UNIVERSIDADE FEDERDAL DE SÃO CARLOS - IBEAS             DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL           CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO...
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AGRADEÇOÀ minha orientadora, Engenheira Agrônoma MS Cleide Oliveira, pela orientação e amizade.Ao Departamento de Engenhar...
RESUMOO presente trabalho consiste em uma análise do contexto da arborização urbana no Brasil, tendo porbase uma profunda ...
ABSTRACT         CONTEXTUALIZATION OF URBAN FORESTRY IN BRAZIL FROM AN                    ENVIRONMENTAL MANAGEMENT PERSPEC...
SUMÁRIO                                                                                                                   ...
71 INTRODUÇÃO       O tema arborização urbana tem sido abordado em inúmeras publicações e todas sãounânimes em considerar ...
8consigo. Dentre esses, podem ser destacados aspectos sociais, estéticos, psicológicos, climáticos,ambientais e ecológicos...
92 REVISÃO DE LITERATURA2.1 Histórico       Quando ainda não existiam os centros urbanos no Brasil, o ambiente natural e s...
10       Nas demais cidades coloniais, inclusive na capital, Salvador, a vegetação estava sempreausente do espaço urbano c...
11       Em 1822, o Brasil tornou-se Império e o Rio de Janeiro sua capital, para onde convergiramrecursos de todo o país ...
12valores estéticos e funcionais e constituindo marcos na valorização da jardinagem em locaispúblicos. Intensificaram-se o...
13impuseram a presença da árvore; porém, ao mesmo tempo, negaram a existência de condiçõesadequadas ao desenvolvimento da ...
14nativa e o quase abandono da utilização de plantas exóticas, valorizando sobremaneira a florabrasileira (MACEDO, 1999). ...
15nativas e dos jardins, juntamente com novos padrões e idéias sobre a importância do contato com aflora e a fauna nativas...
16devem ter sua evolução considerada (LLARDENT, 1982 citado por LOBODA; DE ANGELIS,2005).         Nas cidades brasileiras ...
17                          A qualidade de vida urbana está diretamente atrelada a vários fatores que estão reunidos na   ...
18       A sociedade científica vem se organizando, desde o final do século passado, para o fomentoda produção técnica e c...
19livres”, “floresta urbana”, “silvicultura urbana”, “reservas naturais”, “unidades de conservação”,considerando-se que em...
20        Com o intuito de discutir a dificuldade causada pelos diferentes termos utilizados paracaracterizar as áreas ver...
21       Guzzo [200-a] conceitua a arborização urbana como toda cobertura vegetal de porte arbóreoexistente nas cidades e ...
22                         Di Fidio (1990) estabelece uma classificação - ou categorias - dos espaços urbanos e           ...
23                      - As áreas verdes são um tipo especial de espaços livres onde o elemento fundamental de           ...
24        Cavalheiro e Del Picchia (1992 citados por HARDER et al., 2006) contestam o índicedifundido no Brasil de 12 m2 d...
252.3 Importância, benefícios e funções da arborização urbana         Em virtude da drástica diminuição dos espaços destin...
26         As áreas verdes, a arborização urbana e os benefícios advindos destas estão intimamenterelacionados com sua qua...
27organizar seus inúmeros benefícios e funções para a melhoria do meio ambiente, a seguir sãoexpostos e analisados aqueles...
28         Nos centros urbanos, as áreas arborizadas reduzem a amplitude térmica, absorvem aradiação ultravioleta, atenuam...
29         A presença da vegetação pode controlar, proteger, reduzir a velocidade e direcionar osefeitos do vento, contrib...
30       Alvarez (2004) comenta que o aumento da emissão de carbono é um dos maiores efeitos daurbanização, decorrente do ...
31       2.3.4 Controle do balanço hídrico       Nas cidades, a água da chuva é dissipada de várias formas ao cair. Uma pa...
32FILHO et al., 2002). As árvores também auxiliam a caracterizar a sinalização de espaços,constituindo-se em elementos de ...
33       - Valores de biomassa ou subprodutos – os autores consideram como valor indicativo dasárvores os produtos delas o...
34custos gerados pela manutenção das árvores. Concluem, então, que podem ser cobrados valoresadicionais aos estabelecidos ...
35múltiplos em benefício da sociedade. Já Santos e Teixeira (2001) consideram a vegetação como umelo entre o homem urbano ...
36doenças. Também comenta sobre a função de corredor ecológico que a arborização do sistemaviário assume, uma vez que faz ...
Contextualização da arborização urbana no brasil sob a prespectiva da gestão ambiental
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Contextualização da arborização urbana no brasil sob a prespectiva da gestão ambiental

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERDAL DE SÃO CARLOS - IBEAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO AMBIENTALCONTEXTUALIZAÇÃO DA ARBORIZAÇÃO URBANA NO BRASIL SOB A PERSPECTIVA DA GESTÃO AMBIENTAL ROSANA NEGREIROS CAMPINAS 2006
  2. 2. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - IBEAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO AMBIENTALCONTEXTUALIZAÇÃO DA ARBORIZAÇÃO URBANA NO BRASIL SOB A PERSPECTIVA DA GESTÃO AMBIENTAL ROSANA NEGREIROS Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Gestão Ambiental do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos em parceria com o IBEAS, como parte dos requisitos para a conclusão do curso. Orientadora: Engenheira Agrônoma MS Cleide de Oliveira CAMPINAS 2006
  3. 3. A verdadeira, a mais profunda espiritualidade consiste emsentir-nos parte integrante deste maravilhoso e misteriosoprocesso que caracteriza Gaia [Terra], nosso planeta vivo: afantástica sinfonia da evolução orgânica que nos deu origemjunto com milhões de outras espécies. É sentir-nos responsáveispela sua continuação e desdobramento. José Antonio Lutzenberger
  4. 4. AGRADEÇOÀ minha orientadora, Engenheira Agrônoma MS Cleide Oliveira, pela orientação e amizade.Ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos, por possibilitar odesenvolvimento do Curso de Especialização em Gestão Ambiental.Ao Professor Dr. Nemésio Neves Salvador, do Departamento de Engenharia Civil da UFSCar, pelacoordenação geral do Curso de Especialização em Gestão Ambiental.Ao Engenheiro Carlos Alberto Ferreira Rino, do IBEAS, pela coordenação local do Curso deEspecialização em Gestão Ambiental.Aos Professores da UFSCar e convidados, pela dedicação no desenvolvimento do Curso deEspecialização em Gestão Ambiental.Aos colegas da Turma de Campinas do Curso de Especialização em Gestão Ambiental, pelaamizade.À Engenheira Agrônoma MS Suzana Oellers, pela competência e eficiência na revisão destamonografia e pela amizade demonstrada.À minha mãe e ao meu pai (em memória) pela contribuição em minha formação como profissionale como pessoa.À Tia Leonor, pelo incentivo aos estudos durante toda a minha vida.Ao meu marido, Mozart, pelo companheirismo, amizade e apoio.
  5. 5. RESUMOO presente trabalho consiste em uma análise do contexto da arborização urbana no Brasil, tendo porbase uma profunda revisão bibliográfica, priorizando a abordagem que focaliza a gestão ambiental.O histórico aqui enfocado serve para caracterizar o tratamento dado à natureza pelo homem duranteo desenvolvimento do Brasil, destacando os aspectos políticos, sociais, urbanísticos e ambientais, demodo a propiciar melhor entendimento sobre o contexto atual. São relatados aspectos conceituaisencontrados na literatura nacional para situar a sistematização de termos, definições, conceitos eclassificações referentes às características, funções, tipologia, entre outros, usados na pesquisa, noensino, na difusão de tecnologia, no planejamento e na gestão neste campo. Neste estudo tambémsão abordados os principais fatores relacionados à arborização urbana, levantados e analisadosdados sobre a importância, os benefícios e as principais funções da arborização no meio urbano,assim como as dificuldades, os conflitos e os problemas relacionados ao assunto e são feitasconsiderações sobre o planejamento, a adequação e a gestão da arborização urbana. Esta análisecontextual tem como principais objetivos reunir e organizar um expressivo número de produçõescientíficas e, por intermédio de análise crítica e da própria experiência profissional pessoal, produzirum trabalho que possa facilitar os estudos daqueles envolvidos em programas de planejamento dearborização e gestão ambiental urbana.Palavras-chave: arborização urbana; planejamento da arborização urbana; gestão ambiental.
  6. 6. ABSTRACT CONTEXTUALIZATION OF URBAN FORESTRY IN BRAZIL FROM AN ENVIRONMENTAL MANAGEMENT PERSPECTIVEThis study consists in the analysis of the urban forestry context in Brazil, based on deep literaturereview, prioritizing an environmental management approach. The historical facts here shown servethe purpose of characterizing the way man has dealt with nature during the development of Brazil,emphasizing its political, social, urbanistic, and environmental aspects, aiming to offer a betterunderstanding of the current context. Conceptual aspects found in the national literature are reportedin order to point out the systematization of terms, definitions, concepts, and classification referringto characteristics, functions, typology, among others, used in research, schools, technologydiffusion, planning and management in this field. In the present study, the main factors related tourban forestry are approached and data on the importance, benefits, and the principal functions oftrees in urban areas are analyzed, as well as the difficulties, conflicts, and problems related to thematter, and there are also some considerations about urban forestry planning, adjustment, andmanagement. This contextual analysis has the main goals of gathering and organizing an expressiveamount of scientific production and, by means of critical analysis and personal professionalexperience, producing a paper that can make easier the studies for those who are involved inprograms of urban forestry planning and urban environmental management.Key words: urban forestry; urban forestry planning; environmental management.
