Your SlideShare is downloading. ×
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Cartilha Urgência e Emergência
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

Cartilha Urgência e Emergência

16,913

Published on

Published in: Health & Medicine
0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
16,913
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
293
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. REDE DEURGÊNCIA EEMERGÊNCIAMINAS GERAIS
  • 2. Secretaria de Estado de Saúde de Minas GeraisGovernador do Estado de Minas GeraisAntonio Augusto Junho AnastasiaVice-Governador do Estado de Minas GeraisAlberto Pinto CoelhoSecretário de Estado de Saúde de Minas GeraisAntônio Jorge de Souza MarquesSecretário Adjunto em SaúdeFrancisco Antônio Tavares JuniorChefia de GabineteMarta de Sousa LimaSubsecretário de Vigilância e Promoção à SaúdeCarlos Alberto Pereira GomesSubsecretário de Políticas e Ações em SaúdeMaurício Rodrigues BotelhoSubsecretário de Inovação e Logística em SaúdeJoão Luiz SoaresSubsecretária de Regulação em SaúdeMaria Letícia Duarte CamposSubsecretário de Gestão RegionalGilberto José Rezende dos SantosAssessora de Comunicação SocialGisele Maria Bicalho ResendeSuperintendente da Rede de Atenção à SaúdeMarcílio Dias MagalhãesCoordenador de Urgência e EmergênciaRasível dos Reis Santos JúniorGerentes do Projeto Rede de Urgência e EmergênciaHellen Fernanda SouzaRenata Cristina da SilvaGerente do Processo deAtendimento às Urgências e EmergênciasHellen Fernanda SouzaElaboraçãoHellen Fernanda SouzaRasível dos Reis Santos JúniorProjeto gráfico e produção gráficaAutêntica Editora
  • 3. E nesses minutos-séculos, quando alguémoscila um pouco além da vida e um poucoaquém da morte, reduzido a um destroço dematéria a torturar-se sobre um leito, o clínicoescutará, no gemido por socorro do moribun-do, a voz da espécie, a advertência da socie-dade, o ditame da consciência, o mandamen-to de Deus: – Homem, corre ao teu irmão quete suplica auxílio! Médico, vem até aqui, ondea doença prepara a recepção da morte!(Fragmento do discurso deformatura em Medicina deJoão Guimarães Rosa, 1930)
  • 4. Sumário1. A crise das urgências e emergências......72. AS REDES DE ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS EEMERGÊNCIAS.............................................................92.1 As Redes..............................................................92.2.1 No contexto dos sistemas de saúde..........122.2.2 As Redes de Atenção à Saúde..................142.2.3 As redes de atenção às condições agudas..172.2 A Organização de uma Rede Regional deAtenção às Urgências............................................203. A POLÍTICA ESTADUAL DE URGÊNCIA EEMERGÊNCIA.............................................................233.1 Caracterização das Redes de Urgência eEmergência.............................................................233.2 Critérios de elegibilidade dos hospitais dereferência da rede..................................................243.3 Implantação do SAMU-192 Macrorregional...253.4 Implantação do complexo regulador..............273.5 O cronograma de implantação........................293.6 Oficinas de implantação..................................31
  • 5. 3.7 Redes de Resposta Hospitalar às Urgências eEmergências...........................................................323.7.1 Tipologia hospitalar....................................333.8 Comitê Gestor Macrorregional das Urgênciase Emergências........................................................374. Projeto Rede de Urgência e Emergênciado Estado de Minas Gerais...............................404.1 Rede Regional de Urgência e Emergência....404.2 Classificação de risco - Protocolo deManchester..............................................................414.3 Implantação das UPAs.....................................434.4 ECOS dos Gerais..............................................434.5 Projeto Aeromédico..........................................444.6 Força Estadual de Saúde.................................464.7 Sistema de Gestão Clínica da Urgência.........474.8 Aonde queremos chegar?...............................474.9 O processo de implantação da Rede.............485. Caracterização do Estado de MinasGerais........................................................................506. O caso da Macrorregião Norte do Estadode Minas Gerais.....................................................55Referências.................................................................68Anotações...................................................................71
  • 6. 71. A crise das urgências e emergênciasA enorme carga de trabalho nos serviços de urgên-cia, traduzida pela superlotação dos pronto-socorros,dificuldades de internação dos pacientes, recusa no re-cebimento de ambulâncias, transporte fragmentado edesorganizado, ausência de atendimento especializadode urgência, atendimento e acúmulo nesses serviços depacientes de baixo risco, deve-se à desorganização dealguns sistemas de atenção, como a estruturação insufi-ciente da atenção primária, a incapacidade de organiza-ção do setor hospitalar, a ineficiência do setor logístico ede apoio e a inoperância dos sistemas de governança.Esse desarranjo do sistema se deve ao fato de o aten-dimento de saúde encontrar-se fragmentado, organiza-do por níveis hierárquicos e por componentes isoladose incomunicados, orientados para atenção às condiçõesagudas, reativo, voltado para indivíduos, com ênfase noscuidados profissionais, nas ações curativas e financiadopor procedimentos.A tripla carga de doenças presente no Brasil mani-festa-se por uma agenda não concluída de infecções,desnutrição e problemas de saúde reprodutiva. O for-te crescimento da violência e das causas externas e aimensa prevalência das condições crônicas e de seusfatores de risco, como tabagismo, sobrepeso, inativida-de física, uso excessivo de álcool e outras drogas e ali-mentação inadequada, têm gerado uma reengenharia naorganização e no modo de atuar dos sistemas de saúdemodernos, visando ao restabelecimento da coerênciaentre a situação de saúde e um sistema integrado desaúde voltado equilibradamente para a atenção às con-
  • 7. 8dições agudas e crônicas, o que exige a implantação dasRedes de Atenção à Saúde.O fracasso de alguns modelos de organização deserviços de saúde está na crônica incapacidade de orga-nizar os serviços de forma sistêmica, com manutençãoda lógica da resposta em pontos isolados, sem conexãoe complementaridade (ausência de comunicação).A rede de serviços de saúde organizada ultrapassaas fronteiras clássicas geopolíticas. Faz-se necessária acriação de estruturas supramunicipais e concomitante-mente de novas formas de governança.Novos modelos de organização vêm sendo propos-tos. O modelo de regionalização cooperativa (Mendes)contempla escala, qualidade, estrutura existente e aces-so na organização de uma rede articulada de serviçosde saúde.Há grande tendência no SUS de regionalizar osserviços usando essas premissas, associando o desen-volvimento de processos de gestão da clínica focadoem condições de saúde. O Governo do Estado de Mi-nas Gerais, através da Secretaria de Estado de Saú-de, tem envidado grandes esforços no intuito de cons-tituir Redes Macrorregionais de Atenção às Urgênciase Emergências. Internacionalmente, temos observadoque os sistemas de saúde potentes devem ser regio-nais, integrados, possuir comando único, estar inseridodentro dos princípios de economia de escala, disponibi-lidade de recursos, qualidade da assistência e semprecom foco no acesso. Portanto, as Redes de Atenção àsUrgências e Emergências no Estado de Minas Geraispossuem os seguintes componentes e características:
  • 8. 9• População da macrorregião• Estruturas regionais (Macrorregionais)• Coordenação e comando único (Complexo Regula-dor e Comitê Gestor)• Gestão supramunicipal (Consórcio IntermunicipalPúblico de Natureza Jurídica Pública)• Linguagem única (Protocolo de Manchester)• SAMU e NEP (Núcleo de Educação Permanente)regionalizados (Macrorregionais)• Atenção primária como ponto de atendimento aoagudo• Hospitais de referência (Trauma, AVC, IAM)• Leitos intermediários para cuidados progressivos2. AS REDES DE ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS EEMERGÊNCIAS12.1 As RedesNos últimos anos, a concepção de redes tornou-seum grande foco de atenção nas ciências, nos negócios ena sociedade em geral. A maioria das grandes empresasestá organizada em redes descentralizadas de pequenasunidades, conectadas a redes de pequenos e médiosnegócios, que servem como subcontratados ou fornece-dores, configurando redes complexas em uma cadeia defornecimento. Há uma tendência nas organizações políti-cas de construção de redes sociais, seja em movimentoscomo o ambientalista, o feminista, o de direitos humanos,por exemplo, que ultrapassam fronteiras nacionais.1 JUNIOR, Welfane Cordeiro. A gestão dos sistemas de urgência eemergência (no prelo).
  • 9. 10Essa tendência mundial começou com a revoluçãotecnológica da internet. O sociólogo Manuel Castells ar-gumenta que a revolução da tecnologia de informaçãodeu origem a uma nova economia, estruturada sobrefluxos de informação, poder e riqueza em redes finan-ceiras globais. Castells observa também que a orga-nização em redes emergiu como uma nova forma deorganização das atividades humanas e cunhou o termo“sociedade em rede” para descrever e analisar essanova estrutura social.Nas ciências, o foco nas redes começou na décadade 20 com o estudo da ecologia, quando alguns eco-logistas viram os ecossistemas como comunidades deorganismos ligadas em forma de rede, através das re-lações de alimentação, e usaram o conceito de cadeiasalimentares para descrevê-las. Esse conceito se expan-diu para outras áreas e originou um modelo de pensa-mento em que a relação entre os fenômenos era a chavepara a compreensão dos resultados finais. Os fluxos demateriais e energia num sistema são hoje vistos comoa continuação de trajetos metabólicos dos organismos,configurando uma interdependência entre todos os ato-res e fenômenos dentro de uma comunidade, e neces-sitando de uma compreensão ou pensamento sistêmicopara sua explicação.Na observação das “redes vivas”, começamos acompreender uma série de “leis” que configuram essemodelo de organização (Capra):1. As redes possuem a capacidade de “autogera-ção”, ou seja, tanto do ponto de vista materialquanto do ponto de vista relacional, as redes sãocontinuamente regeneradas e recicladas; isso
  • 10. 11configura fenômenos de manutenção de um pa-drão de organização, mas com mudanças contí-nuas nas estruturas.2. Todos os componentes das redes têm um limitefísico que discrimina “o ser” do ambiente que ocerca, mas tais limites não são limites de separa-ção, mas de “identidade”.3. As redes se organizam baseadas em “padrões”que são repetitivos em todos os modelos de con-figuração de rede (a base). O que muda é o pro-duto final das redes. Um exemplo é a organizaçãode redes sociais; como nas redes biológicas, elassão autorregenerativas e estabelecem limites como ambiente de cada um dos seus membros. A di-ferença é que o produto final gerado numa redesocial é na maioria das vezes imaterial.4. A dimensão do significado é crucial para entenderas redes sociais (N.Luhmann). Mesmo quan-do geram estruturas materiais – tais como bensmateriais, artefatos ou obras de arte –, elas sãodiferentes das redes biológicas. São produzidascom um propósito, seguindo determinado designe incorporando determinado sentido. Esses sig-nificados geram a necessidade de compartilha-mento de comunicação e exigem um simbolismoque o represente, ou seja, uma linguagem. Osciclos de retroalimentação dessas comunicaçõesgeram um sistema compartilhado de crenças,explicações e valores – um contexto comum desentido, também conhecido como “cultura”. É acultura que confere identidade aos indivíduos egera na rede seus limites internos e externos.
