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Sérgio Perazzo
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Foi-se a memória. Sobe da esquina, em
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Hildette Rangel Enger
Desconstrução
José Leopoldo Lopes Oliveira
Pensamentos de julho
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O Bandeirante - Agosto 2014 5
Caminho para a Penha
RobertoAntonioAniche
Tarde qualquer de um desses dias úteis
preguiçosos...
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Rodolpho Civile
E o vento levou...
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O drama passa-se na época da guerra de secessão.
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Livros em destaque
HELIO BEGLIOMINI e MARCOS
GIMENES SALUN
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CONGRESSOS EM PERNAMBUCO: inscrições até 15 de agosto
Estão abertas as inscrições para o XXV Congresso Brasileiro de Médic...
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"O Bandeirante" - nº 261 - agosto 2014

  1. 1. 262626262611111 AGOSTO 2014 O BandeirantePublicação mensal da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional S.Paulo O matador de vaga-lumes “Uma aragem de um vulto rondando a casa? Insuspeitado soluço? A garrafinha no chão de lajotas da varanda, os vaga-lumes todos mortos, trocados por lágrimas, afogados em meio litro de cerveja derramada pelo gargalo e sacudida de propósito por um tio que morava ao lado, voltando de suas noitadas etílicas, transbordando de maldade, instilado de peçonha.” SÉRGIO PERAZZO p.3 “No dia seguinte, levantou com olheiras e um profundo mau humor. E agora? Iria procurar a moça ou esperaria que ela o fizesse? Que dúvida... Logo depois do café foi espiar a sacada. Estava vazia. Sentiu um “nó” na garganta. Entrou e foi direto para o seu quarto. Tentou ler, mas não conseguiu.” RODOLPHO CIVILE p.6 E o vento levou... Caminho para a Penha “No relógio da igreja são quase cinco horas, o ônibus está tão devagar que talvez eu perca a prova, tomara. Na escadaria dois mendigos nem se dão ao luxo de pedir esmolas, já devem ter jantado cedo, não têm que trabalhar, entregar o serviço, fazer provas, tomar banho. De novo bate aquela inveja, mas deitar no chão duro não deve ser agradável, prefiro contar vantagens naquele boteco lá de trás.” ROBERTO ANTONIO ANICHE p. 5 Visite nosso BLOG: http://sobramespaulista.blogspot.com.br DESCONSTRUÇÃO Hildette Rangel 4 CABANAGEM Carlos Galvão 6 PENSAMENTOS José Leopoldo 4 SUBLIME AMOR Ligia Pezzuto 4
  2. 2. 2 O Bandeirante - Agosto 2014 Jornal O Bandeirante ANO XXIV - nº. 261 Agosto 2014 Publicação mensal da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Estado de São Paulo SOBRAMES-SP. Sede: Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 278 - 7º. Andar - Sala 1 (Prédio da Associação Paulista de Medicin a) - São Paulo - SP Editores: Josyanne Rita de Arruda Franco e Marcos Gimenes Salun (MTb 20.405-SP) Jornalista Responsável e Revisora: Ligia Terezinha Pezzuto (MTb 17.671-SP). Redação e Correspondência: Rua Francisco Pereira Coutinho, 290, ap. 121 A – V. Municipal – CEP 13201-100 – Jundiaí – SP E-mail: josyannerita@gmail.com Tels.: (11) 4521-6484 Celular (11) 99937-6342. Colaboradores desta edição: (Textos literários): Carlos Augusto Ferreira Galvão, Hildette Rangel Enger, Ligia Terezinha Pezzuto, José Leopoldo Lopes de Oliveira Sobrinho, Roberto Antonio Aniche, Rodolpho Civile e Sérgio Perazzo. (Fatos & Olhares): Márcia Etelli Coelho. Tiragem desta edição: 300 exemplares (papel) e mais de 1.000 exemplares PDF enviados por e-mail. Diretoria - Gestão 2013/2014 - Presidente: Josyanne Rita de Arruda Franco. Vice-Presidente: Carlos Augusto Ferreira Galvão. Primeiro-Secretário: Márcia Etelli Coelho. Segundo- Secretário: Maria do Céu Coutinho Louzã. Primeiro- Tesoureiro: José Alberto Vieira. Segundo-Tesoureiro:Aida Lúcia Pullin Dal Sasso Begliomini. Conselho Fiscal Efetivos:Hélio Begliomini, Luiz Jorge Ferreira e Marcos Gimenes Salun. Conselho Fiscal Suplentes: José Jucovsky, Rodolpho Civile e José Rodrigues Louzã. . Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da Sobrames-SP Editores de O Bandeirante Flerts Nebó - novembro a dezembro de 1992 Flerts Nebó e Walter Whitton Harris - 1993-1994 Carlos Luis Campana e Hélio Celso Ferraz Najar - 1995-1996 Flerts Nebó e Walter Whitton Harris - 1996-2000 Flerts Nebó e Marcos Gimenes Salun - 2001 a abril de 2009 Helio Begliomini - maio a dezembro de 2009 Roberto A.Aniche e CarlosAugusto F. Galvão - 2010 Josyanne R.A.Franco e CarlosAugusto F.Galvão - 2011-2012 Josyanne R.A.Franco e Marcos Gimenes Salun - 2013-2014 Presidentes da Sobrames-SP 1º. Flerts Nebó (1988-1990) 2º. Flerts Nebó (1990-1992) 3º. Helio Begliomini (1992-1994) 4º. Carlos Luiz Campana (1994-1996) 5º. Paulo Adolpho Leierer (1996-1998) 6º. Walter Whitton Harris (1999-2000) 7º. Carlos Augusto Ferreira Galvão (2001-2002) 8º. Luiz Giovani (2003-2004) 9º. Karin Schmidt Rodrigues Massaro (jan a out de 2005) 10º. Flerts Nebó (out/2005 a dez/2006) 11º. Helio Begliomini (2007-2008) 12º. Helio Begliomini (2009-2010) 13º. Josyanne Rita deArruda Franco (2011-2012) 14º. Josyanne Rita de Arruda Franco (2013-2014) Editores: Josyanne R.A.Franco e Marcos Gimenes Salun Revisão: Ligia Terezinha Pezzuto Diagramação: Marcos Gimenes Salun | Rumo Editorial Produções e Edições Ltda. E-mail: rumoeditorial@uol.com.br Impressão e Acabamento: Expressão e Arte Gráfica Editora - São Paulo Josyanne Rita de Arruda Franco Médica Pediatra Presidente da Sobrames-SP As Pizzas Literárias da SOBRAMES-SP acontecem na terceira quinta-feira de cada mês, a partir das 19h00 na PIZZARIA BONDE PAULISTA Rua Oscar Freire, 1.597 - Pinheiros - S.Paulo “A Pizza Literária - décima terceira fornada” http://coletanea2014.blogspot.com.br/ A edição de 2014 da tradicional coletânea da Sobrames-SP terá 26 autores que fazem, desta, mais uma primorosa edição. O lançamento está previsto para 7 de novembro de 2014 VEJA MAIS INFORMAÇÕES DE NOSSA COLETÂNEA 2014 NESTE BLOG 03/08 – Arary da Cruz Tiriba 05/08 – Carlos José Benatti 15/08 – Carlos Roberto Ferriani 18/08 – Vera Lúcia Teixeira 26/08 – Josef Tock 28/08 – Guaracy Lourenço da Costa Ficam todos os membros da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, regional do Estado de São Paulo - SOBRAMES-SP convocados para a Assembleia Geral Ordinária que se realizará no dia 18 de setembro de 2014 na pizzaria “Bonde Paulista” situada na Rua Oscar Freire, 1.597, em São Paulo, às 20h00, em primeira convocação, com a presença de cinquenta por cento dos Membros Titulares, Acadêmicos e Colaboradores quites com a tesouraria da sociedade e dos Membros Eméritos, Honorários e Beneméritos e, em segunda convocação às 20h30, com qualquer número de membros da SOBRAMES-SP, para deliberar sobre a seguinte pauta do dia: 1.Leitura da Ata da última AGO; 2. Apresentação de relatório da Diretoria; 3.Apresentação de balanço e tomada de contas pela Tesouraria; 4. Análise e votação de assuntos gerais inscritos com a antecedência mínima de 5 (cinco) dias; 5. Eleição da nova Diretoria para o Biênio 2015-2016. Esta convocação obedece ao disposto no Capítulo IV - Assembleias, artigos 10.