Ano 1 - nº 1 dezembro 2012                             Livre                                    Distribuição gratuita     ...
SUA DOAÇÃO MUDA A VIDA DE UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA CONTRIBUA EM ADD.ORG.BR OU PELO 11-5011-6133ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA PAR...
Editorial                                                                     Ricardo Borges                              ...
Sumário                                           06Acessibilidade na                                                  pol...
Política brasileira    Acessibilidade na política           Políticos com deficiência física lutam para conquistar seu es-...
dente abriu novos horizontes em sua       e principalmente ao público jo- nha eleitoral”, avalia o especialista.mente.    ...
gos meus que são empresários na        meira vez valeu a pena. Agora       ira se multiplicar. Senti que as pesso-formação...
Fique por dentroT     ornou-se bem comum o uso de algumas palavras para se referir às pessoas com deficiência. Mas será   ...
Entrevista       A arte da superaçãoUma das primeiras lições que se aprende ao fazer jornalismo é que todas aspessoas têm ...
eu fiquei aqui trabalhando.     quinhentas meninas, três         medular cervical. Aí eu fiquei   Acontece mesmo, chama-Co...
L. A.: E a sua família?                                                                           você acha que de uma for...
cupada. Mas deu tudo cer-       participei de uma palestra      gunta pra onde ela quer ir, se   sos... Geralmente, pra su...
Esporte                      Vôlei Paraolímpico:                     superação e sustento        Pessoas com diferentes ti...
Ronaldo:          Instituto Barueri Paraolímpico,                conquista pela         localizado na cidade de Barueri,  ...
nheiro. “Através da minha defici-    que o treinador Ronaldo Olivei-     se adaptar às novas regras. “Oência eu conheci o ...
Artigo                                                                                              João Paulo Fernandes  ...
Arte e culturaAs várias ferramentas no acesso à       cultura e informação        Braille, audiodescrição, Closed Caption,...
“Ledor” em ação: livros paraFundação Dorina: arquivos                                             serem ouvidosde chapas p...
específicos de computador.	        Marcelo Couto, Diretorcomercial do Centro de Produ-ção de Legendas – CPL, empre-sa pion...
Carol Dias: “a mão é o                                                          Libras na TV: “seria perfei- ouvido da pes...
Meio AmbienteSensibilidade e bem-estar por trás            da natureza        Como passeios ecológicos podem trazer sensaç...
Natureza: a cada dia que passa, pessoas com     deficiência ingressam cada vez mais no turismo     ecológicoadaptáveis par...
Economia         Quanto vale a deficiência?  Mal se imagina que a condição estabelecida pela deficiência possa ser medida ...
Paralelamente a este ce- ajudá-las a encontrar uma cargo que ele está oferecendonário, o governo dispõe de alguns oportuni...
Internacional    Acessibilidade mundo                                             afora     Cidades estrangeiras dão exemp...
Ambulift: acessibilidade nos aeroportos é o primeiro passo para a pessoa com deficiência conhecer o mundo	        A Associ...
Cidade     Meus olhos têm quatro patas        Cães-guias oferecem segurança e liberdade às pesso-                     as c...
que andam mais devagar precisam          lhidos pelo Instituto                                  Marcelo Panico ede cães qu...
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Revista Livre Acesso: Projeto acadêmico para conclusão do curso de Jornalismo feito com João Paulo Fernandes, Priscila Silva, Fabiano Nakashima e Vanessa Farias.

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  1. 1. Ano 1 - nº 1 dezembro 2012 Livre Distribuição gratuita Acess A beleza está nas diferenças Informação e Os benefícios cultura: de se ter um ferramentas cão-guia que Pág. 32 colaboram Pág. 20 Os custos da deficiência Pág.26 Maiara Barreto: história que é exemplo de superação
  2. 2. SUA DOAÇÃO MUDA A VIDA DE UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA CONTRIBUA EM ADD.ORG.BR OU PELO 11-5011-6133ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA PARA DEFICIENTES
  3. 3. Editorial Ricardo Borges rikc_borges@hotmail.comL idar com pessoas que não são comuns ao nos- Mas não é preciso levar essa defasagem so convívio é um verdadeiro desafio. Contudo, muito longe. O método mais fácil de abandonar diante das novas possibilidades de manifesta- esse fardo é assumir a sua existência e tomar ação, os meios de comunicação já começam a falar iniciativa de elucidá-lo com quem o compreendepara uma parcela da sociedade pouco lembrada e melhor, por experiência própria. Os colaboradorespouco notada, até algum tempo atrás. É fato: as da "Livre Acesso" se propuseram a isso, quandodiferenças existem e precisamos estar prepara- começaram a elaborar reportagens com assuntosdos, hoje mais do que nunca, para reconhecê-las típicos do cotidiano das pessoas sem deficiência,e respeitá-las, tanto no social quanto no profissio- imaginando, porém, sua existência entre pessoasnal. E nada como a informação para auxiliar nesse com deficiência também. Afinal, as diferenças maissentido. aparentes não diminuem nem anulam as seme- Não por acaso, pensando nessas questões, lhanças naturais.foi idealizado o projeto da revista "Livre Acesso". Alcançar esse objetivo não foi fácil. Inclu-Como sugere o nome, o objetivo principal é permi- sive, se considerarmos que muita coisa mudou dotir a acessibilidade livre de uma temática delicada, projeto até sua realização. No entanto, todo o tra-importante e urgente, a seu modo. E não é só isso! balho se mostrou viável. E a sua realização, por siO título desse veículo, de edição especial, faz refe- só, representa um sinal de amadurecimento impor-rência direta ao público-alvo e protagonista de seu tante, além do desejo cada vez mais crescente, deconteúdo: as pessoas com deficiência física. que a inclusão se torne algo verdadeiro e pleno, Deficientes? Portadores de deficiência? sem se limitar ou aguardar a mobilização do poderSurdos-mudos? Cadeirantes? Bastam as dúvidas público.em saber a forma correta de se referir a eles para Em nome da equipe, agradeço aos colegasdeixar claro o quanto as pessoas comuns são as e mestres conselheiros que colaboraram de algu-verdadeiras portadoras de uma necessidade espe- ma forma para a existência desse produto e... Boacial - a necessidade de conhecer, da forma devida, leitura!quem tem alguma deficiência. Expediente lo Fernandes, Priscila Silva, Ricardo Borges e Vanessa Farias Editor-chefe: Ricardo Borges Colaboradora nesta edição: Dra. Lilian Fuhr- Diretor de Arte: Vanessa Farias mann (Terapeuta Ocupacional) Diretor comercial: Priscila Silva Tiragem: 10000 exemplares Assistente de edição: Priscila Silva e Ricar- Impressão: Tesouro Laser do Borges Distribuição gratuita Revisor: Fabiano Nakashima Repórteres: Fabiano Nakashima, João Pau-Livre Acesso 04
  4. 4. Sumário 06Acessibilidade na política 16 Vôlei Paraolímpico O esporte como fonte de renda e meio de superação 20 Acesso à cultura Braille, audiodescrição, Libras e Closed Caption. Como são utilizadas? 24 Meio Ambiente Exploração através dos sentidos 10 Capa Maiara Barreto: História de superação 26 Quanto custa? O valor financeiro da deficiência 33 Entenda mais 30 Acessibilidade Voz do especialista: terapia ocu- Mundo afora pacional e tecnologia assistiva 32 Cão-Guia Liberdade e inclusão socialLivre Acesso 05
  5. 5. Política brasileira Acessibilidade na política Políticos com deficiência física lutam para conquistar seu es- paço e seus direitos; iniciantes levantam a bandeira da acessi- bilidade na busca por novos eleitores Texto e foto: João Paulo Fernandes Arte: Vanessa FariasA vontade de melhorar a si- no ambiente político? o Estado. Um número que tende a tuação da população é, em Em 2010, último ano que crescer e traz um novo olhar inclusi- boa parte, mas nem sempre, houve levantamento de dados, o vo para o parlamento, uma vez queo grande objetivo dos novatos na Instituto Mara Gabrilli – funda- estes representantes estão conse-política. Artistas, cantores e joga- do em 1997 por Mara Gabrilli, guindo contemplar para além de suasdores de futebol são os exemplos deputada federal do PSDB, que dificuldades e ajudar outras pessoas,mais comuns que tentam conquis- executa projetos que contribuem ultrapassando as barreiras do ir e vir,tar eleitores e fazer alguma coisa do acesso à saúde, à educação e dodiferente no meio político. próprio mercado de trabalho. Isso não fica restrito so- As ideias de acessibilidademente aos cidadãos “comuns”. são compartilhadas com aqueles que,Pessoas com deficiência física em 2012, tentaram ingressar no mun-também fazem e querem fazer par- do da política. Taiu Bueno, que é ca-te desse mundo. deirante a vinte e um anos e foi candi- Um dos principais aspec- dato a vereador pelo PRB/PTB de Sãotos da democracia representativa Paulo, descobriu que para o deficienteestá associado ao fato de que os físico não há barreiras quando o as-parlamentos não refletem, tal como sunto é a briga pelos seus direitos.um espelho, as características ge- “Vivo a questão da acessibi-rais da sociedade. lidade há muitos anos. Então decidi Mais da metade do eleito- para melhoria da qualidade de tentar me eleger para um cargo pú-rado brasileiro é feminino e menos vida às pessoas com deficiên- blico e trabalhar pelas causas quede 10% dos deputados federais do cia – realizou uma pesquisa para envolvem os deficientes físicos. Outrapaís são mulheres. No caso do gê- apurar o número de políticos nos causa pela qual luto é o esporte, quenero, e de tantos outros aspectos, 645 parlamentos municipais do sempre fez parte da minha vida”, diz.existem esforços para elevar a pre- Estado de São Paulo. O resulta- Taiu Bueno era surfista pro-sença das chamadas minorias na do do estudo apontou que deste fissional. Enquanto pegava uma ondapolítica. Diante desse cenário, fica total, 80 parlamentares possuem no litoral norte de São Paulo sofreua pergunta: como funciona a pre- uma deficiência. um grave acidente que o fez perder osença da pessoa com deficiência É o equivalente a 1,3% movimento motor do corpo do ombro dos representantes em todo para baixo (VIDE BOX). Mas o aci-Livre Acesso 06
