Primeira Guerra Mundial Depoimentos De Soldados Sobreviventes

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Primeira Guerra Mundial Depoimentos De Soldados Sobreviventes

  1. 1. Depoimentos de soldados sobreviventes da Primeira Guerra Mundial
  2. 2. <ul><li>‘’” O odor fétido nos penetra garganta a dentro ao chegarmos na nossa nova trincheira, a direita dos Éparges. Chove torrencialmente e nos protegemos com o que tem de lonas e tendas de campanha afiançadas nos muros da trincheira. Ao amanhecer do dia seguinte constatamos estarrecidos que nossas trincheiras estavam feitas sobre um montão de cadáveres e que as lonas que nossos predecessores haviam colocado estavam para ocultar da vista os corpos e restos humanos que ali haviam. - Raymond Naegelen, na região de Champagne . </li></ul>
  3. 4. &quot;Pela manhã, quando ainda está escuro, há um momento de emoção: pela entrada do nosso abrigo precipita-se uma turba de ratos fugitivos, que trepam por toda a parte a longo das paredes. As lâmpadas de algibeira alumiam este túmulo. Toda a gente grita, pragueja e bate nos ratos. Descarregam-se, assim, a raiva e o desespero acumulados durante numerosas horas. As caras estão crispadas, os braços ferem, os animais dão gritos penetrantes e temos dificuldades em parar, pois estávamos prestes a assaltar-nos mutuamente.&quot; E. M. Remarque, pág. 113.
  4. 6. &quot;Perdemos todo o sentimento de solidariedade. Mal nos reconhecemos quando a nossa imagem de outrora cai debaixo do nosso olhar de fera perseguida. Somos mortos insensíveis que, por um estratagema e um encantamento perigoso, podemos ainda correr e matar.&quot; - E. M. Remarque, pág. 121 .
  5. 7. Viver nas trincheiras é adiar a morte! A morte chegará pelo fogo inimigo, pelos gases tóxicos que asfixiam ou afogam ou pelas doenças que, inevitavelmente, se contrairão neste inferno de lama!
  6. 8.     Secam as fontes e os rios,   ardem as searas e a nossa casa   e as árvores nuas amaldiçoam o céu,   sem sabermos porquê.    Morrem os jovens antes de se amarem   e os poetas com os poemas inacabados   e as crianças olhando espantadas para o céu,   sem saberem porquê.    Um vento noturno deixou insepultos   ventres e seios e desejos de maternidade   nunca realizados,   e secou risos e cantares subindo para o céu,   sem sabermos porquê.    Andam as guerras pelo mundo:   somente possuímos uma voz, uma voz   e essa voz não se calará   e nós sabemos porquê! Tomaz Kim, Campo de Batalha   

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