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A importância das coleções osteológicas para o

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A importância das coleções osteológicas para o

  1. 1. SaBios: Rev. Saúde e Biol., v. 3, n.1 pp.1-4, Jul-Dez, 2008 ComentárioA IMPORTÂNCIA DAS COLEÇÕES OSTEOLÓGICAS PARA OESTUDO DA BIODIVERSIDADE 1 2Márcio José da Silveira ; Edson Fontes de Oliveira .RESUMOA biodiversidade constitui o objeto de estudo de pesquisadores em todo o mundo e tem nas coleções científicas suadocumentação básica. As coleções osteológicas são de grande importância nos estudos tanto em museus como nasuniversidades. Essas coleções auxiliam nas atividades científicas e didáticas, pois fornecem informações seguras sobre asadaptações específicas dos vertebrados como, por exemplo, sustentação, postura e modo de locomoção. A manutençãodessas coleções, embora tenha grande importância para o Ensino e a Pesquisa, ainda é negligenciada. Desta forma, ascoleções osteológicas necessitam de maior incentivo por parte das Instituições de Ensino e Pesquisa, considerando seusrecursos administrativos, docentes e discentes.Palavras-chave: biodiversidade, osteologia, coleções didáticas. THE IMPORTANCE OF OSTEOLOGICAL COLLECTIONS TO THE STUDY OF BIODIVERSITYABSTRACTCurrently, many researchers around the world have studied Biodiversity. Its basic documentation is found in scientificcollections. Osteological collections are of great importance in studies at both museums and universities. These collectionshelp in education and scientific activities, providing reliable information about specific adaptations of vertebrates such assustentation, posture, and locomotion. The production and maintenance of osteological collections is still neglected. Thus,osteological collections need further support from Education and Research Institutions, considering its administrativeresources, teachers and students.Key words: biodiversity, osteology, didactic collections. de grande importância científica tanto em Atualmente, a biodiversidade constitui o museus como nas universidades (2). Naobjeto de estudo de pesquisadores em todo o Europa, sabe-se que essa atividade tevemundo e tem nas coleções científicas sua grande desenvolvimento durante adocumentação básica (1). Essas coleções têm Renascença. As grandes viagens decomo principal objetivo armazenar, preservar e descobertas feitas por Portugal e,ordenar o acervo de espécimes representando posteriormente, por outros países, mostrarama diversidade biológica de uma determinada faunas e floras radicalmente diversas daquelasárea. do continente europeu. O impulso que se Os estudos na área da biodiversidade instalou na época em colecionar essasnecessitam de ferramentas e inúmeras raridades levou à criação dos famososinformações que podem ser adquiridas por “gabinetes de curiosidades”, os quais serviammeio das coleções osteológicas, as quais são de entretenimento para a nobreza e ricos comerciantes. As partes de animais mais1 Mestrando em Biologia Comparada UEM - Universidade Estadual de Maringá/PR.2 Docente FAP - Faculdade de Apucarana/PR.
  2. 2. 2 MÁRCIO JOSÉ DA SILVEIRA & EDSON FONTES DE OLIVEIRAfáceis de preservar eram, naturalmente, as também para a prática de atividades como aósseas e logo surgiram coleções de identificação (3). Alguns importantes museusesqueletos com peças isoladas ou montadas brasileiros, como o Museu da História Natural(3). Carlos Ritter e o Museu Paraense Emílio Goeldi, localizados respectivamente, em Certos países demonstram importância Pelotas no Rio Grande do Sul e Belém no Paráincontestável às coleções. Destacam-se os possuem uma importante coleção osteológicaEstados Unidos, onde só o “National Museum e recebem visitações diárias, atuando comoof Natural History”, de Washington, mantém plataforma de divulgação cientifica para oum inventário de 60 milhões de espécimes, público em geral.incluindo peças taxidermizadas, coleções deossos e invertebrados, provenientes de A manutenção de coleções zoológicas,diversas partes do mundo, servindo de base embora tenha grande importância para ode referência fundamental e, muitas vezes, Ensino e a Pesquisa, é negligenciada emúnica para o desenvolvimento de diferentes muitas Instituições, e mesmo as maispesquisas