Alvo potter e o caçador de destinos

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  • 1. Alvo Potter e o Caçador de DestinosPor V. G. Cardoso, baseado no universo e personagens de J. K. Rowling
  • 2. Porque a magia ainda não terminou, porque ainda há histórias a serem narradas, porque o gosto pela leitura de Harry Potter ainda aflora a pele e porque uma legião de pessoas não pode ficar sozinha sem o bruxo que elas mais adoram. 2
  • 3. Dezenove anos se passaram desde a batalha que silenciara o inimigo número um da comunidade bruxa. Deste período os bruxos espalhados pelo mundo podem se gabar de uma sociedade de aparente paz e calmaria.Uma nova geração de bruxos e bruxas começa a surgir. Aprendendofeitiços e predições, e em meio a esta está o filho do renomado Harry Potter. Alvo Potter, junto com sua prima Rosa Weasley e com seuesquivo melhor amigo, Escórpio Malfoy (isso mesmo Escórpio Malfoy) devera embarcar em sua primeira aventura contra um conhecidovilão que tenta com toda sua genialidade e potencial espalhar o caos e trazer de volta a vida o impiedoso e nefasto Lorde Voldemort. 3
  • 4. Sumário Um: A Rua dos Encanadores Dois: A Decisão do Chapéu Seletor Três: Encontro de Professores Quatro: O Memorial de Hogwarts Cinco: McNaught e Silvano Seis: O Sentimento que Ainda Habita a Sonserina Sete: O Artesão Esquecido Oito: O Conto do Bruxo Linguarudo Nove: Sonserina vs. Lufa-Lufa Dez: O Segredo de McNaught Onze: Férias em Hogwarts Doze: As Investigações de Rosa Treze: O Amigo das Corujas Catorze: O Exulto da Cobra Quinze: Plano Falível Dezesseis: Segredos DescobertosDezessete: A Jogada de Furius e a Vingança de Mylor Dezoito: O Caçador de Destinos Dezenove: O Fim da Sociedade da Serpente Vinte: O Presente do Velho Weasley 4
  • 5. Capítulo Um A Rua dos Encanadores A muitos quilômetros longe da sede do governo trouxa e do Ministério da Magia, a mesma névoa que afligia os londrinos que vagavam pelas ruas semi-escurecidas também comprimia as janelas e cacos de vidrosdas habitações abandonadas que se estendiam por toda a Rua dos Encanadores. Mesmo sendo fim de tarde a escuridão já vagava pelas cidades de todo o país,inclusive aquela, que mergulhava em um depressivo e sombrio silêncio cortadoapenas pelo som das águas do rio onde peixes e pequenas formas de vidacarregavam quilos de poluição e elementos tóxicos. Todas as habitações ao seu redornão demonstravam a existência de nenhum morador atual, mesmo que há anos atrásvárias pessoas já houvessem constituído famílias inteiras naquelas paredes. Na calçada irregular pilhas e pilhas de lixo e caixas de papelão se amontoavam acada metro quadrado, onde famílias inteiras de ratos e ratazanas procriavam e sealimentavam a todo instante. Dentro de outra caixa de papelão uma pequena matilhaesquelética se abrigava inconfortavelmente da chuva. Vindo do extremo sul da Rua dos Encanadores, sem demonstrar nenhum tipo deaborrecimento com relação ao mau tempo e ao frio, um jovem homem bem trajado sedesviava das muralhas de lixo. Seu sapato; bem lustrado; parecia saber exatamenteonde pisar, desviando completamente dos ‚excrementos‛ deixados pelos animais. A Rua dos Encanadores não era o primeiro local que Malcolm Baddock desejavavisitar após um longo dia de trabalhos no Departamento de Transportes Mágicos.Mas ele havia se comprometido com seus ‚companheiros‛ a nunca ignorar ochamado e se encontrar na sede da sociedade que ele se filiou poucos meses antes deter sido aprovado no exame de aparatação e de ter ingressado no Ministério. Claro,não era um local agradável, mas a sede de uma organização secreta não poderia serem qualquer lugar próximo ao Caldeirão Furado, deveria ser um local que chamassepouca atenção, mesmo estando camuflado por um mísero Feitiço Fidelius. Quando Baddock passou perto do papelão junto à matilha, os cãezinhos quemoravam ali latiram tentando afugentar a má aura que rodeava o bruxo. Eramapenas cães, mas que podiam sentir muitos cheiros além dos que um humano sentiaentre eles o cheiro de magia. – Calem-se! – resmungou Baddock chutando a caixa de papelão e arremessando oscães alguns centímetros para perto do rio poluído. Ele sacou a varinha e a apontoupara os cães, fazendo com que faíscas azuis brotassem da varinha e ricocheteassemcontra o chão, dispersando os animais de perto do terreno abandonado. – Finalmentecheguei. Ah cara! Com certeza estou atrasado. O Sr Yaxley não vai gostar nada disso.“Sem atrasos nas próximas reuniões, ou pode custar caro para você.” 5
  • 6. Baddock se adiantou e retirou do bolso do smoking um pedaço úmido e surradode pergaminho. Não havia nada escrito nele, mas ele sabia que aquilo servia comouma chave, que desativaria temporariamente o efeito do Feitiço Fidelius, e que opossibilitaria de chegar à sede. Ele fitou o pedaço de pergaminho e pousou a ponta da varinha sobre esse. “Aparecium” murmurou, fazendo com que pequenas palavras escritas a mãosurgissem meio desbotadas e fora de foco, contudo Baddock conseguia distingui-lase assim lê-las. A Sociedade da Serpente. Sede localizada na Rua dos Encanadores, número quinze,Londres. O chão começou a tremer, mas não um tremor como de um terremoto colossal,apenas como se uma banda de música soasse seu mais novo sucesso tendo váriascaixas de som espalhadas pelos cantos, todas no último volume e tendo uma legiãode fãs histéricos cantando e pulando. As caixas de papelão tombavam para os lados eas pilhas de lixo se desmoronavam, fazendo com que ratos e ratazanas fugissem paraalgum lugar seguro e assim, passando por entre os sapatos de Baddock. Esses já nãopisavam mais na calçada irregular e sim em um luxuoso caminho de mármore negroque se estendia dos pés de Baddock até as escadas de uma casa. Exatamente, uma casa havia se erguido de debaixo da terra até atingir a altura dedois... três... quatro andares. A casa não era muito grande em largura, mas erabastante comprida. Era mais alta que suas vizinhas, as de número catorze edezesseis. Duas gárgulas foram esculpidas em cada extremidade da casa. Seus olhosbrilhantes fitavam a Rua dos Encanadores de maneira sombria e colossal. O gramadoestava milimetricamente aparado por igual, tendo cada centímetro de gramaminuciosamente o mesmo tamanho e a mesma distância um do outro. Baddockengoliu em seco e se aproximou cuidadosamente da porta de latão revestida comtinta escura e protegida magicamente com todos os feitiços de proteção que umduende esquisito e cleptomaníaco conseguiram conjurar. Não foi nenhuma surpresapara Baddock ver um crânio esculpido no centro da porta. Era uma maneira eficazde dizer para os vizinhos “Dê o fora!” Não que esses o conseguissem ver, mastambém era um modo de proteger a sede da Sociedade da Serpente. Baddock se aproximou da entrada e esperou que a sentinela encantada sepronunciasse, e ela o fez. A cobra encantada que também fora esculpida na porta aoredor da cabeça do crânio, começou a se remexer e se enroscar envolta da figura delatão presa na porta. – Quem pede passsagem? – soou a voz fina e sinistra que Baddock imaginou vir dacobra sentinela. – Amigo, ou inimigo? Membro, ou intruso? – Malcolm Baddock. 6
  • 7. – Tem o anel de passsagem? Ssse o tiver, coloque na fechadura correta e podepasssar. Malcolm retirou do mesmo bolso que guardava o pergaminho, um anel prateadodo tamanho de um galeão. Ele tinha duas iniciais gravadas “SS”, que representavamas iniciais da sociedade, mas que para despistar os enxeridos e curiosos, os membrosda Sociedade da Serpente apenas alegavam ser uma homenagem ao famoso SalazarSlytherin. Baddock estudou cuidadosamente as fechaduras da porta. Não era apenas uma,como das portas convencionais, mas sim cinco. Uma engenhosa maneira de retardaros invasores, inventada pelo mesmo duende cleptomaníaco. Mas para aqueles que jáa conheciam era apenas mais um pretexto para se chegar atrasado. Eram cincofechaduras, sendo que apenas quatro estavam totalmente amostras, a quinta estavaescondida dentro da boca do crânio empalhado, não era a coisa mais agradável a sefazer, mas era o único meio de se entrar na sede. Os outros fariam com que umacomplicada série de maldições e azarações recaíssem sobre a pobre vítima, o que nãoera o caso de Baddock. O bruxo pressionou seu anel prateado contra a fechadura oculta por entre osdentes brilhantes e prateado do crânio e esperou que as engrenagens e trancas seabrissem possibilitando sua passagem. – Ssseja bem vindo, Sssr. Baddock – ecoou o chacoalhar da cobra. A porta finalmente se abriu revelando um estreito vestíbulo que se ligava a trêscorredores. Por muito tempo aquela propriedade permaneceu desocupada edesmobiliada, mas agora servia para mais que apenas a sede da Sociedade daSerpente, era à base de operações do grupo e servia também de moradia para aquelesque não podiam se expor demais na sociedade ou que nasceram em outros países. Quando Baddock deixou o vestíbulo empoeirado desejoso a chegar o mais rápidopossível a sala de reuniões, ele se deparou com uma sala de estar bastantemovimentada. Alguns bruxos mal vestidos, com trapos envoltos no corpo, comcheiro de cerveja e pizza, jogavam cartas ao redor de uma mesa de armar. Outrogrupo de bruxos, esses um pouco mais bem vestidos e aparentemente apreciadoresde uma boa higiene, desenhava mapas e rabiscava anotações em rolos depergaminhos estendidos por entre a sala mal iluminada. A maioria daqueles homens eram os novatos da Sociedade da Serpente, homens emulheres que acabaram de se alistar para o grupo e que não tinham muita vozdentro da organização. Baddock sabia o que era estar naquele lado, não era nadaaconchegante ter de dividir o quarto com dois ou mais colegas que podem vir a tetrair no dia seguinte por uma vaga como conselheiro. E Baddock havia se alistadodurante os tempos mais sombrios para as organizações contra os interessesministeriais. A Sociedade da Serpente nasceu cinco anos após a Batalha de Hogwarts, 7
  • 8. no ápice da carreira de ministro de Kingsley Shacklebolt, e no mesmo de HarryPotter como Chefe do Quartel-General dos Aurores. Não era a melhor ora para secomeçar um clube secreto revolucionário. – Noite, Malcolm – disse uma voz tristonha e infeliz às costas de Baddock. – Como vai, Bruno? – grunhiu Baddock, parando próximo ao arco de dava para asescadas que interligavam toda a casa. – Com foi sua missão em Liverpool? – Um fracasso. Nunca acreditei que poderíamos achar alguma coisa no museu dosBeatles. Um fracasso... Mas por que vocês cismam em me chamar pelo primeironome? Todos na minha família, todos os grandiosos, sempre foram chamados pelosobrenome: Avery. – Talvez por que você não seja um grandioso – retrucou Baddock um tantogozador, mas sabendo que aquilo tocaria Bruno Avery. Bruno era o típico bruxo que desde que nascera fora envolto pela sombra do nomeque carregava: Avery. Bruno é sobrinho do Comensal da Morte que assim como elecarregava o nome Avery, o pai de bruno Gastão, também era um seguidor do Lordedas Trevas, mas diferente do meio irmão mais novo, não era tão forte e não servia degrandes interesses para o Lorde das Trevas. Bruno entrou para Hogwarts no mesmoano da queda definitiva do Lorde Voldemort, tendo a escola como um segundo lar,Bruno tentou se mostrar um garoto malvado e detentor de um nome de assassinos,mas o máximo que conseguiu foi ser tachado como palhaço bobalhão. Naquela noite Bruno se mostrava muito magro, o que não era diferente por entre amaioria dos novatos, seus cabelos longos escorriam por seu rosto sujo e feio. Elevestia um bermudão que pertencera a um antigo membro muito mais gordo queBruno, o que obrigava a ele dobrar várias vezes as bainha e mesmo assim continuar aparecer que usava uma calça comprida. Seu abdômen magricela estava oculto poruma camisa sem mangas bastante suja e surrada. Era assim que a maioria dosnovatos se vestia como mendigos imundos, mas caso conseguissem se promover amembros honorários poderia melhorar de vida e muito possivelmente sair daquelechiqueiro. Contudo Baddock gostava de Bruno Avery. Acreditava que ele poderiaser um bom membro honorário, pois já o conhecia desde Hogwarts, o garotinhotravesso que suspendia os inimigos no ar e mergulhava suas calças em bombas debosta, mas que era muito fiel junto a seus companheiros. – E quanto à reunião? – perguntou Baddock interessado, colocando a mão sobre o ombro de Bruno e o convidando a um passeio até o quarto andar onde ficava a sala que Baddock ansiava chegar. – Alguém importante já chegou? – Apenas o ranzinza do Plochos, o Acrusto Underwood e Serena Tyranicus, sevocê pode chamá-los de importante. 8
  • 9. – É o melhor lixo entre o emaranhado de porcarias do Ministério – riu Baddock aochegar ao segundo andar que servia como refeitório para os membros da sociedade.Várias mesas foram espalhadas rentes as paredes que entrevam por entre corredores,quartos e saletas, tomando todo o andar. – Plochos é nosso informante de dentro doGringotes, ele mesmo não faz grande coisa lá, mas pode nos trazer informaçõesvaliosas. Acrusto é membro do Departamento de Regulamentação e Controle dasCriaturas Mágicas, tem a mesma importância que eu dentro da sociedade: trazer omáximo de informações que julgar importante; impedir que qualquer membro doMinistério tente nos investigar e liderar missões junto aos novatos. Serena é quempoderia se rotular como nossa vice-presidente. É a que ocupa o maior cargoministerial ao comparar comigo e com Acrusto. Ela está dentro do Departamento deMistérios e só perde para o Sr Yaxley que é nosso fundador e líder supremo. Não queeu goste dele, mas é preciso que alguém tome conta de tudo que gire por baixo, ‚se éque você me entende”... Daqui sigo sozinho. O quarto andar era proibido a qualquer um que não fosse membro definitivo daSociedade da Serpente. Somente aqueles que haviam se mostrado dignos para o SrYaxley poderiam andar pelo quarto andar. Que era um local que o Sr Yaxleymantinha com total zelo e cuidado. Era no quarto andar que ficavam os aposentosdos membros mais fortes da Sociedade da Serpente, eram os dois maiores quartos dacasa, porém infelizmente os dois estavam ocupados. O Sr Yaxley era dono dapropriedade e um dos dois fiéis do Feitiço Fidelius, e quem ocupava um dos quartos.O outro era ocupado por Acrusto Underwood, que se negava a morar em outro lugarjá que tinha uma casa com comida e roupa lavada de graça, um avarento pornatureza. Felizmente, não havia muita diferença entre gostos dentro daquela casa naRua dos Encanadores, pois a grande maioria dos membros da sociedade um diapertenceu a casa Sonserina. Mas não era isso que impedia que as brigas e discussõestomassem conta do ambiente. Muito pelo contrário elas eram muito costumeiras, jáque todos os membros eram extremamente egoístas e sempre esperavam que no finaldas contas fossem eles os favorecidos. As paredes do quarto andar eram as únicas que possuíam quadros vindos dostempos dos antigos moradores. Os demais da casa eram pôsteres vindos junto comos novatos e se limitavam a habitar o primeiro andar. A maioria dos quadros estavacolocada no corredor que levava a sala de reuniões. Eram retratos pintados a óleo dehomens e mulheres de todas as idades. Alguns velhos outros bem novos – o maisnovo era de um garotinho loiro que brincava de galope em uma vassoura encantada.Baddock ficava admirando todos aqueles em suas molduras, todos pertencentes àmesma família, pois em suas identificações desbotadas, todos possuíam o mesmosobrenome: Yaxley. 9
  • 10. Malcolm ficou imaginando o que teria acontecido com o verdadeiro LoquácioYaxley para ele ter o retrato rasgado. O mesmo acontecia com uma das filhas deLisandra Yaxley, que não possuía retrato junto às irmãs. Era uma experiência nada encantadora, estar ali junto aos retratos de pessoas queBaddock não conhecia e ficar se perguntando o que elas fizeram para merecer tallugar de destaque. Baddock também percebeu que os quadros estavam incompletos,só iam até a sexta geração da família Yaxley, percebeu que os filhos de Emma Yaxleye de seu irmão Hélio Yaxley eram representados como duas criançinhas, mesmotendo nascido no final do século anterior. No final do corredor de retratos estava à escura e densa porta de roble que davapara a sala de reuniões. Baddock sabia que há muitos anos – no tempo em que o SrYaxley morava naquela casa com seus irmãos e seus pais – aquela era a bibliotecaparticular da família. Mas que naquela noite estava sendo usada como sala dereuniões da Sociedade da Serpente e Baddock tremia só de pensar em como seriarecebido pelos outros conselheiros perante seu atraso. Seu coração batia mais forteconforme sua mão se elevava até alcançar a maçaneta da porta. Ela estava fria, masmesmo assim Baddock a girou. A biblioteca era o local mais bem iluminado de toda a Casa dos Yaxley. Tinha trêsabajures em cima da lareira que ficava na parede oposta a da entrada. Havia umamesa de madeira de carvalho ao centro da biblioteca onde foram distribuídas seiscadeiras ao seu redor, cinco estavam ocupadas. Em cada cabeceira estava sentadoum homem, um mais feio que o outro. Ao lado direito do homem mais próximo álareira estava uma mulher de cabelos castanhos um tanto desgrenhados e umaexpressão psicopata estampada em sua cara esquelética. No lado esquerdo dohomem estava um duendezinho cinzento e ranzinha, que fitava Baddock com seusolinhos pretos e gananciosos. Na cadeira ocupada ao lado do homem magricela denariz torto e cicatrizes no rosto estava outro homem alto e forte. Este era o menoselegante da sala. Vestia bermuda e tênis Nike, com uma camisa esportiva, cabeleiracastanho claro e barba escura. – Está atrasado, Baddock – afirmou o Sr Yaxley do outro lado da sala. – Se melembro bem, pedi para que nenhum de vocês se atrasasse em nossas reuniões. Se melembro bem, foi a Sociedade da Serpente que lhe ajudou a chegar a onde está. – Sim, Sr Yaxley. Sei que foi o senhor que me levou até meu cargo no Ministério,estarei sempre de bom grato. Mas meu fardo, meu trabalho no ministério tambémexige meu comprometimento. Infelizmente me atrasei, mas prometo que... – Relaxe – disse Yaxley erguendo sua mão e silenciando os soluços de Baddock. –Não vou te matar somente por causa de um atraso. Mas que não se repita. 10
  • 11. – Podemos finalmente começar? – resmungou a mulher ao lado de Yaxley queBaddock reconheceu como a desprezível Serena Tyranicus. – Tenho outros assuntospendentes a tratar depois de nossa reunião. – Depois que os anos passam e as aventuras diminuem a Sociedade da Serpentecomeça a se tornar de segundo plano – debochou Acrusto se remexendo na cabeceirae inclinando o copo por cima da mesa para poder encarar melhor Serena Tyranicus. –Estou certo, Ser? – Cale a boca, Underwood – retrucou Serena por entre os dentes. – Deveria estarpensando em seus estúpidos animaizinhos em vez de minha pessoa. Já disse quevocê não faz meu tipo. – Humpf – tossiu o duende remexendo-se em sua cadeira. – Acho que essadiscussão amorosa já rendeu o suficiente. Seria um belo momento para os doisfecharem suas enormes matracas e prestarem atenção no que Yaxley tem a nos dizer.Afinal foi ele que convocou esta reunião. – Não me venha dizer o que devo fazer. Seu duende asqueroso! – rugiu Serenamostrando a varinha para o duende Plochos. – Eu concordo com nosso amiguinho cinza – disse o homem de barba que Baddockconhecia como Rúbo Wilfruss. – Que ótimo – adiantou Yaxley impedindo que Plochos pudesse contraargumentar. Dentro do conselho da Sociedade da Serpente eram constantes as discussões einterrupções já que todos ali se odiavam e imaginavam como tendo o companheiroao lado como maior inimigo. Da última vez, Plochos e Baddock estavam discutindocomo dois adolescentes, um ameaçando e xingando a mãe do outro, em quantoAcrusto e Serena praticamente travavam um duelo a mão armada. – Como devem saber a duas semanas atrás eu liderei dois novatos em uma missãode campo – prosseguiu Yaxley impedindo que qualquer conselheiro pudesseinterrompê-lo. – É claro que tinha outras intenções além de apenas estudar opovoado de Budleigh Bugmoreton com dois de nossos novatos. Em um povoadotrouxa podemos encontrar famílias bruxas, ou algum bruxo em especialaproveitando suas merecidas férias. – Quer dizer que foi atrás de mais alguém para nossa organização? – quis saberPlochos um tanto interessado. – Encontrou Lúcio Malfoy! – exclamou Serena bastante esperançosa, pois elasempre acreditou que Lúcio Malfoy era mais capaz que Yaxley para liderar asociedade. – Finalmente encontrou alguém que possa nos guiar para nosso objetivo! Yaxley fuzilou Serena, com seu antigo olhar assassino, mas que hoje mal assustavapessoas como Serena Tyranicus que sabia o que o velho bruxo havia feito durante aBatalha de Hogwarts. 11
  • 12. – Sei que você sempre preferiu que fosse Lúcio Malfoy quem presidisse esta mesa.Mas igual a mim, Lúcio não acreditou novamente que o Lorde das Trevas foraderrotado. Eu também não cometerei o mesmo erro em poupar esforços para fazê-loressurgir novamente. Lúcio sumiu no mundo depois que a mulher e o filho otaxaram de psicótico e deixaram de apoiar suas idéias conquistadoras. Não acreditoque ele esteja vivo. E diferente de você Serena, eu não moverei um dedo paraencontrá-lo. A reunião prosseguiu. Yaxley continuou contando como conseguiu chegar até opovoado trouxa e como teve de utilizar sua especialidade, a Maldição Império, parapoder permanecer invisível. Volta e meia um membro do conselho se manifestava,impedindo do bruxo continuar e geralmente iniciando uma discussão. Mas o quepodia se ver era que Yaxley estava muito mais paciente do que de costume. –... Como ia dizendo, consegui aprisionar o bruxo em questão – prosseguiu Yaxleyapós discutir veementemente com Acrusto sobre os meios que ele usou para chegarao tal bruxo. – E ele está aqui mesmo, dentro destas paredes. Aprisionado em umaprisão a muito já usada por um Comensal da Morte conhecido meu. – Então – Baddock limpou a garganta e tomou coragem para interromper Yaxley –o que fez com esse prisioneiro? Onde ele está? – Que bom que perguntou – disse Yaxley lançando a Baddock um sorriso semhumor e desnecessário. Ele tirou de dentro da manga sua varinha e a apontou paraum baú que estava atrás de Baddock junto às antigas estantes vazias da biblioteca. O baú começou a levitar, chegando a uns quinze centímetros do chão. Depois elecontinuou a subir até ser cuidadosamente colocado por Yaxley em cima da mesa dereuniões. Dava para sentir a ansiedade dentro de cada um dos conselheiros. Todosestavam bastante inquietos com a idéia de a Sociedade da Serpente ter umprisioneiro escondido dentro de sua sede. E como uma pessoa normal poderia estarsendo mantida presa dentro de um baú. – Quem está ai dentro? – perguntou Rúbo Wilfruss assim que Yaxley quebrou ofeitiço e o baú jazia em cima da mesa. – Logo sua ansiedade será extinta, Rúbo. Apenas espere para ver... Com um aceno de varinha, Yaxley arrombou o cadeado do baú fazendo com quesua tampa chicoteasse o ar e caísse do outro lado. Serena deu um salto para poderver quem estava dentro do baú, mas este parecia ser encantado, pois do lado dedentro existia uma espécie de abismo que conduzia até um chão branco onde umhomem dormia. – Você se lembra deste, Baddock? – perguntou Yaxley apontando para o baúencantado com a ponta da varinha. – Se não me engano – começou Baddock analisando todas as sete trancas e oscompartimentos que existiam ao redor do baú. – Com certeza! Este baú foi usado por 12
  • 13. Bartolomeu Crouch Júnior para aprisionar Olho-Tonto Moody durante meu primeiroano em Hogwarts. Mas como o conseguiu? Pensei que Dumbledore o tivessemandado para o Armazém Secreto do Ministério da Magia. – E mandou – afirmou Yaxley admirando o próprio objeto como se só emmencioná-lo já fosse algo de sumo importância. – Durante meus dias como chefe doDepartamento de Execução das Leis da Magia, consegui que este baú fosse liberado eque eu o tivesse em meu poder. Nunca se sabe quando teremos de possuir umprisioneiro secretamente. – Mas quem é ele! – berrou Serena impacientemente. – Como vou saber que vocênão seqüestrou alguém como o secretário de Alfredo Blishwick. Aquele traidor doBenedito Diggory. – Não, Serena. Não seqüestrei ninguém ligado ao Ministério – defendeu-se Yaxley.– Contudo, admito que este homem seja de suma importância para que as atividadesda Sociedade da Serpente possam prosseguir. – Diga o nome! – exigiu Plochos. – Já disse que não importa! – urrou Yaxley apontando, ligeiramente, a varinha parao duende. – Mas, se quiser vê-lo mais de perto e se assegurar de que não é BentoDiggory, pode ver. Yaxley apontou a varinha para dentro do baú e disse “Levicorpus”. O corpo do prisioneiro começou a ser suspenso no ar, e em cerca de cinco minutosele chegou até o centro da sala de reuniões. Mesmo tendo Yaxley quebrado e feitiçode levitação o homem continuou flutuando no ar, prezo em um transe muitoprofundo. Sua pele estava sem cor e seus cabelos muito brancos e sem vida. Seusossos se mostravam muito fracos dando ao homem uma aparência de cadáver. – Ele ainda está... vivo? – perguntou Baddock um tanto assustado. – Está – respondeu Yaxley bastante inocentemente. – E é justamente por isso queconvoquei esta reunião. Assim que encontrei com nosso prisioneiro lancei nele umasérie de complicados feitiços que aprendi com o Lorde das Trevas. São feitiços queenfraquecem nossos inimigos em quanto nós ficamos cada vez mais fortes.Infelizmente, para que esses feitiços possam ser lançados o inimigo deve sustentar aposição de prisioneiro de guerra. Era o que fazíamos com todos aqueles que erampegos pelos seqüestradores. Serena deva saber do que estou falando. A bruxa de esquelética assentiu. Serena fora mantida refém pelos seqüestradorespor um ano, até seus pais pagarem sua fiança que custou cerca de cem galeões. O prisioneiro continuava suspenso no ar em quanto os conselheiros da Sociedadeda Serpente continuavam a discutir o porquê de Yaxley tê-lo mantido ali e naquelascondições miseráveis. – Basta saber que a morte deste homem será de grande importância para que aSociedade da Serpente possa continuar a dar seguimento a suas atividades – Yaxley 13
  • 14. se mostrava extremamente ansioso conforma falava. – Não faz mais sentido ficarconvocando mais novatos para nossa organização se ficarmos empacados neste local.Se tudo correr como planejo, a maioria dos novatos será dispensada e finalmente acasa de minha família deixará de ser um albergue. – ele olhou para as paredes dacasa com tristeza nos olhos. – Todos os novatos? – repetiu Baddock pensando no amigo, Bruno Avery. –Alguns poderiam nos ajudar se fossem promovidos a membros honorários. – A Sociedade da Serpente terá de se dissolver por algum tempo se quisercontinuar a existir – explicou Yaxley com toda a paciência que lhe existia. – Nós nosfortificamos mais do que eu imaginava e agora chegou a hora de nosdesvencilharmos daqueles que não nos servirem. Muitos irão se decepcionar, masnão é hora para isso... Saibam que quando lancei o Feitiço de Balanço neste homem,já arquitetei para que um de nós o mate. – Você – pigarreou Plochos sem animação. – Você sempre fica com a diversão. – Não, Sr de Floumatass – respondeu Yaxley num tom de ofendido. – Com disseum de nós... que não sou eu, irá matar este homem. – S-sou eu – murmurou Acrusto do outro lado da mesa. Ele demonstrava umenorme número de cacoetes, piscando os olhos e apertando os dedos das mãosfreneticamente. – Eu soube o dia todo que faria algo diferente. Sentia-me diferente odia todo. – Acrusto, se está com gases, por favor, vá ao banheiro – zombou Yaxley semanimação. – Não é você o assassino de que disse. A pessoa que irá matá-lo é muitomais forte que você. – Então sou eu – gemeu Serena num tom de desdém. – Também não, querida. – Sei que sou eu! – urrou Acrusto sacando a varinha e a apontando para o corpoinconsciente do prisioneiro. – Sou eu. Tem de ser eu! Posso provar apenas me de achance de... Avada... – Expelliarmus! – berrou Yaxley girando o punho direito e arremessando a varinhade Acrusto contra uma estante vazia. – Tão teimoso. Avada Kedavra. Um lampejo verde brotou da varinha de Yaxley clareando todos os cantos da salade reuniões até finalmente se chocar com a figura surpresa de Acrusto. Ao se chocarcom o lampejo verde, o corpo do bruxo caiu inerte no chão frio da biblioteca, morto. – Você... ficou... louco! – berrou Plochos saltando de sua cadeira tentando seespreitar em direção a porta. – Como pode matar um de nós?! Um conselheiro! – O conselho está suspenso – após dizer isso Yaxley apontou a varinha para oduende lançando na criatura cinza um jato de luz alaranjado. – Serena, sinto muito,mas você não me é mais necessária. Obliviate. 14
  • 15. Os olhos de Serena saíram de orbita, suas sobrancelhas relaxaram e uma expressãode despreocupação e tranqüilidade tomou sua face. Baddock sabia que a mulheracabara de ter a mente alterada. – Rúbo, eu sinto muito, mas sua incompetência finalmente será paga – outrolampejo verde irrompeu da varinha de Yaxley até atingir o corpo de Rúbo, que caiupara trás de sua cadeira. Restavam somente Yaxley e Baddock conscientes na biblioteca da Casa dos Yaxley.Baddock suava frio, estava esperando ser locauteado pela Maldição da Morte deYaxley a qualquer momento, mas o outro bruxo parecia ter finalizado seu trabalho. – N-não vai m-me matar? – parecia a única frase lógica que poderia sair deBaddock. Ele tentava não mostrar seu nervosismo, mas era inevitável demonstrarseu medo. – Não prestou atenção no que eu disse, prestou? – perguntou Yaxley com umanaturalidade de dar medo. Como se nada houvesse acontecido minutos antes. –... umde nós... que não sou eu, irá matar este homem. Se todos os nossos outros conselheirosnão estão em condições de cometer um assassinato, o que você me diz? – Mas, por quê? – continuou Baddock com medo de fazer com que o companheiromudasse de idéia. – Por que agiu tão bruscamente com eles. Talvez se tivesseapagado a memória de todos como fez com Serena... E por que você não fez com aSerena, o que fez com os demais? – Porque Serena tem mais nome no Ministério do que qualquer um de vocês.Porque a morte de um membro do Departamento de Mistérios alertaria o Ministériode uma forma muito mais intensa que a morte de um mísero membro doDepartamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Afinal é muitocomum que membros deste departamento acabem mortos através de acidentes comas criaturas que examinam. – Mas e Plochos? Os duendes ficarão irados se souberem que um membro de seuclã foi morto por um bruxo. – Não é a primeira vez que isso acontece – explicou Yaxley com menos paciência. –Plochos era um duende desprezível e odiado por todos os seus irmãos. Mas isso não éo caso, pois Plochos não está morto, ainda. Não, em nosso amigo duende lancei umFeitiço Trava-Língua. Até porque se for necessário, é muito mais comum um acidenteno quarto do St. Mungus do que encontrarem um duende morto. – Mas e quanto a Rúbo. Ele servia apenas de bode expiatório. Servia apenas paradesvencilhar o ministério do verdadeiro cominho até a Sociedade da Serpente. Elefazia com que os inspetores do ministério acreditassem que Sociedade da Serpente éapenas um nome bonito de uma loja de poções falsas... – E é exatamente por isso que eu o matei – explicou Yaxley já sem paciência.Baddock concluiu que o companheiro ponderou o máximo as perguntas dele, e que 15
  • 16. esta seria a última. – Ninguém vai dar falta dele no mundo da magia. E não vamosmais precisar de um bode expiatório, por isso que eu estarei dissolvendo todos osnovatos. Agora a Sociedade da Serpente se resume a nós, Malcolm. Se tudo corrercomo desejo, nós alcançaremos a glória. Caso contrário, prepare-se para se mudarpara Azkaban. Baddock engoliu em seco e assentiu. Sabia que não poderia negar o pedido dealguém que acabara de poupar sua vida. Para Yaxley seria extremamente fácilapontar sua varinha para Baddock e lançar a Maldição da Morte. Mas Baddock jásabia que os riscos de acabar em Azkaban eram grandes, ele já os conhecia desde omomento em que ele se alistou na sociedade. – Muito bem – disse Yaxley em um tom de alivio, como se já esperasse queBaddock desistisse. Ele alisou a varinha e a apontou para o prisioneiro que começoua girar no ar até que seus olhos apagados encontrassem os de Baddock. – Tudo o quetem que fazer é lançar a Maldição da Morte nele, Malcolm. Sabe qual é, e sabe qual éo requisito mínimo necessário para poder realizá-lo com êxito. Você tem que querermatá-lo. Tremendo, Baddock levou a mão direita ao bolso lateral de sua calça e retiroudelicadamente sua varinha de dentro da calça. O suor escorria friamente por suatesta, seus olhos iam desde a expressão fria de Yaxley até a face apagada doprisioneiro. – Faça, Malcolm – gritou Yaxley levantando-se inquietamente de sua cadeira. –Sabe o que deve fazer e tem os meios necessários! Então faça! AGORA! – Avada Kedavra! – berrou Baddock com uma mistura de medo e ódio por sua vozrouca. O feixe de luz verde irrompeu velozmente da varinha de Baddock clareando a salaainda mais do que quando Yaxley o fez. O corpo morto do prisioneiro rapidamentequebrou o Feitiço de Levitação lançado por Yaxley. Seu corpo gelado cauí sobre amesa que não suportou seu peso somado ao do baú e se estraçalhou sobre o tapeteque existia sobre suas pernas. – Muito bem, Malcolm – resmungou Yaxley por entre os dentes, admirando oscorpos gelados dos defuntos e as figuras inconscientes de Plochos e Serena. – Apartir de hoje a Sociedade da Serpente se resume a nós. Não irei admitir falhas suas;jovem. Afinal, espero ter escolhido bem, quando te escolhi no lugar de Serena. E porfavor, chame aquele seu amiguinho, Bruno Avery, para limpar essa sujeira. Baddock abaixou a cabeça e respondeu amargamente. – Não vai se decepcionar comigo, Sr Yaxley. Neste momento, do lado de fora da Casa dos Yaxley sobre a Rua dos Encanadorese sobre toda a Londres – a chuva caiu. 16
  • 17. Capítulo Dois A Decisão do Chapéu Seletor O outono chegara de repente naquele ano. O dia primeiro de setembro amanheceu de uma forma dourada e brilhante, como moedas de galeões escorrendo pelas mãos. Porém tanto a meteorologia trouxaquanto o Sistema de Controle e Observação Climática dos Bruxos, já haviam alertadoa possibilidade do aparecimento de nuvens carregadas e de pancadas de chuva.Contudo nada poderia desanimar o jovem Alvo Potter, que caminhava junto a seuspais e seus irmãos pelas calçadas da poluída Londres, que era obrigada a suportar afumaça lançada pelos canos de descarga dos carros que cruzavam as ruas próximas aestação de Kings Cross. Duas grandes gaiolas cores de outro fosco deslizavam pela parte bamba docarrinho puxado pela pequena família que chegava a estação. Uma delas era marromescuro como casco de árvore velha, era a coruja de Tiago Potter, a antiga Nobby, aqual Tiago tratava com muito zelo. A outra era cinza como fumaça, e um tantorechonchuda, possivelmente por culpa dos ratos que ela caçara em quanto passavaas férias de verão n’ A Toca. Esta era a de Alvo, a qual ainda não possuía um nome. Talvez a única coisa que pudesse desanimar Alvo Potter era a morte precoce deseu avô Weasley que tivera um simples infarto poucas semanas antes do embarque àHogwarts. Alvo ainda estava inconformado com a morte do avô. Pensava como erapossível que tantos bruxos vivessem mais de cem anos – ao exemplo de sua queridatia-bisavó Muriel que possuía inexplicavelmente cento e vinte e sete anos – e seu avô,que era um bruxo bom e excepcional, morrera a partir de um simples infarto. Masaquilo não assombrava a mente de Alvo naquela manhã de primeiro de setembro,somente uma coisa rondava sua cabeça, a chegada a Escola de Magia e Bruxaria deHogwarts. Contudo com isso outro pensamento começou a atormentar sua menteinocente, a seleção... – Não vai demorar muito, e você também irá – disse Harry Potter para sua filhamais nova, Lílian, que agarrava sua mão em quanto chorava pela plataforma. – Dois anos – fungou a menina de cabelos ruivos. – Quero ir agora! Volta e meia os passageiros olhavam curiosos para as corujas da família Potter, oque divertia Alvo, que já estava acostumado em ser perseguido pelos olharesdaqueles que não tinham conhecimento do mundo bruxo. Porém o irmão mais velho de Alvo, Tiago, não estava preocupado se os trouxasolhavam ou não suas corujas. Somente uma coisa o interessava, retomar a discussãoque ele e Alvo haviam encerrado no carro da família. A qual já se estendera portodas as férias. – Não quero ir! – chorava Alvo cerrando os punhos e fuzilando Tiago com o olhar. –Não quero ir para a Sonserina! 17
  • 18. – Tiago, dá um tempo! – pediu Gina já familiarizada com as discussões entre osdois filhos. – Eu só disse que ele talvez fosse – afirmou Tiago tentando se defender, mas semconseguir ocultar seu riso de implicância. – Não vejo problema nisso. Ele talvez vápara a Sonse... Sem pensar duas vezes, Gina lançou ao filho mais velho seu famoso olhar severode desaprovação. Tiago, por sua vez – já familiarizado com tal olhar – calou-se. Afamília Potter já se aproximava da barreira encantada que dividia as estações. Tiagoolhou por cima do ombro para o irmão mais novo e lançou-lhe, ligeiramente, umsorriso provocante. Ele apanhou o carrinho que a mãe levava e saiu correndo,atravessando a barreira e separando-se, momentaneamente, do resto da família. – Vocês vão escrever para mim, não vão? – perguntou Alvo rapidamente aos pais,aproveitando a momentânea ausência de Tiago. – Todo dia, se você quiser – respondeu Gina lançando a Alvo seu sorrisoconfortante, porém bastante acalorado. – Todo dia não – replicou rapidamente Alvo, já ciente das intenções da mãe demandar uma coruja carregada de cartas por dia. – O Tiago diz que a maioria dosalunos recebe carta de casa mais ou menos uma vez por mês. – Escrevemos para Tiago três vezes por semana no ano passado – contestou Ginaainda com esperanças de persuadir o filho até ele aceitar em receber cartas do LargoGrimmauld duas vezes por dia. – E você não acredite em tudo que ele lhe disser sobre Hogwarts – acrescentouHarry verificando rapidamente o horário no grande relógio da estação. – Ele gosta debrincar, o seu irmão. Juntos, eles empurraram o outro carrinho com mais força e assim, ganharam maisvelocidade em direção a barreira encantada. Alvo fez uma careta quando estavammuito próximos da formação de pedras, mas assim como no ano anterior quandoAlvo foi embarcar Tiago para seu primeiro ano na escola, a colisão não ocorreu. Eleapenas deslizou sobre a barreira e quando abriu os olhos já estava na plataformanove e meia, frente a frente com a locomotiva carmesim que transportava os alunosaté Hogwarts. Estava difícil distinguir os rostos das famílias que se movimentavamde um lado a outro da plataforma, culpa da densa fumaça clara que saia do ExpressoHogwarts. Fumaça que já havia engolido Tiago. – Onde eles estão? – perguntou Alvo, ansioso, apertando os olhos para tentardistinguir os vultos que avançavam desordenadamente pela plataforma. – Nós os acharemos – tranqüilizou-o Gina, repousando sua mão direita sobre oombro de Alvo. Infelizmente, o vapor era mais denso do que Alvo imaginava e a cada instanteficava mais difícil identificar quem passava à sua frente. Ele pensou ter ouvido a voz 18
  • 19. do padrinho e futuro professor de Herbologia, Neville Longbottom, mas sabia queesse já estava na escola de Hogwarts. Também pensou ter ouvido a voz de Molly eLúcia Weasley, as filhas do tio Percy, discutindo uma com a outra sobre o que seriamais interessante de se fazer nas férias de Natal. Molly já era aluna de Hogwarts,cursava seu quinto ano, sendo uma das Weasley que quebraram a tradição da famíliae acabara sendo selecionada em outra casa que não a Grifinória. Mas oaborrecimento da quebra da tradição fora pouco, e se extinguira totalmente quandoMolly fora convidada para se tornar monitora da Corvinal. Lúcia por outro ladoainda não havia alcançado idade suficiente para ingressar em Hogwarts, assim comoLílian ele teria de aguardar mais alguns anos quando finalmente realizaria o sonhode toda a criança bruxa. – Acho que são eles, Al. – disse Gina, de repente. Quatro pessoas que estavam paradas próximas ao último vagão emergiram dadensa névoa clara. Seus rostos ficaram um bom tempo escondidos por essa, masquando eles chegaram bem próximos de Alvo, seus rostos ganharam forma e Alvopode, em fim, reconhecê-los. – Oi – disse timidamente Alvo, mas extremamente aliviado. Rosa Weasley já estava vestida com as recém-compradas vestes negras e longas deHogwarts. Ela deu a Alvo um grande sorriso. – Nervosa? – sussurrou Alvo ao pé do ouvido de Rosa em quanto seus paisconversavam sobre um esquisito Feitiço Supersensorial, muito útil para ser usadopara enganar examinadores trouxas. – Um pouco – admitiu Rosa com cuidado, temendo que seu pai a ouvisse. – Parameu pai só existe a Grifinória, embora muitos digam que eu me daria bem naCorvinal. – Mas você é brilhante! – exclamou Alvo um pouco impressionado. – Comopoderia não se dar bem na Corvinal, a casa dos geniozinhos iguais a você? – Para você é fácil falar – bufou Rosa dando de ombros. – Acho que a Corvinalseria muita pressão. Não é tão fácil como quando se é da Grifinória. Você tem quesaber de tudo! Talvez a Grifinória não fosse de um todo ruim. Afinal, minha mãe foida Grifinória e hoje é o que é. – Eu também não sei para onde quero ir – aceitou Hugo, o irmão mais novo deRosa. – Papai sempre diz que seus filhos nasceram para ser da Grifinória, e eu a achomuito legal, mas... Também me sinto atraído pelas outras casas, exceto a Sonserina!Eu acho que tenho um pouco de Corvinal em mim, e me agrada muito o jeito de serde um lufalufino. – Tomara que você não tenha problemas – disse Alvo sorrindo. – Você que o diga, não é maninho – riu Lílian ingenuamente. – Até agora não sabese quer ir par a Grifinória ou se para a Sonserina... 19
  • 20. – Até você, Lílian! – exclamou Alvo completamente surpreso. – Se não bastasse oTiago, agora você também vai implicar comigo?! – Não, maninho. Até por que, se você se tornasse um sonserino, eu também ficariaem dúvida de para onde quero ir. Alvo e Lílian sempre foram muito amigos. A menina sempre gostava de imitar ojeito dos irmãos e suas ações, mas as de Alvo do que as de Tiago, as quais elachamava de “coisas de gente bobinha”. – Bem, para mim, o que for será! – afirmou Hugo sorrindo para os primos. – Se você não for para a Grifinória, nós o deserdaremos – afirmou o tio Rony aoouvir a parte final da frase de Hugo –, mas não estou pressionando ninguém. – Rony! – gritou a tia Hermione lançando um olhar de fúria e humor ao marido. Lílian e Hugo riram, mas Alvo e Rosa gelaram. A idéia de serem deserdados pelospais poderia persegui-los tanto quanto a falsa história da luta contra um dragão paraserem aceitos em Hogwarts. – Ele não está falando sério – disseram a tia Hermione e Gina, tentando acalmarseus respectivos filhos, mas o tio Rony já não estava mais interessado na antigadiscussão. Ele chamara a atenção de Harry com seus olhos, mas sem que soubessetambém chamou a de Alvo. O tio Rony fez um sinal com sua cabeça para um ponto aalguns metros atrás deles. A fumaça havia se dissipado ligeiramente, agora eles jápodiam distinguir as pessoas mais afastadas. – Vejam só quem está ali. Alvo se endireitou e pode ver uma família de três membros a uns cinqüentametros à frente deles. Um homem alto de cabelos loiros estava com a mão sobre oombro de uma criança, mais ou menos da idade de Alvo, fisicamente parecido com oprimeiro, aparentemente era seu filho. E ao lado dos dois estava uma mulher decabelos negros também muito alta. Se Alvo não os conhecesse afirmaria que era umafamília de vampiros, mas ele sabia que se tratava da família de Draco Malfoy.Família a qual Alvo não via muitas vezes. Foram poucas as ocasiões que ele seencontrara com os Malfoy, mas tinha uma vaga lembrança de quem era quem. – Então aquele é o pequeno Escórpio – comentou o tio Rony entre sussurros. – Nãodeixe de superá-lo em todos os exames, Rosinha. – Rony, pelo amor de Deus – bradou a tia Hermione seriamente, mas semconseguir esconder sua vontade de rir. – Não tente indispor os dois antes mesmo deentrarem para a escola! – Você tem razão, desculpe – mas ainda acrescentou –, mas não fique muito amigadele, Rosinha. Vovô Weasley nunca perdoaria se você casasse com um sangue-puro. – Ei! Tiago reaparecera. Não estava mais com sua mala ou com sua coruja,possivelmente já os havia embarcado no trem. Ele bufava tentando tomar ar, 20
  • 21. aparentemente ele havia corrido um longo caminho e estava louco para contar suasnovidades. – Teddy está lá atrás – disse ele ainda sem fôlego, apoiando sobre as gordasnuvens de fumaça que voltaram a tomar a plataforma. – Acabei de ver! E adivinhemo que ele está fazendo? – mesmo sem fôlego ele estava disposto a contar a todos – Seagarrando com a Vitória! Tiago se mostrou um pouco desapontado com a falta de reação dos adultos,contudo as crianças se mostraram bastante atraídas pela notícia, principalmenteLílian, que se mostrava radiante com o novo fato. – O nosso Teddy! Teddy Lupin! Agarrando a nossa Vitória! Nossa prima! E pergunteia Teddy que é que ele estava fazendo... – Você interrompeu os dois? – indagou Gina. – Você é igualzinho ao Rony... –... e ele disse que tinha vindo se despedir dela! E depois me disse para dar o fora.Ele está agarrando ela! – repetiu. – Ah, – gemeu Lílian em um tom de fantasia – seria ótimo se os dois se casassem!Então o Teddy ia realmente fazer parte da nossa família! – Ele já aparece para jantar quatro vezes por semana – lembrou Harry, imaginandoàs vezes em que Ted aparecia no número doze do Largo Grimmauld esperando quea família o acolhesse para o jantar. – Por que não o convidamos para morar de umavez conosco? – É! – concordou alegremente Tiago, e acrescentou. – Eu não me importo de dividiro quarto com o Alvo... Teddy poderia ficar com o meu! – Não – retorquiu Harry firmemente, sem pensar duas vezes, tendo a imagem dosdois filhos empunhando as varinhas um contra o outro. – Você e Al só dividirão umquarto quando eu quiser ter a casa demolida. Alvo girou os olhos. Já imaginava que o pai vetaria a idéia de ter os dois filhosdividindo o mesmo quarto. Seria algo legal, mas Alvo usaria unhas e dentes paraficar com a cama de cima do beliche... – São quase onze horas, é melhor embarcar. – Não se esqueça de transmitir a Neville o nosso carinho! – recomendou Gina emquanto abraçava Tiago. – Mamãe! – chorou ele. – Não posso transmitir carinho a um professor! – Mas você conhece Neville... – Alvo percebeu que esse pedido também valia paraele. – Aqui fora, sim, mas, na escola ele é o Prof Longbottom, não é? Não posso entrarna aula de Herbologia falando em carinho... Ele balançou a cabeça para a mãe e chamuscou um carinhoso pontapé em Alvo. – A gente se vê, Al. Cuidado com os testrálios. 21
  • 22. – Pensei que eles fossem invisíveis – lacrimejou Alvo. – Você disse que eraminvisíveis! Tiago rui. Finalmente cedeu aos braços da mãe e permitiu que ela o beijasse,rapidamente ele abraçou o pai e saltou para dentro do Expresso Hogwarts. Eleacenou e saiu correndo pelo trem a procura de seu grupo de amigos, sem olhar partrás. – Não precisa se preocupar com os testrálios – tranqüilizou Harry virando-se paraAlvo. – São criaturas meigas, não têm nada de apavorante. E de qualquer modo, vocênão irá de carruagem, irá de barco. Alvo sabia que este seria um assunto a ser discutido somente no ano seguinte. Eletambém permitiu que a mãe o beijasse, mas fora menos conservador que Tiago,gostava de quando recebia carinho dos pais. – Vejo vocês no Natal – disse ela lutando para conter as lágrimas. – Tchau, Al – disse Harry deixando que Alvo envolvesse seu corpo com seusbracinhos magros. – Não esqueça que Hagrid o convidou para tomar chá na próximasexta-feira. Não se meta com Pirraça. Não duele com ninguém até aprender como sefaz. E não deixe Tiago enrolar você. – E se eu for para Sonserina? – insistiu alvo, esperando ouvir uma resposta do paique realmente o confortasse. Seu sussurro foi apenas para Harry e este percebeu quesomente aquele momento realmente mostrava todo o real medo e a insegurança deAlvo. Harry se agachou e ficou na mesma altura que Alvo – o rosto de Harry ficouligeiramente abaixo do filho – ambos os olhos verdes herdados de Lílian Evansestavam fixos um no outro, nada mais importava. – Alvo Severo – murmurou Harry, de modo que somente Gina pudesse ouvir alémde Alvo. Gina que por sua vez fingia acenar para a sobrinha, mas na verdade estavabem atenta a tudo o que Harry dizia. –, nós lhe demos o nome de dois diretores deHogwarts. Um deles era da Sonserina, e provavelmente foi o homem mais corajosoque já conheci. – Mas me diga... –... então, a Sonserina terá ganhado um excelente estudante, não é mesmo? Não fazdiferença para nós, Al. Mas, se fizer para você, poderá escolher a Grifinória em vezda Sonserina. O Chapéu Seletor leva em consideração a sua escolha. – Sério? – Levou comigo – admitiu finalmente Harry. Pela primeira vez ele havia contadoseu segredo para algum filho. Alvo ficara perplexo em saber que o pai havia escolhido não ir para a Sonserina.Sempre imaginava Harry Potter como a personificação do grifinório perfeito, masagora que sabia que o pai poderia ter acabado sendo selecionado para a casa da 22
