RESISTANCE4ª Edição   Dezembro 2011
Editorial“If you have ideas, you have the main asset you need, and there isn’t any limit to whatyou can do with your busin...
Sérgio Pinto                                                                 – João Ramalho Santos – Porque às vezes a inv...
Biomédica        Curso do futuro                                                                                          ...
vida da sociedade. Obviamente para         mudar de rumo para nos sentirmos             relatos de que os talentos portugu...
Um olhar sobre os cursos deEngenharia no DFUC                                                                             ...
incentivadas com o programa de Estágios         empresários no DFUC, particularmente                                      ...
À grande e à francesa                                                  Carlos MoreiraPode-se dizer que esta expressão é le...
Caminhos do cinema português“Porque não gostam os portugueses do cinemaportuguês?— Ninguém gosta de se ver ao espelho!”Man...
Entrevista              Maria Constança Providência Santarém e Costa                                    Profª Catedrática ...
disciplina. Tínhamos que fazer três                                               disciplinas por trimestre e os trimestre...
materiais da crosta (viscosidade, etc.).    e dá aso à imaginação. Tudo isto é importante para perceber o sinal que recebe...
Se divertindo em Genebra                                                 Edson Ferreira                                   ...
Estado estacionário                                   Ilha Terceira                                                     Jo...
Estado exitadoSer Estudante em Uppsala:viajar é aprender                                                                  ...
16 frames por segundo                  “Jamaica Inn” (1939)                  Um dos filmes mais esquecidos e injustiçados ...
16 frames por segundo“Submarine” (2010)Oliver Tate (Craig Roberts) é um jovem de 15 anos que vive problemas com as duas mu...
78 rotações por minuto                          Foals                                                                     ...
78 rotações por minuto                                                    Noel Gallagher High Flying Birds                ...
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4ª Edição da revista "Resistance"

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Resistance(4ª edição)

  1. 1. RESISTANCE4ª Edição Dezembro 2011
  2. 2. Editorial“If you have ideas, you have the main asset you need, and there isn’t any limit to whatyou can do with your business and your life. Ideas are any man’s greatest asset.”Harvey S. FirestoneSim, temos de escrever sempre um editorial mas nunca crescer em quantidade e qualidade. Com os nossos novossabemos o que escrever. Decidimos, então, bater o paleio membros, Guilherme Simões de Eng. Informática e da novado costume (NOT!). Já repararam mas os cantos da revista caloirinha Catarina Oliveira de Eng. Biomédica, as nossasforam alterados: sim o nosso logótipo mudou, tal como é áreas de incisão estão a aumentar, sendo os temas abordadosvisível na capa. E se estiveram na festa de lançamento de cada vez mais diversificados. Qualquer coisa já sabem,quinta-feira já se devem ter apercebido que a revista está a comuniquem: resistancemag@gmail.com facebook.com/resistancemagTable of contents2_”TEDX”. Sérgio Pinto3_”Biomédica, curso do futuro”. Ana Cortez Ficha técnica:5_”Um olhar...DFUC”.Miguel Morgado, Ph.D7_”À grande e à fracesa”. Carlos Moreira8_”Caminhos do cinema português”. Fred Borges9_”Entrevista”. Maria Constança Editores:Providência Santarém e Costa Joana Faria, Frederico Borges, Pedro Silva12_”Se divertindo em Genebra”. Edson Ferreira13_”Estado estacionário”. João Borba Colaboradores:14_”Estado excitado”.Pierre Barroca Karen Duarte, Patrícia Silva, Ana Telma15_”16 fps”. Santos, Rui Nunes, André Silva, Guilherme17_”78 rpm”. Simões e Catarina Oliveira19_”Stanford e Milgram”. Pedro Cunha21_”Alfazema amarela”. Catarina Oliveira Revisão:22_”Pensamentos ao acaso”. Bernardo Fabrica Ângela Dinis23_”Crónicas”25_”Mãe, afinal sei cozinhar”. Nuno Balhau Capa e Design26_”A gamer (re)view” Rui Nunes e Pedro Silva1 Dezembro 2011 RESISTANCE
  3. 3. Sérgio Pinto – João Ramalho Santos – Porque às vezes a investigação TEDx Coimbra tem destas coisas, nem tudo está escrito como numa receita, nem tudo é fácil, às vezes é preciso inovar, à bom português15 de Outubro de 2011 é preciso “desenrascar”, esta palestra foi o mais puro exemplo disso, como conseguir investigar o que não pode ser investigado, aliando o tema com a à-vontade demonstrada peloO grupo TED foi fundado em 1984 e a primeira conferência orador, temos a receita para uma excelente TED talk. “Umaaconteceu em 1990. Poderia começar por tentar explicar o que nova era na imagem digital”: André Boto – Quem não temé o conceito de uma TED talk, mas certamente nada melhor um fundo daqueles todos “futuristas” como wallpapper dodo que dar um exemplo, numa altura em que possivelmente PC? Mas será que sabemos como é feito? O André primouse perdeu o melhor orador que alguma vez fez uma TED talk por mostrar o resultado final mas acima de tudo fazer algo quemesmo não tendo sido num evento oficial, estou a falar de nunca tinha visto que é a evolução como pegar numa imagemSteve Jobs e do seu discurso em Stanford, uma TED talk é de um Castelo, uma pedra e uma correntes e provar que éapenas uma conversa, uma conversa para “dar assas aos possível fazer um castelo levitar ao ponto de ter de estar presopensamentos”. Atualmente um evento TED aborda as mais por correntes... Afinal muitas das vezes para poder apreciaramplas temáticas, quase todos os aspectos de ciência e cultura a complexidade de uma imagem era bom poder ver comopodendo até ser apenas uma conversa moral, uma história, começou, como evoluiu até chegar ao resultado final...Ficçãoum retrato de vida...possivelmente é por ser isto tudo que os Digital na sua mais pura essência. “Voluntariado”: Fernandaeventos TED conseguem ter o sucesso global que possuem. Freitas – Talvez um tema que muitas pudessem achar quePassando ao evento TEDx Coimbra, este começou por estaria desenquadrado de uma TED talk, ficou provado queprestar 2 homenagens, 2 homenagens mais que merecidas, todos os temas têm espaço nestes eventos, simplesmentehomenagens devidas. Falo de 2 TED talkers que faleceram fabulosa a interação com a plateia, suficiente para que todosrecentemente, Steve Jobs, mais que um visionário, um se levantassem e aplaudissem (quem lá esteve percebe melhorexemplo de sucesso e de entrega e de Diogo Vasconcelos, um esta). Não me posso alongar muito mais, deixo uma sugestãodos melhores empreendedores que existia em Portugal e que não percam a próxima edição e deixem os vossos pensamentostinha confirmado presença neste evento...Cada um diferente voar!mas ao mesmo tempo referencias, mais que oradores, eraminspiradores! Com estas homenagens iniciou-se o TEDxCoimbra, de seguida passamos a uma velocidade estonteantepor todas as palestras, cada uma diferente da anterior e daseguinte, cada uma única. Não vou falar de todas, apenasde algumas, daquelas que a mim me surpreenderam ou pelatemática ou pelo próprio orador:“Ossos”: Eugénia Cunha – E não é que afinal a série “Bones”não é ficção? Pois é, realmente tudo aquilo é verdade, épossível e mais que isso é passado, costuma-se dizer que osolhos são o espelho da alma, pois então agora digo então osossos são o espelho de uma história de vida.“Estratégias para investigar o que não pode ser investigado” RESISTANCE Dezembro 2011 2
  4. 4. Biomédica Curso do futuro Ana Cortez “Foi em tempo de adversidade que os portugueses souberam realizar os seus maiores feitos”Começo esta breve “reflexão” com uma bom estado. Para isso tem de haver suficientes preparados para esse efeito.análise prática dos acontecimentos que mecânicos. Para o investigador se Das dez categorias previstas, oito dizemacomodam a sociedade em que vivemos poder alimentar tem de haver pão, por respeito à saúde ou cuidados médicos,e influenciamos. De facto, todos os dias isso tem de existir o padeiro. Para o uma a serviços financeiros e a últimafazemos parte de uma História, que investigador dividir trabalho, tem de ter ao campo da tecnologia. Contudo, umapesar de um passado e de um presente uma secretária. Para a rua estar limpa e outro alerta é salientado pela mesmacheio de acontecimentos marcantes e evitar a propagação de doenças tem de entidade, o facto de estas serem as áreasevolutivos, não esquece nunca o futuro haver o “homem do lixo”. De facto, para com maior oferta e com maior índicee os novos passos que ficarão de crescimento nos próximosmarcados pelo significado anos, tal não significa que todosprofissional, pessoal e científico os interessados tenham umdaqui a alguns anos. O caminho emprego, já que estas exigemadoptado pela sociedade actual muito tempo e muitas áreasnão é totalmente correcto, ou será de formação. Em 17 de Abrilque hoje em dia e no futuro, todos deste ano, o The New Yorkos cidadãos