Aleitamento materno e banco de leite humano

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  • 1. Rosemary Zillig Chile Técnica em Nutrição Aleitamento Materno eBanco de Leite Humano São Paulo Maio – 2008
  • 2. Rosemary Zillig Chile Técnica em Nutrição Aleitamento Materno EBanco de Leite Humano Apostila Informativa do Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano (B.L.H.) São Paulo Maio – 2008
  • 3. "O ser humano se engrandece no exato grau em que trabalha para o bem-estar do seu semelhante." Mahatma Ghandi
  • 4. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 51. HISTÓRICO DO ALEITAMENTO MATERNO ................................................................. 61.1. Projeto Carteiro Amigo ........................................................................................... 121.2. Iniciativa Hospital Amigo da Criança - IAHC ......................................................... 131.2.1. Passos para um Hospital conquistar o direito de ser parceiro “Amigo da Criança” ........................................................................................................................ 152. A FORMAÇÃO DO LEITE NA GESTAÇÃO .................................................................. 312.1. Produção de Leite e Prolactina .............................................................................. 322.2. Composição do Leite Materno ............................................................................... 332.2.1. O colostro............................................................................................................. 352.2.2. Leite maduro ........................................................................................................ 362.2.3. Leite do começo da mamada .............................................................................. 362.2.4. Leite do fim da mamada ...................................................................................... 362.3. Como o leite flui do organismo da mãe para o bebê ............................................ 382.3.1. Ajudando e Inibindo o Reflexo da Ocitocina ..................................................... 392.4. Até quando amamentar? ........................................................................................ 402.5. Vantagens do Aleitamento Materno para o bebê .................................................. 402.5.1. Amamentação pode aumentar o QI, Quociente Intelectual, dos bebês ........... 442.6. Síntese das Vantagens do Aleitamento Materno para a mãe ............................... 452.7. Síntese das Vantagens do Aleitamento Materno para a família........................... 462.8. Vantagens para o planeta ....................................................................................... 472.9. Vantagens do aleitamento materno para o hospital ............................................. 472.10. Cuidados com a nutrição materna ..................................................................... 47 GUIA PARA AMAMENTAÇÃO ..................................................................................... 50 Colocando o seio na boca do bebê ............................................................................ 51 Posições para amamentar ........................................................................................... 52 Dificuldades e problemas mais comuns .................................................................... 56i) Ingurgitamento mamário (seios muito cheios e doloridos) ...................................... 56ii) Fissuras do mamilo (bico do peito rachado): ............................................................ 57iii) Mastite (inflamação da mama): ................................................................................... 57iv) Ducto bloqueado (mama empedrada ou ingurgitada): .............................................. 58v) Hipogalactia (diminuição do leite): ............................................................................. 59vi) Manutenção da amamentação .................................................................................... 60vii) Mitos e tabus ................................................................................................................ 60 Problemas relacionados com o bebê ......................................................................... 61A) Diarréia .......................................................................................................................... 61
  • 5. B) Pseudo-constipação intestinal (“Prisão de Ventre”) .................................................. 61C) Recém nascido de baixo peso ..................................................................................... 62 Contracepção ............................................................................................................... 63 Desmame ...................................................................................................................... 67 Como retirar o leite materno ....................................................................................... 68i. Retirada de Leite Manual ................................................................................................ 69ii. Procedimento de retirada .............................................................................................. 69iii. Depois da Extração....................................................................................................... 71iv. Como estocar o leite materno ...................................................................................... 71v. Conservação .................................................................................................................. 72 A Importância do Pai na Amamentação ..................................................................... 73 Conciliando a amamentação e o trabalho fora de casa ............................................ 733. O PAPEL DO ALEITAMENTO MATERNO NO DESENVOLVIMENTO DENTOFACIAL DO BEBE ...................................................................................................................... 753.1. Beneficios para a saúde oral .................................................................................. 764. O DIREITO DE AMAMENTAR E DE SER AMAMENTADO - LEGISLAÇÕES CRIADAS QUE GARANTEM ESTE DIREITO ............................................................... 794.1. Licença maternidade............................................................................................... 804.1.1. Licença Maternidade de 6 meses é aprovada no Senado para empresas cidadãs ......................................................................................................................... 804.2. Direito à garantia no emprego ................................................................................ 824.3. Direito à creche ....................................................................................................... 824.4. Direto de pausas para amamentar ......................................................................... 824.5. Alojamento Conjunto .............................................................................................. 824.6. Lei do Acompanhante ............................................................................................. 834.7. Norma de Comercialização..................................................................................... 834.8. Estatuto da Criança e do Adolescente .................................................................. 844.9. Hospital Amigo da Criança ..................................................................................... 844.10. Resolução da Diretoria Colegiada Nº. RDC Nº. DE 171, DE 4 de Setembro de 2006. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o funcionamento de Bancos de Leite Humano. .............................................................................................................. 844.11. Passos para uma Empresa Amiga da Amamentação ....................................... 85 Promover compreensão e compromisso na empresa............................................... 86 Estabelecer um grupo de trabalho para elaborar um plano de ação ....................... 86 Avaliação ...................................................................................................................... 87 Execução e publicidade............................................................................................... 875. MÃE CANGURU ............................................................................................................ 88
  • 6. 6. BANCO DE LEITE HUMANO - BLH.............................................................................. 906.1. Procedimentos para ser doadora de leite humano ............................................... 956.2. Identificação e controle .......................................................................................... 956.3. Quem recebe o leite doado? .................................................................................. 956.4. Instruções para a Coleta de Leite Humano ........................................................... 956.5. Orientações sobre Amamentação.......................................................................... 977. O PAPEL DO NUTRICIONISTA NO ESTÍMULO AO ALEITAMENTO MATERNO ....... 99A) No Pré-natal .................................................................................................................. 99B) Período Puerperal na Maternidade ............................................................................ 100C) No Puerpério e pós-alta da Maternidade ................................................................... 1017.1. Atribuições Específicas ao Nutricionista em Bancos de Leite Humano, Segundo a Resolução CFN Nº200/1998. .................................................................. 1017.2. Outras ações a serem realizadas pelo profissional Nutricionista ..................... 102CONCLUSÃO.................................................................................................................... 104ANEXO I - REGULAMENTO TÉCNICO PARA O FUNCIONAMENTO DE BANCOS DE LEITE HUMANO .......................................................................................................... 105ANEXO II - AMAMENTAÇÃO PREVINE DISTÚRBIOS ORTODÔNTICOS ...................... 115ANEXO III - VOCÊ É UM PROFISSIONAL DE SAÚDE AMIGO DA AMAMENTAÇÃO? .. 118ANEXO IV - WABA TEMA da SEMANA MUNDIAL DE 2008 JÁ ESTÁ DEFINIDO ......... 120ANEXO V - COMO TRANSPORTAR E DOAR LEITE MATERNO .................................... 121ANEXO VI – BANCO DE LEITE HUMANO DO HOSPITAL REGIONAL SUL .................. 130ANEXO VII – NOSSO PEQUENO MANUAL DE AMAMENTAÇÃO – DOENÇAS MATERNAS................................................................................................................. 137BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 143
  • 7. ÍNDICE DAS ILUSTRAÇÕESFigura 1 - Projeto Carteiro Amigo ............................................................................................... 13Figura 2 - Placar dos Hospitais Amigos da Criança ........................................................................ 16Figura 3 - Relação dos Hospitais Amigos da Criança ..................................................................... 30Figura 4 - Fisiologia do seio ......................................................................................................... 31Figura 5 - Reflexo da Prolactina ou reflexo da Produção ............................................................... 33Figura 6 - Características do Colostro - Fonte: OMS/CDR/93.6 ................................................. 36Figura 7 - Tabela com os Principais Componentes Imunológicos do Leite Materno ........................ 37Figura 8 - Tabela de Comparação do Leite Materno com Outros Leites - De: OMS/CDR/93.6 ...... 38Figura 9 - Reflexo da Ocitocina .................................................................................................... 39Figura 10 - Amamentando........................................................................................................... 50Figura 11 - Maneira de Amamentar ............................................................................................. 51Figura 12 – Posições diversas para amamentar ............................................................................ 53Figura 13 - Posições Especiais para Amamentar - Gêmeos ............................................................ 54Figura 14 - Outras Posições para Amamentar Gêmeos e bebês de idades diferentes ..................... 55Figura 15 - Mulheres da Fábrica ônix, retirando leite no intervalo ................................................ 68Figura 16 - Maneiras de colher leite do seio ................................................................................. 69Figura 17 - Como proceder na coleta de leite ............................................................................... 70Figura 18 - Maneira incorreta de colher leite ............................................................................... 70Figura 19 - Tempo de conservação .............................................................................................. 72Figura 20 - Diferença entre os leites: Materno, Animal e Artificial Fonte: OMS/CDR/93.6 ...... Erro! Indicador não definido.Figura 21 - Ilustração dos cursos do site aleitamento.com .......................................................... 115Figura 22 - coleta de leite/ano................................................................................................... 132Figura 23 - coleta leite/ano ....................................................................................................... 133Figura 24 - Gráfico Crescimento da coleta de leite externa ......................................................... 134
  • 8. 5INTRODUÇÃOA idéia de reunir informações sobre o Aleitamento Materno e Banco de LeiteHumano, surgiu após a conclusão do Curso Técnico em Nutrição e Dietética,efetuado na Escola Técnica Estadual Carlos de Campos, especificamente nocontato com a Disciplina de O.C.D. - Orientação e Controle de Diagnóstico, ondese pôde ter acesso ao assunto em questão e a posterior visita complementar aoBanco de Leite Humano do Hospital Regional Sul, na região de Santo Amaro,intermediando contato com sua idealizadora, Dra. Rosângela Gomes dos Santos,que generosamente forneceu informativos para consulta, despertando interesseem aprofundamentos futuros e conseqüente participação no III Encontro deAleitamento Materno da Região Sul do Município de São Paulo de 2007,contribuindo com maior assimilação do tema e de sua importância nas diversasáreas: Saúde, estudantil e comunidade em geral.O presente trabalho foi confeccionado através de documentos científicosdisponíveis no acervo bibliográfico físico e virtual de autoria de renomadosprofissionais, devidamente respeitados e capacitados em suas respectivas áreasde atuação, junto à órgãos competentes, sendo devidamente aqui, citados seuscréditos, procurando transcrever de forma fiel seus apontamentos.Após a familiarização com o assunto, conveniente também seria para oprofissional interessado em complementar essas informações buscaroportunidades de atuação prática por meio de estágio, voluntariado, curso ouatuação remunerada em ambiente real de Bancos de Leite Humano e Lactárioenriquecendo seu currículo profissional.Ressalta-se também, a necessidade de enfoque mais abrangente do tema nosCursos de Graduação e Técnicos inter-relacionados, visto este campo de atuaçãoser uma área em franco desenvolvimento, proporcionando uma atividademultidisciplinar entre as equipes envolvidas.Justamente pelo fato da crescente notoriedade que o assunto vem obtendo nomeio científico, as informações aqui apresentadas passam por avaliações,pesquisas e reciclagens constantes para sua melhor conceituação, informação emanutenção da saúde, sendo rapidamente aperfeiçoadas à cada momento.Portanto, deve-se utilizar este, como um prenúncio de muitas pesquisas queainda estarão por ser desenvolvidas.
  • 9. 61. HISTÓRICO DO ALEITAMENTO MATERNOO leite materno é o alimento adequado para as crianças nos primeiros meses devida, tanto do ponto de vista nutritivo e imunológico quanto no plano psicológico.Publicações européias do final do período medieval e início da era modernaexaltavam a importância do aleitamento materno para a infância. Do ano de 1500à 1700, as mulheres inglesas saudáveis não amamentavam seus filhos, embora oaleitamento materno fosse reconhecido como um regulador de nova gravidez.Essas mulheres preferiam ter de 12 à 20 bebês, do que amamentá-los, poisacreditavam que a amamentação era prejudicial esteticamente para seuorganismo. Com isso, o desmame era iniciado precocemente, sendo utilizados emsubstituição, cereais ou massas para suprir essa carência.Conforme normas médicas e religiosas a relação sexual durante o período deamamentação que era de 18 a 24 meses, foi proibida por entenderem que talprocedimento tornaria o leite humano mais fraco e com risco de envenenamentoem caso de nova gravidez, considerando-se também que, o colostro era vistocomo um leite ruim e não deveria ser oferecido à criança. A alimentação dascrianças era, portanto, à base de leite de animais e de um alimento chamado“panado”, feito à base de pão (farinha) e água.Àquela época, havia um dispositivo na Constituição Francesa que visava protegercrianças nascidas de famílias ditas indigentes, através da utilização de amas-de-leite, que não poderiam amamentar mais do que duas crianças, além da própria e,cada criança deveria ter um berço, a fim de não correr o risco de ser levada àcama pela mãe e morresse sufocada durante o sono.O Código de Hammurabi (cerca de 1800 a. C.) já continha regulamentações sobreamas-de-leite, significando amamentar criança de outra mulher, sempre na formade aluguel. Na Bíblia também é referida a prática das amas-de-leite e doaleitamento materno, sendo comparado à palavra de Deus entendida como o leitegenuíno.Nos tempos espartanos, a mulher, se esposa do rei, era obrigada a amamentar ofilho mais velho, plebéias amamentavam todas as crianças. Plutarco relata que osegundo filho do rei Themistes foi preterido por seu irmão mais velho, somenteporque ele não havia sido amamentado por sua mãe e sim por uma estranha.
  • 10. 7Ocorria da prática de utilização de amas-de-leite um aumento crescente demortes infantis, associadas às doenças adquiridas por estas. Suas enfermidadescontaminavam os bebês e muitas, com receio de que estivessem “repassandoafeto” à estes, passavam a oferecer o leite de vaca em pequenos chifres furados(precursores das mamadeiras) porque se acreditava “que sugando o leite,sugava-se também o caráter e as paixões de quem os amamentava”. Além disso,esse procedimento passou a acarretar importantes riscos à saúde das crianças,pois além da oferta em um recipiente não estéril, as mulheres desconheciam aquantidade exata de água que deveria ser misturada ao leite, sem considerar orisco de contaminação dessa água.No Brasil, existem relatos dos séculos XVI e XVII, imprecisos e contraditórios, aotratar dos antigos índios Tupinambás onde os filhos das indígenas eramamamentados durante um ano e meio e, neste período, eram transportados empedaços de panos, conhecidos por typoia ou typyia.Mesmo se as mulheres tivessem que trabalhar na roça, não largavam seus filhos:carregavam as crianças nas costas ou encaixavam-nas nos quadris. Do mesmomodo que os animais, as índias nutriam e defendiam seus filhos de todos osperigos. Se soubessem que o bebê tinha mamado em outra mulher, nãosossegavam enquanto a criança não colocasse para fora todo o leite estranho.No séc. XIX, com a implantação das faculdades e academias de medicina,surgiram vários projetos destinados a combater as altas taxas de mortalidade. Asmulheres que não podiam amamentar e que tinham recursos eram orientadas acontratar uma ama-de-leite em domicílio, fiscalizando todos os cuidadosproporcionados ao bebê. Ressaltavam que “essa conduta só deveria ser adotadaem casos desesperados e que a babá, uma segunda mãe, seria a personagemcentral da família burguesa, que logo adquiriu autoridade sobre a mãe ignorante.Pensava-se que o simples fato de contrariá-la, poderia azedar o leite e preferia-secalar a arriscar a saúde do bebê. As amas-de-leite, no entanto, “simulavam seremboas mães” e, visando a conservar sua remuneração, apropriavam-se dascrianças, estimulando-as a permanecer a maior parte do tempo com elas.O sistema de amas-de-leite prosperou até fins do século XIX. Depois disso, oaleitamento artificial, sob forma de mamadeira com leite de vaca, possibilitado
  • 11. 8pelo progresso de esterilização, viria a substituir a amamentação vista comomercenária.Na metade do século XIX, uma grande quantidade de pesquisas orientadas pormédicos, buscava um substituto para o leite materno a ser utilizado durante operíodo de desmame. São descritas na literatura diferentes opções: leite de vaca,adicionando-se açúcar e água; adição de creme e água; limonada para aumentaro pH do leite, neste último favorecendo uma melhor digestão do leite pelo tratointestinal; dentre outros recursos.Com essas e outras “descobertas” orientadas pelos interesses da indústria dealimentos, os profissionais de saúde consideravam estar proporcionando umamelhor nutrição para as crianças observando-se em conseqüência um recuo naprática do aleitamento materno.Os médicos passaram a aderir às novas alternativas, prescrevendo-as comobenéficas para a alimentação infantil. Essas práticas associavam-se a um fortemarketing que passou a desempenhar um papel decisivo como influenciador deum novo movimento na sociedade: a “cultura da mamadeira”.Neste mesmo período, a indústria de alimentos substitutivos do leite maternocombinou açúcar e trigo com leite de vaca sem recomendação suficiente sobre osproblemas possíveis. As propagandas descreviam os produtos como“cientificamente preparados”, entretanto as avaliações não comprovavam estaafirmação que passou a ser uma prática de alimentação “natural”.Ocorreu então supervalorização dos “substitutivos do leite materno, ressaltando-se a equivalência perfeita do produto e sua facilidade reforçada pelarecomendação de eminentes pediatras para a utilização de fórmulas infantis nadieta da criança. Decorrente deste proceder, a partir de 1922 cresce a veiculaçãode propagandas de leite em pó. Em 1933, na revista “A Cigarra”, notícias dafabricação no Brasil, dos leites em pó pela “Indústria Nacional de AlimentosInfantis” enfatizavam que a produção do leite no país proporcionaria um produtomais barato, substitutivo do leite materno com maior benefício caso ocorressesua falta, mensagem difundida ao longo de muitas décadas, citando algunsbenefícios práticos esquecendo-se novamente de esclarecer que, durante opreparo, poderia haver contaminação, expondo principalmente as crianças quetinham condições de vida precárias.
  • 12. 9Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, desaparece a publicidade deleites em pó importados e verifica-se que tanto a revista “A Cigarra” como “OCruzeiro” reduzem os anúncios relacionados com a alimentação infantil e, quandocitados, eram direcionados às crianças maiores. Observa-se o fato de que noJornal de Pediatria passa a veicular anúncio do leite em pó em contracapa,acrescentando-se: “diante do custo que essa veiculação envolve, chama-seatenção para a importância da contribuição da indústria de leite em pó nasustentação econômica de revistas especializadas”.No final dos anos 40, início dos anos 50, os produtos são apresentados comouma opção para facilitar a tarefa de alguns médicos que passam a prescrevê-losindiscriminadamente às mães, como a forma mais prática e viável para seusfilhos, pois asseguravam ser um “produto confiável”. Nos anos subseqüentes,emerge a utilização de leites em pó, desde o momento da secção do cordãoumbilical, exaltando-se a composição do produto que teria toda a segurança nasubstituição do leite materno.Outros produtos complementares ao leite em pó surgem como auxiliares nopreparo da mamadeira “traduzindo um deslocamento flagrante do eixo dapropaganda de alimentos infantis, originalmente centrado no aleitamento natural”.Durante anos, foi utilizada a prática de fornecimento de produtos lácteos aosprofissionais de saúde (Médicos e Nutricionistas, em especial), estratégicos parao fornecimento de mensagens dirigidas às mães. Outros veículos dedisseminação eram utilizados, tais como: “serviços assistenciais dos hospitais-escola; reuniões científicas; cursos de atualização e congressos, com o patrocínioe divulgação dessas indústrias; manutenção de um serviço próprio de divulgaçãocientífica, além da contribuição para o sustento de revistas científicas com apublicação sistemática desses anúncios”.Diante do desconhecimento a respeito da lactação e da importância do controlemédico da alimentação infantil, configura-se um momento propício à propagaçãode idéias distorcidas, impedindo inclusive, a percepção por parte dos profissionaisdo seu envolvimento frente à disseminação do leite artificial.A partir da disponibilidade do leite em pó no mercado, as mães passam a ter queoptar entre amamentar seus filhos no seio ou oferecer o leite na mamadeira.Conseqüentemente, houve uma mudança do comportamento dessas mulheres,
  • 13. 10fato evidenciado pela perda da autoconfiança, pois anteriormente, todas asmulheres seguiam a tradição de suas avós e de suas mães, amamentando seusfilhos no seio verificando-se uma diminuição deste tipo de aleitamento. Emcontrapartida, surgem respostas contra-hegemônicas que promovem alteraçõessignificativas e ante ao debate e as estratégias voltadas ao incentivo àamamentação, as indústrias abandonaram, especialmente nas grandes cidades,a prática de entrega de latas de leite em pó para as mulheres que deixavam asmaternidades, tal como faziam anteriormente. Suspenderam-se, também, ascampanhas publicitárias de massa para divulgar o produto. No entanto,continuaram com a estratégia de divulgação, ainda que de forma mais moderada,prioritariamente aos Médicos Pediatras, profissionais intermediários na difusão desua ideologia e de seus produtos.Com a regulamentação do Código de Substitutos do leite humano na AssembléiaMundial de Saúde, em maio de 1981, a implantação e implementação de diversosprogramas e estratégias de promoção ao aleitamento materno, coordenados peloPrograma Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde do Brasil,muitas normas foram disseminadas e passou-se a refletir mais sobre o resgate doaleitamento materno exclusivo.Diversas estratégias foram adotadas, dentre elas:  a iniciativa do “Hospital Amigo da Criança” em 1992;  a criação de Bancos de Leite Humano em diversas cidades brasileiras;  a realização de cursos de aconselhamento em amamentação;  o projeto “Carteiro Amigo”, etc.No início observou-se resistência na implantação dessas estratégias, decorrentesdas mudanças de rotinas que os serviços necessitaram realizar.A aprovação da NBCAL, Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos paraLactentes, Resolução 31 de 12 de outubro de 1992, do Conselho Nacional deSaúde representou um marco importante para a história do aleitamento maternono Brasil, pois se constituiu um instrumento legal para regular a promoçãocomercial e o uso apropriado dos alimentos à venda como substitutos oucomplementos do leite materno, bem como de bicos, chupetas e mamadeiras.Passo importante na contribuição para a adequada nutrição dos lactentes, ao
  • 14. 11mesmo tempo em que os defende dos riscos associados à não amamentação oudesmame precoce, além do papel essencial de incentivar o aleitamento materno.Nos anos de 1998 e 1999, o Ministério da Saúde passou a receber um númerocrescente de denúncias de violação à Resolução 31/92. A entrada no mercado denovas fórmulas infantis para lactentes, alimentos complementares, mamadeiras,bicos e chupetas foram apontadas como as principais causas, visto que aabertura do mercado brasileiro propiciou a entrada de produtos estrangeiros quenão dispunham, em seus países de origem, de legislação semelhante à NBCAL.Além disso, a Internet também surgiu como meio usado pelas indústrias, emespecial de chupetas e mamadeiras, para promover e vender seus produtos,infringindo, também, a norma em vigor.Nos anos de 1999 e 2000, a Área Técnica de Saúde da Criança e AleitamentoMaterno, do Ministério da Saúde, atendendo às recomendações do art. 11,inciso 2, do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do LeiteMaterno, e visando atingir a meta estabelecida na Reunião Mundial de Cúpula emFavor da Infância, de terminar com a distribuição gratuita de sucedâneos do leitematerno nos serviços de saúde, realizou em parceria com a Rede IBFAN - RedeInternacional em Defesa do Direito de Amamentar, o Ministério Público, oPROCON, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, a SociedadeBrasileira de Pediatria e as Vigilâncias Sanitárias Estaduais, cursos da NBCAL emdiversos Estados brasileiros, acompanhados de um trabalho de monitoramento,sobre o cumprimento da norma pelas indústrias, profissionais e serviços desaúde.A Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, no ano 2000,constituiu um grupo de trabalho, para elaboração de revisão da NBCAL, com aparticipação de Técnicos dos Ministérios da Saúde, da Agricultura e Público,Assessoria Parlamentar do Senado Federal, Rede IBFAN, UNICEF, OPAS,Sociedade Brasileira de Pediatria, CONAR, INMETRO, representantes deindústrias de alimentos infantis, de chupetas e mamadeiras e alguns consultoresdo programa de aleitamento materno.O texto elaborado por esse Grupo de Trabalho, após avaliação da Área Técnicade Saúde da Criança, foi publicado, parte como Portaria Ministerial 2.051, em2001 e parte como Resoluções da Diretoria Colegiada da ANVISA, após consulta
  • 15. 12pública (RDC 221 e 222/2002). Em 2003, foram feitos treinamentos sobre aNBCAL para profissionais das Vigilâncias Sanitárias e das Secretarias de Saúdeem 24 Estados brasileiros, em parceria com a ANVISA e IBFAN.Na Semana Mundial de Aleitamento de 2005, foi publicada a Portaria GM 1449,que institui o Grupo de Trabalho com objetivo de estabelecer critérios para oPrimeiro Monitoramento Oficial da Norma Brasileira de Comercialização deAlimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas eMamadeiras. Além disso, foi publicada no dia 04 de janeiro de 2006, a Lei 11265que regulamenta a comercialização de alimentos para lactentes e crianças deprimeira infância e também de produtos de puericultura correlatos. Às empresasde alimentos foram dados 12 meses para adequação e àquelas de bicos,chupetas e mamadeiras, 18 meses.1.1. Projeto Carteiro AmigoNo ano de 2002, cerca de 16.000 Carteiros, devidamente treinados porprofissionais das diversas Secretarias de Saúde dos Estados, repassaraminformações básicas e distribuíram panfletos instrutivos sobre a importância doaleitamento materno beneficiando diretamente mais de 3.200.000 pessoas, em856 municípios nas diversas Unidades da Federação, utilizando-se de suapenetração e confiabilidade adquiridas junto às comunidades em que atuam.O Projeto, objeto de Protocolo de atuação, nasceu em 1996 quando a Secretariade Saúde do Estado do Ceará e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos,preocupados com o quadro de desnutrição e morbi-mortalidade infantil, adotaramcomo estratégia, em conjunto com o UNICEF, o reforço à qualidade dainformação à comunidade.Os resultados posteriormente levantados demonstraram aumento da prática daamamentação, diminuição da desnutrição e dos índices de morbi-mortalidadeinfantil, principalmente, por problemas pulmonares e intestinais, razão pela qual oprojeto foi estendido à todas as regiões do Brasil, com a seguinte abrangência:
  • 16. 13 Nº DE FOLDERS PÚBLICO REGIÕESANO CARTEIROS DISTRIBUÍDOS BENEFICIADO(Quantitativo) ABRANGIDAS1999 3.264 362.000 650.000 Nordeste Norte, Nordeste e2000 6.080 500.000 1.000.000 Centro-Oeste2001 15.969 1.300.000 2.000.000 Todas as regiões2002 16.033 1.632.899 3.200.000 Todas as regiõesFigura 1 - Projeto Carteiro AmigoEsta ação conjunta do Ministério da Saúde com o Ministério das Comunicações,por meio dos Correios, constituiu exemplo de ação compartilhada em benefício dasaúde infantil, demonstrando preocupação social e servindo de incentivo para oêxito das políticas de saúde, empreendidas pelo Governo em conjunto com a áreaEmpresarial, em sintonia com as orientações da Organização Mundial da Saúde edo respectivo Ministério.O Projeto "Carteiro Amigo" - Incentivo ao Aleitamento Materno teve sua relevânciareconhecida pela sociedade por meio da concessão dos seguintes prêmios: Prêmio TOP SOCIAL/2000, promovido pela Associação Brasileira dos Dirigentes de Vendas e Marketing, com o objetivo de distinguir as organizações que desenvolvem ações sociais com critério e responsabilidade; Diploma Empresa Amiga da Amamentação, concedido pelo Ministério da Saúde; Prêmio Helio Beltrão/2001, referente ao Concurso de Inovação na Gestão concedido pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, pela Escola de Administração Pública e Instituto Helio Beltrão.1.2. Iniciativa Hospital Amigo da Criança - IAHCAo assinar a “Declaração de Innocenti”, em encontro realizado em Spedale degliInnocenti, na Itália, o Brasil, um dos 12 países escolhidos para dar partida àiniciativa, formalizou o compromisso de fazer dos “Dez Passos” uma realidadenos hospitais do País.
