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A história do grêmio

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  1. 1. A história do Grêmio Foot-Ball Porto AlegrenseFonte: MEMORIAL Grêmio - História Resumida.As Origens O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense nasceu de uma bola de futebol, como deveria acontecer com um clube predestinado às maiores glórias. A trajetória vitoriosa começou com o paulista Cândido Dias da Silva, trabalhando há algum tempo em Porto Alegre e sua bola de futebol.Nessa época apareceu na capital gaúcha a equipe de futebol do Sport Clube Rio Grande. Os inglesese alemães que jogavam nos times de Rio Grande haviam sido convidados para umaexibição na cidade. No dia marcado, 7 de setembro de 1903, o campo da várzeaficou rodeado de curiosos. Cândido, com sua bola de baixo do braço, estava entreeles com a atenção redobrada. Em dado momento, a bola dos ingleses esvaziou-se,para desapontamento geral. Cândido, mais do que depressa, emprestou a sua,garantindo o final da demonstração. Em troca, ao final da partida, obteve dosjogadores as primeiras lições sobre futebol e, principalmente, deles ficou sabendocomo agir para fundar um clube. Foi então, em 15 de setembro de 1903, que trintae dois rapazes se reuniram no Salão Grau, restaurante de um hotel da rua 15 deNovembro, atual rua José Montaury, localizado onde estão agora os fundos daGaleria Chaves e deram início à história de um clube vencedor, disposto a superartodos os desafios. Carlos Luiz Böhrer foi eleito o primeiro Presidente, sem jamaisimaginar a projeção mundial que o recém-nascido clube um dia alcançaria.Os tempos do amadorismoNos primeiros anos o clube procurou alicerçar suas bases, primeiramente através daaquisição de um local próprio para jogos e treinos, a Baixada dos Moinhos deVento em 1904, depois com a incrementação esportiva com o Fuss Ball Club PortoAlegre também fundado em 15 de setembro de 1903 em disputa da antiga TaçaWanderpress valendo oficiosamente o título da cidade.Em 18/07/1909, o Grêmio jogou o primeiro clássico com seu tradicionaladversário, o Internacional e o resultado desta partida histórica foi umextraordinário 10x0 para o tricolor.
  2. 2. Em 1910, ajudou a criar a 1ª Liga de Clubes de Porto Alegre (a idéia partiu doGrêmio), para a realização dos campeonatos metropolitanos. Deste periododestaca-se o pentacampeonato citadino de 1911/12/13/14/15. Foi nesta década, queo clube começou a jogar contra equipes de outros estados e países com destaqueespecial para a vitória sobre a Seleção da Federação Desportiva Uruguaia por 2x1,em 17 de junho de 1916. Teve importante participação na criação da F.R.G.D.(hoje F.G.F.) em 1918, vindo a disputar o 1º estadual em 1919.Nos anos 20, além do pentacampeonato metropolitano de 1919/20/21/22/23 e do bide 1925/26, o Grêmio venceu os Estaduais em 1921/22 e 1926. Na década de 30, otricolor conquistou o tetracampeonato de Porto Alegre de 1930/31/32/33 e obicampeonato do Rio Grande do Sul de 1931/32, quando então, passou a ser maisconhecido ao derrotar o Atlético campeão paranaense por 7x2, o Santos campeãopaulista por 3x2, o Botafogo campeão carioca por 1x0, o Wanderers campeãouruguaio e do Rio da Prata por 2x1 e o Independiente, bicampeão argentino e doRio da Prata por 2x1. Estas vitórias associadas aos títulos estaduais emetropolitanos, em especial o título Farroupilha de Porto Alegreem 1935, criaram uma mística no clube da Baixada, que passou areceber o apelido de “derrubador de campeões”. De 1903 a 1935,o Grêmio contou com vários craques de destaque como: Kallfelz,Koch, Siebel, Jorge Black, Grunewald, Schuback, Mohrdieck,Sisson, Mostardeiro I, Mostardeiro II, Kuntz, Scalco, Assunpção,Lagarto, Luis Carvalho, Foguinho, Dario, Laci, Poroto, Nenê,Artigas, Heitor, Jorge PY, Adão, os irmãos Sardinha (Eurídes eEurípedes), Laxixa (que junto com Adão, foram os primeirosatletas afro-descendentes da história do clube) entre outros. Mas ogrande nome dessa época, foi o do lendário goleiro Eurico Lara, um símbolo da eraamadorista do futebol gaúcho e brasileiro.O início da era profissional e o impacto da internacionalização do futebolO amadorísmo correspondia a fase inicial do futebol e da criação dos clubesbrasileiros. De tradição elitista e européia, o amadorismo era uma forma dedistinção das elites com relação às camadas populares. Com a popularização dofutebol, aumentava nos clubes a participação de jogadores de origem humilde.Em 1929, ocorre a queda da bolsa de valores de Nova Iorque, provocando umagrande crise mundial em todos os setores da econômia, ocasionando o caos social.Estes acontecimentos tiveram refléxos no futebol, provocando a quebra de váriosclubes obrigando os demais a se readaptarem as novas condições conjunturais.Assim no começo dos anos 1930, o amadorismo foi colocado em xeque, quandovários atletas sul-americanos foram contratados por times europeus. A econômia daAmérica do Sul era nessa época baseada na agricultura e pecuária, ainda que, jáexistisse um ascendente surto industrial. No Brasil, os clubes viviam o que sedenominava por amadorismo marrom, isto é, não se adimitia o profissionalismooficialmente mas se fazia vistas grossas as gratificações pelo bom desempenho dosatletas das equipes. Por outro lado, o profissionalismo já era uma realidade naEuropa, e após as vitórias do Uruguai na Copa do Mundo de 1930 e nosCampeonatos Olímpicos de 1924 e 1928, os europeus passaram a alíciar os atletassul-americanos.Para evitar uma evasão ainda maior, foi oficializado o profissionalismo, primeirono Rio da Prata entre 1931 e 1932, depois no eixo Rio-São Paulo em 1933, aopasso que o novo governo brasileiro, que emergiu da revolução de 1930 (era
  3. 3. Vargas), enxergava a necessidade de se estabelecer uma política nacional deintegração e desenvolvimento socio-econônico (industrialização) com refléxios noplano cultural e esportivo do país, forçando no futebol um entendimento geral dasentidades esportivas visando a profissionalização.No Rio Grande do Sul o profissionalismo chegou inicialmente em 1937, através dacriação da Especializada um departamento profissional filiado à FederaçãoBrasileira de Futebol (FBF), que organizou um campeonato metropolitano emseparado ao da Federação Rio-Grandense de Desportos (atual Federação Gaúcha deFutebol) filiada à Confederação Brasileira de Desportos (CBD, atual CBF) até1939, quando um acordo pôs fim nas divergências entre as entidades futebolisticasdo estado e do país. Durante a vigência da Especializada o Grêmio sagrou-seTricampeão Metropolitano em 1937/38/39, mas não participou das finais doEstadual. Os anos 40 representaram um período de transição por conta daoficialização do profissionalismo no futebol em todo o pais a partir de 1941, com acriação do CND (Conselho Nacional de Desportos) e das conquistas tricolores noscampeonatos metropolitanos e dos Estaduais de 1946 e 1949. Contudo, foi em 14/05/1949, em meio ao processo de internacionalização do futebol, provocado em parte por causa do avanço tecnológico da aviação comercial do pós-guerra, que o Grêmio entra na história do futebol mundial ao bater o poderoso Nacional de Montevidéu, em pleno estádio Centenário por 3x1 (durante os festejos dos 50anos da equipe Uruguaia) e na vitoriosa excursão invicta à América Central no fimdaquele ano. Em 1953/54, o Grêmio realizou o que ficou conhecido como aconquista das “três Américas” com outra excursão internacional, agora peloMéxico (América do Norte), Ecuador e Colômbia (América do Sul).Estes acontecimentos, associados as novas exigências do profissionalismo noplaneta, aceleraram as mudanças internas no clube, que necessitava de um estádiomaior, não só para acomodar seus torcedores e para recepcionar grandes times dopaís e do exterior, mas também para adecuar-se a uma nova conjuntura esportiva.Nesssa transição do amadorismo para o profissionalismo, brilharam no Grêmiovários jogadores como: Joni, Touguinha, Clarel, Júlio Petersen, Sanguinetti, Hélio,Prego, Noronha, Toneli, Beresi, Geada, Hermes, Danton, Hugo, Ário, Gita, Balejo,Camacho, Bentevi entre tantos.A inauguração do Olímpico e os 12 em 13.Acompanhando o desenvolvimentismo industrial dos anos 50, o Brasil, setransformava de um país agrícula para uma nação em desenvolvimento em especialnos anos JK simbolizados pela inauguração de Brasília como nova capital do país ea chegada da industria automobilística, descentralizando o eixo de investimentosagora também para o interior. No futebol essa fase de integração nacional reflete-se, na conquista dos Mundiais da Suécia e Chile pelo Brasil em 1958, 1962 e nacriação da Taça Brasil de clubes de 1959 (atual campeonato brasileiro), paraescolher o representante do país na recêm criada Taça Libertadores da Américacuja primeira edição estava marcada para 1960. O clube gremista, atento a todasestas mudanças, procurou se adaptar o mais rápido possivel as novas conjunturasdo futebol mundial.
