Os Valores Morais No âMbito Da Escola Capitalista

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A moral cumpre uma função social, enquanto forma específica do comportamento humano, por serem os seus agentes indivíduos concretos.

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Os Valores Morais No âMbito Da Escola Capitalista

  1. 1. OS VALORES MORAIS NO ÂMBITO DA ESCOLA CAPITALISTA Profa. Dra. Dilercy Aragão Adler
  2. 2. <ul><li>A moral cumpre uma função social, enquanto forma específica do comportamento humano, por serem os seus agentes indivíduos concretos. </li></ul><ul><li>A moral é também um fato histórico, e a ética, como ciência da moral não pode ser concebida em termos universais, absolutos, mas, sim, como própria da realidade (humana) objetiva, em sua condição dialética, em seu constante devir. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Todo ato moral carrega em si um valor, ou seja, tem o seu conteúdo axiológico, o que leva todo comportamento a ser avaliado e julgado em termos axiológicos . </li></ul><ul><li>Na busca da natureza do valor existem duas posições unilaterais : </li></ul><ul><li>- o subjetivismo axiológico , </li></ul><ul><li>- o objetivismo axiológico </li></ul><ul><li>- Uma terceira posição, que supera essa visão dicotomizada, é aquela que explicita que o valor existe para um sujeito não como mero indivíduo, mas como ser social. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>É o homem como ser histórico-social e com a sua atividade prática que cria os valores e os bens nos quais se encarnam . </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Trata-se de uma objetividade que transcende o limite de um indivíduo ou de um grupo social determinado, mas que não vai além do âmbito do homem, enquanto ser histórico-social. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Do mesmo modo, paralelamente, os organismos e instituições sociais trabalham no sentido de contribuir para que prevaleçam certos princípios, normas, que são internalizados, sob a forma de valores. </li></ul>
  6. 6. VALORES MORAIS, EDUCAÇÃO E A ESCOLA CAPITALISTA <ul><li>As idéias que predominam numa dada sociedade (a partir da sua base material) passam a ser veiculadas através das instituições sociais existentes e, em especial, a escolar, por constituir-se um espaço privilegiado da educação do homem.   </li></ul><ul><li>Por outro lado, entende-se por educação, em linhas gerais, o processo histórico de criação do homem para a sociedade e, concomitantemente, de modificação da sociedade para o benefício do homem. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>O homem, ao ser educado pela sociedade, modifica esta mesma sociedade como resultado da própria educação recebida. Aí consiste o progresso social, no processo de auto-geração do saber e da cultura que se interpenetra à própria história da humanidade. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A sociedade se torna, dessa forma, a mediadora entre os homens no processo de criação e transmissão da cultura, no qual consiste a educação. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Desse modo, pode-se afirmar que a finalidade da educação não se restringe à comunicação de saberes, mas, além desse saber formal, científico, técnico, artístico e outros existe a intencionalidade de mudança da condição humana do indivíduo que adquire o saber. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>O saber torna-se, então, mediador entre uma ação (fazer) que supõe a posse de um saber anterior. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>As instituições pedagógicas são organizações constituídas com vistas à difusão das concepções de mundo, dos valores de uma dada sociedade, o que se torna possível através das idéias e posturas pedagógicas. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Numa sociedade de classes, como a capitalista, as idéias pedagógicas propagadas são aquelas próprias da classe que detém o poder econômico (dominante). </li></ul>
