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Suíça já plantou mais de 1 milhão de árvores no brasil
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Suíça já plantou mais de 1 milhão de árvores no brasil

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A Associação foi fundada em 15 de maio de 1985 com o objetivo de preservar o meio ambiente e melhorar as condições da vida das populações da zona rural.

A Associação foi fundada em 15 de maio de 1985 com o objetivo de preservar o meio ambiente e melhorar as condições da vida das populações da zona rural.

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  • 1. SUÍÇA JÁ PLANTOU MAIS DE 1 MILHÃO DE ÁRVORES NO BRASIL Anita Studer plantou a milionésima árvore em junho de 2002. Anita Studer foi ao Brasil para estudar o Anumará e fazer uma tese em ornitologia. Encontrou um pássaro ameaçado de extinção em Alagoas, num pedaço de Mata Atlântica também em extinção. 23 anos depois, a Associação Nordesta já plantou mais de um milhão de árvores na região, que agora está cheia de Anumarás. Anita Studer, 60 anos, fala português com sotaque nordestino, aprendido entre Alagoas e Pernambuco. Ela é dessas raras pessoas que fazem tudo para tornar a vida interessante. - "Eu prefiro ser um ator positivo do que espectadora do desespero", afirma Studer, "é melhor tentar fazer alguma coisa do que ficar chorando no meu canto." E foi assim desde criança, como ela conta durante a entrevista dada à swissinfo. Ela se lembra que, quando pôs os pés no Brasil pela primeira vez em 1975, teve a impressão que havia nascido por lá. Até 1979, ela fez várias viagens e levou amigos para conhecer o Brasil. Mas a vida de Anita Studer ficou definitivamente ligada ao país - "um mistério do meu destino". Em 1980 a suíça descobriu o Anumará que, em tupi-guarani, significa um pássaro preto que canta no brejo, de manhã. Depois de mais de 23 anos de trabalho entre Alagoas e Pernambuco, Anita e a Associação Nordesta, em Genebra, começam uma campanha para coletar um milhão de francos suíços para um projeto no Maranhão graças a um outro pássaro: o Gavião Real (Harpia harpyja), a mais possante águia do mundo. De quando vem esse interesse pelos pássaros? Anita Studer: Quando era criança morávamos em Brienz, uma cidadezinha no Cantão de Berna que, naquela época, era como o interior do nordeste, não tinha nada muito interessante para fazer, não tinha lazer. Então, quando chegava a primavera, eu ficava observando e ouvindo os pássaros. Nossa casa era no fim do vilarejo, perto da floresta. Swissinfo: Daí para estudar ornitologia foi fácil? AS: Foi a última coisa que estudei. Éramos uma família de 15 irmãos e lá não havia muita perspectiva. Meus três irmãos mais velhos vieram para Genebra e depois veio toda a família. Eu fiz a escola profissionalizante e me formei secretária. Trabalhei um ano e não gostei. Aí fiz três anos de colégio noturno e entrei na Faculdade de Direito. Para me sustentar, fui motorista de táxi, garçonete e até detetive particular. Me formei advogada aos 29 anos mas achei que também não tinha sentido. Depois é que eu fui estudar ornitologia. Swissinfo: E por que não estudar os pássaros aqui na Suíça? AS: Há poucas espécies, umas 50 sedentárias, e todas já muito pesquisadas. Tenho um amigo que estudou a homossexualidade do pardal! Aí, nas minhas viagens ao Brasil, fiquei deslumbrada com a natureza e passei a fotografar e a gravar cantos de pássaros e achei que poderia ajudar a divulgar.