  4. 4. Em 1952, o Grêmio contatou Tesourinha, o primeiro atleta afro-descendentetricolor de destaque na era profissional e dois anos depois, em 1954, foi inauguradoo estádio Olímpico, que marcou o início de um período áureo, 12 campeonatos em13 disputados: o Pentacampeonato Gaúcho e Metropolitano de futebol profissionalde 1956/57/58/59/60 e o Heptacampeonato Gaúcho de 1962/63/64/65/66/67/68,tornanando-se o primeiro, no Rio Grande do Sul a obter este titulo .Foi participante da Taça Brasil em quase todosestes anos, tendo sido em três ocasiõessemifinalista (quando obteve o terceiro lugar) nosanos de 1959, 1963 e em 1967, bem como,posteriormente, da Taça de Prata – TorneioRoberto Gomes Pedrosa (Robertão) em 1967,quando, o tricolor foi um dos quatro finalistas eque serviu de modelo para o atual CampeonatoBrasileiro, instituido em 1971; Campeão Sul-Brasileiro invicto de 1962 (Taça da Legalidade); Campeão invicto da Copa Río deLa Plata de 1968 (Taça Confraternidad, primeiro titulo internacional oficial doGrêmio antes da Libertadores de 1983) e finalmente, as grandes excursões àEuropa de 1961 e 62, que tornaram o Grêmio mundialmente conhecido.Além das dessas participações, o Grêmio contribuiu com vários atletas na seleçãobrasileira principalmente nas conquistas do Brasil no Campeonato Pan-Americanode 1956 no México, na Taça O’Higgins no Chile em 1966 e no Vice-campeonatopan-americano na Costa Rica em 1960, quando o Rio Grande do Sul representou opaís nestas competições. Em 1970, com a convocação de Everaldo para a seleçãobrasileira, o Grêmio, mais uma vez contribuiu para uma grande conquista dofutebol nacional, o Tricampeonato Mundial no México. Por essa época gloriosapassaram vários craques como: Airton, Elton, Milton, Ênio Rodrigues, Juarez,Gessi, Vieira, Sérgio, Calvet, Joãozinho, Marino, Alberto, Arlindo, Aureo, Altemir,Sérgio Lopes, Cléo, Babá, Alcindo, Ortunho, Everaldo, Volmir, Espinosa entretantos outros.A era das grandes conquistas e o Campeonato Mundial Interclubes Nos anos 70, o Grêmio virou uma grande Sociedade, promoveu dois congressos de clubes tricolores da América do Sul em 1971, reeditou e conquistou, no mesmo ano, a antiga Taça do Atlântico de Clubes (Torneio Sul-Americano Tricolor) ao derrotar na sequência o Nacional (URU) por 2x1 e o River Plate (ARG) por 2x0, e reconquistou a hegemonia regional em 1977, 1979e 1980.Os anos 80, viram o clube passar por uma das fases mais vitoriosas de sua vidaesportiva, em paralelo com a redemocratização do país, que vivera 20 anos deregime militar (1964 a 1984), e as transformações político-econômicas ocorridascom o advento da globalização, que no futebol se refletiu na inflação dos saláriosdos jogadores bem como o aumento da publicidade nos esportes em todo mundo,tornando o futebol em especial, num grande negócio a ser gerênciado com umaltíssimo nível profissional, sendo a FIFA, a entidade mundial mais importanteneste segmento, congregando mais países filiados que a própria ONU. Depois da
  5. 5. reinauguração do Olímpico em 1980, o Grêmio foi Campeão Brasileiro em 1981;Vice-campeão nacional em 1982; Campeão da Taça Libertadores da América de1983, batendo ao Peñarol (URU) na soma dos dois jogos finais por 1x1 e 2x1 (nosdias 22 e 28/07); CAMPEÃO MUNDIAL INTERCLUBES (vitória na final sobre oHamburgo da Alemanha, campeão da Copa dos Campeões da Europa por 2x1 em11/12/1983); campeão da Copa Los Angeles (Taça Pan-Americana) ao derrotar oAmérica do México, campeão da Taça das Nações da América (empate em 2x2 evitória por 6x5 nos pênaltis em 13/12/1983); Hexacampeão Gaúcho de1985/86/87/88/89/90.O Grêmio ao derrotar o Sport Recife por 2x1 sagrou-se, campeão invicto da 1ªCopa do Brasil em 1989 e no ano seguinte, tornou-se Supercampeão Brasileiro de1990. O tricolor também venceu alguns dos mais prestigiados, torneiosinternacionais, dos quais destacan-se a Copa El Salvador del Mundo em ElSalvador e o Troféu Ciudad de Valladolid em 1981, o Troféu Palma de Mallorca de1985 (os dois ultimos na Espanha), a Copa Rotterdan na Holanda em 1985 e oBicampeonato da Copa Phillips em 1986/87 na Holanda e Suiça. Destacaram-senesse periodo grandes jogadores como: Ancheta, Tarciso, Iura, Oberdan, Eder,Tadeu Ricci, Renato, André Catimba, Paulo Cesar Lima, Mário Sérgio, Leão, DeLeón, Paulo Roberto, Paulo Isidóro, China, Edinho, César, Mazaropi, Baltazar,Osvaldo, Cuca, Valdo, Luis Eduardo, Paulo Egídio entre tantos.A era Felipão e as conquistas mais recentesDe 1991 para cá, o clube, apesar da passar por alguns momentos dificeis, retomouo caminho das vitórias, conquistando os Gauchões de 1993, 1995, 1996, 1999 e2001; a Copa do Brasil em 1994, 1997 e 2001; venceu a Copa Sul-Brasileira de1999 e, principalmente, em 1995, sob o comando técnico de Luis Felipe Scolari,quando então, conquistou o Bicampeonato da Taça Libertadores da América (3x1 e1x1 sobre o Atlético Nacional da Colômbia, nos dias 23 e 30/08/1995), a Copa Sanwa e o Vice-campeonato mundial ambos no Japão. Em 1996, o tricolor venceu a Recopa Sul- Americana (4x1 no Independiente da Argentina em Kobe no Japão); o Bicampeonato Brasileiro e no ano seguinte, conquistou na Espanha o Troféu Colombino. Mas foi em 26/11/2005, com a heróica conquista do Campeonato Brasileiro da Série B, que mais uma vez manifestou-se o espírito de indignação e a garra tricolor, ao superar todas asadversidades dentro e fora do campo, suplantando o Naútico de Recife por 1x0,com apenas sete jogadores, contra dez do adversário, numa reação jamais vista nahistória do futebol mundial.Em 2006, reconquistou o campeonato gaúcho, superando novamente o tradicionaladversário e em 2007, chegou ao bicampeonato após golear o Juventude por 4 x 1na final. Como anteriormente o Grêmio continuou a apresentar para sua torcida umverdadeiro desfile de atlétas do mais alto nivel com destaques para Pingo, Danrlei,Rivarola, Arce, Adilson, Arilson, Dinho, Carlos Miguel, Goiano, Paulo Nunes,Jardel, Roger, Emerson, Mauro Galvão, Zinho, Marcelinho Paraíba, Ronaldinho,João Antônio, Anderson Luis, Lucas, Galato, Tcheco, Carlos Eduardo entre outros.
  6. 6. Os esportes AmadoresNo futebol amador, o clube conquistou em 1974 o primeiro Campeonato BrasileiroInfantil, disputado em São Paulo. Em 1996 foi campeão do Internacional YouthSoccer, em Shizuoca no Japão. Em 2004, foi campeão da Copa Brasil Sub-17, emMacaé-RJ e, 2005, os juniores conquistaram o título de campeão invicto da 1ª Copada Amizade em Okayama, no Japão: os juvenis foram campeões sul-americanos(Taça Romeu Goulart Jaques – Copa Santiago) em 1995/96/97/98 e 2000, alêm deoutras conquistas importantes. Todavia, o esporte bretão não foi a única atividadeesportiva do clube. Apesar do futebol figurar como a principal prática desportiva, oGrêmio também se destacou em esportes ditos amadores, como o Tênis, que desde1912 passou a ser praticado, vindo a ser introduzido efetivamente em 1916 e queteve seu período áureo em 1926, quando se tornou Campeão da Cidade e doEstado. No Basquete, o tricolor também brilhou, vencendo os campeonatos daCidade e do Estado de 1934, 55 e 56. No Vôlei, o Grêmio foi vitorioso em váriosanos, destacando-se as seqüências de títulos de 1929 a 35 e de 1954 a 60(Heptacampeão nas duas ocasiões). No Ciclismo, foi vitorioso nos anos 50 e, noFutebol de Salão, viveu seu grande momento nos anos 70, quando foi bicampeãometropolitano em 1973/74 e campeão da Taça Vice-Governador do Estado em1976, para na década seguinte conquistar a primeira Copa Atlântico Sul de Futsalem 1987. O sucesso tricolor seguiu o mesmo caminho com o Remo e o Judô (quevem se destacando dos anos 1970 até os dias atuais).No entanto, foi com o Atletismo que o tricolor atingiu sua maior magnitude, com aconquista do Bicampeonato do Troféu Brasil em 1958/59 e doTriscedecacampeonato Gaúcho de 1956 a 1968. Merecem ser mencionados outrosesportes, como Tiro, Tênis de Mesa, Bolão, Columbofilia, Automobilismo, Xadrez,Pugilismo, Escotismo, Pesca, Bridge, Pólo, Futebol Feminino, Futebol de Botãoentre outros.Estrelas na camisa e na Bandeira do GrêmioEm reunião do Conselho Deliberativo do Grêmio FBPA, realizado em 23.04.1985,foi aprovada a proposição de inserir na camisa três estrelas, como símbolo dasmaiores conquistas do clube em similitude à tradicional premiação da escalaolímpica: OURO, para representar o Campeonato Mundial Interclubes de 1983;PRATA, para representar o titulo da Taça Libertadores da América; BRONZE,para assinalar a conquista do Campeonato Brasileiro. Na bandeira, o ConselhoDeliberativo em sessão solene de 29.06.1970, perpetuou oficialmente a figuralendária de Everaldo na história do clube, quando foi fixada no Pavilhão Tricoloruma estrela de ouro, assinalando definitiva e perenemente a contribuição do clube,através da participação deste atleta na conquista pelo Brasil do tricampeonatomundial de futebol em 1970.Calçada da FamaO Grêmio é primeiro clube brasileiro a criar uma “Calçada da Fama”, parahomenagear jogadores que se destacaram na história do clube, alem dos capitãesdas maiores conquistas do Grêmio. Esta escolha, foi feita pela primeira vez, em1996 com participação da Diretoria, Conselheiro Deliberativo e jornalistas. Apartirde 1999, a cada dois anos, ocorre uma nova seleção de nomes que deverão serincluídos na “Calçada da Fama Tricolor”, escolhidos pela Diretoria e pelo
  7. 7. Conselho Deliberativo. Até o momento os contemplados são os seguintes: Adilson, Airton, Alcindo, Altemir, Ancheta, Áureo, André Catimba, Baltazar, Calvet, China, De León, Dinho, Ênio Rodrigues, Edinho, Foguinho, Iura, Jardel, Jardel, Joãozinho, Juarez, Leão, Marino, Mauro Galvão, Mazaropi, Milton, Ortunho, Oberdan, Pingo, Renato, Sérgio Moacir, Tarciso, Espinosa , Zinho, Luiz Eduardo, Valdo e Sandro Goiano. Mascote e Patrimônio Hoje, este estádio ocupa 83 mil metros quadrados, com capacidade para 55 mil espectadores comodamente sentados, porém, já couberam 98 mil pessoas em uma época em que ainda não se observavam as atuais normas de segurança e com a colocação de cadeiras em todo o anel superior. Ainda completam o complexo do estádio, 45 camarotes de luxo, 26 cabinas de imprensa, estacionamento interno, piscinas, gramado suplementar, centro administrativo, quadro social, Memorial, lojas Grêmiomania. Além disso, a geografia patrimonial do Grêmio inclui uma sede em Eldorado do Sul, a poucos minutos de Porto Alegre e futuro Centro de Treinamento, já com vários campos de futebol, uma sede recreativa para sócios na Ilha Grande dos Marinheiros, o departamento de Remo e o Parque Cristal com 70 mil metros quadrados, onde funciona a Escolinha de Futebol, hoje com mais de 2000 alunos inscritos. O Ginásio David Gusmão, foi inaugurado em 17/11/1972, e até agosto de 1974, quando teve sua cobertura destruida por um vendaval, foi referencia esportiva, social e cultural da cidade, tanto nas atividades esportivas do clube quanto nos vários espetáculos que patrocinou como: Festival de Ginástica Olímpica, as olímpiadas militares, torneios de Tênis e shows de musica e patinação entre outros.Olímpico Monumental - A Casa do Grêmio
  8. 8. Nome Oficial: Estádio Olímpico Monumental.Endereço: Largo Patrono Fernando Kroeff nº 1 - CEP 90880-440 -Bairro Azenha - Porto Alegre/RS - Fone: (51) 3218-2000.Público Recorde: 98.421 (85.751 pagantes) - 26/04/81 Grêmio x PontePreta - Campeonato Brasileiro.Camarotes: 40 camarotes com 10 lugares cada. Cinco camarotes com20 lugares cada.Tribuna de Honra: 120 lugares especiaisSetores para Deficientes Físicos: Lugar para 28 cadeiras de rodas e 22acompanhantes.Salão Nobre do Conselho Deliberativo: auditório com 200 lugaresVestiários:Seis vestiários profissionais mais um vestiário de arbitragem. Cincocom saídas para o campo.Dimensões do Gramado: 68 x 105m - Tamanho oficial exigido pelaFifa.Grama: Bermuda Green (o clube também utiliza a RaygrassAmericana no inverno)Iluminação:Seis postes de iluminação.20 refletores de 1500 watts em cada poste.Imprensa:26 cabines duplas fixas mais 50 cabines provisórias.Duas salas de imprensaDuas salas para entrevistas coletivas.Estacionamento: 700 vagasInauguração: O Estádio Olímpico foi inaugurado no dia 19 desetembro de 1954 tendo completado seu cinqüentenário neste ano. Ojogo inaugural foi realizado entre Grêmio e Nacional de Montevideo,vitória gremista por 2 a 0. Os gols foram anotados pelo atacante Vitorque entrou para a história por ter marcado o primeiro gol do estádiogremista.Olímpico Monumental: Na metade do ano de 1980, o EstádioOlímpico teve sua construção concluída por completo com ofechamento da última parte do anel superior. Desde então, a casagremista passou a ser conhecida como Olímpico Monumental. Umaobra grandiosa erguida por uma torcida apaixonada. No dia 21 de junhode 1980, uma vitória de 1 a 0 sobre o Vasco da Gama em partidaamistosa, marcou a inauguração do Olímpico concluído.
