Andrade, h.s.l.   turismo e cultura popular
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Andrade, h.s.l. turismo e cultura popular

on

  • 686 views

Turismo e Cultura Popular no Mercado Central de Montes Claros

Turismo e Cultura Popular no Mercado Central de Montes Claros

Statistics

Views

Total Views
686
Views on SlideShare
686
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
5
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Andrade, h.s.l.   turismo e cultura popular Andrade, h.s.l. turismo e cultura popular Document Transcript

  • 6º ENCONTRO REGIONAL POVOS DO CERRADO UNIMONTES – Universidade Estadual de Montes ClarosUnimontes Campus Pirapora / MG - 01 a 05 de Junho de 2011 ISSN 1981 – 306_______________________________________________________________________________________________ TURISMO E CULTURA POPULAR NO MERCADO CENTRAL DE MONTES CLAROS-MG1 ANDRADE, Harrisson Sweney Lima2 Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES harrisonsweney@hotmail.com NUNES, Raissa Oliveira3 Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES raica_ragatsa@hotmail.com GONÇALVES, Thamyres Sabrina4 Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES sabrina5thamy@yahoo.com.br SILVA, Cássio Alexandre da5 Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES cassioas27@gmail.comRESUMO:Montes Claros ponto de convergência econômico e cultural, localiza-se ao Norte deMinas Gerais, na bacia do alto médio São Francisco, sub-bacia do rio VerdeGrande. Região que remete-nos a pluralidade de costumes e valores. O trabalho iráabranger a temática do Turismo aliado á diversidade cultural no Mercado Central deMontes Claros. O espaço citado situado hoje na Avenida Deputado Esteves Rodriguesnº1460 abriga grande parte da identidade montesclarense, e a realidade do sertanejo quebusca na seca fontes de sobrevivência. O Turismo e a tradição se tornam diretamenteenvolvidos no desenvolvimento das práticas comercias. A finalidade deste artigo éidentificar as relações de comércio dentro do mercado e como a cultura popularinfluência no turismo e na movimentação da economia local e regional. Sendo o turismouma atividade em crescimento constante no país, a região do norte de Minas possui umespaço de atrativos e potencialidades impulsionados por produtos de grande viabilidadeeconômica. O estudo descreve a importância do Turismo na geração de renda para apopulação local e regional que usa o mercado como meio de complementar o orçamentofamiliar. Usaremos pesquisas bibliográficas nas áreas do Turismo, Geografia Cultural eEconomia para buscar compreender as realidades culturais e as diversas formas decomercialização no Mercado Central, também entrevistas e questionários com pessoasque utilizam o mercado. O mercado apresenta uma construção histórica que remete ao1 Trabalho orientado de Iniciação Científica.2 Acadêmico do 2º período de Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES3 Acadêmica do 2º período de Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES4 Acadêmica do 3º período de Geografia da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES5 Docente do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES 1
  • passado regional, através das paradas e estalagens de tropeiros pelas estradas e fazendasdo sertão sanfranciscano. Junto a isso, o desenvolvimento da cidade e do comércio,atrativos que se manifestam também na cultura popular regional e local. Ao se tratar deuma questão relativa à diversidade cultural é preciso antes refletir sobre o que é cultura,quais as relações envolvidas dentro do conceito de cultura ao qual se pretende utilizar,se esta cultura está ligada a algum nível de escolaridade por exemplo, e ouconhecimentos sobre as ciências e as artes. Pois cultura basicamente é tudo aquilo quedá identidade a um povo. Seu modo de agir, seus costumes, é o modelo pelo qual ohomem se adapta ao meio em que vive, transformando através de suas relações asrealidades desse espaço de cultura e de vida. A estrutura do artigo se definirá com aIntrodução abrangendo a discussão entre a Cultura Financeira; a Diversidade Cultural; o“Palco” Cultural e o Turismo. No desenvolvimento será mencionado os diversosespaços comerciais e culturais juntamente com os resultados das entrevistas equestionários. As considerações reafirmarão o objetivo proposto.Palavras- chave: