O Bandeirante - nº 255 - FEV 2014
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O Bandeirante - nº 255 - FEV 2014

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O Bandeirante - nº 255 - FEV 2014 Document Transcript

  • 1. O Bandeirante 255 FEVEREIRO 2014 Publicação mensal da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional S.Paulo Curitiba “Um povo educado com um sotaque grandemente peculiar – lá, o som da letra ‘e’ final, quando não tônica, não se transforma em ‘i’ como no resto do País – habita uma cidade asseada e muito organizada em todas as áreas, dos transportes urbanos à conservação das praças e monumentos, passando pela integridade das calçadas e tudo o mais. Sexta-feira, no final da tarde, quando os centros comerciais de qualquer cidade mostram cansaço no que diz respeito à limpeza, caminhei no centro de Curitiba...” Leia a crônica de CARLOS AUGUSTO GALVÃO na p. 3 A blusa romena “...Com olhar de moça ainda menina, encontrei a Blusa Romena. Diante do quadro senti que trocamos olhares; meigo, feminino, firme. Quando dei por mim, estávamos experimentando aquela mesma blusa e conhecíamos a textura, o toque dos bordados...” A crônica de SUZANA GRUNSPUN está na p. 4 A vida é um sonho “Não vivo do passado, tive a alegria de tê-lo vivido sem pensar que jamais passaria. Fiz planos e planos para o futuro sem saber ou sequer saber que o futuro nunca existiu e o tempo cruel me converteria numa outra peça de museu, sem futuro, arqueológico, com documentos amarelados e envelhecidos.” Crônica de ROBERTO ANTONIO ANICHE na p. 5 6 4 6 5 SUTILEZAS A CRISE CREPE SUZETTE PRATA DA CASA Ligia Terezinha Pezzuto Sheila Regina Sarra Evandro Guimarães de Souza Alitta Guimarães Costa Reis Visite nosso BLOG: http://sobramespaulista.blogspot.com.br
  • 2. 2 O Bandeirante - Fevereiro 2014 Jornal O Bandeirante ANO XXIII - nº. 255 Fevereiro 2014 Publicação mensal da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores Regional do Estado de São Paulo SOBRAMES-SP. Sede: Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 278 - 7º. Andar - Sala 1 (Prédio da Associação Paulista de Medicin a) - São Paulo - SP Editores: Josyanne Rita de Arruda Franco e Marcos Gimenes Salun (MTb 20.405-SP) Jornalista Responsável e Revisora: Ligia Terezinha Pezzuto (MTb 17.671-SP). Redação e Correspondência: Rua Francisco Pereira Coutinho, 290, ap. 121 A – V. Municipal – CEP 13201-100 – Jundiaí – SP E-mail: josyannerita@gmail.com Tels.: (11) 4521-6484 Celular (11) 99937-6342. Colaboradores desta edição: (Textos literários): Alitta Guimarães Costa Reis, Carlos Augusto Ferreira Galvão, Evandro Guimarães de Souza, Ligia Terezinha Pezzuto, Sheila Regina Sarra, Suzana Grunspun e Roberto Antonio Aniche (Fatos & Olhares) Márcia Etelli Coelho. Tiragem desta edição: 300 exemplares (papel) e mais de 1.000 exemplares PDF enviados por e-mail. Diretoria - Gestão 2013/2014 - Presidente: Josyanne Rita de Arruda Franco. Vice-Presidente: Carlos Augusto Ferreira Galvão. Primeiro-Secretário: Márcia Etelli Coelho. SegundoSecretário: Maria do Céu Coutinho Louzã. PrimeiroTesoureiro: José Alberto Vieira. Segundo-Tesoureiro: Aida Lúcia Pullin Dal Sasso Begliomini. Conselho Fiscal Efetivos:Hélio Begliomini, Luiz Jorge Ferreira e Marcos Gimenes Salun. Conselho Fiscal Suplentes: José Jucovsky, Rodolpho Civile e José Rodrigues Louzã. . Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da Sobrames-SP Editores de O Bandeirante Flerts Nebó - novembro a dezembro de 1992 Flerts Nebó e Walter Whitton Harris - 1993-1994 Carlos Luis Campana e Hélio Celso Ferraz Najar - 1995-1996 Flerts Nebó e Walter Whitton Harris - 1996-2000 Flerts Nebó e Marcos Gimenes Salun - 2001 a abril de 2009 Helio Begliomini - maio a dezembro de 2009 Roberto A.Aniche e Carlos Augusto F. Galvão - 2010 Josyanne R.A.Franco e Carlos Augusto F.Galvão - 2011-2012 Josyanne R.A.Franco e Marcos Gimenes Salun - 2013-2014 Presidentes da Sobrames-SP 1º. Flerts Nebó (1988-1990) 2º. Flerts Nebó (1990-1992) 3º. Helio Begliomini (1992-1994) 4º. Carlos Luiz Campana (1994-1996) 5º. Paulo Adolpho Leierer (1996-1998) 6º. Walter Whitton Harris (1999-2000) 7º. Carlos Augusto Ferreira Galvão (2001-2002) 8º. Luiz Giovani (2003-2004) 9º. Karin Schmidt Rodrigues Massaro (jan a out de 2005) 10º. Flerts Nebó (out/2005 a dez/2006) 11º. Helio Begliomini (2007-2008) 12º. Helio Begliomini (2009-2010) 13º. Josyanne Rita de Arruda Franco (2011-2012) 14º. Josyanne Rita de Arruda Franco (2013-2014) Editores: Josyanne R.A.Franco e Marcos Gimenes Salun Revisão: Ligia Terezinha Pezzuto Diagramação: Marcos Gimenes Salun | Rumo Editorial Produções e Edições Ltda. E-mail: rumoeditorial@uol.com.br Impressão e Acabamento: Expressão e Arte Gráfica Editora - São Paulo Retorno de férias: início de atividades e compromissos. Deixamos a tão curtida descontração para assumir responsabilidades cotidianas com maior interesse e empenho. Vão-se os dias de ócio quase juvenil, de sol e sal, calor e roupas leves. Chinelos dando lugar aos saltos! Saem dos armários jalecos, uniformes e vestes menos casuais. É tempo de voltar à lida que movimenta o País, dá sentido à vida, impulsiona a economia... e alimenta os sonhos! Tempo de escrever e criar, florescer ideias e atitudes. Tempo de colocar em prática o prometido e o desejado. Tempo de encontros alegres, de fato menos festivos que os do fim do ano passado... porém mais constantes, semeados e cultivados com amizade e companheirismo ao longo de doze meses. É tempo de arar a literatura e germinar Sobrames-SP! Pode chegar mais perto. Josyanne Rita de Arruda Franco Médica Pediatra Presidente da Sobrames-SP Não perca em fevereiro PRÊMIO FLERTS NEBÓ - Na Pizza Literária de 20 de fevereiro será feita a entrega do Prêmio “Flerts Nebó” que, em sua 13ª. edição, irá para o melhor texto em prosa apresentado em 2013. Dois outros textos receberão menções honrosas neste concurso. SUPERPIZZA. “Fim de festa” é o mote para quem quiser participar do desafio da próxima Superpizza, cujos textos em prosa ou verso com o tema deverão ser apresentados na Pizza Literária do dia 20. O que for escolhido por um jurado convidado receberá uma garrafa de vinho. Já pagou a anuidade 2014? Será de R$ 330,00 o valor da anuidade para 2014, que poderá ser pago em três parcelas de R$ 110,00, com cheques para fevereiro, março e abril. Para os pagamentos efetuados a partir de maio, o valor será de R$ 360,00. A diretoria espera e agradece a contribuição de todos, pois esta é a única fonte de recursos para manter as atividades da SOBRAMESSP. O pagamento em dia também garante a publicação de seus textos literários. Contatos com a tesouraria: aidapdsb@terra.com.br Inscrições abertas para a Coletânea 2014 As regras e condições para mais uma edição da tradicional coletânea bianual da SOBRAMES-SP, “A Pizza Literária - décima terceira fornada”, já estão disponíveis. Elas foram publicadas num BLOG exclusivo, que foi ao ar no final de janeiro e que poderá ser acompanhado no endereço abaixo. Uma divulgação por e-mail já foi feita e logo mais estará sendo enviada também por correio convencional. No encerramento desta edição, três autores já haviam feito sua inscrição. Não perca tempo: prepare seus melhores textos e inscreva-se hoje mesmo! http://coletanea2014.blogspot.com.br/ 21/02 – Josyanne Rita de Arruda Franco 27/02 – Hildette Rangel Enger As Pizzas Literárias da SOBRAMES-SP acontecem na terceira quinta-feira de cada mês, a partir das 19h00 na PIZZARIA BONDE PAULISTA Rua Oscar Freire, 1.597 - Pinheiros - S.Paulo
