• Save
Fundamentos psic aplicados a educação
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Like this? Share it with your network

Share

Fundamentos psic aplicados a educação

on

  • 3,131 views

 

Statistics

Views

Total Views
3,131
Views on SlideShare
3,131
Embed Views
0

Actions

Likes
7
Downloads
0
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Fundamentos psic aplicados a educação Document Transcript

  • 1. Fundamentos Psicológicos Aplicados a Educação Simone Helen Drumond de Carvalho simone_drumond@hotmail.com http://simonehelendrumond.blogspot.com (92) 8813-9525 / 8808-23721) Como é definida a aprendizagem nas teorias do condicionamento e cognitivasBEHAVIORISMO - ("Teóricos do Comportamento")Definição - Teoria da aprendizagem (humana e animal) que se centra apenas nos"comportamentos objetivamente observáveis" negligenciando as atividades mentais... Aaprendizagem é simplesmente definida como a aquisição de um novo comportamento.Princípios do Behaviorismo - A forma mais simples de aprendizagem é a habituação, istoé, a diminuição da tendência para responder aos estímulos que, após uma exposiçãorepetida, se tornaram familiares. O organismo aprende que já encontrou um dado estímulonuma situação anterior.O "condicionamento" é um processo universal de aprendizagem:1) Condicionamento clássico : engloba o reflexo natural de resposta a um estímulo. Oorganismo aprende a associar dois estímulos:- o EI (estímulo incondicionado) - que surge antes do condicionamento e evoca uma RI(resposta incondicionada);- o EC (estímulo condicionado) - estímulo que se emparelha sucessivamente ao EI e queacaba por evocar uma RC (resposta condicionada) em geral semelhante à RI.
  • 2. 2) Condicionamento instrumental (operante) : que envolve o reforço da resposta aoestímulo. Trata-se de um simples sistema de retroação (feedback) que obedece à lei doefeito de Thorndike segundo a qual a tendência para realizar a resposta é fortalecida se estafor seguida de recompensa (reforço) e enfraquecida se não o for. Ao contrário do queacontece no "condicionamento clássico" - em que a RC é evocada pelo EC - no"condicionamento operante" a "RC é emitida do interior do organismo" (Skinner).Críticas:a) Não leva em conta algumas capacidades intelectuais das espécies superiores;b) Não explica alguns tipos de aprendizagem, como por exemplo, o reconhecimento depadrões de fala diferentes detectados em bebés que não tinham sido antes reforçados paratal;c) Não explicam alguns dados conhecidos de adaptação, por parte de alguns animais, dosseus comportamentos (previamente reforçados ) em novos contextos...O CONSTRUTIVISMODefinição: Teoria da Aprendizagem que parte do pressuposto de que todos nósconstruímos a nossa própria concepção do mundo em que vivemos a partir da reflexãosobre as nossas próprias experiências.Cada um de nós utiliza "regras" e "modelos mentais" próprios (que geramos no processo dereflexão sobre a nossa experiência pessoal), consistindo a aprendizagem no ajustamentodesses "modelos" a fim de poderem "acomodar" as novas experiências...Princípios do Construtivismo1) A Aprendizagem é uma constante procura do significado das coisas. A Aprendizagemdeve pois começar pelos acontecimentos em que os alunos estão envolvidos e cujosignificado procuram construir...2) A construção do significado requer não só a compreensão da "globalidade" como das"partes" que a constituem. As "partes" devem ser compreendidas como integradas no"contexto" das "globalidades". O processo de aprendizagem deve portanto centrar-se nos"conceitos primários" e não nos "factos isolados".3) Para se poder ensinar bem é necessário conhecer os modelos mentais que os alunosutilizam na compreensão do mundo que os rodeia e os pressupostos que suportam essesmodelos.4) Aprender é construir o seu próprio significado e não o encontrar as "respostas certas"dadas por alguém.
  • 3. A PERSPECTIVA DESENVOLVIMENTALISTA DE PIAGETDefinição - Modelo que se baseia na ideia de que a criança, no seu desenvolvimento,constrói estruturas cognitivas sofisticadas - que vão dos poucos e primitivos reflexos dorecém-nascido até às mais complexas atividades mentais do jovem adulto. De acordo comPiaget, a estrutura cognitiva é um "mapa" mental interno, um "esquema" ou uma "rede" deconceitos construídos pelo indivíduo para compreender e responder às experiências quedecorrem dentro do seu meio envolvente.Princípios - A teoria de Piaget identifica quatro estádios de desenvolvimento e um conjuntode processos através dos quais acriança progride de um estádio a outro:1) Estádio Sensório-Motor ( do nascimento aos 2 anos) - a criança, através de umainteração física com o seu meio, constrói um conjunto de "esquemas de ação" que lhepermitem compreender a realidade e a forma como esta funciona. A criança desenvolve oconceito de permanência do objeto, constrói alguns esquemas sensório-motorescoordenados e é capaz de fazer imitações genuínas (adquirindo representações mentaiscada vez mais complexas);2) Estádio Pré-Operatório (2 - 6 anos) - a criança é competente ao nível do pensamentorepresentativo mas carece de operações mentais que ordenem e organizem essepensamento. Sendo egocêntrica, a criança não é ainda capaz, por exemplo de conservar onúmero e a quantidade.3) Operações Concretas (7 - 11 anos) - conforma a experiência física e concreta se vaiacumulando, a criança começa a contextualizar, criando "estruturas lógicas" para a explicaçãodas suas experiências mas ainda sem abstração.4) Operações Formais (11- 15 anos) - Como resultado da estruturação progressiva doestádio anterior a criança atinge o raciocínio abstrato, conceptual, conseguindo ter em contaas hipóteses possíveis e sendo capaz de pensar cientificamente.A perspectiva das NEUROCIÊNCIASDefinição - As neurociências dedicam-se ao estudo do sistema nervoso humano, ao estudodo cérebro e das bases biológicas da consciência, da percepção, da memória e daaprendizagem.
  • 4. Princípios* O sistema nervoso e o cérebro são as bases físicas/biológicas do nosso processo deaprendizagem, o suporte material do funcionamento intelectual.* O suporte material do funcionamento intelectual, surge como um órgão composto portrês cérebros: o arqueocórtex (cérebro" réptil", que data de há 250 milhões de anos), quecontrola as funções básicas sensório-motoras, assegurando as relações com o meio e aadaptação; o paleocortex (cérebro "límbico", que data dos "mamíferos", há 150 milhões deanos), que controla as emoções elementares (medo, fome, ...), o instinto genésico (relativo àprocriação), a memória, o olfato e outros instintos básicos; o "neocortex" (que data dosnovos mamíferos de há algumas centenas de milhares de anos), que representa cerca de85% da massa cerebral e que controla a cognição, o raciocínio a linguagem e ainteligência.* O cérebro não é um computador - A estrutura das conexões neuronais no cérebro é livre,flexível, "como que uma teia", sobreposta e redundante. Para um sistema como este éimpossível funcionar como qualquer computador de processamento linear ou paralelo. Amelhor descrição do cérebro será vê-lo como "um sistema auto regulável".* O cérebro altera-se com o uso através de toda a vida. A concentração mental e o esforçoalteram a estrutura física do cérebro.* Os neurónios (células nervosas), conectados entre si através das "dendrites", são cerca de100 biliões e podem ter entre 1 e 10 000 sinapses cada um. A complexidade das conexõespossíveis é incalculável e o próprio padrão das conexões sinápticas pode alterar-se com ouso do cérebro, isto é, após uma conexão sináptica estabelece-se um padrão que faz comque essa mesma conexão seja mais fácil numa próxima vez (resultando mesmo numaalteração física da sinapse), como acontece por exemplo no campo da memória.AS MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS DE (Howard Gardner)Definição - Teoria desenvolvida por Gardner que sugere a existência de pelo menos 7inteligências distintas, isto é, de 7 distintas maneiras de perceber e "conhecer" o mundoe de as pessoas resolverem os problemas que lhes surgem, correspondendo de algumaforma a 7 estilos de aprendizagem.