de diversos países (4). criteriosas possuem acervos considerados incompletos. Por exemplo, é alarmante que O Brasil, por ser um dos países mais quase um terço dos espécimes de aves nãoricos em biodiversidade, passa a ter posição esteja representado em nenhuma coleção dode destaque no potencial de informações mundo (8), e é possível que isso ocorra emosteológicas da fauna tropical (2). O aumento relação a outros grupos zoológicos. Nestesdo número de espécies descritas se deve a um referidos acervos de museus e instituições demaior esforço de coleta empregado pelos ensino e pesquisa, é ideal a presença de doispesquisadores, a um aumento significativo das tipos de esqueletos, um articulado e outrocoleções científicas brasileiras, bem como ao desarticulado. O desarticulado ajuda acrescente número de especialistas atuando no identificar ossos isolados, lembrando que emBrasil. Por outro lado, os mesmos dados sítios arqueológicos é completamente normalapontam para a necessidade de maiores se encontrar fragmentos dos ossos, e não oinvestigações na área, com o intuito de animal inteiro, sendo a identificação realizadaviabilizar a elaboração de um quadro mais muitas vezes por meio de detalhes isolados.estável sobre a biodiversidade dos vertebradosbrasileiros (5). Os estudos paleontológicos são O uso de esqueletos auxilia nasde fundamental importância para o atividades científicas e didáticas, poisconhecimento da biodiversidade existente no fornecem informações seguras sobre asplaneta em tempos passados (6). adaptações específicas dos vertebrados, como por exemplo, sustentação, postura e modo de A conservação de esqueletos fósseis é locomoção (9) e há grande importância no usodiretamente influenciada pela presença de dos esqueletos como ferramentasporos e cavidades nos ossos e pelo tipo de fundamentais tanto para pesquisa científica, nasedimento ou rocha. Os principais tipos de identificação de caracteres para análisespreservação do material osteológico fóssil se anatômicas e filogenéticas (3).dão de cinco maneiras: (I) preservação semalteração da composição química e sem A Faculdade de Educação daalteração mineralógica e de textura; (II) com Universidade de São Paulo possui um museualteração mineralógica; (III) com mudanças na no qual a proposta conceitual é apresentar atextura; incrustação, (IV) revestimento de uma anatomia de diferentes animais vertebrados,parte dura por uma crosta mineral; e (V) procurando relacionar a estrutura óssea compermineralização, ou seja, preenchimento de aspectos da adaptação desses seres aoporos ou pequenas cavidades do objeto por ambiente. Para isso, a exposição trabalha,um determinado mineral (7). basicamente, com conteúdos sobre a relação entre forma e função, adaptação e anatomia As coleções didáticas destinam-se ao comparada, apresentando as característicasensino por meio de exposições, morfológicas, taxonômicas e biológicasdemonstrações em aula ou treinamento de (hábitat, alimentação, reprodução epessoal. Este tipo de acervo deve suportar o classificação) dos animais. Isto é feito atravésmanuseio e o transporte freqüentes. Podem da exposição de órgãos, sistemas, ossos econter exemplares sem dados, pois servem esqueletos, informando também a distribuiçãoapenas para mostrar semelhanças e geográfica dos seres e ambientes onde sãodiferenças entre grupos de indivíduos, ou encontrados (10). SaBios: Rev. Saúde e Biol., v. 3, n.1 pp.1-4, Jul-Dez, 2008. http://www.revista.grupointegrado.br/sabios/
  3. 3. A importância das coleções osteológicas 3 No entanto vários detalhes referentes à essa prática, e assim abrir caminhos a essesorganização dessas coleções devem ser acadêmicos, para que futuramente possamlevados em consideração, como por exemplo, colaborar com suas pesquisas para novosà preparação de esqueletos que futuramente conhecimentos sobre as diversas classes deserão incorporados ao acervo. Desta forma, vertebrados por meio das coleçõesalguns fatores como a necessidade de osteológicas.desarticulação completa ou manutenção decartilagens e articulações, devem ser levadosem consideração. Com isso, o objetivo didáticodo uso das peças deve ser definido antes daescolha da técnica a ser utilizada. Algunsmétodos de preparação tais como amaceração química, que se não for feita comcritério, podem