Cultura; Turismo; Potencialidades; Geografia Cultural.INTRODUÇÃO: Os estudos que envolvem processos de desenvolvimento relacionados aossistemas geográficos, econômicos e sociais, como no caso deste artigo, se apresentam oreconhecimento da complexidade e diversidade dos elementos culturais intervenientesem cada processo histórico singular, este trabalho procurou discutir aspectos docotidiano e das relações culturais no Novo Mercado Central, bem como verificar arealidade social e econômica de seus freqüentadores. Geertz (1989),6 acredita que “ohomem é um animal amarrado em teias de significados que ele mesmo teceu”; além deser o radical que une o atualismo de um povo e suas tradições culturais. E segundo Euclides da Cunha em Os Sertões o propriamente brasileiro nãose encontra nas cidades, nem no litoral, mas na relação da cultura regional com a culturaurbana, no interior, no sertão (Cunha, 2000) 7. Com essas questões abrangentes,identificamos de forma mais específicas a Cultura Financeira; a Diversidade Cultural; o“Palco” Cultural e o Turismo. Na Cultura Financeira as relações estão totalmentevoltadas para o mercado no que tange a economia. A atividade requer em sua origemdesde a produção sobre a terra e os bens e serviços produzidos e levados para seremcomercializados no mercado, onde se obtêm o lucro, as relações entre oferta e procura ea mais valia mesmo em momentos de trocas. Na Diversidade Cultural, multifacetas6 GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro, 1989.7 CUNHA, Euclides – Os Sertões. Campanha de Canudos. 39 edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves;São Paulo: Publifolha, 2000. Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. 2
  • entre o urbano e o rural, traduzem especificidades do campo e da cidade sertaneja. Omercado como o “Palco” Cultural se revela como o espaço onde as manifestaçõespopulares se apresentam. E por último o Turismo, que irá trazer uma nova realidadesocial, econômica, cultural e ambiental, conjugando os três últimos aspectos anteriores.DESENVOLVIMENTO: Em Montes Claros havia vários ranchos até que os administradores locaisperceberam a necessidade de criar um lugar que fosse apropriado para acomercialização dos produtos regionais. Com o processo de construção do mercado, osranchos foram perdendo aos poucos sua função comercial até que desapareceram. Nadissertação de mestrado “A Feira, a cidade e o turismo”, Carla Cristina Barbosa, afirmaque, “a principal característica de um mercado é o lugar certo, a periodicidade, ohorário, isto posto como instrumento de comércio” 8. Assim o comércio adquire o“ponto certo”. No ponto os comerciantes se enquadram em modalidades que expressama “força identidária” dos produtos que trazem das localidades e municípios dos geraisnorte mineiro. Destacaremos os espaços dentro do mercado com essas identidades. OsAçougues e Peixarias (Mirabela, São Romão, Pirapora, São Francisco e Januária); oArtesanato (das várias comunidades, desde as ribeirinhas quanto as das chapadas dosgerais de diversos municípios); as Bebidas (muitas de tradição da flora nativa ou dacana – Salinas; Januária, Montes Claros e outras); as Frutas e Verduras (dascomunidades e distritos locais e das cidades mais próximas e às vezes dos grandescentros – um contraste cultural e econômico); os Bares e Restaurantes (comidas típicaslocais e regionais com requintes específicos); as Bancas e Divisorias (doces queijos erequeijões– muitas homônimos, como exemplo, o Requeijão de Salinas e vários outros);e Iguarias Regionais (tanto comestíveis quanto fitoterápicas de raizéiros); LojasComerciais (vestuário e presentes); e outros de embalagens e caixas; souvenirs,floricultura, associações e de outras necessidades locais.8 BARBOSA. A Feira, a cidade e o turismo: conceitos, definições e relações com o lazer e a cultura emMontes Claros (MG).2002.p.44 3
