Análise da Viabilidade para a produção de Biocombustíveis
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Análise da Viabilidade para a produção de Biocombustíveis Document Transcript

  • 1. ANÁLISE DE VIABILIDADE PARA A 5 de abril de 2008 PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS E RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTOS 2 Proposta de Prestação de Serviços FGV Projetos Nº xxx/xx
  • 2. Sumário Sumário.................................................................................................................................................3 Antecedentes.........................................................................................................................................4 Resumo Executivo................................................................................................................................5 Estudos de Viabilidade para a Produção de Biocombustíveis..............................................................7 FASE I - Definição de Aptidão de Terra..............................................................................................9 FASE II – Capacidade de Produção de Biocombustíveis..................................................................14 Cana-de-Açucar..........................................................................................................................15 Produção de cana-de-açucar considerando-se o solo.............................................................15 Produção de cana-de-açucar considerando-se o clima...............................................................19 Considerações sobre cana-de-açucar..........................................................................................20 FASE III - Recomendação de Investimentos....................................................................................21 Planta de Etanol..............................................................................................................................23 Planta de Biodiesel.........................................................................................................................26 Centro de Pesquisa e Desenvolvimento.........................................................................................29 Conclusão...........................................................................................................................................30 Ficha Técnica......................................................................................................................................32 Índice de Ilustrações ..........................................................................................................................33 3
  • 3. Antecedentes Os governos dos Estados Unidos da América e da República Federativa do Brasil assinaram, em março de 2007, um memorando de entendimento de cooperação em biocombustíveis (MOU), reconhecendo o interesse mútuo no desenvolvimento de fontes de energia sustentáveis. Esse memorando compreende as seguintes ações:  Desenvolvimento bilateral, no qual os dois países intencionam avançar nas pesquisas e no desenvolvimento de novas tecnologias de biocombustíveis;  Acordos com terceiros países, visando encorajar a produção local e o consumo de biocombustíveis em outras regiões do planeta, iniciando com a América Central e Caribe e, em continuidade, a outras regiões do mundo; e,  Desenvolvimentos Gerais, nos quais os dois países pretendem expandir os mercados de biocombustíveis, através da cooperação e do estabelecimento de uniformidades. Para implementá-las, os Estados Unidos designou o US Department of State, como seu representante, e o Governo do Brasil, o Ministério das Relações Exteriores. No que concerne aos aspectos que envolvem Terceiros Países, os governos americano e brasileiro, em cooperação com o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (IDB), a Organização dos Estados Americanos (OAS), a UN Fundation e a APEX – Brasil, iniciaram estudos de viabilidade para os seguintes países da América Central: Haiti, República Dominicana, El Salvador e St. Kitts e Nevis. É nesse contexto que se insere o presente documento elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). 4
  • 4. Resumo Executivo Diante da elevação dos preços do petróleo, diversas nações se vêem com dificuldades econômicas de importar este insumo, ou enfrentam problemas de abastecimento. Nesse contexto, a demanda por fontes alternativas de energia tem despertado a atenção mundial para a produção de matérias-primas agrícolas, em especial aquelas com viabilidade para a fabricação de etanol e biodiesel. Esse cenário é de particular importância para os países da América Central e do Caribe, dada a dependência externa por combustíveis fósseis de origem não renovável. Além das motivações econômicas, sociais e energéticas, as novas fontes de energia são vistas também como possíveis soluções para um problema de longo prazo: a necessidade de combater o aquecimento global. Este fenômeno, causado e agravado pela emissão de gases tóxicos na atmosfera (notoriamente o CO2), é proveniente da utilização intensiva de combustíveis fósseis. Portanto, a substituição desses combustíveis fósseis por renováveis cria oportunidades de desenvolvimento econômico e social, reduz os impactos ao meio ambiente, e aumenta a segurança energética dos países. Entretanto, esta substituição traz consigo uma série de desafios logísticos e tecnológicos, os quais são abordados no presente relatório. Apesar dos diversos impactos positivos, o sucesso da introdução de biocombustíveis depende da