  • 17. 14A Declaração foi produzida e adotada por representantes de organizações nãogovernamentais, ONGs, defensores da amamentação de países de todo omundo, no encontro "Breastfeeding in the 1990s: A Global Initiative" organizadopela OMS/UNICEF com apoio da A.I.D United States Agency for InternationalDevelopment e da SIDA - Swedish International Development Authority, em,Florença, na Itália, entre os dias 30 de Julho e 1º de Agosto de 1990. Ela reflete oconteúdo dos documentos produzidos para o encontro e pontos de vistaapresentados nos grupos e sessões de plenária.O Ministério da Saúde e o Grupo de Defesa da Saúde da Criança, com o apoio doUNICEF e da OPAS, Organização Pan-Americana de Saúde, em março de 1992,deram os primeiros passos sobre a proteção, a promoção e apoio ao AleitamentoMaterno reconhecendo que é um processo único e uma atividade que, mesmotomada isoladamente, é capaz de reduzir a morbi-mortalidade infantil ao:  diminuir a incidência de doenças infecciosas;  proporcionar nutrição de alta qualidade para a criança, favorecendo seu crescimento e desenvolvimento;  contribuir para a saúde da mulher, reduzindo riscos de certos tipos de câncer, de anemia e ampliando o espaçamento entre partos;  proporcionar benefícios econômicos para a família e à nação;  quando bem adotado, proporcionar satisfação à maioria das mulheres.Pesquisas recentes demonstram que estes benefícios aumentam com aexclusividade do aleitamento materno e sua manutenção na infância.Ficou definido na Declaração que esta alimentação ideal deve ser alcançada pormeio da criação de um processo de conscientização e apoio para que as mãespossam alimentar suas crianças dessa maneira. Medidas devem ser tomadaspara assegurar que a mulher esteja devidamente alimentada para elevar seupróprio nível de saúde e o de sua família. Além disso, deve ser garantido que amulher tenha acesso às informações e serviços sobre planejamento familiar,permitindo-lhe praticar o aleitamento materno.Atingir este objetivo exige de muitos países reforços na cultura do aleitamentomaterno, defendendo vigorosamente esta prática contra as incursões da culturada mamadeira. Requer compromissos e campanhas de mobilização social,
  • 18. 15utilizando o prestígio e a autoridade de líderes reconhecidos da sociedade emtodos os setores.Esforços devem ser desenvolvidos para aumentar a confiança da mulher na suahabilidade de amamentar, que envolvam a remoção de constrangimentos einfluências que manipulam sua percepção e seu comportamento, e criar umaabrangente estratégia de comunicação dirigida a todos os setores da sociedadeque envolva todos os meios de comunicação.Estabeleceu-se na época que todos os países, até o ano de 1995, deveriam: nomear uma autoridade competente como coordenador nacional de aleitamento materno e estabelecer um comitê nacional composto por membros do Governo e de organizações não-governamentais; assegurar que as maternidades colocassem em prática todos os "Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno"; implementar totalmente o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno e as subseqüentes resoluções da Assembléia da Organização Mundial da Saúde; elaborar uma legislação criativa de proteção ao direito ao aleitamento da mulher trabalhadora e estabelecer meios para sua implementação.1.2.1. Passos para um Hospital conquistar o direito de ser parceiro “Amigo da Criança”  Auto-avaliação das práticas adotadas em relação ao aleitamento materno, estabelecendo como roteiro o questionário fornecido pelo Ministério da Saúde, que deve ser preenchido pela direção ou chefias do serviço do hospital e ser enviado ao Programa de Saúde da Criança com cópias para as Secretarias de Saúde dos Estados;  Equipe treinada pelo Programa de Saúde da Criança deve realizar pré- avaliação no estabelecimento e entregar o Certificado de Compromisso. Neste documento, o hospital é orientado a solucionar as dificuldades existentes na adoção dos “Dez Passos” e estabelecer o prazo para cumprir esta meta;  Solucionadas as dificuldades, o hospital deve solicitar ao Programa de Saúde da Criança a visita de uma equipe para a avaliação global;
  • 19. 16  Se for indicado ao credenciamento, o hospital receberá, em solenidade oficial, uma placa que o identificará como Amigo da Criança.Após esta indicação pelo Ministério da Saúde, fica instituído os Dez Passos parao Aleitamento Materno que são:1) Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, a qual deve ser rotineiramente transmitida à equipe de serviço;2) Treinar a equipe, capacitando-a para implementar esta norma;3) Informar todas as gestantes atendidas sobre as vantagens e o manejo da amamentação;4) Ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto;5) Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos;6) Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que tenha indicação clínica;7) Praticar o alojamento conjunto: permitir que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia;8) Encorajar a amamentação sob livre demanda;9) Não dar bicos artificiais ou chupetas à crianças amamentadas;10) Encorajar o estabelecimento de grupos de apoio à amamentação, para aonde as mães devem ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar.Figura 2 - Placar dos Hospitais Amigos da Criança
  • 20. 17  Placar dos Hospitais Amigos da CriançaAcre – 1Alagoas - 7Amapá - 1Amazonas - 5Bahia - 8Ceará - 37Distrito Federal - 11Espírito Santo - 4Goiás - 22Maranhão - 23Mato Grosso do Sul - 4Minas Gerais - 18Pará - 10Paraná - 19Paraíba - 21Pernambuco - 11Piauí - 12Rio de Janeiro - 15Rio Grande do Norte - 32Rio Grande do Sul - 16Santa Catarina - 19São Paulo - 35Sergipe - 2Tocantins - 4Total - 337Hospitais Amigos daCriança por região- Norte - 21- Nordeste - 153- Centro-Oeste - 37- Sudeste - 72- Sul - 54
  • 21. 18 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeInstituto Materno Infantil de Pernambuco – Recife, PE 1992Hospital Guilherme Álvaro – Santos, SP 15/6/93Maternidade Escola Assis Chateaubriand – Fortaleza, CE 8/9/93Hospital Regional de Taguatinga – Taguatinga, DF 26/11/93Hospital Clériston Andrade – Feira de Santana, BA 15/12/93Maternidade Escola Januário Cicco – Natal, RN 13/4/94Hospital de Clínicas Dr. Paulo Sacramento Ltda. – HPS – Jundiaí, SP 12/5/94Maternidade Darcy Vargas – Joinville, SC 21/6/94Maternidade D. Catarina Kuss – Mafra, SC 17/5/94Hospital Geral César Cals – Fortaleza, CE 21/6/94Hospital e Maternidade São Pio X – Ceres, GO 29/9/94Hospital e Maternidade São José Pinto do Carmo – Baturité, CE 23/11/94Hospital e Maternidade Alexander Fleming – Rio de Janeiro, RJ 12/1/95Hospital e Maternidade N.Sra. das Graças – Cascavel, CE 29/12/94Hospital de Maternidade São Vicente de Paulo – Barbalha, CE 10/4/95Irmandade Sta. Casa de Misericórdia de Porto Alegre – Porto Alegre, RS 27/3/95Maternidade Maria do Amparo – São Luís, MA 2/5/95Hospital Manoel Novaes – Santa Casa de Misericórdia – Itabuna, BA 16/5/95Hospital Regional Leônidas Melo – Barras, PI 12/7/95Hospital Sofia Feldman – Belo Horizonte, MG 20/7/95Hospital Inácia P. dos Santos/Hospital da Mulher – Feira de Santana, BA 22/8/95Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância de Acari / Hospital e 1/9/95Maternidade de Acari – Acari, RNHospital José Pedro Bezerra /Hospital Santa Catarina – Natal, RN 4/9/95Hospital Regional Dom Malan – Petrolina, PE 15/9/95Hospital Regional de Sobradinho – Sobradinho, DF 15/9/95Hospital de Clínicas do Paraná – Curitiba, PR 10/11/95Hospital Santa Luísa de Marilac – Aracati, CE 23/11/95Maternidade Frei Damião – João Pessoa, PB 4/12/95
  • 22. 19 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeSociedade Beneficente N.Sra. do Bom Conselho – Arapiraca, AL 18/12/95Centro Integrado de Saúde Amaury Medeiros – CISAM – Recife, PE 15/12/95Unidade Mista de Saúde Dr. Antonio Pedreira de Albuquerque Martins – Teresina, 18/12/95PIUnidade de Saúde de Touros – FNS – Touros, RN 18/12/95Santa Casa de Misericórdia São Miguel dos Campos – São Miguel dos Campos, 18/12/95ALHospital Evangélico de Londrina – Londrina, PR 18/12/95Hospital N.Sra. das Graças – Curitiba, PR 10/12/95Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró – 19/12/95Maternidade Almeida Castro – Mossoró, RNHospital Agamenon Magalhães – Recife, PE 15/12/95ABEMP–Associação Beneficente Médica de Pajuçara – Maracanaú, CE 4/1/96Hospital Dr. Henderson Josino Bandeira de Moura – Patú, RN 4/3/96Unidade Mista de Saúde de Caicó – Caicó, RN 4/3/96Unidade Mista Roque Silva Mota – Tejuçuoca, CE 13/3/96Centro Hospitalar de Mossoró –Casa de Saúde e Maternidade Santa. Luzia – 9/4/96Mossoró, RNMaternidade Carmela Dutra – Florianópolis, SC 16/4/96Hospital Duarte Filho – Mossoró, RN 9/4/96Real Sociedade Portuguesa de Santa Maria – Arapiraca, AL 4/7/96Maternidade Dr. Adalberto Pereira da Silva – Anápolis, GO 5/7/96Hospital Sta. Rita e Maternidade Sta. Olímpia – Palmeira dos Índios, AL 4/7/96Instituto de Saúde Elpídeo de Almeida – ISEA – Campina Grande, PB 9/7/96Maternidade Hildete Falcão Batista – Aracaju, SE 12/7/96Beneficência Camiliana – Hospital São José – Balsas, MA 16/7/96Hospital Maternidade Jesus, Maria, José – Quixadá, CE 30/7/96Maternidade Santa Mônica – Lago da Pedra, MA 5/8/96Unidade de Saúde Wall Ferraz – Teresina, PI 12/8/96Fundação Hospitalar Dr. Carlindo Dantas – Hospital Seridó – Caicó, RN 10/9/96
  • 23. 20 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeHospital Universitário Ana Bezerra – Santa Cruz, RN 10/9/96Hospital Maternidade Dr. Sadi Mendes – Parnamirim, RN 10/9/96Hospital e Maternidade Santa Maria – Araripina, PE 20/9/96Hospital Regional da Ceilândia – Ceilândia, DF 29/9/96Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos – Lages, SC 2/10/96Hospital Materno Infantil de Brasília – Brasília, DF 8/10/96Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto – Ouro Preto, MG 25/10/96Hospital Policlínica de Juazeiro Ltda. – Juazeiro do Norte, CE 31/10/96Unidade Mista de Saúde São Francisco – Itapagé, CE 13/11/96Maternidade Climério de Oliveira – Salvador, BA 13/11/96Hospital Pd João Maria – Maternidade Anaíla Regina – Currais Novos, RN 13/11/96Hospital e Maternidade Santa Terezinha – Massaranduba, PB 2/12/96Hospital Regional de Planaltina – Planaltina, DF 6/12/96Hospital Geral de Camaçari – Camaçari, BA 9/12/96Unidade Mista Elpídeo Cavalcante de Albuquerque – Fleixeiras, AL 9/12/96Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho – Macaíba, RN 10/12/96Hospital e Maternidade Santo Antonio – Barbalha, CE 10/12/96Hospital e Maternidade São Lucas – Juazeiro do Norte, CE 10/12/96Hospital e Maternidade Sagrada Família – Santarém, PA 20/12/96Hospital Regional de Caraúbas – Caraúbas, RN 6/1/97Maternidade São José – Itabaiana, SE 4/4/97CLIPSI – Clínica ,Pronto-Socorro Infantil e Hospital Geral de Campina Grande – 14/4/97Campina Grande, PBHospital e Maternidade Municipal "Dr. Silvério Fontes – Santos, SP 18/4/97Hospital Local Dr. José de Brito Magalhães – Piracuruca, PI 4/5/97Hospital e Maternidade Maria Júlia Maranhão – Araruna, PB 23/5/97Sociedade Beneficente São Francisco de Assis de Tupã – Tupã, SP 26/8/97Maternidade Dona Evangelina Rosa – Teresina, PI 29/7/97
  • 24. 21 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeMaternidade Cândida Vargas – João Pessoa, PB 13/10/97Maternidade Dr. Peregrino Filho – Patos, PB 3/11/97Hospital Materno Infantil Sinhá Castelo – Caxias, MA 10/11/97Hospital Universitário da UFSC – Florianópolis, SC 18/11/97Hospital de Clínicas de Porto Alegre – Porto Alegre, RS 11/12/97Hospital e Maternidade Paulo Sarasate – Redenção, CE 15/12/97Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância de Catolé do Rocha – Catolé 31/12/97do Rocha, PBHospital Regional do Gama – Gama, DF 13/2/98Hospital Regional de Brazlândia – Brazlândia, DF 13/3/98Maternidade Leila Diniz – Rio de Janeiro, RJ 23/3/98Hospital Aroldo Tourinho – Montes Claros, MG 17/4/98Beneficência Camiliana – Formosa, GO 21/5/98Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará – Belém, PA 15/6/98Fundação Assistencial da Paraíba – FAP – Campina Grande, PB 27/7/98Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Anápolis – Anápolis, GO 9/9/98Hospital Barão de Lucena – Recife, PE 16/9/98Hospital e Maternidade Prof. Waldemar de Alcântara – Itapiuna, CE 6/10/98Hospital Maternidade Venâncio Raimundo de Sousa – Horizonte, CE 20/10/98Hospital de Guarnição de João Pessoa – João Pessoa, PB 22/10/98Centro Médico Comunitário Bairro Novo – Curitiba, PR 26/10/98Hospital Regional Jesus Nazareno – Caruaru, PE 13/11/98Consórcio Regional de Saúde do Hospital Lenoir Ferreira – Chapecó, SC 16/11/98Maternidade Pública Municipal de Betim – Betim, MG 19/11/98Hospital Maternidade Praça XV – Rio de Janeiro, RJ 25/11/98Hospital Evangélico de Curitiba – Curitiba, PR 1/12/98Clínica e Maternidade Nossa Senhora do Rosário Ltda – Curitiba, PR 3/12/98Grupo Hospitalar Conceição – Hospital Fêmina S/A – Porto Alegre, RS 4/12/98
  • 25. 22 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeHospital Universitário do Maranhão / Fundação Josué Montello – São Luís, MA 6/1/99Maternidade Marly Sarney – São Luís, MA 6/1/99Hospital Municipal de Itapira – Itapira, SP 14/1/99Hospital Universitário de Brasília – HUB – Brasília, DF 10/3/99Sociedade Beneficente São Camilo – Hospital São Francisco de Assis – Grajaú, 10/3/99MAMaternidade Odete Valadares – Belo Horizonte, MG 3/5/99Hospital Municipal de Paracatu – Paracatu, MG 5/5/99Maternidade Nossa Senhora de Lourdes – Goiânia, GO 6/5/99Hospital Universitário Pedro Ernesto – Rio de Janeiro, RJ 6/5/99Sociedade Assistencial de Beberibe / Hospital. Monsenhor Dourado – Beberibe, 28/5/99CECasa de Saúde e Maternidade Senhora da Luz – Guarabira, PB 18/6/99Associação Monlevade de Serviços Sociais Hospital Margarida – João Monlevade, 13/7/99MGMaternidade Dona Íris – Goiânia, GO 20/7/99Instituto Hospitalar General Edson Ramalho – João Pessoa, PB 23/7/99Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz – Rio de Janeiro, RJ 28/7/99U.I.S. Dr. Luiz M. de Área Leão/Hospital e Maternidade do Satélite - Teresina, PI 3/8/99Hospital Regional de Tamboril – Tamboril, CE 11/8/99Santa Casa de Misericórdia de Cururupu – Cururupu, MA 30/8/99Hospital Regional Adélia Matos Fonseca – Itapecuru-Mirim, MA 6/10/99Hospital Materno Infantil – Goiânia, GO 28/10/99Prefeitura Municipal B. Corda / Hospital Materno Infantil – Barra do Corda, MA 11/11/99Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Sobral – Sobral, CE 1/12/99Hospital das Forças Armadas – HFA – Brasília, DF 9/12/99Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros – São Paulo, SP 31/12/99Hospital Escola Materno Infantil Presidente Vargas – Porto Alegre, RS 31/12/99Unidade Integrada de Saúde Herculano Pinheiro – Rio de Janeiro, RJ 31/12/99Fundação Hospitalar Rio Negrinho – Rio Negrinho, SC 4/1/00
  • 26. 23 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeHospital do Trabalhador/Funpar/Fund. UFPR/Ciência/Tecn. e Cultura Curitiba, PR 20/1/00Hospital e Maternidade Don Luis I – Belém, PA 10/2/00Hospital de Caridade São Pedro D Alcântara – Cidade de Goiás, GO 28/2/00Hospital Universitário Clemente Faria – Unimontes – Montes Claros, MG 13/3/00Hospital Santa Terezinha – Erechim, RS 12/4/00Hospital Maternidade Luiz Argôllo – Santa Casa de Misericórdia de Santo Antonio 12/4/00de Jesus – Antonio de Jesus, BAHospital das Clínicas UFPE – Recife, PE 12/4/00Hospital Dr. Dório Silva – Serra, ES 12/4/00Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná – Londrina, PR 26/4/00Hospital Municipal Lucilla Ballalai – Londrina, PR 26/4/00Hospital Regional da Asa Norte – HRAN – Brasília, DF 10/5/00Hospital Materno Infantil Santa Rita de Cássia – Planaltina, GO 1/6/00Hospital Nossa Senhora da Conceição – Porto Alegre, RS 13/6/00Hospital Geral de Fortaleza – Fortaleza, CE 27/6/00Fundação Hospitalar de Blumenau - Hospital Santo Antônio – Blumenau, SC 18/7/00Hospital Vila Rica Ltda – Vila Rica, MT 15/8/00Hospital Municipal e Maternidade Amador Aguiar – Osasco, SP 25/8/00Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância – Parnaíba, PI 31/8/00Santa Casa de Misericórdia de Tupã – Tupã, SP 6/9/00Maternidade Senhora Juvenal de Carvalho – Fortaleza, CE 19/9/00Hospital Regional Antônio Paulino Filho – Guarabira, PB 28/9/00Hospital Maternidade Gov. Flávio Ribeiro Coutinho – Santa Rita, PB 28/9/00Hospital Centenário de Pau dos Ferros – Pau dos Ferros, RN 23/10/00Hospital Santa Neusa – Grajaú, MA 9/11/00Hospital Municipal Benito Mussoline de Sousa – Vargem Grande, MA 16/11/00Hospital Municipal de Campos Belos – Campos Belos, GO 13/12/00Complexo Hospitalar Professor Humberto Nóbrega – Maternidade Santa Maria – 14/12/00João Pessoa, PB
  • 27. 24 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeHospital e Maternidade Municipal de Peruíbe – Dr. Dalmar Americano da Costa – 18/12/00Peruíbe, SPHospital Central Coronel Pedro Germano – Natal, RN 19/12/00Hospital Regional Alarico Nunes Pacheco – Timon, MA 22/12/00Hospital São Francisco de Canindé – Canindé, CE 27/12/00Hospital Geral de Itapecerica da Serra – Seconci, SP 18/1/01Santa Casa de Misericórdia de Ubatuba – Ubatuba, SP 23/1/01Hospital Nossa Senhora da Conceição – Tubarão, SC 2/2/01Hospital Bom Jesus – Ituporanga, SC 5/2/01Hospital de Caridade São Vicente de Paulo – Jundiaí, SP 1/3/01Hospital Maternidade Interlagos – São Paulo, SP 2/4/01Unidade Mista de Felipe Camarão – Natal, RN 3/4/01Irmandade Nossa Senhora das Mercês – Montes Claros, MG 3/4/01Maternidade e Clínica de Mulheres Bárbara Heliodora – Rio Branco, AC 2/5/01Hospital São Lucas – Curitiba, PR 2/5/01Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa – Ponta Grossa, PR 2/5/01Fundação Hospitalar de Curitibanos – Hospital Hélio Anjos Ortiz, SC 18/6/01Hospital Central do Exército – Rio de Janeiro, RJ 26/6/01Maternidade Nascer Cidadão – Goiânia, GO 2/8/01Hospital Municipal "Dr. José de Carvalho Florence" – São José dos Campos, SP 6/9/01Hospital Santo Antonio Maria Zaccaria – Bragança, PA 6/9/01Hospital e Maternidade Jaraguá – Jaraguá do Sul, SC 12/9/01Fundação Universitária de Cardiologia/Hospital Pd. Jeremias – Cachoeirinha, RS 17/9/01Casa de Saúde e Maternidade de Coelho Neto, MA 17/10/01Hospital Regional Materno Infantil – Imperatriz, MA 22/10/01Hospital Maternidade Nova Friburgo, RJ 22/10/01Hospital Regional Dep. Manoel Gonçalves de Abrantes - Sousa, PB 26/10/01Unidade Mista Hospitalar de Solânea - Solânea, PB 26/10/01
  • 28. 25 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeUnidade Mista de São José Ribamar - São Luís, MA 16/11/01Maternidade Nazira Assub - São Luís, MA 16/11/01Hospital Municipal Modesto de Carvalho - Itumbiara, GO 5/12/01Hospital Municipal de Maracanú, CE 18/12/01Venerável Ordem Terceira de São Francisco - Belém, PA 21/12/01Hospital São João Batista - Volta Redonda, RJ 21/12/01Hospital Evangélico Dr. E Sra. Goldsby King/Hospital da Mulher - Dourados, MS 22/1/02Maternidade Maria das Neves - Brejinho, RN 22/1/02Hospital de Caridade São Braz - Porto União, SC 28/1/02Fundação Hospitalar de Três Barras, SC 29/1/02Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Correa Junior - Rio Grande, RS 8/3/02Santa Casa de Misericórdia de Catalão, GO 18/3/02Hospital Carmela Dutra - Rio de Janeiro, RJ 11/4/02Hospital Municipal Santa Madadena - São João DAliança, GO 16/4/02Hospital Dona Regina - Palmas, TO 29/4/02Hospital de Caridade e Beneficência - Cachoeira do Sul, RS 27/5/02Hospital Padre Luso - Palmas, TO 18/6/02Hospital Geral de Bragança, PA 25/6/02Fundação Universitária de Cardiologia - Hospital de Alvorada, RS 24/7/02Sociedade Educação e Caridade Hospital D. João Becker - Gravataí, RS 24/7/02Santa Casa de Misercórdia de Limeira, SP 29/7/02Hospital Dr. Estevam Ponte - Sobral, CE 26/8/02Hospital Regional São Paulo - Assec - Xanxerê, SC 9/9/02Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen - Itajaí, SC 12/9/02Hospital Veloso Costa - Bacabal, MA 12/9/02Mater-Maternidade do Complexo Aeroporto - Ribeirão Preto, SP 20/9/02Hospital São Francisco de Assis - Jacareí, SP 30/9/02Hospital Ana Isabel de Carvalho - Jataí, GO 3/10/02
  • 29. 26 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeCasa de Saúde Nossa Senhora da Conceição - Campos Belos, GO 28/10/02Associação Aquidauanense de Assistência Hospitalar - Aquidauana, MS 29/10/02Hospital Divina Providência - Marituba, PA 29/10/02Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna - Belém, PA 29/10/02Hospital Geral do Promorar - Maternidade Olavo Mendes de Carvalho - Teresina, 29/10/02PISão Raimundo Maternidade Municipal - Piracuruca, PI 29/10/02Centro Municipal de Saúde Serafim de Carvalho - Jataí, GO 29/10/02Hospital Municipal de Morrinhos, GO 30/10/02Associação Pro Matre Rio de Janeiro, RJ 30/10/02Hospital Municipal Maternidade - Escola de Vila Nova Cachoeirinha “Dr. Mário de 31/10/02Moraes Altenfelder Silva” - São Paulo, SPUnidade Mista de Saúde João Moisés Sousa - Nova Olinda, PB 18/11/02Maternidade Alvorada - Manaus, AM 18/11/02Unidade Mista Dr. Ricardo Simione - São Miguel do Gostoso, RN 18/11/02Hospital Municipal de Itanhaém, SP 9/12/02Associação de Proteção à Maternidade e à Infância - União da Vitória, PR 18/12/02Hospital Municipal Dr. Manuelito - Paranaiguara, GO 18/12/02Santa Casa de Misericórdia de Barbacena, MG 18/12/02Hospital e Maternidade de Ribeirão do Pinhal, PR 18/12/02Unidade Mista Professor Bandeira Filho - Recife, PE 18/12/02Associação Beneficente às Famílias Carentes de Pacajus - Hospital Dr. Paulo 24/12/02Afonso - Pacajus, CESociedade Beneficente São Camilo - Hospital Cura Dars - Fortaleza, CE 24/12/02Hospital Municipal de Estreito, MA 24/12/02Hospital das Clínicas de Chapadinha, MA 24/12/02Casa da Saúde Adília Maria - Boa Viagem, CE 26/12/02Hospital Regional Rosa Pedrossian - Campo Grande, MS 26/12/02Sociedade Beneficente Nossa Senhora Auxiliadora - Três Lagoas, MS 26/12/02Hospital Geral de Caxias do Sul, RS 26/12/02
  • 30. 27 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeHospital Regional Deputado Affonso Ghizzo - Araranguá, SC 26/12/02Hospital Beatriz Ramos Indaial, SC 26/12/02Hospital Universitário de Grajaú, SP 26/12/02Hospital Universitário de São Bernardo do Campo, SP 26/12/02Hospital Maternidade Santa Luzia - Carnaubais, RN 27/12/02Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, SP 27/12/02Hospital das Clínicas de Marília - Unidade Materno Infantil - Marília, SP 27/12/02Hospital Municipal Esaú Matos - Vitória da Conquista, BA 7/1/03Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa, PB 14/1/03Fundução Hospitalar e de Assistência Social - Domingos Martins, ES 28/2/03Hospital Maternidade Santa Helena - Itapemirim, ES 28/2/03Hospital e Maternidade Santa Inês - Camboriú, SC 11/3/03Fundação S.O.S. Vida - Hospital de Bragança - Bragança, PA 2/4/03Hospital São Lucas - Pato Branco, PR 3/4/03Hospital e Maternidade Dom Orione - Araguaína, TO 5/5/03Maternidade Municipal Humberto Carrano - Lapa, PR 19/5/03Hospital da Mulher Mãe Luzia - Macapá, AP 20/5/03Santa Casa de Misericórdia - Passos, MG 22/5/03Hospital Municipal e Maternidade Profº Mário Degni - Vila Antônio - São Paulo, SP 27/5/03Hospital Público Regional Prefeito Osvaldo R. Franco - Betim, MG 2/6/03Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço - São Lourenço do Sul, RS 3/6/03Sociedade Beneficente Hospital Santa Casa de Misericórdia de Ribeirão Preto, SP 23/6/03Hospital Municipal de Crixás, GO 17/7/03Hospital de Referência de Augustinópolis, TO 5/8/03Unidade Materno Infantil Integrada das Quintas – Natal, RN 12/9/03Hospital Universitário Regional de Maringá, PR 15/9/03Sociedade Beneficente - Hospital Santa Cruz - Pedro II, PI 16/9/03Hospital Josefina Getirana Netta - Pedro II, PI 16/9/03
  • 31. 28 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeCentro de Atenção à Saúde da Mulher – Campinas, SP 25/9/03Policlínica e Maternidade Professor Barros Lima – Recife, PE 13/10/03Hospital Maternidade Belarmina Monte - São Gonçalo do Amarante, RN 13/10/03Hospital Municipal de Itapuranga, GO 21/10/03Unidade Mista - Casa de Parto São Sebastião, DF 24/10/03Maternidade Benedito Leite - São Luís, MA 4/11/03Hospital e Maternidade João Ferreira Gomes – Itapajé, CE 6/11/03Santa Casa de Paracuru, CE 6/11/03Hospital da Base Aérea de Natal – Parnamirim, RN 11/11/03Hospital Municipal da Mulher - Cabo Frio, RJ 13/11/03Hospital Flávio Leal – Piraí, RJ 17/11/03Hospital Universitário São Francisco de Paula – Pelotas, RS 2/12/03Casa Providência / Hospital Alzira Vargas do Amaral Peixoto - Petrópolis, RJ 3/12/03Hospital e Maternidade Santa Isabel – Jucás, CE 15/12/03Hospital Municipal de Quixelô, CE 16/12/03Hospital Nossa Senhora da Conceição - Pará de Minas, MG 17/12/03Hospital Regional Dr. Pontes Neto – Quixeramobim, CE 18/12/03Hospital Regional de Belém, PB 19/2/04Instituto de Perinatologia da Bahia – IPERBA - Salvador, BA 4/3/04Hospital Municipal São Camilo – Esteio, RS 18/3/04Casa Maternal Denilma Bulhões – Maceió, AL 14/4/04Hospital Estadual Sumaré- Dr. Leandro Franceschini - Sumaré, SP 25/3/04Maternidade Hilda Brandão da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, MG 3/9/04Hospital Regional Senador Cândido Ferraz - São Raimundo Nonato, PI 29/9/04Hospital São Vicente de Paula - União dos Palmares, AL 2/9/04Hospital e Maternidade Aluízio Alves - Lajes, RN 25/10/04Maternidade Cel. Leôncio Vieira de Resende - Jardim Limoeiro Serra, ES 16/11/04Policlínica e Maternidade Arnaldo Marques - Recife, PE 22/11/04
  • 32. 29 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeHospital Geral de Nova Iguaçu, RJ 26/11/04Hospital e Maternidade Ester Cavalcante Assunção - Itaitinga, CE 23/11/04Hospital maternidade São Vicente de Paulo - Itapipoca, CE 24/11/04Hospital Geral de Fortaleza, CE 1/12/04.Hospital Municipal Gerson Dias - Itacarambi, MG 22/2/05Hospital Municipal de Bocaiúva – Dr. Gil Alves - Bocaiúva, MG 24/2/05Maternidade Municipal de Contagem, MG 25/2/05Maternidade Azilda da Silva Marreiro - Manaus, AM 22/2/05Maternidade Cidade Nova Dona Nazira Daou - Manaus, AM 24/2/05Maternidade “Balbina Mestrinho” - Manaus, AM 26/2/05Hospital Municipal do Campo Limpo Dr. Fernando Mauro Rocha - São Paulo, SP 11/3/05Maternidade de Referência – Zona Leste – Ana Braga - Manaus, AM 11/3/05Hospital Municipal Ignácio Proença de Gouvêa - São Paulo, SP 16/3/05Hospital Municipal Tide Setúbal - São Paulo, SP 18/3/05Maternidade Marlene Teixeira - Aparecida de Goiânia, GO 29/4/05Hospital Ministro Costa Cavalcante - Foz do Iguaçu, PR 27/4/05Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel, PR 29/4/05Hospital Municipal Monsenhor Pedro Moura - Nova Cruz, RN 11/3/05Hospital Regional Lindolfo Gomes Vidal - Santo Antônio, RN 22/3/05Hospital EstaduaL Mário Covas - Santo André, SP 31/5/05Hospital Regional Sul - São Paulo, SP 31/5/05Hospital Geral de Taipas “Kátia de Souza Rodrigues” - São Paulo, SP 30/6/05Ação Social Sociedade Beneficente Santo Antônio - Alenquer, PA 7/10/05Hospital Geral Luiza Alcântara e Silva – São Gonçalo do Amarante, CE 16/12/05Hospital Nossa Senhora da Conceição de Rio Casca – Rio Casca, MG 15/2/06Fundação Civil Casa de Misericórdia de Franca – Franca, SP 12/5/06Hospital Universitário da Universidade de São Paulo – São Paulo, SP 30/6/06Hospital e Maternidade Dr. Juca – Arez, RN 30/6/06
  • 33. 30 Hospital Amigo daInstituição Criança desdeHospital e Maternidade Victor Ferreira do Amaral – Curitiba, PR 29/7/06Hospital Municipal”Dr. Clóvis Bezerra Cavalcante – Bananeiras, PB 9/8/06Unidade Mista Josefa Maria da Conceição – Itaiçaba, CE 5/10/06Aguardando publicação no Diário OficialSanta Casa de Caridade de Bagé – Bagé, RS 5/12/06Aguardando publicação no Diário OficialFigura 3 - Relação dos Hospitais Amigos da Criança
  • 34. 312. A FORMAÇÃO DO LEITE NA GESTAÇÃOSeios inchados, sensíveis, aréolas (o círculo da pele ao redor do mamilo), maisescurecidas são alguns sinais que surgem no início da gravidez. Um outro sinal éo aparecimento de pequenos carocinhos em torno da aréola chamados “glândulasde Montgomery”, que também têm um papel fundamental na amamentação. Estespequenos caroços produzem uma substância oleosa que limpa, lubrifica e protegeo mamilo de infecções durante a amamentação. Figura 4 - Fisiologia do seioTalvez ainda mais impressionante que esta transformação visível é as grandesmudanças que ocorrem dentro dos seios. A placenta estimula a liberação doestrogênio e da progesterona, que por sua vez, estimulam o complexo sistemabiológico que faz a lactação possível.Antes da gravidez, os seios eram compostos de uma combinação do tecido desustentação, glândulas lactíferas e gordura (a quantidade de gordura varia entreas mulheres, e é por isso que os seios têm variedade de tamanhos e formas).Na fisiologia do organismo ao nascer a maioria dos ductos lactíferos, uma redede canais por onde passa o leite através do seio, já estão formados. As glândulasmamárias permanecem “em repouso” até a puberdade, quando uma inundaçãodo estrogênio faz com que os seios cresçam e desenvolvam-se. Durante agravidez, essas glândulas começam a trabalhar a todo vapor.Quando o bebê nasce, o tecido glandular substituiu a maioria das células lipídicaso que explica o aumento do seio onde cada um poderá ter, até cerca de 680gramas.