  6. 6. dente abriu novos horizontes em sua e principalmente ao público jo- nha eleitoral”, avalia o especialista.mente. vem e nas escolas”. As estratégias de marketing “Quando eu competia no es- eleitoral são fundamentais na horaporte, só pensava na minha carreira e Estratégias na candidatura das eleições. Saber quais são asnas competições, não era sintonizado ações na hora de conquistar o eleitor,com o mundo político e financeiro. A Preparar um candi- o foco do candidato e uma boa táticasituação em que me encontrei (cadei- dato para concorrer nas elei- de comunicação, são os principaisra de rodas), me obrigou a redescobrir ções não é tarefa fácil. Ainda requisitos na candidatura.outras atividades, como é o caso da mais para os que estão con- política”. correndo pela primeira vez. Mas resultado da sua primeira De acordo com o especialista Para Carrilho, um staff apropriadocampanha para vereador não foi o es- em marketing eleitoral, Kleber é o essencial. “Cabos eleitorais, co-perado. O deficiente físico conseguiu Carrilho, nada impede que o mitês, apoio de comunidades e as- sessorias são os itensPesquisa aponta que, no Estado de São Paulo, 80 fundamentais. Não separlamentares possuem algum tipo de deficiência. ganha uma eleição sem isso”, completa.3.765 votos na última eleição, longe candidato com deficiência físi- O caso de Taiu Bueno nãoda marca necessária de 37.000 que ca vá às ruas e peça votos aos foi diferente. Embora não tenha con-daria direito a uma vaga na câmara eleitores. seguido se eleger a vereador o de-municipal. “Eles têm totais con- ficiente físico contou com uma boa Em 2012 um novo contingen- dições de ir aos locais que estrutura na sua candidatura. “Tive ote de deficientes se destacou nas elei- foram determinados e pedir apoio de vários deputados do partidoções. As principais responsabilidades seus votos. Acredito que o que me filiei e fui bem recebido porconstitucionais dos municípios em cara a cara é a ferramenta que eles. Disponibilizaram-me espaçotermos de políticas públicas foram: a melhor funciona numa campa- na mídia e contei com ajuda de ami-educação, sobretudo a infantil; a saú-de, com ênfase na atenção básica; a Candidato a ve-preservação do patrimônio histórico e reador em 2012,cultural; a organização e planejamen- Taiu Bueno acre-to do território; o transporte coletivo; o dita na luta pela acessibilidadetrânsito e os serviços ligados ao meio aos deficientes.ambiente, sobretudo saneamento ecoleta de lixo. Em relação a todos essestemas, existem interesses especifica-mente associados à pessoa com defi-ciência. Isso foi capaz de estimulá-losa pedirem votos para suas causas. Taiu compartilha da mesmaideia. “Já fui atleta profissional e via-jei o mundo representando o Brasil.Após o acidente acabei vivenciandoo ambiente dos deficientes físicos.Na eleição que participei, as minhaspropostas eram melhorar a acessibili-dade das pessoas, de um modo geral,Livre Acesso 07
  7. 7. gos meus que são empresários na meira vez valeu a pena. Agora ira se multiplicar. Senti que as pesso-formação de equipes para divulgar ele sonha com voos mais altos as me respeitam por eu ser deficienteminha candidatura em locais estra- em 2014, para lutar pelos direi- físico e acredito que se houver outrastégicos”, comenta. tos da pessoa com deficiência fí- oportunidades como essa irei fazer a Taiu acredita que a experi- sica. “Até as próximas eleições, diferença”, conclui.ência no mundo da política pela pri- acredito que o meu eleitorado História de superação Octaviano Augusto de Campos Bueno, mais conhecido como Taiu Bueno, é considerado um dos maiores big riders – surfistas que gostam de pegar ondas grandes – consagrados no Brasil. Começou a surfar com 11 anos de idade e aos 13, viajou pela primeira vez com o avô ao Hawaii, onde alimentou ainda mais a sua paixão pelo esporte. Aos 20 anos iniciou a carreira profissional, não parando mais e conseguindo vários patrocínios. Conquistou vários campeonatos de surf, como o Brasileiro, em 1984, e a etapa paulista em Ubatuba, em 1986. Em 1991, já competia pela décima vez no Circuito Mundial, quando um acontecimento inesperado mudou seus planos. Faltando um mês para Taiu completar seus 29 anos de idade, ele sofreu um grave acidente enquanto surfava na praia de Paúba, litoral norte de São Paulo. O surfista fraturou a quarta vértebra cervical e trau- matizou a medula do sistema nervoso. A consequência foi uma paralisia motora do ombro para baixo. Mas a vontade de se superar e trabalhar com projetos sociais fez Taiu Bueno lançar um livro em 1999, chamado “Alma Guerreira”, que conta sua história de vida. Ele também é presidente e membro fundador do “Surfistas Marchando para Frente” (SMF), um movi- mento que tem como objetivo, unir dentro e fora d’água os surfistas brasileiros. Em 2012 a SMF virou ONG com o objetivo de lutar por uma sociedade mais forte. Taiu também minis- tras palestras sobre motivação para varias empresas e escolas. Em agosto deste ano lançou sua candidatura para vereador pelo partido PRB/PTB de São Paulo.
  8. 8. Fique por dentroT ornou-se bem comum o uso de algumas palavras para se referir às pessoas com deficiência. Mas será que elas estão corretas, só porque a maioria das pessoas utilizam? Uma das primeiras e principais lições aprendidas durante a realização das reportagens para a revista "Livre Acesso" sobre este assuntos estãodescritas a seguir e, em resumo, simbolizam que... O respeito começa pelo uso dos termos!Simples, não? Então, aproveite para ampliar e qualificar o seu vocabulário. “ESPECIAL”, “EXCEPCIONAL”, “DITO-NORMAL” e “ANORMAL” não devem ser utilizados, pois as de-ficiências são uma manifestação inserida na diversidade humana. Se todos somos diferentes, como designar os“especiais”? A expressão “PESSOA COM NECESSIDADES ESPECIAIS” tem origem em necessidades educacionaisespeciais (Dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de aprendizagem; dificuldadesde comunicação e sinalização diferenciada dos demais alunos; altas habilidades / superdotação, grande facilidadede aprendizado). Com o tempo, passou a ser usada incorretamente para designar todas as pessoas com defici-ência, uma vez que absolutamente todas as pessoas, com e sem deficiência, podem ter “necessidades especiais”em dado momento. Algumas pessoas ainda relutam em utilizar o termo “DEFICIÊNCIA” acreditando ser algum tipo de ofensa,quando é apenas uma característica da pessoa, sendo o correto a ser utilizado, simplesmente: pessoa com defi-ciência. A palavra “DEFICIENTE” não deve ser utilizada como substantivo, mas pode ser usada como adjetivo.Quando usada como substantivo, passa a impressão de que a pessoa inteira é deficiente. SURDEZ e CEGUEIRA são deficiências e não doenças, mas que podem ter sido causadas por doenças.Por não se tratarem de doenças e não serem contagiosas, não podem ganhar contornos de epidemia. Não existe SURDO-MUDO, mas apenas surdo. A pessoa que nasce surda tem a capacidade de aprenderuma linguagem oral, mas é mais comum, e mais fácil, que tenha em uma língua de sinais (por exemplo a LínguaBrasileira de Sinais – Libras) como sua primeira opção. Arte: Vanessa Farias O adjetivo “INCLUSIVO” se refere a quaisquer ambien- RESPEITOtes e situações abertos à diversidade humana e não somentequando se trata de pessoas com deficiência.Este conteúdo é uma adaptação baseada no Manual da Mídia Legaldesenvolvido pela ONG Escola de GenteMaterial distribuído pela Assessoria de Comunicação Institucional da Se-cretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São PauloLivre Acesso 09
