O Bandeirante 122006

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  • 1. “Informativo Mensal da Sociedade Brasileira de Médicos EscritoresSOBRAMES-SP - Regional do Estado de São PauloOBandeirante15Ano XV - n° 169 - Dezembro de 2006François René de Chateubriand - escritor francês - (1768-1848)“Recomeçar e reconher: o editorial dos erresUma publicação feita porMédicosEscritoresO escritor original não é aquele que não imita ninguém,mas sim aquele que ninguém pode imitar.Helio BegliominiHelio Begliomini é médico urologista em São Paulo.Foi eleito presidente da SOBRAMES-SPpara o biênio 2007/2008“Daí, pois, ao vosso servo um coraçãosábio, capaz de julgar o vosso povo ediscernir entre o bem e o mal (...)”.Oração de Salomão –I Reis 2:9.Estamos em dezembro de 2006,prestes ao início de uma nova gestãona querida Sobrames – SP. Aconsciência de que os dirigentesenquanto tais estão escrevendoautomaticamente a história de suas agremiações e, que amesma, transcenda a própria materialidade de seus seres,não se faz presente de modo notório em nossa cultura.Temos clara ciência de que estaremos recomeçandouma nova etapa na história da entidade. Daí, ser oportunorenovar sua tábua diretiva com novos talentos; reciclarconceitos, reconhecer valores, reencontrar velhoscompanheiros, restaurar o equilíbrio, readquirir a confiança,recanalizar energias; reequilibrar o prumo, reconhecer eresgatar nosso passado, restabelecer a harmonia, realinharnossa trajetória, reabastecer inspirações, reconciliardesejos, ruir a indiferença, reabastecer amizades,reaproximar de outras regionais, revitalizar o ânimo, ressurgirprojetos, relevar mágoas, reparar avarias sofridas, renascera paz, responder aos novos desafios, reacender a esperança,enfim, rumar ao futuro com as baterias recarregadas e asvelas plenamente enfunadas. E estas palavras assumem umsabor especialíssimo por estarmos no mês de Natal, quandotoda a cristandade comemora o nascimento do Salvador, nossosenhor Jesus Cristo.A Sobrames – SP tem se destacado ao largo dos anosnão somente pelas qualidades humanas e literárias de seusparticipantes, como também pela enorme quantidade deserviços que presta aos seus membros, desproporcionalmentegrande em função do número diminuto de associados que amantém financeiramente. Para que tudo isso continue, deve,necessariamente, contar com uma diretoria despojada edesmedidamente atuante.Sabemos que a grande maioria dos associados gostade freqüentar nossas reuniões sociais, ler seus trabalhos eouvir os dos outros companheiros; participar de nossosconcursos, antologias, coletâneas, jornadas; receber oinformativo O Bandeirante... mas, nem todos “podem” oudesejam disponibilizar parcas horas de seu precioso tempopara que a entidade continue funcionando em beneficio dacoletividade.Neste cenário, a atual diretoria está muitoempenhada em abrir suas reuniões a todos aqueles que nãosomente delas desejam participar, fazendocríticas, trazendo idéias, oxigenando oambiente, mas, sobretudo, agregando muitavontade de trabalhar. Como é bom escutarsentenças como “o que eu posso fazer paraajudar?”; “eu tenho essa ou aquele idéiapara a entidade e, se aprovada, poderiadesenvolvê-la”; “vocês gostariam que eufizesse isso ou aquilo?”; ou, ainda, “nesteou naquele projeto eu gostaria de participar.Posso?”. Tenham certeza de que quaisquerações em prol da Sobrames – SP, desde queaprovada pela diretoria, a resposta só poderá ser afirmativa.Durante este ano participamos inicialmente aconvite e, posteriormente, por nossa própria iniciativa, devárias reuniões da diretoria que ora conclui seu mandato, ecom total espírito de colaboração. Somos testemunha dotrabalho e da dedicação de seus membros à causa daentidade.Por isso gostaríamos de reconhecer o labor, odesprendimento, o carinho e o amor que nossoscompanheiros, ora membros da diretoria que finda seumandato, devotaram à Sobrames – SP. Essas palavras de elogioassumem maiores proporções, considerando os injustos edesgastantes danos morais sofridos em 2005; os problemasprofissionais e familiares que a todos invariavelmenteacometem; as agruras de doenças inevitáveis infligidas a entesqueridos pela insidiosa e misteriosa saga da vida; além dadesolação da morte que surpreendeu a família de um deseus diretores pela irreparável perda de um filho.Reconhecer os valores das pessoas é semprenecessário, justo e salutar. Assim, consignamos nosso preitode gratidão, gritos de alegria e ovação de louvor aosmembros da diretoria que deixa a entidade. Somosorgulhosos de ser seus amigos. Somos envaidecidos por sermembro da querida Sobrames de São Paulo, celeiro nãosomente de talentosos escritores, briosos companheiros,mas também de verdadeiros heróis.Rogamos a Deus por eles, pois nos legaram exemplosda estatura dos grandes homens.Que neste biênio, a exemplo do anterior, o Senhornos conceda saúde, mas também traços da humildade, dafirmeza, da lucidez, e da sabedoria de Salomão (1032-975a.C.) para coordenar nossa diretoria, a fim de que a nossaquerida Sobrames – SP cresça com o desprendimento e oengrandecimento de seus membros.PRÓXIMA PIZZA LITERÁRIA:18.01.2007Pizzaria Bonde Paulista - Rua Oscar Freire, 1597 - 19h30.