  • 35. 32Entre as células gordurosas e o tecido glandular ficam essa intrincada rede decanaletas ou canais chamados ductos lactíferos. Os hormônios da gravidezprovocam um aumento de número e tamanho nesses ductos e estes se ramificamem canais menores e terminam em pequenas glândulas redondas chamadasalvéolos que formam “cachos”, chamados lóbulos. Cada mama tem entre 15 e 20lóbulos com um ducto lactífero para cada lóbulo.O leite é produzido dentro dos alvéolos, que são cercados por células muscularesque espremem as glândulas e mandam o leite para fora através dos ductos.Pequenos ductos conduzem a um ducto maior que se alarga em um “reservatório”chamado seio lactífero, que fica logo abaixo da aréola. Os seios lactíferos agemcomo reservatórios que guardam o leite até que o bebê o sugue através deminúsculas aberturas no mamilo. Esse complexo sistema de ductos estácompletamente formado em algum momento durante o segundo trimestre,facilitando a nutrição do bebê, mesmo se ele nascer prematuramente.2.1. Produção de Leite e ProlactinaO leite começará a ser produzido em “escala total” cerca de 72 horas depois donascimento do bebê. Uma vez que a placenta é expelida, os níveis de estrogênioe progesterona diminuem drasticamente no corpo. Ao mesmo tempo, o nível daprolactina aumenta.Prolactina é um hormônio secretado pela adeno-hipófise que estimula aprodução de leite pelas glândulas mamárias. O aumento de produção daprolactina provoca a Hiperprolactinemia, causando nas mulheres alteraçãomestrual e infertilidade. No homem, gera impotência sexual por prejudicar aprodução de testosterona e também o aumento das mamas (ginecomastia). Aprolactina é produzida em maior quantidade durante a gravidez, mas também nopós-parto devido a pressões psicológicas e físicas ou medicações. A causa dahiperprolactinemia é um tumor benigno. Quando menor que 1 cm é chamado demicroprolactinoma e quando maior que 1 cm é chamado de macroprolactinoma.Este hormônio produzido na glândula pituitária sinaliza ao corpo para produzirlotes de leite para nutrir o bebê. Os estudos mostram também que a prolactinapode fazer a mãe sentir-se mais "maternal," por isso alguns especialistaschamam este, de “hormônio materno”.
  • 36. 33Enquanto o corpo se prepara para a lactação, ele bombeia sangue extra nosalvéolos, fazendo os seios ficarem firmes e cheios. As veias sangüíneasinchadas, combinadas com uma abundância de leite, podem deixar os seiostemporariamente dolorosos e ingurgitados, mas se houver amamentaçãofreqüente, em poucos dias poderá aliviar todo desconforto. Figura 5 - Reflexo da Prolactina ou reflexo da ProduçãoCada vez que a criança suga, estimula as terminações nervosas do mamilo. Estesnervos levam o estímulo para a parte anterior da glândula pituitária que produz aprolactina. Esta, através da circulação sanguínea, atinge as mamas queproduzem o leite. A prolactina atua depois que a criança mama e produz leite paraa próxima mamada. Essas etapas, desde a estimulação do mamilo até asecreção do leite, são chamadas de Reflexo de Produção ou Reflexo daProlactina.A glândula pituitária produz mais prolactina durante a noite do que durante o dia.Portanto, o aleitamento materno à noite ajuda a manter uma boa produção deleite.2.2. Composição do Leite MaternoO leite materno é um líquido rico em gordura, minerais, vitaminas, enzimas eimunoglobulinas ou anticorpos que protegem contra doenças. São um grupo de
  • 37. 34glicoproteínas presentes no soro e nos líquidos orgânicos e são produzidas peloslinfócitos B, precursores que depois de terem entrado em contato com o antígeno,originam os plasmócitos de diferentes linhagens e clones celulares, que irãoproduzir as cinco frações de imunoglobulinas, denominadas imunoglobulinas G,A, M, D e E. Apesar de apresentarem muitas semelhanças, diferem entre si notamanho, na composição de aminoácidos, no conteúdo de carboidratos e nacarga elétrica.O leite maduro é formado em 87% de água, os restantes 13% são uma poderosacombinação de elementos, fundamentais para o crescimento e desenvolvimentoda criança.Recém nascidos perdem 25% do calor do seu corpo através da evaporação deágua dos seus pulmões e pele e a maioria vão mamar entre 9 e 11 vezes por dia,mantendo facilmente o equilíbrio de fluidos no corpo. A gordura no leite humanoproporciona uma fonte de energia para seu crescimento e desenvolvimento, ocolesterol necessário e ácidos essenciais de gordura. O leite materno é rico emácidos graxos insaturados de cadeia longa, importante para o desenvolvimento emielinização do cérebro que se inicia no desenvolvimento pré-natal e completa-seno lactente. Ela só ocorre caso haja nutrição adequada, sendo deficiente nacarência de proteínas que decorre do desmame precoce. As lesões carenciais damielinização tem recuperação difícil e com freqüência, resultam em déficitintelectual. São comuns em crianças desnutridas, presentes nas favelasbrasileiras, notadamente nas nordestinas.Ácidos aracdônico, linoléico e gorduras poliinsaturadas, existem em maioresconcentrações no leite humano do que no leite de vaca, ambos importantes nasíntese de prostaglândinas.As proteínas do leite humano são estruturais e qualitativamente diferentes das doleite de vaca. Do conteúdo protéico do leite humano 80% é lactoalbumina,enquanto que no leite de vaca essa proporção é de caseína. A relação proteínasdo soro / caseína do leite humano é aproximadamente 80 / 20 já a do leite bovinoé 20 / 80. A baixa concentração de caseína no leite humano resulta na formaçãode coalho gástrico mais leve, com flóculos de mais fácil digestão e com reduzidotempo de esvaziamento gástrico.
  • 38. 35O leite humano contém também, diferentemente do leite de vaca, maioresconcentrações de aminoácidos essenciais de alto valor biológico (cistina etaurina) que são fundamentais ao crescimento do sistema nervoso central. Isso éparticularmente importante para o prematuro, que não consegue sintetizá-los apartir de outros aminoácidos por deficiência enzimática.O principal carboidrato é a lactose, mas quantidades maiores que 30 açúcares jáforam identificados no leite humano, como a galactose, frutose e outrosoligossacarídeos. A concentração de lactose é de 4% no colostro e de até 7% noleite maduro. A lactose facilita a absorção de cálcio e ferro e promove acolonização intestinal com Lactobacillus bifidus.O leite materno nem sempre tem exatamente a mesma composição. Há algumasmodificações importantes e normais. A composição do leite também apresentapequenas variações com a alimentação da mãe, mas essas alterações raramentetêm algum significado.2.2.1. O colostroNos primeiros dias do recém-nascido, do seio da mãe irá surgir uma substânciacremosa, altamente protéica, com baixa gordura, chamada colostro.Provavelmente, nos últimos meses da gravidez já houve secreções semelhantesdessa substância grossa e amarelada (algumas mulheres têm até mesmo umpouco de colostro no segundo trimestre da gravidez).Este "primeiro leite" é cheio de anticorpos contra doenças, como já vistoanteriormente, chamados de imunoglobulinas, que fortalecem o sistemaimunológico do bebê.O colostro é amarelo e mais grosso que o leite maduro e é secretado apenas empequenas quantidades. Mas isto é suficiente para uma criança normal e éexatamente isso que precisa para os primeiros dias. Contém mais anticorpos emais células brancas que o leite maduro e dá a primeira “imunização” paraproteger a criança contra a maior parte das bactérias e vírus.É também rico em fatores de crescimento que estimulam o intestino imaturo dacriança a se desenvolver. O fator de crescimento prepara o intestino para digerir eabsorver o leite maduro e impede a absorção de proteínas não digeridas. Se a
  • 39. 36criança recebe leite de vaca ou outro alimento antes de receber o colostro, estesalimentos podem lesar o intestino e causar alergias.O colostro é laxativo e auxilia a eliminação do mecônio (primeiras fezes muitoescuras) que ajuda a evitar a icterícia.Propriedade ImportânciaRico em anticorpos Protege contra infecções e alergias.Muitos leucócitos Protege contra infecções.Laxante Expulsa o mecônio, ajuda a prevenir a icterícia.Fatores de crescimento Acelera a maturação intestinal, previne alergia e intolerância.Rico em vitamina A Reduz a gravidade de algumas infecções (como sarampo e diarréia); previne doenças oculares causadas por deficiência de vitamina A.Figura 6 - Características do Colostro - Fonte: OMS/CDR/93.62.2.2. Leite maduroEm uma ou duas semanas, o leite aumenta em quantidade e muda seu aspecto ecomposição. Este é o leite maduro que contém todos os nutrientes que a criançaprecisa para crescer.O leite materno maduro parece mais ralo que o leite de vaca,o que faz com que muitas mães pensem que seu leite é fraco. É importanteesclarecer que esta aparência aguada é normal e que o leite materno forneceágua suficiente, mesmo em climas muito quentes.2.2.3. Leite do começo da mamadaO leite do começo surge no início da mamada, parece acinzentado e aguado eé rico em proteína, lactose, vitaminas, minerais e água.2.2.4. Leite do fim da mamadaO leite que surge no final da mamada parece mais branco do que o leite docomeço porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais rico emenergia e fornece mais da metade desta, do leite materno.
  • 40. 37A criança precisa tanto do leite do começo quanto do fim para crescer e sedesenvolver. É importante deixar que ela pare espontaneamente de mamar, poisa interrupção da mamada pode fazer com que receba pequena quantidade deleite do fim e conseqüentemente, menos gordura. Componentes Mecanismo IgA Secretora Impermeabilização anti-séptica das mucosas (digestiva, respiratória, urinária) Lactoferrina Ação Bacteriostática (retirada de ferro) Lisozima Ação bactericida (Lise das bactérias) Macrófagos Fagocitose (engloba as bactérias) Fator bífido Lactobacilos – ácidos orgânicos: bactericida.Figura 7 - Tabela com os Principais Componentes Imunológicos do Leite MaternoO leite de vaca, também contém fatores imunológicos de ótima qualidade, maspara o bezerro. Esses fatores só funcionam para a própria espécie, ou seja, nãovale de um animal para outro, de espécie diferente. Contudo, alguns dessesfatores até poderiam funcionar, mas eles são destruídos pela armazenagem epela fervura do leite. Características Leite Humano Leite Animal Leites artificiais Propriedades presente ausente ausente Anti-infecciosas Fatores de presente ausente ausente Crescimento Proteína quantidade adequada, excesso, parcialmente fácil de digerir difícil de digerir modificado
  • 41. 38 Características Leite Humano Leite Animal Leites artificiais Lipídeos suficiente em ácidos deficiente em ácidos deficiente em graxos essenciais, graxos essenciais, não ácidos graxos lipase para digestão apresenta lipase essenciais, não apresenta lipase Minerais quantidade correta em excesso parcialmente correto Ferro pouca quantidade, bem pouca quantidade, mal adicionado, mal absorvido absorvido absorvido Vitaminas quantidade suficiente deficiente A e C vitaminas adicionadas Água suficiente necessário extra pode ser necessário maisFigura 8 - Tabela de Comparação do Leite Materno com Outros Leites - De: OMS/CDR/93.62.3. Como o leite flui do organismo da mãe para o bebêA criança suga o mamilo estimulando a glândula pituitária a liberar a ocitocina,assim como a prolactina em sua corrente sangüínea.A ocitocina ou oxitocina é um hormônio produzido pelo hipotálamo earmazenado na hipófise posterior (neuro-hipófise), e tem a função de promover ascontrações uterinas durante o parto e a ejeção do leite durante a amamentação.Também é um hormônio ligado ao que as pessoas sentem ao, por exemplo,abraçar seu parceiro. De acordo com um estudo da Universidade de Zurique,caso a ocitocina fosse pingada no nariz de pessoas prestes a começar umadiscussão, diminuiria a produção de cortisol, um hormônio produzido em respostaao estresse da discussão.Quando alcança o seio, a ocitocina faz com que os minúsculos músculos emtorno dos alvéolos cheios de leite, contraiam-se. O leite é expelido para os ductospor onde é transportado para os seios lactíferos, que ficam logo abaixo da aréola.Enquanto suga, o bebê pressiona o leite que está dentro desses seios lactíferos efaz com que jorrem direto em sua boca.
  • 42. 39A criança não consegue quantidadesuficiente de leite somente pelasucção, precisa do reflexo de“descida” para ajudar. Se o reflexonão funcionar a criança nãoconseguirá leite suficiente. Figura 9 - Reflexo da Ocitocina2.3.1. Ajudando e Inibindo o Reflexo da OcitocinaO Reflexo da Ocitocina é mais complicado do que o Reflexo da Prolactina. Ossentimentos, os pensamentos e as sensações da mãe podem afetar esseprocesso e freqüentemente seus sentimentos ajudam, mas algumas vezes podeminibi-lo.A glândula de uma nutriz pode produzir ocitocina se pensar no filho com carinho,ao trocar olhares com ele ou se escutar seu choro. A seguir, ela sente a contraçãona mama e o leite pode “descer”, suas mamas estão prontas para amamentar.Por outro lado, outros sentimentos podem inibir o reflexo da “descida” do leite, taiscomo: se a mãe estiver preocupada ou com medo, por alguma razão; se ela tiver dor ,especialmente se a amamentação for dolorosa; se ela estiver envergonhada.Portanto, se a nutriz tem sentimentos positivos e confiança em sua capacidade deamamentar, o leite “desce” tranquilamente, mas se tem dúvidas, suaspreocupações podem inibir a “descida” do leite.Nos primeiros dias de amamentação, ela pode sentir algumas contrações em seuabdômen enquanto o bebê suga. Esse pequeno desconforto sinaliza a liberação
  • 43. 40da ocitocina, que ajuda a contrair o útero, fazendo com que ele retorne aotamanho normal mais rapidamente e diminuindo o risco de hemorragia no pós-parto, uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil.Este mesmo hormônio foi responsável pelas contrações do útero no parto e fazparte das relações sexuais. Ela vai sentir-se mais calma, satisfeita, e alegreenquanto nutre seu bebê. Por isso a ocitocina é também conhecida como ohormônio do amor.À medida que o fluxo de leite aumenta, pode sentir também algum formigamento,ardência ou comichão nos seios. O leite pode gotejar ou mesmo espirrar quandoestiver “descendo”. O ideal é criar um ambiente calmo para amamentar, pois seestiver relaxada durante a amamentação, o leite fluirá mais livre e facilmente.Fontes: "Making Breastmilk: How your body produces natures perfect baby food" de Willow Older e "Como Ajudaras Mães a Amamentar" de Felicity Savage King.2.4. Até quando amamentar?Todos já sabemos que os bebês devem ser alimentados exclusivamente no seionos seis primeiros meses de vida (não precisa nem água ou chazinhos). Mas aamamentação traz também grandes benefícios para os bebês após esse período.Segundo a Organização Mundial de Saúde os bebês deveriam ser amamentadoscom complemento, no mínimo até o 2º ano de vida. Os benefícios daamamentação continuam, mesmo para crianças maiores.2.5. Vantagens do Aleitamento Materno para o bebê De uma forma geral, as crianças que são amamentadas no seio são mais inteligentes. Um estudo feito na Nova Zelândia, durante 18 anos, com mais de 1.000 crianças provou que aquelas que foram amamentadas eram mais inteligentes e tinham maior sucesso na escola e universidade. (Horwood and Fergusson, "Breastfeeding and Later Cognitive and Academic Outcomes", Jan 1998 Pediatrics Vol. 101, No. 1). Inúmeras pesquisas mostram que bebês que não tiveram contato físico têm maior risco de adoecer e até de morrer. Na amamentação, o contato físico é maior e proporciona à mãe e ao bebê um momento de proximidade diária.
  • 44. 41 Essa ligação emocional muito forte e precoce pode facilitar o desenvolvimento da criança e seu relacionamento com outras pessoas. O desenvolvimento psicomotor e social dos bebês amamentados é claramente melhor e resulta, na idade de um ano, em vantagens significativas. (Baumgartner, C.,"Psychomotor and Social Development of BreastFed and Bottle Fed babies During their First year of Life". Acta Paediatrica Hungarica, 1984) O leite materno contém endorfina, substância química que ajuda a suprimir a dor. É bom amamentar o bebê logo após ele ser vacinado, pois ajuda a superar a dor e também reforça a eficiência da vacina. O leite materno contém todos os nutrientes de que a criança precisa nos primeiros seis meses de vida: o Tem água em quantidade suficiente, mesmo em clima quente e seco; o Contém proteína e gordura mais adequadas para a criança e na quantidade certa; o Também tem mais lactose (açúcar do leite) do que os outros leites; o Vitaminas em quantidades suficientes. Não há necessidade de suplementos vitamínicos; tem ferro em quantidade suficiente, e ele é bem absorvido no intestino da criança; o Quantidades adequadas de sais, cálcio e fósforo; o Uma enzima especial, lípase, que digere gorduras, por isso o leite não é "pesado" como outros. O leite materno é facilmente digerido e absorvido. A criança em aleitamento materno exclusivo pode ter nova mamada em intervalo menor do que aquela que está tomando mamadeira. Crianças que tomam mamadeira têm maior risco de obesidade na vida adulta. Crianças em aleitamento materno exclusivo têm menos quadros infecciosos porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém fatores anti- infecciosos que incluem: o Células brancas vivas (leucócitos) que matam as bactérias;
  • 45. 42 o Anticorpos contra muitas das infecções mais comuns e que ajudam a proteger a criança até que ela comece a produzir seus próprios anticorpos. Por exemplo, caso a mãe tiver uma infecção, anticorpos logo aparecerão em seu leite; o Uma substância chamada fator bífido que facilita o crescimento de uma bactéria especial, Lactobacíllus bifidus, no intestino da criança. Essa bactéria impede que outras cresçam e causem diarréia; o Lactoferrina que se associa ao ferro e impede o crescimento de bactérias patogênicas que precisam deste nutriente. Nos bebês, o ato de sugar o seio é importante para o desenvolvimento das mandíbulas. Bebês que mamam no seio têm de usar 60 vezes mais energia para conseguir o alimento que aqueles que tomam a mamadeira. O ato de sucção proporciona excelentes exercícios que auxiliam o crescimento saudável de mandíbulas bem formadas. Entre as crianças, quanto maior o período de amamentação, menor o risco de má-oclusão. A mamadeira com açúcar, especialmente oferecida à noite, é causadora de cáries precoces. Dificuldades de fala e com a língua, assim como respirar pela boca, morder os lábios, entre outros, são freqüentes em bebês alimentados com mamadeira porque eles tentam fazer com que o leite flua de um bico artificial. Há também, maior risco de desenvolver alergias sendo que essa questão é particularmente importante no caso de famílias com histórico de asma e outras doenças alérgicas. Otite média é de 3 à 4 vezes mais comum entre as crianças alimentadas com mamadeira que as alimentadas ao seio. Crianças alimentadas artificialmente têm maior risco de desenvolver certos linfomas. (Davis MK, Savitz DA, Graubard BI. "Infant feeding and childhood cancer." Lancet. 1988;2:365-368 e Shu X-O, Clemens H, Zheng W, et al. "Infant breastfeeding and the risk of childhood lymphoma and leukaemia". Int J Epidemiol.1995;24:27-32)
  • 46. 43 Bebês prematuros são especialmente beneficiados com a amamentação. "O leite produzido pelas mulheres que tiveram bebês prematuros são diferentes do leite das mulheres que tiveram toda a gestação. Especificamente, durante o primeiro mês pós-parto quando o leite mantém a composição similar ao colostro - que é um leite muito mais forte. ("Hamosh, Margit, PhD, Georgetown University Medical Center "Breast-feeding: Unraveling the Mysteries of Mothers Milk".) Os bebês amamentados no seio têm menor risco de contrair enterecolite necrotizante. (Lucas A, Cole TJ. "Breast milk and neonatal necrotizing enterocolitis." Lancet. 1990; 336:519- 1523) Os resultados de uma pesquisa na Finlândia sugerem que a introdução de leite de vaca muito cedo, aumenta o risco de a criança desenvolver Diabetes Mellitus do tipo I (juvenil, insulina / dependente). (Virtanen et al: "Diet, Cows milk protein antibodies and the risk of IDDM in Finnish children." Childhood Diabetes in Finland Study Group. Diabetologia, Apr 1994, 37(4):381-7) Dados preliminares de North Carolina/Duke University indicam que crianças amamentadas tiveram menos risco de contrair artrite juvenil. ("Mothers Milk: An Ounce of Prevention?" Arthritis Today May-June 1994) A falta de amamentação no seio está sendo associada com o aumento na incidência de esclerose múltipla. (Dick, G. "The Etiology of Multiple Sclerosis." Proc Roy Soc Med - 1989;69;611-5) A amamentação natural protege o bebê contra problemas de visão. Um estudo em Bangladesh mostrou que a amamentação foi um fator importante de proteção para cegueira noturna entre crianças na idade pré-escolar nas áreas rurais e urbanas. O leite materno é, em geral, a maior, se não única, fonte de vitamina A nos primeiros 24 meses de vida (ou durante o período de amamentação). (Birch E, et al. "Breastfeeding and optimal visual development." J Pediatr Ophthalmol Strabismus 1993;30:33-8 e Bloem, M. et al. "The role of universal distribution of vitamin A capsules in combatting vitamin A deficiency in Bangladesh.: Am J Epidemiol 1995; 142(8): 843-55) O leite materno não contém materiais modificados geneticamente. Em pesquisa feita nos EUA com leites de soja: Alsoy, Similac, Neocare, Isomil and
  • 47. 44 Enfamil Prosobee, todos continham modificação genética. ("Biotechnologys Bounty", M.Burros, N.Y. Times 05/21/97)2.5.1. Amamentação pode aumentar o QI, Quociente Intelectual, dos bebêsA amamentação pode ter um efeito positivo sobre o desenvolvimento do QI,Quociente Intelectual, de algumas crianças segundo estudos publicados porProceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).As crianças que demonstraram ganhos no desenvolvimento cognitivo com aamamentação teriam uma versão particular de um gene chamado FADS2. Noentanto, o estudo destacou que somente a amamentação não é suficiente paraaumentar o QI, pois isso depende também de fatores ambientais (família, meiosocial) e genéticos.Segundo os pesquisadores que realizaram este estudo com 3.000 bebêsamamentados na Grã-Bretanha e na Nova Zelândia, as crianças que tinham umaversão particular do gene FADS2, tinham em média um QI de 6,8 pontos maisalto que as demais.O gene FADS2 foi estudado porque ele produz uma enzima encontrada no leitematerno que ajuda a transformar os ácidos graxos alimentares em ácidos graxospoliinsaturados que se acumulam no cérebro durante os primeiros meses de vidado bebê. Alguns pesquisadores acreditam que esta enzima pode ter umainfluência sobre o desenvolvimento da inteligência cognitiva.A idéia de que a amamentação pode aumentar o QI de uma criança surgiu em1929 nas revistas científicas.Há um ano, um estudo publicado pelo British Medical Journal indicava que oeventual aumento do QI não se devia à amamentação, mas ao perfil sociológicodas mães e ao ambiente familiar.De acordo com outro estudo, os bebês que mamam no seio são menos sujeitos adoenças cardíacas do que os bebês que mamam na mamadeira. Conforme esteestudo apresentado pelo American Heart Association e realizado por NishaParikh, um cardiologista do Beth Israel Deaconess Medical Center de Boston, ascrianças alimentadas no seio são na vida adulta 55% mais numerosas do que asalimentadas na mamadeira a se beneficiarem de um alto nível de HDL ("colesterolbom"), que ajuda a prevenir doenças cardiovasculares. Este estudo observou 393
  • 48. 45mães e seus 962 filhos. Artigo original: New evidence confirms breastfeeding link to higher IQ.Caspi A, Williams B, Kim-Cohen J, et al (2007) Moderation of breastfeeding effects on the IQ bygenetic variation in fatty acid2.6. Síntese das Vantagens do Aleitamento Materno para a mãe A mãe que amamenta se sente mais segura e menos ansiosa; Proporciona mais rapidez na diminuição do volume do útero e evita a hemorragia no pós-parto, uma das principais causas de mortalidade materna, no Brasil; A amamentação estimula a produção de ocitocina, que estimula as contrações que vão diminuir o tamanho do útero e expulsar a placenta. Essas contrações também agem nos vasos sanguíneos da mulher diminuindo o sangramento; A mulher que amamenta tem menos risco de contrair câncer de mama; Segundo pesquisas, se todas as mulheres que não amamentaram ou amamentaram menos de 3 meses tivessem amamentado por 4 a 12 meses, o câncer de mama na pré-menopausa poderia ser reduzido em 11%, julgando as taxas atuais. Se todas as mulheres amamentassem por 24 meses ou mais, essa incidência seria reduzida em quase 25%; Mulheres que foram amamentadas, quando crianças, mesmo que apenas por um tempo curto, tiveram um risco 25% mais baixo de desenvolver o câncer de mama do que as mulheres que tomaram mamadeira; (Freudenheim, J. et al. 1994 "Exposure to breast milk in infancy and the risk of breast cancer". Epidemiology 5:324-331) A amamentação exclusiva protege contra anemia (deficiência de ferro), já que as mulheres amamentando exclusivamente demoram mais tempo para menstruar, seu "estoque" de ferro não é diminuído com sangramento mensal;
  • 49. 46 A amamentação diminui o risco de osteoporose na vida madura. A incidência de mulheres com osteoporose que não amamentaram foi 4 vezes maior; (Blaauw, R. et al. "Risk factors for development of osteoporosis in a South African population." SAMJ 1994; 84:328-32). Amamentação diminui a necessidade de insulina. A redução na dose de insulina no pós-parto foi significativamente maior entre as mulheres que amamentaram do que as que davam mamadeira; (Davies, H.A., "Insulin Requirements of Diabetic Women who Breast Feed." British Medical Journal, 1989). A amamentação estabiliza o progresso de endometriose materna. Não amamentar aumenta o risco de desenvolver câncer de ovário e câncer endometrial; (Rosenblatt KA, Thomas DB, "WHO Collaborative Study of Neoplasia and Steroid Contraceptives". Int J Epidemiol. 1993;22:192-197 e Schneider, A.P. "Risk Factor for Ovarian Cancer". New England Journal of Medicine, 1987). Pode ajudar a espaçar o intervalo das gestações, mas atenção, isso só acontece dentro de condições especiais; Amamentar ajuda a mulher a voltar ao peso normal mais rapidamente; Amamentar no seio é mais prático; O leite materno está sempre na temperatura ideal, além do mais nunca azeda ou estraga na mama.2.7. Síntese das Vantagens do Aleitamento Materno para a família A amamentação é mais econômica para a família. No Brasil, um bebê pode custar metade de um salário mínimo por mês (incluindo mamadeiras, bicos, leites infantis, complemento, gás, remédios etc.); Como os bebês amamentados adoecem menos, os pais desses bebês têm menos problemas e gastos com remédios, isso significa mais tempo e economia para toda a família;
  • 50. 47 Melhora a qualidade de vida das crianças e de toda a família.2.8. Vantagens para o planetaAmamentar é um Ato Ecológico. Se cada mulher dos EUA desse a mamadeira aoseu bebê, seria preciso quase 86.000 toneladas de alumínio para produzir550milhões de latas por ano. Se cada mulher da Inglaterra amamentasse, seriameconomizados 3000 toneladas de papel para os rótulos dos leites infantis. Mas oleite não é o único problema. Mamadeiras e bicos são feitos de plástico, vidro,borracha e silicone. A produção desses materiais é cara e constantemente nãosão reaproveitados. Todos esses produtos usam recursos naturais, causampoluição na sua produção e distribuição e também criam um lixo no seuempacotamento, promoção e exposição.2.9. Vantagens do aleitamento materno para o hospital Ambiente emocional mais calmo e tranqüilo; Não existe berçário, mais espaço para o hospital; Menos infecção neonatal; Menos trabalho para a equipe; Melhor imagem e maior prestígio; Menos crianças abandonadas; Mais seguro em emergências.2.10. Cuidados com a nutrição maternaa) A mãe não deve comer por dois para poder amamentar, assim como durante a gestação. Uma alimentação equilibrada e balanceada é sempre mais importante;b) Existem três grupos de alimentos: construtores, energéticos e reguladores. É fundamental que todos eles estejam presentes na alimentação: Alimentos construtores (proteínas): são responsáveis pela construção e reparação de tecidos corporais. São as proteínas, tais como carnes em geral,
  • 51. 48 ovos, leite e derivados. As proteínas participam da multiplicação das células e, por isso, são essenciais para o crescimento. Alimentos energéticos (os carboidratos): são responsáveis pela produção diária da energia necessária para as nossas atividades. São os pães, massas, inhame, mandioca, cará, batata, mandioquinha, batata-doce, biscoitos, mel, doces em geral, além de cereais (arroz, trigo, aveia) e farinhas. Alimentos reguladores (vitaminas e minerais): são importantes para manutenção da saúde, já que regulam os processos bioquímicos. Controlam o funcionamento do organismo. Como estão presentes nos alimentos em quantidades bem pequenas, estes nutrientes são mais conhecidos como micronutrientes. Frutas e hortaliças são as melhores fontes.c) Mastigar bem os alimentos e beber água antes ou depois das refeições são dicas importantes;d) Existem alguns alimentos ingeridos pela mãe, cujo sabor e aroma podem ser identificados no leite materno e, eventualmente provocar cólicas no bebê ou ele pode "rejeitar" a refeição por não gostar do aroma. É interessante observar as reações do bebê após as mamadas, no caso de ingestão de algum alimento que provoque alguma reação;e) Alimentos ricos em enxofre, tais como a couve-flor, couve, rabanete, repolho e espinafre, por causarem gases, podem perturbar o processo de digestão da criança;f) A mãe deve sempre dar preferência à frutas, com exceção da manga, fruta-do- conde, goiaba e melancia, que devem ser digeridas mais demoradamente;g) Os vegetais têm liberdade para o consumo, com destaque para o agrião, aipo, rúcula e alface;
  • 52. 49h) Algumas sugestões do que comer sem medo: Frutas (melão, maçã, pêra, laranja, mamão e figo), Vegetais (taioba, aipo, gergelim, rúcula, alface, agrião), muita água e sucos, água de coco;i) Cuidados com: leite de vaca, chocolate, álcool, café e chás de hortelã, mate e capim-limão.
  • 53. 50  GUIA PARA AMAMENTAÇÃOEste guia pode ser útil quando se suspeita que o bebê esteja tendo dificuldadespara mamar. Figura 10 - AmamentandoObserve: As roupas do bebê e da mãe estão confortáveis, sem nenhuma restrição à mamada? O posicionamento da mãe é confortável, bem apoiada, sem estar se inclinando demais para frente ou para trás? Seja qual for a posição, todo o corpo do bebê deve estar voltado para a mãe, apoiado por trás dos ombros, não da cabeça, que deve estar livre para mover- se; A parte inferior do braço do bebê deve estar "livre", ao redor da cintura da mãe ou ao lado do corpo do bebê, corpo flexionado ao redor do corpo da mãe, peito e lábios colados à mãe, pescoço levemente distendido; O corpo do bebê, cabeça e pescoço devem estar alinhados, não deve ter o pescoço virado para o lado. Bebê no mesmo nível do seio, o qual pode ser apoiado com um rolinho de tecido, se necessário;
  • 54. 51 Ao começar a mamada, deve-se usar o "dedão" e dedo indicador (em forma de C) para pegar o seio e ajudar a tocar levemente o mamilo no nariz do bebê, fazendo com que o tecido inferior do seio fique mais acessível para a "pega"; Colocando o seio na boca do bebê Figura 11 - Maneira de Amamentar Toque o mamilo no lábio inferior do bebê, o bebê abre a boca; Ao invés de colocar o mamilo na boquinha do bebê, deve-se oferecer toda a aréola, que ele deve pegar o máximo possível. Os lábios (não só o inferior) do bebê ficam virados para fora, como uma "boquinha de peixe"; É mais importante que o bebê pegue bastante aréola na parte inferior do seio, onde fica sua língua, que vai pressionar na mamada. Portanto, deve-se colocar o bebê, no seio, começando pela parte de baixo da boca, posicionando seu lábio inferior de forma a pegar bastante aréola. Se for uma aréola bem grande, deve ficar mais visível a parte de cima que a de baixo, quando o bebê estiver mamando; Observe se o queixo está tocando o seio, isso pode ajudar a deixar o nariz livre; A língua do bebê fica quase sobre o próprio queixo e, algumas vezes pode ser visível;
  • 55. 52 Sucção rápida no início, depois diminui nitidamente, pausas ocasionais e irregulares no final; Quando o bebê está mamando ativamente, a mandíbula e, às vezes, a própria cabeça movem-se, podendo perceber-se o bebê engolindo o leite; As bochechas do bebê não devem mostrar uma "cavidade" a cada "sugada", nem se deve ouvir "clicks" na língua, ainda que se possa ouvir um barulho da deglutição do bebê; O seio não deve parecer distendido, repuxado. É preciso um posicionamento no qual o seio não esteja "mal colocado"; Se o bebê é retirado do seio, quando estiver sugando ativamente, o mamilo vai parecer levemente alongado; Amamentação com boa pega não deve ser dolorosaTraduzido e adaptado por Denise Arcoverde, a partir de texto de Ross Escott, New Zealand Lactation Consultants Alguns sinais de uma pega de aréola incorreta: O mamilo parece achatado quando sai da boca do bebê no final da mamada; A mãe sente dor nos mamilos durante e após as mamadas; O bebê parece desconfortável para mamar. Posições para amamentarPesquisas recentes em experiência de profissionais de saúde e mães em todo omundo mostram que a posição do bebê ao seio e a forma em que pega a mamasão fundamentais para evitar problemas na amamentação, tais como mamilosfissurados, ou seios ingurgitados.Há várias posições para amamentar, o mais importante é que esta, seja a maisconfortável para a mãe e o bebê e que mantenha boa técnica.A mãe deve variar regularmente de posições para que o bebê comprima o queixoe a língua em distintos locais da aréola e mamilo.
