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Novos Versos Gameleiros

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O projeto Versos Gameleiros, que arregimenta autores radicados ou naturais de Capão Bonito/SP chega ao seu segundo volume, desta vez com a novidade de dois ilustradores para as obras. …

O projeto Versos Gameleiros, que arregimenta autores radicados ou naturais de Capão Bonito/SP chega ao seu segundo volume, desta vez com a novidade de dois ilustradores para as obras.
A função social continua sendo a premissa básica da proposta idealizada e orquestrada pelo professor, poeta e pesquisador Juraci Chagas.
A novidade é a justa e merecida homenagem ao poeta Lafayetti Barreto, falecido em 2010.

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  • 1. COLETÂNEA POÉTICA CAPÃO BONITO/SP OSN Versos Gameleiros OV
  • 2. Copyright© 2012 Dos Autores Ficha técnica Edição, Capa e Revisão Juraci B Chagas e Rogério Machado Diagramação, Digitação, Fotografia e Arte Final Rogério Machado Colaboração (indicações) Ane Samara Santiago da Paixão (ilustrador Thiago) e Antonio Rodrigues de Oliveira Neto (poetisa Raissa) 1ª edição 2012VERSOS GAMELEIROS E CRÔNICAS CAPÃO-BONITENSES PARA DOWNLOAD GRATUITO:Versos 2009 - http://www.slideshare.net/RMMachado/versos-gameleirosCrônicas - http://www.slideshare.net/RMMachado/daqui-daldeia-a-crnica-capobonitenseVersos 2012 - http://www.slideshare.net/RMMachado/novos-versos-gameleiros Sobre os ilustradores: Me chamo Isabela A. Teixeira Rosa, nasci em Capão Bonito/SP em 10 de maio de 1996. Jovem, arrogante, impaciente e barulhenta. “Permanecer verdadeiro não é pra qualquer um” Thiago dos Santos Lara, capão-bonitense, nasceu em maiode 1995 é filho de Maria Madalena dos Santos Lara e JoséJuraci de Almeida Lara. Capoeirista desde os seis anos de idade, cursa o EnsinoMédio e sonha ingressar numa faculdade de Biologia parafuturamente trabalhar com isso. Vive sua vida com base emduas frases: “Não podemos mudar o mundo, porémpodemos fazer pequenas mudanças que trazem grandesconsequências” e “Todos os sonhos podem se tornar reais,depende de como forem sonhados”
  • 3. COLETÂNEA POÉTICA Versos Gameleiros OSN OV 2012
  • 4. Prefácio Ao desbravar as surpresas impregnadas nas páginas adiante, o leitor iráse deparar com um singelo pedido de desculpas humildemente justificado eseguido da pertinente constatação da verdade irremediável, do mal pelosavessos que não possui antídoto: o poeta não consegue deixar de poetar... Justamente imbuído da nobre intenção de que poetas não deixem depoetar é que o projeto filantrópico e cultural Versos Gameleiros, idealizado ecapitaneado pelo professor, poeta e pesquisador Juraci Chagas – pessoaextremamente avessa à exposição gratuita ou à promoção pelo mero ato dopromover, mas talvez a mais importante figura a ser lembrada quando oassunto em pauta é o resgate, o cultivo e o fomento da cultura local e regional –,torna-se o veículo para que o bardo capão-bonitense veja palpáveis as suasimpressões, tanto as de cunho sentimental, emocional, psicológico ou social,como os desejos e as angústias que diariamente tomam posse da alma, daessência de cada um, tornando-nos a todos, não importando a linguagemadotada para essa expressão, um transmissor dessas elegias, dessas lamenta-ções existenciais, desses conflitos há tempos cantados. Se no primeiro volume, publicado em 2009, a novidade, a expectativa ea curiosidade davam a tônica da proposta, nestes novos Versos Gameleirosocorre a calcificação da ideia e do trabalho de alguns autores naturais ou radica-dos em Capão Bonito, mas há, sobretudo, a feliz e saudável surpresa de jovensescritores trazendo para as linhas do livro suas ambições e seus descontenta-mentos, assim como seus medos, rebeldia e desafios; alguns autores remanes-centes do primeiro volume também deixam as pegadas de seu estilo pelas folhasvivas desta coletânea; e é justamente no encontro dessas jovens águas nervosase da aparente serena calmaria de outras gerações onde se dá a a foz em queocorre o equilíbrio, a síntese... A análise quanto à inegável importância da obra pode - e deve - sermensurada considerando-se o cunho social implícito no projeto, afinal, alémdeste trazer em seu alforje o prazer inerente às letras ainda serve às entidadesprestadoras de serviços sociais no município. A proposta 2012 se renova com a participação de ilustradores, contan-do assim a obra com 12 autores, pois soma-se aos dez artistas das letras outrosdois artífices das linhas, ou seja, mais traços, luz, sombras e contornos, fazendovaler a pena o peso de cada centigrama do livro, de cada centímetro nele impres-so, enfim, uma história que se compõe nos dias atuais e que já se mostra eternaem sua essência, cabendo, dessa forma, ao poeta, apenas as penas do poetar...Rogério Marcos Machado – cronista gamelopolitano aborígine.
  • 5. Versos Gameleiros Agatha Chamo-me Agatha Fabiane Santiago da Paixão, nasci em Inter- vales numa manhã de frio e céu extre- mamente azul no dia 18 de junho de 1989, sou professorade Artes e faço parte de um grupo de jovens denominado CJ (Coletivojovem do meio ambiente). Comecei a me interessar a escrever quando numa tarde de verãoeu mais dois amigos saímos pelas ruas de Capão Bonito, escrevemosum poema juntos, a partir daí fundamos o grupo de poetas VanguardaContemporânea. Logo começamos a participar do Jornal FreguesiaVelha. Estou tendo a honra de estar publicando pela segunda vezminhas poesias na coletânea Versos Gameleiros.Às vezes falarNão adiantaOlharNão acalmaAbraçoNão amenizaEscrever às vezes basta. 5
  • 6. Versos Gameleiros Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: sou poeta.(...)Sei que canto. E a canção é tudo.Tem sangue eterno e asa ritmada.E sei que um dia estarei mudo:- mais nada.Cecília Meireles - poetisa carioca Agatha Fabiane Paixão 6
  • 7. Versos GameleirosSomos Todos Escravosda sinada vidacorrida a sóscorrida coletiva e solitária!Tem coisas que me fazem lembrarDa palavra saudades...Hora pois...a acomodaçãoNão será o pão que comeremosTodos os dias...Quero a inquietude... JovialQuero a paciência da lagartaE esperarei meus dias de borboleta... Agatha Fabiane Paixão 7
  • 8. Versos Gameleiros Pássaro Quando vivemos Intensamente Não percebemos O tempo... Nos pegamos Em uma janela Pensando no Antigo Hoje é o passado O passado é ontem E vice-versa. Agatha Fabiane Paixão 8
  • 9. Versos Gameleiros SolidãoOnde existe 1Tem 2Onde tem 2Tem 4(pensamento)Sigo pensanteAndando vejoPessoasSorrisos, que não deixam a careta sair;Invade alegriaA dois...Talvez solidão?!São quatroDois pensantesDois por foraA solidão de doisInvade... Agatha Fabiane Paixão 9
  • 10. Versos Gameleiros Reflexo Do forro vejo-me Recostado no sofá Um filete de luz Escapa pela fresta da janela Conexão Dentro/Fora Luz leva a ver fluidos. Olho para Fixa Cala-se Passa a bola pela janela O reflexo dele No troféu Vem a cabeça do gato. Agatha Fabiane Paixão 10
  • 11. Versos GameleirosThiago Lara 11
  • 12. Versos Gameleiros Novas perspectivas vêm chegando Como estrelas Descendo do céu Novos mundos Terra Céu E Mar Vida igual Fogo Água E Ar A cabeça abre e fecha Mais nunca no mesmo lugar Amplia... Agatha Fabiane Paixão 12
  • 13. Versos GameleirosBrisa de um Suposto Verão... O vento passa Livremente Portas e janelas Pássaros voando Coreografando o som Nuvens misturam-se Junto a fumaça... Cores e formas Natureza e homem Uma coisa só mistura-se. Agatha Fabiane Paixão 13
  • 14. Versos Gameleiros A Estrela Além de ‘Estrela’ Existe o brilho Sem brilho Não é estrela Quatro se tornando dois Onde está o brilho? Só aparentemente Mas dois Estrela e brilho. Agatha Fabiane Paixão 14
  • 15. Versos GameleirosLágrimas do Mundo Água sai olho Água sai terra Água sai céu Água, água; Água sai torneira Água sai da beira do rio Bebe água Bebo água Sai água 66% de água Corpo/Terra Água sai mar Água sai fruto Entra e sai. Agatha Fabiane Paixão 15
  • 16. Versos Gameleiros As nuvens brancas no céu suspendem meus pensamentos caminho pelas ruas sol alto adolescentes vindo indo crianças indo vindo na frente da escola, dá-se o primeiro beijo meus olhos refletem o sorriso da agonia Podemos tudo! Mas não somos tudo?! Ah sim estamos em tudo! nas folhas das árvores nas ruas nas manhãs frias na sujeira entupindo bueiros nas oportunidades e na falta delas no caipira picando fumo no abuso do poder na falta de poder na cultura na massa na asa da borboleta que pouso nesta rosa branca... Agatha Fabiane Paixão 16
  • 17. Versos Gameleiros VermelhoOlho viradovidradocontando as verdades...talvezMeu chapéu vermelhocobria meu coraçãovocê no meu colosem sorriso ea marola me embalava voei, voei, voeicomo eu penseisubjetiva eu Não to de vermelho. Lá As coisas ficam Espalhadas, empilhadas E a nodoa do passado Nunca vai sair A vida e a tragédia Seguindo, seguindo Ate o fim que Volta porque a aventura Foi feita ON... Agatha Fabiane Paixão 17
  • 18. Versos Gameleiros Celso Antonio Celso dosSantos, poeta capão-bonitense que há quasequatro décadas labuta naseara das letras, naconstante batalha daspalavras procurandotransformar as rimas emmensageiras de sonhos erealidades sonhadas... Desculpe leitoramigo, mas poeta nãoconsegue deixar de poetar,então vamos lá: estamosfalando de um menino quenasceu em Capão Bonito,funcionário público,casado e pai de filhosmaravilhosos, filhos que avida cuidou de aumentar no decorrer dos anos, pois devido o seu trabalho muitasdaquelas crianças passaram a ocupar um lugar no seu coração de sonhador. Atéaquela que hoje é a mãe de todos chegou a ele assim... Autor do livro de poesias Gente lançado em 1984, sempre com trabalhospublicados na imprensa local, vem hoje através dessa coletânea procurando com asua participação somar algo mais num cabedal por si só já tão rico. É sempre muito bom estar junto dos corações que sonham fazendo dapoesia seu veículo, sua linguagem de vida. Nomeei minha participação nesta coletânea de Fragmentos, então curtamos meus fragmentos em forma de poesia...Obrigado! 18