  • 23. serpente... O choque de Alvo fora tanto que ele percebera que seu pai também notaraque sua face tomou uma expressão de assombro. Era uma revelação talvezinimaginável, mas que agora Alvo sabia que ocorrera. Agora, no entanto, Alvo não tinha muito tempo para refletir sobre a verdaderevelada sobre o passado de Harry. Já estava na hora do trem partir e ele permaneciana plataforma. Alvo pulou no vagão em quanto, outros pais ainda beijavam seusfilhos já embarcados ou davam recomendações de última hora. Às costas de Alvo,Gina fechou a porta do compartimento sem nenhuma dificuldade. Porém, parasurpresa ou espanto de Alvo, um grande número de estudantes se aglomeravam ouse penduravam nas janelas. A maioria dos rostos não estava voltada para seusparentes e familiares e sim para um bruxo que embarcava seus filhos na locomotivavermelha. Harry. – Por que eles estão todos nos encarando? – perguntou Alvo assim que ele se juntoua Rosa que se esticava para olhar seus colegas de Hogwarts. – Não se preocupe – articulou o tio Rony. – É comigo. Sou excepcionalmentefamoso. Alvo e Rosa riram, assim como Hugo e Lílian na plataforma. As rodas do Expresso Hogwarts começavam a se mover, obrigando a Alvoacompanhar o pai apenas com seus olhos verdes, já que esse, assim como o resto deseus parentes e toda a Londres, se distanciava cada vez mais dele. Alvo percebeu queHarry continuava a acenar, mesmo quando o vagão de Alvo já estava distante dele.Essa foi à última visão de Alvo antes de o trem dar sua primeira curva e varrer todoo país da visão do garoto. – Vamos, Al – disse Rosa puxando Alvo pela manga da camisa. – Vamos procuraruma cabine. Alvo assentiu. Mas estava bastante complicado de se encontrar uma cabine vazia.Todas elas estavam apinhadas de estudantes falantes e risonhos, ansiosos paraconversar com seus amigos, contar sobre as férias... Inclusive a cabine de Tiagoestava lotada. Ele e mais cinco amigos riam e conversavam animadamente, e Alvoagradeceu, timidamente, pelo irmão não tê-lo visto, pois fatalmente ele iriaaproveitar a ausência dos pais para atormentar Alvo novamente. Alvo e Rosa passaram por uma cabine, aparentemente vazia, somente um garotode cabelos loiros a ocupava. Porém, Alvo tomou coragem e se manteve de bocafechada, não alertou Rosa de que acabaram de passar por uma cabine vazia, afinalele havia percebido que o garoto que a ocupava era o mesmo que chamara a atençãodo tio Rony na plataforma. Quem a ocupava era Escórpio Malfoy. – É – disse Rosa desanimada abrindo a porta de uma cabine no segundo vagão. –Acho que só sobrou esta... 23
  • 24. Ela indicou com a cabeça para a cabine que acabara de abrir. Aparentemente era aúnica vazia em todo o Expresso Hogwarts. Nos últimos anos, a quantidade de alunosem Hogwarts quase que dobrara. Segundo a tia Hermione, que ainda mantinhaalgumas relações profissionais com a escola – geralmente averiguando as condiçõesde Hogwarts perante a lei – ela afirmava que a razão pela qual o número de alunosse multiplicara era qual a quantidade de filhos que os antigos alunos de Hogwartstiveram fora maior que a estimada pelos diretores e professores. Além do mais,ainda existia a lenda de que os mecânicos da escola, que cuidavam da manutençãodo Expresso Hogwarts, gostariam de acoplar mais dois vagões na locomotiva. – Seria muito legal se Vitória e Teddy contraíssem um relacionamento mais sério –disse Rosa alguns minutos depois que eles se estabeleceram na cabine. – Nósconhecemos o jeito luxuoso e arrogante de Vitória e acho que Teddy seria muito bompara ela. Talvez ele a fizesse desgrudar do espelho. – O único problema é que a tia Fleur considera o Teddy um vagabundo –acrescentou Alvo meio desanimado. – Mas isso não é verdade. Disseram-me quedesde que ele foi contratado pelo tio Jorge para trabalhar na filial da loja emHogsmeade, ele tem trabalhado como um condenado! E ele ainda está à procura detestes para os times de Quadribol da Inglaterra. Já imaginou o Teddy jogando noPuddlemere United?! – Me agradaria mais se ele defendesse os Chudley Cannons – contestou Rosa. Ela eHugo herdaram a paixão pelos Chudley, mesmo Rosa detestando Quadribol, massegundo ela “os Chudley Cannons são mais do que Quadribol”. As horas iam passando e a viagem até Hogwarts ia se tornando cada vez maisentediante. Não que fosse ruim ou que não tivesse nada para fazer, muito pelocontrário, mas para Alvo era massacrante ter de esperar pela seleção, ainda maisdepois da revelação de seu pai na plataforma. A idéia de Harry ter pedido ao Chapéu Seletor para não ir para a Sonserina,atormentava a Alvo mais do que todas as piadas e provocações feitas por Tiago aolongo do verão. Será que Harry teria sido colocado na Sonserina se não o tivesse pedido?Era a pergunta que martelava a mente de Alvo a cada minuto que se passava. Suamente trabalhava arduamente a procura de uma resposta convincente. Alvo concluiuque nunca pensaria novamente como estava fazendo naqueles longos momentos,nem mesmos durante os exames finais da escola. – Você está bem, Al? – perguntou Rosa poucos momentos antes do grupo deamigos de Tiago entrarem na cabine para darem suas boas vindas. – Achamos que vocês estavam muito solitários então resolvemos fazer umavisitinha – contou Tiago sentando-se ao lado de Alvo e cruzando as pernas napoltrona oposta. – Não se preocupem, pedimos para Horácio tomar conta de nossacabine, vocês sabem, Hogwarts está ficando muito cheia. 24
  • 25. Junto a Tiago estavam: Sabrina Hildegard uma sextanista da grifinória – ela tinhalongos cabelos ruivos como o dos Weasley, e sempre carregava uma pluma sobreseus cabelos ondulados – ao lado de Sabrina estava Ralf Dolohov, secundarista daSonserina, ele e Tiago haviam ingressado em Hogwarts no ano anterior. InicialmenteAlvo havia imaginado que Tiago só havia criado laços de amizade com Ralf porcausa de seu tamanho – Ralf seria um bom guarda costas – mas depois de um tempo,Alvo percebeu que Ralf não era o típico sonserino, e sim aquele que seguiu alinhagem sanguínea de sua família. E ao lado direito de Ralf estava Eduardo Jones,do terceiro ano. Jones, como o chamavam, era um dos membros do clubeextracurricular de Tiago que vestia as vestes da Lufa-Lufa. Jones tinha cabelos loirose ondulados, além de um sorriso atraente que deu arrepios em Rosa. – Como está nossa futura colega grifinória? – perguntou Tiago se voltando paraRosa, mas sem conseguir não completar. – E nosso sonserinozinho? Alvo corou. Queria xingar Tiago de todos os nomes que aprendera com Monstroem quanto o elfo se castigava, queria também reclamar de sua escolha com relação àSonserina, mas a presença de Ralf naquele momento impediu que Alvo pudesse ofazer. – Pare, Tiago – advertiu Ralf, abaixando os pés do amigo e sentando-se ao lado deRosa, podendo encarar Alvo frente a frente. – Não se intimide com tudo o que seuirmão te diz, Alvo. Não vou lhe dizer que a Sonserina é a casa mais amável domundo, mas ela sabe tratar bem seus membros. O único problema é se você for filhode trouxas. – acrescentou. – Veja o Ralf, por exemplo – disse Sabrina Hildegard juntando-se aoscompanheiros. – Primeiro eles tentam encontrar algum bruxo que carregue seusobrenome. Como Ralf tinha dois sobrenomes, a situação ficou mais complicada, masse eles concluírem que você é filho de trouxas... – ela passou a mão sobre o pescoçocomo se esse estivesse sendo ameaçado por lâminas bem afiadas. – Espere! – protestou Tiago saltando da poltrona e encarando seus companheiros.– Vocês estão encorajando Alvo a se juntar aos sonserinos? – ele fez uma pausa,limpou a garganta e acrescentou. – N-não que eu me importe. Mas é que... – Nós já entendemos – interrompeu Eduardo Jones lançando uma piscadela paraSabrina. Eduardo diferente dos demais continuava em pé, encostado na porta dacabine que permanecera aberta. – É... bem... – gaguejou Tiago dirigindo-se para fora da cabine. – Só queríamos dar-lhes as boas vindas à Hogwarts. Então, já podemos ir? – Se quiser que vá – disse Ralf passando os braços por trás da cabeça e recostando-os na parede às suas costas. – Não vou a lugar algum. Aqui está divertido. – Concordo – disse Sabrina. 25
  • 26. – Bem, eu não vou deixar Horácio sozinho – afirmou Tiago dando as costas para osquatro. – Jones, você me segue? Eduardo não respondeu, apenas seguiu Tiago de volta a suas cabines de origem. – Ele está morrendo de medo que Alvo não vá para a Grifinória – concluiu Rosaretirando de sua mochila um exemplar de Hogwarts, uma história. O restante da viagem a bordo do Expresso Hogwarts parecera passar tão rápidocomo se fosse um sonho. Ao meio dia a velha bruxa do carrinho de doces passarapela cabine onde estavam Alvo, Rosa, Ralf e Sabrina. Os quatro não pouparamesforços para gastar as moedas douradas e prateadas que seus pais haviam lhe dado.Em questão de minutos a cabine dos quatro estava apinhada de doces e balas.Durante algumas horas o céu ficava coberto por escuras nuvens de chuva, que voltae meia despejavam suas águas sobre a lataria vermelha do trem. Felizmente,conforme o dia chegava ao fim e o crepúsculo começava a perder lugar para aescuridão total, a pesada chuva que acompanhava o trem desde o início dasmontanhas começava a se transformar em uma leva garoa, que mal molhava asfolhas das árvores das montanhas escuras. – Próxima parada, estação final de Hogsmeade. – ecoou a voz do maquinista atravésdas paredes encantadas do trem. – É melhor nos apressarmos – disse Alvo já vestido com as vestes da escola. – Eu recomendo que vocês saiam logo – aconselhou Ralf abrindo a porta da cabinee dando passagem para Sabrina. Eles voltariam até a cabine de Tiago, onde estavamseus pertences. – Aquilo ali vai ficar lotado rapidinho. Mesmo que Alvo quisesse seguir o conselho de Ralf, não pode. Rosa tivera algumadificuldade em guardar todos os livros que havia tirado da mochila para ler durantea viagem. – Pode ir na frente, Al – dizia Rosa espremendo seu exemplar de Voando comVampiros junto a uma antiga edição da Transfiguração, hoje. – Não tem problema. Eu esperei onze anos para chegar a Hogwarts. Mais algunsminutos não farão diferença. Com muito esforço, Rosa e Alvo conseguiram guardar todos os livros da meninadentro da mochila. Quando Alvo colocou seus pés sobre o concreto úmido e gelado da plataforma deHogsmeade sentiu como se sua vida acabasse de mudar. Como se ele não carregassemais o peso do nome Potter, como se as pessoas fossem parar de apontar para ele egritar ‚O filho de Harry Potter‛. Ele sentia que a partir daquele momento quandoapontassem para ele iriam gritar ‚Veja é Alvo Potter‛. Alvo se sentia forte, grandioso,como se pela primeira vez na vida ele pudesse controlar sozinho o caminho que suaspernas fossem traçar. Contudo, quando ele finalmente tomou consciência de que 26
  • 27. deveria se juntar ao grupo de primeiranistas que já se aglomeravam junto ao lampiãoque o guarda caça de Hogwarts carregava, uma voz bem familiar soou pelos ouvidosde Alvo. – Estou de esperando na sala comunal com duas cervejas amanteigadas – disseTiago já fora do term. A mochila sobre um ombro e seus olhos fixos em Alvo, de ummodo que este nunca vira antes – Isso é claro se você não se juntar a Sonserina. Tiago esperava que Alvo pulasse em cima dele e começasse a socar sua cara, masele apenas sorriu para o irmão e ajeitou a mochila sobre os ombros. – Não me importo – retrucou Alvo inocentemente. – Como? – perguntou Tiago mais chocado do que nunca. – Quer dizer que euperdi metade do meu tempo de férias zombando de você para agora você dizer quenão se importa! – Sim. Depois do que o pai disse na plataforma eu não me importo em serselecionado para a Sonserina ou para a Grifinória. – E o que o pai te falou que fez com que você mudasse tão rapidamente de idéia? –Tiago estava imaginando que Harry havia dito ao filho o mesmo que a ele no anoanterior. Que não era mais mágico ser da Grifinória do que da Lufa-Lufa ou daCorvinal, ou até mesmo da própria Sonserina. – Disse que o Chapéu Seletor leva em consideração a sua escolha, e que ele memandaria para a Grifinória caso fosse meu desejo e que o chapéu não me obrigaria aser um sonserino se eu não quisesse. – Alvo esforçou-se para não contar a Tiagosobre a parte em que seu pai havia dito que escolhera a Grifinória. Alvo sabia queHarry possuía um bom motivo para não querer contar a Tiago sobre seu segredo, eque não seria ele, Alvo, que o revelaria para Tiago. – Te vejo no Salão Principal, Al – disse Tiago quase que em um sussurro,endireitando a mochila sobre seus ombros e dando as costas para o irmão mais novo. – Pode contar com isso – afirmou Alvo sorrindo para as costas do irmão. – Ah,Tiago! O irmão mais velho de Alvo deteve-se por um instante. – Não era para você estar usando os óculos que a mamãe mandou? – Não enche – disse Tiago por cima do ombro. Alvo teve de correr para não se perder do grupo de primeiranistas. Hagrid, ogigante e guarda caça da escola, já havia contornado a plataforma de Hogsmeade e jáexplicava aos novos alunos como deveriam utilizar os barcos da escola. –... Então, nada de mais de quatro alunos por barco – alertava o gigante para osprimeiranistas. – Não quero que nenhum de vocês vá nadar com a Lula Gigante. Elaestá brava há alguns dias, não sabemos por quê. Mas vamos controlá-la não precisamse preocupar. 27
  • 28. – Como se eu fosse – murmurou um garoto dentuço de cabelos negros próximo àAlvo. O jovem Potter já sabia como chegaria à escola de magia. Os barcos deslizariampelas águas negras do Lago Negro até a outra extremidade da escola, onde por fimos alunos novos caminhariam até os portões do Salão Principal onde aguardariamaté o início da cerimônia de seleção. Alvo escolheu um barco que estava ocupado poralguém que ele conhecia: no caso, seu primo Luís Weasley que diferente dele nãoestava nem um pouco preocupado com a cerimônia de seleção. – E ai, Al! – bradou Luís assim que Alvo se sentou na borda do barco de madeira. –Sempre soube que ao vivo era bem mais atraente que através de fotos. Luís indicou com a cabeça a estrutura medieval do castelo de Hogwarts. Alvo semaravilhou com a arquitetura da escola, com o modo como o castelo escalava amontanha que o sustentava, de forma majestosa e segura. As janelinhas refletiam asluzes internas de Hogwarts que por sua vez eram refletidas pelas águas do LagoNegro que balançavam conforme o vento gélido ordenava. – Se estão todos prontos... – gritou Hagrid já sentado em seu barco magicamentefortificado – VAMOS! Ao soar da voz de Hagrid os barcos encantados da escola começaram a deslizarpelas águas do lago que cercava a escola. Quando Alvo finalmente baixou os olhosdo castelo para os alunos que o acompanhavam na travessia se deparou com duasgarotas bem diferentes uma da outra. À frente de Alvo estava uma menina bastantebonita de pele escura e cabelos negros, chamada Emília Jenkins. Ao lado de Emíliaestava outra garota, porém esta tinha pele pálida, braceletes prateados, sapatos estilopunk e um cordão que Alvo imaginava vir da mesma coleção que o amuleto mágicoque ficava envolto ao pescoço de Luna Lovegood. Mas outra coisa incandescente chamou mais a atenção de Alvo de que os milharesde janelinhas do castelo de Hogwarts. Alguns metros além da beira do Lago Negro,além da orla próxima a Floresta Proibida, uma criaturazinha luminosa brilhava nogalho de uma árvore. Não parecia ser uma criatura muito diferente de um morcego,tinha as mesmas características, porém era bem maior que um comum. Além do maisa criaturazinha estava brilhando junto à árvore. Mas tudo isso foi apenas por um breve momento. Rapidamente a criatura prateadadesapareceu. Como se sua presença fosse detectada e isso lhe custasse à vida.Quando Alvo concluiu que não avistaria mais nenhuma criatura luminosa, baixouseus olhos sobre as águas dançantes do lago por alguns segundo, mas tão rápidoquanto a primeira outra criatura incandescente surgiu na orla da Floresta Negra. Assim como a outra, esta criatura possuía uma cor prateada e florescente. Sua luzrefletia nas árvores ao seu redor. Ela era bem maior que a anterior, do tamanho deum veado, mas Alvo concluiu que não era um, pois não havia galhada como o 28
  • 29. patrono de seu pai. A criatura continuava brilhando junto às árvores da FlorestaNegra, contudo, algo a mais chamou a atenção de Alvo. A criatura não estavaadmirando a beleza do castelo de Hogwarts assim como os primeiranistas e omorcego incandescente. Essa, por sua vez, mirava em um aluno em especial damesma forma que os estudantes e os pais na plataforma encaravam Harry. A criaturailuminada estava observando Alvo. – Cuidado com as cabeças! – alertou Hagrid quando os barcos atingiram a outraextremidade. Por um instante Alvo desviou seu olhar da criatura luminosa para poderdesembarcar do barco. Pisar na terra molhada pertencente aos terrenos da Hogwartsera algo que Alvo aguardava há muito tempo, e que agora era a mais pura realidade.Contudo quando ele voltou seu olhar para a orla próxima a floresta a procura dacriatura, deparou-se apenas com as árvores gigantescas que cercavam os terrenos daescola. – Todos os alunos, por favor, sigam-me! – berrava Hagrid guiando osprimeiranistas por uma espécie de túnel subterrâneo feito de pedras. A cabeça dogigante batia no teto de pedras a todo o tempo, mas em momento algum Hagrid semostrava irritado com tal fato. Ele parou de repente tateando o teto com o cabo de seu guarda-chuva cor de rosa.Como se estivesse procurando uma passagem secreta, Hagrid encostou o caboenferrujado em todas as pedras em um raio de um metro. Finalmente o giganteencontrou a passagem desejada. Quando encostou o cabo do guarda-chuva da pedradesejada, essa começou a se mover e a formar uma íngreme escada de pedra e limoque dava para o pátio de entrada da escola. – Subam e esperem até o professor Longbottom tomar frente ao grupo – ordenouHagrid abrindo caminho entre os estudantes para liberar a passagem. – Ele irá levá-los até o Salão Principal para a hora mais esperada da noite. Como ele era um dos últimos da fila, demorou um pouco até que Alvo pudessechegar mais perto da escada. Porém ele queria fazer algo antes de subir as escadas. – Oi, Hagrid! – exclamou Alvo se aproximando da figura corpulenta do guardacaça. – Alvo! Há quanto tempos nós não nos víamos! – Hagrid parecia um bebê chorão.Enxugando timidamente as lágrimas que brotavam dos seus olhos ele encarou Alvo.– Não te vejo desde março passado, e veja como você cresceu! Mesmo estando mais alto que há um ano atrás, Alvo sabia que para Hagrid elesempre pareceria um menininho de dez anos. – Eu também estava com saudades de você, Hagrid – disse Alvo pouco antes deser envolto pelos braços gordos de Hagrid. – O... o que aconteceu para você ficar tãosumido? 29
  • 30. – Você sabe que a Profª McGonagall deixou seu cargo, como diretora, este ano.Então, quando se é um professor um tanto desastrado e que cuida de criaturas domundo da magia... Bem, tem que mostrar uma boa primeira impressão para o novodiretor – ele estudou Alvo com seus olhos miúdos, tentando ler as emoções de Alvoatravés de sua face. – Rápido, Alvo! – gritou o gigante batendo com os braços no tetodo túnel. – Suba logo, rápido se não você perde a passagem! Sem pensar duas vezes Alvo pulou o mais alto que pode, esticando as pernas aomáximo para atingir o topo das escadas o mais rápido possível. Ele pulou umas trêsou quatro vezes até finalmente repousar sobre o gramado fofo e úmido do pátio deentrada. Alvo estava encantado em estar dentro do castelo de Hogwarts. A única vez queestivera dentro do castelo fora quando seu pai levara a família para dar um passeiopelo estabelecimento, para conhecer alguma parte da escola antes dos onze anos deidade. Muita coisa parecia diferente de quatro anos antes quando Alvo esteve ali. OPátio de Entrada parecia ter sido restaurado, tendo as estátuas ao redor da fonte dopátio, mais belas e suntuosas. As ervas que cresciam entre os azulejos haviam sidopodadas e a única coisa velha que se encontrava no pátio era a figura carrancuda edesanimada do Sr Filch. Alvo só reconheceu o zelador da escola, pois esse se enquadrava em todas ascaracterísticas que seus parentes haviam lhe concedido. Um homem velho, deaparência fria e rabugenta. Cabelos sujos quebradiços, pele enrugada e sua gata quesempre estava juto dele, Madame Nor-r-ra. Filch aninhava a gata como se fosse umbebê, tomando cuidado para não machucar o animal, ele se mostrava poucointeressado em olhar para os alunos novos. Poucos minutos depois dos primeiranistas terem se reunido em frente às grandesportas de carvalho que davam para o hall de entrada, um homem da mesma idadeque o pai de Alvo, face rosada e um sorriso um tanto abobalhado, as abriu com umestalo e veio receber os alunos novos. – Bem vindo, alunos – disse a figura simpática do Prof Longbottom. Esse nãoprecisou de nenhuma característica para ser reconhecido por Alvo, pois ele conheciabem o rosto bobo do padrinho. Neville vestia vestes surradas e marrons, um chapéucônico remendado em sua aba e botas de escalada, como se estivesse pronto paraafundar os dois pés na terra molhada. Os múrmuros cessaram no instante em que o professor de Herbologia começou afalar. A atenção era geral em quanto o silêncio era cortado apenas pela voz suave doprofessor. – Bem, o banquete de início de ano será realizado em alguns instantes, mas antesde vocês se sentarem em uma de nossas mesas, será realizada a cerimônia de seleção.A cerimônia de seleção, como muitos já devem saber, consiste basicamente em 30
  • 31. selecionar vocês em uma de nossas quatro casas: Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal eSonserina. A Seleção é muito importante, pois enquanto vocês estiverem emHogwarts suas casas serão como suas famílias. Seus colegas serão seus amigos, eseus parentes. Contudo, nem tudo são flores aqui em Hogwarts. Aqui, como em todoestabelecimento, existem regras, se quebrarem alguma regra da escola sua casaperderá pontos. Porém, se vocês obtiverem algum triunfo na escola digno de umprêmio, sua casa ganhará pontos. No final do ano, a casa que tiver mais pontosganhará a Taça das Casas. – Então nós não teremos de enfrentar um trasgo para sermos aceitos na escola! –gritou um garoto no meio do grupo. – Não, o senhor pode ficar relaxado. Ninguém terá de enfrentar nada para seraceito pela escola – riu o Prof Longbottom. – Vocês já foram aceitos, não tem maisvolta. Vocês terão de suportar Hogwarts e Hogwarts terá de suportar vocês. Mas, eh,fiquem tranqüilos, nós faremos tudo para que vocês possam chamar este castelo delar. O Prof Longbottom deu as costas para os primeiranistas e, os guiou pelo interiordo castelo até chegarem próximos às grandes portas de carvalho que davam para oSalão Principal. As luzes vindas dos candelabros e tochas ao redor da entrada para osalão refletiam-se nas bordas e nos desenhos esculpidos nas portas. Eram imagensbonitas e únicas que mudavam de hora em hora. – Se estiverem preparados... Sigam-me – com um aceno de mão o Prof Longbottomabriu as portas que davam para o Salão Principal. Os zumbidos e vozes antes contidos pelas portas de carvalho se espalharam portoda a escola no momento em que o professor Longbottom abriu as portas. Aluminosidade do Salão Principal era infinitas vezes maiores que a dos corredores queAlvo acabara de passar. Ele concluiu que o Salão Principal era muitas vezes maiorque a antiga casa da Rua dos Alfeneiros que um dia acolheu Harry Potter e que hoje,já reformada, acolhia a família do primo de Harry, Dudley Dursley. O Prof Longbottom levou o grupo de calouros até um tablado que separava a mesados professores das outras quatro grandes mesas das casas da escola. Eram muitascoisas para se ver em pouco tempo. Rapidamente, Alvo levantou a cabeça para poderadmirar o teto encantado do Salão Principal, que mostrava um céu estrelado e umalua pronta para minguar. Depois Alvo observou as quatro mesas de Hogwarts,apinhadas de estudantes ansiosos para o início da seleção. Por um momento, Alvosentiu que era observado por alguém e não era para menos. Tiago Potter estava juntoa seus amigos grifinórios falando e rindo, mas seus olhos estavam fixos na figuramagricela do irmão. Por um instante Alvo se sentiu encabulado, mas logo suaatenção foi desviada pela voz do professor Longbottom. 31
  • 32. – Antes do início da cerimônia de seleção – dizia o professor em quanto asconversas cessavam e os murmúrios morriam – a diretora Servilia Crouch quer dizeralgumas palavras. Diretora... Longbottom fez uma tímida reverência para a diretora que apenas lançou-lhe umsimpático sorriso antes de se erguer de sua nobre cadeira de diretora. Servilia Crouchera uma mulher que aparentava ter seus cinqüenta anos de idade, mas Alvo sabiaque ela possuía mais, pois graças às poções e atributos genéticos dos bruxos épossível você aparentar muito menos de sua idade natural. A diretora Crouchpossuía algumas rugas em sua face – nem tantas como sua antecessora, a ProfªMcGonagall que se sentava ao seu lado – Servilia possuía cabelos negros envoltos emum forte coque, com ligeiras mechas calvas que ela tentava arduamente esconder. – Boa noite, a todos vocês, principalmente aos alunos novos que estão se juntandoa nós aqui em Hogwarts pela primeira vez. A vocês primeiranistas, o meu: ‚boasvindas‛. E aos antigos, sejam bem vindos de volta. Bem, como muitos de vocês jádevem saber através do Profeta Diário e das demais revistas bruxas, este será, assimcomo o de alguns de vocês, o meu primeiro ano aqui em Hogwarts. É com muitahonra que substituo a Profª Minerva McGonagall como diretora de Hogwarts.Minerva – como pode ver – não nos deixou por completo, pois ela concordou emcontinuar educando-os na didática de Transfiguração e me auxiliando como vice-diretora. ‚Bem, como diretora da escola é meu dever informar aos primeiranistas, erelembrar aos alunos antigos, que é estritamente proibido a ida de alunos aosarredores da Floresta Proibida sem a autorização e o acompanhamento de umprofessor ou responsável. Afinal como o próprio nome já diz, a floresta é proibida.Também devo informar-lhes que é proibido o uso de feitiços nos corredores duranteos intervalos das aulas. E, o nosso zelador o Sr Filch, me pediu para lembrar-lhes quequalquer artefato que tenha ligações com a loja de brincadeiras GemialidadesWeasley, que possa fornecer qualquer tipo de transtorno ou rebuliço dentro daescola é proibido e corre um sério risco de ser confiscado pelos professores efuncion{rios.‛ ‚Antes de iniciarmos a seleção, gostaria de apresent{-los aos novos professores deHogwarts. Por favor, professores novos, levantem-se.‛ Cinco professores levantaram-se de suas cadeiras. Alvo havia prestado atençãosomente em dois, que desde o momento que ele entrou no Salão Principal, estavamenvoltos em uma complicada discussão que Alvo nem se quer poderia imaginar qualera. – Da esquerda para a direita – começou a diretora Crouch apresentando osprofessores. – Alunos deixem-me apresentá-los ao seu novo professore de Defesacontra as Artes das Trevas, professor Mylor Otacílio Silvano. Ao seu lado, está o 32
  • 33. professor da nova didática de Artes dos Trouxas, professor Epibalsa McNaught.Depois estão seus novos professores da arte de mancia, professor R. J. H. King, paraTecnomancia e o professor Herberto Margolyes como professor de Geomancia. E porúltimo, mas não menos importante, nós teremos a presença da professora JulietaKnowles Revalvier, como professora de Literatura Mágica. ‚Por último, gostaria que minha colega, professora McGonagall dissesse algumaspalavras para vocês. Não gostaria que Minerva passasse a noite toda calada.‛ A diretora Crouch se silenciou por debaixo de fortes aplausos dos estudantes, emseguida a professora McGonagall começou seu discurso agora não mais comodiretora da escola. – Uma boa noite a todos – disse a Profª McGonagall para todos os presentes. –Serei rápida e breve, pois tenho certeza de que todos estão ansiosos com a seleção.Gostaria apenas de lembrar-lhes que não sou mais sua diretora, mas que inda possocolocá-los em detenção e tirar pontos de suas casas. Obrigada. Assim como a diretora, McGonagall se silenciou por baixo de aplausos dosestudantes, contudo estes foram menos animadores que os da diretora. Alvo percebera que Servilia e McGonagall tinham bastante em comum. Sendoduas senhoras muito gentis, porém severas com quem se deve. Alvo não gostaria deencontrar as duas irritadas, sendo ele o motivo de tal irritação. Pouco depois dos discursos de Crouch e McGonagall, a nova monitora daCorvinal, sua prima Molly, levara até o topo do tablado à frente dos primeiranistas,um banco de quatro pernas e um chapéu cônico velho. Alvo sabia exatamente o queia acontecer em seguida. O Chapéu Seletor iria cantar uma música – em geralrelacionada à amizade e a dificuldade em selecionar os alunos – e depois a seleção seiniciaria, com o Prof Longbottom chamando os primeiranistas e repousando o velhochapéu cônico sobre suas cabeças. Porém após os discursos da diretora e da professora de Transfiguração, Alvodesligou-se completamente da cerimônia de seleção. Seus pensamentos flutuavamdesordenadamente. Ele não sabia o que fazer e qual caminho seguir. Queria usartudo àquilo que o pai havia dito na plataforma, mas e se ele escolhesse o caminhoerrado. E se ele escolhesse a Grifinória e no final das contas essa fosse a errada. Não! Pensou Alvo com todas as forças. A Grifinória não podia ser o caminhoerrado, era a casa que seu pai freqüentara que sua mãe freqüentara, seus avós, tios etias... Mas muitos dos novos Weasley não haviam seguido o caminho grifinório.Vitória e Dominique eram da Lufa-Lufa e Luís estava determinado a seguir a mesma.Molly era da Corvinal e Rosa fatalmente seria enviada para a mesma, e se Alvoacabasse se saindo melhor em outra casa? – Luís Weasley – chamou o Prof Longbottom trazendo Alvo de volta a si. 33
  • 34. O Chapéu Seletor demorou um pouco para decidir em que casa por o primo deAlvo, e nesse meio tempo, ele percebeu quais outras crianças já haviam sidoselecionadas. Um garotinho risonho de cabelos castanhos, chamado Cameron Creevey haviasido selecionado para a Grifinória. Emília Jenkins, a garota que havia cruzado o LagoNegro junto a Alvo havia sido enviada para a Corvinal assim como Irene Mcmillan. – LUFA-LUFA! – rugiu o Chapéu Seletor para alívio de Luís que já estavacomeçando a tremer por debaixo da aba do chapéu. – Eugênio Finnigan. – Grifinória! – a mesa de Tiago explodiu em vivas, assim como havia feito antescom Cameron Creevey. – Ísis Cresswell. – Corvinal! – anunciou o chapéu, e logo em seguida Ísis saiu correndo em direção àmesa do lado esquerdo a Alvo. Que ainda vibrava com a seleção da menina. – Valerie Rosier. – Sonserina! – Isaac Prewett. Aquele nome fez com que Alvo prestasse realmente atenção na seleção. Prewett,Alvo já ouvira aquele nome antes, mas de onde vinha? Uma parte adormecida de seucérebro começara a trabalhar arduamente a procura de algo que se encaixasse com onome. – O relógio? – murmurou Alvo lembrando-se do velho relógio de seu pai que antespertencera ao irmão mais velho da vovó Weasley. Mas Isaac não poderia ser seuparente, pois o tio-avô de Alvo, Fábio, havia sido morto durante a Primeira GuerraBruxa, assim como seu irmão. – Sonserina! – gritou o chapéu liberando o garoto de cabelos ruivos. – Lívio Black. Ouvir aquele nome foi quase que tomar uma descarga elétrica. Alvo sabia bastantesobre a família Black, sendo que ele morava na antiga casa da linhagem. Mas Alvotinha certeza de que após a morte precoce do padrinho do seu pai, Sirius Black, onome havia sido extinto, pois ele era o último a carregar o nome Black, e como Siriusnão havia procriado, era óbvio que a família Black havia sido extinta pelo ladomasculino, mas... Ele estava ali, o garoto chamado Lívio carregava o nome Black enão podia ser apenas coincidência. – Corvinal! – anunciou o chapéu. Depois de Lívio, Lana Longbottom foi chamada para ser selecionada.Cuidadosamente o professor de Herbologia repousou o Chapéu Seletor sobre oscabelos da filha sem antes desejar-la sorte. Alvo conhecia Lana, geralmente via a 34
  • 35. garota brincando nas escadarias do Caldeirão Furado na companhia de seus irmãosmais novos. – Grifinória! – anunciou o chapéu para alívio de Lana, e de seu pai também. Antônio Zabini se tornou um sonserino, porém Alberto Stebbins foi escolhido parase juntar à mesa da Lufa-Lufa, a do lado direito à Alvo. Perseu Flint também foi selecionado para a Sonserina, assim como seu irmãogêmeo Teseu. Já Henry Thomas foi selecionado para a Grifinória do modo comodesejava. – Escórpio Malfoy – chamou o Prof Longbottom, despertando qualquer um quenão estivesse interessado na seleção. Escórpio parecia mais pálido do que quando Alvo o vira na plataforma e dentro doExpresso Hogwarts. Assim como Alvo, Escórpio herdara um nome muito famosodentre os bruxos e assim como Potter, todos os membros da família de Escórpiovieram da mesma casa há séculos. Alvo não conseguia imaginar o porquê donervosismo de Escórpio, pois assim como seu pai, sua mãe e todos os antigosmembros da família Malfoy, ele seria selecionado para a Sonserina... – Grifinória! – bradou o Chapéu Seletor. Não houve aplausos por parte dos membros da Grifinória. Alvo não sabia se elesestavam surpresos demais pela decisão final do chapéu ou se estavam com muitaraiva e nojo de terem de conviver com um membro da família Malfoy, que porgerações humilhou e perseguiu os membros da Grifinória. Escórpio também não se mostrava diferente. Ele continuara sentado no banco demadeira de quatro pés mesmo depois de ter sido selecionado. O choque de não tersido colocado na Sonserina o consumia de dentro para fora, impossibilitando seucérebro de pensar ou de comandar qualquer um de seus músculos. Escórpio só saiuda cadeira quando o Prof Longbottom chamou o nome de Morgana Hallterman. – Alvo Potter. Novamente o salão permaneceu em total silêncio. Assim como Escórpio, Alvochamou bastante atenção entre alunos e professores. – Longbottom disse: Potter? – É sim! É o filho de Harry Potter! – Shh! Cale a boca! Agora será selecionado outro filho de Harry Potter. Todos os comentários não eram para Alvo, e sim para O Filho de Harry Potter.Aquilo foi consumindo Alvo por dentro, ser o filho de Harry Potter não era apenas oque ele queria, ele queria que as pessoas começassem a reconhecê-lo por seu nome enão por ser filho de um dos maiores bruxos dos tempos atuais. A última coisa que Alvo conseguiu ver antes do Prof Longbottom deixar o chapéurecair sobre seus olhos, foi um salão cheio de alunos espichando os pescoços para 35
  • 36. tentar ver o rumo da seleção de Alvo. Olhos arregalados sem ao menos piscar, evários grifinórios já cantando vitória. – Potter, Alvo. Sim. Admito que eu anseie em poder observar esta mente – disse oChapéu Seletor em um sussurrou, mas que podia ser ouvido, pois o salão estava emtotal silêncio. – Você é o quinto Potter que vem sob meu tecido, e o quarto a sesubmeter a meu julgamento. Quase cinqüenta anos se passaram, três gerações dePotter e vocês são sempre difíceis de classificar. Eu não tenho que ser igual ao meu pai. Pensou Alvo ingenuamente sem se lembrarque o chapéu estava sobre sua cabeça. Ser um grifinório não é meu dever. “... poder{escolher a Grifinória em vez da Sonserina.” As palavras de Harry ecoavam nos ouvidosde Alvo, como se o pai estivesse o seu lado as repetindo. – Sentimentos denunciadores, Potter – disse o chapéu. – Você seria grandioso emqualquer uma das quatro casas, mas será? Talvez... Lufa-Lufa? Não! Tudo, tudo menos a Lufa-Lufa! Pensou Alvo com todas as forças que ainda lherestavam. Eu posso ser grandioso em qualquer uma das casas, mas eu serei grandioso deoutro jeito: do meu jeito. – Hmm. Interessante, Potter. Se assim deseja... – o Chapéu Seletor fez uma pausaproposital, como se quisesse matar alguém do coração. – Sonserina! A mesa na extremidade direita à Alvo explodiu em festa. Era como umacompensação mais que satisfatória para os sonserinos, um Malfoy por um Potter.Um nome mais famoso e de mais expressão. Por outro lado, a mesa da Grifinóriaparecia se preparar para um funeral. Suas caras nunca demonstraram maiordesapontamento e sensação de perda do que naquele momento. Contudo, dentro de Alvo, uma mistura de sensações e emoções invadia seu corpo.Sua mente e seu coração pareciam estar em constante conflito. Ele não sabia se sorriaou se chorava. Se ele deveria corria para fora da escola ou se aceitava as boas vindasda Sonserina. Somente uma opção lhe ocorreu quando o Prof Longbottom retirou oChapéu Seletor de seus cabelos escuros. – É tão ruim ser da Sonserina? – perguntou Alvo para Neville que se mostrava tãosurpreso quanto o restante da escola. Neville encarou Alvo com seus olhos simpáticos e amistosos. Quase nada passavapela mente de Neville, nenhuma resposta que pudesse agradar completamente Alvo.Então, como um leve sopro, Longbottom deixou seus olhos recaírem sobre o afilhadoassustado e enfim respondeu: – Não. 36
  • 37. Capítulo Três Encontro de Professores D esde os tempos de Armando Dippet como diretor de Hogwarts havia uma comemoração particular entre os diretores das casas da escola. Com o fim do mandato do Prof Dippet e a posse de AlvoDumbledore, a reunião se estendeu para além dos diretores de casas. Além destes,outros professores convidados pelo diretor poderiam compartilhar dos comes ebebes; distribuídos na festa particular. Porém durante o ano em que Severo Snape foidiretor nenhuma festa ou reunião fora marcada. Os tempos de guerra e desconfiançaentre os professores impediram que qualquer comemoração fosse organizada.Contudo naquele ano, durante o novo regime estudantil de Servilia Crouch acomemoração de início de ano foi mantida. Além dela e dos diretores de casas foramtambém convidados, o Prof Longbottom, o Prof Silvano, Prof Finch-Fletchley e aProfª Gertrudes Knossos de Runas Antigas. As reuniões geralmente aconteciam noescritório do diretor, mas devido ao número de convidados, achou-se mais agradávelque a reunião dos professores acontecesse na Sala Precisa no sétimo andar. Onde osprofessores poderiam ter mais conforto e privacidade, sem correr nenhum risco deserem surpreendidos por um aluno perdido. Para poder entrar na Sala Precisa a diretora Crouch e os demais professoresdeveria pensar em como precisavam de um lugar para poder conversar com osoutros colegas, sem se preocupar com os alunos e onde poderiam comer e beber semculpa. Servilia não teve dificuldade para achar a Sala Precisa. Em seus tempos deestudante ela utilizara a Sala Precisa várias vezes. Quando ela queria esconder suaCleansweep Cinco das outras garotas para que essas não a gozassem pelo fato deServilia treinar para o Quadribol e quando a atual diretora usava a sala para praticarfeitiços com seu grupo de amigos sonserinos. Quando a diretora chegou à Sala Precisa deparou-se com largas mesas repletas decomidas e bebidas, principalmente vinhos e cidras. Servilia agradeceu por não ter sefartado de comida durante o Banquete de Início de Ano. As paredes da Sala Precisaestavam cobertas por tapeçarias com as cores das casas da escola e com os emblemasrespectivos de cada uma. Algumas mesas e cadeiras de prata foram espalhadas pelasala, além de uma antiga vitrola encantada que repousava sobre uma bancada esoava as melodias da antiga banda bruxa Caldeirão Explosivo, liderada pela cantoraSelena Bichwitck. A cada dez minutos um professor chegava a Sala Precisa. Para não levantarsuspeitas entre os alunos, os professores combinaram de não chegarem todos juntos.Neville contou que a mesma tática era usada por ele e por seus colegas durante ostempos de reunião da Armada de Dumbledore. 37
  • 38. Primeiro chegou a Profª McGonagall na companhia do Prof Flitwick. Em seguidaHorácio Slughorn adentrou na Sala Precisa em uma animada conversa com a ProfªKnossos. Poucos minutos depois o professor Finch-Fletchley de Estudos dos Trouxaschegou sozinho à Sala Precisa. E dez minutos depois o Prof Longbottom e a ProfªVector chegaram para a comemoração. A Profª Vector de Aritmancia havia sidoselecionada como diretora da casa Lufa-Lufa depois que a professora Sprout seaposentou. Por último chegou Mylor Silvano, o único professor novato que foraconvidado para a reunião dos professores. Foi idéia de Neville chamar o novoprofessor já que ele e Mylor tinham uma antiga amizade, formada durante seustempos como membros do Quartel-General dos Aurores. Cada professor se juntou perto de uma mesa de comida para discutir e conversarsobre as novas dos tempos de férias e sobre demais assuntos que geralmentevariavam entre Quadribol, política e feitiços. – Divino este banquete, Servilia! – suspirou o Prof Flitwick servindo-se de maisuma porção de salgadinhos. – Onde os encomendou? Não como algo tão... prazeroso enovo há algum tempo. – Encomendei de uma nova loja gourmet que inaugurou no Beco Diagonal. É bomsaber que foi aprovado – a diretora Crouch sabia que teria de encomendar os comese bebes, afinal, segundo as famosas Leis de Gamp, comida é uma das cindo exceçõessobre a Transfiguração Elementar. – A quanto não nos vemos, Mylor? – perguntou o Prof Longbottom de outroextremo da Sala Precisa. – Há uns cinco anos – respondeu o Prof Silvano. – A última vez que te vi foiquando nós pedimos demissão do quartel general dos Aurores. Daí você veio paraHogwarts e eu comecei minha viagem ao redor do mundo. – E quanto à seleção deste ano, hein? – começou o Prof Finch-Fletchley chamandoa atenção de todos os presentes – Acredito que este ano o Chapéu Seletorsurpreendeu a todos. E não estou me referindo a sua canção habitual. – De fato! – exclamou o Prof Slughorn levantando os braços e os abanando como seestivesse torcendo loucamente – Hoje fui presenteado com algo que nunca pudeimaginar que aconteceria! Um Potter, em minha casa! E justamente o parente deminha querida Lílian Evans! Alvo Potter, na Sonserina! – É verdade, Horácio. Tenho que admitir que fiquei bastante surpreso quando ochapéu decretou que Potter seria um sonserino. – aceitou o Prof Flitwick ajeitandoseus óculos dourados, colocando-os bem ao centro de sua carinha redonda –Contudo é verdade que fiquei decepcionado com o veredicto do chapéu com relaçãoa um dos primos de Alvo Potter. É verdade, esperava que Rosa Weasley se juntasse aminha casa este ano, afinal, ela é filha de Hermione Granger! 38
  • 39. – Mas em compensação é filha de Rony Weasley, também. – completou a ProfMcGonagall de maneira irônica. – Sim. Creio que o sangue grifinório de Rony contou mais que a inteligência deHermione. – disse Neville servindo-se de cidra sabor uva. – Mas, – começou a Profª Vector sentando-se na mesa mais próxima aosprofessores e servindo-se de um pedaço de pernil – acredito que todos os papais quelecionam aqui em Hogwarts não poderão ficar chateados. Afinal, sua filha maisvelha, Neville, seguiu seus passos e juntou-se a Grifinória. O mesmo fez seu filho,Inácio, professor Finch-Fletchley, porém seguindo o caminho da Lufa-Lufa. – Sim. Mas admito que fiquei surpreendido quando Neville anunciou os nomesBlack e Prewett. – disse Justino para os demais – Não sabia que estas famílias aindapossuíam descendentes homens que possuíssem seu nome. Já era de meuconhecimento que os Blacks ainda possuíam descendentes vivos, porém com outrosnomes como Malfoy, Potter e Crouch. Assim como os Prewett tem relações com osWeasley, mas carregar o nome original? – Isso se dá à ligação de Lívio e Isaac com parentes abortados. – explicou Flitwick –Lívio é bisneto de Mário Black, neto do Prof Fineus Black, porém como Mário era umaborto não teve sua árvore genealógica divulgada junto ao restante da família. Isaac,por sua vez, tem parentesco com um tal de Geraldo Prewett. Geraldo era filho deInácio e Lucretia Prewett, tendo relações familiares tanto com a família Weasleyquanto com a Black, respectivamente. Geraldo teve uma vida bem melhor que a deMário, e aparentemente, se profissionalizou como contador trouxa. Ambos osparentes abortos dos garotos tiveram filhos, porém somente a mais nova de Geraldofoi aceita em Hogwarts. Deve se lembrar da jovem Mafalda Prewett, Minerva. Ela foiaceita em Hogwarts a uns vinte e tantos anos. – É verdade, Filio. – confirmou McGonagall bastante interessada nas histórias queela não conhecia – Mafalda era uma aluna brilhante, um tanto inconveniente erespondona, mas e que explica as relações de Isaac com a Sonserina. – PELAS BARBAS DE MERLIM! – berrou o Prof Slughorn derrubando seu vinhodos elfos no chão e levando as mãos à cabeça – Como pude me esquecer de Mafalda!Lecionei para ela a partir de seu terceiro ano, ela era realmente brilhante, sempre comas respostas na ponta da língua. Era tão inteligente quanto a Srtª Granger... – Filio, – murmurou Servilia Crouch para o professor de Feitiços – os Lestrangetambém tem relações com a família Black, correto? – Sim. – respondeu Flitwick firmemente – Rodolfo Lestrange se casou com BelatrizBlack, filha de Cygnus e Druella Black. Mas por que a pergunta, Servilia? Ah, sim, ojovem de nome Agamenon. Creio que ele se juntou a Grifinória. – Termos um Lestrange na Grifinória já é bastante surpreendente, mas – Serviliafez uma pausa em quanto tomava um gole de seu vinho – o que mais me surpreende 39
  • 40. é termos um Lestrange de volta a Hogwarts! Com isso é possível? O garoto não é filhode Rodolfo, é? – Não. – respondeu rapidamente Mylor Silvano, já consciente de que Nevilletambém já sabia a resposta – Ele é filho de Rabastan Lestrange. Recapturado háalguns anos. – Mas como Rabastan ou seu filho, voltaram à Inglaterra bem debaixo do nariz doministério? – Servilia continuava perplexa – Como, depois de tudo que Rabastan eseu irmão fizeram, como ele pode voltar? – O Ministério pode ser lento e injusto, mas não é burro. – afirmou Neville – Eu eMylor sabemos um pouco mais sobre este caso. Os Lestrange voltaram à Inglaterrahá dez anos, em nosso tempo ainda como aurores, o escândalo fora tamanho que atéo ministro Shacklebolt teve de se envolver. ‚Pouco antes do término da Batalha de Hogwarts, Rabastan Lestrange deu-se porvencido e concluiu que aquela era uma guerra que os seguidores de Voldemort nãoganhariam. Pouco antes de Harry se entregar a Voldemort e de este supostamente oassassinar. Rabastan disse a seu irmão que não voltaria à Hogwarts, que ele fugiriapara a França e que estava disposto a levar Rodolfo e Belatriz com ele. Porém,Rodolfo era orgulhoso, e sua esposa não menos. Ele disse a Rabastan que emmomento algum abandonaria o Lorde das Trevas. Já Rabastan não estava disposto avoltar para Azkaban por uma terceira vez. Rodolfo, por sua vez renegou Rabastan, eo excluiu da família Lestrange, pois afirmava que ele, Rabastan, havia abandonadoseu irmão e seus ideais. Bem, sabemos o que aconteceu com Rodolfo e Belatriz. Umapodrece em Azkaban em quanto a outra repousa no sono profundo.‛ ‚Quando percebeu que j{ estava velho e com medo de levar o nome para o túmulocom ele, Rabastan decidiu se casar e procriar com alguma bruxa de sangue-puro.Três anos após o casamento com a bruxa francesa Charlotte Asset, Rabastan teve umfilho.‛ – Daí veio Agamenon. – concluiu Justino. – Sim. Mas desmentindo o julgamento final de Rodolfo Lestrange, Rabastan nãohavia abandonado seus ideais. Sua esposa Charlotte queria que Agamenon estudasseem Beauxbatons, mas Rabastan era tão orgulhoso quanto o irmão e a cunhada. Elenão queria que um Lestrange fosse tratado como qualquer um em Beauxbatons.Então Rabastan mandou uma carta ao ministro pedindo que Charlotte e Agamenonpudessem voltar à Inglaterra e desfrutar de toda a fortuna e bens que Rabastanherdou de seus pais. Mas, em troca, Rabastan se submeteria ao julgamento perante aSuprema Corte dos Bruxos e aceitaria qualquer que fosse sua decisão final. ‚Obviamente, Rabastan foi condenado à prisão perpétua em Azkaban, e morreuum ano após ser condenado.‛ 40
  • 41. Mesmo depois da expulsão dos dementadores da prisão bruxa e da criação de umSistema de Guarda de Azkaban, a prisão dos bruxos continuava a ser um dos pioreslugares para se passar uns dias. A condição de vida ainda era horripilante, e muitosdos prisioneiros ainda enlouqueciam ou morriam. – Filio, você que é bom com os nomes de seus alunos – disse a Profª Vector – Aprimeiranista Ísis Cresswell, é parente de Dirk Cresswell, o bruxo assassinado porseqüestradores? – Sim, Septina. A Srtª Cresswell é sua neta. Ela é filha de Gabriel Cresswell, ummenino brilhante. Acabou seguindo a carreira de Auror, diferente da do pai. – E quanto a Valerie Rosier, Horácio. – perguntou a Profª Knossos interessada –Ela foi selecionada para sua casa, não é? – De raspão! – exclamou Slughorn – Assim como o restante de meus alunos novos,exceto Potter, foi o que mais demorou sobre o Chapéu Seletor. – Valerie é filha de Evan Rosier? – perguntou Minerva McGonagall. – Sua neta. – respondeu Mylor logo após ter devorado uma costela – Evan é muitovelho para ter uma filha da idade de Valerie. O filho de Evan, Miguel nunca tevepassagem por Hogwarts. A mulher de Evan Rosier percebeu que após a morte domarido, a Grã-Bretanha não era mais um lugar seguro para eles. Seriam perseguidose Miguel seria discriminado pelos colegas em Hogwarts. Sendo assim ela se mudoucom o filho também para a França. Miguel se formou em Beauxbatons e por lá secasou e constituiu sua família. – Mas por que voltar para a Grã-Bretanha? – indagou Servilia – Se já não bastasseLestrange, os Rosier também resolveram voltar! – Assim como Rabastan, Miguel não queria que os filhos fossem mais um dentretantos os estudantes da escola francesa. Ele também sabia que os Rosier tinham umnome forte aqui na Inglaterra, então, mudou-se com sua família para cá. É verdadeque tanto Rosier quanto Lestrange fizeram atrocidades no passado, mas temos dereconhecer que estes têm apego por suas raízes. – Ainda não acredito que Alvo foi para a Sonserina. – afirmou Neville em umsussurro quase que imperceptível, mas que chamou a atenção dos demais presentes– Nada contra sua casa, Horácio. – completou rapidamente ao ver a expressão dedesaprovação que tomou a face de Slughorn – Mas é que ele é meu afilhado e, eleparecia tão surpreso. Perguntou-me se era ser ruim ser da Sonserina e eu disse quenão, só que... – É claro que não é ruim ser da Sonserina! – bradou Slughorn revoltado – Minhacasa não pertence apenas a assassinos sanguinários! Não admito que falem isso! – Entendo, Horácio. – Neville tentava se defender da melhor maneira que podia,queria não aborrecer ainda mais o professor de poções que se mostrava bastantealterado – Só me preocupo com o envolvimento de Alvo com um crescente número 41