  • 3. O Bandeirante - Fevereiro 2014 3 Curitiba ao molho da amizade Carlos Augusto Ferreira Galvão Curitiba, a maior cidade do Sul do País, não tem um fundador, como muitas das capitais brasileiras; ela foi simplesmente criada a partir de um povoamento bandeirante, naturalmente em uma posição geográfica estratégica, e foi alçada à condição de cidade em 1693. Porém apenas com a criação de uma estrada tropeira que ia de Sorocaba à Viamão, Curitiba começou a desenvolver-se, pois era um importante entreposto às tropas de burros, carregados de gêneros e bens de comércio, onde descansavam os animais e os tropeiros. Em 1853, logo após a emancipação do Paraná, a cidade tornou-se a capital deste Estado. No recente congresso em Curitiba, tive oportunidade de conhecê-la e admirá-la. A cidade possui uma característica bem paulistana: Curitiba é uma cidade séria, e não vai aí nenhum sentido pejorativo, porque inclusive a seriedade foi um dos fascínios com que São Paulo me conquistou ao pisar em seu chão. Um povo educado, com um sotaque grandemente peculiar – lá, o som da letra “e” final, quando não tônica, não transforma-se em “i” como no resto do País – habita uma cidade asseada e muito organizada em todas as áreas, dos transportes urbanos à conservação das praças e monumentos, passando pela integridade das calçadas e tudo o mais. Sexta-feira, no final da tarde, quando os centros comerciais de qualquer cidade mostram cansaço no que diz respeito à limpeza, caminhei no centro de Curitiba. Nenhum papel machucado jogado nas calçadas, nem mesmo um maço vazio de cigarros, os pontos de ônibus limpos... Não foi à toa que recentemente a revista Forbes classificou Curitiba como a terceira cidade mais ecologicamente sagaz do mundo, e explicou que ela tem um cidadão de muita consciência autossustentável; acredito nisso. Foi uma tarde literalmente deliciosa; conheci os belíssimos parques que cercam a cidade, vi uma imensa escultura de madeira que também é uma linda igreja ortodoxa, araucárias por todos os lados, arquitetura arrojada e moderníssima, a famosa “Ópera de Arame”, o impressionante “Museu do Olho”. Mergulhei na loiríssima Curitiba, em núcleos de imigrantes europeus, que preservam a cultura de origem e que tanto enriqueceu a cidade, degustei alimentos de sabores diferentes e muito gostosos de origem polaca, isto tudo com um tempero que a cidade me ofereceu: a amizade de um grande curitibano, Sérgio Pitaki, que foi quem promoveu este “tour” vespertino. Enquanto rodávamos por seus parques e ruas bem cuidados, a cidade parecia perguntar: –”Vê como sou linda?” Sergio mostrou-me uma coisa que me emocionou. Em minha infância, por meu pai ser baiano, conheci algumas antigas cidades baianas como Campo Formoso, Barra do Sauípe e Cabrobó, que ainda guardavam suas praças tropeiras: um quadrilátero grande, com bebedouros de animais e todo calçado de paralelepípedos. Era estranho para mim, criança amazônica, onde as tropas de burros eram substituídas por canoas. Sérgio Pitaki levou-me ao “umbigo” de Curitiba... Sua praça tropeira, em tudo parecida com as que conheci em minha infância. Estavam lá os paralelepípedos, o bebedouro, os prédios da época muito bem cuidados... Ali senti uma Curitiba brasileira. Ali, ao lado de meu amigo de origem polaca, vi o rosto brasileiro desta cidade. Caiu uma lágrima de emoção e orgulho na face deste caboclo nortista, pois constatou que a linda e loira Curitiba também é nossa... É da grande nação brasileira.