  • 19. Versos Gameleiros Um poema não é outra coisa senão um sonho que eu realizo na vigília. O sonho e o poema vêm da mesma pessoa. Eles têm certas leis em comum. Tenho uma relação de muito amor com o sonho. Voupara a cama como se fosse para uma festa. O despertaré quase sempre uma desilusão.Tomas Tranströmer - poeta sueco ganhador doprêmio Nobel de Literatura de 2011 Antonio Celso 19
  • 20. Versos Gameleiros Ocê Eu confundo sempre ocê cotra menina Tão bonitona, tão charmosa como ocê, Mas ela num tem essas cintura fina Nem dá aquele calorão no coração quando a gente se vê. Fico pensando nessa renca de muié fazeno fila prá entra na minha vida, todas bonitas, todas tão belas mas nenhuma tão completa como ocê... Essa maravia toda que ocê tem não tá por ai de quarqué jeito a venda então acorda logo minha prenda e vem trazê logo pais pro meu vivê. Rebenta logo a portera do silêncio que a vida passa muito depressa e logo nóis vamo enveiecê até o ar que a gente bebe toda hora nem bem entra já sai véio do nariz. As veiz fico oiando pras estrelas perdidinha e solitárias lá no céu e então óio pra mim sozinho quar foia seca que o vento leva pro léu.... Acorda logo esse seu coração lindo e vem depressa pros braços desse milionário que tem milhões de minutos pra gastar co cê... Antonio Celso 20
  • 21. Versos Gameleiros Pare!!! Pode parar com esse seu negócio de querer que eu seja sócio de uma briga por dia. Fique sabendo que as minhas ações rendem juros de emoções no patrimônio da alegria. Gosta de viver arranhado, infectado e lanhado é quem tem gata vadia. Eu já prefiro e faço questão de uma fêmea manhosa toda linda, charmosa a me afagar o coração.Portanto, reveja seus projetos na vida e analise querida o que você quer do seu amor, se for carinho, beijinhos e abraços por favor crie espaços e me deixe ocupá-los.Caso contrário já conheço o caminho e sei como sair sozinho, tudo bem, já to vazando!!! Antonio Celso 21
  • 22. Versos Gameleiros Mulher Você! Sempre a eterna poderosa, o ser completo e dominante fazendo a vida acontecer... Quem pensa a conhecer, que sabe de tudo de você muitas vezes apenas padece de solidão e mau viver... Menina, moça, mãe, amiga, amante, companheira, irmã... Afinal, o que é mesmo você? Muitas vezes só uma incógnita que na matemática da vida alterando a posição dos fatores coloca nos seus devidos lugares emoção, carinho, coração... É... depender de você transforma o homem em cidadão, em parte integrante e atuante do mundo e da sociedade. Faz um sonho tornar-se realidade e realiza a felicidade que ele sonha tanto ser... Faça o homem e o mundo onde ele habita e acontece tornar-se alguém e algo melhor, Mulher... Antonio Celso 22
  • 23. Versos Gameleiros Perdoe-meTalvez você não tenha notadomas eu parti da sua vida já há algum tempo...Arrumei todas as minhas coisas,embalei meus sonhos,dobrei muito bem as minhas esperanças,empacotei todos os meus projetos de vidae parti.... viajei cheio de marra!Levando toda minha zanga comigonão deixando nada pra você....Mas a bagagem ficou muito pesada,afinal de contas quando levamosno nosso coração tudo aquiloque deveríamos jogar foratransformamos ele num mero depósito de entulhos...Perdoe-me não por ter partido ou voltado,Mas por não ter dito antes de tudoo quanto eu amo você,e que não importam as diferençasnem as dificuldades,afinal de contas o amortem como única função aplainar os coraçõestornando-os capazes de se entenderem, se aceitareme se completando fazerem as nossas vidas mais felizes...Nós é que precisamos descobrir a linguagem do perdãoe utilizando-a descobrirmos o sorriso lindoque o ser amado teme nos apaixonarmos todos os dias.... Antonio Celso 23
  • 24. Versos Gameleiros A Fortuna do Compadre— Compadre!!Mas que bardaridade é essa?Ocê tá mais abandonado que chinelo véio!Cadê aquela fiarada que vivia comendo do bom e do mió,mamando bem e montados nas suas costa??— Ara cumpade não seja mardoso,os fio coitadinho tão cuidando da vida,eles tamem não pode dá jeito em tudo não...E a gente não tem curpa de ficá véio,o pió é esse derrame marvado...— É memo compadre... mais intão vamos dá um jeito nisso aqui,começá jogano fora esse baú véio que só atravanca tudo...— Não!! Aí tá toda minha riqueza, minha fortuna!!— Fortuna? Riqueza? Ara compadre percizamos ajeitá isso.Vamo fazê o seguinte: amarramo ele com bastante corrente e cadeadoe jogamo debaxo da cama. Ah! E ninguém mexe nele!!! E assim fizeram os dois velhos,e o compadre saiu pelo bairro anunciando que o compadre velhotinha nos seus guardados um baú cheio de joias,não entendia porque ele passava tanta necessidadee era tão abandonado pela família... Passado alguns dias o velho recebeu a visita dos filhosque vieram em comissão tomar conta dele e da casa... Nunca mais por ali passou a necessidade,foram meses de paz e bonança para aquele velho coração sofrido... Mas como tudo tem um fim, num final de semana o velho morreu, Antonio Celso 24
  • 25. Versos Gameleirosfoi um velório muito chorado por todos, principalmente pela família... Terminado o enterro correram todos para a casa paternajá fazendo planos de como aplicar aquela fortuna tão bem ganha,afinal de contas foram meses e meses cuidando de um velhoresmungão, mas tinha válido a pena, afinal de contas o baú era grandee muito pesado... Foram minutos tensos até quebrar todos os cadeados, abrir a tampa e se maravilhar com o conteúdo: foices, enxadas,enxadões, picareta e uma botina velha... Você Tem Todo Direito de me Esquecer!Se você quiser esquecer, eliminar, apagar alguém definitivamente dasua vida... Há pelo menos quase sete bilhões de seres nesse planeta àsua escolha, desde que não seja eu... Antonio Celso 25
  • 26. Versos Gameleiros Isabela Rosa 26
  • 27. Versos Gameleiros Nóis TreisMe adescurpe sôdademais tenho de falá umas verdade pro cê,inda gorinha memovortano da roçae entrano na paioçao véio coração disparôamó de que na entrada, ali do lado esquerdomeu pé de ipê tá com frô...Parece que foi onte que tudo começôeu e ela no baile, oio no oioe os coração se enxergôe não teve jeito de fugidaquele oiá, sôdade...Despois tudo aconteceu tão depressa...a casinha na bera da estradacas rosera tudo muito bem cuidadae o amô da minha vida sempre do lado,Os minino foram chegano, crescenotrazeno alegria, baruio e ino imbora cuidá da vidae um dia, um dia triste demais ela tamem se foisó ficamo nóis trêis sodade....Mais um dia nós dois tamem havemos de isó restano disso tudo que já vivemoo véio ipê cheio de fror sózinho na bera caminho.... Antonio Celso 27
  • 28. Versos Gameleiros Minha Herança Tô convidano tudo oceis pro meu velório, quero aqui do meu lado o inteligente e o simprório, aquele povo amigo bão de quexo e bão de prosa, tudo mundo qui nunca perdia um casório, qui lá im casa se empapuçava até cum farofa.... Aquele povinho qui chegano de tardinha guiado pelo bafo do churrasco im vorta da fuguera ia de fogo até de madrugadinha papano tudo, até as pena da galinha.... O meu testamento tô fazeno aqui e agora pegue tinta i paper pra anotá minha sinhora i dispois passá pra rapaziada. Dexo pro ceis tudo o qui foi meu, tudo de bão, de útir qui mi pertenceu. O ar qui respirei por tantos ano dexo tudo ai ajeitadinho é pra usá divagarinho... O chão pur onde andei, os caminho qui pisei, as estrada qui passei podi usá, pisá, passia, i e vorta só fazeno tudo cum respeito i direitinho a natureza agradece com fror e perfuminho... Da água tudinha qui usei o qui sobrou fica correno por aí, nunca sube donde ela vinha chegano sempre doce e fresquinha, cuidem bem dela pra mim... Antonio Celso 28
  • 29. Versos GameleirosA única coisa que num dô, num vendo,mais impresto semeada no coração de cada ume qui quero qui seja tratada cum muito, muito carinho,é a sodade tudinha qui dexoa cada um doceis um cadinho... Súplica Amor, há quanto tempo penso nisso e nada falo... Mas, de todas as pessoas que conheço, gosto e amo você é com certeza a única que me causa medo, pavor. Tenho verdadeira paúra da sua ausência, fico com o coração gelado só de pensar: E se você faltar na minha vida! Portanto, sabendo disso faça-me o favor de se olhar no espelho todos os dias e se valorizar ao máximo! Não deixe de se cuidar, de se amar, mas se AMAR de verdade! Não quero nada meia-boca, de faz de conta! Afinal, a sua tristeza, a sua dor, o seu silêncio, sua alegria, sua paz, seu equilíbrio é o que compõe o meu dia, a minha noite, faz, constrói e transforma a minha vida, o meu quotidiano em (in)felicidade.... Amor, de todas as pessoas do mundo, do MEU mundo você é a única que pode me fazer sofrer, ou não... Antonio Celso 29
  • 30. Versos Gameleiros Nós e o Tempo... Egoístas!!! Eis o que realmente somos com a vida, afinal de contas cobramos do tempo, principalmente do ontem apenas o melhor que ele tinha e queremos do amanhã somente a felicidade que ele possa ter, e do hoje? Queremos desfrutar apenas somente os bons momentos que ele tenha para nos oferecer... Quando por acaso os momentos amargos acontecem é porque Deus por alguma razão está nos cobrando, ou nos impondo alguma sanção no viver, quase sempre imerecida.... Que triste sermos filhos Dele sempre tão desamados, tão mal queridos pela vida a receber sempre contas tão salgadas, cobranças tão altas por dívidas tão pequenas na nossa ótica tão desfocada das Leis [Divinas... Nós e o tempo somos eternos inimigos buscamos fugir das suas regras sempre que elas nos fazem ver nossos desacertos e o quanto eles são nocivos para o nosso viver e no dos outros... Não fugir do ontem e suas cicatrizes, nem buscar no refugio do amanhã o ópio das ilusões irrealizáveis, e muito menos afastar-se do hoje e das suas realidades, algumas difíceis de se viver. O tempo é na vida a nossa melhor ferramenta para trabalhar o nosso crescer... O resto é apenas um acontecimento fugaz a que chamamos destino... Antonio Celso 30