  • 2. O Bandeirante - ANO XV - nº 169 - Dezembro 2006 - Publicação da SOBRAMES-SP - Sociedade Brasileira de MédicosEscritores Regional do Estado de São Paulo - Sede: Rua Alves Guimarães, 251 - CEP 05410-000 - Pinheiros - São Paulo - SP - telefax (11)3062.9887 / 3062-3604 - Projeto Gráfico e Diagramação: Rumo Editorial Produções e Edições Ltda. - E-mail: rumoeditorial@uol.com.brEditores: Flerts Nebó, Marcos Gimenes Salun. Redatores: Luiz Giovani, Marcos Gimenes Salun. Jornalista Responsável: Marcos GimenesSalun - MTb 20.405 - SP - Correspondência: Av.Prof. Sylla Mattos, 652 - apto. 12 - Jardim Santa Cruz - São Paulo - SP - CEP 04182-010 -E-mail: sobrames@uol.com.br - Diretoria Gestão 2005/2006 - Presidente: Flerts Nebó. Primeiro-secretário: Marcos Gimenes SalunSegundo-secretário: Maria do Céu Coutinho Louzã. Tesoureiro: Milton Maretti. Conselho Fiscal Efetivos: Luiz Giovani, MadalenaJ.G.M.Nebó, José Rodrigues Louzã. Suplentes: Sérgio Perazzo, José Jucovsky, Arlete M.M.Giovani.Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não significam, necessariamente, a opinião da SOBRAMES-SPO BandeiranteDezembro 2006Fechando cortinas em 2006HOSPITAL METROPOLITANOServiços de Pronto-socorroe tratamentos de ambulatório.Rua Marcelina, 441 - Vila Romana - SP(11) 3677.20002LIFE SYSTEMASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICAAvenida Brasil, 598 – Jardim América – SP(11) 3885 – 8000lifesystem@uol.com.brFlerts NebóEM BUSCA DE ANUNCIANTES - A manutenção desta publicaçãode forma regular tem sido um dos principais desafios etambém representa um dos maiores gastos da sociedade aolongo do tempo. Além dos custos de produção e impressãodo jornal, há ainda o custo da sua distribuição, envolvendoaquisição de envelopes e o custo da postagem. Para fazerface a essas despesas elevadas para uma arrecadaçãopequena da SOBRAMES-SP, a diretoria inicia aqui umacampanha para conseguir novos anunciantes, visando mantere até mesmo ampliar a produção e distribuição deste jornal.Você também pode ajudar. ANUNCIE: sobrames@uol.com.br.AUTORES MOSTRAM A CARA EM 2007 - Dentre as novidadesna apresentação visual deste jornal, o Suplemento Literárioganhará uma nova aparência a partir da edição de janeirode 2007. Todos os textos literários publicados terão, alémda indicação da autoria, uma foto do seu autor. É importanteque os autores, especialmente aqueles que não podemcomparecer às reuniões mensais das Pizzas Literárias, nosenviem as fotos digitais que gostariam que acompanhassemseus textos. A remessa poderá ser feita pelo e-mailsobrames@uol.com.br.TRANSMISSÃO DE CARGOS DA DIRETORIA - Acontecerá nodia 21 de dezembro de 2006 a transmissão dos cargos dediretoria. A nova gestão, que abrange o biênio 2007/2008,terá como presidente o Dr. Helio Begliomini e o exercícioefetivo dos cargos tem início no dia 1º de janeiro de 2007. Areunião de dezembro promete ser uma das mais concorridasdo ano de 2006, pois além da posse da nova diretoria, haveráa entrega dos prêmios de prosa e poesia e a tradicionalapresentação de textos literários dos autores presentes.SUPERPIZZA COM TEMA LIVRE - Todos os dez textosapresentados durante a Pizza Literária de novembro estãoconcorrendo na última edição do desafio SUPERPIZZA de2006. Convidamos para escolher o melhor deles o empresárioOctaviano Du Pin Galvão Neto. O autor do texto apontadopelo nosso leitor convidado ganhará uma garrafa de vinho.O anúncio será feito na Pizza Literária do dia 21.12.2006.ExpedienteEditorial RápidasChegamos ao último número do jornal O Bandeirantedeste ano, no qual a nossa SOBRAMES, com imensa satisfação,teve a alegria conseguir realizar mais doze Pizzas Literárias.Isto é, nos reunimos em todos os meses do ano para gozarmosda companhia de nossos ilustres associados, mas sobretudo,para reencontramos nossos queridos amigos, visto que aamizade é um dom da natureza, que une a raça humana.Um fato marcante neste ano foi a eleição da novaDiretoria, que sob o comando do Dr. Helio Begliomini, ecom a participação de novos companheiros, conduzirá osdestinos da Regional São Paulo no próximo biênio.Certamente será uma equipe dinâmica e temos a certezaque levará ainda mais alto o nome de nossa Regional, dentrodo cenário nacional.Outro marco importante de 2006 foi o lançamentoda nossa tradicional coletânea, que é bianual, e que chegouà sua nona edição. Trata-se da obra “A Pizza Literária – nonafornada”, da série que vem sendo uma das mais expressivaspublicações da SOBRAMES-SP ao longo dos anos.Há de se destacar ainda que este é o último mês dagestão atual da diretoria, que apesar de alguns percalços,conseguiu realizar muito durante os dois anos em que atuou.Destaque-se a realização da VIII Jornada Médico-literáriaPaulista que aconteceu em setembro de 2005 na cidade deSerra Negra e à qual compareceram oito companheiros vindosda Argentina, transformando a jornada num eventointernacional.Não poderia deixar de se mencionar também arealização da Mostra Artística de Médicos Escritores,realizada em maio de 2005 na Casa da Fazenda da Morumbi,sob o patrocínio do Laboratório Apsen, que foi outro sucessopara nosso grupo, com expressiva participação do públicoexterno e uma edição especial do jornal “O Bandeirante”,com 10.000 exemplares distribuídos para todo o Brasil.Missão cumprida! Deixo aqui consignados o meuagradecimento a todos os que colaboraram com a SOBRAMES-SP durante esta gestão e os mais ardentes votos de um BomNatal e um Felicíssimo Ano de 2007 para todos os nossosleitores e queridos amigos. Que o ano de 2007 seja dos maisproveitosos na existência de nossa regional.Se eu fosse você, não faltaria em nenhum doseventos programados para 2007. Na próximaedição você terá a agenda completa. Aguarde assurpresas que vem por aí.
