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Trabalho de epistemologia marta kerr   2º período
 

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    Trabalho de epistemologia marta kerr   2º período Trabalho de epistemologia marta kerr 2º período Document Transcript

    • UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS-ECI DISCIPLINA: Fundamentos da Ciência da Informação PROFESSORA: Marta M. Kerr Pinheiro CURSO : Biblioteconomia – 2º Período -Noturno ALUNAS: Elisete Sousa, Jaíro Rodrigues ,Regina Lúcia e Rita de Cássia Gonçalves EPISTEMOLOGIA E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO BELO HORIZONTE 2010
    • EPISTEMOLOGIA E EPISTEMOLOGIA DAS CIÊNCIAS 1 INTRODUÇÃO O objetivo da pesquisa foi compreender o conceito de Epistemologia disciplina autônoma integrante da como Ciência da Informação. A história da filosofia deu a conhecer algumas definições de Epistemologia e o entendimento das mudanças paradigmáticas1 , assumindo acepções e análises diferenciadas pelos filósofos , cientistas e estudiosos . Sendo a Ciência da Informação uma ciência contemporânea , bem jovem, se comparada com outras ciências busca ainda a sua identidade junto às várias ciências que lhes são interdisciplinares . Em outras palavras, falta à Ciência da Informação um estatuto epistemológico “reconhecido” . Este trabalho é composto de dois momentos específicos, o primeiro momento ocupou-se com algumas explorou-se definições de Epistemologia . Num segundo momento leituras de textos indicados que tratam da Epistemologia da Ciência da Informação. Desde já , percebemos os limites nas abordagens por se tratar de um tema complexo da „Epistemologia das Ciências Sociais‟. 2 EPISTEMOLOGIA O termo Epistemologia , em inglês „ Epistemology‟ foi introduzido por J.F. Ferrier (Institutes od Metaphysis, 1854 ) conforme nos coloca ( ABBAGNANO, ANTISERI, 1982) em seu dicionário de filosofia , “tratamento de um problema que nasce de um pressuposto filosófico específico, isto é, no âmbito de uma determinada diretriz filosófica” 2. Na Contemporaneidade, a teoria do conhecimento foi substituída por outra disciplina, “Metodologia”, que analisa as condições e limites existentes “dos processos de investigação e dos instrumentos lingüísticos do saber científico”. Neste sentido entende-se que a metodologia é o “conjunto dos procedimentos metódicos de uma ou mais ciências”, ou seja , este conjunto é produzido no interior de uma 1 DOMINGUES, Ivan. Epistemologia das ciências humanas. p. 51. “ O „termo paradigma‟ vem do grego paradeigma e significa, em sentido próprio, modelo, ou exemplo”. Conforme sua descrição, sua proposta é distinguir o termo “ paradigma” da palavra “modelo” e integrá-lo “método” . 671 p. 2 ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia . p.169-170. Para o autor, o termo Epistemologia ou Teoria do Conhecimento, no idioma francês , Gnosiologia , possui o mesmo significado, ou seja, não se trata de uma “disciplina filosófica geral, como a lógica ou a ética ou a estética”. 1
    • disciplina científica ( comunidade científica ) e tem como objetivo garantir a eficácia da técnicas de averiguação ou de controle que dispõem. A Epistemologia, segundo uma definição básica , ( AURÉLIO, 1986): “é o estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das ciências já constituídas”3, enquanto teoria objetiva “determinar os fundamentos lógicos, o valor e o alcance delas”. Notamos que o conceito ao evidenciar o alcance de cada ciência significa que cada ciência possui o seu objeto de estudo bem como um método para nortear as análises , pesquisas e toda fundamentação teórica. As ciências se respaldam em teorias e métodos pertinentes que possam ratificá-las enquanto ciência. O paradigma é uma característica importante para a cientificidade, nos informa ( PORTOCARRERO,1994) referindo-se ao salienta que o cientista não “se termo de acordo com Thomas Khun , empenha em veicular uma definição unívoca”, porém trata-se de uma definição elucidativa aquela em que “Paradigmas são realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes”4; um paradigma é um conjunto teórico referencial que serve como norteador para uma comunidade de pesquisa (científica) certificar-se quanto à veracidade daquilo que está sendo colocado em questão, ou prova. Os membros de uma comunidade científica trabalham compartilhando suas pesquisas e tendo como orientador o modelo que é aceito pela mesma comunidade, ou seja “ Ao aprender um paradigma o cientista adquire teoria, métodos e padrões conjuntamente, formando uma mistura inextricável” , um consenso entre as pessoas envolvidas que não se dissocia. Os modelos teóricos aceitos como “ciências” foram se transformando a partir de questionamentos , críticas , rupturas ou até mesmo agregando novos valores surgidos no interior das “comunidades científicas”. Vimos que em grande parte, os pensadores ou cientistas que proporam mudanças epistemológicas estavam ligados de uma maneira ou outra aos conceitos que os antecediam. A história da filosofia mostrou que foram muitos os caminhos percorridos por pensadores no sentido de conhecer os fenômenos, “como apreender o real” (ARRUDA, 1993)5 . Os filósofos da Antiguidade e Idade Média já se perguntavam 3 AURÉLIO. Dicionário. P.673 PORTOCARRERO, Vera. Filosofia, história e sociologia das ciências : abordagens contemporâneas. p. 76. 272p. 5 ARRUDA , Maria Helena Aranha. In Filosofando. p.22 4 2
    • acerca do conhecimento, no entanto, a forma de conhecer achava-se “vinculada aos textos de metafísica”. A Idade Moderna revoluciona e inaugura um método capaz de conceder a autonomia da epistemologia , momento em que filósofos como Descartes, Bacon, Locke, Hume, lançam as bases da ciência moderna e finalmente Immanuel Kant , realizam suas indagações ,adotam procedimentos organizados, sistematizados e obedecendo critérios: qualquer conhecimento lida com o problema da verdade , a possibilidade do conhecimento e sua abrangência , bem como a sua fonte . Em seu texto, (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2001 ) se refere à epistemologia como “estudo das possibilidades, origem, natureza e extensão do conhecimento humano” 6, considera as condições e o que é possível conhecer. O conhecimento científico pretende ser autônomo e legítimo – independente . Há entre as ciências , seja da natureza ou humanas uma “concorrência sobre a qual, entre todas elas, há de ser reconhecida como porta voz de uma interpretação pública ”, ( Merton, citado por SERRES,1990 ), na realidade quanto mais fragmentada, mais especializada e confiável se torna uma ciência . No contexto de Modernidade, a epistemologia estaria em condições de “definir a verdade”.Os procedimentos científicos geraram a crença em sua universalidade ampliando-se como “modelo” a ser seguido por “todas as ciências particulares”7.As Ciências Humanas (psicologia, sociologia, economia, história, lingüística,entre outras), desenvolvidas ao longo do século XIX buscaram o seu “estatuto epistemológico”, uma vez que foram impedidas de se consolidarem como “científicas” por não atenderem às exigências do método científico. A filosofia “positivista”8 tratou as ciências humanas de maneira semelhante às ciências da natureza ( física, química, biologia, geologia, entre outras ) . Da mesma forma, a Sociologia de Durkheim “partia do pressuposto metodológico de que os fatos sociais deviam ser observados como coisas”9. A psicologia sofreu a influência do positivismo e adquiriu o estatuto de ciência. Os positivistas lidavam com os fenômenos humanos assim como se lida com fenômenos naturais – certamente desencadeariam 6 GONZÁLEZ DE GÓMEZ , M. N. In Revista - Perspectiva ciência da Informação: Para uma reflexão epistemológica acerca da ciência da informação , Belo Horizonte. P.6 7 ARRUDA, Maria Lúcia Aranha, op.cit. p. 159. 8 Idem, p. 168: “O positivismo estabeleceu critérios rígidos para a ciência, exigindo que ela se fundasse na observação dos fatos” . 9 Ibdem. 3