  • 56. 53Figura 12 – Posições diversas para amamentarPOSIÇÃO SENTADA POSIÇÃO SENTADA CRUZADA(forma tradicional) (no outro seio)Na posição sentada, o bebê está de Apóie o bebê de frente para a mãe, barriga com barriga e se preciso,frente para a mãe, de tal maneira queseu abdômen está colado ao da mãe colocar um travesseiro no colo, pra facilitar. Segurar o seio com a mão(barriga com barriga). Quanto maiscolado estejam os corpos, mais fácil do mesmo lado, o bebê com a outra mão e o braço. Segurar o bebê pelopara o bebê mamar. Lembrar que é obebê que é colocado ao seio, não o seio ombro e costas, não pela cabecinhalevado ao bebê,POSIÇÃO DEITADA POSIÇÃO SENTADA INVERSANa posição deitada, a mãe e o bebê A posição sentada inversaestão frente à frente (barriga com consegue-se colocando o corpo dobarriga). A mãe oferece o peito do lado bebê debaixo da axila materna comque está deitada. Esta posição e a o ventre apoiado sobre as costelas
  • 57. 54sentada inversa são mais apropriadas da mãe (barriga-costela). O corpo doquando a mãe for submetida a uma bebê está apoiado pelo braçocesariana. Não há perigo em dormir materno e a cabeça suspensa pelacom o bebê na mesma cama. mão. Ótima posição quando o seio está machucado, para mudar o local de pega do bebê. POSIÇÕES ESPECIAIS Figura 13 - Posições Especiais para Amamentar - GêmeosA maioria das mulheres tem leite suficiente para alimentar gêmeos.As dificuldades surgem porque é difícil cuidar de duas crianças simultaneamente.Diversas posições podem ser tentadas para encontrar a forma mais confortávelpara a mãe e para os bebês.
  • 58. 55Figura 14 - Outras Posições para Amamentar Gêmeos e bebês de idades diferentes
  • 59. 56 Dificuldades e problemas mais comunsi) Ingurgitamento mamário (seios muito cheios e doloridos)O ingurgitamento mamário consiste, em parte, no aumento da quantidade desangue e fluídos nos tecidos que suportam a mama, congestão vascular, e decerta quantidade de leite que fica retido na glândula mamária.Quando isto ocorre, as duas mamas ficam inchadas, quentes, vermelhas,brilhantes, aumentam de volume, dolorosas e tensas por causa do edema(líquido) nos tecidos. A mãe queixa-se de dor, principalmente na axila e pode terfebre (a chamada “febre de leite”) e o leite pode parar de “descer”.O ingurgitamento geralmente ocorre alguns dias (2 a 5) após o nascimento (naapojadura) ou em qualquer época durante a amamentação, todavia, é mais difícilde acontecer em hospitais onde há alojamento conjunto e sistema de livredemanda precoce.Conduta para evitar o ingurgitamento: as mães devem amamentar no sistema de livre demanda logo após o parto; verificar se a criança mama em boa posição desde o primeiro dia.Para tratar o ingurgitamento: manter a criança sugando; caso a criança não sugue adequadamente, ajudar a mãe a retirar o leite por expressão manual; aconselhar o uso de sutiã firme a fim de tornar o ingurgitamento menos doloroso;
  • 60. 57 indicar a utilização de compressas geladas ou quentes sobre o seio por 1 min. massageando-os e retirando um pouco de leite logo após, para aliviar a dor; manter essas condutas até que o ingurgitamento desapareça.ii) Fissuras do mamilo (bico do peito rachado):As fissuras do mamilo são decorrentes da má posição da criança em relação àmama, do número e duração inadequada das mamadas e principalmente datécnica incorreta de sucção.Conduta para evitar a fissura:Orientar as mães durante o pré-natal sobre o preparo da mama e técnicas deamamentação, dando ênfase às estratégias que devem ser utilizadas para ofortalecimento dos tecidos areolar e mamilar, tais como: banho de sol nos seios,fricção de toalha, utilização de sutiã de algodão com orifício na região mamilar.Para tratar da fissura: corrigir a posição da mamada e orientar a mãe a continuar amamentando; aconselhar à mãe a lavar os mamilos apenas uma vez ao dia, quando tomar banho; a expor os mamilos ao ar e ao sol tanto quanto possível no intervalo das mamadas, ou banho de luz com lâmpadas de 40 watts, colocada a um palmo de distância da mama 10 minutos de cada lado, 3 vezes ao dia; Aplicar sempre leite materno nos mamilos após as mamadas, pois isto facilita a cicatrização; a mudar de posição costumeira, preferencialmente utilizar a posição da bola de futebol americano ou do cavalinho; Nos casos graves, dependendo da extensão da fissura, orientar a mãe a suspender a sucção direta ao seio por um período de 24 às 48hs, ordenhar a mama e oferecer o leite na colherinha ou conta-gota.iii) Mastite (inflamação da mama):O acúmulo de leite sem a ordenha de alívio pode facilitar o início da mastite, que
  • 61. 58é facilmente diagnosticado; mamas quentes, febre, dor à palpação e pode sairpus.A mastite é mais freqüente na 2ª e 3ª semanas depois do parto. A mãe deverádescansar por mais tempo, tirar licença de seu emprego e se continuar a trabalhara infecção poderá retornar.Conduta para evitar a mastite: estimular as mães a amamentar no sistema de livre demanda; caso o bebê não esvazie a mama, completar com auto-ordenha, ou solicitar colaboração para o esvaziamento por ordenha.Para tratar a mastite: aplicar compressas úmidas e frias sobre a área afetada antes de cada mamada e se for necessário também nos intervalos, até sentir alívio (5 a 10 min.); amamentar até esvaziar a mama doente; massagear delicadamente as áreas doentes enquanto estiver amamentando; se necessário orientar a mãe para tomada de analgésico antes de proceder à auto-ordenha; usar sutiã que sustente bem a base das mamas, mas que não as aperte; se houver demora no início do tratamento, pode-se formar um abscesso mamário, e neste caso, suspender a amamentação na mama afetada e encaminhar para a drenagem. Após a cicatrização, retornar a amamentação nos dois seios.iv) Ducto bloqueado (mama empedrada ou ingurgitada):Essa situação é provocada pelo esvaziamento incompleto de um ou mais canais,neste caso, o leite do alvéolo mamário não drena, pois o mesmo encontra-seendurecido bloqueando o canal daquele alvéolo. Uma “tumoração” dolorosa seforma na mama. A causa exata do ducto bloqueado não está clara, mas pode serresultado de roupa apertada, ou porque a posição da criança não permite àmesma sugar eficientemente aquela parte da mama.
  • 62. 59Conduta para evitar o ducto bloqueado: orientar às mães durante o pré-natal sobre as técnicas de posição e pega de amamentação; deixar o bebê sugar até o completo esvaziamento da mama, caso isto não ocorra, proceder a ordenha manual.Para tratar: auxiliar a mãe a melhorar a posição de mamada; mostrar à mãe as diferentes posições para amamentar de tal modo que o leite seja retirado de todos os segmentos da mama; manter a criança mamando freqüentemente do lado afetado; ensinar à mãe como massagear delicadamente a parte afetada em direção ao mamilo para ajudar a esvaziar aquela parte da mama.v) Hipogalactia (diminuição do leite):Queixa comum durante a amamentação é afirmar que tem “pouco leite”, ou que oleite é fraco. Isso está relacionado, freqüentemente, com a insegurança maternaquanto à sua capacidade de nutrir o filho, fazendo com que interprete o choro dacriança e as mamadas freqüentes (normal no bebê pequeno) como sinais defome.A ansiedade que tal situação gera na mãe e na família pode ser transmitida àcriança, que responde com mais choro. O complemento com leites artificiaismuitas vezes alivia a tensão materna e essa tranqüilidade vai-se repercutir nocomportamento da criança, que passa a chorar menos, reforçando a idéia de queela realmente estava passando fome.A suficiência de leite materno é avaliada através do ganho ponderal da criança eo número de micções por dia (no mínimo 6 a 8). Se a produção do leite parecerinsuficiente para a criança, pelo baixo ganho ponderal na ausência de patologiasorgânicas, cabe ao médico conversar com a mãe e tentar determinar o que está ainterferir com a produção do leite.Nesse caso, é importante orientar esta a complementar a mamada ao invés desubstituí-la pelo leite artificial, mantendo assim o estímulo da sucção,indispensável para a produção do leite. Além da sucção dos mamilos, alguns
  • 63. 60outros fatores estão relacionados com o aumento dos níveis séricos de prolactina,tais como o sono e o exercício físico.vi) Manutenção da amamentaçãoMuitas mães suspendem o aleitamento precocemente por não serem orientadas aprevenir ou tratar os problemas que surgem nos primeiros dias pós-parto ou pelapressão negativa da sociedade contra o aleitamento materno exclusivo,especificamente familiares e vizinhos.Os itens relacionados abaixo, são referidos como obstáculos ao aleitamentomaterno, porém ressalta-se que a maioria é superável através de uma boaorientação e estímulo do profissional de saúde experiente e consciente daimportância do aleitamento materno exclusivo.vii) Mitos e tabus leite fraco, leite salgado, pouco leite, arrotar ao seio, minha família não é boa de leite, etc., são relatos freqüentes das mães. Os profissionais devem ter conhecimento da filosofia da lactação e de estratégias que tranqüilizem as mulheres, promovendo o aleitamento materno exclusivo; durante o relato da mãe da existência de pouco leite ou leite fraco, deve-se avaliar os seguintes pontos: se a curva de crescimento do bebê está ascendente, realizar a expressão manual da mama para avaliar a produção de leite; observar a existência de algum problema emocional da mãe que possa interferir na produção de leite; reafirmar que não existe leite fraco; recomendar à mãe para tentar repousar entre algumas mamadas e beber mais líquidos; observar se a criança molha a fralda várias vezes ao dia.
  • 64. 61 Problemas relacionados com o bebêA) DiarréiaUm bebê alimentado com leite materno exclusivo, praticamente não ocorrediarréia aguda infecciosa, mas ocorrendo, deve ser amamentado em intervaloscurtos.Não se deve confundir as fezes semi líquidas e freqüentes do bebê que mama nopeito com diarréia. Estas são as fezes normais decorrentes desse tipo de leite.Não dar remédios e nunca trocar o leite, algumas pessoas inexperientes atribuem,erroneamente essas evacuações à “alergia” ao leite do seio ou à infecçãointestinal.O profissional de saúde deve orientar a mãe que a criança alimentada commamadeira tem risco de vir a ter diarréia 14 a 25 vezes mais que uma criançaamamentada exclusivamente ao seio.B) Pseudo-constipação intestinal (“Prisão de Ventre”)Nos primeiros dias de vida, o bebê evacua após cada mamada e depois ointervalo das evacuações vai sendo progressivamente aumentado. Alguns bebêstêm dificuldade em evacuar; fazem força, ficam vermelhos e choram, as fezes sãosemi-líquidas, coalhadas.Trata-se de uma incoordenação reto-anal por imaturidade do esfíncter anal: obebê faz força para evacuar, mas o esfíncter não abre. Pode-se ajudar a criança aevacuar, fazendo massagens no abdome, flexionando firmemente suas pernas ecoxas sobre o abdome e estimulando o esfíncter anal (basta introduzir e retirar emseguida, um supositório de glicerina) não se trata de uma verdadeira constipação,é erro indicar alimentos laxantes como mel, suco, ameixa preta, etc..A partir do 2º mês, alguns bebês evacuam em intervalos longos (até umasemana). Observar se o crescimento da criança é normal, se não ocorredistensão abdominal acentuada e se as fezes são moles. Neste caso, considerarnormal. Não dar alimentos, laxantes e remédios, só se a criança se mostrar muitoincomodada, auxiliar com supositório de glicerina e com as manobras referidasanteriormente.
  • 65. 62C) Recém nascido de baixo pesoÉ possível alimentar praticamente todos os RN de baixo peso com o leite daprópria mãe. Os RN são capazes de sugar e deglutir a partir de 34 semanas degestação. Entretanto, podem ser incapazes de sugar com força suficiente paraingerir tudo que necessitam até que atinjam peso de aproximadamente 1800gramas.Quando uma criança é prematura, o leite de sua mãe contém mais proteínas queo leite maduro. Os prematuros precisam de quantidade extra de proteínas.Quando recebem o leite da própria mãe crescem melhor do que quando recebemleite maduro de outra mulher.Deve-se alimentar um RN de baixo peso seguindo determinados passos: a mãe deve retirar o leite por expressão manual, o mais cedo possível após o parto. Para manter boa produção retirar após cada mamada, isto é, a cada 3 horas; dia e noite, ou oito vezes em 24 horas; RN´s com peso inferior a 1600 g geralmente precisam receber alimentação por sonda nasogástrica. O leite deverá fluir de uma seringa por gravidade; quando a criança pesa 1600 g e consegue engolir a mãe pode dar o leite retirado com uma pequena xícara ou copinho de café descartável; Quando pesa mais de 1600g a criança também pode tentar sugar, isto permite que aprenda a sugar e estimula os reflexos de produção do leite, ajuda a digestão e desenvolve o crescimento; Ajudar a criança a “pegar” a mama em boa posição. Um RN de baixo peso provavelmente poderá mamar adequadamente mais cedo, se sugar numa boa posição desde o começo; Inicialmente ele suga algumas vezes, descansa e, então, suga novamente. Não retirar o RN da mama enquanto ele descansa; Depois que a criança sugar tudo o que puder, deve-se retirar o leite por expressão manual e dar uma quantidade medida desse leite com uma xícara ou copinho de café descartável; manter a criança aquecida, pois o RN´s de baixo peso ficam frios facilmente e estando mal-aquecidos gastam toda a energia obtida através da alimentação, tentando manter o calor de seu organismo, por isso não ganham peso. Um
  • 66. 63 bom método de aquecimento é a criança dormir com a mãe no mesmo cobertor ou a mãe carregar o RN por dentro da roupa, entre as mamas; pesar a criança regularmente para ter certeza de que ela está ganhando peso. ContracepçãoO mecanismo que explica o porquê da mulher que amamentar não engravidarfacilmente, tem por base:O órgão que regula a fertilidade da mulher está situado na sua cabeça no cérebro,trata-se de uma glândula chamada Hipófise. Esta glândula se comunica com osórgãos do corpo da mulher (ovários, útero, mamas), através de mensagenshormonais.Normalmente na mulher em idade fértil a hipófise manda todo mês ordenshormonais endereçadas aos ovários, útero e mamas, dizendo-lhes que sepreparem para engravidar. Nesse momento um dos ovários entra emfuncionamento (o outro fica parado, não funciona neste mês), seleciona umfolículo que contém no seu interior um óvulo.No meio do ciclo menstrual esse óvulo é lançado para o exterior do ovário,embora ainda dentro do ventre da mulher, quando então será captado pelatrompa e levado para o interior do útero. Desde que a mulher tenha tido relaçõessexuais nesse período, os espermatozóides lançados no interior da vagina irãosubir para o útero e trompas, indo ao encontro do óvulo, fecundando-o, quandoentão, forma-se o ovo e a gravidez se inicia. Caminhando de volta pelas trompaso ovo chega ao útero e se aninha, prosseguindo a gravidez.Durante 9 meses a mulher não menstruará, não ovulará e não poderá engravidarneste período.O estímulo hormonal comandado pela hipófise com ação sobre o útero, o ovário emamas, após o parto, se prolonga por mais algum tempo, cerca de 45 dias, 2meses, 3 meses, 6 meses; tudo vai depender da amamentação. A mulher quealimenta o seu bebê só com o leite do seio, sem limites, atendendo apenas àssolicitações da criança, ficará por muito tempo sem ovular e sem menstruar, oumesmo menstruando, sem ovular, motivo pelo qual não engravidará.Este conhecimento não é absoluto, não significa que toda e qualquer mulher queamamente não engravidará. Existem individualidades que tem que ser
  • 67. 64respeitadas e que levam à exceções da regra, embora ela seja válida comogeneralidade sempre que as condições básicas forem respeitadas.Toda equipe da Saúde envolvida na aplicação do método anticonceptivo deveráser esclarecida das peculiaridades que o mesmo tem; se a atenção dedicada aoensino da metodologia não for cercada de cuidados especiais, os índices deinsucesso desencadearão um processo de descrédito difícil de ser superado emuma mesma comunidade por muito tempo.Assim a abordagem inicial do ensino do método deverá envolver pequenosgrupos de mães líderes, as mais experientes, para que sejam escolarizadasadequadamente e passem a servir de sustentação prática para consolidação dométodo na comunidade.O profissional de saúde deverá ter discernimento bastante para identificar no seioda clientela aquelas que:  deverão adotar o método;  não devem adotar e quais serão suas opções;  as que devem mudar de método pelo crescente risco de gravidez.Também exigem solução as seguintes situações clínicas:  paciente não menstrua, mas amamenta regulamente;  paciente não menstrua mas amamenta de forma irregular;  paciente já menstrua mas amamenta regularmente e  paciente já menstrua mas amamenta de forma irregular.Aquelas mães que amamentam regularmente, que alimentam a criançaexclusivamente com o seu leite, segundo a demanda espontânea da mesma,mais se beneficiam do uso prolongado da amamentação como métodocontraceptivo.As mães que ainda não menstruaram, mas que por alguma razão começam aamamentar de forma irregular sem qualquer critério ou mesmo começam a adotaralimentação mista para o bebê, estas são as que mais preocupam as equipes desaúde que orientam a clientela no uso da amamentação como contracepção, pois
  • 68. 65a partir do momento que elas começam a espaçar demais as mamadas, suaschances de ovulação e gravidez aumentam.Quando as usuárias do método começam a menstruar novamente, devem serorientadas a procurar o serviço de saúde para receberem novas instruções. Háque considerar a regularidade de amamentação, a intensidade de sucção e o seutempo de duração.Mães que amamentam e já menstruam costumam apresentar ciclos menstruaisirregulares, atípicos, por conta de taxas variadas de prolactina e ocitocinacirculante que interferem no ciclo menstrual.O emprego da amamentação como método contraceptivo é antigo, remonta àmilênios; sabemos que a lactação natural prolongada faz com que se alongue operíodo de amenorréia pós parto e que ela decorre da liberação hormonal de altastaxas de prolactina e ocitocina, as quais garantem a produção continuada de leiteao mesmo tempo em que inibem a ovulação. O domínio desses conhecimentoselementares de fisiologia humana permitiram correlacionar o milenar saberpopular com a realidade prática, ou seja, as mulheres sabidamente repassamentre si o aprendizado de que mãe que amamenta não engravida.Os responsáveis pelo emprego desses conhecimentos no âmbito da comunidadeusuária menos esclarecida, deverão mostrar-lhes que a eficácia do métododependerá exclusiva e individualmente das mães que amamentamcontinuamente, com regularidade seus bebês, pois àquelas outras que não ofazem e falseiam as informações, correm o risco de engravidar e invalidar ométodo.O controle clínico que a equipe multiprofissional dá ao grupo de mulheres que fazanticoncepção através da amamentação deverá ser rígido e constante; sempreque possível a equipe deverá proceder a reavaliações das componentes dogrupo, aquilatando a veracidade das suas informações, checando as injunçõessócio-econômicas que as afetam, de forma a detectar mudanças que possam vira comprometer a unidade de propósitos e que desta forma ponham em risco asegurança do método.As mães devem ser estimuladas, não só na manutenção da amamentaçãoexclusiva, mas também no abandono voluntário, sempre que não puderem manteras orientações que garantem a eficácia do intento.
  • 69. 66Nesse momento, na hora da mudança, a equipe de saúde deverá ser capaz deensinar como a mãe poderá continuar amamentando sem engravidar.Qual é o método complementar que será mais adequado para cada caso, isso éde suma importância para o respeito da equipe, tanto quanto o apoio às mães queengravidam utilizando o método devem receber.Aquelas pacientes que manifestaram o desejo de fazer anticoncepção usandoapenas a amamentação deverão ser orientadas para retornar ao Centro de Saúdepara receber instruções que garantirão a eficácia do método, logo nos dias após oparto, tanto no parto normal como no cirúrgico.Os membros da equipe de saúde envolvidos no planejamento familiar deverãoexaminar as puérperas que procurarem o Centro, em busca de sinais queindiquem dificuldades na amamentação: mamilo protraído, fissuras,ingurgitamento, excesso de leite em uma das mamas, empedramento, dormamária, dificuldade para amamentar certo, febre e calafrios.Os membros da equipe orientarão e treinarão as mães, individualmente em comopreparar as mamas para as mamadas.Identificar no meio do grupo de puérperas aquelas que já têm alguma experiência,que tem jeito para amamentar e usá-las como exemplo para demonstração.As puérperas deverão ser orientadas para atender a demanda espontânea dobebê. Sempre que ele solicitar deverá dar o peito, iniciando sempre pelo lado quefoi sugado por último, pois estará mais cheio de leite que o outro. Assim não háhorários a serem seguidos ou estabelecidos.Na amamentação natural a mãe deve ser orientada e estimulada a só dar o bicodo peito ao bebê.Recomendar que não use chá, água, glicose, exceto se recomendados pelomédico, esclarecer à puérpera que todos os elementos de que o bebê precisaestão contidos no leite materno.As puérperas que permanecerem hospitalizadas de forma prolongada ou cujosbebês ficarem no berçário por vários dias, deverão ser orientadas como procederno aparecimento do leite, como escoá-lo se o bebê não puder sugar. O pai poderáajudar, outra criança sadia poderá sugar, encaminhá-la ao banco de leite paraque possa doar o seu leite e aliviar a tensão mamária enquanto aguarda pelaliberação do seu filho.
  • 70. 67As dúvidas a respeito de antibióticos, se deve ou não amamentar enquanto ostoma, as cólicas e diarréia, tudo deverá ser esclarecido pela equipe de saúdeantes ou depois do parto, nas palestras grupais.As mães que amamentam permanentemente segundo as solicitações do bebê, dedia e de noite são as que se dão melhor com o método. Aquelas que passammuitas horas sem amamentar, ou amamentam de forma irregular por váriasrazões, preguiça, descuido, irresponsabilidade, local de trabalho distante, etc.,estas deverão ser orientadas quanto ao risco de gravidez. As mães que deixamas crianças na creche do local de trabalho deverão estabelecer uma rotina, umintervalo regular que permita manter o ritmo da mamada espontânea.Para as pacientes que estão usando a amamentação como anticoncepção éimportante ressaltar que após os 03 meses de parto as chances de ovulação egravidez aumentam. Após os 06 meses o risco é grande para quem evita apenascom a amamentação, principalmente se já estiver menstruando regularmente.Nesses casos recomendar a adoção de um método complementar:  DIU  CONDOM (camisinha)  TABELA  DIAFRAGMA  PÍLULA COM PROGESTÁGENO DesmameO fundamental é preservar a alimentação ao seio até o segundo ano de vida.Para isto, não introduzir outro leite, mesmo sendo uma fórmula infantil, leite devaca modificado, que se apresente apropriado para esta fase. E,conseqüentemente não é necessário o uso de mamadeiras e chupetas. Aos 4-6meses o bebe tem condições de usar bem o copo (aberto ou com tampa) e tomarsuco de frutas ou água de côco, por exemplo, na colação, pequeno lanche damanhã. Na hora do almoço, introduzir uma refeição-de-sal, baseada na comida dafamília, com adaptações (exclusões de alguns condimentos e inclusões deverduras, legumes, hortaliças). Reparar, que não é "sopa", e sim papa, ou seja,mais consistente, com menos água. Deve-se acrescentar 5 ml de azeite de oliva,
  • 71. 68sobre a refeição "salgada", para aumentar o aporte calórico (energético) e devitaminas lipossolúveis.No lanche à tarde, uma papa de frutas, também oferecida na colher. Todos estesnovos alimentos sólidos são amassados com o garfo ou passados na peneira,nunca no liquidificador.Na hora do jantar espera-se que a nutriz (ou lactante) já tenha chegado dotrabalho para amamentar. A introdução destes novos alimentos deve ser feita aospoucos, em quantidade e qualidade, e na primeira semana de adaptação,complementada com mamadas ao seio. O leite materno ordenhado, retiradodurante o trabalho materno, deve ser conservado em frascos limpos, armazenadoem geladeira e levado ao refrigerador podendo ser dado no dia seguinte,substituindo ou complementando uma destas refeições de "desmame".Todo este esquema deve ser planejado e é fundamental que a pessoa que tomaconta ou a creche estejam inteirados com o procedimento. Eis aí uma ótimaoportunidade para o pai participar mais ativamente.Consultar Médico Pediatra (capacitado em aleitamento materno), umaNutricionista infantil ou a da creche. Embora no início, o bebê recuse os novosalimentos, um reflexo primitivo de extrusão, e pense que está sendo "rejeitado".Marcus Renato de Carvalho - Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação Como retirar o leite materno Figura 15 - Mulheres da Fábrica Ônix, retirando leite no intervalo
  • 72. 69i. Retirada de Leite ManualA melhor forma de retirar leite do seio, é usando as próprias mãos. É prático,barato e não machuca. O uso de bombas manuais pode prejudicar aamamentação.São várias as razões para a retirada do leite: para dar ao bebê, quando não estiver com a mãe; para aumentar a produção de leite e para prevenir ou aliviar a congestão mamária.Algumas mães sentem dificuldade de ordenhar seu leite, mesmo quando seusfilhos são capazes de mamar todo o leite que necessitam. Não se deve avaliar aprodução de leite pela quantidade que se pode extrair. Muitas são as razões parase ter dificuldade na retirada do leite, mas, principalmente, o aspecto psicológicointerfere na descida do leite.ii. Procedimento de retirada Antes de começar, lavar bem as mãos; Se possível, ordenhar o leite em um local silencioso e tranqüilo. Imaginar-se num local agradável e ter bons pensamentos em relação ao filho. A capacidade de relaxar-se ajudará a obter um melhor reflexo de ejeção de leite; Aplicar compressas mornas nos seios por 3-5 minutos antes de iniciar a ordenha; Figura 16 - Maneiras de colher leite do seio
  • 73. 70 Fazer uma massagem circular seguida de outra de trás para frente até o mamilo; Estimular suavemente os mamilos estirando-os ou rodando-os entre os dedos; Extrair o leite e desprezar os primeiros jorros de leite de cada lado; Ordenhar o leite para um recipiente limpo de plástico duro ou de vidro; Colocar o polegar sobre a mama, onde termina a aréola e os outros dedos por debaixo também, na borda da aréola; Figura 17 - Como proceder na coleta de leite Comprimir contra as costelas e também entre o polegar e o indicador, por detrás da aréola; Repetir o movimento de forma rítmica, rodando a posição dos dedos ao redor da aréola para esvaziar todas as áreas; Alternar as mamas cada 5 minutos ou quando diminuir o fluxo de leite. Lembrar de repetir a massagem e o ciclo várias vezes; A quantidade de leite que se obtenha em cada extração pode variar. Não é raro que isto aconteça.Atenção: Evite fazer isso: Figura 18 - Maneira incorreta de colher leite1. Não apertar o mamilo, pois pode machucá-lo;2. Passar as mãos por todo o seio, como na ilustração pode machucar a pele;
  • 74. 713. Se puxar o mamilo também pode machucá-lo.iii. Depois da Extração Depois da ordenha, passar umas gotas de leite nos mamilos e deixar secar ao ar livre; A aparência do leite que se extrai, cada vez é variável. Ao princípio é claro e depois do reflexo de ejeção mais branco e cremoso. Alguns medicamentos, alimentos ou vitaminas podem mudar levemente a cor do leite. As gorduras do leite bóiam ao guardá-lo; Imediatamente depois de extraí-lo, feche o recipiente aonde o acondicionou e marque numa etiqueta a data, a hora e a quantidade.Fonte: Wellstart International - Hand expression of Breastmilk (Tradução: Marcus Renato de Carvalho) e ManualExpression of Breastmilk: Marmet Technique by Chele Marmet and The Lactation Institute - Tradução: Prof. MarcusRenato de Carvalho.iv. Como estocar o leite maternoDepois da ordenha, deve-se seguir cuidadosamente as recomendações paraguardar, congelar e descongelar o leite. A aparência do leite pode mudar aoconservá-lo visto ocorrer que os componentes com freqüência se separam.Com uma ordenha adequada e conservação do leite, o lactente receberá osbenefícios deste, ainda que não possa ser amamentado.Não esquecer: Lavar bem as mãos antes de manipular o leite; Extrair manualmente os primeiros jorros e descartá-los (este leite contém uma maior quantidade de bactérias); Escolher o recipiente: ordenhar diretamente a um recipiente limpo ou estéril. Bebê normal - pequenos recipientes de vidro (deve-se poder lavá-lo com uma escova ou à mão com água quente e detergente enxugando-o bem) Bebê prematuro ou doente - recipiente de vidro, estéril. Imediatamente depois da ordenha, fechar o recipiente e colocá-lo sob água com gelo por 1-2 minutos. Então estará pronto para guardá-lo na zona mais fria do refrigerador ou congelador (nunca na porta); Utilizar sempre o leite mais antigo;
  • 75. 72v. ConservaçãoTentar guardar mais ou menos as quantidades que o bebê recebe em cadamamada. Marcar cada rótulo com o nome, data, hora e quantidade. Caso vácongelá-lo, deixar espaço no recipiente para algum aumento de volume. Tempo de Conservação MÉTODO TEMPO Refrigerador 24 horas Congelador da geladeira ou 15 dias freezer Nunca se deve estocar o leite na porta da geladeira!!! Figura 19 - Tempo de conservação Instruções para juntar leite fresco ao leite refrigerado Bebê normal - esfria bem o leite antes de juntá-lo ao ordenhado anteriormente. Pode-se misturar com leite extraído durante um período de 24 horas. Bebê prematuro ou doente - não se recomenda misturar leites. Use um recipiente separado para cada ordenha. Instruções para juntar leite fresco ao leite congelado Bebê normal - esfriar bem antes de juntá-los. O leite congelado não deve descongelar-se e tornar a congelar. Bebê prematuro ou doente - não se recomenda. Recongelar Não se recomenda, uma vez que o leite tenha sido total ou parcialmente descongelado. Por esta razão é melhor esperar para congelar o leite em seu destino final. Reutilização da porção que o bebê não terminou (Leite morno antes de oferecê-lo ao bebê)
  • 76. 73 Bebê normal - permite-se somente uma vez, se o leite for esfriado entre cada alimentação. Não usar o leite que ficou no copo, porque a saliva pode contaminá-lo. Bebê prematuro ou doente - não se recomenda. Para descongelar o leite descongelar lentamente deixando-o no refrigerador na noite anterior (o calor excessivo destrói enzimas e proteínas); agitar o recipiente com leite, em água quente, não fervendo; descongelar a quantidade total, já que as gorduras se separam ao congelar; nunca use o microondas; depois de descongelado usá-lo dentro de 24 horas.Fonte: Wellstart International - Milk storage guidelines for hospitalized infantsTradução: Marcus Renato de Carvalho A Importância do Pai na AmamentaçãoNas famílias modernas surge a necessidade dos pais darem apoio psicológico eassistência às mães. Em estudos efetuados provou-se ser o pai uma figuraimportante para a prática do aleitamento materno. No entanto, muitos pais nãosabem de que maneira podem apoiar as mães, provavelmente devido à falta depreparação. O profissional de saúde deve dar atenção ao novo pai e estimulá-lo aparticipar neste período vital para a família.Além dos pais, os profissionais de saúde devem tentar envolver as pessoas quetêm uma participação importante no dia-a-dia das mães e das crianças, comoavós, familiares, etc.. Conciliando a amamentação e o trabalho fora de casaO trabalho materno fora do lar é um obstáculo à amamentação. Apesar disso, astaxas de aleitamento materno entre as mães que trabalham fora do lar mostramque é possível conciliar trabalho e amamentação.Conselhos a observar:1. Praticar o aleitamento materno exclusivo;2. Avaliar no local de trabalho onde poderá retirar e armazenar o leite;
  • 77. 743. Familiarizar a criança com antecedência (10 a 14 dias) com a pessoa que vaicuidar dela e o alimento que vai receber na sua ausência;4. Amamentar o maior número de vezes que puder, quando estiver em casa;5. Amamentar logo antes de sair de casa e assim que chegar;6. Não alimentar o bebê próximo do horário de chegada da mãe para que o seioseja esgotado durante a mamada;7. Evitar ao máximo o uso de biberão no período em que a mãe estiver fora decasa. Se a criança não for muito pequena, alimentá-la com papas ou sumos,usando uma colher ou um copinho;8. Durante as horas do trabalho, esgotar o seio manualmente, ou com bomba, eguardar o leite no refrigerador no máximo 24-48 horas;9. Oferecer o leite à criança na ausência da mãe ou congelá-lo;10. O leite em estoque nunca deve ser fervido ou colocado no microondas. Deve-se deixar descongelar naturalmente e aquecer em banho-maria.
