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O Bandeirante - n.218 - Janeiro de 2011

  1. 1. Jornal O Bandeirante Ano XIX - no 218 - janeiro de 2011 Publicação Mensal da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Estado de São Paulo - SOBRAMES-SP Médicos EscritoresJosyanne Rita de Arruda FrancoMédica PediatraPresidente da SOBRAMES SP (2011-2012) Iniciamos novo ano com espe- no cenário devastado.ranças renovadas, outros projetos, No socorro às vítimas,antigos planos querendo acerto. unem-se à defesa civilApesar de tantas promessas, votos com bombeiros, enfer-de felicidade e euforia desmedida, meiros e voluntários.mal o ano desponta, reacendem-se Em esforço conjunto eas chamas dos velhos problemas. solidário, técnicos de- A natureza continua se mani- sempenham seu me-festando com seus fenômenos in- lhor papel, homens ecompreendidos pelo homem, este mulheres se entregamser que, à custa da eterna necessi- à vontade de vencer adade de gratificação, de maneira tragédia, preservandodespreocupada enche de lixo seu a vida.entorno, edifica suas moradias em Sendo médicos,locais instáveis, perigosos, proibi- aprendemos a escrever histórias Se a vida é sempre um risco,dos. A interdição é questionada reais na anamnese de todos os uma encosta íngreme sujeita às vi-pela apologia do direito a toda e dias, nos estudos de todas as ho- cissitudes dos fenômenos naturais,qualquer coisa. A consequência é ras, na escuta de toda uma vida. quanta variação climática cabe emo desastre! Nosso jornalismo é feito a partir cada história! Quanto fenômeno Não há que se perder o foco da semiologia médica, do olhar existe entre o nascer e o morrer!com questões polêmicas sobre cul- que perscruta a escuridão do im- Médicos escritores potenciali-pa ou responsabilidade. ponderável, da curiosidade que zam as duas vertentes de uma só Neste janeiro a sociedade con- investiga, do silêncio que admite alma: agir com saber e sentir otabiliza a perda de tantas vidas perquirir o implexo viver. viver!tragadas pela força da água que Escritores labutam em seu ofí- O que fazer com o tempo quedesce - feito choro convulso! - do cio, choram palavras que se orga- nos resta antes que nos cubra acéu à terra, enchendo rios que nizam nas frases que irão compor poeira do deserto ou que a ondainundam ruas, prédios e submer- um artigo, uma crônica, um verso gigante nos faça soçobrar?gem veículos. Famílias choram de emoção que traduza imagens Deixemos, mansamente, queseus mortos enquanto a sociedade que registram, sejam elas de triste- nos afete a dor e a beleza que de-chora de angústia e horror: pode- za ou de aliviada alegria... Narram safiam a vida: é do manancial deria acontecer com qualquer um. história para a posteridade, ousam sentimentos que exercemos a nobre Os médicos estão presentes ficção para sublimar o sofrimento. medicina e a bendita arte literária.
  2. 2. 2 O BANDEIRANTE - Janeiro de 2011 EXPEDIENTE O Brasil inicia-se neste janeiro sob a égide de umJornal O BandeiranteANO XIX - no 218 - Janeiro 2011 terceiro mandato na presidência com um governo de coalizão de direitas e esquerdas. Essas alianças, que devemPublicação mensal da Sociedade Brasileira de Médicos manter a governabilidade do País, tendem a estabilizar aEscritores - Regional do Estado de São Paulo SOBRAMES-SP . política nacional. A presidência torna-se uma colcha deSede: Rua Alves Guimarães, 251 - CEP 05410-000 - Pinheiros- São Paulo - SP Telefax: (11) 3062-9887 / 3062-3604 retalhos tecida em conveniências muito mais com baseEditores: Josyanne Rita de Arruda Franco e Carlos Augusto em nomeações do que em verdadeiro patriotismo.Ferreira Galvão. Jornalista Responsável e Revisora:Ligia Terezinha Pezzuto (MTb 17.671 - SP). Redação e Se existem partidos de esquerda, a primeira funçãoCorrespondência: Rua Francisco Pereira Coutinho, 290, ap.121 A – V. Municipal – CEP 13201-100 – Jundiaí – SP E-mail: deles é apresentar projetos que visem à melhoria das con-josyannerita@gmail.com Tels.: (11) 4521-6484 Celular (11) dições dos milhões de pobres e miseráveis; a segunda, é9937-6342. Colaboradores desta edição: Aida Lucia PullinDal Sasso Begliomini, Alcione Alcântara Gonçalves, Arary apoiar projetos da presidência, mesmo sendo de partidosda Cruz Tiriba, Carlos Roberto Ferriani, Grazielly Martins oponentes, que também beneficiem o povo, sem deixarPeixoto de Oliveira, Hildete Rangel Enger, José Jucovskye Maria do Céu Coutinho Louzã. de fiscalizar as ações de todos os políticos.Tiragem desta edição: 300 exemplares (papel) e mais de1.000 exemplares PDF enviados por e-mail. A terceira e maior obrigação de todos os partidos é tornar esta nação justa, nãoDiretoria - Gestão 2011/2012 - Presidente: Josyanne Rita penalizando nem extorquindo as classes mais ricas, as verdadeiras geradoras dede Arruda Franco. Vice-Presidente: Luiz Jorge Ferreira.Primeiro-Secretário: Márcia Etelli Coelho. Segundo- empregos formais e pagamentos de impostos, mas enriquecendo as classes maisSecretário: Maria do Céu Coutinho Louzã. Primeiro- pobres. Infelizmente o que estamos assistindo são alianças meramente políticasTesoureiro: José Alberto Vieira. Segundo-Tesoureiro: baseadas em negociações partidárias, em que o povo é apenas o povo.Aida Lúcia Pullin Dal Sasso Begliomini. Conselho FiscalEfetivos: Hélio Begliomini, Carlos Augusto Ferreira Galvãoe Roberto Antonio Aniche. Conselho Fiscal Suplentes:Alcione Alcântara Gonçalves, Flerts Nebó e Manlio Mário Roberto Antonio AnicheMarco Napoli. Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da Sobrames-SP Editores de O Bandeirante Janeiro: nesta data querida, nossos parabéns!Flerts Nebó – novembro a dezembro de 1992Flerts Nebó e Walter Whitton Harris – 1993-1994 Sócios aniversariantes:Carlos Luiz Campana e Hélio Celso Ferraz Najar – 1995-1996Flerts Nebó e Walter Whitton Harris – 1996-2000Flerts Nebó e Marcos Gimenes Salun – 2001 a abril de 2009 . José Rodrigues Louzã – 01/01Helio Begliomini – maio a dezembro de 2009 . Evanil Pires de Campos – 06/01Roberto A. Aniche e Carlos A. F. Galvão - 2010Josyanne R. A. Franco e Carlos A.F. Galvão - janeiro 2011 . Aida Lúcia Pullin Dal Sasso Begliomini – 13/01 Presidentes da Sobrames – SP . José Leopoldo Lopes de Oliveira – 16/011o Flerts Nebó (1988-1990;1990-1992 e out/2005 a dez/2006) . Rodolpho Civile – 25/012o Helio Begliomini (1992-1994; 2007-2008 e 2009-2010)3o Carlos Luiz Campana (1994-1996)4o Paulo Adolpho Leierer (1996-1998)5o Walter Whitton Harris (1999-2000)6o Carlos Augusto Ferreira Galvão (2001-2002)7o Luiz Giovani (2003-2004) Walter Whitton Harris8o Karin Schmidt Rodrigues Massaro (jan a out de 2005) Cirurgia do Pé e Tornozelo9o Josyanne Rita de Arruda Franco (2011- ) Ortopedia e Traumatologia Geral CRM 18317 Editores: Josyanne R. A. Franco e Carlos A.F. Galvão Av. República do Líbano, 344 Rua Luverci Pereira de Souza, 1797 - Sala 3 Revisão: Ligia Terezinha Pezzuto 04502-000 - São Paulo - SP Cidade Universitária - Campinas (19) 3579-3833 Diagramação: Mateus Marins Cardoso Tel. 3885 8535 www.veridistec.com.br Impressão e Acabamento: Expressão e Arte Gráfica Cel. 9932 5098 CUPOM DE ASSINATURAS* longevità Preço de 12 exemplares impressos: R$ 36,00 (11) 3531-6675 Nome:___________________________________________________________ Estética facial, corporal e odontológica * Massagem * Drenagem * Bronze Spray * End.completo: (Rua/Av./etc.) _______________________________________ Nutricionista * RPG Rua Maria