  • 11. 122.2.1 No contexto dos sistemas de saúdeA discussão de integração dos sistemas de saú-de na literatura é antiga. O famoso relatório Dawson,produzido em 1920, já advogava a força da atençãoprimária e a necessidade de junção da medicinacurativa e da preventiva como bases para um novosistema de saúde. O pós-guerra fortaleceu o welfarestate (estado de bem-estar social) e foi a base paraa organização dos sistemas de saúde até o períodoem que esse modelo entrou em xeque. No início dosanos 80, após a chamada “crise do petróleo”, umasérie de reformas sanitárias começaram a ser pro-postas nos países do então denominado “PrimeiroMundo”. Toda a discussão das reformas no setor saú-de se deu como parte de uma grande reforma de po-sicionamento do Estado como prestador ou reguladordos diversos setores econômicos.Nos anos 90, tais reformas foram inspiradas pelochamado Consenso de Washington, que propunha ideiascomo privatização, separação de funções, novos arran-jos organizativos e introdução de mecanismos de com-petição na organização dos sistemas de saúde. Essasmudanças, porém, não foram capazes de gerar valorespara os cidadãos comuns que utilizam o sistema de ser-viços de saúde (Mendes). Com isso, começa a surgiroutra agenda coincidente com a revolução tecnológicada internet, que tem alguns pressupostos:1. Das tomadas de decisão, nas políticas públicasde saúde, baseadas em opinião para a decisãotendo em vista em evidências literárias, muitomais factíveis de ser procuradas através da redeinternacional de comunicação;
  • 12. 132. De sistemas fragmentados, resultantes de políti-cas voltadas para resposta a condições agudas,hospitalocêntricos e que logrou responder a umperíodo em que o desenvolvimento tecnológicoainda se iniciava na área de saúde, e grande parteda humanidade ainda não habitava centros urba-nos para sistemas integrados de serviços de saú-de. Escolha factível na medida em que o avançoda comunicação é crescente e que responde deforma muito mais potente tanto a condições agu-das quanto às condições crônicas resultantes dafantástica urbanização acelerada no planeta;3. A mudança da gestão de meios (materiais, re-cursos humanos, financeiros) predominante nasreformas anteriores para uma gestão finalística,a microgestão da clínica;4. Da visão estreita de intervenção sobre condi-ções de saúde, estabelecidas através de açõescurativas e reabilitadoras, para uma concepçãointegral que atue também sobre os determinan-tes sociais e genéticos, além das condições desaúde estabelecidas;5. Por fim, do financiamento baseado no volume derecursos para o financiamento baseado na gera-ção de recursos para as pessoas.A literatura sobre esse assunto vem crescendo e foiinicialmente mais focada na resposta às condições crôni-cas (Shortell et. al., 1993), que já significava o princi-pal problema de saúde pública nos países desenvolvidos(80% das pessoas). Um aspecto interessante nesse dadoé que, paralelamente ao fato constatado de aumento dascondições crônicas, os pontos de atenção às condições
  • 13. 14agudas começaram a ter dificuldades de gestão e orga-nização pela pletora crescente na sua utilização, tornan-do-se a principal causa de insatisfação das pessoas comseus sistemas de saúde. Vários artigos publicados nasduas últimas décadas vêm demonstrando um problemacrescente no sistema de atenção às urgências. As estra-tégias (ainda fragmentadas) utilizadas e recomendadasnesse período foram sempre no sentido de desenvolvi-mento de tecnologias que auxiliassem a regulação doprocesso de atenção às urgências. Todos os sistemasmodernos de triagem nasceram nesse contexto.Mas, o fato é que, no momento em que se começaa estudar a correlação entre a presença de condiçõescrônicas mal manejadas pelo sistema de saúde e agrande pletora dos pronto-socorros hospitalares, torna-se óbvio que a maioria dos pacientes que hoje entrampelas portas de urgência apresenta agudizações decondições crônicas.A resposta adequada para a gestão das condiçõesagudas também passa necessariamente pela mesmaresposta às condições crônicas. Há necessidade pre-mente de organização de redes integradas de serviçosde saúde que respondam de forma sinérgica a essasduas condições de saúde.2.2.2 As Redes de Atenção à SaúdeMendes (2009) propõe que as redes de atenção àsaúde se estruturem em cima de alguns parâmetros:1. Uma população definida, que, no caso dos sis-temas públicos, está normalmente vinculada aum território;
  • 14. 152. A definição dos pontos de atenção: Os pontosde atenção de uma rede se relacionam de formadialética na necessidade de concentração de al-gumas das respostas (as que demandam maiorconcentração de tecnologia dura, já que exigemmaior especialização de recursos humanos doponto de vista tecnológico e são sensíveis à eco-nomia de escala e escopo, que, no caso dos sis-temas de saúde, se correlacionam também commelhores resultados) e na dispersão dos pontosde menor concentração de tecnologia dura, comênfase na proximidade dos “lares” das pessoas,onde as tecnologias de cognição predominam.Isso não quer dizer que essas sejam de menorcomplexidade como erroneamente as políticas desaúde o fazem. Esses pontos são responsáveispela maioria das respostas, tanto nas condiçõescrônicas quanto na agudização dessas. Quandonão se consegue estabelecer uma relação ade-quada entre economia de escala e acesso aospontos, deve predominar a garantia de acesso.3. A definição de pontos de apoio operacional: Sãoos pontos que auxiliam no diagnóstico e na tera-pia, passando por laboratórios de bioquímica atéestruturas de diagnóstico mais sofisticadas, alémda política farmacêutica. Tais pontos têm profun-da conexão com economia de escala.4. Um sistema logístico: Que interligue a rede, tantodo ponto de vista material (transporte) quanto doponto de vista virtual (prontuário eletrônico). Narede de atenção às condições agudas é esse oponto nevrálgico da resposta, uma vez que sebaseia principalmente em tempo.
  • 15. 165. Um modelo de governança: As redes se localizamem territórios assistenciais reais e não político-ad-ministrativos, com forte influência da economia deescala, necessitando, na maioria das vezes, derearranjos no modelo de governança tradicional. NoBrasil, esse é um dos grandes desafios para a im-plantação de redes.6. Um modelo de atenção: O modelo de atençãoà saúde é o que, nas redes sociais e biológi-cas, se configura como o padrão que une oscomponentes diversos e de identidade própria.Esse modelo se traduz na necessidade de umacomunicação preestabelecida (uma linguagem)que cria, em médio e longo prazos, uma cultu-ra de resposta compartilhada entre esses di-versos atores diferentes na sua identidade. Talprocesso deve se dar, como nas redes sociais,por um consenso.A organização das redes de atenção passa pelaobservação desses pressupostos e exige um consen-so coletivo e uma metodologia vigorosa que trabalhapor momentos. Nas redes biológicas e sociais, uma daspropriedades naturais é a capacidade de auto-organi-zação. No entanto, esse processo se dá por mecanis-mos de feedback negativo e positivo (tentativas, errose acertos) e pode ser induzido externamente para queocorra sem tantos “efeitos colaterais” e num tempo infi-nitamente menor. A necessidade de trabalharmos commetodologias, após a compreensão dos fenômenos queorganizam uma rede, é extremamente útil e já começaa ser demonstrada.
