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  • 1. APRESENTAÇÃOO Projeto Comunidades Verdes é uma iniciativa da Secretaria do Es-tado do Ambiente, com coordenação da Superintendência de Territó-rio e Cidadania e em parceria com o ISER.Nascido da crença de que é possível conciliar consciência ambientalcom desenvolvimento local nas comunidades cariocas, se fundamen-ta em dois eixos principais: a sustentabilidade e a participação.A promoção do desenvolvimento local deve ser conjugada com ini-ciativas que fomentem um contexto sustentável, respeitando e mini-mizando os efeitos danosos ao ambiente, e que ao mesmo tempo tra-gam possibilidades de aprimoramento pessoal e profissional a seusparticipantes.O material de referência, que hoje temos o prazer em apresentar, éparte desse processo. Ele reúne o conteúdo desenvolvido ao longo dacapacitação realizada pelos futuros jardineiros comunitários.Por meio de uma linguagem acessível, este manual de referênciapretende ser mais um recurso de apoio, que os ajude a assumir oprotagonismo como atores sociais ativos na tarefa de dinamizar emultiplicar a iniciativa.
  • 2. SUMÁRIO Suyá Presta 1 – AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE ...................................................  5 2 – COMO FUNCIONAM AS PLANTAS.......................................................  8 3 – PRODUÇÃO DE MUDAS........................................................................  12 4 – HORTAS E JARDINS .............................................................................  17 5 – ECONOMIA SOLIDÁRIA E ESCOAMENTO DA PRODUÇÃO ................  21 6 – LEGISLAÇÃO AMBIENTAL .................................................................  22 PARA SABER MAIS ....................................................................................  23Viveiro do Núcleo Verde Fogueteiro: Em sentido horário a partir do fundo, a base operacional, casa de vegetaçãocanteiros matrizeiros e o pátio de espera.
  • 3. 1 AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE Caro (a) leitor (ra), antes de entrar direta- Grande parte do que hoje é sabido sobre mente no nosso tema de trabalho as nossas a agricultura deve-se às experiências positi-“Comunidades Verdes”, vamos relembrar um vas e negativas dos nossos antepassados agri- pouco a história da agricultura e algumas cultores. A este tipo de agricultura, passada formas de produzir. Basicamente, conversa- de geração em geração, chamamos, então, remos sobre três tipos de agricultura: o tra- Agricultura Tradicional. dicional, o convencional e a produção agroe- cológica ou agricultura de base agroecológica. Agricultura convencionalAgricultura tradicional A agricultura foi evoluindo de forma bastan- te lenta ao longo da história, tendo, nos últi-O homem iniciou suas práticas de cultivo de mos anos, dado grandes saltos tecnológicos,algumas espécies há muito tempo, ainda na desde a invenção do automóvel e dos proces-pré-história. A domesticação das plantas e de sos industriais.alguns animais começou aproximadamente Após a segunda guerra mundial, toda aa partir do ano 12.000 AC (Antes de Cristo). economia do mundo estava voltada para aPortanto, vemos que a agricultura é uma for- produção de tanques, pólvora e armas quí-ma muito antiga de intervenção do homem micas. Para aproveitar toda essa estruturanos processos naturais de produção de ali- industrial, os países do “primeiro mundo”,mentos. Vamos iniciar, então, pela agricultu- com a desculpa de acabar com a fome mun-ra tradicional, aquela passada dos pais para dial, se empenharam em modernizar a agri-seus filhos ao longo do tempo, como uma cultura dos países “subdesenvolvidos”, entretradição. eles o Brasil, o México, e a Índia. É dessa forma que surge o agronegócio no Brasil, que transforma a produção de ali- você sabia? mentos em um investimento financeiro de grandes dimensões como outro qualquer. Como resultado, tivemos uma grande trans- Existem historiadores que afirmam formação dos nossos campos e cidades. terem sido as mulheres as primei- ras a cultivar as sementes enquanto os homens saíam para caçar! Veja algumas características do Agro- negócio: Monocultura, latifúndio, agrotóxicos e adubos químicos, me- Antes da agricultura, o ser humano era canização agrícola, sementes comer-caçador e coletor. Quando o alimento de uma ciais, produção para exportação, re-região acabava, ele era obrigado a viajar dução da biodiversidade, transgêni-para outro local, para garantir sua sobrevi- cos, baixos salário aos trabalhadoresvência. Com a descoberta das técnicas de pro-dução de alimentos, ele pôde se fixar em um camponeses, concentração de renda,local, podendo, assim, se organizar em povo- maximização da produção.amentos e cidades. Comunidades Verdes 5
  • 4. agroecologia, numa tentativa de equilibrar a Na Agroecologia, entendemos as áreas www.brasildefato.com.br relação dos seres humanos com a natureza e agrícolas, as cidades e as matas como um diminuir as desigualdades sociais. grande sistema, onde todos os elementos se relacionam. Um solo rico em matéria orgâ- nica é um solo fértil e vivo, onde as plantas que nele se desenvolverem crescerão sadias Alguns princípios da Agroecologia: e mais resistentes ao ataque de insetos e do- Consórcio de cultivos, agricultura enças, dando origem a um alimento saudável familiar, controle ecológico de inse- e nutritivo, que contribuirá para a saúde de tos e doenças, tração animal e ma- quem as consumir. quinário leve, sementes crioulas e A conquista dessa “nova” agricultura não tradicionais, produção para o mer- será fácil. Somente a organização popular cado interno, aumento da biodiver- terá força suficiente para conquistar a trans- sidade, relações de trabalho mais formação social que desejamos. Cada um fa- justas, economia solidária, alimen- zendo seu trabalho de formiguinha em sua tos saudáveis, recuperação ambien- comunidade já é um grande primeiro passo! tal, reforma agrária, otimização da produção. agência brasil / Tânia Rêgo Sabemos que toda forma de agricultura causa um determinado impacto no ambien- te. Dessa forma, partimos do princípio de Com o tempo, esse modelo de agricultura Com o êxodo rural causado pelo empo- que o ambiente agrícola deve se aproximar foi causando alguns efeitos “colaterais”: pro- brecimento dos agricultores, as cidades fo- ao máximo do formato do ambiente natural, blemas sociais e ambientais, dentre eles, o ram crescendo, ficando super-povoadas. Se para que tenhamos o maior equilíbrio ecoló- desmatamento, a poluição dos rios e mares, a transformaram em grandes centros urbanos, gico possível. erosão dos solos, a extinção de espécies, a de- onde os antigos agricultores não mais produ- sertificação, a contaminação por agrotóxicos, ziam alimentos, mas sim trabalhavam, em e o endividamento dos agricultores. sua grande maioria, como pedreiros, portei- ros, lavadeiras e domésticas. Ao contrário do você sabia? agência brasil / Tânia Rêgo que fora prometido, os antes 60 milhões de você Você sabia que a cidade do Rio de Ja- sabia? esfomeados do mundo se transformaram em neiro está situada dentro de um bio- um bilhão de famintos. Assim, pode-se dizer ma chamado mata atlântica? Nesta Um dos maiores problemas causa- que o agronegócio trouxe muitas riquezas, região está presente a maioria da dos pela agricultura é a erosão dos mas apenas para as empresas e investidores. população brasileira, cerca de 130 solos. No Brasil, estima-se que as milhões de pessoas! E como as cida- perdas de solo por erosão nas cultu- des foram construídas por cima das ras temporárias ultrapassam 10 to- A agricultura de base agroecológica f lorestas, pouca coisa restou desta neladas por hectare por ano. Estas Em uma tentativa de mudar essa realidade, mata, apenas 7% do que havia no terras erodidas vão para o fundos muitos agricultores, pesquisadores e orga- ano de 1500, quando os portugueses dos rios e lagos e para o mar. E com nizações começaram a estudar uma forma “descobriram” o Brasil... a perda dessas áreas agrícolas, os de produção de alimentos que, ao invés de agricultores são obrigados a buscar causar tantos problemas, pudesse aliar a novas áreas para o plantio, geral- produção de alimentos saudáveis à conserva- mente onde estão as florestas, que ção ambiental e relações sociais mais justas. deveriam ser preservadas. Assim nasceram a agricultura orgânica e a6 Agricultura e Meio Ambiente Comunidades Verdes 7
  • 5. 2 COMO FUNCIONAM AS PLANTAS B) Propagação das plantas Suyá Presta Podemos reproduzir as plantas por meio de duas formas diferentes: por sementes (ciclo sexuado ou reprodutivo) ou sem sementes (ciclo assexuado ou vegetativo). Quando re- Certo, estamos no caminho para entender o • Raízes: geralmente encontram-se enter- produzimos as plantas através das sementes, funcionamento da produção agroecológica. radas no solo. São fundamentais para as elas passam para os seus descendentes as ca- Mas, antes, vamos convidá-lo a entender me- plantas porque servem como estrutura racterísticas genéticas dos pais e assim são lhor as grandes “estrelas” de nossa história: de fixação e sustentação, além de serem formados novos indivíduos, diferentes entre as plantas! Vamos conhecer mais a fundo as responsáveis pela absorção de água e sais si. Quando reproduzimos as plantas sem uti- estruturas e o funcionamento das plantas, minerais. lizar as sementes, através de partes dos ve- assim como suas formas de reprodução. • Caule: tem a função de sustentar folhas, getais, são gerados clones idênticos da planta Mudas de bananeiras feitas a partir da divisão da toceira. Se pudéssemos comparar as plantas com flores e frutos, e distribuir água e alimento original, possuindo as mesmas característi- os seres humanos, perceberíamos que ambos por todas as partes da planta. Seu cresci- cas da planta-mãe. possuem as mesmas necessidades como água, mento é no sentido contrário ao da raiz. • Tubérculos: Tipo de caule arredondado ar, luz, calor e nutrientes. É natural, são seres • Folhas: Brotam do caule ou dos ramos das Técnicas de propagação vegetativa que algumas plantas desenvolvem embai- vivos! Porém, somente os vegetais possuem plantas e são especializadas em captar luz. xo do solo, que funcionam como órgãos de capacidade de captar a energia solar (luz) e Nelas ocorrem 2 processos importantes, a • Rizomas: São caules subterrâneos especiali- reserva de energia. Exemplos: batata ingle- transformá-la em seu alimento. Assim, cada fotossíntese e a transpiração. zados que dão origem a novas plantas a par- sa, araruta. parte da planta trabalha para garantir essa • Flores: É o órgão reprodutivo das plan- tir do seu crescimento horizontal. Exemplos: wikimedia / Navaho energia e dela adquirir sua nutrição. Então, tas. Têm a função de produzir as sementes, espada-de-São-Jorge, gengibre e bambu. vejam a importância de cada órgão da planta. após serem fertilizadas. Algumas são boni- • Touceiras: Algumas plantas que possuem tas e coloridas, para atraírem insetos que caule do tipo rizoma crescem bem jun- atuem como dispersores de pólen. tas, formando touceiras. Essas touceiras A) As partes das plantas • Frutos: Sua função é proteger as sementes, podem facilmente ser divididas para dar garantindo seu desenvolvimento e disper- origem a mais plantas. Exemplos: banana, O corpo das plantas é basicamente dividido são. Muitos deles fazem parte da alimenta- capim-limão, gramas. em: raiz, caule, folha, f lor, fruto e semente. ção do homem. Cada uma destas estruturas compõe os ór- • Sementes: Depois de fecundado, o óvulo da gãos das plantas, e todas são fundamentais planta se transforma em uma semente. É façavocê mesmo para o funcionamento de cada espécie. a principal forma de reprodução das plan- Tuberculos de batata inglesa germinados e prontos para tas. Através das sementes, as plantas conse- o plantio. DIVISÃO DE TOUCEIRAS guem passar suas características genéticas você sabia? aos outros indivíduos. As sementes podem Primeiramente, devemos remover a • Bulbos: Caule subterrâneo com numerosas se espalhar de diversas formas, principal- touceira de onde está plantada, seja folhas muito unidas e carnudas, cheias de mente através do vento e dos animais, que num vaso ou no chão, com muito reservas nutritivas. Ex: cebola, alho e lírio. Algumas raízes servem como depó- as carregam para outros locais. cuidado, para não machucar os no- sito de água e nutrientes para o res- Suyá Presta vos brotos e os rizomas. Retiramos to da planta. Elas conseguem essa o excesso de solo e podamos as raí- proeza retendo amido e nutrientes em seu corpo. Nós, seres humanos, você sabia? zes que saem dos rizomas. Daí é só utilizar uma tesoura afiada para se- logo descobrimos essa característi- Fotossíntese é o processo em que as parar a planta-mãe em pedaços que ca e passamos a nos alimentar des- plantas produzem seu próprio ali- possuam pelo menos três brotações. tas raízes que hoje mento, utilizando a água do solo, o Se alguma brotação estiver doente, são bem conheci- gás carbônico do ar e a energia da deve ser descartada. As mudas di- das: a mandioca, a luz solar para gerar a energia que vididas devem ser plantadas o mais cenoura, o nabo, a as plantas precisam para viver. rápido possível. beterraba... Bulbos em preparação para o plantio.8 Como funcionam as plantas Comunidades Verdes 9
