Apostila alfabetização e letramento

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Apostila alfabetização e letramento

  1. 1. CURSOCURSOCURSOCURSOEDUCAÇÃO INFANTIL, LEDUCAÇÃO INFANTIL, LEDUCAÇÃO INFANTIL, LEDUCAÇÃO INFANTIL, LETRAMENTO EETRAMENTO EETRAMENTO EETRAMENTO EALFABETIZAÇÃOALFABETIZAÇÃOALFABETIZAÇÃOALFABETIZAÇÃODISCIPLINADISCIPLINADISCIPLINADISCIPLINAAVALIAÇÃO E LETRAMENAVALIAÇÃO E LETRAMENAVALIAÇÃO E LETRAMENAVALIAÇÃO E LETRAMENTOTOTOTOPROFESSORPROFESSORPROFESSORPROFESSORCEZAR AFONSO BORGESCEZAR AFONSO BORGESCEZAR AFONSO BORGESCEZAR AFONSO BORGES
  2. 2. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.2LETRAMENTO: CONCEPÇÕES DE ALUNO LETRADOSUBJACENTES AO SAEB E AO PISA*A partir da década de 1990, assistimos à emergência de diversas iniciativasnacionais, regionais e internacionais de avaliação da educação. No Brasil, emparticular, essas iniciativas se traduziram na criação do Sistema Nacional deAvaliação da Educação Básica (SAEB), do Provão e do Exame Nacional do EnsinoMédio (ENEM). O significado geral dessas iniciativas é polêmico e a literaturaeducacional tem refletido os diferentes pontos de vista acerca deste tema, incluindoa associação entre essas iniciativas e políticas neoliberais (Gentili, 1996), avalorização da avaliação como promotora da melhoria da qualidade da educação(Castro & Carnoy, 1997), o papel desempenhado pela avaliação noacompanhamento de políticas educacionais e a associação entre avaliação epromoção de políticas de eqüidade (Castro, 1999).Em outras publicações, dois dos autores deste artigo tivemos a oportunidade deaprofundar as discussões gerais sobre o papel da avaliação nas políticaseducacionais, a partir da produção de pesquisas que examinaram detidamente oprocesso de institucionalização e o significado do SAEB (Bonamino & Franco, 1999;Bonamino, 2001). Tivemos também a ocasião de descrever e analisar o ENEM, aavaliação dos cursos superiores e a participação do Brasil em avaliações regionais,especificamente na avaliação promovida pela UNESCO/OREALC em 11 países daAmérica Latina e do Caribe e no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes(PISA) da OCDE (Franco & Bonamino, 2001).Pode-se dizer que a literatura educacional avançou na discussão sobre o significadomais geral desse tipo de avaliações. No entanto, ainda não foi possível desenvolverestudos mais sistemáticos que explicitem a estrutura conceitual e os critériosutilizados na elaboração dos instrumentos de avaliação do desempenho dos alunos.Com a elaboração deste artigo, buscamos contribuir para a compreensão dessescritérios em relação à noção de letramento que referencia a construção das provasde Língua Portuguesa de dois tipos de avaliação em curso no Brasil: o SAEB e oPISA.
  3. 3. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.3No caso do SAEB, trata-se de uma avaliação nacional em larga escala coordenadapelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP ) e destinada afornecer informações sobre a qualidade, a eqüidade e a eficiência da educaçãobásica brasileira, a gestores de sistemas de avaliação, administradoreseducacionais municipais e estaduais, bem como a professores, visando aoaperfeiçoamento das políticas e dos sistemas de ensino básico (Pestana, 1998).Até o presente, já foram realizados seis ciclos de avaliação (em 1990, 1993, 1995,1997, 1999 e 2001) que levantaram dados em amostras probabilísticas de alunosde escolas públicas e particulares de todos os estados do país e do Distrito Federal.Desde 1995, o SAEB pesquisa o desempenho escolar alcançado pelos alunos nas4ae 8aséries do Ensino Fundamental e na 3asérie do Ensino Médio, em LínguaPortuguesa, Matemática e Ciências e, a partir de 1999, em História e Geografia. Na3asérie do Ensino Médio, a área de Ciências abrange as disciplinas Física, Química eBiologia.Por sua vez, o PISA é uma avaliação internacional que realizou seu primeiroexercício em 2000, quando foram aplicados testes a amostras de jovens de 15 anosmatriculados em escolas, nas áreas de Leitura, Matemática e Ciências. Ao todo,nesse ano, participaram mais de 200 mil alunos em 32 países.1O PISA propõe-se a desenvolver avaliações periódicas. A primeira aconteceu no anode 2000 e as próximas estão previstas para 2003 e 2005. Além da avaliação geraldessas três áreas, cada exercício de avaliação destina dois terços da prova a umdomínio principal. No ano de 2000, a área explorada em profundidade foi a deLeitura, e as avaliações subseqüentes deverão tratar em profundidade as áreas deMatemática e de Ciências (INEP , 2001).O PISA 2000 foi elaborado por um consórcio de instituições, lideradas pelo AutralianCouncil for Educational Research no âmbito do programa de educação daOrganização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE),organização global que visa a ajudar os governos-membros a desenvolverempolíticas nas áreas econômicas e sociais.Neste artigo, discutimos as concepções de letramento que servem de base àconstrução das provas de Língua Portuguesa no SAEB 1999 e de Leitura no PISA2000. Um dos primeiros problemas que enfrentamos ao tentar lidar com essasconcepções é a falta de consenso em torno do que seja letramento e das diferentesformas de avaliá-lo. Contudo, como a falta de consenso não impede que existamavaliações do letramento nem que estas sejam consideradas formas importantes dese obter dados sobre esse fenômeno (Soares, 1999), buscamos, neste texto,
  4. 4. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.4explicitar as concepções de letramento que fundamentam o SAEB e o PISA. Com oobjetivo de evidenciar como as diferenças dessas duas avaliações se refletem nanoção de letramento, apresentamos e cotejamos as habilidades de leitura avaliadaspelo PISA e pelo SAEB. Além disso, discutimos algumas das possíveis implicaçõespara a escola básica brasileira que resultam das habilidades em Língua Portuguesae de Leitura diagnosticadas pelo SAEB em 1999 e pelo PISA em 2000.Letramento e avaliação da educação em larga escalaA palavra "letramento" é a "versão para o português da palavra da línguainglesa literacy. (...) Literacy é o estado ou condição que assume aquele queaprende a ler e escrever. Implícita nesse conceito está a idéia de que a escrita trazconseqüências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, lingüísticas, querpara o grupo social em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda ausá-la. Em outras palavras: do ponto de vista individual, o aprender a ler eescrever – alfabetizar-se, deixar de ser analfabeto, tornar-se alfabetizado, adquirira tecnologia do ler e escrever e envolver-se nas práticas sociais de leitura e deescrita – tem conseqüências sobre o indivíduo, e altera seu estado ou condição emaspectos sociais, psíquicos, culturais, políticos, cognitivos, lingüísticos e até mesmoeconômicos; do ponto de vista social, a introdução da escrita em um grupo atéentão ágrafo tem sobre esse grupo efeitos de natureza social, cultural, política,econômica, lingüística. O estado ou a condição que o indivíduo ou grupo socialpassam a ter, sob o impacto dessas mudanças, é que é designado porliteracy"(Soares, 1999, p. 17-18).Assim, podemos definir letramento como a capacidade de um indivíduo de seapropriar da escrita, sendo capaz de utilizá-la em diversas situações exigidas nocotidiano. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a aptidão para lere produzir textos – dos mais variados gêneros e temas – com proficiência é o maissignificativo indicador de um bom desempenho lingüístico e, conseqüentemente, deletramento. Um escritor competente deve, portanto, saber selecionar o gêneroapropriado a seus objetivos e à circunstância em que realizará seu discurso.Mas essa definição de letramento e a forma de avaliá-lo são diferentes em cadapaís e podem variar mesmo entre escolas do mesmo estado. Na avaliação, deacordo com Magda Soares (1999, p. 86), "os critérios segundo os quais os testessão construídos é que definem o que é letramento em contextos escolares: umconceito restrito e fortemente controlado, nem sempre condizente com ashabilidades de leitura e escrita e as práticas sociais fora das paredes da escola".