  • 16. 172.2.3 As Redes de Atenção às Condições AgudasRecentemente, o Institute of Medicine of the Natio-nal Academies nos EUA promoveu uma série de debatesacerca da crise do sistema de urgência naquele país.Esses debates geraram uma série de reflexões que setransformaram em três livros. Nos três trabalhos há umacoincidência de proposições para a reforma do sistemade atenção às urgências nos EUA:1. Necessidade de coordenação: O sistema ame-ricano é fragmentado na resposta e isso é omaior problema apontado pelos especialistas. Adiscussão de redes de respostas a determinadassituações como a dor torácica aguda, o traumamaior e o paciente com déficit neurológico agudotem mostrado redução na mortalidade quandose organiza respostas em redes e coordenadas.Mais uma vez, isso só é possível pelo avançotecnológico dos sistemas de comunicação, masexige um modelo de governança muito mais “ati-vo” do que o existente na maioria dos países, vis-to que as estruturas de logística (ambulâncias),as estruturas de resposta imediata (pronto-so-corros, blocos cirúrgicos, laboratórios de hemo-dinâmicas e todas as equipes) e as estruturas deresposta secundária (ex: leitos de terapia intensi-va) têm que estar sob uma única coordenação efalando a mesma linguagem.2. Regionalização: O termo “regionalização” na ló-gica de organização de sistemas é um verbo esignifica “o que se deve fazer e como se deve fa-zer” (Boyd, 2009). Na lógica de distribuição dospontos de atenção e de apoio, além das ambulân-cias, é necessário o estudo das potencialidades
  • 17. 18dentro de uma região, com a concentração dedeterminadas respostas e a dispersão de outras,mas com a garantia de que as pessoas sempreterão a resposta mais adequada a sua situação,independentemente de onde estiverem nessamesma região. Podemos trabalhar com a des-crição de organização de serviços numa regiãocom base em três modelos (DHEW-HHS):a. Modelo metropolitano: Neste modelo hágrande concentração populacional numespaço limitado a centros urbanos e su-búrbios com outras formas de redes e sub--redes no modelo de escala livre (A.-L Ba-rabási e E. Bonabeau, scale free networks,Scientific American, p. 50-59) Há grandeconcentração de serviços de saúde, quegeralmente competem entre si para de-terminados procedimentos. Neste modeloé preciso dialogar com outras redes (ex:transportes) para planejamento das res-postas. Na maioria das vezes, têm grandecapacidade de resposta em suporte avan-çado de vida.b. Modelo regional com polo metropolitanobem definido: Neste modelo geralmenteexiste um polo urbano que garante respos-ta de suporte avançado de vida mais orga-nizado e sofisticado (com os maiores ser-viços hospitalares) e uma área de menordensidade demográfica e rural que se re-porta a esse polo como nó de várias redes.O desafio é de organização da logística einvestimento em polos sub-regionais, alémde fixação de respostas que exijam me-
  • 18. 19nor complexidade tecnológica (tecnologiadura) nos municípios de menor população.c. Modelo para áreas grandes e com baixadensidade demográfica: Este modelo tal-vez seja o mais desafiador no Brasil, já quedepende de uma logística mais sofisticadae geralmente vai ultrapassar as fronteirastradicionais da Federação. No sistema deatenção às condições agudas, é necessá-rio estabelecer metas de tempo de respos-ta mais conservadoras.3. Transparência: As informações em uma redetêm que ser compartilhadas entre todos os ato-res e corresponsabilizada nos acertos e nos er-ros que porventura acontecerem. Por isso, é ne-cessário trabalhar com resultados-metas entretodos os componentes dessa rede.A organização de redes de atenção às condiçõesagudas passa, portanto, por uma série de desafios es-truturais, de formação, mas principalmente de aquisiçãode uma nova visão e de uma profunda mudança de cul-tura. Nas redes sociais, a cultura que nasce do com-partilhamento da linguagem é responsável pelas regrasde convivência, pelos valores e por vários sentidos nasrelações entre as pessoas e as instituições. Por isso,no trabalho em rede, a gestão não pode ser pensadaapenas no nível macro, mas também no íntimo das ins-tituições, na microgestão da clínica. O desafio de unir opensamento sistêmico, passando a raciocinar com rela-ções, e não apenas com situações locais, além de com-partilhamento do poder para respostas coletivas maiseficazes, através da criação de padrões de respostas, étalvez o maior desafio da implantação de redes na área
  • 19. 20de saúde, mas é, com certeza, um desafio inevitávelpara os próximos anos.2.2 A Organização de uma Rede Regional deAtenção às UrgênciasA organização de uma rede regional de urgênciasdeve levar em conta alguns pressupostos que têm comobase três variáveis:1. Grau de urgência (gravidade): Esta variável foidurante muito tempo colocada como possível deser definida tanto pelo observador médico quan-to do ponto de vista social pelo cliente-pacien-te-cidadão. Com o agravamento da situação desuperlotação dos serviços de urgência, há neces-sidade de aumento na objetividade e na reduçãoda subjetividade nessa aferição (Mackway-Jo-nes,1996). Os sistemas de classificação de risco(triagem) surgiram com esse propósito. A deter-minação de priorização de atendimento baseadono grau de risco e feita de forma objetiva e siste-matizada, passível de reprodução, é hoje matériaobrigatória na organização de serviços e redesde urgência. Com a integração dos serviços e asofisticação das respostas (ex: redes de trauma),a determinação da gravidade passa a ser umaespécie de linguagem de comunicação entre osserviços da rede e a principal estratégia de deter-minação da necessidade tecnológica dos pontosde resposta (Cordeiro Junior, 2008).2. Necessidade de recursos: Os recursos necessá-rios são dependentes das outras variáveis (gravi-dade e tempo), uma vez que essas podem deter-
  • 20. 21minar a necessidade de reestruturação de umarede regional e da sua logística. O que sabemoshoje é da relação direta entre economia de esca-la e qualidade na resposta de serviços de saúde(Mendes, 2009), o que nos leva a pensar na or-ganização de serviços numa região, concentran-do recursos de maior densidade tecnológica edispersando os que respondem com menor con-centração de tecnologia. A última variável (tem-po) pode modificar essa premissa, pois significaacesso numa rede regional de urgência.3. Tempo da resposta: Esta talvez seja a principalvariável na determinação da logística da rede ena necessidade de investimento em recursos quenão sejam determinados por economia de esca-la. Também é a principal variável para a determi-nação de indicadores de processo numa rede. Otempo da resposta, porém, não pode ser indutorde precipitações nos processos de atendimento,como tem sido observado em alguns sistemasde saúde.Com essas três variáveis, é possível se desenharum modelo de indução para a regionalização do sistemade urgência. Temos trabalhado com o modelo de Men-des (2009) que sugere como base conceitual de organi-zação de uma rede:1. Uma população de referência: Em políticas públi-cas, temos trabalhado com uma população emum território.2. Os componentes:a. Serviços de saúde: A gama de serviços desaúde distribuídos numa região que vão
  • 21. 22das Unidades Básicas de Saúde até osgrandes hospitais;b. Os pontos de apoio operacionais: Siste-mas de apoio diagnóstico e de registro;c. Logística: transporte e Call Center (regula-ção de urgências);d. Governança: Os contratos, os recursos definanciamento, as pactuações e a regula-ção da urgência como representação (go-vernança clínica).3. Um modelo de atenção: O software e a linguagemdessa rede, baseados nas três variáveis –tempo,recursos e gravidade (risco). É fundamentada emsistemas de avaliação de risco e linhas-guia.A organização de uma rede regional deve levar emconta a tipicidade da região, a necessidade de inves-timentos e preparação e a sua possibilidade logística.Na diferença da organização das redes para respostaa condições crônicas, está o que Mendes chama de“centro de comunicação”, que, no caso das condiçõescrônicas, fica a cargo da atenção primária, que, por issomesmo, deve ser reguladora dessa rede. Nas redes decondições agudas, o centro de comunicação deve serum componente virtual (ex:central de regulação de ur-gências) que vai tomar a melhor decisão para um pa-ciente com uma determinada demanda. Essa respostapode ser resumida em algumas premissas:1. O paciente certo,2. No local mais adequado e já preparado,3. No tempo certo.
  • 22. 233. A POLÍTICA ESTADUAL DE URGÊNCIA EEMERGÊNCIAA Política Estadual de Urgência e Emergência noEstado de Minas Gerais foi regulamentada por meio daResolução SES nº 2.607, publicada em 7 de dezembrode 2010. Nela aprovaram-se as normas gerais para im-plantação das Redes Regionais de Urgência e Emergên-cia no Estado de Minas Gerais, observadas as demaisregulamentações federais.3.1 Caracterização das Redes de Urgênciae EmergênciaA Rede Regional de Urgência e Emergência no Es-tado de Minas Gerais é composta de:I – Atenção Primária em Saúde;II - Unidades de Pronto Atendimento;III - Pontos de atenção hospitalar classificados de acor-do com sua tipologia e função na Rede;IV - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU– 192 macrorregional);V - Complexo regulador como instrumento de comandona resposta às demandas de urgência, sendo que à re-gulação de urgências do SAMU caberá a coordenaçãodas ações apoiada pelas outras centrais de regulaçãodo complexo; eVI – Comitê Gestor Macrorregional das Urgências eEmergências.A Rede Regional de Urgência e Emergência tem abran-gência macrorregional de acordo com o PDR 2009, poden-do apresentar variações de acordo com especificidades re-gionais.
  • 23. 24O modelo de atenção para as condições agudas é aclassificação de risco. O Protocolo de Manchester infor-matizado, disponibilizado pela SES-MG em cada ponto deatenção da Rede Regional de Urgência e Emergência, seráadotado como linguagem única na classificação de riscodas demandas de cuidado para as condições agudas.Os hospitais participantes da Rede de RespostaHospitalar às Urgências e Emergências serão definidosde acordo com classificação e função na Rede, observa-das as seguintes tipologias:I. Hospital de Urgência Nível IVII. Hospital Geral de Urgência Nível IIIIII. Hospital Geral de Urgência Nível IIIV. Hospital de Referência ao Trauma Nível IV. Hospital de Referência às Doenças Cardiovascu-lares Nível IVI. Hospital de Referência ao Acidente Vascular Ce-rebral Nível IVII. Hospital de Urgência Polivalente Nível IO plano regional para definição do quantitativo e dalocalização dos hospitais que comporão a Rede Regio-nal de Urgência e Emergência será elaborado em ofici-nas de trabalho, considerando os seguintes critérios:I - população adscrita; eII – tempo resposta de no máximo 60 (sessenta) mi-nutos, através de um ponto fixo ou móvel, para 90%(noventa por cento) da população da macrorregião.3.2 Critérios de elegibilidade dos hospitais dereferência da redeAs instituições hospitalares interessados em integrara Rede Regional de Urgência e Emergência deverãoparticipar das oficinas de trabalho macrorregionais.