  • 3. 3O BandeiranteDezembro 2006Prêmio Flerts NebóMelhor prosa 2005/2006Alitta Guimarães Costa ReisMédica psiquiatraSão Lourenço - MGSuplementoLiterárioOlho de Elefante“De Viena pulei para Berlim. Embora Buda tivesse apagadomuitas das minhas sedes íntimas, não conseguiu extinguir asede de ver o maior número possível de lugares da terra e dosmares. Ele me dera o que ele mesmo chamou de “olho deelefante”, a capacidade de ver todas as coisas como se fosse aprimeira vez e saúda-las, de ver todas as coisas comose fosse a última vez e dizer-lhes adeus.” -Nikos Kazantzakis (1885-1957) - (“Relatório para Greco”)Por muitos anos venho guardando lembrança da prodigiosamemória de uma amiga de meu pai. Amiga de circo.O circo ocupou por semanas o terreno baldio próximo ànossa casa. Eu era bem pequena, e tudo era um deslumbramento.O circo chegava com estrépito, um desfile com artistas e animaispela cidade, música empolgante, a montagem da lona. Podíamosconviver com o dia-a-dia dos artistas. Víamos como eram feitas ascornucópias azuis de papel, com rendas e laços, cheios de doces,que eram vendidas à noite, no espetáculo, com canudinhos deamendoim, pipocas e pirulitos de tábua. Víamos também a higiene,a alimentação e o treinamento dos bichos. Eram boas pessoas,tratavam bem os animais. Aprendíamos sobre a vida nômade, nos“traillers” e tendas, como se arrumava a serragem e a palha dearroz, como se faziam as roupagens. Para a nossa surpresa, ascrianças estudavam, freqüentavam escolas por onde passavam, eos pais acompanhavam seus estudos, assim como os treinos docirco. Assistíamos aos treinos, eles não se importavam. Bem sabiamque era à noite que a mágica acontecia: homens e mulheres comunstransformavam-se em palhaços, trapezistas, equilibristas, comroupas coloridas e brilhantes.Era inverno. A temperatura caíra a menos de 5° C e o circoficava próximo ao rio. Meus pais falaram com eles, as criançasmenores foram convidadas a dormirem no quarto grande que eudividia com minha irmã. Foi assim que me tornei amiga de umagarotinha de franja e cabelos lisos, que regulava comigo de idade.Ela contava histórias sobre o circo, e nós brincávamos muito.Minha mãe contava histórias à noite, mas de dia aproveitava paraensinar a nós duas português e matemática. Foi assim também quemeu pai tornou-se amigo do dono do circo. Sempre achei meu pai,que era piloto, herói condecorado, muito fechado e sério, e foiuma boa surpresa vê-lo rindo, contando histórias, e até falandonuma língua que eu não conhecia. Ele dizia apreciar a tenacidadeda gente de circo, vencendo um desafio a cada dia. Assim os homensficavam conversando por muito tempo, próximos à elefanta, queficava numa espécie de dança, presa pela pata por correntes. Elaqueria atenção. Meu pai levava amendoins, falava com ela, que seafeiçoou bastante a ele. Tento, agora, lembrar o nome da elefanta,mas só me lembro bem do seu olhar arguto, fixo. Perguntei a quempoderia me dizer, ninguém se recordou do nome dela. Vou, então,chamá-la aqui de Lia. O som desse nome parece-me ser o maispróximo.Estudei os elefantes depois disso: que animais fantásticos!São os maiores quadrúpedes que existem. Neles, o nariz e o lábiosuperior vêm unidos, formando a tromba, com função olfativa, queserve para obter água, pegar objetos pesados como uma pessoaou leves como um palito. São surpreendentemente delicados epreciosos. Lia era de origem asiática, talvez da Índia ou do Ceilão(“Elephas maximus”), uma fêmea (“aliya”, em cingalês) com maisou menos sete anos, cerca de três toneladas, incisos curtos (presasde marfim), e problemas recorrentes de pele.Parentes longínquos dos mamutes e mastodontes, oselefantes evoluíram sendo sociáveis. Às vezes vistos no Ocidentecomo símbolos de peso e lentidão, no Oriente o simbolismo é outro:força e potência (“mâtangi”), longevidade, prosperidade.Chamados “Ga-já”, são considerados as cariátides (suporte) doUniverso, as montarias de deuses e reis, e também, por seremarredondados e de cor cinza, o símbolo das nuvens que trazemchuvas. Ganesha, o filho de Shiva, é representado na Índia comcabeça de elefante.Várias lendas falam do horror dos elefantes a ratos (porquelhe roem as patas) e de sua prodigiosa memória. Nas aventuras deSimbad, o marujo, elefantes mostram ao caçador seu cemitériorepleto de marfim, para que ele pare de persegui-los e mata-losapenas por suas presas.Na Idade Média ocidental os elefantes foram associados àsabedoria, à temperança, à eternidade e à castidade, isso porqueAristóteles, séculos atrás, teria dito que eles se mantêm fiéisdurante a prenhez de quase dois anos das fêmeas.O circo voltou à cidade uns dois anos depois. Minhaamiguinha havia crescido e treinava para ser equilibrista. O circoprosperara, lona nova, novos animais, números diferentes: globoda morte, cavalos, uma peça teatral...Meu pai viajara, chegou no dia da estréia, quase na horado espetáculo. Como de costume, trouxera livros e eu tive queinsistir para que largasse deles e me levasse ao circo. Minhaamiguinha se equilibraria na grande bola cheia de estrelas! Ficamospróximos ao picadeiro, e eu estava impaciente.Depois de alguns números, o homem de cartola anunciou oelefante. Banquetas foram posicionadas, o elefante entrou em cena.Olhando bem, era uma fêmea. Olhando melhor ainda, que boasurpresa, era Lia! Que bom encontrar uma velha amiga, eu pensei,vou passear de elefante outra vez. Quando vieram os aplausospara a primeira parte do número, meu pai se levantou: “ – Bravo,Lia!”E, de repente, ela o olhou.Parou de fazer seu número, levantou a tromba e barriu, umalto e estranho som que se sobrepôs à música do espetáculo, edeixou as pessoas em sobressalto, inclusive o domador e a moça demaiô laranja cintilante que já ia subir pelas suas patas. O que teriaacontecido?Lia movia-se bem rápido para uma criatura tão grande, eavançava com toda determinação em direção às arquibancadas.As pessoas recuaram, cadeiras voavam nos camarotes, mas,subitamente, Lia parou, e, delicadamente, pôs a tromba no ombroesquerdo de meu pai. Coincidentemente ou não, ele estava comamendoins, e os deu a ela. Enquanto Lia pegava os amendoins, aplatéia passou do pasmo ao aplauso. De pé! Meu pai sorria, e logoela voltou sossegadamente ao picadeiro, e completou sua função.Dessa vez, o circo não ficou tanto tempo na cidade. Estavaquente, e a temporada prometia. Meu pai sempre ia lá paraconversar, e agradava Lia com amendoins. Quis até comprá-la:minha mãe, irritadíssima, perguntou a ele se sabia o preço de umelefante e o custo de mantê-lo...Quando o circo levantou lona e se foi, meu pai assistiu apartida da varanda, com seu cachimbo favorito, disfarçando muitobem a comoção. Passando por nós, Lia levantou a tromba e barriu,e só não voltou porque o domador a impediu. Mesmo assim, olhoupara trás.- “ É a última vez que a vejo”, ele disse.- “ Pai, o circo volta”, respondi.Tempos depois, um trabalhador contratado para umaempreitada na cidade contou no bar que havia ajudado a cavar omaior buraco que qualquer um já tinha visto, para um elefantemorto. Então soubemos que Lia havia sofrido um acidente duranteuma tempestade, tocando com a tromba um fio de alta tensão.Como sempre, em horas como essa, eu e meu pai nãodizíamos uma só palavra ponto. Compartilhávamos longos silêncios.Dessa vez, no entanto, brilhou em meu pai o “olho de elefante”,que pressentiu a morte da amiga e em seu coração lhe disse adeus.
  • 4. 4 O BandeiranteDezembro 2006 SuplementoLiterárioMenção HonrosaPrêmio Flerts Nebó 2005/2006Walter Whitton HarrisMédico ortopedistaSão Paulo - SPO mendigo de gravataFAZIA MINHA CAMINHADA MATINAL pelo canteiro central daavenida, quando me deparei com um mendigo mexendo em sacosde lixo na calçada, do outro lado da rua. O que prendeu minhaatenção foi que parecia estar usando terno e gravata. Mesmoassim, foi apenas uma imagem que rapidamente passou pelos meusolhos. Continuei andando.Quando voltava, encontrei-o novamente. Desta vez,chafurdava uns sacos pretos que estavam colocados no própriocanteiro central. E não me enganara, ele estava mesmo de ternoe gravata. O terno marrom era bem surrado, mas, de onde euestava, não se via um único remendo. Não dava para saber a corda camisa, porque só se via o colarinho, mas juro que algum diafora branca. Com o tempo frio se aproximando, justificava-se opulôver que vestia. A gravata vermelha desbotada se escondia,em parte, sob o colarinho e debaixo do pulôver.O mendigo não teria 50 anos, porém, maltrapilho assim,aparentava bem mais. Portava duas sacolas a tiracolo e estavaabsorto escolhendo garrafas, algumas de vidro, outras de plásticoe latas de refrigerante e cerveja, que colocava com cuidado nassacolas. Só se deu por satisfeito quando as duas estavam cheiase transbordando.Pareceu que minha presença passara despercebida, poissituava-me a uns dez metros de distância. Havia parado paraobservá-lo. Com tempo de sobra naquela manhã, decidi seguí-lo,pois queria desvendar o mistério desse homem e saber porque ummendigo se trajava daquele jeito.Tendo terminado de coletar seus objetos, atravessou aavenida e começou a andar na direção oposta àquela de onde eutinha vindo. Fui acompanhando-o, porém, pelo canteiro central.Só passei para a outra calçada quando o mendigo entrou numarua que saía da avenida. Quando eu consegui chegar na esquina,vi que ele havia progredido bastante, pois estava quase umquarteirão à minha frente. Dobrou outra esquina. Tive a sorte devê-lo entrando num terreno cercado. Quando cheguei ao portão,entendi onde me encontrava, pois havia um cartaz anunciandoque aquele era um depósito de material para reciclagem. Haviasacos de lixo e caixas de papelão cheios por todos os lados,provavelmente trazidos pelas carrocinhas, das quais havia váriasestacionadas. Contudo, nada do mendigo de gravata. Assim quevi alguém circulando pela área, indaguei pelo homem de terno.— Ah — respondeu —, deve ser Seu Benedito. Ele está lá noescritório.Apontou para uma estrutura que eu não tinha observadoantes e que ficava a poucos metros de lá. Era um barracão demadeira, com janela, da qual saía um feixe de luz emanado do tetodo recinto, proveniente de uma luminária de luz branca. Dirigi-me ao local e entrei pela porta semi-aberta.Sentado atrás de uma escrivaninha delapidada, estava nossohomem, com um jornal na mão e um charuto na boca. Não haviasequer tirado o paletó. Na mesa, havia uma garrafa térmica e umcopo descartável com café pela metade.