deverão ter uma Times publicou a lista dos dezformação académica superior? empregos mais promissores,A questão é controversa. Mas de intitulada de Top 10 List:facto, a evolução da humanidade Where the Jobs Are. Com baseé baseada nas descobertas que no juízo crítico que apresenteitodos os dias são potenciadas anteriormente, o Engenheironas mais diversas áreas e, dessa Biomédico surge em primeiroforma, os efeitos da inovação têm haver conhecimento e inovação, tem lugar, com um crescimento de 72%, ouuma forte influência nos costumes e de existir uma sinergia de funções na seja, 12 000 novos empregos em 2018.comportamentos das sociedades. Assim, sociedade, isto é, nas profissões. Apesar A descrição feita acerca das funções deserá que amanhã ainda existirão pessoas desta realidade, deve-se ainda partir um Engenheiro Biomédico é cada vezpara desempenharem as funções para “o outro lado da moeda”. À medida mais clara, passando por áreas muitomais básicas da nossa sociedade? A que a sociedade muda, existem outras abrangentes, desde os Biomateriais atéresposta é óbvia, mas não tanto como necessidades e dessa forma é imperativa aos Componentes Electrónicos comhá vinte anos atrás, em especial em a adaptação dos sujeitos e das profissões especial destaque na inovação e até nasPortugal. O exemplo é muito fácil, a essas mesmas modificações. Segundo adaptações de técnicas já existentes. Opara um investigador poder fazer o o Bureau of Labor Statistics’ list of the principal objectivo de um profissionalseu trabalho tem de se deslocar para o fastest-growing occupations prevê-se o nesta área visa criar técnicas maislocal do laboratório, por exemplo, para surgimento de mais de um milhão de rápidas, eficientes e não invasivasisso é necessário que o seu veículo novos empregos até 2018, mas o mesmo para diagnóstico e tratamento médico,de transporte esteja disponível e em não significa que existam profissionais com vista à melhoria da qualidade de3 Dezembro 2011 RESISTANCE
  5. 5. vida da sociedade. Obviamente para mudar de rumo para nos sentirmos relatos de que os talentos portuguesesisso, os profissionais desta área devem realizados profissionalmente. É neste “fogem” para o estrangeiro em buscapassar por uma formação académica contexto que nasce o conceito de de melhores oportunidades. Na minhamuito intensiva nas mais diversas Empreendedorismo! As funções de um opinião, é em busca de melhoresáreas da Matemática, Física, Química, Engenheiro Biomédico exigem-lhe que salários, já que em Portugal existemMedicina e Engenharia, sem nunca seja empreendedor na aplicação prática locais de instituições de prestígiopôr de parte o espírito de inovação e e nas ideias de negócio. Isto é, não basta para a divulgação científica de novosempreendedorismo. Na minha opinião, ter a ideia brilhante e pôr um dispositivo trabalhos, mas os financiamentos aindaos gostos profissionais na sociedade em prática, é necessário levá-lo a não são os suficientes. No mês passadopassam por ciclos, consoante a área conhecer ao mercado de trabalho e foi apresentada uma nova plataformaque oferece emprego e confere estatuto. fundar um negócio próprio inovador e que mostra toda a investigação que estáInfelizmente, existem sujeitos que obviamente sustentável. Nos tempos a ser produzida em Portugal na áreaexercem uma dada profissão para a actuais, a conjuntura aconselha à das ciências da Saúde. O projecto dá a conhecer os projectos de Health Cluster ...o The New York Times publicou a lista dos Portugal, salientando a importânciadez empregos mais promissores (…) o Engenheiro da retenção dos talentos nacionais nesta grande área para uma ajuda naBiomédico surge em primeiro lugar recuperação económica do nosso país.qual não tem aptidão porque sabiam prudência, mas não ao marasmo. Foi em A maior ligação dos jovens talentosque após a sua formação teriam um tempo de adversidade que os portugueses entre a investigação e as empresasemprego garantido e/ou porque a sua souberam realizar os seus maiores feitos. poderia evitar essa fuga e ajudar a criarinfluência na sociedade lhes confere O universo empresarial não é excepção. melhores condições de trabalho de modoimportância e altos salários. No nosso Com riscos e investimentos mais a produzir mais riqueza para a ciênciapaís essa é uma realidade, infelizmente. controlados é possível empreender em e para Portugal, já que actualmenteAssim, olhando à condição sócio- Portugal, desafiando todas as barreiras 24% dos investigadores trabalham emeconómica de Portugal, e até mesmo do (in Expresso – Emprego 22 de Outubro empresas e 76% em Universidades.Mundo, existem profissões sobrelotadas de 2011). A ideia final que pretendo Para terem ideia, nos EUA acontece oe desgastadas, pelo que é necessário partilhar é que existem cada vez mais contrário. RESISTANCE Dezembro 2011 4
  6. 6. Um olhar sobre os cursos deEngenharia no DFUC Miguel Morgado, Ph.DNão sei precisar a data, mas em Setembro fazia sentido e era contrária à missão do primeiro computador português. Apesar depassaram 27 anos desde o dia em que um DFUC. Ensinar um curso de Engenharia todos os constrangimentos, o curso de EFgrupo de 20 alunos, no qual me orgulho de era visto como algo que desvirtuava a prosperou. Se olharmos para os primeirosestar incluído, iniciava as primeiras aulas pureza do ensino da Física. Recordo bem o 10 anos da sua existência, verificamos queda Licenciatura em Engenharia Física da cartoon, da autoria de um professor, com o curso conseguiu sempre atrair alunos,Universidade de Coimbra (UC). Com isso que a nova licenciatura e os seus alunos muitos deles de elevada qualidade. Quandocomeçava também a coordenação de cursos foram mimados. Importa notar que o em 1989 os licenciados começaram a sairde Engenharia no Departamento de Física DFUC assumia a tarefa de coordenar o para o mercado de trabalho beneficiaram(DFUC). Estávamos no ano lectivo de curso de EF sem que nele existisse qualquer de um forte crescimento económico e, em1984/1985. Hoje, setenta por cento dos cultura de engenharia. Não havia particular, da expansão da rede de ensinoalunos inscritos nos cursos coordenados praticamente contactos entre o DFUC e o superior e de investigação científica. Entrepelo DFUC são alunos de cursos de tecido empresarial. Dos seus professores 1989 e 1994, o curso teve 37 licenciados.Engenharia. A criação do curso de em 1984, apenas 3 eram detentores de uma Destes, apenas 10 tiveram o seu primeiroEngenharia Física (EF) foi impulsionada licenciatura em Engenharia. O principal emprego fora do sistema científico. Napor um conjunto de professores do DFUC, argumento para tal coordenação era a forte minha opinião, e algo paradoxalmente, odos quais é justo destacar o Prof. Carlos componente de investigação em Física sucesso na atracção de alunos de qualidadeNabais Conde. Contudo, conforme Tecnológica, particularmente em (54% dos licenciados entre 1989 e 1994rapidamente me vim a aperceber, o novo instrumentação, testemunhada pelas vieram a doutorar-se) acabou por sercurso não foi bem visto por toda a diversas publicações relacionadas com prejudicial para o curso. Não existindocomunidade do DFUC. Uma parte detectores de radiação ou com electrónica relações entre o sector empresarial e osignificativa dos docentes achava que a nuclear e pela participação em projectos DFUC, também não houve a preocupaçãoexistência de um curso de Engenharia não como o desenvolvimento do ENER1000, o de as criar. Afinal o curso ia suprindo as necessidades dos centros de investigação do DFUC e isso era considerado como indicador de que tudo estava bem. Quase que poderíamos dizer que ao DFUC bastava que o curso cumprisse esta função. E com este conforto nunca houve a preocupação em criar relações com o mundo empresarial. Claro que as consequências surgiram. Apesar de o número de recém-licenciados com primeiro emprego fora do sistema científico ter aumentado a partir do meio da década de 90, uma boa parte destes empregos correspondiam a funções de docência no Ensino Secundário e em Formação Profissional. Nem o facto de a designação “Engenharia Física” ter adquirido maior visibilidade junto dos empregadores obstou a que se criasse a ideia, na minha opinião injusta, de que o curso, além de ser difícil, não dava emprego. As candidaturas5 Dezembro 2011 RESISTANCE