  • 5. Princípios - Gardner define "Inteligência" como um conjunto de competências que é:1. Autónomo das outras capacidades humanas;2. Tem um núcleo base de operações de "processamento de informação";3, Tem uma história diferenciada de desenvolvimento (estádios de desenvolvimento por quetodas as pessoas passam);4. Tem raízes prováveis na evolução filogenética; e5. Pode ser codificada num sistema de símbolos .As sete inteligências identificadas por Gardner são:1. Verbal / Linguística - A habilidade para "brincar com as palavras", contar histórias, ler eescrever. A pessoa com este estilo de aprendizagem tem facilidade em recordar nomes,lugares, datas e coisas semelhantes;2. Lógica / Matemática - A capacidade para "brincar com as questões", para o raciocínio epensamento indutivo e dedutivo, para o uso de números e resolução de problemasmatemáticos e lógicos;3. Visual / Espacial - Habilidade para visualizar objetos e dimensões espaciais, para criar"imagens" internas. Este tipo de pessoas adoram desenhar, pintar, visitar exposições,visualizar slides, vídeos e filmes...4. Somato-Quinestésica - Conhecimento do corpo e habilidade para controlar osmovimentos corporais. As pessoas com este "tipo de inteligência" movem-se enquanto falam,usam o corpo para expressar as suas ideias, gostam de dançar, de praticar desportos eoutras atividades motoras.5. Musical - Rítmica - Habilidade para reconhecer sons e ritmos; trata-se de pessoas quegostam de ouvir música, de cantar e até de tocar algum instrumento musical.6. Interpessoal - Capacidade de relacionamento interpessoal. São pessoas que estãosempre rodeadas de amigos e gostam de conviver.7. Intrapessoal - Autorreflexão, meta-cognição e consciência das realidades espirituais. Sãopessoas que preferem "estar sós" e pouco dadas a convívios.
  • 6. OS ESTILOS DE APRENDIZAGEMDefinição - Teoria da Aprendizagem que parte da ideia de que os indivíduos têm diferentesmaneiras de "perceber" e de "processar a informação" o que implica diferenças nos seusprocessos de aprendizagem.Princípios - O conceito de "estilos de aprendizagem" tem a sua raiz na Psicologia,especialmente na classificação dos "tipos psicológicos" (C. Jung). Das interações entre osdados genéticos do indivíduo e as exigências do meio resultam diferentes formas de recolhere processar a informação, podendo apontar-se os seguintes tipos:Relativamente à Recolha da Informação :Os Concretos - recolhem a informação através da experiência direta, fazendo e agindo,percebendo e sentindo;Os Abstratos - Recolhem a informação através da análise e observação, pensando...Relativamente ao Processamento da Informação:Os Ativos - Fazem imediatamente qualquer coisa com a informação que recolheram daexperiência;Os Reflexivos - Após a recolha de novas informações pensam nelas e refletem sobre oassunto.CÉREBRO DIREITO / CÉREBRO ESQUERDODefinição - Uma teoria acerca da estrutura e funções do cérebro que sugere que:a) os diferentes hemisférios cerebrais controlam diferentes "modos" de pensar;b) todos nós temos uma preferência por um ou outro desses modos.Princípios - A investigação tem demonstrado que os dois lados (hemisférios) do cérebro sãoresponsáveis por diferentes modos de pensamento admitindo-se que, em geral, essa divisãoimplica:
  • 7. Hemisfério Esquerdo do Cérebro Hemisfério Direito do Cérebro Lógico Aleatório Sequencial Holístico (simultâneo) Racional Intuitivo Analítico Sintético Objetivo Subjetivo Percebe o pormenor Percebe a formaA maioria dos indivíduos tem uma preferência por um destes estilos de pensamento; noentanto, algumas pessoas são adeptas dos dois estilos (ambidestras). Em geral a Escolatende a valorizar o modo de pensar do hemisfério esquerdo (que enfatiza o pensamentológico e a análise) em detrimento do modo característico do hemisfério direito (que é maisadequado para as artes, os sentimentos e a criatividade).A APRENDIZAGEM CONSCIENTE - “De acordo com os resultados dos estudosexperimentais em pedagogia podemos definir sete estádios de aprendizagem humana aolongo de toda a vida,Primeiro Estádio: Aprendizagem de sinais em função de estímulos-respostas, quervegetativos, quer involuntários;Segundo Estádio: Aprendizagem das relações estímulos-respostas musculares ouvoluntárias;Terceiro Estádio: Aprendizagem de cadeias mentais ou verbais;Quarto Estádio: Aprendizagem de uma discriminação múltipla, isto é, escolha voluntáriaentre várias respostas em função de um estímulo dado;Quinto Estádio: Aprendizagem de um conceito, isto é, escolha entre várias respostas emfunção de vários estímulos;Sexto Estádio: Aprendizagem de um princípio, isto é, combinação de conceitos queconduzem ao conhecimento, no quadro de um contexto.
  • 8. Sétimo Estádio: Aprendizagem da resolução de um problema, isto é, reflexão tendo emconta o meio."É preciso insistir no facto de os processos de aprendizagem serem baseados no sistema decomunicação entre o cérebro e o meio, por intermédio do corpo."Aprendizagem e Inteligência Artificial - Alguns Conceitos"A inteligência é como um prisma de numerosas faces. Não se trata de uma qualidadeprópria das condutas humanas, mas sim de uma função auto organizadora decomportamentos que se desenvolvem e evoluem. O cérebro humano não é o único suporteda inteligência: qualquer outro sistema, quer seja natural ou artificial, pode engendrarcomportamentos inteligentes... O objetivo de um sistema inteligente é reconstruir a (ouas) melhor(es) representação (ões) do seu meio e de si próprio, a fim de adquirir omáximo de autonomia e de ser o menos possível sensível às flutuações do meio. Paraatingir este objetivo, ele desenvolve a atividade de aprender e de auto aprender.A APRENDIZAGEM é, precisamente, o processo que permite a criação de novasrepresentações. Pode ser "inculcada", no sentido em que estas novas representações sãopropostas aos sistemas inteligentes, que as assimilam.A autoaprendizagem é o processo pelo qual o sistema inteligente cria, por si próprio, novasrepresentações.O cérebro humano parece ser o único sistema inteligente dotado daquilo a quechamamos a meta-aprendizagem [aprendizagem da aprendizagem - que pode ser"inculcada sob a forma de regras/instruções] e a meta-autoaprendizagem [reflexão dosistema sobre os seus próprios métodos de autoaprendizagem - que se assemelha aofenómeno da consciência"Segundo as ciências cognitivas "qualquer aprendizagem num sistema ou num ser vivomanifestar-se-á pela aquisição de uma ou mais propriedades que não são inatas nestesistema ou neste ser".
