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Versos Gameleiros

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Projeto filantrópico e cultural patrocinado pelo professor, poeta e cronista Juraci B Chagas. Onze autores capão-bonitenses participaram dessa empreitada de cidadania; 200 exemplares foram doados ao …

Projeto filantrópico e cultural patrocinado pelo professor, poeta e cronista Juraci B Chagas. Onze autores capão-bonitenses participaram dessa empreitada de cidadania; 200 exemplares foram doados ao Grupo Voluntário de Combate ao Cancêr (GVCC) de Capão Bonito/SP.

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Transcript

  • 1. Versos Gameleiros s ue ing les Antonio Celso m yte Do ach el r qu f. B Ra Pr o Ni na o Paixã do iane a Fab ch a ira Agath ve . Ma Oli S de E. ulo Ju Pa La lia dro fa Pe na M ye ar Ma tti ia r Ba M ia ad COLETÂNEA POÉTICA r re da al to en C CAPÃO BONITO/SP os a ÿoz ta R jer Ro
  • 2. COLETÂNEA POÉTICA Versos Gameleiros 2009
  • 3. Copyright© 2009 Dos Autores Ficha técnica Diagramação, Digitação, Fotografia e Arte Final Rogério Machado Edição, Capa e Revisão Juraci B Chagas e Rogério Machado Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, estocada em sistema de recuperação, copiada ou transmitida em qualquer forma ou por quaisquer meios, eletrônicos, mecânicos, fotocópias, gravações ou outros sem permissão por escrito do proprietário dos direitos. Violação dos direitos do autor (Lei nº 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. Impressão e acabamento: Alternativa Artes Gráficas - (15) 3542-2992 - altergraf@uol.com.br 1ª edição 2009
  • 4. Prefácio O poeta Fernando Pessoa, em ditosos versos, exalta que o rio que corre em nossa aldeia é muito mais belo e importante e que, invaria- velmente, é a nossa aldeia o depositário em que permanecem os regis- tros dos momentos inesquecíveis, das coisas inexplicáveis e das pessoas incomparáveis. Corroborando esta assertiva há uma certa pessoa, em minha “al- deia”, que tem o condão de estar sempre e agradavelmente nos surpre- endendo. Só para cismar, pontuo até como uma premonição, o dia em que a Folha de SP em meados dos anos cinqüenta, especialmente num dia 7 , de Setembro, quando veio estampado na Página do Interior com a legenda Comemoração da Semana da Pátria, uma foto tirada em nosso campo de terra do Ipiranga. Nessa foto, os alunos todos vestidos de branco formavam uma pirâmide em que figurava no topo, o aluno Juraci Braz das Chagas. Embora denegue até hoje a importância daquele lugar ocupado, modestamente, ele atribui tal destaque ao fato de que era o menor da turma. Contudo, o conjunto de sua obra teima sempre em indicar o con- trário. Há, entretanto, para demovê-lo de sua incorrigível modéstia, o seu singelo Projeto Cultural e Filantrópico, bem-vindo como um bom vento, que busca recolher os melhores poemas de nossa “aldeia” em uma bem cuidada “Coletânea de Versos Gameleiros”. Trata-se de uma delicada obra incorporada pelos poemas de mais dez novos talentos, compondo um verdadeiro time para ocupar um espaço nunca antes sonhado, de poder expor e veicular seus poemas. Por outro lado, isso proporciona a todos nós, a gratíssima e importante oportunidade de conhecermos o trabalho e as novas poesias destes moços e moças, gameleiros de raízes desta cidade, neste livro que integra a primeira fase do “Projeto Cultural e Filantrópico Gameleiro”. Como as coisas desta vida só são lindas se sentidas pelo coração, há, no lançamento deste livro, a grande esperança de que esse senti- mento alcance a sensibilidade dos leitores que é, também, o objeto maior deste candente resgate telúrico. Antonio Isidoro de Oliveira, Capão-bonitense e gameleiro.
  • 5. es el yt ch s ue ra ng .B of mi Pr Do el qu Ra lso ira Ce o o ive ã io ix ad on Pa Ol nt Nin ch A a ne de La Ma ia fa ab yet lo ti B S. F au a ar r th oP E. a Ma eto ria Ag Ma dr da Pe Jul len ian a aM a ri oz ad aC Rÿ ost a r je Ro
  • 6. Versos Gameleiros Agatha Fabiane Paixão Entre meio as borboletas azuis 5
  • 7. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Entre meio as borboletas azuis, Pelo fato de que um dia no meio do caminho Elas voaram causando euforia. Chamo-me Agatha Fabiane Santiago da Paixão, nasci em Intervales numa manhã de frio e céu extremamente azul no dia 18 de junho de 1989, faço parte de um grupo de jovens denominado CJ (Coletivo Jovem do meio ambiente). Comecei a me interessar a escrever quando numa tarde de verão eu e mais dois amigos saímos pelas ruas de Capão Bonito escrevendo juntos um poema; a partir daí fundamos o grupo de poetas Vanguarda Contemporânea. Logo começamos a participar do jornal Freguesia Velha, e essa é minha primeira publicação em um livro. Às vezes falar Não adianta Olhar Não acalma Abraço Não ameniza Escrever às vezes basta. Agatha Fabiane Paixão 6
  • 8. Versos Gameleiros DIA Afeto, carinho... Framboesas no caminho Chuva de pétalas Que caem suavemente Como se à tarde Fosse sempre assim Sucumbiu no tempo O aroma de mate As ondas do rádio atravessam Os livros Nós ali... sentados. Agatha Fabiane Paixão 7
  • 9. Versos Gameleiros VENTO Na janela Eu sinto O que sempre Sentia antes A solidão ditosa Liberdade Luzes Apagadas Das casas Apenas as luzes Dos postes Lembro de seu Beijo Teus lábios Doces sob os meus A neblina vem O céu antes límpido Com estrelas Cristalhantes Some com a paz do tempo Perdido... . Agatha Fabiane Paixão 8
  • 10. Versos Gameleiros CAPÃO Cada rua daqui Me tem E tem todos nós Há magia em cada cantinho De cada momento Seja ele triste Ou ditoso A cidade parece Um cenário Nós os atores De cada vida Um fio que nos Aproxima Todos os lugares Que vou, encontro Um dos nossos, Não tem jeito Parece um ímã, Sempre alguém diferente Passa por aqui E leva um pouco Dessa fita de cetim Amarrada no pulso. Agatha Fabiane Paixão 9
  • 11. Versos Gameleiros INVERSÃO DE VALORES Estudar com o fim de ganhar Passar pra pisar Pisar pra ganhar Tecnologia pra crescer Externamente Aparentemente O mental excluído No final Sem espaço para o fundamental Memória vazia O brilhante reluz em pó E este pó mata E mato por ele!? Agatha Fabiane Paixão 10
  • 12. Versos Gameleiros ALUSÃO Querer o que não é Imaginar, sonhar pra ti A raiva consome o desconhecido E arde o amor Palavras da cabeça em boca alheia Coração raso d’água Baby não sou papel escrito A tinta... Pra sempre o mesmo conteúdo Sou de carne e osso Sou o que sou como tudo tenho essa essência Não tente advinhar, não se engane [Não seja eloqüente] Constantes pensamentos mutantes Minhas células mudam sempre Infinitamente não serei a mesma pessoa Sob o mesmo ponto de vista. Agatha Fabiane Paixão 11
  • 13. Versos Gameleiros VAIDADE Vaidade? Acho que não, ela Só está se olhando No espelho, Você não viu o que Há por dentro, Dentro há um labirinto Com becos fantasiosos Que te levam a loucura Tem quadros, e você Vê neles o que você é Comparado a ela Mas, ela é apenas Um bebê, que Quer carinho Uma incógnita Como todos No café Distraída, ele ouvindo música A outra lava roupa À direita está rindo Um grito destruiu a harmonia Individual, E daí? Quem se importou ninguém Apenas ouviram, mas lixar As unhas é mais importante Do que aquela poesia. Agatha Fabiane Paixão 12
  • 14. Versos Gameleiros EUFORIA Preste atenção! Esse é nosso último instante, Essa canção nos conduzirá e Esqueceremos do tempo. Aí sentiremos um o corpo do outro. A pulsação leve como a brisa De nossos corpos mesclados. Cortando o vento com a Cumplicidade de anos. As pétalas caíram E tudo parou no instante Em que as bocas cessaram Sua dança. Agatha Fabiane Paixão 13
  • 15. Versos Gameleiros JUCUNDO O que será que acontece Você está cada vez Mais plangente Será que acontecerá de repente Sua boca fria e vazia com Teias e aranhas brancas Tecendo, um perdão. O tempo fala Coisas que, só ele mesmo entende E depois de sua visita, Nós também entendemos. Quando a aranha branca Teceu a última carreira A bela e formosa aranha vermelha Desfilou em sua obra Encontraram-se depois; Debaixo de um mosquiteiro. Agatha Fabiane Paixão 14
  • 16. Versos Gameleiros ANGELICAL Porque ficar se perguntando? O que será que ela está pensando? Você pode pensar que ela é fastidiosa Mas eu entendo seu anseio Um anjo frágil, com as mãos Longas e finas, uma Leve expressão no rosto Olhos com uma lubricidade grandiosa Mas sua aura soturna me é ignota Quando escuto seu canto me surpreendo Com as volúpias de suas canções veladas Dilacerando meu coração com a dúvida Será que me gostas ou me és indiferente. Agatha Fabiane Paixão 15
  • 17. Versos Gameleiros GOTA ILUMINADA A primeira gota caiu O céu estava cinza A praça vazia iluminada Deus não ouvia as preces Para que as luzes se apagassem Mas depois anjos caídos Época de Natal Um ritual cristão à frente Jovens caídos sob bancos Mal construídos Murmurinhos Livros, pensamentos voando com a brisa Quando a noite caiu Sem escuridão Brincadeiras...] Agatha Fabiane Paixão 16
  • 18. Versos Gameleiros Juliana Maria da Costa Momentos Sentimentais 17
  • 19. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Juliana Maria da Costa, natural de Capão Bonito - São Paulo, nascida a 27 de novembro de 1986. Estudante e colaboradora de jornais e revistas da região. Menção honrosa no XVIII PRÊMIO MOUTONNÉE DE POESIA, com participação em livro. Esta é sua segunda experiência como autora numa coletânea poética. Juliana Maria da Costa 18
  • 20. Versos Gameleiros A LÁGRIMA Rolou uma lágrima em sua face Nada havia que a dor acalmasse Você então chorou Seu coração de tristeza não agüentou A dor da despedida transpareceu em meu olhar Trazendo a mesma dor latente, fazendo-me chorar E nada havia que me fizesse esquecer E que eu pude fazer Se naquele momento Fui incapaz de parar o tempo... Juliana Maria da Costa 19