superação de uma série de desafios logísticos e tecnológicos. Os desafios logísticos são de especial importância em um setor cujo principal insumo é agrícola, que deve ser colhido e processado, rapidamente, antes que se deteriore. As áreas agrícolas devem ser planejadas e sistematizadas, de modo a permitir extensas áreas contíguas, reduzindo custos com fretes e permitindo economias decorrentes da melhor utilização de insumos e maquinários. Assim, os desafios tecnológicos são a essência da competitividade deste setor, exigindo a aquisição de implementos agrícolas adequados, a construção de plantas industriais de alta eficiência, e o melhoramento constante das espécies vegetais cultivadas e de suas técnicas de manejo. Nesse contexto, e dentro da abrangência do Memorando de Entendimento de Biocombustíveis, entre Estados Unidos e Brasil, a Fundação Getulio Vargas desenvolveu, a pedido da APEX -Brasil, estudos de viabilidade técnica e econômica para a produção de biocombustíveis, em El Salvador e República Dominicana, preparou os Mapas de Aptidão Agrícola para Saint Kitts and Nevis, a pedido da OAS e, a pedido do BID está desenvolvendo o Estudo de Viabilidade para o Haiti. 5
  • 5. Este documento apresenta síntese dos trabalhos realizados e em desenvolvimento, e tem como base os estudos de viabilidade para a produção de biocombustíveis de El Salvador e República Dominicana. 6
  • 6. Estudos de Viabilidade para a Produção de Biocombustíveis Os estudos de viabilidade para a produção de biocombustíveis, desenvolvidos pela FGV, dividem- se em três Fases: • Pré-análise de viabilidade, determinada pela combinação criteriosa de diferentes variáveis que condicionam a aptidão agrícola para produção de biocombustíveis e análises sobre a infra-estrutura regional existente; • Análise da Capacidade de Produção, envolvendo toda a cadeia produtiva para diferentes regiões de um mesmo país, desde o plantio até a produção, passando pelos diferentes atores envolvidos em cada processo; e, • Recomendações de investimentos, definindo as melhores localidades - considerando aspectos agrícolas, infra-estrutura e demais fatores. Na Figura 1, esquematizam-se as linhas gerais que norteiam estes estudos. Figura 1 Método Empregado nos Estudos de Viabilidade 7
  • 7. Nesses estudos de viabilidade, são examinadas todas as etapas produtivas, como a análise de fatores condicionantes da aptidão agrícola, as tecnologias necessárias para adaptação destes terrenos às culturas de biocombustíveis, os aspectos logísticos e de infra-estrutura, os engenhos existentes e a sua necessidade de modernização. Os impactos sociais e econômicos também são avaliados quantitativa e qualitativamente, a partir de dados socioeconômicos e demográficos destes países. Por fim, avaliam-se como a introdução dos biocombustíveis poderia, ao substituir derivados de petróleo, reduzir custos e riscos energéticos dos países. Após a análise desses fatores, são feitas recomendações de investimentos focados no melhor potencial de cada realidade. 8
  • 8. FASE I - Definição de Aptidão de Terra Esta seção trata de um conceito que norteia a viabilidade de todo empreendimento agrícola que diz respeito à aptidão de terra. Como o sucesso de um projeto de produção agrícola depende em grande parte de seu potencial relacionado ao solo, clima e relevo, a identificação de possíveis investimentos deve se iniciar pela conceituação dessa aptidão. As variáveis consideradas para definir a aptidão de terra são:  Capacidade de terra:  Tipos de Solo;  Declives;  Áreas de Proteção Ambiental; e  Áreas com risco de inundação ou áreas inundadas.  Zoneamento Agroclimático:  Média Anual da temperatura do ar;  Temperatura no mês mais frio;  Evapotranspiração potencial anual;  Evapotranspiração atual;  Incidência anual de chuva; e  Deficiência e Excedente hídrico anual. A Figura 2 exemplifica o processo de combinação entre os dados da capacidade de terra e o zoneamento agroclimático para República Dominicana. 9
  • 9. Figura 2 Processo para geração do mapa de aptidão de terra da República Dominicana 10
  • 10. Para a obtenção desses mapas, são realizadas visitas preliminares de coleta de dados primários e de estudos preexistentes junto aos órgãos competentes. Essas informações são georreferenciadas pela FGV, possibilitando seu processamento através de softwares de sistemas de informações geográficas (SIG). Este volume de dados é necessário porque as características do solo, relevo e agroclimáticas influenciam diretamente no potencial agrícola. Algumas regiões possuem atributos naturais muito adequados, precisando de poucas intervenções humanas para serem produtivas. Outras regiões, não tão favoráveis, podem ser ainda economicamente viáveis, exigindo, contudo, diversas intervenções e correções antrópicas. Finalmente, algumas áreas podem ser inadequadas devido a particularidades naturais ou por serem áreas urbanas ou de preservação ambiental. Por fim, é importante destacar que a aptidão agrícola de uma região varia de acordo com a cultura considerada. Espécies vegetais apresentam, em linhas gerais, diferentes requerimentos para que possam expressar seu máximo potencial produtivo. Sendo assim, cada região de uma dada localidade apresenta diferentes potenciais para exploração agrícola, definidos pela variabilidade inerente aos ambientes de produção. A vantagem de se considerar diferentes culturas agrícolas em uma mesma pesquisa é permitir uma efetiva comparação da sustentabilidade agronômica e financeira de cada cultivo em diferentes localidades. A aptidão de terras para os países considerados é, então, definida para as seguintes espécies vegetais, destinadas à fabricação de biocombustíveis:  Cana-de-açúcar;  Soja;  Girassol;  Eucalipto;  Jatropha curcas; e  Elaeais guineensis (dendezeiro). Com relação à cultura da cana-de-açúcar, o sistema de produção subdivide-se em colheita manual e mecanizada, visando criar subsídios para futuras decisões sobre o tipo de sistema de colheita adotado. É necessário, então, ponderar sobre a adoção de um sistema de mão-de-obra intensiva com restrições ambientais (colheita manual), ou um sistema de alta tecnologia com baixa demanda por mão-de- obra, ambientalmente amigável (colheita mecanizada). 11