  • TURISMO NO MERCADO Turismo basicamente é uma forma de migração populacional, que possui umobjetivo especifico e também tempo delimitado em função daquilo que se pretende.Segundo IGNARRA (2003)9 o turismo é um fenômeno que envolve componentes comexpectativas diversas. Sendo assim, a cidade de Montes Claros se mostra como atrativoturístico em diferentes modalidades, algumas com mais expressividade, devido aopróprio perfil urbano da cidade, sendo Montes Claros uma cidade de economia baseadana prestação de serviços, naturalmente isso faz com que o turismo de serviços, porexemplo, se desenvolva de maneira mais intensa que o turismo de passeio ou mesmo opróprio turismo cultural que vem a ser um dos focos principais desta pesquisa. Emborao turismo não possa ser definido de maneira extremada como sendo exclusivamentepróprio de uma modalidade ou de outra já que o turista cumpre na cidade um papelmuito amplo, podendo ser um mesmo turista de simples visitante á grande consumidor. Em uma análise prática do turismo, é possível percebê-lo como um fatorcompletamente dinâmico, que em todas as suas modalidades este se mostra interligadode modo que essas ligações fazem uma importante conexão entre economia, cultura edesenvolvimento turístico, Os lugares são escolhidos para ser contemplados porque existe uma expectativa, sobretudo através dos devaneios e da fantasia, em relação a prazeres intensos, seja em escala diferente, seja envolvendo sentidos diferentes daqueles com que habitualmente nos deparamos. Tal expectativa é construída e mantida por uma variedade de práticas não-turísticas, tais como o cinema, a televisão, a literatura, as revistas, os discos e os vídeos, que constroem e reforçam o olhar. URRY (2001)10 Segundo entrevistado,11 esta expectativa criada ao visitante, ao ser influenciado,pela população local, o turista que vem a cidade mesmo que com outro objetivo se tornaum futuro consumidor, levado pela vontade de conhecer o Mercado e experimentar seusprodutos, seja a comida, ou o artesanato; isto forma uma rede de pessoas ligadas a este9 IGNARRA, Luiz Renato. Fundamentos do turismo/Luiz Renato Ignarra. 2003. p.11- 12.10 Urry John. O olhar do turista: lazer e viagens nas sociedades contemporâneas/ John Urry. 2001. p. 1811 Valcir Alves de Oliveira; trabalhou no antigo Mercado de Montes Claros desde os dez anos de idade ehoje com 62 anos continua trabalhando no atual no setor de Açougues. Montes Claros, Abril de 2011. 4
  • consumidor, um ciclo que direta e indiretamente alimenta a economia turística doMercado transformando-o num “palco cultural” amplamente diversificado e dinâmico.RELAÇÕES CULTURAIS, ECONOMIA TURISTICA E FINANCEIRA. As relações culturais no Mercado estão intercaladas em uma espécie de “teia”econômica; de modo que, todos os atores envolvidos no processo criador da história eda cultura do mesmo se relacionam direta ou indiretamente e possuem de certo modoalgo que lhes seja comum. São, contudo muito diferenciados esses agentestransformadores do Mercado, ou seja, indivíduos que moldam e reestruturamconstantemente o espaço do comércio, da cultura, do turismo e são também construtoresdo processo que caracteriza as relações comerciais ocorrentes naquele território cultural. Dentro dessa chamada “teia” se encontram os emaranhados de culturas, pessoase demais atuantes nesse “palco” da construção cultural que reformula cotidianamente aspráticas de comércio seja no Mercado durante a semana, seja na feira aos sábados edomingos. Independente da maneira com que atuam nessa construção identitária dacultura e da economia turística no Mercado Central da cidade é de inegável importânciapara uma compreensão sobre turismo e a cultura popular no Mercado de Montes Claros,que se faça uma análise reflexiva sobre o modo com que atuam sobre o objeto emestudo, como cada indivíduo atua na construção e reconstrução da identidade do sertão. Desse modo é preciso refletir sobre o agricultor que planta para vender noMercado, o feirante que compra para revender, a família que ali trabalha, o morador derua que convive naquele espaço, o morador local e sua atração ou repulsão peloMercado, e por fim o turista que olha, ouve, compra, vê e sente a atmosfera do lugar. Todos esses fatores e agentes culturais, econômicos e turísticos sãofundamentalmente os responsáveis pela constante reestruturação da na paisagem localno Mercado, com suas variáveis e variantes, estórias e simbolismos, sobre asrelevâncias de certo embate gerado pela perspectiva de convivência dualista entre ourbano e o rural situados em um mesmo ambiente de maneira integrada; entre outrosaspectos relevantes ao espaço da geografia cultural no lugar do Mercado. O Mercado Central de Montes Claros não é simplesmente o local onde este seencontra, são também todas essas relações que o envolvem com o regional e o global. 5