  9. 9. Conheça os Principais Títulos do Grêmio CAMPEÃO DA CIDADE DE PORTO ALEGRE - 33 vezes (de 1904 até a sua extinção em 1964). anos:1904, 1905, 1906, 1907, 1909 (Taça Wanderpress), 1911, 1912, 1913, 1914, 1915 (Metropolitanos organizados pelas Ligas e Associações), 1919, 1920, 1921, 1922, 1923, 1925, 1926, 1930, 1931, 1932, 1933, 1935 (Metropolitanos classificatórios para o Estadual),1937,1938, 1939 (Especializada), 1946, 1949, 1956, 1957, 1958, 1959, 1960 e 1964 (Metropolitanos classificatórios para o estadual exceto 1964). CAMPEÃO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - 35 vezes (em 81 participações) anos: 1921, 1922, 1926, 1931, 1932, 1946, 1949, 1956, 1957, 1958, 1959, 1960, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1977, 1979, 1980, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1993, 1995, 1996, 1999, 2001, 2006 e 2007. CAMPEÃO DA 1ª COPA SUL-BRASILEIRA - 1999 - Vitória de 1 a 0 sobre o Paraná Clube, em Curitiba. CAMPEÃO SUL-BRASILEIRO / TAÇA LEGALIDADE - 1962 – Vitória de 2x1 sobre o Internacional, no Estádio dos Eucalíptos Bicampeão do Brasil 1981 - Vitória de 1 a 0 sobre o São Paulo, no Estádio do Morumbi (SP) 1996 - Vitória de 2 a 0 sobre a Portuguesa, no Estádio Olímpico Vice-campeão em 1982 Tetracampeão da Copa do Brasil 1989 - Vitória de 2 a 1 sobre o Sport Recife, no Estádio Olímpico 1994 - Vitória de 1 a 0 sobre o Ceará, no Estádio Olímpico 1997 - Empate em 2 a 2 com o Flamengo, no Estádio do Maracanã (RJ) 2001 - Vitória de 3 a 1 sobre o Corinthians, no Estádio do Morumbi (SP) Vice-campeão em 1991, 1993 e 1995 Supercampeão do Brasil
  10. 10. 1990 - Disputa entre o Campeão da Copa do Brasil contra o Campeão Brasileiro de 1989 (GRÊMIO x VASCO) - Vitória de 2 a 0 no Olímpico e empate de 0 a 0 no Estádio de São Januário (RJ) Bicampeão da Copa Libertadores da América 1983 - Vitória de 2 a 1 sobre o Peñarol do Uruguai, no Estádio Olímpico 1995 - Empate em 1 a 1 com o Atlético Nacional de Medellín, na Colômbia Vice-campeão em 1984 Vice-campeão em 2007 Campeão do Mundo 1983 - Vitória de 2 a 1 sobre o Hamburgo SV, da Alemanha, no Estádio Nacional de Tóquio/Japão Vice-campeão em 1995 Campeão da Recopa Sul-Americana 1996 - GRÊMIO - Campeão da Libertadores/95, 4x1 sobre o Independiente - Campeão da Supercopa/95. Título Mundialpor Márcio Neves da Silva As origens do mundial Capítulo 1
  11. 11. Henri DelaunayPrimeiro secretário geral da UEFA e secretário do Comitê de Regras de Jogo daFIFA, o francês Henri Delaunay talvez não pudesse dimensionar, no final dadécada de 50, a importância e a grandiosidade que teriam suas criações. Delaunayfoi o idealizador da Eurocopa e do Mundial Interclubes.Esta última competição tinha como objetivo determinar qual era o melhor clube domundo, pelo menos no que se refere aos continentes europeu e sul-americano, emum confronto direto entre eles. A Europa já tinha a Copa dos Campeões, mas aAmérica ainda não possuía sua competição interclubes que nasceu em 1960, sob ocomando da Confederação Sul-Americana de Futebol, antecessora daCONMEBOL. Em homenagem aos heróis da independência do continente, nasceua Copa Libertadores da América, que acabou viabilizando a realização doMundial.Falecido dois anos antes, Henri Delaunay não conseguiu acompanhar aconcretização do seu sonho na disputa da primeira edição do Mundial Interclubes,em 1960: Real Madrid da Espanha contra o Peñarol do Uruguai.A partir dos anos 50 - e especialmente desde os 70 - muitos talentos do futebol sul-americano cruzaram o Atlântico para ir jogar em times europeus, mais poderosos ericos. Talvez por isso os clubes sul-americanos passaram a dar mais importância àCopa Intercontinental do que seus adversários. Era uma oportunidade única paramostrar aos poderosos do Primeiro Mundo que os irmãos pobres da América do Sulpoderiam ser superiores, pelo menos no futebol.Os capitães de Peñarol e Real Madrid se cumprimentam antes do início dapartida, em 1960Real Madrid, da Espanha, e Peñarol, do Uruguai, disputaram a primeira final em1960. As decisões se transformavam em verdadeiras guerras, principalmentequando a segunda partida era disputada em solo americano. As equipes européiasfreqüentemente sofriam com a hostilidade das torcidas e com a agressividade dosjogadores dentro de campo.
  12. 12. Uma final especialmente traumática ocorreu em 1969, entre Estudiantes de La Plata(Argentina) e Milan (Itália), a qual resultou em várias expulsões de jogadoresargentinos. Com a desculpa de preservar a integridade dos atletas, somado à faltade incentivo financeiro, diversos campeões europeus desistiram de participar dadecisão do Mundial; em todos os casos, eles acabaram substituídos pelos vice-campeões.As edições de 1975 e 1978 não foram disputadas e a competição começou a correro risco de ser extinta até que a empresa japonesa Toyota decidiu patrocinar oevento, levando a decisão para o Japão e passando a disputa para um jogo único. Ainiciativa agradou aos clubes europeus, que nunca mais desistiram de participar.De 1960 a 1979, a Copa Intercontinental foi jogada em ida e volta. Entre 1960 e1968, foi decidida em pontos. Por causa deste formato, era necessário um terceiroencontro quando as equipes terminavam empatadas. De 1969 a 1979, a competiçãoadotou o método do gol qualificado com vantagem para quem marcasse fora decasa. Começando em 1980, a final transformou-se um jogo único.Até 2000, os jogos foram disputados no Estádio Nacional de Tóquio. A partir de2001, mudou para o Estádio Internacional de Yokohama, palco da final da Copa doMundo de 2002.Libertadores: o caminho para o JapãoCapítulo 2Em 1981, o Grêmio conquistou seu primeiro título do Campeonato Brasileiro, comum gol histórico de Baltazar contra o São Paulo, em pleno Morumbi. A vitóriagarantiu, também pela primeira vez, a presença do Clube na disputa pela TaçaLibertadores da América, maior competição entre clubes do continente americano.Zico segura a taça de campeão do Flamengo, depois da vitória sobre osingleses do LiverpoolNo mesmo ano, o Flamengo foi o primeiro time brasileiro a sagrar-se campeão docontinente americano e ir ao Japão disputar o Mundial com o Liverpool, daInglaterra. No dia 13 de dezembro, o time carioca venceu a disputa e levou a taçapara o Rio de Janeiro.A repercussão mundial da conquista flamenguista levou outros times brasileiros apensarem com mais carinho em investir em bons desempenhos na Libertadores. OGrêmio, no entanto, não soube aproveitar sua primeira participação no torneio e
  13. 13. acabou sendo eliminado ainda na primeira fase, em um grupo com DefensorSporting (URU), Peñarol (URU) e São Paulo. Na época, apenas o primeiro dogrupo seguia na competição.Segunda chanceNunes discute com o goleiro gremista Leão, durante a finalíssima de 1982O Grêmio disputou o Campeonato Brasileiro de 1982 com voracidade, naesperança de conquistar o bicampeonato. No entanto, o time perdeu a finalíssimacontra o Flamengo, de Nunes, e teve que se contentar com a classificação para aCopa Libertadores do ano seguinte, em sua segunda participação na competiçãocontinental.Já com alguma experiência internacional e com o comando do caudilho Hugo deLeón dentro do campo, o Grêmio vislumbrou na Libertadores a possibilidade dealcançar um título inédito para o Rio Grande do Sul. A equipe treinada por ValdirEspinosa soube se adequar perfeitamente às características de garra, força e entregaque normalmente têm aqueles times latino-americanos habituados a triunfaremneste tipo de torneio.A fórmula de disputa da Libertadores naquela época pode ser considerada muitomais difícil do que a de hoje em dia. Na primeira fase, em um grupo com quatroequipes, apenas o primeiro colocado passava para a fase semifinal. Esta fase, porsua vez, era disputada entre três equipes, com a campeã do grupo se classificandopara a final. Por fim, a decisão era disputada numa melhor de três, ou seja, se cadaequipe ganhasse um jogo, o campeão sairia em uma terceira partida jogada emcampo neutro, normalmente em um país fronteiriço.Com um planejamento organizado desde o final de 1982, o Grêmio montou umaequipe que mesclava juventude e experiência, técnica e garra. Sem espaço noFlamengo de Zico, o meia Tita foi contratado por empréstimo e se tornou uma dasprincipais figuras do time de Espinosa. Na defesa, De Leon era o xerife e, noataque, a experiência de Tarciso com a força e os dribles desconcertantes do jovemRenato. A fórmula ideal que levou o Tricolor à conquista do título.Primeira fase
  14. 14. Mazarópi foi um importante reforço para a fase semifinalNa primeira fase, o Grêmio enfrentou Bolívar e Blooming, respectivamentecampeão e vice-campeão da Bolívia, além do Flamengo, campeão brasileiro.Graças às duas vitórias em território boliviano, o Tricolor comemorou aclassificação para a fase semifinal com uma rodada de antecipação.Ainda invicto na competição, o Tricolor contou com um reforço importante para afase semifinal: o goleiro Geraldo Pereira de Matos Filho, ou Mazarópi, foicontratado junto ao Vasco da Gama onde havia conquistado o título carioca de1982. Sua experiência e a forma enérgica como participava das partidas serviucomo uma luva na equipe gremista. Remi, titular até então,mas que havia mostradoinsegurança em alguns jogos, teve que se contentar com a reserva.SemifinalO argentino Estudiantes de La Plata e o colombiano América de Cali foram osadversários do Grêmio na fase semifinal. Depois de vencer o Estudiantes noOlímpico por 2 a 1 na abertura da fase, o Grêmio conheceu sua primeira e únicaderrota na competição: 0 a 1 contra o América, em CaliNa partida de volta, o Grêmio deu o troco, vencendo por 2 a 1. Brilhou a estrela deMazarópi, que defendeu uma cobrança de pênalti na segunda etapa garantindo avitória.O empate com os argentinos do Estudiantes entrou para a história como aBatalha de La PlataNa última partida, a histórica “Batalha de La Plata”, Grêmio e Estudiantesficaram no 3 a 3. O Tricolor vencia por 3 a 1 mas os donos da casa chegaram aoempate mesmo com quatro jogadores expulsos. Uma verdadeira guerra, ondejogadores, dirigentes e torcedores gremistas sofreram com a hostilidade dosagressivos argentinos presentes no acanhado estádio de La Plata.