º a 13.º, do Estatuto da Sociedade Brassileira de Médicos Escritores - Regional do Estado de São Paulo, aprovado em AGE de 13.04.2000 e registrada no 4.º Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil da Pessoa Jurídica (SP) sob n.º 405875/2000, averbado no registro primitivo n.º 223988/91 EDITAL DE CONVOCAÇÃO: Assembleia Geral Ordinária Depois do agito da Copa do Mundo e do período de férias escola- res, a Sobrames-SP aguarda um semestre agitado em aconteci- mentos: eleição da diretoria para o próximo biênio, preparo de uma delegação paulista robusta para o Congresso Nacional em Recife, Balada Literária com lançamento da Coletânea e posse da nova diretoria fechando o agitado ano. Recheando os intervalos entre os eventos, as famosas e alegres Pizzas Literárias mensais, pulsantes e com novos associados colorindo o ambiente acolhedor. Um sucesso permanente que se renova com sua presença. Acom- panhe nosso calendário e participe da vida cultural da Sobrames- -SP, uma vivência deveras inesquecível!
  3. 3. O Bandeirante - Agosto 2014 3 Sérgio Perazzo O matador de vaga-lumes Foi-se a memória. Sobe da esquina, em crescendo, ainda, o som da batucada, prenúncio de carnaval dissolvido na chuva de verão, fragmentada em granizos estilhaçados, cacos, mosaicos de cenas perdidas compondo uma única fotografia manchada de tempo. Pedaços de serpentinas enrolados nos pés das mesas, confetes de véspera ainda entranhados nos cabelos. Lantejoulas grudadas nas palmilhas dos sapatos pelo suor gasto dos últimos bailes e desfiles. Vestígios de uma folia que passou e que insiste em voltar tardia num samba em tom menor, deslizando nos temporais de março para o bueiro do que foi alegria, do que foi crônica fugaz, conversa à toa ao pé do fogo, na penumbra das luzes se apagando, dando lugar ao bocejo espreguiçado do amanhecer. O carnaval nem veio e já se foi. Foi-se a história. Uma luz jobiniana lá embaixo se acendeu sem queimar a fotografia, compondo o contraponto do colorido enxadrezado da espuma do mar com as ondas furta-cor da mais intensa paixão. Eu começo no ponto em que você acaba, reafirmando que a vida é sempre. Para cada momento existe um fundo musical, um fragmento de uma trilha sonora ainda por compor e gravar. Não acredita? Preste atenção. Escute agora. Dê lugar às pausas. Ao silêncio. Incorpore a clave do compasso binário. Eu e você. Foi justo neste ponto de calma alvissareira em que até podia desabar o céu sobre nossas cabeças, que o mundo repentinamente escureceu. E lá foi você, não sei se mulher ou menina, destemida no seu temor, embrenhar-se na mata que em nossa imaginação nos rodeava e continha, com o único propósito de caçar vaga-lumes. Um propósito simples como média e pão com manteiga. O propósito de iluminar com luz interior, com luz da natureza, todas as lacunas da sinfonia do silêncio que estávamos ouvindo no intervalo da noite. Sua mão cheia de luzes foi enchendo a garrafinha de plástico com o brilho e as asas dos vaga-lumes. Mesmo sabendo não ser abelhas, forrou o fundo da garrafa com uma película de mel para que não morressem de fome. Furou mil furinhos nas paredes de plástico para que respirassem com um mínimo desafogo. Antes de dormir, depositou a lanterna de