  5. 5. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.5Neste sentido, são freqüentes os casos em que indivíduos "são capazes decomportamentos escolares de letramento, mas são incapazes de lidar com os usoscotidianos da leitura e da escrita em contextos não escolares" (idem, ibid.). Isso sejustifica pelo fato de muitas vezes a escola ser um mundo à parte, e não assumir oseu papel de preparar o sujeito para a realidade na qual se insere.Em certos contextos, o conceito de letramento adotado pela escola está de certaforma em dissonância com aquilo que é importante para as pessoas em sua vidadiária. Depois de freqüentarem a escola por alguns anos, muitos adultos"evidenciam um domínio limitado das habilidades e estratégias de processamentode informação necessárias para que sejam bem-sucedidos ao enfrentarem umavasta gama de atividades no trabalho, em casa, em suas comunidades" (idem,ibid.).Esse quadro denota que a noção de letramento não é única e que varia de acordocom o tipo e os objetivos da avaliação realizada. Nessa perspectiva, buscamoselucidar as concepções de letramento subjacentes ao PISA e ao SAEB. À primeiravista, essas concepções nos pareceram muito operacionais, ou seja, percebemosque o que define letramento nos contextos escolares avaliados são, sobretudo, oscritérios que viabilizam a elaboração das provas dos alunos no PISA e no SAEB. Umexemplo disso é a ênfase dada pelas duas avaliações à leitura, uma vez que aanálise da produção escrita dos estudantes seria extremamente trabalhosa edispendiosa.A partir dessa premissa, buscamos explicitar a concepção de letramento subjacentea essas avaliações com base na análise das matrizes curriculares, e dos níveis deproficiência elaborados pelo PISA 2000 e pelo SAEB 1999. Trata-se de umaaproximação dos níveis de habilidades esperados para os estudantes avaliados.Tanto no SAEB quanto no PISA, essas habilidades têm como referência algumasdas competências discursivas dos estudantes consideradas essenciais nas situaçõesde leitura de textos. Essas habilidades são apresentadas na próxima seção.As concepções de letramento que podem ser depreendidas daanálise das escalas de proficiência no SAEB e no PISASe é complexa a tarefa de definir letramento, a diversidade brasileira no queconcerne às questões sociais, culturais, econômicas, históricas, geográficas, entretantas outras, torna essa tarefa ainda mais difícil na hora de decidir como avaliaresse letramento em alunos de todo o país ou de diferentes países. A solução
  6. 6. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.6encontrada pelos sistemas de avaliação é partir de um nível de letramento que seespera que alunos de determinada idade ou nível de escolaridade devam ter, eelaborar questões que procurem verificar em uma escala de proficiência, conformeacontece no PISA, ou matriz de descritores, como acontece no SAEB, quehabilidades esses alunos conquistaram. Cada uma dessas avaliações revela eprioriza uma visão da concepção de letramento.No que diz respeito ao SAEB, as provas são elaboradas com base em matrizescurriculares. Os resultados das provas são apresentados em uma escaladesdobrada em seis níveis de proficiência em Língua Portuguesa, que procuramexpressar o que tem sido efetivamente aprendido pelos alunos nas escolas do país(Quadro 1).
  7. 7. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.7No caso do PISA, a leitura é definida como "compreender, usar e refletir sobretextos escritos, a fim de atingir um objetivo, desenvolver o conhecimento e opotencial e de participar na sociedade" (OECD/PISA, 1999, p. 18). O PISAdescreve, em uma matriz de referência, conhecimentos associados a habilidadesdesenvolvidas pela escola e transpõe-nas em três subescalas, relativas àidentificação e recuperação de informação, intrepretação e reflexão, desdobradosem cinco níveis de proficiência. O Quadro 2 apresenta os conhecimentos e ashabilidades que compõem as três subescalas de leitura no PISA.
  8. 8. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.8
  9. 9. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.9A comparação do Quadro 1 com o Quadro 2 permite estabelecer aproximações ediferenças entre as duas avaliações em pauta e explicitar a concepção deletramento presente no SAEB e no PISA.As habilidades de leitura medidas nas escalas do PISA relacionadas à identificação erecuperação de informação e à interpretação também são encontradas na matriz doSAEB. Localizar informações no texto e construir significados, incluindo a produçãode inferências, são competências dos estudantes focalizadas com ênfase nas duasavaliações.No entanto, a maior diferença entre essas duas avaliações parece ser a presença,no PISA, de uma parte relacionada à escala de reflexão, que não é explorada com amesma profundidade e grau de detalhamento no SAEB. Como pode ser percebidono Quadro 2, a reflexão envolve o trabalho do leitor com seu conhecimento, suasidéias e atitudes externas ao texto a fim de relacionar a informação nova do textocom suas experiências e referências.Magda Soares (1999, p. 66-67) distingueduas principais dimensões do letramento: a dimensão individual e adimensão social. Quando o foco é posto na dimensão individual, o letramento évisto como um atributo pessoal, parecendo referir-se, como afirma Wagner (1983,p. 5), à simples posse individual das tecnologias mentais complementares de ler eescrever. Quando o foco se desloca para a dimensão social, o letramento é vistocomo um fenômeno cultural, um conjunto de atividades sociais que envolvem alíngua escrita, e de exigências sociais de uso da língua escrita. Na maioria dasdefinições atuais de letramento, uma ou outra dessas duas dimensões é priorizada:põe-se ênfase ou nas habilidades individuais de ler e escrever, ou nos usos, funçõese propósitos da língua escrita no contexto social.A análise conjunta do Quadro 1 e do Quadro 2 revela que, apesar de o SAEBdemonstrar preocupação com a dimensão social do letramento, a descrição dosníveis de proficiência em Língua Portuguesa enfatiza as habilidades individuais deleitura. O PISA, por sua vez, tem uma preocupação principal e bem salientada coma dimensão social da leitura (uso de textos do cotidiano, julgamento quanto a estiloe eficiência, posicionamento).Isso não interfere na qualidade das avaliações fazendo com que uma seja melhorque a outra, mas demonstra as diferentes concepções de letramento que subjazema essas avaliações
  10. 10. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.10O documento das Matrizes Curriculares do SAEB registra o interesse dessaavaliação em lidar com a avaliação da dimensão social do letramento:É possível dizer que um sujeito competente no domínio da linguagem é capaz decompreender e produzir textos orais e escritos adequados às situações decomunicação em que atua; de posicionar-se criticamente diante do que lê ou ouve;de ler e escrever produzindo sentido, formulando perguntas e articulando respostassignificativas em variadas situações. Um sujeito competente é capaz de considerarque todo texto oral ou escrito é um ato de linguagem, e, neste sentido, ao lê-lo ououvi-lo, é necessário descobrir-lhe as finalidades e intenções, os ditos e os não-ditos. Ao mesmo tempo, esse sujeito sabe, por meio do texto, manifestar seuspróprios desejos e convicções; e sabe também informar, persuadir, divertir,emocionar, argumentar, posicionar-se, criticar. Enfim, ser competente no uso dalíngua significa saber interagir, por meio de textos, em qualquer situação decomunicação.2Não obstante, esse mesmo documento evidencia a impossibilidade de a matriz dedescritores do SAEB contemplar todas as competências e habilidades que o alunodeve desenvolver ao longo de sua vida escolar, resultando, inevitavelmente, emuma seleção e uma redução delas. Essa seleção é feita com base em um conjuntode saberes e de habilidades que se espera sejam do domínio de alunos de 4ae8aséries do Ensino Fundamental e de 3asérie do Ensino Médio e privilegia o usosocial da língua, nos seus mais diferentes modos de efetivar-se.3Apesar de o SAEB demonstrar ter uma preocupação com a dimensão social doletramento, a descrição dos níveis de proficiência apresentada no Quadro1 explicita que uma maior ênfase é dada às habilidades individuais de leitura. Alémdisso, é possível notar que essa concepção reflete uma visão muito escolar daleitura, que utiliza como parâmetro o que o aluno consegue fazer com o texto e nãoexatamente uma concepção voltada para a valorização dos usos sociais dalinguagem. Uma mostra disso são os descritores que visam a verificar a capacidadedos estudantes de inferir o sentido de uma palavra no texto e diferenciar as partesprincipais das secundárias em um texto, por exemplo.É importante notar que a visão da leitura como instrumento escolar se manifesta noconjunto de questões que compõem as provas de Língua Portuguesa no SAEB. Asquestões de prova não exploram em profundidade a imensa diversidade textual quecircula em nossa sociedade, restringindo-se aos textos mais comumenteencontrados nos materiais didáticos, como poemas, contos ou crônicas,propagandas, tirinhas, notícias e reportagens (de jornais e revistas). Podemos