  9. 9. Entrevista A arte da superaçãoUma das primeiras lições que se aprende ao fazer jornalismo é que todas aspessoas têm histórias incríveis de determinação, de coragem, de superação.Com Maiara Barreto não seria diferente. A bela garota de gestos delicados contaum pouco sobre sua vida, seus sonhos e vitórias. E mostra para todos que, ape-sar da pouca idade, deixa o exemplo de quem deu a volta por cima, lutou pelos seus direitos, e é muito feliz Texto e foto: Vanessa FariasL. A.: Maiara, conta um colégio técnico, que eu não L. A.: Você é alta... com outras pessoas que nãopouco da sua história. gostei, aí mudei pro poliedro, M: Sou, tenho 1, 75 m. Aí eram minha família, né...M: Eu nasci em São José pré-vestibular. Lá eu decidi eu vim pra SP pela agência, Organização... Outro desa-dos Campos, tenho 25 anos, que queria fazer Farmácia. morar sozinha. Vida diferen- fio era a locomoção aqui emminha mãe é pesquisado- L. A.: E você tinha quantos te da que eu tinha. SP... pegar ônibus, metrô...ra na área de física, e meu anos? L. A.: E como foi ter que Era difícil, eu me perdia umpai trabalha na prefeitura de M: Eu tinha 17. Aí, nessa morar sozinha? pouco (risos)São José dos Campos. Es- época de vestibular, que me M: Foi difícil, um desafio no L. A.: E como foi sua car-tudei uma parte no Instituto chamaram pra começar a começo. Tinha só 17, mora- reira como modelo?São José, que é uma escola trabalhar como modelo aqui va com outras meninas da M: Foi muito bom. Eu apren-particular, depois fui pra um em São Paulo. agência, foi difícil conviver di muito nesse tempo queLivre Acesso 10
  10. 10. eu fiquei aqui trabalhando. quinhentas meninas, três medular cervical. Aí eu fiquei Acontece mesmo, chama-Conheci pessoas que não horas no salto esperando, uma semana na UTI, no total -se "hipotensão postural". Oconheceria de outra forma, porque o estilista atrasou... um mês no hospital. Minha sangue não consegue subir,mas no fundo, eu sabia que Isso era muito chato. mãe precisou praticamente o corpo acostuma a ficar dei-queria fazer farmácia, ir pra L. A.: Daí você largou a se mudar pra São Paulo, pra tado. A hora de tomar banhofaculdade... Viajei como mo- carreira? ficar comigo no hospital, por- era um drama, eu sentavadelo, morei em Milão... M: Larguei. Fui fazer cursi- que fiquei muito debilitada na cadeira do banho e des-L. A.: Por quanto tempo? nho por um ano, e entrei na no começo, não conseguia maiava. Foi assim, por umaM: Dois meses. Um ano de- USP em 2008. E aí me apai- comer sozinha, trocar de semana, desmaiando váriaspois, fui pra Tóquio, fiquei xonei por Farmácia. roupa, banho... vezes, e acostumei, né? Éum mês e meio, e depois, L. A.: Você se descobriu no L. A.: Como foi esse come- isso. Fui me acostumando,em Hong Kong, por dois me- curso? ço? fui melhorando...ses e meio. M: Me descobri. Era isso que M: Foi muito difícil, eu cho- L. A.: Quanto tempo durouL. A.: Como foi a experiên- eu queria mesmo. No come- rava todo dia. Os médicos o processo até a hora decia de ir para fora do Brasil ço era muito difícil, que eram não deram um prognóstico, você conseguir se virarcomo modelo? disciplinas muito gerais, não "você vai voltar a andar" ou sozinha?M: Foi difícil. Morar em um eram de fato Farmácia, en- "você nunca mais (vai voltar M: Muitos meses. Fiqueipaís que eu não falava a tão era meio chato. Daí, com a andar)", então eu ficava quatro meses nesse hospi-língua, não entendia nada, o passar dos semestres, foi sem saber o que tava acon- tal, tive algumas complica-não conseguia nem ler as melhorando. Aí, quando eu tecendo, eu não sabia o que ções... tive pneumonia, tivecoisas pra tentar de alguma estava no final do terceiro era lesão medular, apesar uma trombose... Aí eu volteiforma porque... o alfabeto semestre, sofri o acidente. de fazer Farmácia. Então eu pra casa dos meus pais, fi-chinês e o japonês são bem L. A.: Como foi o acidente? fui aos poucos, mas mes- quei duas semanas lá, e fuidifíceis. Mas eu gostei mui- M: Foi acidente de moto. Eu mo no hospital eu já tinha chamada para o hospital Sa-to, porque conheci cidades tava com meu ex-namorado, pequenas melhoras, Eu via rah (Kubitschek, em Brasília)que me apaixonei, conheci de reabilitação. Lá que euvárias pessoas, brasileiros “Foi muito difícil, eu chorava todo comecei a ver as coisas deque moram lá, fiz amigos... dia. Os médicos não deram um outro jeito. Eu pensava queMas depois de um tempo, eu eu só ia viver de novo quan-cansei. Vida de modelo não prognóstico.” do eu voltasse a andar. E oé o glamour que todo mun- que tava tendo um progres- objetivo do hospital é que eudo pensa. É difícil, cansa. A namorado na época. Es- so, mas eu não sabia o que volte as minhas atividadesgente ouve mais não do que távamos indo para a casa ia acontecer pra frente. Era diárias com as limitaçõessim no começo... Então é dele à noite, e ele bateu a desesperador. Você precisar que eu tenho.frustrante. moto. O acidente de fato, pedir pra sua mãe coçar seu L. A.: O que significou oL. A.: Quais são as outras eu não lembro. Lembro só nariz, porque não consegue (hospital) Sarah na suadificuldades da carreira? depois, no hospital, que a levantar a mão da cama... vida?M: Eu tinha dificuldade com mãe dele chegou para ficar L. A.: No início então, você M: Foi a melhor coisa. Eua alimentação. Não podia comigo. Eu não sabia o que não conseguia mexer os cheguei lá totalmente de-comer porque engordava, tava acontecendo, eu sen- braços? pendente da minha mãe,porque afetava a pele, isso tia dor, mas eu não sabia... M: Nada. Aos poucos con- do meu pai... Lá eles mepra mim era um desafio tam- os médicos diziam que eu segui levantar, fazia fisiote- ensinaram a me alimentarbém. Pra eles (que fazem estava nervosa, por isso eu rapia duas vezes por dia, aí de novo, a tomar banho, aa seleção), você é só mais não sentia as pernas, não com o tempo, eu comecei vestir roupa... Além de teremuma, você é só um cabide, te conseguia mexer. Aí me a levantar um pouquinho me ajudado em tudo, elestratam mal, desfiles com um deram calmante pra dormir, os braços, as pernas um ajudaram psicologicamente.monte de gente... Algumas falavam que ia passar, e não pouquinho... Mas depois Pra ver que com o que euvezes eram grossos. Claro, passava. Trocaram de mé- de muito tempo deitada na tenho hoje, sou capaz dehavia aqueles que tratavam dico, de hospital, fui trans- cama, quando eu comecei a continuar a minha vida comosuper bem, mas no geral era ferida. E aí, nesse hospital sentar eu desmaiava. Aí eu antes. Mas pra isso foramisso. Ir no teste com mais eles descobriram uma lesão chorava, não queria sentar. vários meses...Livre Acesso 11
  11. 11. L. A.: E a sua família? você acha que de uma for-Como eles passaram por Maiara: das passarelas ma geral, há abordagem para a Faculdade deeste processo? Eles tive- suficiente para promover Farmáciaram que aprender muitas uma discussão e reflexãocoisas, né? acerca das dificuldades deM: No começo, eles acha- uma pessoa com deficiên-vam que eu tinha que me cia no seu dia-a-dia?esforçar muito pra voltar M: Acho que precisavaa andar. Mas depois eles abordar mais, de diferentesforam vendo que eu podia formas, porque são muitasvoltar a faculdade, podia ter pessoas com deficiência nomeus amigos na cadeira de Brasil, com diferentes difi-rodas. Hoje eu consigo ca- culdades. A novela "Viver aminhar um pouquinho, mas vida", por exemplo, mostroua cadeira me dá total inde- uma pessoa, uma limitação.pendência. Com o andador Tem muitas outras, que pre-eu dou uns passinhos, bem cisavam aparecer mais. Asdevagar... tenho pouco equi- pessoas precisam se mo-líbrio, fico com as mãos ocu- bilizar e tentar mudar essapadas, então eu não tenho realidade.autonomia. Na cadeira eu L. A.: Quais são seus pla-consigo... O fato de ser ca- nos, além de se formar?deirante não me impede de M: Ah, acho que estou tãofazer nada. focada em me formar, que...L. A.: Vamos voltar ao as- eu quero continuar traba-sunto "Faculdade". Você rassem até a biblioteca, ou nhecia ninguém que fosse lhando na área que traba-voltou a fazer o curso... pra voltar pra faculdade, e as cadeirante. Então, eu não lho, porque gosto muito...Como foi essa volta? guias não eram rebaixadas, tinha opinião. Só passando sonho em casar um dia, terM: A faculdade não tava a calçada era muito irregular. por isso. Hoje, tento ter uma filhos eu não decidi ainda...preparada pra me receber. Eu acredito que outras pes- vida normal como meus co- Só sei que quero casar umPrédios não-acessíveis, ba- soas também tenham lu legas, faço natação, que eu dia e... Tenho vontade denheiros não-adaptados, e tado por isso. Hoje, todas gosto muito, aqui em São conhecer o mundo, de viajar,aí, desde o primeiro dia co- as guias na USP são rebai- Paulo, vou pra academia, e gosto muito de viajar... Viajeimecei a conversar pra pedir na semana passada, fui prapra reformar o banheiro, pra “A faculdade não tava prepara- Cancún, pra um congresso.fazer um elevador... Eu re- Foi minha primeira viagemcebi muitos nãos, mas eu da pra me receber. Prédios não- pra fora do país (depois docontinuei tentando, e agora, -acessíveis, banheiros não-adap- acidente).em agosto, eles finalizaram L. A.: E aí você foi sozi-meu elevador. Eu chamo tados...” nha?de meu porque (risos) eu xadas, as calçadas tão novi- tenho uma equipe, não só M: Sim, mas encontrei trêsbatalhei por ele. Consegui nhas, melhorou bastante. um professor. Lá no Sara, colegas lá. Então, meio so-banheiro adaptado em um L. A.: Que visão você tinha fazia natação no lago, parti- zinha, meio acompanhada!prédio... Pedi na USP mes- sobre o acesso dos cadei- cipei de duas competições, (risos)mo, na minha faculdade, aí rantes antes do acidente? dois eventos... gosto muito L. A.: Como foi a viagem?na na Subprefeitura, eu pedi M: Antes, eu não sabia que de nadar. E acho que me M: Eu confesso que tavapra rebaixarem as guias, tinha esse problema, eu não ajuda fazer atividade física. muito nervosa no come-porque tinha muita dificul- reparava se era um degrau, Agora, voltei a fazer muscu- ço, porque o avião não eradade de ir até a biblioteca... ou se era uma rampa, se ti- lação pra ajudar também. adaptado, o banheiro tam-Antes ter o carro, às vezes nha guia rebaixada, eu não L. A.: Com relação ao con- bém, uma viagem longa,eu precisava que me empur- sabia o que era, não co- teúdo veiculado na TV, então eu tava muito preo-Livre Acesso 12