  • 24. 25As instituições serão classificadas nos tipos I a VII,obedecendo ainda aos seguintes critérios:I- estar localizado preferencialmente em município sedede microrregião;II- aderir às políticas de urgência e emergência da SES--MG e do Ministério da Saúde/MS, implementando asdiretrizes propostas de organização da Rede Hospitalarde Urgência e Emergência;III- possuir plantões presenciais e alcançáveis nas áreasde urgência de acordo com a tipologia classificada de Ia VII;IV- ter os recursos tecnológicos de acordo com a tipolo-gia do Anexo I;V- ser, preferencialmente, hospital incluído no PROHOSP;VI- firmar Contrato de Credenciamento com o SUS, nostermos dessa Resolução com garantia do efetivo funcio-namento durante 24h por dia, todos os dias da semana;VII- responder ao Complexo Regulador da Macrorregiãode acordo com a rede estabelecida e os fluxos pactuados.3.3 Implantação do SAMU-192 MacrorregionalA implantação do SAMU-192 macrorregional seguiráa diretrizes contidas na Portaria GM/MS nº 2.048, de 5de novembro de 2002, e na Portaria GM/MS nº 1.010, de21 de maio de 2011, e na metodologia empregada pelaSES - MG que leva em consideração a combinação doscritérios abaixo para garantir a premissa do tempo-res-posta (90% da população a no máximo 60 minutos deum ponto de atenção fixo ou móvel):I – o polo macrorregional sediará a Central Operativa doSAMU (Central de Regulação de Urgência);
  • 25. 26II – o polo da macrorregião deverá ter pelo menos umaUnidade de Suporte Avançado (USA);III - o critério populacional mínimo de 1 (uma) Unidadede Suporte Básico/USB para cada 100.000 habitantes e1 (uma) Unidade de Suporte Avançado/USA para cada450.000 habitantes, calculados por município, microrre-gião e macrorregião;IV - o polo da microrregião deverá ter pelo menos uma USB;V - a localização das bases descentralizadas onde se si-tuará pelo menos uma USB obedecerá ao tempo médiode resposta entre 20 e 30 minutos. O critério de raio deação dessas bases considerará a velocidade média dasvias de 60 km/h nas áreas rurais e rodovias e de 30 km/hnas áreas urbanas com mais de 500.000 habitantes;VI - Os municípios que terão sede das bases descen-tralizadas devem estar localizados preferencialmenteem interseção rodoviária, e não em final de rodovias.De preferência, devem conseguir abranger pelo menosmais dois municípios;VII – a base que contiver uma USA deverá também con-ter pelo menos uma USB;VIII – a distribuição geográfica deverá atender princípiosde malha viária e dar cobertura em áreas onde, peloscritérios anteriores, permaneceu com um vazio evidentee colocar uma unidade do SAMU no município mais po-puloso dessa área;IX - A proporção do financiamento tripartite será pactu-ada na CIB Estadual de acordo com a disponibilidadedos recursos financeiros dos municípios, do Ministérioda Saúde e da SES/MG;X - O dimensionamento do serviço deverá obedecer àproposta do plano macrorregional de investimento e terácusteio tripartite;XI – O SAMU Regional deverá ser gerenciado por um
  • 26. 27ente público regional de natureza jurídica pública (Con-sórcio Público de Direito Público).3.4 Implantação do complexo reguladorO complexo regulador da assistência é uma estruturade representação da governança (CIB Macro e seu comitêgestor de urgência) da rede que tem como premissa ga-rantir a melhor resposta, no tempo adequado, para situa-ções de gravidade com potencial de deterioração rápida,com garantia de escuta médica ininterrupta e com autori-dade delegada pelo poder público e pactuada com todosos componentes da rede para a gestão do fluxo mais cor-reto de acordo com linhas-guia, baseando a decisão emtrês princípios:1. Gravidade (risco) estimada;2. Tempo máximo definido para a resposta àsituação estimada;3. Recurso mais adequado.Essa estrutura tem como finalidade garantir ecoordenar a resposta a uma situação aguda baseadaem três momentos:Momento 1: Acesso telefônico de alguém com risco desaúde instalado de forma abrupta, que consiga classifi-car esse risco, definir o local, mobilizar, se necessário,um recurso móvel mais adequado e identificar a respostamais apropriada a essa situação, levando em conta asvariáveis tempo, recurso necessário e gravidade presu-mida (risco). O responsável por isso é um médico, quecoordena a resposta e representa no momento desse ato(regulação) a autoridade delegada da gestão dessa rede.
  • 27. 28É importante salientar que, quanto mais maduro o siste-ma de urgências, maior o nível de utilização do acessopor telefone. A meta deveria ser que todos os pacientesem situação de risco agudo fossem “coordenados” poressa primeira resposta (o acesso de pacientes a estrutu-ras não adequadas é que causa o atraso na resposta econsequentemente o aumento de mortalidade).Momento 2: Definidos os riscos (ou diagnóstico sin-drômico), identificado o meio mais adequado de trans-porte e o local mais correto de recepção (não neces-sariamente é o mais perto), é necessário preparar aresposta no local, para que a equipe adequada estejapresente no momento em que o paciente entrar naestrutura de atendimento. Essa resposta deve ser mo-nitorada pelo complexo e inclui:• Equipe presente no Pronto-Socorro;• Equipe disponível a distância;• Recursos e estruturas necessárias à respostainicial (ex: Centro de Hemodinâmica, sala cirúr-gica, etc.);• Responsável no local diário pela ativação dasequipes.Momento 3: A estrutura de retaguarda (leito resolutivo)também deve ser monitorada pelo complexo, que pre-cisa regular os recursos (leitos) para auxílio na decisão.Para isso, deve aderir (ou interfacear) ao software deregulação assistencial do estado (SUSFácil) e garantirque os leitos de retaguarda para a Rede de Urgênciasejam especificados (principalmente nos hospitais querecebem recursos e que foram classificados pela re-
  • 28. 29solução, ex: hospitais de trauma maior nível 1, etc.).Quando a entrada do paciente se dá em um ponto deatenção e que solicita de forma virtual a transferênciapara um ponto de atenção mais complexo, a regra detomada de decisão baseada nos três princípios tam-bém se impõe e deve ser usada com base nas linhas-guia predefinidas.O complexo também se responsabiliza pela regu-lação da transferência de pacientes, sendo o responsá-vel pela garantia de transferência de situações de maiorgravidade e que exijam transporte especializado (ex: UTImóvel, transporte aéreo, etc.).3.5 O cronograma de implantaçãoA ordem de implantação das Redes de Urgência noEstado de Minas Gerais obedecerá aos resultados doestudo baseados no indicador YLL – years of life lost –,das macrorregiões em ordem decrescente, de tal formaque a prioridade seja dada às macrorregiões com pioresíndices. Definida a região a implantar a Rede de Urgên-cia, será estabelecido na primeira oficina um prazo paraadesão dos municípios que a comporão.Em caso de empate, serão utilizados sucessiva-mente os seguintes critérios para implantação das Re-des de Urgência no Estado de Minas Gerais:I - adesão e pactuação dos municípios da macrorregiãoàs características da Rede;II - maior índice de mortalidade por causas externas;III - maior índice de mortalidade por doenças cardiovas-culares; eIV - maior índice de mortalidade por doenças cerebro-vasculares.
  • 29. 30O descumprimento dos prazos de adesão a Redeimplicará na alteração da ordem de implantação.Para adesão à Rede de Urgência, os municípios damacrorregião deverão garantir contrapartida financeiramunicipal para custeio do SAMU, a ser definida em ins-trumento próprio que descreva também a contrapartidafinanceira estadual e federal para custeio do SAMU eda Rede e deverá ser revisado anualmente.Ordem prevista de implantação:I - Macrorregional Nordeste: YLL 136II - Macrorregional Jequitinhonha: YLL 111III - Macrorregional Centro-Sul: YLL 92IV - Macrorregional Leste: YLL 91V - Macrorregional Centro: YLL 87VI - Macrorregional Sudeste: YLL 87VII - Macrorregional Triângulo Sul: YLL 87VIII - Macrorregional Noroeste: YLL 84IX- Macrorregional Leste do Sul: YLL 83X- Macrorregional Oeste: YLL 82XI - Macrorregional Sul: YLL 79XII - Macrorregional Triângulo do Norte: YLL 79
  • 30. 31Figura 1 – Distribuição do YLL por macrorregião – Estado de Mi-nas Gerais3.6 Oficinas de implantaçãoA adesão dos municípios à política de implantaçãodas Redes de Urgência no Estado de Minas Gerais de-verá ser formalizada por ofício, a ser encaminhado aoSecretário de Estado de Saúde, nomeando os represen-tantes para a participação das oficinas de implantação.No ato de adesão à Rede de Urgência, os municí-pios da macrorregião deverão garantir contrapartida fi-nanceira municipal a ser repassada a um ente público dedireito público para gestão do SAMU macrorregional edo Núcleo de Educação Permanente (NEP).Para assessorar as macrorregiões na formação desua Rede de Atenção à Urgência e Emergência, a Coor-denação Estadual de Urgência e Emergência da SES-MGadotou como metodologia as oficinas de trabalho, nas
  • 31. 32quais serão expostos os pilares para a organização des-sa rede e serão pactuados produtos a ser elaboradorespelos profissionais envolvidos nesse processo, tendocomo resultado final a organização da rede de atençãoaguda na macrorregião de implantação.O custeio da oficina será responsabilidade da SES/MG, cabendo aos municípios garantir os recursos neces-sários para a participação dos técnicos municipais.3.7 Redes de Resposta Hospitalar às Urgênciase EmergênciasSerá definido, junto à CIB, o valor do incentivo finan-ceiro estadual, bem como a tipologia para os hospitaisparticipantes da Rede de Resposta Hospitalar às Urgên-cias para complementar o custeio das equipes de refe-rência ao trauma, de referência às doenças cardiovas-culares e de referência às doenças cerebrovasculares,observados os seguintes critérios:I - complexidade dos serviços;II - densidade tecnológica;III - população adscrita;IV - equipe de assistência necessária;V - disponibilidade orçamentária de acordo com o planode financiamento macrorregional.O Hospital de Referência ao Trauma de Nível I ouo Hospital Geral de Urgência Nível II que possuir crité-rios para ser Referência às Doenças Cardiovascularesde Nível I e/ou Referência ao Acidente Vascular Cerebralde Nível I poderão fazer jus ao acúmulo dos respectivosincentivos de que trata o caput deste artigo, caso integreas redes temáticas em questão.
  • 32. 33O plano regional para definição do quantitativo e dalocalização dos hospitais que comporão a Rede de Urgên-cia e Emergência levará em conta os seguintes critérios:I - população adscrita; eII – tempo-resposta de no máximo 60 (sessenta) minu-tos, através de um ponto fixo ou móvel, para 90% (no-venta por cento) da população da macrorregião.As instituições só farão jus ao recebimento do incen-tivo após a efetiva implantação da Rede, atestada pelaCoordenação Estadual de Atenção às Urgências, Emer-gências/SAS/SES-MG e pelo Comitê Gestor Macrorre-gional das Urgências e Emergências.3.7.1 Tipologia hospitalarI) Hospital de Urgência Nível IVHospitais situados em áreas de vazios assistenciaisque estejam acima de 60 minutos de uma referência hos-pitalar microrregional.I.1 - Plantão presencial 24 horas: médico, enfermeiro eequipe de técnicos e auxiliares de enfermagem.I.2 - Recursos tecnológicos presentes no hospital (24horas): análises clínicas laboratoriais, eletrocardiogra-fia, radiologia convencional e sala de urgência equipadacom carrinho de emergência.II) Hospital Geral de Urgência Nível IIIHospital microrregional de referência populacionalacima de 100.000 habitantes.II.1 - Plantão presencial 24 horas: médicos clínicos, pe-diatra, enfermeiro e equipe de técnicos e auxiliares deenfermagem.