  11. 11. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.11dizer, portanto, que essa avaliação, apesar de trazer dados valiosos a respeito dashabilidades de leitura dos alunos brasileiros, não verifica diretamente a capacidadede leitura (e conseqüentemente o grau de letramento) desses estudantes, uma vezque a habilidade deles de lidar com vários textos do cotidiano não é diretamenteverificada no SAEB.Por sua vez, o PISA pretende avaliar conhecimentos e habilidades de leitura quesão necessários em situações da vida real. Nos referenciais teóricos do PISA, aleitura é definida como "compreender, usar e refletir sobre textos escritos, a fim deatingir um objetivo, desenvolver o conhecimento e o potencial e de participar nasociedade" (OECD/PISA, 1999, p. 18).O PISA busca verificar as habilidades dos estudantes para realizar uma variedadede tarefas de leitura. Para isso são simulados vários tipos de tarefas exigidas porsituações autênticas de leitura. As escalas consideram como habilidades essenciaisde leitura aquelas exigidas pela sociedade contemporânea: recuperar informação devários tipos de textos, interpretar o que se lê e refletir sobre a leitura. Entende-secomo recuperar informação o ato de localizar uma ou mais informações no texto; jáa habilidade de interpretar é definida como construir significado, incluindo aprodução de inferências, para uma ou mais partes do texto; e, finalmente, refletirsobre o texto é relacionar o texto à experiência pessoal, a conhecimentos e idéiaspróprios. Esses três aspectos não são considerados como inteiramente separados eindependentes, mas inter-relacionados, podendo revelar distinções interessantes eúteis entre os países e entre grupos dentro do mesmo país.Entre as duas primeiras escalas do PISA e a descrição dos níveis de proficiência noSAEB não há praticamente diferenças. A maior diferença entre essas duasavaliações parece ser a presença, no PISA, de uma parte relacionada com areflexão, que não é explorada com a mesma profundidade e grau de detalhamentono SAEB.A reflexão envolve o trabalho do leitor com seu conhecimento, suas idéias eatitudes externas ao texto a fim de relacionar a informação nova do texto com suasexperiências e referências.Complementarmente, a ênfase do PISA na dimensão social do letramento pode serpercebida nos gêneros textuais e no tipo de perguntas feitas ao aluno que exploramesses textos. O PISA lança mão de diversos gêneros cuja leitura costuma serexigida pela sociedade ocidental, entre os quais, podemos citar como exemplo,formulário de emprego, formulário de compras, contos, tabelas de aeroportos,reportagens de jornais e revistas, entrevistas, propagandas, além de muitos outros.
  12. 12. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.12As questões utilizadas na prova do PISA refletem, além da preocupação com ashabilidades de leitura que o aluno desenvolveu, uma preocupação com suacapacidade de colocar em prática essas habilidades quando lida com textos docotidiano. Existe uma preocupação em verificar o nível de competência que osleitores demonstram ter em cada uma dessas habilidades e em diferentes gênerostextuais, que não é verificada no SAEB.O letramento no Brasil à luz dos resultados do SAEB e doPISAO desenvolvimento de interpretação educacional dos níveis das escalas deproficiência de exercícios de avaliação da educação permite uma aproximação dashabilidades dominadas pelos estudantes e, no caso de ênfase em habilidadesescolares, do currículo aprendido nas escolas. Para que se possa tirar proveitopleno das potencialidades da interpretação educacional da escala, é importante quese considere não simplesmente a média geral ou de subgrupos testados; maisinformativa é a distribuição dos porcentuais em cada nível da escala. É esta aestratégia que utilizamos no mapeamento das habilidades em Língua Portuguesadiagnosticadas pelo SAEB 1999 e das habilidades em Leitura exploradas pelo PISA2000.Para a adequada interpretação dos resultados, é importante que se leve em contaque os níveis são cumulativos, isto é, que as habilidades associadas aos níveisinferiores de proficiência são parte integrante das habilidades dos níveis maiselevados; e que a descrição dos níveis de proficiência – tanto no caso do SAEBquanto no do PISA – é a apresentada no Quadro 1 e no Quadro 2 deste artigo.A Tabela 1 apresenta a distribuição dos alunos da amostra do SAEB 1999 nosdiversos níveis de proficiência.
  13. 13. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.13Com base nos dados do SAEB 1999, podemos observar que a proficiência emLíngua Portuguesa não se distribui homogeneamente nem entre as séries nem nasregiões do país (Tabela 1). Há duas maneiras complementares de ler a Tabela 1:uma delas é comparando a distribuição da proficiência pelas diferentes séries eregiões e a outra é verificando o que a escola agrega em proficiência em cada umadas séries e dos níveis de proficiência considerados.Quanto à distribuição regional da proficiência, a Tabela 1 mostra que,independentemente da série, o porcentual de alunos nos níveis mais baixos deproficiência é bastante mais elevado nas regiões Norte e Nordeste. Trata-se dasduas regiões menos desenvolvidas do país, cujas escolas possuem alunos queapresentam desempenhos escolares bastante inferiores ao dos alunos quefreqüentam as escolas das regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste.Se lermos a Tabela 1 tendo como referência a descrição dos níveis de proficiênciaapresentadas no Quadro 1, podemos verificar que, para o Brasil como um todo, háum aumento geral da proficiência ao longo da escolaridade dos alunos. Não
  14. 14. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.14obstante, o que se verifica é que da 4apara a 8asérie do Ensino Fundamental edesta para a 3asérie do Ensino Médio o aumento da proficiência é bastantemodesto, o que significa uma aquisição ainda muito restrita de novas habilidades ecompetências em Língua Portuguesa ao longo da escolaridade básica.Na 4asérie, por exemplo, os maiores porcentuais de alunos estão concentradosabaixo do nível 1 e no nível 1 de proficiência (35,6% e 39%), o que indica que amaioria dos alunos brasileiros ou não sabe ler ou tem dificuldades básicas com aleitura de um texto. Na 8asérie, a maioria dos alunos se concentra no nível 2 deproficiência, ou seja, naquele nível em que a operação de ler não vai além dacompreensão de idéias gerais que estão em grande parte explícitas no texto. Na3asérie do Ensino Médio, cerca de 60% dos alunos se dividem entre os níveis 2 e 3de proficiência em Língua Portuguesa. Nesse caso, o aluno encontra-se finalizandoa escolaridade básica, o que nos levaria a esperar que a maioria dos jovens tivessedesempenhos escolares em níveis de proficiência bem mais altos que os verificadosentre os alunos da 8asérie. Isso não é, infelizmente, o que acontece com osresultados sobre níveis de proficiência em Língua Portuguesa apurados pelo SAEB1999.Os dados do SAEB também mostram que o desempenho dos alunos brasileirosdifere por gênero. Em todas as séries testadas, a média das meninas é maior que ados meninos e este resultado é estatisticamente significativo no nível de confiançade 95%.4O melhor desempenho das meninas reflete-se na melhor distribuição dealunos e alunas nos níveis de proficiência do SAEB 1999, o que é ilustradopela Tabela 2.