  • 9. O MODELO DE APRENDIZAGEM BASEADO EM REGRASIdeias principais: "Os patrimónios genéticos dos seres vivos são mais ricos em regrasde aprendizagem do que em informações" [...os ratos (como demonstrou Tolman)constroem mapas mentais do seu espaço familiar; as abelhas dispõem de mapas mentaisestabelecidos no decurso de uma fase instintiva de reconhecimento do território; experiênciascom pombos sugerem que eles têm uma capacidade inata de generalização de certosconceitos...].Muitos animais, como parecem provar as investigações feitas no domínio das neurociências,estão mais particularmente aptos em certos domínios favorecidos pela seleção natural e sãoparticularmente "estúpidos" ou inaptos no que toca às aprendizagens que não têm que vercom o seu estilo de vida.No entanto, “O cérebro humano, para além da sua capacidade de memorizar e de tratarconhecimentos, teria a possibilidade de memorizar e tratar regras de aprendizagem pormeta-aprendizagem, que é, ela própria, constituída pela memorização de meta-regrasadquiridas e/ou inatas.""Através da autoaprendizagem, o cérebro humano teria, além da sua capacidade dememorizar e de tratar os conhecimentos descobertos em si próprio ou adquiridosautomaticamente no exterior, a possibilidade de memorizar e de tratar auto-regras deaprendizagem, através de meta-auto-regras adquiridas e/ou inatas"."Este último tipo de aprendizagem implica decisões "conscientes" no momento ... tendo comoconsequência o enfraquecimento da ação do instinto sobre o homem"."Esta aprendizagem refletida ...é uma componente essencial da inteligência humana"Embora a estrutura e a função dos neurónios sejam idênticas em todos os seres vivos(animais e humanos), a organização dos fluxos de informação neuronais é própria de cadaespécie. O próprio processo de aprendizagem tem, portanto, uma parte de inato e umaparte de adquirido.
  • 10. OS MOMENTOS DA APRENDIZAGEMA aprendizagem envolve quatro tipos de conceitos:1. A aprendizagem propriamente dita - processo através do qual se criam novasrepresentações - que pode ser inculcada, no sentido em que representações já prontaspodem ser propostas aos sistemas inteligentes, que as assimilam;2. A autoaprendizagem - processo através do qual os próprios sistemas inteligentes criamnovas representações;3. A meta-aprendizagem - processo que se refere à aprendizagem da própria aprendizagem- que pode ser inculcada sob a forma de regras que orientam, guiam ou canalizam o processode aprendizagem;4. A meta-auto-aprendizagem - processo referente à reflexão do sistema inteligente sobreos seus métodos de autoaprendizagem. Neste aspecto, a meta-auto-aprendizagemassemelha-se à Consciência.2) Quais os principais pressupostos da teoria piagetiana?TEORIA DO DESENVOLVIMENTO DE JEAN PIAGET - Formado em Biologia, Piagetespecializou-se nos estudos do conhecimento humano, concluindo que, assim como osorganismos vivos podem adaptar-se geneticamente a um novo meio, existe também umarelação evolutiva entre o sujeito e o seu meio, ou seja, a criança reconstrói suas ações eideias quando se relaciona com novas experiências ambientais. Para ele, a criança constróisua realidade como um ser humano singular, situação em que o cognitivo está emsupremacia em relação ao social e o afetivo.Na perspectiva construtivista de Piaget, o começo do conhecimento é a ação do sujeito sobreo objeto, ou seja, o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio, sujeito-objeto. Conhecer consiste em operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo, éalgo que se dá a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento. As formas deconhecer são construídas nas trocas com os objetos, tendo uma melhor organização emmomentos sucessivos de adaptação ao objeto. A adaptação ocorre através da organização,sendo que o organismo discrimina entre estímulos e sensações, selecionando aqueles que irá
  • 11. organizar em alguma forma de estrutura. A adaptação possui dois mecanismos opostos, mascomplementares, que garantem o processo de desenvolvimento: a assimilação e aacomodação. Segundo Piaget, o conhecimento é a equilibração e reequilibração entreassimilação e acomodação, ou seja, entre os indivíduos e os objetos do mundo.A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis no sujeito,é o processo pelo qual as ideias, pessoas, costumes são incorporadas à atividade do sujeito.A criança aprende a língua e assimila tudo o que ouve, transformando isso em conhecimentoseu. A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos novos, ouseja, a criança que ouve e começa a balbuciar em resposta à conversa ao seu redorgradualmente acomoda os sons que emite àqueles que ouvem, passando a falar de formacompreensível.Segundo FARIA (1998), os esquemas são uma necessidade interna do indivíduo. Osesquemas afetivos levam à construção do caráter, são modos de sentir que se adquirejuntamente às ações exercidas pelo sujeito sobre pessoas ou objetos. Os esquemascognitivos conduzem à formação da inteligência, tendo a necessidade de serem repetidos (acriança pega várias vezes o mesmo objeto). Outra propriedade do esquema é a ampliação docampo de aplicação, também chamada de assimilação generalizadora (a criança não pegaapenas um objeto, pega outros que estão por perto). Através da discriminação progressivados objetos, da capacidade chamada de assimilação recognitiva ou reconhecedora, a criançaidentifica os objetos que pode ou não pegar, que podem ou não dar algum prazer à ela.FARIA (op.cit.) salienta que os fatores responsáveis pelo desenvolvimento, segundo Piaget,são: maturação; experiência física e lógico-matemática; transmissão ou experiência social;equilibração; motivação; interesses e valores; valores e sentimentos. A aprendizagem ésempre provocada por situações externas ao sujeito, supondo a atuação do sujeito sobre omeio, mediante experiências. A aprendizagem será a aquisição que ocorre em função daexperiência e que terá caráter imediato. Ela poderá ser: experiência física - comporta açõesdiferentes em função dos objetos e consiste no desenvolvimento de ações sobre essesobjetos para descobrir as propriedades que são abstraídas deles próprios, é o produto dasações do sujeito sobre o objeto; e experiência lógico-matemática – o sujeito age sobre osobjetos de modo a descobrir propriedades e relações que são abstraídas de suas própriasações, ou seja, resulta da coordenação das ações que o sujeito exerce sobre os objetos e datomada de consciência dessa coordenação. Essas duas experiências estão inter-relacionadas, uma é condição para o surgimento da outra.