  • 78. 753. O PAPEL DO ALEITAMENTO MATERNO NO DESENVOLVIMENTO DENTOFACIAL DO BEBEA sucção é um mecanismo reflexo do bebê considerado fisiológico na vida dacriança até os dois a três anos de idade. Este mecanismo é necessário, nãosomente para a alimentação do bebê, mas também para estimular o crescimentoe o desenvolvimento mandibular no sentido sagital e das estruturas adjacentes.Ao nascimento, o bebê apresenta a mandíbula menos desenvolvida que a maxila.Esta condição deve ser anulada até o final dos primeiros 12 meses de vida dobebê por meio do movimento de ordenha do peito materno, que além de estimularo crescimento da mandíbula no sentido sagital, da musculatura bucal e dos ossos,reforça o circuito neurofisiológico da respiração e da mastigação. Esse fato aindacontribui favoravelmente no desenvolvimento da maxila.Os bebês que se alimentam exclusivamente pelo seio materno têm melhordesenvolvimento dos arcos dentários, do palato, da musculatura perioral e deoutras estruturas faciais, devido ao esforço que é convertido em estímulo,necessário a essa sucção, quando comparados aos lactentes que se amamentampor mamadeira, que podem, ainda, apresentar hipotonicidade da musculaturaperioral.A hipotonicidade ocorre em decorrência do menor esforço necessário para asucção da mamadeira, já que para a maior comodidade das mães e babás, elasalgumas vezes aumentam o orifício do bico da mamadeira para facilitar a saída doleite.O aleitamento materno representa o fator inicial para o bom desenvolvimentodento facial, favorecendo a obtenção de uma oclusão dentária normal econseqüentemente uma mastigação correta futura. Os maxilares bemdesenvolvidos propiciam um adequado funcionamento do sistema mastigatório erespiratório da criança, minimizando a necessidade futura de correção de hábitosbucais nocivos, entre eles, chupar o dedo, a chupeta e maloclusões (como amordida aberta), que necessitarão do auxílio de aparelhos ortodônticos no futuro.A literatura relata que a sucção é um reflexo normal para a criança até no máximode quatro anos de idade. O hábito de chupeta torna-se nocivo quando persiste porum período superior a três anos.
  • 79. 76O uso prolongado de chupetas pela criança pode decorrer de problemaspsicológicos e/ou ambientais bem como algum distúrbio na alimentação, seja poraleitamento materno insuficiente ou rapidez no caso do aleitamento artificial(mamadeira). O ato de amamentar no peito estabelece um vínculo importanteentre a mãe e o bebê, representando um momento de satisfação do apetite e doafeto. O Ministério da Saúde contra indica o uso de chupetas, pois pode facilitar odesmame. Considera-se que o seu uso deve ser avaliado pelo pediatra queacompanha o bebê durante a puericultura nos primeiros meses de vida.Os trabalhos da literatura indicam que em média, dentre os 82% dos bebês quereceberam aleitamento materno, 66% não possuem hábitos nocivos para aoclusão dentária, fato que vem a comprovar que o aleitamento materno deve ser,por mais essa razão, incentivado.Em casos particulares, de problemas com o aleitamento materno, como porexemplo, diminuição da produção de leite, quando o pediatra recomenda o uso demamadeira para complementação ou substituição do leite materno, as mãesdevem estar atentas ao tamanho do orifício do bico da mamadeira. Esse orifícionão deve ser aumentado para facilitar a saída do leite, visto que é necessário queo bebê exercite a musculatura peribucal, durante a sucção da mamadeira, para acorreta formação dos arcos dentários. Lembrando que, a mamadeira, assim comoa chupeta, se não tiver como evitar, pode ser mantida até no máximo os três anosde idade, a partir dessa data, esse hábito começa a prejudicar o desenvolvimentoe crescimento facial.Portanto, o aleitamento materno durante os primeiros seis meses de vida dobebê, representa também um fator primordial para o correto estímulo aocrescimento e desenvolvimento maxilo-mandibular, favorecendo adequadaoclusão dentária e as funções vitais intermediadas pelo sistema estomatognático(respiração, sucção, deglutição e mastigação).3.1. Benefícios para a saúde oral  Diminui a infecção causada pelo "streptococus mutans" e outros microorganismos;
  • 80. 77 Incrementa a resistência do esmalte e demais tecidos duros do dente, pela melhor absorção de cálcio e flúor, pelas características dos lipídios do leite materno; Aumenta a secreção de saliva, mantendo-se um pH adequado da cavidade oral, o que contribui para diminuir a incidência de cáries; Ao amamentar de forma exclusiva e não usar mamadeira, mesmo depois dos 4-6 meses, estão ausentes as "cáries de mamadeira", propiciadas pelo leite açucarado e outros alimentos adocicados ingeridos por esta via; A estabilidade psicológica da criança amamentada proporcionada pelo aleitamento ao seio, contribui para diminuir a prevalência de hábitos orais incorretos, que provocam sérias maloclusões, que afetam a estética a função buco-maxilo-facial; Os fatores e agentes antimicrobianos e imunológicos adquiridos durante o aleitamento evitam estados alérgicos e infecciosos, principalmente os respiratórios que geralmente provocam respiração bucal e anomalias dento - faciais; Favorece uma adequada posição lingual (a natural), facilitando o equilíbrio dentário; A função muscular durante a amamentação possibilita o melhor desenvolvimento dos maxilares e facilita a erupção e alinhamento dos dentes; O incremento do movimento mandibular durante a amamentação com função potencializada dos músculos propulsores e do fechamento da boca, evita o retrognatismo mandibular, obtendo-se melhor relação entre o maxilar e a mandíbula; Com a exercitação dos músculos mastigadores no ato de mamar, diminuem mais de 50% cada um dos indicadores de maloclusões dentárias (ressalto, apinhamento, mordida cruzada posterior, mordida aberta, disoclusões, rotações dentárias...), que afetam consideravelmente a estética e a função dento - facial da criança. El logro de una salud bucal satisfactoria en la infancia representa una gran ventaja psico-social y economica para la familia. Dr. Geraldo Ortega Valdés Clinica Estomatológica de Nueva Gerona - CUBA Publicado originalmente www.aleitamento.com em 26/3/2003 Autor: Dr. Geraldo Ortega Valdés Data: 13/1/2006
  • 81. 78O aleitamento materno é a prevenção básica para as disfunções estruturais emquem respira pela boca. Quando o bebê suga o peito da mãe já trabalha para quea mandíbula fique bem posicionada, o que se reflete até na estruturação dacoluna vertebral. No ato de sucção do leite materno a respiração é feitacorretamente pelo nariz, havendo vedamento labial e tônus muscular adequado,permitindo o bom posicionamento da cabeça e coluna cervical, bem como omecanismo da ATM, explica a fisioterapeuta Cláudia Nadir de Andrade Medeiros,do Projeto Respire Bem e Viva Melhor.Segundo ela, na infância a criança pode alterar o padrão respiratório,desenvolvendo a Síndrome do Respirador Bucal (SRB). Isso acontece pordiversos fatores, a exemplo das alterações morfológicas (desvio de septo,hipertrofia da adenóide e amígdalas), assim como os decorrentes de maushábitos (morder tampa da caneta, chupar o dedo, e o vício de manter a bocaaberta). Quando instalada desde a infância, a SRB causa graves transtornos àsaúde, levando a alterações morfológicas irreversíveis na fase adulta, quando hádisfunções musculares e perda do alinhamento postural.
  • 82. 794. O DIREITO DE AMAMENTAR E DE SER AMAMENTADO - LEGISLAÇÕES CRIADAS QUE GARANTEM ESTE DIREITOA legislação brasileira é considerada uma das mais avançadas na proteção aoaleitamento materno e ao direito da criança à amamentação nos seis primeirosmeses, exclusivamente no peito materno, e até dois anos ou mais com a adiçãode outros alimentos líquidos e sólidos (convém sempre estar lembrando-se disso).A Constituição Federal garante à mulher que trabalha fora do lar a licençamaternidade e o direito à garantia no emprego à gestante e durante o período delactação. Às presidiárias, a Constituição assegura condições para que possampermanecer com seus filhos durante o período de amamentação.A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) assegura o direito à creche para quea mulher possa amamentar seu filho, bem como o direito, durante a jornada detrabalho, a dois descansos especiais, de meia hora cada um, para aamamentação.O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código de Defesa doConsumidor (CDC), como legislação correlata, contemplam, em diversos artigos,o direito da criança quanto à amamentação e a comercialização de alimentos aela destinados. Em cumprimento às normas constitucionais e legais de proteçãoao aleitamento materno, o Ministério da Saúde por seus diversos órgãos e aAgencia Nacional de Vigilância Sanitária vêm ao longo do tempo aperfeiçoandométodos e condutas, com instrumentos próprios (Resoluções, Portarias etc.).O Brasil assinou a Declaração de Innocenti, Código de conduta, em 1º de agostode 1990, na Itália, durante Encontro internacional que reuniu grupo deFormuladores de políticas de saúde de Governos agências bilaterais e daOrganização das Nações Unidas (ONU), para a proteção e incentivo aoaleitamento materno.
  • 83. 80Em síntese, na proteção legal ao aleitamento materno, pode ser destacado oseguinte:4.1. Licença maternidadeÀ empregada gestante é assegurada licença de 120 dias consecutivos, semprejuízo do emprego e da remuneração, podendo ter início no primeiro dia donono mês de gestação, salvo antecipação por prescrição médica (ConstituiçãoFederal – artigo 7º inciso XVIII).4.1.1. Licença Maternidade de 6 meses é aprovada no Senado para empresas cidadãs Texto: PROJETO DE LEI DO SENADO DE 2005Cria o Programa Empresa Cidadã, destinado à prorrogação da licença-maternidade medianteconcessão de incentivo fiscal.O CONGRESSO NACIONAL decreta:Art. 1º Fica instituído o Programa Empresa Cidadã, destinado a prorrogar por sessenta dias aduração da licença-maternidade prevista no art. 7º, XVIII, da Constituição Federal.Parágrafo único. A prorrogação será garantida à empregada da pessoa jurídica que aderir aoPrograma, desde que a empregada a requeira até o final do primeiro mês após o parto, econcedida imediatamente após a fruição da licença-maternidade de que trata o art. 7º, XVIII, daConstituição Federal.Artigo 2º Durante o período de prorrogação da licença-maternidade, a empregada terá direito àsua remuneração integral, nos mesmos moldes devidos no período de percepção do salário-maternidade pago pelo regime geral de previdência social.Artigo 3º No período de prorrogação da licença-maternidade de que trata esta Lei, a empregadanão poderá exercer qualquer atividade remunerada e a criança não poderá ser mantida emcreche ou organização similar.Parágrafo único. Em caso de descumprimento do disposto no caput deste artigo, a empregadaperderá o direito à prorrogação.Art. 4º A pessoa jurídica que voluntariamente aderir ao Programa Empresa Cidadã terá direito,enquanto perdurar a adesão, à dedução integral, no cálculo do imposto de renda da pessoajurídica, do valor correspondente à remuneração integral da empregada nos sessenta dias deprorrogação de sua licença-maternidade;Art. 5º O Poder Executivo, com vistas ao cumprimento do disposto nos arts. 5º, II, 12 e 14 da LeiComplementar 101, de 4 de maio de 2000, estimará o montante da renúncia fiscal decorrente dodisposto nesta Lei e o incluirá no demonstrativo a que se refere o § 6º do art. 165 da Constituição,que acompanhará o projeto da lei orçamentária cuja apresentação se der após decorridossessenta dias da publicação desta Lei.Art. 6º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeirodia do exercício subseqüente àquele em que for implementado o disposto no artigo anterior.JUSTIFICAÇÃOUm dos avanços sociais de maior significado para a evolução da sociedade humana no séculoXX é a formulação dos direitos básicos da criança e do adolescente, que surge comoreconhecimento da complexa especificidade do ser humano no período de vida marcado pelosfenômenos de crescimento e desenvolvimento. Essa nova visão, fundada na evidência científicaacumulada em todos os ramos de conhecimento pertinentes, permitiu a elaboração da doutrinajurídica que confere à criança o estatuto de cidadão.
  • 84. 81Na esteira dessa grandiosa conquista, o Estado brasileiro tornou-se signatário das decisõesoriundas da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos da Criança e doAdolescente (ECA), acolhendo, como conseqüência, no art. 1º do ECA, o princípio da ProteçãoIntegral, do qual decorre a elevação de crianças e adolescentes brasileiros à condição de sujeitosde direitos. Vale dizer que as políticas públicas, medidas legais e atos legislativos que tenham aver com o estrato populacional infanto-juvenil terão como marco referencial os interessesprimordiais advindos da sua condição especial de pessoas em desenvolvimento.O êxito do crescimento e desenvolvimento da criança, desde a vida intra-uterina, depende denumerosos fatores do meio ambiente em que se passa sua existência, mas, fundamentalmente,da criação de vínculo afetivo adequado com a mãe, o pai e demais membros do grupo social dafamília que a acolhe. Por outro lado, os laços fortes desse apego mãe-filho, filho-mãe, mãe-filho-pai-família construído no primeiro ano de vida, e particularmente nos seis primeiros meses, sãoindispensáveis ao surgimento da criança sadia, do adolescente saudável e do adulto solidário -emocionalmente equilibrados -, alicerces seguros de uma sociedade pacífica, justa e produtiva.A licença-maternidade de 120 dias assegurada à trabalhadora brasileira no artigo 7º, inciso XVIII,da Constituição Federal, foi um passo vigoroso na garantia do direito da criança às condiçõesmínimas para o estabelecimento do vínculo afetivo que a normalidade de seu crescimento edesenvolvimento requer.Ora, o processo biológico natural, ideal, embora não único, para a construção dessa ligaçãoafetiva intensa que se faz no primeiro ano de vida é o aleitamento materno. A amamentação nãose presta apenas a prover nutrição ao lactente. Permite o contato físico com a mãe, aidentificação recíproca entre mãe e filho, bem como o despertar de respostas a estímulossensoriais e emocionais, compartilhadas num continuum bio-psicológico, que se configura comounidade afetiva incomparável. Por isso, e por proposta brasileira, a Organização Mundial daSaúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses devida. É a forma natural de propiciar a plenitude do vínculo afetivo original que, na espéciehumana, se faz, de maneira insubstituível, nesse período. O princípio vale, inclusive, para mãestrabalhadoras que não conseguem, por qualquer razão, amamentar seus filhos. Mesmo não lhespodendo alimentar com leite humano, podem garantir-lhes, com igual plenitude, todos os demaisestímulos essenciais ao estabelecimento do vínculo afetivo, desde que estejam disponíveis paracuidarem dos filhos. Por isso, a Constituição, sabiamente, não restringe a licença maternidade àsmulheres que estejam amamentando.Ao defender o aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses de vida, o Brasilrevelou sensibilidade diante de uma exigência crucial para a alimentação saudável no primeiroano de vida. Contribuiu, também, para reforçar a definição da duração mínima desejável dalicença-maternidade capaz de assegurar a excelência dos fenômenos decisivos que se passamno primeiro ano, dos quais depende a saúde do cidadão e, como conseqüência, o bem-estar detoda a sociedade.É, pois, inadiável, a formulação de mecanismo jurídico que torne possível a prorrogação, por doismeses, da licença-maternidade de quatro meses determinada constitucionalmente, sem prejuízode direitos adquiridos e sem custos adicionais para as empresas. Só assim será possível corrigir,em consonância com o que outros países já fizeram, o desencontro entre o que a ConstituiçãoFederal preceitua, o que a evidência científica recomenda e o Poder Público tem procuradoimplementar com a adoção de estratégias que visam estimular o aleitamento materno exclusivopor seis meses.O Poder Público tem se valido do caminho do incentivo fiscal para atrair empresas a um nívelelevado de compromissos sociais. Trata-se de solução justa e defensável numa economia demercado e numa sociedade democrática, cuja lógica deve ser a do convencimento e não a daimposição.Em vista dessas considerações, o intuito do presente projeto de lei é a criação do ProgramaEmpresa Cidadã, destinado a estimular a prorrogação da licença-maternidade estabelecida naConstituição Federal, por período de sessenta dias, mediante a concessão de incentivo fiscal quedemonstre o verdadeiro compromisso do Estado com a evolução social da nação.A adesão ao programa é voluntária e, desde que realizada, confere à empresa o direito dededuzir, do imposto de renda devido, o valor correspondente à remuneração da empregadareferente aos sessenta dias que perdurar a prorrogação da licença-maternidade.Projeções indicam que a renúncia fiscal decorrente da proposição é palatável. Corresponde acerca de R$ 500 milhões, referente à dedução, do imposto de renda devido, da remuneração daempregada afastada.
  • 85. 82Constata-se, pois, que, em vista dos imensos ganhos sociais da iniciativa, a relação custo-benefício da proposta é claramente positiva, razão pela qual solicito o apoio dos nobresparlamentares. Sala das Sessões, Senadora PATRÍCIA SABOYA GOMES Revista Consultor Jurídico, 18 de outubro de 20074.2. Direito à garantia no empregoÉ vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da mulher trabalhadoradurante o período de gestação e lactação, desde a confirmação da gravidez atécinco meses após o parto.(Ato das disposições constitucionais transitórias - artigo 10 – inciso II, letra b)4.3. Direito à crecheTodo estabelecimento que empregue mais de trinta mulheres com mais de 16anos de idade deverá ter local apropriado onde seja permitido às empregadasguardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período de amamentação.Essa exigência poderá ser suprida por meio de creches distritais mantidas,diretamente ou mediante convênios, com outras entidades públicas ou privadascomo SESI, SESC, LBA, ou de entidades sindicais. (Consolidação das Leis doTrabalho – artigo 389 – parágrafos 1º e 2º)4.4. Direto de pausas para amamentarPara amamentar o próprio filho, até que este complete seis meses de idade, amulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a dois descansos especiais, demeia hora cada um. Quando exigir a saúde do filho, o período de seis mesespoderá ser dilatado a critério da autoridade competente. (Consolidação das Leisdo Trabalho – artigo 396 – parágrafo único)4.5. Alojamento Conjunto 1982 Portaria 18 do Inamps/Ministério da Saúde estabeleceu a obrigatoriedade do alojamento conjunto. 1986 Portaria do Ministério da Educação - MEC, tornando obrigatório o alojamento conjunto nos hospitais universitários.
  • 86. 83 1993 Portaria GM/MS nº 1016, com a atualização das normas.4.6. Lei do Acompanhante Edição Número 67 de 08/04/2005 Atos do Poder Legislativo LEI N o 11.108, DE 7 DE ABRIL DE 2005Altera a Lei n o 8.080, de 19 de setembro de 1990, para garantir às parturientes o direito àpresença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito doSistema Único de Saúde - SUS.O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICAFaço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:Art. 1º O Título II "Do Sistema Único de Saúde" da Lei n o 8.080, de 19 de setembro de 1990,passa a vigorar acrescido do seguinte Capítulo VII "Do Subsistema de Acompanhamento duranteo trabalho de parto, parto e pós-parto imediato", e dos arts. 19-J e 19L:"CAPÍTULO VIIDO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DURANTE O TRABALHO DE PARTO, PARTO EPÓS-PARTO IMEDIATOArt. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde SUS, da rede própria ou conveniada,ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante durante todo operíodo de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.§ 1o O acompanhante de que trata o caput deste artigo será indicado pela parturiente.§ 2o As ações destinadas a viabilizar o pleno exercício dos direitos de que trata este artigoconstarão do regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão competente do Poder Executivo.Art. 19-L. (VETADO)"Art. 2 o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.Brasília, 7 de abril de 2005; 184 o da Independência e 117 o da República. JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto Humberto Sérgio Costa Lima Autor: Ministério da Saúde Data: 11/4/20054.7. Norma de Comercialização 1988 - Aprovação, pelo Conselho Nacional de Saúde, da Norma para Comercialização de Alimentos para Lactentes (Resolução Nº 5), elaborada com base no Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno. 1990 - Aprovação do Código de Defesa do Consumidor, que reforça vários artigos da Norma de Comercialização de Alimentos para Lactentes. 1992 - Aprovação, pelo Conselho Nacional de Saúde, do novo texto da Norma Brasileira para Comercialização de Alimentos para Lactentes
  • 87. 84 (Resolução Nº 31), que inclui item específico sobre o uso de bicos e mamadeiras. 1992 - Acordo mundial entre o UNICEF e OMS com a Associação Internacional de Fabricantes de Alimentos, para cessar o fornecimento gratuito ou a baixo custo de leites artificiais a maternidades e hospitais. 1994 - Publicado parecer Nº 62/94 da Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde, que redefine as penalidades para as infrações à norma. 2006 - Aprovada a lei federal nº 11.265/06, que regulamenta a propaganda abusiva dos produtos que interferem na amamentação. A lei foi elaborada com base na Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Criança de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL), constituída pela Portaria MS nº 2.051/01 e pelas resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) nº 221 e nº 222/02. A lei prevê autuação e punição para estabelecimentos de saúde e empresas que não se enquadrarem nos dispositivos da legislação.4.8. Estatuto da Criança e do Adolescente 1990 - Aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei Nº 8069, que assegura à gestante, pelo Sistema Único de Saúde, o atendimento antes e após o parto.4.9. Hospital Amigo da Criança 1994 - Portaria Nº 1.113, do Ministério da Saúde, que assegura pagamento de 10% a mais sobre a assistência ao parto, aos Hospitais Amigos da Criança vinculados ao Sistema Único de Saúde. 1994 - Portaria Nº 155, da Secretaria de Assistência à Saúde (MS), que estabelece os critérios para o credenciamento dos Hospitais como Amigo da Criança.4.10. Resolução da Diretoria Colegiada Nº. RDC Nº. DE 171, DE 4 de Setembro de 2006. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o funcionamento de Bancos de Leite Humano.
  • 88. 85A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da atribuição que lheconfere o inciso IV do art. 11 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº. 3.029, de 16 de abril de1999, e tendo em vista o disposto no inciso II e nos §§ 1º e 3º do art. 54 do Regimento Internoaprovado nos termos do Anexo I da Portaria nº. 354 da ANVISA, de 11 de agosto de 2006,republicada no DOU de 21 de agosto de 2006, em reunião realizada em 28 de agosto de 2006, econsiderando que a promoção, a proteção e o apoio à prática da amamentação sãoimprescindíveis à saúde da criança, combate à desnutrição e à mortalidade infantil;considerando que a atuação dos Bancos de Leite Humano constitui uma medida eficaz para aspolíticas públicas de amamentação; considerando a necessidade de dispor de leite humano emquantidade e qualidade que permita o atendimento aos lactentes internados nas unidadesneonatais e os que estão impossibilitados de serem amamentados diretamente ao peito;considerando que o parágrafo 4º do artigo 199 da Constituição Federal de 1988, veda todo tipo decomercialização de órgãos, tecidos e substâncias humanas; considerando que a instalação e ofuncionamento dos Bancos de Leite Humano requerem uma normalização técnica específica a fimde evitar riscos à saúde dos lactentes e lactantes, adota a seguinte Resolução da DiretoriaColegiada e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação:Art. 1º Aprovar o Regulamento Técnico que define normas de funcionamento para os Bancos deLeite Humano (BLH), em anexo.Art. 2º Estabelecer que a construção, reforma ou adaptação na estrutura física do BANCO DELEITE HUMANO (BLH) deve ser precedida de aprovação do projeto junto à autoridade sanitárialocal em conformidade com a RDC/ANVISA nº. 50, de 21 de fevereiro de 2002 e a RDC/ANVISAnº. 189, de 18 de julho de 2003.Art. 3º As Secretarias de Saúde Estaduais, Municipais e do Distrito Federal devem implementar osprocedimentos para a adoção do Regulamento Técnico estabelecido por esta RDC, podendoadotar normas de caráter suplementar, com a finalidade de adequá-lo às especificidades locais.Art. 4º Os atos normativos mencionados neste Regulamento, quando substituídos ou atualizadospor novos atos, terão a referência automaticamente atualizada em relação ao ato de origem.Art. 5º É vedada a comercialização dos produtos coletados, processados e distribuídos peloBANCO DE LEITE HUMANO e pelo Posto de Coleta de Leite Humano.Art. 6º O descumprimento das determinações deste Regulamento Técnico constitui infração denatureza sanitária, ficando sujeito o infrator a processo e penalidades previstas na Lei nº. 6437, de20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades penal e civil cabíveis.Art. 7º Os Bancos de Leite Humano e os Postos de Coleta de Leite Humano têm o prazo de 180(cento e oitenta) dias, a contar da data da publicação, para se adequarem ao estabelecido nesteRegulamento Técnico.Art. 8º Revogar o subitem “d” do item 25 (Alimentos Naturais) do anexo I (Padrões MicrobiológicosSanitários Para Alimentos) do Regulamento Técnico aprovado pela Resolução - RDC nº 12, de 2de janeiro de 2001.Art. 9º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação DIRCEU RAPOSO DE MELLO4.11. Passos para uma Empresa Amiga da AmamentaçãoAntes de qualquer coisa, uma empresa Amiga da Amamentação é também amigade todos os cidadãos. Oferece boas condições de trabalho à homens e mulheres;salários dignos; igualdade de gênero e garante todos os direitos trabalhistas,incluindo aí a licença maternidade e paternidade; pausa para amamentação;estabilidade no emprego para gestantes; etc.. Mas, uma empresa Amiga daAmamentação vai ainda mais além.No Brasil, existem algumas empresas que são exemplos que devem ser seguidosque promovem a amamentação entre suas funcionárias.
  • 89. 86Para ser uma empresa Amiga da Amamentação pode custar muito menos que sepode imaginar. Basta o compromisso de a empresa pensar positivamente, avontade de ser criativo e flexível, examinando as possíveis dificuldades e eliminá-las com baixos custos. Muitas vezes, as barreiras que existem são mais emrelação à mentalidade do que propriamente à realidade. Por exemplo, ofereceràs mulheres um local onde possam retirar o leite discretamente e um refrigeradorpara estocá-lo antes de ir para casa, é um passo simples, mas com grandeimpacto. Poucas mulheres usariam esse espaço ao mesmo tempo, então nãoprecisaria ser grande, mas apenas limpo, confortável e privado. Promover compreensão e compromisso na empresaConversar com outros responsáveis da empresa sobre os custos comfuncionários e como essas mudanças significariam um pequeno investimento eum aumento da produtividade e qualidade de trabalho. Estabelecer um grupo de trabalho para elaborar um plano de açãoQuando a direção da empresa está convencida da importância do apoio àamamentação no local de trabalho, a idéia passa a transformar-se em um plano.Trabalhar com um grupo de pessoas de diversos setores, convencidas daimportância da idéia, reforça o compromisso. A partir daí, todos devem buscaroportunidades criativas e soluções para os problemas.O grupo deverá: Definir seus objetivos e estabelecer um plano e um calendário de atividades; resolver questões práticas, como os horários para pausas da amamentação, licença para ausentar-se do posto de trabalho, etc.; preparar um local adequado e seguro aonde as mães possam amamentar ou retirar seu leite; estabelecer um canal de comunicação entre os superiores e funcionários, e conscientizá-los para que o plano de ação seja compreendido e aceito por todos; pôr em prática um plano piloto para observar os resultados e medir as reações;
  • 90. 87 O grupo deve estar atento às dificuldades que possam surgir e buscar medidas imediatas que possam resolvê-las. AvaliaçãoNo final desse período de "teste" o grupo e a diretoria da empresa devem avaliaras reações e o nível de aceitação do plano. Nesse momento, podem ser feitos osajustes de política e aplicação que forem necessários. Em boa parte, essesajustes já vinham sendo feitos no período de teste do plano. Execução e publicidadeImaginar como a empresa poderá gozar de todos os benefícios deste pequenopasso para tornar-se uma empresa com consciência social: a imagem positiva emoderna da empresa, a credibilidade e os custos reduzidos.Trecho adaptado do panfleto produzido pelo GT Mulheres e Trabalho da WABA - Aliança Mundial para Ação emAleitamento Materno. Texto: Cynthia Webster & Associates Ltd. (Canadá). Apoio: Sida (Suécia).
