Seminário – método qualitativo

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  • 1. SeminárioMétodos Qualitativos na Pesquisa Interdisciplinar.Etnografia
    ICA 5763-2 - Pesquisa Interdisciplinar Ambiental
    PROCAM - USP
  • 2. Grupo
    Elisa Quartim Barbosa
    Henrique Vianna Pozo
    Julio Ramos de Toledo
    Lúcia Laurentini Omar
    Marcos Alexandre Louzada
    Marisa Castellano Tsai
    Maurício Marinho
  • 3. Pequisa Qualitativa
  • 4. PESQUISA - MÉTODO QUALITATIVO
    Pesquisa é uma atividade científica pela qual se descobre a realidade (DEMO, 1995);
    É fenômeno de aproximações sucessivas da realidade, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados. (MINAYO, 1993).
    METODOLOGIA
    É o caminho e o instrumental pelo qual se chega a abordagem da realidade.
  • 5. CONCEITUAÇÃO DE MÉTODO QUALITATIVO
    O Método qualitativo é usado em Ciências Sociais.
    Obtém os dados através da descrição.
    É um conceito “guarda-chuva”, que envolve técnicas e procedimentos interpretativos.
    Faz contacto direito e interativo do pesquisador e com a situação e objecto de estudo.
    Codifica e traduz o sentido e não a frequência de eventos ou fenômenos do mundo social (MERRIAM, 1998).
    O foco é específico, o peculiar e não faz generalizações
  • 6. ESPECIFICIDADE DA PESQUISA QUALITATIVA
    Responde questões muito particulares.
    Se interessa com o nível da realidade, não quantificável. (MINAYO,1994)
    Segue a tradição compreensiva’ ou ‘interpretativa’. (PATON, 1986).
    Os estudos são feitos no local de origem dos dados.
    Reduz a distância entre o indicador e o indicado, entre teoria e dados, entre contexto e ação. (MAANEN, 1979).
    O pesquisador pode empregar a lógica do empirismo científico.
  • 7. CARATERÍSTICAS PRINCIPAIS DE UMA PESQUISA QUALITATIVA
    É descritiva;
    Os dados obtidos são analisados indutivamente;
    A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa.
    Envolve a coleta e análise sistemática de materiais narrativos mais subjetivos;
  • 8. Não utiliza instrumentos formais e estruturados;
    Usa roteiros e perguntas abertas na coleta de informações;
    Captar situações ou o fenômenos em toda a sua extensão.
    O problema é revisto durante o estudo e não há hipóteses a priori.
  • 9. conversação
  • 10. Conversação
    A conversação é a primeira das formas de linguagem a que está exposta e é o gênero básico da interação humana. As características são:
    Interação de pelo menos dois falantes;
    Ocorrência de pelo menos uma troca de falantes;
    Presença de uma sequência de ações coordenadas;
    Execução numa identidade temporal
    Envolvimento numa interação centrada.
  • 11. Conversação
    Iniciar uma interação significa abrir-se para um evento com expectativas mútuas. Há alguém que inicia o tema a tratar e supõe-se que o outro esteja de acordo. Os participantes devem agir com atenção tanto para o fato linguístico, como para os paralinguísticos: gestos, olhares, movimentos do corpo.
    Para produzir e sustentar uma conversação duas pessoas devem partilhar a aptidão linguística, o envolvimento cultural e o domínio de situações sociais. Os esquemas comunicativos e a consecução de objetivos exigem partilhamentos e aptidões cognitivas que superam em muito o simples domínio da língua em si.
  • 12. Tipos de diálogos
    Assimétricos: em que um dos participantes tem o direito de iniciar, orientar, dirigir e concluir a interação e exercer pressão sobre o outro participante. É o caso das entrevistas, dos inquéritos e da interação em sala de aula.
    Simétricos: em que os vários participantes têm supostamente o mesmo direito à auto-escolha da palavra, do tema a tratar e de decidir sobre seu tempo. Ex: conversações diárias e naturais.
