“Mas muito medrosos [são]     os Troianos”: arepresentação do Outro na    Ilíada de Homero          Renata Cardoso de Sous...
Alteridade             “o Outro é um Eu”           (AUGÉ, 1998, p. 103).AUGÉ, Marc. A guerra dos sonhos: exercícios de etn...
Alteridade na Ilíada• Na Ilíada é onde é utilizada pela primeira  vez a palavra barbarophónos (Il. II, v.  867), de onde s...
• Na Ilíada, a alteridade que se dá entre os helenos  do Peloponeso e os troianos não tem a ver com  estes serem o estrang...
• Na Ilíada, a alteridade que se dá entre os helenos  do Peloponeso e os troianos não tem a ver com  estes serem o estrang...
“Aquiles é inimigo de Heitor, detesta-o,não porque ele é troiano (não há nação,não há chauvinismo, gregos e troianos seent...
• O que marca a alteridade entre gregos e  troianos, então, é o fato de estes serem  inimigos daqueles.• Essa afirmação é ...
Como essa constatação influencia na compreensão da    personalidade de Páris?• Páris, de fato, é um herói de pouca areté  ...
Mas Homero não “torcia” pelos        troianos?• Não. Lembremo-nos de que os troianos  ficaram em vantagem por boa parte da...
Conclusão• O troiano é o Outro porque é o inimigo.• Páris é “vaidoso”, “frívolo” (RUTHERFORD,  1996, p. 33), “afeminado”, ...
• Entretanto,     para     além    de  desqualificar um herói dessa maneira  nossos trabalhos, o que importa,  realmente, ...
Imagem UtilizadaLocalização: Museu do Louvre, Paris, França – G 115.Temática: luta entre Páris e Menelau, conhecida pelo  ...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

"Mas muito medrosos [são] os troianos": a representação do Outro na Ilíada de Homero

504 views

Published on

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
504
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

"Mas muito medrosos [são] os troianos": a representação do Outro na Ilíada de Homero