  12. 12. cupada. Mas deu tudo cer- participei de uma palestra gunta pra onde ela quer ir, se sos... Geralmente, pra subirto, tive ajuda onde precisei. de sensibilização dos fun- ela precisa de ajuda. Não é a calçada, a rampa é o únicoTirando a parte do avião, a cionários, de como abordar em todas as situações que a acesso que tenho disponívelviagem foi maravilhosa, não um cliente com deficiência, gente precisa de ajuda. Eu e a pessoa para o carro native nenhum problema... o como ajudar essa pessoa. falei também sobre coisas frente. É muito frequenteHotel não era totalmente L. A.: Me conta mais a res- que sei que tenho condições isso, eu tento conversar comacessível. Não tinha acesso peito dessa experiência... de fazer. Meu tempo é maior quem parou...pra praia! Mas o resto era, M: Uma profissional que tra- que o tempo de todo mundo, L. A.: E como as pessoasfoi tudo bem, foi uma experi- balha com isso me contratou mas eu sei que dou conta, recebem?ência muito boa mesmo. junto a outras pessoas com então não preciso sempre M: As pessoas não recebemL. A.: Vamos falar sobre variadas deficiências, e daí de ajuda. bem, respondem é só umacesso ao mercado de tra- cada um de nós falou sobre L. A.: Você sente que há segundinho, e saem corren-balho. Você relatou antes a deficiência, de como gosta preconceito em relação do do carro. Mas é esse se-da entrevista que ouviu gundinho que preciso daum não ou outro de al- “As pessoas precisam aprender vaga, e daí paro o carrogumas empresas, não com suas deficiências.” super longe, às vezes empor causa de capacidade, ruas esburacadas, sem amas porque não teriam rampa perto. No banheiroacesso. O que você tem a também, né? O adaptadodizer a esse respeito? não é respeitado, vocêM: As empresas não tão fica na fila esperando, epreparadas pra receber geralmente quem estáprofissionais de diversos ocupando é quem nãotipos de deficiência. Têm precisa...deficiências que precisam L. A.: Você gostaria dede menos adaptação, tal- deixar algum recadovez. Mas eu não consegui para as pessoas, aque-usar o banheiro em algu- las que possuem algummas empresas, lugar para tipo de deficiência, eparar meu carro. Tem essa também para aquelaslei que os lugares são obri- que não possuem?gados a contratar, a gente M: Pra pessoa com defici-sabe que tem empresa ência, queria falar que dáque não tá cumprindo essa pra ter uma vida normal,lei... mas eu acho que mui- dá pra ser completamen-tas empresas, como a que te feliz, como eu... eu soueu tô hoje estão abertas feliz, faço tudo que eua novas possibilidades. Eu de ser tratado, contou sua aos cadeirantes? quero, a cadeira de rodasconsegui estágio, não pela história, de como gosta de M: De uma forma geral, as não é uma limitação pravaga reservada pra pessoa ser ajudado, como gosta de pessoas entendem minha mim. As pessoas precisamcom deficiência, mas com- ser abordado... Por exem- situação. O que acontece aprender com suas defici-petindo com outros colegas plo, gosto de ser chamada com mais frequência é das ências e aproveitar o quesem nenhuma deficiência, e pelo meu nome, não gosto pessoas olharem, mas é só. dá pra fazer, porque dá praa empresa se adequou, se que saiam empurrando mi- L. A.: Você disse que diri- fazer muita coisa. E para aspreparou pra me receber. nha cadeira, eu tenho opi- ge. As pessoas respeitam pessoas que não tem defici-L. A.: Deveria ser uma pre- nião, tem que perguntar pra o estacionamento direcio- ência, pra aceitarem a dife-ocupação de todas as em- mim... era pra isso, pra mos- nado a pessoas com defi- rença e aprender. Acho quepresas, né? trar pros funcionarios como ciência? dá pra aprender muito com oM: Mas tem outras empre- abordar. Você não pega uma M: Não. As pessoas não diferente.sas que estão muito preo- pessoa na cadeira de rodas respeitam a vaga, não res-cupadas com isso, inclusive e sai empurrando, você per- peitam as rampas, os aces-Livre Acesso 13
  13. 13. Esporte Vôlei Paraolímpico: superação e sustento Pessoas com diferentes tipos de deficiências físicas encaram o esporte como fonte de renda Texto e foto: Priscila SilvaE ngana-se quem acredita res em cada equipe – o que di- esporte está presente no desloca- que o vôlei seja um es- ferencia a modalidade do olím- mento. Ao tocar na bola o atleta porte apenas para pes- pico é o tamanho da quadra e a não pode retirar o glúteo do chão.soas altas, com longas pernas altura da rede. No esporte pa- Todo o deslocamento deve ser fei-e braços. O vôlei adaptado, raolímpico a quadra mede 6m to com as mãos, no voleibol sen-modalidade que surgiu a partir de largura por 10m de compri- tado você transforma o tornozeloda combinação entre o vôlei mento, enquanto a convencio- em punho, e os joelhos seriam osolímpico e o Sitzbal – esporte nal mede 18m x 9m, a altura da cotovelo e ombros.alemão que não utiliza a rede rede é de 1.15m para homens Como todas as modalida-e é praticado por pessoas comdificuldades para se locomover “Deficiente bom é aquele que tem uma boa his--, é a modalidade paraolímpi- tória e aquele que tem sucesso. A gente vendeca que mais cresce no Brasil e deficiente que se supera.” Ronaldo Oliveira, técnico dapode ser praticada por atletas seleção brasileira paraolímpicacom amputações nos membrosinferiores e superiores, parali- e 1.05m para mulheres, na ou- des paraolímpicas, o comprome-sias cerebrais, lesões na coluna tra modalidade é de 2.43 para timento e dedicação são exigidosvertebral e outras diferentes de- homens e 2.24 para mulheres. para aqueles que buscam ter umaficiências de locomoção. Há também a possibilidade do carreira de sucesso dentro do Com regras de jogo pra- saque ser bloqueado, o que é esporte. Para o Técnico da Sele-ticamente iguais a do vôlei em proibido na modalidade conven- ção Brasileira Feminina de Vôleipé – melhor de 3 sets, sets com cional. Paraolímpico e Orientador de Es-25 pontos, tie-break, 6 jogado- O grau de dificuldade do porte de Rendimento Paraolímpi-Centros de treinamento dos times do SESI e Barueri: confrontro entreequipes no Campeonato Paulista de Volei adaptado
  14. 14. Ronaldo: Instituto Barueri Paraolímpico, conquista pela localizado na cidade de Barueri, 1“ vez vaga paraolímpica na grande São Paulo. Em 2000, enquanto estava no hospital se recuperando do acidente que o fez perder uma das pernas, as- sistiu uma entrevista de um me- dalhista das paraolimpíadas de Prof. Carlinhos Sidney. Silva conheceu o vôlei criou o 1‘ Centro adaptado e percebeu que a prá- paraolímpico de tica esportiva poderia ajudá-lo a Baruerico do Sesi/SP, Ronaldo Oliveira: encarar a nova forma de vida. Atualmente o Instituto ter participado de competição“um bom deficiente é aquele que no ano anterior àquele em quea gente consegue vender bem. conta com 21 atletas paraolím- picos, sendo 17 do vôlei, 3 da está pleiteando a bolsa.Deficiente bom é aquele que tem O presidente do Institutouma boa história e aquele que tem natação e 1 da Bocha. Todos os atletas são moradores de Ba- Barueri, Prof. Carlinhos, é titularsucesso. A gente vende deficiente e capitão do time de vôlei mas-que se supera. Se for um deficien- rueri e, através de uma parce- ria com a Prefeitura Municipal e culino, mas não consegue sete que não se supera, nunca va- manter apenas com a renda domos conseguir fazer com que ele algumas empresas, cada atleta recebe uma bolsa auxílio. esporte. “Na época que eu co-seja reconhecido. Ele tem que ser mecei era uma terapia pra mim,um produto como qualquer outro hoje já tem uma ajudinha, mas,atleta”. Fonte de Renda não supre as minhas necessida- A maior dificuldade enfren- des. Me formei como professortada pelos atletas que buscam se O Governo Federal pos- sui programas de incentivo para e ganho mais”, conta Carlinhos.profissionalizar é encontrar cen- Tanto no time do Sesitros de treinamentos paraolímpi- atletas de alto rendimento, o Bolsa-Atleta, que oferece entre quanto no de Barueri há exem-cos. Na cidade de São Paulo será plos de atletas que consegueminiciada a construção do primei- R$300,00 à R$2.500,00, varia de acordo com a modalidade tirar o sustento do esporte ero centro apenas em 2013, com outros não. Daniel Yoshizawa,inauguração programada para o e rendimento. Para conquistar essa bolsa o atleta precisa es- atleta do Sesi, conta com osegundo semestre de 2015. apoio da namorada e também Insatisfeito com essa re- tar matriculado em instituição de ensino público ou privado, atleta paraolímpica Nathaliealidade, Carlos Roberto da Silva, Filomena, que já participou de40, mais conhecido como Prof. estar vinculado a alguma en- tidade de prática desportiva e competições internacionais eCarlinhos, idealizou em 2008 o acredita no talento do compa-