  • 11. As categorias de capacidade de terra para soja, girassol e cana-de-açúcar, sob sistema de colheita mecanizada, são analisadas em conjunto, devido às similaridades das necessidades do tipo de solo para esses cultivos, no que diz respeito aos seus sistemas de plantio e colheita. Os demais cultivos, no entanto, possuíam tabelas que estabeleciam suas próprias capacidades. Em linhas gerais, o resultado é uma medida em percentual das áreas do país em que determinado cultivo é apropriado, quais as áreas de preservação ambiental ou as que são formadas por lagos, e, também, quais áreas podem ser melhoradas por meio de técnicas de manejo. A agricultura é muito sensível às condições climáticas e do tempo, as quais determinam as espécies ou variedades adequadas de plantas, os sistemas agrícolas a serem adotados e as práticas necessárias para se produzir uma cultura agrícola de alto desempenho. Assim, as informações agrometeorológicas, principalmente os dados climatológicos, são essenciais para o planejamento agrícola, os quais juntamente com as informações do solo irão definir o potencial de uma área para uma atividade agrícola específica. A partir do levantamento das aptidões agroclimáticas de cada região, é possível realizar a pré- análise da capacidade operacional nos países considerados. Destacou-se, portanto, a adequação das terras para a produção de matérias-primas viáveis à fabricação de biocombustíveis, permitindo estimar, com maior segurança, produtividades agrícolas, custos de produção, investimentos necessários e resultados financeiros esperados. A combinação destes níveis de informação resume, num sistema de classificação, as mais importantes variáveis de solo e clima que afetam o uso do solo em locais diferentes. A simplificação das informações em categorias bem definidas é importante para que técnicos de agricultura avaliem a sua aptidão para diferentes tipos de uso. A avaliação da aptidão de terra quanto à sua capacidade de uso é feita em base qualitativa. O conhecimento de especialistas é a base para se definir as categorias de aptidão, de acordo com a combinação das categorias de capacidade de terra e das categorias agroclimáticas. A combinação entre as informações sobre a capacidade de terra e o zoneamento agroclimático foi feita utilizando-se árvores de decisão, nas quais os dados combinados foram classificados em seis categorias de aptidão. Essas categorias nomeiam-se da seguinte forma: 12
  • 12.  alta aptidão (HS) para capacidade de terra e condições climáticas excelentes;  aptidão adequada (S) para capacidade de terra e condições climáticas boas;  aptidão moderada (MS) para capacidade de terra e condições climáticas médias;  baixa aptidão (LS) para capacidade de terra e condições climáticas baixas; e  inadequadas para capacidade de terra e clima totalmente inaptos. Na classificação destas categorias, a qualificação entre capacidade de terra e o zoneamento agroclimático nem sempre coincide. Como exemplo, em alguns casos em que a capacidade de terra revela-se extremamente limitadora, mesmo que o zoneamento agroclimático seja excelente ou bom, a categoria de aptidão pode ainda ser considerada baixa ou inadequada. Paralelamente às análises agrícolas, são coletadas informações referentes à infra-estrutura e dados socioeconômicos de cada país; mapeados os principais modais logísticos, as posições dos portos e os engenhos existentes, visando à produção e distribuição de biocombustíveis; realizadas análises de diversos setores como logística de importação, produção e distribuição; avaliadas a capacidade de mistura (etanol na gasolina e biodiesel no diesel), armazenagem, portos existentes, e também plantas produtoras e engenhos de açúcar que possam receber investimentos para produção de etanol. Após a consolidação dos conteúdos mencionados, isto é, aptidão de terra, infra-estrutura e logística, inicia-se a execução da Fase II, que trata da definição das melhores regiões para instalação de projetos, e após essa Fase, são feitas recomendações de investimentos a partir de análises econômico-financeiras para cada país ou região. Repetir Figura 2, utilizando os mapas de El Salvador equivalentes 13
  • 13. FASE II – Capacidade de Produção de Biocombustíveis Tomando por base os resultados obtidos na Fase de Aptidão de Terras, analisa-se quais os cultivos mais adequados. No caso de El Salvador e República Dominicana descartou-se a possibilidade de cultivo de Elaeais guineensis (dendezeiro) e soja, por se tratar de culturas inapropriadas. Nesses países, as culturas potenciais são:  Cana-de-açúcar;  Girassol;  Eucalipto; e  Jatropha curcas; Baseado nesses resultados, faz-se a análise dos impactos econômicos para o início da produção de biocombustíveis, baseada na avaliação de sua performance socioeconômica e de seu perfil energético. A análise do cultivo de cana-de-açucar está focada na produção de etanol, o de girassol e Jatropha curcas, no insumo para o biodiesel, e o eucalipto, na alternativa para fabricação de pellets, que é uma biomassa para