  15. 15. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.15Observamos na Tabela 2 que, em cada uma das séries consideradas, osporcentuais dos meninos são mais altos que os das meninas nos níveis mais baixosde proficiência e que o oposto ocorre nos níveis mais altos de proficiência. Adistribuição na 3asérie do Ensino Médio (EM) apresenta uma exceção a estadescrição: no nível 6, o porcentual de meninos (0,6%) é levemente superior ao demeninas (0,5%). Para interpretar este resultado é necessário considerar que, hojeem dia, as meninas são mais educadas que os meninos. As meninas ficam maistempo nas escolas e, na 3asérie do Ensino Médio, o porcentual de meninas de nívelsocioeconômico baixo é bastante superior ao de meninos de nível socioeconômicobaixo. Isso significa que os alunos e as alunas amostrados na 3asérie do EnsinoMédio não possuem nível socioeconômico equivalente. Há maior número demeninas de baixa renda, que estudam em escolas as quais oferecem condições deestudo mais precárias. A despeito disso, o resultado geral na 3asérie é favorável àsmeninas; a exceção registrada deve-se ao fato de que o número de meninas comalto desempenho representa um porcentual menor que o dos meninossimplesmente porque existem mais meninas que, estudando em condições menosfavoráveis, não atingem o nível mais alto de proficiência.A Tabela 3 indica a evolução do número de anos de estudo da população brasileiracom 10 anos de idade ou mais de acordo com o gênero.
  16. 16. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.16Observamos que já em 1986 o número de anos de escolaridade da populaçãofeminina ultrapassava o da masculina. Como a medida em questão considera apopulação geral, cuja maior parte está fora da escola, é forçoso reconhecer que nascoortes mais jovens o avanço educacional das mulheres foi muito superior ao doshomens. A entrada precoce dos homens na força de trabalho é um fator explicativodeste fenômeno.O melhor desempenho de meninas na área de línguas é um achado internacional depesquisa. No PISA 2000, meninas de 15 anos tiveram resultados em leituramaiores que os de meninos nos 32 países pesquisados, inclusive o Brasil.5Umaexplicação abrangente para estes achados de pesquisa é ainda uma questão emaberto. Diversos estudos indicam que meninas têm maior dedicação às tarefasescolares que meninos (OCDE, 2001; Silva, 2002), mas o efeito distinto da variávelgênero em línguas e em Matemática é indicativo de que esta não é uma explicaçãocompleta para a diferença de desempenho. Com relação à desvantagem demeninas em Matemática, dois pontos ainda precisam ser considerados: em estudosque abrangem alunos mais jovens, a diferença em favor dos meninos tende a sermuito pequena ou nula; quando são considerados alunos da mesma faixa etária doPISA, estudos anteriores – como o TIMMS – registravam diferenças maiores emfavor dos meninos, o que pode sugerir que a diferença esteja diminuindo (OCDE,2001, p. 124-127).6No que se refere aos resultados gerais do PISA em Leitura, a proficiência dosalunos brasileiros foi significativamente inferior à de todos os demais paísesparticipantes (INEP , 2001). Apenas parte da explicação para este resultado serelaciona com questões como a defasagem idade/série e com o padrão decomparação composto pelos países-membros da OCDE, que inclui países quepossuem sistemas educacionais bastante consolidados: examinados isoladamente,
  17. 17. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.17e ainda que se considere as séries cursadas pelos alunos, o cenário que emerge épreocupante. A Tabela 4 resume o quadro.A Tabela 4 mostra que o porcentual de alunos abaixo do nível 1 é bastanteelevado entre os alunos de 15 anos de idade que têm até sete anos de estudo(57%). Mesmo entre os alunos que têm oito séries escolares, a maioria concentra-se no nível 1 de proficiência (40%). Estes resultados requerem uma explicação.Alunos com 15 anos de idade cursando a 7aou a 8asérie são alunos com atrasoescolar. Nesse caso, ao fato de que os alunos não foram ainda expostos ao tipo decompetências avaliadas pelo PISA, que pressupõe nove ou mais anos deescolaridade, soma-se a tendência de os alunos com atraso escolar apresentaremcompetências menores que as dos alunos da mesma série sem atraso escolar.Não obstante, mesmo quando se trata de alunos de 15 anos de idade quefreqüentam a 1ae a 2aséries do Ensino Médio, ou seja, sem atraso escolar, éparticularmente notável o baixo porcentual de estudantes nos níveis de proficiênciamais abrangentes (5% no nível 4 e apenas 1% no nível 5).Diante dos já conhecidos problemas da educação brasileira e levando-se em contaa ênfase do PISA em leitura de textos não-contínuos, em especial gráficos ediagramas, que tendem a ser desprezados pelas abordagens mais prevalentes noensino de Língua Portuguesa ou tendem a ser praticados de mododescontextualizado e descomprometido com o desenvolvimento de habilidadesgerais de leitura no ensino de Matemática e das outras disciplinas, os resultadosapresentados na Tabela 4 não demonstram falta de sintonia com o que se poderiaesperar. Para melhor focalizar as habilidades em leitura da elite socioeconômica ecultural da população estudantil brasileira de 15 anos de idade, apresentamosna Tabela 5 resultados comparativos de alguns países. A análise desenvolvida
  18. 18. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.18separou primeiramente o quartil superior de alunos da amostra do PISA pelocritério de nível socioeconômico e cultural. Isso significa que se considerou no topoda distribuição socioeconômica e cultural de cada país porcentual distinto datotalidade de alunos incluídos na amostra de cada país: no Brasil e no México, porexemplo, foram considerados alunos que representam os 7% dos alunos dessespaíses com maior índice socioeconômico e cultural; já nos países mais ricos foramconsiderados alunos que representam mais de um terço da população estudantil. Ocritério básico foi o de comparar estudantes com situação socioeconômica e culturalequivalente sob o ponto de vista do índice socioeconômico e cultural usado noPISA, de modo que as diferenças entre países reflitam mais o que acontece nasescolas do que a origem social dos alunos. No caso do Brasil, os alunosrepresentados na Tabela 7, tipicamente, estudam em escolas particulares, têm paisque atingiram o ensino superior, moram em domicílios nos quais há computador,acesso à internet, enciclopédia e diversos equipamentos e serviços que sãoindicadores de condição socioeconômica e cultural favorável.A Tabela 5 mostra que, nos diferentes países considerados, os alunos com nívelsocioeconômico e cultural elevado distribuem-se pelos diferentes níveis deproficiência em Leitura com maior concentração nos níveis 3 e 4. Brasil, FederaçãoRussa e México têm maior porcentual de alunos no nível 3 de proficiência, ao passoque Coréia do Sul, Espanha, EUA, França e Portugal têm maior porcentual dealunos no nível 4 de proficiência. Observa-se ainda que parcelas expressivas daelite socioeconômica e cultural dos EUA (24%) e da França (19%) atingiram o nível5 de proficiência em Leitura, ao passo que apenas 5% da elite socioeconômica e