  7. 7. incentivadas com o programa de Estágios empresários no DFUC, particularmente de Verão, que já envolveu 71 alunos. Qual aquelas que promovam uma cultura é o panorama actual? Desde há uns anos, o empreendedora. Mas não pode fazer tudo. DFUC encarou o problema do recrutamento Há limitações institucionais que dificultam de alunos para os seus cursos, adoptou uma a promoção dos cursos e dos seus atitude proactiva e realizou um trabalho diplomados. A solução passa, na minha notável de divulgação junto das Escolas opinião, pela criação de Associações de Secundárias que foi crucial para se atingir o Apoio aos cursos do DFUC, iniciativa que estado actual em que todas as vagas de EF deverá partir necessariamente dos antigos e e EB são preenchidas na 1ª fase. No entanto actuais alunos. Sei que está na forja uma muito está ainda por fazer. Os próximos associação de apoio ao curso de EB. Penso anos vão ser de grande exigência em termos que há lugar para outras associações, em de colocação dos nossos Engenheiros no particular para a EF. Elas podem captar mercado. Quer por condicionantes externas recursos financeiros e ter instrumentos de como a crise económica, quer pelo maior promoção que não estão ao alcance do número de finalistas que resulta DFUC. Um simples site web de divulgação inevitavelmente do sucesso no recrutamento dos perfis dos alunos finalistas, dos de alunos. E o DFUC não pode esquecer projectos que eles realizam, dos seus CVs, que a empregabilidade dos seus cursos é o das carreiras daqueles que já acabaram o melhor argumento para esse recrutamento. curso, foi algo que nunca foi possível fazer Ainda são poucos os empresários que se dentro dos limites impostos pelos recursos lembram do DFUC quando querem recrutar do DFUC e pela imagem institucional dadiminuíram, as vagas de acesso deixaram um engenheiro. Os que se lembram são UC. E isto é apenas uma ideia relativamentede ser preenchidas. O DFUC demorou a basicamente sempre os mesmos. É raro ver óbvia. Terminada uma primeira fase dereagir. Muitas vezes ouvi dizer que não um empresário no DFUC a dar uma consolidação do curso de EB e dehavia problema. As vagas não eram palestra. Menos ainda a leccionar um recuperação do curso de EF, é urgentepreenchidas mas os alunos que vinham módulo numa cadeira ou a avaliar um trabalhar para um novo patamar. Éeram muito bons… Em 2002 entrava em curso. Se exceptuarmos a Blueworks e a fundamental que seja criada, na comunidadefuncionamento o segundo curso de jeKnowledge, nos últimos 15 anos pouco empresarial, a percepção de que o DFUC éengenharia coordenado pelo DFUC: a há a assinalar em termos de também uma escola de engenharia. Talentão Licenciatura, hoje Mestrado empreendedorismo. Apesar do sucesso do exige um esforço considerável para tornarIntegrado, em Engenharia Biomédica (EB). curso, 50% dos diplomados de EB estão o DFUC um lugar que os empresários seA sua criação inseriu-se numa vaga colocados no sector de investigação habituem a frequentar. É tarefa do DFUCnacional de cursos de Engenharia científica, um número muito superior ao iniciar e promover esse esforço mas a suaBiomédica, quase todos criados no seio de desejável (cerca de 20%). O número de total realização implica a criação dedepartamentos de Física. E se é verdade empresas que colabora com o curso de EB organizações onde actuais e antigos alunosque estes departamentos já realizavam estagnou nos últimos anos. Diria que os se possam congregar no apoio e promoçãoinvestigação biomédica, nomeadamente cursos de Engenharia do DFUC estão a deles próprios e dos seus cursos.nas áreas da imagem e da instrumentação, precisar de um novotambém o é que a criação destes cursos abanão. E há urgência emresultou essencialmente da conjugação de fazê-lo. O DFUC pode edois factores: a falta de alunos nos cursos tem que fazer mais. Podeoferecidos por esses departamentos, com fazer um esforço adicionalconsequências no seu financiamento, e o para aumentar o número deelevado número de alunos de grande empresas que proporcionamqualidade que ficavam de fora dos cursos estágios e projectos e parade Medicina. Com o curso de EB, o DFUC alargar a base geográficaprocurou não repetir erros passados. A dessas empresas. Pode criarconvivência com o curso de EF e o evoluir estruturas de avaliação edos tempos tinham alterado aconselhamento dos seussubstancialmente a forma de encarar a cursos que integrempresença de cursos de Engenharia. Os elementos externos à UC.alunos foram incentivados a realizar o Pode abrir a leccionação deProjecto final fora da Universidade: dos matérias de cariz184 projectos já concluídos, 41% foram tecnológico a especialistastotalmente realizados em empresas ou de empresas. Pode, eminstituições externas à UC e outros 16% colaboração com o NEDF,resultaram de colaborações entre criar iniciativas queinstituições externas e a UC. As ligações ao resultem na presença demundo empresarial foram ainda RESISTANCE Dezembro 2011 6
  8. 8. À grande e à francesa Carlos MoreiraPode-se dizer que esta expressão é levada à letra pela que a organização tentou atrair assim mais espectadores.indústria cinematográfica Francesa. Com um dos mais Resultou comigo. Ainda assim, não me vi a comprar maisprestigiados festivais de cinema do Mundo, a França tem bilhetes para além do passe, como no ano passado. Talvez ahabituado ávidos cinéfilos a obras da sétima arte que tocam crise tenha chegado, não à minha carteira, mas à organizaçãoos píncaros da excelência. Pela 12ª vez, Portugal partilhou do festival. Isto porque, desta vez, nem a inauguração tevede obras cinematográficas Francesas “novinhas em folha”, tanta pompa nem os organizadores falaram bem português.do mais “audaz” e “eclético” que por lá se fez, “delirantes”, Ah! E não houve macarrons… Pena. A escolhida para abrir“corrosivas”, “magistrais” e mais qualquer coisa de causar a festa foi a fita Poupoupidou de Hustache-Mathieu, mas sem“pele de galinha”. Na verdade, aqui por Coimbra, o festival a presença da protagonista Sophie Quinton, que deu o ar depassou nos dias 2 aa 8 de Novembro, mais uma vez, pelo sua graça na abertura em Lisboa. Um filme premiado e comTeatro Académico de Gil Vicente e os óptimas criticas, conta uma historiaanfitriões deste evento não se pouparam incomum ao estilo inimitável donos elogios na sessão de inauguração. realizador. Mas nada comparável aoO sucesso deste festival por terras inesquecível L’Arnacoeur que abriulusitanas parece ser crescente ao por estes lados o festival passado. Vilongo das sucessivas edições e não há que este acontecimento teve o apoiodúvidas de que veio para ficar. Como de tudo o que se possa imaginar,nos anos anteriores, a Festa do Cinema incluindo a Universidade, mas porFrancês trouxe estreias que ainda não Coimbra isso não se notou assimsaíram comercialmente, comédias e tanto. Até as legendas dos filmesdramas bem ao estilo europeu e até tiravam folgas por momentos, o queanimações para os amantes de cinefilia irritava sobretudo naquela comédiamais novinhos. E, para meu agrado, onde a única pessoa a rir-se era oacrescentou novamente este ano estudante francês sentado na fila davários clássicos recuperados e inovou frente. Nem a madrinha do festival,com a nova categoria de homenagem. a excepcional Carole Bouquet cáTambém para festejar o 50º aniversário pôs os pés, ficando-se também pelada Semana da Crítica do Festival capital.Mas esquisitices à parte, háde Cannes, foi possível fazer uma que concordar que iniciativas destaspequena retrospectiva ao melhor são muito bem-vindas. Pela minhacinema feito até hoje. Mas nem tudo parte, até podiam fazer festas dofoi perfeito como me fizeram acreditar, cinema de outras origens quaisquer,com alguns trabalhos de fazer contar os já que, no fim de contas, vi bonsminutos no relógio e outros que intrigam e põem em causa a filmes, excelentes histórias e grandes actores. Os bilhetes sãosuposta criatividade do realizador. Sim, porque, por detrás de relativamente baratos e o TAGV tem excelentes condições. Epelículas de me levar às lágrimas tanto de rir às gargalhadas, agora, vestindo a pele daqueles críticos de cinema mas sem ascomo de chorar discretamente, há outras que me fizeram levar expressões carregadas de palavras difíceis que impressionam,as mãos à cabeça, tanto de pasmo por tantas cenas ocas e mas que ninguém percebe muito bem, acho que resumo estasem nexo todas juntas como de revolta pelo investimento experiência como uma oportunidade única para admirarde 3,5€ numas horinhas de consecutivos bocejos e reflexões o espantoso trabalho que nesta velha Europa se faz. Umasobre as leis do Universo.Com a possibilidade de adquirir viagem à cultura gaulesa sem ir muito longe, numa magníficaum passe para 5 filmes num valor mais em conta, suspeito ocasião que deve ser partilhada.7 Dezembro 2011 RESISTANCE