  • 33. 34II.1.1 - Plantão médico alcançável das especialidades:gineco-obstetra, cirurgião geral, traumato-ortopedista eanestesista.II.2- Recursos tecnológicos presentes no hospital: aná-lises clínicas laboratoriais, eletrocardiografia, radiologiaconvencional, agência transfusional, sala de ressusci-tação com RX móvel e ultrassonografia, sala cirúrgicadisponível para o Pronto-Socorro.III) Hospital Geral de Urgência Nível IIHospital microrregional de referência populacionalacima de 200.000 habitantes.III.1 - Plantão presencial 24 horas: médicos clínicos,pediatra, cirurgião geral, traumato-ortopedista, gineco--obstetra, anestesista, enfermeiro e equipe de técnicose auxiliares de enfermagem.III.1.1 - Plantão médico alcançável das especialidades:cirurgião vascular e neurologista.III.2 - Recursos tecnológicos presentes no hospital:análises clínicas laboratoriais, endoscopia digestiva,eletrocardiografia, radiologia convencional, agênciatransfusional, sala de ressuscitação com RX móvel e ul-trassonografia, tomografia computadorizada, sala cirúr-gica disponível para o Pronto-Socorro e Terapia Intensi-va Geral.IV) Hospital de Referência ao Trauma Nível IHospital macrorregional de referência populacionalacima de 1.000.000 habitantes em funcionamento 24 ho-ras por dia, 7 dias por semana.IV.1 - Plantão presencial 24 horas: médicos clínicos, pe-diatria, cirurgião geral do trauma, ginecoobstetra, trau-
  • 34. 35mato-ortopedista, neurocirurgião, anestesista, enfermei-ro e equipe de técnicos e auxiliares de enfermagem.IV.1.1 - Plantão médico alcançável das especialidades:cirurgiões plásticos, cirurgião vascular, buco-maxilo fa-cial e outras especialidades de acordo com as necessi-dades locais e avaliação do Comitê Gestor de Urgênciae Emergência da macrorregião, tais como: cirurgia pe-diátrica, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia, etc.IV.2 - Recursos tecnológicos presentes no hospital:análises clínicas laboratoriais, endoscopia digestiva,eletrocardiografia, radiologia convencional, agênciatransfusional, sala de ressuscitação com RX móvel e ul-trassonografia, tomografia computadorizada, sala cirúr-gica de grande porte disponível para o Pronto-Socorronas 24 horas, Terapia Intensiva Especializada, angiogra-fia intervencionista e acesso a heliponto.V) Hospital de Referência às Doenças Cardiovascu-lares Nível IHospital macrorregional de referência populacionalacima de 600.000 habitantes em funcionamento 24 ho-ras por dia, 7 dias por semana.V.1 - Plantão presencial 24 horas: médico clínico, cardio-logista, enfermeiro e equipe de técnicos e auxiliares deenfermagem.V.1.1 - Plantão médico alcançável das especialidades:médico hemodinamicista, anestesista e cirurgião cardio-vascular.V. 2 - Recursos tecnológicos presentes no hospital:análises clínicas laboratoriais, endoscopia digestiva,eletrocardiografia, radiologia convencional, agênciatransfusional, sala de ressuscitação com RX móvel e ul-
  • 35. 36trassonografia, tomografia computadorizada, sala cirúr-gica de grande porte disponível para o Pronto-Socorronas 24 horas, Terapia Intensiva Geral e Unidade Coro-nariana, ecocardiografia e hemodinâmica.VI – Hospital de Referência ao Acidente Vascular Ce-rebral Nível IHospital macrorregional de referência populacionalacima de 600.000 habitantes em funcionamento 24 ho-ras por dia, 7 dias por semana.VI.1 - Plantão presencial 24 horas: médico clínico, neu-rologista, neurocirurgião, anestesista, enfermeiro e equi-pe de técnicos e auxiliares de enfermagem.VI.1.1 - Plantão médico alcançável das especialidades:médico hemodinamicista, radiologista intervencionista.VI.2 - Recursos tecnológicos presentes no hospital: análi-ses clínicas laboratoriais, endoscopia digestiva, eletrocar-diografia, radiologia convencional, agência transfusional,sala de ressuscitação com RX móvel e ultrassonografia,tomografia computadorizada, sala cirúrgica de grandeporte disponível para o Pronto-Socorro nas 24 horas,Terapia Intensiva Geral e especializada, ecocardiogra-fia, hemodinâmica, tratamento endovascular, unidade deAVC, ressonância nuclear magnética e capacidade deorientação de outros centros por telemedicina.VII- Hospital de Urgência PolivalenteHospital macrorregional de referência populacionalacima de 1.000.000 habitantes em funcionamento 24 ho-ras por dia, 7 dias por semana.VII.1 - Plantão presencial 24 horas: médicos clínicos, pe-diatria, cirurgião geral do trauma, gineco-obstetra, trau-
  • 36. 37mato-ortopedista, neurologista, neurocirurgião, cardiolo-gista, anestesiologista, enfermeiro e equipe de técnicose auxiliares de enfermagem.VII.1.1 - Plantão médico alcançável das especialida-des: médico hemodinamicista, radiologia interven-cionista, cirurgião cardiovascular, cirurgião plástico,cirurgião vascular, buco-maxilo facial e outras espe-cialidades de acordo com as necessidades locais eavaliação do Comitê Gestor de Urgência e Emergên-cia da macrorregião, tais como: cirurgia pediátrica, of-talmologia, otorrinolaringologia, urologia, etc.VII.2 - Recursos tecnológicos presentes no hospital:análises clínicas laboratoriais, endoscopia digestiva,eletrocardiografia, radiologia convencional, agênciatransfusional, sala de ressuscitação com RX móvele ultrassonografia, tomografia computadorizada, salacirúrgica de grande porte disponível para o Pronto--Socorro nas 24 horas, Terapia Intensiva Geral e Es-pecializada, Unidade Coronariana, ecocardiografia,hemodinâmica, tratamento endovascular, unidade deAVC, ressonância nuclear magnética, angiografia in-tervencionista, acesso a heliponto e capacidade deorientação de outros centros por telemedicina.3.8 Comitê Gestor Macrorregional dasUrgências e EmergênciasCompete ao Comitê Gestor Macrorregional das Ur-gências e Emergências:I - Realizar o monitoramento do acesso à Urgência eEmergência nas 24 (vinte e quatro) horas nos 7 (sete)dias da semana por meio do Complexo Regulador;II - Emitir parecer, entre os representantes do Estado edos Municípios, sobre assuntos referentes à Rede de
  • 37. 38Resposta às Urgências, a fim de subsidiar as decisões daCIRA nas discussões da atenção às urgências e emer-gências. Para subsidiar suas decisões, o Comitê Gestorpoderá constituir Câmaras Temáticas de acordo com operfil epidemiológico da região ou com as peculiaridadesdo parecer demandado;III - Submeter seus pareceres à aprovação da CIRA;IV - Realizar visitas técnicas, periódicas, para o acompa-nhamento e a validação da execução dos compromissosassumidos pelas instituições, emitindo mensalmente rela-tório de adequação aos contratos que deve ser homologa-do pela CIB para encaminhamento à Secretaria de Estadoda Saúde;V - Analisar e validar os relatórios mensais apresentadospelas instituições;VI – Propor modificações, alterações, medidas correti-vas, inclusões e exclusões quanto à rede de urgência.O Comitê Gestor Regional de Urgências será consti-tuído preferencialmente por:1 - Coordenador Estadual do Sistema de Atenção Inte-gral às Urgências2 - Gerentes Regionais de Saúde de cada Microrregiãode Saúde3 - Coordenador da NAS de cada GRS4 - Coordenador da Atenção Primária de cada GRS5 - Coordenador da Central de Regulação Assistencialda Macrorregião6 - Coordenadores Municipais do Sistema de AtençãoIntegral às Urgências7 - Coordenador Médico da Central de Regulação deUrgência (SAMU)
  • 38. 398 - Diretores gerais dos hospitais de referência da Redede U&E da Macrorregião9 - Representante da Defesa Civil10-Diretores gerais dos Prontos Atendimentos da Ma-crorregião11-Representante da Vigilância em Saúde do Estado deMinas Gerais12-Representante do Conselho de Secretários Munici-pais de Saúde de cada Regional13-Representante do Conselho Regional de Medicinado Estado de Minas Gerais14-Representante do Corpo de Bombeiros Militar do Es-tado de Minas Gerais15-Representante da Polícia Militar do Estado de MinasGerais16-Representante da Polícia Rodoviária Federal17-Representante do Detran do Estado de Minas Gerais18-Representante do Conselho Regional de Enferma-gem de Minas Gerais19-Representante da Polícia Militar Rodoviária Estadual;20-Representante da Infraero21-Representante das universidades22-Representantes dos Conselhos Municipais de Saúdedos polos microrregionais de Saúde23-Representante de cada Câmara Temática24-Representante dos órgãos de trânsito municipais daregião25-Representante do Consórcio Público que administrao SAMU Regional26-Representante do NEP da Rede de Urgência da Ma-crorregião
  • 39. 404. Projeto Rede de Urgência e Emergênciado Estado de Minas GeraisO projeto de implantação das Redes Regionais deUrgência e Emergência do Estado de Minas Gerais écomposto da seguinte estrutura:4.1 Rede Regional de Urgência e EmergênciaAs Redes Regionais de Urgência e Emergência sãoimplantadas por meio de oficinas. A ordem de implantaçãodas Redes obedece aos resultados do estudo baseadono indicador YLL – years of life lost –, das macrorregiõesem ordem decrescente, de tal forma que a prioridade sejadada às macrorregiões com piores índices.Para adesão à Rede de Urgência, os municípiosda macrorregião devem garantir contrapartida financei-