  • 13. História oral
  • 14. A HISTÓRIA ORAL COMO MÉTODO QUALITATIVO DE PESQUISA
    A História Oral é uma metodologia de pesquisa qualitativa que envolve a “apreensão de narrativas usando meios electrónicos e destina-se a recolha de testemunhos, promover análises de processos sociais do presente e facilitar o conhecimento do meio imediato”.(MEIHY, 2002: p.13). Constitui o método e técnica de coleta e análise de dados em abordagem de pesquisa qualitativa.
  • 15. História Oral como Método (cont.)
    A história oral é uma parte do conjunto de fontes orais e sua manifestação mais conhecida é a entrevista.
    Como procedimento específico, a entrevista em história oral é uma fórmula programada e responde à existência de projetos que a justificam.
  • 16. TÉCNICAS DE PESQUISA EM HISTÓRIA ORAL
    História oral é procedimento de coleta de dados utilizado principalmente nas pesquisas históricas. É um recurso que possibilita ao pesquisador a recorrer além de documentos escritos, aos documentos orais como elementos significativos no resgate de uma história.
    Utiliza a entrevista, como uma técnica base no trabalho da História Oral.
    É um momento de interação. Essa característica apresenta-se, segundo Lüdke e André (1986), como um diferencial em relação a outros instrumentos de pesquisa como a observação unidirecional ou aplicação de questionários que, em geral, estabelecem uma certa hierarquia entre pesquisador e pesquisado (Cf p.33).
  • 17. O pesquisador recorre à História oral como técnica de pesquisa com intuito de chegar ao conhecimento de fatos vivenciados num dado momento histórico em que somente os documentos escritos não se podia revelar por si só todos os sentidos circundantes num determinado meio social.
    Segundo MEIHY (1996), refere a história oral como uma “percepção do passado,algo que tem continuidade hoje e cujo processo histórico não está acabado”.
    CHARTIER (2002), segunda a afirmação, dizendo que o relato, constitui uma singularização da história oral, pelo fato de manter uma relação específica com a verdade, pois as construções narrativas pretendem ser a “reconstituição do passado que existiu”.
  • 18. Thompson (1992), define a história oral como uma pratica social possivelmente geradora de mudanças que transforma tanto o conteúdo, quanto a finalidade da história, pois, para ele, a história oral altera o enfoque da própria história e revela novos campos de investigação.
    Segundo SOUSA (1998), “os dados podem ser obtidos por meio de fontes vivas de informação: história de vida, biografia, depoimentos pessoais e entrevistas, etc. material que precisa passar por um minucioso processo de análise.”
    MEIHY (1996), categoriza três elementos fundamentais para construir uma história oral: O entrevistador, o entrevistado e aparelhagem de gravação.
  • 19. PASSOS OU PROCEDIMENTOS DA HISTÓRIA ORAL
    Elaboração de um projeto;
    Escolha do grupo alvo a ser entrevistado.
    O projeto prevê:
    1. O planejamento da condução das gravações;
    2. Definição de locais;
    3. Definição do tempo de duração
    4. factores ambientais;
    5. transcrição,
    6. Estabelecimento de textos;
    7. Conferência do produto escrito;
    8. Autorização para o uso;
    9. Arquivamento e
    10. Publicação
  • 20. A História Oral, tem fundamentos historiográficos;
    Tem procedimentos cuidadosos na constituição de fontes históricas.
    O seu desenvolvimento pode trazer à tona documentos escritos e fotografias cujo acesso, de outro modo, seria sensivelmente mais difícil ou até mesmo impossível.
    MEIHY (2002), refere que um trabalho só pode ser reconhecido na vertente da História Oral,quando este, for reconhecida sua intenção, os procedimentos e a devolução pública de seus resultados.
  • 21. A Memória como ‘objeto’ da História Oral
  • 22. A Memória como Matriz da História Oral
    A memória não só transmite conhecimentos e significações, mas produz significados. Tem de ser entendida como uma ação, e uma ação produtora de significados.
    A neurociência coloca que o cérebro não trabalha com informação, mas com significado, o que significa dizer, que o cérebro trabalha com dados históricos. Os significados, como tudo o que é histórico, são mutáveis. (Menezes, p. 15)
    Só é possível falar de memória, portanto, como um dado histórico.
