo, faz nascer umaação, isto é, o gesto simbólico de ungir. Tal também acontece com a água: ela supõe ecria o banho lustral, de purificação, como nos ritos do Batismo e do "lavabo"(abluções), e do "asperges", este em sentido duplo: na missa, como rito penitencial, ena Vigília do Sábado Santo, como memória pascal de nosso Batismo. A esses gestoslitúrgicos e tantos outros, podemos chamar de "símbolos rituais". A unção com o óleoatravessa toda a história do Antigo Testamento, na consagração de reis, profetas esacerdotes, e culmina no Novo Testamento, com a unção misteriosa de Cristo, overdadeiro Ungido de Deus (Cf. Is 61,1; Lc 4,18). A palavra Cristo significa, pois,ungido. No caso, o Ungido, por excelência.68 - AS CINZAS - As cinzas, principalmente na celebração da Quarta-Feira de Cinzas,são para nós sinal de penitência, de humildade e de reconhecimento de nossanatureza mortal. Mas estas mesmas cinzas estão intimamente ligadas ao MistérioPascal. Não nos esqueçamos de que elas são fruto das palmas do Domingo de Ramosdo ano anterior, geralmente queimadas na Quaresma, para o rito quaresmal dascinzas. Encerrando esse pequeno subsídio, guardemos então que toda a liturgia é açãosimbólica. Assim, poderíamos ainda falar: do templo, da assembléia, dos sinos, dojejum, da esmola, das bênçãos, da ceia, da coroa do Advento, da palma, das flores, doanel, do canto, do abraço, da música, do cordeiro, da hóstia, dos ícones, doconfessionário, do batistério, da arte sacra (em toda a sua vasta extensão) etc., comotambém, ainda, de tudo aquilo que diz respeito aos sentidos, tais como: olfato: ocheiro do incenso e das flores; paladar: o gosto do pão e do vinho; tato: o toque, sejana imposição de mãos de ritos sagrados, seja nas mãos que se unem às dos irmãos,seja no toque de coisas sagradas; visão e audição: como se falou nos nºs. 59 e 60 destetrabalho etc.. Enfim, é todo um universo simbólico, que nos convida a mergulhar cadavez mais no mistério infinito do amor de Deus.
  40. 40. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b) CANTOS LITÚRGICOS A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA Desde o início do Cristianismo, a música ocupa lugar de destaque nascerimônias litúrgicas. Nascida dentro de uma comunidade judaica, a Igreja cristã jáempregava em suas primeiras reuniões e práticas rituais a música cantada e tocada,herdada da liturgia judaica. A música é uma das mais belas manifestações do espírito humano e, como tal,não poderia deixar de fazer parte das celebrações litúrgicas da nossa Igreja. Mais doque qualquer outra forma de expressão artística, a música consegue expressar os maisvariados sentimentos humanos: alegria, tristeza, paz, louvor, etc... Este riquíssimo recurso, frequentemente colocado à disposição da liturgia,possibilita que as celebrações se tornem mais belas e ofereçam um justo louvor aDeus. A música, juntamente com outros elementos utilizados pela liturgia (cores,paramentos, objetos sagrados, etc.), serve de mediação entre Deus e os homens.Assim, deve ser executada com seriedade e cuidado, para que o fim a que se destinaseja alcançado: a edificação dos fiéis e o louvor a Deus. PRINCÍPIO GERAL1 - Em todos os estudos sobre o canto e a música na liturgia, devemos ter bem claro oprincípio fundamental formulado pelo Concílio Vaticano II: "... a música sacra serátanto mais santa, quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica..." (SC 112c).E ainda: "Uma autêntica celebração exige também que se observe exatamente osentido e a natureza próprios de cada parte e de cada canto..." (MS 6b). Conclusão:Quanto mais gerais forem os textos dos cantos e menos ligados à ação litúrgica ou aotempo e à festa, tanto menos litúrgicos serão eles, pois o importante é cantar a liturgia,e não simplesmente cantar na liturgia, como tantas vezes acontece.2 - Traduzindo o pensamento conciliar e o ensinamento da Igreja, queremos dizer,inicialmente, que, na liturgia, não se canta por cantar. Não se canta para encherespaço ou cobrir possíveis vazios na celebração. Também não se canta por ser o cantobonito e cheio de mensagens, simplesmente. O canto, na liturgia, não é divertimentonem se destina a tornar a celebração mais leve, mais agradável, mais movimentada. Ocanto litúrgico nunca pode ser mero enfeite, pois ele tem, na celebração, uma funçãoministerial, que lhe é própria. Às vezes, porém, certos cantos nos deixam a impressãode estarem apenas embelezando o momento celebrativo.