  15. 15. Com este resultado, o Estudiantes enfrentou o eliminado América, em Cali,precisando de uma vitória para garantir a vaga na final. Na iminência de ficar defora da decisão, o então presidente gremista, Fábio Koff, utilizou todo seu prestígiojunto aos dirigentes do clube colombiano para garantir a mobilização necessáriados jogadores dentro de campo.Deu certo, um empate sem gols garantiu o Grêmio na grande decisão daLibertadores contra o tradicionalíssimo Peñarol do Uruguai, que defendia o títulode campeão do torneio e campeão mundial interclubes.FinalSempre seguro de si e defensor da teoria de que fazer o primeiro jogo em casa émelhor, a diretoria do Peñarol dispensou o sorteio que definiria o mando de campopara a final preferindo que o segundo jogo fosse realizado em Porto Alegre. Odesejo dos uruguaios veio ao encontro do que queria a diretoria gremista.No dia 22 de julho, em Montevidéu, as duas equipes entraram no gramado de ummístico Estádio Centenário lotado para dar início à decisão da 24º edição daLibertadores. O Peñarol, querendo fazer escore, e o Grêmio tentando segurar oímpeto charrua.Tita escora escanteio de Tarciso e faz o primeiro gol do GrêmioLogo no início, o meia Tita abriu o marcador para o Tricolor depois de escanteiocobrado por Tarciso da esquerda. Grêmio 1 a 0. Na base da raça, o Peñarol chegouao empate ainda na primeira etapa com Fernando Morena.A pressão dos uruguaios em busca da vitória durou até o final mas o Grêmio foiguerreiro e conseguiu assegurar um empate maiúsculo em território inimigo,bastante comemorado por todos os gremistas. Bastava agora uma vitória simples noOlímpico para que o título não saísse de Porto Alegre. O sonho de Tóquio estavacada vez mais próximo.Porto Alegre parou no dia 28 de julho de 1983 e voltou as atenções para o EstádioOlímpico onde, à noite, Grêmio e Peñarol faziam o segundo jogo da final da CopaLibertadores. Quem vencesse garantiria o título. Um novo empate levaria a decisãopara um terceiro jogo em campo neutro na cidade de Buenos Aires.Desde o início, o Tricolor transformou o gigantesco apoio de sua torcida emsuperioridade dentro de campo. O primeiro gol não demorou a sair: Osvaldo entrou
  16. 16. pela esquerda e chutou cruzado. A bola passaria na frente do gol mas Caioapareceu e empurrou para as redesAtrás no marcador, os uruguaios não mediram esforços para chegar ao empate e,apesar de grande atuação do setor defensivo gremista, marcaram no início da etapafinal. Fernando Morena, de cabeça depois de cobrança de falta da direita, fez 1 a 1.Também de cabeça, o atacante César sela o resultado: Grêmio campeão daAméricaO gol abalou a equipe gremista que demorou um pouco até colocar a cabeça nolugar e voltar a fazer prevalecer sua superioridade. Aos 32 minutos, Renato recebeuao lado da área, pela direita, e cruzou. O atacante César, que havia entrado nolugar de Caio, mergulhou de cabeça e marcou o gol da vitória gremista. Loucura noEstádio Olímpico!O único vermelho de destaque em Porto Alegre, nos dias seguintes, era o solnascente representado na bandeira do Japão. O Grêmio estava garantido em Tóquiopara enfrentar o Hamburgo na decisão do Mundial Interclubes de 1983.Como o Hamburgo chegou a TóquioCapítulo 3Felix Magath, autor do gol da vitória, levanta a taça de campeão da EuropaCom uma grande torcida, mas com pouca tradição no futebol, o Hamburg Sport-Verein, da cidade de Hamburgo, ainda podia ser considerado um clube emergentedentro da Europa. Fundado em 1887 (o clube mais antigo da Alemanha), nasegunda maior cidade do país, possuía apenas seis títulos nacionais no currículo, oúltimo deles exatamente em 1982, quando garantiu vaga na Copa dos Campeões doano seguinte.Neste ano, foi vice-campeão da Copa da Uefa, perdendo para o Gotemborg, daSuécia. Em 1968 perdeu para o Milan a Recopa européia, chegando ao título em1977, ao bater o Anderlecht belga.
  17. 17. Ao contrário do que todos esperavam, o time alemão foi a grande zebra da maisimportante competição européia da temporada 82/83, deixando pelo caminhoadversários sem muita tradição. Talvez por isso tenham triunfado. Naquela época, afórmula de disputa era diferente da atual, com confrontos eliminatórios de ida evolta que lembram a nossa Copa do Brasil.Na grande decisão, realizada no dia 25 de maio de 1983, no Estádio Olímpico deAtenas, na Grécia, o Hamburgo bateu por 1 a 0 a poderosa Juventus da Itália, deMichel Platini e base da seleção italiana campeã mundial no ano anterior. O gol foimarcado aos 9 minutos por Felix Magath (na foto levantando a taça do título), aprincipal estrela da equipe.O Hamburgo, treinado pelo austríaco Ernst Happel, jogou com Stein; Kaltz,Jakobs, Hieronymus e Wehmeyer; Groh, Rolff, Bastrup (Heesen) e Magath;Milewski e Hrubesch. A Juventus, do técnico Giovanni Trapattoni, atuou com Zoff;Gentile, Brio, Scirea e Cabrini; Bonini, Platini, Tardelli e Boniek; Bettega e PaoloRossi (Marocchino).Confira abaixo como foi a campanha do Hamburgo na Copa dos Campeões, quegarantiu a presença do clube em Tóquio para enfrentar o Grêmio: Data Local Partida Primeira fase 15/09/82 Berlim/ALE Dynamo 1 x 1 Hamburgo 29/09/82 Hamburgo Hamburgo 2 x 0 Dynamo Oitavas-de-final Hamburgo 1 x 0 20/10/82 Hamburgo Olympiakos Olympiakos 0 x 4 03/11/82 Pireus/GRE Hamburgo Quartas-de-final Dinamo Kiev 0 x 3 02/03/83 Tbilisi/GEO* Hamburgo Hamburgo 1 x 2 Dinamo 16/03/83 Hamburgo Kiev Semi-final San Real Sociedad 1 x 1 06/04/83 Sebastian/ESP Hamburgo Hamburgo 2 x 1 Real 20/04/83 Hamburgo Sociedad Final 25/05/83 Atenas/GRE Hamburgo 1 x 0 Juventus*Mesmo sendo de Kiev, o Dinamo mandou seu jogo em Tbilisi, atual GeorgiaOperação Tóquio: 136 dias de preparaçãoCapítulo 4
  18. 18. Desde a conquista da Libertadores, no dia 28 de julho, até a final do Mundial, nodia 11 de dezembro, o Grêmio teria exatos 136 dias para se preparar. Foi umaverdadeira maratona, com 40 jogos neste período, mesclando a equipe titular e areserva.Equipe titular que havia sofrido uma baixa importante. Nem mesmo a vagaassegurada na grande decisão de Tóquio foi suficiente para que o meia Titadesistisse da idéia de retornar ao Flamengo após a conquista da Libertadores.Eterno reserva de Zico no time da Gávea antes de ser emprestado ao Grêmio,Milton Queirós da Paixão, o “Tita”, viu na venda do Galinho de Quintino para aUdinese da Itália a grande chance de assumir a camisa 10 do rubro-negro carioca,um antigo sonho. A vontade do jogador aliada à pressão do Flamengo por seuretorno tornou impossível manter o atleta no Olímpico.Mário Sérgio e Paulo César Caju, as novas armas do Grêmio para a decisãoem TóquioCom a iminente perda de um dos seus principais jogadores na campanha daLibertadores, o Grêmio tratou de buscar um substituto a altura. Acabou trazendonão apenas um, mas dois substitutos: os experientes Mário Sérgio e Paulo CésarCaju. Este último já havia atuado pelo Tricolor em 1979, vencendo o Estadual.Mário Sérgio atuava pela Ponte Preta, e Paulo César foi trazido do Aix emProvence, equipe do futebol francês. Estavam aí os dois reforços visando a final deTóquio que fizeram a torcida esquecer Tita.ToquiomaniaApós a conquista da Libertadores, a palavra “Tóquio” passou a fazer parte docotidiano dos gremistas, e a conquista do Mundial, no final do ano, virou umaverdadeira obsessão. Não só para os dirigentes e jogadores do Tricolor mas,principalmente, para a torcida.Torcedores começaram a se mobilizar para fazerem parte deste momentoinesquecível em solo japonês. Muitos trataram de vender bens pessoais para juntaros quase 3 milhões de cruzeiros (3 mil dólares) em um pacote de sete dias e vôocharter oferecido por diversas empresas de turismo da capital gaúcha.Quem não tinha condições, tratava de se associar ao clube na esperança de sersorteado com uma das 80 passagens oferecidas em uma promoção de marketingorganizada pelo Grêmio com o objetivo de chegar aos 80 mil sócios no ano em quecompletava 80 anos.
  19. 19. O Sol nascente da enorme bandeira japonesa começou a chamar atenção entreo azul da Super Raça GremistaNos jogos disputados após a conquista da América, uma gigantesca bandeira doJapão destoava das demais no meio da torcida organizada Super Raça Gremista.As coisas do Japão passaram a significar símbolo de status entre a coletividadegremista. O consulado japonês em Porto Alegre, normalmente absorto em suatranqüilidade habitual, passou a receber diariamente a visita de dezenas detorcedores em busca de informações sobre o país do sol nascente. Sair de lá comum simples panfleto já era suficiente. Até mesmo o restaurante Sakae´s, na época oúnico de culinária nipônica do estado, dobrou o número de clientes.Tudo graças à “Toquiomania” que tomou conta dos gremistas. Um envolvimentoemocional impressionante visando a decisão do Mundial. Algo jamais visto nahistória do Clube. Estava criado um quadro de otimismo e motivação que, somadoà indiferença dos alemães do Hamburgo, trazia a certeza da vitória.Operação TóquioEm meio à disputa do Campeonato Estadual, a direção gremista resolveu instalar a“Operação Tóquio”, dando completa atenção à partida com o Hamburgo.Inevitavelmente, a competição estadual passou a ter um grau de importância bemmenor do que o habitual e o clube optou por utilizar uma equipe reserva na fasedecisiva da competição. A decisão acabou alijando com as possibilidades doTricolor de retomar a hegemonia estadual e o clube ficou na terceira colocação,atrás de Inter e Brasil de Pelotas.Para fugir do clima de euforia da capital, o Grêmio se refugiou na cidade deGramado, na Serra gaúchaEntre as ações da direção gremista, houve um esquema de acompanhamento afundo da equipe alemã, com o apoio da imprensa gaúcha e de gremistas radicadosna Alemanha e uma excursão pela América Central. Com a proximidade da viagempara Tóquio, a diretoria gremista decidiu afastar o grupo da euforia que tomava
  20. 20. conta dos torcedores gremistas em Porto Alegre e concentrou a delegação na cidadede Gramado, na Serra Gaúcha. Longe da agitação, o grupo trabalhou forte sob ocomando do preparador físico Ithon Fritzen.Osvaldo, lesionado, era uma das dúvidas para TóquioEm um dos trabalhos, Mário Sérgio sofreu uma lesão na região glútea após umaqueda e passou a ser dúvida. Além da lesão, o jogador acabou atingido por umaséria infecção intestinal responsável por uma debilitação física. Outro problemaera Osvaldo, sentindo dores na coxa.Após o período em Gramado, o Grêmio desceu a serra para um últimocompromisso antes do início da viagem marcada para a tarde de segunda-feira. Nosábado, a equipe reserva havia sido derrotada pelo Brasil de Pelotas, no BentoFreitas, dando adeus ao campeonato gaúcho, e no domingo, no Olímpico, em umamistoso de despedida, o time principal acabou derrotado pelo Novo Hamburgopelo placar de 1 a 0.O resultado não abalou a confiança da torcida gremista que prometeu lotar oaeroporto Salgado Filho antes do embarque.O papel da imprensa na decisãoCapítulo 5Com a grande mobilização no Estado e o interesse da torcida gremista em conhecerum pouco mais sobre o Japão e o inimigo do dia 11 de dezembro, a imprensagaúcha teve papel importante no sentido de traze para o torcedor dados minuciosossobre o País do Sol Nascente e sobre a equipe alemãRádio Gaúcha e Rádio Guaíba, as duas principais emissoras do Estado na época,destinaram correspondentes para acompanhar de perto o dia-a-dia do Hamburgo àsvésperas de decisão. No dia 07 de dezembro, as duas emissoras transmitiram aovivo a derrota do Hamburgo, em casa, por 2 a 0, contra o Stuttgart pelo campeonatoalemão. Foi o último jogo antes do embarque da delegação rumo à Tóquio.Como não poderia deixar de ser, a repercussão foi muito grande entre acoletividade gremista que acompanhou atentamente o relato de como jogava o
  21. 21. inimigo do Grêmio. Por estes e outros acontecimentos, a imprensa esportiva do RioGrande do Sul é a melhor do país e uma das melhores do mundo.Belmonte, repórter em TóquioCapítulo 6A Caldas Júnior, empresa responsável pela rádio e TV Guaíba e pelo jornal Correiodo Povo, decidiu se antecipar aos fatos e enviou um repórter ao Japão 4 mesesantes da grande final. Em agosto, o jornalista João Carlos Belmonte, atualmentena Bandeirantes de Porto Alegre, desembarcava em Tóquio com a missão de levaraos gaúchos um pouco da cultura japonesa e da expectativa do povo local pelapartida.Belmonte conversou com Grêmio.Net e contou como foi esta verdadeira aventura.Belmonte: Realmente foi uma aventura, chegar em um país desconhecido. Nãotínhamos a mínima idéia do que iríamos encontrar, era uma novidade para todomundo, tanto para nós quando para o torcedor do Grêmio que queria saber de tudo.Passei quase um mês como correspondente da Caldas Júnior com a missão deenviar ao Brasil reportagens diárias, que eram publicadas no Correio do Povo.Além disso, fizemos um acordo com uma TV japonesa e colhemos mais de 3 horasde imagens que posteriormente viraram um programa de uma hora e meia,apresentado na TV Guaíba, falando sobre a cidade, os costumes, o EstádioNacional, o hotel do Grêmio, etc. O sucesso foi tão grande que a Guaíba teve quereapresentar a pedido dos torcedores gremistas.Grêmio.Net: E como foi este intercâmbio com os japoneses?Belmonte: Os japoneses também tinham muita curiosidade sobre nós. Quem eramaqueles habitantes do Cone Sul que viriam jogar em Tóquio? Levei váriospresentes pra eles, como camisa do Grêmio, bandeiras, discos... Os japonesesadoram presentes.Entramos em um acordo para que eles nos ajudassem com a gravação de matériassobre Tóquio e, em troca, eles viriam a Porto Alegre e nós ajudaríamos commatérias sobre nossa cidade.Fiz uma recepção em minha casa, com um churrasco assado pelo Érico Sauer.Eram jornalistas de uma TV contratados pela Toyota, patrocinadora do jogo.Ficaram espantados com o tamanho do meu pátio e com a quantidade de carne quecomemos (risos). A Caldas Júnior conseguiu hospedagem de graça no Hotel
  22. 22. Everest. Lá em Tóquio, em troca, ficamos de graça no mesmo hotel da delegaçãogremista.Grêmio.Net: Como foi a preparação da emissora para a transmissão do jogo?Belmonte: Cheguei uma semana antes para preparar os detalhes da transmissão.Alugamos, em segredo, um satélite 24 horas para a transmissão da partida pelaRádio Gaúcha. Em troca da assistência técnica, liberamos o nosso áudio, com anarração do Armindo Ranzolin, para que fosse reproduzido pela TV japonesa.Grêmio.Net: Então o Japão acompanhou o jogo com a narração em português?Belmonte: Exatamente. Provavelmente algum japonês deveria falar alguma coisaem cima da voz do Ranzolin, mas a transmissão foi em português. Curioso é que aTV japonesa não estava acostumada a transmitir futebol e colocou no ar só os 90minutos. Deixaram a prorrogação de lado. Isso sem falar que colocavampropagandas no meio do jogo (risos). Tenho um conhecido que, lá no Japão,comprou um DVD deste jogo com a narração da Guaíba.Grêmio.Net: Qual a importância de uma experiência como esta para um jornalista?Belmonte: É uma experiência fantástica. Entra para o currículo. Tanto é quesempre que apresento meu currículo, além de destacar as sete copas do mundo deque participei, destaco também essa conquista do Grêmio. Foi uma coisainesquecível.Banha, massagista do MundialCapítulo 7Alvaci Silva de Almeida, conhecido no meio futebolístico como “Banha”, épresença constante nos pôsteres das principais conquistas da história do Grêmio.No Clube desde 1964, quando tinha 21 anos, Banha era o responsável pelorelaxamento muscular dos atletas. Por motivos de saúde abandonou a função nofinal da década de 90.Conversando com os amigos nas dependências do Olímpico, Banha atendeuo Grêmio.Net para falar um pouco sobre a histórica conquista de 1983.Grêmio.Net: Qual o momento mais marcante daquele conquista no Japão?Banha: Foi quando o juiz apitou o final de jogo e a festa começou no estádio.Depois continuou no ônibus, no hotel. Tudo com muito champanhe.