  • 4. 4 O Bandeirante - Fevereiro 2014 A vida é um sonho Roberto Antonio Aniche A vida é um sonho, maravilhoso, grande demais para ser contida num só pensamento. Na minha idade, não faço planos para o futuro, vivo o dia de hoje, todo dia nasço novamente para o dia que nasce. Não preciso pensar no amanhã; se ele vier, que venha cedo, logo que eu acordar para eu aproveitar o céu, o sol, tudo, tudo mesmo a que tenho direito. Não vivo do passado, mas me embebedo do passado. A cada dia amo uma mulher diferente, durmo com ela, faço amor com ela, trazida do meu passado bela e faceira, carinhosa. A cada dia faço alguma coisa que não fiz no meu passado, Sou um dia médico, outro maquinista de trem, Papai Noel, lutador de boxe, karatê e kung fu. A cada dia nocauteio um desafeto trazido lá do começo do calendário, aquele que me infernizou a vida, rasgou meu caderno, passou a mão na minha bunda na escola primária, comeu o sanduíche da minha lancheira. A cada dia tenho um bicho novo no quintal de casa, um cachorro, um gato, leopardo, jacaré, godzila. Ainda bem que sempre tem alguém para limpar a sujeira que eles fazem. Não vivo do passado, tive a alegria de tê-lo vivido sem pensar que jamais passaria. Fiz planos e planos para o futuro sem saber ou sequer saber que o futuro nunca existiu e o tempo cruel me converteria numa outra peça de museu, sem futuro, arqueológico, com documentos amarelados e envelhecidos. A vida é um sonho em que o castigo é acordar e cair na realidade de que tudo não passou de mera ilusão, que não existem amores eternos, nem glórias eternas, mas apenas migalhas como estrelas cadentes que brilham só por um instante e nos enchem de orgulho, acariciam nosso ego. Não há mais data certa para aniversário. Aniversário é todo dia acordar com um beijo diferente a cada manhã, um gosto novo a cada beijo, uma saudade diferente que remonta ao excesso de memória. Acordar de manhã implica em fazer a barba, tomar banho, perfumar-se, sentar-se em uma cadeira em frente a um copo de leite e um monte de comprimidos que me mantêm vivo. E sonhar novamente, com paixões e despedidas, com amores impossíveis, com traições deliciosas e traições repletas de ódio e veneno, com pessoas que entram e saem de nossas vidas, deixando saudades ou momentos que não têm perdão. A vida é mesmo um sonho e mesmo ao me deitar não faço planos para amanhã. Durmo a cada noite com uma namorada diferente que na minha memória não envelhece. Nesses devaneios sou atleta, cabeços pretos, fala macia e me torno o maior amante do meu pequeno universo. Eu não faço planos para o futuro, não preciso deles. Aliás, eu nem sei que dia será amanhã... A blusa romena Suzana Grunspun Encontrei escritos meus de 1972,letra em caneta tinteiro preta, rascunho em um envelope pequenino do Musée National D’art Moderne em Paris. Estou na sala Matisse; é incrível ver a evolução do pintor Matisse caminhando para o modernismo, traços mais duros; impressionismo, tentativas de simplificação. Figuras, traços modernos, dá-me a impressão de expressionismo, arte moderna: apogeu La Blouse Roumain. Com olhar de moça ainda menina encontrei a Blusa Romena. Diante do quadro senti que trocamos olhares; meigo, feminino, firme. Quando dei por mim estávamos experimentando aquela mesma blusa e conhecíamos a textura, o toque dos bordados. Naquele momento alucinante da troca de roupa, eu me vi e me desconheci. Na profundeza do vermelho, emergi e me acalmei;do branco ao azul. Eu ainda mais nova e nós tão próximas. De perto parecidas; eu ainda menina me diferenciava dela uma mulher jovem... Usei na infância tal seda,enfeitada e delicada. Comemorada pela minha mãe, naquela sua alegria de me reconhecer como uma igual aos seus; vindos de tão longe. Romênia. Agora para lá do ano 2000, sentada, lembrando com emoção.