  • 23. A função da memória como ‘objeto’
    Uma das funções desejáveis da memória é a de aumentar a capacidade de perceber as transformações da sociedade pela ação humana, permitindo que se tenha a experiência da dinâmica social, da ação das forças que constroem a sociedade e que podem mudá-la a todo o instante.
  • 24. A elaboração do passado se dá no presente e para responder questões do presente. É do presente sim, que a rememoração recebe incentivos, tanto quanto as condições para se efetivar.
  • 25. Às Ciências Sociais interessa a memória individual somente nos quadros da interação social: é preciso que haja pelo menos duas pessoas para que a rememoração se produza de forma socialmente apreensível. É este fenômeno da memória condividida que tem relevância.
  • 26. A memória coletiva é um sistema organizado de lembranças cujo suporte são redes de interrelação estruturadas, imbricadas em circuitos de comunicação. Essa memória assegura a coesão e a solidaridade do grupo.
  • 27. Memória VS História
    É imprópria qualquer coincidência entre memória e história. A memória, como construção social, é formação de imagem necessária para os processos de constituição e reforço da identidade individual, coletiva e nacional.
    A História é forma intelectual de conhecimento. É a disciplina da diferença e que usa o passado para identificar e explicar a diferença. Porque pela diferença se compreende a transformação, a dinâmica que rege as nossas vidas.
  • 28. História de vida
  • 29. HISTÓRIA DE VIDA
    História de vida é entrevista prolongada que apresenta as experiências e as definições vividas por uma pessoa, um grupo ou uma organização. Preocupa-se mais com a fidelidade das experiências e interpretações do autor sobre o seu mundo.
  • 30. Na História de vida, o pesquisador se interessa mais em compreender o desenvolvimento da vida do sujeito investigado e traça com ele uma biografia que descreva sua trajectória até o momento atual.
    Enfatiza determinada etapa ou setor da vida pessoal ou de uma organização.
    O pesquisador, deve permitir a que o narrador escolha do que quer contar, dos factos que lhe interessam socializar.
    QUEIROS (1988), refere que a história de vida não difere tanto da História oral, uma vez que na coleta de dados também usa, depoimentos, entrevistas, biografias, autobiografia. O narrador também, é quem decide o que narrar.
  • 31. HISTÓRIA DE VIDA - CARACTERÍSTICAS
    Entrevistas são feitas com base nas memórias e são selectivas, fazendo com que o entrevistado aborde os assuntos com profundidade.
    É extraída é geralmente extraída de uma de uma ou mais entrevistas denominadas entrevistas prolongadas, nas quais a interação entre o pesquisador o colaborador se da de forma continua. (THIOLLENT,1982).
    O interesse e a disponibilidade do entrevistado, são factores cruciais para uma boa entrevista.
  • 32. GRANDES DIFICULDADES APONTADAS COMO ENTRAVE NA HISTÓRIA ORAL
    Uma das grandes limitantes apontadas no uso da história oral como método de pesquisa, é o facto da História Oral não pertencer a um campo estrito do conhecimento. Portanto, a sua especificidade está no facto de se prestar a diversas abordagens, de se mover num terreno pluridisciplinar. ALBERTI (1989,p.41).
  • 33. Em virtude dessa abrangência a história oral comporta três tipos de abordagens, a saber: história oral de vida,
    temática e tradição oral.
    Para CAMARGO (1989,p.52), a história oral de vida particularmente garantiu “o rigor, a fidedignidade e a riqueza que a técnica que a história oral por si mesma não possuía” segue afirmando que “nada mais consistente do que uma longa vida que se decifra, com a chancela de um gravador”.
  • 34. A história oral possibilita a construção e a reconstituição da história por meio dos individuais ou coletivos.
    O fato de ser considerada um campo multidisciplinar possibilita que algumas disciplinas, (entre elas a antropologia, psicologia, psicanálise, sociologia, etc...), possam dar suas contribuições teóricas, especialmente no tratamento e na análise da informação oral.
