Aula conceitos 2011

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Aula conceitos 2011

  1. 1. PESQUISA INTERDISCIPLINAR AMBIENTAL ICA –5763-2 LINGUAGEM E CONCEITOS CIENTÍFICOS DRA. SUELI ANGELO FURLAN
  2. 2. COMO PENSAR SOBRE O QUE NINGUÉM JAMAIS PENSOU? "A nossa natureza é constituída de um modo tal que a intuição não pode ser se não sensível, isto é, contém somente o modo como somos afetados por objetos...Pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegos." Immanuel Kant
  3. 3. <ul><li>“ O Caminho mais curto é tirar uma soneca e sonhar com alguma coisa. </li></ul><ul><li>Nossos sonhos estão repletos de originalidade. </li></ul><ul><li>Seus elementos são todos velhos (nossas memórias do passado) mas as combinações são originais ...” </li></ul><ul><li>William H. Calvin </li></ul>REPRESENTAÇÕES...
  4. 4. Como é isto em sua pesquisa? A CIÊNCIA, não seria a busca de combinações são originais?
  5. 5. <ul><li>Nos Sonhos... As combinações compensam em variedade o que lhes falta em qualidade, como quando sonhamos com Sócrates dirigindo um ônibus no Brooklyn e conversando com Joana D´Arc sobre futebol . </li></ul><ul><li>Nossos sonhos misturam tempo, lugares e pessoas. Criamos livremente quando sonhamos ! </li></ul>REPRESENTAÇÕES DO CONHECIDO
  6. 6. <ul><li>Vocês criam livremente quando pesquisam? </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Conceitos – Nossas idéias ou conceitos organizam o mundo tornando-o inteligível e familiar . </li></ul><ul><li>Conceitos são como lentes que nos fazem ver isso ou aquilo ou deixar de ver algo. </li></ul><ul><li>Conceitos nos guiam na complexidade e na imprevisibilidade da vida. </li></ul><ul><li>Nós os criamos para serem nossas lentes. </li></ul>REPRESENTAÇÕES LINGUÍSTICAS
  8. 8. A linguagem específica duma dada disciplina académica (...) pode ter uma função intelectual e assume certas minuciosidades que interferem directamente com a compreensão de conceitos, leis ou teorias científicas. Comumente, especialistas banhados de prazer em leitos de terminologias especializadas, vêem-se incapazes de explicar o que proferem aos não especialistas. Fonte: Jorge Bonito. LINGUAGEM DA CIÊNCIA UMA ABORDAGEM LINGUÍSTICA. http://evunix.uevora.pt/~jbonito/images/Portale.pdf REPRESENTAÇÕES LINGUÍSTICAS
  9. 9. <ul><li>... A Poesia, a Filosofia, a Religião, a Ficção, a Mitologia, a Lógica, e tantas outras, são “jogos de linguagem”, ou seja, formas específicas de se falar sobre o mundo dentro de uma dada comunidade. E com a Ciência não é diferente! </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Quais conceitos serão trabalhados em sua pesquisa? </li></ul><ul><li>Como são suas “lentes” para ver e explicar? </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Problema... </li></ul><ul><li>Quando usamos uma lente por muito tempo, a lente acaba fazendo parte da nossa visão a ponto de não sabermos se estamos com ou sem óculos. </li></ul><ul><li>O conceito se coloca entre os olhos e o que vemos. </li></ul>REPRESENTAÇÕES LINGUÍSTICAS
  12. 12. <ul><li>Conceitos são a Nossa visão da realidade </li></ul>REPRESENTAÇÕES LINGUÍSTICAS Utilizamos como um modo de recortar, enquadrar, e compreender a realidade; Sempre deixa de fora algo que poderia ser recortado de outra maneira, por outro ângulo.