  • 6. • Estolhos: São caules aéreos especializados • Estaquia: É o plantio de estacas de caule, raí- você sabia? que dão origem a novas plantas a partir do zes ou folhas da planta mãe, que desenvolve- seu crescimento horizontal. Exemplos: gra- rão raízes e darão origem a uma nova planta. Podemos obter hormônio enraizador ma, clorophyto e morango. Exemplos: gliricídia, margaridão e amora. fazendo a capina da tiririca (mato que invade muito os viveiros) e retirando f lickr.com / Colin-47 Suyá Presta suas batatinhas. Em seguida pega- -se essas batatas e faz-se um suco no liquidificador. Depois é só peneirar e Suyá Presta mergulhar a ponta de baixo das esta- cas por cerca de cinco minutos. Pron- to: as estacas vão enraizar muito mais Mudas feitas a partir de estacas da erva cidreira: facilmente. à esquerda pode-se ver o enrraizamento satisfatório. Estolho de Clorophytum a partir do qual produz-se Retirada de estaca de boldo: o corte feito em bizel novas mudas. é fundamental para o sucesso da pega. • Alporquia: É a técnica de desenvolver raí- • Enxertia: É a união dos tecidos de duas zes no caule da planta, envolvendo o ramo plantas, dando origem a uma planta com façavocê mesmo com terra ou musgo umedecido em um pe- duas partes: o enxerto (cavaleiro), que é a daço de pano ou plástico, fazendo um ane- parte de cima, que vai produzir os frutos COMO PREPARAR UMA BOA ESTACA? colocada na cova e coberta pela terra, lamento em sua casca, porém, sem cortar o da variedade desejada, e o porta-enxerto que deverá ser compactada com os pés galho. Após o crescimento das raízes, sepa- (cavalo), que é a parte de baixo que pos- Para o plantio de árvores por estacas dar ra-se o galho da planta mãe, plantando em sui raiz, tendo como funções básicas o su- ao redor da planta para fixação; certo, devemos prestar atenção em al- • Os novos brotos começam a aparecer um recipiente ou no local final. Exemplos: porte da planta, o fornecimento de água e guns detalhes: num período de duas a quatro sema- pessegueiro, louro e jabuticaba. nutrientes e a adaptação da planta às con- • Regar bem a planta de 2 a 3 horas antes nas, época em que a estaca estará en- • Mergulhia: É a técnica de desenvolver raí- dições do solo e do clima e resistência a do procedimento; raizando. Remova os brotos mais bai- zes no caule da planta, colocando-o em con- doenças. Dessa forma, a planta possui as • Escolher galhos saudáveis e maduros xos, deixando apenas dois ou três; tato com o solo enquanto ainda encontra-se características produtivas do cavaleiro e da planta, pois estes são lenhosos e • A terra em volta da estaca deve estar ligada à planta-mãe. Após o crescimento as características de resistência do cavalo. perderão menos umidade pela casca; sempre úmida, regue com freqüência. das raízes, separa-se o galho da planta mãe, Exemplos: laranja, limão e tangerina. • Não retirar estacas das plantas que es- tão florindo, pois sua energia está foca- plantando em um recipiente ou no local fi- Suyá Presta nal. Exemplos: macieira, hibiscus, azaléia. Suyá Presta da na produção de flores; • Remover todas as folhas e ramos não- -lenhosos, para diminuir a perda de wikimedia / Pearson Scott Foresman água da parte aérea; • Fazer um corte diagonal na parte infe- rior e na parte superior do galho, cha- mado bisel. O corte deverá ser perfeito, sem machucar a madeira da estaca; • Existem espécies que não enraízam naturalmente. Nesses casos, deve ser usado um hormônio enraizador, en- contrado em lojas agropecuárias; • Não se deve enfiar a estaca diretamente na terra compactada, pois pode-se ma- chucá-la e atrapalhar o enraizamento; • Se a estaca for plantada direto no cam- po, deve ser feita uma cova de 20 a 30 Estacas de amora e boldo podem variar entre cm de profundidade. A estaca deve ser 20 e 120 cm, de acordo com as condições do solo. Esquema do sistema de reprodução por mergulhia, como Muda de roseira feita a partir de enxertia: pode-se observar é o caso da aroeira e do cajueiro. a espécie cavalo abaixo e acima a espécie cavaleira.10 Como funcionam as plantas Comunidades Verdes 11
  • 7. 3 PRODUÇÃO DE MUDAS Estes frutos devem ser deixados em local pro- tegido do vento até que abram e liberem as da planta-mãe. Para a produção de mudas, devemos quebrar essa dormência, caso con- sementes. No caso daqueles que não se abrem trário, as sementes podem não germinar ou naturalmente, devemos utilizar ferramentas germinar ao longo do tempo, atrapalhando a para extrair as sementes dos frutos, tomando cadeia de produção. muito cuidado para não danificá-las. Para a quebra de dormência, utilizamos Nos últimos anos, temos percebido uma Entre as diversas técnicas de coleta de se- tratamentos como: escarificação mecâni- maior preocupação mundial com a preser- mentes existentes, devemos escolher aquela Secagem ca, escarificação química, imersão em água vação do meio ambiente. Essa preocupação que mais se adapta à realidade do local e a Após o beneficiamento, as sementes ainda quente e choque de temperatura. Para cada trouxe um aumento na demanda de produ- nossa condição financeira. O ideal é dispor possuem água em seu interior, o que facili- planta utilizaremos uma técnica específica. ção de mudas para o ref lorestamento e re- dos seguintes recursos: subida na árvore ta a aparição de fungos. A secagem natural é Escarificação é o processo de raspagem das cuperação de áreas degradadas e para arbo- com aparelhagem (escadas, cordas, andai- feita espalhando as sementes em lona ou laje sementes para ajudar na quebra da