— Então conseguiu chegar até aqui... — comentou, tirando ocharuto da boca e esboçando um sorriso, com dentes amareladose cariados à vista.Para justificar minha curiosidade, expliquei-lhe que desejavaentrevistá-lo. Foi, então, que contou-me um pouco de sua vida.Fazia dois anos que perdera tudo que tinha quando ocorreuuma enchente na periferia da cidade. Sua moradia desabou,levando junto sua mulher e único filho. Na ocasião, estavadesempregado e soube da tragédia apenas quando retornou paracasa à noite, após longo dia em busca de trabalho. Só lhe restaraa roupa do corpo. Com um gesto, deu a entender que era a mesmaque estava usando!Fora acolhido por vizinhos, que sofreram menos com acatástrofe, porém, também se encontravam em situação crítica.Um deles trabalhava neste depósito de reciclagem e o convidoupara vir com ele. A caminho, foram recolhendo os utensílios quepudessem ser aproveitados para reciclar.Por usar terno e gravata, fato inusitado entre os demaistrabalhadores, logo foi elevado a gerente do depósito. Desde então,apesar de ter arranjado um novo lugar para residir e estar numasituação econômica um pouco melhor, vinha diariamente aodepósito vestido tal qual no primeiro dia, para nunca mais seesquecer que fora com a ajuda dos amigos que conseguira superaras dificuldades ocasionadas pela tempestade.No entanto, não conseguiu perder o hábito de separar todosos objetos para reciclagem que achava a caminho do trabalho,pois sabia que fora isso que se tornou seu ganha-pão, e que ofizera se reerguer.Agora, quando vou caminhar e vejo alguém revirando o lixo daavenida, eu me pergunto:— Será o Benedito?Menção HonrosaPrêmio Flerts Nebó 2005/2006Sérgio PerazzoMédico psicodramatistaSão Paulo - SPWagner estáesperando lá foraEra uma dessas noites de outubro carregada de vaticíniose eletricidade, que depois se transformava em garoa insistente.Fazia um frio de julho embaixo do viaduto. Alguém acendeu umafogueira, que fosse para espantar mosquito, e para ali foramrodeando todos os homens, mulheres e crianças de rua do pedaço.Catadores de lixo e de papel. Malabaristas de sinal de trânsito. Asombra bruxuleante das chamas pintava em cada rosto umamaquiagem de teatro. De acordo com as preferências, rodava,vez por outra, uma garrafa de branquinha, cachimbo de crack oulata de cola.Mais adiante, um grupo de voluntárias distribuía pratosfundos de sopa. Uma espécie de minestrone que os sem-tetotomavam como um aperitivo. Não tinham cara nem postura defamintos. Sabiam que homem de rua não passa fome? Podiam atéescolher entre os fundos de um restaurante francês e os de umitaliano ou árabe ou português, como um grande cardápiointernacional de sobras à Ia carte. Um fricassê de restos aindacheirando a alho e pimenta.Naquela noite já tinham jantado e a sopa de altruísmo ede filantropia, assim como podia ser de letrinhas, só por via dasdúvidas, era a garantia de um sono até mais tarde, uma espécie decobertor por dentro. Afinal de contas amanhã era sábado e seriafalta de caridade deixar as voluntárias com as mãos abanandodepois de tanto esforço em acordar cedo para ir ao Ceagesp eescolher cada legume de encomenda para o tal minestrone. Mesmoque tivessem se fartado de vichyssoise do Chez Qualquer Coisa alida esquina uma hora antes.Enquanto molhavam o pão na sopa, encaravam de vez emquando o enxame de travestis na calçada em frente, com suaousadia displicente e escarrada, microssaias, salto agulha num pé42 e decotes que mostravam até o avesso de cada decilitro desilicone com marquinha de biquíni da Praia Grande, a BB, Big Beachda Flórida dos pobres.continua na página 5
  • 5. O BandeiranteDezembro 20065SuplementoLiterárioNão muito longe das bancas de flores do Largo do Aroucheas putas faziam outro ponto mais abaixo, com seus pneuzinhospedindo uma lipo, seus piercings no umbigo e suas cicatrizes decesariana disfarçadas com tatuagens.Lá pros lados da Consolação veio surgindo, em direção àSanta Casa, umas figuras que pareciam estar vestidas com umaespécie de camisolões azul-claro, pregueados como paramentosde sacristia.Ensaio de escola de samba em outubro? Não podia ser. Éclaro que não.Foram chegando um a um, se abancando em torno dafogueira. Era um coral que depois do ensaio resolvera seapresentar ali, na chuva, bem embaixo do Minhocão, em plenaAmaral Gurgel. O dificil era começar. Explicavam ou não porqueestavam ali? Começavam logo a cantar sem mais? Sentiam na peletodo o constrangimento que o choque da pobreza sem disfarceprovocava sempre.Afinal, meio desenxabidos, foram se compondo na suaformação de sopranos, contraltos, tenores e baixos. Só faltavamos castrati.O regente deu o sinal, depois de afinar as vozes com odiapasão, e das gargantas inibidas ressoou, enfim livre, o Te Deumde Haydn, passando pela Abertura dos mestres cantores, atéexplodir no Coro dos peregrinos da ópera Tannhauser de Wagner.Mesmo que alguns preferissem um sambinha de pagode,que não tinham coragem de pedir, intimidados que estavam poruma beleza gratuita a que não estavam acostumados, a músicaexercia o seu poder hipnótico, a sua magia inexplicável, de uma talforma, que a sopa esfriou e ficou pela metade e as putas e ostravestis deixaram de rodar bolsinha e atravessaram a ruajuntando-se aos sem-teto para ouvir melhor o dueto entre sopranoe tenor em seus solos cristalinos. As voluntárias largaram panelase conchas num vão de concreto.O viaduto virara uma sala de visitas de um sarau defamília com um clima solene de nave de catedral. De uma sala deconcertos informal de algum urbanista um tanto pirado.O fogo, como a luz vacilante de velas votivas, escaneavacada ruga, cada cabelo desgrenhado, cada cicatriz, do corpo ouda alma, cada remela, cada barba arrepiada, cada tufo de pêlo,cada pé imundo, um capítulo de Vítor Hugo ilustrado com umacomposição do velho Pieter Brueghel e gravuras de Gustave Doré.A princípio, sem que se notasse, um vulto veio vindo dofim da rua. Como se estivesse esse tempo todo esperando do ladode fora. Uma cabeçorra atarraxada num