  23. 23. Grêmio.Net: Você conheceu quase o mundo todo com o Grêmio mas uma viagemtão longa e cansativa como esta foi a primeira vez. Como foi o vôo até Tóquio?Banha: Foi tranqüilo. Conversamos bastante, jogamos carta, tomamos chimarrão.Na época eu pesava 143 Kg e o pessoal caiu na minha cabeça porque eu nãoconseguia fechar o cinto de segurança. A aeromoça teve que trazer outro pedaço decinto para poder fechar. Era complicado ir ao banheiro também. Muito apertado(risos).Grêmio.Net: Você já foi quatro vezes com o Grêmio ao Japão mas em 1983 era aprimeira vez. Como foi esse primeiro contato com tão diferente cultura?Banha: Parecia que eu estava em outro mundo. Era completamente diferente doque eu estava acostumado. Uma tecnologia muito desenvolvida. Para atravessar arua, havia um aparelho sonoro para ajudar os cegos a atravessarem. Impressionante.Grêmio.Net: Houve alguma dificuldade de comunicação no dia-a-dia com osjaponeses?Banha: Não. Nenhum. O Grêmio pensou em tudo e, no hotel, haviam quatro oucinco intérpretes à disposição da delegação. Se a gente queria sair pra fazercompras, sempre éramos acompanhados por um deles. Fiquei responsável por fazerfeijão para os jogadores e até mesmo na cozinha havia um intérprete pra me ajudar.Grêmio.Net: Como foi a expectativa antes da partida?Banha: Uma ansiedade muito grande. Trabalhei direto com o Osvaldo. Ele viajousentindo dores e fizemos um tratamento intensivo. De manhã, de tarde e de noite.Só na véspera da partida que ele acordou sem dor e acabou sendo uma das grandesfiguras da conquista.Grêmio.Net: No momento em que o Hamburgo empatou o jogo, você estavaatendendo o Renato, com câimbras, na beira do gramado. Como foi aquelemomento?Banha: Quando o Hamburgo fez o gol, nós gelamos. O Renato se levantourapidamente e voltou para o campo dizendo “vamos ganhar, vamos ganhar”.Graças a Deus ele conseguiu fazer o segundo gol na prorrogação. A equipe jáestava cansada física e mentalmente e o gol veio na hora certa.Grêmio.Net: Você ainda mantém contato com o pessoal daquela época?Banha: Claro. Tenho contato com o Hélio (roupeiro), meu companheiro de Grêmiopor 40 anos. O Tarciso, o Paulo Roberto. Até mesmo com o De Leon, na época emque ele estava treinando o Clube. Todos que andam pela área a gente encontra epára para bater um papo.Valdir Espinosa, aposta vitoriosa
  24. 24. Capítulo 8Valdir Ataualpa Ramirez Espinosa. Hoje em dia, o nome de um técnicoconsagrado dentro do futebol brasileiro. Em 1983, com apenas 36 anos de idade,um profissional em início de carreira em busca de oportunidade para mostrar suacompetência.A oportunidade foi dada pelo Grêmio de Fábio Koff que, com sua visão futurista,acreditou nas potencialidades daquele jovem treinador que, anos antes, haviadefendido o Grêmio como jogador. Com aval da direção, Espinosa assumiu noinício do ano, durante a pré-temporada em Gramado. Começava ali um dostrabalhos de maior sucesso de um treinador no comando do Clube.Por telefone, direto de Fortaleza, Espinosa atendeu a reportagem de Grêmio.Net efalou sobre aquele inesquecível momento em Tóquio.Grêmio.Net: Quando você assumiu o Grêmio, tinha alguma idéia de que poderiachegar até onde chegou conquistando o Mundial Interclubes?Espinosa: Eu tenho muito medo de avião e lembro que no dia da minhaapresentação, em Gramado, falei para os jogadores no vestiário: “Façam umasacanagem comigo. Me levem a Tóquio no fim do ano”. Não sei se eles tinhamessa real idéia mas a verdade é que chegamos lá.Grêmio.Net: Mas quando você foi contratado, a direção gremista já tinha esseobjetivo de chegar ao Japão no final do ano?Espinosa: Sim. Quando fui contratado, junto com outros companheiros, o FábioKoff foi bem claro e disse: “Estes são os contratados e nós temos um título mundialpara disputar no final do ano”.Grêmio.Net: Qual a importância desta conquista para sua carreira que estavacomeçando?Espinosa: Se até hoje são poucos os clubes que chegaram a esta conquista noBrasil, também são poucos os treinadores. Valoriza muito o currículo de qualquerprofissional. Ele fica muito mais forte. E a importância aumenta quando vocêconquista um título desta grandeza defendendo o time que você torce.
  25. 25. Grêmio.Net: Como foi a preparação com relação ao Hamburgo? Como foi feitopara tomar informações sobre o adversário?Espinosa: Naquela época não tínhamos a facilidade que temos hoje em dia.Conseguimos apenas uma fita com a gravação de um jogo do Hamburgo trazida daAlemanha por um comandante da Varig que era gremista. Eu e o Ithon Fritzenfomos para Hamburgo ver uma partida contra o Werder Bremen. Oacompanhamento da imprensa gaúcha também foi importante. Houve umacumplicidade muito grande por parte de todo mundo. Não era só o Grêmio queestava em jogo, era o futebol brasileiro.Grêmio.Net: Qual a principal lembrança que você tem daquela conquista?Espinosa: São duas lembranças: antes do início da prorrogação, o De Leon, que erao capitão, chegou pra mim e disse: “Fica tranqüilo. Lá na área ninguém mais vaicabecear”.Ouvindo isso, o Renato chegou pra mim e falou: “Se lá atrás a defesagarante, pode deixar que lá na frente eu vou arrebentar”.Grêmio.Net: Qual foi o momento mais difícil?Espinosa: O gol do Hamburgo. O jogo já estava no final e isso levaria a decisãopara uma prorrogação. Mas depois do que escutei do De Leon e do Renato nãoperdi a confiança.Grêmio.Net: Quando você teve a certeza de que o título seria nosso?Espinosa: A gente sempre acreditou. O grupo era extraordinário. Com uma grandequalidade técnica, força e determinação. Talvez uma das maiores equipes que oGrêmio já teve em sua história. Nós não fomos para Tóquio para apenas disputarum jogo, fomos para buscar o título.Grêmio.Net: Como era sua relação com os atletas?Espinosa: Havia uma amizade muito grande e muito respeito. Evidente que aexperiência não é a mesma que tenho hoje mas sempre houve muito respeito. Tantopor parte dos jogadores quanto por parte do Koff, dos médicos, do Verardi. Haviauma cumplicidade muito grande e uma entrega por parte de todos.Grêmio.Net: Você tem alguma história curiosa vivida neste período no Japão quepossa ser relembrada?Espinosa: Logo após o final do jogo, eu, o De Leon e o Renato, que havia sidoeleito o melhor em campo, permanecemos no estádio para a entrevista coletivaenquanto o resto do grupo ia para o hotel. Quando chegamos de volta ao hotel,chamei todos os jogadores para o meu quarto e pedi três champanhas paracomemorar. Quando o japonês trouxe a conta eu me apavorei. Não tinha comopagar. Chamei o Koff e disse: “Presidente, assina essa conta aqui pra mim”. Eledisse: “Tá bom. Deixa comigo”. (Risos) Isso que foram só três champanhas.Imagina se tivesse pedido mais?Renato, o nome da decisão
  26. 26. Capítulo 9Jovem. Impetuoso. Ousado. Vencedor. Os adjetivos caracterizam RenatoPortaluppi, a principal figura do Grêmio na conquista do Mundial Interclubes de1983. Com sua técnica, força e habilidade, deixou de queixo caído alemães ejaponeses que ainda não conheciam suas arrancadas e seus dribles desconcertantespela ponta direita.Se aproveitando deste fator surpresa, Renato deitou e rolou em cima dostruculentos zagueiros do Hamburgo e marcou os dois gols da vitória gremista. Omenino que trabalhava como padeiro deixou a pequena cidade de Bento Gonçalves,na serra gaúcha, para se perpetuar na história como o jogador mais importante quejá vestiu o manto tricolor.Por telefone, Grêmio.Net conversou com Renato e relembrou os principaismomentos daquela conquista inesquecível.Grêmio.Net: Qual a principal lembrança que você tem daquela conquista noJapão?Renato: Sem dúvida foram os dois gols que eu fiz. Foi uma emoção muito grandever a alegria de todo mundo. É até difícil descrever e destacar um momento emespecial.Grêmio.Net: Em qual momento do jogo que você sentiu que o Grêmio ganharia otítulo?