  9. 9. Caminhos do cinema português“Porque não gostam os portugueses do cinemaportuguês?— Ninguém gosta de se ver ao espelho!”Manoel de Oliveira Frederico BorgesManoel de Oliveira, um realizador (heroínas?) num Portugal que desejamos das histórias esquecidas em Portugal.português com 103 anos, responde com fingir que não existe. Vencedor de 4 Nas curtas-metragens vemos os novosuma frase genial à relação dos portugueses prémios, incluindo o grande prémio grandes realizadores a crescer paracom a cultura. Nós não gostamos de nos do júri, realizador, argumento original assegurarem um futuro brilhante aover ao espelho. Preferimos, ver, ouvir e actriz principal. Mas o que fez do cinema português. Nuno Piloto (vencedorou ler histórias fantásticas sobre seres Festival uma experiêancia a não perder do prémio da melhor curta) e Andréque têm as vidas que gostaríamos de Badalo são exemplos disso. No entanto éter. Contam-nos as histórias dos nossos nas longas-metragens que o cinema chegasonhos e brincam com as nossas emoções à sua essência. Com “Viagem a Portugal”,de forma a terem a maior receita possível. vencedor da melhor longa-metragemMas a arte não é isso. Como disse o Woody e com uma representação assombrosaAllen no seu último filme, o objectivo de Maria de Medeiros, e “América”,da arte é procurar um antídoto para a a grande revelação do festival, ambosinsignificância da vida. “Caminhos do abordando o tema da imigração emCinema Português” mostram as diversas Portugal. “O Barão”, um remake de umtentativas dos nossos realizadores para filme destruído pelo Estado Novo comchegar a esse mesmo antídoto. Por isso, uma montagem e fotografia memorável , e “Quinze Pontos na Alma”. Estes filmes ficaram com os prémios do “Caminhos”. Contam-nos as O grande perdedor foi “A Morte de Carlos Gardel”, numa adaptação de umhistórias dos nossos livro do António Lobo Xavier. Deverásonhos e brincam com as ter ficado em segundo lugar em muitas categorias, tais como, melhor realizadornossas emoções de forma e melhor longa-metragem. Também tenhoa terem a maior receita de referir a não atribuição do prémio de melhor actor secundário a Nuno Melopossível. por “Sangue do Meu Sangue” como uma foi a diversidade e quantidade de bons enorme surpresa negativa. Nuno Melono TAGV não houve efeitos especiais, filmes. Grandes documentários como encheu a tela com esta representação.nem filmes em 3D, explosões ruidosas “José e Pilar” (Melhor documentário e Este festival proporcionou cerca de 50ou perseguições de carros. Só houve Prémio do Público), “Chamo-me António horas de Cinema Português oferecendoAmor. Amor pelo Cinema. E que melhor da Cunha Teles” (sobre a nova vaga uma experiência fantástica a todos os quefilme para demonstrar esse amor, que o do cinema português), “Meio Metro participaram. Durante uma semana vimosgrande vencedor do festival. “Sangue de Pedra” (história do rock português) o verdadeiro Portugal e as suas tristezas edo Meu Sangue” de João Canijo. Com ou “Éden” (Amor dos cabo-verdianos felicidades. Já é altura de nos começarmosgrandes interpretações das três mulheres pelo Cinema), exploram a realidade a ver ao espelho, não?? RESISTANCE Dezembro 2011 8
  10. 10. Entrevista Maria Constança Providência Santarém e Costa Profª Catedrática da FCTUC texto_Rui NunesQuando despertou o seu interesse pelas desafiaram-me para integrar o cortejo altura, logo após a licenciatura houve umciências exactas, ou mais concretamente, e fui com uma cartola, não como agora, concurso para vários lugares, de modo quepara a física? que a cartola na altura era preta, mas fui. fiquei colocada. Agora não é tão fácil… EuEu sempre gostei muito de Matemática, Apesar disso nunca fiquei muito ligada às também não vejo tão mal o que agora semas a Matemática só por si acho que é tradições e às vezes acho que há muitos passa no que diz respeito à possibilidadeum pouco abstracta, e a Física completa-a excessos. Se calhar porque nunca vivi de, depois de terminarmos um mestrado,porque temos que usar a matemática as tradições como têm sido vividas aqui, podemos ter facilmente uma bolsa epara descrever o mundo que nos rodeia. mas eu, quando fui fazer doutoramento tirar um doutoramento, porque tambémEu não tinha ideia nenhuma em mente em Inglaterra, fui considerada caloira, quebrava (a continuidade). Depois depara outra carreira, mas sempre gostei de ou “fresher”, e os caloiros lá também terminar o mestrado, tínhamos sempreMatemática e de Física, portanto foi um são muito bem tratados. Não como aqui: que dar aulas e só depois podíamos terpercurso natural. No final do secundário lá são convidados para todos os clubes, uma possibilidade de dispensa parative muito bons resultados também a fazer um doutoramento. Quebrava aBiologia e disse à professora de Biologia continuidade do estudo e uma pessoa, nosque estava indecisa se havia de ir para anos em que é mais activa e pode produzirFísica ou para Biologia e ela disse que mais, ficava parada e tinha que dar aulas.Biologia não, que devia apostar na Física Conseguia conciliar, mas não com aquela(risos). A partir daí não tive mais nenhum dedicação que devia acontecer. Eu achoponto de interrogação sobre o que deveria que nos primeiros anos nós devíamos terseleccionar. a possibilidade de ficarmos especialistas numa área de modo a tornarmo-nosApesar de ter nascido em Birmingham, independentes para podermos fazer atem nacionalidade Portuguesa e veio nossa própria investigação. Se não háa Licenciar-se pela Universidade de aquele empurrão naqueles anos, depois éCoimbra. Como era estudar em Coimbra mais difícil e as coisas vão estender-se nonesse tempo? Quão diferente era do que o para todas as associações e instituições tempo.que observa agora? que estão ligadas à vida académica ou àEu nasci em Inglaterra mas só fiquei lá vida cultural… à vida da cidade. Portanto, Mais tarde, após o mestrado, doutorou-um ano. O meu pai estava lá a estudar, aquele primeiro trimestre é um trimestre se em Oxford. O que a levou a voltar anasci lá e quando regressei tinha um ano, de ir tomar o “port wine”, de integração. Inglaterra?portanto os estudos foram todos feitos Ficamos a conhecer bem a oferta e eu Na altura em que terminei o mestradocá em Portugal. Estudar em Coimbra acabei por fazer parte da equipa feminina tive uma bolsa Alemã, por 2 meses, paranesse tempo não era muito diferente de dos barcos de 8 (remo). Isto só foi ir discutir o meu tema de mestrado comagora. Bem, não havia barulho… (risos) possível porque os estudantes que chegam um professor e a experiência que eu tiveEu acabei a minha licenciatura, que na todos os anos são integrados e acho que na Alemanha foi má. A comunicaçãoaltura eram 5 anos, em 1981. A tradição a integração é importante. Coimbra tem era a seguinte: tudo o que dizia respeitoacadémica foi reposta em 1980, ano essa vida académica: tem uma Associação à Física, discutia-se em Inglês, mas nãoem que houve já cortejo da Queima das Académica muito forte, uma vida cultural havia nada para além disso. Portanto,Fitas… no qual eu não participei. e desportiva com uma oferta muito variada durante dois meses eu vivi como uma e eu acho que é importante integrar os ermita. Discutia Física mas não haviaAlgum motivo pessoal? estudantes, mas às vezes há excessos. vida própria. Infelizmente, fui paraTenho a impressão que foi uma questão de uma Universidade não muito grande,não ter crescido com a tradição e portanto Começou a dar aulas logo após a que ficava num meio industrial, semnão me dizia nada de especial. No ano licenciatura… vida cultural e eu senti isolamento. Láseguinte, em 1981, os meus colegas E na altura foi mais fácil do que agora. Na está, não houve integração. O grupo era9 Dezembro 2011 RESISTANCE
  11. 11. disciplina. Tínhamos que fazer três disciplinas por trimestre e os trimestres Como investigadora, faz parte do Centro tinham 8 semanas, sem feriados. Podia de Física Computacional. Que tipo de haver feriados na cidade, que eram sempre trabalho é desenvolvido? à segunda-feira, mas a Universidade O Centro de Física Computacional está não tinha feriados. Exigia trabalho dividido em cinco grupos: o grupo a que dos alunos, tinham as aulas teóricas, eu pertenço dedica-se a problemas do chamadas lectures, e aulas tutoriais, onde núcleo ou de muitos corpos. O meu tema se discutiam todos os problemas que de investigação é as estrelas compactas tinham sido resolvidos. Isso obrigava a e a equação de estado de matéria um trabalho permanente… mas também assimétrica. Uma estrela compacta é havia festa. Dava tempo para tudo. aquilo que é conhecido por uma estrela de neutrões com muitos neutrões e poucos Como eram os momentos de lazer? protões. Isso permite explorar a matéria As pessoas encontravam-se nos colégios nuclear numa região do espaço que nãopequeno, e talvez esse tivesse sido outro uns dos outros. Vivíamos em colégios, e era conhecida e que agora, com os novosmotivo que dificultou… Aí eu logo pensei encontrávamo-nos no bar de cada colégio. equipamentos nos laboratórios, vai sendo“Alemanha, não”. Como o Inglês era uma O bar não ficava aberto até às 5h da possível obter resultados experimentais.língua que eu conhecia, pois tinha nascido manhã… (risos) No máximo até à 1h ou Há também um conjunto de pessoas queem Inglaterra e tinha vontade de voltar ao 2h da manhã. Também havia saídas, ia-se estão mais ligadas a modelos de quarkspaís, fui trabalhar com um Professor de ouvir um concerto, ver uma peça de teatro, ou mesões. Há um segundo grupo queFísica, David Brink [1], em Oxford. Ele idas até Londres ver um espectáculo também está ligado a esta vertente, aera muito boa pessoa do ponto de vista e havia um grande envolvimento no matéria hadrónica, um terceiro grupo quecientífico e também muito agradável do desporto: todos os colégios tinham campos tem como tema de investigação tanto aponto de vista humano. Conjuguei essas de ténis, campos de squash… Mesmo que Astrofísica como a Geofísica e há aindaduas coisas: voltar a Inglaterra e trabalhar não fossemos peritos, pegávamos numa um quarto grupo que está relacionadocom uma pessoa de quem eu gostava e raquete e jogávamos, e tudo isso eram com a história, o ensino da Física e aque já conhecia. momentos de