Amélia L. de Azevedo, 147 - 1o. andar ________________________________ nº. _______ complemento _________ Cidade:_____________ Estado:_____ E-mail:___________________________ Clínica Benatti Grátis: Além da edição impressa que será enviada por correio, o assinante Ginecologia receberá por e-mail 12 edições coloridas em arquivo digital (PDF) Obstetrícia *Disponível para o público em geral e para não sócios da SOBRAMES-SP Preencha este cupom, recorte e envie juntamente com cheque nominal à SOBRAMES-SP para REDAÇÃO Mastologia “O Bandeirante” R. Francisco Pereira Coutinho, 290, ap. 121 A - V. Municipal - CEP 13201-100 - Jundiaí - SP Dê uma assinatura de “O BANDEIRANTE” de presente para um colega (11) 2215-2951
  3. 3. SUPLEMENTO LITERÁRIO O BANDEIRANTE - Janeiro de 2011 3 Notícias Sérgio Pitaki (foto) é médico especializado em exames de imagem, particularmente ultrassonografia. Trabalhaem Curitiba; é o atual presidente da tradicional Sobrames Paraná e o editor do Boletim Eletrônico Gralha Azul dessaregional. É o responsável pela organização do Congresso Nacional da Sobrames a ser realizado no Paraná em 2012.Veio em janeiro a São Paulo, especialmente para conhecer nossas Pizzas Literárias e interagir com nossos confradese confreiras. Nossa regional agradece o prestígio de sua participação. Em 7 de janeiro de 2011, realizou-se, na Associação Médica de Belo Horizonte, a cerimônia de posse do Dr. MarcoAurélio Baggio como presidente da SOBRAMES NACIONAL e do Dr. José James de Castro Barros como presiden-te da SOBRAMES- MG. O evento contou também com uma emocionante homenagem em memória da Dra. EnnyGuimarães de Paula. A SOBRAMES-SP esteve representada pela primeira secretária Dra. Márcia Etelli Coelho e pelo Dr. Nelson Ja-cintho, acompanhado de sua esposa Dumara, que tiveram o privilégio de comprovar, mais uma vez, a boa e certahospitalidade mineira. Vencedores dos Prêmios Rodolpho Civile de assiduidade – categorias Grande São Paulo e Interior, e Aldo Miletto de melhor desempenhoLuiz Jorge Ferreira (ao centro), vencedor do Prêmio Alcione Alcântara Gonçalves (à esquerda), um dos vence-Rodolpho Civile – Categoria Capital dores do Prêmio Rodolpho Civile – Categoria Interior Márcia Etelli Coelho (ao centro), vencedora do Prêmio Aldo Miletto
  4. 4. 4 O BANDEIRANTE - Janeiro de 2011 SUPLEMENTO LITERÁRIO Dois AmoresCarlos Roberto FerrianiCirurgião Plástico Escutei, surdo, tua prisão. No silêncio de tuas palavras não ditas pelas lágrimas aflitas, tal como, bem-vinda me agitas. Feliz tu és, eis que amas. A um, tens teus dois amores. Ao outro, mesma dúvida de tuas dores e ficar ao mar, em um, é estar ao vão do outro. Desencontros de tuas duas chamas. Amas a um pelo teu avesso. Conclusão Amas ao outro pelo teu começo Penitente, o amor mente. Início, meio e faz que fim. Grazielly Martins Peixoto de Oliveira Fato é que enroscas tuas camas. Oftalmologista Chão de graças que paga a pena. Pão de acalentos, tanto pleno Uma vez tive vontade de morrer que exorta, bate à tua porta. Para silenciar-me o saber não me bastar Amar morrendo ou nascendo. Qualquer pouco integrante de meu ser Tanto faz se aos ventos proclamas. Vazio – viciado em de vida se inventar Sede deles, nua, sem repartir. Talvez a eternidade preenchesse macia Por inteira ao chegar, partir, A falta de bondade desse duro chão sem culpa ou hipócrita desculpa. Ríspido e de aparente alegria Dia virá, quem sabe, saudades terás Onde me pisam frieza e paixão De teus amores; hoje reclamas! Minha maldade seria boa sem sofrer Meu frio despertaria com desejo de amor Até eu acreditaria: o gelo pode arder! E se tudo não passar de escuridão? Concluo: a morte tem beleza na poesia, Mas não, não mesmo, dentro de um caixão.