  • 21. Versos Gameleiros LÁGRIMAS DA CHUVA Oh, chuva que cai fina e silenciosa nesta tarde solitária e fria Cessa as tuas gotas e traz um fio de alegria ainda neste dia Porque eu não quero ficar só, sentindo as lágrimas escorrerem Ouvindo as tuas suaves gotas em minha janela baterem Oh, chuva meu amor tão longe está agora E eu desejo tanto encontrá-lo, tão logo sem demora Porque a saudade já toma conta do meu coração E eu não quero ficar só, chorando triste na escuridão Oh, chuva és constante e se recusas a passar Por que fazes isso, será que não sabes o que é amar? Hoje mesmo eu preciso estar perto do meu amor Para acalmar esta saudade e tirar do peito tão forte dor. Juliana Maria da Costa 20
  • 22. Versos Gameleiros MOMENTOS Silente e absorto vaga o meu coração ferido Abandonado e desprezado, por um amor esquecido Lágrimas amargas rolam de olhos tão cansados Nada mais faz sentido, tudo já faz parte do passado O que antes era motivo para riso e felicidade Hoje é apenas uma lembrança triste que causa saudade Nada conforta essa tristeza, tudo se tornou vazio e doloroso Em meu coração a vagar ferido e silencioso As mãos que acariciavam e davam carinho Machucaram mais do que muitos espinhos Tudo já é tão confuso, nada mais posso fazer A saudade continua ainda a machucar e a doer Momentos de felicidade que um dia eu vivi Momentos de amor que eu nunca esqueci. Juliana Maria da Costa 21
  • 23. Versos Gameleiros DESPRENDIMENTO Mais uma noite cai, chega junto o desespero e a solidão E as marcas de dor e de tristeza que existem no coração São vestígios de um sentimento que muito machucou O vazio, o medo e a incerteza que o tempo não levou Cessam as palavras, caem as lágrimas que fazem doer As feridas causadas por um amor difícil de esquecer Pensamentos e gestos que não querem se calar Tornando maior o desejo de se libertar Esquecer todas essas noites de lágrimas e solidão Deixar para trás as lembranças e a desilusão Encontrar a felicidade em algum lugar esquecida Despertar para um novo dia, reviver uma nova vida. Juliana Maria da Costa 22
  • 24. Versos Gameleiros VERSOS NOVOS Nas asas da inspiração Vou além dos meus limites Vou além da imaginação Nas palavras que irradiam Ardente luz que me fascina Nesse sentimento que domina Sinto reviver o coração É vento forte que arrasta a solidão Levando para longe o rancor Trazendo luz à escuridão Trazendo de volta o amor Que se tem no coração É só se deixar levar Pelos caminhos da emoção É mudança de estação É mudança no viver É momento de deixar a razão Pensar mais com o coração Deixar a alegria renascer Nos momentos de inspiração Tornar as palavras mais belas E entregar-se com paixão. Juliana Maria da Costa 23
  • 25. Versos Gameleiros PALAVRAS Nos momentos de inspiração Deixo ir para longe a imaginação Para buscar nas palavras perdidas As expressões mais sentidas Para despertar um coração E essa sensação adormecida No mais íntimo escondida Faz renascer a paixão Que transforma uma vida Que traz luz à escuridão E essa paixão sentida Por muito tempo esquecida Leva embora a sensação Do abandono e da despedida Usar as palavras com emoção É trazer de volta para a vida A felicidade e a paz perdida É afastar para longe a dor e a ilusão. Juliana Maria da Costa 24
  • 26. Versos Gameleiros MÃE Beijar-te-ei as mãos com afeto e carinho E nesse momento encontrarei o caminho Das palavras mais belas e sentidas Para dizer como és importante em minha vida És a luz que toda manhã ilumina És o eterno encanto que a todos fascina Brilhas no céu como a estrela mais bonita És de beleza, és de perfeição infinita És o calor sincero que o coração aquece Traz a todos bênçãos em suas preces És santa, és mãe imaculada Fiel e verdadeira, és mãe abençoada Desejo que nos caminhos da vida Encontres a felicidade merecida Nas orações eu pedirei a Deus Que para sempre ilumine os passos seus. Juliana Maria da Costa 25
  • 27. Versos Gameleiros ADEUS PARA NUNCA MAIS As horas passam devagar E a tristeza que existe no meu coração Tornam os dias e noites Difíceis de suportar Porque a alegria já não existe em mim E tudo que restava da felicidade Hoje chegou ao fim Coração contrito sofre e chora A saudade de um amor Que para sempre foi embora Levando para longe Minha felicidade e minha paz Num adeus incontido, adeus para nunca mais. Juliana Maria da Costa 26
  • 28. Versos Gameleiros REENCONTRO Para sempre amarei você Porque você eternamente está em mim E cada vez que olho nos olhos teus Sinto que jamais serei capaz De um dia esquecer Tudo o que juntos nós vivemos Cada vez que penso em você Sinto que jamais deixei de te amar E que apesar de tudo o que aconteceu Eu ainda sinto sua falta E queria nesse momento estar com você Reviver tudo o que passamos juntos Sentir as alegrias e emoções de um amor Que sobreviveu ao esquecimento e ao tempo E que voltou em nós com toda força Depois que nossos olhos Novamente se encontraram Juliana Maria da Costa 27
  • 29. Versos Gameleiros ERRO MEU Pelos caminhos da vida Tristezas e ilusões eu encontrei Muitas dores, muitas despedidas Muitos momentos que chorei Mas nos braços de um novo amor Consolei a minha dor Vi meu mundo transformar Quando senti sua boca me beijar Em tuas mãos entreguei meu coração Não pensei jamais viver outra ilusão. Juliana Maria da Costa 28
  • 30. Versos Gameleiros Maria Madalena Poesia & Cia. 29
  • 31. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Maria Madalena Rosa, 52 anos, católica praticante, amante da paz e da justiça. Sonha com um mundo de paz, união e fraternidade, extremamente caridosa e sensível. Estudou até o nível técnico. Já na sua adolescência escrevia poesias, acrósticos, romances, etc. Escreveu um livro de aventuras chamado “Tião e Tonho Perdidos nas Trilhas do Nordeste”. Um livro de aventura cômica, mas também já se arriscou em uma ficção científica voltada para o espaço. Sua inclinação, porém, são os romances e histórias infantis, os quais estão sendo projetados para o próximo ano. Maria Madalena 30
  • 32. Versos Gameleiros RUAS Desertas e nuas, tão minhas, tão suas, Tão cheias, vazias, De gente que sobe ou desce, Alegres ou tristes. Crianças que vagam sem rumo, sem pão, Mexem e remexem restos de lixo Dividem, repartem com gatos e cães. Ruas cruas... Tão cheias, vazias, De gente que dorme nas praças e becos, Calçadas molhadas Pela chuva que cai fazendo goteira Naquela marquise, molhando o vivente, Que dorme tranqüilo, sem nada sentir. Carros que passam fazendo barulho! Pelo meio das poças de lama ou de água, Que molham, encharcam o pobre vivente, Que dorme tranqüilo sem nada sentir! Semáforos, placas! Quebrados, danados! Vadios e vândalos mal educados! Sem rumo! Sem Deus! Nos becos, nos bares! Menores, maiores! Cavalos ou vacas pastando de graça, Os matos em moitas das ruas largadas... Assim são as ruas daquela cidade, Esquecida no mapa daquela gaveta, Naquele lugar... Maria Madalena 31
  • 33. Versos Gameleiros MELODIA DOS VENTOS Ventos que sopram levando folhas, trazendo sementes! Sementes que brotam, germinam e nascem, E formam, e crescem... Árvores frondosas... Ou uma simples flor! Ventos fortes ou fracos que tocam o rosto, Secando as lágrimas, trazendo alegria, Levando a dor... Dor da saudade, presença constante, Lamento da alma de um sonhador! Ventos que choram, vêm e devoram, Com raiva ou desprezo... Desprezo de amor, Marcado, ferido, manchado e chorado, Lágrimas cansadas da dor! Ventos que sopram, fortes, fracos! Ventos cantantes, melodia dos amantes, Que amam e choram! Lamentam distâncias Que ferem a alma e machucam o coração! Ventos uivantes... Calmaria dos andantes, Que vão e voltam em busca da paz!! Maria Madalena 32
  • 34. Versos Gameleiros HINO AO CRIADOR Levando a vida a brincar... Me enganei! No meu engano fiquei... Silenciei! No meu silêncio gritei... Ninguém ouviu! E nesse grito de dor... Plantei amor! O amor nasceu sem florir... Mas não morreu! Do amor restou a raiz... Que replantei! Alimentei a ilusão... Me machuquei! Ainda assim insisti... Então caí! E Deus me deu sua mão... Me levantou! Ao me erguer então vi... O que perdi! A flor do amor renasceu... Se transformou! Saudade veio e ficou... Eu superei! Levando a vida a buscar... Eu encontrei! A tentação da ilusão... Eu resisti! Valorizei a oração... Numa canção! E como uma fonte a jorrar... Cantarolei! Agora sou mais feliz... Porque aprendi! Que Deus é Pai e Senhor... Do pecador! E ao estender minhas mãos... Vou me lembrar! Que ganhei mais um irmão... E vou louvar!! Maria Madalena 33
  • 35. Versos Gameleiros ÚLTIMO ADEUS Sobre o túmulo frio chora o infeliz. Sobre o túmulo frio jaz sua alma gêmea. As lágrimas lavam sua alma no mais longo e triste silêncio... No silêncio tenta um alento, desatento... Sem rumo e sem voz... Não fala, não ouve! Lamenta na mente! A consciência o acusa e mais uma vez ele chora! Chora sobre o túmulo daquela que amou... Sai sem consolo... Pelas ruas anda sem graça! Sem vontade senta num banco da praça... Perdido! Lamenta o passado esquecido num dia qualquer! Um adeus sem lágrima, sem despedida, Sufocando o soluço preso na garganta! É tarde demais! E num último consolo, Volta ao túmulo frio, Nas mãos uma flor branca e luzente, O único presente, Que a ele ela pedira num lamento, Chorosa e humildemente sofrida... Coloca no túmulo a flor... Símbolo do seu amor... MARGARIDA!!! Maria Madalena 34