encontro. divulgação da Física, que tem sido sempre uma vertente forte deste Centro. Há aindaQue diferença notou no método Britânico? Em que incidiu a sua tese de outro grupo muito activo, coordenadoA investigação, neste momento, é feita Doutoramento? pelo Professor Fernando Nogueira, queem todos os lados segundo os mesmos Naquela altura era um problema que presentemente se tem dedicado ao estudoparâmetros. Mas claro, se estamos num estava a ser discutido em meados dos anos da resposta de nano-partículas incluindomeio que tem um grande número de ’80: a produção de piões, ou de fotões biomoléculas complexas a perturbaçõespessoas a fazer investigação em temas muito energéticos, em colisões de iões exteriores.de fronteira é muito mais fácil ficar a pesados com energias intermédias (porconhecer os novos campos, os novos volta de 50 MeV/partícula). Numa colisão Para o futuro, tanto próximo/distante:temas, e de estabelecer ligações para de carbono em carbono, ia haver um Alguma descoberta importante eminente?futuras colaborações, o que torna tudo núcleo com 12 x 50 = 600 MeV de energia Tem algum(s) projecto (s) em vista?muito mais rico. Além disso, uma saída cinética que ia incidir no alvo. O que se Numa estrela compacta, uma estrela dedo país é sempre importante porque verificava é que era possível produzir neutrões por exemplo, um objecto denos mostra que o país é pequeno, que piões com uma massa de 140 MeV. Ora 12km (de diâmetro), toda a informaçãohá muito para lá das nossas fronteiras. uma só partícula, resultante da colisão de que nos chega, atravessa a crosta que temÉ algo sempre vantajoso, mesmo que uma partícula com outra, não era possível 1 km. Enquanto o interior é composto,a experiência não seja 100% positiva, produzir esse pião. A única maneira era mais ou menos, por matéria homogénea, aporque nos dá outra perspectiva. Ali, no juntar a energia de parte dos nucleões crosta não é homogénea. Neste momentoDepartamento de Física Teórica, que para conseguir produzir essa partícula, o tenho-me dedicado mais às propriedadesestava também próximo do Departamento que significava que tinha que haver um da crosta, e perceber coisas como comode Física Nuclear e do “Rutherford movimento colectivo que possibilitasse é que se propagam as excitações e asLaboratory”, as pessoas encontravam- a sua produção. Chamava-se a isso “a ondas, e quais as propriedades dosse e falava-se dos vários temas, o que é produção de piões abaixo do limiar”,muito enriquecedor. Relativamente às ou seja, abaixo do limiar nucleão-aulas, tive que frequentar cursos durante nucleão. Tratava-se de um problemadois trimestres, obrigatoriamente, mais núcleo-núcleo e o meu trabalhoum trimestre optativo, e tínhamos que desenvolveu-se de modo a tentarresolver problemas. Todas as semanas perceber se um certo mecanismotínhamos uma folha de problemas para podia explicar essa produção deresolver, alternadamente, ou seja, na piões, ou de fotões muito energéticos,mesma semana não tínhamos de outra que é o mesmo tipo de problema. RESISTANCE Dezembro 2011 10
  12. 12. materiais da crosta (viscosidade, etc.). e dá aso à imaginação. Tudo isto é importante para perceber o sinal que recebemos dessas estrelas Será que a Professora está a lançar um e é a perceber este sinal que podemos desafio aos estudantes do Departamento? ficar a saber mais sobre a matéria dos Eu acho que isso era uma boa ideia! Em núcleos. Este objecto é como um só primeiro lugar, estão mais próximos: núcleo enorme, com 10km diâmetro e as crianças gostam muito e reagem com uma matéria muito densa, enquanto muito bem a ter visitas na sala de aula, que o campo magnético da terra é 0,5 G, principalmente para abordar este tipo de lá pode ser 1015 G à superfície. Neste temas. O meu método era partir de uma momento estou envolvida na descoberta pergunta, por exemplo “quantas cores das propriedades internas destes objectos tem a tua caneta preta?”, algo em que com quem possamos dialogar de modo a e é um tema que me atrai. eles nunca tinham pensado. Fazíamos encontrar as funções que sejam as mais primeiro uma discussão, via-se o que é adequadas. O trabalho de presidir, ou Também já esteve ligada a projectos de que eles sabiam ou não sobre o tema, dirigir, uma instituição é simplesmente divulgação e ensino da Física… o que é que eles já tinham pensado e um trabalho de pôr as pessoas a falar e Estive ligada a vários projectos da por vezes perguntava-lhes como é que a chegar a soluções para os problemas Ciência Viva porque, à medida que podiam testar alguma ideia que já tivesse que se levantam na instituição. Na altura, as minhas filhas foram crescendo, surgido. Se não tivesse ideias, propunha- naqueles dois anos, já se tinha feito toda eu fui acompanhando as escolas e as e eles realizavam a experiência, a transformação de “Bolonha”, já tinham desenvolvendo algumas actividades interpretávamo-la e discutíamos. sido aprovados os primeiro e segundo nas escolas delas, que acabei por juntar É um percurso que acho que todos ciclos, de Física e de Engenharia Física, em livros. Penso que a maneira como podiam desenvolver, nomeadamente e o curso de Engenharia Biomédica já as ciências são abordadas no 1º, 2º e 3º aperceberem-se que há questões para havia sido formulado como mestrado Ciclos em Portugal não é como podia ser: as quais não temos respostas, mas integrado. Foram os anos em que foi o programa permite que se faça mais mas podemos tentar encontrar uma resposta preciso pôr a funcionar esses novos os professores não têm essa preparação. e tentar perceber o que se está a passar. currículos e criar os terceiros ciclos. Acho que o essencial é o diálogo e ter- Mas vocês, estudantes, já sabem: se precisarem se bons colaboradores. Tem que se verde alguma coisa é só virem ter comigo e falarmos, quais são as actividades que é importante desenvolver, e responsabilizar pessoasestou à vossa disposição para diálogo. para essas actividades. Isso é bom para a instituição, porque temos o ponto de Os professores têm medo de fazer Descobrir que podemos pensar sobre um vista de outras pessoas, que é sempre experiências. Isso era um campo em que problema e chegar a algo que leve a uma enriquecedor, e é bom para a pessoa, vocês, como estudantes, podiam ganhar solução, que não é magia, e que as coisas porque se ganha experiência em algo que experiência: obriga a pessoa a ganhar que estão nos livros é porque alguém as talvez ainda não se tenha feito, e isso é vocabulário, a conseguir exprimir ideias testou e alguém as experimentou. sempre importante. complexas de uma maneira simples, ajuda a saber relacionar-se com os outros Foi presidente do Conselho Científico Quais são as suas espectativas para a do Departamento de Física desde 2007 Direcção do Departamento de Física? a 2009. Como consegue conciliar tantas Para já não tenho espectativas nenhumas actividades? Quais são as principais porque foi inesperado… (risos) Para já, funções desempenhadas neste Conselho? ainda não estou bem inteirada e ainda Essa experiência terminou mas já vai nem estudei bem os problemas que o recomeçar brevemente pois acabei de Departamento possivelmente tenha como ser eleita Directora do Departamento Instituição. Sempre estive envolvida de Física. Eu acho que temos que ser mais na parte científica, mas logo que organizados e é necessário colaborar. Ser tome posse como Directora ficarei a Directora do Departamento ainda não sei saber quais são os problemas que terei bem o que é mas rapidamente saberei que resolver. Mas vocês, estudantes, já (risos). Como presidente do Conselho sabem: se precisarem de alguma coisa é Científico tinha que resolver problemas só virem ter comigo e falarmos, estou à do âmbito científico do Departamento vossa disposição para diálogo. e os problemas são problemas de um Departamento, de um conjunto de 1 Prof. David Brink, Ph.D. é um dos pessoas que vivem num Departamento. fundadores da Física Teórica Nuclear, É preciso perceber o que é que se passa membro da Royal Society e galardoado e é preciso ter colaboradores com quem com a Rutheford Medal do Institute of trabalhemos bem, em quem confiemos e Physics, Reino Unido.11 Dezembro 2011 RESISTANCE