  13. 13. <ul><li>Conceitos </li></ul><ul><li>Não esgotam o mundo, mas ajudam a entender sob determinado ângulo. . </li></ul>REPRESENTAÇÕES LINGUÍSTICAS
  14. 14. <ul><li>Uma Paisagem vista da janela . </li></ul>René Magritte, 1935
  15. 15. René Magritte, 1935
  16. 16. René Magritte, 1959
  17. 17. René Magritte, 1962
  18. 18. <ul><li>Nos quadros mudam os formatos das janelas e as paisagens avistadas, mas a estrutura se mantém, para lembrar que nosso acesso ao real (a paisagem lá fora) ocorre sempre por meio de uma lente ou enquadramento cultural (a janela) . </li></ul><ul><li>Mas </li></ul><ul><li>Há sempre autonomia para, dentro de nossos limites socio-históricos, para criar a nossa versão ou visão da paisagem, ou seja, da realidade. </li></ul>René Magritte Fonte: www.magritte.com
  19. 19. CONCEITOS <ul><li>Somos reféns das nossas visões ou conceitos, ângulos sempre parciais. </li></ul><ul><li>OU </li></ul><ul><li>O CONCEITO PODE VARIAR SEGUNDO A EXPECTATIVA DE QUEM O UTILIZA, CRIA, RECRIA OU RECOMPÕE. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>Paisagem – Aspectos físicos visíveis </li></ul><ul><li>Paisagem – Natureza percebida, ligada ao contexto social espacial (ocidente). </li></ul><ul><li>Paisagem é sempre parte de um todo. Nunca o todo, o cosmos ou espaço total. </li></ul><ul><li>Paisagem é um sistema </li></ul>CONCEITO GEOGRÁFICO DE PAISAGEM
  21. 21. <ul><li>Paisagem é um conceito chave da Geografia que também é utilizado por outros campos do conhecimento. </li></ul><ul><li>Conceito tradicional, foi visto no passado como o objeto capaz de conferir unidade e identidade a Geografia. </li></ul><ul><li>Após um período em que a paisagem Geográfica foi, entre muitos geógrafos, relegada a um plano secundário, renasce a partir de 1970 como um conceito-chave da Geografia </li></ul><ul><li>Lobato, Roberto (1996) </li></ul>CONCEITO DE PAISAGEM
  22. 22. Revisão conceitual <ul><li>Estamos sempre compelidos a rever, ou interpretar os sinais que nos informa o objeto de estudo, sem nunca esgotá-lo em uma palavra ou numa imagem final que seja inconteste. </li></ul>
  23. 23. Rever conceitos <ul><li>Um bom exercício para renovar nossa visão do estudo que estamos fazendo e os conceitos que estamos utilizando (como molduras) é tentar trocar de lentes para ver se as mesmas “paisagens” podem ser lidas de modo diferente com outras lentes. </li></ul><ul><li>Isto significa “desnaturalizar” os modos de ver que tínhamos como óbvios. </li></ul><ul><li>Podemos fazer isso questionando conceitos já estabilizados. </li></ul><ul><li>Um mapa conceitual auxilia a distinguir conceitos estruturantes da metodologia </li></ul>
  24. 24. NATUREZA - LUGAR - TERRITÓRIO GEOGRAFIA CULTURAL LUGAR Percepção individual e coletiva da vida em sociedade TERRITÓRIO Produção e organização dos espaços (as ações e a paisagem) INSULARIDADE E ILHEIDADE ...“É possível considerar a territorialidade como um locus de negociação entre dois sistemas de representações e da afirmação da identidade: um, organizado em torno da diferenciação e da pluralidade, seria responsável pela identidade construída ; o outro, organizado em torno da unicidade e da integração, funcionando como produtor da identidade imposta , em benefício e através das Diversas instâncias do poder.” NATUREZA Como TOTALIDADE Natureza transformada pelo trabalho e informada pela cultura
  25. 25. POR TERRITÓRIO ENTENDE-SE ... Extensão apropriada e usada . Mas o sentido da palavra territorialidade como sinônimo de pertencer àquilo que nos pertence ... esse sentimento de exclusividade e limite ultrapassa a raça humana e prescinde da existência do Estado. A territorialidade humana pressupõe também a preocupação com o destino, a construção do futuro... Santos & Silveira, 2000. PODEMOS FALAR NUMA TERRITORIALIDADE SEM ESTADO, MAS É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL NOS REFERIRMOS A UM ESTADO SEM TERRITÓRIO
  26. 26. O território visto como unidade e diversidade, é uma questão central da história humana de cada país e constitui o pano de fundo do estudo das suas diversas etapas e do momento atual. O espaço territorial está sujeito a transformações sucessivas, mas em qualquer momento a equação que permanece é: uma ou mais territorialidades, um Estado, um território.
