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Mas muito medrosos [são] os troianos - SOUSA, Renata Cardoso de.
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Mas muito medrosos [são] os troianos - SOUSA, Renata Cardoso de.

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Slide da comunicação "'Mas muito medrosos [são] os troianos': a representação do Outro na Ilíada de Homero", apresentada no XX Ciclo de Debates em História Antiga, na UFRJ.

Slide da comunicação "'Mas muito medrosos [são] os troianos': a representação do Outro na Ilíada de Homero", apresentada no XX Ciclo de Debates em História Antiga, na UFRJ.

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  • 1. ““Mas muito medrosos [são]Mas muito medrosos [são] os Troianos”: aos Troianos”: a representação dorepresentação do OutroOutro nana IlíadaIlíada de Homerode Homero Renata Cardoso de SousaRenata Cardoso de Sousa Orientador: Fábio de Souza LessaOrientador: Fábio de Souza Lessa
  • 2. Alteridade “o Outro é um Eu” (AUGÉ, 1998, p. 103). AUGÉ, Marc. A guerra dos sonhos: exercícios de etnoficção. Tradução, Maria Lúcia Pereira. Campinas: Papirus, 1998.
  • 3. Alteridade na Ilíada • Na Ilíada é onde é utilizada pela primeira vez a palavra barbarophónos (Il. II, v. 867), de onde surgirá a palavra bárbaros. • Ela é utilizada para se referir à composição do exército aliado troiano. • Levando-se em consideração que a língua é o traço marcante de uma cultura, essa diferenciação linguística é relevante.
  • 4. • Na Ilíada, a alteridade que se dá entre os helenos do Peloponeso e os troianos não tem a ver com estes serem o estrangeiro, ou o não-grego, uma vez que os habitantes de Troia pertencem à faixa asiática de território heleno, sendo, portanto, também helenos.
  • 5. • Na Ilíada, a alteridade que se dá entre os helenos do Peloponeso e os troianos não tem a ver com estes serem o estrangeiro, ou o não-grego, uma vez que os habitantes de Troia pertencem à faixa asiática de território heleno, sendo, portanto, também helenos.
  • 6. “Aquiles é inimigo de Heitor, detesta-o, não porque ele é troiano (não há nação, não há chauvinismo, gregos e troianos se entendem muito bem, falam a mesma língua, têm as mesmas reações, e os troianos são descritos pelo poeta com a mesma simpatia), mas porque Heitor matou aquele que era para ele como um irmão, Pátroclo” (VERNANT, 2009, p. 91). VERNANT, Jean-Pierre. A travessia das fronteiras – Entre mito e política II. Tradução de Mary Amazonas Leite de Barros. São Paulo: EDUSP, 2009.
  • 7. • O que marca a alteridade entre gregos e troianos, então, é o fato de estes serem inimigos daqueles. • Essa afirmação é legítima à medida que “(...) a identidade helênica conhece tensões, fissuras e oposições de alteridades internas no seu seio – o Outro pode, também, ser o Grego, como rival, inimigo, invasor, infrator de códigos de comportamento” (FIALHO, 2010, p. 114). FIALHO, Maria do Céu. Rituais de cidadania na Grécia Antiga. In: FERREIRA, José Ribeiro; FIALHO, Maria do Céu; LEÃO, Delfim Ferreira (Orgs.). Cidadania e Paideía na Grécia Antiga. Coimbra: Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, 2010, p. 112-144.
  • 8. Como essa constatação influencia na compreensão da personalidade de Páris? • Páris, de fato, é um herói de pouca areté guerreira, como se pode constatar na análise de sua personalidade. • Um dos fatores que fazem com que ele seja representado dessa maneira é o fato de ele ser o Outro, o inimigo, apresentando, pois, menos areté guerreira do que os combatentes do exército grego. • Páris infringe uma etiqueta extremamente cara aos helenos, que é a xénia, a hospitalidade, ao retirar Helena de Menelau durante sua estadia em Esparta.
  • 9. Mas Homero não “torcia” pelos troianos? • Não. Lembremo-nos de que os troianos ficaram em vantagem por boa parte da Ilíada porque Aquiles desentendeu-se com Agamêmnon e se retirou da batalha, rogando a Zeus que desse a vitória aos troianos para que o chefe aqueu visse o impacto de sua ausência na peleja. • Questão da areté do exército troiano em geral: ele é mostrado de maneira valorosa também porque uma vitória sobre um exército fraco não é uma vitória gloriosa.
  • 10. Conclusão • O troiano é o Outro porque é o inimigo. • Páris é “vaidoso”, “frívolo” (RUTHERFORD, 1996, p. 33), “afeminado”, “frouxo” (LORAUX, 1989, p. 93), “playboy”, “patético” (HUGHES, 2009, p. 219), “fujão”, “covarde” (AUBRETON, 1956, p. 168), como constataram alguns autores contemporâneos, dentre outros motivos, porque ele é o Outro, isto é, ele é aquilo que o grego não é. RUTHERFORD, Richard B. Homer (Greece and Rome New Surveys in the Classics, n. 26). Oxford, Oxford University Press (Classical Association), 1996. LORAUX, Nicole. Crainte et tremblement du guerrier. In: __________. Les experiences de Tirèsias: le fémenin et l´homme grec. Paris, Gallimard, 1989. HUGHES, Bettany. Helena de Tróia: Deusa, Princesa e Prostituta. Rio de Janeiro, Record, 2009. AUBRETON, Robert. Introdução a Homero. São Paulo, DIFEL, 1956.
  • 11. • Entretanto, para além de desqualificar um herói dessa maneira nossos trabalhos, o que importa, realmente, é entendermos o porquê de Homero compô-lo dessa maneira em sua epopeia.
  • 12. Imagem Utilizada Localização: Museu do Louvre, Paris, França – G 115. Temática: luta entre Páris e Menelau, conhecida pelo Canto III da Ilíada de Homero. Proveniência: Cápua. Forma: kýlix. Estilo: figuras vermelhas. Pintor/Ceramista: Douris/Kalliades. Data: 490 - 460 a.C. Indicação bibliográfica: BEAZLEY, John Davidson. Attic Red-Figure Vase-Painters. 2nd edition. The Clarendon Press: Oxford, 1963, p. 434. Descrição: Menelau (centro-esquerda) persegue Páris (centro-direita), enquanto Afrodite (esquerda) e Ártemis (direita) observam.