  • 5. O Bandeirante - Fevereiro 2014 5 O Jubileu e a Prata da Casa Sobre os escritores e suas singularidades, esquisitices, bizarrices, hábitos, excentricidades e idiossincrasias Alitta Guimarães Costa Reis A ideia surgiu por acaso. Pesquisei a respeito e uma avalanche de dados surgiu. Aleatoriamente separei algumas coisas interessantes para compartilhar com meus amigos nessa reunião que comemora os vinte e cinco anos da SOBRAMES. Podemos lembrar Sigmund Freud, que disse que toda pessoa só é normal na média, ideia que Caetano Veloso resumiu dizendo que de perto ninguém é normal. Nós, humanos escritores, temos algo em comum: não existe quem seja perfeito. Por aí já se vê que ninguém é tão bom e superior que possa rir de outra pessoa por qualquer motivo. A SOBRAMES acolhe com simpatia uma grande variedade de estilos pessoais e literários. Se a questão é rir, nós rimos com todos, e não de alguém. Incentivamos vivências de paz e alegria, ao mais puro estilo “Hava Nagila”. O que tem gerado fidelização ao grupo e originado produção literária até de quem nunca teve coragem de se assumir como escritor. Optei por listar vinte e cinco singularidades, esquisitices, bizarrices, hábitos, excentricidades e idiossincrasias de escritores. Nessa lista mesclam-se dados de escritores famosos, de escritores ainda pouco conhecidos e de escritores iniciantes, no Brasil e no exterior. Em nome da alegria saudável, contei o milagre, mas nem sempre citei o santo, só mesmo o que já era de domínio público. E guardei as referências... Nossos prezados sobramistas não precisam adotar nenhum dos itens desta lista para escrever melhor, é claro. A crise Sheila Regina Sarra Há vários anos, quando abro o jornal, sou, diariamente, surpreendida pela notícia de pelo menos uma grande crise. A indústria em retração, as contas públicas que nunca fecham, a falta de profissionais qualificados, a descoberta de fraudes nos órgãos públicos, as obras contratadas que atrasam, são todos exemplos da interminável lista de crises com as quais temos de conviver. Acredito, porém, que a maior crise de todas seja a ausência da verdade. Este sublime personagem arrumou as malas e partiu sem que ninguém saiba o seu destino. O que existe, no seu lugar, é uma “verdade”, fabricada segundo os interesses de quem a fabrica. Poucas pessoas partem para um Embora alguns afirmem que uma “maniazinha” destas facilita muito o trabalho de um escritor... 1) Escrever à noite (por causa do silêncio, quando todos dormem); 2) Escrever ouvindo música ou sons específicos (chuva, passarinhos...); 3)Escrever num lugar familiar, como na mesa da cozinha, deitado na cama, na cadeira favorita no quintal, no carro...; 4) Escrevendo em vários papeizinhos, depois colocando-os em ordem lógica; 5) Reescrevendo muitas vezes, corrigindo o texto até a exaustão; 6) Sempre com lápis bem apontado; 7) Sempre em papel liso, branco, sem linhas; 8) Com uma panela velha e fósforos para ir rasgando e queimando as tolices; 9) Nunca com um computador; 10) No meio do nada (campo, praia), bem isolado; 11) Trocando ideias com outra pessoa; 12) Completamente nu; 13) Com uma gramática, um dicionário e um livro de rimas do lado; 14) Cercado de coisas místicas e supersticiosas, como amuletos; 15) Gravando tudo e depois transcrevendo; 16) Interrompendo para tomar um cafezinho (ou um uísque); 17) Escrevendo deitado e assegurando-se da ausência de insetos (Truman Capote); 18) Usando apenas tinta verde (Pablo Neruda); 19) Lendo alto à medida que vai escrevendo; 20) Com gato ou cachorro do lado; 21) Nos