sobretudo escuro de lã.O cachecol enrolado no pescoço mal deixando distinguir o rosto.De repente levantou os braços como um maestro naiminência de um concerto e um tropel de sopros e percussãocomeçou a se fazer ouvir, primeiro em surdina, depois emcrescendo, duelando com o Coro dos peregrinos.A cada acorde que soava, brotava do asfalto um soldadode uniforme negro de rosto lívido, frio e cruel, de olhos vazados,como um fantasma do inferno, com um distintivo de caveira acimada aba do quépi, numa cadência de passo de ganso.Logo o coro, as putas, os travestis, as crianças perdidas,as voluntárias e os homens de rua estavam cercados por umatropa espectral das SS, como num campo polonês de extermínio deprisioneiros judeus. Um clima de mo Reich.Ninguém saiu, ninguém parou de cantar, mas o CabeçãoEncapotado não parava de reger como um führer enlouquecidodiscursando e esmurrando o ar numa praça repleta de fanáticos.O tropel chegou ao seu volume máximo e loiras donzelasangelicais, tranças escorrendo pelas vestimentas brancas,desceram em chusmas de seus cavalos imaculados e acolheram nocolo os peregrinos, os sem-teto, as putas, os travestis, as criançasabandonadas, as voluntárias, cada membro do coro e até mesmo oregente, no seu êxtase e no desamparo.E do lado de fora, como um louco, como um alucinado,Wagner gargalhava e não parava de reger, amplificando os metaisestrepitosamente na sua Cavalgada das Valquirias.Wagner está esperando lá fora - continuaçãoNão é culpa de ninguém.A vida é que é mesmo assim.O menino maltrapilhoque te amola pedindo esmolano sinal vermelho,este menino pentelhoque tem a idade do teu filho,sujo, descalço, de calça arregaçada,uma triste premonição,é o mesmo que te dá as costaspara cheirar um resto de colanum pedaço de muro de demoliçãonum canto escuro de calçada.Com sorte seu destino é a Febem.Não é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?O motorista arroganteouvindo rock do Suplaparado em fila duplasó para comer caviare beber até vomitarno abrigo do restaurante.Prêmio Bernardo deOliveira MartinsMelhor poesia 2005/2006Sérgio PerazzoMédico psicodramatistaSão Paulo - SPNão é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?A madame consumista,como quem nada quer,arrastando o seu lulupela escada do shopping center,estufada de silicone.Detona na ponta de estoqueo cartão de ouro da Daslu,do biquíni até o sarongue,a maquiagem sem retoque.Estagiária de aspone, bateo ponto numa ONG ondetem salário e cota e aindapor cima votano partido comunista.Não é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?A ninfeta soropositiva,por milagre ainda viva,que vende o corpo e a vidapor um punhado de comida,por meia dúzia de reaisou assalta, na manha,o bolso cheio do turista sexual,num lance legalde boa-noite-cinderela,por um pouco mais,para pegar a xepa da feira,até ontem balconista sem salárioque, em casa, ainda apanhado esquenta-cama temporáriocomo cão sem dono, sem porém,dorme à noite no tremum sono de mãe solteira,um sonho de passionária,um sonho só dela,que termina na celade uma penitenciária.Não é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?A rave em onda de ecstasyentrando de solana porta da escolae a polícia de Hondana lista de elitedo tráfico da favela,um rap batucando panela,o mano de gorrobaleado (Socorro!)na porta do baile funk,a mãe, lavadeira, no tanque.Não é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?O clero na sacristiasem perder a fé e a linha.Sou contra a camisinha.Pedofilia!Pedofilia?Filhos de ninguémcontinua na página 6Não é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?O político de Brasília,terno branco, bico fino,enfim, um pai de família,só falta ser pai-de-santo.Chamado aqui de canto,um cara-de-pau na lata,discurso de burocratadando uma de militante,se fingindo sem camisa,terninho petista à Ia Marisa,braços dados com o lobista,campeão de vela e remoconsagrado herói e artistano altar ilibado da Históriacom a vitória no Supremo. Aescória vestida de beca napraia jogando peteca,eu sou mais eu, mais eu.Passaporte azul europeucarimbado no paraíso fiscalacima do bem e do mal.Não é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?A consciência babando tevê nãoestá no aqui nem no agora. Ricomo hiena não sei de quê.Geme com as popozudasdo Domingão do Faustãode peminha grossae de bunda de fora.Afinal, ninguém se safada boquinha da garrafa.Roça o biscoito escondidodo desfecho de todo este drama.Rega ilusão e transplanta mudas.Treme com o capítulo colorido danova novela das oito
  • 6. 6 O BandeiranteDezembro 2006 SuplementoLiterárioFilhos de ninguém - continuaçãoEra um diaA rodinhaErodia.Heródes,HeróiQue corrói,HeroínaE cocaína;É a América latrina.Panem et circes,More circus than bread.Bread! Bread!Pane! Pão!Não!No lo ganas!La grana,No ves ella.Caracoles!Caracas.Venezuela.Bolívia.Cuba.Havana,Nirvana.Me engana.Tirana.Choupana.Dava cana.Cana dá.É só “piá”.Chupa canaPero no mucho...Pra encher o buchoque começa e termina na cama.A propaganda não dá trela.O olho se acostuma.Em suma,está acostumado.Um olho cheio de remela.Completamente chapado.Não é culpa de ninguém.Não é culpa de ninguém?Perto de tudo isso,meu filho,a porta que nos bate na cara amulher amadaparece grande,mas no fundo é pouco,é quase nada,nada pesada.Coisa de doce namoradase comparada ao último seqüestro.Mero acidente de estrada.Dupla mão.Ambidestro.Essas são coisaspelas quais a gente chora.Ou não chora.E agora?Cante a brisa.Espane este rastilhoseco de pólvora.Essa dorque parece infinita,essa dor passa.Um dia ela passa.Ou não passa.Vai por mim.Durma meu filho.Sonhe com o amanhã.A vida não é sempre assim.Menção HonrosaPrêmio Bernardo de OliveiraMartins 2005/2006Geovah Paulo da CruzMédico oftalmologistaSão Paulo - SPO vírusSolo mierda.Habrá mierda pra todos?Para os burocratas?Os estatais?E outros que tais.Quais?Os mais iguais.E aqui no Brasil?Por quanto tempo mais?Oh tempora, oh mores!Não moresNão comasNão bebasNão trabalhesNão vivas.Siamo fodutoTutto putoFajutoDa Silva.