  • 12. Para que ocorra uma adaptação ao seu ambiente, o indivíduo deverá equilibrar umadescoberta, uma ação com outras ações. A base do processo de equilibração está naassimilação e na acomodação, isto é, promove a reversibilidade do pensamento, é umprocesso ativo de auto regulação. Piaget afirma que, para a criança adquirir pensamento elinguagem, deve passar por várias fases de desenvolvimento psicológico, partindo doindividual para o social. Segundo ele, o falante passa por pensamento autístico, falaegocêntrica para atingir o pensamento lógico, sendo o egocentrismo o elo de ligação dasoperações lógicas da criança. No processo de egocentrismo, a criança vê o mundo a partir daperspectiva pessoal, assimilando tudo para si e ao seu próprio ponto de vista, estando opensamento e a linguagem centrados na criança.Para Piaget, o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suaspotencialidades e da sua interação com o meio. O processo de desenvolvimento mental élento, ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período dainteligência sensório-motora; período da inteligência pré-operatória; período da inteligênciaoperatória-concreta; e período da inteligência operatório-formal.3) Cite e descreva os quatro estágios do desenvolvimento cognitivo, segundo Piaget.1) A visão interacionista de Piaget: a relação de interdependência entre o homem e oobjeto do conhecimento - Introduzindo uma terceira visão teórica representada pela linhainteracionista, as ideias de Piaget contrapõem-se, conforme mencionamos mais acima, àsvisões de duas correntes antagônicas e inconciliáveis que permeiam a Psicologia em geral: oobjetivismo e o subjetivismo. Ambas as correntes são derivadas de duas grandes vertentes daFilosofia (o idealismo e o materialismo mecanicista) que, por sua vez, são herdadas dodualismo radical de Descartes que propôs a separação estanque entre corpo e alma, id est,entre físico e psíquico. Assim sendo, a Psicologia objetivista, privilegia o dado externo,afirmando que todo conhecimento provém da experiência; e a Psicologia subjetivista, emcontraste, calcada no substrato psíquico, entende que todo conhecimento é anterior àexperiência, reconhecendo, portanto, a primazia do sujeito sobre o objeto (Freitas, 2000:63).Considerando insuficientes essas duas posições para explicar o processo evolutivo dafilogenia humana, Piaget formula o conceito de epigênese, argumentando que "oconhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programaçãoinata pré-formada no sujeito, mas de construções sucessivas com elaborações constantes de
  • 13. estruturas novas" (Piaget, 1976 apud Freitas 2000:64). Quer dizer, o processo evolutivo dafilogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismocom o meio ambiente - físico e social - que o rodeia (Coll, 1992; La Taille, 1992, 2003; Freitas,2000;), significando entender com isso que as formas primitivas da mente, biologicamenteconstituídas, são reorganizadas pela psique socializada, ou seja, existe uma relação deinterdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer.Esse processo, por sua vez, se efetua através de um mecanismo auto regulatório queconsiste no processo de equilibração progressiva do organismo com o meio em que oindivíduo está inserido, como procuraremos expor em seguida.2) O processo de equilibração: a marcha do organismo em busca do pensamentológico - Pode-se dizer que o "sujeito epistêmico" protagoniza o papel central do modelopiagetiano, pois a grande preocupação da teoria é desvendar os mecanismos processuais dopensamento do homem, desde o início da sua vida até a idade adulta. Nesse sentido, acompreensão dos mecanismos de constituição do conhecimento, na concepção de Piaget,equivale à compreensão dos mecanismos envolvidos na formação do pensamento lógico,matemático. Como lembra La Taille (1992:17), "(...) a lógica representa para Piaget a formafinal do equilíbrio das ações. Ela é um sistema de operações, isto é, de ações que setornaram reversíveis e passíveis de serem compostas entre si".Precipuamente, portanto, no método psicogenético, o status da lógica matemática perfaz oenigma básico a ser desvendado. O maior problema, nesse sentido, concentra-se na buscade respostas pertinentes: "Como os homens constroem o conhecimento?". Como é que alógica passa do nível elementar para o nível superior? Como se dá o processo de elaboraçãodas ideias? Como a elaboração do conhecimento influencia a adaptação à realidade? .Procurando soluções para esse problema central, Piaget sustenta que a gênese doconhecimento está no próprio sujeito, ou seja, o pensamento lógico não é inato ou tampoucoexterno ao organismo mas é fundamentalmente construído na interação homem-objeto. Querdizer, o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo autoregulatório que tem como base um kit de condições biológicas (inatas portanto), que éativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente - físico e social, tanto aexperiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição dainteligência, ou do pensamento lógico do homem.
  • 14. Está implícito nessa ótica de Piaget que o homem é possuidor de uma estrutura biológica queo possibilita desenvolver o mental, no entanto, esse fato per se não assegura odesencadeamento de fatores que propiciarão o seu desenvolvimento, haja vista que este sóacontecerá a partir da interação do sujeito com o objeto a conhecer. Por sua vez, a relaçãocom o objeto, embora essencial, da mesma forma também não é uma condição suficiente aodesenvolvimento cognitivo humano, uma vez que para tanto é preciso, ainda, o exercício doraciocínio. Por assim dizer, a elaboração do pensamento lógico demanda um processo internode reflexão. Tais aspectos deixam à mostra que, ao tentar descrever a origem da constituiçãodo pensamento lógico, Piaget focaliza o processo interno dessa construção.Simplificando ao máximo, o desenvolvimento humano, no modelo piagetiano, é explicadosegundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre osujeito conhecedor e o objeto a conhecer. Esses fatores que são complementares envolvemmecanismos bastante complexos e intrincados que englobam o entrelaçamento de fatoresque são complementares, tais como: o processo de maturação do organismo, a experiênciacom objetos, a vivência social e, sobretudo, a equilibração do organismo ao meio.O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget pois elerepresenta o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. Trata-sede um fenômeno que tem, em sua essência, um caráter universal, já que é de igual ocorrênciapara todos os indivíduos da espécie humana mas que pode sofrer variações em função deconteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. Nessa linha de raciocínio, otrabalho de Piaget leva em conta a atuação de 2 elementos básicos ao desenvolvimentohumano: os fatores invariantes e os fatores variantes.(a) Os fatores invariantes: Piaget postula que, ao nascer, o indivíduo recebe como herançauma série de estruturas biológicas - sensoriais e neurológicas - que permanecem constantesao longo da sua vida. São essas estruturas biológicas que irão predispor o surgimento decertas estruturas mentais. Em vista disso, na linha piagetiana, considera-se que o indivíduocarrega consigo duas marcas inatas que são a tendência natural à organização e àadaptação, significando entender, portanto, que, em última instância, o motor docomportamento do homem é inerente ao ser.(b) Os fatores variantes: são representados pelo conceito de esquema que constitui aunidade básica de pensamento e ação estrutural do modelo piagetiano, sendo um elementoque se transforma no processo de interação com o meio, visando à adaptação do indivíduo ao
  • 15. real que o circunda. Com isso, a teoria psicogenética deixa à mostra que a inteligência não éherdada, mas sim que ela é construída no processo interativo entre o homem e o meioambiente (físico e social) em que ele estiver inserido.Em síntese, pode-se dizer que, para Piaget, o equilíbrio é o norte que o organismo almejamas que paradoxalmente nunca alcança, haja vista que no processo de interação podemocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo,eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. Essa busca do organismo por novasformas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis eque se complementam: a assimilação e a acomodação.A assimilação consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação apartir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência.Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividadede interpretação da realidade que o rodeia e, consequentemente, tendo que se adaptar a ela.Como o processo de assimilação representa sempre uma tentativa de integração de aspectosexperienciais aos esquemas previamente estruturados, ao entrar em contato com o objeto doconhecimento o indivíduo busca retirar dele as informações que lhe interessam deixandooutras que não lhe são tão importantes, visando sempre a restabelecer a equilibração doorganismo.A acomodação por sua vez, consiste na capacidade de modificação da estrutura mentalantiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. Quer dizer, aacomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" emergindo, portanto,como o elemento complementar das interações sujeito-objeto. Em síntese, toda experiência éassimilada a uma estrutura de ideias já existentes (esquemas) podendo provocar umatransformação nesses esquemas, ou seja, gerando um processo de acomodação.Os processos de assimilação e acomodação são complementares e acham-se presentesdurante toda a vida do indivíduo e permitem um estado de adaptação intelectual. É muitodifícil, se não impossível, imaginar uma situação em que possa ocorrer assimilação semacomodação, pois dificilmente um objeto é igual a outro já conhecido, ou uma situação éexatamente igual a outra.