  7. 7. SUMÁRIO página RESUMO .................................................................................................................... 4 ABSTRACT ................................................................................................................ 51 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 72 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................. 9 2.1 Histórico ................................................................................................................ 9 2.2 Conceitos e classificações ..................................................................................... 18 2.3 Importância, benefícios e funções da arborização urbana ............................... 25 2.3.1 Melhoria do microclima urbano .......................................................................... 27 2.3.2 Redução da poluição atmosférica ........................................................................ 29 2.3.3 Redução dos níveis de ruído ............................................................................... 30 2.3.4 Controle do balanço hídrico ................................................................................ 31 2.3.5 Fatores estéticos .................................................................................................. 31 2.3.6 Fatores econômicos ............................................................................................. 32 2.3.7 Fatores socioculturais .......................................................................................... 34 2.3.8 Melhoria da saúde humana .................................................................................. 35 2.3.9 Fatores ambientais e ecológicos .......................................................................... 35 2.4 Dificuldades, conflitos e problemas na arborização urbana ............................ 36 2.5 Considerações sobre planejamento, adequação e gestão da arborização urbana .................................................................................................................. 413 METODOLOGIA ...................................................................................................... 464 DISCUSSÃO ............................................................................................................... 475 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ................................................................ 496 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 517 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ........................................................................... 57
  8. 8. 71 INTRODUÇÃO O tema arborização urbana tem sido abordado em inúmeras publicações e todas sãounânimes em considerar sua importância sob o aspecto das várias funções que representa, noplanejamento e na administração das cidades, para a sociedade e para o meio ambiente. O desenvolvimento das cidades brasileiras se deu às expensas de grandes devastações deáreas verdes. Hoje, manter e multiplicar a vegetação no espaço urbano se tornou um sério problemapara todos os setores da sociedade que ali convivem. É questão premente para as aglomerações urbanas o estabelecimento de políticas queimpliquem a preservação das áreas verdes e o uso do solo de forma sustentável, visando contribuirpara o equilíbrio do meio no qual o homem habita e vive mais intensamente. Com a ocorrência cada vez mais constante de problemas ambientais, as questões relativas àarborização urbana assumem importância primordial na gestão das cidades. No caso do Brasil, emque quase 80% da população vive no meio urbano, não se pode prescindir da presença da vegetaçãonas cidades, posto que constitui um importante indicador de qualidade ambiental. Esta monografia tem como principal objetivo levar a uma reflexão, embasada em profundarevisão bibliográfica, sobre o contexto desse tema no Brasil, por intermédio de uma análise críticado que vem sendo feito no decorrer dos últimos anos com o crescente desenvolvimento urbano. Os enfoques histórico, sociocultural, político, técnico e ambiental são enfatizados nodesenvolvimento desta pesquisa. Nesta perspectiva, discorre-se sobre a relação da sociedade e dopoder público com a arborização urbana e a sua importância, principalmente sob a ótica da gestãoambiental. Para entender melhor o contexto da arborização urbana no Brasil é aqui estudado o papeldesempenhado pelos espaços verdes nas nossas cidades e são explorados os aspectos históricos,desde o início da urbanização do país até a atualidade. Neste estudo também são mostrados os conceitos ligados ao tema usados em pesquisa,ensino, difusão de tecnologia e gestão, buscando-se interpretar a forma como todos os atoresenvolvidos vêm transitando neste campo. A importância da arborização urbana e suas múltiplas funções são o foco principal destetrabalho, com vistas à confirmação de seu valor como recurso ambiental impreterível para o meiourbano, procurando-se mostrar a gama de benefícios que a presença das árvores nas cidades traz
  9. 9. 8consigo. Dentre esses, podem ser destacados aspectos sociais, estéticos, psicológicos, climáticos,ambientais e ecológicos, os quais são abordados nesta monografia. Também são discutidosdificuldades, conflitos e problemas relacionados ao tema. Finalmente, este estudo converge para as considerações sobre planejamento, adequação egestão da arborização urbana, com base em extensa revisão da literatura disponível, verificando-seos princípios e condicionantes do planejamento e o que tem sido efetivamente implementado até omomento nos diversos setores envolvidos, considerando-se a importância da participação dapopulação nas várias etapas decisórias, reforçada por programas de educação ambiental, de modo aque os processos gerenciais se consolidem com eficiência.
  10. 10. 92 REVISÃO DE LITERATURA2.1 Histórico Quando ainda não existiam os centros urbanos no Brasil, o ambiente natural e seuselementos, como água, flora e fauna, conviviam harmonicamente entre si. Com o advento daurbanização, os sistemas naturais foram sendo modificados e, conseqüentemente, o padrão doambiente urbano foi se tornando inferior ao necessário para as adequadas condições da vida humana(RIO GRANDE ENERGIA, 200-). Ao longo da história, o papel desempenhado pelos espaços verdes nas nossas cidades tem sido uma conseqüência das necessidades experimentadas de cada momento, ao mesmo tempo em que é um reflexo dos gostos e costumes da sociedade. (LOBODA; DE ANGELIS, 2005, p. 129). Apesar da incipiente urbanização nos três primeiros séculos após o início da colonizaçãoportuguesa, as praças e os largos constituíam os principais pontos de concentração urbanística e dapopulação nos quais estava a arquitetura de maior valor (REIS FILHO, 1968 citado por LOBODA;DE ANGELIS, 2005). Os espaços públicos nessa época eram humildes, formados por pequenasaglomerações urbanas ao longo da costa, nos domínios da Mata Atlântica, as quais tinham, em seucotidiano, contato com o meio ambiente natural, com a densa vegetação tropical. A vida urbanasimples estava a serviço da metrópole, que drenava os recursos da colônia. As pessoas de maioresposses estavam instaladas nas propriedades rurais, em chácaras residenciais em volta dos centrosurbanos. Na primeira metade do século XVII, no período da ocupação holandesa, Recife foi oprimeiro núcleo urbano que dispôs de manifestações paisagísticas e de arborização urbana nocontinente americano, por obra do governador João Maurício de Nassau-Siegen (LOBODA; DEANGELIS, 2005). Nessa época, o Palácio de Friburgo, no qual Maurício de Nassau residia edespachava, foi o primeiro parque público construído no Brasil, tendo havido ali uma tentativa dereproduzir as características das cidades européias (MACEDO, 1999). Ao redor do palácio dogovernador foram plantadas centenas de palmeiras, laranjeiras e granadilhas (TERRA, 2000 citadopor BORTOLETO, 2004). Após a retirada dos holandeses, pouco sobrou dessa fase, com exceçãode laranjeiras, tangerineiras e limoeiros nos trajetos das campanhas da invasão (LOBODA; DEANGELIS, 2005).
  11. 11. 10 Nas demais cidades coloniais, inclusive na capital, Salvador, a vegetação estava sempreausente do espaço urbano central, aparecendo apenas confinada aos quintais particulares e pátiosdos conventos, com uma simplicidade doméstica, visando exclusivamente o cultivo de flores e deárvores frutíferas. As ruas, os largos e os terreiros eram definidos por construções geminadasdesprovidas de árvores e canteiros (MACEDO, 1999). Com tratamentos urbanísticos muito pobres,só se usufruía das sombras dos beirais e de poucas árvores plantadas em terrenos particulares. O solcausticante, que hoje pode representar uma atmosfera árida, na época era a clara expansão da vidaurbana e menos rural. As matas, os matos, os campos e as roças ficavam fora do perímetro urbano,o qual guardava o chão limpo e batido de terra (MACEDO, 1999; MARX, 1980 citado porGOMES; SOARES, 2003). Ao mesmo tempo, os colonos, influenciados pela própria cultura portuguesa, que nãovalorizava a arborização urbana, se esforçavam em afastar a natureza dos limites da aldeia(TRINDADE, 1997 citado por BORTOLETO, 2004). A vegetação também não era considerada tãorelevante nas cidades, visto que estas apareciam como uma expressão oposta ao rural. Assim, avalorização do espaço urbano construído se afastava da imagem rural, a qual compreendia oselementos da natureza. Os espaços urbanos daquela época não eram tão ocupados e nemapresentavam problemas que se fizessem presentes como conseqüência da ausência da vegetação(GOMES; SOARES, 2003). A beleza exuberante da natureza no entorno dos núcleos urbanostambém pode ser apontada como um dos motivos da demora em se fazer investimentos nos jardinspúblicos (TERRA, 2000 citado por MENEGHETTI, 2003). Apenas no final do século XVIII, com a elevação do Rio de Janeiro a capital do Vice-reino,surgiu uma população urbana mais estruturada. Em 1718, por ordem do vice-rei Dom LuísVasconcelos, foi construído sobre o aterro do Boqueirão da Ajuda, por Valentim da Fonseca e Silva(Mestre Valentim), o Passeio Público do Rio de Janeiro, tendo sido assim criado pela primeira vezno Brasil um espaço para o lazer da população (MACEDO, 1999; SEGAWA, 1996 citado porLOBODA; DE ANGELIS, 2005). Na primeira metade do século XIX, com a chegada da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro,em 1808, e sua elevação a sede do Reino, ocorreram várias transformações urbanísticas nas cidadesbrasileiras, que foram se adaptando às exigências de uma nova sociedade que estava seconformando. O ajardinamento foi introduzido no espaço público (MACEDO, 1999) e foi criado oReal Horto (atual Jardim Botânico), dando início aos serviços de arborização pública no RioJaneiro. Esse parque tinha as finalidades de aclimatação e cultivo de espécies exóticas, comojaqueiras, abacateiros, fruteiras-pão, dentre outras (MILANO; DALCIN, 2000).