  • 42. de parentes de Comensais da Morte ou de aliados a eles. Temos Lestrange, Rosier,Malfoy, Zabini, Dolohov... – Os irmãos Nott, quinto e segundo ano... – acrescentou Flitwick. – Além de Melissa Goyle, do terceiro ano... – complementou a Profª Vector. – Os gêmeos filhos de Marcos Flint. – arrematou Mylor lembrando-se da seleção. – Basta! BASTA! – berrou o Prof Slughorn arremessando sua taça de hidromelenvelhecido contra uma parede de espelhos oposta a ele – Será que vocês ficaramloucos?! Fascinados com a idéia de que meus alunos são amantes das Artes dasTrevas e que sempre carregam consigo um exemplar de As Dez Maldições maisTerríveis do Mundo. Se me lembro bem, nem Marcos Flint nem Teodoro Nott eramComensais da Morte. E nem Escórpio Malfoy nem Agamenon Lestrange pertencem aminha casa! Minerva... – Slughorn começou a soluçar e depois de repousar suacabeça sobre o ombro de Minerva desabou em lágrimas desesperadoras – Eles achamque somos maus, Minerva. Acham que não sabemos como educar nossos alunos... – Não acho que o nome seja um motivo para tentarem caçar Potter. Isso nuncaaconteceu e espero que nunca aconteça. – disse Servilia tentando consolar o professorbêbado de poções – E vocês não viram a empolgação dos sonserinos quando Potterse juntou a eles? Não parecia a atitude de um grupo que está prestes a cometer umassassinato. – É verdade. – Desculpe-nos, Horácio. – pediu Neville colocando a mão sobre o ombro macio eflácido de Slughorn – Não queríamos ferir seus sentimentos. E tenho certeza de queAlvo estará em ótimas mãos. Os outros professores concordaram e assim se encerrou a festa dos professores doinício do ano letivo. A diretora Crouch pediu para que McGonagall encaminhasseSlughorn até seus aposentos no intuito de impedir que qualquer um encontrasse oprofessor de poções bêbado e mergulhado em lágrimas. Já era muito tarde da noite quando Servilia voltou a seu escritório. Mesmo tendopassado das duas da madrugada a diretora não estava disposta a mergulhar pordebaixo de suas cobertas. Afinal de contas, no dia seguinte não haveria aulas, e elapoderia passar toda a manhã tranquilamente em seus aposentos aproveitando aomáximo seu novo conjunto de roupas de cama e de seu novo pijama sueco. Masainda havia muito a se fazer antes de Servilia ir se deitar, como diziam os ditadostrouxas, a noite é uma criança, e a diretora a aproveitaria ao máximo. Servilia olhou para as paredes de seu escritório. Todos os antigos diretoresdormiam pesadamente em suas suntuosas cadeiras, mas toda sua divindade eradestruída pelos sonoros dos roncos de cada diretor, sem exceção. Servilia tinhaafeição por cinco diretores e diretoras da escola. Newton Scamander era um dos 42
  • 43. bruxos que Servilia se orgulhava de chamar de ídolo. Seu conhecimento e fascinaçãopelas criaturas do mundo da magia empolgavam a diretora Crouch desde menina.Fineus Black era bisavô de Servilia e ela o idolatrava mais do que qual quer um. Suaherança – tanto cultural quanto monetária – encantava Servilia mais do que qualqueroutra coisa. Era algo que ela sempre gostava de dizer para seus colegas irritantes‚Sou bisneta do diretor Fineus Black‛. Não havia possibilidades de Alvo Dumbledorenão estar na lista de favoritos da atual diretora. O bruxo de barba branca como aneve e de oclinhos de meia-lua era motivo de exemplo para Servilia, que sempre seimaginava, um dia, sendo tão famosa e poderosa quanto ele. Severo Snape tambémnão estava de fora, mesmo sendo mais jovem que a diretora, ele era como apersonificação da coragem e da inteligência, segundo Servilia. Afinal de contas, umapessoa que conseguiu enganar o Lorde das Trevas por tanto tempo não poderiadeixar de ser comparado aos mais velhos e sábios. Por último, a diretora que ServiliaCrouch mais gostava e que segundo ela poderia ser uma das melhores era elamesma. Crouch sempre achou que era uma das melhores em tudo que fazia – não foipara menos que o Chapéu Seletor a enviou para a Sonserina – porém, Serviliaacreditava que ela poderia ser a mais sábia e mais respeitada diretora de Hogwarts. Servilia deslizou leve e delicadamente a ponta se seus dedos pela fria madeiralustrosa de sua nova mesa de diretora. Ela se lembrou do dia em que foi promovida aChefe do Quartel-General dos Aurores, com certeza ela tivera mais ação ali do queagora comandando um mar de jovens, mas sua vida estava mais safa e ummundaréu de jovens adolescentes era ação suficiente por um tempo. Mas não pormuito tempo, ou até o fim de sua vida, Servilia sonhava ainda mais alto e com aaproximação da aposentadoria do ministro Shacklebolt... – Agora, estou prestes a chegar aonde o pobrezinho do Bartô nunca chegou: serMinistra da Magia. Em poucos anos Shacklebolt renunciará ao cargo e eu sou uma desuas possíveis escolhas, pelo menos estou na lista do Profeta Diário. Sei que elegostaria que fosse Potter, mas... Harry ainda não tem peito ou cabeça para comandaro mundo bruxo como ministro. Seria loucura. Servilia debruçou sobre seus braços e olhou discretamente para as fotos móveissobre sua mesa. Haviam três, todas relacionadas à sua família. Na da direita, Serviliaestava muito mais jovem, cerca de dezesseis anos. Ela carregava sua vassoura sobreos ombros em quanto os irmãos quase não reparavam na boba Charis Crouch,implorando para que os filhos sorrissem para a foto. Bartô já havia se formado em Hogwarts e exibia seu diploma de conclusão docurso de aparatação com muito orgulho nas mãos, contudo seu sorriso era muitoforçado e bobo, parecia que ele estava mais desesperado para ir ao banheiro do quesorrindo para uma foto. Não era muito comum ver Bartô rindo, ele era um homemrígido e fiel as regras, que acreditava muito mais no poder da razão que o das 43
  • 44. emoções. Ao meio estava Servilia, a única que sorria para a mãe feliz e radiante. Elacarregava seu uniforme de capitã da equipe de Quadribol da Sonserina bem dobradoem uma das mãos, em quanto a outra equilibrava a vassoura e o troféu de campeãoda temporada de Quadribol de Hogwarts. E à esquerda estava a irmã do meio deServilia, Calista Crouch que era um ano mais velha, que Servilia. Calista mal davaimportância para a fotografia, apenas fitava o resultado de seus N. I. E. M.s e a fotode seu namorado da época, o primo de Lúcio Malfoy – que agora repousa nomausoléu da família Malfoy – o arrogante e sempre bem perfumado Jápeto Malfoy. A outra foto era dos pais de Servilia. Ela sempre imaginava como tendo os paismais maravilhosos do mundo, mas com o passar dos anos e do amadurecimento deseu cérebro, ela descobriu que seu pai, Caspar Crouch, não era tão maravilhoso ejusto como a figura paterna de seu pai – o avô de Servilia – Montgomery Crouch.Caspar era um sonegador do Ministério, que sempre tentou tomar proveito dosoutros e desviar uma verba ou outra dos cofres ministeriais para dentro do própriobolso. Quando finalmente foi pego e condenado, Caspar já não servia de mais nadapara o Ministério. Já era o fim de sua vida e nada mais poderia ser feito para repararseus danos. Em troca de seu nome permanecer limpo e que seu segredo nunca fosserevelado, Caspar abriria mão de sua cadeira na Suprema Corte dos Bruxos edevolveria ao Ministério sessenta por cento de tudo que possuía. Mesmo sabendoque o pai fora um ladrão que desviava verbas, Servilia nunca o odiou. Pelo contrário,sempre esteve do seu lado até o fim de sua vida. Sua mãe Charis, era a típica dona decasa que sempre se preocupava com o bem estar dos filhos, embora sempremostrasse ter uma gratidão maior por Calista. Servilia, de qualquer forma, só possuíaboas lembranças da mãe e nunca pensou em outra emoção para compartilhar com amãe a não ser o amor. A última foto era da própria Servilia. Ela estava apertando a mão do antigoMinistro da Magia, Pio Thicknesse. Era o momento de sua promoção a Chefe doQuartel-General dos Aurores. Servilia detestava Thicknesse, sabia que ele trabalhavapara Voldemort e que seu regime ministerial seria brutal e repleto de terror, mas ele– ou o Lorde das Trevas – confiava em Servilia e acreditava que ela poderia não serum empecilho para seus planos. Ambos estavam errados, Servilia sempre criavaproblemas para os Comensais da Morte, defendeu e ajudou Harry Potter durante edepois da guerra, sendo ela a aprisionar vários Comensais. Porém, Servilia viaaquela foto como um momento de glória pessoal. Sem nenhuma insinuação ouguerra. – Lorotas na cabeça, Servilia? – perguntou uma voz lenta e grave, que Serviliaidentificou como sendo a voz do Chapéu Seletor – Você ainda é a Crouch mais difícilque classifiquei. 44
  • 45. – Quanto a minha cabeça estou ótima. Só um pouco zonza por causa do vinho. –respondeu firmemente Servilia, sem se deixar enrolar pela voz melancólica dochapéu – Mas quanto a minha seleção, não vejo por que teria sido difícil de meclassificar. Afinal sempre demonstrei todos os requisitos para ser aceita na Sonserina. – Cada casa não possui requisitos e sim características que mais se assemelham a deseus fundadores originais. Quando disse que você foi difícil, significa que vocêpossuía todas as emoções das quatro casas e eu sabia que você se daria bem emqualquer uma. – o Chapéu se mostrava firme e dogmático, como se tentasseesclarecer melhor o passado sombrio de Servilia. – Então, por que a Sonserina? Por que não outra casa como Corvinal ou Grifinória? – O nome pesa. – soprou levemente o Chapéu Seletor como algo muito simples dese responder – Às vezes eu me deixo levar pelo nome de quem está sobre minha aba. – Às vezes. – repetiu Servilia em tom de gozação – Hoje você provou que somenteàs vezes você se leva pelo nome do aluno. – De forma alguma. – respondeu veementemente o Chapéu Seletor – Este anosomente li os pensamentos dos alunos e os classifique de acordo com cada um. Seique se refere a minhas surpresas deste ano, mas eu sei o que se passava sobre asmentes de Potter, Malfoy e Lestrange. E nenhum deles possuía os requisitosnecessários para ser escolhido para a casa que imaginavam. É verdade que Potterdemonstrava muita coragem, audácia e cavalheirismo, mas possuía ainda maisambição, astúcia, determinação do que as qualidades de um grifinório. Lestrangeprovavelmente nunca tomou conhecimento do passado tenebroso do pai por muitosanos, pois foi difícil detectar as características de um sonserino nele. Vi muito maiscoragem que ambição, mais audácia que astúcia. E se você percebeu o garotoLestrange não se mostrou decepcionado com meu veredicto final. Não mais que oProf Flitwick quando não coloquei a menina Weasley na Corvinal. – E quanto a Escórpio Malfoy? – Malfoy era completamente o oposto de Potter. Em quanto o menino Potter queriater o nome em um patamar mais alto que o do pai, Malfoy queria apenas ser aceitopela família. Queria mostrar que podia mais do que os outros acreditavam, que elepoderia ser um bom bruxo sem precisar esmagar os companheiros. Pensamentos deum grifinório. – E... – Servilia esperou alguns segundos, limpou a garganta e então prosseguiu –Quando você disse que o nome pesa... Quando foi que você selecionou um aluno porcausa de seu nome, e não por suas emoções? – Foi a mais ou menos quarenta anos. O garoto em questão estava muito ansioso,foi difícil de decidir por causa de tamanho nervosismo, a maioria de seuspensamentos estavam sendo bloqueados, não muito diferente do que Potter tentoufazer. O nome dele era Régulo Black, foi selecionado para a Sonserina, mas eu ainda 45
  • 46. me pergunto se foi o certo a fazer. A família Black, assim como a Malfoy, tem umlongo currículo de membros pertencentes à Sonserina. No ano anterior eu já haviaselecionado o outro filho de Walburga e Orion Black para a Grifinória, e tinha medoque ambos os pais invadissem a escola e me lançassem nas chamas. Então selecioneio mais novo para a Sonserina. Mas acredito que Régulo teria sido mais grandioso seeu o tivesse mandado para a Lufa-Lufa ou para a Grifinória. – Mas você é imune ao fogo. – afirmou Servilia. – Sim. Mas meu tecido fica formigando e eu odeio quando isso acontece. Já havia se passado duas horas desde que Servilia havia voltado da festa dosprofessores, mas ainda havia uma coisa que ela gostaria de fazer antes de mergulharsobre suas cobertas. Porém ela não o fez de imediato. Outra voz, também bastanteconhecida pela diretora, soou as suas costas. Ela parecia tão real que Servilia até seassustou, mas o dono desta não se passava de um mero retrato. – Como vai, Srª Diretora? – perguntou Alvo Dumbledore amigavelmente. – Vou bem, professor. Ainda tenho alguns papéis para organizar, mas estou muitobem. – Ah, os papéis! – suspirou Dumbledore – O maior pesadelo de qualquer diretor.Organizar e organizar toneladas e toneladas de papéis com as fichas, statussanguíneo, árvore genealógica, habilidades mágicas, notas antigas, pedidos dedetenção... Isso me tomou algum tempo e... Ah, parece que a reunião dos professoressobreviveu ao tempo. – Sim. É uma tradição que nós, professores, agradecemos muito por existir. É umahora que nós deixamos de nos olhar como colegas e nos vemos como amigos, bruxosexperientes que conversam sobre suas expectativas sobre o ano que se inicia... – Está a salvo. – disse uma voz sinistra e pesada, que Servilia reconheceu comosendo do retrato de Severo Snape, que pendia a suas costas – Está a sal... Snape se calou quando percebeu a presença da diretora no gabinete.Possivelmente, era mais uma de suas tramóias junto ao diretor Dumbledore. Ambostinham inúmeros quadros espalhados pelo mundo da magia, incluindo os locaismais importantes como o gabinete do Ministro da Magia. Mesmo Snape tendomostrado espanto ao encontrar Servilia, Dumbledore continuou a sorrir para a bruxacom uma naturalidade, até que sinistra. – Acho que deveríamos nos encontrar depois, Dumbledore. – aconselhou Snapesem tirar os olhos de Servilia – Está muito tarde, não seria oportuno... – Se minha presença o incomoda, Prof Snape, pode dizer diretamente. Sem maisdesculpas. – Não acho que uma novata como você poderia dar ordens a alguém como eu. –resmungou Snape por entre os dentes. Seus negros olhos fitavam cansativamente 46
  • 47. Servilia, quase sem piscar – Seu legado de bem feitorias não é tão longo quanto omeu. Além do mais, é Dumbledore quem dita às regras. – Ora, Severo. – riu Dumbledore mirando o retrato do colega diretor – Não digaisso como se eu fosse um ditador. Quanto a Servilia... Acredito que ela não será umobstáculo para nossas atividades, afinal não estamos fazendo nada que possa noscolocar em detenção. – Então, quem está a salvo? – perguntou Servilia inquieta – O que vocês estãotramando? E por que enviar Snape? – Há muitas respostas que somente o tempo poderá dar-lhe, Servilia. – afirmouDumbledore ainda com seu sorriso nada natural – Porém há outras que posso lheresponder. Primeiramente, como sabe que Severo se referiu a alguém e não a algoquando disse que está a salvo? Bem, seu raciocínio dedutivo realmente é muitoaguçado, pois realmente nos referimos a alguém. Há algum tempo percebi umaincomum perturbação ao redor de alguns membros do Ministério e resolviinvestigar, através de meus quadros. Somente Severo sabe o resultado de minhasinvestigações, mas posso adiantar-te que em um futuro elas se entrelaçaram comcerto xará meu. – Alvo Potter. – sussurrou Servilia convicta de que o antigo diretor se referia aofilho de Harry Potter. – Você acredita que somente o filho de Harry é xará meu? – perguntouDumbledore ironicamente – Dê uma volta pelo Departamento de Jogos e EsportesMágicos, informe-se sobre Alvo Ocklebell. – Sei que não se refere à Ocklebell, professor. – respondeu Servilia firmemente –Conheço Alvo Ocklebell e posso afirmar que você não teria nenhum interessenaquele biruta. – Dumbledore – interrompeu Snape – Ande logo com isso, Crouch pode seringênua e distraída, mas sei que não é idiota. – Ótimo. – sorriu o diretor levantando-se de sua cadeira e ajeitando os oclinhos demeia lua sobre seu nariz torto – Sim, Servilia. Alvo Potter está prestes a provar suaverdadeira coragem e habilidade com feitiços. Não será uma tarefa tão complicadaquanto à de Harry em seu primeiro ano, nem seu oponente será tão engenhosoquanto Voldemort, mas será um bom teste para o garoto. – Teste! – repetiu Servilia em um tom bravo de desaprovação – Chama isso deteste, Dumbledore! Potter pode morrer se enfrentar um bruxo mais experiente. Ogaroto não sabe nem estuporar alguém! – E este é seu dever, Servilia. – disse Dumbledore – Alvo está em Hogwarts paraaprender a se defender. E posteriormente, enfrentar outros bruxos. – Mas isso não é algo que se aprende da noite para o dia! – urrou Serviliaavançando e ficando cara a cara com a pintura de Dumbledore – Magia não é nada 47
  • 48. que se possa aprender de um dia para o outro. É um estudo de anos e que custarámuito de Potter! E de qualquer um! – E é você que deve ensinar aos jovens como o fazer. – afirmou Snape firmemente– Reclama de que Potter não sabe se defender, quando ensiná-lo é dever seu. Alémdisso, Harry Potter derrotou o Lorde das Trevas com apenas um ano... Quanto demagia uma criança já sabe nesta idade. – Vocês mais do que ninguém sabem que Harry só sobreviveu por causa da magialançada por Lílian Evans! Ela salvou Harry de Voldemort. Lílian, uma bruxa jáformada e ciente da magia. – Severo, lembra-se da noite em que Harry entrou em Hogwarts? – perguntouDumbledore tentando mudar de assunto – Lembra-se que os elfos prepararam umfantástico pudim de claras e ganso ensopado? Ah, foi na noite em que o Prof SilvanoKettleburn nos contava como havia perdido seu indicador direito enfrentado umdente-de-víbora do Peru, se lembra? – Não. – Ah é verdade. – suspirou Dumbledore – Você estava do outro lado da mesa,conversando com... o Prof Quirrell. Pobre Quirino, uma mente perturbada. Se assimposso julgá-lo. Quirino morreu naquele ano, sabe Servilia? – Já sei aonde você quer chegar, professor... – Quirino foi possuído pelo Lorde Voldemort, claro, ele o domou como umamascote. Foi no final do ano que Quirino morreu, foi derrotado por Harry Potterque... Não podia tocá-lo. – Mas, era Harry Potter, Dumbledore. – insistia a diretora – Não seu filho. Alvocom certeza não gostaria de ser comparado com o pai em tudo que faz. Alvo gostaráde ser ele mesmo, sem ter de viver grudado à sombra do pai. – Você está certa, Servilia. – admitiu Dumbledore fazendo menção em deixar suamoldura – Por hora, não há nada que Potter possa fazer, mas em breve ele enfrentaráesse inimigo e só seu próprio mérito dirá se ele será vitorioso ou não. – Só espero que não haja nenhum assassinato durante meu primeiro ano demandato. Ao fim da discussão, Dumbledore e Snape deixaram seus respectivos quadros deHogwarts. Servilia, por sua vez continuara em pé no centro de seu gabinete,observando as molduras vazias de seus antecessores. Ela passou levemente seu dedosobre a tela pintada a óleo de Dumbledore e sentia um frescor e uma sensação decoragem tomar todo seu corpo. Era como uma injeção de ânimo e coragem às veiasde Servilia. A diretora não parecia sentir medo ou sono, ela simplesmente sentia quetudo daria certo. Quando o sol começou a dar seus primeiros sinais de chegada, anunciando que amanhã estava prestes a começar, Servilia Crouch retirou sua cabeça de dentro da 48
  • 49. Penseira deixada por Dumbledore. Em seu testamento, Alvo Dumbledore deixoucomo patrimônio da escola seus inúmeros objetos metálicos e de latão barulhentos ea Penseira. Assim como os objetos de latão, a Penseira era guardada no gabinete dodiretor. Servilia já havia depositado algumas de suas lembranças sobre a soluçãolíquida contida na Penseira. A luz azulada vinda da Penseira iluminava o rosto dadiretora. Ela revivera um momento muito tenebroso de sua vida, um momento queela ainda se perguntava se havia feito a coisa certa. – Eles estão mortos. – chorou ela tocando a ponta de sua varinha na soluçãolíquida da Penseira – Não serviu de nada. Mas por que eu sinto medo da garota? Elanunca o conheceu, nem nunca vai saber o que ouve. Hoje eu estou por cima deles, eestou a alguns passos de me tornar Ministra da Magia. Só há uma coisa... Ela apontou a varinha para a própria cabeça e retirou uma película prateadailuminada e a misturou a solução da Penseira. Servilia mergulhou a cabeça naPenseira e começou a deixar aquele mundo monótono para chegar a outro nadadistante. Ela flutuou lentamente pelas paredes quentes do Salão Principal. Tãolentamente quanto antes, Servilia pressionou os dois pés sobre o mármore do salãoda escola. Ela olhou para os cantos e deparou-se com a cena mais confusa da noitepara a diretora. A poucos metros da diretora, estava um garoto magricela de cabelosnegros e olhos cobertos pelo tecido negro do Chapéu Seletor. Em poucos momentos,novamente, Servilia ouviu a voz dura e precisa do Chapéu Seletor. Seu veredictofinal ecoou novamente nos ouvido de Servilia. E novamente ela presenciou omomento em que o Chapéu Seletor gritou para todo o Salão Principal: ‚Sonserina!‛. 49
  • 50. Capítulo Quatro O Memorial de Hogwarts P or mais torturante que possa parecer o nome de Rosa Weasley foi um dos últimos a ser chamado. Mesmo que a grande maioria dos presentes acreditasse que Rosa seria selecionada para a Corvinal, o ChapéuSeletor continuou a arrasar corações e a selecionou para a Grifinória. Alvo ficou feliz que Rosa tivesse continuado a tradição dos Weasley em pertencera Grifinória, mas por um breve momento ele ficou chateado, pois um dos motivos deele ter cedido em não pedir para o chapéu para mandá-lo para a Grifinória fora o fatode acreditar que Rosa fatalmente seria mandada para a Corvinal. Finalmente o banquete da festa de início de ano fora servido, e Alvo teve de seconter para não parecer um esfomeado. Havia muita comida espalhada pela mesa daSonserina. Desde pratos que ele já estava familiarizado e os adorava, atécombinações que ele não arriscava em experimentar. A cada momento os fantasmasde Hogwarts começavam a aparecer para se juntar à festança, e Alvo pode notar queo Barão Sangrento, o fantasma da Sonserina, estava muito mais feliz do que quandoera mencionado nas histórias contadas pelos parentes de Alvo sobre os fantasmas.Isso se devia a um fato que acontecera poucos anos após a Batalha de Hogwarts. Emuma noite sombria, onde a chuva castigava os terrenos da escola, a Dama Cinzentachamou o Barão Sangrento para uma conversa nos arredores do segundo andar.Helena Ravenclaw estava disposta a perdoar o Barão Sangrento, perdoá-lo pelo fimtrágico que levou o amor louco do barão pela dama. Desde então o Barão Sangrentonão carrega mais suas correntes fantasmagóricas para cima e para baixo. Segundo oque os ex-alunos de Hogwarts contavam, as correntes branco-pérola do barãosumiram no exato instante em que a Dama Cinzenta o perdoou. Alvo queria perguntar a Isaac Prewett qual era sua relação com a família Weasley,mas ele, Alvo, era um dos alunos mais rodeados pelos demais. Todos os colegas maisvelhos de Alvo se esticavam e debruçavam sobre a mesa da Sonserina para poderouvir mais sobre as histórias do filho de Harry Potter. Alvo até entendia acuriosidade geral, sabia como era raro que alguém pudesse contar veridicamente oque acontecera com Harry, mas volta e meia, Alvo era obrigado a utilizar fatos queele lera nos livros do pai, pois ele mesmo não sabia se era verdade ou não. – É verdade que seu pai tem um hipogrifo tatuado no peitoril? – quis saber umaquintanista bastante interessada no assunto. – Não. Ele não tem nenhuma tatuagem. – respondeu Alvo para desânimo dagarota – Acho quem isso foi só um boato que espalharam na época que ele prestava osexto ano aqui em Hogwarts. Se não me falha a memória, foi minha mãe que oinventou. 50
  • 51. Com tantas perguntas a serem respondidas, Alvo quase não tinha tempo paralevar seu jantar à boca. Era torturante estar sentado à frente de um banquete dignode reis e não poder aproveitar nada. Porém Alvo se interessava pelas perguntasquando estas se distanciavam de Harry Potter e se voltavam para ele próprio. Alvoficava muito mais feliz e grato quando os colegas sonserinos perguntavam sobre suavida, e não sobre os antigos feitos do pai. Foi naquele instante que Alvo percebeuque ele possuía as características de um sonserino, pois Alvo queria que o foco detodas as perguntas fosse sempre ele, e não sobre o pai famoso. O melhor passatempo dos sonserinos no dia do banquete de início de ano eraperguntar e averiguar a árvore genealógica dos primeiranistas. Entre perguntas eespeculações a frase ‚Isso significa que somos primos” era a mais comum vinda dossonserinos. Afinal, as famílias de puros-sangues sempre optavam por seus filhos efilhas se relacionassem com outros bruxos puros-sangues, sendo inevitável que essasfamílias sempre possuíssem laços umas com as outras. – Prewett... Prewett... Prewett. Esse nome me é familiar. – garantiu Tibério Nottestudando os cabelos ruivos e a pele sardenta de Isaac – Prewett, Weasley. Tenhocerteza de que ambas as famílias tem laços genealógicos. – Bem, tem sim. – admitiu Isaac sorridente – Uma das filhas de um dos irmãos demeu bisavô se casou com um Weasley. Seu nome é Molly. Ela já me visitou uma ouduas vezes junto ao marido, mas isso foi só em quanto meu avô ainda estava vivo.Eles não eram muito próximos então era raro um visitar o outro. Aquilo acertou Alvo como se alguém estivesse lançado nele uma AzaraçãoFerreteante. Sua mente ficou clara como água e todos os seus pensamentos seorganizaram rapidamente dando a possibilidade de Alvo raciocinar ligeiramente. Avovó Weasley já havia mencionado uma vez que ela possuía um primo aborto filhodo irmão de seu pai. Como esse primo não fora incluído no mundo mágico, seus paisacharam melhor que seu contato com o mundo bruxo fosse o menor possível. Os paisdesse primo aborto, Inácio e Lucretia, não tratavam mal esse filho – como a maioriadas famílias de puros-sangues fazia – eles o matricularam em uma escola trouxa e odeixaram viver sua vida comum, sem nenhum poder mágico. Quando mais adultoesse primo da vovó Weasley voltou a procurá-la quando descobriu que sua filhamais nova havia sido aceita em Hogwarts. Depois desta procura, a vovó Weasley seaproximou um pouco mais desse primo, mas depois de sua morte as famíliasvoltaram a quase nunca se comunicar. Por um momento Alvo ficou calado. Não esperava encontrar um primo em seuprimeiro dia de Hogwarts. Aquilo parecia um tanto assustador e ele tinha medo de areação de Isaac ser negativa, mas mesmo assim ele tentou. – Isaac – o sussurrou de um modo quase imperceptível – essa Molly é minha avó. 51
  • 52. Isaac não respondeu. Parecia que ele havia tomado uma descarga elétrica que oimpossibilitara de falar. Ele deixara o garfo cair no chão e só o ecoar do metalbatendo no mármore fez com que ele despertasse do transe. – Pelas cuecas de Merlim! – berrou ele derramando seu suco de abóbora sobre amesa da Sonserina, deixando o líquido percorrer toda a madeira até cair do outrolado, onde estava Nott. – Minha primeira noite em Hogwarts e... Já tenho um primofamoso! – Olha aboca, Prewett. – resmungou Nott fazendo referência a expressão de Isaac –E olha que lambança! Eu ainda não aprendi o Feitiço Anti-Mancha. Quando a cera das milhares de velas que cobriam o teto do Salão Principalcomeçaram a derreter sobre as cabeças dos alunos, a diretora Crouch tomouconhecimento que o banquete estava próximo do fim. Mesmo sendo apenas meianoite, a diretora possuía compromissos inadiáveis, que só poderiam ser realizadoscom o fim da comemoração. – Bem, – começou ela erguendo-se uma última vez de sua cadeira como diretora eencarando os estudantes em suas respectivas mesas – que noite, hein? Antes de nosdespedirmos e rumarmos para nossos aposentos a fim de testarmos os novos Feitiçosde Relaxamento que lançaram sobre nossas camas, gostaria que todos nos uníssemospara relembrar uma antiga tradição da escola que não se é repetida há algum tempo.Pensem na música que mais gostem e cantem a hino de Hogwarts! Entre sussurros de desaprovação e cansaço, os Hogwartianos se levantaram dasmesas prontos para cantar o hino da escola. Alvo não esperava que fosse obrigado acantar o hino em seu primeiro ano. Como dizia a tia Hermione, a cantoria do hino deHogwarts fora esquecida através dos anos, que era raro que um diretor se lembrassede ordenar que os alunos o fizessem. Mas de um jeito ou de outro, a diretora Crouchhavia se lembrado desse, e os alunos deveriam cantá-lo. A Profª Crouch retirou sua varinha de dentro de suas grossas e negras vestes eAlvo se encantou com a graciosidade do artefato. A varinha não era muito regularcomo a dele, lembrava a antiga varinha de Belatriz Lestrange que ele vira uma vez,largada em um armário cheio de tralhas da casa do tio Rony e da tia Hermione. Adiretora começou a apontar a varinha de um lado para o outro, como se espantasseum enxame de abelhas raivosas. Em poucos instantes, uma longa fita de cetim tãoleve e frágil quanto à pura neve que cai dos céus se formou à cima das cabeças dosprofessores. – Com ritmo, por favor. – ela respirou profundamente e começou a comandar osalunos como um maestro conduz seus subordinados para que juntos pudessemapresentar um espetáculo aceitável. 52
  • 53. “Hogwarts, Hogwarts, Hoggy Warty Hogwarts,Nos ensine algo, por favor,Quer sejamos velhos e calvosQuer moços de pernas raladas,Temos as cabeças precisadasDe idéias interessantesPois estão ocas e cheias de ar,Moscas mortas e fios de cotão.Nos ensine o que vale a penaFaça lembrar o que já esquecemosFaça o melhor, faremos o resto,Estudaremos até o cérebro desmanchar" Nenhum aluno de Hogwarts terminou de cantar o hino no mesmo tempo.Primeiro terminaram os professores, que de uma maneira excepcional cantaram amelodia da escola com uma perfeição sobre-humana. Em quanto isso os alunos maisvelhos ainda cantavam a primeira parte do canto. A grande maioria dos novatos nemao menos tentou cantar a melodia, com exceção de Rosa, os primeiranistas apenasrepetiam alguns refrões ditos pelos mais velhos. Mesmo por baixo de uma cantoria desigual e desuniforme, a diretora Crouchpareceu satisfeita com o resultado final da melodia. Ela fez uma ligeira reverênciafinal para os estudantes, e os liberou para que pudessem seguir para seusdormitórios. – Primeiranistas sonserinos, sigam-me. – ordenou o monitor da Sonserina semmuito ânimo. Alvo identificou o monitor parrudo, com rosto desanimado de furãocomo o irmão mais velho de Tibério Nott – O caminho até as masmorras não é nadamuito fácil. Vocês terão de prestar atenção se não quiserem se perder em nossasmasmorras. – Muito confortante. – murmurou Isaac perto de Alvo – Até que fui com a cara doTibério, mas ele e o irmão não se parecem em nada! Tibério é até social, mas esse talBruto é a personificação do desânimo! – Não o julgue mal. Todos nós estamos cansados, talvez ele como monitor estejamais cansado do que... Alvo foi interrompido pela visão de um grifinório aparentemente histérico emchamar sua atenção. Do outro lado do Salão Principal, Tiago saltava de um pé aoutro balançando as mãos rapidamente tentando chamar a atenção do irmão maisnovo. Alvo não poderia imaginar quais eram as intenções de Tiago, mas não tardouem se aproximar do irmão para averiguar. – Al, o q... o que aconteceu? – gaguejava Tiago apontando freneticamente para oexato posto onde há algumas horas atrás estava o banco de quatro pés com o Chapéu 53
  • 54. Seletor – O que você fez para... – ele encheu os pulmões com ar para finalmente falaro que parecia ser inacreditável – Ser mandado para a Sonserina! Por quê? O pai nãohavia dito que o Chapéu Seletor não o mandaria para a Sonserina se você não oquisesse? Ele não disse que você poderia escolher a Grifinória?! – Sim, ele disse. Mas eu não o fiz. – retrucou decididamente Alvo, porém em umtom tão natural que dava até calafrios – Eu percebi que eu poderia fazer mais quesimplesmente escolher. – Mas por que a Sonserina? – Tiago continuava impaciente, e mesmo sem tercontrole sobre seus atos ele agarrou os ombros de Alvo com toda a sua força, comose esperasse que o irmão fugisse com medo. – C-calma, irmãozão! – gritou Alvo tentando se desvencilhar das garras de Tiagoque o prendiam cada vez mais – Esse é o lado mandão dele! – gritou Alvo paraninguém – deve ser o sangue de mamãe fervendo o cérebro. – Sonserina! – rangeu Tiago entre os dentes. Seus olhos não paravam de tremer,como se a raiva começasse a domar seu corpo e ele lutasse contra ela ao mesmotempo em que segurava Alvo – Alvo, com tantas casas, a S... – Sonserina! – completou Alvo já sem paciência – A mesma Sonserina que vocêrepetiu o verão inteiro. Aquela da música ‚Alvo, Alvo, Alvo. Cuidado com o que pensacom o que você vai sentir, ou sem querer na Sonserina você vai cair!” Ela lhe é familiar? – Epa! – contestou rapidamente Tiago, soltando suas mãos dos ombros retorcidosde Alvo e o fuzilando com o olhar – Não jogue a responsabilidade para mim. Comose fosse eu o responsável por você estar na Sonserina. Como se eu estivesse oatiçando. – Em momento algum eu o disse. – Espere... Você disse que podia escolher e... Você não escolheu a Sonserina paraimplicar com Escórpio Malfoy, não é? Você não quis ir para a Sonserina porqueEscórpio foi para a Grifinória, não é verdade? Alvo revirou os olhos. – Em momento algum pensei em Malfoy. Deixe-me em paz, ok? Se Malfoy ocupasua casa não é problema meu! Como eu poderia adivinhar que Malfoy seria enviadopara a Grifinória, ah? Como poderia saber que o Chapéu Seletor faria tantasextravagâncias esse ano? – Eu não desgrudei os olhos de você um momento sequer, Al. – admitiu Tiagodando um passo para trás – Desde que você entrou no salão. Eu te estudei a cadapasso. Vi seus olhos brilharem quando Escórpio foi para a Grifinória. E escolher aSonserina por causa de um capricho... Isso afeta toda a sua vida educacional! – Não é um capricho! – berrou Alvo vermelho. Seus olhos tentavam desviar dasfuziladas lançadas por Tiago, mas ele queria mirar no irmão da mesma forma,porém, os olhos míopes de Tiago pareciam ter mais facilidade em espingardear Alvo 54
  • 55. sendo poucos centímetros mais altos – E eu não escolhi a Sonserina! O Chapéu quisassim. – Mas o pai disse para você... – Eu não quis escolher, Tiago! Pensei que era mais safo que isso! – Alvo bufavasem nem ter conhecimento deste. Seus punhos estavam cerrados com tanta força queesses latejavam de tanta dor, mas Alvo nem se quer tinha consciência de seus atos –Vai ver o chapéu não queria que eu fosse para a Grifinória. E simples entender! – Eu não queria me separar de você! – fora como descarregar inúmeras bagagens dascostas de Tiago. Como se ele estivesse carregando sozinho toda A Toca sobre seusombros e então a soltar. – Eu não queria que você fosse para a Sonserina. – Não? – Alvo não parecia surpreso, ele olhava para o irmão em um tom gozador –Não me pareceu o verão inteiro que você quisesse que eu não fosse para a Sonserina.Todas as músicas, todas as piadas... – Talvez, somente talvez, eu tenha exagerado, mas... Eu só queria te amolar, Alvo.Tem hobbie melhor para um irmão mais velho que chatear o mais novo? Isso é paraimpedir que você zombe de mim. Como fez quando soube que não fui aceito para otime da Grifinória. Afinal de contas, eu sempre o farei e irei, hein? Alvo girou novamente os olhos. Seus músculos estavam mais relaxados e calmos,ele não queria mais fuzilar o irmão, apenas abraçá-lo. –Esqueça. – pediu Alvo estendendo a mão para Tiago – Não há mais nada quepossamos fazer para mudar o passado. Os tempos são outros. Outra coisa que foidita pelo pai na plataforma foi que caso eu me tornasse um sonserino, que a casahaveria ganhado um excelente estudante. Você ainda pode ser o chefe e capitão daGrifinória, correto? Tem poder para isso. Enquanto isso, eu uso minha magia paracontrolar a Sonserina, e em breve seremos os manda-chuvas de Hogwarts. O que mediz, ah? O poder sempre junto aos Potter. Tiago olhou alegremente para o irmão. Ainda se sentia chateado por não podê-loacompanhar até a Torre da Grifinória, mas timidamente ele aceitou o cumprimentode Alvo, agarrando seu braço e o abraçando discretamente. – Seu vermezinho... Seu poder de persuasão é realmente bom. Tem certeza de queposso confiar no que disse? Alvo encolheu a cabeça sobre os ombros. – Claro que não. – Alvo deu as costas para o irmão e começou a seguir o caminhoantes traçado por Bruto Nott, mas por outro breve momento ele se deteve – Mas,Tiago. Não conte para o papai nem para a mamãe, tá bom? Eu gostaria de dizer-lheseu mesmo. Se você o fizer... posso mencionar em minha carta que você nem retirouos óculos que a mãe te deu da caixa. – Cale a boca, seu pequeno verme sonserino. – riu Tiago também dando as costaspara o irmão e seguindo o caminho oposto ao de Alvo. 55
  • 56. Quando os irmãos Potter haviam terminado sua discreta discussão às portas doSalão Principal, o grupo de primeiranistas sonserinos guiados por Bruto Nott e suaparceira monitora já estava bem distante de seu ponto de partida. Alvo sabia quecaminho deveria tomar para chegar até as masmorras – algumas horas cercado porsonserinos lhe proporcionou ganhar tal conhecimento – mas dentro delas, Alvoestaria tão perdido quanto um rato em um labirinto. Para não se perdercompletamente do grupo, Alvo começou a correr pelos corredoresdesesperadamente, ansiando que não chegasse depois do grupo de calouros. Elepodia ouvir as vozes dos alunos mais velhos que já seguiam para seus dormitórios,suas vozes continuavam altas e alegres, em quanto seus passos pareciam lerdos epesados, mas Alvo estava preocupado em encontrar seus companheiros e não maisalgum conhecido. Para alívio do sonserino, Alvo encontrou o grupo de novatos quando estescomeçavam a descer as escadas de caracol que davam para as terríveis e escurasmasmorras. Rápida e discretamente, Alvo se postou ao final da fila deprimeiranistas, podendo enxergar apenas a ponta do chapéu cônico que Bruto usavapara se identificar como monitor. Alvo tentou abrir espaço entre os primeiranistas,tentando encontrar Isaac Prewett ou algum outro colega que ele fizera amizadedurante o banquete, mas um trio de sonserinas batia o pé e usavam todas as suasarmas para impedir que Alvo as passasse. Era o grupo mais distinto de amigas que Alvo poderia imaginar encontrar emHogwarts. Ele sabia que assim como a gangue de Draco Malfoy, outrascompletamente desiguais se espalhavam pela escola. Geralmente um dos membrosdo grupo se intitulava o líder, e na maioria das vezes ele era o mais esperto de todos.Junto deste, sempre estavam seus amoladores, aqueles que sempre se viam comosubordinados e tinham como principal característica apenas elogiar o dito líder. Epara completar sempre, sempre havia algum aluno tipo guarda-costas. Aquele gordoou forte que sempre gostava de resolver seus problemas a partir de brigas e quepossuía apenas dois neurônios ativos. Discretamente, Alvo estudou a fisionomia das garotas e rapidamente conseguiudiscriminá-las através do que viu pela seleção. A garota do meio possuía cabeloslongos e oleosos que escorriam por seus ombros; até formarem uma linha retamilimetricamente igual. Seus olhos eram marrons como chocolates ao leite causandoatrações até em Alvo, mas ele pode pressentir que a garota não poderia ser flor quese cheirasse. Alvo a reconheceu como Valerie Rosier, uma garota extremamenteatraente, com seu sorriso quase que perfeito e seus olhos hipnotizantes, mas Alvopercebeu durante o banquete que Rosier possuía um gênio forte, que gostava demandar e que possuía um temperamento instável. Não muito diferente de como seupai havia descrito o temperamento de Draco Malfoy. À esquerda de Rosier estava 56
  • 57. uma garota muito alta e forte. Ela possuía farelos de comida em suas vestes e umcabelo castanho um tanto despenteado. Alvo lembrou rapidamente o nome damenina, Isla Montague. À direita estava uma menina de cabelos longos e escuros queescorriam pelos ombros e, diferente dos de Valerie, formavam uma reta bastantedesigual. Héstia Pucey parecia estar muito concentrada em decorar o caminho pelasmasmorras para dar passagem à Alvo. Ele então desistiu de avançar e continuou aseguir os monitores atrás das três garotas. – É muito importante que vocês prestem atenção em que portas estão entrando. –aconselhou a monitora sonserina por cima do ombro – Há inúmeras passagens quedão para todo e qualquer canto da escola. Fiquem atentos! Neste exato momento ela guiava o grupo de primeiranista por um corredor repletode portas de todos os lados, tamanhos e espessuras. Depois os monitores seguirampor mais um lance de largas escadas negras e escorregadias até pararem em umcorredor vazio, sem nenhuma armadura ou passagem, somente um quadro de umacobra metálica enorme, esculpido na parede oposta. – Quer fazer as honras? – perguntou Bruto de uma forma caridosa a colegamonitora. A garota de cabelos crespos e loiros arregaçou as mangas bravamente, fazendovárias dobras até que estas passassem por sua mão. Em seu dedo indicador estavafixado um grande anel prateado com uma pedra de esmeralda cravado em seucentro. A monitora mostrou o anel aos primeiranistas e os tranqüilizou, falando quedentro de alguns minutos todos possuiriam os seus. – Ele é como uma chave. Se o perderem, ficarão trancados fora da sala comunal, edemora até fabricarem outro parecido. – alertou a monitora dando as costas para osalunos do primeiro ano e encarando a serpente como se esperasse que ela abrisse aporta sozinha. – Quem essstá ai? – perguntou uma voz fria e sinistra que ecoou melancolicamentepelos ouvidos de Alvo. Por mais assustador que pudesse parecer, Alvo teve de seconformar quando percebeu que o chiado vinha do quadro da cobra. – Flora Palmer. Sonserina, quintanista. – apresentou-se a monitora. – E Bruto Nott. Sonserino, também quintanista. – E essesss pirralhos? – insistiu a cobra estudando os primeiranistas através de seuolho cego. – Eles são nossos primeiranistas, Hamm... Nós nos responsabilizamos por eles. –gaguejou Bruto. Relutante, o retrato da cobra permitiu que Flora Palmer pudesse cravar suaesmeralda no olho cego da serpente. Conforme Flora girava o punho, por trás doquadro metálico, uma série de complicados ruídos, estrondos e cliques podiam serouvidos pelos primeiranistas. 57
  • 58. – Sssenha? – pediu a cobra ingenuamente, como se nada houvesse acontecido. – Humpf. – bufou Bruto socando discretamente a parede de pedras ao seu lado –Linhagem Pura. Finalmente, com um estrondo e um baque pesado a porta se abriu. A sala comunal da Sonserina não era muito mais calorosa que o restante dasmasmorras. É verdade que as labaredas verdes que dançavam na chaminé davamuma sensação maior de aconchego, mas mesmo assim o frio era constante. A salacomunal da Sonserina também contava com um grande e gótico conjunto mobiliárioque Alvo imaginara que havia sido vendido pelo Conde Drácula. Os sofás quecontornavam a chaminé eram negros e com grossos botões de caveiras; havia váriascortinas verdes com o símbolo da casa gravado em cada uma. Nas paredes haviainúmeras pinturas a óleo de bruxos e bruxas descendentes de Salazar Slytherin, alémde uma enorme pintura com o retrato do fundador. Também encostados nas paredesestavam grandes armários de madeira negra que chegavam a tocar o teto. Mesmocom o passar dos anos, a sala comunal da Sonserina continuava com os ares e umadecoração dos tempos medievais. – O dormitório feminino fica nos primeiros andares daquelas escadas à direita e odos meninos à esquerda. – informou Flora Palmer em quanto os primeiranistas seagrupavam em torno do centro da sala comunal – O café da manhã será servido apartir das sete horas da manhã e tem duração até as onze. – Amanhã todos vocês terão o dia livre. – completou Bruto Nott para a alegria dosalunos de primeiro ano – Podem explorar os terrenos o quanto quiserem, mas meuconselho é não se meterem com Pirraça. – O poltergeist? – perguntou uma voz feminina no fim do aglomerado de alunos. – O próprio. – afirmou Bruto balançando a cabeça – Filch está a cada ano maiscaduco em função dele e o Barão Sangrento não suporta mais ter de ser chamadopara controlar aquela peste. Com isso o grupo de primeiranistas sonserinos foi liberado para seguir para seusdormitórios ou ficar e aproveitar a primeira noite na sala comunal. Os alunos maisvelhos não demonstravam o mínimo interesse em se recolherem para seusdormitórios. Eles andavam de um lado para o outro conversando e se divertindo. Emuma mesa mais ao centro da sala comunal, três alunos estavam debruçados no planoredondo tentando sintonizar um antigo rádio-bruxo em alguma estação que tocassealguma música agradável. No outro extremo da sala havia uma enorme porta depinheiro com grandes maçanetas de prata. Alvo não sabia o que estava acontecendopor trás desta porta, mas pode deduzir que era algo barulhento, pois estrondosrepetitivos e chiados de metal se chocando contra uma superfície sólida podiam serouvidos mesmo com todo o tumulto da sala principal. 58
  • 59. Os olhos e músculos de Alvo latejavam, sua vontade de seguir o conselho dadiretora Crouch em ir para seu dormitório e testar os novos Feitiços de Relaxamentolançados sobre as camas, era tentadora. Quando ele fez menção em subir às escadasse surpreendeu com o grande número de colegas primeiranistas que também ofizeram. Somente um pequeno grupo de novos sonserinos permaneceu na salacomunal. A maioria deles possuía irmãos ou irmãs, primos ou primas mais velhos ejá enturmados entre os sonserinos. Os demais primeiranistas seguiam em uma caçaimplacável para conseguir os melhores quartos reservados a eles. De repente, Alvosentiu um forte aperto no ombro direito e sentiu seu corpo ser puxado para trás. Emmenos de dez segundo ele havia sido empurrado para dentro de um dos dormitóriospela figura maliciosa de Isaac Prewett. Depois de piscar várias vezes os olhos para que estes se adaptassem a novaclaridade do dormitório, Alvo percebeu que perto deste a sala comunal era umexcelente lugar para se morar. O dormitório masculino da Sonserina era um lugargrande, frio e macabro, mas que com o tempo poderia ser tornar um lugaraconchegante para se dormir. O chão parecia ser submerso em quanto o teto erabaixo e iluminado por lanternas em formas de sinistras gárgulas; várias cabeçasempalhadas de criaturas das trevas e elfos domésticos eram ostentadas comoprêmios de grandes e vitoriosas caçadas; as janelas, que refletiam a luz submersa dalua, eram bem grossas e com vitrais de bruxos ostentando grandes vitórias contracriaturas gigantescas e contra trouxas aparentemente idiotas. As camas eram grandese confortáveis, imaculadamente arrumadas e engomadas. Cortinas verdes escorriampelas bases das camas possibilitando que aquele que estivesse na cama pudesse seesconder dos demais companheiros. – Eu também me assustei. – admitiu Isaac ao perceber que a atenção de Alvotambém fora chamada pela estranha e irregular cabeça de elfo entalhada poucoscentímetros à cima do banheiro – Eles levam tudo muito a sério. – Mas é melhor se acostumar. Meu pai, disse que nos dormitórios do quarto ano hácabeças de dragão reais! – disse um alto e loiro que Alvo não havia notado. – Ah,desculpem, Pritchard... Lucas Pritchard. Lucas saiu de perto de sua inocente cama e se dirigiu ao encontro de Alvo e Isaac.Timidamente Lucas estendeu a mão para os dois e sem pestanejar apertou a dos doiscompanheiros. Lucas era alguns centímetros mais alto que Alvo, possuía cabelosloiros arrepiados e um sorriso malicioso no rosto. Alvo pensou que Lucas era umexímio jogador de xadrez, pois ele os encarou como um jogador que estava prestes adar xeque-mate no oponente e Alvo conhecia este olhar, já o vira várias vezes vindodo tio Rony e de Rosa, durante as frustradas tentativas de Alvo em vencê-los emuma partida de xadrez de bruxo. 59