vaga-lumes, enfim pronta, no parapeito da janela abrindo para a varanda lá fora, dando ao quarto uma luminosidade suave e faiscante. Feito isso, suavemente me abraçou. Um pisca-pisca que se alternava com a sinfonia e as pausas de silêncio de uma cantiga de ninar. Adormeceu sorrindo sem nenhuma ruga na testa. Sou testemunha ocular. Acordou de madrugada num sobressalto em total escuridão. Em total silêncio. Uma aragem de um vulto rondando a casa? Insuspeitado soluço? A garrafinha no chão de lajotas da varanda, os vaga-lumes todos mortos, trocados por lágrimas, afogados em meio litro de cerveja derramada pelo gargalo e sacudida de propósito por um tio que morava ao lado, voltando de suas noitadas etílicas, transbordando de maldade, instilado de peçonha. Um tio sem trilha sonora, há muito perdido no escuro. Há muito acorrentado naquele canto da vida de paredes de concreto, condenado a uma solitária perpétua sem frestas, donde os vaga-lumes não se acercam nunca, sequer tendo forças para voar livres. Menos ainda, para iluminar o escuro ou, mesmo então, para povoar os sonhos mais fantásticos, mais improváveis e mais intransigentemente esperançados ou desesperados que um ser humano pode sonhar e viver na luz efêmera e intermitente da cauda nebulosa de pirilampos. Foi-se a mata, derrubada sete vezes, sete vezes renascida, sete vezes irrigada. Foram-se os vaga-lumes, migrando para sempre no sentido sudoeste. Nunca mais foram encontrados. Apagaram, no seu plano de voo, o interruptor que acendia a noite. Ficou o nosso amor abençoado, abraçados na escuridão, na fronteira do medo, protegendo-se da sombra do mal, doce refúgio em si mesmo construído, entre pausas da sinfonia do mais sonoro silêncio, das mais emudecidas colcheias no intervalo do compasso.
  4. 4. 4 O Bandeirante - Agosto 2014 Hildette Rangel Enger Desconstrução José Leopoldo Lopes Oliveira Pensamentos de julho Sublime amor Ligia Terezinha Pezzuto Na mansa manhã de moles ondas, cantos de mel encobrem o mar. Sussurar. Qual dom na espuma infinita de pranto sem fim feito manto. A suavizar. Nuvens calmas no horizonte, fino caminho de alma e amor. A se entregar. O ninho entranha compreensão e encanto. Sublimar. Tiro os sapatos Para sentir nos pés A terra que te recebe Como semente... Depois dispo devagar meu vestido de noiva Pesado de poeira do tempo Em que andei contigo Pelas estradas da vida... Não mais espiaremos juntos O pôr do sol Nas tardes de verão... Nem mais veremos De mãos dadas estrelas nascerem ao anoitecer Retiro solenemente O véu colorido Que me cobria os olhos Para poder enxergar A vida sempre em azul Como teus olhos... De todo um sonho Restou apenas um vazio E duas lágrimas Escorrendo pelo rosto... Nosso noivado acabou Foi fundamental para o sucesso da copa das copas a atuação firme do Brasil no aumento do número de gols realizados. Pena que o sentimento de nacionalidade esteja nos pés. E não na cabeça. Por ironia da história, o Brasil mudou muito de um Vargas a outro; o primeiro, Getúlio de pequeno físico deu a vida por honra, criou a Petrobras; o outro foge ao ouvir-lhe o nome, apesar do físico avantajado. Desejo impossível: que as mulheres da Índia sejam respeitadas como as vacas. Seria revolucionário. Basta ler os jornais para vermos a distância que estamos de um mínimo de convivência civilizada. O melhor legado da copa foi alemão, em Santa Cruz Cabrália, onde serão sempre lembrados com alegria e nem a isso o governo manifestou qualquer agradecimento.