  15. 15. nheiro. “Através da minha defici- que o treinador Ronaldo Olivei- se adaptar às novas regras. “Oência eu conheci o esporte. Hoje ra a convidou para entrar para Ronaldo ligou lá em casa e fa-só fica parado quem quer”, afir- a equipe do Sesi. Mas não foi lou com os meus pais. Quandoma animado o atleta que aos 19 fácil essa migração das moda- ele falou vôlei sentado eu pen-anos precisou amputar as duas lidades. “A primeira barreira foi sei que fosse sentado na cadei-pernas e 5 dedos por conta de o preconceito mesmo, o meu ra de rodas”. Nathalie acreditauma meningite. preconceito comigo mesma. Eu que por ter deficiência nos bra- No time de Barueri Fe- achava que, como eu já joguei ços, o vôlei sentado se torna umlipe dos Santos, 23, Júnior Oli- profissional então, eu tinha ver- pouco mais difícil que o olímpi- gonha né. Mas depois meu ma- co, mas garante não voltar para rido e a minha família me deram a outra modalidade e que está a maior força e eu estou aqui satisfeita, pois, consegue tirar o hoje, tranquila”, conta Janaína. seu sustento do esporte. Atualmente, Janaína faz Janaína e Nathalie fo- parte das equipes do Sesi e da ram para as olimpíadas de Seleção Brasileira Paraolímpi- Londres deste ano. O grupo fi-Nathalie e Daniel: atletas do SESIe namorados ca, e ganha bolsa atleta do Sesi cou em 5º lugar, pois pegaram e do governo, mas julga não ser a chave mais difícil da compe-veira, 25 e Diego Alcântara, 22, o suficiente para sobreviver. “Eu tição. Mas as atletas garantemconseguem tirar o sustento ape- não me sinto totalmente profis- que foi um ótimo resultado pelonas com a bolsa-atleta. Ambos sional porque eu preciso traba- fato de ser a primeira vez queencontraram no esporte, além lhar, eu não posso viver só do o Brasil foi representado pelada fonte de renda, uma forma de esporte.” equipe feminina paraolímpica.interação social. Janaína na foi a única Conseguir um centro de que migrou do vôlei olímpico treinamento, adaptar-se as re- “A primeira barreira foi o preconceito mesmo, o gras do jogo, associar trabalho com a vida de atleta ou conse- meu preconceito comigo mesma.” Janaína Petit, guir tirar o sustento do esporte Jogadora de Vôlei adaptado são realidades dos esportistasAdaptação para o paraolímpico. Nathalie olímpicos e paraolímpicos. O rit- Filomena, 22, nasceu com a mo de treinamento e a intensi- Janaína Petit, 35, já jo- Lesão do Plexo Braquial, com- dade da dedicação são iguaisgou em grandes times como plicação ocorrida no momento em ambas modalidades. O quePinheiros, São Caetano e na Se- do parto, mas desde criança garante o sucesso de um profis-leção Brasileira Infanto-Juvenil, praticava natação e aos 8 anos sional, independentemente damas em 1993, no caminho para começou a jogar o vôlei olímpi- área em que pretende atuar, é ao centro de treinamento foi atro- co. Em 2006 Ronaldo Oliveira força que surge de dentro depelada por um ônibus. Por esse também a convidou para o Sesi, cada um. Um sonho pode seracidente, Janaína perdeu parte alegando que as expectativas algo mais próximo se visto comodos músculos na perna e preci- de crescimento profissional se- um objetivo, traçado como umasou fazer implantes de pele. Ela riam melhores no vôlei sentado. meta e alcançado com garra etentou continuar no vôlei em pé, Nathalie não conhecia a moda- d e t e r m i n a ç ã o .mas não teve sucesso. Foi aí lidade e demorou um ano paraLivre Acesso 18
  16. 16. Artigo João Paulo Fernandes jpfc84@gmail.comAmbientes culturais e suas estratégiaspara atender as pessoas com deficiênciaA acessibilidade essa lei. Foto: João Paulo Fernandes em recintos cul- Quanto mais um turais tem como ambiente se ajusta ascaracterística principal necessidades do usuário,que seu ambiente, progra- mais confortável ele é. To-mação, informação, estra- davia, se ocorre o inverso,tégias de comunicação e quando o ambiente cons-ação educativa estejam ao truído não leva em contaalcance de todos os indi- as necessidades ou limi-víduos. Ou seja, para que tações humanas, ele podeum espaço cultural possa chegar a ser mais inóspitoser realmente acessível, do que o meio natural.precisa de requisitos para Uma instituição Teatro Tuca, em São Paulo, abriga diversas condições deque sua programação se cultural que realmente acessibilidade aos deficientes, como física, visual e auditiva.torne usufruída por todos, tenha o desejo de ser já as pessoas surdas, que ção, percepção e comu-independente da condição acessível deve garantir a tem como primeira língua nicação inerentes ao serfísica, sensorial ou comu- autonomia do indivíduo a Libras (Língua Brasilei- humano. Porque mesmonicacional das pessoas. em todos seus serviços, ra de Sinais) precisam da que não tenhamos uma A cidade de São sejam eles básicos (ba- comunicação em Libras, deficiência, um dia sere-Paulo foi uma das primei- nheiros, bebedouros e diferente da verbal ou mos todos idosos e issoras na implantação da cafeterias), permanentes gráfica; as pessoas com impactará definitivamenteacessibilidade no Brasil. (circulação no edifício, deficiência intelectual pre- na nossa mobilidade, vi-Em 1993, surgiu a pri- exposições permanentes cisam de respeito às suas são e audição.meira lei em São Paulo e midiatecas) e temporá- diferenças cognitivas, com Se por um ladoque dava o prazo de três rios (exposições, projetos relações humanas livres as pessoas com defici-anos para que edificações e oficinas). de preconceitos e textos ência são recebidas nosexistentes com mais de As pessoas com mais objetivos. espaços culturais de for-600 pessoas (cinemas, deficiência visual, por Garantir os di- ma desconfiada, por outroteatros, locais de reunião exemplo, precisam rece- reitos das pessoas com isso que o não acesso acomo restaurantes com ber as informações dos es- deficiência traz benefícios elas é uma preocupaçãomais de 100 pessoas) se paços de cultura por meio não apenas a essa popu- significativa, e que isso éadaptassem. Infelizmente, de seus sentidos, como o lação, mas para todos os um sinal de mudança ime-não foi tão rápido assim, tato e a audição, pois tem indivíduos pelo respeito diata.mas a cidade já possui sérios comprometimentos às diferenças de locomo-vários locais atendendo visuais ou cegueira total;Livre Acesso 19
  17. 17. Arte e culturaAs várias ferramentas no acesso à cultura e informação Braille, audiodescrição, Closed Caption, Libras. A cada dia que passa, novas - e antigas - formas de acesso a materiais culturais se desenvolvem, e readaptam-se para diferentes meios. Texto e foto: Vanessa FariasM ãos que leem, e que ções, e algumas já são velhas décadas através de doações e do contam histórias. Narra- conhecidas do público com de- apoio de inúmeras pessoas físicas ção de livros para serem ficiência. e empresas, em prol das pessoasouvidos. A opção das legendas com deficiência visual. O prédio énos programas prediletos da TV. Livros para ler com as mãos enorme, totalmente voltado paraDescrição em áudio detalhada e ouvidos facilitar a vida do público atendi-dos acontecimentos dentro de do pelos trabalhos realizados lá.um filme. Há tempos, as mais A Fundação Dorina No- “Temos tudo aqui: estúdio de gra-variadas formas de comunica- will funciona há mais de seis vação, gráfica de livros em Braille,ção voltadas para pessoas comdeficiência física e auditiva vemse desenvolvendo, e integrando- Direitos garantidos por lei Várias leis garantem o acesso das pessoas com defici--se a ambientes que até então, ência a bens culturais. O Decreto-lei 5296 de 2 de dezembro deeram considerados exclusivos 2004, por exemplo, regulamenta e especifica normas gerais ede pessoas sem deficiência. critérios básicos de acessibilidade. Entre as determinações,háHoje, leis específicas de direito regras gerais para o acesso de pessoas com deficiência a aten-à acessibilidade garantem esse dimento diferencial e adaptado pelas normas da ABNT, dentre elas, adaptação de edificações públicas e coletivas, reserva dedireito (vide box). É obrigatória a vagas destinadas a pessoa com deficiência em espaços volta-veiculação de material acessível dos à cultura, intérpretes de Libras, Além das regulamentaçõesde boa porcentagem do conteú- Exigidas pela ANATEL em relação a utilização de Closed Cap-do cultural, e isso envolve tele- tion, Libras e Audiodescrição.visão, vídeos, livros, revistas e Ainda, o Ministro das Comunicações Hélio Costa re-espaços como museus e biblio- gulamenta, através da Portaria 188, de 24 de março de 2010, porcentagem específica de transmissão obrigatória de conteúdotecas. televisivo com audiodescrição.Para o Closed Caption, o Projeto Nessa implementação de Lei 3979/00 do Senado tornou obrigatória a utilização dade conteúdo acessível, entram legenda oculta em boa parte da programação televisiva.muitas empresas e organiza-Livre Acesso 20