  • 60. – Vocês não precisam se apresentar. Já ouvi bastante a respeito de vocês,principalmente do magricela. Alvo Potter, não é? – Lucas lançou outro olhar dejogador de xadrez para Alvo pouco antes de voltar a desfazer seu malão – Não édifícil identificá-lo, Alvo. Como dizem você é igual ao seu pai, quando criança, e eujá vi várias fotos dele. Agradeço isso a meu pai, ele é escritor e tem de escrever livrose livros sobre a recente História da Magia. Humpf, recente... Quero dizer de cem anosaté hoje. E o ruivo, simples... Não é um Weasley porque nunca viverei para ver umna Sonserina. Logicamente, você deve ser o famoso Prewett, estou certo? – Famoso? – repetiu Isaac, abobalhadamente. – Qualquer um que tenha laços familiares com os Potter podem se chamar porfamosos. Diferente de você Prewett eu tenho uma boa mente e uma memóriafotográfica. Se alguém como você, por exemplo, me pedisse para passar o molho dechurrasco eu me lembraria de seu rosto por, no mínimo, uma semana. Ou seja, tãosedo não me esquecerei que estava ao seu lado durante o banquete de início de ano eque você contou para Alvo e para Nott sobre sua árvore genealógica. Naquele momento Alvo concluiu que Lucas poderia ser um bom amigo, sempredisposto a enfrentar qualquer linha de frente para proteger um companheiro,contudo percebeu que ele era um tipo de pessoa que sempre gosta de fazer as coisasda maneira correta. Sempre tentando agir dentro das regras e das leis, mas que nãopensaria duas vezes antes de sacrificar todos os seus peões para poder proteger o rei. Antes que Isaac pudesse fazer novas, longas e difíceis perguntas para Luca, a portado dormitório se abriu. Dois meninos bem distintos entraram sorrateiramente noquarto. O primeiro era quase tão alto quanto Lucas, tinha cabelo negro e ralo e pelenegra. O outro era dentuço e feio, possuía um par de olhos meio esbugalhados e umsorriso – mesmo que amigável – muito desagradável. – Tem espaço sobrando? – perguntou o garoto negro olhando freneticamente paraas duas camas ainda arrumadas. – Dois galeões por pessoa. – disse Isaac dando um salto e estendendo a mão paraos novos companheiros – É a taxa. O garoto negro revirou os olhos e fingiu não ter percebido a presença de Isaac.Alvo notou que o menino moreno não se dirigia a Isaac ou Lucas, e sim a ele, Alvo. – Digam seus nomes e espalhem sua bagunça. – respondeu Alvo abrindo o seumalão e jogando seus pares de meias, dentro do criado mudo chato ao lado de suacama. – Zabini. – respondeu o garoto em tom rígido – Antônio Zabini. – E eu sou Perseu. Perseu Flint. – disse o dentuço. Rapidamente Alvo estudou a fisionomia dos dois novos colegas de dormitório enão demorou muito para ele perceber as semelhanças entre os dois primeiranistas eseus respectivos pais. Antônio tinha a mesma aparência severa e rígida de seu pai, 60
  • 61. Blásio. Seus olhos negros eram tão observadores quanto os de Lucas, mas Alvo tiveracerteza de que sua memória não era tão fotográfica quanto à do jogador de xadrez. JáPerseu era praticamente a cópia de seu nem tão brilhante pai Marcos. Alvo conheciabem a história de Marcos Flint, o aluno brigão que repetira o ano em Hogwarts e quetivera uma rápida passagem pelos Falmouth Falcons. Marcos fora banido doQuadribol profissional por ter adaptado sua vassoura para que esta pudesse,eventualmente, estuporar seus adversários. A primeira vista, Perseu não parecia serdo tipo tão estúpido como o pai e diferente de seu gêmeo Teseu, ele se mostravaamigável, mas bastante bobo. Como Alvo imaginara, ele e seus colegas de quarto não mergulharamimediatamente para debaixo de suas cobertas. Os cinco sonserinos se mostrarammuito curiosos e entusiasmados em saber como era a vida do outro. A troca deinformações ocorrera demasiadamente bem – até melhor do que Alvo imaginara –pois sabia das antigas rivalidades entre algumas das famílias dos presentes. Durante as primeiras horas no dormitório da Sonserina, Alvo pode saber sobre aprimeira explosão mágica de Isaac. O garoto de cabelos cor de fogo contara aosamigos como destruíra a louça de sua mãe e quão feliz deixou seu falecido avôquando ele descobriu que o neto herdara habilidades mágicas. Antônio contou semdificuldades como era sua vida na Mansão Zabini. Depois de alguns anos, os pais deAntônio finalmente conseguiram se instalar em suas duas mansões: uma na Grã-Bretanha e outra na França. “Para minha mãe não perder o contato com meus avós.” Lucasnão tardou em explicar como era exaustiva a vida de seu pai em relatar os maisrecentes acontecimentos do século. Ele disse que o pai passava a maior parte dotempo sentado junto a uma máquina de escrever encantada. Mesmo assim Lucasacrescentou que ele e o pai possuíam uma relação amigável e que pelo menos duasvezes por ano eles saiam para viajar juntos. Perseu se mostrou muito alegre emrelatar sobre suas experiências quando criança, sua primeira explosão mágica e aprimeira vez em que ele montou na antiga vassoura do pai. Porém, Perseu nãoparecia estar satisfeito por estar contando histórias sobre ele, e sim, por terconquistado novos amigos logo em seu primeiro dia em Hogwarts. Por um brevemomento, Alvo notou que Perseu não era muito amigo de seu irmão gêmeo, pois eleraramente mencionava seu nome, preferia rotulá-lo apenas como ‚meu irmão”, bemdiferente de como Alvo fazia, sempre dizendo os nomes de Tiago e Lílian. Sem sombra de dúvidas nenhuma história foi mais aguardada e mais bem seguidapelos ouvidos dos sonserinos do que a de Alvo. Ele contara como era difícil ser filhodo famoso Harry Potter, de como era chato ser sempre apontado como o filho deHarry, mas também de como ele gostava de ser filho do Menino Que Sobreviveu.Alvo também contou como era ser filho de um ex-membro das Harpias de Holyhead.Contara que geralmente a mãe conseguia entradas no camarote para assistir os jogos 61
  • 62. oficiais da Liga de Quadribol, embora ele geralmente não os visse junto de Gina, poisela tinha sua cadeira cativa junto aos repórteres do Profeta Diário. Já era bem tarde quando as luzes do dormitório dos garotos da Sonserinafinalmente se apagaram. Com uma sensação de prazer que nunca havia sentidoantes, Alvo cobriu-se com o grande lençol verde de sua cama, e em menos de dezminutos já havia adormecido. Na manhã seguinte Alvo acordou realmente cedo. Seu dormitório era iluminadoapenas por uma fria e tímida lâmpada de uma das gárgulas. Nenhum outrocompanheiro sonserino estava acordado, mas Alvo sabia que era praticamenteimpossível que alguém pudesse acordar às cinco da manhã depois de ter ido dormirquase que as três. Mesmo depois de desperto Alvo não queria sair de sua cama. O aconchego dotravesseiro o dominava e impedia que ele encontrasse forças para se levantar. Omesmo fazia os lençóis que o dominavam tão fragilmente. Por fim alguns minutosdepois de acordado, Alvo tomou coragem e saltou para fora da cama. Seus pésdescalços tocaram a madeira fria do dormitório fazendo todo o corpo do garotoformigar. Lentamente, Alvo se dirigiu até seu malão e poupando suas forçar retirou umconjunto casual de roupas bem do fundo da mala. No regulamento de Hogwarts osalunos e alunas não poderiam utilizar vestes trouxas nos corredores durante operíodo de aulas, porém nada os impedia de usá-las nos final de semana e, assimcomo naquela manhã, nos dias de folga e nos feriados. Bem diferente da noite anterior, a sala comunal da Sonserina estava tomada porum incomum e monótono silêncio. A estrutura gótica medieval ainda dava certosarrepios na nuca de Alvo, mas conforme ele se movia pelos aposentos, estudava osretratos dos descendentes de Slytherin e alisava as esculturas decorativas, seu medoe arrepios começavam a se dissipar, assim como já havia feito o fogo na chaminé. Aproveitando o aparente silêncio e solidão, Alvo decidiu que aquele seria amelhor hora para escrever para os pais. Ele queria se assegurar que seria o primeiro arelatar para os pais os acontecimentos da noite anterior. Claro que Alvo os poupariada discussão entre ele e Tiago, mas escreveria sobre a insatisfação do irmão. Silenciosamente Alvo espreitou pela sala comunal abrindo e fechando todos osgrandes armários espalhados pela sala comunal. A maioria deles continha objetospara auxiliar os alunos no preparo de seus deveres de casa. Havia desde tubos deensaio para poções até livros de feitiços e encantamentos. Porém sem muito esforçoAlvo encontrou em um canto remoto de um dos armários um pergaminho aindalimpo, um tinteiro fechado e uma pena recém comprada. 62
  • 63. Alvo dirigiu-se até uma mesa remota em um dos cantos da sala comunal.Rapidamente ele desenrolou o pergaminho e o espalhou pela mesa, da mesma formaele destampou o tinteiro e não tardou em mergulhar a pena sobre esse. Caros papai e mamãe Cheguei são e salvo à Hogwarts e foi ótimo! Era como se todos os meus sonhos se tornassemreais ao mesmo tempo. Vi o professor Longbottom, mas não tive oportunidade de falar com ele.Já Hagrid, esse sim, eu pude falar com ele pouco antes de chegar à escola. Mesmo tendo tido somente uma noite aqui na escola eu já fiz alguns novos amigos e todossão muito legais. Quanto à seleção, poso dizer que os alunos e professores tiveram algumas surpresas comrelação aos primeiranistas. Alguns novos estudantes, assim como Luís, não revelaramnenhuma surpresa, mas outros, como Escórpio Malfoy, foram uma grande surpresa. Feliz ouinfelizmente eu também fui uma das surpresas. Pensei muito no que você me disse na plataforma, pai, e cheguei à conclusão de que poderiadeixar o Chapéu Seletor me selecionar segundo o meu eu interior. Bem lá vai... sou umSONSERINO! É verdade, eu também fiquei surpreso quando ouvi o chapéu o anunciar, mas depoiscompreendi que você estava certo pai e não é mais mágico ser da Grifinória do que daSonserina. Depois de todos os anos que vocês passaram fora de Hogwarts, acho que aSonserina mudou um pouco desde então. Claro que ainda há muita rivalidade e sentimentos‚puros‛, mas acho que posso sobreviver. Quanto à reação dos nossos tios e tias, não me surpreenderia se o tio Rony não mereconhecesse mais como sobrinho, mas se Tiago me aceitou como sendo da Sonserina, não vejopor que o tio Rony não o faça. Abraços e beijos, Alvo. Depois de reler a carta que havia escrito Alvo convenceu-se de que ela já estavademasiadamente boa e bastante esclarecedora. Cuidadosamente ele dobrou a carta ea guardou em um envelope, depois o selou e guardou-o no bolso da calça jeansdisposto a levá-la em segurança até o Corujal. Conforme a manhã tomava conta da paisagem externa de Hogwarts o calorpossuía os corredores e salas do castelo. Era uma manhã agradável típico de umoutono deleitoso. Alvo não imaginava que os corredores de Hogwarts parecessemdez vezes maiores quando não estavam abarrotados de estudantes e dominados porum silêncio incomum. Quando deixou as escadas de caracol que davam para foradas masmorras Alvo encontrou a figura espectral do Barão Sangrento flutuandopelos cantos de uma maneira bastante monótona. Ele sussurrava alguma melodia 63
  • 64. que Alvo interpretou como um dos sucessos da antiga banda as Esquisitonas.Quando o viu, O Barão Sangrento limitou-se a acenar com a cabeça branco-pérolapara Alvo, que o retribuiu. Volta e meia, Alvo encontrava um ou dois elfos domésticos esfregando as paredese o mármore dos corredores de uma forma tão satisfeita que nem parecia queexecutavam tarefas domésticas. Alvo se lembrou do velho e enrugado elfo domésticodo número doze do Largo Grimmauld, Monstro. Por um breve momento, Alvosentiu saudades da expressão ranzinza, porém respeitável do elfo. Monstro pertenciaoriginalmente a Harry Potter, o elfo estava incluído no testamento do padrinho deHarry, Sirius Black. Monstro, porém, servia prazerosamente a esposa de seu amo eseus filhos. Entretanto detestava quando era obrigado a viajar junto aos Potter emseu carro trouxa. Monstro deveria ser transportado em uma cadeirinha infantil que amuito pertencera aos filhos de Harry. Ele alegava que aquela era a única maneira deos trouxas não perceberem sua verdadeira forma. Mesmo protestando, Monstroaceitava utilizar o equipamento, afinal é dever de um elfo sempre seguir as ordens deseus amos. O Corujal ficava no alto da Torre Oeste. Um lugar circular revestido por pedrasbrutas e firmes, sempre varrido pelos fortes e gélidos ventos que se infiltravam pelasgrandes janelas de pedra, todas sem nenhuma proteção de vidro. O chão era áspero,coberto por excrementos de corujas, ratos mortos e por tufos de palha e de penassoltas que deslizavam de um lado para o outro, levados sem rumo pelo vento. Foradifícil para Alvo localizar sua coruja sem nome no meio de centenas e mais centenasde corujas de diferentes tamanhos, cores e formas, todas sonolentas e cansadas,cochilando nos poleiros cobertos de palha e caca. Alvo acordou sua coruja cinzentacom um carinho entre suas penas, fazendo a coruja arregalar seus olhinhos escuros edespertar uma coruja de igreja, sua colega de poleiro. Não foi fácil acordar a corujaorgulhosa e sonolenta, muito mais difícil fora convencer ela aceitar que o garotoamarrasse o bilhete para seus pais em sua garra. Porém tudo ficara mais fácil quandoAlvo ameaçou pedir a uma coruja da escola para realizar a tarefa. Relutante a corujaestendeu sua garra negra e antes de partir deu uma carinhosa bicada em Alvo edecolou. Quando Alvo saiu do Corujal, em direção à Sala de Troféus, desejando poderdesfrutar algumas horas junto aos troféus e condecorações douradas que Hogwartshavia conquistado com o passar dos anos, algo chamou a atenção de Alvo, poucosmetros do fim da Torre Oeste. Era uma espécie de estátua, cuidadosamente colocadaem um vão, protegido do tumulto dos alunos que, fatalmente, esbarrariam emdanificariam seu corpo escultural. Diferente das outras estátuas de Hogwarts quegeralmente era feitas de pedras de mármore ou latão, aquela era completamentebanhada pelo mais valioso e magnífico ouro. Ela era uma espécie de bruxo, muito 64
  • 65. parecido com Harry Potter, que bradava uma varinha com orgulho, como se acabarade ganhar uma dura e complicada batalha. Aos pés da estátua de ouro estava umaespécie de bloco de concreto, o qual possuía uma placa de bronze fixada compequenas pedras preciosas similares a opalas, onde nomes de vários bruxos estavamgravados como uma homenagem. Alvo leu o que estava escrito. Memorial de Hogwarts Homenagem aos bruxos e bruxas que morreram durante a busca pela verdadeira paz Alvo baixou os olhos para os nomes dos bruxos e bruxas mortos durante a Batalhade Hogwarts. Não reconheceu a maioria, somente o do falecido tio Fred – o irmãogêmeo do tio Jorge – o de Remo e Ninfadora Lupin, os pais de Ted Lupin, o nome doex-diretor de Hogwarts, o qual Alvo herdara o nome, Severo Snape, além dossobrenomes que Alvo reconhecera dos seus novos colegas, como Creevey. Porém algo de diferente tomou controle sobre os pensamentos de Alvo. Ele teveuma súbita vontade de tocar na placa de bronze do Memorial de Hogwarts. Sentir osentalhes dos nomes sobre seus dedos. Sentir o frio da placa inanimada, apossar deseu corpo quente para provocar uma sensação até então desconhecida. Sem ter controle sobre suas atitudes, Alvo agachou-se, ficando no mesmo nível dobloco de concreto, e, quase em um estado de transe, começou a esticar o braçomagricelo em direção a placa de bronze. Seu coração começou a bater em um ritmomuito mais acelerado, como se suas glândulas supra-renais disparassemenlouquecidamente litros de adrenalina em seu sangue. Seu estômago se contorceutodo, podendo chegar ao tamanho do punho de Alvo. Depois de tantas sensaçõesdiferentes Alvo finalmente tocou na placa. ... Era como se não houvesse mais razão ou emoção. Como se não existisse maisdiferenças entre luz e trevas, entre certo ou errado. Tudo estava escuro, mas aomesmo tempo estava claro. Nenhuma idéia passava pela mente do garoto, mas nomesmo instante todas o perseguiam. Alvo não conseguia enxergar nada a sua frente,exceto uma inocente e fraca luz dourado que brilhava a uma distância muito grande. Em um último ato desesperado Alvo começou a mexer seus braços e pernas,tentando nadar até a Luz que brilhava fragilmente. Sabia que estava mergulhado emalgum tipo de líquido, mas ele não sabia quais eram suas propriedades mágicas,somente sabia que elas existiam, pois ele estava respirando. Com todas as forças quepossuía Alvo agitou os pés e as mãos fazendo com que seu corpo começasse a semover naquele universo vazio em direção a Luz. Alvo não tinha certeza de queaquela Luz o levaria de volta para o terreno de Hogwarts, mas sabia que nadapoderia ser pior do que aquele sombrio vácuo. A cada segundo a Luz se dilatavaclareando ainda mais outro vazio que Alvo não enxergava, mas que já se mostravamuito melhor do que aquele. Finalmente, depois do que pareceram várias décadas, 65
  • 66. Alvo pode encostar-se à frágil Luz. Não fora muito diferente de tocar na placa debronze do Memorial de Hogwarts, mas desta vez tudo clareou, do mesmo modo dequando se ascende uma luz no meio da madrugada. Alvo se sentiu como umapessoa cega, mas sabia que não havia perdido o dom da visão, ou podia? Quando Alvo abriu os olhos encontrou-se no exato local onde estava há minutosatrás, mas não havia nenhum memorial. Também já não era mais dia, era uma noitefria e sinistra e o garoto podia sentir que aquela noite não era qualquer uma. Gritos eestrondos tomavam os ouvidos de Alvo vindos de todas as direções. Olhou pelajanela para a estrutura do Corujal e encontrou uma construção em chamas comcentenas, se não milhares, de corujas voando a seu redor. Estampidos e rajadas deluzes verdes e vermelhas brotavam de todos os lados e seguindo a todas as direçõesimagináveis. Alvo se apressou e correu pelo castelo de Hogwarts, desesperado... Alvo estava vivendo as emoções da Batalha de Hogwarts! Bruxos e bruxas, alunose professores lutando contra Comensais da Morte às portas da escola. Feitiços, gritos,palavrões e apelos tomavam conta do ambiente nada agradável. Alvo se movia porum emaranhado de poeira e dor. Era muito difícil para ele vivenciar os momentos dahistórica batalha que acontecera nos terrenos e corredores da escola de Hogwarts. Mais distante de seu encontro, Alvo pode ver um jovem Prof Longbottomduelando arduamente contra um Comensal da Morte encapuzado. Neville esquivavade todas as maldições lançadas pelo comensal com tamanha destreza e habilidade.Com um golpe certeiro, Neville lançou um Feitiço Estuporante bem no nariz docomensal, fazendo-o desabar desacordado. Algo na mente de Alvo o indicava que ele não era real, que nenhum estudante ouinimigo poderia vê-lo ou feri-lo, mas Alvo não queria correr o risco de ser locauteadopor uma Maldição da Morte, então o garoto começou a andar com muito cuidadorente às paredes e pilastras das estruturas de Hogwarts. Alvo esperava escondidoatrás das pilastras, sempre espiando para ver se poderia prosseguir sem sersurpreendido por um duelo em andamento. Alvo não sabia para onde deveria ir,qual era o caminho correto para voltar a seu respectivo tempo, mas ele simplesmenteaproveitou a situação para vivenciar alguns momentos daquela batalha história,espreitando por entre as paredes, e observando os duelos e vitórias. – Engula seus malditos feitiços, seu Comensal filho de uma... – berrou o ProfFlitwick dando combate a um comensal mascarado próximo às portas de entrada. Alvo sempre ouviu os bruxos mais velhos dizerem que o Prof Flitwick sempre foraum exímio duelista, e naquele momento Alvo pode tirar a prova. Todos os feitiçoslançados pelo Comensal da Morte eram facilmente repelidos por Flitwick. Maldiçõeseram lançadas aleatoriamente pelo comensal desesperado. Ele se mostrava bastantenervoso com o andamento de seu duelo com o professor. 66
  • 67. – Tome isso! Relaxo! – bradou Flitwick acenando rapidamente com a varinha para aface encapuzada do comensal e fazendo sua máscara cair. – Há quanto tempo,Furius. Pensei que você ficaria escondido no Ministério. Sempre soube que você nãotinha aptidão para feitiços e duelos. – Cale-se, mestiço! – ordenou Furius Yaxley erguendo bruscamente a varinha paraFlitwick e lançando-lhe azarações e maldições aleatórias – Sempre fui excelente emfeitiços. Por isso recebi o reconhecimento do Lorde das Trevas. – Se é tão bom assim, por que você não consegue derrotar um velho como eu? –zombou Flitwick com total controle sobre a situação. Aquilo parecia ter atingido bruscamente Yaxley, pois Alvo percebeu que seusfeitiços causavam muito mais estragos nas paredes que atingiam. Yaxley esquivavapara todos os lados em quanto Flitwick continuava fincado no mesmo ponto,somente utilizando o feitiço Protego para defender-se das maldições lançadas pelocomensal. – Jugson, Rowle! – gritava Yaxley tentando chamar a atenção de dois comensais quese aproximavam das portas de entrada – Cuidem deste duende infeliz. – Covarde! – resmungou Flitwick lançando feitiços agora contra os dois Comensaisda Morte que se aproximavam pelo sul. Alvo por sua vez seguiu Yaxley por entre os corredores e escadas de Hogwarts.Volta e meia o bruxo era interrompido por estudantes que o retardavam e oobrigavam há perder mais tempo. Porém Yaxley se mostrava apreensivo e ansioso.Corria loucamente pelos corredores sendo muito difícil de Alvo o acompanhar.Finalmente o bruxo chegou ao ponto de partida de Alvo, aonde ele começara suajornada pelo tempo e onde hoje estava o Memorial de Hogwarts. Havia três alunos de Hogwarts voltando do Corujal, as mãos e os pijamas sujos detinta e penas. Alvo concluiu que os três haviam enviado uma carta aos Aurores,chamando-os para ajudar no combate, o que não agradou à Yaxley. Quando os três estudantes perceberam a presença do comensal, sacaramrapidamente suas varinhas e as apontaram para o peitoril de Yaxley. Nenhum dostrês se mostrou ameaçado ou amedrontado, muito pelo contrário, os três encaravamo comensal de igual, ansiosos para o início do duelo. – Os pestinhas deveriam ter evacuado como o resto dos menores de idade. – disseYaxley em tom de gozação, a varinha erguida para o primeiro dos garotos. – Já possuímos conhecimentos mágicos mais do que necessários para poder tederrotar! – bradou o primeiro dos estudantes fixando friamente a varinha no peitoesquerdo de Yaxley – Fomos trinados pelo próprio Harry Potter, e podemos derrotá-lo sim! Viva a Armada de Dumbledore! 67
  • 68. – Acalme-se, Colin. – chiou o garoto poucos centímetros atrás de Colin Creevey.Ele era bem alto, possuía cabelos ralos, porém rebeldes, e por um momento Alvopode reconhecê-lo. – Não podemos nos acanhar, Mylor. Temos de lutar! Expelliarmus! Facilmente Yaxley repeliu o feitiço de Colin, fazendo-o explodir um pedaço domármore a alguns centímetros dos três. O atual professor de Defesa contra as Artesdas Trevas, Mylor Silvano se mostrava o mais acovardado dos três. Seus punhosestavam cerrados em volta de sua varinha bamba em quanto um de seus olhos sefechava com todas as forças que lhe restavam. – Realmente, só alguém trinado por Potter poderia lançar um Expelliarmus duranteum duelo como esse. É muita ousadia sua se opor a mim, sangue-ruim. – resmungouYaxley lançando a Colin um sorriso falso e medonho – Farei com você o que gostariade fazer com toda essa escória trouxa. Avada Kedavra. Um lampejo verde irrompeu da varinha de Yaxley locauteando Colin e oarremessando vários metros para trás. A figura espectral de Alvo correu em direçãoao cadáver do estudante no mesmo momento em que o terceiro garoto lançava umaazaração em Yaxley. – Não, Jaquito! – gritou Mylor pondo-se à frente do garoto chamado JaquitoPeakes, impedindo que este prosseguisse com o duelo – Chame ajuda, precisamostirar o corpo de Colin daqui. – Mas Mylor... – Faça! – Mylor lançou a Peakes um olhar molhado de ira e insatisfação. Seu rostoestava encharcado pelas grossas lágrimas que brilhavam e escorriam de seus olhos –Ele insultou os trouxas. Não pode ficar em pune! Ele vai pagar pela morte de Colin...E EU QUE O FAREI PAGAR! Mylor lançou um potente feitiço dourado que arremessou Yaxley do solo fazendo-o cair de costas vários metros de distância. Pelo lado oposto, Peakes correu a todavelocidade escada abaixo sem desgrudar os olhos do amigo que ele deixara para trás.Friamente, Mylor enxugou as lágrimas do rosto e encarou Yaxley como seu igual, damesma maneira que Colin havia feito momentos antes de ser assassinado. Conformeo comensal se recompunha, Mylor preparava-se para o início de seu duelo,murmurando feitiços secretos e frases de incentivo para si próprio. – Acha, que pode realmente me matar? – perguntou debochadamente Yaxley. – Não. – assentiu Mylor sem desgrudar os olhos do oponente – Pelo menos nãohoje, mas sei que voltaremos a nos encontrar e então teremos nosso verdadeiroduelo. Você torturou minha mãe, acusou-a de ter roubado a magia de outro bruxo.Invadiu minha escola, ameaçou meus colegas e matou meu amigo. Não vou deixarvocê ficar em pune. 68
  • 69. – Você acredita muito em si próprio. Uma qualidade sonserina, eu tenho deadmitir. Mas sei que você é tão medíocre quanto seu papai. Enfrente-me, mestiço. Alvo percebeu que Yaxley e Mylor berraram feitiços ao mesmo tempo, mas algoimpediu que seus gritos chegassem aos ouvidos de Alvo. Novamente o garoto sentiuseu estômago ser puxado para trás causando-lhe uma terrível sensação de enjôo. Asimagens se dissiparam rapidamente, como água em brasa. Uma grossa camada defumaça invadiu as narinas e a boca de Alvo. E com um forte puxão, como se toda apressão do mundo estivesse recaindo sobre Alvo, ele caiu sentado no mármore friodo corredor próximo a Torre Oeste, à frente da estátua que simbolizava o Memorialde Hogwarts e com uma figura espectral e fantasmagórica flutuando ao seu lado. Alvo não se mexera, continuava a encarar a figura transparente do fantasmaespectral que flutuava ao seu lado. Assim como Alvo, o fantasma se mostrava muitocansado e fraco, fazia todo o esforço possível para continuar visível à Alvo. Ofantasma não se mostrava tão velho quanto os demais que flutuavam por Hogwarts.Ele era muito mais novo que o Barão Sangrento ou o Frei Gorducho, o fantasma daLufa-Lufa. Seus cabelos eram curtos e despenteados e naquele momento assumiam ahabitual tonalidade branco-pérola de todos os fantasmas. Alvo também notou que ofantasma vestia roupas casuais, muito similares a um par de pijamas, mas quepoderiam ser confundidas facilmente com roupas para o lar. – Eu vi. – ecoou uma voz fúnebre e distante que Alvo identificou como vinda dofantasma. Ele não mexia os lábios para formar palavras, somente abria a boca epermitia que uma voz oca saísse por esta – Você estava morrendo. Mais um instantenaquele mundo e... O fantasma relaxou os ombros e acenou com a cabeça para a placa de bronze. Noinstante seguinte ele mergulhou abobalhadamente ao encontro do Memorial deHogwarts, sumindo da vista de Alvo. – Então lhe devo a vida. – afirmou Alvo para a estátua. No mesmo instante Alvo baixou seus olhos sobre a placa de bronze, mas não haviamais nenhum nome gravado nela. Letras aleatórias surgiam magicamente naestrutura de bronze. Lentamente elas se organizaram e formaram uma frase. Você deveria ter mais cuidado, Alvo Potter. Depois que Alvo leu a frase seu corpo todo estremeceu. Como o fantasma poderiater conhecimento de quem ele era? Não se assuste. Formou-se a frase tranqüilizando Alvo. Nós fantasmas temos umavisão mais ampla que a dos vivos. Se bem que ainda não posso me chamar fantasma. – O q... Q-quem é você? – gaguejou Alvo ainda tremendo. 69
  • 70. Sou o espectro do garoto que você acabou de ver morrer. Sou Colin Creevey, Alvo. E poralgum motivo minha alma ficou presa neste terreno e a placa fez com que você revivesse omomento de minha morte. Mas isso quase causou a sua. – Por que? Quais são os domínios mágicos desta placa de bronze? Isso não ésomente um memorial em homenagem aos mortos na Batalha de Hogwarts? Sim, mas se eu realmente aprendi algo durante minha estadia em Hogwarts é que nunca sepode ter certeza das propriedades mágicas de um objeto. Principalmente se este estiverguardado nestes terrenos. Quem poderia imaginar que existiria uma câmara secreta nobanheiro das meninas! – Mas, por que eu estava morrendo? Não senti nada durante o tempo em quefiquei no passado. Como já mencionei, Alvo, não tenho certeza de nada. Mas posso afirmar que já podia versua fonte de vida diminuindo. Mais uns minutos e... – Você disse, Creevey, correto? O mesmo Creevey de Cameron Creevey?! Bem, Alvo, como pode ver morri com dezesseis anos... Ou será que foram quinze? Não sei,o tempo aqui no mundo dos fantasmas é diferente do dos vivos. Mas se me lembro bem, eutinha um irmão mais novo – ou mais velho – e possivelmente ele gerou uma família depois deminha morte. – Mas, isso que aconteceu comigo, bem, não vai acontecer de novo, vai? E tambémnão com outras pessoas, elas também podem ter esse tipo de visão? Creio que não. Mas assim espero, pois não terei forças para salvar mais estudantes. Só emte salvar quase que evaporei. – Bem, então, mais uma vez, obrigado por salvar minha vida. – Alvo pôs-se de pé esorriu para a estátua de ouro do Memorial de Hogwarts – Foi legal conhecer você,Colin Creevey. Espero poder vê-lo de novo, mas em uma situação mais agradável. Também foi bom conhecer você, Alvo Potter... A propósito, você é filho de Harry Potter,mas com que garota? Alvo revirou os olhos e respondeu para o fantasma: – Gina Weasley. Quando Alvo regressou ao térreo do castelo de Hogwarts notou que havia perdidomais tempo viajando entre as dimensões do que imaginava. Quando Alvo haviadeixado a sala comunal da Sonserina, ele espiara o relógio colossal próximo aoretrato de Salazar Slytherin, e esse marcava seis e dez da manhã. Agora o SalãoPrincipal estava abarrotado de estudantes, e sua grande maioria já terminando o caféda manhã. Rapidamente Alvo percorreu com os olhos a mesa da Sonserina e viu queseus amigos já terminavam o café – se estar brincando com os ovos e as salsichas,pode significar terminavam. Depois Alvo percorreu os olhos pela mesa da Grifinória eencontrou sua prima Rosa sentada junto a Tiago, que fazia uma imitação exageradado que pareceu a Alvo do professor Slughorn. Porém nenhum destes grupos chamou 70
  • 71. mais a atenção de Alvo do que os dois grifinórios desanimados que mal tocavam emseu café no outro extremo da mesa. Naquele momento, Alvo lembrou-se do que seu pai uma vez havia lhe dito nonúmero doze do Largo Grimmauld. Era o final da primeira semana das férias deverão de Tiago. O irmão mais velho de Alvo ainda se mostrava bastante animadocom relação ao seu ano anterior e com as notas que recebera em seus exames. Fora aprimeira vez que Tiago teve a brilhante idéia de começar a molestar Alvo sobre suaseleção na escola. Alvo havia se aborrecido e corrido para o quarto, onde ficaratrancado por, pelo menos, meia hora. Harry havia aberto a porta magicamente, ecomeçou a entreter Alvo com alguns truques de levitação. Harry enfeitiçou a estátuaque Alvo possuía de seu ídolo do Puddlemere United, Graham Seagood, fazendo-aflutuar pelo quarto para delírio de Alvo e ira do mini-artilheiro. – Se, você for para a Sonserina, isso não vai significar que você não poderá ter amigos dasoutras casas. – as palavras de Harry ecoavam pela mente de Alvo – Você pode ser ummediador entre as casas, e eu acho isso muito legal! Se quiser pode usar minha vida acadêmicacomo exemplo. Luna Lovegood era da Corvinal, Cedrico Diggory era da Lufa-Lufa. Eu só nãopossuía amigos sonserinos porque... Bem, você sabe o que os sonserinos pensavam de mim. Para Alvo, ser um mediador entre as casas era um título que lhe cairia bem. Assimcomo seu pai, a idéia de ter amigos em ambas às casas agradava a Alvo. Mas ele nãoqueria ter amigos fáceis, queria conquistar a confiança e a amizade de pessoasespeciais, mas que poderiam ser-lhe muito fiéis. Conquistar amigos na sonserina nãofoi uma tarefa nada difícil. Alvo já poderia afirmar que todos os seus colegas dequarto poderiam ser considerados amigos. Alvo também tinha certeza de que nãoseria nada difícil se enturmar com os corvinalinos e lufalufanos, afinal suas casas nãopossuíam nenhuma rivalidade pessoal. Mas, Alvo sabia que não seria nada fácilconquistar novas amizades na Grifinória. Mesmo tendo seu irmão e sua prima nacasa, seria difícil para ele se enturmar com os rivais grifinórios, mas essa era umabriga que Alvo gostaria de participar. Ingenuamente, Alvo se dirigiu ao outro extremo da mesa onde na noite anteriorfora ocupada pelos grifinórios e que hoje era ocupada por membros de três dasquatro casas de Hogwarts. Nenhum dos dois meninos loiros se mostrava muitointeressado em terminar a refeição preparada pelos elfos domésticos da escola. Osdois ainda se mostravam bastantes insatisfeitos com o rumo de sua vida acadêmicadepois da noite anterior, quando foram designados pelo Chapéu Seletor a ocupar umlugar na casa que não se identificava com seus respectivos nomes. – Posso me juntar a vocês? – perguntou Alvo inocentemente. Quando Escórpio Malfoy ergueu os olhos para retrucar grosseiramente a quemhavia feito a pergunta, se assustou. Não teve como responder a Alvo, seus olhosarregalaram como se ele estivesse vendo o fantasma de seu bisavô. Sua pele pálida 71
  • 72. novamente perdeu a pouca cor lhe existia. Agamenon Lestrange dera um salto aoperceber quem estava ao seu lado. O garfo que levara comida a sua boca somenteuma vez agora jazia no chão. Assim como Escórpio, Agamenon arregalou os olhoscomo se fosse a figura fantasmagoria de seu pai que havia falado com ele. Em suma,Alvo imaginara que a reação dos dois fosse pior. – O que quer aqui...? – Escórpio não sabia se referia a Alvo como seu pai fazia comHarry, chamando-o somente de “Potter” ou se o chamava pelo primeiro nome.Escórpio então não disse nenhum dos dois, o que não alterou o sentido de sua frase. – Simplesmente quero tomar café. Acordei muito tarde e não tive a oportunidadede comer. – mentiu. – E por que não vai se juntar a seus amigos sonserinos? – Escórpio fazia todo oesforço possível para se manter autoritário e enjoado somente com a presença deAlvo, mas ele não o fazia tão bem quanto seu pai. – Eles já estão demasiadamente entretidos, e acho que minha presença poderia sermais bem aproveitada em outro lugar, com outro grupo. – Pra mim tanto faz. – sussurrou Agamenon Lestrange tocando em seus ovos fritoscom as garras de um novo garfo que havia se materializado. – Tudo bem. – bufou Escórpio. Desde que foram selecionados para a Grifinória, Agamenon Lestrange e EscórpioMalfoy não se prenderam a uma conversa onde pudessem trocar mais que duaspalavras. A maioria das respostas dadas pelos garotos eram um mero “sim” ou umfrio “não”. Da parte de Agamenon, ele respondia as perguntas desta forma porque orestante de seus colegas não se dava ao trabalho de dirigir-se a ele com propostasmelhores de conversa. Já Escórpio se mostrava frio a qualquer um que tentasse seaproximar dele. Escórpio se sentia prejudicado e solitário e o único que melhor oentendia era Agamenon. Assim um era o que mais conversava com o outro, mesmoque essas conversas fossem rápidas e desinteressantes. – Por que acha que eu e Escórpio precisamos mais de você do que qualquer outroprimeiranista? – perguntou Agamenon de repente, mas um tanto entediado. – Simplesmente porque acho. Meu pai aconselhou-me a fazer novas amizades,principalmente com aqueles que não são de minha casa. Com esses eu tenho maistempo para interagir do que com os demais, então no tempo que me resta acho quedeveria me dedicar a reforçar meus laços de amizade com outros. E também porqueacho horrível, vocês já serem perseguidos por seus próprios companheiros de casa.Sim, vi o que Eugênio Finnigan fez com vocês durante o jantar de ontem. Já eu, nãoacho que vocês devam pagar pelos er... pelas ações feitas por outras pessoas, se é queme entendem. – Vindo de você, sonserino, isso é bem confortante. – debochou Escórpio. 72
  • 73. – Eu me sinto melhor ouvindo isso. – afirmou Agamenon fuzilando Escórpio como olhar e lançando um fragmento de um sorriso à Alvo – Ter um Lestrange e umMalfoy na Grifinória é tão anormal quanto... – Ter um Potter na Sonserina. – completou rapidamente Alvo. Naquele momento Agamenon e Escórpio perceberam o que Alvo já haviapercebido no momento em que entrou no Salão Principal e que reparou os doisgrifinórios cabisbaixos. Eles viram que Alvo também estava em um lugar que,aparentemente, não era bem vindo. Que Alvo também estava sofrendo por não estarna casa de seus pais, mas que ele, diferente de Escórpio e Agamenon, estavatentando buscar seu espaço junto ao outros. Alvo estava tentando se adaptar aSonserina. – Acreditem, se Eugênio Finnigan tivesse sido selecionado para a Sonserina, o quenão seria muito difícil, ele seria perseguido pelos mais velhos de uma maneira piordo que ele está fazendo com vocês. – afirmou Alvo retribuindo o sorriso deAgamenon – E isso só por que ele é filho de um dos que ajudou a derrubarVoldemort. – Você foi amolado? – perguntou Agamenon curioso. – Não. – respondeu Alvo firmemente – Mas acho que só não fui por que sou filhode quem sou e os sonserinos atribuíram isso como uma vitória. Duvido que se mechamasse Alvo Weasley não seria ridicularizado pelos quintanistas. – Obrigado. – Você não tem nada o que agradecer. – opôs-se Escórpio fitando Alvo sem piscar– Eles são quem não deveriam nos irritar. – ele apontou com a cabeça para o grupode grifinórios em volta de Eugênio Finnigan – Nós não fizemos nada de errado. Nóspodemos mostrar a eles como um verdadeiro grifinório age. Nós não estamos aquiporque somos escória, estamos aqui porque somos muito mais corajosos e fiéis queos demais. Por isso somos grifinórios, e não há como negar! – Acredita mesmo no que disse? – perguntou Alvo revirando os olhos. – S-sim. – gaguejou Escórpio depois que realmente tomou conhecimento de tudo oque falou. Aquela foi a primeira vez que Escórpio Malfoy admitiu ser um grifinório emostrou a outra pessoa seu verdadeiro sonho, mudar a visão geral de um grifinório.Mostrar a todos que um grifinório é, além de tudo, a personificação da coragem, epor muitas vezes mais tarde, Escórpio mostraria a seus amigos que ele, mais do queninguém, é dotado de extrema coragem. – Esse foi um café muito produtivo. – afirmou Alvo quando finalmente terminoude beber seu suco de abóbora. – Eu que o diga. – murmurou Escórpio revirando os olhos, ainda incrédulo com aspróprias palavras. 73
  • 74. – Mas, Alvo você se juntou conosco somente porque quis quebrar as barreiras entreas casas? – perguntou Agamenon. – Talvez. – respondeu Alvo acidamente – Eu também gosto de escandalizar comuma Hogwarts aparentemente em paz. Ter um Potter amigo de um Lestrange e deum Malfoy, ambos da Grifinória, é algo que com certeza colocaria a escola de pernaspara o ar. – Acho que não ouvi bem, Potter, você empregou a palavra, amigos? – desta vezEscórpio tentara imitar o pai chamando Alvo pelo sobrenome com o mesmo tomenjoativo, mas do modo como Escórpio havia dito, saiu mais em um tom cômico. – Não ouviu bem, Escórpio. – respondeu Alvo lançando um furtivo sorriso – Nãovejo outro adjetivo se não “amigos” para caracterizar a ambos. – Creio que “amigos” é uma palavra muito forte, talvez... – Escórpio se calou poralguns segundos, fitando Alvo com desdém, depois prosseguiu – Sei que tenhosentimentos fortes por você, Potter. Mas ainda não posso afirmar se são bons ouruins. Não posso afirmar se quero te estuporar pelas costas ou te chamar de amigo... Alvo considerou que vindo de Escórpio, aquilo significava que poderiam sim serbons amigos. – E quanto a você? – perguntou Alvo se voltando para Agamenon. – De minha parte tudo bem. – respondeu o garoto loiro sorrindo – Também meagrada esse clima tempestuoso e animado. E se vamos escandalizar com Hogwarts...deveríamos no juntar no almoço. Alvo retribuiu o sorriso de Agamenon, aceitando o convite. E sem surpresa paraninguém, eles o fizeram. 74
  • 75. Capítulo Cinco McNaught e Silvano O resto do dia livre de Alvo não foi nada surpreendente ou interessante. Depois do café, Alvo se juntou a seus amigos sonserinos que não tardaram em explorar por completo os corredores epassagens de Hogwarts. Alvo sabia que muitas passagens secretas da escola foramtrancadas ou bloqueadas durante o regime ditador de Severo Snape. Os Comensaisda Morte trancaram todas as passagens que conheciam para evitar uma fuga ouinvasão de bruxos pela ou para a escola. Porém os garotos sonserinos descobriramuma passagem secreta atrás da estátua de Sir Abraxamagos, uma estátua de umbruxo corcunda e magricela que segurava um mapa e um lampião. Infelizmente ogrupo de sonserinos não teve oportunidade de seguir com sua exploração ao entornoda figura de Sir Abraxamagos. Um grupo de grifinórios, liderados por EugênioFinnigan, um garoto de franjinha e rosto vermelho, se aproximava dos sonserinosexploradores. Junto de Eugênio estavam Cameron Creevey, Henry Thomas e EuanCoote. Os quatro falavam alto, lançavam piadas e riam abobalhadamente, somenteCameron se mostrava contra certas piadas e implicâncias. Eugênio se intitulava olíder da gangue, a qual era a que mais atormentava Escórpio e Agamenon por elesnão terem sido selecionados para a Sonserina e acabarem sendo ‚largados‛ naGrifinória. Quando os dois grupos se encontraram as gargalhadas e risos cessaram. Osgrifinórios focaram bem os sonserinos, todos se mostrando muito insatisfeitos com oencontro. Alvo deu um passo à frente e encarou Eugênio da mesma forma fria queele o encarava. – Potter parece gostar de se misturar com os fracassados. – riu Eugênio se exibindopara os amigos – Primeiro se junta a Sonserina, e agora se torna amigo destessonserinos. – Quero ver repetir isso quando eu encher essa sua boca de murros. – retrucouAntônio entre os dentes, erguendo um dos punhos para Eugênio, ameaçadoramente.Assim como os outros quatro, Antônio se mostrou bem ofendido, mas foi o único ater coragem para retrucar. – Não vale a pena se meter com esses caras agora, Eugênio. – aconselhou Cameronpondo-se ao lado de Eugênio – É o primeiro dia, não deveríamos nos meter emconfusão. Afinal, não seria nada bom sermos os primeiros a tirar pontos daGrifinória. – Ok. Mas não pense que isso acaba aqui, Zabini. – retorquiu Eugênio continuandoa seguir seu caminho – Nenhum sonserino me ameaça e fica por isso mesmo. 75
  • 76. – Não tenho medo. – respondeu Antônio da mesma maneira rude, porém corajosa.Antônio seguiu os grifinórios com os olhos até que eles saíssem de sua vista. – Obrigado por nos defender, Antônio. – disse Perseu dando um leve soco noombro de Antônio. – Eu não precisaria defendê-los se vocês já o fizessem. – retrucou Antônio chateado– Sabem por que Eugênio Finnigan atormenta tanto Malfoy e Lestrange? Porque elesnão o enfrentam, aceitam as provocações. Se vocês não retrucarem, essas pessoastipo Eugênio Finnigan continuarão a azucrinar vocês. Depois daquele dia Antônio começou a olhar seus companheiros de dormitóriocom outros olhos. Ele acreditava que, assim como ele, Alvo era um garoto brigão quenão levava desaforos para casa (o que ele não levava, mas utilizava outros meios,que não somente brigas com contestar seus ofensores). Antônio continuou a falar ebrincar com os amigos, mas era muito mais fácil vê-lo andando com a trupe de TeseuFlint ou com a de Valerie Rosier do que com eles. Durante o final de tarde, quase na hora do jantar, Alvo se atreveu a explorar afamosa e rica biblioteca de Hogwarts. Não foi supressa nenhuma encontrar suaprima Rosa Weasley sentada em um dos bancos da biblioteca lendo uma antiga egrande fábula do mundo da magia. Lentamente Alvo se aproximou da prima ecomeçou a puxar assunto com ela, foi ai que Alvo recebeu uma insatisfatóriarevelação. – VOCÊ VAI TER AULAS NO SEGUNDO ANO! – gritou Alvo esquecendocompletamente de onde se encontrava e chamando a atenção de Madame Pince, abibliotecária. – Não são todas as aulas, Al. – murmurou ela levando Alvo para outro canto dabiblioteca tentando despistar a bibliotecária furiosa – Meu orientador, o senhorCornélio Tottill, concluiu que eu já possuía conhecimento suficiente para pular umano em História da Magia, Runas Antigas e Literatura Mágica. – Runas Antigas? – Minha mãe tem uma vasta coleção de livros de runas. – explicou Rosa com amaior naturalidade – Eu não tinha nada para fazer durante o verão, então decidiexplorar os extensos horizontes das runas. Já aprendi um bocado e o Sr Tottillconsiderou que meus conhecimentos já eram suficientes para estudar no segundoano, também. Não era o que Alvo esperava. Para ele História da Magia e Literatura Mágicaseriam matérias monótonas e desinteressantes, onde ele (assim como seu pai e o tioRony faziam com a tia Hermione) simplesmente copiaria os deveres de Rosa etorceria para lembrar o mínimo possível para passar nos exames. Aquela notícia do adiantamento de Rosa atormentou Alvo por algumas semanas,mas depois de um tempo ele percebeu que poderia fazê-lo com outra pessoa. E que 76
  • 77. seria difícil copiar as anotações de Rosa durante a aula já que ele terá LiteraturaMágica e História da Magia com a Corvinal. Antes de dormir Alvo deu uma última olhada em seu horário. No dia seguinteteria Herbologia depois do café, depois era Artes dos Trouxas, junto com a Grifinóriae assim terminariam as aulas antes do almoço, depois teria Tecnomancia com váriosalunos de outros anos. Alvo queria continuar a ler sua programação acadêmica, masseus olhos já não o deixavam. Suas pálpebras começavam a pesar e o fato de ter deacordar cedo na manhã seguinte o fez obedecer-las. Alvo retirou seu anel depassagem e o depositou cuidadosamente sobre seu criado mudo. Já vestido com seupijama, Alvo mergulhou ansiosamente por baixo de suas cobertas e em poucosminutos adormeceu. Naquela noite Alvo teve um sonho bastante estranho, se não o mais estranho queele já tivera em seus onze anos de vida. Alvo se espremia por dentro de uma árvorecom alguma dificuldade, mas em vez de se deparar com o interior dela ele seencontrou em uma espécie de vestíbulo subterrâneo com colunas de pedra osustentando e raízes de árvores por todos os lados. Desviando cuidadosamente dasraízes que bloqueavam seu caminho, Alvo demorou uns cinco a dez minutos paraatravessar completamente o vestíbulo. Na outra extremidade do vestíbulo não havianenhuma porta, mas sim um grande arco de pedra com inscrições antigas que Alvoacreditou serem runas. Alvo atravessou o arco sem pensar duas vezes e este lhelevou a uma espécie de santuário. Assim como o vestíbulo o santuário também possuía colunas de pedra e raízesexpostas, porém estas se preservavam encostadas nas paredes sem bloquear apassagem. No outro extremo do santuário havia uma espécie de caixão luminoso querefletia uma luz tão poderosa e cegante quanto a luz do Sol. Ao centro do santuárioestavam dois homens e Alvo pode perceber que eles discutiam. O mais velho e maisalto se mostrava bastante autoritário, berrando e agitando os braços contra o maisnovo. – Você está demorando demais! Não temos a eternidade! Expliquei-lhe o quedeveria ser feito! – Mas ainda não pude ganhar a confiança dele. – dizia o mais jovem tentando sedefender – Preciso de mais tempo... Ele é mais cabeça dura que nós imaginávamos. O mais velho balançou a cabeça negativamente. Por um momento, Alvo teve aimpressão de que o mais novo o observava, mas Alvo não conseguia identificar suafisionomia, estava tudo muito escuro e borrado, com exceção do caixão luminoso. – Vá embora. – ordenou o mais velho para o subordinado. O mais novo se encolheu fazendo uma abobalhada reverência para o chefe e se foicomo fumaça. 77
  • 78. – Abri... Reunir... Voltar... Ressuscitar... Sangue... Linhagem... – eram as palavrasque saiam aleatoriamente da boca torta do bruxo mais velho. Alvo queria perguntar o que o bruxo queria dizer e também quem ele era deverdade, mas as palavras não saiam de sua boca. Por mais que seus lábios mexessemsua voz permanecia guardada dentro de si, como se estivesse demasiadamenteacovardada do outro indivíduo. – Somente você... – foram as últimas palavras ditas pelo homem antes que tudo setransformassem em borrões negros e nebulosos que fizeram com que o sonho deAlvo fosse indistintamente interrompido. Rapidamente Alvo abriu os olhos como se estivesse se libertado de um terrívelpesadelo. Mais lentamente, o garoto se sentou na cama e percebeu que o pijama e aroupa de cama estavam completamente encharcados de suor. A testa e o pescoço deAlvo suavam frio. Do outro lado do dormitório, Isaac e Perseu olhavam assustadospara Alvo. Este retrucava o olhar de susto que dominara o dormitório. – Você está bem? – perguntou Isaac desviando o olhar de Alvo e mirando em seussapatos. – E por que não estaria? – retrucou Alvo deixando a cama e se dirigindo a seumalão para pegar suas novas vestes. – Olhe para sua cama, Al. – disse Perseu ainda assustado – Seu pijama... Vocêestava se contorcendo, gemendo de dor. Nós tentamos fazer você acordar, mas...Nada. Parecia que você estava recebendo uma Cruciatus. Alvo estudou novamente a cama encharcada e seu pijama fedorento. Fora apenasum sonho comum, ele pensou, colocando as vestes nos ombros e rumando para obanheiro de mármore negro de seu dormitório. O que mais pode ter acontecido?Primeiro o memorial e agora isso. É muito emoção para meu primeiro dia. – Quer que agente te espere? – perguntou Perseu já menos pálido. – Estou bem, pessoal. Juro. Podem ir para o Salão Principal, não vou demorar. Dito isso ele se trancou no banheiro e tratou de retirar o pijama fedorento e suadoe atirá-lo com estilo dentro do cesto de roupas sujas, imitando um trouxa muitofamoso nos Estados Unidos que jogava um jogo chamado basquetebol. Quandofinalmente vestiu-se com as vestes negras e verdes da Sonserina, Alvo pôs-se à frentedo grande espelho do banheiro, o qual possuía duas serpentes de prata ao seucontorno, o que lembrava alguns dos banheiros do Largo Grimmauld que possuíamo mesmo desenho. – Verde me cai bem. – concluiu Alvo mirando seu reflexo no espelho – Realçameus olhos. Menos de dez minutos depois Alvo já se encontrava no Salão Principal e dessa vezele não quis de reunir a seus novos amigos grifinórios, Escórpio e Agamenon, nestecafé, Alvo se juntou a um grupo de sonserinos que já comiam seus respectivos cafés. 78