co-geração de energia elétrica. Com o possível estabelecimento da indústria de produção de biocombustíveis nesses países, surge um leque de oportunidades de negócios que vão desde a venda de equipamentos industriais (plantas de produção, componentes para ampliação de engenhos existentes), máquinas e implementos agrícolas, assistência técnica em projetos de consultoria, tecnologias relacionadas a novas técnicas de agricultura de precisão, até a assessoria no desenvolvimento de novas variedades adaptáveis às condições locais. É importante destacar que investimentos na cadeia produtiva dos biocombustíveis resultam em uma série de efeitos positivos, como, por exemplo, a geração de renda no campo e a substituição de derivados de petróleo na geração de energia e no transporte. A produção de biocombustíveis pode também ampliar as oportunidades de exportação. Estes impactos são muito relevantes para países em desenvolvimento e importadores de petróleo, como os da América Central e Caribe. Partindo-se de resultados obtidos do estudo de aptidão de terra, fez-se uma estimativa de produtividade com base nas características do solo para calcular os valores do potencial de 14
  • 14. produtividade através de modelos de cálculo para as diferentes culturas. Assim, pode-se definir em quais áreas é possível instalar ou expandir determinados projetos. O modelo utilizado tem como base o cálculo do potencial de produtividade usando o solo principal e as características do terreno que afetam a produtividade de uma cultura. Essas características são obtidas através de análises realizadas com as amostras colhidas no campo, durante visita aos países. A seguir, apresenta-se de forma resumida a metodologia empregada para realizar esse cálculo a partir do exemplo da cana-de-açúcar, insumo essencial para a produção de etanol. Essa metodologia é assim utilizada para os demais cultivos considerados apropriados. Cana-de-Açucar Para se obter o melhor resultado sobre localização e financiamento de produção de biocombustíveis, é necessária uma avaliação específica para cada cultivo, tanto em aspectos de solo quanto climáticos. A seguir, apresenta-se o exemplo dessa avaliação para a cana-de-açúcar em um dos países contemplados por esse projeto, a partir da utilização de um modelo para prognosticar a produtividade. Produção de cana-de-açucar considerando-se o solo Utilizando-se o exemplo da cana-de-Açúcar, são utilizadas, no modelo, as seguintes características de solo e terreno que influenciam a sua produtividade: Fósforo (P), Potássio (K), capacidade de troca catiônica (CTC), saturação de base (V%), teor de argila, drenagem e declividade. Características estas selecionadas porque existem muitos dados científicos que relacionam a produtividade à fertilidade do solo e às características do terreno. Cada uma das características de fertilidade do solo está dividida em três categorias de composição, que são os intervalos utilizados na classificação das respectivas composições de solo. Cada categoria recebe uma pontuação, que está relacionada à sua composição de solo. Quanto mais alta a pontuação, maior a produtividade, uma vez que todas as demais necessidades para cultivo são satisfatórias. Por fim, como a pontuação é em função da característica da composição do solo, são estipuladas equações para cada intervalo de categoria. 15
  • 15. A Figura 3, a seguir, apresenta, de maneira exemplificada, a localização dos pontos de amostragem, bem como o potencial de produtividade calculado para cada um desses pontos, com base nos dados sobre o solo, obtidos através de análises laboratoriais. A análise de distribuição do potencial de produtividade da cana-de-açúcar, estimado para todo o conjunto de dados, permite o agrupamento das produtividades em quatro áreas com diferentes potencialidades de rendimento. Figura 3 Localização dos pontos de amostragem no mapa de capacidade de terra, áreas potenciais e dados sobre potencial de produtividade da cana-de-açúcar na República Dominicana 16
  • 16. 17
  • 17. Figura 4 Fotografias que exemplificam alguns dos usos de terra e dos solos nas áreas selecionadas na Figura anterior Paisagem típica (Área 1). Solo com deficiência de drenagem (Área 1). Região com potencial de desenvolvimento para Área de pastagem (Área 2). cana-de-açúcar (Área 2). Área de pastagem e cultivo de frutas abandonado Pastagem com gados (Area 4). (Área 4). 18
  • 18. A relação entre as estimativas do potencial de produtividade da cana-de-açúcar e as categorias de capacidade de terra apresentou resultado alto nas áreas de amostragem deste exemplo. Isto ilustra a validade do critério utilizado nesta Fase do projeto quanto à definição dessas áreas. Produção de cana-de-açucar considerando-se o clima A produção de cana-de-açucar considerando-se o clima é a etapa do estudo que determina os riscos climáticos para o seu cultivo. Para tanto, emprega-se um modelo de simulação de cultivo para avaliar a produção potencial e efetiva em relação aos parâmetros climáticos: temperatura do ar, radiação solar, fotoperíodo e deficiência hídrica. Assim, são consideradas as informações para um período extenso (30 anos de séries históricas de dados). O modelo aplicado é composto de duas etapas: a primeira contempla um modelo de fisiologia de nome Zona Agro-Ecológica, para se estimar o potencial de rendimento da cana-de-açúcar em um dado ambiente, como resultado da interação entre o genótipo (cultivo/variedade) e os parâmetros climáticos. Este é, basicamente, um modelo que simula o processo fotossintético. A segunda etapa leva em consideração o impacto da deficiência hídrica na produção de biomassa por