  • 31. Versos Gameleiros Aline Aline Nóbrega Rodrigues Nascida em Santos/SP , em 21 de outubro de 1983. Cursando a Universidade de Santo Amaro, no curso de Pedagogia. Amante da leitura e apaixonada por escrever. Nunca teve seus poemas, contos e livros publicados. Iniciou sua jornada de escritora “autôno-ma” em 1992, guardando seus registros como verdadeiras relíquias“tesouros escondidos”. Agora viu-se a oportunidade “bater à porta”, podendo dividirseu tesouro com outras pessoas. Alguns breves poemas da autora são revelados neste livro. Aautora diz: “É com grande satisfação que divido, um pequeno pedaçodas minhas obras. Expressar os sentimentos em folhas é uma dádiva eum consolo que Deus me deu, e a Ele agradeço. Não gosto de meprender, exatamente a rimas, estrofes... Acho que atrapalha o fluir dossentimentos. Uso versos soltos, rimas ocasionalmente” 31
  • 32. Versos Gameleiros Catar feijão se limita com escrever: Jogam-se os grãos na água do alguidar E as palavras na da folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar.Certo, toda palavra boiará no papel,água congelada, por chumbo seu verbo;pois catar esse feijão, soprar nele,e jogar fora o leve e oco, palha e ecoJoão Cabral de Melo Neto - poeta pernambucano Aline Nóbrega 32
  • 33. Versos Gameleiros LamentaçãoEssa chama intensa da paixãoEsse amor forte no coraçãoEssa indecisãoIdeias que vêm e que vãoConflito dos sentimentos e emoçãoO som distante de uma cançãoPercorre caminhos pela imensidãoSobre alegrias, tristeza, escuridão,Sobre os trilhos da solidão.Transborda essa sensaçãoDe sentimentos em oposiçãoO meu ser em recuperaçãoPercorre esse caminho de sofreguidãoOs sentimentos me torturarãoAté o fim desta composição. (16/05/2001) Aline Nóbrega 33
  • 34. Versos Gameleiros Possibilidades Tempo frio, escuro e sombrio. Refletindo sobre a vida teço possibilidades. Possibilidades que ficam escondidas dentro de mim. Meu ser grita em silêncio Por não poder manifestar, com palavras todo o meu querer... O que será do meu amanhã? É uma perturbação no meu pensamento. Muita reflexão e muito tormento. Pensar menos e viver mais, preciso assim, fazer Ou não conhecerei a felicidade jamais... (14/08/2003) Aline Nóbrega 34
  • 35. Versos Gameleiros PazPaz,ainda não conheço o real significadodesta palavra.Pelo mundo aforasomente a guerra é vitoriosaDesde o início dos temposaté agoraNem em meu lar,nem na sociedadeAinda não vi reinarPaz...Será que ela existe? (14/08/2003) Companheira Noturna Oh lágrimas minhas companheiras noturnas lavem todo o meu ser e me tornem mais pura. (06/03/2004) Aline Nóbrega 35
  • 36. Versos Gameleiros Venha Buscar-me Venha! Venha buscar-me, meu príncipe... Me encante com teu olhar Me fascine com o teu sorriso Me envolva em teu abraço carinhoso que me abrigará, me confortará, me assegurará... Beije-me! Beije-me macio, doce, calmo e incessantemente como se beijaria uma meiga flor... Toque-me! Toque-me com as tuas mãos macias que acariciarão meu corpo e tocará minha alma, mente e coração... Só você... Me domine com teu charme e sedução E carregue-me em teus braços até o infinito. Irei contigo aonde for Me doarei a você e somente a você. Assim como me doarás todo o teu coração, tua mente e teu corpo A mim e somente a mim. até o findar de nossas vidas. Não me deixes só Não deixe que o tempo continue passando... Estou te esperando. Venha... Venha buscar-me, meu príncipe... (27/10/2003) Aline Nóbrega 36
  • 37. Versos GameleirosThiago Lara 37
  • 38. Versos Gameleiros Manifeste-se Tantos desejos trancafiados dentro do coração apertados Ter que ocultar tanto sentimento Não conseguir viver o momento Enigmas brilham em meu olhar Me tortura o meu pensar Ter de ocultar tanto e viver em prantos! Felicidade... você está aí? Manifeste-se em meu ser reprimido exalte meu ego e faz-me transbordar alegria Manifeste-se e permaneça em meu ser Eternamente! (14/08/2003) Aline Nóbrega 38
  • 39. Versos Gameleiros O Outuno ChegouVem de mansinho ao entardecere rouba toda a cena no horizonte.Suas folhas no chão a varrero calor e a brisa do dia se escondem.Mancha o céu com seu doce alaranjarum dia caloroso escondendoSem mesmo se notardevagarinho vai nascendo... ...o outono chegou! (19/03/2004) Aline Nóbrega 39
  • 40. Versos Gameleiros Será Sonho ou Realidade? Às vezes tenho medo de viver a felicidade. Depois de tanto desespero depois de tanta crueldade. A felicidade está em minhas mãos resta saber o que fazer. Tanta alegria no meu coração mas tenho medo de viver. Preciso viver e esquecer o mundo e todas as tristezas. Saber sempre agradecer a Deus por tanta nobreza. Será sonho ou realidade tudo o que me está acontecendo Tanta felicidade agora estou vivendo. (17/02/2004) Aline Nóbrega 40
  • 41. Versos Gameleiros Sufocante SaudadeTristeza que me sufocae insiste em ficarSolidão que me apavorae tortura o meu pensarQuanta falta estás me fazendoque sofreguidão o meu viverConflito no meu pensamentoconfusão no meu sermeu amor, amo Você! (25/02/2004) Aline Nóbrega 41
  • 42. Versos Gameleiros Sopra o Vento É tão difícil Ser um ser tão minúsculo e ofuscante Em um mundo confuso de seres tão grandes. Me sinto carregada pelo vento com toda a intensidade Sem saber aonde vou e se terei felicidade. A névoa a pairar sobre a minha face esconde a angústia do meu ser escorrem-me lágrimas Sem que venham a perceber Procuro algo que não encontrei Sem saber o que irei encontrar Carrega-me o vento vou aonde ele me levar (10/06/2004) Aline Nóbrega 42
  • 43. Versos Gameleiros Sonho ProibidoÀs vezes me deparocom loucuras a devanearTento jogar para foratento não sonhar.Sonhos proibidossufocam meu ser,Amor reprimidotortura meu viver.Tento esquecermas nunca consigoTento não me perderestou em conflito.Ajude-me, meu Deus, a esquecero passado, os sentimentos...Para que eu possa vivercom alegria e contentamento! (23/10/2009) Aline Nóbrega 43
  • 44. Versos Gameleiros Juraci Juraci B Chagas Natural de Capão Bonito- SP Professor, cronista, poeta . bissexto e compositor musical. Criador de temas musicais ligados à cultural regional e colaborador de jornais e revistas da região de Sorocaba, com participação em mais de duas dezenas de antologias poéticas. Teve um livro publicado pela Shan Editores (Porto Alegre/RS), intitulado Remansos e Correntezas, compoemas e canções.A nós poetas coubeA ânsia de quererCoisas que jamais iremos ter:O brilho da estrela,O calor do sol,A essência do ser... Testamento (Remansos e Correntezas - 2005) 44
  • 45. Versos Gameleiros Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmoslugares.É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la,teremos ficado, para sempre, à margem de nósmesmos. Fernando Pessoa - poeta português Juraci B Chagas 45
  • 46. Versos Gameleiros Vira-lata Se por má sorte, mutilado e moribundo, Encontrares, cambaleante, alguém na rua... Abaixe os olhos, pois esse vagabundo Está vivendo na desgraça, a culpa é tua! Se o encontrares em meio ao lixo da calçada Escrafunchando, como um cão, a cesta achada, Passe ao longe, por favor, sem dizer nada, Porque és o motivo dessa cruz pesada. Deixe-o seguir amargurado e triste, Seu vil caminho, seu destino imundo; Algum dia entenderás tudo o que viste: Somos todos nós, nas veredas deste mundo, Pobres andarilhos, vira-latas desertores, Desgarrados de Deus e maltrapilhos de amores! Juraci B Chagas 46
  • 47. Versos Gameleiros Aula de LatimLupus, lupi, luporumLá vinha seu Zé Matarazzorum,Com seu cheiro de sacristiaE ar de sexta-feira maiorum!E tomem declinações:Inquisição do nominativo,Com um olhar no acusativoDe inferno ou purgatório!Textos para a sabatinaE o famigerado exame oral,Que tornava o velho mestreUm dos membros do juradoDo juízo final!Quousque Tandem, Catilina?E a barriga respondia:Até a hora do almoço,Data venia, ab ovo,Arroz-feijão e taubaína! Juraci B Chagas 47
  • 48. Versos Gameleiros Sem Saída Para quem já avançou na idade, A vida torna-se uma corrida Atrás da cruel necessidade Da fuga da certeza da partida! Quando cessa a busca do prazer E não há como se esconder a dor, Só resta aceitar a caridade, Como forma melancólica de amor! A esperança, um pouco desiludida, Apoia-se na fé, sublime intenção De achar a luz, cura ou a salvação Do rigor do tempo, beco sem saída! Juraci B Chagas 48
  • 49. Versos Gameleiros TraviataO que eu gostava de vocêEra do seu lado B;Porque o seu lado AEu teria que disputarCom seus amigos,Sua família,Até com Jeová!Por isso, sem nenhum encômio,Aceitei, sem reclamar,Sua parte meio demônio,Para você se salvar! Juraci B Chagas 49
  • 50. Versos Gameleiros Devaneios Quisera poder possuir O dom mágico de converter O lutuoso cair da tarde Num eterno alvorecer! Convencer a cigarra indolente A somar seu canto preguiçoso Com uma sinfonia maior: O chilrear alegre de andorinhas E os arrulhos dos pombais; O sibilar do vento manso, Anunciando a chuva amiga E o toque de recolher Das roupas dos varais. Quisera poder abortar O parto da noite entristecida, Rever a vida na alvorada, No ritmo dos pingos que caem, No tilintar surdo das latinhas, Ao som do piano da vizinha! Juraci B Chagas 50
  • 51. Versos Gameleiros BroméliaFlor do Panema!Apressa-te a olharA alegria das águas,Sempre a caminho do mar!E seja feliz com o momento,Tão ligeiro com o vento,Que acabou de passar!Depois virá a realidade,Seca como a saudadeDo que não vai mais voltar! Juraci B Chagas 51