  • 36. Versos Gameleiros MARIA Maria menina, Maria mulher! Maria sem graça, Maria da Graça, Maria, Maria, Maria mulher! São tantas Marias! Das casas, das roças, Das ruas e praças, São pobres ou ricas, Maldosas ou meigas, Sinceras ou não! Esposas ou noivas, São filhas, são mães, Solteiras ou não! Nas ruas da vida, do lar ou das vias, Perdidas ou não! Sem rumo, sem glória, Sem passado ou futuro, Sem nada, sentadas, Nos becos, calçadas, Nos bares, aos pares, Pedindo ou vendendo, Seus corpos carentes, De amor ou de pão! Maria, Maria, Maria das praças, Marias sem graça, Marias... São tantas! Malvadas ou santas, Marias... Ou não! Maria Madalena 35
  • 37. Versos Gameleiros PAIXÃO DE SAPO O sapo encontrou a rãzinha Na beira do ribeirão Rãzinha sorriu para ele O sapo ficou doidão O sapo todo animado Queria se aproximar Rãzinha fugiu correndo O sapo correu atrás O sapo apaixonado Começou então a cantar Chamando sua rãzinha Querendo só namorar: “— De onde eu vim Onde eu cresci! Não existia Rãzinhas lindas Como as daqui!” Maria Madalena 36
  • 38. Versos Gameleiros ROSA AMARELA Olha tímido o jardineiro A mulher que passa apressada Sem olhar dos lados Despreocupada! Não vês que eu te amo? Não vês o que sinto? É verdade, não minto! Rosa amarela! Tu és a mais bela De todas as flores, Do meu jardim, Rosa amarela, Entre todas, a mais bela! Minha doce japonesa, Porque não olhas para mim? Mas um dia o jardineiro, Distraído, entristecido! Passeando pelas ruas Logo vê a sua amada, Amarela e perfumada! Plantada em outro jardim! Maria Madalena 37
  • 39. Versos Gameleiros ANJO REBELDE Quem és tu que perdoa quem te julga, Que te calas e te escondes? Quem és tu que tentas no silêncio, Driblar os próprios sentimentos? Quem és tu que não reclamas, Não lamentas nem procuras um alento? Anjo rebelde!! Quem te expulsou do céu? Quem és tu que amas sem limites, Sem fronteiras, sem razão, quem te julga e te difama? Quem és tu? Se eu te chamo de anjo, te revestem de demônio!! Deixa-te conhecer! Desce do teu orgulho e mostra o teu valor! Pequeno gigante! Derrubaram-te do mais alto pedestal! Anjo rebelde!! Quebraram tuas asas! Mesmo assim queres voar! Tuas asas quebradas te deram a pureza de uma criança, A meiguice da humildade... E nos olhos o brilho do amor! Quem és tu?! Maria Madalena 38
  • 40. Versos Gameleiros BRISA Brisa que toca com suas mãos macias, fazendo gelar o coração... Brisa que passa sem deixar vestígios, fazendo despertar paixões irreversíveis, refreadas e contidas por medo da desilusão. Brisa que vai e volta surpreendendo o mais íntimo da alma de quem ama o mais puro e sincero dos amores... Brisa que mexe e remexe trepidando as chamas da ilusão da mente, da alma, do coração... Da paixão! Brisa que transmite vida, alegria, saudade, desespero, paixão, amor e solidão. Brisa da manhã, da tarde, da noite, que faz esquecer que existe sol, chuva, tempestade e vendaval! Brisa! Doce e suave! Vem tocar a minha alma ansiosa e manhosa; alma que chora, pede e implora pela sua presença divina! Transparência cristalina do Criador! Brisa mansa, calma e tranqüila, agradável companhia; serena e amena, solidária e feliz, tão longe, distante, presença constante e sagrada na vida de quem ama o mais puro dos amores... Brisa branca, doce e suave! Transparência divina! Fonte de inspiração às mais lindas poesias cantadas, declamadas ou simplesmente sentidas... Brisa calma... Tranqüila, serena e amena, que gela a alma e queima o coração! Brisa! A mais doce criação divina!! Maria Madalena 39
  • 41. Versos Gameleiros PINTASSILGO Voa, Pintassilgo! Abriram a porta da tua gaiola! Foge pra longe, bem longe, Das águias e gaviões, Alcança os céus, toma as nuvens, Sinta o vento, o sol, a brisa... Vai... Vai pra tua liberdade! Alcança as outras aves, Pequeninas como tu! Bata as asas com vontade... Sobe as montanhas mais altas! E de lá admira o mundo, Veja agora, está tudo aos teus pés! Voa, Pintassilgo! Pequeno pássaro! Abriram a porta da tua prisão! Vai pra tua liberdade!! Maria Madalena 40
  • 42. Versos Gameleiros Nina Toda Divina Arte 41
  • 43. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis (NINA) nasceu em Capão Bonito (SP), em outubro de 1.956. Formada em Publicidade e Propaganda pela Universi- dade de Mogi das Cruzes (UMC). Foi professora de Língua Portuguesa e Literatura Infantil na Escola Normal de Capão Bonito. Foi professora do Ensino Fundamental, Artes e Traba- lhos Manuais da Escola Waldorf Vale Encantado de Capão Boni- to. Hoje é artesã, artista plástica, gosta das poesias e de tudo relacionado à arte. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 42
  • 44. Versos Gameleiros AMIZADE COM DEUS Sentindo Tua presença Ousei Te convidar A acompanhar-me A lugares mais inesperados Caminhamos juntos De mãos dadas Sentia Tuas vestes Roçando meus pés Doce presença... O Teu hálito quente A falar bem perto O Teu olhar envolvente Cobrindo minhas misérias Aceitando-me Condescendente Pus-me a cobrir-Te de mirra Derramar sobre Tua cabeça, um raro perfume Deitar bálsamo sobre Teus pés Beijar Tuas chagas Agradar Teus olhos Louvar-Te da maneira que mereces Emergir nas profundezas do coração O amor, santo amor E entregá-lo todo a Ti Com toda força e ardor de minha alma. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 43
  • 45. Versos Gameleiros AQUI, ALI, ACOLÁ Além da lenda Atrás da colina Existe a vivenda Lenta moenda Parlenda Além da fonte Água tranqüila Sutil claridade Suspira verdade Bondade Além do horizonte Outro tom Suave som Gosto bom Dom Além da lembrança Registro tristeza Dor embebida Na alma quieta Ferida Além do acolá Aqui e ali Instantes vivi Sofri Remi Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 44
  • 46. Versos Gameleiros AZUL DE MARISTELA AZUL Azul vibrante de lumeeira, Azul intenso e molhado. Um olhar, às vezes solto, Outras vezes, apertado. Contemplas a lua, absorta, Embevecida. O azul do olhar seduz. Fica a lua, trêmula. Estarrecida. Quando as lágrimas pela face descem, São de um tom puro e celeste; Não desbota a cor dos olhos, Compartilha um céu agreste. Azul impetuoso, veemente. Intrépido, audaz, forte azul, Não lembra os mares do norte, Traz saudade dos mares do sul. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 45
  • 47. Versos Gameleiros CAMUFLAGEM Entre as caianas Dourei-me Entre os girassóis Voltei-me ao sol Entre as águas Temperei-me Tentei alcançar O rouxinol. Atrás do fogo Que arde Atrás de um vermelho hibisco Atrás de um pulso cerrado coragem Escondi-me No aprisco Suguei o orvalho Da manhã Mel tem a figueira Cobri-me de folhas Doce cegueira Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 46
  • 48. Versos Gameleiros COMPRAZIMENTO Fechei os olhos E divaguei. Nas rimas da poesia Calei. Uma a uma acomodou-se Dentro de um espaço Até onde pude ouvir o som. Nitidamente, sem embaraço. Fulgura a alma, Relampeja o coração, Luzeiros da emoção, Cintila o caminho, Abrindo-se em luz, Conduz-me ligeiro, Reluz, reluz. Oh! Doce sabor Que fome voraz, Sacia o desejo Onde tudo se compraz. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 47
  • 49. Versos Gameleiros CONTÁGIO Há qualquer coisa no ar, Não sei se é magia ou alquimia, Ou se é folia pela alegria, Corrompe, contamina, contagia. Há qualquer coisa no vento, Não sei se é lamento, Pois, se tornou violento, Num tom quase cinzento. Há qualquer coisa no mar, Que eu não consigo ancorar, Talvez por uma rejeição salutar, Por não ser meu lugar. Há qualquer coisa na terra, Intrépida, forte que desperta, Todo mal que se desterra, Do chão livre, minha descoberta. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 48
  • 50. Versos Gameleiros CZARINA Alguma coisa perdeu-se, Lá longe, Atrás dos montes, No passado. Soltei âncora Num porto Lânguido, Tecido com fios sortidos Encontrados ressequidos. Umedeci-os com perfume enântico Num tom um tanto quanto romântico, Suave doce, Sem quebrar o encanto. Cevei um pedaço do mar, Hoje trago luz Junto com nenúfar. E a melancolia Ingerida com ânimo confiante, Não é mais relutante. E o coração repousa Sensato Como a linda flor de lótus Em tons pastel Não apagados, Mas fortemente delicados, Seráficos. Dança nas pausas da melodia, Desnudando toda fantasia No enlevo da maresia. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 49
  • 51. Versos Gameleiros LEVE MARESIA Mar profundo Águas mansas Desprovido de sal. Areia que cheira Cor do marfim Peneirada e clara Sem começo Nem fim. Olhar comprido Lambe a água Perde no imenso Só e indefeso Paira suspenso. Horizonte é um traço Separa o céu Bola de fogo Que a água apaga afaga Ininterrupto e cruel. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 50
  • 52. Versos Gameleiros MONTANHÊS Testa molhada Odor balsâmico Mão enrugada Em tom cerâmico Hálito quente Cheira a pinhão Bucólico ávido Enfeita seu chão Espera, que espera Sozinho balbucia Sentado no calcanhar Uma canção assobia Olha lá longe Conhece o tempo Cúmplice da lua Amigo do vento Escreve com o dedo Riscando o chão Faz contas precisas Aguarda o verão Lenhador braço forte Parte a lenha, faz fogaréu No fim do dia reza e agradece Com a fumaça, a oração sobe ao céu Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 51