  • 79. Havia alguns alunos mais velhos – quinto e sexto anos – mas a maioria deles eramprimeiranistas. Alvo se sentou entre Bruto Nott e Nicolas Higgs o goleiro titular dotime de Quadribol da Sonserina e o irmão mais velho de Ana Higgs, do terceiro ano. – Finalmente tive o prazer de conhecer o famoso Alvo Potter. – disse Nicolas dandoum leve soco no ombro de Alvo – É pura sorte da Sonserina, ter um Potter aquijustamente em um ano de tanta carência. – Carência? – repetiu Alvo em quanto se servia com alguns bacons e ovos. – Sim, nosso time de quadribol está realmente com carência de novos jogadores.Estamos somente no osso. De nossos sete titulares do ano anterior só sobraram três.Eu, nosso novo capitão Erico Laughalot e Demelza Willians. Conto com você comoapanhador. A herança de Harry Potter brilhando na Sonserina. – Ah, Nicolas... – Nico. – interrompeu o garoto – Detesto esse nome. Use meu apelido, Ok? – Ah, Nico, eu não sei se percebeu, mas... Eu não estou herdando muito bem olegado de meu pai. Eu estou na Sonserina. – Vamos Nico, pare de pressionar o garoto – disse Bruto encarando o colega maisvelho – Potter nem se quer subiu em uma vassoura, imagino. – ele lançou um olharfurtivo à Alvo – Nós temos muitos bons apanhadores, não precisamos depender deum novato. – Está doido para conseguir uma vaga. – concluiu Nico encarando Bruto comsuperioridade – Erico só lhe chamará para a equipe se estiver envenenado. Sou dezvezes mais goleiro que você. – Só por mais este ano. – retrucou Bruto entre os dentes – E olhe como fala comigo,Higgs! – Ah, é verdade! Você pode tirar pontos de sua própria casa. Muito esperto,pirralho! Antes que Bruto e Nico começassem uma guerra de comida, algo em especialchamou a atenção da grande maioria dos presentes do Salão Principal. Uma nuvemcinzenta de corujas imergiu para o Salão Principal. As corujas planavam docilmentepelo salão agitando suas asas com a maior calma possível, sem temer um choquecom as paredes do salão ou entre elas. Alvo ficou admirado com tamanhoentrosamento das corujas, que planavam para cima e para baixo pousando nosombros de seus donos ou lançando a eles suas encomendas. Alvo olhouansiosamente para uma nuvem cinzenta como uma de chuva, na esperança deencontrar sua coruja ainda sem nome e para sua alegria lá estava ela. A coruja cinza erechonchuda planava com certa dificuldade ao meio de tantas outras em boa formafísica. Em seu bico negro estava uma carta meio bamba com alguns dizeres, os quaisAlvo reconheceu a caligrafia de sua mãe, a qual ele herdara de certa forma,principalmente as curvas dos ‚V‛s. 79
  • 80. Quando sua coruja finalmente aterrissou ao seu lado, Alvo rapidamente retirou acarta de seu bico, mas antes de abri-la, ele reparou que a coruja possuía duas marcasmais claras ao redor dos olhos, que lembravam os antigos óculos do vovô Weasley.Alvo nunca havia reparado nas duas marcas de sua coruja, nem mesmo no dia emque seu pai havia comprado-a no Beco Diagonal. – Muito bem, mas acho que você tem de perder alguns quilos. – disse Alvoalisando as penas cinzentas da coruja – Vá para o Corujal, mas não coma muitosratos. A propósito já é hora de você ter um nome, então... – Alvo estudou afisionomia da coruja, a qual lembrava muito seu falecido avô poucos anos antes demorrer. Barriguda, meio careca e com óculos bem redondos – Arthur. Ou melhor,Artie. Para ficar mais curto. Alvo achou uma boa idéia homenagear o falecido avô batizando sua coruja com omesmo nome, mas Alvo usaria mais freqüentemente seu apelido, e ele não era oprimeiro a fazer isso. Nobby, a coruja de Tiago, na verdade se chamava Norberto, opresente dado por Hagrid no décimo primeiro aniversário do irmão. Hagrid pareciafanático em batizar animais com o nome de Norberto, afinal seu falecido dragão nãopoderia usar aquele nome, pois era fêmea. A coruja de Luís também era reconhecidapelo apelido: Frank era muito mais comum que Franchesco. E ainda havia o pequenoprojeto de coruja do tio Rony, Píchi. – Vá, Artie, e trate de malhar um pouco. – dito isso Alvo despachou sua coruja e sevoltou para a carta dos pais. Rapidamente ele rasgou o envelope e pôs-se a ler o quesua mãe havia escrito. Querido Alvo, Estamos todos muito orgulhosos por você ter sido selecionado para a Sonserina. Nós trêsaqui de casa lhe felicitamos. É uma honra para os bruxos serem selecionados para a Sonserina,uma casa que evoluiu muito durante os anos e que não deve ter suas ervas daninhasdestacadas. Não tenha medo da Sonserina, Al, alguns dos grandes bruxos vêm dela, assimcomo Severo Snape. Quanto aos seus tios e tias, todos aceitaram perfeitamente bem o fato de você não ter sidoselecionado para a Grifinória. Parece que essa nova geração tem como missão espalhar o nomeWeasley pelas outras casas. Porém, tenho que dizer que o que menos se adaptou a essa idéia deum sonserino na família foi seu tio Rony, mas com o tempo nós – principalmente sua tiaHermione – estamos remodelando seu jeito de encarar os sonserinos e garanto que durante asférias de Natal ele já o trate como o velho Alvo de sempre. Mas, querido, tenho uma noticia que pode não lhe agradar como um todo. Depois da mortede seu avô nós – os adultos – temos pensado em qual ser{ o futuro d’ Toca daqui para frente.Ela é muito grande para sua avó morar sozinha e estamos pensando e pôr-la à venda. 80
  • 81. Sei que é uma situação chata, para todos nós, já que você praticamente cresceu na Toca.Mas essa também não é a única opção. Também pensamos em trazer uma das famíliasWeasley para voltar a morar na Toca. No momento temos seu tio Jorge e seu tio Rony, masessa possibilidade é muito remota. E por último ainda há a possibilidade de trazermos maisdois parentes para morar na Toca com sua avó. Temos a tia Muriel, que volta em poucassemanas do Marrocos e seu tio-avô Elias – lembra-se dele, Al? O irmão mais novo do papai,você o viu no enterro. Ele sempre gostou de bebidas. Bem, ainda temos muito que pensar, mas prometo mantê-lo informado. Por hora, parabénspela seleção e aproveite sua estadia em Hogwarts. Beijos. Gina e Harry. Alvo guardou a carta de sua mãe dentro do bolso de suas vestes, mas algo em seupeito pareceu sugar toda a felicidade em saber que seus familiares haviam aceitadosua seleção. O fato de haver a possibilidade da venda d’ A Toda incomodara muito aAlvo. Assim como sua mãe havia escrito, ele praticamente crescera entre o galinheiroe a estrutura torta e mal acabada da casa. E assim, como poderiam vendê-la de umahora para outra. Quantas gerações de Weasley haviam morado naquela habitaçãoque se vendida muito possivelmente seria demolida por seu novo dono. Mas aindahavia a possibilidade de chamar o tio Elias. Alvo não o conhecia muito bem. Só ovira duas vezes desde que nascera. Uma durante o aniversário de casamento dosavós de Alvo e outra durante o enterro do vovô Weasley. Mas esta era muito remota,pois Elias, segundo os tios de Alvo, estava viajando pelo mundo há décadas com suafamília e fatalmente não aceitaria voltar em definitivo para a Inglaterra. Antes que Alvo pudesse abandonar seu café e rumar pesadamente até a mesa daGrifinória para contar sobre a possível venda da Toca algo em especial chamou suaatenção. Ao lado de Nico Higgs jazia um exemplar ainda embrulhado do ProfetaDiário. Alvo estudou com atenção as três fotos que se mexiam na primeira página. – Nico, eu posso dar uma olhada em seu jornal? – perguntou Alvo timidamente. – Claro, sem problema, Potter. Só não destrua a parte de esportes. É o que mais meinteressa, quero saber qual foi o resultado do jogo dos Falcons. Cuidadosamente, Alvo retirou o exemplar de Nico de dentro de sua proteção.Alvo nunca ligara muito para as reportagens do Profeta, principalmente as queestavam ligadas a Rita Skeeter. Geralmente ele gostava apenas de ver as fotos semexendo de uma manchete para outra, e às vezes ele folheava os comentários feitospor sua mãe na coluna de esportes. Sem interrupções, Alvo pôs-se a ler a manchete: Recentes Acontecimentos Provocam Intrigas no Ministério Depois de três semanas de procura, os Aurores do Ministério da Magia encontraram umdos membros desaparecidos do Departamento de Mistérios em uma residência trouxa. 81
  • 82. Desde o início da penúltima semana de agosto, membros do Quartel-General dos Auroresprocuram Serena Tyranicus, 42, bruxa Inominável que exerce seu trabalho no Departamentode Mistérios. Serena Tyranicus, desaparecida desde a primeira semana de agosto, foiencontrada no povoado trouxa de Budleigh Bugmoreton, completamente inconsciente.Segundo as investigações do inspetor chefe do Ministério da Magia, Sr Simon Wilkes, a SrtªTyranicus foi enfeitiçada por um poderoso bruxo, capaz de produzir um perfeito Feitiço daMemória. Segundo o Sr Wilkes, a Srtª Tyranicus não possui mais nenhuma lembrança dosúltimos trinta anos. Nossa repórter Rita Skeeter averiguou as datas de nascimento da SrtªTyranicus e soube: ela não se lembra de nada depois de seus dez anos! Mas também existem outros fatos que pioram a situação do Ministério: o banco Gringotes,prestou queixa aos Aurores com relação ao desaparecimento de um de seus funcionários. Oduende Plochos de Floumatass, também misteriosamente sumido, foi encontrado porcoincidência no mesmo recinto que a Srtª Tyranicus. “Ainda temos muito que averiguar, mas não encontramos nenhum registro que possa ligara Srtª Tyranicus com o Sr de Floumatass. Nem mesmo amigos das vítimas puderam relatarlaços entre os dois.” Foi a declaração do inspetor Wilkes. Porém nossa repórter Rita Skeeter averiguou ainda mais fundo e descobriu um fato quepode ligar a Srtª Tyranicus ao Sr de Floumatass. Outro membro ministerial, o senhor Acrusto Underwood, 42, membro do Departamentopara a Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, foi encontrado morto nasproximidades do interior da Bélgica há cinco dias, com marcas de agressão de criaturas semcapacidade de inteligência. “É comum que alguns de nossos membros morram durante ‘pesquisas de campo’, seassim posso chamar.” Disse o chefe do departamento, Amos Diggory, 64, a pouco promovidoao cargo “Acrusto não recebeu nenhuma missão para estar naquela área, o que indica que eleestava l{ por conta própria. Quanto | espécie que o atacou, isso é com o pessoal da autópsia.” Quanto a isto fica a dúvida se o Sr Diggory, depois de tantos anos de vida, ainda possuicompetência para dirigir um departamento tão respeitável quanto este. E segundo nossasfontes, o Sr Underwood sim estava em uma missão ministerial como alega um documento queprova que Underwood estava a serviço do Ministério quando viajou para a Bélgica. O que leva a ligar o Sr Underwood com as demais vítimas? A verdade é que Acrustopossuía uma antiga relação com Tyranicus, pois ambos cursaram Hogwarts em épocasparecidas e ambos começaram no mesmo departamento no Ministério. Já com relação aoduende, Underwood era responsável por certificar que as finanças de seu departamentoestavam corretas e suas contas em dia, o que levava a um contato com o Sr de Floumatass,visto que esse trabalhava no banco dos bruxos. Quando perguntado sobre o caso, o auror responsável pelo caso Underwood, o Sr RolandWeasley, 37, se mostrou muito impaciente com nossa repórter Rita Skeeter. 82
  • 83. “Se Diggory disse que Underwood estava viajando a Bélgica por conta própria é por queestava! Confio em Amos, e sei que ele é muito mais honesto que certos repórteres do Profeta.Esse tal documento est{ sendo analisado por peritos para confirmar se é ou não falso”. Quanto aos corpos inertes de Serena Tyranicus e Plochos de Floumatass, ambos seencontram em quartos separados e vigiados por aurores no Hospital St. Mungos paraDoenças e Acidentes Mágicos. Nós, repórteres do Profeta Diário, nos comprometemos com vocês, leitores, que iremosmantê-los informados com o desenrolar dos casos. Afinal fomos nós que “clareamos” ocaminho dos Aurores ministeriais. Depois de ler e reler o artigo algumas vezes, Alvo teve vontade de rasgá-lo e atirá-lo na lareira da sala comunal. Como o Ministério poderia errar de uma maneira tãobrutal? Alvo sabia que Rita Skeeter não prestava, e que qualquer “não” na visão darepórter poderia significar um escândalo internacional. Talvez o fato de saber que areportagem possuía um dedo de Skeeter havia deixado Alvo ainda mais irritado. Ecomo pôde escrever o nome do tio Rony errado? Ronald é completamente diferentede Roland. Essa não fora a primeira vez que isso acontecia com membros da famíliaWeasley quando apareciam no Profeta Diário. Em 1994, quando a Marca Negraaparecera durante a Copa Mundial de Quadribol, o vovô Weasley havia dado umadeclaração aos repórteres e eles lhe nomearam como Arnold Weasley. Alvo conhecia ahistória, pois já a ouvira várias vezes vindas do tio Percy ou de seu próprio pai,geralmente eles tocavam neste assunto quando Rita Skeeter publicava algum artigoque ofendesse ou humilhasse amigos deles. Discretamente, Alvo percorreu com os olhos a mesa da Grifinória. Assim como eleTiago havia lido o Profeta, e por sua aparência também não havia gostado do quelera. Pendurado ao ombro de Tiago estava Fred Weasley, o filho mais velho do tioJorge que recebera o nome do falecido tio Fred, e que cursava o terceiro ano emHogwarts. Fred – assim como sua irmã Rosana, Vitória e Luís – era membro dogrupo dos Weasley que não herdara os cabelos cor de fogo como o resto da família.Os cabelos negros e pele morena foram transmitidos pelos genes de sua mãe,Angelina Weasley. Alvo simpatizava muito com a tia Angelina. Assim como suamãe, Angelina também fizera parte de um time de Quadribol: os Flechas deAppleby, mas ao contrário de Gina seu contrato com o time fora muito rápido.Depois que noivara com o tio Jorge, Angelina deixou o time para preparar ocasamento e logo depois se surpreendeu com sua gravidez que gerou Fred, um anoapós o casório. Mesmo depois de ter lido o artigo do Profeta Diário, Alvo estava decidido a contarpara o irmão sobre a possível venda da Toca, mas isso não foi possível. Mau Alvo selevantara de sua cadeira, o garoto fora engolido por seus amigos primeiranistas que 83
  • 84. o guiaram quase que às cegas para fora do Salão Principal em direção às estufas deHogwarts, onde se realizaria a primeira aula do ano. Eram poucas as classes em Hogwarts que permitiam que todos os alunos dasquatro casas trocassem conhecimentos juntos e ao mesmo tempo, Herbologia erauma delas. As estufas de Herbologia eram muito quentes e abafadas – geralmenteproporcionavam horas de tontura e náuseas ao seus ocupantes que eram submetidosa altas temperaturas e um odor raramente agradável – mas as estufas eram bemamplas, o suficiente para abrigar uma grande quantidade de estudantes. Além deHerbologia; Transfiguração, Feitiços e Tecnomancia possuíam grandes salas de aulacapazes de suportar grandes quantidades de jovens bruxos. Já Poções, Estudos dosTrouxas e as demais matérias não disponibilizavam de grandes bases estudantis,sendo obrigadas a dividir os grupos de estudantes em dois. Quando Alvo – cercado pelo grupo de primeiranistas formado por: Isaac Prewett,Lucas Pritchard e Perseu Flint – finalmente chegou à estufa de Herbologia númeroum, deparou-se com um Prof Longbottom distraído, fitando um estranho cactocinzento que, no lugar de espinhos, possuía esquisitas pústulas. O professor Nevilleergueu os olhos e cumprimentou Alvo pelo primeiro nome, diferente de como fizeracom os demais. Alvo conhecia e admirava a história do Prof Longbottom, de comoum garotinho bobo e gorducho se transformara em um poderoso bruxo. Alvo sabiaque fora Neville que liderara uma forte oposição contra o Lorde das Trevas e seuscomensais professores que lecionaram em Hogwarts na época em que Voldemorttomara o Ministério e possuía Hogwarts nas mãos. Fora Neville que corajosamentese opôs ao próprio Voldemort, sendo ele que decepara a cabeça da cobra deestimação do Lorde, Nagini, cortando o último laço de Voldemort com aimortalidade. Mas não fora todo esse encanto e admiração que impedira que Alvo secolocasse em um dos cantos mais longes do professor, já que ele não era um dosmelhores em Herbologia e tinha medo que o padrinho o selecionasse para respondersuas perguntas. – Bom dia, alunos. – disse o Prof Longbottom deixando seu estranho cacto de ladoe erguendo os olhos para sua turma – Bem, essa será sua primeira aula deHerbologia – e a primeira aula do ano, que hilário – então, teremos de estudar obásico da Herbologia, hoje. Herbologia é, antes de mais nada, eh, o estudo de ervas.Ervas são eh, basicamente raízes, plantas e quase tudo que está ligado ao mundovegetal. Nessa estufa iremos aprender tudo o que possa se disser sobre o estudo daservas, eh, plantas. Foi assim que comecei. – Neville abriu os braços alegremente e,acidentalmente, acertou brutalmente um dos menores vasos perto de seu corpofazendo-o voar para fora da mesa, lançar terra úmida e adubo sobre seus papéis eanotações e se espatifar contra outro vaso de outra planta dez vezes o tamanho deAlvo, que chegava a tocar o teto da estufa. – Bem com eu ia dizendo... As ervas, as 84
  • 85. raízes, são a base de muitos dos mais fundamentais elementos da magia. Poções,medicina, fabricação de varinhas e até pratica de certos feitiços, tudo isso depende deum competente e correto cultivo e processamento de plantas mágicas. Como porexemplo... Algum de vocês pode me dizer o nome de uma espécie de vegetal muitoraro e capaz de ajudar os bruxos, principalmente os adolescentes, a se livraremcorretamente das acnes? Foram poucos os alunos que se arriscaram em erguer os braços para responder apergunta do Prof Longbottom, sua maioria pertencia a Corvinal – a casa daquelesque consideram a educação e a inteligência a base de uma sociedade produtiva.Além destes dois lufalufinos, Inácio Finch-Fletchley e Morgana Hallterman e trêsgrifinórios, Rosa, Agamenon e Lana Longbottom, se comprometeram em respondera pergunta do professor. Pela primeira vez desde que chegara a Hogwarts Alvo pode prestar atenção nafilha mais velha do professor de Herbologia. Alvo e Lana se conheciam a algumtempo – desde que Alvo nascera – eles geralmente se encontravam quando os Potteriam visitar os Longbottom no Caldeirão Furado ou visse versa, porém no LargoGrimmauld. Lana não tinha muito a ver com seu pai, ela herdara somente o mesmotom de cabelo e o rosto rosado, mas tanto o resto de sua aparência quanto seu caráterera muito semelhante ao de sua mãe, Ana. Lana se mostrara muito amiga de RosaWeasley, ela não era tão brilhante quanto à amiga, mas era tão estudiosa quanto ela. – Sr Lestrange, correto? – perguntou Neville dando a palavra a Agamenon. ‚Sim‛, assentiu o grifinório em um sussurro quase que inaudível. – Diga-nos, Sr Lestrange, qual é o nome da espécie em questão? – Bubotúberas, senhor. – respondeu Agamenon. – Muito bem, dez pontos para a Grifinória. – bradou o professor para a alegria dosgrifinórios presentes, principalmente para a de Agamenon que, mesmo sendoperturbado por seus colegas de casa, conquistara os primeiros pontos para sua casa –As bubotúberas são plantas muito raras de se encontrar no mundo da magia. Elastêm um sistema de camuflagem muito complicado de se entender, mesmo contendoum odor não muito agradável. O pus das bubotúberas é muito valioso para aconfecção de poções e medicamentos, como eu já disse no combate a acne. Masvamos guardar o pus das bubotúberas para os alunos do quarto ano. O Prof Longbottom arriscou uma risada boba, mas que não surgiu muito efeitosobre sua classe. – Bem, hoje nós não estudaremos sobre as bubotúberas, mas sim sobre as diversasaplicações de um dos recursos vegetais mais humildes e raros do nosso mundo. Umparente distante das bubotúberas. Um vegetal proveniente do clã – se assim possochamar – das esclofulárias. Alguém arrisca um palpite de onde ela se encontre? 85
  • 86. Mais alunos levaram suas mãos ao ar desta vez, e Alvo foi uma delas, porém oProf Longbottom se limitou a olhar poucos centímetros à sua direita. – Sim, Srtª Weasley? – A planta em questão, professor, se encontra poucos centímetros do senhor, emcima de suas anotações sobre o Visgo do Diabo. – respondeu Rosa com um leve tomde superioridade. – Correto. E a senhorita sabe qual nome damos a ela? – Mimbulus Mimbletonia, senhor. – Excelente! Quinze pontos para a Grifinória. As Mimbulus Mimbletonia sãoparentes distantes das bubotúberas, ambas, segundo os mais velhos e experientesherbologistas, possuem ligações estreitas com outro clã de vegetais já extintos. Osclabotúberos. Ou seja, poderíamos dizer que as bubotúberas e as esclofulárias seriamprimas de segundo grau... Com o passar do tempo a voz engraçada vinda do Prof Longbottom, os nomes,assuntos desinteressantes sobre Herbologia e o calor proveniente da atmosfera daestufa fizeram com que Alvo ficasse cada vez mais sonolento. Para não começar afechar seus olhos por definitivo, Alvo mergulhou sua mão dentro de sua mochila eretirou um pedaço de pergaminho, sua pena e um tinteiro e começou a relatarrapidamente tudo o que o professor dizia sobre a replantação da MimbulusMimbletonia. Uns quinze a vinte minutos depois algo vistoso e úmido chamou a atenção deAlvo. De uma planta do tamanho de um salgueiro, plantada do lado de fora daestufa, esticava uma vinha similar a uma pequena serpente, para dentro da estufapor entre a janela mais perto de Alvo. Por um momento o garoto acreditou que avinha vistosa se esticava em sua direção, mas por outro breve momento ele percebeuque ela se arrastava pela terra da estufa número um até o tornozelo de IreneMcmillan, que estava demasiadamente preocupada em escrever corretamente osnomes ditados por Longbottom para perceber que algo se contorcia em sua perna. – AH! – gritou Irene com todas as forças que possuía deixando sua pena cair nochão e derramando um pouco de tinta sobre a mesa da estufa – Mas o que...? Tiraisso de mim, TIRA, TIRA, TIRA! Neville pareceu acordar de um sono hipnótico. Com um salto desajeitado deixou acabeceira da grande mesa da estufa e se pôs alguns centímetros de distância de ondeIrene se encontrava. Por um instante, Neville ignorou completamente a situação emque Irene se encontrava e começou a estudar a vinha que se contorcia na altura dabatata da perna de Irene. – Acalme-se, Srtª Mcmillan. É uma Ditamínea, uma vinha rara que tem proporçõesmuito importantes. É um sinal de boa sorte... 86
  • 87. – Não me importa! – berrou ela em tom de desaprovação – Só quero que tire issode minha perna, JÁ! Neville deu um salto desengonçado para mais perto de Irene. Rapidamente elesacou a varinha e a apontou tremulamente para a vinha que se contorcia na perna dagarota. Por uns instantes Alvo teve a impressão de que o padrinho esqueceracompletamente que era ele quem estava no controle sobre a classe. Em quanto, Ireneberrava, como uma condenada, o professor se mostrava como um alunodesorientado que recebia uma bronca de sua professora por ter atiçado fogo noscabelos de uma aluna. – Deixe-me ver o nome do feitiço, eh... Mil Ervas Européias... Capítulo Quatro...Ditamínea... Ah, lembrei! Redeodomus. A ponta da varinha de Neville pareceu iluminar-se brevemente, como se um vaga-lume tivesse se iluminado por alguns segundos. Quando atingida pelo leve feixe deluz vindo da varinha do professor, a vinha da Ditamínea soltou-se rapidamente daperna de Irene e voltou a toda velocidade – mais rápido do que Alvo imaginava queconseguiria – para perto de seu tronco original. – Uma experiência agradável, Srtª Mcmillan. – afirmou inocentemente o ProfLongbottom voltando à cabeceira da mesa – Muitos bruxos passam a vida esperandoque uma vinha de Ditamínea agarre sua perna. Como disse é um sinal de sorte.Podem perguntar a Profª Trelawney, ela lhes garantirá. Contudo não imagino oporquê desta vinha de Ditamínea estar aqui nesta estufa. Somente alunos do terceiroano têm acesso aos vasos. As vinhas de Ditamínea podem ser perigosas quandoatingem a idade adulta. – O quê?! – pigarreou Irene olhando de sua perna para a face abobalhada doprofessor – Ela poderia ter-me... – Não se preocupe. Aqui em Hogwarts nós não cultivamos vinhas adultas.Quando atingem sua faze de metamorfose, sua raiz é devidamente colhida, suaspropriedades curativas são transformadas em poções e a Essência de Ditamno e ela,enfim, é replantada na parte mais longínqua da Floresta Proibida. Passados trinta ou quarenta minutos de explicações sobre as propriedades daMimbulus Mimbletonia e da Ditamínea, a aula de Herbologia finalmente chegara aofim. Alvo se detivera alguns instantes dentro da estufa. Alegara a seus amigos queperdera sua pena e que demoraria um pouco mais dentro da estufa, mas na verdade,Alvo queria apenas ficar um tempo a sós com Neville. O que demorou um pouco,pois Lana se mostrava relutante em abandonar a estufa. – Aula muito interessante, professor. – disse Alvo em quanto se aproximava deNeville. 87
  • 88. – Ora, Al. Não precisa de formalidades comigo fora dos tempos de aula. Sou seuparente, seu padrinho! A formalidade deve ser mantida somente quando eu assumirmeu posto de professor e você o seu como aluno. – Deve ser difícil para Lana ter que chamá-lo de senhor. – Ela vai se acostumar. Mas não duvido que não consiga controlar seu impulso elevantar a mão para me pedir para passar o pão do café da manhã. – riu Neville. – Neville, – começou Alvo em quanto seu padrinho desviava seu olharrapidamente do afilhado e organizava suas anotações já muito sujas e borradas – sópor curiosidade, o que você acha que trouxe a vinha de Ditamínea até essa estufa? Neville revirou os olhos para Alvo, depois os levou até a janela por aonde a vinhahavia entrado. Ficou olhando-a por um instante, tentando imaginar uma respostalógica para o afilhado até que finalmente ela lhe chegou. – Natureza. – disse ele – Ventos, chuvas. Há vários motivos e ou ações que possamespalhar sementes de Ditamínea. Mas não acho que Irene Mcmillan fosse seuprimeiro alvo. – Como assim? – As Ditamíneas, como eu disse durante a aula, foram por muito tempo, cultivadaspor fabricantes de perfumes. Possivelmente o forte odor do perfume de Mcmillantenha distraído a vinha e forçado-a a seguir um novo caminho. Mas por que apergunta? Desta vez foi Alvo que precisou de certo tempo para encontrar as palavras certasantes de dirigir-se ao professor. – É que, por um momento... – ele se deteve quando viu a expressão curiosa vindade Neville, mas por sorte – ou não – algo o interrompeu, desviando completamente aatenção do professor. “Atrasado! Você est{ ATRASADO!” gritou uma voz aguda e infantil. Depois dealguns segundos, Alvo notou que a voz vinha do bolso do professor, maisespecificamente de um relógio de bolso já muito desbotado que repousava por entreas vestes de Neville. – O que é isso? – perguntou Alvo curioso enquanto Neville desativava omecanismo do relógio. – Isso? É como um despertador. Se parece muito com o do velho Dédalo Diggle.Eu ganhei de minha avó quando completei dezessete anos. Pertenceu a meu avô. Sófiz alguns reparos e remendos e... Pelas barbas de Merlim! Estamos realmenteatrasados, Al. É melhor você correr para não perder sua próxima aula... De que émesmo? – Eh, Artes dos Trouxas. – McNaught... Quero dizer, Prof McNaught. – corrigiu Neville – Ele é um bomprofessor. Vai gostar dele. Mesmo que seja excêntrico demais. 88
  • 89. Alvo demorou mais tempo para voltar ao castelo de Hogwarts do que para deixá-lo. Quando finalmente chegou ao primeiro andar onde se encontrava a nova salaArtes dos Trouxas. Os corredores estavam apinhados de estudantes de várias casas,Alvo notou que em sua grande maioria se destacavam primeiranistas grifinórios esonserinos e quartanistas lufalufinos e corvinalinos. Ao centro de um grupo de quartanistas da Lufa-Lufa, destacava-se uma belagarota de cabelos ruivos com mechas loiras. Dominique Weasley se comportava deuma maneira muito semelhante à de sua irmã Vitória, porém Dominique era umpouco menos vaidosa que a irmã. Diferente de Vitória e Luís, Dominique haviaherdado os cabelos ruivos do pai, mas a garota insistia em tingir seu cabelo compoções trouxas e bruxas para torná-lo o mais loiro possível. Com forte influência dosgenes de veela vindos da tia Fleur, Dominique possuía uma grande tendência a sesentir a rainha do mundo e sua aparência sempre lembrava a de uma boneca. Quando a viu, Alvo torceu para não ser percebido pela prima, não que ele eDominique não se dessem bem, muito pelo contrário – a garota possuía um dompara atrair amigos e repelir inimigos, mas Alvo não se via entretido por nenhumassunto que pudesse vir de Dominique, e a garota mostrava o mesmo com relação aAlvo. Por sorte sua prima estava muito entretida junto ao seu grupo de amigas paranotar a presença de Alvo. No final daquele mesmo corredor se encontrava a sala de Artes dos Trouxas. Aprimeira vista Alvo não encontrou nenhuma diferença com relação às demais salasde Hogwarts, exceto por uma frase entalhada com letras douradas chamativas nocontorno do arco da porta. Lia-se “Se não sabes pintar, mistures algumas cores e digas queé Abstrato.” Alvo não entendeu o que aquilo significava. Por mais que já houvesse vistopinturas trouxas de todas as formas – abstratas, simétricas, de formas ou pinturas depessoas – não havia nada que pudesse ligar uma coisa à outra. As pinturas abstratastrouxas não possuíam muita lógica, porém geralmente há uma combinação de coresque seguem um padrão do artista. Nunca, somente um monte de borrões. Cautelosamente Alvo abriu a porta de sala de Artes dos Trouxas, tomandocuidado para não chamar a atenção dos outros estudantes ou do Prof McNaught,mas esse não estava presente na sala. A zoeira e as conversas tomavam toda a sala echegava aos ouvidos de Alvo somente como um zumbido forte e irritante. A sala de Artes dos Trouxas era circular, com paredes cor de carvalho, muitoofuscadas quando postas ao lado dos belos quadros trouxas espalhados pela sala, eum teto similar ao do Salão Principal, com nuvens pomposas e brancas iguais as queflutuavam no céu sobre Hogwarts. Não havia mesas, somente quatro cadeirasdistribuídas de forma circular e uma tela em branco para cada estudante. Alvocaminhou lentamente pela sala, admirando as telas pintadas pelos trouxas, muito 89
  • 90. diferentes das dos bruxos, que se mexiam, conversavam umas com as outras epodiam passear de uma moldura para a outra. Alvo estava pensando em se juntar a seus colegas sonserinos durante a aula deArtes dos Trouxas, porém seus amigos não pareciam demonstrar o mesmo interesseque ele pelas obras trouxas. Não era de se esperar que típicos sonserinos seinteressassem por quaisquer aulas que fossem relacionadas a trouxas. Mesmo depoisde chegar a acreditar que a Sonserina houvesse mudado depois de anos, Alvoconseguiu descobrir que o sentimento de pureza sanguínea e de superioridade aindaenevoava a mente de certos alunos. Já Alvo, por sua vez, ainda era considerado osonserino mais atípico de todos os tempos, por esta razão – talvez, ele se mostrassemuito mais interessado pela aquela didática que seus colegas. Ao dar as costas para os sonserinos Alvo deparou-se com seus melhores amigosgrifinórios sentados no mesmo grupo, que por sorte, necessitava de mais ummembro. – Está livre? – perguntou Alvo para Rosa, Escórpio e Agamenon, porém semaguardar resposta, sentando-se rapidamente na cadeira vazia. – Na próxima vez, se não queria ouvir resposta, poupe saliva e sente-se logo,Potter. – respondeu Escórpio rispidamente fingindo estar muito interessado em suatela branca. – Por que não se junta com seus amiguinhos serpentes? – Porque prefiro passar a aula de Artes dos Trouxas com alguém que realmente seinteresse por ela. – retorquiu Alvo ainda com seu mesmo tom amigável – Será muitomais produtivo para minha vida acadêmica se eu me juntar com Rosa e Agamenondo que com Isaac Prewett e Lucas Pritchard. – Então está se juntando conosco somente por que acha que assim tirará uma notadez fácil? – perguntou Rosa em tom de ofensa. – Claro que não. – respondeu Alvo rapidamente – Somente acho que será muitomais produtivo para nós se nos juntarmos. – Espere ai! – guinchou Escórpio encarando Alvo por cima de sua tela – Por quenão me incluiu dentro de suas expectativas acadêmicas? Acha que sou tão cego comrelação a artes que não posso distinguir vermelho de roxo? – Não sabia que gostava de artes. – disseram Alvo e Agamenon ao mesmo tempo. – Pois deveria saber mais sobre mim antes de... Porém Escórpio foi interrompido pelo estrondo que veio de trás da escrivaninhado professor. A porta que dava para uma pequena salinha de tijolos se escancarouabrutalhadamente, e dela saiu um homem tão alto e loiro que Alvo pensou estarvendo a versão masculina da tia Fleur. O Prof McNaught era exatamente com Neville havia relatado... excêntrico. Seuscabelos loiros ondulados faziam Alvo se lembrar de um oceano tempestuoso, porémmagnífico, com marolas graciosas e ordenadas. Seus dentes retos e brancos eram tão 90
  • 91. perfeitos e brilhantes que faziam com que quem os fitasse piscar. Alvo pensou se seupai e o tio Rony se sentiram do mesmo modo como ele se sentia quando tiveram suaprimeira aula com Gilderoy Lockhart, completamente menosprezado pela belezaassustadora do professor e ao mesmo tempo enjoado e irritado com tamanha falta dehumildade. – Bom dia, queridos alunos. – exclamou o Prof McNaught lançando um elegante ecegante sorriso – Meu nome, com todos devem saber, é Epibalsa McNaught. Membrodo Comitê Organizador de Eventos e Cerimônias Mágicas, fundador da Academiade Artes Plásticas dos Bruxos e escritor de vários Best-Sellers sobre o mundo das artescomo: Uma Visão Crítica sobre a Arte das Artes e Como Transformar um Ignorante em umNovo Picasso. Picasso como devem saber é um famoso pintor trouxa. ‚Bem, as artes em geral são consideradas maneiras de expressão, muitas vezessentimentos ou pontos de vista do próprio artista, mas também podem refletir o quea de mais profundo dentro do coração do pintor.‛ ‚Existem milhares de diferenças entre as Artes dos Trouxas e as Artes dos Bruxos– ou como nós chamamos Artes Convencionais. Por exemplo, uma tela, pintada porum bruxo pode conter muitos dos mesmos elementos das feitas por trouxas, mas osprimeiros possuem o conhecimento de técnicas e manobras que os últimosdesconhecem.‛ ‚Para um bruxo é extremamente f{cil criar uma obra aceitável se este possuir umconhecimento básico com certas poções artísticas como a Multicolores e a Essência deTintas ou também em feitiços, muito úteis para criar vida a suas artes. Geralmente éisso que as torna tão... vivas.‛ ‚Mas os trouxas não possuem conhecimentos relativos ao preparo de poções – omáximo que podem fazer é um fantástico suco de groselha – e nunca terão sabedoriana área de feitiços. Então, como eles poderão criar obras tão perfeitas como esta queest{ atr{s de mim?‛ O professor apontou com o polegar para uma pintura de uma mulher bonita esorridente, pendurada cuidadosamente na parede atrás de sua escrivaninha. Alvoapertou um pouco os olhos para poder ler as letrinhas gravadas na pequenaplaquinha dourada presa em sua moldura. “Monalisa” lia-se. – Professor! – exclamou Cameron Creevey no fundo da sala, agitando seu braçodireito de forma desesperada – Como o senhor conseguiu trazer a Monalisa paraHogwarts? E agora que eu estou percebendo, o senhor possui várias obras famosasnesta sala! Como as conseguiu? – Sr Creevey – disse McNaught lançando a Cameron um sorriso elegante, porémprovocante – Existe algo chamado Cópia Inocente. É quando um artista, como quemvos fala – faz uma réplica de uma obra sem fins lucrativos. É como se você baixaralgumas músicas via Internet para colocar em seu iphone. 91
  • 92. Muitos dos estudantes ficaram sem entender a explicação do professor. Para osbruxos saber sobre Internet é algo que custaria muito a eles. Sendo muito mais fácilaprender a Teoria da Relatividade do que sobre o misterioso mundo da Internet. – Sei que para a maioria dos bruxos é difícil assimilar quando falo sobre Internet,perdão. A Cópia Inocente seria, mais ou menos, como fabricar poções sem finslucrativos. Contudo as obras presentes nesta sala não pertencem somente a trouxasfamosos como Picasso e Debret ou a mim mesmo. Algumas pertencem a outrosbruxos que, assim como eu, apreciam as Artes dos Trouxas. Agora se puderem abrirseus livros na página oito poderemos... Alvo perdeu a linha do raciocínio pouco depois de pegar seu exemplar de UmEstudo Rápido das Artes Trouxas de Estefânia Whirlkiss. O garoto ficou folheando aspáginas admirando as obras contidas nos livros. Algumas eram realmente bonitasem quanto outras atiçavam a criatividade e a curiosidade de Alvo ao extremo. Porémquase no final da aula, faltando poucos minutos para a sineta tocar, o movimentobrusco de Rosa erguendo seu braço para chamar a atenção do professor fez com queAlvo retornasse para a aula de artes. – Professor, segundo as palavras de Estefânia Whirlkiss, todo artista, trouxa oubruxo, possui uma fase pessoal. Como um lema próprio... – Comesse com um pincel e tinta – interrompeu o Prof McNaught sentando-semajestosamente em sua cadeira, olhando para o teto encantado da sala eentrelaçando uma pena esverdeada entre seus dedos – depois passe para umaaquarela. Finalmente você poderá criar uma obra prima. Este é meu “lema pessoal”,Srtª Weasley. – Desculpe-me, senhor. – pigarreou Rosa envergonhada – Mas o que eu iaperguntar era: de quem é aquela frase escrita na porta da sala de aula? McNaught não se mostrou descontente com o passa-fora recebido de Rosa, muitopelo contrário. O sorriso glamoroso e o olhar hipnotizante baixaram sobre Rosa ecom um sussurro quase inaudível ele a respondeu. – Jeremias Smith. Filho de Helga Hufflepuff, e meu antecessor como professor deArtes dos Trouxas. Jeremias lecionou aqui em Hogwarts em quanto sua mãe aindaera uma das diretoras da escola. Após a saída de Salazar Slytherin da coordenação deHogwarts, os outros três fundadores puderam finalmente colocar suas idéias deintegração entre trouxas e bruxos em prática. Os filhos de Gryffindor e Hufflepuff setornaram professores. Jeremias de Artes dos Trouxas e Gordon Gryffindor de Defesacontra as Artes das Trevas. ‚Depois de alguns anos Jeremias deixou Hogwarts quando um dos herdeiros deSlytherin usurpou a diretoria da escola e demitiu todos os funcionários contratadospelos outros três fundadores e principalmente seus familiares. Jeremias Smithaproveitou sua demissão para aprofundar-se sobre as artes em geral. Ele é 92
  • 93. considerado um dos mais famosos bruxos que se especializou em Artes dosTrouxas." Poucos segundos após o fim da breve explicação do Prof McNaught sobre JeremiasSmith e sineta soou estrondosamente anunciando o termino das aulas antes doalmoço. Que Alvo iria almoçar com seus colegas sonserinos era fato, mas ele prefeririacaminhar pelos corredores da escola junto de seus amigos grifinórios. – Ainda bem que só temos aulas com McNaught às segundas. – resmungouEscórpio em quanto os quatro deixavam a sala de Artes dos Trouxas e semisturavam com os alunos do quarto ano que saiam da aula de Estudos dos Trouxas– Se eu tivesse que aturar aquela voz nada miserável e aquelas roupas aparatosasque mais parecem de bobos da corte da Idade Média eu iria vomitar! – Isso se chama inveja. – contestou Rosa abraçada aos livros de arte – Todas asexplicações dele sobre as artes foram... Fantásticas! O modo dele andar, de falar, deensinar sobre esse assunto tão amplo e polêmico que são as artes. Isso tudo é... – Fantástico. – interromperam Alvo e Agamenon ao mesmo tempo em um únicotom de gozação. – Mas a aula dele em si não é muito diferente da dos demais. Não há nada de tãodiferente no modo de ensino de McNaught que o torne tão arrebatador. É umprofessor comum. – disse Agamenon sério. – Esperem até ele começar a pintar quadros durante as aulas. – retrucou Rosaexcitada – Será que ele chamará as alunas para servirem de modelo? – Se ele te chamar será somente para recriar o desenho de um duende ruivo esardento. – disse Escórpio junto a uma risada irritante que rapidamente se perdeujunto ao barulho das conversas dos demais estudantes. – Pelo menos eu servirei para alguma coisa! – bradou Rosa se mostrava irritada, ecompletou – Diferente de certo garoto loiro que mal sabe pintar revistas infantis. Rosa ficou muito ofendida com as palavras de Escórpio. A garota mal olhou para orosto dele em quanto os quatro desciam as escadas para chegar ao Salão Principal.Quando eles abriram as grandes portas do salão, Rosa irrompeu a toda velocidadeaté um canto da mesa da Grifinória, onde sua melhor amiga Lana Longbottom jácomeçava a almoçar. Já Alvo se dirigiu a mesa da Sonserina. Com um aceno de mãoele se despediu de Escórpio e Agamenon que rumaram à direção oposta até sesentarem em seus costumeiros cantos vazios na mesa da Grifinória. Diferentemente das outras didáticas de Hogwarts, Tecnomancia dispunha de umcomplicado sistema de organização entre as classes, tal sistema que possibilitava quealunos de diferentes casas pudessem se juntar em uma única classe. 93
  • 94. A aula daquela segunda-feira dispunha de primeranistas sonserina, terceiranistasgrifinórios, sextanistas lufalufinos e secundaristas corvinalinos. Alvo se sentou nocanto esquerdo da sala, que mais lembrava uma mini-biblioteca, com estantesapinhadas de livros cobrindo todas as paredes e diferentes objetos circulares de ferropendurados no teto. Em cima da escrivaninha do Prof King estava um rolo novo depergaminho, dois tinteiros tampados e um globo terrestre, porém com muito maisilhas e extensões demográficas que o dos trouxas. Alvo concluiu que aquele globocontinha também grande parte das vilas e cidades bruxas. – Posso me sentar aqui? – perguntou alguém as costas de Alvo. Sua voz lembrou ado setimanista Nico Higgs, mas quando Alvo se virou deparou-se com um garotocompletamente diferente que o goleiro da Sonserina. O garoto que chamou a Alvo era alto, cabelos castanhos e ondulados, similares aodo professor McNaught, porém muito menos lisos e radiantes. Ele possuía umsorriso cortês e educado e acima de seu nariz, dois olhos profundos e castanhos. – Pode. – disse Alvo um tanto amedrontado, com medo de dizer não a umsextanista. – Não precisa ter medo de mim. – tranqüilizou o garoto mais velho esticando amão para cumprimentar Alvo – Ethan Humberstone, Lufa-Lufa o apanhador daequipe de quadribol. E você deve ser Alvo Potter, eu estou certo? A escola toda falamuito de você. – E isso é bom? – Depende. – respondeu Ethan ainda sorrindo – Depende de como você quer queseu nome seja espalhado. Com um monte de mentiras e chamando-o apenas de ‚OFilho de Harry Potter‛ ou somente com verdades e méritos seus. – ele abaixou seusolhos sobre a cabeleira negra de Alvo e depois sobre seus olhos verdes – Você équem decide. – Você parece saber muito sobre este assunto. – disse Alvo menos amedrontado –Teve algum problema com isso. – Claro que não! – exclamou uma voz atrás dos dois garotos. Fred Weasley esticouseu corpo por cima de sua carteira para colocar-se entre Alvo e Ethan. – Ethan nuncateve problemas com nada! É o aluno perfeito, em todas as matérias o orgulho dosprofessores. O mais notável lufalufino desde Cedrico Diggory. – Não me compare com Diggory! – exclamou Ethan aborrecido, como se já tivessefeito este pedido mil vezes, mas os amigos insistissem em provocá-lo. – Eu sou muitodiferente de Cedrico. Ele sim era um aluno notável, eu ainda tenho muito queaprender. – Notável humildade. Talvez seja o que falte em nosso querido professor de Artesdos Trouxas. Ah, Ethan, Sabrina e Tiago pediram para informá-lo de outro encontro. 94
  • 95. – Fale baixo! – advertiu Ethan indicando Alvo com a cabeça – Ele não deve serinformado! Não faz parte de Você Sabe o Que! – Alvo tem o mesmo sangue que Tiago. – tranqüilizou Fred sorrindo – E, de certaforma, tem um pouco do meu sangue também. E mesmo que ele descubra sobre VocêSabe o Que, não sairá falando para todos sobre isto. Sabe de nossa arma secreta contraa Sonserina. Temos nosso ‚Agente Infiltrado‛. – Boa tarde, classe. – disse a voz calorosa e rígida do Prof King, um bruxo de meiaidade, cabelos negros com tons grisalhos, óculos fundo de garrafa em forma de cascode tartaruga e cabeça em forma quadricular – Sou o professor Rabelo JúpiterHarrison King. Sim, meu nome é o nome de um astro e o mesmo que a formaromana de Zeus, eu já conheço todas as piadinhas, então me poupem das mesmas.Contudo fico feliz em saber que vocês escolheram Tecnomancia como eletiva destehorário.. Vou logo alertando de que não será uma matéria mais fácil que RunasAntigas, mas o esforço será satisfatório para suas vidas futuras... Quando o Prof King disse aquelas palavras, Alvo percebeu que os olhos de EthanHumberstone brilharam. Naquele momento, Alvo descobriu que Ethan não gostavade ser comparado com Cedrico Diggory porque aquilo certamente menosprezavaseus desejos mais ocultos. Ethan na verdade tentava a todo custo superar Diggory emtodas as categorias acadêmicas. Já eram cinco horas daquela tarde de segunda-feira quando Alvo chegou aoterceiro andar para sua primeira aula de Defesa contra as Artes das Trevas com oprofessor Mylor Silvano. Silvano parecia ser um bom professor, muitos dos alunos mais velhos que játiveram aulas com ele elogiavam suas lições e seu modo de encarar as Artes dasTrevas como um inseto que necessitava ser dedetizado. Quando a sineta soouanunciando o início das aulas das cinco horas, o professor foi receber os grifinórios eos sonserinos ao pé das escadas que levavam a sua sala particular. A sala de Defesa contra as Artes das Trevas estava da mesma forma de que Alvohavia visto anos atrás quando Harry o levara para conhecer as instalações. Váriasjanelas iluminavam as carteiras dos estudantes, as quais ainda continham restos dechicletes e feijõezinhos de todos os sabores grudados em embaixo das taboas. Porémhavia algo de diferente. Quando Alvo estivera naquela sala, as paredes estavamcobertas por pôsteres de bruxos famosos, instrumentos de latão e barris de água,muito diferente do modo que a sala se encontrava. Havia esqueletos de criaturasmágicas pendurados em paredes e no teto; dois globos de ferro, similares ao do ProfKing, rodavam pela sala imitando os movimentos da Terra naquele instante; objetosusados por aurores estavam espalhados tanto pelas prateleiras quanto pela mesa doprofessor, e havia uma horripilante cabeça de gnomo empalhada em uma das mesas. 95
  • 96. – Boa tarde a todos. – disse o Prof Silvano com sua voz grave e ressoante. – Boa tarde; professor. – retribuiu a classe. – Sejam todos bem vindos à sala de Defesa contra as Artes das Trevas. – disse oprofessor cordialmente – Nesta sala farei com que vocês testem suas habilidades demagia defensiva e ofensiva. Estudaremos dos princípios dos feitiços usados emduelos até criaturas das trevas. Mas antes, creio que um estudo rápido e básico sobreas Artes das Trevas seja o suficiente para os senhores terem uma idéia do que iremosenfrentar. ‚As Artes das Trevas, como o próprio nome j{ diz, são artes, feitiços, poções eencantamentos que de alguma forma causam dor, sofrimento e desespero a quem asrecebe. Há muitos anos, a Grã-Bretanha, e outros países do globo, podem gozar deum sistema pacífico. Talvez possamos agradecer ao ministro da magia e a certo aurorpor tal calmaria. – Alvo sentiu como se vários olhos repousassem sobre sua cabeça, oque não era uma sensação muito agradável – Mas, considerar que a atual paz irádurar para sempre é burrice. Será? Pergunto eu a vocês. Será que mesmo depois detantos exemplos atribuídos durante os anos, os bruxos e bruxas ainda poderãoacreditar que a paz é algo permanente? Quem, alunos, quem poderia imaginar queanos após a derrota de Gerardo Grindelwanld outro bruxo das trevas, com idéiasmais diabólicas e um coração mais frio do que o de Grindelwanld, poderia chegar aassumir o controle do mundo bruxo.‛ ‚Sim, caros alunos. Vocês são muito jovens para compreenderem o tamanho deestrago, interno e externo causado pelas ações diabólicas de Tom Riddle, vulgoLorde das Trevas.‛ ‚Somente os bruxos que beiram a minha idade são capazes de relatar-lhesgenuinamente o que acontecera há dezenove anos quando Riddle e seus queridosComensais da Morte tomaram o poder. E escutem o que digo, suas velhas e gagásbisavós podem relatar-lhes sobre os fatos de melhor maneira que qualquer bruxo oubruxa medíocre e idiota que trabalha no Profeta! Não estou dizendo que todos quetrabalham no Profeta Diário são hipócritas, Merlim que me perdoe. Tenho amigosinfiltrados no Profeta. Já devem ter ouvido seus pais falarem sobre ErnestoMcmillan, subdiretor do Profeta, o cargo mais alto depois do de editor chefe.‛ ‚Bem, perdão. Voltando para nossa aula. As Artes das Trevas, geralmente, paraserem bem executadas necessitam de algo de seu arquiteto. Sangue, dor, perdaspsicológicas. Existe uma magia rara, muito conhecida entre os bruxos após a derrotade Voldemort – esse nome fez com que metade da classe sentisse calafrios nasespinhas, ainda não era comum pronunciar o pseudônimo de Riddle em voz alta. –Uma arte que possibilita fragmentar a alma do bruxo. Em minha época comoestudante não se falava dela em sala, mas hoje creio que é necessário que vocêstomem conhecimento dela. Alguém sabe de qual estou falando?‛ 96