  • 52. Versos Gameleiros Isabela Rosa 52
  • 53. Versos Gameleiros PlenilúnioÉ a lua cheia!Os normais falam alto,Os anormais gritamE os loucos uivam!Pobres de nós, mortais,Cada vez mais,Distantes da divindadeE próximos dos animais! Juraci B Chagas 53
  • 54. Versos Gameleiros Amor Filial Nossos filhos não nos amam, Simplesmente nos mamam; Oportunamente, nos trocam Por qualquer fulano Ou fulana, Dando-nos, de quebra, Uma banana! Quase sempre nos deixam No meio do caminho, Desesperançados, carregando à esmo Essa imensa ingratidão humana. Mas continuamos a amá-los... Assim mesmo. Juraci B Chagas 54
  • 55. Versos Gameleiros Grazia PlenaFoz dos nossos lamentosE fonte do meu consolo;Represa de minhas mágoas,Das nossas antigas chagas,De minhas eternas manhas.Margens do nosso caminho,Leito que é o destinoE a esperança do amanhã.Luz que nos é repetida,Porque já foi concedida,Quando concebeu Jesus! Juraci B Chagas 55
  • 56. Versos Gameleiros Grão de Mostarda Meu bom Jesus da ribeira Dos altos da serra e do mar, Fazei de mim Tua vontade, Teu destino, Tua verdade E do meu coração Teu altar! E que esse grão pequenino Da mostarda verdadeira Seja semeado com mimo Ao redor da terra inteira. Divino farol e Eterna Luz, Que esta ovelha conduz, Leva-me apascentado Pelos caminhos iluminados, Deixados por Tua cruz! E que esse grão pequenino... Juraci B Chagas 56
  • 57. Versos Gameleiros Drika Ad r i a n e C r i s t i n a Bernardo da Silva (Drika) nasceu em 18 de junho de 1994, natural de Capão Bonito (SP), filha de Abrão Pedro das Silva e Nívea Aparecida Bernardo. Teve uma infância muito feliz, apesar das dificulda- des. Estudou na Escola Estadual Padre Arlindo Vieira desde a 5ª série do Ensino Fundamental até a conclusão do Ensino Médio, em 2011. Seu hobby é escrever poemas, nos quais, consegue expressarseu eu mais profundo e verdadeiro. 57
  • 58. Versos Gameleiros Morram meus amores, mas enlouquecerei se morrerem meus amigos, pois não há algo mais precioso do que uma amizade verdadeira... Vinicius de Moraes - poeta carioca Adriane Cristina (Drika) 58
  • 59. Versos Gameleiros DistânciaA distância só é umdetalhe, quando háAmor.Só é um detalhe quandohá paixão.Ela não pode me impedirde te amar ou deixar queeu pare de pensar em você.A distância pode ser resolvidaatravés de vários passos do meucoração até o teu, da minhaboca até a tua.Enfim... Adriane Cristina (Drika) 59
  • 60. Versos Gameleiros Preço Alto Amigo sempre que precisar de um ombro para chorar ou simplesmente se alegrar estarei sempre aqui para te ajudar Em qualquer circunstância em qualquer momento da sua vida ou da minha Por isso nunca desista da vida, se for desistir me chame antes pois te mostrarei motivos para você não chorar ou desanimar Às vezes, nos sentimos solitários pensamos que todos os amigos nos deixaram, mas isso foi um mero erro, eles não se afastam de nós, nós que deixamos de ver o quanto vale aquela amizade. Adriane Cristina (Drika) 60
  • 61. Versos Gameleiros Escolhas da VidaEu queria tanto sabero amanhãpara entender o hoje.Dessa confusão que estouvivenciando, mas acreditoque o amanhã vai chegare esse sofrimento vai acabar.Vou descobrir o queverdadeiramente me interessaou o que vai fazer a diferença.Mas eu ainda continuoconfusa, nos meus pensamentos,a vagar na minha triste solidão. Adriane Cristina (Drika) 61
  • 62. Versos Gameleiros Saída Demorada Você acha que sempre vou estar à sua disposição mas não se engane não Para mim, mudar de pessoa é rápido, pois vou te tratar como tu me tratas, como última opção. Se cuide, posso ser sua inimiga quando quiser, sua amiga quando não puder. Não se acostume comigo algum dia desses posso escapar da sua mão e voar como um passarinho sem destino. Adriane Cristina (Drika) 62
  • 63. Versos GameleirosTento e Tento DemaisA minha vida é umamontanha russa de emoçõesum dia eu te amo, no outroeu te odeio, na semana quevem te amo nela toda.Isso é tudo culpa sua,pois você não sabe o quequer e eu entro na suaMeu coração tenta desviardessas curvas que há entre eu e vocêmas às vezes há uma neblinae acaba tropeçandoE sempre quem sofre com issosou eu,sou eu, sou eu que sofro calada. Adriane Cristina (Drika) 63
  • 64. Versos Gameleiros Lição de Amor O amor é como uma criança correndo na rua, ele sempre estará sujeito a riscos, erros ou acertos. É um erro querer que outro ser humano seja perfeito, afinal todos nós temos defeitos. Defeitos ao longo da caminhada, que nos ajudam a ver que somos dependentes amor ou algo parecido. A decisão de hoje pode sorrir para o amanhã o amor é assim, o amanhã depende de hoje. Adriane Cristina (Drika) 64
  • 65. Versos GameleirosThiago Lara 65
  • 66. Versos Gameleiros Um Amor Cultivado O amor, algo avassalador algo que une uma pessoa a outra com uma intenção, o bem do outro. Amo com tanta força que se tivesse que parar de respirar para que você viesse eu o faria. Esse amor ficará em meu peito, vou guardá-lo em segredo mesmo que eu venha adoecer por ele. Cuido de você a cada olhar por onde quer que você ande cuido de você como se fosse meu. Sonho com seus abraços, sonho com sua voz, me dizendo que vai me amar sonho com seu olhar. Adriane Cristina (Drika) 66
  • 67. Versos Gameleiros AmigosÀs vezes, podemos estarcom muitas pessoas à nossavolta, mas isso não nos fazmelhor ou mais sábios.Esse grupo de pessoas mesmosem querer podem nos magoar,ou nos ferir e com isso acreditamosque todos vão nos fazer o mesmo.Por incrível que possa parecerou não sempre há uma pessoacom boa intenção.Amigos, colegas podemosescolher, já o amor não... Adriane Cristina (Drika) 67
  • 68. Versos Gameleiros A Dor da Alma Tudo me lembra você... meu respirar, meu levantar, meu deitar meu caminhar Se eu pudesse arrancaria do meu peito esse sentimento que só me faz mal. O amor deveria trazer somente o bem, proteção, carinho e a eterna certeza da felicidade. Foi acreditando em tudo isso que entreguei minha alma ao amor, sem saber o quão forte seria sua dor. Adriane Cristina (Drika) 68
  • 69. Versos GameleirosDeus meu TudoQuando estou sóTeu amor me confortaQuando ninguém me vêo Senhor vê as cordas domeu coração e me segurapela mão.Só posso agradecer-Temais e mais, pois Tusabes o que eu quero,sabes do meu passadoe não me julgas.Conheces o meu pensar,Conheces meus sentimentosTu és tudo para mim.Adriane Cristina (Drika) 69
  • 70. Versos Gameleiros Lafayetti - In Memorian - João Lafayetti Gomes Barreto — pinhalense (SP) por nascimento, mas capão-bonitense de coração — entre outras coisas, poeta, contista e cronista, pelo prazer de escrever; adquiriu este hábito quando, nos tempos de estudante foi nomeado redator de O Lábaro, periódico estudantil, onde, pormuitas vezes, tinha que completar espaços em branco das colunas. CABELOS BRANCOS (Versos Gameleiros - 2009) (...) Ainda sou criança, É o que diz lá do fundo, Meu coração compassado, Que ainda sou criança, Que ainda sou menino! E, afinal, estou aqui, Menino, Menino de cabelos brancos. O menino mais velho do mundo! 70
  • 71. Versos GameleirosSe as coisas são inatingíveis, ora...não é motivo para não querê-las. Quetristes os caminhos se não fora apresença distante das estrelas.Mário Quintana - poeta sul-rio-grandense Lafayetti Barreto 71
  • 72. Versos Gameleiros Vida Eu sou a alegria, Eu sou a beleza, Eu sou toda a natureza Que possa assim existir, Sou a cigarra cantadeira, Sou a borboleta faceira, O beija-flor colorido, Sou a flor perfumada Que nasce à beira da estrada, A brilhante gota de orvalho, O voo do passarinho, O ronronanar do gatinho, Sou a estrela, sou a lua, Sou o sol na cumeeira, Sou a chuva criadeira Que emprenha a semente no chão, Sou o mel da abelha, A pitanga vermelha, Sou a cor, sou o verde, O amarelo, o carmim, E eu existo enfim, Pra que você sorria, Pois quem vive sorrindo, ama, E quem ama me vê sempre assim, Eu sou a vida! Lafayetti Barreto 72
  • 73. Versos Gameleiros CaprichoSempre me dizes: “Eu te amo loucamente.E te adoro, e te quero, e te desejo!”E logo depois, pura e simplesmente,Te entregas num longo e cálido beijoMas tudo isso é mentira somente,Pra saciar-te, está em mim o teu ensejo,Pois saciado teu furor ardente,Ficas arfante, e eu, esquecido me vejo.Vendo-te depois, serena, dormindoTão displicente na cama ao meu lado,Eu te beijo bem de leve, sorrindo.Sonhando que teu amor tresloucadoTransmudasse agora e pra todo o sempre,De capricho que é, para amor trocado. Lafayetti Barreto 73
  • 74. Versos Gameleiros Amor de Verdade Se o amor Judia, Entristece, Não pode ser amor, É castigo E este nome não merece, O amor verdadeiro É sublime, Enobrece, O olhar de quem ama Enternece, é alegre Como o sorriso E perdoa a quem ama, E se preciso, Finge que esquece. Lafayetti Barreto 74
  • 75. Versos Gameleiros QuaseMinha vida é a minha penitência,Até hoje não sei o que dela fiz,Somente sei que na minha vivênciaJamais encontrei o amor que sempre quis.E foi sempre um quase a minha existência,Tudo assim, por um quase, por um triz,Por pouco, por tão pouco, e em consequênciaQuase eu tenha chegado a ser feliz.Inteligente, fui quase brilhante,Fui quase rico, quase fui arruinado,E do amor, a busca foi incessante,E por um quase, fui castigado,Pois te conheci, e te quis, e te amei,E quase, quase, que por ti fui amado. Lafayetti Barreto 75
  • 76. Versos Gameleiros Garoa Madrugada, a garoa cai fina Formando cones sob a luz dos postes. Eu, mãos nos bolsos, Cigarro apagado nos lábios, Caminho sob a garoa, Dentro da madrugada; Os únicos sons que se ouvem São os dos saltos dos meus sapatos Ecoando na calçada molhada, E, de vez em quando, O ladrar distante de um cão vadio, Talvez reclamando pela perda do sono. E eu continuo andando, Sem rumo, Súbito, os faróis de um carro cortam a garoa E se perdem numa esquina. Continuo andando, Sentindo a garoa fina Molhando o meu rosto, Misturando-se às lágrimas Que correm dos meus olhos. E eu continuo andando, Andando... Lafayetti Barreto 76