  27. 27. Renato: Foi no fim dos 90 minutos. Eu estava com câimbras, o China estava com otornozelo inchado, tinha mais alguém que estava sentindo também. Mesmo assim, agalera tava afim de voltar para o jogo e voltar com tudo. Ali senti que levaríamos otítulo.Grêmio.Net: Quando o Hamburgo chegou ao empate, no final de jogo, você estavacom câimbras fora de campo. O que você sentiu naquele momento? Chegou atemer que a vitória poderia escapar até porque o grupo estava sentindo bastante noaspecto físico?Renato: Foi um momento complicado. Cheguei a temer se eu não voltasse para ogramado. Felizmente o Banha (massagista) fez uma massagem esperta e me deixouna boa.Grêmio.Net: Você foi escolhido o melhor em campo e recebeu um carro daToyota. O que foi feito com o carro?Renato: Havíamos combinado que se alguém ganhasse o carro, pegaria o valor emdinheiro e dividiria com o resto do grupo ou ficaria com o carro tirando o dinheirodo bolso para dividir com o pessoal. Eu optei pela primeira: peguei o dinheiro edividi com o grupo.Grêmio.Net: Você tem alguma história particular vivenciada durante esta estadano Japão que possa dividir com o pessoal do site?Renato: Foi um período muito legal. Os japoneses são gente finíssima e nóssacaneávamos eles direto. Mas me lembro de uma história em particular: na manhãde domingo, dia do jogo, antes da saída para o estádio, um dos intérpretesfornecidos pela Toyota tentou reunir o Espinosa e o treinador do Hamburgo (ErnstHappel) para uma foto no saguão do hotel. O técnico deles recusou o convitedizendo que não conhecia ninguém do Grêmio e que estava com pressa de sair parao estádio para ganhar o título e ir embora pra casa. Isso me irritou demais. Depoisque eu fiz o segundo gol, corri para frente dele e gritei: “agora você conhece oGrêmio”. O interprete estava ao lado e traduziu na hora.Fábio Koff, o presidente do MundialCapítulo 10
  28. 28. Neste trabalho de pesquisa, com relatos emocionantes e exclusivos de quemvivenciou aquela decisão de Tóquio, não poderia faltar a participação de uma daspessoas mais importantes e decisivas. Fábio André Koff iniciou 1983 projetando ofinal do ano com a conquista do Mundial. Pouca gente acreditava, mas Koff fezprevalecer suas convicções e concretizou seu sonho maior de voltar ao Brasilcarregando a taça de campeão mundial.Pelo telefone, Koff atendeu a reportagem de Grêmio.Net para compartilhar comtodos os gremistas um pouco desta experiência inesquecível.Grêmio.Net: Quando o senhor acreditou que o Grêmio seria campeão do mundo?Koff: No primeiro ano como presidente, em 1982, o Grêmio vinha de um vice-campeonato brasileiro e de uma Libertadores com resultados ruins. No fim do anoaceitei a reeleição porque eu tinha uma premonição, ou um palpite, de que seríamoscampeões do mundo. E não disse isso brincando. Eu estava apostando tudo nisso.(pausa) Também não é difícil ter premonição desse tipo com um jogador como oRenato no time (risos). Aceitei a reeleição e tivemos tempo e tranqüilidade paramontarmos uma equipe com características de um time valente para a disputa deuma Libertadores e de um Mundial. Tudo com critério e convicção.Grêmio.Net: A contratação do Espinosa no início de 1983 também fez parte destaconvicção?Koff: Fez. No final de 1982 o Ênio Andrade decidiu por sair do Grêmio dizendoque seu ciclo já havia terminado. Foi então que, juntamente com o Alberto Galia,decidimos apostar no Espinosa para comandar um projeto que terminaria, dentro danossa expectativa, em dezembro, em Tóquio. Jamais deixamos de acreditar nisso.O curioso é que, dez anos depois, assumi o Grêmio outra vez com essa mesmaconvicção, esse mesmo palpite, e acabamos voltando a Tóquio em 1995.Grêmio.Net: Como foi a preparação do grupo para aquele jogo de Tóquio?Koff: Depois da conquista da Libertadores, ficamos focados apenas nesse jogo.Mandei o Espinosa e o Ithon para a Alemanha onde eles acompanharam jogos doHamburgo. Na época, tínhamos muito pouco material então achamos importanteacompanhar de perto. O Espinosa é muito inteligente e pensou muito bem o jogo.Grêmio.Net: O que vocês conheciam do Hamburgo?Koff: Tudo que eu conhecia era pela literatura e algumas informações queconseguíamos através de amigos. Depois o Espinosa foi lá ver. Ele sempre estevebem informado além de ser um estudioso.
  29. 29. Koff exibe a taça do Mundial ao chegar no aeroporto, em Porto AlegreGrêmio.Net: Qual foi o momento daquele jogo em que o senhor teve a certeza dotítulo?Koff: Só fui ter certeza depois do segundo gol do Renato. Aí pensei: “agora nuncamais”.É bom registrar para que todo mundo saiba que agora a Fifa reconheceu o Grêmiocomo campeão do mundo. Estamos lá na galeria dos melhores do mundo. Muitagente dizia que havíamos ganhado uma competição não oficializada.Grêmio.Net: O senhor tem alguma história curiosa, peculiar, desta viagem aoJapão que possa ser relembrada?Koff: O Alberto Galia sempre foi muito religioso, crente. Um dia fomos visitar otemplo de Buda, em Tóquio. No altar havia uma fumaça que ficava ali permanente.O Galia começou a agarrar aquela fumaça com as mãos e a passar por todas aspartes do corpo. Todas mesmo. Meio que constrangido ele olhou pra mim e disseque era para dar sorte. Mesmo com aquele jeito de brincalhão, a gente sabia que nofundo o desejo era esse. E deu certo.Grêmio.Net: Será que tem como descrever a sensação de ser um presidentecampeão do mundo e a emoção de chegar em Porto Alegre carregando a taça?Koff: Não. Isso é indescritível. Quando a gente está no estádio, em um paísdistante, com tudo muito diferente, a gente fica com a euforia um pouco contida,sem poder extravasar. Só lamentávamos em não estar em Porto Alegre naquelahora. Mas esse sentimento foi compensado quando chegamos no aeroporto. Veraquelas pessoas na rua, a cidade parada, o desfile da delegação, a recepção noPalácio Piratini... Um momento indescritível. Fico feliz por ter contribuído comisto e ter vivido este momento.Viagem até o outro lado do MundoCapítulo 11Dia 05 de dezembro de 1983, segunda-feira, 17h30, um vôo da Varig levando 170passageiros, entre eles os atletas gremistas, decolava do aeroporto Salgado Filho,em Porto Alegre, tendo como destino final o aeroporto de Narita, no Japão. Com
  30. 30. eles, embarcava a esperança de milhares de torcedores ansiosos com a decisão doMundial Interclubes.A despedida emocionada de centenas de gremistas no aeroporto da capital gaúchafez com que o início de viagem fosse marcado por um clima de alegria e confiança.Ninguém demonstrava preocupação com o desgastante vôo.Porto Alegre - Rio de Janeiro – LimaA primeira parada foi no Rio de Janeiro, onde a delegação trocou para um aviãomaior. No mesmo vôo, embarcaram os jogadores do time Estrelas da América, umaequipe com atletas e ex-atletas da América do Sul que faria jogos amistosos nosEstados Unidos.As presenças de Rodolfo Rodriguez, Romerito, Rodrigues Neto, Carlos AlbertoTorres e Figueroa, entre outros, causou rebuliço no avião. O zagueiro chileno, ex-Internacional, foi alvo das brincadeiras de gremistas e acabou tendo que vestir umacamisa do Grêmio, para alegria dos fotógrafos.O carteado foi o passatempo predileto dos gremistas e passageiros em geralO carteado foi a principal distração encontrada pelos passageiros para ocupar olongo tempo ocioso dentro da aeronave. Jogos animados entre atletas, torcedores ediretoria ocupavam as atenções dos demais. Poucos permaneciam em seus lugares,e a caminhada pelos corredores foi a alternativa para a bem-vinda esticada deperna. Depois da janta e com a chegada da madrugada, as luzes foram apagadas e amaioria, derrotada pelo cansaço, caiu no sono.A chegada em Lima ocorreu por volta das 3h30 de terça-feira, com escala de umahora para reabastecimento. Alguns passageiros se aventuraram a descer do aviãopara fazer compras no aeroporto, mas prontamente retornaram de mãos vaziasreclamando dos altos preços cobrados pelos comerciantes locais.Lima - Los Angeles – NaritaPor volta das 10h de terça-feira, dia 6, já com o sol brilhando do lado de fora dajanela, foi servido o café da manhã. Muitos já estavam de volta ao carteado,acompanhado do chimarrão. O avião se aproximava de Los Angeles, nos EstadosUnidos, local da última escala antes do trecho mais longo da viagem.Com o aeroporto de Los Angeles em reforma, os passageiros tiveram que aguardarem um local improvisado, dentro de um galpão inflável, até o anúncio da saída danova aeronave. Dali para o Japão seriam mais 11 horas de vôo.
  31. 31. A constante mudança no fuso horário acabou confundindo todo mundo. Adiscussão a respeito do horário durou um bom tempo. Uns tinham mudado orelógio para o horário do Peru, outros para os Estados Unidos, mas a maioria optoupor não mexer. Na verdade, a discussão foi só mais um pretexto para passar otempo.O técnico Valdir Espinosa, sabidamente temeroso quando entra num avião, jádeixara de ser o alvo das brincadeiras. Acostumado com os barulhos das turbinas ecom as turbulências, passou algumas horas na cabine de comando, onde recebeuuma aula de pilotagem.De León, Mazarópi, Caio, Tonho e o próprio Espinosa, contavam com a presençade suas esposas no vôo. Uma concessão da diretoria gremista após apelo deMargarita, esposa do capitão uruguaio.Enfim, depois de intermináveis 36 horas de viagem, o avião levando a delegaçãogremista (foto) aterrissou no aeroporto de Narita, no Japão. Eram 2h da manhã dequarta-feira no Brasil, 14h no Japão.Treinamentos em TóquioFeito todo o trâmite de entrada no país, a delegação gremista sofreu o primeirochoque cultural tendo em vista o avanço tecnológico e as modernidades japonesas.Isso sem falar no idioma. Nenhum letreiro que não tivesse a tradução para o inglêspoderia ser identificado.Sensível a estes problemas, a Toyota, patrocinadora do Mundial, colocou cincotradutores à disposição da delegação 24 horas por dia. Com a ajuda deles, todos osproblemas de alfândega foram solucionados até a delegação embarcar em umônibus especial com destino ao local da concentração, no centro de Tóquio.
  32. 32. Um grande contingente de brasileiros aguardava no saguão do Hotel Prince pelachegada da delegação gremista. O trajeto de Narita até o hotel durouaproximadamente duas horas, um sacrifício pequeno para quem já havia passado 36horas em deslocamento. A recepção foi carinhosa, ao estilo japonês, e animada, aoestilo brasileiro.A grande maioria dos gremistas preferiu subir para os quartos para tomar banho edescansar em uma cama de verdade. O delicioso jantar foi servido às 20h15,horário local. Uma hora depois, a programação distribuída pelo clube anunciavaque os atletas deveriam se recolher aos aposentos. O principal objetivo agora eraadaptar o organismo dos jogadores ao fuso horário localDepois de aproximadamente 11 horas de descanso, a delegação gremista despertouàs 9h da manhã de quinta-feira para o desjejum no restaurante do hotel. Umaalimentação leve, para não interferir no treinamento marcado para o meio-dia emum centro de treinamento próximo ao hotel.O horário foi decidido pela comissão técnica por coincidir com o horário da partidade domingo. O estádio Nacional, local do jogo, só seria disponibilizado no sábadopara um rápido reconhecimento do gramadoValdir Espinosa e Ithon Fritzen comandaram um trabalho leve tanto na partetécnica quanto física. Alguns jogadores demonstraram bastante desgaste depois daviagem de 36 horas. A baixa temperatura, em torno de 6°C, também não ajudava. Otreinador gremista afirmou que manteria os trabalhos leves em todos os treinos atéa partida pois o trabalho mais forte já havia sido realizado em Gramado.Tarciso sentiu dores musculares durante o vôo e foi observado pelo DepartamentoMédico. China ainda se recuperava de uma entorse no tornozelo e Mário Sérgioapresentava um quadro gripal. Porém, nenhum chegou a ser dúvida para o jogo. Oponto positivo do dia foi que ninguém mostrou problema de adaptação ao fusohorário.