  • 91. 885. MÃE CANGURUO Método Mãe Canguru é muito mais do que a posição vertical em que o bebêprematuro permanece “amarrado” ao corpo da mãe. É um tipo de humanização eassistência neonatal que implica no contato precoce pele a pele entre a mãe oupai, e o bebê prematuro, pelo tempo que quiserem.Esse tipo de humanização oferece ao bebê uma vivência da passagem da vidauterina para a extra-uterina, aumentando e aproximando muito o vínculo entrepais e o bebê, deixando-o mais seguro, proporcionando mais confiança aos paisno manuseio do filho. É uma relação importante para o desenvolvimentocompleto do bebê que chegou mais cedo ao mundo estabelecendo maior apego,segurança, incentivo ao aleitamento materno e melhor desenvolvimento dacriança, evitando infecções hospitalares.O Método se desenvolve em três etapas:  A primeira ocorre quando o bebê ainda está internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo). Os pais devem ter livre acesso à UTI Neo e serem possibilitados a manter o contato físico com o seu bebê, isto é, serem estimulados pela equipe hospitalar a tocarem seu bebê que está dentro da incubadora. Se o bebê estiver em condições clínicas estáveis, principalmente em relação à respiração, os pais poderão fazer a posição Canguru, onde o bebê fica apenas de fraldas, “amarrado” no peito nu do pai ou da mãe. A equipe do hospital em conjunto com a opinião dos pais irá decidir quanto tempo será feita essa posição dentro da UTI Neo.  Quando o bebê está bem estável, pode ir para o Alojamento Conjunto para que mãe e bebê permaneçam 24 horas na posição Canguru. O Alojamento Conjunto é o quarto em que mãe e bebê permanecem juntos. O bebê não fica no berçário e é a mãe quem fará os cuidados com o bebê, com supervisão da equipe hospitalar. Na posição Canguru, o bebê tem menos refluxo e as vias aéreas são mantidas livres, o que evita o sufocamento da criança e há diminuição do risco de apnéia (parada da respiração durante o sono). Também o contato
  • 92. 89 com o corpo da mãe promove a manutenção dos níveis adequados de temperatura corpórea do bebê. O desenvolvimento neurológico da criança é melhor, ainda mais pelo fortalecimento dos laços afetivos entre mãe e bebê.  Canguru em casa - Já a terceira etapa consiste na alta hospitalar, mas não do Método. Já orientada e segura para cuidar do bebê sozinha em casa, a mãe recebe alta para fazer a posição Canguru em casa. Esta, tem que assegurar que fará a posição Canguru durante as 24 horas do dia. Não só ela, mas qualquer outra pessoa da sua confiança e que esteja habilitada para “amarrar” o bebê ao corpo, como o pai ou, por exemplo, os avós. Todas as tarefas de casa poderão ser realizadas com o bebê no peito. Se bem amarrado não tem perigo dele escorregar. Mesmo depois da alta hospitalar, na primeira semana a mãe tem que visitar o hospital de dois em dois dias. Na segunda semana, as sessões podem ficar de três em três dias, até chegar a uma vez por semana. Tudo isso para verificar as condições do bebê, pois se precisar, o bebê é prontamente internado.O método é comprovadamente eficaz, entretanto, em nenhum momento essametodologia apresentou-se como uma substituição à tecnologia. Osequipamentos hospitalares são necessários, sim, mas com indicações precisas. OMãe Canguru vem para complementar toda a tecnologia disponível.O bebê é mantido na posição Canguru até que mãe e bebê se sintam bem. Ocomum é até o bebê atingir 2 quilos ou até quando seria a data provável do parto,ele começa a ficar agitado, a subir pela mãe e a suar. É como se estivesse nahora de nascer mesmo, dentro de uma gestação completa. É a hora em que obebê “avisa” que deixou de ser um canguruzinho.
  • 93. 906. BANCO DE LEITE HUMANO - BLHÉ um serviço especializado na promoção, proteção e apoio ao aleitamentomaterno e execução de atividades de: coleta do leite materno doado; processamento; controle de qualidade e distribuição.A política pública de saúde, voltada para o incentivo à amamentação tem, aolongo das últimas décadas, fortalecido a importância dos Bancos de LeiteHumano (BLH). Essas unidades configuram-se como locais privilegiados para asações de incentivo ao aleitamento materno no território nacional.O primeiro BLH do Brasil foi implantado em outubro de 1943, no então InstitutoNacional de Puericultura, atualmente Instituto Fernandes Figueira (IFF). O seuprincipal objetivo era coletar e distribuir leite humano visando atender aos casosconsiderados especiais, a exemplo da prematuridade, perturbações nutricionais ealergias a proteínas heterólogas.Com essa mesma perspectiva, entre a década de quarenta e o início dos anosoitenta do século passado, foram implantadas mais cinco unidades no país.Contudo, foi com o desenvolvimento do Programa Nacional de Incentivo aoAleitamento Materno, sobretudo a partir de 1985, que os BLH passaram a assumirum novo papel no cenário da saúde pública brasileira, transformando-se emelementos estratégicos para as ações de promoção, proteção e apoio àamamentação. Esse novo modelo induziu um período de franca expansão e viriamais tarde a se transformar na maior rede mundial de bancos de leite humano.No momento atual, dela fazem parte mais de 180 unidades operando em todoterritório nacional. O Ministério da Saúde tem projeto para implantação de deznovas unidades no curto prazo.Os precursores na implantação de BLH do país em 1943 foram os professoresMário Olinto e Adamastor Barbosa do Departamento Nacional da Criança.Contudo, registros revelam que a primeira iniciativa de manipulação de leitehumano ordenhado no Brasil teve lugar no Lactário de Leite Humano, construídopor Martagão Gesteira, no Abrigo Maternal da cidade de Salvador, na Bahia.
  • 94. 91Os BLH foram originalmente projetados para atender casos especiais, em que oleite humano era considerado imprescindível, muito mais por suas propriedadesfarmacológicas do que por suas qualidades nutricionais. Assim o leite humanodestinava-se tão somente às situações de emergência que não podiam sersolucionadas com a alimentação artificial, que era colocada como primeiraalternativa.Não havia competição entre o leite humano distribuído e os produtosindustrializados. Do ponto de vista epidemiológico, tinha-se que 85% dos óbitos,decorrentes de desnutrição nos lactentes desmamados, estavam relacionados aouso de alimentação artificial. Dessa forma, era necessário um "estoque" de leitehumano que pudesse ser disponibilizado para atender àquela demanda. Essaquestão, associada à questionável resolutividade das opções alimentaresalternativas, justificavam a necessidade de um BLH.Em decorrência, os BLH teriam surgido como uma alternativa capaz de preenchera lacuna deixada pela incapacidade de resposta dos produtos destinados àalimentação do lactente, de forma discreta e bem delimitada, sem nenhumaperspectiva de construir avanços nesse campo para além do que as fórmulasfossem capazes de possibilitar.O principal objetivo dos BLH, por mais de quarenta anos (de 1943 a 1985), foi acoleta. A doação não resultava de um processo voluntário e consciente. Aocontrário, havia casos em que a doadora era remunerada de acordo com aquantidade de leite disponibilizado, operando numa lógica com evidênciascomerciais. Eram também adotados rigorosos critérios para a seleção dasdoadoras. Além do exame físico geral e inspeção minuciosa com ênfase paradoenças contagiosas, efetuava-se o exame ginecológico na busca de outrasenfermidades. Em relação aos cuidados dispensados ao leite e à suamanipulação, era recomendado rigor asséptico em todas as etapas, desde aordenha até o consumo. O leite era distribuído preferencialmente na forma deproduto cru, sem receber qualquer tipo de tratamento. Entretanto, em decorrênciado grande volume de leite coletado, fez-se necessário introduzir o tratamentotérmico, que era conduzido em equipamento de esterilização de mamadeiras, embanho-maria por 20 minutos.
  • 95. 92A concepção de funcionamento tinha idealmente a intenção de ser um órgão deproteção social, com objetivo de preservar e garantir os interesses da doadora ede seu filho. Não havia expectativa de lucro, mas estimulava a prática daamamentação natural por meio de recompensa oferecida à nutriz pelo leite doado.Entretanto, é importante entender a distância existente entre a intenção expressana definição do modelo e o que ele próprio possibilitou na prática. A desfavorávelrealidade socioeconômica das doadoras contribuía para a comercialização doleite que, para elas, se apresentava como forma de complementação de seusustento e da família. Essa prática teria inclusive contribuído para estimular agravidez. Na realidade, os BLH operavam basicamente nos processos de coleta edistribuição, relegando as ações de estímulo à amamentação a um planosecundário.Ao longo dos anos 80 estrutura-se um novo modelo. Ocorre também importanteexpansão do número de BLH instalados no Brasil. Nesse crescimentodesempenhou um importante papel, o Programa Nacional de Incentivo aoAleitamento Materno (PNIAM). Com a formalização do Grupo Técnico de Bancosde Leite Humano em 1984, teve início um processo de institucionalização deexperiências até então isoladas. Três anos mais tarde seria elaborado o primeirodocumento oficial de recomendações técnicas, que serviu de base paraelaboração da primeira legislação federal, publicada na forma de portaria peloMinistério da Saúde, demonstrando oficialmente a formalização de um processode articulação das ações dos BLH com o aparelho de Estado.Também nesse período, foi criado o Centro de Referência Nacional em Bancosde Leite Humano, um projeto de parceria entre a área da criança do Ministério daSaúde e a Fundação Oswaldo Cruz. Esse projeto viabilizou ações dedesenvolvimento tecnológico, criando opções de baixo custo, centradas noprocessamento e no controle de qualidade do leite humano que foramgradualmente sendo incorporadas às rotinas.Da mesma forma, estratégica foi a preparação e formação de quadros técnicos,em diversos graus de complexidade, para atuarem nos BLH do Brasil. Assim,havia o entendimento de que a radicalização na formação de quadros técnicoscapazes era fundamental para reverter o quadro de desmame precoce.
  • 96. 93De forma complementar, porém igualmente estratégica para o processo deestruturação dos BLH, foi organizado em 1992, o primeiro Encontro Nacional deBancos de Leite Humano no Rio de Janeiro. Esse evento marcou a definição deum planejamento participativo e de um modelo genuíno de gestão, estabelecendoassim os alicerces da Rede Nacional de Bancos de Leite Humano.Dando seguimento à lógica de planejamento participativo, foi organizado em1995, o II Encontro Nacional de Bancos de Leite Humano. Naquele momentoconstatou-se haver um baixo nível de investimento público para fomento às açõesdos BLH. Como alternativa de captação de recursos, foi sugerida pela plenária acriação de uma organização não governamental. Tal iniciativa só não prosperouem função da retomada, por parte do Ministério da Saúde, de uma políticaconsiderada mais adequada às necessidades do setor.Mais adiante, em julho de 1998, foi realizado em Brasília o I Congresso Brasileirode Bancos de Leite Humano. Dessa forma, criava-se importante fórum paracompartilhamento do conhecimento produzido.Esse evento produziu fatos que influenciariam, de forma contundente, o futuro daorganização dos BLH no país, destacando-se entre eles: a consolidação daparceria com a Vigilância Sanitária - Nacional e Estadual; a discussão sobre opapel central da mulher no processo de amamentação e, a reafirmação daimportância da qualificação dos profissionais.Ainda em 1998, foi criada pelo Ministério da Saúde, através do Centro deReferência Nacional da Fundação Oswaldo Cruz, a Rede Nacional de Bancos deLeite Humano. Tal fato significou, por um lado, importante decisão de políticapública no campo da saúde e, de outro, sedimentou um novo modelo de gestãomais apropriado à realidade de expansão que se verificava naquele momento. Aidéia de trabalho em rede se apresentava como solução apropriada.Esta nova lógica operacional também contribuiu para a expansão das atividadesda REDEBLH para além das fronteiras do território nacional. A redução damortalidade infantil foi seu objetivo estratégico e, portanto, a grande prioridade desua atuação.Dessa forma, as atividades acadêmicas desenvolvidas na sede da REDEBLH,buscam construir o conhecimento dito eficiente, capaz de promover astransformações sociais necessárias à melhoria da qualidade da saúde.
  • 97. 94Em continuidade ao novo processo de estruturação das ações dos BLH, foirealizada em 1999 a primeira reunião nacional dos Centros de ReferênciaEstaduais. A formulação de diretrizes para um novo programa de qualificação derecursos humanos, com base no curso de "Processamento e Controle deQualidade de Leite Humano", foi considerada um dos importantes resultados doevento.O desenvolvimento tecnológico também ocorreu na área da informação ecomunicação. Em projeto de parceria com o Centro de Informação Científica eTecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) foi criado, em 1998, o site daREDEBLH, www.redeblh.fiocruz.br, sendo que a idéia era ampliar asoportunidades de acesso ao conhecimento e informação.A projeção internacional do sucesso da experiência brasileira passou a serdecorrência natural, iniciando-se por países sul-americanos e através de umprograma de cooperação técnica, estabelecido entre o Ministério da Saúde, aFIOCRUZ e o Governo venezuelano, três BLH foram implantados.Além disso, programas de cooperação foram estabelecidos com a UniversidadeCentral daquele país, para transferência de tecnologia.No ano de 2003 teve início um processo estruturado de ampliação da REDEBLH.Dando prioridade para a América Latina, estão em andamento mais duasiniciativas internacionais. Como decorrência, no Equador está sendo implantado oprimeiro BLH do país, na Maternidade Isidro Ayora em Quito. No Uruguai tambémforam implantadas duas unidades.A REDEBLH contribui para o compartilhamento do conhecimento em seu âmbitode atuação. Neste sentido, vale destacar a organização e realização do ICongresso Internacional de Bancos de Leite Humano e do II Congresso Brasileirode Bancos de Leite Humano, ocorridos em 2000, na cidade de Natal, no RioGrande do Norte. Na oportunidade, estiveram presentes profissionais vinculadosa BLH de vários países. Esse evento caracterizou-se, no cenário internacional,como momento de afirmação da posição de vanguarda do Brasil na geração deconhecimento na área.Todos estes aspectos conferem à REDEBLH, no que concerne ao seu modelo deatuação, uma posição diferenciada de outras experiências. Difere por ter uma
  • 98. 95atuação voltada para o incentivo à amamentação e também por trabalhar o leitehumano na perspectiva dos referenciais da tecnologia de alimentos.6.1. Procedimentos para ser doadora de leite humanoToda mulher que está amamentando está também apta a doar leite. É o leite quesobra, depois que o filho é amamentado, que é coletado.Impedimentos para a doação de leite: Ser portadora de doença infecto-contagiosa (como hepatite e AIDS); Ser usuária de álcool ou outras drogas; Ser fumante; Se utilizar medicamentos deve ser consultado o BLH, pois alguns podem impedir a doação.Como ser doadora Fazer a ficha cadastral telefonando ao BLH; Providenciaros exames colhidos no pré-natal (HIV, Hepatite B e C).6.2. Identificação e controleO leite, quando chega ao BLH, passa por rigoroso controle de qualidade. Éidentificado, selecionado/classificado, pasteurizado, reenvasado, congelado eliberado para o consumo, mediante prescrição Médica ou de Nutricionista.6.3. Quem recebe o leite doado?O leite estocado nos bancos tem endereço certo: cerca de 95% dos que sebeneficiam dele são recém-nascidos com baixo peso ou prematuros, internadosem UTI´s neonatais em todo o país.6.4. Instruções para a Coleta de Leite HumanoComo deve ser o local da ordenha: Limpo, fresco e tranqüilo; Livre de insetos e roedores; Sem a presença de animais domésticos; Nunca ordenhar no banheiro.
  • 99. 96Como ordenhar (retirar o leite): Posicionar os dedos polegar e indicador, um de frente para o outro ao redor da aréola; Apertar e soltar a aréola várias vezes até o leite começar a sair; Repetir estes movimentos, estabelecendo um ritmo; Não aproveitar as primeiras gotas e/ou jatos; Ordenhar as duas mamas; Coletar o leite em um copo previamente fervido; Passar o leite para o frasco com tampa e guardar no congelador ou freezer, com data da primeira ordenha; Utilizar o mesmo frasco até faltar dois dedos para enchê-lo; Ordenhar pelo menos 6 vezes ao dia.Como preparar o frasco e copo para esterilização: Retirar o rótulo e a cola do frasco; Retirar o papel de dentro da tampa; Lavar o copo, vidro e a tampa com detergente neutro; Enxaguar bem em água corrente; Ferver por 10 minutos em uma panela; Escorrer a água da fervura; Colocar o copo, frasco e tampa de boca para baixo sobre um pano limpo para escorrer; Fechar o frasco após secagem completa; Utilizar o frasco em até 7 dias após a esterilização; O copo é utilizado a cada ordenha para colher o leite.Obs.: O BLH poderá disponibilizar frascos esterilizados.Higiene pessoal para a ordenha:Seguindo esses passos, é possível retirar leite de melhor qualidade, evitandocontaminação: Retirar pulseiras, anéis e relógio; Proteger os cabelos com touca ou pano; Proteger nariz e boca com máscara ou pano;
  • 100. 97 Lavar bem as mãos e braços até o cotovelo; As unhas devem estar sempre aparadas; Enxaguar bem as mãos em água corrente; Secar as mãos com toalha limpa; Tomar banho e trocar o sutiã diariamente.Como fazer a massagem: Não esfregar a mama, pode causar vermelhidão e machucar a pele; A massagem não deve causar dor.Dica: Massagear a mama é útil para aumentar a produção de leite, facilitar oesvaziamento da mama, evitar ingurgitamento.Como guardar o leite materno: Devem ser guardados em frascos de vidro incolor, transparentes, com tampa de plástico e esterilizados (vidros de maionese ou café solúvel); Colher leite em um copo de vidro previamente esterilizado e colocar imediatamente no frasco que vai ser utilizado para guardar o leite; O leite colhido deve ser imediatamente colocado no congelador ou freezer; Pode ser adicionado leite colhido sobre o que já está congelado mantendo-o sempre no congelador ou freezer; Sempre manter o frasco bem tampado para evitar contaminação com odores do congelador.Como armazenar o leite materno ordenhado e por quanto tempo No congelador ou freezer para pasteurizar até 15 dias.6.5. Orientações sobre AmamentaçãoAmamentar é uma decisão da mãe e do pai. É preciso organizar o dia-a-dia dafamília para ajudar a mãe a amamentar nesse período inicial da vida do bebê.Como se preparar para a amamentação? Desde a gestação preparar-se para amamentar
  • 101. 98 Durante o pré-natal, conhecer as vantagens do Aleitamento Materno para a mãe e para o bebê Conversar com os profissionais da equipe de saúde e tirar dúvidas; Trocar idéias com mães que amamentaram; Visitar a Maternidade onde o bebê vai nascer.
  • 102. 997. O PAPEL DO NUTRICIONISTA NO ESTÍMULO AO ALEITAMENTO MATERNOO Nutricionista é o profissional responsável pela alimentação adequada em todasas faixas etárias. Compreende a anatomia e fisiologia da glândula mamária e dosistema digestivo do lactente, conhece a técnica de amamentação e sabeprevenir e tratar os problemas que podem complicar o processo de amamentaçãoque é o primeiro passo para a qualidade de vida do lactente.Apesar de a lactação ser um processo natural, o aleitamento materno requer umadestreza, que às vezes, deve ser aprendida tanto pela nutriz como pelo lactente.Este suporte profissional do Nutricionista deve ser prestado durante o controle dopré-natal, durante o parto, no puerpério e na primeira infância.A) No Pré-natal Educar a mãe sobre as vantagens da amamentação exclusiva, já que neste momento as mulheres estão muito sensíveis a aprender o necessário para fazer o melhor para os seus filhos; Ensinar as técnicas de amamentação de forma prática, lúdica e de preferência, através de dinâmicas de grupo; Assegurar que a gestante pode amamentar e que seu leite é perfeito e adequado. Não oferecer chá, água, outros leites, frutas e feijão antes do seis meses de vida, enfim estimular a amamentação exclusiva; Informar à gestante sobre o manejo no aleitamento materno, tranqüilizando-a nos momentos de dúvida ou dificuldade, e ajudando-a a superar todos os obstáculos; Efetuar o exame das mamas. Pode-se no caso de mamilos planos ou invertidos, orientar as massagens e exercícios para protraí-los. Lembrá-la que a pega adequada é na aréola; Conscientizar a família sobre a importância de apoiar a mulher que amamenta; Prestar especial atenção à alimentação da gestante, a seu ganho ponderal, e ao aporte de nutrientes específicos; Realizar o acompanhamento nutricional da gestante fazendo as devidas orientações. Contribuir para a Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN);
  • 103. 100 Auxiliar no apoio psicológico às mães, através da alimentação (desejos e tabus alimentares); Realizar dietoterapia adequada ao diagnóstico médico.B) Período Puerperal na Maternidade Estimular a amamentação em livre demanda até os seis meses de vida. A regulação fisiológica da produção de leite é baseada nas necessidades do lactente, não devendo interferir nos horários das mamadas; Orientar sobre o leite materno como uma importante fonte de nutrientes até os dois anos de idade, salientando que o desmame precoce é importante causa de desnutrição; Mostrar às mães a correta técnica de amamentação. Supervisionando e corrigindo a técnica de aleitamento durante o período de internação, para prevenir problemas como dor, fissuras ou congestão mamária e assim ajudar no êxito da amamentação; Observar as primeiras mamadas, apoiando e transmitindo confiança à nutriz; Dar aos recém-nascidos, somente leite de peito, sem nenhum outro alimento ou bebida, a não ser que esteja clinicamente indicado pelo nutricionista e/ou pediatra. (Passo 6 para o Sucesso do Aleitamento Materno-OMS/UNICEF); Orientar às mães para não oferecer chupetas aos recém-nascidos amamentados. Os lactentes apresentam dificuldades para mamar depois de haverem usado chupetas ou bicos; Mostrar às nutrizes como manter a amamentação, inclusive quando forem separadas de seus filhos; Ensinar de forma prática a extração manual do leite, para evitar o ingurgitamento mamário, manter a produção de leite e como armazenar o leite humano ordenhado e oferecê-lo ao lactente; Cumprir e divulgar a Norma Brasileira para Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de primeira infância, bicos, chupetas e mamadeiras. (Portaria MS/2051); Estimular o vínculo entre mãe, pai e bebê.
  • 104. 101C) No Puerpério e pós-alta da Maternidade Realizar completa anamnese alimentar, efetuar a antropometria do recém-nato (inclusive comparando o peso do nascimento e o de alta), verificar o tipo, a quantidade, a freqüência e a duração das evacuações, problemas encontrados; a alimentação do bebê, o uso de medicamentos pela dupla; estado de ânimo da puérpera; Pesar a nutriz (comparar o peso antes e durante a gravidez e após os seis meses de vida do bebê) e examinar-lhe as mamas; Revisar a técnica de amamentação e reorientar, se for preciso, o manejo (pega, posição e estímulo à amamentação); Assegurar que a nutriz tenha uma alimentação completa e variada, tentando aumentar a ingestão calórica e de líquidos, quando necessário; Lembrar à mãe que muitas substâncias que ela ingere passam para o leite, e, portanto, para o lactente, por isso deve evitar bebidas alcoólicas, ingestão excessiva de temperos e condimentos, e, alimentos com agrotóxicos e produtos artificiais (conservantes); Orientar sobre a composição do leite materno e das suas alterações em relação às necessidades do filho (a) e o seu período de vida; Orientar sobre o desmame e as técnicas adequadas da alimentação complementar; Orientar para evitar a automedicação e o fumo. Quando a mulher é tabagista, substâncias tóxicas passam para o leite; Apoiar e incentivar o Grupo de Mães, proporcionando uma fonte de apoio, ajuda mútuo e informação às lactantes. Estimular o vínculo do trinômio: mãe, pai e filho.7.1. Atribuições Específicas ao Nutricionista em Bancos de Leite Humano, Segundo a Resolução CFN Nº200/1998. Incentivar o aleitamento materno; Promover campanhas para captar doadoras de leite humano, divulgando as atividades do Banco de Leite Humano;
  • 105. 102 Garantir a qualidade higiênico-sanitária do leite humano, desde a coleta até a distribuição; Estabelecer controle quantitativo do leite humano coletado e distribuído; Promover orientação, educação e assistência alimentar e nutricional às mães; Promover orientação e educação alimentar e nutricional a família e comunidade; Participar do planejamento e execução de programas de treinamento para pessoal técnico e auxiliar; Integrar a equipe transdisciplinar com participação plena na atenção prestada ao cliente; Desenvolver estudos e pesquisas relacionados à sua área de atuação; Colaborar com autoridades de fiscalização profissional e/ou sanitária; Colaborar na formação de profissionais na área de saúde, orientando estágio e participando de programas de treinamento; Efetuar controle periódico dos trabalhos executados.OBS: Pertencer a Rede de Bancos de Leite Nacional. Providenciar documentaçãoespecífica, inscrição e treinamento.7.2. Outras ações a serem realizadas pelo profissional Nutricionista Apoiar o parto humanizado; Promover o começo imediato da amamentação, inclusive durante a sua permanência na sala de parto; Cuidar de sua alimentação, especialmente em trabalhos de parto prolongados; Apoiar a mãe ao iniciar a primeira mamada, assegurando que esta resulte numa experiência satisfatória; Gerenciar o banco de leite humano, inclusive responsabilizando-se pela distribuição do leite ordenhado e pasteurizado; Estimular e orientar a prática adequada de doação de leite ordenhado, de acordo com as normas de biosegurança;
  • 106. 103 Treinar funcionários do Corpo de Bombeiros ou de outras entidades, para coleta domiciliar do leite humano doado e participação efetiva em campanhas de incentivo ao aleitamento materno; Promover parcerias (Consórcio entre prefeituras) entre as cidades vizinhas; Auxílio aos treinamentos para grupos de apoio à amamentação (estagiários, voluntários, Corpo de Bombeiros, Correio, PROCON, profissionais da área da saúde, educação, humanas e meio ambiente); Participar de organizações não governamentais que apóiem, promovam e protejam a amamentação, como a IBFAN (Rede Internacional do Direito de Amamentar) e outras; Ser membro ativo de Comitês, como o de Morbi-mortalidade e de Incentivo ao Aleitamento Materno; Recomendar hábitos alimentares corretos. Auxiliar na promoção à saúde. A Nutrição é o 1º Passo para a qualidade de vida; Contribuir para a construção de Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional."É obrigatória à participação de nutricionistas em equipes multidisciplinaresenviadas por entidades públicas ou particulares e destinadas a planejar,coordenar, supervisionar, implantar, executar e avaliar políticas, programas,cursos nos diversos níveis, pesquisas ou eventos de qualquer natureza, direta ouindiretamente relacionados com Alimentação e Nutrição, bem como elaborar erevisar legislação e códigos próprios desta área" (Lei de 17 de dezembro de 1991,que reformula a lei n 5.276 -1-, e regulamenta a profissão do Nutricionista).Texto distribuído aos participantes do I Encontro Nacional sobre Segurança Alimentar da Primeira Infância (14 a16/09, SãoPaulo).
  • 107. 104CONCLUSÃOO que se pretendeu com este trabalho foi sintetizar as informações maisrelevantes sobre o Aleitamento Materno, sua importância perante a Ciência, suahistória, a Legislação que rege assuntos diretamente relacionados dando origemà várias iniciativas, como por exemplo, aos Bancos de Leite Humano, umaproposta inovadora que veio para se estabelecer, junto aos Hospitais Amigos daCriança.A atuação de toda a equipe da saúde envolvida neste processo é efetuada, comonão deveria deixar de ser, com o mais alto comprometimento, responsabilidade econscientização do seu papel perante às comunidades científica, familiar e social.Treinamentos, estudos, pesquisas... envolverão ainda por muitos anos, váriosprofissionais interessados em multiplicar conceitos e informações com o empenhonato daqueles que conseguem vislumbrar um futuro otimista possível de serconquistado sobre a atuação ativa do Aleitamento exclusivo ao seio.Certamente nossas pequenas e frágeis crianças, coadjuvantes desse momentopresente, que liderarão o amanhã que reluzirá num futuro próximo, agradecerãopelos benefícios advindos dessa atuação, transmitindo-os de forma comprovadapara novas gerações que os aperfeiçoará para o bem comum.