  27. 27. A divisão territorial do trabalho cria uma hierarquia entre lugares e redefine, a cada momento, a capacidade de agir das pessoas, das firmas das instituições. Nos dias atuais um novo conjunto de técnicas torna-se hegemônico e constitui a base material da vida em sociedade. Qual o papel das formas geográficas materiais, das formas jurídicas e políticas, todas impregnadas, hoje, de ciência, técnica e informação? O que caracteriza a territorialidade da cultura diante disto?
  28. 28. Questão posta... O território condiciona a localização dos atores sociais, mas desconsidera as territorialidades. No caso da cultura caiçara o seu destino é visto como da desterritoralização. Para alguns o lugar do trabalho morto, pois o trabalho vivo se relaciona com o processo hegemônico da sociedade informacional. Para os segmentos culturalmente diferenciados sua territorialidade está submetida as ações políticas geralmente comandadas pelo mercado. Vistos pelos governantes e muitas vezes pela sociedade majoritária como espaços que obedecem, espaços da lentidão. Mas para que serve ser rápido ou lento?
  29. 29. RELAÇÃO ENTRE TERRITÓRIO E ESPAÇO VIVIDO Mas o território não é apenas o substrato material, os limites físicos, o espaço social, em si, mas sim um campo de forças e ações políticas , onde o imaginário social é o cimento da coerência entre território e política. As relações de poder são espacialmente delimitadas, operantes e ocorrem num substrato referencial e tudo é território. Furlan, Sueli A, 2000 Neste campo de forças existem as ligações afetivas e de identidade entre um grupo social e seu espaço que são importantes para a gênese ou manutenção de um território. Souza (1995: 97)
  30. 30. RELAÇÃO ENTRE TERRITÓRIO E ESPAÇO VIVIDO O domínio é a territorialidade. Ela se estabelece e se mantém nas relações de poder que a definem, pelos valores que se atribui para o espaço, sejam eles valores materiais ou simbólicos. Nas comunidades tradicionais seu domínio depende das relações de poder que historicamente se estabeleceram entre seu modo de vida e outros advindos da sociedade majoritária. O domínio do território caiçara se define nas relações de poder sobre esse espaço, que envolvem necessariamente as ações políticas, como por exemplo o reconhecimento legal e institucional pela sociedade majoritária das “terras de caiçara”.
  31. 31. Mais do que fonte de sobrevivência a terra é um registro simbólico por excelência. Esse registro não deve continuar sendo identificado apenas na sua materialidade, pois assim estaremos nutrindo as concepções que tem no território apenas o seu valor de uso. No imaginário social o valor de uso se desdobra em imaginário político. É o valor de uso que queremos territorializar? Do imaginário ao imaginário político
  32. 32. ESPAÇO EXPERIÊNCIA PRODUTO DA IMAGINAÇÃO “ Trata-se de alimentar o caudal das correntes geográficas que incorporam as representações sociais como mediações fundamentais ao conhecimento da sociedade e do espaço, contribuindo com a articulação necessária entre objetos concretos e seus conteúdos simbólicos , procurando compreender o seu significado para a geografia.” Castro, Iná E., 1997.
  33. 33. ... Na política quando as paixões transformam-se em interesses, também a relação afetiva com o espaço participa desta mudança. Ou seja, o espaço contém os simbolos do imaginário social e é componente dele, tanto em sua dimensão emocional como material, e por isso campo de disputas entre interesses privados de indivíduos ou grupos. Castro, Iná E., 1997 GOVERNO REPRESENTA O IMAGINÁRIO SOCIAL INSTITUIDO.
  34. 34. Todo imaginário social, da mesma forma que possui um forte componente político, possui também um forte componente espacial pelo poder simbólico atribuído aos objetos geográficos, naturais ou construídos que estão em relação direta com a existência humana. Todo imaginário social pode revelar-se imaginário geográfico Do imaginário político ao imaginário geográfico
  35. 35. A paisagem e o lugar ... A paisagem pode ser visualizada pelo conjunto de objetos. Mas ela não é a simples somatória de elementos. A paisagem constitui o modo como diferentes tempos, diferentes sujeitos históricos informaram o mundo a partir de suas representações, a partir do seu trabalho. A TERRITORIALIDADE É REPRESENTADA PELO MODO COMO VIVEMOS DISTINTAS PAISAGENS. A PAISAGEM É O OBSERVAVEL O LUGAR É O VIVIDO.