  5. 5. O Bandeirante - Agosto 2014 5 Caminho para a Penha RobertoAntonioAniche Tarde qualquer de um desses dias úteis preguiçosos que nos fazem, de dentro do ônibus nos sentirmos o office-boy mais sonolento do ano. Avenida Celso Garcia, degradada, mas poderia ser qualquer outra, tudo o que eu queria era que o ônibus andasse devagar e chegasse na hora de eu ir embora de novo. A porta abre e entra uma senhora gorda, guarda-chuvas (mas não chovia), duas crianças atrás, eu apenas olho com o olhar sonolento de quem não tem pressa. Nas mãos tenho um livro de geografia que não quero estudar, mas que teima em ficar me olhando boquiaberto com letras que se embaralham tentando me convencer de que estou realmente do outro lado do mundo. Barulho de primeira marcha, devagar ele sai do ponto, alguém assovia uma música do Roberto Carlos, alguém cola o radinho de pilha no ouvido e a voz do Hélio Ribeiro escapa falando coisas de amor para minha primeira namorada que não sei com quem se casou. Olho pela janela, pessoas esticadas numa mesa de bar tomando cerveja, conversando qualquer coisa que não ouço. Às vezes tenho inveja dessas pessoas que nunca conversam comigo, que não dividem suas ideias, suas proezas, suas vantagens comigo. Queria estar sentado lá, sem ter que fazer prova de geografia, falando qualquer coisa sobre amores indecentes e amores que perdi, enchendo a mesa de gols que marquei e gols que defendi. Mas o ônibus não me deixa e dá outro tranco e para, para entrar o carteiro trazendo notícias de todo lugar, cartas de cobrança, cartões de aniversário, mas ele nem me nota com meu livro de geografia. Claro que ninguém me escreveu, ninguém quer saber como ando, o que estou fazendo e se estudei para a prova de geografia. No relógio da igreja são quase cinco horas, o ônibus está tão devagar que talvez eu perca a prova, tomara. Na escadaria dois mendigos nem se dão ao luxo de pedir esmolas, já devem ter jantado cedo, não têm que trabalhar, entregar o serviço, fazer provas, tomar banho. De novo bate aquela inveja, mas deitar no chão duro não deve ser agradável, prefiro contar vantagens naquele boteco lá de trás. O ônibus para no ponto e a mulher gorda desce com as duas crianças. É assim que a minha primeira namorada deve estar, gorda, cheia de filhos e varizes. Não tenho inveja, não fui eu quem desapareceu naquela tarde que eu fiz questão de esquecer. O ônibus retoma a marcha e as pessoas andam nas calçadas, andam sem ter nomes, uniformes, livros nem horário. A tarde já está acabando e elas estão indo preguiçosamente para suas casas. Que vontade de ser só mais um na multidão que anda para qualquer lugar sem ter a pretensão de chegar a lugar algum, ser só mais um sem nome, sem endereço, sem obrigações de chegar na hora. Não ter ninguém que me espere para eu poder sentar no banco do boteco e tomar a cerveja lentamente, sentar na escadaria da igreja sem me preocupar com as horas que o relógio bate, ou com o chão duro; não ter uma mulher gorda com varizes me esperando, não ter que fazer prova de geografia. Só isso, ter a pretensão de sequer ser um nome numa tarde preguiçosa dentro do ônibus para a Penha...