  13. 13. Se divertindo em Genebra Edson Ferreira 15,0 franco suíço se procurar algo um andando. A descida foi bem divertida, a pouco mais elaborada o preço sobe chão estava um pouco molhado, resultado exponencialmente. Se paga bem mais a muitas pessoas escorregaram, nada qualidade dos produtos é excelente, por séria, mas suficiente para ser motivo de isso os relógios e os canivetes suíços muita graça. Descobri que levo jeito para são conhecidos mundialmente pela sua descer montanha, e que isto pode ser uma excelência. Não fica só nisto, até os atividade muito interessante. Perdemo- biscoitos considerados mais baratos são nos durante a descida, mas conhecemos deliciosos! Em relação à diversificação um pequeno povoado muito bonito e em cultural encontram-se pessoas vindas de que os moradores eram bem simpáticos. várias partes do planeta. Nota-se uma Depois de algumas voltas encontramos grande concentração de árabe, chinês, novamente o caminho, toda esta aventura português etc. A Suíça possui vários levou cerca de três horas e meia. A idiomas entres eles: alemão, francês e descida em si valeu muito a pena. OutroA viagem foi fantástica, pois a cidade italiano. O idioma oficial de Genebra lugar interessante que visitamos foi ode Genebra é linda, muito organizada e é o francês, mas quase toda gente fala Museu de História Natural, que é umas pessoas são simpáticas. Basicamente também o inglês, e desta forma não prédio com cerca de cinco andares. Emtoda a cidade de Genebra é plana, este tivemos problemas com o idioma. Fomos que cada andar ficava com uma classeé uns dos motivos pelos quais grande visitar o CERN, o maior acelerador de animal como: mamíferos, repteis etc.parte da população andam de bicicleta. de partículas do planeta, não deu para Além disso, possuía uma sessão destinadaÉ interessante e até engraçado você ver muita coisa, pois os aceleradores aos minérios possuindo rochas e cristaisesta caminhado pela cidade e vê muitas estavam em funcionamento. Mas deu de varias partes do planeta.Visitamospessoas várias delas com terno indo para conhecer o seu funcionamento, também o Jardim botânico que tinhatrabalhar de bicicleta, e as crianças visitar a estação onde são processadas cerca de 30 hectares, o interessante alémandam de patinete. Uma coisa que me as informações de um dos aceleradores de ser a paisagem que possuía espécieschamou muito a atenção é a organização que é o Atlas, conhecemos também um de vários países, eram as estufas pordos suíços, é espetacular! Eles possuem enorme armazém onde são construídos e eles construídas. Estas estufas buscavaum sistema de transporte bem eficiente, testados os equipados que serão utilizados representar as varias característicascomposta de autocarro (ônibus), trem nos aceleradores, deu para ver vários como pressão, umidade, temperaturae pequenas embarcações. Que para os equipamentos de perto, foi fantástico! etc. De diversos ambientes diferentes.visitantes é gratuito, isto mesmo desde Por fim visitamos o microcosmo que é Conhecemos também o Museu Ariana,o aeroporto e durante toda a sua estadia uma exposição permanente de divulgação que é um museu de artes cerâmica,em Genebra os transportes públicos são científica que por sinal foi muito que possuía uma grande coleção degratuito. Quando você está caminhando interessante. Por Genebra ser toda plana porcelanas das diferentes regiões epelas ruas e fecha o sinal de transito, a estratégia utilizada para conhecê-la épocas históricas. Como era fantásticosmesmo que não esteja vindo nenhum melhor foi à caminhada visitamos quase os detalhes empregados na construçãocarro ninguém atravessa a faixa. Genebra todos os principais pontos andando. das peças, algo realmente digno deé um dos centros mais importantes da Visitamos a ONU (Organização das admiração. Como não podia deixar dediplomacia internacional, sendo sede Nações Unidas), foi uma visita guiada ser visitamos três igrejas: uma cristã,de vários órgãos de cooperação, como com uma senhora muito simpática, uma protestante e uma russa. Cadaa ONU, a Cruz Vermelha, OMC, OIT, conhecemos a estrutura da organização, uma com suas diferentes arquiteturas eCERN etc. Sendo por isso conhecida um pouco da sua história e deu para entrar peculiaridade.como a Capital da Paz. Genebra também e sentar nas cadeiras dos representantesse destaca como um dos principais dos vários países, foi bem divertido!centros financeiros do mundo. Em várias Demos um pulinho em França para subirpartes da cidade você encontra enormes uma de suas montanhas de teleférico,bancos internacionais. Este é uns dos chegamos ao ponto mais alto que era 1motivos pelos quais os preços dos 100 m de altitude em cinco minutos. Aprodutos em Genebra são considerados vista lá de cima era descomunal, davabem elevados em relação a grande parte para ver toda Genebra e uma parte dada Europa. Geralmente uma refeição França. Para tornar o passeio um poucosimples fica no mínimo entre 12,5 e mais interessante decidimos descer RESISTANCE Dezembro 2011 12
  14. 14. Estado estacionário Ilha Terceira João Borba É algures entre os EUA e Portugal Continental, no meio do qualquer ilha Oceano Atlântico, que se situa a minha terra natal. Sendo uma dos Açores) é, das mais carismáticas ilhas do arquipélago dos Açores, a Ilha obviamente, no Verão. Terceira apresenta no mapa uma forma praticamente elíptica, e Primeiro, porque é tem um perímetro de 90 kms e uma área de cerca de 402,2 km2. Verão, e apesar do Estes números já me valeram as mais diversas piadas durante clima ameno e húmido os meus seis anos em Coimbra, que vão desde “Lá onde vives predominar durante sais de casa, dás um passo errado e cais ao mar!” ou “Quando os doze meses de as crianças vão para o infantário levam sempre braçadeiras para cada ano, a humidade o caso de acontecer algo de errado!” ou até “Lá nos Açores, os é menor durante o carros têm duas mudanças…a primeira e a segunda! A mudança Verão, o que permite para fazer recuo não é precisa, dá-se a volta à Ilha!”, entre a existência de ondas outras anedotas que até já me valeram algumas risadas. Por de calor. E segundo, vezes, porque tiveram mesmo piada, outras vezes porque são porque a ilha Terceira, o auge da ignorância. E aviso desde já: nós, os Terceirenses, durante o Verão (e somos pessoas bastante protectoras do seu território e qualquer fazendo uma analogia piada semelhante poderá não ser respondida da forma mais com Coimbra), agradável. No entanto, e não querendo afugentar qualquer resume-se a festa atrás de festa. Nós até costumamos dizer turista, nós somos, por norma, pessoas extremamente em jeito de piada que os Açores têm oito ilhas e um parque de acolhedoras, humildes, e divertidas. Comunicamos entre nós diversões! Desde Junho a inícios de Outubro que a festa não num dialecto extremamente peculiar (e que não tem nada pára, tendo como exemplos maioritários as míticas Sanjoaninas a ver com o dialecto de São Miguel, como muitos julgam), e as sempre esperadas Festas da Praia. De salientar também onde falamos extremamente rápido, não acabamos as sílabas e a cultura taurina da ilha Terceira. Se um dia estiver nalguma adicionamos “Is” antes de certas palavras. Para nós “Escada”, rua e esta ficar vedada ao trânsito, não estranhem. É apenas dito é “Esquiada”, ou “Vamos Embora” é “Vamos Embiora”, uma das maiores atracções da nossa Ilha, as touradas à corda! uma ‘Sagres Mini’ é uma ‘Fresca’, ou quando estamos Nestas, um touro é amarrado com uma corda pelo pescoço que impressionados com algo, usamos uma variância do termo “É, é segurada por 6 homens (os denominados ‘pastores’). O touro Homem!”, que é “É, uóme!” para exprimir o nosso espanto. é então, largado na rua que tinha ficado vedada, e alguns mais Existem diversos locais onde este dialecto é mais forte, corajosos saem à rua para correr com ele. As outras pessoas principalmente nas freguesias onde habitam menos pessoas. juntam-se nas casas e convidam os amigos e conhecidos para A melhor altura para vir visitar a ilha Terceira (bem como entrarem para comer e beber enquanto vislumbram a tourada da varanda ou da entrada da casa. Não se preocupem se perderem uma tourada! É raro o dia de Verão em que não haja pelo menos uma toirada à corda em algum local, é só estar informado sobre qual será o próximo sítio! Não menos importante será referir que Angra do Heroísmo (uma das duas cidades da Ilha Terceira, sendo a outra a Praia da Vitória) é considerada Património Mundial pela UNESCO, e que temos, num território pequeno, uma beleza natural praticamente inigualável no Mundo [1]. O único senão para se deslocarem aos Açores poderá ser os preços das passagens. Devido à monopolização da parceria SATA/TAP, 90% das passagens ida e volta rondam os 300 euros por pessoa de Lisboa para qualquer ilha, um valor que não é certamente suportável por grande parte dos Portugueses, e ainda mais em época de crise. No entanto, será um crime ir deste Mundo sem nunca ter visitado os Açores, e principalmente, sem nunca ter passado umas belas semanas no seu parque de diversões, a Ilha Terceira! [1] Relativamente a esta afirmação, falo em nome dos Açores.13 Dezembro 2011 RESISTANCE