cafés, restaurantes, parques, clubes, trabalho (sempre fora de casa); 22) Com um completo ritual, separando antes tudo o que vai precisar; 23) Definitivamente, no banheiro. “No templo dos viventes, debaixo da cachoeira da sabedoria, no trono do pensador”; 24 ) Sentindo um odor familiar (geralmente perfume); 25) Escrevendo em guardanapos de papel (é claro, o nosso Galvão!). questionamento. A maioria prefere não pensar e opta por seguir o caminho comum. Por que discordar se já existe um consenso do que seria a verdade? Afinal, ela já está preparada e servida. É só engolir e pronto. A falta da verdade trouxe alienação e perda de rumo para a sociedade. Como não se sentir preocupada com esta mistura de apatia e resignação. Muitas vezes, as pessoas preferem não enxergar e continuar vivendo um sonho agradável. Sentem-se bem por estar em sintonia com o todo, feliz por não destoar. Uma das grandes “verdades” fabricadas transmite a ideia de que para ser, você precisa possuir. A compulsão pelo consumo tornou-se um fenômeno mundial, que atinge até a China. Nas viagens pela Europa, o que mais se vê são lojas lotadas por orientais que compram freneticamente o seu sonho de consumo. Ninguém sabe exatamente o porquê, mas se aceita como verdadeiro que aquela compra poderá deixá-lo mais feliz. No Brasil, a febre das compras espalhou-se pela população e substituiu os ideais mais nobres, tais como saúde, educação e cultura. Quando se ouve que algo deu certo, ninguém duvida. Quando se diz que é bom, todos seguem. Se o discurso impressiona, concordam prontamente. É difícil lutar contra a vontade de acreditar.
  • 6. 6 O Bandeirante - Fevereiro 2014 Crepe Suzette de graxa Evandro Guimarães de Sousa Existem controvérsias quanto à origem desta sobremesa. Admite-se que foi criada a partir de um engano cometido por um aspirante a garçom, em 1895, no Monte Carlo Café de Paris. Durante o preparo, para o Príncipe de Gales e outros convidados, a mistura com os ingredientes pegou fogo acidentalmente. Entretanto, a iguaria foi apreciada e elogiada. O nome Suzette foi dado em homenagem a uma linda garota francesa que estava entre os convivas. No dia 27 de abril, comemora-se o Dia do Engraxate em todo o território nacional e os historiadores afirmam que essa profissão teve origem, no ano de 1806, quando um operário poliu as botas de um general francês recebendo uma moeda de ouro como recompensa. Por volta de 1877, com a imigração italiana, aparecem os primeiros engraxates na cidade de São Paulo. Eram poucos no início e percorriam as ruas com uma pequena caixa de madeira com suas latas, escovas e outros objetos. Em seguida, a profissão se espalhou pelo país. Até há alguns anos passados era comum encontrá-los nos salões de barbeiros, nas esquinas e aqueles que buscavam os nossos sapatos em casa e depois os devolviam lustrados. Entretanto, com o passar do tempo e mudança de costumes, tênis passaram a ser mais utilizados. Aí me lembrei da letra da música Engraxate interpretada pelo Grupo Nhocuné Soul: “Meu senhor não use tênis/ De sapato você fica de bom trato/ Simpático, esporte chique interado/ Sujeito elegante, ajeitado/ Na quebrada é respeitado/ Quando passa até espanta mau-olhado”... Observa-se que, nos dias de hoje, esse conselho não foi seguido, e o serviço dos engraxates ficou muito reduzido. Utilizo de rotina as engraxatarias nos aeroportos. Geralmente, escolho o par de sapatos mais necessitado de um trato e me dirijo para o local aonde, geralmente, tenho de esperar uma cadeira vaga. Porém, sempre sou bem atendido. Durante uma caminhada