  6. 6. 6 O Bandeirante - Agosto 2014 Rodolpho Civile E o vento levou... (...) O drama passa-se na época da guerra de secessão. Abraão Lincoln, assumindo a Presidência, pretendia promover a extinção da escravatura. A Carolina do Sul declarou sua separação. Lincoln tentou evitar a guerra, mas não conseguiu. Outros estados sulistas uniram-se à Carolina formando os Estados confederados da América. Abril de 1861: os sulistas iniciam a guerra de secessão (separação) atacando o forte Sumter, comandados pelo general Lee. Depois de vários anos de guerra, os nortistas comandados pelos generais Grant e Sherman entram em Richmond, capital dos confederados. O general Lee rendeu-se a 9 de abril de 1865. Lincoln foi assassinado por um fanático sulista quando assistia a uma peça no Teatro Ford, em Washington. A guerra foi longa e o filme também: três horas e meia. Não houve tempo para diálogo. Glorinha chorou quando Scarlett O’Hara volta à sua fazenda “Tara” e só encontra a destruição. Jura solenemente que de lá não sairia mais... Muito comovida, Glorinha pegou a mão de Raimundo que a segurou até o final do filme. Quando saíram do cinema, já era noite. Voltaram para casa. A despedida foi só: “boa noite”. Não houve promessa de reencontro. Raimundo ficou amargurado. Saíram juntos só para assistir a um filme? Será que ela não gostou dele? Amor próprio ofendido tentou dormir, mas não conseguiu. Ficou “rolando” na cama. No dia seguinte, levantou com olheiras e um profundo mau humor. E agora? Iria procurar a moça ou esperaria que ela o fizesse? Que dúvida... Logo depois do café foi espiar a sacada. Estava vazia. Sentiu um “nó” na garganta. Entrou e foi direto para o seu quarto. Tentou ler, mas não conseguiu. Abriu a porta do guarda-roupa. Na parte interna do espelho. Com admiração acariciou as negras madeixas. Olhou o conjunto: altura média, moreno, cabelos ondulados, testa baixa, sobrancelhas bem delineadas. Olhos castanhos muito expressivos. Boca bem feita. Dentes alvos. Sorriso comunicativo irradiava simpatia. Será que tudo isso não impressionara a moça? Depois dessa autoanálise, adquiriu uma nova força. Precisava conquistar a moça. Foi falta de habilidade? – pensou – Não! Foi o maldito “E o Vento Levou”! Que ideia foi ter ido vê-lo! Com determinação, saiu à rua. Por coincidência ela estava batendo à porta. Olhou o moço e sorridente fez um aceno. Na sua mão, um véu preto, um missal e um rosário. - Vamos à missa? - À missa? – surpreso Raimundo. - Por quê? Você não costuma ir? - Às vezes... – sorriu. - Não quero forçá-lo! - Não! Não! Está bem! Vou acompanhá-la. Inexplicavelmente o mau humor sumiu. O melhor remédio é sempre o amor. (...) - (trecho do romance Esperando a Eternidade) (...) A revolução dos cabanos procurava uma identidade e havia interrogações inquietantes, como a escravidão, debate afogado em reticências pela Igreja e pouco pensada por parte dos cabanos. Naturalmente estabeleceu-se que os negros que quisessem sair do cativeiro deveriam aderir ao exército cabano e conquistar esta liberdade por atos de bravura. CarlosAugusto Ferreira Galvão Identidade cabana Terminar pura e simplesmente com a escravidão?! E fazer o que com os escravos? Muitos deles queriam continuar escravos, pois não sabiam ser outra coisa. Alegavam que tinham “sorte” de ser bem alimentados. Aparentemente a cidade não possuía condições culturais de acabar imediatamente com a escravidão, e graças a Deus tive a sensibilidade de entender isso. Já ia longe os primeiros dias em que reinou a anarquia, combatida com pulso firme porAngelim. Aelite, que prudentemente havia se recolhido dentro das casas, começava a se aventurar pelas ruas em compras e passeios. Até a uma festa compareci com Lissa, e aquela gente se divertia como que meio temerosa. Era de se notar o desaparecimento da antiga ostentação, quando as madames finas pareciam disputar a posse do maior brilhante ou da maior esmeralda. Todos apresentavam- -se vestidos com simplicidade e quase não se viam joias nas mulheres.A cidade estava em paz e começava a tocar a vida para frente. (...) - (trecho do romance A Terra de Tupã)