  12. 12. 11 Em 1822, o Brasil tornou-se Império e o Rio de Janeiro sua capital, para onde convergiramrecursos de todo o país (MACEDO, 1999). De 1836 a 1860 foi desenvolvido no Rio de Janeiro umprojeto de arborização urbana capitaneado pelo naturalista Ludwig Riedel (DE ANGELIS, 200-b). Em 1840 deu-se o início do Segundo Império e foram criados os primeiros parques urbanos,havendo cercamento e ajardinamento de praças e largos por todo o país (MACEDO, 1999). Na década de 1850 algumas cidades se destacavam pela quantidade expressiva de áreasverdes em seu interior, como é o caso de Teresina-PI, com densa arborização, e Aracaju-SE, a qual,embora tenha sido a primeira cidade planejada do país, era recoberta por vegetação nativa, compredominância de coqueiros, sem nenhum planejamento paisagístico (GOMES; SOARES, 2003). Em 1858, Auguste François Marie Glaziou, contratado por D. Pedro II, assumiu o cargo deDiretor Geral das Matas e Jardins, reformou o passeio público do Rio de Janeiro e executou osprojetos da Quinta da Boa Vista e do Campo de Santana. Glaziou introduziu na paisagem aconcepção de espaços livres para o lazer e impulsionou a arborização pública, também trazendouma configuração romântica com forte influência européia, especialmente francesa (MACEDO,1999; MACEDO, 2001). Nesses projetos, o arquiteto francês utilizou várias espécies da flora nativa(MILANO; DALCIN, 2000) e outras exóticas, misturando os princípios dos espaços públicosparisienses com as nossas condições climáticas, o que resultou em uma obra de qualidade comidentidade própria (MACEDO, 1999). Em 1861 teve início o reflorestamento da floresta da Tijuca (MACEDO, 1999). De acordocom Milano e Dalcin (2000), em 1869 e 1874 foram estabelecidas regras para plantios em ruas, taiscomo o espaçamento de 7 m entre árvores, a altura mínima de 3 m para as mudas, a obrigatoriedadedo uso de protetores e a melhoria do substrato de plantio. Nas décadas de 1870 e 1880, o café passou a representar 56% do valor das exportações doBrasil e começou, então, o período áureo do chamado ciclo do café. Enriquecidos, os Barões doCafé investiram na capital, assim surgindo os primeiros bairros da elite, caracterizados por casasconstruídas em meio a amplos jardins e cercados pela exuberante vegetação da Mata Atlântica.Várias chácaras se urbanizaram nas periferias das grandes cidades, como Rio de Janeiro, Recife eSalvador. Começou a arborização das ruas, com a instalação de calçadas elaboradas e iluminaçãopública (MACEDO, 1999). Jardins bem conservados, parques e praças ajardinadas apareceram emmaior número, começando, a partir daí, a prática do paisagismo e da arborização do espaço públiconas cidades brasileiras. As praças, que antes eram constituídas por espaços abertos e sem vegetação,destinados à reunião de pessoas, passaram a exercer a função de jardim nas cidades, agregando
  13. 13. 12valores estéticos e funcionais e constituindo marcos na valorização da jardinagem em locaispúblicos. Intensificaram-se os cuidados com a arborização e o ajardinamento dos logradouros jáexistentes e dos que iam surgindo. Ruas e praças foram enfeitadas com árvores e canteiros deplantas ornamentais. Com essa transformação, perdeu-se a noção das diferentes peculiaridades deuma praça ou de um jardim. Assim, deduz-se que a inserção do verde nas cidades brasileirasocorreu simultaneamente com a evolução das funções das praças (MARX, 1980 citado porGOMES; SOARES, 2003). No final do século XIX houve crescimento das cidades fluminenses, paulistas e sul-mineiras. O arquiteto Glaziou construiu a primeira chácara urbana em São Paulo (Vila Maria) e namesma cidade foram criados a Avenida Paulista, o bairro de Higienópolis, o Parque da Cantareira, oParque Antártica (um dos primeiros parques particulares), além do Jardim da Luz, criado em 1825 ereformado em 1899. Na mesma época foram criados: o Passeio Público em Curitiba; a praça doCampo Grande em Salvador; o loteamento de Copacabana, a Inspetoria de Matas, Florestas, JardinsPúblicos e Arborização no Rio de Janeiro; e em Minas Gerais, a cidade planejada de Belo Horizontee o Parque Municipal projetado por Paul Villon. Houve nessa época no país uma identificaçãocultural e urbanística com a Europa, consolidando-se o Ecletismo como estilo arquitetônico epaisagístico (MACEDO, 1999). Nessa fase, associada ao advento da República, a arborização dasruas passou a fazer parte do planejamento urbano de forma generalizada (MENEGHETTI, 2003). No início do século XX houve uma grande expansão urbana no contexto nacional. Iniciou-sea industrialização advinda do capital do café, tendo havido grandes investimentos nas principaiscidades do país, como Rio de Janeiro e São Paulo. Paralelamente, iniciaram-se fortes correntesmigratórias com êxodo rural e no contexto urbano via-se a abertura de grandes avenidas, novosparques, expansão do saneamento básico e do transporte coletivo (MACEDO, 1999; SANTOS;TEIXEIRA, 2001). Surgiram, muito mais significativamente, jardins, praças e parques arborizados,principalmente no Estado de São Paulo, em cidades enriquecidas pelo café, e desenvolveu-se o lazerativo nos parques públicos (GOMES; SOARES, 2003; MACEDO, 1999). Ao mesmo tempo, essas profundas mudanças, em nome da modernidade e de grandesprojetos, marcaram a perda de um patrimônio arquitetônico e vegetal, iniciando-se a ruptura darelação homem-natureza, com as áreas verdes ficando cada vez mais restritas à arborização de ruas,praças, parques e maciços florestais. Era possível observar também a perda de espaços nos jardinsprivados e o aumento da impermeabilização do solo (MILANO; DALCIN, 2000; SANTOS;TEIXEIRA, 2001). O crescimento das cidades e a forma como os espaços foram sendo construídos
  14. 14. 13impuseram a presença da árvore; porém, ao mesmo tempo, negaram a existência de condiçõesadequadas ao desenvolvimento da vegetação (SANTOS; TEIXEIRA, 2001). Em decorrência do surgimento dos serviços de fornecimento de energia elétrica e daexpansão dos serviços de abastecimento de água, de coleta de esgoto e de telecomunicações, umcomplexo sistema de cabos, galerias e dutos tomou conta do ar e do subsolo, o que passou ainterferir no plano de arborização da cidade (MILANO; DALCIN, 2000). Na primeira metade do século XX, marcada pelas duas grandes guerras mundiais, houvesignificativa aceleração do surto de industrialização e urbanização, criando mudanças significativasna arquitetura e nos hábitos urbanos. Entre os anos 20 e 30 consolidaram-se os bairros jardins emSão Paulo e surgiram os primeiros edifícios de apartamentos nas áreas centrais do Rio de Janeiro ede São Paulo. As décadas de 30 e 40, incluindo o período posterior à Segunda Guerra Mundial,caracterizaram-se por aumento da classe média na população do Brasil (MACEDO; SAKATA,2002 citados por BORTOLETO, 2004) e teve início uma forte influência da cultura americana(MACEDO, 1999). Nesse período, obras importantes foram criadas em todo o país, como: em São Paulo, osparques do Anhangabaú e Dom Pedro II, os bairros Jardim América e Jardim Europa, areconstrução dos jardins do Ipiranga (por Reynaldo Dierberger) e o Jardim Botânico; em Campinas,o Bosque dos Jequitibás; em Niterói, a Praça da República; em Belo Horizonte, a Praça daLiberdade; no Rio de Janeiro, a Praça Paris (por Arquimedes José da Silva), o Jardim de Alah (porJosé Silva de Azevedo Neto) e vários edifícios expandindo-se pela beira-mar sul; em Goiânia, oinício das obras de construção da nova capital planejada com influência da cidade-jardim navalorização da arborização urbana (MACEDO, 1999). Na mesma época começaram a aparecer os projetos do paisagista Roberto Burle Marx, oqual, influenciado pelos movimentos artísticos dos anos 20 e 30 e por um forte sentimentonacionalista, criou uma linha projetual própria, assim representando um marco na concepção dosespaços livres das cidades brasileiras (MACEDO, 2001). Inicialmente em Recife, como diretor deparques e jardins, desenvolveu projetos como os Jardins da Casa Forte, a Praça Salgado Filho e oAeroporto; depois, em outras cidades brasileiras, como os Jardins do Ministério da Educação eSaúde no Rio de Janeiro e o Complexo da Pampulha em Belo Horizonte, tornando-se o paisagistaoficial do Estado do Rio de Janeiro ainda na década de 40. Com grande sentimento nacionalista,Burle Marx trouxe o novo conceito do jardim moderno, estruturado com densa vegetação tropical
  15. 15. 14nativa e o quase abandono da utilização de plantas exóticas, valorizando sobremaneira a florabrasileira (MACEDO, 1999). Foi no século XX, portanto, que Burle Marx, seguido por váriosoutros, consolidou a arquitetura paisagística nacional (MACEDO, 2001). Entre as décadas de 50 e 60, o crescimento urbano continuou acelerado e poucos parquespúblicos foram construídos no Brasil. Começou a expansão das fronteiras urbanas no país e,conseqüentemente, a construção maciça de estradas de rodagem. As obras mais importantes destaépoca foram o Parque do Ibirapuera em São Paulo, em 1954, por Oscar Niemeyer e Otávio AugustoTeixeira Mendes, o início do projeto do Parque do Flamengo no Rio de Janeiro, por Burle Marx,que foi inaugurado em 1964, e a inauguração de Brasília, cidade em que os projetos paisagísticosforam todos desenvolvidos por Roberto Burle Marx e Roberto Coelho Cardoso (MACEDO, 1999). Nessas décadas, em decorrência do intenso processo de urbanização mencionado, era nítidaa carência de espaços de lazer. As áreas como bosques, chácaras e pastagens foram parceladas ereparceladas para fins de construção urbana. Os espaços de lazer concentravam-se nas áreas centraisdas cidades, o que os tornava distantes da maioria da população (FEIBER, 2004). Em 1964 começou o período do Governo Militar, com anos em que a economia nacionalatingiu seu apogeu. Com a abertura de fronteiras agrícolas e urbanas, iniciou-se a devastaçãoflorestal. Nas cidades, deu-se a abertura de grandes áreas livres para a construção de conjuntoshabitacionais, começou a verticalização dos centros urbanos e houve a transformação das antigasruas em espaços amplos, adequados ao tráfego intenso de veículos e pedestres. Apareceram grandesobras urbanas, como terminais, praças, calçadões e viadutos. A conseqüência dessa frenéticaexpansão foi o início da metropolização das cidades e o programa de parques e praças nitidamentevoltou-se para o lazer ativo (MACEDO, 1999). Em 1965 foi instituído o novo Código Florestal brasileiro e em 1967 foi feito o primeiroestudo de áreas verdes de São Paulo, por Rosa Kliass, Miranda Magnoli e equipe. Em 1969, LúcioCosta projetou o Plano da Barra (da Tijuca) no Rio de Janeiro com conotação ecológica(MACEDO, 1999). Entre os anos 70 e 80, as grandes cidades tiveram um planejamento centralizado e foramestabelecidas leis de zoneamento por todo o país, continuando a expansão urbana acelerada ehavendo a consolidação da verticalização. Aumentou o número de calçadões nas áreas centrais emuitos parques foram criados no país. A partir dos anos 80 iniciou-se a crise do petróleo. Foi criada a Secretaria do Verde eocorreu o início de uma consciência ecológica, trazendo consigo a valorização do verde, das matas