  1. 1. “Mas muito medrosos [são] os Troianos”: arepresentação do Outro na Ilíada de Homero Renata Cardoso de Sousa Orientador: Fábio de Souza Lessa
  2. 2. Alteridade “o Outro é um Eu” (AUGÉ, 1998, p. 103).AUGÉ, Marc. A guerra dos sonhos: exercícios de etnoficção. Tradução,Maria Lúcia Pereira. Campinas: Papirus, 1998.
  3. 3. Alteridade na Ilíada• Na Ilíada é onde é utilizada pela primeira vez a palavra barbarophónos (Il. II, v. 867), de onde surgirá a palavra bárbaros.• Ela é utilizada para se referir à composição do exército aliado troiano.• Levando-se em consideração que a língua é o traço marcante de uma cultura, essa diferenciação linguística é relevante.
  4. 4. • Na Ilíada, a alteridade que se dá entre os helenos do Peloponeso e os troianos não tem a ver com estes serem o estrangeiro, ou o não-grego, uma vez que os habitantes de Troia pertencem à faixa asiática de território heleno, sendo, portanto, também helenos.
  5. 5. • Na Ilíada, a alteridade que se dá entre os helenos do Peloponeso e os troianos não tem a ver com estes serem o estrangeiro, ou o não-grego, uma vez que os habitantes de Troia pertencem à faixa asiática de território heleno, sendo, portanto, também helenos.
  6. 6. “Aquiles é inimigo de Heitor, detesta-o,não porque ele é troiano (não há nação,não há chauvinismo, gregos e troianos seentendem muito bem, falam a mesmalíngua, têm as mesmas reações, e ostroianos são descritos pelo poeta com amesma simpatia), mas porque Heitormatou aquele que era para ele como umirmão, Pátroclo” (VERNANT, 2009, p.91).VERNANT, Jean-Pierre. A travessia das fronteiras – Entre mito epolítica II. Tradução de Mary Amazonas Leite de Barros. São Paulo:EDUSP, 2009.
  7. 7. • O que marca a alteridade entre gregos e troianos, então, é o fato de estes serem inimigos daqueles.• Essa afirmação é legítima à medida que “(...) a identidade helênica conhece tensões, fissuras e oposições de alteridades internas no seu seio – o Outro pode, também, ser o Grego, como rival, inimigo, invasor, infrator de códigos de comportamento” (FIALHO, 2010, p. 114). FIALHO, Maria do Céu. Rituais de cidadania na Grécia Antiga. In: FERREIRA, José Ribeiro; FIALHO, Maria do Céu; LEÃO, Delfim Ferreira (Orgs.). Cidadania e Paideía na Grécia Antiga. Coimbra: Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, 2010, p. 112-144.
  8. 8. Como essa constatação influencia na compreensão da personalidade de Páris?• Páris, de fato, é um herói de pouca areté guerreira, como se pode constatar na análise de sua personalidade.• Um dos fatores que fazem com que ele seja representado dessa maneira é o fato de ele ser o Outro, o inimigo, apresentando, pois, menos areté guerreira do que os combatentes do exército grego.• Páris infringe uma etiqueta extremamente cara aos helenos, que é a xénia, a hospitalidade, ao retirar Helena de Menelau durante sua estadia em Esparta.
  9. 9. Mas Homero não “torcia” pelos troianos?• Não. Lembremo-nos de que os troianos ficaram em vantagem por boa parte da Ilíada porque Aquiles desentendeu-se com Agamêmnon e se retirou da batalha, rogando a Zeus que desse a vitória aos troianos para que o chefe aqueu visse o impacto de sua ausência na peleja.• Questão da areté do exército troiano em geral: ele é mostrado de maneira valorosa também porque uma vitória sobre um exército fraco não é uma vitória gloriosa.
  10. 10. Conclusão• O troiano é o Outro porque é o inimigo.• Páris é “vaidoso”, “frívolo” (RUTHERFORD, 1996, p. 33), “afeminado”, “frouxo” (LORAUX, 1989, p. 93), “playboy”, “patético” (HUGHES, 2009, p. 219), “fujão”, “covarde” (AUBRETON, 1956, p. 168), como constataram alguns autores contemporâneos, dentre outros motivos, porque ele é o Outro, isto é, ele é aquilo que o grego não é.RUTHERFORD, Richard B. Homer (Greece and Rome New Surveys in the Classics, n. 26). Oxford, Oxford University Press (Classical Association), 1996.LORAUX, Nicole. Crainte et tremblement du guerrier. In: __________. Les experiences de Tirèsias: le fémenin et l´homme grec. Paris, Gallimard, 1989.HUGHES, Bettany. Helena de Tróia: Deusa, Princesa e Prostituta. Rio de Janeiro, Record, 2009.AUBRETON, Robert. Introdução a Homero. São Paulo, DIFEL, 1956.
  11. 11. • Entretanto, para além de desqualificar um herói dessa maneira nossos trabalhos, o que importa, realmente, é entendermos o porquê de Homero compô-lo dessa maneira em sua epopeia.
  12. 12. Imagem UtilizadaLocalização: Museu do Louvre, Paris, França – G 115.Temática: luta entre Páris e Menelau, conhecida pelo Canto III da Ilíada de Homero.Proveniência: Cápua.Forma: kýlix.Estilo: figuras vermelhas.Pintor/Ceramista: Douris/Kalliades.Data: 490 - 460 a.C.Indicação bibliográfica: BEAZLEY, John Davidson. Attic Red-Figure Vase-Painters. 2nd edition. The Clarendon Press: Oxford, 1963, p. 434.Descrição: Menelau (centro-esquerda) persegue Páris (centro-direita), enquanto Afrodite (esquerda) e Ártemis (direita) observam.

×