genótipo. Se não houver deficiência hídrica durante o ciclo da cultura, a produtividade efetiva será o potencial de rendimento da produção. Por outro lado, se houver deficiência hídrica, a produtividade efetiva será menor que o potencial de rendimento da produção. Este tipo de estudo permite identificar a eficiência do sistema produtivo. Se as produtividades atuais observadas estiverem próximas das produtividades estimadas, considera-se alta eficiência; se, no entanto, a produtividade observada for menor que a produtividade estimada, a eficiência geral é baixa e indica falhas no manejo agrícola. A variação climática em cada região analisada por este estudo é ilustrada pelos balanços hídricos climatológicos em que se determina a variação interanual e intersazonal da deficiência hídrica e o excesso hídrico em cada região durante 30 anos. Com esse método, é possível observar as diferenças em termos de padrão e variação climática em relação às regiões no mesmo país. Verifica-se, por exemplo, a intensidade da escassez e do excesso hídrico, e a definição das estações chuvosas e secas. 19
  • 19. A importância desse estudo está em demonstrar as diferenças pelas quais são analisadas as condições normais (balanço hídrico normal) e as condições médias resultantes do balanço hídrico seqüencial. No zoneamento tradicional de cultura, o balanço hídrico normal é uma ferramenta valiosa. No entanto, um planejamento melhor da cultura em determinada região e o balanço hídrico seqüencial oferecem muito mais detalhes em relação à disponibilidade de água para os plantios e à necessidade de irrigação. Como pode-se verificar nos locais avaliados, as deficiências hídricas são significantes e, por isso, será sempre necessário algum tipo de irrigação em um determinado momento do ciclo da cultura. A produtividade potencial e real da cana-de-açúcar é calculada por tipo de ciclo de maturidade da cultura, utilizando-se o modelo FAO. O Modelo FAO também foi empregado para se estimar o impacto da irrigação na melhora da produtividade da cana-de-açúcar, considerando-se todos os ciclos de maturação. Considerações sobre cana-de-açucar A escolha das variedades e épocas de plantio é realizada considerando-se os ambientes de produção encontrados nos locais em que serão realizados os plantios. O estudo da área produtiva e sua classificação quanto aos sistemas de produção permitem a escolha das variedades adequadas para cada caso, épocas de plantio e de colheita, previsão de produtividades para cada corte e dimensionamento adequado dos sistemas de produção. A duração da safra também é em função dos ambientes de produção que, por sua vez, definem as épocas de plantio. O bom conhecimento desses ambientes permite a otimização do potencial produtivo das variedades adotadas; o escalonamento das operações agrícolas de corte, carregamento e transporte; e evita a concentração do período de moagem, aumentando o período de safra. 20
  • 20. FASE III - Recomendação de Investimentos A metodologia aplicada nos países balizadores deste relatório resulta nas seguintes recomendações de investimentos:  Planta de Etanol;  Planta de Biodiesel; e  Centro de Pesquisa e Desenvolvimento. Isto é, após análise de Aptidão de Terra e o estudo de Capacidade de Produção para cada cultura específica, podem ser feitas sugestões específicas para investimentos de grande porte, envolvendo os âmbitos públicos e privados, incluindo-se a combinação de políticas públicas, ações empresariais e cooperativas. Dessa forma, a Figura 5 a seguir aponta outros aspectos relevantes, destacando-se o papel dos atores públicos e privados. Deve-se entender que ambos os setores são de fundamental importância para o desenvolvimento dos investimentos recomendados, partindo-se do agricultor, com envolvimento da iniciativa privada e sob o aval do ente regulador, em suas diferentes instâncias de atuação. 21
  • 21. Figura 5 Atores e Aspectos Envolvidos no Processo de Investimentos em Biocombustíveis Faz-se necessário ressaltar que o desenvolvimento de biocombustíveis nesses países só acontecerá de uma forma sustentável e economicamente viável se todos os setores envolvidos no processo atuarem de forma conjunta e harmoniosa, conforme ilustrado pela Figura 6. 22
  • 22. Figura 6 Setores envolvidos na produção de biocomustíveis. Cabe, portanto, ao poder público a regulamentação do setor bioenergético, estabelecendo normas e a obrigatoriedade do blend. Ao setor agrícola, cabe o fornecimento de matéria-prima com quantidade e qualidade estipuladas em contratos, permitindo distribuição de renda aliada ao desenvolvimento social. Do setor privado, são esperados investimentos providos pelo setor financeiro e por organizações privadas. Planta de Etanol As atuais tendências do mercado mundial de etanol apontam para uma pressão de demanda cada vez maior, acompanhada por preços em ascensão. Há um crescente consenso de que os combustíveis alternativos deverão tomar, a longo prazo, um papel central na oferta de energia. Desta forma, a produção local de etanol a partir da cana-de-açúcar se mostra como opção estratégica, tanto no abastecimento da demanda interna quanto na introdução de um produto de alto valor adicionado em sua pauta de exportações. Por seu crescente valor de mercado, o etanol representará uma fonte significativa de geração de emprego e renda, agregando valor substancial aos seus principais insumos (mão-de-obra e cana- 23