    • uma discussão e conseqüentemente uma “crise” se abateu sobre a ciência moderna, afinal, a complexidade de que tratam as ciências humanas devem ser estudadas através de métodos diferenciados. Ao longo do século XIX e nos primeiros anos do século XX, o modelo científico até então aceito e “reconhecido” passou a ser questionado , criticado e reavaliado por novos pensadores: Carnap, Schlick, entre outros autores chamados de neopositivistas do Círculo de Viena 10 , (REALE, ANTISERI , 1991) nos coloca que Viena, “constituía-se como terreno adequado para o desenvolvimento das idéias neopositivistas”, uma vez que o liberalismo resultante da filosofia iluminista norteava a política. Contudo, os chamados lógicos do Círculo de Viena privilegiavam “O princípio de verificabilidade”, “excluíam a filosofia do domínio do conhecimento do real” 11, consideravam como ciências “reconhecidas” , apenas a lógica , a matemática e ciências empíricas. Assim como os cientistas modernos e os positivistas ,os lógicos do Círculo de Viena buscaram conhecer os fatos apoiando-se num modelo que consideravam ser o mais eficiente e científico , abriram espaços para críticas, rupturas e abordagens diferenciadas. Os cientistas sucessores dos lógicos ou neopositivistas , Popper, Kuhn, Lakatos, entre outros são denominados pós-empiricistas . Para Popper, “ o cientista deve estar mais preocupado não com a explicação e justificação da sua teoria, mas com o levantamento de possíveis teorias que a refutem.”12 Em sua crítica , Popper que chegara a ser “associado ao Círculo de Viena”13 nega a indução , o princípio de verificabilidade, propondo que “a verdade do discurso científico é a condição de refutabilidade” 14 , vale dizer que quando uma teoria é colocada em dúvida e resiste , ela é confirmada e aceita como detentora conhecimento real. Para (CAPURRO, 2003) , Thomas Kuhn utiliza o conceito de “paradigma: como a palavra mesmo indica – do grego paradeigma = exemplar, mostrar (déiknumi) uma coisa como referência (pára) a outra – o paradigma é um modelo que nos permite ver uma coisa em analogia a outra. Como toda analogia, chega o momento que os 10 Círculo de Viena, 1924 : Reunião de filósofos que tratavam de assuntos pertinentes à filosofia. Ali se discutia física, matemática e ciências sociais) . 11 ARRUDA. Op. Cit. p. 163. 12 Idem. 13 REALE, G. ANTISERI, D. História da filosofia. V. III. p. 1020. 14 ARRUDA, ibdem. 4
    • limites são evidentes, produzindo-se então uma crise ou, uma revolução científica, na qual se passa de ciência normal a um período revolucionário e em seguida novo paradigma.” Um paradigma é visto como modelo a ser seguido e respeitado por uma comunidade científica , porém num dado momento ele enfrenta mostrar a sua condição de permanência ou não , daí situações que vão cedendo para uma nova teoria. A história registra os casos em que sistemas vistos e aceitos como únicos e verdadeiros pelas instituições detentoras do saber legitimado são derrubados e substituídos por outros, um exemplo é a teoria geocêntrica substituída pelo heliocentrismo. A Escola de Frankfurt, fundada nos anos 20 do século XX elabora uma crítica ao modelo paradigmático iluminista (razão instrumental ) . Filósofos como Adorno, Horkheimer, Marcuse, e Benjamin representam uma nova postura frente à ciência , (ARRUDA, op. Cit. ) “trata-se do exercício da racionalidade científica, típica do positivismo, que visa a dominação da natureza para fins lucrativos, colocando a ciência e a técnica a serviço do capital” , em outras palavras, uma ciência dominadora que promove a indústria cultural15. Horkheimer elabora sociedade”, de forma a “Teoria crítica da que elementos como a opressão e a exploração pudessem ser percebidas neste modelo vigente. O