  • 2. Swissinfo: E é aí que surge o Anumará? AS: Tinha que fazer uma tese de mestrado e meu orientador me falou de um pássaro raro, cunhas penas existiam nos arquivos. Na etiqueta estava escrito onde o pássaro fora capturado, que era o método de estudo no século XIX. Segui a pista e, numa tarde quente, em dezembro de 1980, um menino me mostrou um ninho de Anumará. Foi na fazenda Riachão, município de Quebrangulo, em Alagoas. Lá estava o assunto para a tese... Aí meu professor me disse que eu devia fazer logo a tese, que o anumará ia desaparecer porque dentro de pouco tempo não haveria mais mata. Vi que o anumará era um pássaro de asa curta, quer dizer, sedentário. Pensei naquilo e depois disse a ele que eu não podia fazer isso, que eu ia primeiro tentar salvar a floresta e depois teria a vida inteira para estudar o anumará. Todos achavam que eu estava louca, que era impossível. E realmente não foi fácil? AS: Não, e eu não sabia que ia levar tanto tempo! Comecei então a estudar e constatei que a mata de Pedra Talhada era parte da Mata Atlântica, da qual restava apenas 5% em todo o Brasil e 1% no Nordeste. Pouco a pouco comecei a conversar com as pessoas porque o diálogo é minha maneira de trabalhar. Descobri que naquela mata nasciam 82 riachos que abastecem a região de água potável. Percebi também que, sem uma alternativa para as pessoas ganharem a vida, a floresta acabaria mesmo. Não dá para falar de ecologia com quem tem fome! E qual foi o primeiro projeto? AS: Foi a reconstrução de uma escola que não funcionava em troca do compromisso de um fazendeiro e prefeito de não cortar mais o mato na fazenda dele. Ele (Frederico Maia) foi meu primeiro aliado e falou com outros prefeitos. Voltei para a Suíça, criamos a Fundação Nordesta (com um grupo de amigos) e começamos a arrumar dinheiro para construir a escola. Depois vieram os cursos de corte e costura, as sementeiras para replantar a mata, marcenaria, cerâmica, um posto médico e outros. O próximo projeto é o de apicultura, com abelhas nativas. 20 famílias já vivem da apicultura. Em breve serão 200 famílias. Hoje, Pedra Talhada é uma reserva federal? AS: É, agora está nas mãos do Ibama. Mas até chegar aí foi um trabalho danado. Falei não sei mais com quantos políticos, governadores, deputados, senadores. Em agosto de 1985, foi criado o Parque Estadual de Pedra Talhada e, em 1989, um decreto presidencial criou a Reserva Biológica Federal de Pedra Talhada (4.500 hectares), entre Alagoas e Pernambuco. Mas aí começou o problema das indenizações aos proprietários. Nesse período recebi várias ameaças de morte. As indenizações tem de ser votadas no Congresso. O Ibama já indenizou os maiores proprietários mas ainda faltam umas 40 famílias, entre posseiros e pequenos proprietários. Agora não tem mais desmatamento nem caça e os rios também estão protegidos. Seu trabalho lá está quase acabado? AS: O objetivo é que os projetos sejam auto-sustentados. Mas eu não vou nunca abandoná-los. Em Quebrangulo, tem umas 20 famílias que são meus irmãos, meus amigos. Eu aprendi tudo com eles. Hoje as pessoas estão mais conscientes? AS: Melhorou bastante, principalmente graças às campanhas nas escolas, mas não como devia ser. Em Quebrangulo, ainda tem gente que pensa que o Brasil inteiro é coberto de mata e, portanto, pode cortar! E o projeto no Maranhão? AS: Parece que vai começar tudo de novo e outra vez pour causa de uma ave: o Gavião Real (Harpia harpyja), a mais possante das águias. Ela existia da América Central até o Centro-Sul do Brasil mas agora está restrita à Amazônia. Eu estava viajando e fotografando por lá e encontrei o Gavião Real nas nascentes do Rio Parnaíba. Depois, conheci o juiz Marlon Reis, iniciador do Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, localizado na divisa de 4 estados (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia). Ele também atua na área social através de um centro para meninos carentes.
  • 3. E onde é que entra a Fundação Nordesta? AS: O interessante é que, com apoio do procurador geral do Maranhão, Raimundo Nonato de Carvalho Filho, os procuradores dos 18 distritos ao longo do rio Parnaíba formaram o Comitê da bacia hidrográfica no projeto Velho Monge, o nome poético do rio. Como é um parque nacional, estão proibidas as queimadas e o desmatamento mas é difícil fiscalizar. Uma missão científica já avaliou a situação e nós vamos entrar com a parte positiva do projeto. Vamos colocar energia solar em 18 centros comunitários onde as pessoas discutirão a necessidade da preservação; vamos implementar coleta seletiva de lixo e reflorestamento em 18 municípios; apicultura em 5 municípios e ajudar os pequenos agricultores. Isso é projeto para mais quantos anos? AS: Acho que vai ser muito mais rápido por contar com uma estrutura de apoio da Justiça e do Ministério Público, algo que nós não tínhamos em Quebrangulo, onde começamos do nada. O objetivo inicial agora é acabar com as queimadas ao longo do Parnaíba. Para isso, precisamos inicialmente de 1 milhão de francos suíços (+ de 2 milhões de reais) e estamos em contato com todas as fontes possíveis de subvenções na Suíça. O importante é fazer, nem que seja um pequeno grão de areia na praia de Copacabana. 