  • 23. de-açúcar). A indústria de etanol tem potencial para reduzir substancialmente a dependência energética dos países, fornecendo não somente combustível para o setor de transportes, como também eletricidade, o que pode amortecer a suscetibilidade do abastecimento aos preços do petróleo. Por representar uma fonte de demanda interna para a produção agrícola, também reduzirá a sensibilidade ao câmbio e ao mercado internacional de commodities. Estes dois fatores poderão contribuir significativamente no sentido de estabilizar a economia, o que, por sua vez, pode contribuir para a redução do desemprego estrutural. Esta estabilização econômica também pode ajudar a intensificar os investimentos de longo prazo no país. Respeitadas as restrições agronômicas e observados os trade-offs agrícolas e industriais no uso da terra, existem importantes benefícios econômicos que podem ser esperados da implantação de um programa de produção de etanol. Para analisar as características microeconômicas da atividade produtiva de etanol, a partir da cana-de-açúcar, é necessário buscar subsídio na única experiência deste tipo em larga escala, a saber, a do Brasil. De acordo com as Tabelas de Recursos e Usos (TRU) do IBGE (referentes ao ano de 2005), a cana-de-açúcar responde por 10,2% do valor da produção da atividade agrícola no Brasil (incluindo silvicultura e exploração florestal). A indústria brasileira de etanol foi responsável pelo consumo de 35,3% (em valor) da cana-de-açúcar produzida (o restante sendo destinado à indústria de alimentos e bebidas). Verifica-se que a produção de etanol é uma utilização da lavoura da cana-de-açúcar, que agrega valor significativo à produção agrícola. Essa indústria gerou um valor agregado bruto de R$ 5,4 bilhões em 2005, o que corresponde a uma margem de valor agregado da produção de etanol de 78,8%, comparada com 24,8% para a média da produção de alimentos e bebidas. Correspondentemente, a atividade gera empregos técnicos, industriais e administrativos que podem ser considerados de alta remuneração. Em 2005, correspondeu a 72.762 empregos, sendo que a remuneração média destes postos de trabalho (incluindo salários e contribuições sociais) foi de R$ 16.890,68. Este valor é 47,7% superior à média da produção de alimentos e bebidas, e 78,4% superior à remuneração média nacional no mesmo ano. Adicionalmente, pode- se estimar o valor agregado bruto específico ao cultivo de cana-de-açúcar para etanol em R$ 2,5 bilhões, associados a 472.114 empregos. Estes empregos são de qualificação e remuneração inferior, mas são muito mais numerosos. 24
  • 24. A partir do exemplo brasileiro, podem-se inferir qualitativamente alguns impactos microeconômicos que derivariam da introdução da atividade produtora de etanol, a partir da cana- de-açúcar nesses países. Primeiramente, ela representaria uma atividade industrial com alta margem de valor agregado, especialmente em comparação com outros segmentos, o que poderia ter impactos favoráveis sobre o PIB industrial. Esta característica se refletiria em geração de emprego com alta remuneração. Adicionalmente, o cultivo de cana-de-açúcar para uso industrial seria em si uma fonte geradora de emprego de baixa qualificação, o que poderia inclusive ter um efeito redistributivo substancial sobre a concentração de renda. A introdução de biocombustíveis é uma medida estratégica em que se pode obter representativos benefícios, no sentido de reduzir o impacto das crises conjunturais internacionais. Esta medida tem dois efeitos relevantes. O primeiro é o de reduzir a dependência energética. Com isso, a economia real fica menos sensível à conjuntura cambial, e a balança comercial pode ser estabilizada (o que em si tem conseqüências sobre a conjuntura cambial). Além da contribuição que a introdução da indústria do etanol poderia trazer para reduzir a dependência externa por combustíveis, ela passaria a agir como fonte local de demanda industrial pelos produtos agrícolas, com a qual a economia pode ganhar robustez em relação às flutuações da economia internacional. Em geral, a pauta de exportações dos países da América Central e Caribe é composta primariamente por industrializados leves e produtos agrícolas (e, inclusive, a cana-de-açúcar já compôs parte significativa desta pauta). A produção de etanol pode não somente reduzir a dependência do valor da produção agrícola frente ao câmbio (o que se reflete em maior estabilidade e previsibilidade da oferta), como também gerar um produto industrializado de grande valor agregado, cuja demanda é forte e crescente no mercado externo. A análise da viabilidade econômica do empreendimento mostra que a avaliação das variáveis críticas, como o valor de venda do etanol, preços de aquisição da cana-de-açúcar e as taxas de desconto são de fundamental importância para a implantação dos projetos. Há intervalos de valores dessas variáveis críticas que mantêm o empreendimento viável, o que atenua os riscos envolvidos na produção de etanol. Para a viabilidade deste projeto, e pensando em aspectos, tais como, empregabilidade e distribuição de renda, entende-se que uma alternativa satisfatória para a produção do etanol, assim como para outros biocombustíveis, se dá a partir da formação de cooperativas. 25