filósofo apontava para a necessidade de promover o “teórico crítico cuja única preocupação consiste no desenvolvimento que conduza à sociedade sem exploração”16 . (REALE, op. cit.) ressalta para o aspecto histórico da criação da Escola de Frankfurt que assistiu “ ao desenvolvimento maciço, onipresente e irrefreável da sociedade tecnológica” instaurada na Segunda Guerra Mundial. Nessa perspectiva é possível compreender o enfoque predominante ,seu caráter crítico e a necessidade de uma filosofia e de uma ciência comprometida com o bem estar da sociedade como um todo, . A Escola de Frankfurt despertou em alguns pensadores uma reflexão, um repensar sobre as conseqüências de um sistema político, econômico e social que de certa forma parecia se perpetuar. Entretanto, como já foi salientado as investidas científicas se perpetuam , renovam ou se rompem à medida em que o modelo científico predominante já não consegue satisfazer à comunidade científica e responder adequadamente às questões 15 O conceito em questão merece um estudo aprofundado que não temos como fazê-lo aqui. A pesquisa se limita em mostrar alguns momentos históricos da Epistemologia e o seu desenvolvimento. Como tal, pode-se perceber que os filósofos de Frankfurt tecem uma crítica ao “modelo” de ciência instituído e legitimado até o momento. 16 REALE, op. cit.p. 839. 5
    • propostas. No entanto, comunidades científicas chegam a inibir qualquer situação que possa desviar-se de suas orientações pré-estabelecidas. Pois bem, (CAPURRO, op. cit, p. 5) esboça que o século XX também é responsável pela emergência de um modelo interpretativo de ciência : a hermenêutica de Hans-Georg Gadamer “indica uma distinção e uma conexão entre verdade das ciências do espírito , e o método das ciências naturais” , ou seja, “permitem manter aberto o sentido da verdade histórica própria da ação e pensamentos humanos , enquanto que o método das explicações causais somente poderia aplicar-se a fenômenos naturais submetidos exclusivamente a leis universais e invariáveis”. Vejamos: “Ciências do espírito” são aquelas que se voltam para “gênero humano” como a história, a economia política, as ciências do direito e do Estado, a ciência da religião, o estudo da literatura e da poesia, da arte, música, das instituições do mundo e dos sistemas filosóficos, psicologia”17. O que entendemos nessa abordagem interpretativa é que os pensadores citados separam o objeto próprio das ciências naturais do objeto das ciências humanas, uma vez que eles são diferentes e não podem ser vistos, analisados e compreendidos pelo mesmo método. Buscar um paradigma único que compreenda objetos díspares é uma investida que se mostra incompatível na visão de Capurro, embora tais discussões tenham permeado a ciência da informação bem como a tecnologia da informação . 3 EPISTEMOLOGIA DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO 3.1 O PARADIGMA FÍSICO Em se tratando da Ciência da Informação, ( GONZÁLEZ DE GÓMEZ.op. Cit ) em seu texto nos coloca a dificuldade de demarcar as fronteiras , o campo de atuação da mesma, afinal a informação é “componente principal” em todas as ciências . A autora nos diz em sua introdução “a informação designa um componente principal da construção epistêmica das sociedades contemporâneas, sua definição é disputada em múltiplas arenas metadiscursivas”, um verdadeiro campo de batalhas travado entre as disciplinas para apoderarem-se de um arcabouço tão precioso. A informação é o elemento importante para as ciências fazendo valer o fato de que é pela informação que seres humanos aprendem e conhecem os diferentes fenômenos existentes e são capazes 17 REALE. Op. cit. p. 457, referindo-se a Dilthey e a Fundamentação das ciências do espírito. 6