  16. 16. 15nativas e dos jardins, juntamente com novos padrões e idéias sobre a importância do contato com aflora e a fauna nativas (MACEDO, 1999). Em 1981 foi criada a lei que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Em 1988,a nova Constituição Federal criou um capítulo que privilegia o meio ambiente. Em 1992, a ECO 92,evento sediado pelo Rio de Janeiro, representou um marco para a ecologia no país. Emcontrapartida, os meados dos anos 80 foram a época em que menos se produziu conhecimento einformação técnica em termos de arborização no país (MILANO; DALCIN, 2000). Nos anos 80 a 90, o país passou por um processo gradativo de descentralização política e aurbanização foi consolidada de forma intensa e acelerada, com a maioria da população habitando ascidades. Houve aumento da demanda por infra-estrutura e serviços pelas grandes massas popularesque vivem nos grandes centros urbanos, instaurando-se o conflito pela conquista dos espaços entreárvores, veículos, construções e equipamentos (MACEDO, 1999; MENEGHETTI, 2003). As novas áreas de lazer que surgiram nessas décadas foram construídas em locais onde seconcentra a população mais favorecida e, quando instaladas em regiões mais populares,invariavelmente tornaram-se malcuidadas ou às vezes foram até mesmo abandonadas. A construçãode praças nos subúrbios está normalmente vinculada ao interesse político. Pela escassez de locaisdestinados ao lazer, a rua passou a ser o lugar de convívio nos bairros mais populares. Assim,ocorreu a segregação social e parte da população mais privilegiada socialmente isolou-se docontexto urbano em condomínios verticais ou horizontais. Os shopping centers foram, então,criados como nova forma de comércio, visando oferecer conforto e segurança aos seus usuários, oque acarretou decadência física de trechos importantes das áreas centrais de várias cidadesbrasileiras (MACEDO, 1999; MENEGHETTI, 2003). Na década de 90 houve aumento da já forte influência cultural norte-americana e no finaldessa década já havia uma presença maciça de edifícios de apartamentos na paisagem de várias dascidades brasileiras. A população optou por morar nesse tipo de unidade equipada com infra-estrutura como forma de se isolar da violência urbana (MACEDO, 1999). A discussão dosproblemas ambientais foi se tornando uma temática obrigatória no cotidiano das cidades e as áreasverdes tornaram-se ícones de defesa do meio ambiente nos centros urbanos (LOBODA; DEANGELIS, 2005). Na história das funções urbanas dos espaços livres, a cidade tem sido considerada como umconjunto de elementos, sistemas e funções que se entrelaçam. Assim, os espaços livres, que estãoentre os principais sistemas que formam o organismo urbano, passaram a ser marcos concretos e
  17. 17. 16devem ter sua evolução considerada (LLARDENT, 1982 citado por LOBODA; DE ANGELIS,2005). Nas cidades brasileiras contemporâneas, os parques desempenham importante função comoespaço público de apropriação coletiva e na atenuação de condições ambientais adversas. Apesardisso, existem muitas dificuldades para a implantação de novos parques, como a falta de recursosfinanceiros e a ausência de novas áreas nas zonas urbanas já consolidadas. A localização dosparques reflete ainda a grande desigualdade em sua distribuição espacial, que coincide com aexclusão social da população, podendo-se verificar que sua maior concentração está nas áreasconsolidadas, enquanto nas periferias há apenas parques isolados (PREFEITURA DO MUNICÍPIODE SÃO PAULO, 2002). O meio urbano contemporâneo no Brasil é marcado por grandes contrastes sociais. De umlado, bairros bem infra-estruturados, bem cuidados, bem arborizados e ajardinados, que colaborampara o esvaziamento funcional de uma parcela importante das vias urbanas destinadas apenas aoacesso de carros para residências da classe média. De outro lado, uma malha urbana extensa, comhabitações bem menores e modestas, construídas em lotes pequenos, com quase nenhum recuo eaproveitando o terreno ao máximo, com reduzido espaço livre dentro do lote, o que impossibilita aexistência de quintais e jardins. As ruas normalmente são subdimensionadas e as calçadas estreitas,localizadas em loteamentos com escassez de espaços destinados ao lazer público, mal localizadosou mesmo inexistentes (MACEDO, 1999). As cidades, que enfrentam uma crise estrutural decorrente de problemas econômicos,políticos, sociais e culturais, estão sendo conduzidas a um destino incerto, com a transformação dasciências em força produtiva e do espaço urbano em mercadoria. Nas relações desiguais, as questõeseconômicas se sobrepõem às socioambientais e o que é público geralmente acaba ficando emsegundo plano ou é considerado como problema (LOBODA, 2003 citado por LOBODA; DEANGELIS, 2005). A acentuada urbanização, pela qual a maioria das cidades brasileiras vem passando, refletenegativamente sobre a qualidade de vida de seus moradores. A falta de planejamento que considereos elementos naturais gera o empobrecimento da paisagem urbana, tornando o meio urbano cadavez mais artificial. Esses problemas vêm ocorrendo pela interdependência dos múltiplossubsistemas que coexistem nas cidades (LOBODA; DE ANGELIS, 2005). Loboda e De Angelis (2005, p. 131) tecem considerações sobre as relações atuais entre omeio urbano e a natureza:
  18. 18. 17 A qualidade de vida urbana está diretamente atrelada a vários fatores que estão reunidos na infra-estrutura, no desenvolvimento econômico-social e àqueles ligados à questão ambiental. No caso do ambiente, as áreas verdes públicas constituem-se elementos imprescindíveis para o bem-estar da população, pois influencia diretamente a saúde física e mental da população. Além daqueles espaços criados à luz da arquitetura, recentemente a percepção ambiental ganha status e passa a ser materializada na produção de praças e parques públicos nos centros urbanos. Com a finalidade de melhorar a qualidade de vida, pela recreação, preservação ambiental, áreas de preservação dos recursos hídricos, e à própria sociabilidade, essas áreas tornam-se atenuantes da paisagem urbana. Por outro lado, nessa relação desigual e/ou combinada da contraposição entre questões socioambientais e econômicas, em que, de modo geral esta última se sobressai, geralmente fica aquilo que é público em segundo plano ou ainda considerado como problema. Os projetos de construção, intervenção ou reabilitação das áreas verdes públicas de um modo geral vêem-se constantemente envolvidos em polêmicas que somente agravam sua penúria renitente. A tendência é que, se não tomarmos uma providência no que diz respeito à reabilitação dessas áreas, não somente suas estruturas físicas, mas sobretudo suas funções sociais, geoambientais e estéticas, os únicos espaços de uso coletivo tendem a ser cada vez mais privados - shopping-centers, condomínios residenciais, edifícios polifuncionais - e não as nossas praças, parques e vias. Tais espaços, assediados pelas condições pós-modernas, já não trazem consigo a significância de um tempo. Talvez, a população urbana, envolta pela ideologia das novas tendências globalizantes, não esteja mais se identificando com um lugar específico, seus aspectos sociais, culturais ou históricos. As cidades contemporâneas tornaram-se os extremos da ação humana sobre os sistemasnaturais, tanto pela concentração populacional como pela forma como crescem e se organizam(MILANO; DALCIN, 2000). No Brasil, as cidades já abrigam mais de 80% da população (IBGE,2002 citado por SILVA FILHO, 2003). Neste início do século XXI, a problemática ambiental urbana apresenta-se como uma dasquestões de planejamento das cidades. A partir da década de 1970, a questão do meio ambienteevoluiu da proteção ambiental para o conceito de desenvolvimento sustentável ouecodesenvolvimento. Com o agravamento dos problemas ambientais metropolitanos, as cidadespassaram de antagônicas ao meio ambiente para objeto de estudos sobre sustentabilidade ambiental(SPAROVEK; COSTA, 2004). No início da produção capitalista, a vegetação não possuía grande valor nas cidadesbrasileiras em decorrência de sua abundância. Com a aceleração do processo de industrialização, avegetação nos grandes centros foi cedendo lugar aos elementos construídos e, assim, a cidadepassou a ser um objeto com produtos a consumir. Desse modo, as áreas verdes, cada vez maisescassas nas grandes cidades, conquistaram um importante papel funcional no que se refere àdiminuição dos impactos ambientais urbanos (FEIBER, 2004).
  19. 19. 18 A sociedade científica vem se organizando, desde o final do século passado, para o fomentoda produção técnica e científica da arborização urbana. Milano (1996 citado por MENEGHETTI,2003, p. 6) reforçou a importância da produção técnico-científica: Em 1985, com a realização do I Encontro Nacional de Arborização Urbana, em Porto Alegre, houve um renascimento do setor da arborização urbana no Brasil, que tinha estado alguns anos no esquecimento, justamente aqueles em que o desenvolvimento urbano se deu de forma mais intensa. Sanchotene (1994 citado por MENEGHETTI, 2003, p. 7) comentou que: O processo que levou à fundação da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana e ao I Congresso Brasileiro de Arborização Urbana, ambos realizados em 1992, uniu profissionais e pesquisadores atuantes no seu planejamento, e foi trazendo à tona uma grande quantidade de trabalhos. Aquela entidade tem representado, desde então, os interesses daqueles que exercem atividades vinculadas à arborização urbana no Brasil. São muito apropriadas as colocações do geógrafo Absaber (1990, p. 35) quando ele se refereà arborização urbana como um valor tradicional brasileiro: A arborização urbana possui uma velha e ativa tradição no Brasil. De Norte a Sul, as cidades brasileiras têm experiência acumulada sobre áreas verdes, incluindo praças e jardins públicos, implantados em diferentes épocas. Uma consciência de longa maturação determina um cuidado especial pelas árvores, seja numa pequena cidade do sertão nordestino, uma cidade de fronteira no Rio Grande do Sul ou em um pequeno centro urbano da beira alta do Pantanal Matogrossense.2.2 Conceitos e classificações Os conceitos e as classificações nos estudos sobre arborização urbana encontrados naliteratura brasileira ainda são pouco padronizados. Vários autores conceituam e classificam deforma diferenciada a arborização urbana e suas áreas afins. Entretanto, há o consenso de que aarborização urbana é a vegetação de porte arbóreo existente no meio urbano; porém, naconceituação e classificação, cada autor leva em conta fatores diversos, como: a origem, ou seja, sesão naturais ou introduzidas, nativas ou exóticas; o contexto no qual estão inseridas, se isoladas,agrupadas ou em conjunto com vegetação de porte não arbóreo; a localização, isto é, se estão emvias públicas, parques e praças, públicos ou privados, em reservas naturais ou unidades deconservação urbanas; a função e os papéis diferentes que desempenham. Essas denominações ou definições às vezes entram em conflito umas com as outras, o queleva alguns autores a propor uma sistematização de conceitos para uso em pesquisa, ensino edifusão de tecnologia nesta área. Quando esses conceitos se ampliam, passando para estudosmaiores do planejamento e da gestão ambiental, englobando termos como “áreas verdes”, “espaços
  20. 20. 19livres”, “floresta urbana”, “silvicultura urbana”, “reservas naturais”, “unidades de conservação”,considerando-se que em todos eles é encontrada vegetação de porte arbóreo, as questões daconceituação ficam ainda mais controversas. Grey e Deneke (1978 citados por DE ANGELIS, 200-a, p. 5) entendem por arborização o“[...] conjunto de terras públicas e privadas com vegetação predominantemente arbórea que umacidade apresenta”. Na conceituação da arborização urbana, Pivetta e Silva Filho (2002, p. 2) citam Mello Filho(1985): “A vegetação urbana é representada por conjuntos arbóreos de diferentes origens e quedesempenham diferentes papéis”. Pivetta e Silva Filho (2002, p. 2-3) classificam a “vegetação arbórea urbana” da seguinteforma: 1. Arborização de parques e jardins Os parques, normalmente são representados por grandes áreas abundantemente arborizadas e os jardins, ou mesmo as praças, são espaços destinados ao convívio social. Nestes locais podem-se utilizar árvores de todos os portes. 2. Arborização de áreas privadas Corresponde à arborização dos jardins particulares como quintais, jardins de hospitais, clubes, indústrias, entre outros. 3. Arborização nativa residual São espaços da natureza que se protegeram da ocupação e que por suas características florísticas, faunísticas, hídricas, influenciaram no microclima e são essenciais ao complexo urbano. 4. Arborização de ruas e avenidas Componente muito importante da arborização urbana, porém, pouco reconhecido, do ponto de vista técnico e administrativo, devendo ser encarado como um dos componentes do plano de desenvolvimento e expansão dos municípios. Outros termos bastante usados são floresta urbana e silvicultura urbana. Definidas por Miller(1997 citado por SILVA FILHO, 2003, p. 1), as florestas urbanas são “a soma de toda a vegetaçãolenhosa que circunda e envolve os aglomerados urbanos, desde pequenas comunidades rurais atégrandes regiões metropolitanas”. Já para Nowak et al. (2001 citados por SILVA FILHO, 2003, p.1), são “ecossistemas compostos pela interação entre sistemas naturais e sistemas antropogênicos”. Silva Filho (2003) define a Silvicultura Urbana como o ramo da Silvicultura que estuda asárvores de ruas, praças, parques, áreas de conservação urbanas e demais áreas livres de edificação.Segundo Couto (1994 citado por SILVA FILHO, 2003, p. 1), “o objetivo da Silvicultura Urbana é ocultivo e o manejo de árvores para a contribuição atual e potencial ao bem-estar fisiológico, social eeconômico da sociedade urbana”.