na Av. Paulista, no mês passado, entrei num shopping e deparei-me com um anúncio de um tratamento especial para calçados. Tratava-se de uma técnica especial de recuperação utilizando calor. Imediatamente, retornei para casa e calcei o par de sapatos mais velhos e surrados que possuo. A prudência mineira recomenda que não se deve confiar muito em novidades. Portanto, se algo der errado o prejuízo será menor. Lá chegando, assentei-me e o engraxate deu início ao procedimento: lavou os sapatos, espalhou a tinta, passou graxa e acendeu o isqueiro. Imediatamente, surgiram chamas nos calçados. Levei um susto e já estava me preparando para chutá-los para longe, quando o fogo foi apagado. Os sapatos depois de lustrados ficaram novos, aliás, novíssimos. A explicação do profissional é que o calor dilata “os poros” do couro permitindo que a tinta e graxa se entranhem dando maior proteção e brilho. O preço cobrado, ao final do trabalho, faria jus a uma sobremesa de luxo como o Crepe Suzette. Só que neste caso, por motivos de segurança, não deveria ser ingerida. Apenas apreciada! Da próxima vez, só por precaução, levarei o extintor de incêndio. Nunca se sabe o que o entusiasmo deste engraxate poderia ocasionar durante este inusitado procedimento. Duas sutilezas Ligia Terezinha Pezzuto CONCERTO Mil manhas nas manhãs mágicas. Matreiros sonhos engrandecem o amanhã. Minha morosa melodia embala o ninho. Musical momento Maestro Mão. NOITE CALMA A lua alva talha a lagoa com seu reflexo algo molhado ao largo do líquido. Leite cálido em alma alada até acolhedora alvorada.
  • 7. O Bandeirante - Fevereiro 2014 7 Livros em destaque MÁRCIA ETELLI COELHO “Os Apóstolos do Zodíaco” Scortecci Editora - SP Você sabia que Leonardo da Vinci pintou cada apóstolo representando um signo astrológico? Com essa pergunta, o personagem Fabiano instiga a curiosidade da sobrinha, Regina, e inicia uma interessante conversa sobre o mural “A Última Ceia”. A trama deste romance se desenvolve em torno dessa abordagem da obra de Leonardo da Vinci, que a autora faz com maestria, mesclando-a aos dramas de seus personagens. Para adquirir o livro entre na livraria ASABEÇA: MARCOS GIMENES SALUN “O Encantador de Passarinhos e outras histórias” Agbook Editora - SP Quase todos os dias se vive uma nova história. Seja nas horas comuns da rotina do dia a dia, seja n’algum mágico momento desses que acontecem quando menos se espera e que nem sempre percebemos quando realmente ocorrem. Este livro mostra alguns desses momentos, às vezes imperceptíveis. Adquira versão impressa no site AGBOOK: https://agbook.com.br/ e a versão em e-book no site da livraria AMAZON.COM em: http://www.asabeca.com.br/ home.php http://www.amazon.com.br/ Relendo O trecho da edição anterior pertence à poesia O trecho abaixo é parte de um conto de um dos autores da SOBRAMES-SP, já publicado anteriormente numa de nossas COLETÂNEAS. Você consegue identificar o autor? Resposta na próxima edição. “LIVRE”, de Sônia Andruskevicius de Castro, que foi publicada na página 81 da coletânea “A Pizza Literária – décima segunda fornada”. Que tal reler essa poesia na íntegra, além de outros textos de Sônia e dos talentosos autores da SOBRAMES daquela edição? ...Era mesmo muito hábil essa menina. Como, aliás, toda menina estuprada. E tinha plena consciência de que a manipulação era a semente da desonestidade e da falta de ética... “Esqueço problemas Obrigações e rotinas Apenas caminho sem me importar se me vigiam se me envenenam.” DESTAQUE PIZZAS LITERÁRIAS Realizadas na terceira quinta-feira de cada