  • 108. 105ANEXO I - REGULAMENTO TÉCNICO PARA O FUNCIONAMENTO DEBANCOS DE LEITE HUMANO D.O.U nº 67 de 08 de Abril de 2005 CONSULTA PÚBLICA Nº 28, DE 5 DE ABRIL DE 2005A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso das atribuições que lheconfere o art. 11, inciso IV, do Regulamento da ANVISA aprovado pelo Decreto nº 3.029, de 16 deabril de 1999, c/c o art. 111, inciso I, alínea “e” do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº593, de 25 de agosto de 2000, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2000, em reuniãorealizada em 4 de abril de 2005,Adota a seguinte Consulta Pública e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação:Art. 1º Fica aberto, a contar da data de publicação desta Consulta Pública, o prazo de 60(sessenta) dias para que sejam apresentadas críticas e sugestões relativas à minuta da RDC, quedefine o Regulamento Técnico para o funcionamento de Banco de Leite Humano (BLH).Art. 2º Informar que a proposta Regulamento Técnico estará disponível, na íntegra, durante operíodo de consulta no sítio http://www.anvisa.gov.br/divulga/consulta/index.htm e que assugestões deverão ser encaminhadas por escrito para o seguinte endereço: Agência Nacional deVigilância Sanitária - GGTES/GTOSS – SEPN 515, Bloco “B” Ed. Omega, 3º andar, Asa Norte,Brasília-DF, CEP 70.770.502, ou E-mail: bancodeleite.gtoss@anvisa.gov.brArt. 3º Findo o prazo estipulado no art. 1º a Agência Nacional de Vigilância Sanitária articular-se-ácom os Órgãos e Entidades envolvidos e aqueles que tenham manifestado interesse na matéria,para que indiquem representantes nas discussões posteriores, visando a consolidação do textofinal. CLAUDIO MAIEROVITCH PESSANHA HENRIQUES ANEXO REGULAMENTO TÉCNICO Resolução da Diretoria Colegiada nº RDC nº de ___ de ___________ de 2005. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o funcionamento de Banco de Leite HumanoA Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da atribuição que lheconfere o art.11, inciso IV, do Regulamento da ANVISA aprovado pelo Decreto 3.029, de 16 deabril de 1999, c/c o § 1º do art.111 do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 593, de 25 deagosto de 2000, republicada no DOU de 22 de dezembro de 2000, em reunião realizada em -------de------- de 2005, eConsiderando que a promoção, a proteção e o apoio à prática da amamentação natural seconfiguram em importantes elementos de combate a desnutrição e a mortalidade infantil, emgrande parte associada as conseqüências do desmame precoce;Considerando que os Bancos de Leite Humano constituem uma ação supletiva eficaz no cenáriodas políticas públicas de amamentação;Considerando que é imprescindível dispor de leite humano em quantidade que permita oatendimento a todos os lactentes clinicamente impossibilitados de serem amamentadosdiretamente ao seio;
  • 109. 106Considerando que a instalação e o funcionamento dos Bancos de Leite Humano requerem umanormalização técnica específica a fim de evitar fatores de risco à saúde dos lactentes e das mães,adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente, determino a suapublicação:Art. 1º Aprovar o Regulamento Técnico que define normas de funcionamento para os Bancos deLeite Humano (BLH), na forma do Anexo desta Resolução de Diretoria Colegiada (RDC), a seremcumpridas e observadas em âmbito nacional.Art. 2º O descumprimento das determinações deste Regulamento Técnico constitui infração denatureza sanitária sujeitando o infrator a processo e penalidades previstas na Lei nº 6437, de 20de agosto de 1977, ou instrumento legal que venha substituí-la, sem prejuízo dasresponsabilidades penal e civil cabíveis.Art. 3º As Secretarias de Saúde devem implementar os mecanismos necessários para a adoçãodesta RDC, podendo estabelecer regulamentos de caráter suplementar a fim de atender àsespecificações locais.Art. 4º Estabelecer que a construção reforma ou adaptação na estrutura física do Banco de LeiteHumano (BLH) deve ser precedida de aprovação do projeto junto à autoridade sanitária local emconformidade com a RDC/ANVISA nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, suas atualizações ouinstrumento legal que venha substituí-la.Art. 5° Todo Banco de Leite Humano e suas unidades vinculadas devem ser inspecionados nomínimo uma vez ao ano.Parágrafo Único – Para efetivação dos procedimentos de que trata este artigo, deve serassegurado à autoridade sanitária livre acesso a todas as dependências do estabelecimento emantidos à disposição todos os registros, informações e documentos especificados noRegulamento Técnico desta RDC.Art. 6º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques ANEXOREGULAMENTO TÉCNICO PARA O FUNCIONAMENTO DE BANCO DE LEITE HUMANO1.OBJETIVOEstabelecer os requisitos mínimos para instalação e funcionamento de Banco de Leite Humano(BLH) e suas unidades vinculadas em todo território nacional.2. ABRANGÊNCIAO presente regulamento se aplica a todos os serviços de saúde públicos e privados que realizamatividades relacionadas ao Banco de Leite Humano (BLH) e suas unidades vinculadas.3. DEFINIÇÕES• Acidez Dornic: acidez titulável do Leite Humano Ordenhado (LHO) expresso em Graus Dornic.• Aditivos: toda e qualquer substância adicionada ao Leite Humano Ordenhado (LHO), de modointencional ou acidental.• Banco de Leite Humano (BLH): serviço especializado, responsável pela promoção, proteção eapoio ao aleitamento materno e execução de atividades de coleta do excedente da produção láticada nutriz, do seu processamento, controle de qualidade e distribuição.• Banco de Leite Humano de Referência: serviço caracterizado por implementar as açõesestratégicas definidas pela política pública para sua área de abrangência; por treinar, orientar ecapacitar recursos humanos; desenvolver pesquisas operacionais; prestar consultoria técnica e
  • 110. 107dispor de um laboratório reconhecido pela Rede Nacional de Banco de Leite Humano / MS(RNBLH/MS).• Boas Práticas de Manipulação do Leite Humano Ordenhado: conjunto de ações que devem serobservadas desde a coleta até a distribuição do leite humano ordenhado (LHO).• Cadeia de Frio: condição na qual os produtos refrigerados e congelados devem ser mantidos,sob controle e registro, da coleta ao consumo, com o objetivo de impedir alterações químicas,físico-químicas, imunológicas e crescimento da microbiota.• Coleta: conjunto de atividades que visam coletar o leite humano ordenhado (LHO), dentro ou forado Banco de Leite Humano (BLH), mantendo as características químicas, físico-químicas,imunológicas e microbiológicas.• Conformidade: atendimento aos requisitos de qualidade do leite humano ordenhado (LHO).• Conservação: conjunto de técnicas e procedimentos que visam a preservação das característicasquímicas, físico-químicas, imunológicas e microbiológicas do leite humano ordenhado (LHO).• Controle de Qualidade: conjunto de operações com objetivo de verificar a conformidade dosprodutos e processos.• Crematócrito: técnica analítica que permite o cálculo do conteúdo energético do leite humanoordenhado (LHO).• Degelo: é o processo controlado que visa transferir calor ao leite humano ordenhado (LHO)congelado em quantidade suficiente para mudança de fase sólida para líquida, não permitindo quea temperatura final do produto exceda 5ºC (cinco graus Celsius).• Desinfecção: processo de inativação de microrganismo patogênico, em sua forma vegetativa,existente em superfícies inertes, mediante a aplicação de agentes químicos ou físicos.• Distribuição: liberação ao setor competente do leite humano ordenhado (LHO) próprio paraconsumo de acordo com os critérios de prioridades e necessidades do receptor, para posteriorporcionamento.• Doadora: nutriz sadia que apresenta secreção lática superior às exigências de seu filho, e que sedispõe a doar o excedente, por livre e espontânea vontade.• Embalagem: recipiente no qual o leite humano ordenhado (LHO) é acondicionado garantindo amanutenção de seu valor biológico sem permitir trocas com o meio ambiente.• Esterilização: inativação de todos os tipos de microrganismos, inclusive os esporulados, porprocessos físicos ou químicos.• Estocagem: condição de temperatura e tempo sob a qual o leite humano ordenhado (LHO) émantido até o momento do consumo.• Evento adverso grave: qualquer ocorrência clínica desfavorável que resulte em morte, risco demorte, hospitalização ou prolongamento de uma hospitalização pré-existente, incapacidadesignificante persistente ou permanente; ou ocorrência clínica significativa.• Indicadores - medidas que servem para avaliar o desempenho do Banco de Leite Humano (BLH)no alcance da conformidade do leite humano ordenhado (LHO)• Lactente: criança com idade até 24 meses.• Leite Humano (LH): secreção lática produzida pela nutriz.• Leite Humano Ordenhado (LHO): designação dada ao leite humano (LH) obtido por meio doprocedimento de ordenha.• Leite Humano Ordenhado Cru (LHOC): denominação dada ao leite humano ordenhado que nãorecebeu tratamento térmico.• Leite Humano Ordenhado Pasteurizado (LHOP): denominação dada ao leite humano ordenhadosubmetido ao tratamento térmico de pasteurização.• Limpeza: procedimento utilizado para remoção de sujidades presentes em qualquer superfície.• Liofilização: processo de conservação aplicável ao leite humano ordenhado (LHO), que visa àretirada da água por sublimação, até uma umidade final de 4-5%.• Microbiota: microrganismos saprófitos ou patogênicos presentes no leite humano ordenhado(LHO).• Nutriz: termo para designar a mulher que está amamentando.• Não conformidade: não atendimento aos requisitos de qualidade do leite humano ordenhado(LHO).• Ordenha: procedimento de extração de leite humano.• Pasteurização: tratamento térmico, conduzido a 62,5ºC por 30 minutos, aplicado ao leite humanoordenhado (LHO) com o objetivo de inativar 100% dos microrganismos patogênicos e 90 % damicrobiota saprófita.
  • 111. 108• Período de Estocagem: limite de tempo em que o leite humano ordenhado (LHO) pode serarmazenado sob condições pré-estabelecidas.• Pool de LHO: produto resultante da mistura de doações de leite humano ordenhado (LHO).• Porcionamento: aliquotagem do LHO para consumo de acordo com a prescrição médica e/ou denutricionista.• Posto de Coleta de Leite Humano (PCLH) : unidade vinculada ao banco de leite humano,podendo ser intra ou extra-hospitalar, fixa ou móvel, destinada à promoção do aleitamentomaterno e à coleta do excedente da produção lática de nutrizes;• Pré-Estocagem: condição temporária na qual o leite humano ordenhado (LHO) cru é mantido,antes da recepção no BLH.• Processamento: conjunto de procedimentos aplicados ao leite humano ordenhado (LHO) quevisam manter o seu valor biológico.• Quarentena: limite de tempo em que o leite humano ordenhado pasteurizado (LHOP) é mantidosob congelamento, a uma temperatura máxima -10ºC (dez graus Celsius negativos), aguardando olaudo da análise microbiológica.• Receptor: usuário que necessita dos produtos fornecidos pelo Banco de Leite Humano (BLH).• Rótulo: qualquer identificação impressa ou litografada, bem como os dizeres pintados ougravados, por pressão ou decalcação, aplicados sobre a embalagem.4. CONSIDERAÇÕES GERAIS4.1. Organização4.1.1. Todo BLH deve estar vinculado a um serviço de saúde licenciado pelo órgão de vigilânciasanitária local, conforme estabelecido na Lei Federal nº 6437/77, suas atualizações ou outroinstrumento legal que venha substituí-la.4.1.2. Todo PCLH extra-hospitalar deve estar licenciado pelo órgão de vigilância sanitária local,conforme estabelecido na Lei nº 6437/77, suas atualizações ou outro instrumento legal que venhasubstituí-la.4.1.3. O BLH deve possuir responsável técnico (RT), em conformidade com o item 7 do anexo daPortaria/GM n°698, de 09 de Abril de 2002, suas atualizações ou outro instrumento legal quevenha substituí-la.4.1.3.1. O RT deve atender as exigências das recomendações técnicas que dispõem sobrequalificação de recursos humanos em conformidade com o item 6 do anexo da Portaria/GM n°698, de 09 de Abril de 2002, suas atualizações ou outro instrumento legal que venha substituí-la.4.1.4. A direção e o responsável técnico do BLH devem planejar, implementar e garantir aqualidade dos processos incluindo:a) recursos humanos, materiais e equipamentos necessários para o desempenho de suasatribuições, em conformidade com a legislação vigente;b) responsabilidade sobre o processo de trabalho;c) supervisão do pessoal técnico durante o período de funcionamento.4.1.5. Todo BLH e suas unidades vinculadas devem seguir as orientações do Programa deControle de Prevenção de Infecção e de Eventos Adversos (PCPIEA) do serviço de saúde ao qualestá vinculado.4.1.6. Compete ao BLH as seguintes atividades:a) desenvolver ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento maternob) prestar assistência a gestante, puérpera, nutriz e lactente na prática do aleitamento materno;c) executar as operações de controle clínico da doadora;d) coletar; selecionar e classificar; processar; realizar o controle de qualidade e distribuir o LHOe) responder pelo funcionamento do PCLH a ele vinculadof) certificar a qualidade dos produtos e processos sob sua responsabilidadeg) documentar e registrar todas as etapas do processo garantindo a rastreabilidade do produtoh) dispor de um sistema de informação que assegure os registros relacionados às doadoras,receptores e produtos, disponíveis às autoridades competentes, guardando sigilo e privacidadedos mesmos.4.1.6.1. Compete ao BLH de referencia implantar e implementar as ações estratégicasestabelecidas pela Política Pública para sua área de abrangência, além das atividades constantesno item 4.1.6.4.1.7. O BLH e suas unidades vinculadas devem dispor de instruções escritas para todos osprocedimentos realizados, de modo a garantir a integridade, estabilidade e rastreabilidade doLHO.
  • 112. 1094.1.8. O BLH e suas unidades vinculadas devem implantar e implementar as Boas Práticas deManipulação do Leite Humano Ordenhado.4.2. Recursos Humanos4.2.1. O BLH e suas unidades vinculadas devem possuir descrição de cargos e funções depessoal, estrutura organizacional, definição da qualificação e responsabilidades.4.2.1.1. O requisito de qualificação do quadro funcional referido no item anterior é estabelecidopela Portaria /GM nº 698 de 09 de abril de 2002, suas atualizações ou outro instrumento legal quevenha substituí-la.4.2.1.2. Fica vedado ao profissional quando da realização do processamento do LHO, a atuaçãosimultânea em outros setores dentro ou fora do BLH e suas unidades vinculadas.4.2.2 O BLH e suas unidades vinculadas devem disponibilizar o registro de formação equalificação de seus profissionais para as funções desempenhadas.4.2.3 O BLH e suas unidades vinculadas devem promover educação permanente aos seusprofissionais mantendo disponíveis os registros dos mesmos.4.2.4 Todos os profissionais do BLH e suas unidades vinculadas devem ser vacinados emconformidade com o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde.4.2.5. Todos os profissionais do BLH e suas unidades vinculadas devem ser submetidos a examesmédicos em conformidade com o PCMSO da NR-7 da Portaria MTE nº 3214 de 08/06/1978 e Leinº 6514 de 22/12/1977, suas atualizações ou outro instrumento legal que venha substituí-la.4.3. Infra-Estrutura4.3.1. A infra-estrutura do BLH e suas unidades vinculadas devem atender aos requisitos daRDC/Anvisa nº 50 de 21 de fevereiro de 2002, suas atualizações, ou outro instrumento legal quevenha substituí-la.4.4. Equipamentos e Instrumentos4.4.1 O BLH e suas unidades vinculadas devem:a) estar supridos com equipamentos e instrumentos necessários ao atendimento de sua demandab) possuir manual de funcionamento do equipamento ou instrumento, em língua portuguesa,distribuído pelo fabricante, podendo ser substituído por instruções de uso, por escrito.c) possuir uma programação de manutenção preventiva, conforme orientação do fabricante ou doRT do serviço, quanto à calibração dos equipamentos e instrumentos;d) manter registros das manutenções preventivas e corretivas disponíveis durante a vida útil doequipamento ou instrumento.4.4.2. Os materiais, equipamentos e instrumentos utilizados devem estar regularizados junto aANVISA/MS, de acordo com a legislação vigente.4.5 Biossegurança4.5.1. Os profissionais envolvidos na manipulação do LHO devem utilizar Equipamento deProteção Individual (EPI) atendendo aos requisitos de biosegurança;4.5.2. A paramentação mínima dos profissionais deve contemplar o uso de gorro, óculos deproteção, máscara, avental e luvas de procedimento.4.5.3. A paramentação mínima da doadora deve contemplar o uso de gorro, máscara e aventalfenestrado.4.5.4. A paramentação deve ser exclusiva para cada sessão de trabalho.4.6. Limpeza, Desinfecção e Esterilização4.6.1. O BLH e suas unidades vinculadas devem manter atualizados e disponíveis, a todos osprofissionais, procedimentos escritos de: limpeza, desinfecção e esterilização de superfícies,equipamentos, artigos e materiais, de acordo com o Manual de Processamento de Artigos eSuperfícies em Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde/1994, suas atualizações ououtro instrumento legal que venha substituí-lo.4.6.2 O uso dos saneantes nos processos de limpeza e desinfecção deve:a) seguir as especificações do fabricante.b) estar regularizados junto a ANVISA/MS, de acordo com a legislação vigente.5. PROCESSOS OPERACIONAIS5.1. Higiene e Conduta
  • 113. 1105.1.1. O acesso às áreas de manipulação do leite humano deve ser restrito ao pessoaldiretamente envolvido.5.1.2. Os profissionais e doadoras devem ser orientados quanto às práticas de higienização e anti-sepsia das mãos e antebraços antes de entrar na sala de processamento e no ambiente deordenha do leite humano.5.1.3. É proibido o uso de cosméticos voláteis e adornos pessoais na sala de processamento e noambiente de ordenha do leite humano.5.1.4. É proibido fumar, comer, beber e manter plantas e objetos pessoais ou em desuso na salade processamento e no ambiente de ordenha do leite humano.5.1.5. O BLH e suas unidades vinculadas devem possuir e manter em local de fácil acessoinstruções escritas quanto à higiene e conduta.5.2. Doadoras e Doações5.2.1. O BLH e suas unidades vinculadas devem dispor de registro de acompanhamento doestado de saúde da doadora visando assegurar o cumprimento dos critérios para doação, emconformidade com a legislação vigente.5.2.2. Devem ser consideradas aptas para doação as nutrizes que atendam os critérios descritosno Manual de Recomendações Técnicas para Funcionamento de Bancos de Leite Humano doMinistério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumento que venha substituí-lo..5.3. Ordenha e Coleta5.3.1. A ordenha deve ser realizada conforme descrito no Manual de Recomendações Técnicaspara Funcionamento de Bancos de Leite Humano, Ministério da Saúde/2001, suas atualizações ououtro instrumento que venha substituí-lo.5.3.2. Todo material que entre em contato direto com LHO deve ser previamente esterilizado.5.3.3. O BLH e suas unidades vinculadas são responsáveis pelo fornecimento de recipientesadequados em quantidade suficiente para cada doadora.5.3.4. Deve ser registrado o nome do profissional que efetuou a coleta5.4. Transporte5.4.1. O LHO cru e pasteurizado deve ser transportado sob cadeia de frio.5.4.2. Devem ser observadas as seguintes temperaturas limítrofes para o transporte:a) Produto refrigerado - máxima de 5ºC (Cinco graus Celsius)b) Produto congelado - máxima de -3ºC (Três graus Celsius negativos)5.4.3. O tempo de transporte não deve ultrapassar 6 horas.5.4.4. Os produtos devem ser transportados em embalagens isotérmicas exclusivas, constituídaspor material liso, resistente, impermeável, de fácil limpeza e desinfecção.5.4.5. O veículo para o transporte do LHO deve ser:a) previamente higienizado;b) exclusivo no momento do transporte.5.5. Recepção5.5.1.No ato do recebimento do LHO deve-se verificar e registrar:a) conformidade de transporte de acordo com o item 5.4;b) conformidade da embalagem de acordo com o item 5.8.2;c) rastreabilidade do produto cru de acordo com o item 5.8.3;5.5.2. Os frascos que não atendam ao item 5.5.1 devem ser descartados.5.5.3. A desinfecção na parte externa dos frascos deve ser de acordo com o descrito no Manualde Recomendações Técnicas para Funcionamento de Bancos de Leite Humano do Ministério daSaúde/2001, suas atualizações ou outro instrumento que venha substituí-lo.5.6. Pré Estocagem5.6.1. A cadeia de frio deve ser mantida, observando-se o prazo de validade estabelecido parapré-estocagem de acordo com o Manual de Recomendações Técnicas para Funcionamento deBancos de Leite Humano do Ministério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumentoque venha substituí-lo.5.7. Degelo, Seleção e Classificação
  • 114. 1115.7.1. Todo LHO recebido pelo BLH deve ser submetido a procedimentos de degelo, seleção eclassificação de acordo com o Manual de Recomendações Técnicas para Funcionamento deBancos de Leite Humano do Ministério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumentoque venha substituí-lo.5.8. Reenvase, Embalagem e Rotulagem5.8.1. Reenvase5.8.1.1. O reenvase deve ser realizado com o auxílio de técnica microbiológica de acordo com oManual de Recomendações Técnicas para Funcionamento de Bancos de Leite Humano doMinistério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumento que venha substituí-lo.5.8.1.2. Todo LHO reenvasado deve ser rotulado de acordo com o item 5.8.3..5.8.1.3. O Pool de LHO deve ser formulado com amostras consideradas próprias para o consumo.5.8.2. Embalagem5.8.2.1. A embalagem destinada ao acondicionamento do LHO deve:a) ser de fácil limpeza e desinfecçãob) ser resistente ao processo de esterilizaçãoc) apresentar vedamento perfeitod) ser constituída de material inerte e inócuo ao LHO em temperaturas na faixa de – 18 ºC (dezoitograus Celsius negativos) a 70 ºC (setenta graus Celsius).5.8.2.2. As embalagens e materiais que entram em contato direto com o LHO devem seresterilizadas.5.8.3. Rotulagem5.8.3.1. O LH coletado e processado deve conter externamente à embalagem, identificadores quepossibilitem caracterizá-lo e rastreá-lo quanto a sua origem e a ocorrência de possíveis não-conformidades de acordo com o Manual de Recomendações Técnicas para Funcionamento deBancos de Leite Humano do Ministério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumentoque venha substituí-lo.5.9. Pasteurização5.9.1 Todo LHO coletado pelo BLH e suas unidades vinculadas, deve ser pasteurizado.5.9.2. A exceção pode ser admitida em situações particulares de doação exclusiva de mãe para opróprio filho, que tenha coletado o leite em ambiente próprio para este fim com ordenha conduzidasob supervisão e para consumo imediato.5.9.3. O ambiente onde ocorre a pasteurização deve ser limpo e desinfetado imediatamente antesdo início de cada turno, ao término das atividades e, sempre que necessário.5.10. Quarentena5.10.1 Todo leite humano ordenhado pasteurizado (LHOP) deve ser mantido sob quarentena até aliberação do laudo da análise microbiológica.5.11. Estocagem5.11.1. O BLH deve dispor de freezer exclusivo e distinto para estocagem LHOC e LHOP.5.11.2. O LHOC congelado pode ser estocado por um período máximo de 15 dias a umatemperatura limítrofe de -3°C (três graus Celsius negativos).5.11.3. O LHOC refrigerado pode ser estocado por um período máximo de 12 horas a temperaturalimítrofe de 5°C (cinco graus Celsius).5.11.4. O LHOP deve ser estocado sob congelamento a uma temperatura máxima de - 10ºC (dezgraus Celsius negativos), por até seis meses.5.11.5. O LHOP uma vez descongelado, deve ser mantido sob refrigeração a 5ºC (cinco grausCelsius) com validade máxima de 24h.5.11.6. O LHOP liofilizado pode ser estocado em temperatura ambiente pelo período de um ano,desde que acondicionado em atmosfera inerte.5.11.7. As temperaturas máximas e mínimas dos equipamentos destinados à estocagem do LHOdevem ser verificadas e registradas diariamente, no início e no término de cada turno.5.11.8. O BLH deve dispor de registro do controle de estoque que identifique os diferentes tipos deproduto sob sua responsabilidade.5.12. Distribuição5.12.1. A distribuição do LHO a um receptor fica condicionada:
  • 115. 112a) a prescrição médica ou do nutricionista contendo CID primário, volume diário e aporteenergético;b) a inscrição do receptor no BLH.c) ao atendimento dos critérios de prioridade das indicações para consumo de acordo com oManual de Recomendações Técnicas para Funcionamento de Bancos de Leite Humano doMinistério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumento que venha substituí-lo.5.12.2 O BLH e unidades vinculadas devem disponibilizar ao responsável pela administração doLHO instruções escritas, em linguagem acessível quanto ao transporte, degelo, porcionamento,aquecimento e administração, de acordo com o Manual de Recomendações Técnicas paraFuncionamento de Bancos de Leite Humano do Ministério da Saúde/2001, suas atualizações ououtro instrumento que venha substituí-lo.5.13. Porcionamento5.13. 1. O porcionamento do LHO destinado ao consumo deve observar as Boas Práticas deManipulação.5.14. Aditivos5.14.1. A utilização de aditivo deve ser vetada durante as fases de: coleta, processamento edistribuição do LHO.6. CONTROLE DE QUALIDADE DO LHO6.1. O BLH e suas unidades vinculadas devem possuir um sistema de controle de qualidade queincorpore:a) boas práticas de manipulação do LHO;b) programa de controle interno e externo da qualidade, documentado e monitorado.6.2. Todo LHOC recebido pelo BLH, independente de sua origem, deve ser submetido aos testesde seleção e classificação, observando os parâmetros de conformidade descritos na tabela ITabela I – Características físicas e organolépticas do LHO Característica Parâmetro aceitável Freqüência de verificação Acidez Dornic Menor ou igual a 8 100% Off-flavor Ausente 100% Sujidade Ausente 100% Cor (vermelho/marrom) Ausente 100% Crematócrito Maior ou igual a 250 Kcal/l 100%6.3. Todo LHO processado distribuído pelo BLH, independente de seu destino, deve sersubmetido a análise microbiológica, observando o parâmetro de qualidade descrito na tabela IITabela II – Características microbiológicas do LHOP Característica Parâmetro aceitável Freqüência de verificação Microorganismos do Grupo Coliforme Ausente 100%6.4. As determinações e os procedimentos analíticos contemplados nos itens 6.2 e 6.3 devem serexecutados de acordo com o Manual de Recomendações Técnicas para Funcionamento deBancos de Leite Humano do Ministério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumentoque venha substituí-lo.6.5. O profissional responsável pelas determinações e procedimentos referidos no item 6.4 deveter capacitação específica para esta atividade, atestado por certificado de treinamento da RedeNacional de Bancos de Leite Humano.7 – AVALIAÇÃO DOS BANCOS DE LEITE HUMANO7.1. O BLH e suas unidades vinculadas devem realizar de forma continuada a avaliação dodesempenho de suas atividades, por meio dos seguintes indicadores:
  • 116. 113a) Índice de positividade para microorganismos do Grupo Coliformesb)Índice de não conformidade para acidez Dornicc) Índice de não conformidade para Off-flavor7.2. Os indicadores devem ser calculados segundo a metodologia apresentada na tabela abaixoTabela III – Indicadores de Qualidade Amostras testadasProduto Características Indicadores no mês Freqüência mensal de Total de Amostras Não amostras não conformes amostras (A) conformes (B) B / A x 100 Microorganismos doLHOP Grupo Coliforme Acidez DornicLHOC Off-flavorObs.: Os limites permitidos constam no Manual de Recomendações Técnicas para Funcionamentode Bancos de Leite Humano do Ministério da Saúde/2001, suas atualizações ou outro instrumentoque venha substituí-lo.7.3. O BLH deve encaminhar o consolidado anual, constante da tabela acima, à vigilância sanitárialocal.7.3.1. A vigilância sanitária municipal deve encaminhar o consolidado do município à vigilânciasanitária estadual.7.3.2. A vigilância sanitária estadual deve encaminhar o consolidado estadual à ANVISA e àSAS/DAPE-MS.8. NOTIFICAÇÃO DE EVENTOS ADVERSOS GRAVES (EAG)8.1. O responsável pelo PCPIEA deve notificar os casos suspeitos de EAG à autoridade sanitáriacompetente do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, no prazo de até 24 (vinte e quatro) horas.8.2. A notificação não isenta o responsável pelo PCPIEA da investigação epidemiológica e daadoção de medidas de controle do evento.9. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS9.1. Os Bancos de Leite Humano (BLH) terão prazo de 180 (cento e oitenta) dias para seadequarem ao estabelecido neste Regulamento Técnico a partir da data da publicação da RDC(Resolução da Diretoria Colegiada).10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS1. BRASIL. Lei N° 9431 de 06 de janeiro de 1997. Dispõe sobre a obrigatoriedade do programa decontrole de infecção hospitalar pelos hospitais do País. Diário Oficial da União da RepúblicaFederativa do Brasil Brasília, 07 jan. 1997.2. BRASIL. Ministério da Saúde – RDC/ANVISA nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Aprova normasdestinadas ao planejamento, exame e aprovação de Projetos Físicos de EstabelecimentosAssistenciais de Saúde. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil Brasília, 22 fev.2002.
  • 117. 1143. BRASIL. Lei nº 8078 de 11 de setembro de 1990. Código de Defesa do Consumidor. DiárioOficial da União da República Federativa do Brasil Brasília, 12 set. 1990.4. LAVAR AS MÃOS: 1ª reimp. Brasília: Ministério da Saúde, Centro de Documentação, 1989.(Série A: Normas e Manuais Técnicos).5. ISO 9000-2 - Normas de Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade - Diretrizes gerais paraa aplicação das normas ISO 9001, 9002 e 9003, 1994.6. ISO 9002 - Sistemas da Qualidade - Modelo para Garantia da Qualidade em Produção,Instalação e Serviços Associados, dez. 1994.7. BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria n° 2.616, de 12 de maio de 1998.Estabelece diretriz e normas para a prevenção e o controle das infecções hospitalares. DiárioOficial da União da República Federativa do Brasil. Brasília, 13.mai. 1998.8. BRASIL, 1993. Portaria MS nº 1.428 de 26 de novembro de 1993. Aprova o RegulamentoTécnico para Inspeção Sanitária de Alimentos e dá outras providências. Diário Oficial da RepúblicaFederativa do Brasil, Brasília, DF, n. 229, p. 18415, 2 dez., Seção I.9. MS (Ministério da Saúde), 1994. Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentosde Saúde. Brasília: Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar, Departamento deAssistência e Promoção à Saúde, Secretaria de Assistência à Saúde, Ministério da Saúde. 2 ed.Brasília: Ministério da Saúde.10. BRASIL, 1977. Lei nº 6.437 de 20 de agosto de 1977. Configura Infrações à LegislaçãoSanitária Federal, Estabelece as Sanções Respectivas e dá outras providências. Diário Oficial daRepública Federativa do Brasil, Brasília,11. BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria nº 8, de 08 de maio de 1996- NR 07. Altera NormaRegulamentadora NR-7- Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. Diário Oficial daUnião da República Federativa do Brasil, Brasília, v. 134, nº 91, p. 8202, 13 de maio. 1996.12. BRASIL. Ministério da Saúde.Portaria nº 698/GM, de 09 de abril de 2002. Define a estrutura eas normas de atuação e funcionamento dos Bancos de Leite Humano (BLH), e, Delega áSecretaria de Políticas de Saúde a responsabilidade pela designação dos integrantes daComissão nacional de BLH.13. BRASIL. Ministério da Saúde. Série A. Normas e Manuais Técnicos, N117. RecomendaçõesTécnicas para o Funcionamento de Bancos de Leite Humano. 4º. Ed, reimpressão junho de 2001.
  • 118. 115ANEXO II - AMAMENTAÇÃO PREVINE DISTÚRBIOS ORTODÔNTICOS Figura 20 - Ilustração dos cursos do site aleitamento.comPesquisa da Universidade Cidade de São Paulo revela que amamentar por maisde 12 meses reduz em 93% a prevalência de alterações na oclusão dentária.Mães que amamentam seus filhos por mais de um ano contribuem para reduzirem até 93% a possibilidade das crianças desenvolverem problemas ortodônticosno futuro. É o que aponta uma das maiores avaliações já realizadas no país sobrealterações na oclusão dentária durante a infância, desenvolvida pelo Programa deMestrado em Ortodontia da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID).O trabalho do cirurgião-dentista Henri Menezes Kobayashi, que teve como base aavaliação de 1.377 crianças de 3 a 6 anos, matriculadas em 11 escolas públicasde educação infantil situadas na Zona Leste da cidade de São Paulo, foi premiadorecentemente, na 24ª Reunião da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica(SBPqO). A pesquisa concorreu com outros cinco mil trabalhos de todo o país.
  • 119. 116De acordo com o orientador da pesquisa, professor Dr.Hélio Scavone Júnior, osresultados são extremamente importantes, pois fornecem embasamento científicoessencial para a realização de campanhas educativas e preventivas, visandoestimular a amamentação por períodos prolongados, se possível além dos 12meses. "A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde doBrasil já recomendam que as mães amamentem seus filhos por seis meses, nomínimo, tendo em vista os inúmeros benefícios que este ato oferece, como ofortalecimento do sistema imunológico e dos laços afetivos entre a mãe e seubebê. O estudo reforça essa recomendação e, inclusive, está alinhado com aproposta do governo de ampliar o período de licença maternidade", afirma.Kobayashi, durante a realização de sua Tese de Mestrado, investigou durantedois anos os períodos de amamentação exclusiva e sua relação como fator derisco para o desenvolvimento de alterações na oclusão dentária, durante a faseda dentição de leite. Com este objetivo, as mães das crianças avaliadasresponderam questionários sobre quanto tempo elas haviam oferecido o leitematerno aos seus filhos, sem utilização de mamadeiras.Paralelamente, foram efetuados exames ortodônticos nas crianças.Após o cruzamento das informações, concluiu-se que as crianças que receberamamamentação exclusivamente materna, durante mais de doze meses,apresentaram um risco vinte vezes menor para o desenvolvimento de problemasortodônticos, particularmente as mordidas cruzadas posteriores. Além disso, ascrianças amamentadas ao peito durante um período variando entre 6 a 12 meses,apresentaram um risco cinco vezes menor para estas mesmas alterações norelacionamento dentário.A pesquisa também inova ao trabalhar com uma das maiores amostras jáavaliadas até o momento. "As pesquisas existentes sobre alterações na oclusãodentária apresentavam resultados contraditórios e muitas vezes inconclusivos.Algumas delas apenas sugeriam a existência de uma relação entre aamamentação e a redução no desenvolvimento de problemas ortodônticos,enquanto que outras não conseguiam comprovar esta associação. Estesresultados divergentes podem ser creditados, em muitos casos, ao númeroreduzido e insuficiente de crianças analisadas em estudos anteriores", explica oorientador.