  5. 5. SUPLEMENTO LITERÁRIO O BANDEIRANTE - Janeiro de 2011 5 O JantarAida Lucia Pullin Dal Sasso Begliomini No ar uma mistura de madeira queimada e uma leve essência de canela e cravo. O aconchego do interior contras-tava com a noite fria e escura vista através da vidraça. O vinho pela metade em taças enormes estava sendo degustadode forma que durasse o suficiente para eternizar aqueles momentos. A conversa fluía com tanta facilidade, fruto de uma intimidade adquirida ao longo dos anos de convivência. Viagensinesquecíveis eram relembradas, momentos familiares importantes eram comentados, os amigos eram enumerados. A comida fora só um detalhe a mais. Pasta al dente escondida numa enorme salsa de camarões, vôngoles, tomatinhospouco apurados, partidos ao meio e salpicada por pedacinhos de alhos bem crocantes, em vez de queijo ralado umasboas colheradas de salsinha picada. Ao fundo, suavemente, não querendo incomodar, uma seleção de bossa nova como que cantada ao pé do ouvido. O olhar de um encontrava o do outro e uma química perfeita os envolvia, pequenas delicadezas eram trocadasenquanto que o roçar das mãos, em uma demonstração clara de carinho produziam sensações conhecidas e aqueciammais ainda aquela sala já quente pelo calor da lareira. O riso rolava solto, principalmente após as taças de vinho. Estavam apaixonados e tudo naquele momento levavaa aflorar ainda mais esse sentimento O chocolate quente derretido do petit gateau contrastava com o gelado do sorvete de creme acompanhado degrandes morangos vermelhos, produzindo uma sensação gustativa fantástica. Para finalizar, um pequeno cálice de Amarula. O café expresso e a conta. Prepararam-se para sair recolhendo e colocando os casacos esquecidos na cadeira ao lado. Abraçados, aconchegados, saciados e felizes se foram. Último AtoHildete Rangel EngerAnestesiologista Cansada do cansaço Recito devagar Meu último monólogo Maquinalmente Sem gestos Sem emoções Flutuo No silêncio e na penumbra nem luzes nem ecos nem vaias nem aplausos Não há plateia.. E assim, Ouvindo somente A minha voz Adormeço No palco Onde vivi sonhando
  6. 6. 6 O BANDEIRANTE - Janeiro de 2011 SUPLEMENTO LITERÁRIOSobramista e CachacistaAlcione Alcântara Gonçalves De Tupã fui para São Paulo. Na Barra Funda, cedo cheguei; Pego um Ônibus Executivo E em Guarulhos aportei. A “TAM”, muito desorganizada, Informou-me logo na chegada E com uma cara deslavada, Que minha viagem foi mudada. O voo que foi escolhido, Com antecedência foi marcado, Poder e Ética Para chegar a Belo Horizonte, ...decifra-me ou devoro-te No horário, previamente notificado. José Jucovsky Com atraso de cinco horas, Ao Aeroporto de Confins cheguei E no saguão encontrei Josyanne, Aida e Helio Begliomini. Enquanto o mundo gira entre futuro e passado o “Enigma da Esfinge” foi por “Édipo” decifrado, A Van para nos levar a Ouro Preto, mística face humana sob o véu da ferocidade Também demorou a chegar. arrogante ícone possuído de força e crueldade. E, no trajeto foi chamada, Para Belô retornar. Homens rodopiando no nada entre idas e vindas no horror de novas guerras das outras esquecidas O grupo estava alegre! lutam em cruzadas para da escuridão se livrar E na Associação Médica fomos parar, e que os ventos atômicos não voltem a soprar. Para pegar uma congressista, Que não estava mais lá. Afirmar-se que ninguém faz por querer o mal e sim só por ignorância ou doença mental, O Congresso foi muito bom! é o paradoxo de sombrias almas a transfigurar E dele, nada tenho a reclamar. arrogantes lúgubres maldades a se manifestar. Teve até degustação de cachaça, E, diplomado em “Cachacista”, eu sai de lá. A trajetória das humanas dominações no plúmbeo céu de sinistras ambições protagoniza opressores em incontidas tiranias idólatras imolando vidas entre choros e agonias. Thomas Mores cria imaginário reino Utopia paradisíaca ilha da felicidade, prazer e harmonia estilo civilizatório de coletivo viver cultural dispensando política tutelar num mundo natural. Da dinastia Tudor marcante figura soberana Henrique VIII rompeu com a cúria Romana... Ao mesmo tempo ao fundar nova Igreja reformista condena à morte seu Chanceler iluminista. A ética em todos os tempos tímida e fria é pelos déspotas enterrada em úmida enxovia... O Rei por achar-se traído pelo Ministro silencioso, mantém a pena de ¨simples decapitação¨, belicoso.