  19. 19. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.19cultural brasileira e 3% da mexicana atingiu o nível mais abrangente de proficiência(OCDE/INEP , 2001).Mencionamos na seção anterior deste artigo a ênfase do PISA na dimensão socialdo letramento. Esta também pode se percebida nos gêneros textuais utilizados enas questões de prova que os exploram. As provas do PISA incorporam textos dediversos gêneros e cuja leitura costuma ser exigida pela sociedade ocidental.No PISA, além da preocupação com as habilidades de leitura desenvolvidas pelosalunos de 15 anos de idade, há uma preocupação com a capacidade desse alunopara colocar em prática essas habilidades quando lida com textos do cotidiano.Existe no PISA uma preocupação em verificar o nível de competência que osleitores demonstram ter em cada uma dessas habilidades e em diferentes gênerostextuais.A grande diversidade textual explorada no PISA, que inclui textos contínuos e não-contínuos sobre diferentes assuntos, revela um rompimento dessa avaliação com aperspectiva disciplinar, isto é, com a visão de que o desenvolvimento da leitura éalgo associado ao aprendizado de uma língua. Ao contrário disso, o PISA trabalhacom uma visão ampla de letramento, que implica saber lidar com diferentes formasde expressão relacionadas a diversas formas de registrar dados para os maisdiferentes fins (que poderíamos grosso modo classificar como: literários, teatrais,científicos, administrativos, geocientíficos, jornalísticos, publicitários, entre muitosoutros).Ao menos em parte, as dificuldades dos estudantes brasileiros com tarefas deníveis de proficiência mais abrangentes envolvem limitações em lidar com adiversidade textual, principalmente com textos apresentados na forma de gráficos etabelas. Essa constatação do PISA não é um caso isolado e se mostra consistentecom resultados verificados no SAEB. Ela revela a dificuldade dos alunos eminterpretar elementos não-verbais e de integrar informações do texto e do materialgráfico. Indica, também, que essas habilidades não estão sendo suficientementetrabalhadas nas escolas brasileiras."Letramento é o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: oestado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo comoconseqüência de ter-se apropriado da escrita" (Soares, 1999, p. 17-18).Sabendo que a noção de letramento pode ter outros sentidos, parece este o sentidoem que o SAEB e o PISA se pautam. O SAEB demonstra ter uma maior
  20. 20. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.20preocupação com a primeira parte da conceituação, ou seja, com "o resultado daação de ensinar ou de aprender a ler e escrever", pois tem como um dos seusobjetivos fazer um diagnóstico do nível de letramento (educação) dos alunos, paraque com base nesses dados o governo e as escolas tomem medidas que procuremsanar os problemas/deficiências encontrados. Para realizar esse diagnóstico, noentanto, o SAEB utiliza-se de uma noção de língua e de proficiência discursiva, quecoincide com a noção de literacy apresentada por Magda Soares, como se podenotar na ênfase dada à busca de informações sobre as habilidades envolvidas noletramento já adquiridas pelos alunos.O PISA, por sua vez, apresenta como prioridade a verificação das habilidadesrelacionadas ao letramento na sua dimensão social, ou seja, visa a verificar acapacidade dos alunos de lidar, em vários níveis (da localização de informaçãoexplícita à análise crítica do texto sobre, por exemplo, sua adequação a e eficiênciaem determinada situação comunicativa), com textos do cotidiano, demonstrandodessa forma a capacidade desses alunos de participarem dessa sociedade letrada(com todas as conseqüências que possam advir disso, já mencionadas no conceitode literacy). Não há no PISA um objetivo de diagnosticar os problemas de cada paíse sim de verificar o letramento de cada um deles, ou seja, a capacidade de osalunos lidarem com textos que circulam na sociedade ocidental para chegar a umquadro ou mapeamento internacional do letramento, considerando sobretudo suadimensão social.O PISA preocupa-se não só com as habilidades de leitura que o sujeito adquiriu,mas, principalmente, com a forma como ele coloca em prática essas habilidadesquando lida com textos do cotidiano. Há no PISA uma preocupação com o uso dalinguagem maior que o que há no SAEB, e que pode ser vista na diversidade degêneros textuais (todos do cotidiano) presentes no PISA (gráficos, tabelas,cartazes, panfletos, propagandas, instruções, trechos de peças teatrais, contos,notícias, textos opinativos, formulário de compra, formulário de emprego, entremuitos outros). Essa preocupação com o uso da linguagem é também perceptívelnos objetivos das questões, que muitas vezes exigem do estudante uma análisecrítica do estilo do texto e da eficiência dele naquela situação de comunicação, ou arecuperação das intenções comunicativas do autor ao usar determinado recursolingüístico (nesses casos, o estudante precisa pensar e encontrar justificativas paraas escolhas do autor, revelando assim consciência das formas de manipulação dalíngua para a obtenção de determinados efeitos de sentido).
  21. 21. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.21Nesse aspecto, o SAEB ainda tem o que melhorar. Em contrapartida, o SAEB tem alimitação de ser uma prova toda de múltipla escolha e o PISA pôde contar comquestões abertas.É importante observar que houve muita resposta (e muitas provas) em branco noPISA. Como podemos interpretar esse dado? Como incompetência ou inabilidadedos alunos de lidar com aqueles textos e com aquelas tarefas? Parece que muitosalunos brasileiros ficaram receosos com as propostas do PISA por não entenderemque aqueles textos poderiam fazer parte do contexto escolar. Será que essesalunos não sabem ler? Como diz Magda Soares7(2002), ler é verbo transitivo: nãosabem ler o quê? Que habilidades de leitura eles não têm?O mesmo pode ser visto nas avaliações do SAEB. Muitas questões que envolvem acompreensão de imagens ou que exigem do aluno relacionar estímulos verbais enão-verbais (tirinhas, propagandas etc.) costumam ter um resultado insatisfatório.Isso significa que os alunos não compreendem imagens? Que são incapazes derelacionar o texto escrito com as imagens? Será que tirinhas e propagandas sãopercebidas pelos alunos com estranhamento, como textos que não costumam fazerparte da prática escolar? É possível que eles acabem ficando com receio deresponder a perguntas sobre esses textos, imaginando que a escola quer algo maisdeles, que eles, estudantes, não vão saber responder. É difícil entender por queisso acontece, sabendo que os alunos lidam com imagens o tempo todo –TV, outdoor, por exemplo. Será que eles não são capazes ou têm dificuldade deentender anúncios de TV ou outdoor?"Os jovens brasileiros que se submeteram ao PISA revelaram ler mal o quê? Quegênero de texto? Leitura com que objetivo?" Podemos estender ao SAEB essasperguntas feitas por Magda Soares (2002) referindo-se ao PISA.O PISA tem uma preocupação muito grande com o uso de diversos gêneros textuaispresentes no cotidiano extra-escolar dos alunos (procura, inclusive, avaliar se oestudante reconhece o uso para o qual o texto foi escrito). O SAEB, por sua vez,teve durante muitos anos uma preocupação maior com os descritores, ou seja, comas habilidades de leitura a serem avaliadas, que com a diversidade de gênerostextuais ou com a utilização prática desses textos na nossa sociedade.O PISA mostra a importância do domínio da leitura e a necessidade de consideraras disciplinas num processo interdisciplinar. Isso se relaciona com o conceito deLetramento defendido por Magda Soares. Por este conceito, entende-se que nãobasta que o indivíduo saiba ler superficialmente um texto. É preciso que ele sejacapaz de fazer as inferências que o texto exige e relacioná-lo a outras áreas do
  22. 22. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.22conhecimento, reforçando o conceito da interdisciplinaridade. É importante que oconceito de letramento que embasa essas avaliações esteja intimamenterelacionado ao que é importante no dia-a-dia do indivíduo, conforme acontece noPISA, cujo objetivo mais global é avaliar a capacidade de jovens para usar seusconhecimentos e habilidades para enfrentar os desafios da vida em sociedade,tendo em vista um modelo dinâmico de aprendizagem para um mundo emtransformação.Os resultados, tanto do PISA quanto do SAEB, mostram-nos que os alunos, mesmodepois de freqüentarem a escola por muitos anos, "evidenciam um domínio limitadodas habilidades e estratégias de processamento de informação necessárias paraque sejam bem-sucedidos ao enfrentarem uma vasta gama de atividades notrabalho, em casa, em suas comunidades" (Soares, 1999, p. 86). Ao que essasavaliações indicam, os alunos de modo geral não são capazes de ler fluente eproficientemente muitos gêneros textuais (entre os quais podemos citar textos não-contínuos, como gráficos, tabelas e formulários, por exemplo). Esses resultadosexigem uma reação do sistema educacional brasileiro, para que nossas escolascumpram o papel de preparar os estudantes para atuarem satisfatoriamente nomundo contemporâneo.Recebido e aprovado em outubro de 2002.Notas1. Em 2000, foram os seguintes os países que participaram do PISA: Alemanha,Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Coréia do Sul, Dinamarca, Espanha,Estados Unidos, Federação Russa, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria,Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Letônia, Liechtenstein, Luxemburgo, México,Noruega, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia eSuíça.2. SAEB, 2001. Novas perspectivas. Brasília: INEP /MEC , maio 2001, p. 17.3. SAEB, 2001. Novas perspectivas. Brasília: INEP /MEC , maio 2001, p. 18.4. Situação oposta ocorre em Matemática, disciplina na qual o desempenho demeninos é superior ao das meninas (Freire, 2002; Silva, 2002).5. Esses resultados foram estatisticamente significativos no nível de confiança de95% em todos os países. Já em Matemática, meninos tiveram resultados maiores eestatisticamente significativos no nível de confiança de 95% em 15 países, maiores