  • A CULTURA INSERIDA NO TURISMO O Mercado também retoma o sentido de lugar, de trocas afetuosas ecomerciais entre feirantes e clientes, de acordo com CARLOS (2001)12 pode considerar-se que “O lugar é o mundo do vivido, é onde, se formulam os problemas da produçãono sentido amplo, isto é, o modo em que é produzida a existência social dos sereshumanos”. Moldado pela identidade cultural, observada nos costumes e na vivênciasingular de um povo, seu modo simples e peculiar de viver. “Os lugares são sobretudo oambiente onde os indivíduos agregam sentimentos, constroem identidades e, “um centrode significância” (TUAN 1982 13, P.149). A concepção existente no espaço do Mercado contribui para o dinamismoeconômico e cultural, transformando-o em um “cartão postal” montesclarence.Freqüentado por um expressivo contingente de pessoas, a feira aos finais de semanaatrai pessoas de Montes Claros, da região e de outros estados, à procura da famosa“comida mineira” que une o sabor gastronômico e a “fama” de festivo do norte-mineiro. Para Santos apud Silveira (2004) p.3, é no espaço que se pode refletir sobre olugar, sobre as relações sócio-espaciais, e os “diálogos” entre homem-natureza. Sendo o Espaço palco de muitas discussões em busca de melhores compreensões e explicações, sendo tanto objeto da ciência geográfica quanto condição e um mistério para com a existência da humanidade, faz com que diversos pensadores ao longo da história, explicasse (ou não) o que é o „Espaço dos Homens.14 A atração turística do mercado transfere aos visitantes histórias de um temporecente, que falam das festas típicas, como a tradicional festa do pequi e outras quevividas no cotidiano se reproduzem na arte, nas crenças e religiosidade; “fotografadas”no semblante de cada feirante, se instalam nas particularidades concebidas no espaço da“práxis” que cria e recria o ambiente do mercado. Apesar da globalização em parte“reformular” culturas, o antigo “arraial das formigas” se alia às facilidadesmundializadas, aos meios capitalistas que trazem indústrias. fortalecendo assim asrelações sociais, que motivam o lazer e o sustento familiar no Mercado Central de12 CARLOS, Ana Fani Alessandri. O Lugar no/do Mundo. 2007. p. 2013 TUAN, Yi Fu. Geografia Humanística. CHRISTOFOLETTI, Antônio. Perspectivas da Geografia.1982. p. 149.14 SILVEIRA, Samuel. Objeto de estudo Geográfico em Milton Santos: em busca da sistematizaçãoda vida. Viçosa-MG. 2007. Monografia. 6
  • Montes Claros. O Mercado também gera um intercâmbio no tempo, entre valoressimbólicos às novas informações que se agregam entre turistas e feirantes. O Mercado é um espaço criado onde o a cultura se liga à história, dessaforma o “ambiente” físico e abstrato se translada pelas experiências sociais,funcionando a partir de bases econômicas que se organizam no âmbito da superestruturacultural. Então as práticas comerciais reestruturam o “velho” e o “novo”, se modificamcom o desenvolvimento urbano, caracterizados por sistemas de conhecimento, valores eatitudes projetadas nas expressões artísticas, que dinamizam a sociedade dualista dorural – urbana corroborada pelo processo de globalização econômica e cultural. No que tange a paisagem, Santos (1997, p. 62) afirma que, “Se a realidade éapenas uma, cada pessoa a vê de forma diferenciada (...). Nossa tarefa é a de ultrapassara paisagem como aspecto, para chegar ao seu significado”. O turista vê na paisagem umdos principais fatores para o consumo de objetos, comidas e até mesmo a estruturafísica, são atrativos que potencializarão o Turismo no Mercado. Fernandes coloca apaisagem como meio de materializar a percepção do espaço conforme sua identidade. A paisagem não seria a simples junção de elementos geográficos (...), mas a combinação dinâmica, estável, dos elementos físicos, biológicos e antrópicos, porque a paisagem não é apenas natural, mas é total, com todas as implicações da participação humana. (FERNANDES, 2010. p. 4.)