  • 40. 41ra municipal para custeio das atividades do Serviço deAtendimento Móvel de Urgência (SAMU-192) e do Nú-cleo de Educação Permanente (NEP), que serão geren-ciados por um Consórcio Público.Nas oficinas de implantação das Redes Regionaisde Atenção às Urgências, são discutidos com os ges-tores municipais de saúde, juntamente com os técni-cos da Coordenação Estadual de Urgência e Emergên-cia, os pontos necessários para o desenvolvimento ea implantação de um modelo de atenção às urgênciase emergências. Posteriormente, essas oficinas serãosubmetidas à pactuação e à aprovação pela ComissãoIntergetores Bipartite (CIB).Durante as oficinas de implantação, também são de-finidos os incentivos financeiros das portas de urgência,para complementar o custeio das equipes de referênciaao trauma, de referência às doenças cardiovascularese de referência às doenças cerebrovasculares. Os hos-pitais são classificados em níveis, observando a com-plexidade dos serviços, recursos tecnológicos, popula-ção, equipe de assistência necessária, disponibilidadeorçamentária, entre outros. A classificação das unidadeshospitalares são as estabelecidas no item 3.7.4.2 Classificação de risco - Protocolo de ManchesterO Estado de Minas Gerais optou por realizar a clas-sificação de risco para que todos os pontos de atençãoà saúde (unidades básicas de saúde, unidades mistas,pronto atendimento, prontos-socorros hospitalares, hos-pitais gerais e especializados) utilizassem uma lingua-gem comum com critérios uniformes que permitissem
  • 41. 42estabelecer o melhor local para a resposta a uma deter-minada demanda no menor tempo possível.A ferramenta escolhida foi o Protocolo de Manches-ter, que tem por objetivo identificar no paciente critériosde gravidade, de forma objetiva e sistematizada, que in-diquem a prioridade clínica e o tempo-alvo recomendadopara a primeira avaliação médica. Ele não se propõe a estabelecer diagnósticos. Oprotocolo possui 52 fluxogramas que geram discrimina-dores que vão projetar um índice de gravidade e o tempomáximo de espera por uma intervenção médica. A sim-bologia do tempo é mediada por cores:Prioridade CorTempo-alvo(minutos)Resultado médio nomundo por prioridadePrimeiro Vermelho 0 1% a 2%Segundo Laranja 10 10% a 20%Terceiro Amarelo 60 20% a 50%Quarto Verde 120 20% a 60%Quinto Azul 240 10% a 20%A utilização desse sistema classifica o usuário emuma das cinco categorias identificadas por número, nome,cor e tempo-alvo para a primeira observação médica.Essa ferramenta é utilizada há anos em outros paí-ses. Estima-se 10 milhões de pacientes classificadosanualmente no mundo. Em Portugal, o tempo médiopara classificação é de 1 min. Constitui uma ferramen-ta muito sensível para identificar o paciente gravementeenfermo dos serviços de urgência (J Accid Emerg Med,1999; Em Med J, 2006); possuindo uma sensibilidade de87% e especificidade de 72% na avaliação de dor pre-
  • 42. 43cordial (Em Nurse, 2003). Também está estruturado comuma escala de dor útil em crianças (Em Nurse, 2005)4.3 Implantação das UPAsA Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que fazparte da Rede Estadual de Urgência e Emergência, éum estabelecimento de saúde de complexidade inter-mediária entre as Unidades Básicas de Saúde ou Saú-de da Família e a Rede Hospitalar. A principal missãoda UPA é atender, durante 24 horas/dia, os usuários doSistema Único de Saúde (SUS) que apresentem quadroclínico agudo de qualquer natureza.A UPA oferece atendimento nas especialidades declínica médica, pediatria e, em alguns casos, ortopedia.Essas unidades devem funcionar nas 24 horas,durante 7 dias da semana, devem estar habilitadas aprestar assistência correspondente ao primeiro nívelda média complexidade, além de garantir assistênciaàs urgências com observação até 24 horas para a pró-pria população ou para um agrupamento de munícipiospara os quais seja referência. O Governo de Minas até2014 investirá mais de R$ 40 milhões na construçãode novas unidades, com previsão de custeio na ordemde mais de R$ 35 milhões/ano em Unidades de ProntoAtendimento em todo o Estado.4.4 ECOS dos GeraisCom o objetivo de implantar um sistema de trans-ferência de imagens, gerar laudos mais fidedignos eevitar que pacientes sejam deslocados entre as unida-des de saúde, às vezes por grandes distâncias, des-
  • 43. 44necessariamente através da instalação de uma máqui-na na ambulância do SAMU e nas portas de entradados hospitais, que estarão interligadas com a Centralde Regulação da Rede de Urgência, o projeto Ecosdos Gerais tem a finalidade de capacitar e implantar aUltrassonografia “Point-of-care”, considerada uma tec-nologia simples, de fácil acesso, com possibilidade dediagnósticos mais seguros, de forma compartilhada esustentável.O projeto inicia-se na Macrorregião Norte no Es-tado de Minas Gerais, com as portas hospitalares daRede de Urgência, unidades de terapia intensiva e am-bulâncias de suporte avançado do SAMU-192, além deatingir as unidades de saúde da atenção primária e am-bulatorial da Microrregião de Manga. Ele será executa-do em 12 meses, por uma equipe de profissionais qua-lificados e acreditados pela WINFOCUS World, comomédicos especialistas em diversas áreas.4.5 Projeto AeromédicoCom o objetivo de subsidiar e alavancar o atendi-mento aeromédico no Estado de Minas Gerais, a Se-cretaria de Estado de Saúde e o Corpo de BombeirosMilitar formalizaram uma parceria, por meio de Termode Cooperação Técnica entre as duas instituições. Ointuito é priorizar o atendimento primário, no que en-volve situações de resgate; atendimento secundário,como transporte inter-hospitalar, além de transportede órgãos e tecidos para transplantes e apoio à ForçaEstadual de Saúde em casos de catástrofes no terri-tório mineiro.
  • 44. 45A parceria resultou no desenvolvimento do serviçoSuporte Aéreo Avançado de Vida do Estado de MinasGerais (SAAV-MG), no qual será efetuada a comprade 6 (seis) helicópteros e 2 (dois) aviões para o usoexclusivo de suporte aeromédico. A projeção é que oEstado invista cerca de R$160 milhões até 2015, be-neficiando toda a população mineira com atendimentoqualificado à saúde, principalmente em situações deli-cadas e urgentes.As aeronaves foram distribuídas de forma estratégica,visando ao menor tempo-resposta aos atendimentos. Adistribuição das aeronaves de asas rotativas (helicóp-teros) e de asas fixas (aviões) estão apresentadas nasFIG. 2 e 3.Figura 2 – Cobertura das aeronaves de asas rotativas (helicópteros)
  • 45. 46Figura 3 – Cobertura das aeronaves de asas fixas (aviões)4.6 Força Estadual de SaúdeA Força Estadual de Saúde foi criada em 2012,por meio da Resolução SES nº 3.072, de 9 de janeirode 2012, visando reforçar o atendimento de saúde nosmunícipios que foram atingidos pelas enchentes no Es-tado, por meio da atuação de voluntários. A equipe deprofissionais voluntários que atuam na Força é multidis-ciplinar, composta de médicos, enfermeiros, psicólogose assistentes sociais.Com a finalidade de ampliar o escopo de atuação daForça, em 2013 foi publicada a Resolução SES nº 3.590,de 9 de janeiro. Tal resolução prevê o desenvolvimen-to de ações de prevenção e reparação, nos municípios
  • 46. 47para atendimento de necessidades coletivas, urgentes etransitórias, decorrentes de situações de perigo iminente,de calamidade pública ou de irrupção de epidemias.Até março de 2013, a SES/MG conta com um bancode mais 900 voluntários, além de já ter atuado em maisde 30 municípios em situação de emergência, por mo-tivos de chuva, e em mais 7 municípios, por motivo dadengue.4.7 Sistema de Gestão Clínica da UrgênciaApós a classificação de risco, o paciente deve ter seupercurso estabelecido de forma garantida. O que é fun-damental para a gestão é a separação do percurso dospacientes de menor risco (azul e verde) dos de maior ris-co (laranja e amarelo). Os pacientes vermelhos devem terum percurso óbvio, que é a sala de emergência. Como opercurso é feito a partir da classificação de risco e podeser informatizado, é fundamental que a equipe que traba-lha no serviço de urgência discuta os fluxos, o local maisadequado de acordo com o risco e o profissional que faráo atendimento.A informatização desse processo se dá por meio deum software via web, que permite a comunicação e aintegração da Rede Regional de Atenção de Urgência eEmergência.4.8 Aonde queremos chegar?A proposta é a implantação da Rede de Urgênciae Emergência nas 13 macrorregiões de saúde com acobertura de 100% da população do Estado de MinasGerais. A primeira Rede implantada foi em 2009, na Ma-
  • 47. 48crorregião Norte. Em 2012, foram implantadas as Redesnas Macros Nordeste, Jequitinhonha e Centro-Sul. Para2013, está prevista a implantação nas regiões Centro,Sul e Sudeste.Os principais resultados esperados são:• Redução da proporção dos óbitos por causas exter-nas;• Redução da mortalidade geral;• Redução da mortalidade intra-hospitalar;• Redução da taxa de APVP por doenças cardio-vasculares e causas externas.4.9 O Processo de implantação da RedePara a implantação da Rede de Urgência e Emer-gência, é fundamental a participação de vários atores:SES/MG, Secretarias Municipais de Saúde, ConsórcioPúblico, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar, Polí-cia Rodoviária Federal e Estadual, COSEMS, entre ou-tros. A FIG. 4 descreve a responsabilidade de execuçãode alguns atores envolvidos no processo de implantação.