    Observa-se essa contribuição através dos estudos que trazem reflexões sobre as relações entre pesquisadores e sujeitos.
  • 35. entrevista
  • 36. Entrevista Reflexiva
     
    A entrevista face a face é uma situação de interação humana, na qual estão em jogo as percepções do outro e de si, expectativas, sentimentos, preconceitos, interpretações e constituição de sentido para os protagonistas – entrevistador e entrevistado.
    Quem pesquisa tem uma intencionalidade, que vai além da mera busca de informações: pretende criar uma situação de confiança para que o entrevistado se abra, pretende passar uma imagem de credibilidade e quer que o interlocutor colabore, trazendo dados relevantes para sua pesquisa..
  • 37. Entrevista Reflexiva
    A concordância em participar, como informante de uma pesquisa já é indicador também de uma intencionalidade por parte do entrevistado – pelo menos a de ser ouvido, acreditado e considerado, o que caracteriza o caráter ativo de sua participação enquanto desenvolvimento de modos de influenciar o/a interlocutor/a.
    Quem entrevista tem/busca informações, quem é entrevistado também está processando um conjunto de conhecimentos e pré-conceitos sobre o interlocutor e organiza suas respostas para aquela situação.
  • 38. Entrevista Reflexiva
    A reflexividade tem o sentido de refletir a fala de quem foi entrevistado, expressando a compreensão da mesma pelo entrevistador e submeter tal compreensão ao próprio entrevistado, que é uma forma de aprimorar a fidedignidade.
  • 39. Entrevista Reflexiva
     
    A proposta da entrevista reflexiva supõe um encontro interpessoal que inclui a subjetividade dos protagonistas, que juntos vão construir um novo conhecimento mediante o encontro de seus mundos sociais e culturais numa condição de horizontalidade e equilíbrio das relações de poder.
    Nessa modalidade reflexiva o primeiro momento da pesquisa(o encontro inicial) pode propiciar uma estruturação de idéias, possível de ser modificada diante da exposição organizada do momento seguinte(o segundo encontro).
  • 40. Preparação para a entrevista
    Delimitação do corpus – De acordo com o informante, informar-se antecipadamente sobre o contexto histórico, social, geográfico dele(fazer a lição de casa).
    Todo o processo da entrevista constará de três contatos com o informante.
    Primeiro contato: momento de introduzir ao informante o mote da pesquisa, podendo ser apresentado um questionário ou um informe com idéias básicas como uma preparação para o momento seguinte(reativação da memória). É oportuno que o informante preencha uma ficha cadastral.
  • 41. Entrevista
    Precaver-se: preparar o material de apoio, controlar tudo para que não haja imprevisto na hora da entrevista, se possível com um material extra.
    Segundo contato: é a entrevista em si. Apresentar ao informante o questionário pelo qual ele se guiará. Entretanto, é possível que ele não o siga exatamente. Nesse momento, podem surgir novos questionamentos de acordo com informações obtidas. O questionário poderá servir como guia no momento da transcrição. A sequência de perguntas poderá ajudar a contextualizar quando houver incompreensão de algum segmento.
  • 42. Cuidados na hora da entrevista
    Manter-se interessado no informante. Todo o foco da atenção deve estar no informante.
    Não interromper o informante abruptamente. Ter paciência, saber esperar a sua vez de falar, esperar o momento oportuno. Ter em mente que o informante faz um esforço para lembrar-se. Interrompê-lo pode bloquear esse processo.
    Ter consciência que as informações que vêm à tona podem não ser prazerosas. Seja compreensivo.
    Não emitir juízos de valor e nem contar a sua história. Lembre-se quem é o entrevistado.