mês JAN - 16 FEV - 20 MAR - 2O ABR - 24* MAI - 15 JUN - 26* JUL - 17 AGO - 21 SET - 18 OUT - 16 NOV - 13* DEZ - 18 *ATENÇÃO Em virtude de feriados, as datas das reuniões de Abril, Junho e Novembro foram modificadas Superpizza com tema “FIM DE FESTA” e entrega do “Prêmio Flerts Nebó” na Pizza Literária de ELEIÇÕES JUL - 17 - Prazo final para a inscrição de chapas concorrentes SET - 18 - Eleição BALADA LITERÁRIA MAI - 30 REALIZADO 20.02.1014 NOV - 07 COLETÂNEA 2014 FEV Divulgação das regras e início das adesões de autores NOV - 07 Lançamento CONGRESSO NACIONAL REUNIÕES DE DIRETORIA OUT - 08 a 12 Recife - PE Primeira quinta-feira do mês Endereços e horários Pizzas Literárias: Pizzaria Bonde Paulista. Rua Oscar Freire, 1.597 - a partir de 19h00. Balada Literária: APM - Espaço Maracá - Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278 - 11º. andar das 18h30 às 22h00 Reuniões de Diretoria: Sede da SOBRAMES-SP na APM Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278 7º. andar - Sala 1 - às 19h00 Esta agenda está sujeita a alterações em decorrência de fatores não previstos quando de sua elaboração
  • 8. ESTREANDO O MICROFONE Ouvir textos de qualidade tornou-se recorrente nas Pizzas Literárias da Sobrames-SP. Mas um registro memorável destacou-se em 16 de janeiro: a apresentação de três convidadas que pela primeira vez se expressaram em nossos encontros: Sheila Regina Sarra, Isamar Falanga e Márcia Villaça da Rosa. Com textos sensíveis e inteligentes, elas se animaram para as próximas apresentações. ASSIDUIDADE 2013 Às vésperas de completar 89 anos de idade, Rodolpho Civile participou da entrega do Prêmio Assiduidade que leva o seu nome. Foram agraciados Maria do Céu Coutinho Louzã e Roberto Antonio Aniche na categoria Grande São Paulo e Josyanne Rita de Arruda Franco na categoria Interior, que participaram de todas as sessões de 2013. Ressalte-se a importância de cada sobramista que enfrenta o cansaço, trânsito e chuva para participar dos eventos promovidos pela Sociedade, independentemente da premiação. Essa presença é o que torna nossos encontros tão agradáveis e, por isso, sintam-se todos agraciados. PRÊMIO ALDO MILETTO Muitos sobramistas destacaram-se em 2013 nos quesitos que somam pontos para o Prêmio Aldo Miletto de melhor desempenho do ano, tais como lançamentos de livros, participações em jornadas e congressos, dentre outros. Josyanne Rita de Arruda Franco foi quem somou a maior pontuação e ficou com o Prêmio de Melhor Desempenho 2013. O regulamento e os critérios de avaliação encontram-se no Blog: sobramespaulista.blogspot.com.br. As tabelas de pontuação são mantidas à disposição para consultas, com a diretoria. HONRARIA Suzana Grunspun recebeu das mãos da presidente Josyanne Rita de Arruda Franco o bóton da Sobrames-SP, honraria destinada a quem completa um ano de filiação. Esse bóton é usado em eventos literários, tais como Jornadas, Congressos e ocasiões festivas da Sobrames ou de outras agremiações literárias, sendo considerado uma distinção honorífica para o seu detentor. ACERVO DA SOBRAMES-SP A sede da Sobrames-SP na APM, fruto do empenho da diretoria atual e da gestão anterior, finalmente começa a cumprir seu objetivo: a guarda do patrimônio histórico e literário dos seus membros. Assim, convidamos todos os sobramistas paulistas a doarem seus livros autorais, individuais ou coletâneas de que tenham participado, para que integrem a Biblioteca da Sobrames-SP. Apenas um exemplar de cada título é suficiente para esse objetivo. A entrega pode ser feita a qualquer membro da diretoria.