  7. 7. O Bandeirante - Agosto 2014 7 Livros em destaque HELIO BEGLIOMINI e MARCOS GIMENES SALUN “Sobrames Paulista - compêndio dos seus vinte anos de história (1998-2008) Rumo Editorial - SP Os autores compilam nessa obra o registro documental de fatos e informações que marcaram os primeiros 20 anos da tragetória da Regional Paulista da SOBRAMES. Tendo como base documentos do acervo da entidade, a obra é fartamente ilustrada, constituin- do-se em fonte de consulta e informação primorosa. Aquisições e informações pelo e-mail: rumoeditorial@uol.com.br FLERTS NEBÓ “O homem que voltou do passado” Editoras Técnicas Reunidas - SP Um drama de amor e milagre de uma ressurreição, para que não se perca, para gáudio do leitor, o triunfo de Vênus sobre as sangrentas tropelias de Marte, é o que o autor oferece em seu romance. Ambienta- do na França, durante a Primeira Guerra Mundial, narra a história de Michele e Philipe, dois jovens que se amam e se separam em decorrência da vida cotidiana, sem, entretanto, deixarem de se amar, provando que o amor puro nunca morre. Aquisições e informações: flerts@plugnet.com.br O trecho abaixo é parte de uma poesia de um dos autores da SOBRAMES-SP, já publicada anteriormente numa de nossas COLETÂNEAS. Você consegue identificar o autor? Resposta na próxima edição. Esta agenda está sujeita a alterações em decorrência de fatores não previstos quando de sua elaboração Endereços e horários Pizzas Literárias: Pizzaria Bonde Paulista. Rua Oscar Freire, 1.597 - a partir de 19h00. Balada Literária: APM - Espaço Maracá - Av. Brigadei- ro Luís Antônio, 278 - 11.º andar - das 18h30 às 22h00 Reuniões de Diretoria: Sede da SOBRAMES-SP na APM - Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278 - 7º. andar - Sala 1 - às 19h00 PIZZAS LITERÁRIAS JAN - 16 FEV - 20 MAR - 2O ABR - 24 MAI - 15 JUN - 26 JUL - 17 AGO - 21 SET - 18 OUT - 16 NOV - 13* DEZ - 18 Realizadas na terceira quinta-feira de cada mês *ATENÇÃO Em virtude de feriados, as datas das reuniões de Abril, Junho e Novembro foram modificadas CONGRESSO NACIONAL OUT - 08 a 12 Recife - PE ELEIÇÕES JUL - 17 Prazo final para a inscrição de chapas concorrentes SET - 18 Eleição BALADA LITERÁRIA MAI - 30 NOV - 07 COLETÂNEA 2014 FEV Divulgação das regras e início das adesões de autores NOV - 07 Lançamento REUNIÕES DE DIRETORIA Primeira quinta-feira do mês O trecho da edição anterior pertence à crônica “Ponta de Lança”, de Walter Whitton Harris, que foi publicado na página 307 da “II Antologia Paulista” de 2000. Que tal reler essa crônica na íntegra, além de outros textos dos talentosos autores da SOBRAMES presentes naquela edição? Relendo REALIZADO “Aquele domingo parecia que não iria diferir de nenhum outro e lá se foi Julinho para seu futebol. Seu pai lia o jornal tranquilamente, tendo-o buscado no jornaleiro de manhãzinha. Sua mãe varria o quintal e sua irmã ainda dormia.” CONFIRMADO Mas é preciso despertar! A vida conti- nua! / Não se pode permanecer inerte! / Enquanto vivemos precisamos, e muito, ficar acordados... / estar alerta para enfrentarmos o futuro.../ meditando sempre sobre o nosso porvir...