“Deitado eternamente em berçoesplêndido”E perdendo o barco da históriaPor esta esquerda simplória,Sem glória,Nem memória,Enquanto o resto do mundo exorcizaO socialismoE sua turva divisa,O fracassado comunismo.Gentes grosseirasE sem maneiras.Companheiros!Os home come as muié!Imagem no espelhoretrato da gentereflete o semblantedo ente que passadaquele que olhacontornos do corpobuscando um confortoao ver na pantalhaa bela figurasorriso aberto!Alegria que espalhanas faces rosadasnos olhos brilhantes.Menção HonrosaPrêmio Bernardo de OliveiraMartins 2005/2006Alcione Alcântara GonçalvesMédico psiquiatraTupã - SPEspelho quebradoCabelos sedososum busto que arfacintura delgadano corpo esbeltomãos afiladaspernas torneadasque vulto mirabolantesurgiu num relâmpagoe sumiu de repenteno espelho quebrado.Cantando na Praça da Sé:“Meu bem, vamos emboraQue esperar não é fazer.Quem sabe faz na hora,Não espera amolecer”.É frei de mente abertaLouvando a cultura analfabeta.Bispo com jeito de bichaChelebrando misshaPra quem tem fichaNo shindicato.Passeata.Ato.CarrapatoGrudado no imposto do trabalhadorAssim não dá pé.E agora José?Se você tivesse vergonha,Se você tivesse brio,Se você tivesse moral,Não votava.Rasgava.Anulava.Deletava.Descartava.Depois alguém violavaA ConstituiçãoE outra faria,Clone da atual.A dos miseráveis,Dos descartáveis,Dos enganáveis.Monumental.Nacional.Federal.MunicipalEstadual.Estado anal(No da gente, sem lubrificante...)“Mas se um dia a pátria amadaPrecisar da macacada,Puta merda, que mancada!Amor febril,Pelo barril”.Tudo pelo social.Hosanas ao boçal!Viva a república sindicalE suas éticas flácidas!“O virus do Ipiranga às margens plácidas...”
  • 7. O prêmio é uma homenagem a umdos ilustres membros da SOBRAMESSão Paulo, o médico e poeta Dr.Bernardo de Oliveira Martins. Elenasceu em 13.03.1919, na cidade daLapa, no Paraná. Foi médico ginecologista, e também Mestreem Saúde Pública. Ingressou na SOBRAMES-SP em 1991 esempre teve grande destaque com seus textos poéticos.Faleceu em 10.07.1997. O “Prêmio Bernardo de OliveiraMartins” foi criado nesse ano, chegando à nona edição. Deleparticipam todas as poesias apresentadas durante as PizzasLiterárias no período de um ano. Já receberam a medalhaque simboliza o prêmio os confrades Edson Batista de Lima(1998), Aldo Miletto (1999), Roberto Caetano Miraglia (2000),José Rodrigues Louzã (2001), Aldo Miletto (2002), Luiz JorgeFerreira (2003), Marcos Roberto dos Santos Ramasco (2004)e Sérgio Perazzo (2005), além de menções honrosas a outrospoetas. Em 2006 o poeta Sérgio Perazzo é mais uma vezagraciado com o prêmio deste concurso, com a poesia “Filhosde Ninguém”.O BandeiranteDezembro 2006 7Patronos dos ConcursosPOESIAPrêmio Bernardode Oliveira MartinsPROSAPrêmio Flerts NebóVisando premiar também osprosadores da SOBRAMES-SP criou-se em 2000 o prêmio para a melhorprosa de cada ano, dentre os textosapresentados durante as PizzasLiterárias, e que recebeu o títulode Prêmio Flerts Nebó. Médicoreumatologista, Flerts Nebó nasceu em São Paulo, em 9 desetembro de 1920. É um dos fundadores da SOBRAMES-SP, játendo ocupado sua presidência por três gestões, além deinúmeros cargos na diretoria. É Membro Honorário e MembroEmérito da Regional São Paulo. É autor de mais de 65 livros,a grande maioria romances. O prêmio chega em 2006 à suasétima edição e já teve os seguintes contemplados: RobertoCaetano Miraglia (2000), Marcos Gimenes Salun (2001), PauloAdolpho Leierer (2002), Walter Whitton Harris (2003),Josyanne Rita de Arruda Franco (2004) e Marcos Robertodos Santos Ramasco (2005), além de menções honrosas aoutros escritores. Alitta Guimarães Costa Reis, com o conto“Olho de elefante” é a vencedora em 2006.Nossos convidados para o JURI de 2006POESIA - A escolha da melhor poesia 2005/2006 e de duas menções honrosas, dentre os 62 textos inscritos ficou a cargo dosseguintes confrades, membros de outras regionais: Lilian Maial (Rio de Janeiro), Paulo Camelo de Andrade Almeida(Pernambuco), João Batista de Alencastro (Goiás), Luiz Gonzaga Barreto (Pernambuco) e Sonia Maria Barbosa (Paraná).PROSA - Para escolher a melhor prosa 2005/2006 e duas menções honrosas, dentre os 63 textos inscritos, participaram dojuri os seguintes confrades: Laércio Ney Nicaretta Oliani (Goiás), Eberth Franco Vêncio (Goiás), Ruy Perini (Espírito Santo)e Josemar Otaviano de Alvarenga (Minas Gerais).Junto aos seus votos, alguns de nossos jurados tambémenviaram comentários ou deram opiniões sobre o evento.Destacamos a seguir as palavras de dois deles:De Josemar Otaviano Alvarenga, presidente daSOBRAMES-MG: “Foi com imenso prazer, honra e alegria que,esta presidência da SOBRAMES/MG aceitou o convite para participarcomo jurado, de trabalho tão importante e significativo para aSOBRAMES, o prêmio da justa homenagem ao grande Flerts Nebó.Aproveito a oportunidade para cumprimentar a SOBRAMES-SP, adiretoria atual, os sócios, pela grandeza democráticademonstrada, em respeito ao