  • 53. Versos Gameleiros OH JESUS! Aos pés de tua cruz ajoelho-me, Reverenciando-me numa profunda adoração, Meu corpo se curva diante de Ti, Quero dar-Te consolo e minha gratidão. Levanto os olhos e fito o meu olhar em Ti, Choro ao ver o meu Deus pregado numa cruz. Oh! Homens cruéis, como puderam? Ele só trouxe amor, paz e luz. Contemplo demoradamente em tuas mãos cravadas, Tenho vontade de beijá-las para suavizar tua dor. Nada posso fazer para aplacar teu sofrimento. Apenas amá-lo, Oh, meu Salvador! Observo teus pés com grossos cravos, Lembro-me que andastes somente fazendo o bem. Espalhastes tua palavra e tuas promessas. Quem deixou de ouvi-las? Nem eu, nem ninguém. Deparo-me agora com a ferida do teu lado, Oh, Senhor! Quanta angústia e aflição. Foi por mim, foi por nós que padecestes. Que nobreza, que grandeza, quanta resignação. Queria deitar bálsamo em tuas chagas, Queria cuidar da tua ferida, Colocar medicamento estancando o teu sangue, Cuidar dos teus hematomas e da tua vida. Mas como não sei o que fazer Para diminuir tua dor, Aceite pelo menos do pouco, Da pobreza do meu amor. Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis 52
  • 54. Versos Gameleiros Raquel Domingues O Amor e o Poeta 53
  • 55. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Raquel Domingues Izaías, capão-bonitense nascida em 16 de fevereiro de 1973, filha de Antonino Domingues Izaías e Maria Margarida Izaías. Concluiu o Ensino Fundamental já adulta e é mãe de dois filhos, mas já mostrava forte inclinação pela literatura e costumava escrever poemas e versos desde pequena, sendo esse um hábito que herdou de seu pai que também sempre gostou de escrever. Tem formação profissional como costureira, porém, na maior parte de sua vida atuou como ‘do lar’. Descende de família bastante humilde, sendo todos capão-bonitenses, o que não a impediu de mostrar seu talento com a poesia expressando sentimentos e emoções pessoais em relação a fatos e pessoas que fizeram ou fazem parte de sua vida. Com esse método consegue atrair a atenção do leitor, fazendo com que este consiga ver refletida a sua própria vida nos seus poemas, visto que muitos desses poemas são dedicados a pessoa ou são escritos a pedido de alguém. Simplicidade, sentimentos, emoções, histórias da vida cotidiana são expressos com grande força em seus poemas. Raquel Domingues simplesmente é uma pessoa que consegue transformar fatos da vida em versos e rimas feitas de maneira singela e inocente, mas com a força e o poder do coração. Raquel Domingues 54
  • 56. Versos Gameleiros CRIAÇÃO Os poemas que eu faço São inspirados na vida. Falo dos sonhos que temos E das noites mal-dormidas. Escrevo sobre os encontros E os desencontros também. Sobre pessoas que se amam E aquelas que não têm ninguém. Falo sobre a família, Sobre fé, sobre paixão; Amor, sonho, fantasia, Romance, ternura, ilusão. Enfim, tudo o que eu quero, É poder a todos mostrar Que o que importa é viver. E através deles, eu espero, Que eu consiga despertar A emoção e o prazer. Raquel Domingues 55
  • 57. Versos Gameleiros ALGUÉM QUE ME AME Por tudo o que nós vivemos, Pelo amor que nos uniu. Pelo que juntos aprendemos, Por tudo o que a gente sentiu. Pelo que estou passando, Pelos sofrimentos meus. Pelas lágrimas que estou chorando E a saudades dos carinhos teus. Quero te dizer, querido, Que afinal valeu a pena Um dia ter você comigo Apesar de tantos problemas. E hoje eu sinto saudade Deste amor do meu passado, Pois sei que era verdade, Nosso amor era sagrado. Não consigo esquecer Que um dia eu te amei. Ainda penso em você; Eu nunca te esquecerei. Pois você ainda faz parte De grande parte de mim, Pois nunca mais encontrei Alguém que me ame assim. Queria voltar ao passado Para ter você por perto, Mas está tudo acabado: Que pena que não deu certo. Raquel Domingues 56
  • 58. Versos Gameleiros NÃO SOFRA Hoje à tarde eu te vi. Tão triste você estava! No mesmo instante perecebi Que por dentro você chorava. Gostaria de saber O que te deixou assim. Você não vai me dizer? Pode confiar em mim. Saiba que sou seu amigo E te quero muito bem. E ao te ver tão deprimido, Eu fico triste também. Quando te vejo sofrendo Meu coração se entristece Por não poder te ajudar. E fico assim, padecendo E para mim até parece Que eu sofro em seu lugar. Queria possuir o dom De acalmar seu coração Pra não mais te ver sofrer. Você é tudo de bom E a sua doce amizade É que me inspira a viver. Raquel Domingues 57
  • 59. Versos Gameleiros TODO O AMOR DESTA VIDA Gostaria de estar contigo Por toda a eternidade, Pois só com você eu consigo Alcançar a felicidade. Não é viver no paraíso, Mas é dele estar bem perto. Eu me perco em seu sorriso E me sinto descoberto. Você tem o grande dom De desvendar meus segredos, De entrar em minha alma E acabar com meus medos. Sinto que ao mesmo tempo, Mata-me e me faz viver, E por isso, a todo momento, Eu me sinto renascer. É uma sensação estranha De entrega, de paixão. Quando eu estou em seus braços Eu me rendo à emoção. Peço-te que não me deixe, Sem você, vivo perdida. Pois um dia eu te entreguei Todo o amor desta vida. Raquel Domingues 58
  • 60. Versos Gameleiros TEU OLHAR Hoje à tarde eu saí Sem rumo, a lhe procurar; E em cada rosto que vi Eu buscava teu olhar. Este teu olhar tão triste De um brilho tão profundo, E para mim não existe Olhar mais lindo no mundo. Foi por causa deste olhar Que eu por ti me apaixonei. Quando eu os vi a brilhar, Confesso, não agüentei. Entreguei-me a este amor E agora estou perdida; Dentro do meu peito há dor, Pois sei que não tem saída. Procurei-te em cada rua, Em cada esquina eu te via. Confesso: eu já sou sua, Eu juro que não queria. Não queria, porque sei Que você ama outro alguém. E ela vive ao seu lado Porque te ama também. Hoje me resta chorar, Já sei meu destino, então: Sem o brilho deste olhar Viverei na escuridão. Raquel Domingues 59
  • 61. Versos Gameleiros INEVITÁVEL Quando ela vier me buscar Terei que ir, eu não poderei fugir. E então ela irá me levar, Ela é quem irá decidir. Virá linda, toda de branco, Como uma noiva cruel. Eu não verei o seu rosto, Pois estará sob um véu. Mas sei que é bela E que aguarda ansiosa por mim. Eu não espero por ela, Mas ela virá mesmo assim. Quem sabe eu estarei dormindo, Trabalhando ou fazendo amor. Talvez eu esteja sorrindo, Ou chorando, de sofrimento e dor. Não quero que ela venha Em alguns momentos. E às vezes eu chamo por ela, Em meio aos meus tormentos. Tem dias que a procuro Desesperado e louco; Em outros não a quero; Peço que espere um pouco. Mas ela virá, pro meu azar, Ou talvez pra minha sorte. E eu tenho que esperar, Ela é inevitável: Ela é a morte! Raquel Domingues 60
  • 62. Versos Gameleiros O SORRISO DE DEUS Todos os quadros que vejo Com a imagem de Jesus, Uma coisa me chama a atenção: É o olhar sempre triste No rosto cheio de luz Mostrando-nos compaixão. E um dia pensei comigo: Como eu gostaria de ver O sorriso de Jesus. Mostrando que é meu amigo, Dizendo-me pra aprender Sobre os mistérios da cruz, Então o Senhor me falou: — É só você que não vê, Mas sempre contigo estou Basta somente você crer. Todo dia eu te abraço, Seguro em suas mãos, Acompanho cada passo, Mostrando-te a direção. Neste momento meu filho Vem correndo aos braços meus, Traz no seu rostinho um brilho, E nos lábios, o sorriso de Deus! Raquel Domingues 61
  • 63. Versos Gameleiros VOCÊ, PÁSSARO FERIDO É você, meu doce amigo, Pássaro ferido e só; Já não pode mais voar. Mas, mesmo se sentindo fraco, Saiba que estamos contigo E sempre vamos te amar. Aborrecimentos, tristezas, Todos nós temos na vida, Não tem como evitar. Mas quando chegar a hora Das preces serem ouvidas Você vai se libertar. Triste pássaro ferido Na vida há consequências Que temos que enfrentar. Mas você, querido amigo, Tenha sempre a consciência Que a luta irá terminar; Suas asas se curando Você estará livre Para outra vez voar. Mas evite os espinhos, Ande nos retos caminhos Que a felicidade irá encontrar. Abra logo a sua asa, Volte correndo pra casa Que estamos a te esperar. Que o amor de Cristo te ilumine E a cada dia te ensine Que vale a pena lutar. Raquel Domingues 62
  • 64. Versos Gameleiros INTENSAMENTE Quando olho para trás Vejo que nada mais é capaz De nos separar; Tudo o que passamos juntos, O tempo, O momento, Nada foi perdido, foi vivido: Intensamente... Tantos anos com você Tem sido pra mim Um aprendizado. Estou aprendendo a cada dia Amar, aceitar, perdoar; E de novo amar... Amar... Amar... Você é um menino Brincando de ser um homem. Você é meu homem Querendo continuar sendo meu menino, Você é um pai Amando e dando-se ao seu filho. Obrigado Por me deixar te amar assim E por me fazer tão feliz! Raquel Domingues 63
  • 65. Versos Gameleiros A LENDA DA PEQUENA ESTRELA Existia no céu uma estrela. Uma estrela bem pequenina, Mas muito brilhante, porém. Tão brilhante que ao vê-la, Todos diziam que ela tinha Algo que as outras não têm. Até que um dia, de repente, Esta estrela aqui desceu, Ela transformou-se em gente E na Terra ela nasceu. Poucos anos se passaram, Eu nasci e que alegria Eu senti, pois me contaram, Esta estrela ainda tem Que sua irmã eu seria. O mesmo brilho de outrora; E é pequenina também, Mas já é mulher agora. A luz que ela traz no olhar Ilumina minha vida E o amor que ela tem pra dar É que a torma tão querida. Esta estrela é você Minha irmã, que eu amo tanto. E mesmo sem eu merecer Enches minha vida de encanto. E nesse encantamento Peço a Deus, nosso Senhor, Que a todo momento Derrame-te paz e amor. Raquel Domingues 64
  • 66. Versos Gameleiros Antonio Celso Fragmentos 65