“Os próprios sentidos são influenciados pela cultura, pois, “as diferenças culturaiscorrespondem às diferenças de culturas sensoriais, isto é, as diferentes formas de culturados sentidos”; Laranjeira (2010, p.3). Os visitantes percebem na paisagem do Mercadoas diferenças visíveis de cada povo, de modo que, o palpável, o sonoro e o visível,tornam-se convidativos à “leitura” do consumidor. De acordo com Talavera, o Turismocultural também é lucrativo, no sentido de comercializar os derivados culturais. “O turismo cultural é concebido como uma forma de turismo alternativo que se baseia no consumo e comercialização de culturas. Elementos escolhidos de qualquer cultura passam a ser produtos ofertados ao mercado turístico” (TALAVERA, 2003, p 34).Segundo Corrêa (2003, p.13) nesse contexto, o conceito de cultura: [...] é liberado da visão supra-orgânica e do culturalismo, na qual a cultura é vista segundo o senso comum e dotada de poder explicativo. É vacinado também contra a visão estruturalista, na qual a cultura faria parte da 7
  • “superestrutura”, sendo determinada pela “base”. A cultura é vista como um reflexo, uma mediação e uma condição social. Não tem poder explicativo, ao contrário, necessita ser explicada. Atualmente o desafio dos “sistemas” econômicos que circundam a sociedadeé construir elos que levem o homem a utilizar o meio com consciência e racionalidade,sendo esse imprescindível a sobrevivência humana. Entretanto, a cultura desenvolveresistência a mecanismos capitalistas, em virtude da relação com o local, embasadanuma lógica própria que se manifesta na identidade do sertanejo, miscigenada pororigem a tradição motesclarence se apóia nas diversidades. Contudo, o Turismo noMercado Central também se organiza frente às “possibilidades” que cada trabalhadorpossui.CONSIDERAÇÕES FINAIS: Associar a cultura ao dia a dia é traduzir raízes, fomentar “dizeres”, aliar-seàs transformações do tempo. A sociedade embora sistêmica, não contradiz asespecificidades culturais. O espaço é o “locutor” do real, nele ocorre à inter- relação defenômenos sócio-ambientais, sendo o homem o maior agente transformador dasuperfície terrestre. Os cantos locais revelam “momentos” evidentes do passado, que sereescrevem no “senso comum” de geração em geração. Montes Claros pólo econômicoregional, também usufrui de recursos naturais, assim como oferta a tradição popularmineira nos eventos festivos, na pecuária, na agricultura, que também são atividadesexploradas, e caracterizam as potencialidades, no ponto de vista empresarial, cultural eturístico, estes em escala geográfica influenciam o eixo Sul-Sudeste e Nordeste doBrasil. A tradição cultural brasileira talvez não tenha dado á mercados e feiras, aimportância que lhes é devida na formação cultural do povo brasileiro, contudo arelativa e recente valorização do regionalismo, tende a trazer a discussão da cultura paradentro da ciência, sob várias perspectivas: antropológicas, sociológicas, ambientais,etc.Compete a Geografia Cultural, buscar caminhos para fomentar essa discussão dentrodos mais variados campos de atuação da ciência geográfica, seja através da demografia,antropogeografia, ou mesmo do ensino especificamente no que se refere aos cursos delicenciatura, já que a formação cultural da sociedade indubitavelmente está relacionadaao processo de formulação do caráter de cada individuo; além de conhecer e 8
  • compreender as relações sociais e naturais envolvidas na formação do ser humano. Talestudo sobre um ambiente que retrata de forma simples e natural as diversas relaçõesentre o homem e o meio, o novo e o velho, os símbolos tradicionais e as novas práticasurbanas, evidencia a velocidade com que as categorias: lugar, paisagem, espaço,território e região se expandem a cada dia quanto á seu conceito e sua práxis. Éimportante, sobretudo salientar que a palavra de ordem maior em um estudo sobre acultura popular e o turismo no Mercado deve ser daqueles que vivem dele, convivemnele e possuem toda sua trajetória de vida traçada dentro daquele local, como no caso dealguns entrevistados que afirmavam trabalhar e conviver no Mercado há mais decinqüenta anos15, ou mesmo dos que estão há apenas dez anos, ou estiveram lá apenasuma vez16. Certo é que, a Geografia Cultural em muito pode ajudar-nos a compreender arealidades sócio-culturais no Mercado Central do Município, mas somente á partir deuma visão que considere de fato a realidade do comerciante do Mercado, dofrequentante e demais envolvidos direta e indiretamente no objeto de estudo é que serápossível obter conclusões concisas sobre o lugar da cultura, território da identidade,espaço de atratividade turística, desenvolvimento econômico regional, local do artesão,da comida típica, da moda de viola, da paisagem do sertão e desse povo sertanejo que éo Mercado Central de Montes Claros. Considerar que o mercado é a máxima da expressão identitária revela novaspráticas e teorias no que tange a Geografia Cultural, a Economia e ao Turismo. Omercado como um “lugar” que se revela vários “lugares” e “territórios” com seuspoderes, símbolos, significados e significantes. As diversas culturas populares de cadamunicípio norte mineiro reunidas em Montes Claros, cidade da “Arte e da Cultura”.