  18. 18. “Ledor” em ação: livros paraFundação Dorina: arquivos serem ouvidosde chapas para prensagemem Braille Cleide Severiano: conferindo o material prensadoestrutura para prensagem e envio solicitam alguns títulos”. Os visuais ao conteúdo transforma-do material. Tudo voltado para a números são impressionantes. do em Braille e áudio, mas tam-realização, promoção e disponibi- Mais de 90 mil livros em Brail- bém prepara as pessoas comlização de livros, revistas e afins le, 60 mil livros falados, 1943 deficiência visual para o mercadopara o público com deficiência organizações, bibliotecas e de trabalho, além de ensiná-las avisual”, revela Caroline Grava, escolas atendidas em todo o se virarem sozinhas. Ademilsonresponsável pela Comunicação país. Conceição, que está trabalhandoInterna da Fundação. A gravação dos livros há cinco anos como revisor, re- Basta se cadastrar na ins- e impressão em Braille é re- vela que perdeu a visão total emtituição, para ter acesso a todo alizada dentro da própria ins- 2001, e através do processo deconteúdo produzido. reabilitação fornecido pelaAlém da transforma- “Sempre tivemos um feedback po- Dorina, cresceu o desejo deção dos livros em sitivo da comunidade surda, que trabalhar lá. “Por todo esseBraille, a Fundação sempre foi muito importante para apoio, cresceu a vontadeDorina conta também de trabalhar aqui, Daí, fuicom um acervo de o desenvolvimento de nosso pa- chamado em 2008, e adoromais de 2.100 títulos drão”. Marcelo Couto, CPL o que faço”.de livros falados, e fazempréstimos para organizações tituição. Caroline revela que Lendo o que foi faladoe pessoas físicas de todo o país. muitos funcionários com defi-Ezequiel Mariano, auxiliar admi- ciências visuais trabalham na O desenvolvimento denistrativo da biblioteca, conta que Dorina. Cleide Severiano, por novas tecnologias possibilitouatravés de uma parceria com os exemplo, trabalha na revisão e o closed caption – ou legendacorreios chamada Cecograma, paginação dos livros em Brail- oculta – que está no Brasil desdeo usuário do serviço pode pegar le. “trabalho com um voluntá- 1997. É um sistema de transmis-emprestado e devolver o arquivo rio, que lê o livro em tinta pra são de legendas que possibilitadigital em qualquer parte do país mim, enquanto confiro se há o acesso à informação veiculadagratuitamente. “Os temas são algum erro. Os que encontro, na televisão, que pode funcio-variados. Desde romances, pas- peço que ele anote, para pos- nar de duas formas: online, quesando por clássicos da literatura. terior correção”, explica Cleide. acontece em tempo real, e offli-Temos toda uma pesquisa de A Fundação não só via- ne, que ocorre através de umamercado, além das pessoas que biliza o acesso aos deficientes pós-produção com programasLivre Acesso 21
  19. 19. específicos de computador. Marcelo Couto, Diretorcomercial do Centro de Produ-ção de Legendas – CPL, empre-sa pioneira na implementação declosed caption no Brasil, explicaque a concepção da empresa nopaís se deu através de um grupode pessoas com deficiência audi-tiva, além de contar com outras Closed Caption: opção também parade fora do grupo que dão o retor- ambientes ruidososno para os profissionais. “sempretivemos um feedback positivo da Audiodescrição: imagem fa- retora de dublagem que agora di-comunidade surda, que sempre lada rige e cria roteiros para essa mo-foi muito importante para o desen- dalidade de acesso, conta comovolvimento de nosso padrão. Afi- A audiodescrição vem é o processo de inserir a audio-nal, o closed caption foi desenvol- também através do desenvol- descrição: “É uma narração dosvido para esse público”, comenta. vimento da tecnologia. Tem fatos acontecidos no decorrer doA legenda ainda é criada tanto em sido disponibilizada através filme entre os diálogos dublados.português, quanto em inglês. das transmissões televisivas, Se os atores estão em silêncio, Aliás, assim como a Fun-dação Dorina, a CPL disponibiliza “Audiodescrição: narração dos fatos aconte-inúmeros serviços voltados para cidos no decorrer do filme entre os diálogosa acessibilidade e inclusão. Além dublados.” Maíra góes, diretora de audiodescriçãodos cursos fornecidos, A empresarealiza, além do closed caption, salas de cinema com fones de entra o narrador contando, comLibras e a audiodescrição. ouvido, DVD’s. Maíra Góes, di- ajuda de um roteiro previamente escrito, o que está acontecendo na tela”. Maíra completa dizendoLivros infantis em Braille: que a narração precisa ser neu-literatura para ser sentida tra, pois a pessoa com deficiência visual tem que distinguir o que é descrição de cena e o que é inter- pretação de um personagem. No entanto, a opção ain- da é inviável para transmissões ao vivo e novelas. “Os capítulos de uma novela ficam prontos com pouca antecedência, o que dificul- taria a confecção do roteiro de áu- dio descrição. Há a possibilidade de se fazer ao vivo, mas o grau de dificuldade é infinitamente maior”,Livre Acesso 22
  20. 20. Carol Dias: “a mão é o Libras na TV: “seria perfei- ouvido da pessoa com ta, se houvesse opção de deficiência auditiva” dividir a tela”revela Maíra. leira que se tem notícia foi cria- ças de teatro e exibição de filmes A diretora narra também da em 1957 no Rio de Janeiro. sobre o assunto. Fora da institui-episódios em que obteve a res- Carol Dias, coordena- ção, Carol dá exemplos de comoposta direta do significado da dora do Instituto Seli de ensino a língua de sinais pode ser intro-audiodescrição no cotidiano das e pesquisa voltado para Libras, duzida na vida cultural das pes-pessoas com deficiência visual. conta que a principal preocu- soas com deficiência auditiva: “ONo primeiro filme que ela realizou pação é fazer que todas as pes- Museu de Arte Moderna de Sãona sua empresa, a Beck Studios, soas envolvidas no processo Paulo tem um exemplo perfeito dea emissora Globo convidou três de aprendizado entendam que como as Libras podem integrar-pessoas com deficiência auditi- a língua de sinais é primordial -se a ambientes culturais. Guiasva para conferirem o resultado. para a convivência da pessoa especializados fazem grupos e os”O mais marcante foi o de umasenhora presente: ‘Que Deus “No Museu de Arte Moderna, guias que sa-abençoe as pessoas que estão bem Libras fazem grupos e os levam pelofazendo isso por nós. Eu voltei Museu.” Carol Dias, Instituto Selia enxergar. Vi o filme todinho’,”conta Maíra. com deficiência auditiva com levam pelo museu, e essa comu-Mãos que falam o mundo que o cerca.“A mão é nicação dá muito certo”. Porém, o ouvido do surdo. O processo ela completa dizendo que o uso A língua brasileira de si- é visual. Ainda há muita desin- das Libras na TV poderia ser me-nais, popularmente conhecidas formação dessa importância, lhor, se houvesse a opção de co-como Libras, é a mais antiga inclusive da classe médica, que locar a imagem do profissional dedas alternativas de comunica- muitas vezes, não incentiva as Libras em tamanho maior.ção para a comunidade com Libras como forma de comu- Ainda virão novas leis, no-deficiência auditiva. Originou-se nicação do surdo, fazendo-o vas plataformas, novas maneirasno século XVI, e desde então, pensar que é sua obrigação de de pessoas com deficiência visualdesenvolveu-se, até chegar na aprender a se expressar falan- e auditiva terem acesso aos bensconfiguração que existe hoje, in- do”. culturais. O que há hoje ainda nãofluenciada pelos sinais utilizados A escola promove en- é o ideal. Um dia a gente chegana França e nos Estados Unidos. contros culturais da comunida- lá.A primeira escola de Libras brasi- de surda, em que ocorrem pe-Livre Acesso 23
  21. 21. Meio AmbienteSensibilidade e bem-estar por trás da natureza Como passeios ecológicos podem trazer sensações prazerosas aos deficientes Texto e foto: Fabiano Nakashima Arte: Vanessa FariasA deficiência, sem dúvida, da Cachoeira Bonita, que fica em (PIB) Nacional, segundo os dados de não é barreira para o Colinas do Sul, na Chapada dos2011 apresentados pelo Ministério do contato com a natureza, Veadeiros, em Goiás, pertencen- Turismo, e que não poderia deixar dealgumas iniciativas estimulam a in- te à Fazenda São José dos Pal-abranger uma camada tão considerá-clusão, mostrando que as belezas mares e detentora de uma bela vel da população mundial. Cada veznaturais além de apreciadas com área serrana. O município de mais agências de viagens tendem aos olhos, podem ser também um Socorro, localizada no interior do oferecer aos seus clientes opções dedeleite para os outros sentidos. Estado de São Paulo é famosa passeios acessíveis e direcionados Opções de passeios ecológicos destinados às pesso- aos deficientes físicos e visuais, com todo o tipo as com necessidades especiais são importantes para de assistência e apoio o desenvolvimento de seus sentidos necessários para a total segurança e conforto du-O Brasil é sinônimo de um meio pelos seus roteiros de aventura, rante a sua estadia.ambiente rico em espécies, uma também se destaca como opção A agência de turismo EcoA-flora de opções para se ver e de ao deficiente. ção, localizada em Brotas no interiorinúmeras quantidades de ani- Opções de passeios de São Paulo, utiliza-se de passeiosmais existentes pelo país a fora. ecológicos destinados às pesso-Para as pessoas com deficiência as com necessidades especiaisa oportunidade de interagir com são importantes para o desenvol-este panorama significa conhecer vimento de seus sentidos, alémo que de mais belo pode existir. de evidenciar a importância deste Exemplos em territórios contato com a natureza e a liber-brasileiros destinados aos defi- dade sentida pelos participantes.cientes são tidos como uma for- O turismo é uma áreama de vivenciar o contato com a que movimentou 2,5 milhões denatureza, sem que a deficiência empregos formais, e que teve R$se torne um empecilho. Um dos 6,7 bilhões em investimentos con-exemplos é a RPPN (Reserva cedidos ao setor, o que represen-Particular do Patrimônio Natural) ta 3,6% do Produto Interno BrutoLivre Acesso 24