  • 67. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Antonio Celso dos Santos, poeta capão-bonitense que há quase quatro décadas labuta na seara das letras, na constante batalha das palavras procurando transformar as rimas em mensageiras de sonhos e realidades sonhadas... Desculpe leitor amigo, mas poeta não consegue deixar de poetar, então vamos lá: Estamos falando de um menino que nasceu em Capão Bonito, funcionário público, casado e pai de filhos maravilhosos, filhos que a vida cuidou de aumentar no decorrer dos anos, pois devido o seu trabalho muitas daquelas crianças passaram a ocupar um lugar no seu coração de sonhador. Até aquela que hoje é a mãe de todos chegou a ele assim... Autor do livro de poesias Gente lançado em 1984, sempre com trabalhos publicados na imprensa local, vem hoje através dessa coletânea procurando com a sua participação somar algo mais num cabedal por si só já tão rico. É sempre muito bom estar junto dos corações que sonham fazendo da poesia seu veículo, sua linguagem de vida. Nomeei minha participação nesta coletânea de Fragmentos, então curtam os meus fragmentos em forma de poesia... Obrigado! Antonio Celso Antonio Celso 66
  • 68. Versos Gameleiros A FELICIDADE Essa vida tão cheia de estradas diferentes às vezes nos levando para portos tão estranhos vai nos fazendo viajantes e sonhadores... Ah!... os sonhos... Muitas vezes nos tornamos tão pequenos, o horizonte está sempre tão distante nos fazendo caminhar em busca do quê? O amor? As conquistas? A própria vida? Coração... ele nunca aprende sobre a felicidade, está sempre com medo dela... Afinal de contas nunca se está pronto para ser realmente feliz, pois o que é a felicidade? Quanto tempo ela deve durar? Se for só um minuto é pouco, uma hora não dura nada, se for um dia passa tão depressa, uma semana é tão efêmera, um mês não dá nem pra notar, e se durar um ano? Pra ser feliz não é nada!!! Estamos sempre em busca de algo mais e muitas vezes deixamos a nossa riqueza de lado partindo em busca de uma ilusão qualquer, e a felicidade fica então esquecida em um cantinho abandonado do coração... Ser feliz até que é fácil basta entender o que ela vem a ser e pra que serve, são dois corações que se encontram para construir e viver um sonho... Antonio Celso 67
  • 69. Versos Gameleiros AUSÊNCIA Ah! Se não houvesse a distância não existiria você, pois como explicar a ausência toda no meu viver. Como transformar a saudade em algo palpável se toda essa ausência tem corpo, tem nome e até cheiro que é todo você... Antonio Celso 68
  • 70. Versos Gameleiros AVE MARIA Maria, você chegou em silêncio assim como quem não quer nada... Munida da paz e da emoção, aquela sensação doce que o amor tem e então o silêncio fala... Façamos tudo o que Ele nos mandar, amando o próximo por ele mesmo e ao próprio coração com carinho semeando flores entre os espinhos, calçando as sandálias dos sonhos com a responsabilidade do trabalhador que sabe o caminho e o destino que cada vida tem. É... Maria... Não é fácil nem simples ser mãe e filho no show da vida, afinal de contas o palco e a peça mudam e se transformam constantemente, mas sempre fica a lição do amor da mãe e das necessidades do filho fazendo constantemente a vida ser uma nova história nem sempre de conquista ou glória mas com certeza de muito, muito amor... Antonio Celso 69
  • 71. Versos Gameleiros CAMINHADA... Parabéns caminheiro, você que chegou de muito longe, você que veio da metade do caminho ou você que pegou a estrada agora. Somos viajantes da ultima hora, e a cada dia que passa novos integrantes compõe a massa e a turba que passa não consegue ficar anônima, sempre se sobressai. Neste caminhar a que chamamos de vida é maravilhoso não estarmos sós, pois as dificuldades da jornada serão muitas. Você, portanto, é muito importante para todos os companheiros: para aqueles que chegaram antes, para os que chegaram juntos com você e para os que vierem depois. Formaremos uma corrente única, onde não será possível definir quem é o mais importante na estrada... Antonio Celso 70
  • 72. Versos Gameleiros É LINDO... Mestre, é lindo poder olhar a vida e com os olhos marejados sussurrar um obrigado. É lindo quando com o corpo cansado o viajor chega em casa e abraçando seus corações queridos olha para o céu e diz um obrigado... É lindo como o dia surge brincalhão e inundando o quarto vai traçando um caminho de luz pelo chão. É lindo quando o jardim florido não é só perfume, não é só vida, é luz, é paz, é amor... É lindo, Senhor, poder sorrir, poder sonhar, poder pedir, poder doar, poder amar... Mas, é mais lindo, Senhor poder agradecer juntando todos os pedacinhos da vida: o ontem, o hoje e os amanhãs e construindo o grande quebra-cabeças saber que estou aqui, obrigado, Senhor... Antonio Celso 71
  • 73. Versos Gameleiros ESPERANÇAS Hoje só posso falar de alegria. Ave! Ainda bem, não? Você abre o jornal e as manchetes estão lá gritando: Inflação! Roubo! Morte! Seqüestros!!!! E... Cadê o espaço, aquele espaço para falar das coisas boas, das coisas interessantes, das coisas importantes? E a TV, você já viu? os noticiários são um resumo das coisas ruins que ocorreram durante o dia. Sabe, ao invés de criticarmos, de ficarmos denegrindo a rota imagem do mundo e nossa também, devemos abrir as mãos e o nosso coração para ofertarmos essa coisa bonita que temos dentro de nós que se chama esperança... Afinal, se nós quisermos o mundo será melhor! Você não acha???... Antonio Celso 72
  • 74. Versos Gameleiros FILHOS Filho é um presente de Deus não um produto, uma peça que se construiu, algo que se possuiu. Filho é alguém que chegou para que ao ajudá-lo a crescer aprendamos juntos o que é a vida, e ao ensiná-lo a falar aprendamos uma nova língua. É um sonho que cresce todos os dias, um passarinho que logo aprenderá a voar e, que ao galgar os céus da vida sempre levará um pedaço de nós, pais e também filhos... Antonio Celso 73
  • 75. Versos Gameleiros MULHER Você! Sempre a eterna poderosa, o ser completo e dominante fazendo a vida acontecer... Quem pensa a conhecer, que sabe de tudo de você muitas vezes apenas padece de solidão e mau viver... Menina, moça, mãe, amiga, amante, companheira, irmã... Afinal, o que é mesmo você? Muitas vezes só uma incógnita que na matemática da vida alterando a posição dos fatores coloca nos seus devidos lugares emoção, carinho, coração... É... depender de você transforma o homem em cidadão, em parte integrante e atuante do mundo e da sociedade. Faz um sonho tornar-se realidade e realiza a felicidade que ele sonha tanto ser... Faça o homem e o mundo onde ele habita e acontece tornar-se alguém e algo melhor, Mulher... Antonio Celso 74
  • 76. Versos Gameleiros SONHAR Deixe-me sonhar e sonhe também. Dá-me sua mão e vamos a mais além. Se a vida é curta e repleta de problemas, se há desilusões e dores nascem flores também e as coisas mais lindas que a vida tem são sempre anônimas. Não passe por ela como alguém alheio, construa seu mundo, gaste seus anseios, use a emoção pisando fundo. Lembre-se que o seu é o mais belo dos mundos, e que a vida é um sonho que vale a pena, e, que você já é um sonho realizado... Antonio Celso 75
  • 77. Versos Gameleiros VOCÊ Você bem sabe que já fui muito apaixonado, desses tipos tresloucados de fazer e acontecer. Hoje já tô mais acomodado tenho você do meu lado, não preciso mais correr, mas se eu sentir que tem alguém de butuca me dá um frio na nuca e parto pro vamo vê. Não adianta nem pensar em me segurar porque não há parada que um tabefe não ensine a respeitar. Nesses aspectos sou macho toda vida, mas você sabe minha querida que só brigo por você... Antonio Celso 76
  • 78. Versos Gameleiros E. S. Machado Coletânea de Poesias 77
  • 79. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Nascido na cidade de Colombo, estado do Paraná, filho de Avelino Machado e Faustina Guimarães Machado, em 2 de agosto de 1945. Seu pai, apesar de ter estudado em seminário religioso, preferiu casar-se e viverem como pequenos agricultores. Aos dois anos de idade, seu pai e o restante da família mudaram-se para a pequena cidade de Pedra Preta, atualmente Tunas do Paraná, onde cresceu em um sítio, trabalhando na lavoura familiar, muito comum naquela época. Estudou no pequeno Grupo Escolar da cidade até a quarta série (única formação daquela época nas cidades pequenas). Viveu até os seus dezoito anos em meio a natureza, vivendo intensamente as coisas do campo, matas, rios e cachoeiras existentes na região. Viveu sob os costumes rígidos da época. O seu dom para a poesia apareceu aos quinze ou dezesseis anos de idade, quando escreveu seus primeiros versos, adotando o pseudônimo SORE, que nada mais é que seu nome escrito ao inverso. Aos dezenove anos, tendo cumprido com o serviço militar, empregou-se nas minas de chumbo da Plumbum S.A., na cidade de Adrianópolis/PR, onde através dessa empresa continuou seus estudos, formando-se Agrimensor. Exercendo essa profissão, acabou vindo para a cidade de Capão Bonito em 1971 quando do início da construção da fábrica de cimento da Itabira Agro Industrial S. A. (hoje Cimento Ribeirão Grande). Apesar de ter vivido nesta cidade desde 1971, esteve trabalhando no Paraguai, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e vários estados do nordeste do país, assimilando bem as culturas dessas regiões. Além de poeta é compositor e cantor de música sertaneja raiz, sendo que atualmente integra o grupo sertanejo 'Jóias da Terra', aqui da cidade de Capão Bonito. Eros Sebastião Machado 78
  • 80. Versos Gameleiros QUERER Quero, e porque quero, sofro As duras penas do querer. Porque o que eu quero, É lindo demais para que mo dêem Quero, e por querer Sou chamado de louco. Por querer o que de mais belo há no mundo, Sou chamado de revoltado, e considerado Insignificante aos olhos do mundo. Quero, e por isso sou combatido por todos. Por querer o que eu quero, dizem que não me entendem Que não há coerência no que eu digo que quero. Mas o que eu quero, todos querem. Embora o neguem, dentro de si, Sabem que também querem. Porém seu querer é apenas um sopro de vida, num monte de barro já morto ............POR ELES MESMOS............ Eros Sebastião Machado 79