casca rização urbana. Dessa forma, a produção de mes), podão, corte de partes da árvore, cami- de cimento em local bem ventilado e, de pre- dura e liberação do embrião o futuro broto. mudas vem se mostrando também uma ativi- nhões adaptados, tiro, arremesso de objetos, ferência, na sombra, por três dias (recolhen- do as sementes em caso de chuva). A secagem Suyá Presta dade econômica promissora. entre outros. A formação da muda é uma das fases Antes de começar a coleta, é preciso es- artificial é feita através de estufas e equipa- mais importantes da vida das plantas. Uma ticar uma lona no chão ao redor da árvore mento próprio. muda mal formada e de má qualidade pode para que as sementes que caiam possam ser atrapalhar o desenvolvimento do vegetal, po- recolhidas facilmente. Ao fim do trabalho, dendo até causar sua morte prematura. Por as sementes devem ser levadas: deixar as se- Além das sementes que podem ser este motivo, é muito importante utilizar as mentes expostas na floresta é muito arrisca- armazenadas secas (ortodoxas), técnicas corretas na produção de mudas. Va- do devido ao risco das chuvas e dos animais existem também sementes que mos então rever alguns procedimentos para que passam por ali! morrem ao secar (recalcitrantes), produzi-las da melhor forma possível! por isso devem ser plantadas o mais atenção! rápido possível após a sua coleta, Sementes de jatobá: quebra de dormência feita a partir A) Conseguindo as sementes não podendo ser armazenadas por da escarificação. Seja para venda ou para uso, não grandes períodos de tempo. É o caso Sementes de qualidade dão origem a mudas é permitido coletar sementes, em das sementes do abacateiro e do B) Funcionamento de um viveiro de qualidade. Podemos comprar as sementes Unidades de Conservação de Prote- ingazeiro. (que costumam ser caras) ou podemos coletá- de mudas ção Integral! -las. A utilização de técnicas adequadas para a coleta economiza tempo e dinheiro. Um viveiro de mudas é um local escolhido Armazenamento e preparado para a produção de mudas f lo- Escolha das matrizes Extração O armazenamento aumenta a vida útil das restais, ornamentais, medicinais, aromáti- Chamamos de matrizes as árvores das quais Logo após a coleta, as sementes ainda não sementes. Após a secagem, as sementes po- cas ou hortícolas. É nele que as plantas serão iremos coletar as sementes a serem plantadas. estão em condições de serem utilizadas, pois dem ser armazenadas em recipientes, gela- cuidadas em sua fase mais importante, seus O processo de escolha das matrizes chama-se precisam passar pelo processo de beneficia- deira ou câmaras com baixa temperatura. primeiros meses de vida, para depois serem marcação de matrizes. Devemos escolher ár- mento para retirar as impurezas, eliminar Para armazenar as sementes por curtos pe- transportadas e plantadas em seu lugar fixo. vores que estejam em uma floresta ou frag- as sementes mortas e as sementes de outras ríodos de tempo, podemos utilizar sacolas de Uma muda de qualidade deve ser bonita, mento florestal e que sejam mais vigorosas; plantas e os insetos. É importante também plástico ou de papel. Para longos períodos de bem formada, bem enraizada, bem nutrida, com boa produtividade de sementes; que pos- padronizar as sementes, selecionando aque- tempo, damos preferência a vasilhas plásti- sadia, livre de insetos e de doenças, sem ci- suam resistência natural a ataques de insetos las mais vigorosas e descartando as peque- cas, de vidro, metal, sacos plásticos espessos catrizes ou danos físicos. Deve ter um custo e doenças; que estejam bem expostas ao sol e nas e/ou irregulares. ou garrafas PET. acessível ao consumidor e deve ser de fácil que não estejam tortas, bifurcadas ou isoladas. Para os frutos carnosos, devemos abrir manuseio e transporte. os frutos e deixar as sementes de molho por Dormência O melhor local para a instalação de um Coleta algumas horas. Depois utilizamos uma pe- A dormência é uma característica natural viveiro é um local de fácil acesso, aberto, É importante coletar sementes de várias ma- neira para separar totalmente as sementes de certas plantas, que faz com que suas se- plano e de boa drenagem, que receba a luz trizes da mesma espécie, para que as mudas da polpa do fruto, sob água corrente. mentes demorem a germinar. É uma estra- do sol na maior parte do dia, protegido dos apresentem maior resistência ao ataque de Dentre os frutos secos, existem aque- tégia das plantas para aumentar as chances ventos e próximo das fontes de água e ener- insetos e doenças. les que abrem naturalmente quando secam. das sementes germinarem e crescerem longe gia elétrica.12 Produção de mudas Comunidades Verdes 13
  • 8. Estrutura do viveiro Recipientes O viveiro deve ter uma cobertura no teto e As mudas podem ser desenvolvidas em diver- BANDEJAS DE ISOPOR OU DE PLÁSTICO? de replantio. No entanto, a utilização nas laterais, que protegerá as mudinhas do sos recipientes. Geralmente utilizamos vasos, de bandejas de plástico têm se torna- sol intenso, da ação direta das chuvas, dos tubetes e saquinhos plásticos para as mudas Há tempos que as bandejas de isopor do uma tendência mundial, pois, além insetos e da contaminação por doenças e se- de maior porte, que passam mais tempo no são utilizadas na produção de mudas. de serem recicláveis, elas possibilitam mentes de outras plantas indesejáveis. A es- viveiro, e bandejas para as mudas menores, Porém, recentemente, a chegada de uma desinfecção mais fácil e eficiente trutura do viveiro pode ser construída com que ficam prontas mais rapidamente. O ta- bandejas de plástico ao mercado vem (evitando a propagação de doenças na diversos materiais, como bambu, madeira, manho do recipiente deve ser de acordo com mudando essa realidade. Tanto uma reutilização); evitam danos ao siste- alumínio, vergalhão ou alvenaria. A cobertu- o tamanho da raiz. como a outra tem as vantagens de facili- ma radicular no momento de retirar a ra pode ser feita com sombrite, palha de co- Em viveiros comunitários, caseiros ou tar a semeadura e o manuseio, permitir muda da bandeja e, por ser o plástico queiro ou filme agrícola (plástico). escolares, podemos aproveitar e reutilizar o melhor controle sanitário e nutricio- não ser um material poroso, não absor- recipientes abundantes