  • 16. Vê-se nessa ideia de "equilibração" de Piaget a marca da sua formação como Biólogo que olevou a traçar um paralelo entre a evolução biológica da espécie e as construções cognitivas.Tal processo pode ser representado pelo seguinte quadro:AMBIENTE DESEQUILIBRIO ADAPTAÇÃO EQUILIBRIO MAIORANTE ASSIMILAÇÃO ACOMODAÇÃODessa perspectiva, o processo de equilibração pode ser definido como um mecanismo deorganização de estruturas cognitivas em um sistema coerente que visa a levar o indivíduo aconstrução de uma forma de adaptação à realidade. Haja vista que o objeto nunca se deixacompreender totalmente. O conceito de equilibração sugere algo móvel e dinâmico, namedida em que a constituição do conhecimento coloca o indivíduo frente a conflitos cognitivosconstantes que movimentam o organismo no sentido de resolvê-los. Em última instância, aconcepção do desenvolvimento humano, na linha piagetiana, deixa ver que é no contato como mundo que a matéria bruta do conhecimento é arrecadada, pois que é no processo deconstruções sucessivas resultantes da relação sujeito-objeto que o indivíduo vai formar opensamento lógico.É bom considerar, ainda, que, na medida em que toda experiência leva em graus diferentes aum processo de assimilação e acomodação, trata-se de entender que o mundo das ideias, dacognição, é um mundo inferencial. Para avançar no desenvolvimento é preciso que oambiente promova condições para transformações cognitivas, é necessário que se estabeleçaum conflito cognitivo que demande um esforço do indivíduo para superá-lo a fim de que oequilíbrio do organismo seja restabelecido, e assim sucessivamente.No entanto, esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vaielaborar e assimilar as suas interações com o meio, isso porque a visada conquista daequilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis dedesenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. A esserespeito, para Piaget, os modos de relacionamento com a realidade são divididos em quatroperíodos, como destacaremos na próxima seção deste trabalho.
  • 17. 4) Os estágios do desenvolvimento humanoPiaget considera quatro períodos no processo evolutivo da espécie humana que sãocaracterizados "por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no decorrer das diversasfaixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento. São eles:1º período: Sensório-motor (0 a 2 anos)2º período: Pré-operatório (2 a 7 anos)3º período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos)4º período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante)Cada uma dessas fases é caracterizada por formas diferentes de organização mental quepossibilitam as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a realidade que o rodeia.De uma forma geral, todos os indivíduos vivenciam essas quatro fases na mesma sequência,porém o início e o término de cada uma delas, pode sofrer variações em função dascaracterísticas da estrutura biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulosproporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido. Por isso mesmo é que adivisão nessas faixas etárias é uma referência, e não uma norma rígida, Abordaremos, aseguir, sem entrar em uma descrição detalhada, as principais características de cada umdesses períodos.Período Sensório-motor (0 a 2 anos): Piaget usa a expressão a passagem do caos aocosmo para traduzir o que o estudo sobre a construção do real descreve e explica. De acordocom a tese piagetiana, "a criança nasce em um universo para ela caótico, habitado porobjetos evanescentes (que desapareceriam uma vez fora do campo da percepção), comtempo e espaço subjetivamente sentidos, e causalidade reduzida ao poder das ações, emuma forma de onipotência". No recém nascido, portanto, as funções mentais limitam-se aoexercício dos aparelhos reflexos inatos. Assim sendo, o universo que circunda a criança éconquistado mediante a percepção e os movimentos (como a sucção, o movimento dos olhos,por exemplo).Progressivamente, a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindohabilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo"com objetos, tempo, espaço, causalidade objetivados e solidários, entre os quais situa a simesma como um objeto específico, agente e paciente dos eventos que nele ocorrem".
  • 18. Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget, o que marca a passagem do períodosensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica, ouseja, é a emergência da linguagem. Nessa concepção, a inteligência é anterior à emergênciada linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica, queconstitui o núcleo do pensamento racional". Na linha piagetiana, desse modo, a linguagem éconsiderada como uma condição necessária mas não suficiente ao desenvolvimento, poisexiste um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem. Emuma palavra, isso implica entender que o desenvolvimento da linguagem depende dodesenvolvimento da inteligência.A emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspectos cognitivos,afetivos e sociais da criança, uma vez que ela possibilita as interações interindividuais efornece, principalmente, a capacidade de trabalhar com representações para atribuirsignificados à realidade. Tanto é assim, que a aceleração do alcance do pensamento nesteestágio do desenvolvimento, é atribuída, em grande parte, às possibilidades de contatosinterindividuais fornecidos pela linguagem.Embora o alcance do pensamento apresente transformações importantes, ele caracteriza-se,ainda, pelo egocentrismo, uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual nãofaça parte, devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica. Para citar um exemplopessoal relacionado à questão, lembro-me muito bem que me chamava à atenção o fato de,nessa faixa etária, o meu filho dizer coisas do tipo "o meu carro do meu pai", sugerindo,portanto, o egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento. Assim, neste estágio,embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função daaquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará,paradoxalmente, um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência deesquemas conceituais), conforme salienta.Período das operações concretas (7 a 11, 12 anos): neste período o egocentrismointelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza afase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações ecoordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem ) e de integrá-los de modo lógico ecoerente. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento dacapacidade da criança de interiorizar as ações, ou seja, ela começa a realizar operaçõesmentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor (se lhe perguntarem, por exemplo, qual é a vareta maior, entre várias, ela será capaz
  • 19. de responder acertadamente comparando-as mediante a ação mental, ou seja, sem precisarmedi-las usando a ação física).Contudo, embora a criança consiga raciocinar de forma coerente, tanto os esquemasconceituais como as ações executadas mentalmente se referem, nesta fase, a objetos ousituações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. Se no períodopré-operatório a criança ainda não havia adquirido a capacidade de reversibilidade, "acapacidade de pensar simultaneamente o estado inicial e o estado final de algumatransformação efetuada sobre os objetos (por exemplo, a ausência de conservação daquantidade quando se transvaza o conteúdo de um copo A - para outro B, de diâmetromenor)", tal reversibilidade será construída ao longo dos estágios operatório concreto eformal.Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase a criança, ampliando ascapacidades conquistadas na fase anterior, já consegue raciocinar sobre hipóteses na medidaem que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executaroperações mentais dentro de princípios da lógica formal. Com isso, conforme aponta acriança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos deconduta: discute valores morais de seus pais e constrói os seus próprios (adquirindo,portanto, autonomia)".De acordo com a tese piagetiana, ao atingir esta fase, o indivíduo adquire a sua forma final deequilíbrio, ou seja, ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idadeadulta. Isso não quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas, esta será aforma predominante de raciocínio utilizada pelo adulto. Seu desenvolvimento posteriorconsistirá numa ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade, masnão na aquisição de novos modos de funcionamento mental.Para Piaget, existe um desenvolvimento da moral que ocorre por etapas, de acordo com osestágios do desenvolvimento humano. Toda moral consiste num sistema de regras e aessência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire porestas regras. Isso porque Piaget entende que nos jogos coletivos as relações interindividuaissão regidas por normas que, apesar de herdadas culturalmente, podem ser modificadasconsensualmente entre os jogadores, sendo que o dever de respeitá-las implica a moral porenvolver questões de justiça e honestidade.