  22. 22. Natureza: a cada dia que passa, pessoas com deficiência ingressam cada vez mais no turismo ecológicoadaptáveis para a inclusão das pes- George Oliveira, um dos adeptos (galhos, cascos, flores, etc.). Es-soas com deficiência. “Tentamos aos passeios. ses passeios acontecem espora-que os condutores vivenciem a di- Toda pessoa quando quer dicamente e exploram a sensibi-ficuldade para entenderem melhor viajar e conhecer uma nova locali- lidade dos clientes e alunos”, diza orientação dos profissionais que dade, quer vivenciar aquilo que tal Daniela Santos Coutelle, gerenteestão treinando os mesmos. Exem- região possui de melhor. O Brasil, de comunicação da fundação.plo, para atender deficientes visu- com localidades detentoras de be- Ter contato com a nature-ais durante nossos treinamentos os lezas naturais incomparáveis, se za não é apenas se importar espo-condutores usam vendas nos olhos”, torna um prato cheio para aquele radicamente pelo meio ambiente,explica Giovana Guedes, diretora que quer passar os seus dias dis- há a necessidade de vivenciar tudocomercial da empresa. poníveis na maior paz e tranquili- que ela possui de bom a oferecer. Outra agência de turismo dade das regiões brasileiras. Ficar em contato com esta maravi-que realiza este tipo de serviço es- A Fundação Dorina Nowill, lha natural é ter a oportunidade depecífico é a Freeway, localizada na famosa pelo seu trabalho em aju- viver bem e adequadamente, comcapital paulista, que disponibiliza aos da aos deficientes visuais também o bem-estar característico de ár-seus clientes dois diferentes desti- possui ações de incentivo focada a vores, cachoeiras, campos, mon-nos. “O prazer de viajar é particular adaptação com o meio ambiente. tanhas, mares, praias e demaisde cada um, ao fazer uma viagem “Temos duas excursões acessíveis opções que temos.para Bonito (MS) ou Itacaré (BA), o destinadas às pessoas com defici- Seja para ter um contatocontato com a natureza, a leveza do ência visual, uma é parte integran- maior com a natureza, sentir o arar, a pureza da água e as paisagens te do curso de Avaliação Olfativa e puro das montanhas, ou a maciezperfeitas fazem um cenário propício retrata um passeio pelo Mercadão da areia da praia aos seus pés,de um dia inesquecível. Uma viagem para sentirem sabores e aromas todo lugar a se visitar é válido, ain-pode provocar em cada participan- e a outra é pelo Parque do Ibira- da mais quando a sensação pro-te paz, liberdade e uma felicidade puera, com direito a tocar e sentir porcionada é de uma importânciaimensa”, comenta o administrador as diferentes texturas da natureza imencionável. Saiba Mais: EcoAção Turismo - Av. Mario Pinotti, 205 – Brotas-SP - (14) 3653-9140 – www.ecoa- cao.com.br Freeway Ecoturismo – Rua Capitão Cavalcante, 322, São Paulo-SP - (011) 5088-0999 – www.freeway.tur.br Fundação Dorina Nowill – Rua Doutor Diogo de Faria, 558, São Paulo-SP - (11) 5087- 0999 - www.fundacaodorina.org.brLivre Acesso 25
  23. 23. Economia Quanto vale a deficiência? Mal se imagina que a condição estabelecida pela deficiência possa ser medida em valores. Mas, aos poucos, o mercado e ogoverno descobrem o preço que ela pode cobrar de uma pessoa Texto e foto: Ricardo Borges“M anter o cão-guia, tro- sas Econômicas da USP)”. Daniel Monteiro: gastos com defici- car o pneu da cadei- O principal objetivo do pro- ência são muitos ra de rodas, ajeitar a jeto é “levantar o quantoprótese...” Como bem enumerou custa a mais para pessoao advogado, especializado em com deficiência ter a defici-questões previdenciárias, Daniel ência”, explica o advogado.Monteiro, não são poucos os Enquanto isso, alternativasdetalhes que geram na pessoa paralelas são colocadas acom deficiência uma preocupa- disposição, para que essasção a mais, quanto aos gastos pessoas possam custear al-financeiros. E o tempo? Se pen- gumas necessidades. pelo governo federal. Segundosarmos nas necessidades de Kely Silva é casada. Seu relatório desenvolvido pelo pro-um paraplégico para se levan- marido vive em uma cadeira de grama MODEM (Monitoramentotar, tomar banho, se colocar na rodas há 10, quando levou “um da Inserção de Pessoas comcadeira ou carregar sua bateria, tiro na coluna, separando a bri- Deficiência no Mercado de Tra-sendo ela elétrica, fica fácil ima- ga de um amigo”. Desde que o balho) e divulgado pela SEDPcDginar as horas gastas a mais, casal se encontrou nessa nova (Secretária de Estado dos Direi-se comparadas com as de uma condição, ela admite que chegou tos da Pessoa com Deficiênciapessoa comum. E tempo tam- a recorrer ao benefício assisten- do Estado de São Paulo), embém é dinheiro! cial fornecido pelo governo, mas parceria com a Fipe, foram cria- De acordo com Mon- ele não era suficiente para cobrir das 96 vagas para pessoas comteiro, ainda não existe alguma os gastos adicionais de seu com- deficiência física no estado demedição sobre os custos adicio- panheiro. Por isso, eles mantêm São Paulo, no terceiro trimestrenais gerados a partir de alguma um bomboniere para ajudar nas de 2012. Dezesseis a mais, emdeficiência. No entanto, a ini- despesas mensais. comparação ao segundo trimes-ciativa para contabilizá-lo já foi O marido de Kely faz tre deste mesmo ano. Os maisidealizada. É o “projeto ‘Custo parte de um grupo que ainda beneficiados neste último perío-Adicional da Deficiência’ da Se- tem pouco oportunidade de se do foram os trabalhadores comcretária (dos Direitos da Pessoa recolocar no mercado de tra- deficiência intelectual que tive-com Deficiência) com a FIPE balho e incrementar o valor de ram 262 novas vagas ocupadas(Fundação Instituto de Pesqui- um salário mínimo concedido entre julho e setembro de 2012.Livre Acesso 26
  24. 24. Paralelamente a este ce- ajudá-las a encontrar uma cargo que ele está oferecendonário, o governo dispõe de alguns oportunidade de trabalho de faz jus a deficiência”, segundoestímulos que poderiam alavan- qualidade. A Fundação Dori- a assessora. Se for o caso, nacar esses números. Em 1991, por na Nowill, mais conhecida por Dorina também é oferecido ca-exemplo, foi criada a Lei 8213/91. fornecer livros transcritos em pacitação profissional. Porém,Nela se estabelece um percentual braile para aquele que tem defi- a pessoa não precisa passarde 2 a 5% de pessoas com defici- ciência visual, também procura por esta etapa para ser enca-ência de acordo com o quadro total atender os interessados em se minhada.de funcionários da empresa. No ano recolocar profissionalmente. Apesar de tudo, não sede 2011, o governo federalviabilizou a concessão de “Precisa ser mais disseminado do que já é, abenefício a micro empre- cultura da inclusão, do espaço para todo mun-endedores ou funcionáriosna condição de aprendiz do.” Daniel Monteiro, Advogadocom deficiência, compro-vada a necessidade de tal situação, Daniela Santos, assessora de pode esquecer dos números:de acordo com as leis 12435/11 e comunicação da Fundação por um lado, eles se referem12470/11. Existem também a isen- explica que como eles atuam: as vagas divulgados pela SE-ção de impostos para os interessa- “A gente indica, as empresas DPcD, que ainda oscilam mui-dos em adquirir carros adaptados e procuram a gente também. A to, e por outro se referem aosa utilização livre de transportes co- gente tem um departamento gastos mantidos para que umaletivos. Tais medidas reunidas cons- que cuida disso, encaminha pessoa com deficiência tenhatituem o que pode ser chamado de para entrevista”. Muitas em- garantido o direito de viver. EAção Afirmativa. Iniciativas bastan- presas procuram funcionários todos esses valores esbarramte valorizadas, na visão de Daniel na Dorina Nowill para cumprir em um só obstáculo, lembradoMonteiro: “Ação afirmativa é uma a cota estabelecida por lei, pelo advogado Daniel Montei-reparação que tem que ter”. segundo Daniela. Mas eles se ro: “Precisa ser mais dissemi- Em muitos casos, as pró- organizam bem para averiguar nado, do que já é, a cultura daprias organização sem fins lu- as condições do cargo ofereci- inclusão, do espaço para todocrativos de auxílio a pessoa com do. “Uma pessoa da fundação mundo”.deficiência fornecem meios para vai até essa empresa e vê se oLivre Acesso 27
  25. 25. Internacional Acessibilidade mundo afora Cidades estrangeiras dão exemplo de como adaptar-se para receber as pessoas com deficiência Texto: Fabiano Nakashima Foto: Priscila SilvaG rande parte da população E não é só o que se diz Por exemplo, o seu Departamento detentora de alguma de- respeito às ruas uma das gran- de Saúde, funciona como apoio as ficiência, física ou visual, des dificuldades, as leis de apoio questões envolvendo a deficiênciasofre com a má conservação das aos deficientes também estão e o turismo local que se mostraruas em nosso país. As dificulda- acessíveis à população em vá- acessível para o viajante com qual-des de locomoção são um dos rios países. Este é o caso da quer tipo de necessidade maior.principais desafios para as pes- Austrália que possui leis próprias “A Irlanda tem uma fortesoas com deficiência se adapta- de benefícios aos portadores de reputação de sensibilização pararem normalmente em seu cotidia- deficiência, além de ruas plena- a deficiência e para atender às ne-no. Mas tais problemas são vistos mente indicadas e com acesso a cessidades da população e para oscom outros olhos em cidades de rampas e outras facilidades. visitantes deficientes”, explica a se-fora, exemplos de cidadania são Saindo da Oceania, gunda secretária da Embaixada dapercebidos em locais de fácil existem bons exemplos também Irlanda no Brasil, Sharon Lennon.acesso para toda a população, e na Europa. A Irlanda possui em Já em Portugal, a maioriaprincipalmente, aos que mais ne- seus semáforos de trânsito indi- das agências e escritórios públicoscessitam. são obrigados, por lei, aQue tal poder andar por “A Irlanda tem uma forte reputa- terem acessibilidades paraqualquer que seja o lugar ção de sensibilização para aten- deficientes, igualmentesem se preocupar com o der os visitantes deficientes.” com o que acontece emburaco presente no meio seus aeroportos e hotéis. Sharon Lennon, Secretária da Embaixadada rua, ou os comuns obs- Não nos esforçamos tan- da Irlandatáculos, tão normais ao to para verificar como ou-nosso cotidiano? Esta cena pare- cadores sonoros destinados aos tras grandes metrópoles mundiaisce algo muito longe de se acon- deficientes visuais, ao simples veem os deficientes e como astecer, quando falamos na reali- toque de um aviso sonoro a pes- suas infraestruturas urbanas estãodade brasileira. Será que ver as soa sabe a hora certa e segura preparadas para recebê-los. O Bra-necessidades de uma parcela tão em se atravessar as movimen- sil, sede de grandes eventos espor-importante da população é tão di- tadas ruas do país. Além disso, tivos nos próximos anos, pode sefícil, e que a melhoria do dia-a-dia o governo irlandês possui leis basear nestes bons exemplos parade todos não vale os merecidos próprias e de incentivo como não fazer vexame no quesito aces-esforços? ferramentas de inclusão social. sibilidade.Livre Acesso 30