  23. 23. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.23mas não estatisticamente significativos em 14 países e menores e nãoestatisticamente significativos em 3 países (OCDE, 2001, p. 123).6. Mas ainda não se pode desprezar a hipótese de que diferenças no tipo dehabilidade focalizada pelos diferentes exercícios de avaliação expliquem adiminuição da diferença.7. Magda Soares, Ler, verbo intransitivo, mar. 2002, disponível em:<http://www.leiabrasil.org.br/leiaecomente/valeoescrito/magda.htm>Acesso em mar. 2002.Referências bibliográficasBONAMINO, A. Tempos de avaliação educacional: o SAEB, seus agentes,referências e tendências. Rio de Janeiro: Quartet, 2001. [ Links ]BONAMINO, A.; FRANCO, C. Avaliação e política educacional: o processo deinstitucionalização do SAEB.Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 108, p. 101-132,1999. [ Links ]BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Instituto Nacional de Estudos ePesquisas Educacionais. SAEB 2001: novas perspectivas. Brasília, DF .: INEP ,2001. [ Links ]CASTRO, C. M.; CARNOY, M. A melhoria da educação na América Latina: e agora,para onde vamos? In: CASTRO, C. M. Como anda a reforma da educação naAmérica Latina? Rio de Janeiro: FGV, 1997. [ Links ]CASTRO, M.H. A educação para o século XXI: o desafio da qualidade e da eqüidade.Rio de Janeiro: FGV, l999. [ Links ]FRANCO, C.; BONAMINO, A. Iniciativas recentes de avaliação da qualidade daeducação no Brasil. In: FRANCO, C. (Org.). Avaliação, ciclos e promoção naeducação. Porto Alegre: ARTMED, 2001, p. 15-28. [ Links ]GENTILI, P. Neoliberalismo e educação: manual do usuário. In: SILVA, T.T.;GENTILI, P. (Org.). Escola S.A.: quem ganha e quem perde no mercadoeducacional do neoliberalismo. Brasília, DF .: CNT, 1996. [ Links ]ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT. Measuringstudent knowledge and skills: a new framework for assessment. Paris: OECD,1999. [ Links ]PESTANA, M.I. O sistema de avaliação brasileiro. Revista Brasileira de EstudosPedagógicos, Brasília, DF ., v. 79, n. 191, 1998. [ Links ]
  24. 24. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.24SOARES, M.B. Ler, verbo intransitivo. Disponível em:< http://www.leiabrasil.org.br/leiaecomente/valeoescrito /magda.htm>Acesso em: março de 2002. [ Links ]SOARES, M.B. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica,1999. [ Links ]WAGNER, D.A. Ethno-graphies: an introduction. International Journal of theSociology of Language, Berlin, v. 42, p. 5-8, 1983. [ Links ]
  25. 25. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.25Avaliações que envolvem o conceito de LetramentoTexto para as questões 01 e 02.A história oficial tem sido contada do ponto de vista dos dominadores e não dos dominados.Essa perspectiva se inverte na entrevista abaixo, publicada na revista Isto é, em que o índiotapuia Kaká Werá Jecupe analisa os 500 anos do descobrimento do Brasil, sob a ótica dos quehabitavam o Novo Mundo quando os colonizadores europeus aqui chegaram, e fala do seulivro A terra dos mil povos. Apresentamos, a seguir, trechos dessa entrevista.ISTOÉ - O Brasil está se preparando para comemorar seus 500 anos. Para os povos indígenas,são anos de descoberta ou de invasão?Kaká - De desencontro. Desencontro que provocou e continua provocando situaçõesgravíssimas. A realidade atual indígena não é fácil. Ainda hoje, em grandes áreas do País, é nabase do tiro. Os interesses que provocam essas ações continuam os mesmos: interesseseconômicos. Hoje há um elemento a mais que são as indústrias farmacêuticas multinacionaisque estão praticando a biopirataria, roubando todo o conhecimento ancestral que os povosindígenas detêm a respeito de ervas medicinais.ISTOÉ - E qual é a razão desse desencontro?Kaká - A semente desse desencontro está numa sociedade que tem na sua estrutura de culturaa questão do ter e encontrou uma cultura aqui voltada para o ser.ISTOÉ - Os europeus chegaram trazendo o progresso, trataram os que estavam aqui comoprimitivos.Como você pensa essa relação?Kaká - Para quem fundamenta a sua cultura no ter, a noção de progresso está em ver ao seuredor o acúmulo de bens materiais. A noção de progresso dos indígenas está em desenvolver asua capacidade criativa, a sua expressão no mundo. É preciso que a civilização olhe para osíndios com menos prepotência, até para perceber que ela está em colapso. (...)ISTOÉ – Nesses 500 anos, com o desaparecimento de centenas de etnias, qual foi o maiorpatrimônio que o Brasil perdeu?Kaká - O patrimônio da sabedoria. O brasileiro não sabe da sua própria cultura. Tem todo ummodelo insistindo no imaginário que vê o índio como um pobre coitado. Esses 500 anosoferecem a possibilidade de rever as suas raízes, ter a percepção desse patrimônio.ISTOÉ – Há um trecho em seu livro, A terra dos mil povos, em que você escreve: “De acordocom a nossa tradição, uma palavra pode proteger ou destruir uma pessoa. Uma palavra naboca é como uma flecha no arco.” O que significa exatamente a palavra para o índio?Kaká - Para o tupi-guarani, ser e linguagem são uma coisa só. A palavra tupuy designa ser. Aprópria palavra tupi significa som em pé. Nosso povo enxerga o ser como um som, um tom deuma grande música cósmica, regida por um grande espírito criador, o qual chamamos de
  26. 26. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.26Namandu-ru-etê, ou Tupã, que significa o som que se expande. Um dos nomes da alma éneeng, que também significa fala. Um pajé é aquele que emite neeng-porã, aquele que emitebelas palavras. Não no sentido de retórica. O pajé é aquele que fala com o coração. Porquefala e alma são uma coisa só. É por isso que os guaraniscayowas, por ilusão dessas relaçõescom os brancos, preferem recolher a sua palavra-alma. Se matam enforcados (como vemacontecendo há cerca de dez anos, em Dourados, em Mato Grosso do Sul) porque a garganta éa morada do ser. Por aí você pode ver que a relação da linguagem com a cultura é muitoprofunda para o tupi-guarani. (…)01 - Marque verdadeiro ou falso , de acordo com os trechos da entrevista que você acabou deler.( ) Para Kaká Jecupe, a tensão entre índios e brancos é um problema deste final de século,motivado pelo acirramento de interesses econômicos.(02) A biopirataria mencionada na entrevista consiste no roubo de ervas medicinais indígenaspelas indústrias farmacêuticas multinacionais.(04) A base do desencontro entre índios e brancos está nos valores assumidos por cada umadessas culturas, que são respectivamente o ter e o ser.(08) A noção de progresso relacionada ao ser desloca a questão do acúmulo de bens materiaispara a do aprimoramento da criatividade.(16) Na opinião do escritor tapuia, ver o índio de forma menos prepotente levaria a civilizaçãoatual a voltar o olhar sobre si mesma para avaliar sua própria situação.(32) A representação do índio como “pobre coitado” é um dos estereótipos cultivados peloimaginário nacional.(64) Os 500 anos de Brasil significam, para as etnias indígenas desaparecidas, a oportunidadede resgatar suas raízes culturais dilapidadas pelo progresso.02 - Com base no trecho em que se discorre sobre a linguagem na visão do índio, é corretoafirmar que(01) a linguagem, enquanto som, e o ser são elementos distintos, mas que se combinamharmoniosamente na constituição da “grande música cósmica”.(02) palavra, em tupi, significa “som em pé”.(04) na tradição indígena, a palavra é vista como uma forma de poder nas relaçõesinterpessoais.