  • 81. Versos Gameleiros VIDA Estou só... é raiar da aurora. Observo as flores, as gotas d'água Formadas pelo sereno. Os raios de sol que banham de ouro os pequeninos e cristalinos pingos d'água. V I D A!!!!!! O beija-flor zumbindo de flor em flor. As borboletas vagando suavemente Como que a exercitar-se para aquecer-se. Mais adiante, crianças vozeirando, rindo, transmitindo inocência. Olho para o céu, o infinito azul, tão azul que meus olhos ardem. Num galho de árvore o sabiá gorjeia, a cigarra canta “com seu cantar estridente”, o gafanhoto salta impulsionado por molas que a natureza lhe deu, que a vida... vida? Oh! é vida sim! Tu estás em tudo. Tu estás em mim! Oh! Como é bom sentir a vida. Oh! vida, deixa-me senti-la. Deixa-me vivê-la até o êxtase da loucura. Pois dentro em pouco chegarão os “HUMANOS”, e então, eu morrerei por mais um pouco de tempo. Eros Sebastião Machado 80
  • 82. Versos Gameleiros MODERNOS JOAQUINS SILVÉRIOS Tu que estás de poder investido Que no parlamento dizes que o povo defendes Tem pose de mocinho, contra o bandido Falando aos pobres, a voz, o braço suspendes Tu que ganhas muito bem, porém come de graça E aparece sorrindo de quatro em quatro anos Enquanto o pobre se entope de cachaça Você enriquece por debaixo dos panos Tu que não conheces frio, fome ou dissabor Que em campanha acusa até amigo de salafrário Promete casa, emprego, fala até de amor Queria ver-te vivendo, com apenas um salário Tu que tens o canhão, a tropa, a artilharia Que ao menor sinal de protesto: rechaça Incurso estás também no Código, e devia Pra ti também erguer-se, uma forca lá na praça Eros Sebastião Machado 81
  • 83. Versos Gameleiros SIMPLES... HUMANO Porque é Humano chora A flor esmagada ou o ramo arrancado e lançado ao chão grosseiro Porque é Humano Crê na liberdade de pássaros em vôo e de pedras no terreiro Porque é Humano Crê na alegria da farta folhagem sob o vento aventureiro Porque é Humano crê Na fonte jorrando límpidas águas E um sol brejeiro E assim é a vida do Homem Que vive a natureza de forma tão ousada E não o assusta o que jorra de si O simples vive A vida que lhe foi dada Eros Sebastião Machado 82
  • 84. Versos Gameleiros CONJECTURANDO Jaz na tristeza pesada A alegria que externa fugaz Num instante de delírio Inverno ao entardecer Ah! a imperfeição na alegria Choraremos os sorrisos Que ousaram esconder a dor De nossa inconsciência Ah! se o brilho do sol Não abandonasse no toldar Em trevas da noite fria Os reflexos do querer bem Ah! se o dia fosse escuro E a noite mais densa Cantaríamos na tristeza A alegria de um novo dia Ah! se banais risos não houvessem E a luz estivesse morta Para nas trevas — breve Um spot matutino fosse No abandono poder-se-ia Sorrir na alegria Ou nelas chorar amarguras Sem ouvir outras lamúrias Eros Sebastião Machado 83
  • 85. Versos Gameleiros SOLIDÃO De repente eu vejo Alguém sentado, refestelado, acomodado, cerveja do lado, bem acompanhado Invejado. Seu jeito indolente, parece contente A cara me diz, estar muito feliz Não lembra de nada, não pensa em nada, só batucada na mesa lotada Que coisa legal, um quadro genial Felicidade total De repente me viro Vejo assustado, alguém que sentado, rosto sulcado, num canto apertado, mal acomodado... abandonado Seu jeito apreensivo, olhar pensativo Denota tristeza, muita estranheza, naquilo que vê De tudo esquecido, parece perdido Em nada ele crê Só o vazio, tudo é fastio, no seu coração Que coisa medonha, cena tristonha - A SOLIDÃO - Eros Sebastião Machado 84
  • 86. Versos Gameleiros REVELAÇÃO Como coelhinho assustado A esconder-se na sebe Como alguém que incendiado Num jorro d'água se embebe Como alguém que nas trevas Ao deparar-se com a luz Assim estou me sentindo Ao encontrar-te — JESUS Como alguém que perdido Ao encontrar o caminho Como o Eremita se sente Ao surpreender-se sozinho Como um cego na dúvida Encontra alguém que o conduz Assim estou me sentindo Ao encontrar-te — JESUS Como a flor ressequida Recebe um pouco de água Como alguém perdoando Se vê liberto da mágoa Como alguém perseguido Vê a liberdade surgindo Ao encontrar-te — JESUS Assim estou me sentindo Vendo o horizonte se abrindo E o sol meu mundo iluminar O meu ser sendo inundado Por uma alegria sem par Meus olhos, privilegiados Por avistar essa luz Humildemente eu afirmo Estás comigo — JESUS Eros Sebastião Machado 85
  • 87. Versos Gameleiros PERDÃO Perdoar, é amar, é doar-se É pôr no coração a força de um Rei!... Perdoar, é crescer, é sublimar-se!... Chorei!... Sofri demais!... e perdoei!... Perdoar é sublime!... A vingança É mesquinha!... Própria de amor interesseiro Perdoar, é de quem o céu alcança!... Pois, antes de se amar!... ame primeiro!... Estando perturbado, quase perdendo o juízo Não deseje o inferno!... ofereça o paraíso!... E ainda dê o seu riso juvenil!... Ofereça o aconchego do seu seio!... dê amor!... Pois, se a injúria for grande como a dor Dê um perdão maior do que o Brasil!... Eros Sebastião Machado 86
  • 88. Versos Gameleiros AQUELES OLHOS Aqueles olhos me seguiram Pelos mares imensos desta vida Na alegria brilhante do Rei-Sol Na escuridão da noite entristecida No calor intenso do deserto No estranho frio das geleiras No colorido denso da floresta No acalanto suave da cachoeira No arrulho alegre de pombos amantes No uivo triste de um cão solitário Na torrente chuva esfumaçada No cantar mavioso de um canário Por terras distantes eu andei Nos confins do mundo me escondi Lembrei-me “deles” o tempo todo Dos meus, prejudicados, me esqueci Andei!... Corri!... Disparei!... Me perdi Voltei!... Cabisbaixo!... Triste regressei Fitei!... Chorei!... E embevecido O círculo vicioso da vida eu fechei E aqueles olhos fixos em mim Desisti! Capitulei!... e reconheci Parei!.. Meditei!... E disse, Sim A razão do meu viver, estão ali! Eros Sebastião Machado 87
  • 89. Versos Gameleiros SÚPLICA Volta!... Retorna!... Vem!... pois a saudade é imensa O que sinto por ti!... É uma coisa tão linda Vivemos juntos!... O paraíso. Sem a sua presença A alegria morreu e a felicidade é finda Volta!... Eu sou quem canta e incensa Teus olhos divinais!... vem!... Serás bem-vinda Não demores tanto!... A minha dor é intensa Te vejo em sonho, oh! Saudade!... E tu não vens ainda Retorna!... Em teu lugar ficou um vácuo horrendo E os meus olhos fiéis, aqueles que te adoram Estão em constantes lágrimas, gemendo!... E os “bons fluídos” aos poucos se evaporam Retorna a quem te ama, flor querida Vem reinar sobre mim!... Meus sentidos imploram Regressa!... Vem!... dá sentido a minha vida Sem você, a tristeza, a solidão, o infortúnio, me devoram Volta!... Vem!... Arranca-me da escâncara do nada Vem!... Põe vida nesta vida que já morreu Com teu regresso, virá a luz da eterna madrugada Uma nova terra! Um novo céu!... teremos, tu e eu Eros Sebastião Machado 88
  • 90. Versos Gameleiros Lafayetti Barreto De Um Coração Apaixonado 89
  • 91. Versos Gameleiros BIOGRAFIA João Lafayetti Gomes Barreto (jlgbarreto@hotmail.com) — pinhalense (PR) por nascimento, mas capão-bonitense de coração — é, entre outras coisas, poeta, contista e cronista, pois adora escrever, adquiriu este hábito quando, nos tempos de estudante foi nomeado redator de O Lábaro, periódico estudantil, onde, por muitas vezes, tinha que completar espaços em branco das colunas. Lafayetti Barreto 90
  • 92. Versos Gameleiros O REGATO Eu sou aquele regato De águas claras Que vem lá do sertão. Eu sou aquele regato Que gostava daquele menino Que vinha descalço Molhar-se nas águas minhas, Que pescava o lambari, O cascudo, a taraíra, Que se deitava no espraiado, Que brincava distraído, Que não ligava pra nada. Eu gostava daquele menino. O tempo correu, Sofri cheias, Sofri estios, Mas minhas águas sempre correram. Tenho saudade daquele menino Que vinha descalço Molhar-se nas águas minhas. O tempo passou Continuo correndo, O menino, Nunca mais voltou. Lafayetti Barreto 91
  • 93. Versos Gameleiros METÁFORAS “Te darei o céu, O sol, As estrelas!” Sei que tudo isto já deves ter ouvido E sei, deve ter te agradado, Mas são metáforas, Meras metáforas; Eu serei direto, conciso, E mesmo não sendo romântico, Digo: — Te amo! E te darei o meu amor, Puro, verdadeiro, E não te darei o céu, E nem o sol E nem as estrelas. Lafayetti Barreto 92
  • 94. Versos Gameleiros AUGÚRIO Mas quando eu poderia esperar, quando, Que um dia deixarias de me amar? Fico tonto, eu que vivia sonhando Que jamais poderias me deixar. Então, pelo sofrer que estou passando, Ouças bem o que vou te desejar: Quando outro “pensares” estar amando, Tudo dele te fará me lembrar, No riso dele, me verás sorrindo, Nos beijos, me sentirás te beijando, No falar, a mim estarás ouvindo, E de saudades acabarás chorando, E ansiosa me quererás de volta, E me encontrarás aqui, te esperando. Lafayetti Barreto 93
  • 95. Versos Gameleiros CABELOS BRANCOS Que importam os cabelos brancos? Eu os ostento com orgulho, Galardão que a vida me ofereceu Por tudo que passei, Pelo que vivi, pelo que chorei, Pelas batalhas vencidas, Mesmo pelas batalhas inglórias, Pelos momentos tristes, Pelos momentos alegres, Pelas derrotas, pelas vitórias, E, afinal estou aqui. Das coisas tristes, esqueci, As boas, trago sempre comigo, Assim como num livro Que estou sempre a reler. No final, estou aqui. Os cabelos prateados Indicam a idade do corpo, Mas nunca a idade da alma, E apesar do tempo passado, E de ter passado por tudo o que passei, Ainda sou criança, É o que diz lá do fundo, Meu coração compassado, Que ainda sou criança, Que ainda sou menino! E, afinal, estou aqui, Menino, Menino de cabelos brancos. O menino mais velho do mundo! Lafayetti Barreto 94