    • de identificar, conceituar e até mesmo questioná-los. Pois bem, qual seria a cientificidade da ciência da informação? A história da ciência da Informação reconhece três “modelos” distintos, ou seja, os paradigmas que a estruturaram desde o primeiro momento. Para González de Gómez, a ciência da informação atende a variantes, ora se respalda como “ciência empírico-analítica”, em outras palavras algo muito técnico , às vezes como “metaciência” e num terceiro momento abraça o pluralismo , assim como a contextualização presente nas ciências sociais; entendemos que trata-se primeiramente do “modelo físico”, baseado numa “epistemologia fisicista” exposto por (CAPURRO, op.cit) , que significa em outras palavras, há um emissor e um receptor da informação e as condições onde se dá a transmissão da mensagem não sofrem influências que possam perturbá-la, uma vez que “inicialmente a informação foi pensada como sendo da ordem do previsível, do programável, do domínio da aplicação do cálculo” (LEVY,1995). A discussão ao nosso entender é o fato de que as raízes embrionárias da ciência da informação tangem“ ao desenvolvimento científico e tecnológico proveniente dos esforços da Guerra dos anos 30” (PINHEIRO,1995) . A ideia de progresso estava centrada no acúmulo entre ciência e tecnologia.O momento assiste uma verdadeira explosão informacional técnica e dar conta desse fluxo exigia um conhecimento dotado de postulados e procedimentos válidos. Quanto ao usuário, o modelo fisicista não lhe dá representatividade, ele era passivo diante da informação. O postulado de ciência moderna privilegiava a quantificação da informação excluindo o usuário enquanto sujeito pensante, ativo e o colocava simplesmente como “receptor” da informação , os “aspectos semânticos e pragmáticos são descartados por Shannon”, (CAPURRO, op.cit.). O contexto era ignorado uma vez que a mensagem deveria ser transmitida a um receptor. Haveria contudo uma “fórmula” sugerindo uma “codificação”, sinais são transmitidos e captados por um receptor totalmente desprovido de um contexto. 3.2 O PARADIGMA COGNITIVO O segundo paradigma da Ciência da Informação é o paradigma denominado Cognitivo. Trata-se também de um modelo que sustenta pontos “reducionistas”, por neglicenciar em suas premissas os “condicionamentos sociais e materiais do existir 7
    • humano” 18, valorizando somente os aspectos cognitivos e práticos da informação que tem como objetivo solucionar problemas do sujeito cognoscente . A este González de Gomes denomina “Meta-ciência”, algo que vai além do aparato científico, técnico e se utiliza de uma interpretação, que é feita por um sujeito: aquele que precisa conhecer . Este modelo critica o modelo anterior ao excluir o usuário , contudo , os paradigmas não se desgastam totalmente, pelo contrário até se complementam . No paradigma cognitivo nota-se que a percepção, ou seja, a aquisição do conhecimento pelo sujeito cognoscente é o elemento primordial , pragmático, capaz de alterar o comportamento daquele que busca a informação . Em seu trabalho, (ALMEIDA, 2007) esclarece que o modelo cognitivo “considera os modelos mentais dos usuários, utilizando abordagens cognitivas – centradas no processo interpretativo do sujeito cognoscente” 19, e para isso há um resgate, o do usuário ainda que de uma forma pouco significativa , uma vez que o contexto de vida do indivíduo não é relevante . 3.3 O PARADIGMA SOCIAL O terceiro paradigma da Ciência da Informação vai traçar pressupostos que valorizam o ser humano em sua integridade. O contexto do usuário e a linguagem são elementos considerados importantes assim como a sua subjetividade, elementos que até então não eram reconhecidos pelos modelos paradigmáticos anteriores. O paradigma social é fruto da hermenêutica, uma vez que há todo um procedimento interpretativo objetivando alcançar uma determinada comunidade e seus integrantes. Citado por (MARCIAL, Elaine, 2007) “Shera, em 1972, foi o primeiro autor a utilizar o o termo epistemologia social, ao defender que não se podem conhecer os processos intelectuais da sociedade somente com o estudo do indivíduo, isolado da cultura e da sociedade em que está inserido”20 , percebe-se uma preocupação cultural e sociológica do indivíduo, antes visto apenas como sujeito cognoscente destituído de 18 CAPURRO, V Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, Belo Horizonte, 2003. p.11 ALMEIDA, Daniela. Professora Assistente do Departamento de Ciência da Informação da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade estadual Paulista - UNESP – Campus de Marília. Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP – Marília. In Revista Eletrônica Informação e Cognição. 20 MARCIAL, Elaine e outros. VIII ENANCIB, Salvador. GT 1 – Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação Comunicação oral. 19 8
    • valores, analisado individualmente. Capurro nos informa que foi o dinamarquês Birger Hjoland em conjunto com Hanne Albrechtsen quem desenvolveu pioneiramente um “paradigma social-epistemológico , no qual o estudo de campos cognitivos está em relação direta com comunidades discursivas, com distintos grupos sociais e de trabalho que constituem uma sociedade moderna”21; existe uma informação que é feita e comunicada entre grupos de pessoas que determinam o que é importante ou não. As comunidades agem de acordo com o que selecionaram, seu modo de vida, préconhecimento . A informação sob este paradigma ultrapassa o caráter físico de um “algoritmo ideal” com bases tecnológicas , o que vale dizer que todo o conjunto informacional não é um fim em si mesmo, tende para os objetivos e necessidades de um grupo em uma determinada comunidade num dado momento . A argumentação de Capurro “em um sistema de informação os dados registrados são concebidos por um usuário que desempenha papel ativo em um contexto cultural, que lhe permite armazená-lo, recuperá-lo e interpretá-lo. Não se pode separar o indivíduo da sua cultura, sendo assim, não se pode estudar os fenômenos de interesse da Ciência da informação sem considerá-los inseridos em uma sociedade”22 , informação e conhecimento tendem para a ação e isso só é possível em ambientes compartilhados, caso contrário a comunicação não será concretizada. 4 CONSIDERAÇÕES Ao finalizar percebe-se que a ciência está em constante movimento e por vezes é alterada em suas bases. Causa incômodo? Certamente. Para aqueles que defendem as teorias e acreditam que poderão resistir às provas e manter-se inquebrantáveis. Porém, algo deixa bastante claro a noção de paradigma ( modelo). Trata-se de um norte a ser seguido pela ciência enquanto tal e dura por anos em alguns casos , o modelo „Aristotélico‟ é um exemplo mantido, pela Igreja Católica durante a Idade Média. A desconstrução de um paradigma é conflitiva e pode causar uma verdadeira revolução, muita coisa precisa ser feita e talvez em vão; existem mecanismos muito particulares que reagem para proteger o modelo em vigor , ratificando (corroboram) e 21 22 CAPURRO. Op.cit. p. 13 MARCIAL, op.cit.p.3 9
    • não permitem mudanças. A história nos lega alguns nomes de pensadores que se viram em situações complicadas por questionarem dogmas , modelos vistos como únicos aceitáveis. A Modernidade é o período histórico que inaugura a epistemologia como disciplina autônoma formalizando o método científico pautado na racionalidade e experimentação, com a adoção de procedimentos organizados, sistematizados e obedecendo critérios. O Iluminismo deu continuidade ao processo iniciado pelo Renascimento, porém, assistirá a críticas promovidas por pensadores “pós modernos” que rebuscam os significados e o alcance do racionalismo iluminista. O objetivo dos paradigmas é manter-se inalterados , inabaláveis, legítimos; porém o caminhar científico aponta que existem alcances pré-determinados pelas ciências, afinal uma ciência sozinha não dá conta de todo o conhecimento e de todos os fenômenos. No caso da ciência da informação, vimos que três paradigmas