  7. 7. SUPLEMENTO LITERÁRIO O BANDEIRANTE - Janeiro de 2011 7 Três conto, Dona..!Maria do Céu Coutinho Louzã Preocupada com a quantidade de sacos de lixo reciclável - conforme Dr. Carlos Augusto Galvãoorientação da prefeitura - pois há duas semanas não passava na nossa rua o Psiquiatria e Psicoterapiacaminhão do Recicla, para recolher esse lixo, resolvi ir até uma pracinha nobairro onde moro. Alguém me havia dito que havia uma caçamba que servia Rua Maestro Cardim, 517para essa finalidade. Paraíso – Tel: 3541-2593 A caçamba, ou melhor, um depósito, pintado de verde, com dizeres arespeito do recolhimento de lixo reciclável e divisórias para selecionar estavalá, repleto até a boca. No chão, caixas e sacos espalhados ao redor deixavam PUBLICIDADEperceber que algo estava errado. Ou o serviço não existia mais ou tinham TABELA DE PREÇOS 2009 (valor do anúncio por edição)esquecido aquele depósito. 1 módulo horizontal R$ 30,00 Próximo, do outro lado da praça, uma guarita com um senhor, já de meia 2 módulos horizontais R$ 60,00idade, abrigado da chuva fina que começava a cair naquela tarde de domingo. 3 módulos horizontais R$ 90,00Uma primavera mais fria para o que estamos acostumados. Quase verão, mas 2 módulos verticais R$ 60,00o frio tem insistido em nos fazer companhia. 4 módulos R$ 120,00 Dirigi-me a ele: 6 módulos R$ 180,00 Outros tamanhos sob consulta – “Bom dia! Tudo bem? Há quanto tempo existe essa caçamba para lixoreciclável aqui nesta pracinha?” perguntei. josyannerita@gmail.com – “Ah, dona, já faz mais de cinco meses, mas nunca vieram retirar olixo”... – “Eu nem sabia que havia esse depósito aqui, mas está tão cheio que nãodá para pôr mais nada... pois estou vendo que já há tanto lixo espalhado...” REVISÃOfui comentando. de textos em geral – “É isso aí dona. Essa gente é assim mesmo. A prefeitura contratou essesserviços, para receber 30% do que eles ganham na venda desses materiais, mas Ligia Pezzutonem assim eles recolhem. É melhor dar para um pobre coitado de um gari... Especialista em Língua PortuguesaAh! esses políticos só sabem pensar no deles” e com a mão ia gesticulando e (11) 3864-4494 ou 8546-1725fazendo de conta que ia pondo comida para dentro da boca. – “A senhora sabe de uma coisa, quem quer ser grande já nasce viçoso”completou o guarda falante, aproveitando a oportunidade para fazer um dis- ROBERTO CAETANO MIRAGLIAcurso. Afinal ele tinha nesse momento, na sua frente, uma ouvinte perplexa ADVOGADO - OAB-SP 51.532e ao mesmo tempo interessada. ADVOCACIA – ADMINISTRAÇÃO DE BENS Eu olhava para o senhor, que parecia uma matraca e resolvera atacar os NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS – LOCAÇÃOnossos políticos. Perguntei-lhe então: COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS – “Mas o senhor não votou neles? O senhor não ajudou para que eles ASSESSORIA E CONSULTORIA JURÍDICAfossem eleitos?” TELEFONES: (11) 3277-1192 – 3207-9224 – “Não, senhora. Eu prefiro pagar a multa a gastar quatro conduções parair votar. Não... não vale a pena não dona... Eu pago três conto de multa e nãovoto, não voto mesmo... Tenho o título de eleitor porque precisa. Às vezestenho que mostrar, mas não voto!”. Terminou de – “Três contos? Mas quanto é três contos?” perguntei espantada, quase escrever seusem poder esconder a minha vontade de rir. livro? Então _ “É três reais, dona...” disse sorrindo. Talvez achando que eu era umbocado burra. São só três reais para preencher a folha e eu não vou perder publique!quatro passagens de ônibus para ir votar. Não vou não, esses políticos nãomerecem... Nesta hora importante, não deixe de – “É isso aí mesmo... Tudo bem, o senhor tem toda a razão”. consultar a RUMO EDITORIAL. E debaixo daquela garoa fina que maltratava a tarde de domingo, fui-me Publicações com qualidade impecável,embora, lembrando que a multa de que ele falava era o formulário para jus- dedicação, cuidado artesanal e preçotificar a sua ausência nas eleições. justo. Você não tem mais desculpas para deixar seu talento na gaveta. rumoeditorial@uol.com.br (11) 9182-4815