  21. 21. 20 Com o intuito de discutir a dificuldade causada pelos diferentes termos utilizados paracaracterizar as áreas verdes urbanas e a similaridade de termos como áreas livres, espaços abertos,áreas verdes, sistemas de lazer, praças, parques urbanos, unidades de conservação em área urbana,arborização urbana, entre outros, Guzzo [200-b] e Loboda e De Angelis (2005) citam o trabalho deLima et al. (1994), autores esses que tentaram defini-los por meio de consultas a profissionais quetrabalham na área e da experiência do grupo que desenvolveu o trabalho: a. Espaço Livre: trata-se do conceito mais abrangente, integrando os demais e contrapondo-se ao espaço construído, em áreas urbanas. Assim, a Floresta Amazônica não se inclui nessa categoria; já a Floresta da Tijuca, localizada dentro da cidade do Rio de Janeiro, é um espaço livre. b. Área Verde: onde há o predomínio de vegetação arbórea, englobando as praças, os jardins públicos e os parques urbanos. Os canteiros centrais de avenidas e os trevos e rotatórias de vias públicas, que exercem apenas funções estéticas e ecológicas, devem, também, conceituar-se como área verde. Entretanto, as árvores que acompanham o leito das vias públicas, não devem ser consideradas como tal, pois as calçadas são impermeabilizadas. c. Parque Urbano: é uma área verde, com função ecológica, estética e de lazer, entretanto com uma extensão maior que as praças e jardins públicos. d. Praça: como área verde, tem a função principal de lazer. Uma praça, inclusive, pode não ser uma área verde, quando não tem vegetação e encontra-se impermeabilizada (exemplo, a Praça da Sé em São Paulo). No caso de ter vegetação é considerada Jardim. e. Arborização Urbana: diz respeito aos elementos vegetais de porte arbóreo, dentro da cidade. Nesse enfoque, as árvores plantadas em calçadas, fazem parte da arborização urbana, porém, não integram o sistema de áreas verdes. f. Área Livre e Área Aberta: são termos que devem ter sua utilização evitada, pela imprecisão na sua aplicação. g. Espaço Aberto: traduzido erroneamente e ao pé da letra do termo inglês "open space". Deve ser evitada sua utilização, preferindo-se o uso do termo espaço livre. (GUZZO, 200- b). Guzzo [200-a] define o espaço urbano constituído por: áreas edificadas (casas, comércio eindústrias); áreas destinadas à circulação de pessoas e veículos (sistema rodoferroviário); áreaslivres de edificação (praças, quintais, etc.). Comenta ainda que as áreas ou os espaços livres podemser públicos, potencialmente coletivos ou privados e define: - Espaços livres de uso público: são parques, praças, cemitérios e unidades de conservaçãoinseridos na área urbana e com acesso livre da população. - Espaços livres potencialmente coletivos: são áreas nas quais o acesso da população écontrolado de alguma forma, localizadas no entorno de universidades, escolas e igrejas. - Áreas livres privadas: são aquelas de propriedade particular, em que o acesso não épermitido para qualquer cidadão, representadas por jardins e quintais de residências, clubes de lazer,áreas de lazer de condomínios e remanescentes de vegetação natural ou implantada em propriedadeparticular.
  22. 22. 21 Guzzo [200-a] conceitua a arborização urbana como toda cobertura vegetal de porte arbóreoexistente nas cidades e a coloca ocupando os espaços urbanos da seguinte forma: a. Áreas livres de uso público e potencialmente coletivas; b. Áreas livres privadas; c. Acompanhando o sistema viário. Loboda e De Angelis (2005, p. 132-133), observando os problemas decorrentes do uso dediferentes termos técnicos nas definições e conceituações do “verde nas cidades”, fizeram umarevisão sobre o assunto, considerando a infinidade de trabalhos referentes a ele. Assim, descreveramas conceituações desenvolvidas pelos seguintes autores: Richter (1981 apud GERALDO, 1997, p. 40), o qual propõe a seguinte classificação para os espaços livres e o verde urbano: · Jardins de representação e decoração: Ligados à ornamentação, de reduzida importância com relação à interação com o meio e sem função recreacional. São jardins à volta de prédios públicos, igrejas etc; · Parques de vizinhança: Praças, playground - apresentam função recreacional, podendo abrigar alguns tipos de equipamentos; · Parques de bairro: São áreas ligadas à recreação, com equipamentos recreacionais, esportivos dentre outros, que requerem maiores espaços do que os parques de vizinhança; · Parques setoriais ou distritais: Áreas ligadas à recreação com equipamentos que permitam que tal atividade se desenvolva; · Áreas para proteção da natureza: Destinadas à conservação, podendo possuir algum equipamento recreacional para uso pouco intensivo; · Áreas de função ornamental: Áreas que não possuem caráter conservacionista nem recreacionista - são canteiros de avenidas e rotatórias; · Áreas de uso especial: Jardins zoológicos e botânicos; · Áreas para esportes; · Ruas de pedestres: Calçadões. Llardent (1982, p. 151) conceitua as seguintes expressões: · Sistemas de espaços livres: Conjunto de espaços urbanos ao ar livre, destinados ao pedestre para o descanso, o passeio, a prática esportiva e, em geral, o recreio e entretenimento em sua hora de ócio. · Espaço livre: Quaisquer das distintas áreas verdes que formam o sistema de espaços livres. · Zonas verdes, espaços verdes, áreas verdes, equipamento verde: Qualquer espaço livre no qual predominam as áreas plantadas de vegetação, correspondendo, em geral, o que se conhece como parques, jardins ou praças. Milano (1988) destaca que a cobertura arbórea das áreas abertas ou coletivas são um importante setor da administração pública, tendo em vista a facilidade de supressão da cobertura arbórea das áreas privadas urbanas. Para esse autor, tais áreas dividem-se em dois grupos: · Áreas verdes; e · Arborização urbana.
  23. 23. 22 Di Fidio (1990) estabelece uma classificação - ou categorias - dos espaços urbanos e suburbanos: · Espaços verdes urbanos privados e semi-públicos: Jardins residenciais; Hortos Urbanos; Verde semi-público. · Espaços verdes urbanos públicos: Praças; Parques Urbanos; Verde balneário e esportivo; Jardim botânico; Jardim zoológico; Mostra (ou feira de jardins; cemitério; Faixa de ligação entre áreas verdes; Arborização urbana). · Espaços verdes sub-urbanos: Cinturões verdes. Senna (2002, p. 12) evidencia a necessidade de padronização do conceito de “área verde” econstata que a maioria dos autores considera “áreas verdes urbanas” como o conjunto composto portrês segmentos individualizados, com interfaces estabelecidas entre si: - áreas verdes públicas, compostas pelo rol de logradouros públicos destinados ao lazer e recreação ou que oportunizem ocasiões de encontro e convívio direto com espaços não construídos e arborizados; - áreas verdes privadas, compostas por remanescentes vegetais significativos incorporados aos interstícios da malha urbana, podendo ter sua utilização normatizada por legislação específica que possa garantir ao máximo a sua conservação; - arborização de ruas e vias públicas. O autor afirma que: “a conceituação caracterizada por estas três variáveis é a mais aceita anível nacional e internacional, pois em sua somatória são capazes de traduzir amplos benefícios àscondições ambientais das cidades e à qualidade de vida da população” (SENNA, 2002, p. 12). Kliass (1979 citada por SENNA, 2002) considera que o sistema de áreas verdes constitui-senum subsistema dos espaços abertos e pode ser classificado em: preservação, recreação e lazer, usoinstitucional, uso particular e circulação. Cavalheiro et al. (1999 citados por NUCCI et al., 2003), fornecem algumas sugestões para oestudo da padronização de conceitos: - Primeiramente deve-se entender que a legislação brasileira estabelece que o município está dividido em zona urbana, de expansão urbana e zona rural. A zona urbana, cujo perímetro é declarado por lei municipal, embora não explicitamente colocada na legislação, estaria constituída por três sistemas: . Sistema de espaços com construções (habitação, indústria, comércio, hospitais, escolas, etc); . Sistema de espaços livres de construção (praças, parques, águas superficiais, etc.) e . Sistema de espaços de integração urbana (rede rodoferroviária). - O espaço livre de construção é definido como espaço urbano ao ar livre, destinado a todo tipo de utilização que se relacione com caminhadas, descanso, passeios, práticas de esportes e, em geral, a recreação e entretenimento em horas de ócio; os locais de passeios a pé devem oferecer segurança e comodidade com separação total da calçada em relação aos veículos; os caminhos devem ser agradáveis, variados e pitorescos; os locais onde as pessoas se locomovem por meios motorizados não devem ser considerados como espaços livres. Os espaços livres podem ser privados, potencialmente coletivos ou públicos e podem desempenhar, principalmente, funções estética, de lazer e ecológico-ambiental, entre outras.