  27. 27. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.27(08) o termo "neeng-porã" não significa “belas palavras” enquanto mero ornamento dodiscurso, tendo a ver com sentimento, emoção.(16) entendendo alma e fala como “uma coisa só”, os guaranis-cayowas da região deDourados, em Mato Grosso do Sul, vêem no gesto de pôr fim à vida a forma de fazer calar apalavra alma.(32) a principal causa apontada por Kaká para justificar os suicídios ocorridos em Dourados é odesencanto que os índios passam a ter com sua própria língua e cultura, depois do contatocom a língua e a cultura do homem branco.(64) na frase “Uma palavra na boca é como uma flecha no arco.”, a metáfora usada cria umefeito de sentido de realidade ao identificar a linguagem com uma arma de caça e guerra.Texto para as questões 03 e 04.Também o compositor Geraldo Espíndola retrata os fatos a partir do ponto de vista do índio nacanção “Quyquyho” (LP Prata da Casa, 1982), cuja letra reproduzimos abaixo.Quyquyho nasceu no centro entre montanhas e o marQuyquyo viu tudo lindo tudo índio por aquiIndiamérica deu filhos foi Tupi foi GuaraniQuyquyho morreu feliz deixando a Terra para os doisGuarani foi pro Sul, Tupi foi pro Norte eFormaram suas tribos cada um no seu lugarVez em quando se encontravam pelos rios da AméricaE lutavam juntos contra o branco em busca de servidãoE sofreram tantas dores acuados no sertãoGuarani foi pro SulTupi entrou no AmazonasQuyquyho na lua cheiaQuer Tupi quer GuaraniQuyquyho na lua cheia
  28. 28. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.28Quer Tupi quer Guarani.03 - Os aspectos apontados, a seguir, podem ser encontrados em “Quyquyho”, exceto:(01) menção à origem comum das tribos Tupi e Guarani.(02) alusão ao deslocamento geográfico das duas tribos, provocado pela discórdia.(04) oposição índio feliz, nos primeiros tempos, versus índio sofredor, a partir da relação como branco.(08) noção de que a terra pertence aos indígenas, pois a eles foi legada.(16) sugestão de uma relação harmoniosa entre a terra e o índio, ilustrada pela aglutinaçãodos termos índio e América.(32) presença de um forte sentimento ufanista.04 - Reconheça abaixo o(s) item(ns) que representa(m) pontos comuns entre os textos 1(entrevista) e 2 (letra de música).(01) Referência à violência praticada pelo branco contra o índio. Ju53-.53-.(02) Alusão ao “grande espírito” criador do Universo, denominado Namandu-ru-etê ou Tupã,no Texto 1, e Quyquyho, no Texto 2.(04) Uso da narração como forma de estruturação das idéias no texto.(08) Emprego de termos de origem indígena.(16) Indicação da(s) razão(ões) que explica(m) as divergências entre brancos e índios.(32) Visão ingênua e idealizada do índio.
  29. 29. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.29Texto para as questões de 1 a 4.Prefeito de Cuiabá deve recuar com pedido de demissão de secretários-candidatosTéo MenesesO prefeito Chico Galindo (PTB) deverá recuar da proposta de exonerar imediatamente ossecretários municipais de Cuiabá que pretendem disputar algum cargo na eleição de 7 deoutubro. Ao invés dessa semana, como havia anunciado anteriormente, deve permitir que elesfiquem nos cargos até fevereiro ou março.O adiamento se deve ao fato de que Galindo vem sendo pressionado pelo próprio partido aoqual é filiado. Enquanto alguns segmentos da legenda temem a concorrência desleal desecretários que são pré-candidatos a vereador e poderiam usar os cargos para se promover,outros são contra a demissão porque possuem 14 filiados em cargos de segundo escalão egrande influência nos gastos do município, o que poderia melhorar a popularidade doscorreligionários.Galindo chegou a anunciar no fim de novembro que pediria aos pré-candidatos que pedissemdemissão até 7 de janeiro, ou seja, até depois de amanhã. A medida pretenderia evitar usoindevido da máquina pública. Os sinais de que vai recuar, no entanto, já são comentados noPalácio Alencastro. Ele ainda nem chamou para reunião os secretários mais comentados comovirtuais candidatos para discutir o assunto.Mesmo não admitindo pré-candidatura, são cotados como concorrente a vereador ossecretários Dilemário Alencar (Trabalho e Desenvolvimento Econômico), Luiz Poção (Cultura),João Emanuel (Habitação). O staff conta com 19 pastas. Muitos ocupantes de cargos desegundo escalão também devem entrar na disputa, como Leonardo Oliveira (PTB), sobrinho doex-governador Dante de Oliveira (PSDB) e diretor da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).O prefeito Chico Galindo (PTB) não retornou as ligações para comentar o assunto até a ediçãodesta matéria, assim como o secretário municipal de Comunicação, Mauro Cid. Por lei,ocupantes de cargos como secretários e responsáveis por despesas no Executivo precisamgeralmente se desincompatibilizar dos cargos 6 meses antes da eleição, ou seja, 7 de abril.Questão 01O texto expõe o problema enfrentado pelo prefeito da capital de Mato Grosso por ter que deixarno staff pessoas que são possíveis candidatos nas próximas eleições. Das alternativas abaixo,escolha a que não representa uma frase correta sobre à permanência de pré candidatos nostaff da prefeitura da capital.A) O PTB está pressionando o prefeito não exonerar imediatamente os secretários,deixando a decisão para os próximos meses.B) Alguns são contra a decisão, porque indicaram pessoas a cargos comissionados etemem que isso prejudique a popularidade de alguns candidatos.C) O staff conta com 19 pessoas. Alguns devem entrar na disputa como Leonardo Oliveira(PTB), sobrinho do ex-governador Dante de Oliveira (PSDB) e diretor da Secretaria deInfraestrutura (Sinfra).D) 7 de abril estará a seis meses das eleições municipais.
  30. 30. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.30Questão 02Indique a alternativa que contenha um argumento favorável à decisão do prefeito Galindo depermanecer com os supostos pré-candidatos nas próximas eleições.A) “alguns segmentos da legenda temem a concorrência desleal de secretários que sãopré-candidatos a vereador”B) O prefeito Galindo, que é candidato ao executivo estadual em 2012, teme perder oapoio das pessoas que estão em seu staff.C) O staff é de altíssima competência e, por isso, o prefeito Galindo decidiu manter ogrupo até o último momento.D) A demissão de alguns secretários poderia prejudicar filiados do segundo escalão.Questão 03No trecho “O staff conta com 19 pastas. Muitos ocupantes de cargos de segundo escalãotambém devem entrar na disputa...” o ponto final que marca o fim do primeiro período poderiaser substituído por uma conjunção, para que a oração fosse uma coordenada sindéticaadversativa. Indique que alternativa contém essa conjunção.A) EB) TodaviaC) PoisD) LogoQuestão 04As palavras pré, até, próprio e pública foram acentuadas respectivamente pela regra da:A) monossílaba, oxítona, paroxítona terminada em ditongo crescente e proparoxítona;B) oxítona, oxítona, paroxítona terminada em ditongo crescente e proparoxítona;C) oxítona, oxítona, proparoxítona e proparoxítona;D) monossílaba, paroxítona, proparoxítona e proparoxítona.Charge para as questões. 5 e 6.