  15. 15. Estado exitadoSer Estudante em Uppsala:viajar é aprender Pierre Barroca“SÓ viajas, SÓ viajas”, dizem uns; “SÓ vida boa, não fazes nenhum”, dizemoutros.Em parte é verdade mas não é SÓ Nações que são mini-associações estudantes e até uma sala dedicada aosisso. Tenho tido o privilégio de de estudantes que representam os estudantes de muçulmanos poderemviajar por alguns países com estatuto estudantes cujos associados podem dar rezar na paz de Alá. Não se cobradiferente de mero turista e é difícil entrada nos bares a custo zero. Não qualquer tipo de propina para alémpassar esta ideia para o outro lado. sendo associado paga-se um pequeno de se garantir quase imediatamenteMais que visitar a cidade, esforço- valor de entrada onde a cerveja é uma bolsa de no mínimo 200eurosme em aprendê-la e, nessa medida, baratíssima! Baratíssima em Uppsala para ajudar os estudantes a suportarconsidero-me mais um Estudante é sinónimo de 3,50eur no mínimo por custos de alojamento em residênciasViajante que um mero Turista. Em garrafinha de 33cl de birra!! Depois universitárias.No que resulta tudo isto?Abril deste ano tive a sorte de ser de dar entrada é dá-se lugar à festa até Conforto, sem dúvida mas não só.aceite como ajudante na organização máximo dos máximos 2h da manhã. Entre estudantes sentia-me um primatade um curso para estudantes europeus Agora fora a vida noturna, que Uppsala durante discussões sem qualquer tipona cidade universitária de Uppsala, não se resume só a combeber, tenho de atropelo lógico, na pontualidadeSuécia. Em Uppsala podem encontrar a referir que o modo de vida Sueco e na forma de interpretar algumasumas das universidades mais antigas é totalmente diferente do que estava questões. Dou como exemplo umada Europa, fundada em 1477 e à noite, habituado. O meio de transporte das maiores lições que vem de umaruas recheadas de estudantes em festa! número um de todo e qualquer história de um grande amigo meu queÀ semelhança de Coimbra, são os estudante é a bicicleta. Mesmo vivendo estudou em Uppsala que irei tentarestudantes que fazem da cidade de a 30 min da sua Faculdade. Perdi transcrever. “Estava eu a meio de umUppsala uma cidade cheia de vida, todos os dias, no mínimo, 1h30min de exame quando vários suecos saemno entanto Caros conterrâneos, não bicicleta a percorrer as ruas achatadas subitamente da sala com o professoresperem sentir-se em casa por terras da cidade. Fiquei impressionado com presente. Passado algum tempo voltamescadinavas! Esqueçam saídas à noite a capacidade física de meninas de e retomam o exame. Depois do examea partir da 1h, esqueçam escandaleira cabelo amarelo e dos velhotes.Indo acabado perguntei o que tinham idonas ruas, esqueçam cerveja a 50cent, a uma cidade maravilhosa como esta fazer fora da sala, no que eles meesqueçam aquele xixi orgásmico podemos darmo-nos conta daquilo dizem com toda a calma do mundo quenos recantos das ruelas ou no meio que é realmente o resultado de um tinham ido a casa de banho. Chocado,de arbustos, esqueçam fazer lixo, sistema de Educação que funciona. perguntei como podia o professorESQUEÇAM! 20h de quarta-feira O sistema sueco ultrapassa qualquer aceitar tal coisa visto assim ser fácil(melhor noite em Uppsala a par de coisa que alguma vez pude imaginar. copiar, no que eles me respondem:sexta) e já se viam fileiras a seguir Desde infraestruturas super cuidadas “Copiar, como assim? Se copiares nãoordeiramente rua fora toneladas de e com tecnologia recente, serviços aprendes!”. “ Posto isto o meu amigomeninas bonitas bem vestidas (reitero, competentes, todo o tipo de serviços calou-se, acenou educadamente eTONELADAS) e meia dúzia de seres oferecidos aos alunos dentro do refugiou-se na vergonha em que a suahumanos do sexo masculino. Perante próprio edifício da faculdade como pergunta, aparentemente ridícula, oisto, pensava eu: “Toda a gente a jantar chuveiros acessíveis a qualquer hora deixou. Esta é parte da realidade que sefora? Rica vida!”. Mas NÃO! Eles já do dia, salas comuns com equipamento vive numa cidade de estudantes suecase estavam a preparar para mais uma de cozinha recente para fazermos que só um Estudante terá oportunidadenoite boémia. Em Uppsala os bares as nossas próprias refeições, salas de viver e que eu recomendo a todosalvo estão divididos pelas chamadas de estudo para pequenos grupos de experimentarem. RESISTANCE Dezembro 2011 14
  16. 16. 16 frames por segundo “Jamaica Inn” (1939) Um dos filmes mais esquecidos e injustiçados de Hitchcock - um caso sério de afecto. Por volta de 1800, na Cornualha, um bando de contrabandistas liderados discretamente por Sir Humphrey Pengallan, o juiz local, provoca naufrágios na costa marítima, saqueando os navios. O seu “quartel- general” é a “Pousada da Jamaica”, gerida pelo casal Merlyn, que acolhe Mary Yellan, uma sobrinha órfã que vai alterar o estado das coisas. Última fita britânica de Hitchcock antes do rumo à América, A Pousada da Jamaica é uma surpreendente obra que não merece o desprezo a que foi votada. Tem um preto-e-branco apaixonante, com a fotografia contendo uma saudável “sujidadezita” que emana na perfeição aquela pureza dos filmes antigos consideravelmente estilizados. E que estilo tem Hitchcock! Aproveita com uma perícia insuperável o céu, os navios, os cenários naturais exteriores, os close-ups e até a indumentária dos actores para projectar planos de um deslumbramento visual arrebatador. É sim um filme de cenas marcantes, mas acima de tudo, é um filme de sentimento estético marcante. Charles Laughton dá um autêntico show interpretativo como Pengallan, com um egocentrismo destacável mas com uma classe assombrosa. É um imponente e requintado vilão que só deixa boas recordações. Já Maureen O’Hara, faz aqui a sua estreia ao encarnar a protagonista feminina, e fá-lo em grande, demonstrando um carácter forte e um empenho não menos sentido, intervindo exemplarmente num bom leque de cenas de puro fascínio superiormente filmadas. Quanto à cena final do filme, que obviamente não revelarei, e que poderá parecer algo estranha, não prima por uma surpresa estonteante, mas sim por uma afinada inteligência que proporciona um adequamento superior à obra. Não há dúvidas: a fase britânica de Sir Alfred merece mais. Artur Almeida “Peaceful Warrior” (2006) Filme de 2006, realizado por Victor Salva e baseado no livro “pseudo-auto-biográfico” motivacional, The Way of The Peaceful Warrior. A história contada é a de Dan Millman (Scott Mechlowicz), um estudante universitário e ginasta que sonha representar o seu país nas olimpíadas. E apesar de aparentemente ter tudo o que deseja, o arrogante Dan parece não conseguir preencher um vazio no campo da felicidade. Até que conhece Socrates (o veterano Nick Nolte), e se aventura por estradas que ainda não tinha percorrido. As performances dos dois actores principais estão dentro do aceitável tendo em conta o guião, que em muitos momentos se revela demasiado surreal. Aceitando que este se baseia numa história verídica, e que o ponto forte do filme é a sua mensagem, de crença na força do espírito humano, seria de esperar um argumento que reflectisse melhor a realidade. Que não desse azo a que o espectador sinta que tudo não passa de mais uma historia banal e figurada de esperança. Ainda assim, não deixa de ser uma historia inspiradora, que relembra ao espectador que mesmo nas alturas mais difíceis, o Homem dá a volta ao mais improvável rumo dos acontecimentos. No final fica a sensação que o filme perde credibilidade na transmissão do seu significado, e com isso, valor. Mas se o espectador conseguir abstrair-se de alguns momentos menos credíveis, encontrando o verdadeiro significado do filme, então não são (de todo!) duas horas perdidas. Gonçalo Louzada15 Dezembro 2011 RESISTANCE
  17. 17. 16 frames por segundo“Submarine” (2010)Oliver Tate (Craig Roberts) é um jovem de 15 anos que vive problemas com as duas mulheres dasua vida. De um lado, a sua depressiva mãe (Sally Hawkins) que vive um aborrecido e monótonocasamento com o seu ainda mais depressivo pai (Noah Taylor). As coisas ainda ficam piores com apresença de um ex-namorado (Paddy Considine) de longa data da sua mãe na vizinhança. De outrolado Jordana (Yasmin Paige), a sua recente namorada, e cuja relação entre ambos aparenta ser o opostodo tradicional romance. O realizador Richard Ayoade retrata um Oliver que vive as ansiedades dajuventude (romance, sexualidade, pais, escola, colegas…) com um sentido de humor cru e por vezescruel, enriquecendo a história alegoricamente, fugindo à monotonia e linearidade. Num filme povoadode pessoas aparentemente tristes, Ayoade evita o foco nessa tristeza, levando a viagem para o modocomo Oliver e companhia encaram a sua realidade. Os porquês são subjectivos, o tempo não pára eOliver segue caminho, perseguido pelas questões tão comuns da idade: Crescer? Viver? Fugir? Masdesengane-se quem pensa que este é um filme comum. A banda sonora, composta pelo génio britânicode Alex Turner, parece sempre encaixar perfeitamente nos momentos chave do filme. Nesses instantes,a música fala pelas personagens. A peça que faltava a este puzzle. Uma comédia delicada, por vezesnegra, agridoce, que vive da sua continuidade enquanto história. A bela sensação de estar na mentedo alguém com 15 anos é real. Oliver pode não ser feliz para sempre. Mas por agora, o sempre não éassim tão importante.Gonçalo Louzada“Atonement” (2007)Expiação. Castigo. Pena. Penitência. Termos que a nossa mente não reconhece, na medida em que,na sua perspectiva, tudo se trata da realidade; e o que é real é autêntico, não havendo forma de serrevertido. Deste modo, é sempre uma tarefa árdua incutir-lhe não a realidade, pois ela própria constróiuma sua, mas sim instigar-lhe a interpretação correcta do mundo exterior. Para isso, é necessário umtreino quase transcendental do nosso entendimento. E que o diga a pequena Briony, que, vitimadapor uma versão errónea dos factos que a sua mente lhe terá apresentado, despedaçara o afortunadofuturo da sua irmã, Cecilia, ao