e disponíveis para a nal, facilitar o transporte para o local ve água e nutrientes (diminuindo a ne- produção de mudas, como caixinhas de leite, garrafa pet, latas, entre outros. definitivo e diminuir a necessidade cessidade de irrigação e adubação). Diversos agricultores que não pos- suem recursos para a construção de você sabia? viveiros utilizam a sombra da copa Substrato minhoca, esterco curtido, serragem, casca de das árvores como cobertura. As raízes das mudas não gostam de Antes de receberem as mudas, os recipien- arroz carbonizada, fibra de côco, vermiculta, luz! Não é a toa que elas crescem tes são preenchidos até a boca com substra- casca de pinus moída, turfa, entre outros. To- embaixo da terra... Esse é o motivo to, que é a mistura de terra, adubo e outros dos os componentes utilizados para o substra- pelo qual a maioria dos recipientes materiais colocados no recipiente, aonde as to devem ser peneirados e bem misturados. As mudas não devem ser dispostas em à venda no mercado são escuros! sementes e mudas irão desenvolver suas ra- contato direto com o solo, pois assim correm Semeadura ízes, formando um torrão rígido. Cada tipo o risco de suas raízes saírem do recipiente A semeadura pode ser feita de forma direta de planta se desenvolve melhor em um tipo para “mamar” água e nutrientes. Nesse caso, ou através de repicagem. de substrato. Um bom substrato possui baixo as raízes ficam parecendo um novelo de li- A semeadura direta acontece quando peso, boa aeração, boa capacidade de reten- Suyá Presta nha, todas enroladas e isso atrapalha o cres- colocamos as sementes diretamente em bu- ção de água, baixo custo e deve ser livre de cimento destas plantas. Caso isso ocorra, es- racos feitos nos substratos nos recipientes. doenças e sementes de outras plantas. sas raízes externas ao recipiente deverão ser Algumas espécies, como a cenoura, a beterra- cortadas. Para evitar esse problema, as mu- ba, o nabo e o rabanete preferem a semeadura das devem ser dispostas sobre britas ou em direta. Já a Repicagem é quando colocamos as bancadas de alturas e materiais variáveis. RECOMENDAÇÃO DE SUBSTRATOS sementes para germinar em caixas ou can- • Plantas nativas em Sacos Plásticos: teiros de areia e serragem, para depois re- 50% terrinha, 20% argila e 30% plantarmos as plântulas nos recipientes de- composto orgânico ou esterco bem finitivos (geralmente saquinhos ou tubetes). Pallets de madeira, usados para trans- curtido. Reprodução de mudas em tubetes: as embalagens devem porte de mercadorias em caminhões, Suyá Presta ser igienizadas antes de serem reutilizadas. • Plantas nativas em tubetes: 70% são baratos e fáceis de encontrar e composto orgânico ou esterco dão ótimas bancadas! bem curtido, 20% vermiculita, 5% Suyá Presta argila e 5% areia. • Bandeja de hortícolas: 50% terri- Dentro de um viveiro, as áreas podem nha, 50% composto orgânico ou ser classificadas como produtivas (canteiros, esterco bem curtido. bancadas e sementeiras) e não-produtivas (caminhos, ruas e áreas construídas). De- vemos prestar atenção se os caminhos e en- Podem ser utilizados como componentes tradas são suficientes para que os meios de de substratos: terra de subsolo, terra de for- transporte cheguem até as mudas. Mudas feitas em saquinhos plasticos. migueiro, terrinha, areia, argila, húmus de Sementeiras de isopor, saquinhos e canteiro de areia.14 Produção de mudas Comunidades Verdes 15
  • 9. Devemos plantar as sementes em bura- cos no substrato de, no máximo, duas vezes Transplante O transplante é uma etapa fundamental 4 HORTAS E JARDINS o tamanho da semente. Do contrário, elas po- para o sucesso no desenvolvimento da muda. dem ter problemas para atravessar a camada O transporte das mudas deve ser feito de for- de terra! ma adequada e, de preferência, próximo da data de plantio. O transplante deve ser reali- Desbaste zado em dia não muito quente. As covas, ou, se Atualmente grande parte dos alimentos que Geralmente plantamos diversas semen- preferirem, os berços, devem ser maiores que consumimos são produzidos através do uso Podemos construir canteiros de di- tes em uma única cova, para aumentar as o torrão e devem ser adubadas com uma ante- de adubos químicos e agrotóxicos, que com- versos formatos e tamanhos, porém chances de, pelo menos, uma das sementes cedência de dois a três dias de preferência. A provadamente causam danos a nossa saúde. com a largura máxima de 1,20m, germinar. O desbaste é o processo em que muda deve ser plantada para ficar no mesmo Produzir o seu próprio alimento com a ajuda escolhemos a melhor planta entre as que ger- para possibilitar o manejo de toda nível do solo. Finalize irrigando e cobrindo o da Agroecologia é uma boa estratégia para minaram e retiramos as outras. É um pro- sua área. Nossos braços não conse- solo com palha ou outra cobertura morta! diminuir a quantidade de veneno que ingeri- cesso que pode danificar as raízes da planta guem alcançar a parte do meio de mos. Além disso, como o preço dos alimentos escolhida, por isso devemos fazer uma rega canteiros muito largos! aumenta de preço progressivamente, fazer a logo após o desbaste. feira em nosso quintal é uma excelente for- façavocê mesmo ma de economizar bons trocados! Irrigação Agricultura urbana Uma coisa que não pode faltar de jeito ne- PASSO A PASSO DO Canteiros Nas cidades, os espaços estão cada vez mais nhum no viveiro é a irrigação. A água é fun- PREPARO DE MUDAS As hortas e jardins se dão muito bem em can- escassos. As casas já não possuem mais quin- damental para o desenvolvimento das mudas, teiros, que são espaços delimitados cobertos tais e os apartamentos estão cada vez meno- devendo ser fornecida duas vezes ao dia, de • Coletar as sementes; de terra acima do nível do chão. Os canteiros res. Mas podemos utilizar a imaginação e a manhã e à tardezinha, todos os dias. A irri- • Preparar as embalagens; permitem o cultivo em locais de terreno pou- criatividade para produzirmos alimentos gação pode ser feita manualmente ou através • Preparar os substratos; co fértil ou com má drenagem. nas áreas urbanas! Por exemplo, ao invés de de sistema de irrigação automatizado, por as- • Encher as embalagens com o Os canteiros podem ser delimitados com canteiros, utilizando vasos e potes e espaços persão ou