  • 96. Versos Gameleiros DIA-A-DIA Chegando cansado, no fim do dia, Encontro teu sorriso me esperando, E vejo nos teus olhos, alegria E de ansiedade, teu peito arfando E me beija tua boca macia, E tuas mãos vão me acariciando, E esqueço todo o cansaço do dia Ouvindo as juras que vais murmurando. E me guia tua mão firmemente Rumo ao quarto, entre ansiosa e apressada, Tão linda, nervosa, afoita, insistente; Depois da festa de amor terminada, Eu, feliz e descansado sorrio, E tu sorris, bela e cansada. Lafayetti Barreto 95
  • 97. Versos Gameleiros OBJETO USADO Mais uma vez me procuras arfante, E outra vez dizes estar me amando, E todo este teu amor inconseqüente Tu mostras carinhosamente me beijando. Mais uma vez me procuras ardente, E mais uma vez eu fico pensando Que tu não estás de carinho carente, E sim que estás de verdade me amando. Ilusão, novamente me enganei E novamente fui por ti enganado, E eu, que sonhos tolos imaginei, Fico como simples objeto usado, Pois os teus desejos eu saciei, E objeto que sou, sou posto de lado. Lafayetti Barreto 96
  • 98. Versos Gameleiros MORTE NO CERRADO O sol cresta inclemente o cerrado, E mal este se põe Avermelhando o horizonte, Inicia-se a vida noturna Que com o sair da lua Fervilha oculta. E, como que numa orquestra Afinando os instrumentos, Ouvem-se sons tímidos, aqui e ali, Graves, profundos, agudos, estridentes, Cicios e trilares. Em pouco a orquestra entoa seu noturno. De quando em vez, ao luar Se vislumbra uma silhueta veloz. Súbito, um som mais alto sobressai, Ecoa como um grito chocante, pavor! E toda a orquestra se cala, O solo torna-se súplice e pára. Pouco depois a orquestra reinicia tímida, E aos poucos, num crescendo, volta ao auge. Do céu, plácida, a lua assiste. Lafayetti Barreto 97
  • 99. Versos Gameleiros SAUDADE O velho peão já não vê o gado passando E sente que a vida se foi com a boiada. O gado, O cavalo, O cão amigo não existem mais, Existem ainda, a capa gaúcha, A guaiaca vazia, O berrante empoeirado E o velho chapéu, Que de vez em quando Era batido na cabeça do arreio Para tirar o pó da estrada. Hoje, o velho chapéu não sai mais da velha cabeça, Tem a impressão de que se o sacudir, Sua vida se esvairia com a poeira, Que não é poeira da estrada, A poeira do tropel; É a poeira da solidão, Da tristeza, A poeira da vida Que se transformou em saudade... Lafayetti Barreto 98
  • 100. Versos Gameleiros REENCONTRO Andando sem destino pela rua, Casualmente passas ao meu lado, E, revendo assim a imagem tua, Percebi que nunca esqueci o passado, E, chamei-te com alegria enorme; Paraste hesitante, perturbada, E, espantada murmuraste meu nome Estendendo-me a mão delicada. Afoito e sorrindo a aperto calado, Te olhando sem saber o que falar, Pensando no amor há muito acabado E na razão do teu me abandonar. Teus lábios, lindos me sorriam, Teus olhos escuros, meigos me fitavam E deles, lentas lágrimas corriam, Os meus, lentamente se molhavam. Eu, pensando em beijar-te longamente, Mas te esquivas rápido, e voltando Te misturas à multidão que indiferente Te arrasta, e eu, estático fico olhando, Não te segui, nem sequer te chamei, Voltei-me, as lágrimas enxugando, E só, triste, novamente caminhei Como triste e só vinha caminhando. Lafayetti Barreto 99
  • 101. Versos Gameleiros JURAS Beijando-me tão louca, apaixonada, Toda nua nos meus braços, fremente Te entregas, doce, mansa, atordoada, Murmurando ser minha tão somente, E baixinho, depois do amor cansada: — Eu te amo, serei tua eternamente E eternamente quero ser tua amada, E te entregas sôfrega novamente. E logo depois, sorrindo eloqüente: — Eu te amo, te quero mais que ninguém! E agora, sussurrando docemente: — Que sejas meu eternamente também E eu, beijando teus olhos, fascinado Respondo: — Para todo o sempre, amém! Lafayetti Barreto 100
  • 102. Versos Gameleiros Pedro Paulo de Oliveira Eternos Amores 101
  • 103. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Nasci em 29 de junho do ano de 1966, capão-boniten- se de alma e coração. A minha formação acadêmica? Não tenho. Me formei pela “Universidade da vida’', aquela em que acolhe a todos, sem vestibulares. Desde a mais tenra idade rabisco meus versos, buscan- do na arte da nossa língua uma maneira de expressar meus sentimentos mais profundos. Às vezes com alegria, outras com tristeza..., o mais importante é que encontro na poesia uma maneira de meus sentimentos chegarem até vocês. Pedro Paulo de Oliveira Pedro Paulo de Oliveira 102
  • 104. Versos Gameleiros SAUDADE Sinto saudade Daquele beijo, Dado meio sem jeito Meio que roubado, Lembro dos seus olhos assustados O seu rosto rosado E o coração disparado Do riso achando graça. Sinto saudade Daquele canto lá da praça De novos, velhos enamorados Das noites quentes Ou frias Não importa Éramos todos amados... Sinto saudade Daquela inocência que se vai longe Mas que nos fez descobrir Que sonhar é preciso E amar é imprescindível... Pedro Paulo de Oliveira 103
  • 105. Versos Gameleiros DEFINIÇÃO DE AMOR Amor não se define Apenas se entrega Quando caminha pela veia, Respira por poros Onde suor em abundância, Faz-se de magia Onde o calor, Irradia odor Entre corpo e alma. Sua pele macia Supremacia de quem se ama Amor assim abraça Coração batendo em descompasso Não se assusta Nesse amor, já concebido... Pedro Paulo de Oliveira 104
  • 106. Versos Gameleiros LÁGRIMAS Coração inflama, de dor derrama suas lágrimas ao chão... Reclama pelo mundo, Pela paz que não existe, Pela vida que ilude Pelo sentimento que hoje Deixa alguém na solidão. Coração argumenta tristonho, pois todo aquele sonho explodiu pelo ar. Sumiu no tempo pairou nas alturas, no infinito escondeu-se... No universo da minha memória. Coração manifestou-se na hora errada, sem saber que naquela fachada estava a destruição que destruiu a esperança a mera coincidência de ficar mais um pouco. Que com seu pensamento de desamor destruiu o amor de um coração. Pedro Paulo de Oliveira 105
  • 107. Versos Gameleiros LINDA MENINA Linda menina que passa Faz de conta que não me vê No entanto não sabe O quanto me faz sofrer... Seus passos mágicos acompanho Cabelos esvoaçados pelo vento São tão raros Que meus olhos Buscam a todo momento... Linda menina que passa Aliviou meu sofrimento Com tal zelo e tempo Sorrateira me observava O quanto a esperava... Pedro Paulo de Oliveira 106
  • 108. Versos Gameleiros SONHO Dormi; Pensava que fosse sonho De repente sua imagem vi Como se fosse um anjo Anjo você é... No travesseiro molhado No êxtase de ter te encontrado No afago tanto desejado Na lágrima no meu rosto derramada Acordei, você me ama Pensei que me amava Era apenas sonho Estar com você É voar como anjo. Pedro Paulo de Oliveira 107
  • 109. Versos Gameleiros VOCÊ Olhei para você, Como a primeira vez que enxergava; Tudo em você é diferente, Apaixonante, Intrigante, Como primeira vez que amava, Seu sorriso reluzente; Inquietante, Sobressai em meio a tanta gente; Toma conta da minha mente. Como capricho, me põe de castigo No laço do seu amor Escapar não consigo... Pedro Paulo de Oliveira 108
  • 110. Versos Gameleiros SOLIDÃO Não sei como dizer A primeira palavra Refrão ou verso Para entender você... Juras, apenas juras; O brilho do seu olhar Longe se vai, Tudo ficou para trás; Aquele beijo Escondido lá na esquina Que era segredo entre você e eu Se evaporou sobre o ar Como se não existisse tempo Nem como voltar aquele sentimento Entre nós já sentido; Agora é só amigo Da nossa solidão. Pedro Paulo de Oliveira 109
  • 111. Versos Gameleiros QUERO Deixarei tudo em perfeita ordem quando daqui partir, não quero que os erros façam barreiras nos meus caminhos e apaguem traços que conquistei... Quero seguir meu destino sendo novas páginas deste livro da vida persistindo sempre sem me afogar com as tristezas, mas farei da realeza da amizade, muito mais amigos, do que atritos Que destroem o sabor da felicidade, deixarei a esperança Arquivada nesta existência para poder renascer E construir de novo na hora de voltar... Não quero a lágrima Nem dor na hora da partida Quero apenas, a lembrança florescendo no trabalho que criei fazendo alguém feliz... Pedro Paulo de Oliveira 110
  • 112. Versos Gameleiros PEQUENOS ANJOS Os olhos miúdos, Sofridos, Doloridos. Não desmentem suas pernas finas, corrompidas pelo tempo, pela sociedade... A caixa de engraxate sobre os ombros, sobrevivendo aos escombros desse falho sistema; Não se tolera tanta ignorância! Sua infância já nasce falida; Mas na ânsia de ser grande, Desde pequeno encara seu dia-a-dia sem ter família... Sem pai, Sem mãe... Meros viciados já se esqueceram que foram crianças... Pedro Paulo de Oliveira 111
  • 113. Versos Gameleiros FILHA Instantes, pareciam horas Saiba que te amo! Amarei para sempre Bela, eterna “Isa” Eterna “Belle” Luz divina que desatina Linda menina É você a razão da minha vida. Pedro Paulo de Oliveira 112
  • 114. Versos Gameleiros Prof. Brachyteles Penúltimos Versos 113
  • 115. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Prof. Brachyteles, antigo pseudônimo usado pelo autor Juraci B Chagas, natural de Capão Bonito-SP Professor, . pecuarista, poeta bissexto e compositor musical. Criador de temas musicais ligados à cultura regional e colaborador de jornais e revistas da região de Sorocaba, com participação em mais de duas dezenas de antologias poéticas. Teve um livro publicado pela Shan Editores (Porto Alegre/RS), intitulado Remansos e Correntezas, com poemas e canções. Juraci B Chagas 114