  24. 24. 23 - As áreas verdes são um tipo especial de espaços livres onde o elemento fundamental de composição é a vegetação. Elas devem satisfazer três objetivos principais: ecológico- ambiental, estético e de lazer. Vegetação e solo permeável (sem laje) devem ocupar, pelo menos, 70% da área; devem servir à população, propiciando um uso e condições para recreação. Canteiros, pequenos jardins de ornamentação, rotatórias e arborização não podem ser considerados áreas verdes, mas sim "verde de acompanhamento viário", que com as calçadas (sem separação total em relação aos veículos) pertencem à categoria de espaços construídos ou espaços de integração urbana. - Cobertura vegetal é a projeção do verde em cartas planimétricas e pode ser identificada por meio de fotografias aéreas, sem auxilio de esteroscopia. A escala da foto deve acompanhar os índices de cobertura vegetal; deve ser considerada a localização e a configuração das manchas (em mapas). Considera-se toda a cobertura vegetal existente nos três sistemas (espaços construídos, espaços livres e espaços de integração) e as encontradas nas Unidades de Conservação (que na sua maioria restringem o acesso ao público), inclusive na zona rural. Quando se enfoca a área dos estudos de avaliação do espaço verde urbano em função daqualidade e quantidade, também várias classificações são propostas. Todos esses conceitos servempara compor parâmetros ambientais que avaliem a qualidade de vida urbana. Segundo Cavalheiro eNucci (1998), isso não é tarefa fácil, considerando-se a falta de linguagem única nas diferentesconceituações, o que acaba conduzindo a equívocos e distorções no momento da utilização deíndices de áreas verdes como indicadores de qualidade de vida. É necessário, portanto, haver umentendimento sobre esses termos técnicos, muito importantes para o planejamento urbano visando aqualidade de vida humana. A cobertura vegetal em áreas urbanas, quando quantificada e configurada espacialmente, podeservir como instrumento de avaliação da qualidade ambiental desses locais (NUCCI, 2001 citadopor NUCCI et al., 2003; NUCCI; CAVALHEIRO, 1999 citados por NUCCI et al., 2003). Dias (2002 citado por NUCCI et al., 2003): Aponta para a importância de indicadores que ajudem a evidenciar aos habitantes o grau de saúde de sua sociedade e os êxitos ou fracassos das políticas governamentais adotadas. Coloca a importância do levantamento regular dos indicadores, como modelos que simplificam um tema complexo a uns quantos números (índices) que possam ser facilmente tomados e entendidos por quem elabora políticas e pelo público em geral. Isso permitiria, por exemplo, estabelecer comparações entre cidades e entre bairros do próprio município. Harder et al. (2006, p. 278, citando OLIVEIRA, 1996) comentam sobre a quantificação daarborização urbana: A quantificação da arborização urbana tem sido realizada através de indicadores dependentes e independentes da demografia, expressos, respectivamente, em termos de superfície de área verde/habitante (IAV = Índices de Áreas Verdes) ou porcentual do solo ocupado pela arborização (PAV = Porcentual de Áreas Verdes). A questão controvertida da categorização e definição de áreas verdes adotadas por vários autores brasileiros torna ainda mais complexa uma avaliação sobre aquilo que se poderia chamar de "índices mínimos de cobertura vegetal".
  25. 25. 24 Cavalheiro e Del Picchia (1992 citados por HARDER et al., 2006) contestam o índicedifundido no Brasil de 12 m2 de área verde por habitante, considerado como ideal e atribuídoindevidamente à ONU, OMS ou FAO. Os autores afirmaram que esse índice não é reconhecido poraquelas instituições. O índice mínimo para áreas verdes públicas destinadas à recreação de 15 m2por habitante foi proposto pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU, 1996 citadapor HARDER et al., 2006). Outros conceitos importantes na gestão de áreas verdes são os referentes às unidades deconservação. A Lei Federal nº 9985/2000 (BRASIL, 2000), estabelece o Sistema Nacional deUnidades de Conservação (SNUC), que define Unidade de Conservação como: [...] espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; [...] Classifica-as em dois grandes grupos: - Unidades de Proteção Integral, com o objetivo de preservar a natureza, admitindo apenaso uso indireto dos recursos naturais. Fazem parte desse grupo as seguintes categorias: EstaçãoEcológica; Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento Natural; Refúgio de Vida Silvestre.As terras são necessariamente públicas e visa-se a conservação estrita da biodiversidade, sendovetados quaisquer usos que não tenham as finalidades de pesquisa, ecoturismo e educaçãoambiental. - Unidades de Uso Sustentável, com o objetivo de promover e assegurar o uso sustentáveldos recursos naturais. Constituem esse grupo as seguintes categorias: Área de Proteção Ambiental,Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna,Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural. Podem sercriadas em terras públicas ou particulares, com o objetivo principal de promover o uso sustentáveldos recursos naturais existentes, aliando a proteção dos ecossistemas ao desenvolvimentosocioeconômico da região. São permitidos os usos econômicos, como por exemplo a agricultura, emesmo para fins de loteamento, desde que sob regras específicas, definidas preferencialmente coma participação dos agentes sociais interessados.
  26. 26. 252.3 Importância, benefícios e funções da arborização urbana Em virtude da drástica diminuição dos espaços destinados ao sistema de áreas verdes noscentros urbanos, principalmente nas metrópoles, a importância da arborização de passeios públicos,canteiros centrais de avenidas e de todas as faixas de acompanhamento viário fica cada vez maispotencializada. Sob um enfoque ambientalista, a criação de florestas e bosques urbanos podecontribuir muito no seqüestro de carbono e funcionar como mitigante do aquecimento global,problema que vem preocupando cada vez mais intensamente o mundo globalizado (PREFEITURADO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2005). A arborização viária exerce influência direta sobre a composição do verde urbano e aqualidade ambiental das cidades. Com a carência de áreas verdes nos centros urbanos, decorrenteem grande extensão da limitada disponibilidade de espaços destinados à implantação de parques epraças, quase sempre ocupados com outros fins, muitas vezes os locais disponíveis para o plantio deárvores se limitam às calçadas (PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2002). Silva Filho (2003) afirma que as características naturais da vegetação arbórea atuam sobre oconforto humano no ambiente, daí a importância da presença da floresta urbana composta pelasárvores nas vias públicas e nas demais áreas livres de edificação. Também se pode considerar a importância das áreas verdes em relação ao papel queexercem como espaços com condições ecológicas que mais se aproximam das condições danatureza dentro do mosaico urbano. Ainda garantem melhor qualidade de vida por acrescentaremganhos à paisagem, ao lazer e ao equilíbrio ambiental (LOBODA; DE ANGELIS, 2005). O papeldessas áreas não é limitado apenas à dinâmica ambiental urbana, mas está também relacionado àmelhoria das condições gerais de vida, físicas e psicológicas, da sociedade (BORTOLETO et al.,2003). Desta forma, os benefícios decorrentes da arborização urbana são tão mais necessários paraa saúde do ambiente e do ecossistema urbanos quanto maior for o nível de urbanização. Nessesecossistemas, a arborização de ruas é um dos elementos vegetacionais capazes de integrar espaçoslivres, áreas verdes e remanescentes florestais, colaborando com a diversidade da flora e da fauna.Também auxilia na economia de recursos financeiros com consumo de energia, ligado aoresfriamento ou ao aquecimento de ambientes, e agrega valor às propriedades que são providas dearborização bem planejada (MENEGHETTI, 2003).
  27. 27. 26 As áreas verdes, a arborização urbana e os benefícios advindos destas estão intimamenterelacionados com sua quantidade, qualidade e distribuição dentro da malha urbana (GUZZO, 200-b). Alvarez (2004) considera que o incremento do plantio de árvores de calçada deve gerarbenefícios significativos para o aumento da qualidade da arborização urbana de uma unidade depaisagem. Acrescenta que para isso se tornar efetivo, os indivíduos plantados devem atingir portearbóreo e não arbustivo, com altura maior do que 10 m. Também salienta que na política de plantiode mudas é importante que os indivíduos plantados cumpram o papel desejado na arborizaçãourbana, ou seja, o de propiciar benefícios reais à população humana. A presença das árvores nas cidades e os benefícios daí decorrentes podem ser mensurados,avaliados e monitorados, conseqüentemente constituindo objetivos que passam a ser estabelecidosno planejamento urbano (MILANO; DALCIN, 2000). A arborização urbana atua como mitigador dos impactos causados pela ação antrópica.Assim, a ausência de áreas verdes, decorrente da ação do homem sobre o meio natural, em suabusca constante por uma organização funcional do espaço dentro da estrutura urbana, vem causandoinúmeros problemas às cidades. Desse modo, no processo de especulação econômica e social,dificilmente as áreas verdes ocupam posições privilegiadas (ANDRADE, 2001 citado por FEIBER,2004). O homem rural tribal sabia da importância da natureza para a sua sobrevivência. Já ohomem urbano sabe pouco sobre o ambiente natural, embora seja intrínseca a necessidade doreencontro do equilíbrio entre a natureza e o ambiente urbano. Dessa forma, nas intervençõesantrópicas sobre o meio ambiente natural, os conceitos contidos nos vocábulos “preservar”,“manter”, “reconstituir” e “transformar” passam a ser condicionantes para amenizar os impactos jácausados pelo desenvolvimento urbano. Para que haja crescimento urbano responsável, deve-separtir da idéia de que tanto a vegetação quanto os materiais de construção são matérias-primasimportantes para este fim (FEIBER, 2004). Quanto maior a busca de conhecimentos sobre a presença das árvores no ecossistemaurbano, as suas implicações e os seus benefícios, maior será o reconhecimento de sua importância evalorização (SANTOS, 1996 citado por SILVA FILHO, 2003). Os benefícios ecológicos, econômicos e sociais proporcionados pela vegetação presente nomeio urbano, visados pelas Políticas de Gestão de Áreas Verdes atualmente estabelecidas, refletema preocupação com a qualidade do ambiente urbano (SENNA, 2002). Assim, partindo-se doprincípio de que é indiscutível a importância da arborização no meio urbano, e com a intenção de
  28. 28. 27organizar seus inúmeros benefícios e funções para a melhoria do meio ambiente, a seguir sãoexpostos e analisados aqueles considerados mais relevantes dentro do escopo deste trabalho. 2.3.1 Melhoria do microclima urbano O clima urbano é produzido por um complexo conjunto de inter-relações entre osfenômenos urbanos e a ação ecológica natural. Quando os valores climáticos atingem extremos nascidades, afetam o homem que as habita, fazendo-o sofrer com as pressões bioclimáticas, e tambémcriam condições ecológicas inadequadas, o que prejudica igualmente a flora e a fauna(LOMBARDO, 1990). A presença da vegetação arbórea comprovadamente colabora para amelhoria do microclima das cidades (BORTOLETO, 2004; GUZZO, 200-a; LOMBARDO, 1990;MILANO; DALCIN, 2000; PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2005),restabelecendo suas condições para que fiquem mais próximas das naturais (BUENO et al., 1997). As árvores interceptam, refletem, absorvem e transmitem a radiação solar, assimmelhorando a temperatura, pois refrescam o ambiente (BUENO et al., 2001; MILANO; DALCIN,2000; RIO GRANDE ENERGIA, 200-). Essa interceptação produz a sombra, fazendo com que asárvores funcionem como protetoras, reduzindo o aquecimento provocado pelo contato direto daradiação solar com o corpo humano, criando sensação pessoal de conforto (HEISLER, 1974 citadopor MILANO; DALCIN, 2000). Os efeitos da sombra estão estreitamente relacionados com o conforto ambiental e sãobastante estudados e discutidos em publicações sobre edificações. Estudos científicos mostram queé de extrema importância o papel desempenhado pelas sombras das árvores no controle da radiaçãosolar incidente sobre os espaços urbanos, embora haja grande variabilidade nos resultadospropiciados pelas técnicas que determinam a atenuação da radiação solar incidente pela ação dasárvores (BUENO et al., 2001). Alvarez (2004), discorrendo sobre o sombreamento das calçadas, afirma que árvores deporte maior são capazes de propiciar melhor sombreamento do que arbustos e palmeiras. Para isso,o autor recomenda que as árvores tenham altura maior do que 10 m e diâmetro de copa maior doque 6 m. Em municípios com clima subtropical, nos quais as temperaturas no inverno são maisbaixas, as espécies deciduais são mais apropriadas, pois possibilitam a interceptação de parteconsiderável da radiação solar nos meses de verão, sem prejudicar a insolação das edificaçõesdurante o inverno (SANTOS; TEIXEIRA, 2001).