  • 48. 49
  • 49. 505. Caracterização do Estado deMinas GeraisO Estado de Minas Gerais possui população de19.597.330 habitantes, de acordo com o Censo Demo-gráfico 2010 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-tica – IBGE), dividido em 853 municípios, tendo comocapital o município de Belo Horizonte, sendo 85,29% dapopulação residente na área urbana. Possui extensãoterritorial de 586.522,122 km², com densidade demográ-fica de 33,41 hab/km², conforme FIG. 5.Desde o ano de 2002, o Estado adota uma divisãoterritorial visando a melhor resposta sanitária a determi-nadas situações de saúde. Atualmente, divide-se em 77microrregiões de saúde, cuja característica desejada é ada autossuficiência em situações de média complexida-de na área de saúde, atribuindo-se a escala populacional
  • 50. 51mínima de 100.000 habitantes e a distância máxima aopolo microrregional de 60 minutos em estrada pavimen-tada, deslocando-se a 60 km/h, de acordo com a FIG. 6.As macrorregiões devem ter autossuficiência em grandeparte das denominadas altas complexidades, por isso,estabeleceu-se uma escala populacional mínima de500.000 habitantes na referência territorial, sendo hoje13 regiões, conforme FIG. 7.Figura 6 – Mapa das Microrregiões de Saúde - Plano Diretor deRegionalização de Minas Gerais, 2011
  • 51. 52Figura 7 – Mapa das Macrorregiões de Saúde - Plano Diretor deRegionalização de Minas Gerais, 2011Em termos de tipos de estabelecimento de saúde, oEstado possui 32.049, divididos em 31 categorias, con-forme TAB. 1.Tabela 1 – Tipos de Estabelecimento de SaúdeEstado de Minas Gerais - TotalCÓDIGO DESCRIÇÃO TOTAL01 POSTO DE SAÚDE 113502 CENTRO DE SAÚDE/UNIDADE BÁSICA 435404 POLICLÍNICA 54605 HOSPITAL GERAL 57607 HOSPITAL ESPECIALIZADO 64
  • 52. 5315 UNIDADE MISTA 2620 PRONTO-SOCORRO GERAL 6621 PRONTO-SOCORRO ESPECIALIZADO 322 CONSULTÓRIO ISOLADO 1658336 CLÍNICA/CENTRO DE ESPECIALIDADE 388139UNIDADE DE APOIO DIAGNOSE E TE-RAPIA (SADT ISOLADO)263640 UNIDADE MÓVEL TERRESTRE 8642UNIDADE MÓVEL DE NÍVEL PRÉ-HOS-PITALAR NA ÁREA DE URGÊNCIA18143 FARMÁCIA 31750 UNIDADE DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE 19060 COOPERATIVA 5762 HOSPITAL/DIA - ISOLADO 6364CENTRAL DE REGULAÇÃO DE SERVI-ÇOS DE SAÚDE1367LABORATÓRIO CENTRAL DE SAÚDEPÚBLICA LACEN368 SECRETARIA DE SAÚDE 82169CENTRO DE ATENÇÃO HEMOTERA-PIA E OU HEMATOLÓGICA1670 CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 21271 CENTRO DEAPOIO À SAÚDE DAFAMÍLIA 1272UNIDADE DE ATENÇÃO À SAÚDEINDÍGENA173 PRONTO ATENDIMENTO 6274 POLO ACADEMIA DA SAÚDE 9275 TELESSAÚDE 576CENTRAL DE REGULAÇÃO MÉDICADAS URGÊNCIAS15
  • 53. 5477SERVIÇO DE ATENÇÃO DOMICILIARISOLADO (HOME CARE)779 OFICINA ORTOPÉDICA 181 CENTRAL DE REGULAÇÃO 25TOTAL 32049Fonte: Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNESConsulta realizada em 5/3/2012Em termos de tipos de prestador, a distribuição éapresentada na TAB. 2.Tabela 2 – Tipos de Prestador de SaúdeEstado de Minas Gerais - TotalDESCRIÇÃO TOTALPESSOA FÍSICA COM FINS LUCRATIVOS 12.754PESSOA JURÍDICA COM FINS LUCRATIVOS 7568PRIVADO OPTANTE PELO SIMPLES 1.722PÚBLICA FEDERAL 25PÚBLICA ESTADUAL 281PÚBLICA MUNICIPAL 8.848PRIVADO SEM FINS LUCRATIVOS 264FILANTRÓPICA COM CNAS VÁLIDO 513SINDICATO 68TOTAL 32.043Fonte: Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNESConsulta realizada em 5/3/2012
  • 54. 556. O caso da Macrorregião Norte doEstado de Minas GeraisA primeira Rede Regional de Urgência e Emergên-cia do Estado de Minas Gerais foi implantada na Macror-região Norte de Minas Gerais em 2009, com base emdiscussões iniciadas em 2007.Figura 8 – Macrorregião de Saúde Norte• Área territorial: 122.176 km2• População: 1.558.610 habitantes• Densidade: 12,6 hab/km2• IDH (médio): 0,691 (0,571 a 0,783)
  • 55. 56O governo estadual, em parceria com o governo fe-deral, os gestores municipais, profissionais de saúde ea população da Macrorregião Norte do Estado de MinasGerais, iniciou a operacionalização da Rede Macrorre-gional de Urgência e Emergência em dezembro de 2008com a inauguração do SAMU-Macro Norte de Minas,que abrange 86 municípios e atende a uma populaçãode 1.594.353 pessoas em um território de 122.176 km² .O SAMU Macrorregional Norte conta com um Com-plexo Regulador constituído por uma Central de Regu-lação de Urgência e Emergência (SAMU 192) e umaCentral de Regulação Assistencial (SUSFácil), além deum Núcleo de Educação Permanente, responsável pormanter a alta qualidade do serviço através da educa-ção continuada das equipes e do treinamento de novosfuncionários. A Central Operativa do SAMU conta commédicos reguladores, técnicos auxiliares de regulaçãomédica (TARMs) e rádio-operadores para viabilizar osatendimentos de urgência e emergência.
  • 56. 57Por todo o território, estão distribuídas 47 ambulân-cias, sendo 40 (quarenta) unidades que prestam atendi-mento de Suporte Básico de Vida (USB) e 7 (sete) unida-des que prestam atendimento de Suporte Avançado deVida (USA).As unidades de atendimento pré-hospitalar estãodispostas em 37 bases descentralizadas distribuídas es-trategicamente, visando a um melhor tempo de respostanos atendimentos de urgência e emergência. Todas es-sas ambulâncias possuem monitorização por GPS e co-municação de dados com a Central Operativa do SAMUvia satélite (Fig. 9).Figura 9 – Distribuição das unidades de atendimento na MacroNorte/MGAs Unidades de Suporte Básico (USBs) contamcom uma equipe composta de um condutor socorristae um técnico de enfermagem; já as Unidades de Supor-
  • 57. 58te Avançado (USAs) são constituídas por um condutorsocorrista, um enfermeiro e um médico intervencionis-ta, que mantêm, nas 24 horas do dia, todos os dias dasemana, atendimento de urgência e emergência aos ci-dadãos vítimas de acidentes automobilísticos, acidentesde motos, vítimas da violência urbana, quadros clínicosagudos ou crônicos agudizados e ainda efetuam o trans-porte inter-hospitalar de pacientes graves.O SAMU-Macro Norte de Minas, em seu primei-ro ano de funcionamento, atendeu um total de 275.166usuários. Do total de atendimentos efetuados, 114.173foram atendimentos pré-hospitalares, 158.120 usuáriosobtiveram orientações médicas, o que representou 57%dos atendimentos, e 2.873 tiveram seu transporte inter--hospitalar efetuado por esse serviço (Gráf. 1).Gráfico 1 – Atendimentos do SAMU-Macro Norte. Período 2009a 2012As internações hospitalares ou o encaminhamentopara outras unidades de saúde da região foram o destinode 69% dos usuários atendidos, outros 31% foram aten-didos e tiveram suas necessidades resolvidas no localda ocorrência (Gráf. 2 ).
  • 58. 59Gráfico 2 – Destino dos pacientes atendidos pelo SAMU MacroNorte. Período 2009 a 2012Nesse mesmo período, o número de chamadosrecebidos pela Central Operativa do SAMU somaram307.102, conforme evolução apresentada no GRÁF. 3.Gráfico 3 – Chamados recebidos pelo SAMU Macro Norte. Pe-ríodo 2009 a 2012No ano de 2012, as solicitações de atendimento decasos clínicos representaram 56% dos atendimentos doSAMU-192, seguido pelos atendimentos por causas ex-ternas, 36% (Gráf. 4).
  • 59. 60Gráfico 4 – Atendimento por tipo de causa SAMU Macro Norte.Ano 2012Os atendimentos foram efetuados em toda a ma-crorregião, e das 86 cidades da macro, 85 acionaramo SAMU-192 no último ano de funcionamento, e aMicrorregião de Montes Claros/Bocaiúva teve 14.540casos atendidos, o que representa 40% dos atendi-mentos do SAMU-Macro Norte de Minas. A Micro deJanaúba/Monte Azul teve 5.832 casos atendidos, aMicro de Taiobeiras/Salinas, 3.638, a Micro de Januá-ria, 2.425. Já a de Brasília de Minas/São Francisco,3.531, a Micro Pirapora, 3.295, a Micro Francisco Sá,1.428, a Micro Coração de Jesus, 665 e a Micro deManga, 947 casos atendidos (Gráf. 5).