  • 116. Versos Gameleiros PÁGINAS VIRADAS Por que, depois de sortilégios tamanhos, Vivermos assim como dois estranhos? Pior que a dor, a má sorte, a desavença É a frigidez mortal da indiferença! Por que tornar tanta coisa construída Páginas viradas, aos poucos esquecidas? Onde estão nossos enredos, nossas mensagens? Aqueles em que fomos principais personagens? Foi tudo apenas uma ilusão, outra miragem? Não! Sabemos que a energia das águas contidas Volta-se mais forte contra as suas barragens, Quando só está, simplesmente, reprimida! Juraci B Chagas 115
  • 117. Versos Gameleiros AGOSTINIANAS Ontem: Memórias que se fazem presentes; Que eram para ser transitórias, Mas se tornaram permanentes! Hoje: Onde o passado, de repente, Pousou num tempo seguro, Para se nutrir da realidade, A caminho do futuro! Amanhã: Presença confirmada da esperança, Irmã da fé e da confiança, Que só vai sair da nossa frente, Quando a vida estiver ausente! Juraci B Chagas 116
  • 118. Versos Gameleiros LONA AZUL O circo chegou! Tem globo da morte e reflexos da vida! Mas onde andaria a nossa emoção? Virou pó, numa mágica chinfrim, Dentro deste imenso picadeiro, Este mundão sem fim! Debaixo desta enorme lona azul, O tempo já nos mostrou quase tudo: Feras que, entre outras feras, Enfrentam o arame, feito artistas; Anões, gigantes, trapezistas, Domadores das forças leoninas Da boca do povo, Das línguas viperinas! E até mesmo a sorte efêmera Do aparador de bailarinas... O circo chegou! Mas não traz mais boas lembranças, Porque, de há muito tempo, Deixamos de ser crianças! Juraci B Chagas 117
  • 119. Versos Gameleiros PIERRÔS Somos o que somos; Não o que sonham, Nem o que sonhamos. Diante do espelho E do peso das circunstâncias Nos revelamos: Desamparados bebês chorões, Instintivamente agarrados A velhos cordões umbilicais Já corroídos ou irreais. E confirmamos: Somente o amor E a intensidade da dor Acabam nos alterando. Se a mudança não vem, Continuamos resultantes Dos nossos primeiros anos: Escondendo o essencial Sob a máscara facial, Que desde sempre usamos! Juraci B Chagas 118
  • 120. Versos Gameleiros RETROVISOR Dizem que, de perto, Ninguém é normal, Nem herói, nem santo. Portanto, O preceito verdadeiro Seguem os caminhoneiros: Em qualquer circunstância, Mantenha a distância! A prática desse conceito É o combustível do respeito! Juraci B Chagas 119
  • 121. Versos Gameleiros BANDEIRA ARRIADA Não vou embora pra Pasárgada, Nem sou amigo do rei; Não terei a mulher que quero, Na cama que escolherei; Manuel Bandeira não fui, Não sou e nunca serei! Quero o que espero agora E na mesma hora me proponho: A trocar o eterno pelo intenso, Para acalmar este desejo imenso De consumir todos os meus sonhos! Juraci B Chagas 120
  • 122. Versos Gameleiros LACANIANAS Nem bem acaba o banquete E estamos a querer mais; Tirana é a realidade, Porque nunca satisfaz! Os símbolos convencionais, Balizas da boa estrada, São só efeitos especiais, A enfeitar a caminhada! Entre o arco-íris e o calvário, Navega o velho barco-coração: Balança no oceano imaginário, Que a vida lhe deu como opção! Juraci B Chagas 121
  • 123. Versos Gameleiros PALAVRAS AO VENTO Vento Que afaga as montanhas E conhece os segredos do ar; Que escreve mensagens na areia, Para a maré desvendar; Vento Que, a todo momento, Sacode a poeira e o mar; Amante fiel da chuva, Que mantém vivo e fecundo O pó que o tempo traz; Vento Leve de mim, por bondade, Estes pingos de saudade De quem não espero mais; E seja o arauto passageiro Dos momentos verdadeiros, Que nem o tempo desfaz! Juraci B Chagas 122
  • 124. Versos Gameleiros REFLEXÃO Você é ateu? Azar o teu. É bom que se apresse, Pois esta vida é curta Para uma grande messe! No jogo dos sofrimentos, Não há como fugir da sorte: Nascimento, envelhecimento, Doença e morte. E depois de uma certa idade, Até o último herói resistente Rende-se à nossa impermanência; Pois, pouco a pouco e cada vez mais, Vê a saudade passar à nossa frente E a esperança ficar para trás! Juraci B Chagas 123
  • 125. Versos Gameleiros TRÊS TERCETOS PARA UM DIA DE FINADOS Olhe o porquê dos teus cabelos... brancos, Código de barras, preço dos nossos momentos: Alguns felizes, outros para o esquecimento! Procure, no calor de um semelhante, Motivo para diminuir nossas distâncias, Aquecendo um coração indiferente! Não sinta tanta dor pelos que partem, Porque a vida é um curto passamento E logo estaremos juntos novamente! Juraci B Chagas 124
  • 126. Versos Gameleiros Rojer Rÿoz Versos eVícios Versus 125
  • 127. Versos Gameleiros BIOGRAFIA Poeta, escritor e jornalista — necessariamente nessa ordem —, Rogério Marcos Machado (erremachado@bol.com.br) participou de diversas antologias poéticas e concursos literários Brasil adentro e, em 2002, lançou Gatos Apimentados (Scortecci Editora/SP), um livro contendo contos, artigos e crônicas publicadas no jornal capão-bonitense O Expresso, no período 1999-2001 — uma difícil e prazerosa travessia de milênios. Entre seus autores favoritos estão Veríssimo filho, Machado de Assis, Dostoievski, Franz Kafka, Jack Kerouack, William Burroughs, Mário de Andrade, Edward Lear, Mário Quintana, García Márquez e Oscar Wilde, além de tantos outros de igual qualidade. Capão-bonitense até a última unha do pé, confessa extrema alegria em participar de tão importante coletânea em par com outros bardos desta querida Terra Gamelis. Versos e Vícios Versus é resultado, algo catártico, de algumas criações recentes — outras nem tanto... —, mesclando estilos, linguagens e formas, além da peculiaridade de cada situação vivida no momento da inspiração — fato nada anormal, posto ser condição inerente a todos os que compõem, mas é melhor deixar João Cabral de Melo Neto fora disso... Rojer Rÿoz 126
  • 128. Versos Gameleiros TREM DAS CORES EM BRAILE (canto - literal - pela Inclusão) O azul é bem assim: uma cor de trejeitos a cheirar com Jasmim; já a cor de laranja, para os de psiquê mais arguta, terá, além da textura, também o sabor da fruta. A rosa, ah, a rosa..., tão decantada em versos, tem, em sua essência, os tons e os sons da prosa. O verde, colorido esperanto que encrespa o mar, possui a fragrância solúvel das águas e a travessa doçura desse tato sem-par. Rojer Rÿoz 127
  • 129. Versos Gameleiros BEIJO-FLOR o beijo é flor no canteiro ou desejo na boca? tanto beijo a nascer em brotos é colhido seixo na calma ofegante dos lábios em jardim nenhum beijo é por si beijado (como beijar o beijo?) Na toca da boca das meninas o toque e é lá que eles estão - suspensos - - invisíveis - Rojer Rÿoz 128
  • 130. Versos Gameleiros PÁTRIO ISTMO A bandeira balança morta morna, mórbida (- morgue -) flâmula escatológica orgulho do meu país — Made in Taiwan?! — Rojer Rÿoz 129
  • 131. Versos Gameleiros DEVANEIOS ACIDENTAIS DE UM TROVADOR DISTRAÍDO Não há mais poesia não se pode pisar pisadas pisadas nem se pegar passadas pegadas tudo já foi relato - até o lapso... - o moço sedutor viu-se verter em versos - fálicos, tísicos, náufragos - Não há mais o vaso, lápide de o poeta deitar suas flores, suas fases - ou fezes... - Não há alvorecer que não se tenha acordado numa linha, - mesmo que ilha, a linha - o novelo e o gato e a roca fiando tudo passado a limpo as folhas envelhecidas no tapete do outono sexo já foram varridas pela pena-tesoura do atento poeta esteta do que mais não há porta-voz do indescritível passo alongado sapato apertado Não há mais o diluir rouxinol da florada do Ipê violeta leite a dar tons ao esquecer da tarde tudo já se derreteu sobre o papel... o ácido, o sarcástico, o sádico e o lúdico já foram dissolvidos na mente do poeta torto (Não há + poesia... tampouco esta que se prejulga ser, não é! é utopia... feita de unha e carne e maresia - só -) Rojer Rÿoz 130
  • 132. Versos Gameleiros CETICISMO CELESTIAL (outro poema para Mário Quintana) Sei que vi um anjo, ajoelhado, orando - de costas - Não era o anjo da Vida, tampouco da Morte; o anjo era de cimento. Rojer Rÿoz 131
  • 133. Versos Gameleiros CATÊNULA A aranha teceu a teia e se plantou esperando. Esperança, o nome da aranha. VERSO E ANVERSO Wave que não houve poeira sem sentido morte pelo avesso Rojer Rÿoz 132
  • 134. Versos Gameleiros ESPANTALHO Hoje mo quero abandonar... deixar-me ao mel do marasmo dos ventos - coisas estragando na geladeira - roupa suja apodrecendo n’água parada formigas dançando sobre o lençol de café derramado poeira veludo sobre os móveis da casa jornais e cartas entulhando a caixa, o endereço lâmpadas acesas dias e noites (tudo sob o silêncio duma noite estufa: quente, abafada, com flores de estrelas... uma noite sem brisa - fanfarronice -) - tudo..., mornamente morto - Rojer Rÿoz 133
  • 135. Versos Gameleiros POEMA DISPERSO SOB CHUVA RALA Poesia que não se fez escorregou pela vidraça ...e disse adeus DESVIO DE CONDUTA Poesia não vem na hora ...e se vier, a mando embora... Poesia vadia! BURI Há ruas que se acabam logo ali; há casas que não existem. E coisas que nunca vi. Rojer Rÿoz 134
  • 136. Versos Gameleiros ...GÊNESIS 44444444444444444444444 44444444444444444444444 44444444444444444444444 44444444444444444444444 44444444444444444444444 44444444444444444444444 44444444444444444444444 44444444444444444444444 Rojer Rÿoz 135
  • 137. SUMÁRIO Prefácio 3 Agatha Fabiane Santiago da Paixão 5 Juliana Maria da Costa 17 Maria Madalena Rosa 29 Nina (Alcina Maria de Oliveira e Souza Queiroz Assis) 41 Raquel Domingues Izaías 53 Antonio Celso dos Santos 65 Eros Sebastião Machado 77 João Lafayetti Gomes Barreto 89 Pedro Paulo de Oliveira 101 Prof. Brachyteles (Juraci B Chagas) 113 Rojer Rÿoz (Rogério Marcos Machado) 125 136

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