  • 20. Assim sendo, Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange três fases:1ª Anomia (crianças até 5 anos), em que a moral não se coloca, ou seja, as regras sãoseguidas, porém o indivíduo ainda não está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelosentido de hábito, de dever;2ª Heteronomia (crianças até 9, 10 anos de idade), em que a moral é = a autoridade, ou seja,as regras não correspondem a um acordo mútuo firmado entre os jogadores, mas sim comoalgo imposto pela tradição e, portanto, imutável;3ª Autonomia corresponde ao último estágio do desenvolvimento da moral, em que há alegitimação das regras e a criança pensa a moral pela reciprocidade, quer seja o respeito aregras é entendido como decorrente de acordos mútuos entre os jogadores, sendo que cadaum deles consegue conceber a si próprio como possível legislador em regime de cooperaçãoentre todos os membros do grupo.Para Piaget, a própria moral pressupõe inteligência, haja vista que as relações entre moral xinteligência têm a mesma lógica atribuída às relações inteligência x linguagem. Quer dizer, ainteligência é uma condição necessária, porém não suficiente ao desenvolvimento da moral.Nesse sentido, a moralidade implica pensar o racional, em três dimensões:a) regras: que são formulações verbais concretas, explícitas (como os 10 Mandamentos, porexemplo);b) princípios: que representam o espírito das regras (amai-vos uns aos outros, por exemplo);c) valores: que dão respostas aos deveres e aos sentidos da vida, permitindo entender deonde são derivados os princípios das regras a serem seguidas.Assim sendo, as relações interindividuais que são regidas por regras envolvem, por sua vez,relações de coação - que corresponde à noção de dever; e de cooperação - que pressupõe anoção de articulação de operações de dois ou mais sujeitos, envolvendo não apenas a noçãode dever mas a de querer fazer. Vemos, portanto, que uma das peculiaridades do modelopiagetiano consiste em que o papel das relações interindividuais no processo evolutivo dohomem é focalizado sob a perspectiva da. Isso implica entender que o desenvolvimento
  • 21. cognitivo é condição necessária ao pleno exercício da cooperação, mas não condiçãosuficiente.5) As consequências do modelo piagetiano para a ação pedagógicaA teoria psicogenética de Piaget não tinha como objetivo principal propor uma teoria deaprendizagem.: "ao que se sabe, ele [Piaget] nunca participou diretamente nem coordenouuma pesquisa com objetivos pedagógicos". Não obstante esse fato, de forma contraditóriaaos interesses previstos, portanto, o modelo piagetiano, curiosamente, veio a se tornar umadas mais importantes diretrizes no campo da aprendizagem escolar, por exemplo, nos USA,na Europa e no Brasil.As tentativas de aplicação da teoria genética no campo da aprendizagem são numerosas evariadas, no entanto os resultados práticos obtidos com tais aplicações não podem serconsiderados tão frutíferos. Uma das razões da difícil penetração da teoria genética no âmbitoda escola deve-se, principalmente, ao difícil entendimento do seu conteúdo conceitual comopelo método de análise formalizante que utiliza e pelo estilo às vezes hermético quecaracteriza as publicações de Piaget.A aplicação educacional da teoria genética tem como fatores complicadores:a) as dificuldades de ordem técnica, metodológicas e teóricas no uso de provas operatóriascomo instrumento de diagnóstico psicopedagógico, exigindo um alto grau de especialização ede prudência profissional, a fim de se evitar os riscos de sérios erros;b) a predominância no "como" ensinar coloca o objetivo do "o quê" ensinar em segundoplano, contrapondo-se, dessa forma, ao caráter fundamental de transmissão do saberacumulado culturalmente que é uma função da instituição escolar, por ser esta de caráterpreeminentemente político-metodológico e não técnico como tradicionalmente se procurouincutir nas ideias da sociedade;c) a parte social da escola fica prejudicada uma vez que o raciocínio por trás daargumentação de que a criança vai atingir o estágio operatório secundariza a noção dodesenvolvimento do pensamento crítico;
  • 22. d) a ideia básica do construtivismo postulando que a atividade de organização e planificaçãoda aquisição de conhecimentos estão à cargo do aluno acaba por não dar conta de explicar ocaráter da intervenção por parte do professor;e) a ideia de que o indivíduo apropria os conteúdos em conformidade com o desenvolvimentodas suas estruturas cognitivas estabelece o desafio da descoberta do "grau ótimo dedesequilíbrio", ou seja, o objeto a conhecer não deve estar nem além nem aquém dacapacidade do aprendiz conhecedor.Por outro lado, como contribuições contundentes da teoria psicogenética podem ser citados,por exemplo:a) a possibilidade de estabelecer objetivos educacionais uma vez que a teoria forneceparâmetros importantes sobre o processo de pensamento da criança relacionados aosestádios do desenvolvimento;b) em oposição às visões de teorias behavioristas que consideravam o erro comointerferências negativas no processo de aprendizagem, dentro da concepção cognitivista dateoria psicogenética, os erros passam a ser entendidos como estratégias usadas pelo alunona sua tentativa de aprendizagem de novos conhecimentos (PCN, 1998);c) uma outra contribuição importante do enfoque psicogenético foi lançar luz à questão dosdiferentes estilos individuais de aprendizagem; (PCN, 1998); entre outros.Em resumo, as relações entre teoria psicogenética x educação, apesar dos complicadoresdecorrentes da dicotomia entre os aspectos estruturais e os aspectos funcionais daexplicação genética e da tendência dos projetos privilegiarem, em grande parte, umreducionismo psicologizante em detrimento ao social (aliás, motivo de caloroso debate entreacadêmicos), pode-se considerar que a teoria psicogenética trouxe contribuições importantesao campo da aprendizagem escolar.