  29. 29. 28 Nos centros urbanos, as áreas arborizadas reduzem a amplitude térmica, absorvem aradiação ultravioleta, atenuam o processo de aquecimento, reduzem as “ilhas de calor” e contribuempara o equilíbrio do balanço da energia das cidades (PAULA, 2004; PREFEITURA DOMUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2005; SILVA FILHO et al., 2002). Heisler (1974 citado por BORTOLETO, 2004), comentando sobre a capacidade das árvoresde interceptar a radiação solar, afirma que aquelas que possuem copa rala podem interceptar até80% da radiação direta, enquanto as de copa densa, até 98%, comprovando a importância davegetação na prevenção da insolação prolongada e do desconforto térmico. A influência das árvores sobre a temperatura também se dá pelo efeito da evapotranspiração,pois o ambiente é refrescado pela quantidade de água transpirada pelas folhas (PIVETTA; SILVAFILHO, 2002). Dados mostram que uma árvore isolada pode transpirar aproximadamente 380 L deágua por dia, que é o equivalente ao funcionamento de cinco condicionadores de ar médios (2.500kcal/h) funcionando 20 h por dia (GREY; DENEKE, 1978 citados por MILANO; DALCIN, 2000;SCHUBERT, 1979 citado por MILANO; DALCIN, 2000). Complementando, o efeito de maciçosde árvores no equilíbrio térmico é muito mais eficaz do que o de árvores isoladas e a vegetaçãotambém contribui para conservar a umidade dos solos, atenuando sua temperatura (LOMBARDO,1990). Silva Filho et al. (2005) comparam as árvores a bombas de água auto-reguláveis ecomentam que, existindo disponibilidade de água e calor, as folhas abrem seus estômatos eevapotranspiram partículas de água, condicionando o clima urbano dentro da faixa de confortotérmico humano, próxima de 25°C. Um bosque de 1 ha pode produzir cerca de 5.000 t de água por ano advindas daevapotranspiração e as diferenças entre as temperaturas medidas no centro de uma cidade e embairros próximos a uma faixa de vegetação com largura entre 50 m e 100 m podem apresentarvariação de 3,5°C (IZARD; GUYOT, 1983 citados por PAULA, 2004). Oke (1973 citado por DE ANGELIS, 200-a) assegura que índices de cobertura vegetal nafaixa de 30% são considerados adequados para proporcionar balanço térmico ideal nas áreasurbanas e que áreas com índices inferiores a 5% apresentam características desérticas. Lombardo (1990) comenta que as maiores variações de temperatura, encontradas emlevantamentos bibliográficos, entre a cidade e o campo atingiram a marca 5°C. Entretanto, o autorapresenta dados para a cidade de São Paulo que chegam a 10°C de variação entre o centro e a árearural.
  30. 30. 29 A presença da vegetação pode controlar, proteger, reduzir a velocidade e direcionar osefeitos do vento, contribuindo para o conforto humano (LOMBARDO, 1990; PIVETTA; SILVAFILHO, 2002). Também atenua alguns efeitos dos ventos, como o aumento do resfriamento do ar,amenizando o desconforto causado por ele (MILANO; DALCIN, 2000). 2.3.2 Redução da poluição atmosférica Nos centros urbanos, as atividades humanas como tráfego de veículos, queima decombustíveis fósseis e atividades da construção lançam agentes contaminantes na atmosfera,criando ambientes desequilibrados. Além disso, em função do excessivo consumo de energia ematéria, há geração de poluição atmosférica (MILANO; DALCIN, 2000). As árvores têmconsiderável potencial de redução de poluentes da atmosfera, pois suas folhas, galhos e troncos têma capacidade de reter e remover material sólido ou líquido particulado em suspensão no ar, o qual élavado e carregado para cursos d’água e solo quando ocorre precipitação. O obstáculo produzidopela planta reduz a chance do material depositado ser carregado pelo vento (FIRKOWSKI, 1990citado por BORTOLETO, 2004). Ruas bem arborizadas podem reter até 70% da poeira em suspensão e, inclusive no inverno,quando as árvores caducifólias se apresentam desfolhadas, estas conseguem reter até 60% da suacapacidade total. A remoção de gases tóxicos existentes na atmosfera pelas plantas ocorre quandoesses se encontram retidos no material particulado, sendo filtrados conjuntamente. Se esses gasesforem nocivos às plantas mas se apresentarem em doses subletais, eles permanecerão inócuos; já emdoses letais, as plantas poderão ter seu desenvolvimento comprometido (SANTOS; TEIXEIRA,2001). Estudos mostram que determinados vegetais têm grande capacidade para filtrar gases comodióxido de enxofre (SO2), ozônio (O3) e flúor (F), desde que esses não se façam sentir em níveispermanentemente tóxicos (LAPOIX, 1979 citado por MILANO; DALCIN, 2000). Os vegetaistambém reduzem a poluição nos processos de oxigenação, lançando oxigênio na atmosfera ediluindo os agentes poluentes (GREY; DENEKE, 1978 citados por MILANO; DALCIN, 2000). Osgases SO2 e monóxido de carbono (CO) e os óxidos de nitrogênio podem ser neutralizados poroxidação por intermédio do metabolismo das plantas (RUGE, 1972 citado por MILANO; DALCIN,2000). Llandert (1982 citado por ALVAREZ, 2004) informa que 1 ha de cobertura arbórea podefixar cerca de 50 t de pó e de partículas residuais.
  31. 31. 30 Alvarez (2004) comenta que o aumento da emissão de carbono é um dos maiores efeitos daurbanização, decorrente do aumento do uso de energia para o aquecimento e para o transporte.Também relaciona as árvores como estoques potenciais de carbono à medida que vão absorvendo-oativamente durante seu crescimento. É importante lembrar que o dióxido de carbono (CO2) é oprincipal responsável pela elevação da temperatura média do planeta, gerador do efeito estufa,confirmando a importância de sua captação pelas árvores. 2.3.3 Redução dos níveis de ruído É crescente o aumento dos níveis de ruído nas cidades provocado por vários setores, como aindústria, a construção civil e o tráfego de veículos, interferindo na saúde física e psicológica daspessoas. Sabe-se que a arborização urbana atenua os níveis dos ruídos, amortece o som e reduz apoluição sonora (PIVETTA; SILVA FILHO, 2002; PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃOPAULO, 2005; SILVA FILHO et al., 2002). A vegetação interfere sobre o som por absorção, refração e reflexão das ondas sonoras emsua superfície, reduzindo os níveis de ruído. A eficiência da absorção depende do nível do ruído, dafreqüência do som, da topografia do local, das características das espécies vegetais, da forma e doarranjo das plantas, da superfície foliar, da posição da vegetação e da estação do ano (SANTOS;TEIXEIRA, 2001). Estudos mostram que barreiras densas de vegetais reduzem em grande parte os níveissonoros, pois atenuam o ruído em função da diferença de trajeto das ondas sonoras, dependendo dotipo de vegetação que as constitui. As árvores de folhas perenes são capazes de atenuar o som emuma freqüência de 1.000Hz, 17 dB, para cada 100 m lineares de vegetação (HIGUERAS, 1997citado por POUEY et al., 2003; SANTOS; TEIXEIRA, 2001). No entanto, somente barreiras vegetais densas determinam redução apreciável dos níveissonoros. Medições indicaram a necessidade de barreiras densas de coníferas, com 100 m dedistância, para a obtenção de índices de atenuação de ruídos da ordem de 8 dB a 20 dB(SZOKOLAY, 1980 citado por DE ANGELIS, 200-a). Grey e Deneke (1978 citados por MILANO;DALCIN, 2000) afirmam que há estimativas de que florestas podem reduzir ruídos da ordem de 7dB por 30 m de distância em freqüências de 100 Hz ou menos. Segundo Bernatzki (1980 citado porMILANO; DALCIN, 2000), o máximo efeito de redução de ruído pela presença de vegetação chegapróximo de 10 dB, entre as freqüências de 1.000 Hz e 11.200 Hz.
  32. 32. 31 2.3.4 Controle do balanço hídrico Nas cidades, a água da chuva é dissipada de várias formas ao cair. Uma parte é infiltrada nosolo, abastecendo o lençol freático; outra parte fica na parte superficial do solo; uma outra escorresuperficialmente; e parte é evapotranspirada, retornando ao ar e perpetuando o ciclo da água ao cairem forma de chuva novamente. Como grande parte dos solos das cidades é impermeabilizada, amaior parte das águas acaba escorrendo superficialmente (PAIVA; GONÇALVES, 2002 citados porBORTOLETO, 2004). Se o sistema de drenagem urbano não é eficiente, acaba provocandoenchentes. A arborização urbana pode melhorar muito o ciclo hidrológico nas cidades, interceptandogrande parte das águas da chuva, reduzindo o impacto das gotas sobre o solo e o escorrimentosuperficial, contribuindo para o controle de enchentes e inundações à medida que melhora ascondições de drenagem das águas pluviais, e também reduzindo os problemas com erosão eassoreamento (ELETROPAULO, 2006; PAIVA; GONÇALVES, 2002 citados por BORTOLETO,2004; PIVETTA; SILVA FILHO, 2002; PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2005;YAMAMOTO et al., 2004). De acordo com Landsberg (1970 citado por LOMBARDO, 1990), a precipitação é 5% a10% maior no ambiente urbano em comparação com o ambiente rural. Em relação à umidaderelativa, observa-se no meio urbano que esta chega a ser 2% e 8% menor do que na área rural,respectivamente no inverno e no verão. 2.3.5 Fatores estéticos O efeito estético da arborização urbana normalmente é o mais valorizado pelas pessoas, emvirtude de a aparência das árvores ser de imediata percepção, ao contrário dos demais benefíciostrazidos por elas. A presença das árvores nas cidades renova a paisagem com suas formas,estruturas, texturas, mudanças sazonais de florada, cor e presença ou ausência de folhas, quebrandoa monotonia do ambiente urbano e diversificando a paisagem construída (GUZZO, 200-a; RIOGRANDE ENERGIA, 200-). O equilíbrio estético proporcionado pela arborização nas cidades ameniza a diferença entre aescala humana e os componentes arquitetônicos, como prédios, muros e grandes vias (SILVA
  33. 33. 32FILHO et al., 2002). As árvores também auxiliam a caracterizar a sinalização de espaços,constituindo-se em elementos de interação entre as atividades humanas e o meio ambiente,valorizam a estética ornamental (LOBODA; DE ANGELIS, 2005; YAMAMOTO et al., 2004),além de também servir como barreiras visuais, delimitando e ordenando os espaços urbanos(ELETROPAULO, 2006). 2.3.6 Fatores econômicos É extremamente difícil estimar o valor uma árvore, de acordo com Rio Grande Energia[200-]. Naquele trabalho é citado um estudo realizado pela Associação Americana dos EngenheirosFlorestais, no qual se obteve um valor estimado de US$273 por árvore a cada ano. Também foi feitaa equivalência do valor obtido para uma árvore com 50 anos de vida, considerando-se uma taxa dejuros de 5% ao ano, chegando o valor de uma árvore urbana adulta à marca de US$57.151. O estudoconcluiu que esses valores podem ser discutidos, mas os autores ressaltaram que os custos demanutenção somados aos custos ambientais podem servir de base para a gestão das árvores urbanas,inclusive para cálculo e aplicação de multas pelas prefeituras. Como benefícios advindos da arborização urbana devem ser considerados aqueles queincluem os bens e serviços produzidos por árvores e áreas verdes urbanas; porém, enquanto algunsdeles são facilmente expressos em moeda ou em números, outros são de difícil quantificação(DWYER et al., 1992 citado por DETZEL et al., 1998). A arborização urbana gera empregosdiretos e indiretos e renda pelo considerável aumento do consumo de bens e serviços (DETZEL etal., 1998). Detzel et al. (1998) desenvolveram estudos para a avaliação monetária de árvores urbanas eem sua abrangente revisão bibliográfica citam diversos autores e opções de avaliação dos valoresrepresentados ou associados a árvores urbanas, dentre os quais se destacam: - Valores alternativos - relacionados ao investimento do capital empregado para oestabelecimento e a manutenção da arborização de determinado lugar, considerados de difícilutilização pelos autores. - Árvores como bens de capital urbano - o valor das árvores é considerado como o dequaisquer bens de capital da infra-estrutura urbana, tais como postes para transmissão de energia,escolas e hospitais públicos, entre outros.