  26. 26. Ambulift: acessibilidade nos aeroportos é o primeiro passo para a pessoa com deficiência conhecer o mundo A Associação Salvador, O caminho a ser feito O blog “A cadeira voadora”sediada em Portugal utiliza-se de para se fazer uma viagem não mostra-se não apenas como um di-projetos online, como por exemplo se restringe apenas, na hora ário pessoal de conhecimentos peloo “Portal Acessível”, disponibiliza- em se chegar ao seu destino, mundo afora, mas também comodo em grande parte da Europa, no próprio aeroporto deve ha- um espelho para encorajar outrascom o objetivo de contribuir para ver técnicas próprias e seguras pessoas a praticarem novas experi-a integração das pessoas com de locomoção aos deficientes, ências sem medo. “O blog foi criadodeficiência motora, ou mobilidade especialmente cadeirantes. para incentivar cadeirantes a sair dereduzida, na sociedade e melhorar Para a realização do trajeto até casa para fazer turismo e passear.a sua qualidade de vida. a aeronave e vice-versa, utiliza- Grande parte se sente insegura para “Disponibilizamos informa- -se o ambulift - para transportar fazer isso. Muitas pessoas me escre-ções sobre a acessibilidade física portadores de deficiência mo- vem para contar como o blog as aju-em diferentes tipos de espaços, tora das aeronaves – mas a dou a fazer determinada viagem, quepermitimos a troca de ideias e ex- escassez deste equipamento antes não se consideravam capazesperiências entre pessoas frequen- junto com a falta de cuidados de fazer. O fato de um cadeirantetadoras destes espaços, além de dos operadores se torna mais mostrar como superou os desafiossensibilizar as entidades públicas um quesito a se redobrar as motiva outros a fazerem o mesmo”,e privadas para a importância da atenções. finaliza Laura.acessibilidade, alertando para a di- A cadeirante e autora Para o país sede de eventosmensão e potencialidades do seg- do blog “A cadeira voadora”, tão importantes para os próximosmento de pessoas com deficiência Laura Martins, sabe o quanto a anos parece que se preocupar com amotora ou mobilidade reduzida em acessibilidade traz segurança realização de eventos é uma manei-Portugal e no estrangeiro”, explica e incentiva a pessoa com defi- ra mais fácil de chamar a atenção, aoMariana Lopes da Costa, gestora ciência em querer se aventurar. invés de investir na melhoria de suasde projetos da associação. “No Brasil, João Pessoa, capi- cidades para o bem-estar de todas Já no Brasil, a história é tal da Paraíba, é um destino de as classes da população. Será quebem diferente. Os aeroportos, ro- praia bastante acessível. Fora olhar para fora do país e começar adoviárias, hotéis, ruas e demais do Brasil, indico Paris, capital ter em quem se basear não é umalocalidades públicas, que deveriam da França, e Genebra, na Su- das opções das mais aconselhá-estar plenamente preparados para íça, como destinos acessíveis. veis? Infelizmente, parece que parareceber todo o tipo de visitante, es- Mas é preciso dizer que esses muitos a resposta é não.tão, em sua maioria, muito longe três lugares ainda têm muito nodeste panorama. que se adaptar”, explica Laura.Livre Acesso 31
  27. 27. Cidade Meus olhos têm quatro patas Cães-guias oferecem segurança e liberdade às pesso- as com deficiências visuais Texto e foto: Priscila SilvaC ompanheiro, cen- esses profissionais atu- trado e amigo, am de forma diferente essas são as ca- do adestrador do cão. Oracterísticas do animal adestrador é aquele queque é treinado para ser ensina comportamentoos olhos do deficiente ao cão. O instrutor temvisual. Porém, ser con- o entendimento da guiatemplado com um cão é para o deficiente visualprivilégio de poucos. De e por isso ele entendeacordo com o Instituto muito dessa deficiên-Iris, entidade filantró- cia, da dificuldade quepica responsável pela Cão-guia e cego precisam ter personalidades a pessoa cega tem edistribuição de 30% dos compatíveis de como o cão podecães-guias no Brasil, há ajudá-lo, e isso faz toda12.000 cegos cadas- para tornar os guias acessíveis é diferença no treinamen-trados à espera de um guia, e o falta de verba. Um cão custa apro- to. Há também o cuidado em entre-número de cães guiando no país é ximadamente R$30.000, há tam- gar um cão compatível com quem iráde apenas 71. bém a escassez de treinadores recebê-lo, os cadastros das pessoas A falta de centros de trei- qualificados. “No Brasil eu tenho que esperam por um cão-guia é muitonamentos para os cães no Brasil é conhecimento que tenham ape- detalhado, com entrevistas, filmagens,o principal motivo que inviabiliza a nas 4 instrutores de cães-guias. relatos, para que a compatibilidademaior distribuição de animais para Cada instrutor não consegue trei- aconteça.quem espera. Com o objetivo de nar mais de 5 cães por vez, en- Através do Instituto Iris, essesmudar essa realidade surgem as tão se a gente for pelo máximo: dados são enviados aos EUA, parainstituições filantrópicas que tra- 4 treinadores, vezes 5 cães, nós que lá eles encontrem o cão mais pró-balham com os cães-guias. Atra- treinaríamos em 2 anos, cerca de ximo e apto à cada pessoa. Com a ve-vés de uma parceria - que já dura 20 cães. Então a conta começa a rificação dessas informações a escola10 anos - com a escola america- ficar difícil e o resultado é demora- pode associar, o mais próximo possí-na Leader Dogs, que há 80 anos do”, afirma Panico. vel, o cão ao cego. São avaliados, portreina cães-guias, o Instituto Iris O trabalho com o cão- exemplo, o tamanho do beneficiado,já ofereceu 24 animais prepara- -guia é algo extremamente mi- forma de caminhar, comportamento nodos para guiar no país. Segundo nucioso. O treinamento, com du- ambiente de trabalho e em casa, ritmoo presidente do Instituto Iris, Mar- ração média de 2 anos, deve ser ao andar. Há quem ande rápido, o quecelo Panico, a maior dificuldade feito por instrutores capacitados, requisita cães mais velozes. PessoasLivre Acesso 32
  28. 28. que andam mais devagar precisam lhidos pelo Instituto Marcelo Panico ede cães que andem no mesmo rit- Iris são enviados Harley: parceiros hámo, quem trabalha em escritórios para a escola par- 5 anosprecisa de cães que estejam acos- ceira da instituiçãotumados a ficar nesse ambiente, ao nos EUA. Por 3passo que outras pessoas que pre- semanas o cão eferem andar nas ruas ou parques, o contemplado trei-necessitam de cães que atendam narão juntos. Aco-essas características. E assim é fei- modação, viagemta a compatibilidade. e cão são custea- dos pela escola, aTreinamento começa no primeiro pessoa cega esco-dia de vida lhida para ter um cão-guia não tem Para garantir uma ninhada nenhuma despesa.com bons cães-guias, são sepa- O cão é doado erados os sêmens dos animais que será exigida ape-tiverem excelência na guia. Uma nas a manutençãoseleção é feita entre os cães recém- do animal, que é a-nascidos. No primeiro dia de vida compra de raçõesé colocado um despertador pró- e vacinas. O Ins-ximo aos bichinhos, o cão que se tituto acompanha,assustar ou procurar pelo barulho pelo menos umaé descartado do treinamento, com vez por ano, paraa justificativa de que o guia precisa avaliar se o cão está sendo bem dicionada a isso.ser centrado e não pode se disper- tratado, com cuidados veterinários,sar em locais barulhentos. Após o 3º e é pedido um laudo médico que Segurança ao caminharmês de vida a escola envia os cães é traduzido para a língua inglesa.para famílias socializadoras, esses Esse procedimento é exigido para Diferentemente da benga-voluntários deverão treinar o cão por que, se caso um cão adoecer, seja la, que exige ao cego a identifica-um ano e meio, aproximadamente, identificado e tratado a doença ção de obstáculos através do to-para socializar o cão, apresentando para evitar que outros cães iguais que, o cão-guia é quem reconhecea ele os locais que futuramente fre- adoeçam também. Há situações o perigo. O único trabalho do guia-quentará, como por exemplo; shop- em que o cão pode perder a no- do é saber onde precisa chegar epings, cinemas, ônibus, metrô. Essa ção de guiar, e aí é necessário um passar os comandos curtos ao ani-família ensinará bons modos ao novo treinamento intensivo com o mal como, esquerda, direita, segue,cachorro alÀ

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