danificar os ossos e dessaforma tornar as peças inúteis para estudospaleontológicos, ecomorfológicos e demorfologia funcional (11), que necessitem decomparação de determinadas característicasentre indivíduos ou espécies. A FAP - Faculdade de Apucarana -desenvolve um projeto intitulado “A FAPabrindo caminhos para o ensino de Ciências eBiologia”, que consiste em visitas de alunos darede de ensino da cidade e da região paraconhecer os laboratórios da Faculdade e porisso é fundamental que a Instituição apresentemateriais de exposição sempre atualizados ebem diversificados. O museu da Instituiçãopossui uma coleção osteológica que sustentasuas atividades didáticas e dos projetos queela realiza, apresentando diversos exemplaresde ossos de diferentes classes zoológicas, amaioria desarticulados, como, por exemplo, oacervo de crânios, que apresenta peças derépteis, aves, mamíferos e anfíbios. Noentanto algumas peças apresentamarticulação completa fazendo com que osalunos possam entender cada peça isolada etambém conseguir compreender como osossos são estruturados e articulados nosanimais. O conhecimento sobre esqueletoscranianos para o ensino de biologia/anatomia éde grande relevância para os alunos, poisauxilia na compreensão da evolução dasespécies através dos crânios anápsidos,diápsidos e sinápsidos. Devido à importância das coleçõesosteológicas para ampliação do conhecimentosobre a biodiversidade, é de grande relevânciaque as Universidades em seus laboratórios dezoologia de vertebrados mantenham a práticaconstante da osteologia e incrementem cadavez mais suas coleções. Desta forma énecessário um incentivo maior das Instituiçõesde Ensino e Pesquisa juntamente com seusdocentes aos alunos que queiram desenvolver SaBios- Rev. Saúde e Biol., Campo Mourão, v. 3, n.1, 2007. http://www.revista.grupointegrado.br/sabios/
  4. 4. 4 MÁRCIO JOSÉ DA SILVEIRA & EDSON FONTES DE OLIVEIRA Márcio José da Silveira Edson Fontes de Oliveira Endereço para correspondência: UEM - Universidade Estadual de Maringá. Av Colombo 5790 – Bloco H-90, Maringá, Paraná, Brasil Cep 87020-900 Tel. (044) 3261-4616; E-mail: s.marciojs@gmail.comRecebido em 05/05/08Aceito em 30/09/08 REFERÊNCIAS(1) PRUDENTE, A. L. C. Coleções brasileiras (8) MATTHIESEN, D. G. La curación de lasde Répteis. In: PEIXOTO, A. L., org., colecciones osteológicas de aves. In:Coleções Biológicas de Apoio ao ESCALANTE-PLIEGO, P. (Ed.) CuraciónInventário, Uso Sustentável e Conservação moderna de colecciones ornitológicas.de Biodiversidade. Instituto de Pesquisas Washington: American Ornitological Union, p.Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 228p. 41-68, 1993.2003. (9) HILDEBRAND, M.; GOSLOW, J.R.(2) NUNES, P.V.; PERÔNCIO, C. Análise da estrutura dos vertebrados. 2.ªImplantação e proposta de informatização ed. São Paulo: Atheneu, 2006.da coleção osteológica de referência dolaboratório de zoologia e anatomia (10) MARANDINO, M. Enfoque de Educaçãocomparada do Unileste MG. 2003. e Comunicação nas Bioexposições deDisponívelem:http://www.unilestemg.br/revista Museus de Ciências: Faculdade deonline/volumes/02/downloads/artigo_19.pdf . educação da Universidade de São Paulo,Acesso em: 14 mar. 2008. Departamento de educação comparada e ensino. 103-119p. Disponível em(3) AURICCHIO, P.; SALOMÃO, M.D.G. http://www.geenf.fe.usp.br/conteudo/arquivo/ETécnicas de coleta e preparação de nfoques_de_educacao_e_comunicacao.PDF.vertebrados para fins científicos e Acesso em: 17 jun. 2008.didáticos. São Paulo: Aruja Instituto PauBrasil de História Natural, 2002. (11) BOCK, W.J. Functional and Evolutionary explanations in morphology.(4) PAPAVERO, N. Fundamentos práticos Netherlands Journal of Zoology, 49 (1), 45-65,de taxonomia zoológica. 2.ª ed. São Paulo: 1999.UNESP, 285p. 1994.(5) ZAHER, H; YOUNG, P. As coleçõeszoológicas brasileiras: panorama e desafios.Ciência e Cultura, 55: 24-26, 2003.(6) MEDEIROS, J. D. A biotecnologia e asextinções das espécies. RevistaBiotecnologia Ciência e Desenvolvimento.30.ª ed. Brasília, 109-113p. 2003.(7) MENDES, J.C. 1988. PaleontologiaBásica. São Paulo, T.A. Queiroz Editor,EDUSP. 347p. SaBios: Rev. Saúde e Biol., v. 3, n.1 pp.1-4, Jul-Dez, 2008. http://www.revista.grupointegrado.br/sabios/

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