  • 60. 61Gráfico 5 – Atendimentos por Microrregião de Saúde SAMUMacro Norte. Ano 2012De acordo com os dados de 2012, observa-se quedomingo é o dia da semana com o maior número deatendimentos, tanto do serviço básico quanto do avan-çado, correspondendo a 17% do total de atendimentosrealizados (Gráf. 6).Gráfico 6 – Nº de Atendimentos por dia da semana - SAMU Ma-cro Norte. Ano 2012O SAMU-Macro Norte possui financiamento tripar-tite, e, para o custeio mensal, o Estado contribui como equivalente a 57%, a União, com 31%, e os 86 mu-
  • 61. 62nicípios arcam com os 12% restantes do financiamentonecessário ao custeio total.O gerenciamento do SAMU-Macro Norte se dá pormeio do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede deUrgência da Macro Norte - CISRUN, público, de nature-za jurídica pública. A governança da Rede de Urgênciae Emergência da Macro Norte de Minas é realizada peloComitê Gestor. O Comitê Gestor de Urgências e Emer-gências Macro Norte de Minas funciona como uma câ-mara técnica da CIRA Norte, o que faz dessa um impor-tante componente da governança da Rede de Urgênciae Emergência Macro Norte de Minas Gerais.Compondo a Rede de Atenção às Urgências e Emer-gências, a Rede de Resposta Hospitalar às Urgências eEmergências da Região Macro Norte de Minas foi insti-tuída em 13 de fevereiro de 2009, através da publicaçãoda Resolução SES/MG 1.771 e conta com 18 hospitaisestrategicamente distribuídos pela região, de acordo coma tipologia hospitalar necessária para responder às con-dições agudas ou crônicas agudizadas. A Rede de Res-posta Hospitalar às Urgências e Emergências da RegiãoMacro Norte de Minas entrou em efetivo funcionamentoa partir da validação de cada hospital pela Comissão deAvaliação e Controle da Rede, em maio de 2009. EssaComissão é composta de membros do Comitê Gestor,de representantes da Secretaria Estadual de Saúde, dasGerências Regionais de Saúde, de profissionais de saú-de local e gestores municipais e tem como finalidade vis-toriar, validar e acompanhar a atuação de cada um dos18 hospitais componentes da Rede de Resposta Hospi-talar. São componentes dessa Rede (Fig. 10):
  • 62. 63Figura 10P – Distribuição das unidades de atendimento na MacroNorte/MGHospitais de Urgência Nível IV• Fundação Municipal de Assistência à Saúde – SãoJoão da Ponte• Fundação Hospitalar Manoel Simões Calixto – São Ro-mão• Fundação Hospitalar Amparo ao Homem do Campo –Hospital Funrural – Manga• Fundação Hospitalar de Saúde – Hospital Nossa Se-nhora Aparecida – Varzelândia• Hospital e Maternidade Nossa Senhora das Graças –Monte Azul• Fundação Coronel João de Almeida – Rio Pardo deMinas• Fundação de Saúde São João do Paraíso – São Joãodo Paraíso
  • 63. 64Hospitais Gerais de Urgência Nível III• Hospital Municipal de Bocaiúva – Bocaiúva• Hospital Municipal de Januária – Januária•HospitalMunicipalDr.OswaldoPredilianoSantana–SalinasHospitais Gerais de Urgência Nível II• Hospital Municipal Senhora de Santana – Brasília deMinas• Fundajan – Fundação de Assistência Social – Janaúba• Hospital Santo Antônio – Taiobeiras• Hospital Municipal Dr. Moisés Magalhães Freire – Pirapora• Hospital Universitário Clemente Faria (Trauma II)Hospitais de Referência Nível I• Irmandade Nossa Senhora das Mercês – Santa Casa(Trauma I e Cardio I)• Fundação Hospitalar de Montes Claros – Hospital Arol-do Tourinho (Cardio I)• Hospital Dilson Godinho (Cardio I)Outra importante fonte de informação é a Classifi-cação de Risco do Protocolo de Manchester. No períodode março de 2012 a fevereiro de 2013, foram realizadas343.791 triagens em toda a região. Desse total, 1% foiclassificado como prioridade vermelha; 12%, como prio-ridade laranja; 43%, como amarela; 33%, como verde;3%, como azul; e 13%, como branca.A denominação da cor “branca” se aplica aoscasos em que o paciente chega à unidade de aten-dimento sem queixas, ou seja, o paciente não apre-senta nenhum sinal ou sintoma que possa motivarum atendimento. Esses pacientes podem chegar ao
  • 64. 65serviço de saúde para uma internação, por exemplo,para fazer uma cirurgia eletiva (Gráf. 7).Gráfico 7 – Total de atendimentos da Macro Norte por prioridade,no período de março de 2012 a fevereiro de 2013Uma importante medida de qualidade da Rede éo Tempo de Admissão à Triagem, já que o ideal é queo paciente não aguarde mais que 10% para ser triado.Observa-se que em torno de 25% dos pacientes estãoaguardando por um período superior a 15 minutos.Outro aspecto importante da Rede de Atenção àsUrgências e Emergências da Macro Norte de Minasé a participação da Atenção Primária à Saúde. Estapassa a atender às urgências de baixa complexidadeatravés das UBSs. Isso só foi possível por meio da im-plantação da Classificação de Risco do Protocolo deManchester em toda a região.São mais de 400 unidades da Atenção Primária quepassam a trabalhar com uma linguagem única, assegu-rando ao cidadão o atendimento por prioridade, por ne-cessidade clínica, garantindo, assim, melhor gestão dorisco. A implantação do Protocolo de Manchester nas
  • 65. 66Unidades de Saúde da Atenção Primária garante ao ci-dadão que necessita de atendimento urgente uma pres-tação de serviço adequada à sua condição de saúde, demaneira rápida, minimizando o risco de vida.Os dados do banco de dados do sistema ALERT -ADW-SES/MG revelam que:• O hospital microrregional de Brasília de Minastem o menor índice de pacientes classificadoscomo verde e azul (em torno de 18%).• Há grande presença de pacientes classificadoscomo “branco” nos hospitais microrregionais.• O tempo de tomada de decisão é diretamenteproporcional ao risco e varia muito com o hos-pital, sendo maior nos hospitais de maior porte.O aumento na identificação das causas de mortali-dade é importante marcador epidemiológico. Podemosconstatar também que houve elevação do número deóbitos nos hospitais da Rede Macro Norte entre os anos2008 e 2009. Os dados demonstram que o paciente estáchegando ao hospital, uma vez que, anteriormente à insta-lação da Rede de Urgência e Emergência, esses pacien-tes morriam antes mesmo de darem entrada no hospital.Tabela 3 – Número de óbitos nos hospitais da MacroNorte em 2008 e em 2009 com o Alert Edis instaladoHospital 2008 2009Hospital Santo Antônio 89 92Hospital Municipal Senhora Santana 115 127Hospital Municipal Dr. Moisés de Magalhães Freire 85 108
  • 66. 67Fundajan 111 113Hospital Aroldo Tourinho 401 454Hospital Universitário Clemente de Faria 154 250TOTAL 955 1.144Fonte: Coordenação Urgência Emergência/SAS/SUBPAS/SES/MG,2010.O aumento da mortalidade intra-hospitalar, muitoembora pareça incoerente, reflete a melhoria do aces-so dos pacientes aos hospitais de referência da rede esignifica que os pacientes que morriam sem assistênciaestão chegando aos serviços de urgência. Agora, preci-samos melhorar a qualidade da assistência, os recursosnecessários e o tempo resposta dos atendimentos. Aqualidade da assistência tem melhorado também, pois jáobservamos expressiva redução na taxa de mortalidadepor grupo de doenças como trauma maior, acidente vas-cular cerebral e infarto agudo do miocárdio, o que temcorroborado com uma redução importante da mortalida-de geral, mesmo com aumento do número de veículos eviolência, em que esperaríamos aumento das mortes porcausas externas. Somente no Norte do Estado de MinasGerais, houve redução de aproximadamente mil mortespor ano, desde a implantação da Rede de Urgência eEmergência em 2009.Tudo isso nos faz ter grande segurança conceitual, oque nos impele à universalização das Redes de Urgên-cia e Emergência em todo o Estado de Minas Gerais, e,com isso, reduzir expressivamente mortes e complica-ções evitáveis.
  • 67. 68ReferênciasCASTELLS, Manuel. The rise of the network society. Oxford:Blackwell, 1996.CAPRA, Fritjof. The hidden connections. London: HarperCollins, 2002.Duarte, Fabio; Quandt, Carlos; Souza, Queila (Org.). Otempo das redes. Perspectiva, 2008LUHMANN , Niklas. The autopoiesis of Social Systems.In:______(ed). Essays on Self-Reference. New York: Colum-bia University Press,1990MATU RANA, Humberto; VARELA, Francisco. The tree ofknowledge. Boston: Shambhala, 1987.MENDES, Eugênio Villaça. As Redes de Atenção à Saúde.Belo Horizonte: ESP-MG, 2009.CORDEIRO JÚNIOR, W. A gestão de risco na urgência. BeloHorizonte: Grupo Brasileiro de Classificação de Risco, 2008.DAWSON , B. Informe Dawson sobre el futuro de los serviciosmédicos y afines, 1920. Washington: Organización Panameri-cana de la Salud, Publicacion Científica n. 93, 1964.GRAY, J. A M. Evidence-based healthcare: how to makehealth policy and management decisions. Edinburgh: Chur-chill Livingstone, 2nd.ed., 2001.MACKWAY-JON ES, K. et al. Emergency triage. Oxford: Man-chester Triage Group, Blackwell Publishing, 2nd. ed., 2005.SHORTELL, S. M.; CASALINO , L. Health care reform re-quires accountable care systems. JAMA, 300: p. 95-97, 2008.
  • 68. 69Regionalizing Emergency Care: Workshop Summary. Dis-ponível em: <http://www.nap.edu/catalog/12872.html>. Insti-tute of Medicine of the national academies, 2010.Adams R; Acker J; Alberts M; Andrews L; Atkin-son R; Fenelon K; Furlan A; Girgus M; HortonK;Hughes R; Koroshetz W; Latchaw R; Magnis E;Mayberg M; Pancioli A; Robertson RM; ShephardT; Smith R; Smith SC Jr.; Smith S; Stranne SK; Ken-ton EJ III; Bashe G; Chavez A; Goldstein L; HodoshR; Keitel C; Kelly-Hayes M; Leonard A; Morgen-stern L; Wood JO. 2002. Recommendations for improv-ing the quality of care through stroke centers and systems:An examination of stroke center identification options. Multi-disciplinary consensus recommendations from the AdvisoryWorking Group on Stroke Center Identification Options of theAmerican Stroke Association. Stroke 33(1):e1–e7.Chiara O; Cimbanassi S. 2003. Organized trauma care:Does volume matter and do trauma centers save lives? Cur-rent Opinion in Critical Care 9 (6): 510–514.Bardach NS; Olson SJ; Elkins JS; Smith WS; Law-ton MT; Johnston SC. 2004. Regionalization of treatmentfor subarachnoid hemorrhage: A cost-utility analysis. Circula-tion109(18):2207–2212.Grumbach K; Keane D; Bindman A. 1993. Primary careand public emergency department overcrowding. AmericanJournal of Public Health 83(3):372–378Mann NC; Mullins RJ; MacKenzie EJ; Jurkovich GJ;Mock CN. 1999. Systematic review of published evidenceregarding trauma system effectiveness. Journal of Trauma-In-jury Infection &Critical Care 47 (Suppl. 3): S25–S33.MARQUES, Antônio Jorge de Souza et. al. Rede de Urgênciae Emergência. In: Marques, Antônio Jorge de Souza; MEN-DES, Eugênio Vilaça; LIMA, Helidéa de Oliveira. (Orgs.). O
  • 69. 70Choque de Gestão em Minas Gerais: Resultados na Saúde.v. 2. Belo Horizonte: Secretaria de Estado de Saúde de MinasGerais, 2010.McConnell KJ; Newgard CD; Mullins RJ; ArthurM; Hedges JR. 2005. Mortality benefit of transfer to level Iversus level II trauma centers for head-injured patients. HealthServices Research 40(2):435–457.Nathens AB; Maier RV. 2001. The relationship betweentrauma center volume and outcome. Advances in Surgery35:61–75.Nathens AB; Jurkovich GJ; Rivara FP; Maier RV.2000. Effectiveness of state trauma systems in reducing in-jury-related mortality: A national evaluation. The Journal ofTrauma 48(1):25–30; discussion 30–31.Field JM; Hazinski MF; Sayre MR; Chameides L;Schexnayder SM; Hemphill R; Samson RA; Katt-winkel J; Berg RA; Bhanji F; Cave DM; Jauch EC;Kudenchuk PJ; Neumar RW; Peberdy MA; Perl-man JM; Sinz E; Travers AH; Berg MD; Billi JE; Ei-gel B; Hickey RW; Kleinman ME; Link MS; Morri-son LJ; O’Connor RE; Shuster M; Callaway CW;Cucchiara B; Ferguson JD; Rea TD; Vanden HoekTL. Part 1: executive summary: 2010 American Heart As-sociation Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation andEmergency Cardiovascular Care. Circulation. 2010;122 (su-ppl 3): S640 –S656.
  • 70. 71Anotações
  • 71. 72

×