estatuto. Estendo os cumprimentosao confrade Begliomini e sua chapa, eleitos à presidência do novobiênio. Além de escritores, não devemos só pissitar. Nos devemosao exemplo ético e moral, a que todos se possam ao espelhodesejável. SOBRAMES é maior que as vaidades e solipsismosredundantes. Parabéns e avante, SOBRAMES!”De Laércio Nei Nicaretta Oliani, membro daSOBRAMES-GO: “É com imensa satisfação e orgulho que enviominha modesta contribuição para este prestigiado evento de nossaregional paulista da SOBRAMES. Eternamente grato e envaidecidopela oportunidade, espero ter realizado à altura a nobre missãoque me foi confiada, parabenizando de antemão aos participantespela qualidade dos trabalhos, à diretoria pela competenteorganização e a todos os confrades que não olvidam esforços paradignificar os princípios sobrâmicos. Por conta de compromissosinadiáveis não poderei estar presente ao evento, porém deixo aquimeus fraternos votos de Boas Festas e sucesso a todos.”Algumas opiniões RegistroOFERENDA, ATÉ FEVEREIRO - De 13.12.2006 até 12.02.2007estará aberta ao público no Centro Cultural APSEN aexposição “Oferenda”, da artista plástica Martha W.Farias.OCandomblé e uma série de Orixás inspirados na cultura afro-brasileira é o tema da exposição. As obras terão legendasem português e em braile. Há ainda esculturas que podemser manuseadas por deficientes visuais, além de miniaturasde instrumentos e ferramentas utilizadas pelos Orixás. OCentro Cultural APSEN funciona de terça a sábado, das 12h00às 20h00 e domingos das 12h00 às 18h00. Fica na Av.Morumbi,5594 (Casa da Fazenda do Morumbi). Veja maiores detalhesem www.apsen.com.br.MEMÓRIA DA DESTRUIÇÃO - Recebemos da FAPEAL - Fundaçãode Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas, o Calendário2007, que tem como tema 12 edifícios e monumentos daqueleEstado que sofreram processo de abandono ao longo dosanos. É um importante documento histórico, com fotosatuais e dos tempos de glória desse patrimônio históricodegradado. Informações: www.fapeal.br.REVISTA OFICINA DE LETRAS - Recebemos da SOBRAMES -regional Pernambuco, através de seu presidente, Dr. LuizBarreto, o livro “Revista Oficina de Letras”. Trata-se da 23ªedição dessa obra cuja publicação teve início em 1990.Partricipam desta edição 39 autores, a maioria vinculados àregional pernambucana e também a alguns outros Estados.Informações pelo e-mail igbarreto@uol.com.br.
  • 8. 8O BandeiranteDezembro 2006ColetâneaA Pizza Literária: flagrantes do lançamentoNem mesmo um dos maiores congestionamentos do ano registrados na cidade de São Paulo, ocorrido no último dia4 de dezembro, impediu que cerca de oitenta pessoas estivessem presentes no singelo coquetel que marcou o lançamentoda coletânea 2006 da SOBRAMES-SP. A chuva intensa que se abateu sobre a cidade desde o final da tarde daquela segunda-feira não permitiu que boa parte dos convidados pudessem se locomover até a Rua Alves Guimarães, onde acontecia olançamento. O fato, porém, não ofuscou o brilho do evento. Contando com a participação de 33 autores, os 1350exemplares de “A Pizza Literária - nona fornada”, publicados pela Rumo Editorial já estão circulando. Alguns dos autoresque não puderam comparecer ao encontro devem receber seus livros pelo correio nos próximos dias. A seguir algunsflagrantes do lançamento, que você poderá ver também no blog da coletânea em http://coletanea2006.blogspot.com. Aobra poderá ser adquirida com os autores ou através do e-mail SOBRAMES@UOL.COM.BR.ABRAMES PREMIA HELIO E NELSON: Durante a realizaçãoda Semana da Academia Brasileira de Médicos Escritores,em 22 e 23 de novembro, na Sociedade de Medicina e Cirurgiado Rio de Janeiro, Nelson Jacintho tomou posse da cadeiranº 16 daquele sodalício, e ganhou o primeiro lugar num dostemas de trovas. No mesmo evento, Helio Begliomini recebeumenção honrosa no concurso de poesias, segundo lugar noconcurso de crônicas e primeiro lugar no concurso deensaios.MARCOS GIMENES SALUN recebeu o título de MembroHonorário da SOBRAMES-SP no último dia 9 de dezembro,durante almoço realizado no Consulado Geral Britânico emSão Paulo, ao qual compareceram presidentes e integrantesda diretoria das últimas quatro gestões nas quais Salun atuou,além de membros da diretoria eleita para o próximo biênio,da qual ele também faz parte.HELIO BEGLIOMINI tomou posse no dia 23 de novembro, nacidade no Rio de Janeiro, como membro correspondente datradicional Academia Nacional de Medicina, sendo saudadopelo acadêmico Ronaldo Damião. Em seu discurso de posseenalteceu a saga desse augusto sodalício com 177 anos deexistência, o mais antigo em atividade no Brasil, celeiro dedestacados profissionais que fizeram e que fazem parte dahistória da medicina brasileira, assim como exaltou a arte decurar como uma profissão privilegiada, ao mesmo tempo emque divina, e, particularmente, dissertou sobre sua alegriapela vocação ao sacerdócio de Hipócrates coroado derealizações, reforçado agora com esse inaudito galardão.Walter Harris,Luiz Giovani eHelio Begliomini.A Pizza LiteráriaCarlos Galvão,Walter Harris eNaira GimenesNelson Jacintho eRubens PauloGonçalvesMarcos Salun, MélidaVelasco (centro) eduas convidadas.Flerts Nebó eEvanir CarvalhoEvanir Carvalho, SoniaAndruskevicius e ArleteGiovani (ao fundo)Destaques da regional São PauloRegistramos aqui os destaques mais recentes envolvendo alguns membros da regional São Paulo:NãopercaapróximaPIZZALITERÁRIA:18.01.2007PizzariaBondePaulista-RuaOscarFreire,1597-19h30.