lado do seu eterno amado, Robbie, um simples filho de um caseiro.Tudo terá sucedido no dia mais quente do Verão de 1935 que, apesar dos banhos refrescantes nasmais paradisíacas lagoas; das roupas frescas e leves a “voluptuarem-se” sobre os corpos tórridos; dospasseios no éden de jardins verdejantes; um balde de gelo precipitava-se sobre Inglaterra, vaticinandoa terrífica 2ª Guerra Mundial. Com 13 anos, uma vida luxuosa e oponente, e influenciada pelas pioresatitudes das pessoas menos indicadas, que se erguiam à sua volta, a pobre Briony terá iniciado a suaprópria guerra… um confronto invencível com a sua própria mente, com a conquista da paz interior.Uma sequência de mal-entendidos, cenários irreais postos em causa, mentiras, e o velho problema do“timing” errado, aniquila assim qualquer possibilidade de Robbie e Cecilia resistirem às atrocidadeshitlerianas. Um filme fantástico, arrepiante, emocionante e, acima de tudo, purificante; sim, porquenos dá leveza à alma, porque nos obriga a rever-nos na personagem da pequena Briony e relembrartodas as situações em que poderemos ter colocado a felicidade de alguém em causa, vitimizados pelanossa mente frágil e adúltera e; paralelamente, a encontrarmos a paz interior. Sim, porque a realidadeverdadeira, aquela que não é falsificada pelo nosso intelecto, passa por nós a sorrir; nós é que não lheretribuímos o gesto, preferindo abraçar o espírito esvoaçante de um propósito egoísta sem retribuiçãodefinida. Resta ver, para gratificar a realidade “concreta” pelo gesto tão simpático.Joana Paiva RESISTANCE Dezembro 2011 16
  18. 18. 78 rotações por minuto Foals Florence + The Machine Antidotes Ceremonials Desengane-se quem pensa que Oxford é só Universidade. Depois de construírem uma sólida comunidade de fãs, com singles como Hummer ou Mathletics, e com loucas festas que Devido a um primeiro álbum de enorme qualidade (Lungs, protagonizaram pelo meio, os Foals lançam Antidotes em 2008. 2009), a uma atitude carismática fora e dentro do palco, e a Produzido originalmente por Dave Sitek (guitarrista de TV espectáculos ao vivo emocionantes e intimistas, Florence Welch on The Radio), os próprios Foals refizeram esse trabalho em e a sua ‘máquina’ ganhou rapidamente uma fanbase fiel e elitista, Londres depois de não ficarem totalmente satisfeitos. Antidotes sem deixar de conseguir chegar ser mainstream num ou noutro é um álbum revigorante em que é impossível ser absorvido momento (principalmente com a tão conhecida “You Got The pelas agudas guitarras de Yannis (também vocalista) e Jimmy, Love”). Ceremonials é o sophomore effort de Florence, e foi que tão bem se completam e conjugam durante 44 minutos. lançado no dia 31 de Outubro. Acaba por ser difícil descrever The French Open dá as boas vindas da melhor maneira, Ceremonials. Florence deu asas à imaginação, e sempre frágil conseguindo transmitir várias das sensações que o álbum vai mas confiante, exprime-se ainda mais do que se julgava possível. explorar. Depois da solene abertura, Cassius estala o verniz, Florence explora novos caminhos, algures entre o soul e o gospel, está na hora de dançar. Red Socks Pugie é reconhecida pela sua o que resulta num álbum com um clima bastante sombrio. Esses inconfundível e enérgica bateria mas no final dá espaço para ambientes mais negros estão exemplarmente expressos na faixa Olympic Airways estabelecer o ambiente perfeito à entrada de inicial “Only If For The Night”, na misteriosa “Seven Devils” e Electric Bloom. Sublime e bela na sua simplicidade, dura quase na honesta “Never Let Me Go”. E para não destoar, “What The 5 minutos, ainda assim demasiado efémeros. Balloons volta Water Gave Me” e “Breaking Down” juntam ambientes pseudo a subir o ritmo e as tímidas Heavy Water e Two Steps Twice – progressivos aos coros de igreja. Pelo meio, Florence continua guardam o melhor para o seu fim. Inatamente alegre é Big Big com uma facilidade notável em fabricar hinos atrás de hinos Love (Fig. 2), leve e serena. No final, um mergulho em Like (“Shake It Out”, “No Light, No Light”) e em saber construir Swimming e Tron, que tal como o filme homónimo nos leva músicas poderosas, capazes de mandar uma casa abaixo como ao virtual e nos deixa por lá. Uma fusão da energia do “Dance- “Heartlines” ou “Spectrum” (provavelmente a melhor faixa Rock”, a complexidade do “Math-Rock” e aquele toque único do álbum). “Leave My Body” é também uma forma perfeita de “Brit-Indie-Rock”, tornam este álbum um misto de emoções de acabar um álbum emotivo: com um estrondo (e com uma e energia, um antídoto para a monotonia musical que se vive fantástica performance vocal de Florence Welch). Ceremonials cada vez mais no mundo artístico. é uma investida extremamente bem-sucedida por caminhos bastante perigosos. Durante as dozes músicas, dá sempre a sensação que Florence canta os seus temas com o anjo e o diabo Gonçalo Louzada em cada mão. O resultado é misto gritante de emoções à flor da pele. Ceremonials é violento, poderoso, intenso, humano. Um dos álbuns do ano! João Borba17 Dezembro 2011 RESISTANCE
  19. 19. 78 rotações por minuto Noel Gallagher High Flying Birds Noel Gallagher’s High Flying Birds João Borba Oasis. É difícil não reconhecer pelo menos uma/duas músicas de uma das bandas mais icónicas da infância/adolescência da tão injustamente afamada geração “à rasca”. Apesar deste sucesso a nível mundial, era certo e sabido que o ambiente dentro da banda nunca foi o melhor e que as brigas dos orgulhososirmãos Gallagher iriam, eventualmente, levar ao fim da banda. Há dois anos, esse final foi uma realidade, e cada irmão seguiu o seucaminho. Liam Gallagher segurou os elementos dos Oasis e criou a banda Beady Eye logo após o término dos Oasis. Já com umálbum lançado, a banda atingiu algum sucesso no Reino Unido. Já Noel preparou algo que há muito pretendia: a sua carreira a solo.E assim nasceu Noel Gallagher’s High Flying Birds, cujo álbum homónimo foi lançado no dia 17 de Outubro em território europeu.O álbum abre com “Everybody’s On The Run”, que ou muito me engano, ou estará na lista de melhores músicas de 2011. A misturade elementos clássicos com uma vontade auspiciosa de gritar a cantar está magistral. É também possível vislumbrar que a chamados Oasis ainda não se apagou no coração de Noel. “Dream On” e “If I Had A Gun” são cheesy brit pop, “The Death Of You AndMe” parece uma “The Importance Of Being Idle” (Oasis - Don’t Believe The Truth, 2005) limada até à perfeição, e “I Wanna LiveA Dream (In My Record Machine)” faz lembrar os bons psicadelismos de certos álbuns. E se julgavam que não é possível dançarnum álbum de Noel, serão surpreendidos por “AKA…What a Life!”, onde um piano triunfante dita um ritmo irresistível. Destaqueainda para a polémica “Stop The Clocks”, uma música que estaria prevista para sair num dos álbuns do Oasis, mas que nunca chegoua ver a luz do dia. É brilhante, e extremamente pessoal a produção que Noel colocou nesta música. Perdão, obra-prima! Foi Noelquem decidiu colocar um ponto final nos Oasis. Terá sido a melhor decisão, em termos de fazer a sua música chegar às massas?Claramente, não. Terá sido a melhor decisão a nível musical? Provavelmente. O prólogo do livro de Noel Gallagher tem um começomais auspicioso que o do seu irmão. Seguem-se os próximos capítulos…Umphrey’s McGeeAnchor DropsRui NunesDesta vez trago-vos uma banda originária de Chicago; pouco conhecida nopanorama Americano, muito menos internacionalmente. O primeiro contacto quetive com a música deles foi em Abril de 2007, no dia da Terra, num concertogratuito (e genial), ao ar livre, no Millennium Park, em Chicago. Os Umphrey’sMcGee tocaram literalmente do início ao fim, com sessões de jamming e solosde guitarra e bateria unindo as músicas (enquanto um dos elementos da banda descansava, à vez). Devo dizer que ouvir esteálbum é uma experiência musical, mas vê-los ao vivo é algo único. A energia e a versatilidade dos Umphrey’s McGee, bandapreferencialmente de Rock Progressivo, é claramente audível neste álbum com muitas músicas criadas a partir de jam sessions (aarte de improvisar em conjunto, seguindo ou não um dos elementos da banda). Anchor Drops foi o terceiro álbum da banda e uneas raízes de rock progressivo com outras linhas de influência, desde electrónicas (como por exemplo, em “Robot World”) ao folkamericano (em “Bullhead City”). Pessoalmente, a minha música preferida é a terceira, “In the Kitchen”, por começar com umagravação da voz ouvida no metro de Chicago anunciando “This is Chicago. Doors Closing” (ouve-se no final da música anterior)e por retratar o rigoroso inverno de Chicago, transportando-me para uma noite de Janeiro, a nevar lá fora. Dou uma classificaçãode 5 estrelas a este álbum, pela sua versatilidade e textura, que explora vários ritmos e instrumentos, em fusões pouco comuns aoouvido. É de destacar a qualidade do baterista, que tanto consegue criar aberturas explosivas (“Mulche’s Odyssey”) como de criarum ambiente jazzy e reconfortante (trechos iniciais de “13 days”). RESISTANCE Dezembro 2011 18

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