  • 43. A evidencia na História Oral
    A evidencia oral, por assumir a forma de histórias de vida, trás a tona um dilema subjacente a toda interpretação histórica. A vida individual é o veiculo concreto da experiência histórica. Além disso, a evidencia, em cada história de vida, só pode ser plenamente compreendida como parte da vida como um todo. Porem, para tornar possível a generalização, temos que extrair a evidencia sobre cada tema de uma série de entrevistas, remontando-a para enxergá-la de um novo ângulo, como que horizontalmente em vez de verticalmente; e, ao fazê-lo, atribuir-lhe um novo significado. Vêmo-nos assim, diante de uma escolha fundamental porem penosa. (Thompson, P. p.302)
  • 44. As fontes orais indicam a existência de um equivoco básico na dinâmica da mudança social. Esta normalmente é descrita em termos que refletem a experiência dos homens: através da lógica da ideologia abstrata, das pressões coletivas e institucionais, que, num nível mais profundo são compreendidas pela organização social, política e econômica. O que falta, neste caso, é o efeito cumulativo da pressão individual pela mudança, e é isso que emerge através da história oral de vida. A mudança de padrões de milhões de decisões conscientes possui tanta ou mais importância para a mudança social quanto as ações dos políticos que constituem habitualmente a substancia da história. (Thompson, P. p.324)
  • 45. Transcrição
    Para a transcrição dos testemunhos : procedimentos do NURC – Norma Urbana Culta. Normas específicas de transcrição da língua falada, que é de âmbito nacional.
    Entrevista de 01 hora: nível de informação extenso. Transcrição e revisão no mínimo uma vez.
    Complexidade: baixo volume de voz da pessoa, velocidade do discurso do informante, alternância de volume da voz: começando alto e abaixando no fim da sentença demandando um “jogo de adivinhação”.
  • 46. Observação
  • 47. Observação
    É uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se desejam estudar.
    Para Selltiz (1965:233), a observação torna-se científica à medida que:
    • Convém a um formulado plano de pesquisa;
    • 48. É planejado sistematicamente;
    • 49. É registrada metodicamente e está relacionada a proposições mais gerias, em vez de ser apresentada como uma série de curiosidades interessantes;
    • 50. Está sujeita a verificações e controles sobre a validade e segurança.
  • Vantagens da observação
    Possibilita meios diretos e satisfatórios para estudar uma ampla variedade de fenômenos.
    Exige menos do observador do que as outras técnicas.
    Permite a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas.
    Depende menos da introspecção ou da reflexão.
    Permite a evidência de dados não constantes do roteiro de entrevistas ou de questionários.
  • 51. Limitações da observação
    • O observado tende a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no obsevador.
    • 52. A ocorrência espontânea não pode ser prevista, o que impede, muitas vezes, o observador de presenciar o fato.
    • 53. Fatores imprevistos podem interferir na tarefa do pesquisador.
    • 54. A duração dos acontecimentos é variável: pode ser rápida ou demorada e os fatos podem ocorrer simultaneamente; nos dois casos, torna-se difícil a coleta de dados.
    • 55. Vários aspectos da vida cotidiana, particular, podem não ser acessíveis ao pesquisador.
  • Modalidades de observação
    • Segundo os meios utilizados:Observação não estruturada (Assistemática).Observação estruturada (Sistemática).
    • 56. Segundo a participação do observador:Observação não-participante.Observação participante.
    • 57. Segundo o número de observações:Observação individual.Observação em equipe.
    • 58. Segundo o lugar onde se realiza:Observação efetuada na vida real (trabalho de campo)Observação efetuada em laboratório
  • Meios utilizados
    Assistemática
    • Consiste em recolher e registrar os fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais ou precise fazer perguntas diretas
    • 59. Mais empregada em estudos exploratórios e não tem planejamento e controle previamente elaborados.
    Sistemática
    • Utiliza instrumentos para a coleta dos dados ou fenômenos observados.
    • 60. Realizada em condições controladas, para responder a propósitos pré-estabelecidos.
    • 61. Deve ser planejada e sistematizada.
  • Número de observações
    Individual
    • Realizada por um pesquisador.
    • 62. A personalidade dele se projeta sobre o observado, fazendo algumas inferências ou distorções, pela limitada possibilidade de controles.
    • 63. Pode intensificar a objetividade de suas informações, indicando, ao anotar os dados, quais são os eventos reais e quais são as interpretações.