nebulização. substrato; diversos tipos de material, como bambu, ti- subutilizados, como lajes, terraços e varan- • Irrigar; jolos, pedras, troncos, garrafas PET ou alve- das, transformando-os em hortas muito pro- Adubação • Semear naria. Devem ser cheios com terra adubada dutivas. Podemos até mesmo construir uma Durante o período em que as mudas se desen- • Dispor no viveiro e peneirada, composta por 50% de adubo compostagem ou minhocário domésticos volvem no viveiro podem ser feitas aduba- • Tratos culturais e monitoramento orgânico, 30% de argila e 20% de areia. Sua ções foliares aplicando bio-fertilizantes men- (irrigação, adubação, remoção de superfície deve ser coberta de palha, serra- Suyá Presta salmente nas folhas das plantas. No entanto, ervas espontâneas, controle de gem ou outro material, pois a cobertura mor- muita atenção na hora de diluir esses fertili- insetos e doenças) ta contribui na manutenção da umidade do zantes, pois podemos “queimar” as folhas se • Tratamento final solo, diminui a compactação causada pelo a mistura estiver muito concentrada. • Transporte impacto das gotas de água da irrigação e da • Plantio definitivo chuva, dificulta o aparecimento de ervas es- Rustificação pontâneas e dá condições para a manutenção Um viveiro possui as melhores condições da vida no solo. possíveis para o desenvolvimento das mu- das. Porém, ao irem para o campo, elas irão Suyá Presta enfrentar uma série de dificuldades como insolação direta, estiagem, ataque de insetos. A rustificação é o processo de adaptação das Agricultura na lage: tendência crescente em propostas mudas produzidas em viveiro às condições mais sustentáveis. reais do campo. De quinze a trinta dias antes do plantio, as mudas devem ser retiradas do viveiro e dispostas a pleno sol, sendo irriga- Compostagem É a técnica de aceleração da decomposição da das apenas uma vez ao dia. Após esse perío- matéria orgânica para a produção de nosso do, as mudas que demonstrarem vigor estão próprio adubo orgânico de qualidade. Con- prontas para o plantio. Canteiros matrizeiros feitos com bambus e garrafas pet. siste em juntarmos restos orgânicos em uma16 Produção de mudas Comunidades Verdes 17
  • 10. pilha, revirando este material a cada mês ou linhas e essas linhas devem ser abertas por • Óleo de Nim: Controla lagartas, besouros, Plantas medicinais quinzena, e molhando-o a cada três dias. Po- sobre a cobertura morta. Após a germinação gafanhotos, pulgões, cochonilhas, mosca A natureza nos presenteou com uma infi- dem ser utilizados resíduos como cascas de das sementes, deve ser feito o desbaste, de- branca e pragas de grãos armazenados. É nidade de plantas com valores medicinais. frutas e ovos, borra de café, restos de vegetais vendo ser deixadas apenas as mudas maiores também indicado no controle de nema- A flora brasileira é uma rica fonte de ervas crus, podas de grama e árvores, palha, serra- e mais sadias. O plantio por mudas deve ser tóides e algumas doenças provocadas por que ajudam no tratamento e prevenção de gem, ossos, conchas, estercos, entre outros. feito em covas, abrindo espaço na cobertura fungos e bactérias. Pode ser encontrado em vários males. Por muito tempo os prepara- A decomposição destes materiais é feita morta, que deve ser recolocada após o plan- lojas agropecuárias. Pulverize nas plantas; dos caseiros foram a principal forma de cura, basicamente pelos insetos e microorganis- tio. Ambos devem respeitar o espaçamento • Cinza vegetal: Controla lagartas, vaqui- principalmente entre os camponeses. Se nos- mos. Como resultado da ação microbiana, há entre as culturas. nha e insetos sugadores. Repouse 10g de sos antepassados contavam apenas com a um aumento na temperatura da pilha, que cinza em 1 litro de água por 24 horas, coe e sabedoria popular, hoje nós temos acesso a pode chegar a 70º C! Essa temperatura é res- Irrigação misture com 10g de cal virgem e 20 mL de pesquisas científicas que comprovam as pro- ponsável pela morte dos vermes e patógenos A irrigação pode ser feita manualmente ou soro de leite. Pulverize nas plantas; priedades medicinais de várias plantas. e das sementes de ervas espontâneas, for- através de sistema de irrigação automatiza- • Pimenta: Controla pulgões e cochonilhas. Existem diversas formas de utilizarmos mando, assim, um bom composto! do, por aspersão, nebulização ou gotejamen- Bater 100g de pimentas em um liquidifica- as plantas medicinais: chá, lambedor, cata- to.As plantas do jardim e da horta devem ser dor com 1L de água até a maceração total. plasma, gargarejo, inalação, tintura, garra- regadas duas vezes ao dia, sempre no início Coar o preparado e misturar com 1 colher fada, compressa, pomada, comprimido, com- Suyá Presta da manhã e no final da tarde. Ao irrigarmos de sabão de coco em pó. Pulverizar sobre pressa e xampu. em pleno sol, confundimos as plantas que, as plantas; achando que está chovendo, abrem seus po- • Fumo e pimenta: Indicado para uso geral. Jardins funcionais ros para realizar trocas gasosas. Os raios so- Dentro de 1L de álcool, coloque 50g de fumo Não se pode negar que o ser humano é fasci- lares então conseguem atingir o interior das de corda picado e 1 punhado de pimenta nado pela beleza da natureza. Em todas as so- folhas, causando uma “queimadura”. vermelha, deixando essa mistura curtir ciedades, sempre construímos jardins para em ambiente escuro por 7 dias. Dilua o con- embelezar nossas cidades. Os jardins, além você teúdo em 10L de água com 250g de sabão dessa função estética, também possuem ou- sabia? em pó dissolvido ou detergente. Pulverize tras utilidades. Podemos construir jardins nas plantas. Espere 12 dias antes de colher; feitos com plantas ornamentais e funcionais, Algumas plantas, como o tomateiro, com uma diversidade de formas e materiais, • Cravo da índia: Controla os carunchos na A pilha do composto deve intercalar matéria orgânica não gostam de água nas folhas e po- que além de belos, são realmente úteis. seca e os resíduos orgânicos crus. conservação de sementes. Distribuir 50g de dem desenvolver doenças e fungos! cravo uniformemente em cada garrafa PET Podemos integrar hortaliças, plantas de 2L de sementes; aromáticas, medicinais, frutos e verduras às • Cerveja: Controle de lesmas. Corte a tampa plantas ornamentais e