  36. 36. Quais expectativas e valores socio-históricos estão contidos na construção dos conceitos que VOCÊ utilizará? E NO SEU PROJETO?
  37. 37. São as idéias... Naturais! <ul><li>Quais são as lentes que vocês utilizarão em seus trabalhos? </li></ul>
  38. 38. Resumo <ul><li>Para apreender a problemática ambiental, é necessário uma visão complexa de ambiente, em que a natureza integra uma rede de relações não apenas naturais, mas sociais e culturais. </li></ul>
  39. 39. <ul><li>A abordagem das palavras é sempre uma história do pensamento e da vida social. </li></ul><ul><li>Experiemente fazer a história de algumas palavras que serão centrais em sua pesquisa. </li></ul><ul><li>Faça o exercício de listar algumas....Procure identificar o seu papel em sua pesquisa! </li></ul>
  40. 40. Os conceitos podem habitar dois mundos! <ul><li>A palavra ecologia. </li></ul><ul><li>Quando usada no contexto dos movimentos sociais não é mesma da ciência ecológica. </li></ul><ul><li>Conceitos podem conter idéias migrantes. </li></ul>
  41. 41. Como definir? Os conceitos que definem quaisquer realidades, são meras abstrações provisórias do real, sendo apenas representações do mundo objetivo no nosso psiquismo. Tal fenômeno se dá a partir da capacidade humana de simbolizar e da necessidade  de atuarmos sobre a realidade, transformando-a conforme os nossos desígnios, sempre natural e socialmente condicionados. Convém que se lembre que tais abstrações são sempre meras e deficientes  aproximações  do real. Marco Conceitual Valfrido Medeiros Chaves. Ciências Ambientais: Conceitos e Contextualização, http://www.ecoterrabrasil.com.br/home/index.php?pg=temas&tipo=temas&cd=453
  42. 42. <ul><li>Como definir? </li></ul><ul><li>Todo conceito é um instrumento de trabalho e é validado por sua eficácia  enquanto via de compreensão e de transformação do real. </li></ul><ul><li>Na medida em que a realidade e o contexto se alteram, os conceitos são reelaborados, superados e substituídos por outros mais eficazes.  </li></ul><ul><li>Pensar o contrário, seria transformar qualquer pensamento com pretensões científicas, em posições dogmáticas e sem utilidade para a compreensão e transformação da realidade. </li></ul>Marco Conceitual Valfrido Medeiros Chaves. Ciências Ambientais: Conceitos e Contextualização, http://www.ecoterrabrasil.com.br/home/index.php?pg=temas&tipo=temas&cd=453
  43. 43. <ul><li>Como definir? </li></ul><ul><li>O pensamento ideológico e o religioso apresentam essa configuração. Trazemos como lembrança desses dois momentos de um conceito ou concepção, a nau Caravela que, após viabilizar a expansão marítima européia, foi superada por outras concepções náuticas. </li></ul><ul><li>Como exemplo de concepção religiosa ou ideológica, trazemos a noção da Terra como uma mesa plana, idéia que restringia o ímpeto de navegação dos povos ibéricos. </li></ul><ul><li>Outra concepção mítica  e historicamente desmentida foi aquela de que “a supressão da sociedade de classes” promoveria um fantástico “desenvolvimento das forças produtivas” que inundaria de fartura e bem estar coletivo as sociedades que a praticassem. </li></ul>Marco Conceitual Valfrido Medeiros Chaves. Ciências Ambientais: Conceitos e Contextualização, http://www.ecoterrabrasil.com.br/home/index.php?pg=temas&tipo=temas&cd=453
  44. 44. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS <ul><li>CLAVAL, Paul. L´Analyse des Paysages. Geographies et Cultures 1995: 13 </li></ul><ul><li>CLAVAL, Paul. A contribuição francesa ao Desenvolvimento da Abordagem cultural na Geografia. In CORREA, R. L. ROSENDAHL, Z. Introdução a Geografia Cultural, 2003: 147-166 </li></ul><ul><li>TROLL, Carl. A Paisagem Geográfica e sua investigação (1950). Espaço e Cultura, 1996 (4): 1-18 </li></ul>

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