  • 97. Várias mãos se erguerem, inclusive as de Rosa, Escórpio e Agamenon, porém umaem questão chamou mais a atenção do Prof Silvano. Uma comprida e magrela mãoerguida bobamente no ar, disposta a chamar a atenção do professor, mas torcendopara que não fosse notada. – Sim, Sr Potter. – disse o Prof Silvano olhando fixamente para Alvo com seusolhos cinzentos. – Horcrux. – respondeu. – Muito bem, Sr Potter. Você mais do que ninguém deveria saber sobre esta.Entrementes, não me arrependo de acrescentar quinze pontos para a Sonserina.Creio, Sr Potter, que o senhor pode explicar, brevemente como Voldemort.. digo,Riddle, dividiu sua alma e criou sete Horcrux, estou certo? Alvo estremeceu. Não esperava que uma inocente resposta provocasse uma longaexplicação sobre como um dos mais terríveis bruxos de todos os tempos realizou umdos atos mais diabólicos e desleais do mundo. – Não. – respondeu Alvo num sussurro. – Não? – repetiu o professor quase que estupefato – Talvez tenha esperado demaisde você, rapaz... Sim, Srtª Weasley? – Tom Riddle começou a criar suas Horcruxes a partir do momento em que elerompeu sua alma pela primeira vez. Isto é, matando uma pessoa. Somente um bruxoda Grécia Antiga conseguiu criar uma Horcrux – Herpo, o sujo. Mas Riddle tinhamuito mais medo da morte que este bruxo, então ele criou sete. Seu diário pessoal, oanel de Servolo Gaunt – o qual também o pertencia por hereditariedade, o medalhãode Salazar Slytherin, a taça de Helga Hufflepuff, o diadema de Rowena Ravenclaw,sua cobra Nagini e involuntariamente a alma de Harry Potter. – Excelente explicação, Srtª Weasley, excelente. Cinqüenta pontos para aGrifinória. – disse Silvano – Como vocês mesmo podem perceber até mesmo osbruxos das trevas não conseguiam criar Horcruxes, porque é uma arte das trevas quealém de requerer muita técnica e habilidade de quem a pratica solicita de um sanguetão frio, de um coração tão morto que são poucas as pessoas que conseguem fazê-la.Porém, vocês ainda têm muito que estudar antes de chegar a um estudoaprofundado sobre as Artes das Trevas. Esperem até o sétimo ano. Hoje, iremosestudar um dos feitiços mais básicos, porém mais importante da magia defensiva.Levante-se, vamos estudar o Expelliarmus. Em segundos toda a turma estava de pé, e com um aceno de varinha, o ProfSilvano fez com que todas as carteiras sumissem das salas. – Hoje nós treinaremos o Feitiço de Desarmamento em um boneco de treino, napróxima aula nos formaremos duplas para prosseguir com o aprendizado do feitiço.– o professor se virou e começou a remexer um estojo de couro de dragão de suamesa. 97
  • 98. Ele retirou um bonequinho de madeira, similar aos pequenos soldadinhos dechumbo pertencentes a coleção de Alvo. O professor colocou o boneco no centro dasala e pediu para que os alunos se afastassem. ‚Engorgio” disse o professor apontando a varinha para o bonequinho que, com umestalo, se transformou em um grande boneco de madeira com um símbolo redondoque lembrava um alvo. – Feitiço de Ingurgitamento. – disse o professor indicando com o polegar para oboneco – Aprenderemos sobre ele no segundo ano, mas agora quero que formemuma fila e treinem o feitiço Expelliarmus no boneco. Assim vejam. Silvano pôs-se à frente da classe e apontou sua varinha elegantemente para o peitodo boneco-alvo. Ele encheu os pulmões e gritou: – Expelliarmus! Alvo prestou atenção em cada movimento da varinha de Silvano. Como ele abalançou para lançar o feitiço e como o último acertara fortemente o boneco-alvofazendo a balbuciar pela sala, permitindo que sua falsa varinha de madeira fossearremessada por alguns metros. – Não espero que os senhores tenham total êxito hoje – afirmou honestamente oProf Silvano –, porém se conseguirem retirar a varinha da mão do boneco, eu osparabenizarei. Primeiro, eh, Sr Thomas. Como o Prof Silvano previu os primeiros alunos a experimentarem o Feitiço deDesarmamento não obtiveram muito sucesso. Henry Thomas, Cameron Creevey eEuan Coote nem ameaçaram o boneco de madeira do professor. Não foi muitodiferente com Isaac Prewett que somente conseguiu que o boneco balançasse osbraços. Somente Escórpio Malfoy conseguiu um resultado satisfatório dentre osprimeiros vinte alunos que tentaram o Expelliarmus. Somente ele conseguiu que avarinha do boneco-alvo fosse retirada de suas mãos frias. Só restava Lana Longbottom à frente de Alvo, o que aumentara seu nervosismo.Porém, Lana se mostrava ainda mais nervosa que os demais, tremendo muito egaguejando palavras nada parecidas com o feitiço. – Expelliarmus! – chorou ela gesticulando rápida e abobalhadamente para o boneco.Sua varinha fora arremessada de sua mão rodopiando e caindo com um estalopoucos centímetros do Prof Silvano. Lana encolheu os ombros, envergonhada edirigiu-se timidamente para perto do professor, ansiosa em pegar sua varinha e seesconder no fundo da sala. – Figueira – disse o Prof Silvano ao pegar a varinha de Lana e examiná-laminuciosamente. – Com núcleo de pelo da calda de unicórnio. Uma boa varinha, SrtªLongbottom, ela te escolheu? – Tecnicamente não – disse Lana tremendo. – Eu a ganhei de meu pai. Pertenceu àminha avó. 98
  • 99. – Notável – disse Silvano sorrindo para Lana e devolvendo-lhe a varinha. – É umatradição na família Longbottom os pais darem as varinhas dos antigos membros aosfilhos, eu estou correto? – Sim. – Não é algo que os fabricantes de varinhas aconselhem, mas geralmente isso podedar certo. Outras vezes não, como foi o caso de seu querido professor de Herbologia.Mas, ah, vejamos... Sr Potter, sua vez. Alvo estremeceu, porém já estava ciente de que teria que enfrentar a turma epraticar o Feitiço de Desarmamento. Mas e se ele nem conseguisse mover o boneco, ese seu desempenho fosse pior que o de Lana? Se Escórpio e os outros grifinóriosrissem dele por ser muito pior em feitiços que seu velho pai. Alvo já haviadesapontado o Prof Silvano antes, sua garganta enrolara quando ele estava prestes ademonstrar que sabia bastante sobre as Horcruxes, o garoto não estava disposto afalhar novamente... Alvo cerrou seus dedos ao redor de sua varinha com toda a sua força – fora tantaque minutos depois o garoto não conseguiria fechar a mão direita por algum tempo –ergueu o braço de forma elegante, porém brutal. Encheu os pulmões com maisvontade do que o professor e finalmente berrou: – EXPELLIARMUS! Houve um estrondo. O boneco-alvo do professor Silvano estremeceu, cuspiualgumas engrenagens de seu arsenal e foi arremessado alguns metros de distância.Sua falsa varinha rodopiou e acertou uma caixa de vidro do professor fazendo cacosse espalhar pelo chão. – Impressionante – garantiu o Prof Silvano de boca aberta, admirando o estragoque Alvo havia proporcionada em sua sala como se o garoto houvesse preparado-lheuma festa surpresa. – Geralmente eu o colocaria em detenção por quase destruirminha sala, mas como seu feitiço foi um sucesso. Quarenta pontos para a Sonserina.Bem, como vocês vêem tenho muito trabalho há fazer entes da próxima aula. Estãoliberados. Leiam o capítulo dois de seu livro e pratiquem o Feitiço de Desarmamentoem algum lugar seguro e livre de vidros... Certo, Sr Potter? Se quiserem um conselho,usem o antigo ginásio da escola, fica do outro lado do castelo. Lá encontrarãobonecos-alvo e um bom espaço para treinarem. Enquanto saia da sala de Defesa contra as Artes das Trevas junto a seus amigos,Alvo se sentiu notavelmente feliz. Não só por ter executado o Feitiço deDesarmamento de maneira fantástica, mas também por ter sido o melhor da classe afazê-lo, melhor até que Malfoy. 99
  • 100. Capítulo Seis O Sentimento que Ainda Habita a Sonserina A primeira quinta-feira de Alvo em Hogwarts amanheceu cinza e triste. O vento que colidia com as grandes árvores da Floresta Proibida também se chocava com as janelas da escola provocandoum leve sentimento de insegurança entre os alunos. Na quarta-feira anterior, agrande maioria dos rádios dos alunos de Hogwarts deixou de reproduzir em alto ebom som as costumeiras músicas para sintonizar nos canais climáticos.Provavelmente a rádio filial ao Sistema de Controle e Observação Climática dosBruxos nunca havia recebido tantos pontos na audiência quanto naquele dia. Todaessa sensação de desespero e preocupação dava-se a proximidade com os testes paraas equipes de Quadribol. A grande maioria dos primeiranistas sonserinos se mostrava bastante inquieta comrelação aos testes. Muitos estavam extremamente ansiosos com a proximidade dasdatas em quanto outros ainda receavam um possível vexame. Alvo estava entre asduas metades da Sonserina. Ele estava bastante ansioso como a maioria de seusamigos, mas também se mostrava apreensivo. Felizmente Alvo – e o resto dosprimeiranistas das outras casas, teria aula de Vôo com o professor Sabino Towlernaquela quinta-feira. Porém, Alvo preferiria mil vezes planar em uma vassoura secado que em uma encharcada como fizera Tiago no ano anterior e acabara quase sendolevado à ala Hospitalar. Durante aquela primeira semana em Hogwarts, Alvo ainda não chegara ao pondode implorar pela rápida chegada das férias de Natal. Por em quanto, Hogwartsestava o acolhendo extremamente bem, contudo, finalmente chegara o dia de queAlvo menos esperava: sua primeira aula de História da Magia. Alvo já havia sido alertado por muitas fontes seguras – seu pai, seu irmão e o tioRony – para não esperar nada de animador ou emocionante das aulas do Prof Binns.Talvez seu único consolo fosse que poderia, assim como seu pai fazia com a tiaHermione, copiar as anotações de Rosa. Porém Alvo já não esperava mais poder porseu plano em prática. Rosa teria História da Magia no segundo ano e a Sonserinafaria par com a Corvinal durante esta didática, o que não era tão mal. A sala de História da Magia ficava no primeiro andar, o que impossibilitava queAlvo chegasse atrasado já que ele poderia usar a passagem secreta de Válter Aragonque ligava as masmorras com um dos corredores do primeiro andar. Quando ele chegou à sala de História da Magia, o Prof Binns flutuava a poucoscentímetros do chão observando a lousa negra sem nenhuma anotação. A maioriados estudantes já presentes pertencia a Corvinal. Não era de costume de um membrodessa casa se atrasar para seus compromissos, principalmente se este estiver ligadoao aprendizado. 100
  • 101. Alvo subiu alguns degraus que levavam a grandes fileiras de carteiras colocadascuidadosamente em diagonal, o que permitia que todos os alunos pudessem assistirclaramente às aulas e explicações do fantasmagórico professor. Alvo se sentou bemno meio de uma das fileiras intermediárias, junto à garota que viera com ele e Luísno barco da escola. Ísis Cresswell estava com seu costumeiro colar esquisito e seus sapatos estilo punk.Ela usava bastante maquiagem, porém não muito chamativa – se é que elaconseguisse ser discreta. Porém Alvo e Ísis compartilharam de um bom diálogo emquanto o professor não iniciava a aula. Alvo se alegrou em saber que elaacompanhava fielmente as expedições de Luna e seu marido Rolf ao redor domundo, embora ela, Ísis, diferente da filha do editor d’ O Pasquim, não acreditava emqualquer nova criatura apresentada pela revista, assim como os nargulés. – Bom dia, classe – disse o Prof Binns com uma voz espectral e engraçada. –História da Magia. Uma didática que tem como principal e único intuito apresentaraos jovens bruxos uma explicação, ou melhor, um estudo aprofundado de todos osacontecimentos que envolvem o mundo mágico. Estudaremos, desde as revoluçõesentre duendes e bruxos da Idade Média até os confrontos da Idade Contemporâneaenvolvendo a tomada de Você-Sabe-Quem ao poder até sua derrota para HarryPotter. Se os senhores puderem me acompanhar, peguem seus livros e pergaminhose copiem o que eu... O Prof Binns foi interrompido pela chegada de um aluno atrasado que sem muitascordialidades entrara desgovernadamente pela sala. Alvo rapidamente reconheceraseus cabelos longos e a fisionomia pálida, era Lívio Black, o garoto quemisteriosamente carregava o sobrenome de alguns dos antepassados de Alvo. Lívio não se pronunciou. Apenas se encaminhou até o Prof Binns e escreveu-lheuma nota em um dos pergaminhos que equilibrava junto com sua mochila e algunslivros em baixo do braço. O Prof Binns pareceu entender o motivo do atraso de Lívioe somente balançou a cabeça indicando para que o garoto prosseguisse com seucaminho e prestasse atenção em suas explicações. – Esse aí sim e estranho. – murmurou Ísis no pé do ouvido do Alvo – Nuncapronunciou uma só palavra. Dizem que é mudo, mas ainda há alguns corvinalinosque não acreditam nessa história. – É verdade. – concordou Irene Mcmillan olhando para Alvo e para Ísis por cimado ombro – Eu acredito que ele seja mudo. Owen Khan diz que toda noite depois dejantar ele vai para a sala de Defesa contra as Artes das Trevas para treinar feitiçosnão verbais com o Prof Silvano, e... Porém Irene se interrompeu com a aproximação de Lívio, que chegava cada vezmais perto de Alvo, até sentar-se do seu lado direito. 101
  • 102. Alvo rapidamente fingiu estar copiando as anotações do Prof Binns, mas aquelanão era uma boa desculpa. O professor parecia completamente desorientado, emquanto escrevia anotações com seu giz fantasmagórico sobre, o que pareciaanotações muito mais antigas, o que proporcionava uma grande confusão entre asletras e os emblemas desenhados por Binns. Talvez fosse necessário comprar umapagador fantasma, mas onde encontrar um? Alvo então abaixou seus olhos para asanotações escritas nas carteiras pelos antigos alunos do Prof Binns. ‚Na dúvida, apenasdiga: REVOLUÇÃO DOS DUENDES” ou “Rebelião dos Gigantes é a resposta para tudo”. Porém Alvo não se conteve. Tinha que tirar a prova se Lívio era ou não mudo ouse era apenas tímido... – Oi. – disse Alvo em um sussurrou para não chamar a atenção do Prof Binns, quemergulhara em uma confusa explicação sobre a Idade Média das Trevas – Sou AlvoPotter, e você é? Alvo esperou até Lívio escrever algo em um pedaço de pergaminho. Depois ogaroto passou a nota para ele e finalmente Alvo leu: Prazer, Alvo. Sou Lívio Black. – Por que se comunica através de notas, Lívio? – quis saber Alvo sem muitacerimônia. O garoto estava cada vez mais curioso. Sou mudo. Escreveu. Algumas pessoas não acreditam nisso, inventam histórias de quetenho voz fina, que não sei falar ou que fui acertado por um Feitiço Silenciador mal executado,mas eu nasci sem minhas cordas vocais o que me impossibilita de me comunicar através davoz. Mas não tem problema, entre falar e ser um bruxo, ainda escolheria a segunda. – E quanto a esse nome: Black? Pensei que esse nome havia sido extinto. – Alvosabia que ainda existiam muitos descendentes dos Black (ele era a prova viva), mas onome em si, deveria ter sido esquecido. Até o ano passado eu nem sabia que meu nome era tão famoso. Segundo o Prof Longbottom,meu bisavô, Mário Black, era filho de bruxos, porém não desenvolvera nenhum poder mágico.Meu avô e meu pai sabiam fazer alguns truques de magia, porém não o suficiente para seremaceitos na escola. Parece que somente eu tive capacidade para ser aceito em Hogwarts. – Mas como soube que você era um bruxo? Além de sua primeira magiainvoluntária, como soube de Hogwarts? No meu décimo primeiro aniversário, o Prof Longbottom foi até minha casa para meentregar a carta da escola. Meu pai ficou um pouco desconfiado, mas depois ele se convenceu. Alvo sorriu para Lívio, percebeu que ele era uma boa pessoa. Sempre disposto abotar a mão no fogo pelos amigos. No final das contas, aquela foi uma boa aula deHistória da Magia, não que Alvo tivesse entendido o que o Prof Binns escreverasobre os confrontos entre homens trouxas e bruxos, mas porque aquele seria o iníciode uma longa amizade entre Alvo e Lívio. 102
  • 103. Nas demais aulas de Alvo na quinta-feira; não ocorreu nada de muito interessante.Estudos dos Trouxas com o Prof Finch-Fletchley, fora uma aula agradável, já que nãoexigiu muito de Alvo, a melhor parte fora quando o professor prometera aos alunosque na próxima semana eles praticariam um esporte muito popular entre os trouxas,o futebol. Depois do almoço Alvo teve de descer até as masmorras para sua primeiraaula de Poções, o que poderia ter sido muito pior se ele não fosse filho de HarryPotter, que lhe proporcionou horas e mais horas de elogios e cumprimentos vindosdo Prof Slughorn. Finalmente acabara o quarto tempo e Alvo e os outros primeiranistas seencaminhavam até o campo de Quadribol onde teriam sua primeira aula de Vôo.Para a felicidade de Alvo a chuva que castigara os terrenos da escola durante oalmoço e por boa parte dos dois tempos seguintes parecia ter-se extinguido, porémainda era forte e gelado o vento que cortava e bagunçava os cabelos dele. – Como foi História da Magia, Al? – perguntou Rosa quando ela e Agamenon sejuntaram a Alvo e Isaac no caminho para o campo. – Bem, foi muito, eh, esclarecedor. – gaguejou ele. – Você não prestou atenção em nada do que o Prof Binns disse, não foi? – Rosaparecia ofendida, porém nada surpresa. – Não me surpreenderia. – debochou Agamenon. – Talvez ele tivesse prestado mais atenção se não tivesse ficado a aula inteiraconversando com Black. – revelou Isaac em quando os quatro se aproximavam daentrada para o campo de Quadribol. – Você falou com Lívio Black! – exclamou Rosa admiravelmente ansiosa – Comoele é? Venho tentando me aproximar dele para pesquisar mais sobre seu parentescocom a família Black, mas ele parece um cofre! Nunca fala! – Ele é mudo – concluiu de uma vez. – E bastante tímido. Se você quiser seenturmar com Lívio não pode simplesmente chegar atropelando o garoto comperguntas. Tem que ir graduadamente. E, afinal, como foi sua aula de História daMagia? – Excelente – mentiu Rosa. – Aprendi bastante sobre o período da fundação deHogwarts. – Tem certeza, Srtª Granger? – perguntou Agamenon rindo. – Ok, vocês venceram! Foi horrível! O Prof Binns ficou me chamando de SrtªGranger o tempo todo. Sou parecida com minha mãe, mas não o suficiente para queele cisme em me chamar assim. Mas como soube disso? – Ralf Dolohov. Ele pode ser um leal informante, se você souber como persuadi-lo– acrescentou Alvo rindo da prima. – Agradeça ao Isaac e a seus Sapos de Chocolate.Mas, onde está Escórpio? – Ele vai demorar. – respondeu Rosa em um tom seco. 103
  • 104. – Percebeu como ele e Eugênio Finnigan, trocaram olhares furtivos durante toda aaula de Poções? – perguntou Agamenon. – Sim. – responderam Alvo e Isaac em uníssono. – Então, durante a aula de Geomancia, – explicou Agamenon – Eugêniosupostamente previu que um garoto loiro cairia da vassoura. – E o que tem de mais nisso? – Depois ele disse: ‚E esse babaca depois vai rachar o crânio se juntar a seu vovozinhosalafr{rio.” – Agamenon imitou a foz de Eugênio quase que perfeitamente de modoque Alvo pode sentir como se o próprio Eugênio o tivesse dito naquele momento –Escórpio xingou Finnigan e lançou um Feitiço de Desarmamento tão forte quanto oseu, Al. Margolyes reteve os dois do Pátio de Transfiguração e retirou setenta pontosda Grifinória. Francamente se esses dois não se aquietarem a Grifinória vai à ruína. – Escórpio deveria simplesmente ignorá-lo – disse Rosa ainda com sua seca. – Essaatitude infantil de Eugênio não deveria ser levada em conta. – Eu apóio Malfoy... Que estranho falar isso – disse Isaac, encarando Rosa. – Sealguém xingasse a mim e a meu avô receberia um belo de um Feitiço Estuporante nacara. – Pena que você mal sabe lançar um Expelliarmus em um boneco. – disse Alvo emtom de gozação. O campo de quadribol estava muito mais feio que de costume. As arquibancadasque durante as partidas oficias da escola eram cobertas por lonas das quatro casas deHogwarts e que suportavam vários alunos pulando e gritando sobre seus suportes,naquela tarde de quinta-feira mostrava apenas seu esqueleto. Somente inúmerasestacas de madeira cruzadas uma sobre outra sustentando as arquibancadas. Agrama, sempre bem aparada e milimetricamente igual, se mostrava muitomachucada, com pontos irregulares e alagados, porém nada que desanimasse o ProfSabino. Sabino Towler não era um bruxo velho, era membro mais novo do corpo docentede Hogwarts, somando apenas trinta e um anos, muito diferente da antigaprofessora de vôo, Madame Hooch. Sabino vestia suas costumeiras vestes azuladascom tons de cinza, com o escudo de Hogwarts gravado em seu peito esquerdo.Aquelas também eram suas vestes de árbitro das partidas do Campeonato deQuadribol da escola. Ao lado das botas de chuva do Prof Sabino uma pequenamaleta retangular, também com o escudo de Hogwarts gravado, repousava sobre agrama úmida. Poucos metros mais distantes do professor encontravam-se cerca decinqüenta vassouras da marca Nimbus 2010 deitadas sobre a grama. O Prof Sabinofez um gesto com as mãos pedindo para que os destros se colocassem ao ladoesquerdo de cada vassoura, e que os canhotos ao lado direito. 104
  • 105. – A aula de Vôo – começou o Prof Towler ajeitando os cabelos negros retirando-osde cima de seus olhos cinzentos. – Uma aula prática, o que pode ser bom paraaqueles que não se familiarizam com livros, mas ruim para os sedentários. Serei maisexplícito para aqueles alunos nascidos trouxas, seria como sua costumeira aula deEducação Física. Sim, eu sei bastante sobre o mundo trouxa. Então, já que é uma aulaprática, podem montar em suas vassouras e... O que pensa que está fazendo SrMarsten? – exclamou o professor para Kevin Marsten, um nascido-trouxa daCorvinal – Não é assim que um bruxo sobe em uma vassoura. Pelos céus! Estiquemsua mão dominante e digam ‚Em Pé!‛ – Em Pé! – gritaram milhares de vozes em tempos e tons diferentes, fazendo osouvidos de Alvo zumbir. A vassoura de Alvo deu um saltou para sua mão direita e ele rapidamente aagarrou com força. Pelo canto do olho Alvo olhou para a vassoura de Rosa quesomente roçavam em sua perna em quanto ela repetia a ordem dita pelo professor. Ade Isaac continuava imóvel no chão, em quanto à de Agamenon subia até metade docaminho, mas voltava para sua posição inicial. Além de Alvo poucos alunos conseguiram agarrar suas vassouras na primeiratentativa. Além dele, Antônio Zabini e Valeria Rosier da Sonserina seguravam suasvassouras com louvor. José Goldstein da Corvinal conseguira que sua vassourachegasse à sua mão esquerda em sua segunda tentativa, assim como Lívio queachava aquilo uma grande brincadeira. E um único membro da Lufa-Lufa conseguiuque sua vassoura chegasse à sua mão antes da décima tentativa, Luís Weasley. Depois que todos os alunos conseguiram que suas vassouras chegassem à suasmãos – o que demorou nada menos que vinte minutos – o Prof Sabino, mostrou-lhescomo montar em suas vassouras sem escorregar em pleno vôo pela outraextremidade. Em seguida passou pelas fileiras mistas de alunos corrigindo suasposições e suas maneiras de segurar os cabos. Alvo ficou satisfeito por não ter sidocorrigido pelo professor. – A chuva – urrou o professor olhando para o céu nebuloso e ameaçador – nãopode atrapalhar uma partida de quadribol. Geralmente as melhores partidas dequadribol ocorrem quando as vassouras estão molhadas e as gotas que caiem do céuchocam-se com os olhos dos jogadores. Como devem saber a Copa Mundial deQuadribol de setenta foi celebrada na China por baixo de um mês de chuvasarrasadoras. A final entre Sérvia e Austrália foi realizada tendo o campo como umaverdadeira lagoa natural com uma infestação grindylows. Bem. Quando eu apitar,dêem um forte impulso com ambos os pés e inclinem um corpo formando um ângulode vinte graus. Planem por alguns minutos pouco acima de minha cabeça e voltemimediatamente após meu sinal. Curvem o corpo para trás para parar. Ao meu sinal...três... dois... um... 105
  • 106. Alvo mordeu seu lábio com força. Contraiu os dedos contra o cabo da vassoura,dobrou os joelhos desesperadamente e tomou impulso. A vassoura deu um pinote ecomeçou a planar poucos centímetros a cima do chão. A grama começava a se tornarum borrão esverdeado em quanto os colegas de Alvo se transformavam em vultosmulticoloridos e berrantes. Alvo não conseguiu distinguir os conselhos gritadospelos alunos ou as advertências lançadas pelo professor. Precisava tomar distânciado chão caso não quisesse se chocar com as pilastras das arquibancadas ou comoutro estudante, mas aquele vento gélido batendo em sua cabeça e empurrando suasvestes e seus cabelos para o lado oposto estavam desconcentrando o garoto. “Pracima!” pensou Alvo nervoso, torcendo para que a Nimbus 2010 obedecesse a seuscomandos mentais como algumas vassouras mais modernas. Nada aconteceu. “Ok, ter{ de ser no manual.” Pensou em quanto se aproximava rapidamente daarquibancada da Lufa-Lufa. Alvo tinha pouco tempo para pensar em um modo deganhar altitude e impedir um choque brutal com as ameaçadoras (e cada vez maisrígidas) estacas de madeira. Então ele se lembrou dos conselhos ditos por Tiago nojantar de terça-feira: Forme um ângulo de noventa graus para levantar. Como últimaalternativa antes de se jogar para fora da vassoura e se arrebentar contra a gramaúmida e enlameada, Alvo levantou o corpo e finalmente compreendeu seu erro, nãoeram suas mãos, sozinhas que guiavam a vassoura, e sim todo seu corpo. FelizmenteAlvo conseguiu desviar da arquibancada da Lufa-Lufa. Quando finalmente estavacom total controle sobre a vassoura percebeu como era magnífico estar a quilômetrosde distância do campo de Quadribol, apertando os olhos para tentar distinguir ospequenos pontinhos turvos que se amontoavam junto ao meio de campo. Alvoempurrou o cabo da vassoura para baixo e inclinou o tronco para frente, tentandoganhar velocidade para chegar ao ponto que o Prof Sabino havia indicado. – É melhor continuar ai em cima, Potter! – urrou o Prof Sabino erguendo ospunhos para Alvo – Deveria ficar em detenção! Turma, o que estão fazendo aqui embaixo? O show de Potter já acabou, podem... Cuidado! Towler se atirou no chão poucos segundos antes de um vulto veloz cruzar seucaminho. O vulto parecia voar tão bem quanto Alvo, se não melhor, fazendomanobras que Alvo não arriscaria em seu primeiro vôo. Porém quando o vulto negrose aproximou de Alvo, e esse pode ver a cabeleira loira se aproximando, seuestômago embrulhou. Escórpio fora diminuindo sua velocidade de maneira que em segundos ele e Alvopudessem olhar um para a cara do outro. Alvo se sentiu mal, perdera todo o brilhoque havia conquistado poucos minutos antes, quando conseguiu executar suaprimeira manobra de quadribol com perfeição. Agora Escórpio aparecia como umjato e roubava toda a atenção da turma. 106
  • 107. – Desculpe atrapalhar sua apresentação, Potter. – disse Escórpio com ironia – Masachei que você gostaria de companhia aqui em cima. – Onde aprendeu a voar assim? – perguntou. – Inveja? – perguntou Escórpio, porém sem dar chance de Alvo responder. Ogaroto loiro mergulhou com a vassoura em direção ao centro do campo, no mesmomomento em que o resto da turma começava a voar de um lado para o outro. Malfoyaterrissou graciosamente ao lado do Prof Sabino. E mesmo tento que suportar suacara de desaprovação, Escórpio começou a falar, o que mais pareciam desculpas porseus modos. Poucos minutos depois, cerca de quinze a vinte, o Prof Towler soou seu apitonovamente chamando todos os estudantes de volta ao gramado. Alvo fez um gestobrusco e inclinou o corpo para frente no mesmo momento em que, com as mãos,forçou sua vassoura a mergulhar. De certo ponto de vista, Alvo fizera um bom vôo,mesmo sendo sua primeira tentativa de vôo a mais de dez centímetros do chão.Porém o garoto não se mostrava tão eufórico ou admirado como ficaram seus outrosamigos que também nunca haviam conseguido planar. – Muito bem. – começou o Prof Towler em quanto os estudantes aterrissavam aoseu redor – Vocês foram muito bem para sua primeira aula, mas, espero que napróxima semana não tenhamos nenhuma gracinha, correto, Sr Malfoy? – Sem problemas, senhor – respondeu Malfoy sorrindo para o professor. Alvonotara que pela primeira vez vira o sorriso verdadeiro de Escórpio, e por ummomento ele se esqueceu de toda a ira que sentira pelo amigo ter roubado seu brilhodurante a aula. Depois de guardar sua vassoura no armário do campo de quadribol, Alvo estavaconvencido de que iria junto a seus amigos Rosa, Agamenon, Lívio e Isaac para oSalão Principal conversar antes do início do banquete. Ele estava convicto queprecisaria se alimentar bem para poder prestar atenção na aula de Astronomia com aProfª Aurora Sinistra. Mas, antes que ele pudesse deixar o campo a voz rouca do ProfSabino o chamou, pedindo para que ele o esperasse. – Vão à frente - disse ele para os amigos. – Eu encontro vocês no Salão Principalem vinte minutos. – Potter – disse o Prof Sabino olhando fixamente para Alvo. – Foi um bom vôo, oque você nos proporcionou há alguns minutos. Talvez um dos melhores que vi hoje. – Um dos melhores – repetiu Alvo em um sussurro como se aquilo fosse o mesmoque um xingamento. – Se refere ao vôo demonstrado pelo Sr Malfoy, eu diria para não se incomodar. Afamília Malfoy possui um nome muito influente dentro do Ministério da Magia.Mesmo depois de tudo o que aconteceu – completou o professor rapidamente. – Eaposto meu pequeno salário de que Draco Malfoy conseguiu burlar alguma lei que 107
  • 108. permitisse que seu filho pudesse praticar vôo sendo menor de idade. Não sepreocupe. Se Malfoy “acabou” com seu show, foi somente hoje. Você e ele têmhabilidades muito semelhantes e com um pouco mais de treino creio que em umfuturo próximo ambos terão os mesmos pontos fortes e fracos. E se você se preocupacom sua vaga na equipe de quadribol da Sonserina fique despreocupado. Já treineitodos os garotos e garotas e nenhum deles, nenhum consegue fazer o mesmo que fezhoje. Isso se você quiser ser apanhador como seu pai, estou certo? Alvo assentiu. – Então vá. Precisa estar de barriga cheia se quiser passar a noite acordado emquanto aprende alguma coisa sobre Astronomia. Já era quase uma e meia da manhã quando finalmente a Profª Sinistra liberou aturma. Alvo estava completamente esgotado, mas gostara de ficar acordado atétarde, pelo menos fazendo algo que ele gostava de fazer quando não tinha nada a serfeito. Olhar as estrelas. Claro que era muito mais agradável olhar as estrelas bem deperto, com a ajuda dos potentes telescópios da Profª Sinistra e os divãs colocadosperto deles para que os alunos pudessem se ajeitar melhor em quantoredirecionavam o telescópio de um lado para o outro. Porém a aula teria sido muitomais prazerosa se Perseu não ficasse perguntando a Alvo, a cada dez minutos, sobrequal estrela a professora se referia. – Você acha que sua prima Rosa já tem par para fazer a tarefa de casa? – perguntouIsaac à Alvo em quanto ele girava seu anel de passagem sobre o olho da serpentesentinela da passagem para a sala comunal da Sonserina – Sangue Puro. – Resssposta errada! – sibilou a serpente prateada para Isaac – Sssem ssenha nãoentra! – Mas... – Você disse a senha errada. O certo é... Linhagem Pura. – corrigiu Alvo em quantoà serpente destrancava a passagem e os garotos a atravessavam – As senhas só sãotrocadas no final de cada mês. – Sério?! – perguntou Isaac constrangido – O idiota do Tibério Nott disse quetrocavam todas as quita-feiras! Já estava me preparando para anotá-las em umpedaço de pergaminho. – Acho que isso não é uma boa idéia. – garantiu Perseu atirando-se no sofá negrocom pequenas caveiras prateadas no lugar dos botões. – É verdade. – apoiou Alvo – No terceiro ano de meu pai em Hogwarts, o ProfLongbottom anotou todas as senhas do retrato em um pergaminho, e depois asperdeu! Foi fácil para Sirius Black, na época um fugitivo, entrar na sala comunal. – Não sou estúpido o suficiente para fazer isso. 108
  • 109. – Eu não teria tanta certeza. – concluiu uma voz fria, mal humorada e femininavinda de trás dos garotos – Não me surpreenderia se uma escória como vocêentregasse se anel e nossas senhas para um sangue-ruim qualquer. Valerie Rosier estava em pé atrás do sofá junto de suas duas capangas irritantes,Héstia Pucey e Isla Montague. Com alguns dias de convivência Alvo pode distinguir bem o papel de cada umadentro da gangue de Rosier. Héstia não era forte ou ameaçadora, muito pelocontrário, ela era tão magra quanto um graveto, porém escondia muito bem suainteligência por debaixo de sua cara feita de mármore. Héstia tinha o “dom” deespalhar uma notícia em segundos e conseguia humilhar qualquer um somente comargumentos inteligentes. Muito diferente de Isla Montague que mal conseguiaescrever seu nome completo em um pergaminho. Isla contava com sua ameaçadoraexpressão de raiva e suas grandes mãos capazes de fazer um sextanista perder ofôlego, se acertado no estômago. Valerie era a mais bonita e encantadora das trêscolegas, tinha cabelos e olhos negros quase que perfeitos, e possuía bastanteinteligência. Talvez fosse por isso que Valerie fora selecionada para a Sonserina, poisassim como a serpente, consegue camuflar seu veneno perfeitamente dentro de suaspresas e atacar no momento em que se mostra mais dócil. – Quem você pensa que é para me chamar assim? – perguntou Isaac saltando dapoltrona e fechando os punhos com raiva. – Valerie Cristina Rosier – respondeu ela com desdém. – Sangue mais puro que oseu, evidentemente. – Como? – Sei bastante sobre seu sangue, Prewett – Valerie sorriu. – Ora, você não temvergonha de seu vovozinho abortado, tem? Com um gesto brusco Isaac sacou sua varinha e a apontou tremulamente para abarriga de Valerie. Suas narinas contraíram-se como as de um dragão pronto paraatacar sua próxima presa. Naquele momento Alvo – que junto a Perseu já haviam selevantado para apoiar Isaac – percebeu que Isaac estava pronto para cumprir o queprometera a Alvo, Rosa e Agamenon poucos minutos antes da aula de Vôo. – Diga mais uma palavra sobre meu avô – ameaçou tremulo – ou sobre qualquermembro da minha família... Que eu te acerto com um feitiço! – Que galante – disse Valerie ainda sorrindo. – Mas, antes de me acertar comalgum feitiço, você não deveria aprender como fazê-lo? Ou você é tão abortadoquanto seu... – Expelliarmus! – berrou Isaac. – Incarcerous! – berrou Valerie. O Feitiço de Desarmamento lançado por Isaac se mostrou muito mais completo epotente que o lançado por ele no boneco-alvo do Prof Silvano durante a aula de 109
  • 110. Defesa contra as Artes das Trevas. O feitiço foi tão perfeito que Alvo pensou que se oprofessor estivesse presente acrescentaria dez pontos a casa, antes de retirar-lhe ceme colocar Isaac em detenção. Porém o Expelliarmus lançado por Isaac colidiu com ofeitiço lançado por Valerie fazendo-os mudarem de rota. O feitiço de Isaac acertouem cheio o peito de Pucey fazendo a garota ser arremessada dez metros para trás emquanto sua varinha era atirada para o canto oposto, já o de feitiço de Valerie acertouPerseu que caíra com um forte baque no tapete da sala comunal em quanto tentavase desamarras das cordas conjuradas por Rosier. – Isla, faça alguma coisa! – ordenou Valerie desesperada – Leve Héstia para a AlaHospitalar e conte o que Prewett fez! – Não ouse fazer isso! – bradou Alvo, que até então estava ajudando Perseu a sedesamarrar. O garoto deu um salto e apontou sua varinha para as costas deMontague, fazendo a garota gelar de medo. – Não dê mais um passo. – Quem é você para dar ordens a minha colega?! – urrou Valerie irritada. – Sou Alvo Severo Potter. – disse Alvo imitando Valerie, o que irritou muito agarota – Mente e coração muito mais puros que o seu, evidentemente. – Você não tem direito de aplicar a palavra, “puro”, a nada que vier de sua famíliamedíocre! – afirmou Valerie ainda irritada. – Bando de indignos! – Indignos? – repetiu Alvo. – Sim, Potter... Indignos! – estresiu Valerie ainda sorrindo – Ou esquecera que acasa Sonserina é somente para aqueles que possuem o sangue completamente puro!Creio que você e Prewett não podem usar a expressão, ‚puro”, junto a seus nomes. – Porque somos traidores do sangue – disse Alvo como se aquilo fosse mais umapergunta de um ridículo teste. – Então, Rosier, explique-me o que é um traidor dosangue, em seu ponto de vista. – Traidores do sangue, – disse Valerie com nojo da própria boca, como se acabarade falar inúmeros palavrões e palavras asquerosas – são bruxos que se associam aseres de linhagem inferior. Trouxas, abortos, centauros, sangues-ruins e mestiços! – Então, sugere que eu e Isaac saiamos da Sonserina porque nos associamos apessoas de linhagem inferior. Ok. Quer que guardemos um lugar na Lufa-Lufa paravocê? – indagou Alvo em tom de deboche. – O que quer dizer com isso, Potter? – Digo, Rosier, que se as pessoas associadas a trouxas, mestiços e abortos não sãodignas da Sonserina, então você e toda sua linhagem Rosier deveria abandonar estacasa. Afinal, seu honroso avô se associou a Voldemort, um mestiço. Então, segundoseus argumentos, você, seu avozinho Evan e todo o resto são traidores do sangue. Valerie sentiu como seu o mundo desabasse sobre seus ombros. Depois de tantosanos usando aquele argumento para ridicularizar e humilhar os bruxos e trouxas delinhagem inferior finalmente a garota ouvira de seu próprio colega de classe, que 110
  • 111. segundo a mesma não era digna de estar na casa que tanto amava. Valerie poderiasair correndo para seu dormitório naquele exato instante, mas quilo não era típicodela. A garota continuou parada como uma estátua no mesmo lugar onde ficaradurante toda a discussão com Alvo Potter... Alvo Potter, aquele garoto com certezasignificaria algo na vida de Valerie. Fora o primeiro menino, ou melhor, o primeirobruxo a contestar tudo o que Valerie afirmava. O primeiro a, sem utilizar argumentospróprios ou ofensivos, lançar o nome Rosier na lama e o misturar com todos os que,segundo Valerie, eram considerados escória. – O que está havendo aqui? – perguntou Flora Palmer ao descer as escadas quelevavam para os dormitórios ainda de pijama. Bruto Nott, seu colega monitor aacompanhava, também trajando seu pijama. – Nada de mais – respondeu Valerie de forma fria e oca, como se as palavrashouvessem saído de sua boca sem seu conhecimento. – Nada de mais! – bradou Bruto tomando a frente e pondo-se à frente de Valerie eAlvo – Temos um... O que é isso! Por Merlim! Temos um garoto amarrado e outradesacordada, e você me diz que, não é ‚nada de mais”! Flora, vamos levá-los para adiretora Crouch. – Está louco, Bruto! – exclamou Flora juntando-se ao monitor – Já passa das duasda manhã! Nunca que a diretora nos atenderia a esta hora. – Tudo bem – disse Bruto relaxando seus músculos. – Mas eu quero os quatro aquina sala comunal antes do café, vamos levá-los para ver a diretora. E caso eu não osencontre aqui às seis da manhã, juro que tirarei muitos pontos da Sonserina. Agoravocês subam para seus dormitórios e não mudem a trajetória. Flora e eu vamoscuidar desses dois. Alvo, Isaac, Isla e Valerie subiram as escadas de pedra negra que davam para osdormitórios monotonamente sem trocar olhares com ninguém. Valerie e Isladobraram a direita e seguiram em direção ao dormitório feminino em quanto Alvo eIsaac seguiram para o masculino. Alvo entrou em seu dormitório decidido a mergulhar sobre sua cama e só abrir osolhos no dia seguinte, quando teria um encontro nada casual com a diretora, osmonitores e Valerie Rosier. Porém, sentado em sua cama com seu costumeiro sorrisomalicioso, encontrava-se Lucas Pritchard. Ele abriu ainda mais seu sorriso e entãoperguntou: – Eu cochilei um pouco. Será que pode repetir como você deu um fora em Rosierpara mim? Ser guiado para fora da sala comunal por dois monitores em direção ao escritórioda diretora Crouch pela manhã, acompanhado de um de seus melhores amigos eduas garotas que na noite anterior ele quase estuporara fora uma das pioressituações de Alvo em Hogwarts. Talvez, ficasse atrás somente de quando ele fora 111
  • 112. transportado para outra dimensão pelo Memorial de Hogwarts e quando ele eValerie trocaram prosas nada amigáveis na noite anterior. Bruto Nott guiava os quatro sonserinos pelas masmorras como um carcereirolevando os penitenciários para tomar banho de sol. Ele continha bruscamente o seusorriso, mas dentro de si ele se sentia um dos melhores monitores que Hogwarts jápossuíra. Bruto era muito diferente de seu irmão mais novo, Tibério, mesmo sendocriado em uma família como a dos Nott que não seguia rigorosamente as regras esendo filho de uma Parkinson – Pansy Parkinson, no caso, sempre muito autoritáriae temperamental – Bruto gostava de seguir estritamente as regras. O que lembrava aAlvo seu tio Percy, outro leal seguidor das leis. – Sr Filch, – disse Bruto cordialmente quando saiu das masmorras junto com suacolega e seus prisioneiros – desculpe-me pedi-lo para encaminhar-se até as masmorrastão cedo, mas nós não sabemos qual é a senha do escritório da diretora. Enecessitamos encaminhar esses quatro para ela. – Pelo menos foi você quem me chamou, Bruto – respondeu Filch em um tom queAlvo nunca imaginara ouvir do zelador. Filch tratava Bruto com respeito,retribuindo a cordialidade dada pelo monitor. – É um prazer encaminhar essesmoleques para o que pode ser uma dura detenção. Principalmente se... Não me diga!Tão cedo em detenção, Potter. Vou logo avisando, você pode estar na Sonserina, masainda é cria de eu pai. Terei o maior prazer em aplicar suas detenções pessoalmente. – Certo, Sr Filch – interrompeu Bruto pedindo para que Filch os guiasse até a salada diretora. – É uma senha complicada, sabe. – afirmou Filch quando os sete se encontravamperto da gárgula que guardava a passagem para a sala da diretora – Preferia as doProf Dumbledore e da Profª McGonagall, mas... “Toujours pur”. A gárgula ganhou vida no instante em que Filch pronunciou a senha. Assim acriatura de pedra saltou para o lado no mesmo instante em que a parede de trásdividia-se em duas. Por fim surgiu uma grande escadaria de caracol, muito maior daque dava para as masmorras. Alvo e o grupo de sonserinos guiados por Filch nãonecessitaram subir pelas escadas já que a mesma os erguia em direção aos aposentosde Crouch como uma escada rolante. – Obrigado, Sr Filch. Daqui sigo eu... Quero dizer, nós. – corrigiu Bruto no instanteem que Flora beliscou seu braço. Alvo pode detectar a palavra ‚Puxa-Saco‛,escondida entre a tossida de Isaac. Bruto bateu na porta de carvalho com aldrava em forma de grifo, e esta se abriusilenciosa e automaticamente, dando para o gabinete da diretora. Claro que aquele não era o momento mais oportuno, mas Alvo não pode deixar dereparar em cada detalhe da grande e volumosa sala circular da Profª Crouch. Haviavários instrumentos prateados em forma de latão piando e girando, provocando sons 112
  • 113. de todas as tonalidades. As paredes, cobertas de retratos dos antigos diretores daescola proporcionavam a Alvo uma estranha sensação de Déjà vu, com vários rostossonolentos de homens e mulheres trajando vestes ilustres. Havia a grandeescrivaninha da diretora, com seus pés de garra e detalhes dourados. Pousado sobrea prateleira atrás da escrivaninha estava o Chapéu Seletor, descansando sobre suasabas e seus entalhes. E, a poucos metros da escrivaninha da diretora, sobre uma mesade prata, rodeada por espelhos sujos, e descascados estava ela: a Penseira do ProfDumbledore, deixada de herança para a escola para que todos os outros diretorespudessem reviver suas lembranças durante os tempos de folga. – Bom dia, senhora diretora – disse Bruto fazendo uma desajeitada reverência paraa Profª Crouch. – Perdoe-nos por acordá-la tão cedo, mas nós preferimos atormentá-la com esse problema hoje de manhã do que ontem pela madrugada. – Obrigada por seu discernimento, Sr Nott. Mas o que temos aqui? – perguntou adiretora estudando as fisionomias dos quatro estudantes retidos. – Todos da mesmacasa e do mesmo ano. Temos as senhoritas Isla Montague e Valerie Rosier e ossenhores Isaac Prewett e, que surpresa, Alvo Potter. Ocorrência... – A ocorrência – começou Flora Palmer pondo-se à frente de Bruto no momentoem que ele começaria a explicar sobre a discussão da noite anterior – é que estesquatro sonserinos discutiram noite passada em plena sala comunal aos berros.Também foram constatados por nós, os monitores, e por algumas testemunhaspresentes no momento, que o Sr Prewett e a Srtª Rosier – seus olhos deixaram adiretora e recaíram sobre Isaac e Valerie – utilizaram suas varinhas para agredir umao outro. Feliz ou infelizmente os feitiços ricochetearam um no outro e acertaramoutros dois estudantes, o Sr Perseu Flint e a Srtª Héstia Pucey. Ambos passam bem. – Obrigado, Srtª Palmer. – disse Crouch com um gesto de agradecimento – Creioque a senhorita e o Sr Nott já podem se retirar de meus aposentos e seguirem para oSalão Principal. Acrescentarei vinte pontos para cada um. Sua casa necessitará demuitos pontos para recuperar os futuros pontos perdidos – ela fuzilou os quatro comseu olhar macabro e seu sorriso ameaçador. – Bem – começou ela assim que Bruto e Flora deixaram o gabinete – quero ouvir aversão de cada um de vocês. Se os senhores não se importarem – ela olhou para Alvoe Isaac – damas primeiro. Valerie começou a contar para a diretora Crouch o que acontecera, o que, segundoela, começara somente a partir de um ingênuo comentário feito por ela a Isla que foramal interpretado por Isaac. A garota de cabelos negros enfatizou várias vezes a ira deIsaac sempre que Valerie mencionava o nome do avô, e que se Isaac tinha vergonhade possuir um parente abortado – o que deixou o garoto com as orelhas fumegando –e que ele não deveria colocar o nome do avô em conversar sobre sangue-puro esangue sujo. Depois Isla teve a bondade de acrescentar como Isaac estava furioso 113
  • 114. quando acertou Héstia de propósito – Montague em momento algum se lembrou decontar a diretora sobre o feitiço lançado por Valerie – e depois contou como Alvofora grosseiro e ameaçador quando apontou a varinha para suas costas impedindoque ela socorresse a amiga. Por fim Valerie resumiu em poucas palavras –esquecendo de contar a diretora sobre suas teorias sobre sangues puros e traidoresdo sangue – como discutira com Alvo. “Ele humilhou o nome de meus antepassados.”Disse Valerie com rispidez lançando a Alvo um olhar de raiva. – Muito bem – bufou a Profª Crouch impaciente. – Agora os senhores podemcomeçar. Alvo e Isaac contaram à diretora o que realmente aconteceu, o que proporcionoumenos tempo trancado no gabinete da diretora. Isaac começou contando comoValerie e suas amigas haviam se referido a seu avô e a sua família, disse – com umapequena mentira – que só usara o feitiço para proteger Perseu que fora brutalmenteatingido pelo feitiço de Valerie. Depois Alvo explicou mais detalhadamente o porquêde ter impedido que Isla levasse Héstia Pucey para a ala Hospitalar. ‚Valerie haviadito para que ela incriminasse somente Isaac. E fora apenas um Feitiço de Desarmamento,nada que pudesse atormentar Madame Pomfrey.” Por fim Alvo relatou, também maisrapidamente, sobre como fora sua discussão com Valerie, e Alvo, não se esquecera dealudir os pensamentos de Valerie sobre a pureza de sangue, e se explicou porquechamou o avô de Valerie de traidor do sangue. – Bem, parece que temos um impasse – declarou a diretora ainda com suaexpressão severa. – Rosier e Montague dizem que os senhores começaram adiscussão e os senhores dizem que foram elas. Francamente, vocês têm idéia de ondeestão? Sabem que Hogwarts é uma fortaleza educacional, que permite que vocêsaprendam sobre magia e interajam com outras pessoas? Ou ainda pensam que estãoem um lugar onde os professores e monitores ainda possuem paciência para aturarsuas briguinhas infantis e estão dispostos a limparem sua baba?! Vocês tiveram sorte,crianças, porque uma discussão boba dessas garantiria no mínimo três semanas dedetenção e mais uns cem pontos a menos para suas casas para cada participante.Além de perderem o direito de se apresentar aos testes para a equipe de quadribol,no sábado. ‚Todavia, vocês me encontraram em um momento de extrema generosidade.‛ ‚Não os restringirei de participar dos testes porque já fui uma sonserina e tenhoconhecimento da carência da equipe com certos jogadores. Contudo, serão retiradoscento e cinqüenta pontos pela discussão de madrugada, perturbando o silêncio e osono de seus colegas mais o uso de magia contra seus colegas. Agora...‛ Crouch abriu uma de suas gavetas e vasculhou-a por alguns segundos. Finalmentea diretora retirou um rolo de pergaminho amassado, e pôs-se a escrever. – Detenção – começou ela a ditar tudo o que escrevia no pergaminho. 114