flores comestíveis, em MINHOCÁRIO / GONGOLÁRIO canteiros de pneus, espirais de ervas, cercas Controle ecológico de insetos de uma lata e enterre ao nível do terreno, Também podemos utilizar as minho- em local úmido perto ou dentro da horta. vivas, jardins suspensos, mandalas, cercas e doenças vivas produtivas e estruturas construídas cas e os gongolos para a produção de A melhor forma de controlarmos a aparição Encha até a metade com cerveja e bastante adubo orgânico! Em um minhocário sal. As lesmas serão atraídas pela cerveja, com materiais reaproveitados, com baixo de insetos e doenças nas plantas é trabalhan- cairão na lata e morrerão com o sal; custo de implantação. podemos colocar esterco bem cur- do no aumento da biodiversidade da horta ou tido e/ou composto pronto para as jardim, sempre buscando o equilíbrio ecoló- • Mamona: Controla formigas. Pique dez fo- Suyá Presta minhocas se alimentarem e produ- gico. Por isso, praticar o consórcio de cultu- lhas de mamona e macere em 1L de água. zirem húmus. Em um gongolário po- ras, cultivar diferentes plantas aromáticas Deixe repousar de um dia por outro em demos colocar folhas e galhos finos como alho, salsa e arruda em volta dos can- ambiente escuro. Coe a mistura e acrescen- secos para os gongolos se alimenta- teiros e manter áreas naturais com muitas te 10L de água. Pulverize o formigueiro. rem e produzirem um ótimo adubo! plantas espontâneas por perto ajudam. Mes- mo assim, pode acontecer de nossas plantas serem atacadas. Se isso acontecer, o primeiro As joaninhas são predadoras natu- passo é identificar o causador do problema rais de diversos insetos, como pul- Plantio para, a partir daí, buscarmos soluções. gões e cochonilhas! Mantenha-as O plantio pode ser feito direto no solo, por se- sempre por perto! mentes ou através de mudas produzidas em Veja alguns exemplos de receitas ecológicas Exemplo de jardim com as funções de paisagismo, bandejas. O plantio direto deve ser feito em para combater pragas: alimentação e diminuição da temperatura local.18 Hortas e jardins Comunidades Verdes 19
  • 11. Sistemas agroflorestais Como temos visto, o ideal é sempre buscar formas de aliar a produção de alimentos saudá- 5 ECONOMIA SOLIDÁRIA E veis à preservação e recuperação ambiental. Os Sistemas AgroFlorestais (SAFs) cumprem esta função, pois são uma combinação entre culturas agrícolas, animais e árvores, uma técnica ESCOAMENTO DA PRODUÇÃO de cultivo que consegue transformar o ambiente produtivo e deixá-lo bem parecido com o ambiente natural. No caso do Rio de Janeiro, podemos citar a mata atlântica. Os SAFs são planejados para que as culturas agrícolas e árvores pioneiras, que se desenvol- A) Economia solidária Assim como ocorre com a lógica de fun- vem primeiro, criem um ambiente favorável ao crescimento das árvores primárias, que irão cionamento das produções agroecológicas, a formar a floresta no futuro. Com quatro meses, o sistema produz as lavouras brancas: milho, A sociedade em que vivemos está organiza- economia solidária parte de uma visão mais feijão, abóbora, hortaliças e quiabo. Com um ano e meio produz mamão, inhame, taioba, pi- da no que chamamos de sistema capitalista. equilibrada entre os seres humanos, de suas menta do reino e maracujá. Com 4 anos produz palmito, café, acerola, pitanga e limão. Com 18 É um sistema econômico em que os meios de necessidades e potenciais, buscando formas anos produz juçara, araçá, fruta-pão, goiaba e sapoti. Com 40 anos produz madeira, sementes, produção (terras, fábricas, máquinas, edifí- de garantir a produção sem explorar e sub- óleos, resinas e frutas. cios) e o capital (dinheiro) são propriedades trair de seus trabalhadores e do meio am- privadas, ou seja, possuem um dono. Os pro- biente seus recursos primordiais e capacida- prietários dos meios de produção (patrões) de de renovação. Por isso, são assuntos que se Sistema Agrof lorestal Biodiverso Sistema Agrof lorestal Biodiverso Sistema Agrof lorestal Biodiverso 4 meses 1 ano e meio 5 anos são a minoria da população e os não-proprie- complementam. tários (trabalhadores) são a maioria e vivem dos salários pagos em troca do seu trabalho. O capitalismo possui algumas caracte- B) Escoamento da produção rísticas marcantes: todas as mercadorias são destinadas para a venda; os trabalhadores Quando produzimos algo para vender, deve- recebem um salário em troca do seu traba- mos focar em algumas questões. A primeira lho; toda negociação é feita com dinheiro; o delas é quem são os nossos potenciais con- patrão pode admitir ou demitir trabalhado- sumidores? É importante fazer um levanta- res, já que é o dono da empresa e do capital. mento daqueles que possam vir a ser nossos A Economia solidária é uma forma di- clientes. Dessa forma, podemos pensar estra- Projeto Arboreto/Parque Zoobotânico/Uni- versidade Federal do Acre Sistema Agrof lorestal Biodiverso Sistema Agrof lorestal Biodiverso 18 anos 40 anos ferente de produzir, vender, comprar e tro- tégias mais eficazes para alcançá-los. Em se- car os produtos, baseada nos princípios da guida, preste atenção nos seguintes itens: cooperação, autogestão e solidariedade. Na • Qualidade: O produto deve atender aos Economia solidária, a produção, o consumo padrões de qualidade e, se possível, supe- e a distribuição de riqueza são centrados na rá-los. Um produto de baixa qualidade não valorização do ser humano e não do capital, consegue um bom preço e é uma má pro- estimulando a formação de associações e paganda da atividade. cooperativas. O trabalho é tratado como um meio de libertação do ser humano em uma • Preço final: Deve ser feito um acompanha- economia mais democrática, criando uma al- mento de todos os gastos do processo de ternativa às relações do trabalho capitalista. produção para podermos definir um preço Sem explorar os outros, sem querer levar final que, além de cobrir esses gastos, traga vantagem, sem destruir o ambiente. É coo- uma sobra que poderá ser usada tanto para perando que se fortalece o grupo, cada um investir no crescimento da produção quan- pensando no bem estar de todos e no próprio to para divisão entre os trabalhadores. bem. Com esta lógica, os empreendimentos da economia solidária são geridos de forma coletiva. As decisões são discutidas em as- sembléias de sócios, onde todos possuem voz e todas as questões são decididas pelo gru- po. A busca é sempre pelo consenso, mas, em caso de desempate, o voto de cada um tem o mesmo peso! 20 Hortas e jardins Comunidades Verdes 21