  34. 34. 33 - Valores de biomassa ou subprodutos – os autores consideram como valor indicativo dasárvores os produtos delas obtidos, como madeira serrada, lâminas, lenha, carvão, bem como osaproveitados de resíduos provenientes da biomassa de árvores urbanas para os mais variados fins. - Valores de propriedade - os autores consideram que a presença das árvores valorizamonetariamente os imóveis, podendo representar cerca de 6% a 9% do seu valor de venda final e,conseqüentemente, por contribuir para o aumento do valor das propriedades, gera ganhoseconômicos para os municípios por intermédio do aumento do valor de taxas e impostos territoriaisurbanos, podendo, desta forma, ser encarada como investimento com retorno real anual. - Valores monetários da arborização e legislação - entram aqui as questões relacionadas àlegislação de proteção às arvores urbanas, com a criação de multas, indenizações, ações punitivasou compensatórias aos danos cometidos, deduções e/ou isenções de impostos e taxas. Tambémdevem ser lembrados os deveres da administração pública por situações de danos provocados porárvores em bens particulares, justificando a existência de legislação específica que proteja osdireitos de indenização/compensação do cidadão prejudicado. No entanto, os valores previstosnesses casos são, em geral, estabelecidos empiricamente. - Valores de manutenção - são utilizados amplamente como parâmetros para a avaliação deárvores urbanas e os custos mais freqüentes são aqueles relacionados ao controle de doenças, àspodas de limpeza e formação e aos reparos de calçadas e guias. Deve-se salientar a importância deatribuir valor à arvore pensando no planejamento da arborização urbana e seus decorrentes fatoresrelacionados, diretos ou indiretos, como implantação da arborização, manutenção, remoção anual,estabelecimento de valores de multas, indenizações e punições, prejuízos relativos ao desligamentode energia durante as atividades de poda e perda temporária do valor estético da árvoreimediatamente após alguns tipos de operações de manutenção. Também precisam ser levados emconsideração os problemas provocados nos sistemas de distribuição elétrica pela presença deárvores de rua, devendo-se enfatizar que práticas de manejo adequadas podem ajudar a solucionaresses problemas e diminuir gastos com a manutenção de árvores. O gestor deve ter em mente que ocomponente custo de manutenção justifica a adoção de práticas de planejamento para o manejo daarborização. Os resultados obtidos em estudos para o desenvolvimento de um método de avaliaçãomonetária de árvores urbanas no município de Maringá-PR, por Detzel et al. (1998), mostramvalores de árvores com idade entre 1 ano e 50 anos, respectivamente, de 2,5 UFM (US$60) e 287UFM (US$6.850). Os autores esclarecem que os valores resultantes da aplicação do método deavaliação são menores do que os previstos na legislação municipal de Maringá e refletem apenas os
  35. 35. 34custos gerados pela manutenção das árvores. Concluem, então, que podem ser cobrados valoresadicionais aos estabelecidos pelo método em sentido punitivo ou educativo, principalmente no casode avaliações de árvores com relevante interesse ecológico, funcional, estético, religioso, históricoou cultural, entre outros. Dados adicionais referentes ao valor da árvore no ambiente urbano são relatados por Hannaet al. (1994 citados por VELASCO, 2003), os quais quantificam a economia promovida por umaespécie com 40 anos de vida como sendo, em média, da ordem de US$20 por ano para energia,US$75 por ano em conservação da água e do solo, US$50 por ano em melhoria da qualidade do ar,de US$85 por ano em valorização da propriedade privada e US$25 por ano em valorização dapropriedade pública. O resultado da soma desses benefícios é de US$255 por ano, mostrando acontribuição monetária que uma árvore nesta idade, em média, pode proporcionar. 2.3.7 Fatores socioculturais Os valores socioculturais atribuídos à árvore no ambiente urbano são vários, sendo muitosdeles subjetivos e difíceis de quantificar, assumindo caráter sentimental, recreacional, cultural ehistórico, entre outros (RIO GRANDE ENERGIA, 200-). O fator social está ligado principalmente às possibilidades de lazer oferecidas à populaçãopelos espaços livres compostos por áreas verdes, que podem ser de várias categorias tipológicas(GUZZO, 200-b). Yamamoto et al. (2004) vêem como opção de lazer e recreação as ruas e aspraças e comentam que a presença de árvores nesses lugares torna essas atividades muito maisprazerosas. Como valor cultural, as árvores podem representar a memória da cidade (YAMAMOTO etal., 2004) e também trazem ao homem uma ligação com o campo, introduzindo elementos de escalanatural entre ruas e prédios, além da percepção da mudança das estações (POUEY et al., 2003). A arborização urbana também é assunto fundamental na abordagem de programas deeducação ambiental (GUZZO, 200-b), podendo aumentar a consciência ecológica da comunidade eincentivar o espírito de preservação e renovação do meio ambiente. Johnston (1985 citado por MILANO; DALCIN, 2000) se refere às árvores como fator vitalde bem-estar da comunidade e comenta que com sua capacidade de controlar muitos efeitosadversos do ambiente urbano, é crescente a necessidade de áreas verdes como recurso de usos
  36. 36. 35múltiplos em benefício da sociedade. Já Santos e Teixeira (2001) consideram a vegetação como umelo entre o homem urbano e a natureza que o criou. 2.3.8 Melhoria da saúde humana As árvores atuam direta e indiretamente sobre a saúde física e mental do homem urbano(MILANO; DALCIN, 2000). A arborização urbana proporciona bem-estar ao homem, contribuindopara seu equilíbrio psicossocial por intermédio da aproximação com o meio natural, reduzindo oestresse e minimizando a poluição visual (ELETROPAULO, 2006; GUZZO, 200-b; PIVETTA;SILVA FILHO, 2002; PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2005). Além de atuar sobre o microclima e reduzir a poluição, as árvores também têm açãoantimicrobiana. Assim é que Lapoix (1979, citado por MILANO; DALCIN, 2000) dá comoexemplo o resultado de um experimento que fornece dados comparativos entre a Floresta deFontainebleau (França), com 50 germes/m³ de ar, contra 4.000.000 germes/m³ de ar de uma grandeloja parisiense. 2.3.9 Fatores ambientais e ecológicos As árvores no meio urbano proporcionam alimento, abrigo e local de nidificação para afauna silvestre. É um elemento do ecossistema urbano que integra outros elementos naturaispresentes no ambiente urbano, como os espaços livres, as áreas verdes e os remanescentes florestais(BORTOLETO, 2004; PIVETTA; SILVA FILHO, 2002; SILVA FILHO et al., 2002). Além disso, a composição das espécies utilizadas para a arborização urbana também édecisiva para a atração e o estabelecimento de uma fauna diversificada e deve ser considerada comouma estratégia para o aumento da biodiversidade (PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃOPAULO, 2005). Assim, Matarazzo-Neuberger (1995 citado por MENEGHETTI, 2003) verificouque a diversidade de espécies arbóreas nativas regionais e o tamanho dos maciços podem atrairmaior avifauna para os centros urbanos. Guzzo [200-a] afirma que o aumento da biodiversidade decorrente do abrigo da faunainfluencia o maior equilíbrio das cadeias alimentares e a diminuição de pragas e agentes vetores de
  37. 37. 36doenças. Também comenta sobre a função de corredor ecológico que a arborização do sistemaviário assume, uma vez que faz a interligação de espaços livres vegetados da cidade, como praças eparques. As árvores podem assumir caráter de proteção ambiental no caso de matas nativas próximasàs regiões habitadas e de mananciais, o que também favorece os recursos hídricos (FEIBER, 2004). Oliveira (2000) ressalta a importância do uso de espécies nativas nos tratamentospaisagísticos urbanos de modo a estimular a preservação dessas espécies e dos ecossistemas por elascompostos.2.4 Dificuldades, conflitos e problemas na arborização urbana São vários os conflitos e problemas encontrados no gerenciamento da arborização urbana. Obom desenvolvimento das árvores muitas vezes é impedido por diversos fatores, como compactaçãodo solo e depósito de resíduos de construções decorrentes de obras civis urbanas; pavimentação doleito carroçável e das calçadas, impedindo a penetração do ar e das águas de chuvas; poluição do ar;podas drásticas e mutilação de raízes (PIVETTA; SILVA FILHO, 2002; SANTOS; TEIXEIRA,2001). A falta de planejamento urbano é talvez o problema primordial na viabilização daarborização urbana nas cidades. Muitas vezes a arborização não é incluída como equipamentourbano dentro do planejamento. Assim, constantemente são feitos plantios irregulares de espécies,sem compatibilidade com o planejamento, em decorrência de iniciativas particulares pontuais edesprovidas de conhecimento técnico atualizado, que acabam criando situações de conflito com osoutros sistemas urbanos (SILVA FILHO et al., 2002). A falta de planejamento e de conhecimentotécnico gera também indivíduos arbóreos mutilados, com sua arquitetura descaracterizada, devido apodas mal realizadas (BORTOLETO, 2004). No meio urbano, as árvores concorrem por espaço nas calçadas: no subsolo, com as redes dedistribuição de água, gás e coleta de esgoto; na superfície, com os postes, as placas e as guiasrebaixadas; e no nível da copa, com os veículos altos, a fiação telefônica e elétrica, as edificações,entre outros (PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2005). Outro grave problema se refere ao comportamento humano frente ao verde viário. A árvoreé comumente percebida como obstáculo ou estorvo, às vezes pelo fato de uma espécie se encontrar

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