  • 77. Versos Gameleiros O FimO caminhar por uma longa estradaOra estreita, ora larga,Pode ser curta ou pode ser comprida,Ora bem reta, ora toda quebrada,Feia às vezes, às vezes toda florida,Sempre caminhando, não se pode voltar,Não existe retorno nesta estradaE nela só há de caminhar, caminhar;Às vezes, com outra cruza,Por outra às vezes é cruzada,Às vezes com outra segue junta,Ou então segue só, separada.Esta estrada é a vidaAqui assim ilustrada.De repente, uma barreira erguida,A estrada é interrompida,É a morte, não existe saída,E então tudo se acaba,Tudo é esquecido,E somente às vezes, talvez por piedade,Levanta-se o pó do esquecimentoTangido pela brisa da saudade. Lafayetti Barreto 77
  • 78. Versos Gameleiros Isabela Rosa 78
  • 79. Versos Gameleiros A Pessoa e o PassarinhoA pessoa que passa vê um passarinho,O passarinho que a pessoa que passa vê,Vê a pessoa que passa.A pessoa que vê o passarinho,Pensa que o passarinho não a vê,Mas o passarinho que a viu, voa.E não se veem maisNem passarinhoNem pessoa, poisVoou o passarinhoE passou a pessoa. Lafayetti Barreto 79
  • 80. Versos Gameleiros Benção No sertão a lua nasce enorme, linda, Clareando toda a mata portenta Assim, como se o ocaso fosse ainda, E então, o clamor dos insetos aumenta. Pouco mais além, onde a mata finda, Num rancho que a luz da lua acalenta, Se ouve o som de uma viola tangida E a voz de quem as tristezas lamenta. E a linda morena, olhar suplicante, Enquanto ainda o último acorde ressoa, Abraça o caboclo, toda insinuante Como se no cio, fosse uma leoa, E se beijam, e na grama se amam, E do céu, sorrindo, a lua abençoa. Lafayetti Barreto 80
  • 81. Versos Gameleiros Onde FiqueiA paineira velha à beira da estrada,Que eu nunca mais vi,Ficou lá atrás, perdida na poeira da saudade,Na estrada da vida.Lá ficaram também meus risos de criança,Minhas alegriasMinhas esperanças,E eu segui só, ou só seguiu minha sombra,Porque acho que fiquei lá,À sombra da paineira velhaQue eu nem sei se existe ainda. Lafayetti Barreto 81
  • 82. Versos Gameleiros Marcas Solitário, caminhando pela praia deserta, Cabisbaixo, pesado de recordações, Fico pensando se do que vivi, do que passei, Poderia alguém tirar algum proveito. Das coisas grandes que fiz, Das pequenas também, Dos amores profundos, que seriam eternos, Das dores, Dos prazeres, que eram indizíveis, Coisas que me marcaram profundamente E que, indeléveis, estão no meu peito Como as profundas marcas que meus pés deixam na areia molhada, Mas quando me volto Vejo que as pegadas na areia não existem mais, As ondas as apagaram, Ninguém mais as verá, Ninguém mais delas saberá, E só existem as marcas profundas que estão no meu coração E que aí permanecerão para sempre, Para os outros, a onda grande do mar do tempo tudo apagou E só restei eu, Inexpressivo como as areias lisas da praia deserta. Lafayetti Barreto 82
  • 83. Versos Gameleiros Juliana Nascida na cidade de Capão Bonito, aos 27 dias do mês de Novembro de 1986, filha de Júlio Ferraz da Costa (in memorian), mais conhecido como Júlio Norato, funcionário público, trabalhava no DER e Vera Lúcia Silveira da Costa, dona de casa e mãe dedicada. Lançou-se à arte de escrever poesias aos quatorze anos, fortemente influenciada e motivada pelo estima- do amigo e professor Juraci Braz das Chagas e professora Elzinha Francato. Amigos e profissionais que sempre apoiaram e acreditaram no desenvol- vimento de tão bela arte. É funcionária pública, atualmente trabalha na Escola Estadual Prof. João Baptista do Amaral Vasconcellos, na Vila Aparecida. Participa ocasional-mente de publicações na imprensa local e, anualmente, no Prêmio Moutonée de Poesia,na cidade de Salto/SP Essa é a sua terceira participação em Coletâneas Poéticas. . ...”Dedico meu trabalho, meu sonho e meu dom primeiramente a Deus quetudo nos concede, à minha mãe Vera, ao meu pai Júlio, que nãoo está mais presente nomeio de nós para compartilhar tamanha alegria, a meu namorado Luiz EugênioCastanho de Almeida, que acredita e também sonha meus sonhos e me leva a lutar poreles, ao meu grande amigo e eterno professor Juraci Braz das Chagas, que através dassementes que planta, faz florescer sonhos na vida de todos aqueles que acreditam naarte-poesia que traz beleza, vida, paz e luz para o coração de muitos. Que Deus abençoe a todos.” 83
  • 84. Versos Gameleiros Minha alma é sobre uma pequena Que encontra a si mesma. Minha alma está crescendo. Minha alma não tem mais Medo de voar.Erica Jong - escritora e educadora americana Juliana Maria da Costa 84
  • 85. Versos Gameleiros Amanhecer Em cada amanhecer a tua voz eu quero ouvir Quero ter você para mim e meus sonhos dividir Em teus olhos quero enxergar mais além Sentir a sensação de paz que não sinto com ninguém Em teus braços sei que posso encontrar abrigoUm sentimento que do inesperado aconteceu comigo Tuas mãos seguram as minhas tão fortementeNo bater suave de seu coração tudo acontece diferente Nas noites frias em pensamento encontro vocêSinto suavemente a paz que me envolve sem perceberE meu coração derramo na saudade que a ausência traz Sei que é somente de você que vem essa paz Nas palavras destes simples versos quero lhe falar A distância não é mal que irá nos separar Meu corpo não toca o seu no momento do adormecerMas o meu coração estará contigo, em cada amanhecer. Juliana Maria da Costa 85
  • 86. Versos Gameleiros Teus Olhos Ainda existe em teu olhar O brilho triste de outrora Meu coração esteve a pensar Por que é que você foi embora Em meio a noites tristes divaguei No silêncio que a solidão causou Tantas lágrimas derramei Imenso vazio você deixou Hoje revi teus olhos tristes Que por eles me apaixonei Meu coração a eles não resiste E de saudades eu chorei Reacendeu em mim o desejo De tua pele novamente tocar Em minha boca sentir teu beijo Em meus olhos sentir teu olhar. Juliana Maria da Costa 86
  • 87. Versos Gameleiros Eu só queria poder explicar Que eu errei sem querer Não tive a intenção de te magoar Não tive a intenção de sofrer. “Desculpa se eu Errei” Eu sinto muito se magoei você Disse tantas palavras sem querer Mas eu jamais tive a intenção De um dia magoar seu coração Só não esperava afastá-lo assim Para tão longe de mim Queria poder apenas pedir perdãoE curar as feridas do meu próprio coração. Juliana Maria da Costa 87
  • 88. Versos Gameleiros Esse Coração... Vai, coração Bate no peito descompassado É esse o seu castigo Por amar sem ser amado. Vai, coração Chora desesperado Suas lágrimas são o resultado De seus atos impensados. Vai, coração Deixa de sofrer assim A dor que você sente Dói também em mim. Vai, coração Deixa essa tristeza sem fim Porque um dia essa saudade Vai embora, vai sim. Vai, coração Deixa de sofrer magoado Quem você ama Não está apaixonado. Então vai coração Deixa essa paixão de lado Porque um dia essa ilusão Fará parte do passado. Juliana Maria da Costa 88
  • 89. Versos Gameleiros Sua Ausência Meus olhos estão tristes Choram não sei por quê Acho que sei o motivo Choram por não te ver Olhos tristes iguais aos seus Eu jamais encontrei Mas foi por esses olhos tristes Foi por eles que me apaixonei Senti meu mundo mudar No instante em que você me beijou Meu coração não pode se conter E por você se apaixonou Desejei te encontrar novamentePara os teus lábios uma vez mais beijar Mas você sempre esteve ausente De saudades me fez chorar A distância me afastou de você E seus olhos tristes não mais vi Meu coração ficou perdido Noites solitárias eu vivi Imensa saudade eu sinto Longe de você estou agora Volta, amor, aos braços meus E prometa nunca mais ir embora. Juliana Maria da Costa 89
  • 90. Versos Gameleiros Você Eu espero você... Como o coração espera alguém para amar Como o sonho espera a hora certa para se realizar Como as lágrimas esperam para escorrer Como os sentimentos esperam para nascer Como as mãos esperam alguém para tocar Como os olhos esperam alguém para se apaixonar Como os lábios esperam alguém para beijar Eu encontrei você... Como a mágoa encontra o perdão Como um coração encontra outro coração Como o desespero encontra a esperança Como a amizade encontra a confiança Eu amarei você... Como a mãe ama o filho Como a estrela ama o brilho Como a noite ama a escuridão E serei feliz então Quando o seu coração amar meu coração. Juliana Maria da Costa 90
  • 91. Versos Gameleiros Revelação Procuro em meio às horas que passam devagar Um sentido para completar os dias tristes que amanhecem Como se o mundo de repente tivesse parado de girar Porque todos os dias iguais e tristes parecem Nas alegrias presentes nas recordações guardadas em mim Busco encontrar os motivos para sempre acreditar Que o mundo não parece tão triste e injusto assim E que a cada dia que amanhece tudo pode mudar Mas as noites tristes e de solidão insistem em me mostrar Que as dores e angústias serão para sempre constantes Tento apenas esconder as lágrimas e acreditar Que basta um momento de luz para tudo ser como antesPerdida estou nesta escuridão sem fim que sufoca o coração Em meio às lágrimas que tornam meu olhar desesperado Mas insisto em continuar a lutar contra a solidãoBuscando encontrar a luz que reanime estes passos cansadosPreciso reencontrar em algum lugar uma chama de esperança Um momento de luz que se revele em meu coração Para que uma vez mais eu sinta renascer a confiança Junto com o dia que amanhece levando a escuridão... ...Dissipando as trevas e revelando a luz. Juliana Maria da Costa 91
  • 92. Versos Gameleiros Thiago Lara 92