  33. 33. O Estádio NacionalInaugurado em 1958 para a disputa dos jogos asiáticos, o Estádio Nacional deTóquio, até a Copa do Mundo de 2002, era o maior orgulho do país em matéria defutebol. Em 1964, foi palco dos Jogos Olímpicos e, três anos depois, sede daUniversíade. Atualmente, recebe partidas do FC Tokyo e do Verdy Tokyo.Com capacidade oficial para 60.067 espectadores, o Estádio Nacional é um pontode referência para os esportistas japoneses por sua localização central eprivilegiada. Seu complexo esportivo, que conta com dois campos de baseball, ficaao lado do prédio do Arquivo Nacional, dentro do Meiji Jingu Gaien Park, umaárea verde freqüentada por jovens em busca de lazer e exercícios físicos.Sábado, meio-dia, faltando 24 horas para o início da decisão, a delegação gremistadesembarcou no local da partida para o reconhecimento do gramado. O mesmoseria feito pela equipe do Hamburgo horas depois.O gramado queimado pela neve do rigoroso inverno japonês deixou uma máimpressão, mas que foi prontamente desfeita quando os atletas começaram a fazer abola rolar. Apesar de duro, amarelado e desgastado pelo frio, o piso mantinha aqualidade para a prática de um bom futebol. Os jogadores acabaram optando pelouso de travas de borracha nas chuteiras. Agora só restava ao Grêmio esperar asúltimas horas antes da maior decisão de sua história.Em jogo, o Mundial InterclubesCapítulo 12Depois de mais de quatro meses de preparação, vivendo 24 horas por dia com opensamento voltado somente para uma partida, finalmente chegava a hora dagrande decisão. A maior partida da história dos 80 anos do Grêmio, um clubesurgido no início do século e que traçou seu caminho na base da garra, com aparticipação de bravos homens que não temeram as adversidades para colocar emprática o sonho de tornar o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense um dos maioresclubes do planeta.Chegava a hora de mostrar para o mundo a grandeza de um povo. Um povo queveste azul, preto e branco e que jamais foge da batalha.Depois de um leve café da manhã, a delegação gremista seguiu para o estádioNacional de Tóquio, chegando no vestiário aproximadamente duas horas antes doinício do jogo. A temperatura era de 5 graus e o estádio estava com seus mais de 60mil lugares lotados.
  34. 34. Em Porto Alegre, o relógio se aproximava da meia noite de sábado, dia 10. Acidade estava completamente parada esperando o início da partida. Não havia umapessoa que não estivesse na companhia de um radinho de pilha ou na frente datelevisão esperando o início da transmissão ao vivo pela TV Gaúcha.Faltando cinco minutos para o início da partida, as imagens entraram no ar, comGrêmio e Hamburgo já no gramado fazendo aquecimento para espantar o frio. Oárbitro francês tomava as últimas medidas antes de apitar o início de jogo. Nobanco, o técnico Valdir Espinosa fumava um cigarro atrás do outro.Os telespectadores mais observadores notaram que o Grêmio usava calção branco emeia azul, ao invés dos tradicionais calções pretos e meias brancas. A exigênciapartiu da Toyota, que não permitia semelhanças nos uniformes das duas equipespor causa das pessoas que recebiam as imagens em televisores em preto e branco.Como o Grêmio não havia levado meias azuis na bagagem, o pessoal da roupariateve que correr para encontrar a peça do uniforme nas lojas de Tóquio.Mais de 2 bilhões de pessoas recebiam as imagens da partida em todo o mundo.Para todo o Brasil, a Rede Globo trasmitia ao vivo com a narração de GalvãoBueno e comentários de Márcio Guedes. Para o Rio Grande do Sul, narração deCelestino Valenzuela com João Nassif nos comentários.1° tempoDepois de um minuto de silêncio, o árbitro Michel Vautrot deu início ao jogo.Saída de bola para o HamburgoO jogo começou com o Grêmio nervoso, errando muitos passes. O Hamburgo, porsua vez, dominava o meio de campo mas não conseguia chegar ao gol gremista. Oprimeiro lance com um certo perigo foi do Hamburgo, aos 20 minutos: Magathtentou meter a bola para Hansen, que entrava pela área. De Leon se antecipou decarrinho na meia lua da grande área. A bola rebatida pelo capitão gremista explodiuno corpo de Hansen e ficou pingando na marca do pênalti. Mais esperto, Mazaropisaiu para fazer a defesa antes que o alemão conseguisse chegar.Quatro minutos depois, Hansen desceu com a bola dominada pela direita e foibloqueado pela zaga gremista quando tentava a conclusão, já dentro da área. A bolasobrou no outro lado para Wuttke, que tentou o arremate de longe, chutando porcima do gol, sem perigo para Mazaropi.A primeira jogada de impacto do Grêmio ocorreu aos 31 minutos: Renato foilançado na direita, levou a bola até o fundo de campo e fez o cruzamento. A zagase antecipou, mandando para escanteio. Mário Sérgio cobrou o córner tentando o
  35. 35. gol olímpico e quase surpreendeu o goleiro Stein, que deu um soco na bolamandando outra vez pela linha de fundo.Aos 36 minutos, Tarciso foi lançado pela esquerda e ganhou o escanteio quandotentava cruzar para Osvaldo que entrava pela área. Paulo César Lima cobrou ocórner, que foi afastado pela zaga alemã para a entrada da área, onde Mário Sérgioesperava o rebote. Ele pegou de primeira e quase surpreendeu Stein, mas a bolasaiu muito alta.Dois minutos depois o Grêmio chegaria ao primeiro gol. O Hamburgo tentavachegar com perigo na área gremista, mas parou em Paulo Roberto, que afastou abola de qualquer maneira para a intermediária. Paulo César Lima dominou no peitoe rapidamente lançou para Renato, na direita, puxando o contra-ataque.Ele dominou a bola um pouco além da linha divisória do gramado e partiu emdireção ao fundo de campo, sempre acompanhado de perto por Schröder, seumarcador. Em velocidade, já dentro da área, Renato ameaçou correr para fazer ocruzamento. Ao invés disso, puxou a bola de volta para seu pé esquerdo enganandoo marcador. Ao ver o alemão voltar para tentar evitar o cruzamento com aesquerda, Renato puxou outra vez com a direita. Já com o marcador vencido, massem ângulo, ele preferiu chutar. Junto à trave, o goleiro Stein foi surpreendido pelapotência do chute e não conseguiu fazer a defesa. A bola passou entre ele e o posteesquerdo. Grêmio 1 a 0!O Hamburgo ainda teve a oportunidade de empatar nos minutos finais da primeiraetapa, com uma cobrança de falta de Rolf, na entrada da área. Magath cobrourasteiro, pelo lado da barreira, forçando Mazaropi a fazer uma grande defesa emdois tempos.2° tempo
  36. 36. O Tricolor não perdeu tempo e, aos 2 minutos, já criou a oportunidade para ampliaro marcador: Mário Sérgio fez um lançamento buscando Tarciso, na esquerda, queentrava por trás da zaga. Antes dele apareceu Paulo César Magalhãescompletamente livre, que dominou e chutou, mesmo sem ângulo. No últimomomento apareceu o pé salvador de um zagueiro alemão para dividir o chute, e abola passou à direita da meta de SteinO lance se repetiu cinco minutos depois: Osvaldo deu um balão afastando o perigoda área gremista e acabou armando um contra-ataque com Tarciso pela direita. Elerecebeu nas costas da zaga alemã, desceu com a bola dominada, entrou livre pelaárea e só não marcou porque um zagueiro apareceu no momento certo para mandara escanteio.Aos 12 minutos, uma jogada que poderia ter mudado a história da partida: Baidekdeu um chutão pra frente, afastando o perigo da área gremista e lançando Renato nadireita. O ponteiro gremista partiu pra cima do marcador, entrou na área, deu umdrible de corpo, colocou a bola na frente e foi derrubado por trás por Hieronymusno momento em que poderia marcar o segundo gol. O árbitro Michel Vautrot, maucolocado, nada marcou. Uma penalidade escandalosa a favor do Grêmio.Três minutos depois, Paulo César Lima desceu com a bola dominada pelaintermediária de ataque. Com categoria, lançou Mário Sérgio que entrava peladireita, livre, se aproveitando da confusão da defesa alemã. Ao invés de chutar, elepreferiu tentar o cruzamento buscando o mesmo Paulo César que entrava pelapequena área. Antes dele apareceu novamente o pé salvador de um defensor. Steinjá estava batido.Neste momento, embora o Hamburgo dominasse o meio de campo, o Grêmio eramuito mais incisivo em seus ataques. Os alemães não sabiam transformar seudomínio territorial em ataques e abusavam das bolas levantadas na área. O Grêmio,por sua vez, bem postado atrás, se limitava a dar balões pra frente buscando avelocidade de Renato ou Tarciso nos contra-ataques.Aos 24 minutos, Espinosa tirou Paulo César Lima e colocou o atacante Caio. Doisminutos depois um dos cruzamentos para a área do Grêmio levou perigo à meta deMazaropi. Magath cruzou da esquerda, encobrindo De Leon, e o zagueiro Jakobsarrematou de cabeça. A bola foi no ângulo direito com pouca força, forçando ogoleiro Tricolor a grande defesa.
  37. 37. Aos 30, Stein saiu da área para tentar jogar com os pés mas acabou errando embola e teve que fazer falta sobre Tarciso, que levava vantagem. O goleiro alemãorecebeu cartão amarelo. O mesmo cartão seria apresentado a Mazaropi no minutoseguinte por retardar a cobrança de um tiro de metaAos 34, Bonamigo entrou no lugar de Osvaldo. Um minuto depois, Caio desceupela esquerda, sem marcação, e arriscou o chute, obrigando Stein a fazer grandedefesa. No lance seguinte, Paulo Roberto cruzou da direita e Caio mergulhou decabeça, mandando a bola no canto direito de Stein, que fez outra grande defesa.Aos 40 minutos, o árbitro francês marcou um toque de mão de Bonamigo naintermediária de defesa do Grêmio. Felix Magath fez a cobrança buscando osegundo pau, onde Jakobs evitou o tiro de meta cabeçeando a bola de volta para apequena área. A zaga gremista não conseguiu afastar e Schröder dominou emandou para as redes, sem chance para Mazaropi. O Hamburgo chegava aoempate no finalzinho do jogo.No desespero, o Grêmio ainda tentou a vitória no tempo regulamentar. Aos 45,Renato teve uma chance depois que De Leon ajeitou de cabeça, na entrada dapequena área. O chute de esquerda saiu errado, por sobre o gol. Foi o último lancedos 90 minutos. Ficaria tudo para a prorrogação.ProrrogaçãoO intervalo foi de muito trabalho para o massagista Banha, que teve que sedesdobrar para manter aquecidos os músculos de Renato e China, ambosreclamando de dores musculares. Como o técnico Valdir Espinosa já havia feito asduas substituições a que tinha direito, todos teriam que voltar para a prorrogação.A definição da partida a favor do Tricolor não demorou para acontecer. Logo aos 3minutos, brilhou mais uma vez a estrela do predestinado Renato. Num cruzamentoda esquerda de Caio, Tarciso apenas encostou, de cabeça, a bola para o ponteirogremista. Renato dominou de direita, cortou a marcação de Schröder e chutourasteiro, de canhota, no canto esquerdo de Stein, que ficou sem reação.Grêmio 2 a 1! Festa gremista em Tóquio e em todo o Brasil.O Hamburgo partiu pra cima e quase conseguiu o empate aos 5 minutos, numescanteio cobrado por Magath. Renato tentou afastar de cabeça mas errou em bola,ela acabou batendo na cabeça de China e quase entra no seu próprio gol. Para sortedo Grêmio, ela passou por sobre a meta.