  8. 8. 8 O BANDEIRANTE - Janeiro de 2011 SUPLEMENTO LITERÁRIO Retratos HumanosArary da Cruz TiribaInfectologista Durante a solenidade de minha formatura,1950, Escola Paulista de Medicina, o Prof. LuizPereira Barretto Neto me convenceu a trabalhar,como médico interno [residente], no Hospitalde Isolamento “Emilio Ribas”, sob sua Diretoria.De um dia pro outro, eu me transferi da SantaCasa de Misericórdia, onde atuava como Acadê-mico Interno, para o novo campo de trabalho.Ali, apenas dois antigos médicos, o próprio Prof.Pereira Barretto, mais o Dr. Otávio Martins deToledo - Diretor e sub-Diretor -, constituíam ocorpo clínico! Apenas dois! Para dia e noite! Aome apresentar ao Dr. Otávio - afinal passaríamosa conviver sob teto comum -, ele me fez sentarà varanda do “Pavilhão Classe”. – Tiriba, recomendações: 1ª. médico nãodeve conquistar enfermeira; 2ª. não deve rece-ber presentes de parentes de pacientes; recuse-os, estamos aqui para servir! [e citava o exemplopessoal... à esquina próxima o empório “Minas Pintura Carroça de Leite, de Beth FonsecaGerais”, nome da mesma rua, servia, às necessi-dades imediatas do E.R. que não precisassem entrar em concorrência pública. Ao final do ano, o Empório enviava acaixa de vinho. Otavio agradecia, mas a devolvia]; 3ª. se tiver alguma dificuldade em traqueostomias durante a noite,poupe o Barretto, chame a mim. Mergulhei no trabalho. À época, garrotilho devastador! O crupe diftérico! Episódio de alta dramaticidade! Empouco tempo, apto para a traqueostomia de urgência, ato cirúrgico requerente de urgência e ultrarrapidez para aressurreição! Numa das primeiras ações, a menina pobrezinha. O pai - família numerosa -, emocionado, cheio degratidão, não sabia como agradecer pela filhinha. Ao raiar da manhã seguinte, procedeu do Caxingui [remoto, oCaxingui, anos 50!], carroça puxada a cavalo, subindo penosamente a Rebouças [Rebouças não asfaltada, ainda deterra] me ofertar o mimo... latão de leite! 30... 50 litros... sei lá! – Dr. Otavio, ganhei um latão de leite! De longe, área rural. Devolvo? Otavio adorava doce, não resistia à gula. Imediatamente: – Mande pra cozinha. Doce de leite pr´as enfermeiras [sim, enfermeiras...]. Na aparência, era seco, o que era pouco. Mão de vaca!!! Quando ia à Piracicaba - sua terra -, o admirável caipirãolevava flores compradas na Dr. Arnaldo, para as irmãs. Eu lhe dava carona até a Rodoviária da Júlio Prestes. – Tiriba, não pare junto às floristas, estacione antes; se me virem descer de automóvel vão cobrar mais caro... Mas sob a rigidez, extremamente simples o solteirão! À sobremesa, comia o pedaço de pão. – Tiriba, você já reparou como é saboroso, o pão! [Pão... não lhe parece, leitor, algo evangélico... ligação remota do homem contemporâneo com um tal de J.C. deoutros tempos?! Não se sabe.] Cirurgião vascular, durante seu concurso para livre-docência no Serviço do Alípio, no H.C., eu media sua pressão.Quando teve infarto, fui alçado a barbeiro particular e único. Como cabeleireiro, aprendizado imediato, cabeça rosada,do Otávio, mais lisa que a “bola seis”! Durante seu repouso, só então pude perceber como Jairo Ramos, que ia assisti-lo no Emilio Ribas, também, ele,Jairo, integrava a espécie humana [para grande parte, só transparecia sua grosseria. Jairo tratava bem até a mim,recepcionista, barbeiro, enfermeiro e ex-aluno. Particularidade - de Jairo -, lamentava-se porque os alunos não ocumprimentavam! Mas se era tão autocrático! O incomparável propedeuta!]. Ao ver o coche fúnebre transportar o irmão mais velho, do “Emilio Ribas” para Piracicaba, azaleias, do formosoparque, irrigadas com soluções - quentes, salinas, oculares -, artesanato do autor... [Pereira Barretto injustamente afas-tado pelo histriônico Jânio Quadros.] Saudade... misturada com a responsabilidade, repentina, de assumir a direçãotemporária do Hospital, moço que eu era. Figuras humanas de permeio aos 60 de exercício da medicina...

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