  41. 41. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)3 - Diga-se, para maior consciência de todos nós, que não existe festa sem canto, nemcelebração sem música, e a liturgia deve ser, pela sua natureza laudatória, uma festa,antes de tudo. Uma celebração, pois, sem canto é uma celebração morta, apagada. Emtodas as culturas e em todas as civilizações, o canto sempre constitui alegria de umpovo, ou então marca de suas angústias, de seus sonhos e de suas aspirações. Naliturgia, esse dado fundamental da fenomenologia antropológica é ainda maisevidente.4 - Na liturgia, o canto une as pessoas, anima e dá vida à celebração. Facilita passar de"uma só voz" a "um só coração", e, finalmente, a "uma só alma", como se vê naespiritualidade das comunidades primitivas. Podemos, pela liturgia, unir nossa voz àdos anjos, sendo realmente nosso canto exultação de um povo feliz e redimido.5 - Na linguagem bíblica e litúrgica, canto se associa ao Espírito Santo, e espírito temrelação com sopro, vento. O Espírito de Deus suscita em nós o "som", a vibraçãocorreta, que nos faz pensar e sentir em uníssono com o próprio Deus. O canto produz,pois, a harmonia universal. Aliás, a palavra "canto" já tem um sentido etimológico de"harmonia". Assim, podemos dizer que a criação, na sua harmonia, é um canto delouvor a Deus, e a liturgia, nas palavras de Paulo VI, é o louvor de Deus, nalinguagem de um povo orante.6 - O canto ainda amplia o sentido das palavras e, por outro lado, sonda o maisprofundo da interioridade do ser, cativa e faz brotar os sentimentos mais puros eprofundos da alma humana. Ele liberta-nos dos limites da palavra, do racionalismointelectual, do mero conceito, para dar-nos uma projeção do infinito e do indizível, naalegria que faz o coração exultar diante do mistério. É nesse sentido que São Tiagopergunta e, ao mesmo tempo, responde: "Está alguém alegre? Então cante!" (Cf. Tg5,13b).7 - Devemos vivenciar juntos a profundidade espiritual de um canto, pois a música,na liturgia, é chamada a uma densidade teológica e espiritual à altura do mistério quenela celebramos. Por isso, não se pode escolher qualquer canto e qualquer músicapara a liturgia, pois, como já vimos, ela deve aderir-se à natureza da liturgia, na suafuncionalidade ministerial. A letra e a música deverão, assim, ser feitas no Espírito,levando-se em conta a situação ritual do canto.8 - O canto, no cumprimento das exigências da liturgia, deve trazer texto, ritmo emelodia prenhes, isto é, grávidos do mistério de Deus, pois a primeira linguagem docanto, sobretudo litúrgico, é a do inefável, do mistério. Portanto, deve trazer ele asqualidades essenciais ao mistério: primeiramente, teológica, isto é, com a corretaformulação doutrinária (ortodoxia católica); depois, espiritual, ou seja, capaz de noselevar e edificar; também bíblica, quer dizer, com aquele espírito próprio da revelação
  42. 42. PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA e SÃO LOURENÇO “Em obediência à vossa palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5b)divina e com ele facilmente identificável; não dispensando também a qualidademistagógica, isto é, aquela experiência vivencial da Igreja que, na simplicidade,manifesta o reino de Deus. Por último, aparece ainda, como exigência, segundo IoneBuyst, a qualidade estética, com as notas do poético e do musical, sempre com a forçaevocativa e simbólica, tendo espaço: para o mistério, para o silêncio meditativo, para ovôo contemplativo.9 - Um canto só é, pois, litúrgico, voltamos a dizer, quando serve à liturgia, dentro dasexigências desta. Fora da celebração, mesmo com todas as qualidades litúrgicas,torna-se simplesmente um canto sacro, religioso. Isto, porém, não quer dizer que todocanto religioso serve para a liturgia. Os letristas e compositores, a propósito, sãochamados pelo Concílio Vaticano II a se instruírem no mistério litúrgico, a fim decomporem textos e músicas que enriqueçam ainda mais o tesouro da eucologia cristã. DISTINÇÃO DE CANTOS NA LITURGIA10 - Visto que os cantos, na liturgia, não são genéricos, mas funcionais, costuma-sefazer uma distinção entre eles, de acordo com a sua ministerialidade. Assim, podemser classificados:I - Cantos processionais - São aqueles que acompanham as procissões litúrgicas.Temos então, com relação à missa: o canto de entrada, o de aclamação ao Evangelho(quando se faz a procissão deste), o da procissão das oferendas, o da comunhão e ocanto final (quando este acompanha a saída do povo).II - Cantos interlecionais - São os que ficam entre as leituras bíblicas (O salmoresponsorial e a aclamação ao Evangelho).III - Cantos fixos ou ordinários - Os que não variam com o tempo litúrgico ou a festa(O Glória, o Santo, o Kirye e o Cordeiro de Deus).IV - Cantos próprios - Os que variam de acordo com o tempo litúrgico, festa ousolenidade.V - Cantos litânicos - Os que têm a forma de ladainha (Ato penitencial e Cordeiro deDeus).VI - Cantos antifonais ou alternados - Os que se cantam alternando-se: coro e povo,homens e mulheres (O canto alternado ou antifonal embeleza muito a celebração, masquase não se pratica. A criatividade pastoral deveria usar mais este recurso).VII- Cantos responsoriais - No canto responsorial, as estrofes são cantadas pelo coralou por um solista, aqui chamado então salmista. O povo só participa com o refrão.Exemplo de canto responsorial é o salmo depois da primeira leitura.

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