    Em equipe
    Realizada por um grupo de pessoas.
    Observa a ocorrência por vários ângulos.
    Possibilidade de confrontar dados para corrigir distorções.
    Divisão de tarefas e fatos a serem observados
  • 64. Lugar onde se realiza
    Vida realtrabalho de campo
    Feitos na ambiente real.
    Registro de dados à medida que forem ocorrendo, espontaneamente, sem a devida preparação.
    Melhor ocasião para o registro é o local onde o evento ocorre.
    Em laboratório
    • Tenta descobrir a ação e a conduta, que teve lugar em condições cuidadosamente dispostas e controladas.
    • 65. Muitos aspectos da vida humana não podem ser observados em laboratório.
    • 66. Instrumentos adequados possibilitam a realização de observações mais refinadas do que aquelas proporcionadas pelos sentidos.
  • Segunda a participação do observador
    Não-participante
    • O pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se a ela.
    • 67. Presencia o fato, mas não participa dele.
    • 68. Não se deixa envolver pelas situações
    • 69. Faz mais o papel de espectador.
    • 70. Procedimento tem caráter sistemático.
    Participante
    Consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo.
    Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele.
  • 71. Observação participante
    Pode enfrentar grandes dificuldades para manter a objetividade, pelo fato de:
    • exercer influência no grupo,
    • 72. ser influenciado por antipatias ou simpatias pessoais,
    • 73. e pelo choque do quadro de referência entre observador e observado.
  • Pressupostos
    • Se colocar no lugar do outro,  mas manter uma certa distância
    • 74. Intensidade e  interação observador/bservado
    • 75. Ter fundamentada a teoria, mas estrar aberto/flexível a novidades (relação teoria e prática) e adaptações do métodos (experimentação)
    • 76. Perfil do pesquisador necessário à observação particioante
  • Perfil pesquisador
    Saber entender e respeitar o ritmo de ação e de interação do grupo pesquisado
    ser capaz de estabelecer uma relação de confiança com os sujeitos;
    ter sensibilidade para pessoas;
    ser um bom ouvinte;
    ter familiaridade com as questões investigadas
  • 77. Metodologia/Estrutura
    Chegada: inserção no ambiente de vivência da tribo pesquisada e permanecer nele em tempo integral para assim permitir-se observar todos os acontecimentos corriqueiros, que vão além das cerimônias e festas, para com sensibilidade compreender a verdadeira forma que se pretende configurar essa cultura
    Trabalho de campo depende e muito da troca, que dela surge o convívio social necessário para que se obtenha não só os dados desejados, mas para que se veja a realidade do objeto de estudo como ela é. Não basta portanto esperar a boa vontade dos indivíduos que constituem aquele sistema para conseguir o trabalho, é necessário ganhar a confiança, ser merecedor de sua atenção. Isso não significa que o antropólogo deixe de ser um cientista, ele continua a interferir o menos possível na realidade objetivada, mas com o discernimento para distinguir o quanto se deve avançar e contribuir. 
    Informantes chaves: abre as portas" e dissipa as dúvidas junto às pessoas da localidade. Com o tempo, de informante-chave, passa a colaborador da pesquisa: é com ele que o pesquisador esclarece algumas das incertezas que permanecerão ao longo da investigação. Pode mesmo chegar a influir nas interpretações do pesquisador, desempenhando, além de mediador, a função de "assistente informal".
  • 78. Metodologia/Estrutura
    Registro
    É necessário elaborar um plano especifico para a organização e o registro das informações. Isto implica estabelecer, antecipadamente, as categorias necessárias à análise da situação.
    É importante adotar um modo de organizar as anotações escritas. Pode simplesmente colocar as notas, do estágio exploratório em ordem cronológica em uma pasta e arquivar; ou quando se trata de um assunto mais extenso e complicado, com maior volume de anotações, diferentes grupos e/ou problemas, faz-se necessário subdividir as notas, organizando-as por tópicos, com pastas para cada assunto da pesquisa, para cada tópico da entrevista, ou simplesmente organizar as anotações por grupo de foco, e se necessário, mais tarde reorganizar-se.