  • 25. Uma Cooperativa diferencia-se dos outros tipos de associações por seu caráter essencialmente econômico. A sua finalidade é colocar os produtos e/ou serviços de seus cooperados no mercado em condições mais vantajosas do que os mesmos teriam isoladamente, além de fornecer-lhes matéria-prima para produção a preços menores. Desse modo, a Cooperativa pode ser entendida como uma empresa que presta serviços aos seus cooperados. Basicamente, o que se procura ao organizar uma Cooperativa é melhorar a situação econômica de determinado grupo de indivíduos, solucionando problemas ou satisfazendo necessidades comuns, que excedam à capacidade de cada indivíduo satisfazer isoladamente. Planta de Biodiesel Os projetos de produção de biodiesel foram elaborados considerando a compra de óleo vegetal a ser produzido por cooperativa formada por produtores agrícolas. Para El Salvador e República Dominicana, foram recomendadas como apropriadas duas espécies vegetais para a produção de óleo vegetal: Jatropha curcas e Girassol (Helianthus annus L.). No cenário considerado, a cooperativa deve possuir a unidade de esmagamento de grãos, que negocia a venda de óleo vegetal à fábrica de biodiesel. Quimicamente, o biodiesel é definido como um combustível alternativo, constituído por ésteres alquílicos de ácidos carboxílicos de cadeia longa, provenientes de fontes renováveis como óleos vegetais ou gorduras animais. A substituição do óleo diesel por biocombustíveis, ou misturas deste com o diesel, é uma questão em evidência, atualmente, já que foi desenvolvida para suprir a escassez dos combustíveis derivados do petróleo. Analisando os aspectos ambientais, o biodiesel é um combustível biodegradável, não-tóxico, e praticamente livre de enxofre e aromáticos. No atual estágio de desenvolvimento tecnológico, o processo de produção de melhor relação entre economia e eficiência é pela rota de alcoólise alcalina. A opção pelo catalisador alcalino deve-se ao fato de ser menos corrosivo e exigir menores razões molares entre o álcool e o óleo vegetal. 26
  • 26. A alcoólise de óleos vegetais ou gorduras animais pode ser conduzida por uma variedade de rotas tecnológicas em que diferentes tipos de catalisadores podem ser empregados, como bases inorgânicas, NAOH e KOH (hidróxidos de sódio e potássio), alcóxidos, bases orgânicas, ácidos minerais (ácido sulfúrico), resinas de troca iônica (resinas catiônicas fortemente ácidas), argilominerais ativados, hidróxidos duplos lamelares e enzimas lipolíticas (lipases). Somente álcoois simples, tais como metanol, etanol, propanol, butanol e amil-álcool, podem ser usados no processo de transesterificação. A opção pelo etanol como agente de transesterificação (obtendo-se com isto os ésteres etílicos), ao invés do metanol (utilizado na Europa e nos Estados Unidos), torna o biodiesel um produto totalmente renovável, mas o interesse em torno desta idéia está limitado às regiões em que o seu valor comercial esteja compatível com o valor de mercado do metanol de origem petroquímica. A experiência de utilização do biodiesel no mercado de combustíveis tem-se dado em quatro níveis de concentração:  Puro (B100);  Misturas (B20 – B30) – mistura entre 20% e 30% de biodiesel;  Aditivo (B5) – mistura com 5% de biodiesel; e  Aditivo de lubricidade (B2) – mistura com 2% de biodiesel. O biodiesel é perfeitamente miscível e quimicamente físico, ou seja, semelhante ao óleo diesel mineral, podendo ser usado em motores do ciclo diesel sem necessidade de significantes e onerosas adaptações. Assim, pode ser usado puro ou em mistura com óleo diesel em qualquer proporção. Tem, ainda, aplicação singular, quando em mistura com óleo diesel, vez que confere a este melhores condições de lubricidade. Uma alternativa excelente seria o uso de ésteres em adição de 5 a 8% para reconstituir esta lubricidade. O subproduto de destaque na produção de biodiesel é a glicerina. O glicerol é produzido por via química ou fermentativa. Os processos de produção são de baixa complexidade e sua aplicação atual se dá nos ramos de síntese de resinas, ésteres; aplicações farmacêuticas; uso em cosméticos; uso alimentício; entre outros. 27
  • 27. Os estudos de viabilidade técnica e financeira da produção de biodiesel, a partir de oleaginosas como girassol e Jatropha curcas, são particularmente interessantes, tendo em vista a possibilidade de se iniciar no curto prazo a produção de óleo com o cultivo do girassol (cultura anual), avançando no desenvolvimento da produção de Jatropha (cultura perene) com maior produtividade por ha. O planejamento desse tipo de empreendimento pode ser baseado na definição de estratégias básicas, que incluem a compra do óleo dos produtores rurais locais organizados por cooperativas e suportados pela fábrica de biodiesel, por meio do fomento de informações fitotécnicas da cultura de girassol em rotação de cultura da cana-de-açúcar e Jatropha curcas. A estratégia resulta em melhorar a distribuição de renda, através do valor agregado obtido com esmagamento das sementes. A cooperativa agrícola tem um papel importante a desempenhar neste modelo, pois fica responsável pelo esmagamento dos grãos para obtenção do óleo vegetal e fornecimento à fábrica de biodiesel. 28
  • 28. Centro de Pesquisa e Desenvolvimento De modo a tornar competitivos os projetos de biocombustíveis considerados, recomendam-se também investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Em linhas gerais, esses investimentos podem prover o desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar, maiores rendimentos agrícolas e industriais, técnicas de manejo específicas às necessidades das localidades consideradas nos projetos. A criação de centros de pesquisa e o desenvolvimento são de suma importância ao estabelecimento de projetos de biodiesel que utilizem Jatropha curcas como matéria-prima principal. Apesar de nativa da América Central e Caribe, a espécie ainda não foi totalmente domesticada, não existindo variedade comercial. Tal fato constitui risco à exploração comercial da Jatropha curcas, devido à falta de conhecimento de tratos culturais ideais, assim como uma fonte de material genético certificado. 29