  38. 38. Aos 9 minutos, Renato sofreu falta ao lado da área, pela direita. Mário Sérgio seapresentou para a cobrança mas ao invés de fazer o cruzamento, como todosesperavam, tentou surpreender Stein chutando direto a gol. A bola passou perto doposte esquerdo saindo para tiro de meta. Se fosse em direção à meta, dificilmente ogoleiro alemão faria a defesa.Já nos minutos finais da primeira etapa, Renato evitou um contra-ataque doHamburgo segurando a bola com as mãos. Recebeu cartão amarelo. Hartwigdiscutiu com o bandeirinha depois de ter sua cobrança de lateral revertida etambém recebeu cartão amarelo.Nos descontos, Hansen recebeu dentro da área, de costas para o gol. A marcaçãoevitou o primeiro arremate, mas a bola sobrou para Jakobs, junto à pequena área,pela direita. Ele chutou forte, rasteiro, mas Mazaropi, bem colocado, defendeu comas pernas e evitou o empate alemão. Acabava a primeira etapa da prorrogação.O Hamburgo parecia abatido, sem forças para tentar chegar ao empate. Os alemãesfaziam pressão de maneira desorganizada, no desespero, enquanto o time gaúchocontinuava levando perigo nos contra-ataques. Era questão de tempo para o Grêmiocomemorar.O Tricolor ainda teve uma última chance de matar o jogo quando Caio recebeucompletamente livre, na frente de Stein. Com o gol aberto, ele não tevetranqüilidade e mandou por cima. Mas o gol não fez falta.Sem dar descontos, o árbitro Michel Vautrot apitou final de jogo em Tóquio.Renato, ajoelhado, desabou em lágrimas. Assim fizeram todos os gremistas, emtodo o planeta. O Grêmio era Campeão do Mundo. O maior título que um time defutebol poderia alcançar.Festa no Japão.
  39. 39. Festa no Brasil.O planeta reverenciava o futebol do gaúcho. O capitão Hugo de Leon foi oresponsável por levantar a taça do campeonato. Renato foi eleito o melhor emcampo e recebeu um carro Toyota dos patrocinadores. Começava em Tóquio afesta gremista que não tinha data para terminar.Depois de receber o troféu e as medalhas, o capitão comandou a volta olímpicapela pista atlética do estádio Nacional acompanhado pelos companheiros,diriegntes, comissão técnica e alguns torcedores que conseguiram entrar nogramado.Os cerca de 200 torcedores brasileiros que estiveram presentes no jogo, iniciaramuma peregrinação a pé até o hotel onde a delegação estava hospedada. A festa dosjogadores continuou no vestiário, no ônibus e no saguão do hotel. De León eRenato ficaram no estádio para a entrevista coletiva. A festa seguiu durante a tardee a noite do Japão. Em Porto Alegre, ninguém dormia mais.O Rio Grande do Sul parouCapítulo 13O ponto de concentração da torcida gremista aconteceu na rua Érico Veríssimo, naesquina com a avenida Ipiranga, ao lado do prédio do jornal Zero Hora. A empresadisponibilizou um telão gigante para a transmissão da partida que reuniuaproximadamente 8 mil pessoas.
  40. 40. No Olímpico, centenas de conselheiros e familiares se reuniram no Salão Nobre doConselho Deliberativo, enquanto outro grupo de gremistas das torcidas organizadasacompanhou em um pequeno televisor na sala do Departamento Eurico Lara.Após o apito final, todos confraternizaram e seguiram a pé para o prédio da ZeroHora. Milhares de gremistas em todo o Estado invadiram a madrugada de domingoaos berros e buzinaços para comemorar a grande conquista.A festa seguiu durante toda a semana até o retorno da delegação, que reuniumilhares de pessoas nas ruas da capital para acompanharem de perto o desfile docaminhão do corpo de bombeiro trazendo os campeões mundiais. Um momentoinesquecível para quem vivenciou e para quem só acompanhou as imagens anosdepois.Grêmio Campeão do Mundo. Nada pode ser maior... Nem 22 anos depois.Parabéns Grêmio.Parabéns torcedor gremista.FICHA DO JOGO
  41. 41. MUNDIAL INTERCLUBES ÁRBITRO Michel Vautrot (FRA) Estádio: Nacional AUXILIARES Local: Tóquio/JAP Toshikazu Sano (JAP) Data: 11/12/83 Horário: 12h (Japão) - 00h Shizuhasu Nakamichi (JAP) (Brasil) GOLS Renato (GRE - 37 do 1ºT) GRÊMIO HAMBURGO Schröder (HAM - 40 do 2ºT) (2) (1) Renato (GRE - 03 do 1ºT - pror.) Mazaropi Stein Paulo SUBSTITUIÇÕES - GRÊMIO Wehmeyer Roberto Entrou Caio, saiu Paulo César Baidek Jakobs Lima (25 do 2T) De León Hieronymus Entrou Bonamigo, saiu Osvaldo (33 do 2T) P.C. SUBSTITUIÇÕES - Schröder Magalhães HAMBURGO China Groh Não houve Osvaldo Rolff P.C. Lima Hartwig CARTÕES AMARELOS Mazaropi, Caio, Renato e De León Renato Magath (GRE) Tarciso Hansen Stein (HAM) Mário Sérgio Wuttke CARTÕES VERMELHOS TÉCNICO TÉCNICO Não houve Valdir Ernst Happel Espinosa PÚBLICO Público total: 62.000O Grêmio é a uma das equipes brasileiras com maiores participações na CopaLibertadores. Já disputou dez vezes este torneio continental. Uma competição com acara do Tricolor. Foram três decisões com dois títulos conquistados em 1983 e 1995.LIBERTADORES DE 1983 (O Primeiro Título)
  42. 42. Depois do fracasso na primeira Libertadores de sua história sendo eliminado na primeirafase, a realidade da segunda participação foi o oposto.Comandado pelo presidente Fábio Koff, o Clube priorizou a competição sul-americanavislumbrando a possibilidade de entrar para a história do futebol vencendo a Copa pelaprimeira vez e o Mundial Interclubes no Japão.Quando assumiu a presidência, Fábio Koff afirmou que seu principal objetivo era levaro Grêmio a Tóquio. A incredulidade inicial foi ficando para trás quando a equipecomeçou a responder dentro de campo.Capitaneada pelo uruguaio Hugo de Leon e sua experiência em Libertadores, o Grêmiofoi superando dificuldades típicas deste torneio até chegar ao título contra o Peñarol,campeão do ano anterior.A fase de classificação:A estréia na Libertadores de 1983 foi contra o Flamengo, que havia vencido o títulobrasileiro do ano anterior exatamente contra o Grêmio, em pleno estádio Olímpico. Umconfronto contra o rubro-negro carioca era tido como uma revanche.Com o Olímpico lotado, o Tricolor ficou apenas no empate em 1 a 1.O resultado não foi considerado bom já que, em um grupo onde apenas o campeãogarantia classificação para a fase seguinte, uma vitória dentro de casa era tida comoessencial.Na obrigação de conquistar pontos fora de casa, o Grêmio partiu para dois jogosdecisivos na Bolívia contra os desconhecidos Blooming e Bolívar.No primeiro deles, no dia 22 de março, uma ótima vitória de 2 a 0 em Santa Cruz de LaSierra contra o Blooming.Na segunda partida, além de ter que bater o Bolívar, que na estréia havia aplicado 6 a 0no Blooming, o Tricolor teria que enfrentar a tão temível altitude de La Paz.Apesar de todas adversidades, o Grêmio conseguiu uma vitórias fundamental por 2 a 1com um histórico gol do volante China depois de um chute espetacular do meio decampo. O ar rarefeito da altitude fez a bola voar e entrar no ângulo do goleiroboliviano.As duas vitórias fora de casa, em combinação com um empate e uma derrota doFlamengo contra Blooming e Bolívar, respectivamente, encaminhou da melhor maneirapossível a classificação gremista já que os dois adversários bolivianos teriam que virjogar no Olímpico.E não foi diferente: jogando em seus domínios, o Tricolor não teve dificuldade paravencer o Blooming por 2 a 0 e o Bolívar por 2 a 1. Este último jogo garantiu aclassificação gremista de forma antecipada para o triangular semifinal.Para fechar com chave de ouro a fase classificatória, o Grêmio ainda aplicou 3 a 1 noFlamengo em pleno Maracanã em jogo para cumprir tabela.A fase semifinal:América de Cali e Estudiantes de La Plata foram os adversários gremistas no triangularsemifinal que classificava apenas o primeiro colocado para a grande decisão.
  43. 43. A estréia na segunda fase foi contra os argentinos do Estudiantes, no Olímpico. Umaverdadeira batalha que terminou com a vitória gremista por 2 a 1 com um gol salvadorde Tarciso a poucos minutos do final.No dia 24 de junho, o Grêmio viajou para Cali onde sofreu sua primeira derrota. 1 a 0contra o América no estádio Pascoal Guerrero.Na rodada seguinte, o Estudiantes venceu o América em La Plata deixando as trêsequipes empatadas no grupo com dois pontos.No dia 06 de julho, o Grêmio se vingou da derrota em Cali e bateu o América noOlímpico por 2 a 1. No jogo onde a grande figura acabou sendo o goleiro Mazarópi quedefendeu uma penalidade máxima nos minutos finais de jogo garantindo a vitóriatricolor e a possibilidade de chegar à final da competição.Quarenta e oito horas depois, o Grêmio estava em La Plata, na Argentina, para um dosmais dramáticos jogos de sua história. Um empate em 3 a 3 que ficou conhecido como a“Batalha de La Plata”. Onde a rivalidade entre brasileiros e argentinos, acirrada pelaGuerra das Malvinas quando os argentinos acusaram os brasileiros de colaborarem comos ingleses, extrapolou os limites do esporte. Jogadores, dirigentes e torcedores doGrêmio foram agredidos do início ao fim e o time, dentro de campo, acabou cedendo àspressões e possibilitou o empate em 3 a 3 depois de estar vencendo por 3 a 1 com trêsjogadores a mais e campo.O resultado acabou encaminhando a classificação, mas o Grêmio acabou dependendo doúltimo jogo entre América e Estudiantes, em Cali. Em caso de vitória dos argentinos, oGrêmio acabaria eliminado da competição.Já eliminado, o América jogou com dignidade, segurou o empate e garantiu aclassificação do Grêmio à grande final contra o Peñarol do Uruguai, embalado pelavitória no clássico contra o Nacional que garantiu a equipe na decisão.A final:Por sorteio, o Grêmio acabou tendo a chance de decidir a Libertadores em seu estádio.No dia 22 de julho, centenas de gremistas invadiram Montevideo para o primeiro jogoda grande finalTita, de cabeça, abriu o marcador para o Grêmio.Fernando Morena empatou para os uruguaios.O tricolor segurou o resultado apesar da pressão do Peñarol e o empate acabou sendocomemorado como um grande resultadoNo dia 28, o Grêmio entrou em campo para aquele que seria o maior jogo de suahistória até então.Empurrado pela grande torcida, o Grêmio não demorou para abrir o marcador: Caioempurrou para as redes um cruzamento de OsvaldoNa etapa final, o artilheiro Morena empatou a partida deixando os minutos finais comares de dramaticidade. Um novo empate levaria a decisão para um jogo extra, em camponeutro. Mas o Grêmio não poderia deixar passar essa oportunidade de levantar a taça nafrente de sua torcida: aos 32 minutos da etapa final, Renato cruzou da direita e César
  44. 44. marcou de cabeça o gol do títuloUma festa que tomou conta de todo o país catapultando a equipe do bairro da Azenhadireto para o Japão, para a decisão do título mundial que seria conquistado emdezembro.FICHA DO JOGO > COPA LIBERTADORESEstádio: OlímpicoLocal: Porto Alegre/RSData: 28/07/83ÁRBITROÉdson Perez (PER)AUXILIARESCarlos Montalván (PER)Henrique Labo (PER)GOLSCaio e César (Grêmio)Morena (Penharol)SUBSTITUIÇÕES - GRÊMIOEntrou César, saiu Caio.SUBSTITUIÇÕES - PENHAROLEntrou Peirano, saiu Silva.CARTÕES AMARELOSPaulo Roberto, Tita e Renato (GRE)Oliveira, Saralégui e Morena (PEN)CARTÕES VERMELHOSRenato (GRE) e Ramos (PEN) aos 42 do 2°TPÚBLICOPúblico total: 80.000GRÊMIO (2) PENHAROL (1)Mazaropi FernandezPaulo Roberto MontelongoBaidek OliveraDe León GutierrezCasemiro DiogoChina BossioOsvaldo SaraleguiTita SalazarRenato SilvaCaio MorenaTarciso RamosTÉCNICO: Valdir Espinosa TÉCNICO: Hugo BagnuloCONSELHO DELIBERATIVOPresidente: Flávio ObinoVice-presidente: Irany SantannaDIRETORIA E COMISSÃO TÉCNICAPresidente: Fábio André KoffVice de futebol: Alberto GaliaDiretores: Túlio Macedo

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