    Formas de registro
    • Diário de campo. Parte descritiva e uma parte reflexiva.
    • 79. Registro sonoro e visual. Por meio de fotografias, videos, gravador de som, desenho
  • Metodologia/Estrutura
     Análises
     
    • Analisa a realidade social que o rodeia, tentando captar os conflitos e tensões existentes e identificar grupos sociais que têm em si a sensibilidade e motivação para as mudanças necessárias;
    • 80. Permite a reafirmação de fatos, facilitada pela vivência de situações específicas;
    • 81. Observação também comprova ou não os relatos dos sujeitos, porque nem sempre o que eles falam é o que demonstram em seus comportamentos. 
  • 10 Mandamentos da Observação Participante(Foote Whyte, 2005 – Resenha Licia Valladares)
    Processo longo
    Desconhecimento das relações de poder e estrutura social local
    Interação pesquisador-pesquisado (comportamento e relações estabelecidas)
    Afirmação e reafirmação do pesquisador como diferente do grupo
    DOC Intermediário (IC) – abertura, colaboração e participação (assistente formal)
    Pesquisador o tempo todo é observado
    Saber escutar, ver, sentir; quando perguntar; entrevistas formais muitas vezes desnecessárias; estar aberto
    Notas e diário de campo (rotina); presença gerando confiança
    Aprender com os erros (porque da recusa, do silêncio)
    Devolução dos resultados da pesquisa
  • 82. Observação participante
    Formas de observação participante:
    • Natural.O observador pertence à mesma comunidade ou grupo que investiga.
    • 83. Artificial.O observador integra-se ao grupo com a finalidade de obter informações.
  • Referências Bibliográficas
    ANDER-EGG, Ezequiel.Introducción a las técnicas de investigación social: para trabajadoressociales. 7. ed. Buenos Aires: Humanitas, 1978. Parte III.
    CAMARGO, A.; D’ARAÚJO, C. Como a história oral chegou ao Brasil, (entrevista).História oral. Rio de Janeiro, v. 2, n.4,1999;
    DEBERT, G.G. Problemas relativos à utilização da história oral de vida e história oral. In: AMADO, J.; FERREIRA, M.M. Usos & abusos da história oral. 4. ed. Rio de Janeiro. 2001;
    FERREIRA, M.M.; FERNANDES, T.M.; ALBERTI,V. (org.). História oral: desafios para o século XXI. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2000;
    MEIHY, J.C.S.B. Manual de História Oral. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1998;
    BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Editora SchwarczLtda, 1994.
    FREITAS, S.M. História Oral: possibilidades e procedimentos. São Paulo: Humanitas FFLCH/USP, 2002.
  • 84. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: Editora Atlas S.A., 1996
    MARCUSCHI, L. Análise da conversação. São Paulo: Editora Ática, 2000.
    MENEZES, Ulpiano Toledo Bezerra de. Os paradoxos da memória social. In: MIANDA, Danilo Santos de. Memória e cultura: A importancia da memória na formação cultural humana. São Paulo: SESC/SP, 2007. pp. 13-33.
    PRETI, D(org.). Análise de textos orais. São Paulo: Humanitas FFLCH/USP, 1995.
    PRETI, D(org.). Estudos de língua falada. Variações e confrontos. São Paulo: Humanitas FFLCH/USP, 1999.
    QUEIROZ, DT; VALL, J; SOUZA, Ama; VIEIRA, NFC. Observação participante na pesquisa qualitativa: conceitos e aplicações na área da saúde. Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007. Páginas 276-83.
  • 85. REINALDO, A.M.S; SAEKI,T; REINALDO,T.B.S. - O uso da história oral na pesquisa em enfermagem psiquiátrica: revisão bibliográfica. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 5 n. 2, 2003. Http:/www.fen.ufg.br/revista.
    SELLTIZ, C. ET AL. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: Herder, 1965. Capítulos 6, 7, 9 e 10.
    THOMPSON, P. A voz do passado: História Oral. São Paulo: Paz e Terra, 2002.