  • 12. 6 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PARA SABER MAIS Baseado nos princípios da conservação da Serviços ambientais e populações por onde passa, aumentando a www.agroecologia.org.br biodiversidade, do uso sustentável dos re- produção destas indústrias e aumentando a Articulação Nacional de Agroecologia cursos naturais e da repartição justa e igua- Você já ouviu falar em “serviços ambien- produção e a arrecadação do governo. Ou seja, www.agroecologiarj.org litária dos benefícios da natueza, devemos tais”? São serviços que a natureza nos for- um sistema onde todos ganham. Articulação de Agroecologia do Rio de avançar na criação e implementação de leis nece gratuitamente e que contribuem para o Janeiro e políticas públicas que ajudem na conser- bem estar humano. Veja alguns exemplos: Serviços ambientais – Projeto de lei sobre a vação do meio ambiente brasileiro. Conheça, Política Nacional dos Serviços Ambientais. www.aba-agroecologia.org.br • Fornecimento de alimentos, remédios natu- em seguida, alguns dos códigos, leis e políti- www.camara.gov.br/sileg/integras/667325.pdf Revista brasileira de Agroecologia rais, produtos florestais e combustíveis; cas públicas que regem a produção da agri- • A manutenção da biodiversidade e do equi- www.aspta.org.br cultura no Brasil: líbrio ecológico; Serviços ambientais no RJ – Decreto que esta- Programa de agricultura urbana • O equilíbrio do clima e o controle das for- belece o Programa Estadual de www.agroecologiaemrede.org.br Código florestal: dispõe sobre a proteção da ças dos ventos; Pagamento por Serviços Ambientais. Agroecologia em Rede vegetação nativa. • Água de boa qualidade em abundância; www.inteligenciaambiental.com.br/sila/pdf/ www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- • Os ciclos da chuva e o controle das enchen- edecexerj42029-11.pdf www.contraosagrotoxicos.org 2014/2012/Lei/L12651.htm tes e das secas; Campanha Permanente Contra os • A produção de oxigênio e a purificação do Cartilha Pagamento de Serviços Ambientais Agrotóxicos SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Con- ar pelas plantas; na Mata Atlântica www.sementesriosaopaulo.sp.gov.br servação): estabelece critérios e normas para • A conservação dos solos, a fertilidade dos www.mma.gov.br/estruturas/202/_arquivos/ Rede de Sementes Florestais Rio-São Paulo a criação, implantação e gestão das unidades solos e a ciclagem dos nutrientes; psa_na_mata_atlantica_licoes_aprendidas_e_ de conservação. desafios_202.pdf www.sementesdoxingu.org.br • Transformação de resíduos orgânicos em www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9985.htm Rede de Sementes do Xingu adubos através da decomposição; • A polinização das f lores e o transporte e www.sementesdopantanal.dbi.ufms.br PNF (Programa Nacional de Florestas): pos- plantio de sementes pelos animais; Rede de Sementes do Pantanal sui o objetivo de articular as políticas públi- www.agrofloresta.net cas setoriais para promover o desenvolvi- A degradação ambiental está diminuin- Informações sobre Sistemas Agroflorestais mento sustentável, conciliando o uso com a do a oferta desses serviços, pois eles só são conservação das florestas brasileiras. possíveis em áreas conservadas. Como uma www.kokopelli-seed-foundation.com www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3420.htm forma de estimular a preservação ambiental, Resgate e manutenção de sementes crioulas o governo criou os Pagamentos por Serviços www.ecovida.org.br/category/publicacoes/carti- PNAPO (Política Nacional de Agroecologia): Ambientais, um sistema em que um presta- lhas - Cartilhas da Rede Ecovida possui o objetivo de integrar, articular e ade- dor (propietário rural) firma um contrato de quar políticas, programas e ações indutoras www.mma.gov.br/publicacoes/biodiversidade prestação de serviço com umo pagador (em- da transição agroecológica e da produção or- presa, organização ou governo) para oferecer Cartilhas do Ministério do Meio Ambiente gânica e de base agroecológica. serviços como: Proteção e plantio de florestas www.fruticultura.iciag.ufu.br www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- e agroflorestas (sequestro de carbono, manu- Informações sobre fruticultura 2014/2012/decreto/d7794.htm tenção da biodiversidade e agroecoturismo) sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br ou proteção e recuperação de matas ciliares Produções técnicas da Embrapa Sistema Nacional de Sementes e Mudas: ob- e nascentes (proteção e qualidade da água). jetiva garantir a identidade e a qualidade do Vamos ver um exemplo concreto de como www.aspta.org.br/wp-content/uploads/ 2011/05/ material de multiplicação e de reprodução isso acontece? Um agricultor recebe do gover- A-nova-legisla%C3%A7%C3%A3o-de-sementes-e- vegetal produzido, comercializado e utiliza- no um incentivo para proteger a mata ciliar do -mudas-no-Brasil.pdf – Cartilha sobre a nova do em todo o território nacional. rio que atravessa sua propriedade e reflores- legislação de mudas e os impactos na agri- www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/ tar as áreas de nascentes que deságuam nesse cultura familiar L10.711.htm rio. O rio, por sua vez, abastece as indústrias22 Legislação ambiental Comunidades Verdes 23
  • 13. Governo do Estado do Rio de Janeiro ISERSérgio Cabral Instituto de Estudos da ReligiãoGovernadorLuiz Fernando Pezão Hélio R. S. SilvaVice-governador PresidenteSecretaria do Estado do Ambiente Nair Costa MulsCarlos Minc Vice-presidenteSecretário Pedro StrozenbergSuperintendência de Território Secretário Executivoe CidadaniaIngrid Gerolimich Nina QuirogaSuperintendente Comunicação InstitucionalSEA / Inea Helena MendonçaAv. Venezuela, 110 – Saúde SecretáriaRio de Janeiro – RJCEP 20081-312www.rj.gov.br/seawww.stcambiente.com Ficha técnica desta publicação Coordenação pedagógica Suyá Presta Projeto editorial e redação Suyá Presta e Igor Conde Projeto gráfico e diagramação Manuela Roitman Revisão e copydesk Ana Bittencourt e Nina Quiroga

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