  • 93. Versos Gameleiros Pedaço de Chão Não quero somente ouvir os pássaros a cantar Abro o coração ao seu canto, deixo-o escutar Para que das amarras e correntes que o prendem Possa, assim, para sempre se libertar O vento toca meu rosto e me faz acreditar Que é a paz, imensa paz, que veio me confortar Não ouço os barulhos do mundo lá foraNesse momento de silêncio deixo minha alma divagar Na calma dessas águas sinto-me embalar Deixo meu coração por essas águas se levar Meus pés tocam as margens que estão a rodear E sinto sua energia meu corpo renovar O som dos pássaros, tantos pássaros a cantar Trazem lembranças que há muito deixei passar E cada vez que meus pés tocam nesse chão Sinto que ali, a paz, eu posso encontrar. Juliana Maria da Costa 93
  • 94. Versos Gameleiros Sei Onde Encontrar a Paz Estou, neste momento, tentando encontrar Braços onde eu possa descansar Onde eu sinta paz em meu coração Onde não se conheça mais tristeza ou solidão Nestes braços quero deitar e ouvir Palavras que me fazem o bem sentir Encontrando em sua presença imensa paz Amor eterno que o mundo não desfaz Nestes braços quero o carinho encontrar Conhecer o verdadeiro sentido de amar Nestes braços sei que posso encontrar a luz E a luz só se encontra nos braços de Jesus. Juliana Maria da Costa 94
  • 95. Versos Gameleiros Amigo, Meus Versos para Você Amigo, senta aqui ao meu lado, contigo eu quero conversar Quero falar de coisas que meu coração esteve a guardar E com você, agora, eu quero compartilhar... Amigo, tantos momentos de dificuldades você me viu enfrentar Sempre estendeu os braços, esteve pronto a me ajudar Em todos aqueles momentos em que eu não podia mais acreditarVocê me trouxe para fora da escuridão, a luz e a paz me fez encontrar Por tudo quanto você fez para me ajudar Amigo, todos os dias por você irei a Deus rezar Amigo, foram tantos anos de juventude que nem vi passar Tantos anos passados ao seu lado, como gosto de relembrar... Foram alegrias e tristezas, tantos sonhos a compartilhar Amigo, como me sinto feliz, por essa amizade tudo suportar... Amigo, perdoa essas lágrimas que não posso segurar Elas caem livres para todo meu carinho demonstrar Amigo, se um dia eu te magoei e te fiz chorar Perdoa, meu amigo, jamais eu quis lhe machucar Se não fui capaz de suas lágrimas um dia secar Sei que tentei, amigo,pelo menos lhe confortar Não importa o tempo que for, quanto tempo se passar De você, amigo, para sempre irei lembrar Conte comigo em todos os momentos que precisar Eu estenderei os braços, se preciso for para te abraçar Compartilha, amigo, a felicidade que é preservar Uma amizade sincera, que o mundo não pode separar... São palavras breves, meu amigo, mas são para você recordar Que as marcas dessa amizade, jamais irão se apagar. Juliana Maria da Costa 95
  • 96. Versos Gameleiros Biografia ouRetrato transcritoSou Osvaldo deOliveira,o propenso escritorcontemporâneo deCapão Bonito.Escrevo para todos osprovos sobreviventesà idiocracia instaladanas raízes populares;sou o fruto do niilismohumanistae da PNL ocultista.Em luto à poesia,faço em palavras asminhas heresias.Escrevo para todos os poetas,mas escrevo sem ser poeta.Quando invoco em minha essênciaos sentimentos sob o olhar contemplativo,não caio na teia entediantedas palavras arcaicasusadas pelos meus mentores poetas inativos.Sou apenas uma quimera,um sampleador ambulante de idéias sincréticas,um rascunho de murmúrios desiludidos,uma escatologica displicência dos valores oriundos,dos valores vigentes, o retrato apodrecidoo borro, da arte dos vagabundos,o esporro, a caricatura antropofágicaa revelação hidropônica da sociedade burlescada beleza irônica e antagônica e indefesaque nos circunda dia a dia, perante o reflexo de si mesma.o retrato obsceno 96
  • 97. Versos Gameleiros Não te deixes destruir... Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.Faz de tua vida mesquinhaum poema.E viverás no coração dos jovense na memória das gerações que hão de vir.Esta fonte é para uso de todos os sedentos.Toma a tua parte.Vem a estas páginase não entraves seu usoaos que têm sede. Cora Coralina - poetisa goiana Osvaldo de Oliveira 97
  • 98. Versos Gameleiros A Arte Pela Arte Quando se dedica para alguma arte, Na pretensa tentativa de criar bancando o criador que há dentro de si, descobre-se que nem o criador fez sua obra-prima em todas as suas [tentativas; só é iluminado e divino porque não assinou seu nome em tudo o [que pariu. Pretensão humana ridícula e egoísta A de assinar seu nome em tudo que é de sua autoria; Que intolerância egoísta é essa que o obriga a esperar algo em troca de seus esforços? A arte pela arte: Uma idéia a ser parida. Meus escritos Não são e não querem ser reconhecidos, Não pretendem ser lembrados, Apenas existem porque em certo momento surgiram. E nada mais. A arte pela arte apenas liberta a alma para o caminho do desapego, O caminho das luzes, o caminho das trevas, o caminho das criações divinas A arte pela arte: Uma idéia a ser parida. Osvaldo de Oliveira 98
  • 99. Versos Gameleiros Duelo da NaturezaComo se fosse árvore velha, cheia de galhos e frutosO prepotente arbusto observa a chegada dos ventos da tormenta;Os raios queimam o verde ao seu redor e a penumbra dispersaSeus galhos secos e suas raízes não são profundas o bastantePara segurá-lo no ventre da terra,Assim o velho arbusto se vai na tormenta,Com ele, se vão também os seus futuros frutos,Os seus futuros galhos,A sua existência descartável,E inevitável,O mártir de existir, o mártir de morrer para haver vidaNo denso vento dos ciclos da natureza. Osvaldo de Oliveira 99
  • 100. Versos Gameleiros Isabela Rosa 100
  • 101. Versos Gameleiros Caos DiárioO caos das ruas,as buzinas durante o dia,as festas durante a noite,os carros ensurdecedores,as motos estridentes,os inacabáveis outdoors,as vitrines ludibriantes,as câmeras registradoras,os ônibus poluentes,os mendigos sem dentes,as ovelhas castradas,as cadelas promiscuas,os burros alienados,os porcos fardados,os burgueses de nariz empinado,o cheiro enjoado de algo requentado na hora do trabalho,a fome durante um serviço cansativo,toda a merda urbana que vivemos no dia a dia,toda essa droga eu trago para meus pulmõese numa puxada forte inspiro o ar podre da cidade:eis o caos diário da urbanidadeo caos que punge os pulmões de quem acorda e respira. Osvaldo de Oliveira 101
  • 102. Versos Gameleiros Lótus Regression Regresso ao corpo físico Quando as pétalas da lótus Aspergem-se pelo ar E eu novamente estou no ventre da terra; Um instante lúdico e vibrante Pulsou em minhas veias O sangue ficou quente E em minha testa um olho brilhou pulsantemente: A revelação fatídica do frenesi epifânico Me revela os olhos do homem, Os julgamentos dualísticos do homem, As idéias falsas que só existem com a existência do homem; Vejo também a face de Deus sem as mascaras de nossos juízos mortais Vejo a natureza como ela é, E fico sem palavras para descrevê-la O homem brinca de ser Deus Tenta ser seu próprio Deus Mas sua visão conturbada de humano Seria ofuscada pela verdade inerente A verdade que não pode ser descrita em palavras Mas percebida através do desapego. Osvaldo de Oliveira 102
  • 103. Versos Gameleiros Palavras CaprichadasMeu sagrado tempo se passaA cada instanteEm que dedico palavrasA este papel inútilO mais eufemista diria que é poesiaEm sua leiga inocênciaE desse comentário eu diria ser ironiaE sem esta idéia pretensaHá um tempo atrásUm poeta me dissePara lhe enviar minhas “poesias” até certo diaE disse para caprichar nelasEntão em honraA tua esperança líricaDe poetaLhe dedico este rabiscoNa santa féDe que não desapontareiEm qualidade e poetismoSem a presença essencialde minhas palavras chavõestal como merda, lixo e etcAs palavras de meu sábio amigo poeta. Osvaldo de Oliveira 103
  • 104. Versos Gameleiros Palimpsesto Niilista Às vezes, imaginando possuir um poder total, Ainda hipoteticamente, bancando Deus, me pergunto Que faria eu para melhorar o mundo a minha maneira? Logo vejo, com os olhos cheios de lágrimas que nada poderia ser feito. Que um trabalho de reparação, Prodigioso e belo, nada têm a ver com o ato de criação divino. Que homens reparadores, revolucionários, São como iconoclastas, arquitetos da destruição, Moldadores e preservadores da tradição guerreira de lutar por suas [convicções. Gostaria de restaurar a dignidade, O auto respeito, verdadeira fraternidade, Confiança própria e amor à natureza, Mas infelizmente o homem não é mutável E ainda virtuoso e propenso a transmutar-se Como nos tempos de Henry Miller, Hoje o homem parou sua evolução, Retornou ao estado antigo de letargia, Como um rebanho informe e irracional, Obediente a opiniões ideológicas mutáveis Cujos valores são estabelecidos por teóricos políticos. Sinto que é tempo do planeta questionar seus valores, Suas crenças, suas verdades que o sustentam, Uma vez mais é necessário que pecadores, Mendigos, legisladores, Marketeiros, militares e todos os demais Perguntem a si mesmo que porra estão fazendo com suas vidas; Seria possível hoje, para nós, Fazermos um inventário de nós próprios? Ou é tarde demais? Às vezes parece impossível. O possível realmente de forma aparente É mudar as massas de um lugar para o outro Osvaldo de Oliveira 104