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAZEVEDO, Mariângela Praes. Pelos Caminhos do Vieira.15 Evangelista Dias Oliveira, trabalha há 55 anos como entregador de feiras do Mercado e tem 62 deidade, Maio de 2011.16 Luiz Henrique Almeida de Oliveira, 22 anos, veio da cidade de Janaúba para trabalhar em MontesClaros, conseguiu emprego no Mercado como vendedor de Mel, local onde foi pela primeira vez em17/05/2011, dia em que foi feita a entrevista. 9
  • BARBOSA. Carla Cristina. A Feira, a cidade e o turismo: conceitos, definições erelações com o lazer e a cultura em Montes Claros (MG). 2002.BARTH, Frederik – Etnic Groups and Boundaries. The Social Organization ofCulture Diference. Boston: Little, Brown and Company, 1969.BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 10ª Ed. São Paulo. EditoraSENAC, 2004.CARLOS, Ana Fani Alessandri. O Lugar no/do Mundo. São Paulo: Labur Edições,2007.CORREA, Roberto, L & ROSENDAHL, Z. (Org) Introdução à Geografia Cultural.Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.CLAVAL, P. A geografia cultural: o estado da arte. In: CORRÊA, R.L. et al. (org.).Manifestações da Cultura no Espaço. Rio de Janeiro: EDUERJ, 1999.COSTA, João Batista de Almeida – Mineiros e Baianeiros: Englobamento, Exclusãoe Resistência. Brasília: Universidade de Brasília, 2003, Tese de Doutoramento.CUNHA, Euclides – Os Sertões. Campanha de Canudos. 39 edição. Rio de Janeiro:Francisco Alves; São Paulo: Publifolha, 2000. Grandes Nomes do PensamentoBrasileiro.DUNLOP, Regina – “Artesanato Solidário”. In Tempo Brasileiro, 147:55/62, Out –Dez, 2001.FERNANDES, Anedmafer Mattos. Paisagem sonora e o ensino de geografia: embusca de um diálogo com os teóricos da música concreta. Disponível em:http://alb.com.br/arquivomorto/edicoes_anteriores/anais17/txtcompletos/sem05/COLE_3309.pdf. Acesso em: 29/04/2011.GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.GUIMARÃES ROSA, João. Minas Gerais. In: Ave Palavra. 2. ed. Rio de Janeiro:José Olympio, 1978.1 IGNARRA, Luiz Renato. Fundamentos do turismo/Luiz Renato Ignarra. 2ª ed. SãoPaulo. Pioneira Thomson Learning. 2003.Instituto Brasileiro de Geografia Estatística. 10
  • www.ibge.gov.br, acesso em 11/04/2011.Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claroshttp://www.ihgmc.art.br/revista_volume3.htm acesso em 11/04/2011.LARANJEIRA, José dos Santos. Paisagens sonoras e territórios intangíveis: oresguardo da cultura imaterial. 19º Encontro da Associação Nacional dePesquisadores em Artes Plásticas “Entre Territórios” – 20 a 25/09/2010 – Cachoeira –Bahia – Brasil.OLIVEIRA & RODRIGUES. Formação Social e Econômica do Norte de Minas.Montes Claros: Editora UNIMONTES. 2000.PAULA, Hermes. Montes Claros, sua história e sua gente. 1957.SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1997.SANTOS, Milton. A natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. 4ª ed.São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.SAUER. C. Geografia Cultural. In: CORRÊA, R.L. et al. (Org.) Introdução aGeografia cultural. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.SILVEIRA, Samuel. Objeto de estudo Geográfico em Milton Santos: em busca dasistematização da vida. Viçosa-MG. 2007. Monografia.SOUZA E SILVA, Jailson e BARBOSA, Jorge Luiz. Favela: alegria e dor na cidade.Prefácio Paulo Lins. Rio de Janeiro: Fundação Ford e Editora Senac Rio, 2005.TALAVERA. Turismo cultural, culturas turísticas. In Horizontes Antropológico:Antropologia e turismo. Porto Alegre, v. 20, 2003.TUAN, Yi Fu. Geografia Humanística. CHRISTOFOLETTI, Antônio. Perspectivas daGeografia. 1982. p. 149.URRY. John. O olhar do turista: lazer e viagens nas sociedades contemporâneas/John Urry. 3ª ed. São Paulo. Studio Nobel. SESC 2001.VIANNA, Urbino. Monografia Histórica, Geográfica e Descritiva de MontesClaros. 1916. 11