  • 115. Aluna: Srtª Isla Roberta Montague Professor encarregado da detenção: Sabino Towler. Data: 9 de setembro, segunda-feira. Hora: Nove e meia da noite Depois anotou o nome de Valerie. Aluna: Srtª Valerie Cristina Rosier Professor encarregado da detenção: Septina Vector Data: 9 de setembro, segunda-feira e 13 de setembro, sexta-feira Hora: Nove e meia da noite – Por que eu terei duas detenções em quanto Isla só uma?! – contestou Valerieindignada. – Porque, diferente da Srtª Montague, a senhorita utilizou feitiços fora da sala deaula. O que só é permitido quando no intuito da prática de deveres de casa – adiretora apoiou-se na mesa e olhou bem no fundo dos olhos de Valerie. – O que eunão creio que fora o caso. Mas fique tranqüila, o Sr Prewett receberá da mesma dose– e com isso começou a redigir o castigo de Isaac. Aluno: Sr Isaac Geraldo Prewett Professor encarregado da detenção: Mylor Silvano Data: 10 de setembro, terça-feira e 12 de setembro, quinta-feira Hora: Oito e meia da noite Por fim Servilia Crouch anotou a detenção de Alvo. Aluno: Sr Alvo Severo Potter Professor encarregado da detenção: Horácio Slughorn Data: 12 de setembro, quinta-feira Hora: Oito e meia da noite No final das contas o pior que acontecera para Alvo fora perder os pontos relativospara a Sonserina, mas pelo menos ele cumpriria a detenção com um professor queevidentemente não o colocaria para realizar tarefas brutais ou irritantes visto que oProf Slughorn adorava o pai de Alvo e tinha muito apresso pelo rapaz. – Agora saiam da minha sala, não ousem repetir o feito – ordenou a diretoraerguendo-se de sua cadeira e deixando a escrivaninha – e se dêem por satisfeitos. 115
  • 116. Capítulo Sete Um Artesão Esquecido F inalmente chegara o dia que Alvo e todos os primeiranistas ansiavam. Nem mesmo a detenção que ele deveria cumprir na sala do Prof Slughorn na terça-feira ou a quantidade absurda de deveres passadospela Profª McGonagall e pelo Prof Silvano poderia desanimar Alvo. Até porque eleestava se saindo muito bem com o Feitiço de Desarmamento, conseguia arremessar avarinha de Escórpio para longe do colega, porém o mesmo também conseguia fazê-lo. E com relação aos deveres de transformação, bem, nada que umas horas ao ladode Rosa não resolvessem. Alvo estava tendo algumas dificuldades em transformaruma pêra em uma maçã. A manhã de sábado nascera da mesma forma que a de quinta-feira quando Alvoteve sua primeira aula de Vôo com o Prof Sabino Towler. As nuvens se aglomeravampor todo o céu provocando trovoadas ameaçadoras e pancadas de chuva a qualquermomento. O vento soprava forte, mas isso agradava a Alvo, seria uma oportunidadede ele tentar uma nova manobra que ele treinara na sexta-feira em seu tempo livre.Ele e Tiago tentavam uma manobra muito utilizada pela mãe durante seus temposcomo jogadora. A ‚Cominação Ginevra” era uma boa manobra para enganar o outroapanhador, e tanto Alvo quanto Tiago a trabalharam muito. ‚Se dominarmos essa manobra‛ – disse Tiago quando ele e Alvo treinavam nocampo de quadribol pela tarde ‚não ter{ para ninguém nos testes!‛. Porém Tiagopossuía um problema que Alvo desconhecia. Na Sonserina faltavam bons jogadorespara preencher o espaço que Alvo gostaria para ele, muito diferente da Grifinória,onde sobravam jogadores para ocupar cada posição. Entretanto, o problema queatormentava Tiago fora o mesmo que chegara a irritar Alvo, certo garoto loiro queTiago gostava de referir-se como ‚Aquele Diabrete Loiro”. Escórpio Malfoy dava mais dor de cabeça a Tiago do que a Alvo. Claro que comoEscórpio era um ano mais novo que Tiago e passava boa parte do seu tempo junto aAlvo – o que o daria mais chances de superá-lo – mas o que estava em jogo era ahonra de Tiago. Para ele seria muito melhor ser esbofeteado por um trasgo do queperder a vaga no time da Grifinória por causa de um Malfoy. E a fama de Escórpiocomo garoto maravilha estava crescendo entre os primeiranistas. O que diminuía asbrincadeiras e xingamentos ditos por boa parte dos grifinórios – exceto por EugênioFinnigan e seus amigos que ainda cismavam com ele. Erico Laughalot estava em pé no centro do campo de quadribol com a mesma posee o mesmo olhar superior do Prof Sabino na quinta feira. Erico assumira o posto decapitão da equipe naquele ano e gostaria de manter o bom percentual de vitórias dosanos anteriores, quando a equipe era comandada por Eustáquio Birch. Ao lado de 116
  • 117. Erico estavam os outros dois antigos jogadores da equipe da Sonserina jáconfirmados para a próxima temporada: Nico Higgs e Demelza Willians. Quando Alvo e Isaac chegaram ao campo encontraram o capitão e seus auxiliaresencarando um grande amontoado de alunos com vestes verdes se engalfinhandopara conseguir as melhores vassouras. Gritos, berros, e palavrões eram ouvidos acada segundo. Alvo viu Bruto Nott abandonar toda a sua cordialidade e gentileza eempurrar um aluno do segundo ano para trás para se apoderar de sua Nimbus. Mastudo aquilo fez Alvo se lembrar que não estava na Corvinal e sim na Sonserina ondetodos querem se exibir mais do que o outro. – Potter – gritou a voz de Erico Laughalot no centro do campo. – Vem aqui. Alvo deixou Isaac mergulhar no tumulto e seguiu para perto do capitão. – Potter, pelo que ouvi dizendo – começou Erico lançando a Alvo seu sorrisogalante e hipnótico – seu desempenho na aula do Towler foi excepcional para umprimeiranista. – Alvo começou a ficar vermelho e teve vontade de dar um soco emseu estômago – Tome – disse Erico entregando a Alvo sua própria vassoura. – É umaFirebolt. – Não posso aceitar – afirmou Alvo envergonhado. – Você precisa dela paracomandar os testes! – Não estou te presenteando com ela, garoto. Estou emprestando. Além do mais,posso usar a vassoura de Demelza. Ela não se importa. Alvo abriu um largo e, não menos que, esquisito sorriso. O qual contagiou Erico,Demelza e Nico como catapora, fazendo os três alunos mais velhos rirem. O queAlvo não soube se era bom ou ruim. – Muito bem – gritou Erico para os alunos em quanto Alvo se juntava aoaglomerado de primeiranistas. – Começaremos com testes básicos. Quero que memostrem como vocês pilotam suas vassouras. Dividirei vocês em grupos de cinco, equero que voem em círculos pelo campo. Ok? Os primeiros grupos eram formados por calouros, porém Erico impediu que Alvose juntasse a eles. O que foi uma boa decisão, já que a grande maioria mal conseguiradar o impulso. Alvo ouvia gritos de gozação e incentivo a cada primeiranista que sedesprendia de sua vassoura e caia com um baque sobre a grama – agora melhoraparada. O quinto grupo era um grupo misto, composto por alunos do primeiro esegundo ano, no qual Isaac estava presente. Talvez tivesse sido o primeiro grupo acompletar uma volta pelo campo, sendo que alguns estudantes deixaram suasvassouras pelo caminho. O sexto grupo era formado por garotas. As garotas mais bobas e sem noção queAlvo já conhecera. Uma estava tão preocupada em seduzir Erico que acabarachocando-se com uma das balizas, antes que ela pudesse notar que estava fora docurso. 117
  • 118. O sétimo grupo era composto todo ele por alunos do sétimo ano dispostos aarriscar ao máximo com as manobras mais perigosas e extrovertidas do mundo doQuadribol. Alvo se impressionou muito com a habilidade da maioria dos alunos queolhavam para a gravidade e zombavam dela com manobras completamenteincríveis. Porém Alvo e o restante dos alunos ainda não testados não conseguiramabafar as gargalhadas quando um garoto tentara executar uma Finta de Wronski, masacabara colidindo com o chão provocando um forte e surdo baque e o som de umestalo que significava que a vassoura do garoto havia se partido. – Próximo grupo! – anunciou Erico – Sara Aubrey; Ana Higgs, Bruto Nott, TibérioNott e Alvo Potter. Estava na hora. Alvo imitou seus outros colegas e montou na vassoura. Tentouimaginar que aquela era apenas mais uma aula de vôo, que ele só necessitavacompletar uma volta pelo campo e estaria tudo acabado. Bruto olhou para Alvo elançou-lhe um sorriso de boa sorte. O mesmo não se pode dizer de Ana Higgs, airmã mais nova de Nico, do terceiro ano. Ela emburrou a cara e abaixou sua cabeçapara sua vassoura. Alvo fechou os nós dos dedos entre o cabo negro da Firebolt deLaughalot e ao sinal do capitão ele deu um impulso, disparando... A Firebolt ainda era muito melhor que Nimbus 2010, sua cauda era mais macia eseu cabo mais rígido, permitindo que a quem voar sobre ela executar manobras commuito menos esforço e com mais leveza. Quando Alvo deu-se por si, percebeu queliderava o grupo de sonserinos, voando entre as arquibancadas, agora muito menosassustadoras que durante a sula de Sabino Towler. Alvo parecia não acreditar no que via. Nunca poderia imaginar que chegaria tãoperto de seu pai. Ele estaria se igualando ao pai e ganhando o posto de mais novoapanhador do século vinte e um? Alvo estava cada vez mais confiante que a vaga deapanhador era dele. Não tem para ninguém. Pensou ele em quanto contornava aarquibancada dos professores. Lá embaixo, Alvo pode ver o contorno de Erico e deDemelza, ambos seguindo com o olhar os cinco sonserinos planando de um ladopara o outro, Nico, por outro lado, estava lançando azarações no gramado em quantoafugentava dois alunos da Corvinal e um da Grifinória que tentavam espiar os testesdo rival. – Muito bem! – urrou Erico para os sonserinos depois que todos os estudantes jáhaviam completado a tarefa. Naquele momento o número de estudantes há seremtestados havia diminuído drasticamente – Agora vamos partir para os treinos maisrigorosos. Começando por uma área que domino modesta parte bem, a artilharia. Alvo ficou esperando na arquibancada durante uma hora e meia até todos os testespara artilheiros e batedores acabarem. Particularmente, Alvo simpatizara com umgaroto e uma garota que fizeram o teste para artilheiro. Cadu Branstone e Eva Lee semostraram muito velozes e ariscos dando muito dificuldade a Erico e Demelza que 118
  • 119. tentavam bloqueá-los. Os batedores também deram dor de cabeça aos examinadores.Stuart Beetlebrick era um garoto moreno e parrudo, que conseguira criar uma craterana arquibancada a poucos centímetros de onde Alvo se encontrara, em quantoEstevão Murdock, um setimanista baixo e gordinho, possuía uma pontaria capaz dederrubar um trasgo de uma vassoura. – Apanhadores! – urrou Erico chamando meia dúzia de garotos e garotas dediferentes idades para o centro de campo – Sua tarefa é simples. Vocês somentedeverão pegar o pomo. Quem pegar fica com a vaga – dito isso Erico estendeu suamão mostrando uma pequena bolinha dourada brilhante que batia suas asinhas debeija-flor, inquieto. No momento em que Erico abriu a mão, a bolinha saltou paracima e se perdeu da vista dos candidatos a apanhadores. – Boa sorte, Potter! – berrou uma voz da arquibancada. Alvo não se conteve eespiou pelo canto de olho. Na arquibancada da Grifinória encontrava-se Rosa,Agamenon, Ralf Dolohov e Escórpio, que acompanhava os testes para a equipe daSonserina de pé, debruçado na proteção de madeira. – Arrebenta com eles, Alvo! – incentivou Isaac sentado em uma maca improvisadaem quanto à enfermeira, Madame Pomfrey, cuidava do braço que ele deslocaradurante o treino para batedor. – Muito bem... – gritou Erico piscando para Alvo. – Vão! Os seis apanhadores subiram. Um seguindo a direção oposto do outro. Alvo seconcentrou em esperar encontrar algum pontinho de luz dourada voando pelocampo em quanto ele se deslocada de um lado para o outro. De repente ele viu SaraAubrey mergulhando bruscamente para a direita. Ela viu o pomo, pensou. Botando toda força e fé na Firebolt de Erico, Alvo também mergulhou para a direitaseguindo o rastro deixado por Aubrey. Sara parecia estar montada em uma máquinavoadora dez vezes, mais rápida, que a de Alvo. Embora a terceiranista estivessemontada em uma Nimbus 2001, Sara fazia parecer que aquele era o novo protótipo deDevlin Whitehorn, o criador da linha de vassouras Nimbus. Naquele momento SaraAubrey era o maior desafio de Alvo, o único empecilho que poderia colocá-lo fora daequipe. Afinal, os outros quatro competidores pareciam abelhas tontas ao redor deum copo transbordando de mel. Alvo conseguira se aproximar de Sara, agora os longos cabelos castanhos da garotajá podiam ser distinguidos por Alvo. Mas ao olhar para frente, Alvo não encontraranenhum pomo. Será que ela está somente tramando alguma finta para cima de mim?Perguntou-se Alvo. Porém por uma fração de segundos, Alvo pode vê-lo. Lá estava apoucos metros de distância de Rosa. O pomo de ouro se debatendo e zumbindopróximo à arquibancada da Grifinória, e Sara pronta para atacar. – Não posso deixar ela me seguir – murmurou Alvo encarando Sara que pareciadecidida a seguir seu plano. Estava na hora de Alvo utilizar seu ás escondido. Alvo 119
  • 120. não poderia apostar corrida com Sara, a garota conseguia transformar qualquervassoura em um jato veloz. Alvo estava decidido. Ele usaria a Cominação Ginevra. Alvo deu um encontrão com Sara, precisava chamar a atenção da garota. Depois aespremeu contra as arquibancadas. Por fim mergulhou para baixo, como se estivessecerto de que o pomo estava sobre seus pés. Como planejado Sara o seguiu fielmente,torcendo os dedos contra o cabo de sua vassoura no mesmo momento que a hastebalançava de um lado para o outro como um leme. Alvo fintou para a direita,torcendo que a garota continuasse a segui-lo, e ela o fez. Finalmente Alvo estavadisposto em encerrar a manobra. Para isso, ele precisava fazer com que Saraacreditasse que era necessário que ambos fizessem uma Finta de Wronski. Alvoinclinou a Firebolt ainda mais para baixo, e Sara fez o mesmo com sua Nimbus 2001.Estava óbvio que a garota estava utilizando a famosa (e bem conhecida por Alvo)“Perseguição Seagood”. Marca do craque do Puddlemere United, que consistia emsomente perseguir o apanhador adversário e quando ambos estiverem prontos paraagarrar o pomo, tirar o adversário da jogada. Quando os dois estavam prontos para executar a Finta de Wronski, Alvo deu umpuxão na vassoura fazendo-a dar um pinote para cima e deixar Sara chocar-se com ochão. Porém a garota era habilidosa montada na vassoura, e por um triz conseguiuevitar um choque brutal com o chão. Sara escorregou para fora da vassoura e roloudesgovernadamente pela grama, deixando o caminho livre para Alvo capturar opomo. Uma hora depois dos testes Alvo descera até a cozinha de Hogwarts na companhiade Erico e Cadu Branstone. Erico estava disposto a organizar uma comemoraçãoparticular na sala comunal para aqueles que fizeram os testes para a equipe. – Aprendi o caminho até as cozinhas ano passado – comentou Erico para Alvoquando eles chegaram a um corredor repleto de grandes pinturas de frutas erefeições saborosas. – Eu e Eustáquio Birch ficávamos até tarde treinando algumasmanobras e acabamos esquecendo o jantar. Ele sabia da passagem desde o segundoano... E mais ali na frente fica o dormitório dos sangues ruins. Alvo entendera que Erico se referia ao dormitório da Lufa-Lufa. Os três sonserinos se postaram à frente de uma grande pintura de uma fruteira.Alvo pensou estar olhando para mais uma das pinturas trouxas do Prof McNaught,mas logo percebeu que não se tratava de uma obra de arte vinda de trouxas assimque Erico estendeu sua mão e fez cócegas na abissal pêra verde que desandou achorar de tanto rir. Alvo pensou que ele estava adentrando a um Salão Principal subterrâneo, repletode tachos, panelas de todos os tamanhos e formas, feitas de latão cobrindo boa partedas paredes de pedra clara. Do outro lado um enorme fogão de tijolos era banhado 120
  • 121. por baldes e baldes d’{gua lançados por um grupo de elfos que tentava apagar suascalorosas e alegres chamas. Exatamente no mesmo lugar onde deveriam estar nosalão à cima, havia quatro grandes mesas de madeira no mesmo estilo que as queestavam no Salão Principal, exceto que as que estavam na cozinha não possuíam asbandeiras de suas respectivas casas. Aquilo deu a Alvo uma idéia de como eramservidas as comidas durante os banquetes da escola. – O que vocês humanos estão fazendo na minha cozinha! – urrou um velho gordoelfo doméstico, balançando seu punho contra os sonserinos. Seus olhos erampequenos e negros, como grandes caroços de feijão. Suas orelhas de abano chegavama tocar seu sujo, úmido e chamuscado avental de cozinha – Bowy, já pediu a senhoradiretora para proibir o acesso de estudantes à cozinha de Bowy. Os alunosdesconcentram os elfos e exploram Bowy. Depois Bowy que é rabugento. Mas, Bowysó quer zelar pelos elfos. – Você é muito ousado, elfo! – rugiu Erico lançando a Bowy um olhar superior. –Você deveria se castigar por insultar seus senhores desta forma! Se meu elfo meafrontasse desta forma já estaria se debatendo contra o armário. – Mas Bowy já não se espanca por causa dos humanos! – retrucou o elfoamarrando a cara. – Bowy é um elfo livre, que não deve mais nada aos antigosdonos! Aqueles desprezíveis... De repente, Erico se precipitou contra Bowy esbofeteando o rosto do elfo. Bowycaiu a alguns metros dos garotos, o que se assemelhava a uma bola de carne moídacaindo no chão. Mas o que impressionou a Alvo – mais do que a atitude horripilantedo colega – foi o distintivo que se soltou do avental de Bowy. Um distintivo circularque rolou pelo chão da cozinha até recostar sobre o tênis de Alvo. – Nós só queremos alguma comida – disse Cadu ignorando completamente afigura velha e murcha de Bowy. – Vamos fazer uma festa e queremos alguns doces. Um amontoado de elfos correu destrambelhadamente pela cozinha, cada um comum prato transbordando de comida, prontos para entregar para Erico e Cadu. Alvonão soube dizer se os elfos estavam felizes em ajudar os três sonserinos ou seestavam com medo de serem esbofeteados por Erico. – Vamos, Alvo – disse Cadu quando ele e Erico saiam da cozinha com os braçoscobertos por pilhas de guloseimas. – Ah, me dêem mais dois minutos. Preciso pegar uns, eh, Bolos de Caldeirão.Prometi para Ralf que os levaria – mentiu. – Ok – respondeu Erico. – Nos vemos na sala comunal, senhor apanhador. – Não foi certo o que Erico fez com você – murmurou Alvo depois que os outrosdeixaram a cozinha e aproximando-se de Bowy que ainda estava esparramado nochão. – Mesmo sendo amigo dele, não concordo com sua atitude. 121
  • 122. – V-v-vocês, hu-humanos... Todos iguais – fungou o elfo levantando-se com umsalto e com um movimento brusco enxugou o rosto e seu comprido nariz de cenourano avental. – Eu tenho um elfo, e trato-o muito bem – afirmou Alvo lembrando-se que nuncabrigara ou forçara Monstro a se castigar, embora o elfo às vezes o fizesse àsescondidas. – Sempre tratei Monstro bem. Nunca pensara em algum dia o agredir. – Bowy já trabalhou com o Monstro – choramingou o elfo ainda emburrado. – Umelfo agradável, mas Bowy nuca sabia o que falar com Monstro. Monstro, quandochegou à Hogwarts, só fazia reclamar do senhor dele. Mas depois de um tempo,Bowy percebeu que Monstro havia se transformado. Somente venerava seu senhor.Você deve ser bom para poder transformar Monstro daquela maneira. Você deve serum humano bom. Bowy nunca venerou o ex-senhor dele. – A quem você serviu, Bowy? – quis saber Alvo. O distintivo palpitando em suamão. – Augusto Rookwood, e o restante de sua família – disse Bowy com uma vozrepleta de nojo e ira, como se aquele fosse um nome amaldiçoado. – Servi a famíliaRookwood desde que nasci, e minha mãe também, e a mãe dela. Nunca nenhum elfodo sangue de Bowy havia sido libertado pelos Rookwood, até chegar à vez de Bowy.Mas isso... – a voz do elfo falhou – Isso foi bom. – Eu achei isso. Caiu de seu avental – disse Alvo entregando a Bowy seu distintivoazul berrante com letras amarelas bem chamativas. – Não sabia que elfos apoiavam aF. A. L. E. – Me de isso! – exclamou Bowy agarrando a mão de Alvo e tomando o distintivodo garoto – Elfos não deveriam apoiar frentes de libertação. Elfos gostam detrabalhar, e Bowy gosta de trabalhar. Mas depois de ter sido liberto pelo ex-senhorde Bowy, Bowy decidiu apoiar a organização que visa melhores condições detrabalho. E Bowy aceitou depois que um grupo de alunos atormentou à Bowy e aosoutros elfos para entrarem na organização. Somente Bowy e outro elfo aceitaram.Mas os outros não podem saber! Bowy perderia seu comando na cozinha. E trabalharnas cozinhas de Hogwarts é tudo que Bowy deseja fazer até o fim de sua vida. – Mas por que você perderia seu comando aqui, se eles descobrirem? – Os demais elfos não aceitam aqueles que são contra o regime trabalhista doselfos. Bowy não que ser olhado com diferença pelos outros elfos como nós fazíamoscom o velho Dobby. – Que outro elfo aceitou entrar para a F. A. L. E.? – perguntou Alvo. Bowy ergueu seu braço enrugado e cheio de pelancas e o apontou para um elfoapoiado sobre uma enorme pia lotada de tachos e panelas sujos de comida. – O nome dela é Winky, meu senhor – disse Bowy agora menos resmungão. – Elachegou aqui um ano antes de Bowy. Nunca foi bem vista pelos outros elfos, mas, por 122
  • 123. alguma razão, desde que a Profª Crouch chegou à Hogwarts, os outros elfosmudaram seu comportamento com Winky. É um mistério. Winky trabalhara durante boa parte de sua vida para a família Crouch, até ter sidoacusada de ter conjurado a Marca Negra durante a última Copa Mundial deQuadribol celebrada na Inglaterra. O antigo dono dela, o Sr Bartolomeu Crouch,libertou Winky, como um modo para castigar o elfo. Depois Winky foi inocentada,mas o Sr Crouch já havia sido assassinado. Há alguns anos a diretora Servilia Crouchdeixara Winky decidir se queria voltar a trabalhar com os Crouch ou se continuariaem Hogwarts. Winky ainda estava inconformada com a morte de Dobby, o únicoelfo que tratara Winky bem durante seus primeiros anos em Hogwarts. Winky disseque, segundo ela, trabalhar em Hogwarts era uma maneira de agradecer a Dobby, jáque o elfo adorava trabalhar na escola. – Foi um prazer conhecê-lo, Bowy – disse Alvo apertando a mão do elfo. – Apropósito, me chamo Alvo, Alvo Potter. E me desculpe mais uma vez pelocomportamento do meu amigo. – Bowy nunca cumprimentara um bruxo antes, Alvo Potter! – exclamou Bowymostrando sua coleção de dentes amarelos e sujos em uma tentativa de sorrir. – AlvoPotter parece ser um homem bom! Alvo Potter pode visitar a cozinha de Bowyquando quiser! No café da manhã do dia seguinte, Alvo contou a Rosa e Escórpio o que acontecerana cozinha na noite anterior. Rosa ficou chocada com tudo o que descobrira sobre aatitude arrogante de Erico, prometera convocar uma reunião urgente com os outrosmembros do F. A. L. E. e se possível comunicar pessoalmente à diretora Crouch emseu gabinete. Escórpio por outro lado ficou mais interessado em saber mais sobre arelação do elfo Bowy com Augusto Rookwood. Alvo explicara que Bowy malpronunciava o nome do antigo mestre sem demonstrar nojo em suas palavras ecompletara que duvidava muito que Bowy estaria disposto a passar uma tarde juntoa um Malfoy; famosos pelas cozinhas graças às histórias contadas por Dobby, econversar abertamente sobre os tratos que sofria nas mãos de Rookwood. – Você acha que Rookwood ordenou que Bowy cumprisse tarefas ligadas a...Voldemort? – perguntou Rosa temerosa pouco antes de levar uma colher de sopa delegumes à boca. – Aposto que sim – garantiu Alvo devorando mais um pedaço de seu sanduíche. –Monstro já me contara que seguira várias ordens de Belatriz Lestrange e dos demaisBlacks ligados a Voldemort. Não me surpreenderia se um comensal como Rookwoodordenasse que seu elfo estuporasse alguns trouxas por ele. – E quando ele chegou a Hogwarts? – perguntou Escórpio comendo seu mingau. 123
  • 124. – Pelo que deu a entender, pouco antes da Batalha no Departamento de Mistérios.Você conhece bem essa, não é, Escórpio? – Cale a boca, Potter – bufou Escórpio irritado. – Agamenon está se enturmando mais – afirmou Rosa forçando os garotos amudarem de assunto. – Agradeça ao Prof Slughorn por isso. Desde que eleapresentou Agamenon a Tiago os dois começaram a se tratar melhor. – E por que o velho Slughorn estaria interessado em Agamenon? – perguntouEscórpio deixando mingau escorrer pelo canto de sua boca. – Francamente, Escórpio! – exclamou Rosa – Agamenon é seu parceiro na aula dePoções. Até agora você não reparou que ele é brilhante? – Ei! Eu só tive uma aula com ele. Potter viu que nossas poções e a dele não sediferenciavam muito. Estou certo? Alvo assentiu. – Sua Poção de Esquecimento fez nascerem espinhas na cobaia do Prof Slughorn –afirmou Rosa com tom de superioridade. – E a sua fez Slughorn se lembrar onde colocara as chaves de sua sala – retrucouAlvo bebendo uma golada de suco de abóbora. Os dias foram passando e Alvo se acostumava cada vez mais com seus horários aofim de cada semana. Ele havia melhorado bastante nos feitiços de transformação,porém a nova tarefa passada pela Profª McGonagall – transformar um tomate emuma banana – estava atormentando a cabeça de Alvo, pois ele ainda poderia fazermolho para pizza com sua fruta recém-transfigurada. Durante as aulas de Feitiços, eDefesa contra as Artes das Trevas, Alvo se sentia a estrela da turma, mesmo sendo apena de Rosa a flutuar mais auto nas aulas de Feitiços, Alvo se contentava com seubom aproveitamento com o Feitiço de Levitação. Nas aulas de Defesa contra as Artesdas Trevas ele era um dos primeiros alunos a desarmar o Prof Silvano que agora seutilizava como alvo da turma, o que era perigoso quando um ou outro aluno dizia ofeitiço errado e acabava lançando o professor contra a parede oposta. Comoprometido, na quinta-feira o Prof Finch-Fletchley organizou uma partida de futeboltrouxa entre os alunos da Sonserina e da Lufa-Lufa. Alvo achara que seria umesporte mais fácil que o quadribol, afinal só era necessário chutar a bola, mas no finaldas contas o time da Sonserina foi arrasado pelo da Lufa-Lufa por seis a um, com trêsgols de Inácio Finch-Fletchley e o gol de honra da Sonserina marcado por Isaac. Nem mesmo a detenção na sala do Prof Slughorn conseguiu estragar a segundasemana de Alvo em Hogwarts. Depois de jantar Alvo seguiu seu costumeirocaminho até as masmorras, porém não seguiu o corredor que levava a sala comunal esim desceu até um túnel mal iluminado coberto por pedras, similar ao que eleseguira com Hagrid no dia em que chegara à escola. O Prof Slughorn recebeu Alvo 124
  • 125. como se esse estivesse apenas o visitando. O professor ofereceu a Alvo suco deabóbora e alguns bolos de Caldeirão que ele guardava secretamente escondendo-osda Profª Vector que cismara em colocar o professor em forma. – Septina diz que não devo fugir de minha dieta – disse Slughorn oferecendo aAlvo uma caixa bem camuflada com pedaços de pergaminho. – Mas quem resiste aessas tentações em, meu rapaz! Mas isso é uma detenção, correto? Todavia não querofazer com que você se desgaste muito, afinal você fez uma boa poção hoje de manhã,foi muito esperto usando raiz de mandrágora, meu rapaz. Uma boa poção. Só queroque limpe alguns tubos de ensaio, depois pode voltar para sua sala comunal. Em quanto Alvo mergulhava os tubos de ensaio em um balde de latão com umasolução especialmente preparada pelo Prof Slughorn para dissolver impurezasmágicas, como restos de bezoar amassados e resíduos de poções fracassadas, o ProfSlughorn contava a Alvo suas histórias com seus mais queridos alunos. Todosexpostos em uma galeria de retratos sobre uma grande prateleira que Slughornzelava com muito carinho. – Você já deve ter ouvido falar de Guga Jones, ex-capitã das Harpias de Holyhead– disse Slughorn indicando com seu gordo indicador a foto de uma atraente jogadorade quadribol. – Ingressos grátis nos melhores lugares. – Eu a conheci – disse Alvo muito concentrado e dissolver um fragmento de algogosmento de verde de um tubo de ensaio. – Ela e mamãe jogaram juntas por meiatemporada. Antes de Jones se aposentar. – Ah, é verdade! Sua mãe, a Srtª Weasley, muito hábil com poções e quadribol –desta vez o professor apontou para outra foto, mais ao topo. Alvo ergueu os olhospor um momento e pode ver a foto em que o professor de Poções sorriaorgulhosamente entre os tios e os pais de Alvo. – Todos meus... alunos, é claro.Lecionei para cada um deles. Embora, acredito-me, que o jovem Wheatherby nãopossuía a mesma aptidão para poções que seus outros companheiros. Slughorn se referia ao tio Rony que já declarara várias vezes que mal sabia comoconseguira boas notas de aprovação nos N. I. E. M.s de Poções. Quando Alvo voltou para a sala comunal deparou-se com um Isaac resmungão,indignado por ter sido forçado pelo Prof Silvano a limpar e proteger de traças todosos livros que possuía. – Ele é maluco! – bradou o garoto ruivo quando ele e Alvo subiram pelas escadasem direção aos dormitórios. – Silvano tem milhares de livros. Milhares! Alguns comoitocentas páginas, ou mais! Sabia que ele não me pediria somente para escreverfeitiços no quadro como fizera na terça-feira. Limpar seus livros contra traças! Juroque serei um bom menino até que aquele fanático por leitura saia de Hogwarts. 125
  • 126. Outubro deixara Hogwarts da mesma maneira que chegara, com dias muito friosde sol fraco e gelado com tardes insuportavelmente cinzas e para completar diaschuvosos e frios, o que geralmente forçava a Hagrid dar sua aula de Trato dasCriaturas Mágicas dentro do grande celeiro de pedras que ele montara há algunsanos. Mesmo que o professor gigante não gostasse de não poder usufruir dos muitoshectares da Floresta Negra para mostrar aos alunos os mais esquisitos e perigososvermes que possuía, Hagrid dava seu jeito de trazer suas lesmas amareladaslançadoras de pus para dentro do celeiro e essa fora a tarefa dos primeiranistassonserinos e grifinórios naquela sexta-feira do Dia das Bruxas. Hagrid espalhara grandes barris de uma mistura de carne moída, pedaços devermes menores; ervas emprestadas do Prof Longbottom e uma borrifada de sanguede cabra. Depois guiou os primeiranistas sonserinos e grifinórios até uma pequenailhota dentro da Floresta Negra, onde Hagrid hospedara suas lesmas fedorentasdesde o início do ano. Sempre à frente, empurrando seu carrinho de mão lotado combarris de comida, Hagrid apontava para vários cantos da floresta, indicando onde osanimais gostavam de se esconder. – Ali, mais a oeste, encontra-se uma tribo de centauros – disse Hagrid contornandoum enorme carvalho com certa dificuldade por causa do carrinho de mão. – Se nãome engano esta tribo em questão é liderada pelo centauro Firenze. Um centauromuito honroso. Chegou a ser professor em Hogwarts durante alguns anos. E ali estáa árvore mais antiga da Floresta Proibida. Reza a lenda de que ela fora plantada pelopróprio Merlim em pessoa – Hagrid soltou uma gargalhada. – E aqui estamos.Coloquem suas luvas e metam a mão nos barris, queremos que as lesmas sintam ocheiro da comida. – E por que queremos isso? – perguntou Rosier mostrando profunda insatisfaçãocom a tarefa. – Porque este é o único meio que vejo das lesmas seguirem o caminho até o celeiro.Se elas sentirem o cheiro forte da carne espalhada por uma trilha até o celeiro,chegará tão rápido que poderemos estudar sobre elas na próxima semana. – É eu não posso perder! – resmungou Montague mergulhando sua luva namistura feita por Hagrid. – Que nojo! – chorou Pucey fechando os olhos lacrimejantes. – Isso fede tanto. – É, não sei como um bichão como esse poderia não sentir um cheiro como este! –exclamou Escórpio bastante insatisfeito em ter que mergulhar suas novas luvas decouro de dragão na mistura fedorenta de carne. – Afinal, por que queremos que essesbichos nos sigam até o celeiro? Será que Hagrid não ficou satisfeito quando Creeveyperdeu o controle sobre aquelazinha e o pus jorrou para todo o jardim da cabana? – Hagrid gosta desses animais – disse Rosa defendendo o amigo gigante, porémamarrando a cara quando mergulhou suas mãos no barril. – Para ele quanto maior e 126
  • 127. mais perigoso, bem, eh, mais adorável. Hagrid já criou desde tronquilhos e pufososaté bebês dragão e acromântulas. Alvo sabe como é, não sabe, Al? – Ah? – gemeu Alvo, disperso. Alvo estava interessado na árvore apontada por Hagrid como a mais velha daFloresta Negra. Foi como se Alvo já estivesse passado por ali – o que era verdade jáque Hagrid guiava a turma para a ilhota cercada por água enlameada desde aprimeira semana de outubro – mas Alvo sentia como se já estivesse visto aquelaárvore sozinho, sem a companhia do professor. Mesmo que somente em um sonho... –Ei, Potter! Será que dá para mergulhar suas mãozinhas em nosso jantar? – quissaber Escórpio irritado. – Desculpe. Depois que a ilhota das lesmas amarelas que soltam pus e boa parte dos arredoresda Floresta Proibida já estavam empesteados pelo forte cheiro do sangue de cabra eda carne estragada. Hagrid levou a turma de volta para o celeiro onde todos, commuito prazer, lançaram suas luvas em um grande tanque de pedras polidas, paraque repousassem sobre a água e eliminassem o cheiro da carne. Assim que as luvasvoltaram a seus habituais odores, Hagrid liberou os alunos a pegarem suas mochilase mergulharem por debaixo de uma triste e sonolenta chuva que caia sobre osterrenos da escola. – Alvo, Rosa, poderia dar uma palavrinha com vocês? – pediu Hagrid abrindoespaço entre os alunos que deixavam o celeiro, seguindo em direção aos estábulosonde ele guardava alguns hipogrifos, unicórnios e criaturas híbridas que Alvo não seincomodara em continuar sem saber seus nomes. Rosa e Alvo falaram para Escórpio seguir seu caminho até a classe de Defesacontra as Artes das Trevas. – Vocês parecem ter se enturmado bem, hum – disse Hagrid lançando a umhipogrifo o cadáver de uma doninha. – Principalmente com Malfoy, o que é claro, mesurpreendeu. – Escórpio não é dos piores – disse Alvo admirando o hipogrifo estraçalhar osrestos da doninha com seu afiado bico. – Acredite, por baixo daquela carapaça loiraque ele chama de cabelo, existe um garoto legal que só quer mostrar seu valor. – Alvo está certo – confirmou Rosa sem poder impedir que um sorriso tomasse seurosto. – Por mais que eu tenha vontade de socar o rosto dele algumas vezes, Escórpiopode ser muito mais legal do que Eugênio e Henry. – Eu acho ótimo que vocês estejam se dando bem – murmurou Hagrid agachando-se para poder ver melhor os rostos radiantes de Alvo e Rosa. – Espere, Rivaldo! Vocêjá comeu sua doninha! Não pode sair do regime que a Profª Minerva lhe passou. O hipogrifo que Hagrid acabara de alimentar bicava a juba do professor e piavatentando alcançar as outras doninhas na mão de Hagrid. 127
  • 128. – Bom, era só isso. Mal posso esperar para ver vocês três se metendo em confusãocomo seus pais faziam – Hagrid soltou novamente uma gargalhada e deu umtapinha – o que mais pareceu um empurrão – no ombro de Alvo. Porém, quando Alvo e Rosa saíram do celeiro uma voz, aparentemente chocadasoou sobre o ouvido dos dois. Alvo e Rosa deram um salto e encontraram um garotocom os cabelos colados ao rosto e as vestes encharcadas por causa da chuva. – É verdade tudo o que vocês falaram de mim? – perguntou Escórpio quasechorando de alegria. – E se meu cabelo é uma carapaça loira, Potter, como vocêchama esse seu capacete negro. A aula de Defesa contra as Artes das Trevas transcorria exatamente como o ProfSilvano planejava. A grande maioria dos alunos já dominava o Feitiço deDesarmamento pelo menos de maneira aceitável, o que impulsionou o professor aseguir adiante com sua matéria. O Prof Silvano começou suas explicações sobre osmales e os bens das Azarações, e como de costume pediu para que os alunosformassem duplas e treinassem a Azaração de Impedimento uns nos outros. – Não daria muito certo utilizar o boneco – explicou o professor quando as duplasjá estavam formadas – a Azaração de Impedimento fica muito melhor explícitaquando utilizada em pessoas. Se utilizar o boneco, seria o mesmo que um Feitiço deLevitação. E não quero que gastem todo o seu talento e não deixem nada para a aulado Prof Flitwick. Foi muito mais fácil para Alvo lançar as azarações em Escórpio quando os dois nãoestavam competindo para ver quem forçava o outro a bater o cocuruto mais vezes noteto. A aula de Defesa contra as Artes das Trevas em si foi uma grande brincadeira,ver um amontoado de alunos subindo e descendo como penas presas a seguir asordens do vento durante um vendaval. Porém para desgosto da grande maioria dosalunos que, assim com Alvo e Escórpio, conseguiam ser erguidos e erguer seuscompanheiros, a aula de Defesa contra as Artes das Trevas, assim como as demaisque ocupavam o último tempo da sexta-feira, foram forçadas a terminar mais cedopor causa do banquete do Dia das Bruxas. – Fiquem tranqüilos. Na segunda-feira teremos uma aula teórica sobre Azarações. Sobre as vaias e gritos de indignação a aula de Defesa contra as Artes das Trevaschegara ao fim. Alvo, Escórpio e Rosa, seguiram juntos até o Hall de Entrada,quando Rosa e Escórpio se separaram de Alvo e seguiram para a Torre da Grifinória,em quanto o garoto seguira na companhia de seus outros amigos, esses sonserinos,Isaac, Lucas e Perseu até as masmorras. Quando Alvo chegou ao Salão Principal, mais ou menos às oito horas,acompanhado do resto dos alunos da Sonserina, deparou-se com uma infinidade deabóboras com entalhes de olhos e bocas flutuando de um lado para o outro junto àsvelas do salão. Alvo teve de desviar a cabeça de um morcego desnorteado que voava 128
  • 129. em círculos, próximo às portas de carvalho, tentando se juntar a sua nuvem negra decriaturas pequenas e medonhas. Os pratos de ouro se encheram com o jantar, delíciasjá típicas das noites de Hogwarts, porém, naquela noite havia uma quantidade muitomaior de doces e porcarias. – Minha mãe me aconselharia a não comer muitos doces – disse Isaac lambendo osbeiços com os olhos fixos no jantar. – Ela é dentista, sabe. Mas que se dane! Soubruxo, posso concertar meus dentes com magia! Conforme Alvo se empanturrava de batatas assadas e Sapos de Chocolate, orestante o Salão Principal mergulhava em uma onde de gritos estampidos e zoeira.Faíscas multicoloridas saiam das varinhas de vários alunos que experimentavam anova leva de Varinhas de Alcaçuz que estouravam formando flores de suspiro queplanavam pelo ar agitado do salão. Nem mesmo os professores conseguiam mantersua serenidade educacional junto a toda aquela desordem vinda dos estudantes dasCasas. Quando Alvo olhou para a mesa dos professores encontrou o Prof Slughornmisturando inúmeros sucos formando uma fumegante bebida cor de barro. A ProfªRevalvier recitava histórias assombrosas para o Prof McNaught que as ouvia comatenção. Somente uma cadeira se mostrava vazia, apenas um professor não semostrava presente durante a festa do Dia das Bruxas – com exceção do Prof Binnsque mal saia de sua sala de aula. O Prof Silvano não se apresentara no SalãoPrincipal, o que intrigou Alvo, pois o professor de Defesa contra as Artes das Trevasse mostrava muito bem durante sua aula à tarde, ele não podia estar doente. – Perseu, Alvo... Topam uma partida de Snape Explosivo? – propôs Isaac aoperceber o grande interesse dos dois garotos pelas cartas pentagonais. Alvo abria várias caixas de Sapos de Chocolate recolhendo as figurinhas de dentrodas embalagens e somente mordendo as patas traseiras do sapo para impedir umrebuliço de sapinhos molengas e saltitantes pulando pela mesa do Sonserina emquanto seu chocolate derretia sem controle. Depois que a pirâmide de cartas feita porPerseu explodiu, fazendo com que os cabelos negros chamuscassem, os três garotosse deram por satisfeitos e estavam prestes a iniciar a partida quando Alvo gritou: – Onde esta? – gritou ele em quanto apalpava suas vestes nervosamente a procurade algo de grande importância. – Onde está minha varinha? Alvo ficara em estado de choque. Ele não parava de apalpar as vestes torcendopara que a varinha caísse no chão com um baque, mas nada acontecera. Alvo mordiaos lábios com tanta força que já podia sentir seu tecido romper e o sangue escorrerpelo canto da boca. Não era pelos galeões investidos por seu pai há dois meses naloja do Sr Olivaras, mas porque Alvo se sentia bem utilizando a varinha de teixo efibra de coração de dragão – embora Alvo não espalhasse para todo mundo o núcleo,pois já era muito legal os outros zombarem de seu nome, ASP. O nome em inglêspara áspide, uma cobra venenosa. Porém Alvo sentia que era mais forte com sua 129
  • 130. varinha de coração de dragão do que com qualquer outra já que ela o escolhera,então realmente existia uma ligação forte entre eles. – Ela deve ter caído na sala comunal – disse Perseu tentando tranqüilizar um AlvoPotter completamente desesperado. – Quando você trocou de roupa. – Ok – suspirou Alvo quando finalmente deu-se conta de que não carregava avarinha. – Vou até a sala comunal, se não estiver lá vou até a sala de Defesa contra asArtes das Trevas. Deve estar em um desses lugares. Alvo saltou da mesa da Sonserina e correu para fora do Salão Principal, querendochegar o mais rápido possível na sala comunal e encontrar sua varinha repousadasobre o chão escuro de seu dormitório e assim ainda sobraria tempo para ele voltarpara o final da festa. Porém, nada disso aconteceu. Alvo revirou todo seu dormitório a procura de sua varinha, mas não a encontravade forma alguma. Revirou os travesseiros e lençóis, mudou o malão de lugar, fuçou ocesto de roupas sujas – nada muito diferente que enfiar a mão no barril de carneestragada que Hagrid fizera para as lesmas na aula de Trato das Criaturas Mágicas. Convencido de que não encontraria nada em seu dormitório – exceto mais um péde meia de Perseu – Alvo seguiu para a sala de Defesa contra as Artes das Trevas.Com certeza o Prof Silvano o permitiria entrar em sua sala caso Alvo explicasse omotivo de tal desespero, possivelmente o professor até ajudaria o garoto a procurarpela varinha. Quando Alvo finalmente chegou ao terceiro andar – com o coração batendoaceleradamente devido à correria de Alvo pelos corredores e escadas da escola –estava pronto para bater na porta da sala de Defesa contra as Artes das Trevas epedir permissão ao Prof Silvano para vasculhar sua sala de aula; mas quando elechegou à frente da porta da sala de aula, percebeu que esta já estava aberta. Somenteum filete se mostrava aberto e Alvo não teve bom senso de bater, mesmo assim.Abriu a porta com todo o cuidado, torcendo para não provocar nenhum ruído. Ahorripilante cabeça de gnomo o fitava de maneira assombrosa. Andando na pontados pés Alvo começou a vasculhar a sala de aula até que... Lá estava sua varinha de teixo e núcleo de coração de dragão, recostada ao pé damesa do Prof Silvano. Alvo devia ter deixado a varinha cair pouco depois deEscórpio ter lançado-lhe sua última Azaração de Impedimento. Alvo estava tãodisperso do restante do mundo com o fato de Escórpio finalmente ter deixado detratar Alvo como um rival que ele não percebera que não carregava sua varinha. Alvo estava convencido que, agora já apossado de sua varinha, o melhor era voltarpara o Salão Principal e aproveitar os últimos minutos da festa do Dia das Bruxas.Porém algo chamou sua atenção, e não foram os objetos de latão do Prof Silvano quebrilhavam a luz do luar nem mesmo a cabeça de gnomo que o encarava, mas sim umgrito de ira que seguira de um estampido. O bom senso diria, ou melhor, berraria 130
  • 131. para que Alvo deixasse a curiosidade de lado e corresse em disparada para o SalãoPrincipal. Mas Alvo não era daqueles que gostava de sempre ouvir sua voz interior. Ele apontou sua varinha para a porta da sala do Prof Silvano e sussurrou o feitiçoque ele aprendera há pouco tempo, não com o Prof Flitwick, mas sim com ummembro de certa organização de brincalhões. Alvo se concentrou e disse o feitiço queseu irmão o ensinara ‚Amplifiato”. A voz do Prof Silvano irrompeu pelos ouvidos de Alvo com se o próprio professora dissesse bem ao seu lado. Ele parecia tenso, sua voz estava muito nervosa e repletade pausas. Parecia que o professor estava muito cansado, ou assustado com sigomesmo. – D-desculpe-me, Epibalsa – implorou Silvano com a voz ainda nervosa. – Tudo bem – disse a voz do Prof McNaught como se tudo não passasse de umabrincadeira. – Eu o importunei demais... E não foi a primeira vez que fui estuporado.Bem, sei quando perdi uma causa, não quer procurar o tesouro comigo, devo voltarao banquete... – Não! – gritou Silvano para alívio de Alvo que já se preparava para correr. –Desculpe meu comportamento, é que já tive muitas más experiências com parceiros.Você sabe que passei alguns anos viajando, digo que foi para aprimorar minhashabilidades mágicas, mas na verdade estava procurando mais pistas sobreAmbratorix. Em meu quinto ano de exploração, encontrei um bruxo da Letôniachamado Guntis Dombrovskis. Um homem de meia idade, meio caduco, mas cheiode ambições, só que seu cérebro trabalhava tão bem quanto seu inglês. Ele me lançouuma Maldição da Morte, mas acabou o acertando sem querer. Além desse, outrosvieram e me apunhalaram pelas costas. Mas você, Epibalsa, se mostrou mais dignoque eles todos. E possui uma prova que me fez realmente acreditar em você. – Então, o que você sabe sobre Albrieco Cadoco Ambratorix que eu não sei? –perguntou o professor de Artes dos Trouxas puxando uma cadeira e se sentandosobre esta. – Bem, que Ambratorix era um artesão medieval, qualquer um sabe, atéDombrovskis sabia, e o fato de que ele vagou por muitos anos neste mundo, tambémnão seria nenhuma surpresa para qualquer apreciador de livros medievais. Talvez oque poucos saibam é que Ambratorix possuiu várias relações com bruxas e trouxasdurante sua passagem por nosso mundo. Ele possuía várias faces e pseudônimos,algo muito comum junto aqueles que dominam o mundo das poções com certafacilidade. E que possui facilidade no preparo da Poção Polissuco. Rezam lendas deque a grande maioria de famílias mestiças e de puro sangue possui ligações comAmbratorix. Segundo as lendas, a mais importante de todas elas é a Peverell. ‚Pelo que parece: somente nós dois sabemos que Ambratorix gostava de inventarobjetos que desafiassem as leis da magia. Ele ficava meses, trancado em seus 131
  • 132. esconderijos, utilizando os mais variados gêneros de magia, artes proibidas e poçõessem nenhuma regulamentação para criar sua arte. O que lhe rendeu alguns anos,acossado e prezo em Azkaban.‛ ‚Agora, o que somente eu sei. Depois de anos fugindo e sendo prezo pelasautoridades mágicas do mundo todo, os Doze Membros da Corte Real de Bruxos – oconselho de maior poder e influência da Inglaterra nos tempos medievais, formadopelos bruxos de sangue puro e donos de grandes riquezas, que recebiam a maiorordem política – decidiram que seria melhor condecorar Ambratorix com a Ordemde Merlim.‛ ‚Segundo um dos membros da Corte Real de Bruxos – um nobre cavaleiro desangue-puro nomeado pelo próprio rei Artur – seria mais benéfico para a Inglaterrase eles possuíssem o controle sobre Ambratorix, presenteando-o com títulos denobreza e honrarias mágicas. Mas na verdade a Corte queria somente queAmbratorix se transformasse em um fornecedor de armas e conhecimentos da magia,empregado somente a lecionar para cavaleiros nascido-trouxas e para o próprio rei.‛ ‚Ambratorix não era tão tolo quanto a Corte acreditava ser. Ele não se iludiu comos privilégios recebidos da Corte Real de Bruxos. Pouco depois de receber a Ordemde Merlim, Ambratorix sumiu do mundo, sem deixar rastro.‛ ‚Foi difícil pesquisar mais sobre esse período da vida de Ambratorix, mas segundoas lendas e contos contados pelos mais velhos bruxos de cada povoado da EuropaOcidental – foi durante este período que Ambratorix construiu sua maior obra dearte. O portal que desafiava todas as leis da magia e da natureza. Depois daquiloAmbratorix nunca mais foi o mesmo bruxo extrovertido e brincalhão que o mundomedieval conheceu. Dizem às lendas que Ambratorix entregou parte de sua alma àMorte para poder realizar seu sonho e assim roubar algumas propriedades daprópria.‛ ‚Depois de muitos séculos, Ambratorix conseguiu criar o Olho entre os Mundos.Algo que nunca foi visto, ou testado, mas que, segundo as crendices pode realizaruma magia que até então era considerada impossível. Trazer os mortos de volta avida.‛ ‚Se você quiser saber mais sobre ele procure: O Conto do Bruxo Linguarudo. É umconto infantil, mas que segundo os velhos bruxos, fora criado para homenagear ovelho Ambratorix. Ou então procure por seu mais conhecido codinome, O...‛ – Mylor! – bradou McNaught espantado, interrompendo bruscamente o ProfSilvano – Tem alguém nos ouvindo. Alvo gelou. Não tinha a menor vontade de sair da sala no mesmo passo lento ecauteloso que chegara. Alvo apontou a varinha para a porta da sala de aula eordenou que a porta se abrisse. Ela o fez no mesmo momento em que a voz do ProfMcNaught cortava o ar com um ‚Alohomora” que fez com que a porta da sala do Prof 132
  • 133. Silvano se escancarasse com força. Porém McNaught e Silvano não viram nada alémdo final do tecido das vestes de Alvo roçar pela porta aberta. Alvo correu pelos corredores do terceiro andar e pelas escadas encantadas comoum condenado. Temendo que os professores McNaught e Silvano aparecessem emuma das escadas ou topassem com Alvo. Seu coração começou a diminuir o númerode batimentos conforme os alunos da Grifinória e da Corvinal começavam a deixar oSalão Principal e a ocupar as escadas em direção a suas respectivas torres. Alvo semisturou entre um grupo de alunas corvinalinas do segundo ano e depois se juntoua fila de sonserinos que deixava o Salão Principal. O garoto havia perdido boa parte da festa do Dia das Bruxas, descobrira que seuprofessor de Defesa contra as Artes das Trevas e o de Artes dos Trouxas estavamarmando um plano para encontrar um artefato de um bruxo medieval que podiatrazer os mortos de volta a vida e quase fora pego por ambos. O que poderia custar-lhe a vida. Porém, naquele momento, ele estava misturado junto com seus amigos.Naquele momento, Alvo estava a salvo. 133