  • 120. 117Para a diretora do curso de Odontologia, Dra. Dalva Cruz Laganá, o resultado éextremamente relevante tanto para a pós-graduação como para o curso deOdontologia, de um modo geral. "O prêmio enfatiza a qualidade do ensinooferecido em nossos cursos e o alto nível das pesquisas aqui produzidas", afirma."O enfoque Fono-Odontológico mudou a assistência e abordagem do Manejo Clínico daLactação nos últimos anos." Prof. Marcus Renato de Carvalho
  • 121. 118ANEXO III - VOCÊ É UM PROFISSIONAL DE SAÚDE AMIGO DAAMAMENTAÇÃO?Eu sou um Profissional Amigo do Aleitamento Materno Tenho compromisso e ações na promoção, proteção e apoio àamamentação; Recentemente me formei, estudei ou me capacitei sobre práticas, técnicasou investigação em aleitamento materno; Informo e ajudo as mães para o recém nascido ser colocado ao seio o maisrápido possível ainda na sala de parto; Recomendo o LAM – Método de Amenorréia Lactacional para as nutrizes,nos primeiros 6 meses pós-parto e depois outros métodos anticoncepcionaisadequados; Demonstro às gestantes e mães como amamentar (eu sei?), e senecessário, como manter o aleitamento mesmo quando precisam ser separadasde seus filhos; Indico aos meus pacientes o aleitamento materno exclusivo até 6 meses econtinuado até 2 anos ou mais;
  • 122. 119 Recomendo especialmente o alojamento conjunto a meus pacientesinformando sobre seus benefícios e desestimulando a utilização em instituiçõesque não a favorecem. Converso sobre este tema com meus colegas Obstetras,Enfermeiros, Fonos, Nutricionistas, Assistentes Sociais...; Estimulo que os meus pacientes sejam amamentados em livre demanda; Não indico chupetas, bicos, mamadeiras, chuquinhas, ou outros objetos desucção artificial a meus pacientes e nem recebo brindes ou serviços de indústriasde alimentos infantis ou dos fabricantes destes artefatos concorrentes com aamamentação; Sugiro as mães de meus pacientes entrarem em contato com grupos deapoio ao aleitamento materno.Dra. Vera May, Buenos Aires, Argentina, 1993. Traduzido e adaptado por Marcus Renato deCarvalho em maio de 1999 e atualizado em novembro de 2007. Publicado originalmente nowww.aleitamento.com em 18/6/2003.Instituir a Certificação de PROFISSIONAL AMIGO do ALEITAMENTO MATERNO é umaIniciativa de MANEJO AMPLIADO da AMAMENTAÇÃO.
  • 123. 120ANEXO IV - WABA TEMA da SEMANA MUNDIAL DE 2008 JÁ ESTÁ DEFINIDOA Semana Mundial da Amamentação de 2008 terá como tema o"Apoyo a la Madre: En busca del oro."“Mother Support: Going for the Gold.”“Amamentação: Apoio às mães vale ouro”
  • 124. 121ANEXO V - COMO TRANSPORTAR E DOAR LEITE MATERNODo seio da ama-de-leite moderna até a boca de um bebê necessitado, o alimentoperfeito salva vidas e percorre o comovente caminho da solidariedadeTirando o leite Giovana amamenta Preenche cuidadosamente as o filho, Marcos etiquetas para identificar os Vinícius, em casa. frascos que acondicionam o leite.
  • 125. 122Lava bem as mãos, coloca touca e Faz a ordenhamáscara. manual das mamas em um pote previamente esterilizado. Despeja o leite em outro pote, no qual vai juntando o conteúdo que consegue extrair a cada vez.
  • 126. 123 Guarda o vidro no freezer.Para se tornar uma moderna ama-de-leite, Giovana procurou um serviço deinformação. Indicaram-lhe o Hospital e Maternidade Estadual Leonor Mendes deBarros, na Zona Leste de São Paulo, onde mora. Constatado que preenchia todosos requisitos como doadora fez-se a análise do grau de acidez do leite, quedetermina ou não seu aproveitamento. A artesã aguardou o resultado do examecom ansiedade e ficou feliz com a aprovação. No início o marido, o administradorde empresas Marcos, estranhou, mas acabou compreendendo seu empenho epassou a apoiá-la.Diariamente, pela manhã, depois de amamentar o filho, Giovana massageia amama por 15 minutos e retira, sem bomba, cerca de 30 mililitros de leite do seio.O leite é depositado num vidro esterilizado e guardado na geladeira. A rotina serepete à noitinha, depois de um dia de trabalho dividido entre os cuidados comMarcos Vinícius e a confecção de enxovais de bebê, no apartamento de doisquartos na Vila Carrão - bairro paulistano de classe média. O filho, já satisfeito,costuma dormir enquanto a mãe faz a ordenha. “Se está acordado, falo para eleesperar quietinho, que a mamãe está cuidando dos irmãozinhos de leite”, diz.
  • 127. 124 A enfermeira Josefina Ela costuma entrar na casa e conversar chega para a coleta. uns minutos com Giovana.Guarda o pote em uma geladeira portátil, Coloca a geladeira dentroque precisa ser mantida à temperatura do carro e prossegue omáxima de 10ºC. itinerário, que geralmente inclui mais duas ou três visitas.
  • 128. 125 Chega ao hospital que abriga o banco de leite. Entrega os potes coletados às enfermeiras do banco, que imediatamente os guardam em um grande freezer horizontal.ProcessamentoUma vez por semana, a enfermeira Josefina Matiata visita Giovana. Cuida paraque o meio litro de leite que a artesã extrai semanalmente seja transportado emcondições adequadas até o banco. Como a refeição do prematuro é minúscula,nos primeiros dias, a porção fica em torno de 1 mililitro, a doação de uma únicamulher alimenta vários bebês. Isso justifica a coleta, a partir de uma quantidade
  • 129. 126mínima de 100 mililitros. Na maioria das localidades, os bombeiros sãovoluntários na condução do veículo que faz o recolhimento nas casas. No caso doLeonor Mendes de Barros, o carro foi cedido pela Ford.No banco, o líquido doado passa por vários exames, incluindo uma análise decontaminação. Em seguida, investiga-se o teor de gordura. Depois, o leite épasteurizado e congelado em freezer até seis meses. A doação de cada mulher éguardada separadamente e classificada segundo suas características. Separam-se colostro e leites de diferentes teores de gordura. Cada qual tem o seu cliente.Quanto maior o teor de gordura, menor a quantidade de anticorpos, explicaJoana. As necessidades dos bebês variam: os que acabaram de nascer recebemo colostro; os que precisam ganhar peso tomam leite mais gorduroso; os quelutam contra infecções ingerem o alimento mais rico em defesas. Pasteurização: o leite é aquecido a 65ºC e depois resfriado a 0ºC em banho-maria, para eliminar os microorganismos.
  • 130. 127 Depois da pasteurização, uma amostra do leite é misturada a um líquido verde para checar a presença de microorganismos e a dosagem de acidezOutras amostras vão para Os leites são classificados epequenos tubos em uma guardados em outro freezer, nocentrífuga, para análise da qual duram até seis meses.gordura.
  • 131. 128 Toda vez que o leite é manuseado, é preciso acender uma chama para que o ar ao redor seja esterilizado.Estoques baixosEmbora quase todas as mulheres tenham condições de amamentar, a doação émuito necessária. Como todo banco, há um cliente preferencial, que é oprematuro, diz a coordenadora dos bancos de leite do estado de São Paulo,Maria José Guardia Mattar. Ela explica que as mães desses bebês demorammais para produzir leite, por dificuldades orgânicas ou emocionais. “Além disso, amaioria dos prematuros não tem força para sugar o peito, retardando a descida doleite. Mas, se está em condições, o bebê é colocado no seio materno. Só depois,a mamada é complementada com leite do banco, por sonda, copinho oumamadeira”, diz.A demanda vem crescendo em função dos avanços da medicina, que garantem asobrevivência de bebês nascidos cada vez mais precocemente. Mas, como adoação é voluntária, ela depende exclusivamente da conscientização dapopulação, diz Sonia Salviano, do Ministério da Saúde. Ultimamente, com aparticipação também de organizações não-governamentais, tem crescido ademanda pelo leite humano e o número de doadoras.
  • 132. 129Olhos nos olhosNormalmente, as mães dos prematuros nunca chegam a conhecer as doadoras.As voluntárias, por sua vez, também não sabem para quem vai o leite extra queoferecem. Os bancos, porém, costumam convidar as doadoras para visitar oberçário. Quando a voluntária percebe a fragilidade dos prematuros e aimportância do leite humano para eles, fica mais motivada, conta Joana. Depoisde quatro meses como doadora, Giovana atendeu a um desses convites daMaternidade Leonor Mendes de Barros. E, lá, no berçário, conheceu Verônica, amãe do pequeno Robson. Foi um encontro marcado pela emoção. No momentomais comovente, a doadora observou o garotinho tomando, em um copinho, oleite que ela havia retirado em casa, na semana anterior. Giovana não conteve ochoro e pediu para segurá-lo nos braços. Verônica prontamente concordou.Agradecida, a jovem mãe não vê a hora de poder manter o pequeno Robson como próprio leite. “Eu gostaria de, um dia, retribuir ajudando outros prematuros”, dizVerônica. Tomara, pois assim ela vai estar multiplicando também a solidáriafraternidade do leite.Para doarA doadora precisa amamentar o próprio filho e ser saudável: não pode beberbebidas alcoólicas, fumar ou tomar remédios. Deve seguir à risca o ritual para aretirada do leite. Até 1985, quando foi normatizada a doação no país, asvoluntárias eram recompensadas com roupas e alimentos, mas isso foi proibido ehoje não há remuneração. Na Europa e nos Estados Unidos, o leite chega a servendido por US$ 30 a US$ 50 o litro.O telefone 0800-268877 informa sobre os bancos de leite de todo o país. No dia1º de outubro, é comemorado o Dia Nacional de Doação do Leite Humano.
  • 133. 130ANEXO VI – BANCO DE LEITE HUMANO DO HOSPITAL REGIONAL SUL O BANCO DE LEITE DO HOSPITAL REGIONAL SULInaugurado em 8 de maio de 1990 o Banco de Leite Humano do HospitalRegional Sul localizava-se em uma unidade administrativa, já que o HospitalRegional Sul estava em reforma sendo que em julho de 1997 o banco de leite foitransferido para o Hospital Regional Sul.Desde então, o trabalho vem crescendo muito com o atendimento de dúvidas portelefone e visitas para buscar o leite humano nos domicílios, que hoje conta comas parcerias, dos bombeiros e da empresa metalúrgica. Trabalhos com aspuérperas internadas, com as mães dos prematuros, com as mulheressoropositivas (HIV), com os estagiários dos cursos de: Auxiliar e Técnico deenfermagem, Enfermagem e Nutrição. Todos têm caráter multiplicador nadivulgação do aleitamento materno. Seminários e cursos são dados àsfuncionárias para reciclagem sobre o processamento e controle de qualidade deleite humano.O nosso hospital recebeu o Título de Hospital Amigo Da Criança o que veiopremiar todo o empenho da equipe. A distribuição do leite coletado é para osbebês internados na Unidade Neonatal, bebês de outros hospitais e ajuda aadultos e crianças que por um determinado motivo de doença lhes é receitadoleite humano.A doação e principalmente a coleta domiciliar de leite humano é fundamental paraa manutenção deste trabalho que a cada dia tem sido mais solicitado pelaimportância do leite materno na recuperação dos prematuros. Por todos osmotivos já citados, estas parcerias têm sido fundamental para a manutenção e oaumento do trabalho.O banco de leite tem até o momento trabalhado cada vez mais em melhorar oatendimento ao cidadão: mãe, bebê e doadora.Para o serviço público não se pode mensurar o valor custo/ benefício agregado atodo o trabalho realizado, quando se vê um recém-nascido saindo de alta nosbraços de seus pais, ou no colo de sua mãe sendo amamentado ao seio, depoisde um período prolongado em nossa unidade neonatal.
  • 134. 131“Um casal que depois de seu bebê ficar internado na UTI Neonatal do Hospital,por ser prematuro e de baixo peso, continuou tendo assistência no setor do BLH,para dar continuidade ao aleitamento após a alta”.É o começo de uma nova vida de um ser humano que crescerá forte e saudável. Documento interno cedido pelo Hospital Regional SulTítulo: O MELHOR PARCEIRO: COLABORAÇÃOInstituição: HOSPITAL REGIONAL SUL- SANTO AMARO - SPIntegrantes: ROSANA MARIA OLIVEIRA e ROSANGELA GOMES DOSSANTOSCategoria: ATENDIMENTO AO CIDADÃO PROBLEMAS ENFRENTADOSO transporte da coleta externa de leite materno doado é e sempre foi um ponto deestrangulamento para o funcionamento dos bancos de leite. Muitas iniciativaspara melhorar este trabalho ocorrem em vários estados do Brasil, mas a parceriacom os bombeiros tem sido a mais utilizada. Como a coorporação dos bombeirosem São Paulo, possui muitas atribuições, a parceria com os BLH (Banco de LeiteHumano) tem sido precária, principalmente na capital, o que leva o BLH, à grandedificuldade em atender as doadoras domiciliares de leite humano, fazendo comque estas mulheres joguem o seu leite fora. Desprezando este líquido tãoprecioso, caro e que em outros países são comprados por instituições quetrabalham com bebês de risco assim como os que trabalhamos. SOLUÇÃO ADOTADAA maior dificuldade encontrada pelos bancos de leite sempre foi e é a coleta deleite humano de forma efetiva. A parceria com empresas privadas que possuemtransporte e que, em horas de ociosidade possam ajudar na coleta de leite, comcerteza ajudaria cada vez a mais na recuperação de crianças prematurasinternadas em nossos hospitais.A colaboração dos bombeiros, desde julho de 2001, teve grande investida, pois oatendimento era efetivo, ou seja, uma vez por semana em período integral Hojecontamos com os bombeiros apenas meio período o que dificultou novamente a
  • 135. 132coleta externa, num momento em que a procura por doações aumentam. Atabela a seguir mostra essa diminuição: BOMBEIROS ANO Jul/2001 2002 2003 2004 Ago/2005 LEITE COLETADO 95 333 249 161 96 (Lts) Total: 934 litros Figura 21 - coleta de leite/anoVoltamos a ter problemas com o transporte. Começamos, assim, a divulgar essadificuldade até chegar nessa empresa, a Brenda. Pelos conhecimentos quetemos atualmente, parcerias com empresas privadas, como essa, são atuais einovadoras e deverão ser conhecidas por outras instituições.A empresa Brenda foi fundada em 1972 pelo pai do atual presidente. Conta com85 funcionários diretos, sendo 29 mulheres. Localiza-se no bairro de SantoAmaro, região sul da capital paulista.Metalúrgica, que trabalha em ramo muito específico que é o de proteção paramáquinas operatrizes. Esses produtos têm a finalidade de proteger em 100% ooperador e a máquina sem interferir no funcionamento do trabalho.A parceria teve início em maio de 2003. O dono da empresa, motivado com otrabalho realizado pelo Banco de Leite Humano da região, que tomouconhecimento por um médico, amigo seu, que trabalha em nosso hospital, nosprocurou, e gentilmente nos perguntou como sua empresa poderia colaborar como nosso trabalho. Apesar de no início, não termos a visão de que tipo de ajuda,fora financeira, o que não era o caso, poderia nos oferecer, ficou sabendo que anossa maior dificuldade estava na área do transporte do leite coletado nodomicílio até o banco de leite. A partir daí, podemos dizer que a parceria tornou-se importante tanto para o BLH quanto para os recém-nascidos da UnidadeNeonatal.
  • 136. 133Semanalmente fazemos contatos telefônicos com a empresa e passamos osendereços das doadoras. O motorista com o carro e gasolina da empresa, vão atéo domicílio das mulheres doadoras voluntárias e trazem o leite coletado até obanco.Atualmente esta parceria vem ultrapassando a coleta e a empresa tem nosajudado com a fabricação de alguns materiais que vão agilizar o trabalho nobanco de leite e que muitas vezes não encontramos disponíveis para a compra nomercado.Segundo informações dos funcionários e do seu presidente, todos estãosatisfeitos em ajudar a comunidade e passaram também a divulgar o nossotrabalho. ”É um trabalho que integra empresas, hospitais, serviços e sereshumanos e fundamentalmente salva vidas”, palavras do presidente da empresa. VOLUNTÁRIOS ANO mai/200 2004 ago/2005 3 LEITE COLETADO 59 82 114 (LTS) Total: 253 litros Figura 22 - coleta leite/ano CARACTERÍSTICAS DA INICIATIVA.Relevância do trabalho: A Rede Nacional de Bancos de Leite Humano(REDEBLH) é um programa do Ministério da Saúde (MS) que tem ocupadoimportante espaço na área da saúde pública do Brasil. Dela fazem parte mais de186 Bancos de Leite Humano (BLH), distribuídos por todo o país. Hoje existeevidente reconhecimento nacional sobre as melhorias na saúde infantil obtidospela sua implementação e dos programas relacionados ao AM. A rede de BLHsopera através da doação voluntária de leite humano. O leite é destinado parabebês prematuros, de baixo peso, ou hospitalizados em Unidade Neonatal.Foram observados benefícios econômicos na medida em que se diminuiu a
  • 137. 134utilização e a importação da alimentação artificial, antes único alimento pararecém-nascidos de alto risco.A promoção, a proteção e o apoio à prática da amamentação natural sãoelementos fundamentais ao combate à desnutrição e à mortalidade infantil, emgrande parte associada ao desmame precoce. Os BLHs constituem-se açãosuplementar e eficaz no âmbito das políticas públicas de amamentação.Efetividade dos resultados: O gráfico mostra como o BLH estava, desde a suafundação em maio de 1990 até julho de 1997 (40 litros/ano), no NúcleoII e depoiscom a inclusão das parcerias (bombeiros e voluntários) aumenta ainda mais acoleta domiciliar a partir de julho de 2001 até hoje (320 litros/ano). Coleta Externa de Leite 400 300 Volume 200 100 0 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 ago/05 Ano Figura 23 - Gráfico Crescimento da coleta de leite externaPossibilidade de multiplicação O trabalho de parceria é gratificante para nós doBanco de Leite do Hospital Regional Sul que em 2005 completou 15 anos detrabalhos dedicados à melhoria da amamentação na região sul da cidade e para aempresa que mantém a sua finalidade que é proteção de 100%. Porém, nãopodemos ficar esperando que apenas o órgão público nos dê todas as respostas.Devemos buscar parceiros na iniciativa privada, mesmo que esta esteja em áreatão diferente da nossa, pois certamente, sempre haverá algo em que poderemostrabalhar juntos.Desenvolvimento de parcerias, não só na área da coleta, onde a empresa privadautiliza de todos os seus recursos para efetivamente ajudar o banco de leite,humano como também a que temos como parceiros na doação de frascos paraestocar o leite feito por um farmácia de pinheiros que oferece desconto de 5% aosclientes que em suas compras trouxerem frascos para doação ao banco de leite.
  • 138. 135Com instituições públicas mantemos a parceria com os bombeiros que nosajudam na coleta externa semanalmente.Todas estas parcerias não levam nenhum custo a nossa instituição. RELAÇÃO – CUSTO / BENEFÍCIONestas parcerias só temos benefícios. Ganha o Estado que torna o seu serviçomais eficiente, ganha a comunidade que pode se orgulhar por possuir um serviçoimplantado há 15 anos que só vem crescendo, ganham os bebês que podem serecuperar com boa qualidade de vida após nascerem até com 500g, ganha ohospital diminuindo o risco de infecções na unidade neonatal e, ganha o meioambiente que estimulando a amamentação menos mães oferecem mamadeirasficando menos materiais plásticos para o meio ambiente degradar.Lições aprendidas: Procurar sempre encontrar parceiros para ajudar nasdificuldades do dia a dia, por mais estranhos que possam parecer as parceriascomo foi a de uma, indústria metalúrgica com um banco de leite humano.
  • 139. 136BANCO DE LEITE HUMANO Hospital Regional SulRua Senador Flaquer, 239 – Sto. AmaroSegunda à Sexta-feira - 08:00 às 18:00hTel.: 5694-8207 RM
  • 140. 137ANEXO VII – NOSSO PEQUENO MANUAL DE AMAMENTAÇÃO – DOENÇASMATERNAS1. TUBERCULOSE O bacilo de Koch não é excretado pelo leite materno; A transmissão se faz usualmente pela inalação de gotículas de vias aéreas superiores de um indivíduo com infecção tuberculosa. A porta de entrada é quase sempre o trato respiratório; Formas clínicas maternas: o Tuberculose extra-pulmonar: não contra-indica a amamentação o Tuberculose pulmonar:Conduta para mãe contagiante ou bacilífera (não tratada ou com tratamentoiniciado a menos de três semanas do nascimento da criança): Não suspender a amamentação; diminuir o contato íntimo mãe-filho; amamentar com máscara ou similar ; lavar, cuidadosamente, as mãos; rastrear comunicantes, especificamente os domiciliares; administrar, ao RN hidrazida (INH) na dose de 10 mg/kg/dia uma vez ao dia, durante três meses; após três meses de hidrazida (INH), realizar um teste tuberculínico (PPD), adotando as seguintes condutas: o Teste Positivo (criança reatora): rastrear doença; se necessário tratar de acordo com as normas do M.S; se não houver infecção ativa, manter a quimioprofilaxia até o 6º mês. o Teste Negativo: Proceder a vacinação com BCG-ID e suspender a hidrazia (INH).Durante todas as etapas continuar com a amamentação.Conduta para mãe não-contagiante ou abacilífera: (com tratamento iniciadoa mais de três semanas do nascimento da criança):
  • 141. 138 não suspender a amamentação; proceder à vacinação com BCG-ID .Observações: Na impossibilidade de seguimento do R.N., proceder a variação com BCG-ID e administrar hidrazida (INH) por um período de seis meses; Nos casos em que o diagnóstico de TB materno for realizado após o início da amamentação, o lactente deve ser considerado potencialmente infectado e rastreado. Não suspender a amamentação; A administração de drogas tuberculósticas à mãe não contra-indica a amamentação.2. HANSENÍASE Não contra- indica a amamentação; A transmissão pode ser feita através de contato interno-humano, preferencialmente prolongado, secreções nasais e através da pele intacta; Embora o bacilo possa ser excretado pelo leite materno nos casos de hanseníase de forma virchowiana, não-tratada ou tratada há menos de três meses com sulfona (diapsona) ou três semanas com a rifampicina, não se sabe se esta é uma via significativa de infecção.Conduta com mãe contagiante ou bacilífera (não-tratada ou tratada hámenos de três meses com sulfona ou três semanas com rifampicina: evitar contato íntimo mãe-filho; amamentar com máscara ou similar; lavar cuidadosamente as mãos, antes de manipular a criança; desinfecção de secreções nasais e lenços.Conduta com mãe não-contagiante ou abacilífera: manter a amamentação.Observação:
  • 142. 139 Possível passagem das drogas utilizadas no tratamento da Hanseníase não contra-indica a amamentação.3. HEPATITE B Apesar do vírus de hepatite B ser excretado pelo leite materno, com dados disponíveis até o momento, não contra-indica a amamentação A transmissão perinatal pode ocorrer quando a mãe é HBs Ag Positivo (especialmente as HB e Ag Positivo) através do sangue e secreções.Conduta: lavar bem o RN retirando todo o vestígio de sangue e/ou secreção materna; indicar a amamentação mesmo que haja sangramento em fissura mamária; administrar nas primeiras 12 horas (no máximo até 24 horas) IGBH (Imunoglobulina Específica contra Hepatite B) 0,5 ml/dose única, via intramuscular ou 1,5 ml de imunoglobulina Atendard (I.M.); administrar, até o 7º dia de vida, a 1º dose de vacina contra hepatite B na dose de 0,5 via intramuscular.Observações: caso aplicada concomitantemente com a IGHB (Imunoglobulina Específica contra Hepatite B) utilizar seringas, agulhas e locais diferentes de aplicação; o local ideal para aplicação I.M. das injeções na RN é a face anterolateral na coxa; RNs com peso inferior a 2000 gr. Devem ter a sua vacinação adiada até atingirem esse peso. Se esse período prolongar-se por mais de três meses, uma segunda dose de imunoglobulina deve ser aplicada nas mesmas dosagens já referidas; Com um mês de vida: fazer a 2º dose da vacina contra Hepatite B; Com seis meses de vida: fazer a 3º dose da vacina contra Hepatite B; Durante todas estas etapas continuar com a amamentação.Hepatite B diagnosticada durante a lactação em criança com menos de umano de idade
  • 143. 140Conduta: manter a amamentação; administrar Imunoglobulina Específica contra Hepatite B na dose de -0,04 ml/kg - I.M.; ou administrar gamaglobulina “Standard” na dose de 0,12 ml/kg - I.M;. testar a criança para Hbs Ag. Se negativo, vaciná-la e seguir as medidas profilática para o caso.Hepatite diagnosticada durante a amamentaçãoConduta manter a amamentação; aplicar Imunoglobulina Standard, na dose de 0,02 - o,o4 ml/Kg dose única IM o mais precocemente possível.4. CITOMEGALIAConduta: manter a amamentação; a transmissão pós-natal pode ocorrer pelo leite materno mas não costuma ocorrer doença, pois junto com os vírus passam também anticorpos maternos passivos.5. MASTITE não contra-indica a amamentação; especial atenção deve ser dada ao diagnóstico diferencial entre ingurgitamento mamário, obstrução dos ductos e mastite. Nenhuma dessas afecções contra-indica a amamentação; O uso de antibióticos não contra-indica a amamentação, exceção as tetraciclinas e derivados que não devem ser prescritos; Os analgésicos e antiinflamatórios não contra-indicam a amamentação com exceção da indometacina e da fenilbutazona que não deverão ser prescritos.6. MALÁRIA não contra-indica a amamentação;
  • 144. 141 o modo de transmissão mais comum é pela picada do mosquito anopheles. E menos comumente, transfusão de sangue e agulhas contaminadas; o uso de drogas antimaláricas à nutriz, não contra-indica a amamentação.7. HERPES SIMPLES não contra-indica a amamentação, exceto quando as vesículas herpéticas estiverem localizadas na mama; cuidados adicionais devem ser tomados com vesículas em face, dedos e mamas.Conduta: Cobrir as lesões; lavagem rigorosa das mães antes de manipular as crianças; uso de luvas ou proteção para as mãos (lesão dos dedos); evitar contato íntimo mãe-filho (beijos e afagos) até que as lesões estejam secas.8. VARICELA Mães com varicela com início até cinco dias antes do parto formam e passam anticorpos. O RN deverá ter uma forma leve de varicela e a separação mãe- filho está contra-indicada. Amamentar a criança; mães com varicela com cinco dias antes do parto ou até dois dias depois: a criança poderá desenvolver uma forma grave de varicela estando indicado o isolamento do RN e da mãe durante a fase contagiante materna (até a fase de crosta). Durante este período o leite materno deverá ser ordenhado e dado ao RN; administrar, ao RN o mais precoce possível: Imunoglobulina Standard = 2 ml/dose única/IM (de valor discutível) ou VZIG ((Imunoglobulina Específica contra Varicela) 125 unid./dose/I.M.; O RN deverá ficar em observação até o 21º dia de vida. Se nesse período desenvolver a doença, iniciar a administração de aciclovir;
  • 145. 142 mães com varicela a partir do 3º dia do pós-parto: o RN poderá desenvolver forma leve de doença, não estando indicado nem o isolamento, nem a profilaxia: amamentar a criança.9. DOENÇAS DE CHAGASPesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) constataram que oleite materno, submetido ao processo de pasteurização, previne transmissão dedoença de Chagas durante a amamentação. O procedimento consiste emaquecer o alimento à temperatura de 63º C no forno de microondas e, emseguida, levá-lo ao refrigerador até chegar a 4º C."O processo de pasteurização é clássico e pode ser feito em casa. Basta apenasum pequeno treinamento", garante o médico e supervisor da pesquisa, CláudioSantos Ferreira. Para testar a teoria, os cientistas usaram forno doméstico, com2.450 megahertz (mHz) e potência entre 100 e 700 watts.
  • 146. 143BIBLIOGRAFIACORRÊA, M.S.N.P et al.. Aleitamento artificial. In:___. Odontopediatria naprimeira infância. São Paulo: Santos, 1999. p. 65-85.CORRÊA, M.S.N.P et al.. Aleitamento natural. In: ___. Odontopediatria naprimeira infância. São Paulo: Santos, 1999. p. 71-86.GIORDANO D.V. et al. Oralidade em odontopediatria. Rev Brás Odontol, 57(2): 84-86, 2000.HADDAD, A.E. Aplicação da Ortopedia Funcional dos maxilares naOdontopediatria. Rev Odontop , 1(4): 231-236, out/nov/dez. 1992.JONES, E.G. Alimentação do lactente normal. In: Kelts GD, Jones EG.Manual de nutrição infantile. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998, p. 21-53.LAMOUNIER, J.A. O efeito de bicos e chupetas no aleitamento materno.Jornal de Pediatria, Belo Horizonte, 79 (4): 284-286, 2003LEITE, I.C.G, et al., Associação entre aleitamento materno e hábitos desucção não-nutritivos. Revista da APCD, São Paulo, 53 (2): 151-155, 1999.MONGUILHOTT, L.M.J. et al. Hábitos de Sucção: como e quando tratar naótica da Ortodontia X Fonoaudiologia. R Dental Press Ortodon Ortop Facial ,Maringá, 8(1): 95-104, jan./fev. 2003.MOYERS, R.E. Handbook of orthodontics. 4ed. Yearbook Medical Publishers,Chicago, 1988.NEIVA, F.C.B.; et al. Desmame precoce: Implicações para o desenvolvimentomotor-oral. J Pediatr, 79(1): 07-12, 2003.PASTOR, I.; MONTANA, K. Amamentação natural no desenvolvimento dosistema estomatognático. Rev Odontop , 3(4): 185-191, out/nov/dez. 1994.ROCHA, A.M.L et al. Salud Oral em bebés entre 0 y 6 meses de edad. RevIbero-am Odontopediatr Odontol Bebe, 7(36): 204-210, 2004VALDRIGUI, H.C.; et al. Hábitos deletérios X Aleitamento Materno (Sucçãodigital ou Chupeta). RGO, Porto Alegre, 52 (4): 237-239, out, 2http://www.aleitamento.com – consultado em 03/09/2007 às 18:20hshttp://www.elegis.anvisa.gov.br - consultado em 03/09/2007 às 19:34hrshttp://www.esp.ce.gov.br - consultado em 03/09/2007às 18:53hrs
  • 147. 144http://www.guiadobebe.uol.com.br/recemnasc/mae_canguru_o_carinho_perfeito_ao_nene.htm - consultado em 03/09/2007 às 20:33hrs.http://www.medicina.ufmg.br - consultado em 06/08/2007 às 20:38hrshttp://www.orientacoemedicas.com.br - consultado em 02/10/2007 às22:20hrshttp://www.portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saude/crianca/0010 -consultado em 03/09/2007 às 20:56hrshttp://www.portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=24231 - consultado em 03/09//2007às 17:32hrshttp://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v6n3/31899.pdf - consultado em 03/09/2007às 19:14hrshttp://www.unicef.org.br - consultado em 22/10/2007 às 19:00hrshttp://www.unicef.org/brazil/dezpasso.htm - consultado em 03/09/2007 às20:40hrs