  • 105. Versos GameleirosComo tábuas de madeira, movê-las como peões,Chicoteá-las até que fiquem frenéticas,Ordenar-lhes que matem sem mais delongas,Especialmente em nome de nossa justiça,Mas será impossível mandar que vivam suas vidas inteligentemente,Pacificamente, belamente?Existem somente, entre os homens,Somente aqueles que vivem e aqueles que modorram?Somente aqueles que vivem e aqueles que morrem?Jesus já houvera dito: “que os mortos enterrem os mortos”Sei que é difícil preservar senso de humorEm um mundo que produz bombas atômicasComo hortaliças cintilantesMas se houvesse senso de humor mais forte na humanidadeTalvez não precisássemos recorrerAquela dolorosa experiênciaDe autodefesa por extinção mútua dos revolucionários.Isso me remete a uma outra pergunta:Se todos os homens virtuosos e revolucionáriosSe unissem num exércitoSem armas, bandeiras,Emblemas e ideologiasUnicamente para um fim comum,O de alcançar a paz e a civilidade,Seria esse o fim da humanidade ou o início de uma utopia?E que seria a utopia,Senão uma série de mudanças benéficasImpossíveis de serem alcançadas pelo velho homemQue habita nossos corações totalitários?Que seria de verdade isso que chamamos de utopia?Para mim, a realidade é mais utópicaQue as mais gloriosas e virtuosasVerdades humanas. E tem sido... Osvaldo de Oliveira 105
  • 106. Versos Gameleiros Reflexão Psicotrópica Os melhores anos são os vividos agora, Os instantes que se passam se vão ao calor de seu breve momento. Os breves instantes que vivemos e já se foram decidirão os breves momentos seguintes que virão. Todas as malditas regras morais deste mundo nunca me pareceram algo mais que idéias para serem jogadas no lixo, Convenções arcaicas de sociedades extintas, Fantasias atrofiando a liberdade de escolha do ser humano. No humano, presenciei desde cedo, empiricamente e intuitivamente o seu lado negro e secreto. Sua natureza hermética, Sua imagem e semelhança divina, O berço onde descansa o caos e o equilíbrio O céu e o mar, O claro e o escuro, O bem e o mal, Todas as malditas reflexões ambíguas que a escolha de racionalidade nos impele a ter, Toda a liberdade que um macaco tem do homem por diferença cromossomica, Toda a suposta inteligência e civilidade que nos ilumina e consagra como gente. Escolhi nesta vida ser o que eu quiser, Não amar a Deus ou ao diabo, mas sorrir para ambos oportunadamente, Pois eu, em minha condição humana, não deixo de ter dentro de mim as duas faces da moeda. Penosas armas mortíferas de nosso livre arbítrio De que vale uma vida longa cheia de limitações sistemáticas Que me distanciem da minha essência animalesca? Quero morrer rindo do meu estado, convicto de que vivi o melhor que pude todas as coisas que a vida me fez enfrentar. Osvaldo de Oliveira 106
  • 107. Versos GameleirosHomem! puro reflexo narcízico de Deus encarnado,Natureza caótica orquestrada pela corrupção,Jogo divino de forte e fraco,De cruz e espada,De morte e vida.Crueldade divinapenitencia divina,morte para a vida,Vida para a morte,dá no mesmo no final,Adubo para o chãoe nada mais. Poder e Conquista Não é o homem Que se adapta Ao seu meio É o seu meio Que se adapta Ao homem. Transforma a pintura in natura Da natureza crua E recria seu berço. Não mais a natureza dita à vida A sua própria melodia Hoje a compulsão humana Dita à vida a sua melodia Regida pela sua loucura De conquista... Poder e conquista... a qualquer custo. Osvaldo de Oliveira 107
  • 108. Versos Gameleiros Suave Pecado (O Sádico) Eu amo sua pele branca e nua Eu amo sua pele fria e crua Eu amo o jeito que você me olha Eu amo o jeito que você se machuca Oh! Meu anjo, como você é linda Oh! Meu anjo, adoro ve-la perdida Deixe fluir o pecado Você sabe que isso me agrada Eu amo a sua maneira de me temer Eu amo a sua maneira de me querer Eu amo o jeito que você me idolatra E eu amo ve-la perder-se de si mesma Suavemente te amo até a hora que você vai embora Eu amo o jeito que você me olha Eu amo o jeito que o pecado te devora. Osvaldo de Oliveira 108
  • 109. Versos Gameleiros Versos PodresEsta droga de rabiscoEscrito no cadernoÉ a brilhante idéiaQue ninguém teve até agoraOu que alguém já teveE ninguém ficou sabendoA idéia dos versos podres!Dos versos sujos!Dos versos análogos aos nossos tempos,Dos versos refletidos em nosso meioOs versos podres só nascemNas almas selecionadasPor DeusPara espalhar o escárnio em nossa terraQuando ninguém mais se lembraDo absurdo que se passaOs versos podresNão são proferidos por radicalistas religiososMas por verdadeiros homens de coração livreUngidos pela vontadeHomens que vêem na podridãoO retrato mais sincero da realidadeA podridão da realidadeNa podridão destes versos!A podridão destes versosPara os homens despertos! Osvaldo de Oliveira 109
  • 110. Versos Gameleiros Raissa Me chamo Raissa Moraes, nasci em Capão Bonito. Começei a escrever quando li pela primeira vez as obras de Álvares de Azevedo, este que é minha adoração e minha inspiração . Adoro musica, amo escrever quando estou ouvindo alguma banda que gosto, Nightwish, Evanescence, Tarja Turunen, estastambém me inspiram a escrever. Para mim escrever é como uma terapia, são lagrimas que saem daalma em forma de palavras, são palavras que aliviam a dor, são lembran-ças que nunca se apagaram. Escrever é estar conectado em um outro mundo, é estar viajandosem sair do lugar, é conhecer os sentimentos sem realmente senti-los, éestar vendo além dos outros. Minhas poesias são simples, mais são muito importantes à mim,são palavras sinceras, são declarações, são simplesmente o meu mundo. 110
  • 111. Versos Gameleiros Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja aminha noite uma alvorada, que me saibaperder... para me encontrar... Florbela Espanca - poetisa portuguesa Raissa Moraes 111
  • 112. Versos Gameleiros Sem Nome Sinceramente, minha história Não é nada Minha trajetória é inútil Sou aquela sem nome Um ser desprezível Um alguém inútil Um sem nome, aquela sem alma Sinceramente, sou renegada pela vida A ignorada pelo mundo A humilhada pela morte Um ser despresível Um alguém inútil Um sem nome, aquela sem alma Vivendo sozinha Chorando sozinha Sangrando sozinha Aquela sem nome, sozinha e sem alma Raissa Moraes 112
  • 113. Versos Gameleiros Minha AssombraçãoEncontre-me ao amanhecer e me abrace novamenteNão quero mais nada, apenas você em meus braçosVenha e me faça sentir, me faça realMostre-me que ainda estou vivaMinha assombração, venha e me faça sentirSente-se ao meu lado e me ame outra vezMostre-me o paraíso que sempre quisEncontre-me na escuridão e me sigaSegure minha mão e me conduzaOlhe dentro dos meus olhos e diga o que vêEncontre-me ao amanhecer e me ame outra vezMinha assombração, venha e me faça realSente-se ao meu lado e segure minha mãoMinha doce assombração vamos fugir para qualquer lugarE quando o amanhecer nos tocar me abrace novamente Raissa Moraes 113
  • 114. Versos Gameleiros Senhora da Lamentação Me dê um motivo para continuar Me dê uma razão para respirar Me dê um incentivo para tentar novamente Não sei mais como continuar Estou tão só aqui Sozinha abaixo da superfície Não consigo sentir mais nada Me dê uma razão para poder sorrir novamente Me dê um coração que não esteja quebrado Ajude-me, sozinha não vou conseguir Sozinha abaixo da superfície, eu temo Meu fim está próximo Oh, doce senhora da lamentação Oh, doce e imaculada escuridão Oh, doce destino que arrasa comigo novamente Como posso ficar tão frágil? Parece que meu mundo acabou Não consigo mais respirar Oh, doce senhora da lamentação Divina escuridão Doce destino que me mata novamente Raissa Moraes 114
  • 115. Versos Gameleiros Último SuspiroSeguindo na escuridão da noiteSozinha, perdida, com frioAndando por ruas lamacentas, esperando o fimGuardando meu último suspiroPara o momento certoSeguindo sozinha para meu sombrio destinoGuardando meu último respiroOlhando o que minha triste vida se tornouGuardo dentro de mim todos os meus sentimentosFugindo de mim, seguindo para o fimSegurando meu último suspiroQuero mergulhar no meu fimEsquecer o nada que me torneiSegurando meu último suspiroNão quero ver piedadeNão quero anjos junto a mimDeixe-me cair, deixe-me afundarEstou seguindo para minha morteGuardando meu último suspiroPara o momento certoFugindo de mim, seguindo para o fimSegurando meu último suspiroQuero mergulhar no meu fimPequeno anjo, quero esquecer quem souPerdendo meu último suspiro Raissa Moraes 115
  • 116. Versos Gameleiros Paixão Negra Eu fecho meus olhos E tento apagar Sua imagem da minha memória Vivendo a paixão negra Os dias passam As pessoas se vão E eu continuo aqui Vivendo a paixão negra O sonho acabou A música terminou Nada restou Apenas a paixão negra O mundo perdeu a cor As rosas perderam o cheiro A tristeza invadiu todo o ser Lutando contra a paixão negra Estou aqui olhando pro nada Aqui estou eu pensando em você Eu fecho meus olhos Morrendo pela paixão negra Raissa Moraes 116
  • 117. Versos Gameleiros Deixando o RestoEm meus olhos tento verO que me resta para lutarEstou resgatando a dor e deixando o restoSeguindo meu caminho, com demônios ao meu ladoRespirando o ódio, sofrendo com companhiaResgatando a dor e deixando o restoCaminhando com Lúcifer eu continuoLevando memórias e tristezasResgatando a dor e deixando o restoA hora chegouA luz acabouResgatando a dor e deixando o resto Raissa Moraes 117
  • 118. Versos Gameleiros Thiago Lara 118
  • 119. Versos Gameleiros SensaçõesPessoas vaziasLugares friosSonhos perdidosAnjos abandonadosAsas quebradasLuzes apagadasCorações dilaceradosPessoas sombriasAlmas mortasSeres sem explicaçãoCores sem noçãoSentimento sem explicação Raissa Moraes 119
  • 120. Versos Gameleiros Escute Escute o chamado que vem de longe Preste atenção e sinta A tristeza se aproxima Ouça o ruído que vem do norte Ondas quebrantes, ventos fortes A melancolia está próxima Olhe ao redor e fique atento Tudo está desvanecendo ao pó A inocência se foi Escute... O som agora está próximo Gritos de dor, cheiro de sangue, guerra sombria Delicie-se a morte chegou Raissa Moraes 120