  8. 8. CONGRESSOS EM PERNAMBUCO: inscrições até 15 de agosto Estão abertas as inscrições para o XXV Congresso Brasileiro de Médicos Escritores que acontecerá de 8 a 11 de outubro em Recife-PE, juntamente com o IX Congresso da UMEAL. Informações no site da regional pernambucana da SOBRAMES: http://sobrames-pe.webnode.com CHAPA “CAMINHANDO” CONCORRE À DIREÇÃO DA SOBRAMES-SP Encerrado o prazo regulamentar para a inscrição de chapas concorrentes à direção da SOBRAMES-SP para o biênio 2015/ 2016, apresentou-se apenas a candidatura da CHAPA “CAMINHANDO”, assim composta: Presidente: Carlos Augusto Ferreira Galvão; Vice-presidente: Márcia Etelli Coelho: Primeiro- -Secretário: Marcos Gimenes Salun; Segundo-Secretário: Maria do Céu Coutinho Louzã; Primeiro- -Tesoureiro: Helio Begliomini;Segundo-Tesoureiro: Aida Lúcia Pullin Dal Sasso Begliomini Conselho Fiscal (efetivos): Josyanne Rita de Arruda Franco, José Alberto Vieira e Roberto Antonio Aniche; Conselho Fiscal (suplentes): José Jucovsky, Alcione Alcântara Gonçalves e Sonia Regina Andruskevicius de Castro. Veja o edital de convocação para a ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA onde se realizarão as eleições na página 2 desta edição. CONCURSO ABRAMES AAcademia Brasileira de Médicos Escritores abriu inscrições até o dia 30 de agosto para o seu prestigiado Concurso Literário, não apenas para os membros acadêmicos, mas para os escritores em geral. Informações: www.abrames.com.br JOSYANNE NA SALA DOS MÉDICOS Cativante a entrevista que Josyanne Rita de Arruda Franco, presidente da regional paulista da SOBRAMES, concedeu para a revista virtual Sala dos Médicos. Falando sobre aspectos de sua vida e sobre a literatura, ela apresenta um belo painel de sua formação profissional e cultural, além de mostrar características preciosas de sua personalidade e proporcionar uma ampla divulgação da SOBRAMES. A íntegra da entrevista poderá ser vista no BLOG da SOBRAMES-SP http://sobramespaulista.blogspot.com.br/ ou diretamente no site da revista: http://www.saladosmedicos.com.br/entrevista/hobbies-pedia- tra-josyanne-franco-faz-da-literatura-uma-necessidade/ CONSAGRADOS E ECLÉTICOS Tradicionalmente, a Pizza Literária de julho é dedicada aos autores consagrados, quando os sobramistas apresentam textos de seus escritores favoritos. Um desfile literário eclético incluindo Cecília Meireles, Clarice Lispector, Castro Alves, Ana Jácomo, Manoel de Barros, Thiago de Mello, Chico Buarque de Holanda, dentre outros, foi o cardápio da noite de 17 de julho passado. Ecléticos também foram os visitantes que pela primeira vez prestigiaram o evento: a nutricionista Mércia Cristina Strong, a aposentada Maria Júlia de Mendonça, a veterinária Vera Regina Monteiro de Barros e a designer de interiores Kelen Martins da Silva Costa acompanhada das filhas Beatriz e Gabriela. Essas duas estudantes declamaram poesias próprias, vencedoras em Concurso Literário, demostrando que a juventude também se interessa pela arte de escrever. RIR É O MELHOR REMÉDIO Em homenagem a Max Nunes e ao escritor homenageado na FLIP 2014, Millôr Fernandes, o tema da próxima Superpizza será “Rir é o Melhor Remédio”. Os textos em prosa ou verso serão apresentados na Pizza Literária de 21.08.2014. CREDENCIAIS ANTECIPADAS para ingresso grátis de escritores: http://www.bienaldolivrosp.com.br/ Visitar/Credenciamento-Profissional- do-Setor/

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