  10. 10. <ul><li>As classes subalternas possuem também suas próprias organizações culturais que, opositoramente, veiculam as suas próprias concepções de mundo, seus próprios valores, estabelecendo, assim, um confronto. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A escola vem, assim, na sociedade capitalista, constituir-se um instrumento de persuasão com caráter dissimulador . </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Sobre a questão da reprodução ideológica e a escola Bourdieu e Passeron apresentam uma teoria que foi fundamentada no ensino concreto da França nos anos 60 que trata do Sistema de Ensino enquanto Violência Simbólica, a qual refere-se às formações sociais nas quais predominam relações de forças. </li></ul><ul><li>” Todo poder de violência simbólica, isto é, todo poder que chega a impor significações e a impô-las como legítimas, dissimulando as relações de força que estão na base de sua força, acrescenta à sua própria força, isto é, propriamente simbólica, a essas relações de força” (SAVIANI, 1991, p. 29). “ </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Paulo Freire, o qual, sem dúvida, é um dos estudiosos de maior relevância no campo da educação brasileira, apresenta na sua obra uma visão ampla de educação e uma opção política, que, neste caso, demonstra-se comprometida com as camadas populares. Nos seus estudos ele distingue duas concepções de educação: A Educação Bancária e a Educação Libertadora . </li></ul>
  13. 13. <ul><li>Características da Educação Bancária : </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>a forma de abordagem da realidade como algo parado, estático, compartimentado e alheio às condições materiais de existência do educando; </li></ul><ul><li>o conteúdo apresenta-se desconectado da totalidade, esvaziado de sua significação; </li></ul><ul><li>a palavra apresenta-se também sem a sua dimensão concreta, transformando-se, assim, em palavra oca, o que resulta em verbosidade alienante e alienada; </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Nessa perspectiva de educação, o educador é o que sabe, educa, pensa, diz a palavra, disciplina, opta e prescreve a sua ação, atua, escolhe o conteúdo programático, enfim, é o único sujeito do processo. </li></ul><ul><li>Em contrapartida, os alunos nada sabem, são pensados, disciplinados, têm a ilusão de que atuam na atuação do educador. E quanto mais passivos e ingênuos, melhores alunos são considerados. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>Os homens, nessa concepção, ao serem convertidos em seres para a adaptação. </li></ul><ul><li>  Inversamente, a Educação Libertadora/Problematizadora busca trabalhar a emersão das consciências. </li></ul><ul><li>  Busca a libertação do homem, como indivíduo, e como integrante da parcela oprimida da sociedade capitalista, o que só se torna possível através da superação do intelectualismo alienante, do autoritarismo, da falsa consciência de mundo. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Para Paulo Freire, a educação pode ajudar o homem a ser sujeito. Não qualquer educação, mas uma educação crítica, dirigida à tomada de decisões e à responsabilidade política. (FREIRE, 1983, pp. 65-69).  </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Nesse propósito, não há outro caminho senão o da prática de uma pedagogia humanizadora, cujo método seja, na verdade, materializado em procedimentos e atos que conduzam à emersão das consciências e em cuja prática educador e educando sejam sujeitos cognoscentes . </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Em síntese, pode ser colocado que na sociedade capitalista os valores transmitidos pela educação em geral, e pela educação escolar, (em maior ou menor intensidade, de forma clara ou camuflada) vão ser aqueles que favorecem a reprodução das condições de produção capitalistas. </li></ul><ul><li>Como reflexão para subsidiar a ação pedagógica humanizadora pode-se iniciar a partir de algumas interrogações: </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Como fazer para, na escola capitalista, levar alunos e professores a uma convivência democrática sustentada pela solidariedade, honestidade, liberdade e amizade? </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Como fazer para que haja a compreensão de que a auto-afirmação de um não leva à negação do outro? </li></ul><ul><li>  Como aceitar que um indivíduo não é a antítese do outro, mas ambos constituem-se como sujeitos contraditórios com positividades e negatividades e nessa contradição reside a possibilidade do seu crescimento, já que somente na relação com o outro esse desenvolvimento se processa? </li></ul><ul><li>O grande desafio da escola capitalista é exatamente este: como trabalhar idéias e ideais verdadeiramente democráticos dentro de uma sociedade antidemocrática, individualista, competitiva, na qual a hipocrisia e a desonestidade, (a exemplo do “jeitinho brasileiro” e do “jogo de cintura”), persistem, a partir de um modo de produção marcado pela desigualdade? </li></ul>
  19. 19. Obrigada !!!

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