norteiam o trabalho do cientista da informação. Surgida nos anos 30 do século XX , a ciência da informação não escaparia ao modelo fisicista . Este paradigma é inerente às ciências naturais , foi amplamente divulgado pela ciência como legítimo portador da cientificidade – no caso, da ciência da informação destituiu o usuário como sujeito ativo e pensante valorizando a informação como “coisa”, um emissor, uma mensagem e um receptor. O segundo modelo da ciência da informação é o cognitivo que fez críticas ao modelo fisicista, mas que também não levou em consideração certas particularidades do sujeito, como por exemplo, o contexto na qual o sujeito está inserido. O paradigma cognitivo realiza novidades quando percebe o indivíduo como “sujeito cognoscente”, trata-se de um indivíduo que precisa e deseja conhecer . O terceiro paradigma da ciência da informação é denominado “Social”, uma vez que este modelo resgata o sujeito e o seu mundo vivido, suas particularidades e lhe dá um alcance interpretativo, hermenêutico. Os textos lidos , entre eles , GONZÁLEZ DE GÓMEZ, mostraram-se esclarecedores para a compreensão dos instrumentos próprios da tecnologia em consonância com os interesses de informação dos usuários. Capurro diz que a ciência da informação figura “entre a utopia” de uma linguagem universal e a “loucura” de uma linguagem privada. Tais considerações fazem do paradigma social 10
    • um modelo relevante para a sociedade contemporânea que prioriza a informação como algo que tende para uma finalidade , em outras palavras , o interesse e as necessidades dos usuários. O paradigma social da ciência da informação é ao nosso ver significativo à medida em que se ocupa de uma realidade informacional construída por grupos, comunidades de pessoas que fazem da informação recebida um instrumento transformador das atividades humanas presentes nas mais diversas áreas do desenvolvimento humano . 5 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Daniela. Revista Eletrônica Informação e Cognição. In: Paradigmas Contemporâneos da Ciência da Informação: a recuperação da informação como ponto focal. UNESP. V. 6, n. 1. p. 22, 23, 24 . São Paulo:UNESP, 2007. 12p. Disponível em < http://www.brapci.ufpr.br/brapci > Acesso em : 18 set. 2010. ARRUDA. Maria L. de. MARTINS. Maria .H.P. Filosofando- Introdução à Filosofia. 2. ed. rev. atual. São Paulo: Moderna, 1993 .p. 22, 159, 163, 168. 395p. AURÉLIO, Dicionário. 2. Ed. ver. e aumentada.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 673. ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia . 2 .ed. São Paulo: Mestre Jou, 1982. p.169170. CAPURRO, Rafael. V Encontro de Pesquisa em Ciência da Informação. In: texto 5 Epistemologia y Ciência de La información . Belo Horizonte, 2003. p. 10,11,13,16. 23p. DOMINGUES, Ivan. In Epistemologia das ciências sociais, tomo 1: Positivismo e Hermenêutica. Capítulo 2 : Paradigmas e modelos nas ciências sociais. São Paulo:Loyola, 2004. p. 51-52. 671p. GONZÁLEZ DE GÓMEZ , Maria N. Perspectiva ciência da Informação. In : Para uma reflexão epistemológica acerca da ciência da informação . V. 6, n. 1, p. Belo Horizonte , 2001 . p. 6. 13p. MARCIAL, Elaine C. e outros. VIII ENANCIB- Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. In Epistemologia da ciência da informação: a presença do paradigma social de Capurro na literatura. Salvador, 2007. p. 3,4,6. 13p. Disponível em < www.enancib.ppgci.ufba.br/artigos/GT1.231. PDF.> Acesso em 26 set. 2010. PORTOCARRERO, Vera (org.). Filosofia, História e Sociologia das ciências: Abordagens Contemporâneas. In: OLIVA, Alberto. Capítulo 3: Kuhn: o normal e o revolucionário na reprodução da racionalidade científica . Rio de Janeiro: Fiocruz, 1994. reim. 1998 . p. 76. 268p. REALE, Giovanni . ANTISERI, Dario. História da filosofia: Do Romantismo até nossos dias. V.3. São Paulo: Paulinas, 1991 (Coleção Filosofia). p. 457, 839, 1020. 1113p. 11