  • 29. Conclusão Este trabalho apresentou os projetos que a Fundação Getulio Vargas realizou como desdobramento do Memorando de Entendimento (MOU) entre Estados Unidos e Brasil, no âmbito dos biocombustíveis. A parceria desenvolvida entre diversas instituições de renome internacional tem resultado nos estudos de viabilidade para a produção de biocombustíveis. Com o objetivo de cumprir este Acordo Bilateral, desenvolveu-se metodologia própria e validada entre as diversas partes envolvidas. Assim, em cada um dos países abarcados por estes estudos, são avaliadas culturas propícias à produção de biocombustíveis. As diversas etapas do trabalho identificam as melhores regiões para a instalação das unidades industriais, considerando aspectos agronômicos, econômicos, logísticos e competitividade por matéria-prima com outros engenhos. Ao final dos estudos, recomendam-se projetos de investimentos. Para os casos de República Dominicana e El Salvador, conforme citado neste documento, recomenda-se a produção de etanol e biodiesel, além da criação de centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) focado em melhorias para a produção de biocombustíveis. A produção de etanol e biodiesel mostrou-se viável nesses países, de maneira que estes produtos podem diversificar a matriz energética desses locais. Esse fato se concretiza com a realização do blend etanol-gasolina e uso do biodiesel em substituição ao óleo diesel. A adoção destas medidas pode diminuir o consumo de energias fósseis e reduzir a dependência internacional do petróleo. Além disso, entre as possibilidades e para outros demais países, é possível também a utilização do bagaço da cana para co-geração de energia elétrica. De maneira pontual e como principais impactos desse tipo de investimento, destacam-se:  Macroeconomic Stabilization:  Reduces dependency upon imported energy sources;  Real economy less sensitive to exchange rate fluctuations;  Counteracts trade deficit, which also helps stabilize exchange rate;  Reduces the dependency of the value of agricultural production upon the exchange rate;  Improves robustness with respect to variations in international demand. 30
  • 30.  Energy Optimization:  Reduction of energetic dependency through the mixture of gasoline-ethanol and diesel-biodiesel;  Plus of electricity generation using co-generation system with bagasse from sugar cane;  Increasing the production capacity: possibility to adopt flex vehicles in the future.  Market Opportunities:  Ethanol production is a particularly high added-value industry;  Strong, growing demand in the global market;  It would represent an important internal source of demand for the agricultural sector.  Employment Improve:  Increase at agricultural and industrial sectors;  Significant number of high-wage jobs, as well as many more unqualified positions;  Positive effects on the country’s income distribution. Finalmente, em um cenário de tendência de fortes elevações do valor internacional do petróleo e seus derivados, os biocombustíveis podem prover condições estratégicas aos países produtores no panorama do comércio internacional, dado que, à medida que os preços do petróleo sobem, tende-se à diversificação da matriz energética. Outro propulsor da demanda por este tipo de energia é a crescente preocupação com a questão ambiental, que também valoriza o papel estratégico dos bicombustíveis. Faz-se necessário ressaltar que o desenvolvimento da agroenergia, tanto nos países da América Central e Caribe quanto em outros países abarcados por esse tipo de projeto, só acontecerá de forma sustentável se todos os setores envolvidos no processo (agricultor-governo-indústria) atuarem de forma conjunta e harmoniosa. 31
  • 31. Ficha Técnica Projeto: Análise de Viabilidade para Produção de Biocombustíveis e Recomendação de Investimentos Diretor do Projeto: Cesar Cunha Campos Supervisor: Roberto Rodrigues Ricardo Simonsen Coordenador: Cleber Lima Guarany Equipe Técnica: Bruno Gherardi (Técnico de geoprocessamento) Cassiano Mota (Assistente técnico infra-estrutura) Cecilia Fagan Costa (Gerente do Centro de Agronegócios da FGV) Fabio Domingues (Responsável técnico agrícola) Felipe Bigarelli (Responsável técnico florestal) Giuliano Marchini Senatore (Coordenador técnico) Luiz Eduardo Oliveira Faria (Técnico de geoprocessamento) Matheus Bayer Gonçalves (Assistente técnico climatologia) Miguel Cooper (Responsável técnico pedologia) Paulo César Sentelhas (Responsável técnico climatologia) Pedro Julian (Responsável técnico infra-estrutura) Pedro Paulo Gangemi (Revisão e Acompanhamento Técnico) Pedro Roberto Nunes (Revisão e Acompanhamento Técnico) Rodnei Rizzo (Assistente técnico climatologia) Parceiro: Winrock International Sponsors: Apex - Brasil Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID Ministério das Relações Exteriores do Brasil - Itamaraty Organização dos Estados Americanos – OAS UN Fundation US Trade and Development Agency – USTDA 32
  • 32. Índice de Ilustrações Figura 1 Método Empregado nos Estudos de Viabilidade..................................................................................7 Figura 2 Processo para geração do mapa de aptidão de terra da República Dominicana ................................10 Figura 3 Localização dos pontos de amostragem no mapa de capacidade de terra, áreas potenciais e dados sobre potencial de produtividade da cana-de-açúcar na República Dominicana...............................16 Figura 5 Atores e Aspectos Envolvidos no Processo de Investimentos em Biocombustíveis..........................22 Figura 6 Setores envolvidos na produção de biocomustíveis...........................................................................23 33