09. Abril 2004 Entrevista swissinfo: Claudinê Gonçalves PROJETO DE REFLORESTAMENTO DESENVOLVIDO EM QUEBRANGULO GANHA MILIONÉSIMA ÁRVORE As atividades fazem parte do Projeto “Arco-íris - Nossas Árvores, Nossa Água” A milionésima árvore da Sementeira Floresta Genebra, que faz parte da Reserva Biológica Federal de Pedra Talhada, em Quebrangulo, foi plantada ontem. Paralelamente ao plantio alagoano, mudas de árvores típicas da Mata Atlântica foram espalhadas por mais 15 estados brasileiros e seis países da América do Sul e da África. As atividades fazem parte do Projeto “Arco-íris - Nossas Árvores, Nossa Água”, que, além de realizar o reflorestamento de áreas desmatadas, desenvolve trabalhos educativos junto aos jovens. Dados da Fundação S.O.S. Mata Atlântica dão conta de que originalmente a Mata Atlântica estava distribuída em uma área superior a 1,3 milhão de km², em 17 Estados brasileiros, ocupando cerca de 15% do território nacional. Hoje, está reduzida a menos de 8% desse total, ou cerca de 100 mil km², resultado dos impactos dos diferentes ciclos de exploração econômica desde o início da colonização e da alta densidade demográfica em sua área. Histórico - O trabalho na Reserva Biológica Federal de Pedra Talhada é desenvolvido pela Associação suíça Nordesta – Reflorestamento e Educação, em parceria com a Associação Alagoana Pedra Talhada para o Desenvolvimento Sustentável. A primeira foi fundada em 1985 pela estudiosa Anita Studer, que, depois de chegar ao Brasil, em 1975, se entusiasmou pela natureza do País. De 1980 a 1983, a estudiosa conheceu os estados do Nordeste e constatou o desmatamento das matas. Anita Studer redescobriu na orla da mata de Pedra Talhada uma espécie de ave desaparecida desde 1880, o curaeus forbesi (anumará). Na reserva existem ainda 80 nascentes de água que abastecem cinco municípios, beneficiando aproximadamente 300 mil pessoas. Depois das descobertas, a partir de 1982, a estudiosa começou a desenvolver trabalhos para salvar a floresta e garantir a sobrevivência da fauna e da flora. Hoje um milhão de árvores, entre cedros, ipês e sucupiras, além de diferentes espécies de aves, répteis e mamíferos sobrevivem na região reflorestada. Mesmo depois de se tornar área do Ibama, muitas famílias ainda estão morando nas áreas de preservação. Segundo a vice-presidente da Associação Pedra Talhada para o Desenvolvimento Sustentável, Andréa Maia, até hoje, apenas um proprietário de terras foi indenizado.
  • 4. HISTÓRICO Em 1976, a bióloga Anita Studer vem pela primeira vez ao Brasil para estudar pássaros locais em Minas Gerais. Cinco anos mais tarde, na mata de "Pedra Talhada" situada na frontera dos Estados de Alagoas e de Pernambuco, ela identificou um pássaro raríssimo cujo nome científico é Curaeus forbesi, conhecido como "Anumará" pela população local. Ela comunicou sua descoberta ao seu diretor de pesquisa em São Paulo, que decidiu que este pássaro seria um excelente assunto de pesquisa, mas que precisaria apressar os estudos porque o rápido desmatamento o extinguirá em poucos anos, assim como as outras espécies endêmicas da região. Sobrevoando esta região Anita Studer percebeu o tamanho da catástrofe que tomava conta da floresta. Ela decidiu então iniciar seu trabalho para salvar o maciço de “Pedra Talhada”. Para melhor conduzir este projeto, ela precisou da ajuda da população local, mas encontrou grande dificuldade, porque ninguém se interessava salvar esta Mata. As autoridades locais explicaram a ela que as pessoas teriam dificuldades para compreender um projeto ecológico não tão concreto como a construção de uma escola ou uma estrada. Anita Studer entendeu que era necessário elaborar projetos socio-educativos para conquistar o apoio da população. O primeiro passo era a reconstrução de uma escola destruída por um incêndio. Em 1985 em Genebra, ela fundou a Associação Nordesta Reflorestamento e Educação. Deste então foram lançados muitos outros programas visando o desenvolvimento sócio econômico da região do entorno da mata com sede no Município de Quebrangulo. Foram criados varias oficinas de educação ambiental e de formação profissional para a população, principalmente para as crianças de rua. RESERVA BIOLÓGICA FEDERAL DE PEDRA TALHADA As florestas do Brasil Na chegada dos imigrantes europeus, no território que passaria a chamar-se Brasil, havia matas milenares com dimensões que desafiavam a imaginação. A mata mais importante, a Amazônia, que tem o nome do rio que á atravessa, tornou-se a mais emblemática das matas da região tropical. Com 45.000.000 km², a Amazônia ultrapassa as fronteiras do Brasil, ao Oeste até a cordilheira dos Andas e ao Norte, até o mar do Caribe. As matas e florestas do Cerrado também têm centenas de ecossistemas diferentes com grandes riquezas de espécies A Mata Atlântica A Mata Atlântica margeia a costa oceânica atlântica desde o sul de Belém ao sul de São Paulo. No século XVI, na chegada dos colonizadores, ela tinha 1.100.000 km². Só existe, hoje um percentual mínimo da mata de origem, que foi desmatada para criar áreas agrícolas e pastagens.