  • 23. 4) Cite e descreva os tipos de inteligências, segundo Gardner, destacando suascontribuições para educação.Gardner identificou as inteligências linguística, lógico-matemática, espacial, musical,cenestésica, interpessoal e intrapessoal. Postula que essas competências intelectuais sãorelativamente independentes, têm sua origem e limites genéticos próprios e substratosneuroanatômicos específicos e dispõem de processos cognitivos próprios. Segundo ele, osseres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneirasdiferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidadesintelectuais para resolver problemas e criar produtos. Gardner ressalta que, embora estasinteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, elas raramentefuncionam isoladamente. Embora algumas ocupações exemplifiquem uma inteligência, namaioria dos casos as ocupações ilustram bem a necessidade de uma combinação deinteligências. Por exemplo, um cirurgião necessita da acuidade da inteligência espacialcombinada com a destreza da cenestésica.Inteligência linguística - Os componentes centrais da inteligência linguística são umasensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especialpercepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem paraconvencer, agradar, estimular ou transmitir ideias. Gardner indica que é a habilidade exibidana sua maior intensidade pelos poetas. Em crianças, esta habilidade se manifesta através dacapacidade para contar histórias originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas.Inteligência musical - Esta inteligência se manifesta através de uma habilidade paraapreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidadepara perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade paraproduzir e/ou reproduzir música. A criança pequena com habilidade musical especial percebedesde cedo diferentes sons no seu ambiente e, frequentemente, canta para si mesma.Inteligência lógico-matemática - Os componentes centrais desta inteligência são descritospor Gardner como uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidadepara explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos,e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios,para reconhecer problemas e resolvê-los. É a inteligência característica de matemáticos ecientistas Gardner, porém, explica que, embora o talento cientifico e o talento matemáticopossam estar presentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos
  • 24. cientistas e dos matemáticos não são os mesmos. Enquanto os matemáticos desejam criarum mundo abstrato consistente, os cientistas pretendem explicar a natureza. A criança comespecial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculosmatemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio.Inteligência espacial - Gardner descreve a inteligência espacial como a capacidade paraperceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formasou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio ecomposição, numa representação visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos,dos engenheiros e dos arquitetos. Em crianças pequenas, o potencial especial nessainteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais ea atenção a detalhes visuais.Inteligência sinestésica - Esta inteligência se refere à habilidade para resolver problemas oucriar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar acoordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dosmovimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. A criança especialmentedotada na inteligência sinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulosmusicais ou verbais demonstra uma grande habilidade atlética ou uma coordenação finaapurada.Inteligência interpessoal - Esta inteligência pode ser descrita como uma habilidade pareentender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e desejos deoutras pessoas. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas, professores,políticos e vendedores bem sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a inteligênciainterpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas, ena sua forma mais avançada, como a habilidade para perceber intenções e desejos de outraspessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Crianças especialmentedotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças, uma vez quesão extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros.Inteligência intrapessoal - Esta inteligência é o correlativo interno da inteligênciainterpessoal, isto é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias,para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É oreconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprios, a capacidadepara formular uma imagem precisa de si próprio e a habilidade para usar essa imagem para
  • 25. funcionar de forma efetiva. Como esta inteligência é a mais pessoal de todas, ela só éobservável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências, ou seja, através demanifestações linguísticas, musicais ou sinestésicas.Teoria das inteligências múltiplas e a educaçãoAs implicações da teoria de Gardner para a educação são claras quando se analisa aimportância dada às diversas formas de pensamento, aos estágios de desenvolvimento dasvárias inteligências e à relação existente entre estes estágios, a aquisição de conhecimento ea cultura.A teoria de Gardner apresenta alternativas para algumas práticas educacionais atuais,oferecendo uma base para:a) o desenvolvimento de avaliações que sejam adequadas às diversas habilidades humanas.(b) uma educação centrada na criança c com currículos específicos para cada área do saber.c) um ambiente educacional mais amplo e variado, e que dependa menos dodesenvolvimento exclusivo da linguagem e da lógica.Quanto à avaliação, Gardner faz uma distinção entre avaliação e testagem. A avaliação,segundo ele, favorece métodos de levantamento de informações durante atividades do dia-a-dia, enquanto que testagens geralmente acontecem fora do ambiente conhecido do indivíduosendo testado. Segundo Gardner, é importante que se tire o maior proveito das habilidadesindividuais, auxiliando os estudantes a desenvolver suas capacidades intelectuais, e, paratanto, ao invés de usar a avaliação apenas como uma maneira de classificar, aprovar oureprovar os alunos, esta deve ser usada para informar o aluno sobre a sua capacidade einformar o professor sobre o quanto está sendo aprendido.Gardner sugere que a avaliação deve fazer jus à inteligência, isto é, deve dar crédito aoconteúdo da inteligência em teste. Se cada inteligência tem um certo número de processosespecíficos, esses processos têm que ser medidos com instrumento que permitam ver ainteligência em questão em funcionamento. Para Gardner, a avaliação deve ser aindaecologicamente válida, isto é, ela deve ser feita em ambientes conhecidos e deve utilizarmateriais conhecidos das crianças sendo avaliadas. Este autor também enfatiza a
  • 26. necessidade de avaliar as diferentes inteligências em termos de suas manifestações culturaise ocupações adultas específicas. Assim, a habilidade verbal, mesmo na pré-escola, ao invésde ser medida através de testes de vocabulário, definições ou semelhanças, deve seravaliada em manifestações tais como a habilidade para contar histórias ou relataracontecimentos. Ao invés de tentar avaliar a habilidade espacial isoladamente, deve-seobservar as crianças durante uma atividade de desenho ou enquanto montam ou desmontamobjetos. Finalmente, ele propõe a avaliação, ao invés de ser um produto do processoeducativo, seja parte do processo educativo, e do currículo, informando a todo momento deque maneira o currículo deve se desenvolver.No que se refere à educação centrada na criança, Gardner levanta dois pontos importantesque sugerem a necessidade da individualização. O primeiro diz respeito ao fato de que, se osindivíduos têm perfis cognitivos tão diferentes uns dos outros, as escolas deveriam, ao invésde oferecer uma educação padronizada, tentar garantir que cada um recebesse a educaçãoque favorecesse o seu potencial individual. O segundo ponto levantado por Gardner éigualmente importante: enquanto na Idade Média um indivíduo podia pretender tomar possede todo o saber universal, hoje em dia essa tarefa é totalmente impossível, sendo mesmobastante difícil o domínio de um só campo do saber.Assim, se há a necessidade de se limitar a ênfase e a variedade de conteúdos, que essalimitação seja da escolha de cada um, favorecendo o perfil intelectual individual.Quanto ao ambiente educacional, Gardner chama a atenção pare o fato de que, embora asescolas declarem que preparam seus alunos pare a vida, a vida certamente não se limitaapenas a raciocínios verbais e lógicos.Gardner propõe que as escolas favoreçam o conhecimento de diversas disciplinas básicas;que encoragem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuartarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem; e quefavoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais, a partir da avaliaçãoregular do potencial de cada um.