  31. 31. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.31Questão 05Indique a opção que melhor resuma a crítica trazida pela charge.A) As pessoas mais ricas não ajudam os pobres nos momentos críticos.B) Os ricos também são afetados, por isso têm de fugir para salvar o dinheiro.C) Pessoas com mais poder aquisitivo gastam menos com as cheias do que os menosfavorecidos.D) Pessoas de má índole lucram com a desgraça alheia.Questão 06Assinale a alternativa que contenha uma composição por aglutinação.A) “pras”B) “tudim”C) “enchentes”D) “ali”Leia a tira e assinale a alternativa correta para as questões de 7 a 9.
  32. 32. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.32Questão 07O desfecho da tira, representado pelo diálogo do tigre, no último quadro, deixa implícito que:a) O cabelo de Calvin ficou mal cortado.b) Ele é muito exigente.c) Ele odeia chapéusd) Ele tem plena confiança em Haroldo, o tigre.e) Calvin é muito estranho para um adolescente.Questão 08Indique a passagem do texto que mostra a dúvida de Haroldo quanto ao corte de cabelo deCalvin.a) “Você vai adorar é estilo “New wave”.”b) “Em alguns lugares está meio moicano”c) “Sabe o que está na moda este ano?”d) “Bem, meio punk, na verdade.”e) “como o que”Questão 09No início do primeiro diálogo, verifica-se uma oração subordinada. Assinale a alternativa quemelhor classifique-a.a) Oração subordinada substantiva predicativa.b) Oração subordinada substantiva subjetiva.c) Oração subordinada adjetiva restritiva.d) Oração subordinada adverbial causal.e) Oração subordinada substantiva apositiva.
  33. 33. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.33GABARITO:Texto para a questão 10.Na placa acima, há um erro muito comum de concordância, uma vez que temos a voz passivapronominal e, nesses casos, o sujeito posposto deve concordar com o verbo transitivo diretoque inicia a frase. Há um caso semelhante de falta de concordância na alternativa:A) Precisa-se de pedreiros.B) Necessita-se de empregadas domésticas.C) Conserta-se eletrodomésticos.D) Duvida-se dos políticos por aqui.
  34. 34. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.34Charge para as questões 1, 2 e 3.(Charge online)Questão 01Considerando que as reticências indicam uma idéia ou pensamento que ficou sem terminar eobservando o sentido da charge, assinale a opção em que a frase pode substituir asreticências.A) É um dos melhores do mundo.B) É razoável para o BrasilC) É um dos menores do planeta.D) É muito para mim.Questão 02Se juntarmos os diálogos da charge teremos uma relação semântica de contraste. A alternativaque possui uma conjunção que não poderia ser utilizada para unir os dois diálogos está naalternativa:A) MasB) PorémC) EntretantoD) PoisQuestão 03
  35. 35. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.35Muitas músicas brasileiras, principalmente da década de 80, retratam ou retrataram a situaçãosocial brasileira. Considerando o tema central da charge, assinale a alternativa em o trecho damúsica está de acordo com ele.A) “São todos iguais e tão desiguaisuns mais iguais que os outros” (Humberto Gessinger)B) “Nas favelas, no SenadoSujeira pra todo ladoNinguém respeita a ConstituiçãoMas todos acreditam no futuro da nação” (Renato Russo)C) Eu devia estar contente porque eu tenho um empregoSou dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês” (Raul Seixa)D) “Caminhando contra o ventoSem lenço e sem documentoNo sol de quase dezembroEu vou...” (Caetano Veloso)Texto para as questões 4, 5 e 6.MEC divulga instituições que vão oferecer bolsa do ProUniAmanda CieglinskiOs estudantes interessados em disputar uma das 195 mil bolsas que serão oferecidas por meiodo Programa Universidade para Todos (ProUni) para o primeiro semestre de 2012 já podemconsultar a lista de faculdades, centros universitários e universidades participantes. A lista dasinstituições de ensino e vagas disponíveis foi divulgada hoje (4) pelo Ministério da Educação(MEC).Do total de bolsas oferecidas, 98 mil são integrais e 96 mil são parciais, que custeiam 50% damensalidade. Só podem pleitear a vaga estudantes que cursaram todo o ensino médio emescola pública ou em colégio privado na condição de bolsista. Para receber o benefício integral,o estudante precisa ter renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa.Já as bolsas parciais são destinadas àqueles com renda familiar per capita de até três saláriosmínimos. Também é necessário ter participado do Enem 2011 e atingido pontuação média de400 pontos nas provas objetivas e não ter zerado a redação.As inscrições começam dia 14 de janeiro no site do programa e seguem até o dia 19 do mesmomês. O candidato poderá escolher até duas opções de curso e de instituição. A divulgação doscandidatos pré-selecionados em primeira chamada deve ocorrer no dia 22 de janeiro.Os aprovados terão até o dia 1°de fevereiro para comparecer à instituição de ensino paraapresentar a documentação que comprove as informações da inscrição e fazer a matrícula. Asegunda chamada está prevista para 7 de fevereiro, com prazo para matrícula e comprovaçãode informações até o dia 15 do mesmo mês.Questão 04Considere as seguintes afirmações
  36. 36. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.36I – 195 mil bolsas serão oferecidas a todas as faculdades, centros universitários euniversidades participantes.II – 98 mil alunos não pagarão mensalidades para estudar durante a vigência do ProUni.III - Somente alunos bolsistas podem pleitear vaga no ProUni.Com relação às alternativas acima, marque a alternativa correta.A) I e II estão corretos.B) Apenas a I está correta.C) Apenas a II está correta.D) I e III estão corretos.Questão 05Sobre as idéias apresentadas no texto, marque a alternativa incorreta.A) Para pleitear uma bolsa integral, o candidato deve ter renda per capita de até R$817,50, considerando o salário mínimo de 2011.B) É necessário não ter zerado na redação e ter atingido pontuação total de 400 pontosnas provas objetivas.C) 7 de fevereiro é a data prevista para a segunda chamada.D) As inscrições podem ser feitas no site do programa até 19 de janeiro.Questão 06No trecho “A lista das instituições de ensino e vagas disponíveis foi divulgada hoje (4)pelo Ministério da Educação (MEC)” indique a opção em que o processo de formação depalavras está correto.A) Instituições (prefixação)B) MEC (sigla)C) Educação (derivação parassintética)D) Ministério (derivação prefixal e sufixal)Texto
  37. 37. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.37Questão 07Abreviação vocabular consiste na eliminação de um segmento da palavra, a fim de se obter uma formamais curta, como por exemplo foto, oriunda da palavra fotografia e moto, oriunda da palavra motocicleta.Há um caso de abreviação na alternativa:A) DomingoB) ArtesanatoC) HotelD) BijousQuestão 08Assinale a alternativa que contenha palavras que são acentuadas pelo mesmo motivo daspalavras “é” e “flórida”. (os acentos foram retirados propositalmente)A) Mão, rubricaB) nu, arvoreC) fe, passaroD) Ze, avaroCharge para as questões 9 e 10.
  38. 38. FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENAINSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENAAv. Gabriel Muller, 1065– Modulo 01 – Juina – MT – CEP 78320-000www.pos.ajes.edu.br – ajes@ajes.edu.brTodos os direitos reservados aos autores dos artigos contidos neste material didático.De acordo com a Lei dos Direitos Autorais 9610/98.38Questão 09Observando a linguagem verbal e não-verbal, percebe-se que o objetivo da charge é:A) Criticar a constituição brasileira, pois não abre espaço para novos projetos do SenadorBlairo Maggi.B) Mostrar que as leis são inúteis no Brasil.C) Mostrar as brechas constitucionais.D) Fazer uma crítica aos projetos do Senador Blairo Maggi, no tocante àconstitucionalidade.Questão 10Marque a alternativa em que a frase não pode completar o sentido do texto verbal da charge.A) São úteis para o BrasilB) Não se encaixam na constituiçãoC) São inconstitucionaisD) Não se enquadram nas leis brasileiras.

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