  • 121. Versos Gameleiros Pequenos DetalhesOs dias passamAs horas se esvaemTudo passa em ritmo aceleradoO mundo mudaAs pessoas mudamTudo se transformaEu e vocêPequenos detalhes que ainda resistemPequenos demais para terem importânciaPequenos detalhesLuz e trevasAmor e ódioPequenos seres sem importância para o mundoGrandes demais um para o outroPequenos detalhesPequenos pedaços que não significam nadaGrandes o suficiente para machucarPequenos detalhes, amor e ódio, luz e trevas Raissa Moraes 121
  • 122. Versos Gameleiros Volta De que adianta o paraíso Se o inferno vem antes? De que adianta a luz Se sigo na escuridão? Meu anjo me deixou aqui Disse que eu precisava aprender Estou abandonada... Sempre abandonada Dia solitário, noite fria, morte lenta Estou acorrentada aqui Jogada dentro de quatro paredes mortas Ei? Cadê você anjo? Você me esqueceu aqui? Não! Você não pode me deixar! Dia solitário, noite fria, morte lenta Raissa Moraes 122
  • 123. Versos Gameleiros Rojer Rÿoz Rogério Marcos Machado (erremachado@bol.com.br), poeta escritor e jornalista, participou de diversas antologias poéticas e concursos literários Brasil adentro e, em 2002, lançou Gatos Apimentados (Scortecci Editora/SP). Entre seus autores favoritos estão L. F Veríssimo, Machado . de Assis, Dostoievski, Franz Kafka, Jack Kerouack, William Burroughs, Mário de Andrade, Edward Lear, Mário Quintana, García Márquez, Oscar Wilde,Fernando Pessoa e outros de igual qualidade. Capão-bonitense até a última unha do pé, confessa extremaalegria em participar de tão importante coletânea em par com outroscantadores desta mística Terra Gamelis. Nota do Poeta: Os versos de abertura são uma homenagem ao querido e espirituoso avô Joaquim Mendes Machado, falecido em agosto de 1991, e posteriormente deram origem a dois outros poemas: Coisas Que Só o Tempo Pode Fazer Igual e Ao Planeta, ao Universo, a Mim, peças integrantes do livro digital Linhas para Depois do Acaso (2011), disponível para download gratuito no endereço: http://www.slideshare.net/RMMachado/linhas-para- depois-do-acaso JMM (1912-1991) 123
  • 124. Versos Gameleiros No entanto, não sei se é por causa das águas, deste ar que desentoca do chão as formigas aladas, Atitude ou se é por causa dele que voltae põe tudo arcaico, como a matéria da alma,se você vai ao pasto,se você olha o céu,aquelas frutinhas travosas,aquela estrelinha nova,sabe que nada mudou. Adélia Prado - poetisa mineira Rojer Rÿoz 124
  • 125. Versos GameleirosVocê me diz coisas que colheu na juventudee nessa ânsia de seguir os seus passos eu posso cairNão sei se o que impele a essa dor do mundoé o ódio que reside em nósmas é certo que todos sentiremos o frio...As frases sarcásticas ficaram no arSeu sorriso infantil parece renascerEu vejo em você uma luz sobre meus medosmas ele se transformam e são mutantesQuem irá nos restituir a paz? O ato espontâneo da vida!Os cavalheiros e seus acordosnão há lirismo nessa doença chamada poderEu vejo um homem tolo e seu tambor solitáriovivendo ao compasso do tempo...e brilham as luzes da América...e soam a vozes da África...e soam tambores Tupismas eu sinto que ainda não sabemos que somos livres,na essência do ser... livres...Não sei se é sede ou fomemas é algo que existe em mim tambémSeus olhos me olham confusosdiante da vida, diante de tudoNão queria nunca lhe falar dos jogos de guerranão queria ouvir seu pranto desnecessárionão chore por mim, nem por vocênão é para isso que estamos aquiA vida nos recicla e nos faz ver sentidonos farrapos do mendigo que também somosVocê me diz coisas que colheu na juventudee nessa ânsia de seguir os seus passos eu posso cair...e beijar os seus pés... Rojer Rÿoz 125
  • 126. Versos Gameleiros Testamento ao morrer leve é a certeza de levar a tristeza de não ter vivido não ter causado não existido não ter criado uma guerra civil não tecido a grande revolução passado como passado – uma fábula rasa – parábola em branco ao morrer estanho será a dor de não ter sofrido não ver provado do mal de não ter amido como deve ser doída a sensação de não ter sentido não ter ousado não ter havido ao limiar do morrer incerto ainda é não rir o riso o retesar do arco do triunfo o esperanto de ser fado com a espera a espreitar pelas frestas aletas lápide em branco... Rojer Rÿoz 126
  • 127. Versos Gameleiros Oração Insubordinada aos 4 Ventosleve é o vento que a tudo enreda e enlevahálito de alentopressa pulsante pelas frestas-burca das janelasleva do voo sem aço dos assanhados sanhaços– pássaros palhaços, doninhas do ar –ao estético esboço do esquelético balé sem osso das folhasem seu infiel farfalharlisa, navalha e fina é a brisa que arresta os torrenciais dormentes,presentes dias e dentes nos fios vis dos meus pensamentosnave que carrega e entrega lembranças deixadas de lado – aladascomo se feito um postal, uma história esquecida no vaso volátilda valise de um memory cardao apalpar os flancos das flores ou os florescentes feixes de luzrepousados sobre a confusão cristalina das gotasdesleixadas de prisma corados sob o frio inclemente da noitepela timidez da neblina, o poeta – semeador de palavras –rende ao vento seu suspiro primaldébil é o sopro que estende a poeira dos temposem quase quânticos finos pêlos de pele – algo nunca delével – camurçagutural seu sibilo – passaportes de medo – ao sopé do dos ventos uivantesvento, ventríloquo do total livre arbítrio, senhor das águas e das asasordem e caos, fé e cinismo, alma e rancor, istmo e mar– delicado senhor das fúrias e irrequieta musa da pazvento: verde, crespo, amaro, doce; silêncio impertinente, cheiro de livro bom– mistério impretérito, falso e quase imperfeito... Rojer Rÿoz 127
  • 128. Versos Gameleiros Pé de Passarinho na próxima encarnação sim, porque renascer é preciso – assim como impreciso é a nau vagar – quero voltar passarinho mas não passarinho no afã de voar voar é artefato-razão do pensamento é o plano de voo que põe o passarinho no ar é o pensamento que o faz – passarinho – passarinhar na próxima encarnação quero voltar ao meio da passarada não, também não me encanta Pasárgada não quero voltar passarinho para vazar as nuvens, aguilhoar o céu não faço questão de ignorar mares, ares ou continentes quero ser o tal passarinho que sou agora, aquele que, só pelo prazer de poder, sob o mormaço de sal do sol de lá fora roubar os frutinhos à sombra da mesma velha amoreira, desde o ocaso até a aurora... Rojer Rÿoz 128
  • 129. Versos GameleirosRenitênciadar as mãosandar às mãos dadasideias atadas Poema sem Y li Leminski na parede tirei o tênis e fiz xixi a pé na telaa hora,doente matrona,incrustada nas pedras,pregava mentiras... e horas sem folga... o silêncio, gato assustado e pêlos eriçados, é pleno, solene, desconfortável, um relógio mouco – como colaborador Tiquetaqueando os segundos, os centavos – e os outros tons do tempo – e do decafônico silêncio... Rojer Rÿoz 129
  • 130. Versos Gameleiros Lápide ser insensível sou (...sem alma) dizem: “pedra que não chora à lasca tirada, ao tombo de alto penhasco...” por ser pedra que não chora, Sou – sem alma... – a pedra mutilada... TabapueraMinha aldeia não é nada daquilo com que se parecepois sua realidadetal véu de noivamesmo antes do conúbio das núpciasé nuvem que se esvanece Rojer Rÿoz 130
  • 131. Versos Gameleiros Vertigofiz um poema para poder tocar em vocêdedos e palavras à derivavagando na maresia, serena tempestade desses seus olhos céus,até se aninhar na nudez dos ouvidoscomo um dolorido sussurro sem dor, em braile, preto e branco...um poema indizível – quase uma imprecação –sorrateiro, em passos e pés imprecisos – versejo.tudo para que todos os cantos da noite se caleme o tambor desse coração-revólverpasse num descompasso assustado...palavras que possam ser cápsulas,barbitúricos a seduzir seus instintosum poema sem Norteuma marca de sortepara calar no templo do seu corpo Rojer Rÿoz 131
  • 132. Versos Gameleiros Isabela Rosa 132
  • 133. Versos Gameleiros Verso e Ventanianão reconheço + esta cidadeluz, sons e sombrastão bem acomodadas numa – outra antiga – outroraassim como o limiar da própria históriatambém se foram emboraas noites já não carregam mais enluarada tristeza...são noites vazias nos ganidos moucos dos cães vadiosa brisa serena – de antes: poema – é verso em ventania não me recordo mais nessa cidadea neblina almiscarada – provinciano fog do 3º mundo – agora é gesso [na alma,osso nos olhosruas, casas, andaimes e motores – impuro gestual pós-moderno Rojer Rÿoz 133
  • 134. Versos Gameleiros Até as Musas Precisam de Ar para Viver Hipérbole (ultramarinamente) esvoaçante sangue no varal música tosca lambendo o fim de tarde vultos no cu do mundo cabelo curto – mancueba – (sábado de manhã vou... – por vontade própria! –) em letras maiúsculas de forma bastão mural de Bach flores mortas no alpendre – sequidão rústica – lua lesma... rastros pegajosos no paletó lábio jocoso batom borrado e cheiro de lavanda – saudade suja – “o amor é uma fruta velha, descascada...” o amor é nada Rojer Rÿoz 134
  • 135. Versos Gameleiros Poeta anjo das vacas magras tenso como o nó da dor refutado órfão à luz de velas pela Lua denso como o pó oblíquo, difusoassim e só é que deve ser o ser do amor Rojer Rÿoz 135
  • 136. SUMÁRIOPrefácio 4Agatha Fabiane Santiago da Paixão 5Antonio Celso dos Santos 18Aline Nóbrega Rodrigues 31Juraci B Chagas 44(Drika) Adriane Cristina Bernardo da Silva 57João Lafayetti Gomes Barreto 70Juliana Maria da Costa 83Osvaldo de Oliveira 96Raissa Moraes 110Rojer Rÿoz (Rogério Marcos Machado) 123Impressão e acabamento: Alternativa Artes Gráficas - (15) 3542-2992 - altergraf@uol.com.br 136
  • 137. Novos versos gameleiros trazem à tona autores jáconhecidos do público e também novos criadores, olivro apresenta poetas que não querem ser poetas,anjos que cantam seus demônios, desenhistas quetraduzem com suas penas as duras penas dospoetas, cantores da vida, da alegria, da tristeza eda utopia. Os Editores

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