  • 27. 5) Quais os pressupostos da teoria sócio – interacionista de Lev Semynovitck.Na teoria sócio-interacionista, que teve em Vygotsky seu maior expoente, uma novaabordagem fica evidenciada. Seus pressupostos partem da ideia de homem enquanto corpo emente, enquanto ser biológico e social e enquanto participante de um processo históricocultural.Vygotsky defende a ideia de contínua interação entre as mutáveis condições sociais e asbases biológicas do comportamento humano. Partindo de estruturas orgânicas elementares,determinadas basicamente pela maturação, formam-se novas e mais complexas funçõesmentais, a depender das experiências sociais a que as crianças se acham expostas.Essa nova abordagem pode ser assim resumida assm:a) privilegia o ambiente social;b) o desenvolvimento varia conforme o ambiente;c) não aceita uma visão única, universal, do desenvolvimento humano;d) a relação homem/mundo é uma relação mediada por instrumentos (símbolos);e)desenvolvimento e aprendizagem são processos que se influenciam reciprocamente,quanto mais aprendizagem mais desenvolvimento;f) a linguagem tem uma função central no desenvolvimento cognitivo, com a aquisição dalinguagem modificam-se todos os processos mentais; a linguagem é fator de interação social;g) pensamento e linguagem procedem de raízes genéticas diferentes, porém, ao longo dodesenvolvimento se juntam e se separam repetidas vezes;h) o uso dos signos como instrumentos das atividades psicológicas, transformam as funçõesmentais elementares (ações reflexas; reações automatizadas) em processos mentaissuperiores (ações conscientemente controladas; atenção voluntária; memorização ativa;pensamento abstrato; comportamento intencional; capacidade para solução de problemas).i) o indivíduo percebe e organiza o real através dos dados fornecidos pela cultura.j) os sistemas de representação e a linguagem constituem os instrumentos psicológicos quefazem a mediação entre o indivíduo e o mundo.Para Vygotsky, toda forma superior de comportamento aparece duas vezes durante seudesenvolvimento: primeiro como forma coletiva, como um procedimento externo docomportamento, isto é, interpsicológica, para depois se converter em individual, em umaforma de comportamento da própria pessoa, isto é, intrapsicológica.
  • 28. Este processo de interiorização implica uma verdadeira reconstrução daquilo que em princípiofoi manifestado em nível externo. Dessa forma, o desenvolvimento cultural da criança temorigem social, em duplo sentido, primeiro, porque as funções psicológicas superiores - e comelas todas as formas culturais - são construções sociais; e, segundo porque sua construçãoem nível individual, sua interiorização, é concretizada a partir de interações que a criançamantém com os adultos e outros agentes mediadores de seu entorno, nos quais aparecemtais funções.. É evidente para Vygotsky a ideia de que o indivíduo reconstrói e reelabora ossignificados transmitidos pelo seu grupo cultural.Através dos postulados de reconstrução e reelaboração dos significados culturais queVygotsky desenvolveu o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), pois, só épossível a criança realizar ações que estão próximas daquelas que ela já consolidou.Para Vygotsky, a ZDP constitui-se em dois níveis: o nível de desenvolvimento real e o nível dedesenvolvimento potencial. A capacidade de realizar tarefa sozinha, constitui-se no nível dedesenvolvimento real, enquanto que o nível de desenvolvimento potencial é a etapa em que acriança desempenha tarefas com a ajuda do outro.Essa possibilidade de alteração de desempenho de uma pessoa pela interferência de outra éfundamental na teoria de Vygotsky. Em primeiro lugar porque representa, de fato, ummomento do desenvolvimento: não é qualquer indivíduo que pode, a partir da ajuda do outro,realizar qualquer tarefa. Isto é, a capacidade de se beneficiar de uma colaboração de outrapessoa vai ocorrer num certo nível de desenvolvimento, não antes. O nível dedesenvolvimento potencial caracteriza-se, portanto em uma etapa na qual a interferência dooutro afeta significativamente o resultado da ação individual.A partir desta síntese pode-se inferir que os pressupostos teóricos de Vygotsky reconceituamo estudo da interação, que, no processo educativo, caracteriza-se como ponto central paracompreender os processos de mudança produzidos pelas interações realizadas em situaçõesescolares.A Afetividade e Cognição em VigotskyA palavra cognição não aparece nos escritos de Vygotsky porque muito recentemente o termo"kognitivnii" entrou para o léxico da psicologia soviética. Os psicólogos soviéticos estudaram
  • 29. as funções mentais (pensamento, percepção, memória e atenção) de forma integrada, poisessa interfuncionalidade reflete-se na compreensão do termo "consciência". A organizaçãodinâmica da consciência aplica-se ao afeto e ao intelecto, os processos pelos quais o afeto eo intelecto se desenvolvem estão inteiramente enraizados em suas inter-relações einfluências mútuas.Vygotsky propõe a unidade entre os processos intelectuais, volitivos e afetivos. Para ele, "opensamento tem sua origem na esfera da motivação, a qual inclui inclinações, necessidades,interesses, impulsos, afeto e emoção, A separação do intelecto e do afeto, diz Vygotsky,enquanto objeto de estudo, é uma das principais deficiências da psicologia tradicional. Paraele”. Cada ideia contém uma atitude afetiva transmutada com relação ao fragmento derealidade a que se refere.Permite-nos ainda seguir a trajetória que vai das necessidades e impulsos de uma pessoa atéa direção específica tomada por seus pensamentos, e o caminho inverso, a partir de seuspensamentos até o seu comportamento e a sua atividade.
  • 30. Referência:FARIA, ANÁLIA RODRIGUES DE. Desenvolvimento da criança e do adolescentesegundo Piaget. 4ª. ed. São Paulo : Ática, 1998. Capítulos 1 e 3.FREITAS, M.T.A. de. Vygotsky e Bakhtin: Psicologia e Educação: um intertexto. SãoPaulo: Editora Ática, 2000COLL, C. As contribuições da Psicologia para a Educação: Teoria Genética eAprendizagem Escolar. In LEITE, L.B. (Org) Piaget e a Escola de Genebra. São Paulo:Editora Cortez,1992.LA TAILLE., Y. Prefácio. In, PIAGET, J. A construção do real na criança. 3.ed. São Paulo:Editora Ática, 2003._________ O lugar da interação social na concepção de Jean Piaget. In LA TAILLE;OLIVEIRA, M.K; DANTAS,H. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão.13.ed. São Paulo: Summus,RAPPAPORT, C.R. Modelo piagetiano. In RAPPAPORT; FIORI; DAVIS. Teorias doDesenvolvimento: conceitos fundamentais - Vol. 1. EPU: 1981.