  • 134. Capítulo Oito O Conto do Bruxo Linguarudo E i! Olha o caminho, Alvo! – exclamou Sabrina Hildegard, quando ela e Alvo se chocaram às portas do Salão Principal, no sábado pela manhã. – Rolos de pergaminho deixaram os braços de Sabrina e se espalharampelo chão de mármore fazendo que as predições astronômicas de Sabrina ficassemexpostas para os demais estudantes. – Desculpe, ah, Sabrina – disse um Alvo sonolento agachando-se para ajudar agarota sardenta e ruiva com uma pena roxa berrante presa aos cabelos a recolher seumaterial de Adivinhação. – Dever de casa? – Guarde logo isso! – chiou a garota saltando sobre os pergaminhos e osescondendo debaixo dos braços. – Ninguém pode saber que estas predições sãofalsas! Gosto de Adivinhação, mas... Alvo parou de prestar atenção. Ergueu-se lentamente e seguiu seu rumo até oSalão Principal, deixando Sabrina sozinha no chão. Aquela fora a pior noite de Alvo desde que ele chegara a Hogwarts. Ele ficarademasiadamente assustado com a idéia de seus professores estarem tramando algosecreto e misterioso dentro das paredes de Hogwarts e bem debaixo do nariz daProfª Crouch. Alvo mal conseguira pregar o olho, ficara a noite toda criandoespeculações sobre o que ouvira na noite anterior, quando descobrira os reais planosdos professores. E sempre que cochilava, Alvo era levado para o enigmáticosantuário subterrâneo onde os dois sinistros homens conversavam sobre a luzcegante do caixão luminoso. – Você está com uma cara horrível! – bradou Rosa quando Alvo se juntou a ela e aEscórpio para tomar café. – Obrigado. – É sério, Alvo. Você dormiu está noite? Alvo não se conteve e começou a explicar para os dois amigos o motivo de suainsônia. Contara nos mínimos detalhes, como e porque ele se encontrava na sala deDefesa contra as Artes das Trevas na noite anterior e colocou muitas ênfases nosnomes, objetos e fatos históricos ditos por Silvano e McNaught. Depois que Alvoterminou de relatar sua experiência noturna – o que lhe custou boa parte do café – ogaroto ficou cercado pelos rostos chocados e sem cor de Rosa e Escórpio. Rosadeixara seu café da manhã de lado de uma maneira tão bruta que derramara suco deabóbora na mesa, mas ela nem o percebeu. Escórpio, por sua vez, perdera a poucacor se seu rosto continha, seus únicos movimentos eram de suas pupilas ao piscar. – Isso... Isso é impossível! – exclamou Rosa completamente surpresa. – Não ouviu o que eu disse! – retrucou Alvo ofendido. – Acha que estoumentindo? O que acha que eu ganharia contando isso? 134
  • 135. – Não é para você ficar desse jeito – resmungou Rosa abaixando a voz. – Só que, éHogwarts, um dos lugares mais seguros do mundo. Todos os livros dizem isso... – Você mais do que ninguém deveria saber que Hogwarts já não é mais tão seguraquanto quando era a centenas de anos – interrompeu Alvo cerrando os dedos contrao garfo de prata. – Uma pessoa culta como você deveria saber que depois da batalhade dezenove anos atrás as defesas da escola já não são mais as mesas! Pergunte aRalf, ou passe pela orla da floresta nas manhãs de quinta-feira, se você encontrar opai dele, pergunte porque ele trabalha aqui! Ele é quem fortifica as barreiras mágicasda escola. Todos deveriam saber disso, Rosa, ou qualquer um que leia Hogwarts, umaHistória. – Só estou dizendo... – Rosa gaguejava muito, nunca fora contestada por alguémcomo fora por Alvo. Suas orelhas estavam vermelhas. – Alvo, você não devia estar nasala do Prof Silvano. Era para você estar na festa do Dia das Bruxas. – Você está os defendendo? – Alvo se erguera. Toda sua moleza e cansaço haviamabandonado seu corpo, ele fuzilava Rosa com o olhar. – Então sugere que fiquemosde braços cruzados! – Não estou defendendo-os! – chorou Rosa com os olhos molhados com umaexpressão de vergonha. – Só não consigo imaginar nossos professores envolvidos emalgo desta proporção! – Mas Hogwarts não é um lugar protegido de professores malucos e cretinos –afirmou Escórpio dando de ombros. – Voldemort esteve aqui durante um ano,possuindo outro cara, mas dá no mesmo. Depois teve a tal da Umbridge, os Carrow eainda teve o lobisomem. Vocês não sabem do que papai me contou sobre... – Não chame Remo de cretino! – urrou Alvo socando a mesa. Os olhos de todo o salão se voltaram para o garoto, que poucos segundos depoisde ter esmurrado a madeira da mesa deu-se conta de como estava descontrolado ecomo tratara seus amigos, somente uma palavra pode sair de sua boca. – Desculpem-me – sussurrou Alvo voltando para sua cadeira, o rosto maisvermelho que as orelhas de Rosa. – Desculpem-me. Eu dormi mal esta noite, e todaessa história de Silvano e McNaught... Eu não sei o que fazer... – Conte a Crouch! – disse Rosa como se aquilo fosse a questão mais fácil de umaprova. – Não! – contestou Alvo. – Não tenho provas. É a minha palavra contra a de doisprofessores. Crouch pode achar que estou mentindo ou que quero chamar atenção detodos. E Silvano e McNaught sabem que alguém os espionou, e se eu começar acontar isso a todos, vão saber que fui eu! Estarei morto por uma semana! – Logo vocês, filho de quem são, até agora não pensaram o mesmo que eu? –Escórpio parecia perplexo com a falta de imaginação de Alvo e Rosa. – Pense no queseus pais fariam. E eu duvido que a resposta seja: contar a diretora. Eles começariam 135
  • 136. a fuçar cada detalhe sobre os dois e investigariam por conta própria! Vocês sãorealmente muito cegos! Temos a oportunidade de nos metermos em uma aventuratão perigosa e importante quanto a que seus pais se metiam. Vocês não querem sertão grandiosos quanto eles? Aquilo acertou Alvo como um balaço bem no centro de seu estômago. Como ele,filho de Harry Potter, não pensara em seguir os feitos de seu famoso pai e começar ainvestigar sobre os professores suspeitos. E o que mais surpreendeu Alvo foi que aidéia de começar uma meticulosa investigação sobre Silvano e McNaught partiu deEscórpio. Porém, pouco depois, Alvo percebeu que aquela era uma oportunidade deouro para Escórpio mostrar ao mundo que ele está no lado do bem, diferente dorestante dos Malfoy, sempre fieis servos do lado das trevas. – Essa não é a coisa mais lógica a se fazer – afirmou Rosa com ar de desdém. – Mas essa é a coisa que você quer fazer – contestou Escórpio com um sorrisofurtivo. – M-mas, como sugerem que investiguemos os dois? – perguntou Rosa começandoa gostar da idéia. – Não sabemos nada sobre Ambratorix... Nunca ouvi falar dele emlugar algum. Nenhum livro de História da Magia Medieval ou Contemporânea. – Podemos procurar sobre O Conto do Bruxo Linguarudo – começou Alvo. Osneurônios trabalhando cada segundo mais acelerados, radiantes com a possibilidadede acabar se metendo em uma aventura digna de um Potter. – Silvano disse que osantigos magos inventaram essa história em homenagem a Ambratorix. – Nunca ouvi falar desse – disse Escórpio no momento em que reconquistou avontade de terminar suas batatas assadas. – Minha avó é uma exímia contadora dehistórias. Todas as noites ela me punha para dormir ao som de um conto infantil. OBruxo e o Caldeirão Saltitante, As Crônicas das Verruguentas e Narigudas VelhasResmungonas, Babbitty, a Coelha e seu Toco Gargalhante e meus favoritos O Coraçãopeludo do Mago e O Conto dos Três Irmãos. – Que horror! – exclamou Rosa emburrando a cara. – O Coração peludo do Mago éuma história horrenda. Prefiro a Fonte da Sorte... A superação das três irmãs e o finalfeliz de Amata e do Cavalheiro Azarado... – Isso não vem ao caso – interrompeu Escórpio grosseiro. – Além do mais, hoje emdia gosto mais de ler histórias verazes que contos de fadas. Algo como Aventuras deum Auror e Histórias Verídicas de Dragões e Caçadores de Dragões. – Acabaram de discutir sobre contos de fadas e histórias de dragões? – quis saberAlvo bufando. – Se vamos investigar sobre um bruxo medieval – Alvo abaixou maisa voz, obrigando Rosa e Escórpio a inclinar o tronco sobre a mesa para poder ouvi-lo– devemos ir à biblioteca. Quando Alvo, Escórpio e Rosa chegaram à biblioteca se depararam com estantes eestantes de livros, organizados minuciosamente pela bibliotecária, Madame Pince, 136
  • 137. espremidos um contra os outros como se tentassem se proteger do frio que pairavana escola naquele primeiro de novembro. Não era muito comum a biblioteca estarcheia em uma manhã de sábado como aquela, porém pelo que podia se ver, muitosalunos, assim como Alvo, acumularam mais deveres de casa do que deveriam e avontade de terminá-los antes das primeiras partidas do Campeonato de Quadribolera grande. Madame Pince estava sentada em sua habitual cadeira acolchoada, rabiscandoalgumas palavras e desenhos em um pedaço de pergaminho estendido em suamesinha desconfortável. – Queremos olhar a seção da Era Medieval – anunciou Rosa educadamente para abibliotecária. – Como quiserem – retrucou Madame Pince friamente, ansiosa para que os garotosa deixassem. Bruscamente ela tampara o pergaminho com um dos braços. – Só nãofaçam rebuliços. Pelo canto do olho Alvo pode ver um singelo coração mal desenhado e torto,entrelaçado por dois nomes. Um deles era Irma Pince. Por mais que Alvo, Escórpio e Rosa remexessem os livros de Literatura Mágica ede Contos Medievais, nada fora encontrado sobre Ambratorix ou sobre O Conto doBruxo Linguarudo. Por mais fartos de informações que os livros de Hogwartspudessem ser, nenhum deles se referia ao artesão problemático citado pelo ProfSilvano na noite anterior. – Ok. Dou-me por vencido! – resmungou Alvo fechando com força o exemplar deHistórias Infantis para Crianças Infantis, o que despertou Madame Pince de seu transeapaixonado fazendo a bibliotecária fuzilar Alvo com seus negros olhos de besouro. –Não existe nada sobre esse Conto do Sei lá Quem! Se Silvano queria dar alguma pista aMcNaught errou completamente de história! – Ei, olhe isso! – chiou Escórpio entregando a Alvo e Rosa, um exemplar de AsVinte Histórias mais antigas dos Bruxos. – Não sei se notou, – disse Alvo depois de ler o título do capítulo – mas nãoestamos interessados no epílogo de O dia das Bruxas dos Duendes. – Olhe somente o número da página – ordenou Escórpio como se aquilo fosse acoisa mais óbvia a se fazer. – Quinhentos e trinta e três – disse Rosa. – Ótimo. Agora virem a página – continuou o garoto assim que os amigos fizeramo que ele ordenara e se depararam com a introdução d’ O Conto dos Três Irmãos. –Estão vendo agora? Página quinhentos e sessenta e cinco. O que está mostrandoque... –... uma história foi arrancada – completou Rosa analisando os restos das páginasrasgadas do livro infantil. – Se Madame Pince descobre ela... 137
  • 138. – O que vai acontecer? – quis saber uma voz autoritária e fanfarrona atrás dos três.Alvo ficara tão assustado que dera um salto e como ato reflexo, esticou o braçoforçando Rosa, que segurava o livro, a fechá-lo para impedir que o estranho visse. – Tiago Sirius Potter, não me assuste desta maneira! – rugiu Rosa socando o braçode Tiago que, junto com seu melhor amigo Ralf, trocavam risadas da situação. – Não resisti ao impulso e quis saber o que vocês três estavam tramando nabiblioteca em pleno sábado – disse Tiago tentando conter o riso. – Está frio – disse Escórpio rispidamente. – Não há nada para se fazer lá fora. – Obrigado por meter seu nariz melquento e sujo aonde não é chamado! – urrouTiago lançando a Escórpio um olhar de ira e ódio. Tiago, ainda não suportava saberque teria conviver com Escórpio por mais cinco anos debaixo do mesmo teto. O queprovocava vários xingamentos e implicâncias. Tiago fazia um trabalho que até entãoestava limitado ao grupo de Finnigan, mas que agora possuía um integrante maisforte e mais ameaçador. – Fica frio Einstein – interrompeu Alvo coçando o nariz, fazendo referência aosóculos que Tiago, por alguma circunstância milagrosa, carregava junto ao rosto. –Escórpio só está me ajudando nos deveres de Literatura Mágica. – Tanto faz – o retrucou agarrando os óculos bruscamente e enfiando-os no bolsolateral de sua calça. – A visão de Tiago está cada vez pior – disse Ralf sorrindo batendo levemente comsuas grandes mãos de jogadores de rúgbi nas costas de Tiago. – Cada dia fica maisdifícil não os usar. Francamente, eu não vejo nenhum problema com os óculos. – Mas eu ainda posso ver alguns, Ralfidilo – Tiago continuava com seu tomaborrecido, uma de suas mãos apertava o entorno dos óculos com raiva. – Eu osdetesto! Fico parecendo um “nerd” completo! – Fique tranqüilo, irmãozão, pois isso eu sei que você nunca será – admitiu Alvoem tom de gozação. – Mas afinal, o que você faz na biblioteca em pleno sábado? –Alvo tentava iludir Tiago o máximo possível, impedindo que esse quisesse saber oque ele, Escórpio e Rosa estavam realmente tramando. – O mesmo que a maioria dos demais aqui, pequeno explosivim. Dever de casaatrasado. O que me lembra... – Tiago mudara completamente o tom de sua voz parauma forma gentil e amigável. Seus olhos baixaram sobre Rosa. – Priminha querida, jádisse que você está formidável hoje? – Pare de bajulações – respondeu Rosa desconfiada. – O que quer? – Somente suas anotações da aula do Binns. Você sabe que tenho dificuldades comtodos aqueles nomes de duendes esquisitos. – Se você prestasse atenção nos nomes dos duendes, não teria problemas emdistinguir Hósis, o sanguinário de Hóris, o culto – disse Rosa com desdém. – Exatamente – falou Tiago com impaciência. – Vai passar-me as anotações ou não? 138
  • 139. – Vou – Rosa parecia desanimada e decepcionada, porém cedendo à pressão deTiago, pois sabia que aquela era uma guerra já perdida. – Mas assim você não vaisaber nenhum nome ou data que o professor pedir para os exames finais. – Rosinha, Rosinha... – Tiago sorria de uma maneira maliciosa como se já houveraarquitetado várias maneiras de se sair bem nos exames do professor fantasma. – Nãosei se percebeu as anotações dos antigos alunos nas carteiras. A maioria delas estáprotegida por um Feitiço Anti-Limpeza. Teddy me ensinou todas as manhas anopassado. A maioria das anotações tem a marca dele e dos Malignos... – Isso é colar! – disse Rosa com convicção. – Hmm, de certa forma, mas é! O quesignifica que é contra o regulamento de Hogwarts. – Se eles fossem tão bons já teriam trocado as carteiras – sussurrou Escórpio portrás de As Vinte Histórias mais antigas dos Bruxos. – Por mais que isso me irrite, – começou Tiago encarando Escórpio, aindaencolhida atrás do livro – tenho de concordar com o Diabrete Loirinho. Seria maisfácil evitar as colas se Crouch, no mínimo, trocasse as carteiras. – Fantástico! – bufou Rosa bastante desanimada. – Finalmente vocês encontramalgo em comum e dedicam isto a falar mal da diretora! Quer mais alguma anotação? – Não me julgue como um oportunista, Rosinha. Mas se porventura conseguiuresumir a história de Revalvier... Não me lembro de metade das frases ditas por ela. – Aquele balaço que Cícero Hutchins lhe acertou deve ter provocado algum surtode amnésia – debochou Ralf dando de ombros. – Até eu decorei a história que a ProfªRevalvier contou sobre O Lambedor de Sapatos. – A Profª Revalvier contou uma história para vocês? – perguntou Alvo interessado.– Durante a aula! – Na verdade, a história foi parte da aula – comentou Ralf aparentemente cansadode ter que explicar isso para todo aluno mais novo que lhe fazia esta pergunta. – Porque a pergunta? A Profª Revalvier ainda não lhes contou nada? – Não. Ela somente nos explicou detalhadamente, o que nos proporcionou horas desonolência, a importância dos contos infantis para o enriquecimento da cultura dosbruxos. Mas, creio que na próxima aula ela comesse com algum assunto maisinteressante. Naquele momento, em quanto Tiago e Ralf se distanciavam para uma mesa maisao norte da biblioteca, onde começaram uma desanimada discussão sobre asmelhores maneiras de resolver o questionário solicitado pelo Prof King, e Rosa eEscórpio voltavam a estudar os resquícios das páginas arrancadas do livro que eleencontrara, Alvo se distanciara completamente da biblioteca. Estava muitoconcentrado em seu novo plano para dar atenção, mas teria que esperar até quarta... Os dias que se seguiram foram de fortes ventos e muito frio. A temporada decasacões e cachecóis chegara a Grã-Bretanha e a grande maioria dos estudantes e 139
  • 140. professores não pensavam duas vezes antes de se enrolarem em quilos de panoscoloridos e formosos. Mas não havia frio neste mundo que impedisse EricoLaughalot de comandar os treinos para o jogo contra a Lufa-Lufa. Naquele ano, asprimeiras rodadas preliminares estavam marcadas para acontecer antes do Natal. Oprimeiro jogo estava marcado para o próximo domingo. Depois o jogo contra aCorvinal seria na última semana em Hogwarts antes das férias e das carruagenspartirem com os estudantes que passariam o Natal com suas famílias. Por últimoantes da faze final, o clássico contra a Grifinória encerraria a primeira faze. – Vamos usar a formação dragão contra a Lufa-Lufa – gritava Erico para seuscomandados durante o treino da terça-feira, o qual livrara Alvo do final da aula deGeomancia, com o Prof Margolyes. – Somos mais rápidos do que eles, e podemosimpedir qualquer manobra que realizem. Stuart, Estevão! Quero que marquem osartilheiros corpo a corpo. Não dêem nenhuma brecha! Demelza, Cadu! Vamos usarmanobras rápidas e com muito jogo de equipe para cima dos batedores deles! O vento empurrava Alvo para trás a cada segundo que ele estava montado naNimbus 2010 emprestada pela escola. Mesmo tendo de se concentrar em executarcom perfeição, ou o mais próximo disso, as manobras que Erico ordenava – Alvoainda se lembrava de como fora fácil utilizar a Firebolt de Erico. As curvas podiamser feitas de maneira mais suave de forma que Alvo pudesse ganhar vantagem sobreseu adversário. Que, no jogo contra a Lufa-Lufa, seria o queridinho dos professores earrasador de corações femininos, o Sr Perfeito Ethan Humberstone. Por mais queEthan e Alvo se dessem bem nas aulas de Tecnomancia e durante as refeições(quando Alvo se juntava com os Malignos) – Alvo não parava de imaginar que, sefosse necessário ou somente divertido, Ethan usaria toda a força contida em seusbraços para derrubá-lo de sua vassoura e fazê-lo passar a maior vergonha de suavida. A qual superaria até a tragédia no Natal quando Alvo possuía seis anos e ele‚acidentalmente‛ lançou uma pequena labareda flamejante nos cabelos perfeitos eencantadores da prima Vitória com o auxílio da varinha do tio Jorge. No fim do treino Alvo, e o restante dos outros membros da equipe da Sonserina,estavam parecendo animais que acabaram de sair de um chiqueiro após correr umamaratona de vinte quilômetros. O suor que escorria das testas e dos pescoços de cadamembro da equipe que ao se juntar ao odor nada agradável da lama criara um novoe fedorento odor pior que os excrementos das criaturas de Hagrid. A mesma lamaque se unira de maneira inconfortável às vestes que, depois de poucas horas sendoesfregada na terra úmida do campo de Quadribol, deixara de possuir sua habitualtonalidade verde. Depois daquele treino exaustivo e das brincadeiras que osjogadores fizeram assim que Erico encerrou o treino, nada poderia alegrar mais Alvodo que um banho. 140
  • 141. – Ei, Alvo! Espere ai! – gritou uma voz ansiosa que, segundo Alvo, retardaria emmais alguns minutos seu caloroso e merecido banho. Sem muito entusiasmo e ainda cheirando a carne podre, Alvo se virou para Ericoque corria pelo gramado com um fôlego e uma disposição de invejar qualquer atleta. – Acho que se quisermos ter vantagem sobre Ethan Humberstone no jogo dedomingo... Nossa única chance será se repetirmos a mesma tática dos treinos –afirmou o capitão da equipe com convicção. – Como? – A vassoura, Alvo! – exclamou Erico sorrindo. Uma solitária gota de suor escorriapor seu rosto entusiasmado. – Se quiser ter vantagem sobre o traidor, você deveráestar montado em algo melhor que a Nimbus. Traidor era a maneira carinhosa de que os sonserinos tratavam os puros-sanguesda Lufa-Lufa na presença de Alvo, visto que muitos parentes dele eram ligados atrouxas e a casa em questão. Isto devia a crescente popularidade de Alvo dentro daSonserina e seu atual posto como apanhador da casa. Quanto à proposta feita por Erico, Alvo sabia que seu capitão não estavaquerendo, somente, que Alvo tivesse mais facilidade para manejar sua vassoura.Erico queria que sua equipe fosse a mais perfeita entre as quatro. E que a maneiracomo ele abordou Alvo fora uma forma delicada de dizer ‚Ethan é mais rápido emelhor que você, então precisar{ de toda a ajuda possível!”, o que era verdade, mas Ericoqueria que a auto-estima de Alvo fosse a maior possível. – Tudo bem. Mas e você? – Alvo se fingiu de interessado, mas não estava nemligando para as explicações de Erico. Ele ainda estava radiante em saber que estariamontado em uma das vassouras ainda mais velozes daqueles tempos e que assimseria mais simples demonstrar um bom desempenho no jogo. Mas Alvo só estavapreocupado em não demonstrar toda sua felicidade tão facilmente para Erico. Alvotorcia para não estar enrubescido. Julieta Knowles Revalvier se formou em Hogwarts há vinte e cinco anos. Assimque conseguiu seu diploma a jovem bruxa foi aprovada no Ministério da Magia noramo mais insignificante e mais mal pago do Departamento de Execução das Leis daMagia e usava seu tempo livre para aperfeiçoar suas artes dramaturgas na AcademiaBruxa de Arte Dramática ou ABAD. Aos vinte anos Julieta declarou para o mundo emais importante, para seus pais, que sua paixão era, na verdade, os contos, mágicos etrouxas. O que gerou certa insatisfação do Sr Revalvier que esperava que a filhaseguisse uma “carreira de verdade”, que gerasse uma boa renda e futuramente umafamília. Aos vinte e dois anos Revalvier publicou seu primeiro livro: ‚As Crônicas dosIrmãos Moore”. Após dez anos de fama e sucesso Julieta foi obrigada pela SupremaCorte dos Bruxos a parar de publicar livros infantis, graças às acusações darenomada Beatrix Bloxam que alegava que Julieta copiara algumas de suas histórias 141
  • 142. de contos trouxas e que, involuntariamente quebrara o Estatuto Internacional deSigilo em Magia. Beatrix alegava que Julieta ‚copiava as histórias e trocava os nomes,além de revelar detalhes sigilosos sobre o mundo bruxo aos trouxas”. Julieta foi condenadaa não publicar mais nenhum livro. Abalada a bruxa se mudou para a Argentina,onde passou alguns anos em retiro. Depois de muito tempo aproveitando o pouco dedinheiro que ainda lhe restava; Julieta Revalvier fora convidada pela diretora Croucha voltar a Hogwarts, desta vez lecionando uma didática que possuía tudo o que elasempre amara... Histórias. Aquela seria a oportunidade de ouro para Alvo desvendar todos os mistérios queenvolviam O Conto do Bruxo Linguarudo. Mesmo que o Prof Silvano ou o ProfMcNaught houvessem rasgado a história de todos os livros de Hogwarts, ambos nãopoderiam calar uma sábia da literatura como Revalvier sem cometer um assassinato.O que não seria nada aconselhável. Mesmo que a professora não possuísse interessesem narrar à história medieval, Alvo usaria todas suas habilidades de persuasão paraconvencer a professora a fazê-lo, o que seria mais difícil sem a ajuda de seus amigosRosa e Escórpio, que não participariam da aula já que a Grifinória faria par com aLufa-Lufa em outra didática. Porém para alívio de Alvo, ele não precisaria lançar aprofessora seus olhos magoados nem fazer beicinho, já que seus planos eramsemelhantes aos da Profª Revalvier... A classe de Literatura Mágica ficava em nada mais, nada menos, que em umapequena sala semicircular imitando a forma de funil da classe de História da Magia,anexada por uma portinhola à parte traseira da biblioteca. A sala era iluminada porfileiras de janelas côncavas, alinhadas em uma das partes curvas da sala. A nova, eúnica, professora de Literatura Mágica, Julieta Revalvier, estava sentada em suamiúda escrivaninha, lendo atenciosamente as entrelinhas de um livro de páginasamarelas, semelhantes a papiro. Seus olhos percorriam cada palavra digitada nopapiro de forma tão lenta e cautelosa que muitos dos alunos que entravam na salamal poderiam perceber que a professora estava lendo. Seu par de óculos para leituraestava meticulosamente pressionado conta seu levemente arrebitado nariz, emquanto seus belos cabelos loiros tocavam os ombros da mulher miúda e magra. Poralguns segundos Alvo imaginou que a professora poderia fazer parte de uma colôniade sereianos, caso possuísse guelras. – Você de novo, Potter! – exclamou Ísis Cresswell quando ela se sentou ao lado deAlvo na sexta fileira de cadeiras. – Melhor eu me preparar se ficarmos nosesbarrando em cada aula que a Sonserina e a Corvinal fizerem juntas. Alvo considerou aquilo um elogio – o que também poderia ser encaixado comoum flerte de Ísis. Mas logo em seguida Alvo tirou seu foco de Ísis e o passou para ogaroto de cabelos longos que acabara de entrar na sala de Literatura Mágicacarregando rolos extras de pergaminho. Alvo se sobressaltou, ergueu o braço direitofazendo menção para que Lívio Black se sentasse ao seu lado. Naquele precioso, ou 142
  • 143. humilhante, momento a Profª Revalvier fechou seu livro de mil anos e ergueu seusolhos azuis da cor do mar para a turma. – Conseguem ver? – perguntou a professora em um tom amigável baixando seusolhos vagos sobre a turma e erguendo com sua mão magrela seu livro feito depapiro. – Eis comigo uma das obras mais raras e fascinantes da história do mundo damagia. Uma obra prima, digna de ser chamada de best-seller, caso fosse escrita nostempos atuais. O Cântico. Uma obra sem quaisquer registros sobre seu verdadeiroautor, mas capaz de tocar profundamente seus corações e suas almas. O Cânticoconsegue revelar-lhes um reino intocável, forjado por pedras soltas e desiguais. Umreino que mesmo pronto nunca foi encontrado ou utilizado por uma única alma purahumana. Como pode? Vocês crêem que uma fortaleza como essa poderia serdestruída por uma simples poeira? A poeira do tempo é uma das mais poderosasarmas naturais. Não há matéria, líquida ou sólida, não há objeto, jóias ou barro quepossam superá-lo. Somente um dom é capaz de seguir imortal, a palavra e a rimaafinal, nunca, se sempre cultivadas, chegaram a seu final. A Profª Revalvier suspirou, e com o corpo cansado e frágil, como se acabasse delutar contra um trasgo, repousou o livro sobre sua escrivaninha. Os alunos nãosabiam se aplaudiam ou se mergulhavam em lágrimas. Por fim tomaram a melhordas decisões, permaneceram em silêncio. – Um trecho retirado das últimas páginas do livro – afirmou a professora com umavoz mais rígida, comum em professores. – Como disse, não há nenhuma informaçãosobre o autor. Não se sabe em que época, ou em que língua original fora escrita. Mas,como o próprio autor escreveu, sua obra conseguiu superar a poeira do tempoatravés das rimas e das palavras contidas nela. Não se sabe quem há começou, masaté hoje a festa continua. Em quanto existir música nesta festa e pessoas dispostas adançá-la, a festa nunca irá acabar. Qual é a fortaleza descrita? Quem a forjou? Porque as pessoas a perderam de vista? Está, talvez, pode ser a prova de que O Cântico éuma obra mais velha do que nossas cabeças consigam imaginar... Alvo olhou discretamente para seus dois colegas ao seu lado. Ísis possuía meiopergaminho lotado de belas palavras escritas por sua caligrafia feminina. Líviotambém possuía boa parte de seu pergaminho escrito, porém com uma letra não tãoformosa quanto à de Ísis. Alvo sabia que deveria estar escrevendo algo, mas naverdade não sabia exatamente o que escrever. Pelo canto do olho Alvo espiou mais àfrente. Lucas era outro aluno que escrevia rapidamente em seu pergaminho, mas elelogo se tranqüilizou quando percebeu um dragão junto às palavras do amigo. – O mundo mágico é muito, muito antigo. O que torna as histórias e contosmágicos ainda mais antigos. O que, de um ponto de vista literário, é bom, poisenriquece cada história com mais detalhes, costumes e gostos de sua época original –continuou Revalvier, fazendo gestos para os vários livros empilhados sobre as 143
  • 144. prateleiras da sala de aula. – Nunca poderíamos estudar toda a história envolvendo aLiteratura Mágica em tão pouco tempo. Um estudo detalhado sobre tal custaria nomínimo duas vidas! O que talvez não fosse o suficiente... Nós não iremos desvendarnem dois décimos de todas as obras existentes. Iremos aprofundar-nos, nosdiferentes universos criados para nós. Explicitando datas e eras a fim de especificaros tempos de que elas provêem. Há muitas pessoas, bruxas e trouxas, que acham queliteratura é algo vago. E que um livro não é nada mais do que palavras escritasaleatoriamente para divertir as pessoas ditas “chatas”. Aqueles que dizem isso sãopessoas hipócritas, desafortunadas e sem cultura, que nunca foram apresentadas averdadeiras obras literárias, as quais possuem o poder de criar novos mundos e usarnossas mentes como um projetor invisível. Essas pessoas são seres limitados a ‚Araposa e o sapo” ou ‚A Varinha e o Caldeirão”. Com sorte, eu farei com que vocês,alunos, mergulhem com satisfação dentro de cada parágrafo contido nos livros.Talvez, as histórias aqui apresentadas se misturem com nossas vidas sem emoção ouvice versa. E não me refiro somente aos livros da Seção Reservada que precisam seracorrentados para não saltarem em suas cabeças. Uma breve marola de risadas silenciosas e respeitosas invadiu os ouvidos daprofessora, que as retribuiu com um sorriso ameno. – Começaremos nossas aventuras literárias a partir das menores, porém maisimportantes formas de contos e histórias. Ao em vez de iniciarmos nossas aulas comuma famosa festa, como O Cântico, ou um clássico literário, começaremos com algomais accessível a suas mentes iniciantes ou até ignorantes. Necessito de voluntários!Alguém se arrisca a revelar-nos qual é seu conto favorito de infância? Naquele momento Alvo estava pronto para botar seu plano em prática. Ele queriaser o primeiro caso o conto que ele planejava lançar a professora fosse longo. E Alvonão queria ser interrompido pela sineta. Porém algo que Alvo não acrescentara emseus planos ocorreu. A quantidade de alunos que se voluntariaram a revelar suashistórias favoritas era muito maior do que o garoto imaginara. Talvez a ProfªRevalvier nem notasse o braço ansioso e apreensivo de Alvo. – As Crônicas das Verruguentas e Narigudas Velhas Resmungonas – disse Irene com asbochechas enrubescidas. – Era minha favorita, quando pequena. – Uma antiga história sobre três envelhecidas mestras da magia que levavamcondimentos mágicos para uma feira trouxa. Um excelente exemplo, Srtª Mcmillan.Mais algum? – Eu gostava de João e o Pé de Feijão. Sabem: do menino que encontra feijõesmágicos e acaba na casa de um gigante – disse timidamente Kevin Marsten, omenino nascido-trouxa da Corvinal. – Também tem As Viagens de Gulliver. – Estes são exemplos clássicos da literatura trouxa, Sr Marsten – afirmou aprofessora sorrindo. – Belos exemplos de que a magia está presente nos contos dos 144
  • 145. trouxas. Como vocês podem ver, a literatura é, também, uma maneira de integraçãoentre este mundo e o mundo trouxa. – Isso só prova que trouxas não têm criatividade – rangeu Héstia Pucey para outragarota da Sonserina. – Não conheço histórias bruxas que os copiem. Afinal, não hánada que mereça ser copiado. Vários outros descreveram à classe seus contos favoritos. A grande maioria erafamiliar aos ouvidos das crianças com conhecimento do mundo bruxo, mas algumasoutras passavam completamente despercebidas por Alvo. Mas o que mais estavairritando Alvo era que, por mais que ele esticasse seu braço – o que provocaria doresno dia seguinte – a Profª Revalvier mal o notava. Mais parecia que ela o ignorava depropósito. – A Fonte da Sorte – disse Ísis terminando a bateria de contos exclamados eberrados pelos alunos. – Uma notável menção a um dos contos do muito conhecido escritor Beedle, oBardo. De fato, todas as menções feitas por vocês são de famosos contos muitopopulares entre a comunidade bruxa. E o que mais nos agrada é que cada um possuisua maneira de contar os contos para quem os ouve. Cada bruxo ou bruxa possuiuma versão nova de cada conto. Geralmente passada de geração há geração... Alvo sentiu que aquela era sua deixa. Mais um segundo e a Profª Revalvierpoderia se perder novamente dentro de cada linha dos livros que ela conhecia. Semrodeios, Alvo se precipitou e ergueu bruscamente seu braço. Aquela seria sua últimatentativa de chamar a atenção da professora... – Sim, Sr Potter. – Professora, há alguns anos, um conhecido de meu pai mencionou uma históriamuito antiga e rara de se encontrar – mentiu. – Ele havia sim tomado algumas dosesa mais de uísque de fogo, mas acredito que tal conto seja verídico. Professora, talveza senhora pudesse nos contar algo sobre O Conto do Bruxo Linguarudo? O rosto de Revalvier se iluminou como se depois de muito tempo algum alunofinalmente tivesse coragem em pronunciar as palavras que a professora tantosonhava em ouvir. Cordialmente, Revalvier se encostou a sua escrivaninha ecomeçou a percorrer com o olhar os livros que ela continha em sua sala. – Como você mesmo disse, Sr Potter, O Conto do Bruxo Linguarudo é, de fato, umconto muito raro de seu ouvir falar. Existem muitas formas de contar esta história.Existem mentiras envolvendo este conto, além de palavras de baixo calão. Mas nofinal das contas todas partem do mesmo princípio e sempre terminam no mesmofim. Não fui muito familiarizada a este conto, Sr Potter, mas não é por isso que eu odesconheço. Assim como O Cântico, o autor de O Conto do Bruxo Linguarudo édesconhecido. Todavia existem lendas de que o próprio Bruxo Linguarudo foi quem a 145
  • 146. escreveu. Mas não gostaria de misturar fatos reais com lendas urbanas. São várias asmaneiras de iniciar esta narrativa. Eu, Julieta Revalvier, prefiro esta: ‚H{ muitos anos um bruxo, ainda na flor da idade, vagava sem nenhum rumo poruma estrada de terra ao raiar do dia. Aquele bruxo era um renomado artesão quefora agraciado por divindades a possuir o dom de criar qualquer objeto, desde fundirmetais a construir varinhas e vassouras. Ninguém sabia seu verdadeiro nome. Acada parada em cada cidade ele se identificava como uma pessoa diferente. Seuaclamado dom possibilitara ao artesão o preparo de poções com perfeição. Suaprincipal arma era a Poção de Troca Temporária de Personalidade Humana, ou comose diz, Poção Polissuco. Porém esse artesão não poderia ser envolto somente comauras agraciadas e divinas. Um de seus maiores pecados eram a avareza e o egoísmo.E seu pior habito era o incontrolável desejo de contar aos outros, o que deveria sersegredo de seus confidentes. Sua notável habilidade de fofocar gerou, entre osbruxos que o conheciam através de seus trabalhos artesanais ou balísticos, o apelidode O Bruxo Linguarudo. Como o artesão vagava de cidade em cidade, sem tempo fixoou data certa de despedida, ele era um homem solitário, mas muito bem camuflado,pois como os deuses gregos costumavam fazer – e o artesão seguia suas regras comoum devoto segue seus mandamentos – o artesão costumava passar sua estadia emcada vila com uma mulher diferente. O único problema era que ele geralmente aengravidava. Porém certa vez o artesão acabou se apaixonando por uma trouxa quepouco ligava por suas artes de modelar. A trouxa já estava de data marcada paraesposar com um poderoso duque, mas nada que pudesse irritar o artesão, queloucamente utilizou de toda sua experiência para encantar a jovem. Quandofinalmente conseguiu que a jovem se apaixonasse por ele, o boato de que ele estavatentando conquistar a bela jovem chegou aos ouvidos do duque, fazendo com quepela primeira vez o artesão sentisse de seu próprio veneno. Louco por ter sido traídopela mulher que um dia ele amara, o duque resolveu se vingar do artesão e da jovemde uma só vez, já que não possuía mais nenhum sentimento pela tal o duqueresolveu envenená-la. Louco o artesão jurou vingança ao duque e assim deixou acidade em busca de alguma magia que pudesse enfim, trazer sua amada de volta avida. ‚E foi nesta estrada de terra suntuosa e esburacada que o artesão desacreditadoe envolto por uma sede de vingança descobriu um meio de realizar seu sonho detrazer a jovem de volta.‛ ‚J{ eram seis e meia da manhã, após aquela longa caminhada sem destino, quandoo artesão caiu no chão desacreditado da vida. Ele não esperava nunca mais voltar aencontrar sua amada. Louco por ter sido enganado por um duque desonesto eindigno de esposar-se com uma doce e honorável dama como a que ambosdisputavam, o artesão deitou-se no chão de terra imitando um morto. E assimesperara para que a morte o abrasasse após alguns dias sem água ou comida. Como 146
  • 147. o bruxo artesão previra, ao fim da segunda noite deitado naquela terra esquecida porDeus, a Morte apareceu na espreita como um abutre à espera de sua comida. Seusbraços esqueléticos se esticaram para abraçar o artesão por uma última vez, porém obruxo continuava lúcido e aproveitou a oportunidade para abordar a Morte cara acara. Sem mais nenhum medo, sem nenhuma preocupação.‛ ‚Revoltada por ter sido enganada por um mero mortal, a Morte quis humilhar obruxo e brincar com sua mente, forçando-o a reviver os momentos que ele passarajunto de sua amada dama. Quando o homem já estava próximo de um colapsonervoso a Morte resolveu fazê-lo sofrer ainda mais. Ela estava convencida a prendero homem em sua forma viva para ele vagar pelo resto da eternidade sozinho,somente revivendo mentalmente como fora bom estar com sua dama. A Morte entãocomeçou a ludibriar e encher a mente do artesão desesperado de mentiras. Elaalegou que poderia aprimorar as habilidades do artesão fazendo com que elepudesse construir algo nunca antes imaginado, bastando receber apenas um presentevindo do artesão. Esse, porém, não queria perder a oportunidade de realizar suasvontades e desejos. Então ele pediu a Morte à habilidade de criar um objeto, ou umportal, capaz de trazer de volta aqueles queridos já levados por ela. Relutante, aMorte acabou aceitando o pedido. Mas sem contar ao artesão, acabou levando opedido ao pé da letra, concedendo-o o poder de construir a ferramenta, mas não deusá-la. Como troca de favores a Morte recebeu seu presente após realizar o desejo doartesão. Em troca, a Morte recebera parte da alma do bruxo, condenando-o a vagarpelo mundo dos vivos até que sua obra fosse completada.‛ ‚Se passados anos, a notícia de que o artesão retornava para matar o duque quefora tão severo com ele se espalhara por vários reinos. Pelo que se sabe fora o artesãoquem provocara a avalanche que levara a carruagem do duque e de sua novafamília, mas isso são apenas hipóteses.‛ ‚Décadas se passaram, e quando percebera que somente quando terminada suaobra poderia partir, o artesão dedicou cada segundo de sua existência imortaltrabalhando no que ele batizara como Olho entre os Mundos. Mas, infelizmente, porconta de sua irresistível vontade de gabar-se de si próprio e de mentir esposar-secom as filhas dos donos de fazendas, o artesão ganhou muito foco junto aos nomesde bruxos a serem seqüestrados ou assassinados, mas nenhum caçador derecompensas conseguiu aprisioná-lo. Finalmente o artesão sem nome verdadeiroconseguiu completar sua obra. A ferramenta hexagonal em forma de caixão capaz detrazer os mortos de volta à vida e contrariar todas as leis da magia estava pronta.Todavia, no último segundo, quando o artesão estava próximo de ativar a máquina etrazer sua mulher de volta, a Morte apareceu, pronta para levá-lo. Como últimosuspiro de vida, o artesão selou sua obra, de certa maneira que impedia os maisousados de abri-la. Somente as pessoas certas e de coração puro poderiam utilizar da 147
  • 148. obra do artesão. Segundo as lendas que envolvem este conto, somente um bruxo oubruxa que possua o mesmo sangue que o artesão pode usufruir do poder do Olho.‛ Ao fim da detalhada explicação da Profª Revalvier, a turma toda repousou em ummórbido silêncio. Mas nenhum aluno ficara mais calado até o fim da aula do queAlvo. Estava mais calado do que Lívio. Alvo ficara processando cada informação ditapor Silvano a McNaught e cada parágrafo ditado pela professora com relação aoconto do artesão que desafiara a morte. O qual Alvo, diferente dos bruxos dostempos antigos, sabia seu nome. Era Albrieco Ambratorix. Tudo fazia sentido naquele momento – o que fazia a idéia de ter dois professoresconspirando secretamente embaixo do teto de Hogwarts ficar cada vez maisassustadora. E algo mais incomodava Alvo. Segundo o Prof Silvano, Ambratorixengravidara várias mulheres de sangue-puro – o que também fora dito pela ProfªRevalvier – e que uma das famílias que possuíam ligações com o bruxo medieval eraa Peverell, a família estritamente relacionada |’ O Conto dos Três Irmãos e as Relíquiasda Morte. Mas ainda havia algo que incomodava o subconsciente de Alvo. Algumaligação milenar que o escapava naquele momento. Porém Alvo concluiu que nãofazia muita importância. Naquele momento ele aguardava ansiosamente o soar dasineta para poder contar tudo o que ouvira da Profª Revalvier à Rosa e Escórpio. 148
  • 149. Capítulo Nove Sonserina vs. Lufa-Lufa P otter! Malfoy! E Weasley, também! Silêncio! – resmungou a Profª Minerva para Alvo, Escórpio e Rosa durante a aula de Transfiguração – daquela quarta-feira. A Profª McGonagall ensinava aos alunos daSonserina e da Grifinória como transformar um morango em uma batata. PorémAlvo tentava, a cada momento em que a professora fazia uma pausa parademonstrar aos alunos como executar o feitiço com perfeição, para evitar que omorango se transformasse em batatas fritas, contar aos amigos todas as informaçõesque ele recebera da Profª Revalvier, em quanto ela inocentemente recitava o conto deAmbratorix para a turma. Alvo sabia que aquele não era o momento mais oportunopara contar aos dois tudo o que ele descobrira, mas Alvo sabia que, até o fim datarde, seria o único momento que os três passariam juntos. Afinal era quase uma leiAlvo comparecer no campo de Quadribol ao final de suas aulas para os extras eimportantíssimos treinos que Erico havia programado nos últimos dias antes do jogode estréia da Sonserina no domingo. E Alvo não teria de se preocupar com seuparceiro de trabalho, já que Lucas estava demasiadamente entretido com a tarefa detransformação para prestar atenção no que o amigo estava cochichando. Ainda maissendo com grifinórios. – Meu morango já foi transfigurado, professora – alegava Rosa tentando mudar aatenção da Profª McGonagall do grupo de Rosa para o de outros alunos comdificuldade em realizar a tarefa. – Estou vendo, Srtª Weasley. Mas o de Potter e o de Malfoy ainda são merosmorangos – disse a professora, relutante. – O de Potter poderia ser usado para fazerum milk-shake! E o de Malfoy não serviria para nada! Sugiro que os senhores falemmenos e concentrem-se mais em seus feitiços... Finnigan, seu morango possui patas! A cada palavra que Alvo dizia a Escórpio e a Rosa sobre o conto de Ambratorix, aexpressão de cada um mudava de forma drástica. A cada segundo Escórpio ficavamais entusiasmado com a oportunidade de estar prestes a mergulhar de cabeça emuma aventura mortal. Já Rosa ficava cada vez mais horrorizada e espantada. Talvezpelo fato de ter sido Alvo a descobrir tudo sobre a história do artesão misterioso enão ela; talvez por perceber que realmente professores conspiravam secretamente emHogwarts, e um deles ela admirava perdidamente, ou que a história de Ambratorixse tornava cada vez mais sinistra, horrenda e capaz de transformar drasticamente oatual equilíbrio de paz que pairava sobre o mundo da magia. – Então é isso, não é? Temos de embarcar nessa! – afirmava Escórpio eufórico,porém com plena consciência de suas palavras. – Sr Malfoy! – bradou a Profª Minerva – Se não fechar sua boca e realizar a tarefaque eu mandei... Eu lhe transformarei em um furão! 149
  • 150. – Já chega – bufou Rosa apontando sua varinha para o morango de Cameron. –Corpus Mutare. A fruta de Cameron Creevey começou a mudar de forma. Não da maneira que aprofessora McGonagall esperava, transformando a fruta em um legume, mas simfazendo com que o nobre e inocente morango se transformasse em um morangueirotão grande que tocava o teto da sala de Transfiguração. Alguns alunos de ambas ascasas saltaram de suas carteiras à medida que o revolto morangueiro atirava suasfrutas na cabeça dos estudantes. – Agora teremos privacidade para conversar – disse Rosa com desdém, admirandosua travessura, orgulhosa. – Creevey, o que fez? – bradou a Profª McGonagall desviando dos morangos que omorangueiro lançava em direção a seu chapéu cônico. Cameron, por outro lado, semostrava assustado e acovardado. Gritava para a professora que não fizera nada,que seu morango somente havia mudado de forma sem que ele notasse. O que era apura verdade. – Deve ter sido uma reação a grande quantidade de feitiços que osenhor lançou no morango. Srtª Longbottom, chame seu pai... Digo, o ProfLongbottom! Diga que é um caso de urgência. Posso acalmar este morangueiro, masnão destruí-lo. – O que está havendo? – perguntou uma voz engraçada e ao mesmo temposarcástica às costas da professora. Pirraça, o poltergeist espreitava perto da porta da sala de aula. Como uma formigaatraída por açúcar, Pirraça chegara rapidamente à sala de Transfiguração ao ouvirum zumbido de tumulto. Com uma pirueta, o poltergeist mergulhou e apanhoualguns morangos do chão e começou a lançá-los contra o quadro negro e contraalguns alunos. – Prewett! Ache o Sr Filch! Peça para que ele chame o Barão Sangrento – urrava aprofessora, entre feitiços que ela lançava no morangueiro e advertências ditas aPirraça. – Você será aprisionado nas masmorras! Farei com que a Profª Crouch opuna! – Minerva McGonagall. A gatinha que tem medo de altura. Venha me pegar, para depoisme castigar! – cantava Pirraça para provocar a professora. – Não podia simplesmente explodir algo? – perguntou Escórpio desviando comseu livro de transfiguração os morangos lançados por Pirraça e pelo MorangueiroRevoltado. – Achei que não fugiria do controle! – Rosa estava enrubescendo cada vez mais.Suas orelhas estavam tão vermelhas quanto os morangos atirados como balas pelopoltergeist. – Então, o que faremos com relação ao Prof Silvano e ao Prof McNaught?Ainda acho que deveríamos contar a Profª Crouch. – Não existe esta alternativa – repetiu mais uma vez Alvo. 150
  • 151. – E o que você pretende fazer, Sherlock Homes? – perguntou Rosa irritada. – Sugiro darmos um tempo. Esperar Silvano e McNaught darem o próximo passo. – Então quer deixar os dois seguirem impune até que um ressuscite Voldemort e ooutro Grindelwanld – retrucou Escórpio irônico. – Disse para não cutucarmos demais a ferida. Não deixar de observá-la. Achomelhor não darmos a nossos queridos professores mais motivos para desconfiar denós – Alvo abaixou sua voz. – Já foi muito arriscado ouvir a conversa dos dois. Serámelhor que eles acreditem que na verdade foi somente o vento quem provocou obarulho na noite do Dia das Bruxas. Em minha opinião, deveríamos somente ficarobservando-os com mais atenção, mas sem dar muita bandeira. – Tem certeza do que está falando, Potter. Não quero voltar para casa gelado emcima de uma mesa. – Se me conhece só um pouquinho... – começou Alvo erguendo o olhar paraEscórpio e rebatendo uma chuva de morangos com seu exemplar de Guia deTransfiguração para Iniciantes. – Já deveria ter percebido os mil motivos que dei paranão confiar no que digo. Os últimos quarenta minutos a aula de Transfiguração foram suspensos a partir domomento em que o Barão Sangrento atravessou as paredes da sala de aula a todovapor berrando xingamentos e ameaças para Pirraça, que se encolhera em um cantoda sala atrás do Morangueiro Revoltado. Já haviam contado a Alvo que o único serno mundo, vivo ou morto, capaz de controlar o poltergeist irritante e inconvenienteera o Barão Sangrento. Mas nunca contaram a Alvo como ele o fazia. E pelo jeito nãoera nada muito agradável de ver, pois os alunos foram evacuados pelo Sr Filch e pelaProfª McGonagall para fora da sala. Poucos minutos depois o Prof Longbottomadentrou a sala disposto a controlar o Morangueiro sem danificá-lo, pois o professorainda possuía esperanças de cultivar uma espécie bela como aquela em suas estufas. Os treinos realizados por Erico naquela quarta-feira não foram muito diferentesdos realizados nos dias anteriores. Porém algo alegrava o capitão. Segundo ele, umgrande fã da rádio filial do Sistema de Controle e Observação Climática dos Bruxos,o domingo seria de sol, porém com fortes rajadas de vento frio e possíveis trombasd’{gua – algo muito comum no inverno – similar ao que se apresentava naquelaquarta-feira. Erico reforçou sua impecável formação dragão, e corrigiu os erros deposicionamento de seus companheiros. Alvo, como de costume, fora observado pelosolhos atentos a detalhes de Demelza e de uma admiradora que ele desconhecia. Mesmo tendo perdido sua vaga na equipe da Sonserina, Sara Aubrey nãodemonstrava nenhum sinal de inveja. Alvo concluíra que, ou ela não guardavamágoas dele ou a terceiranista era uma excelente atriz e esperava o melhor momentopara envenenar o suco de abóbora matinal do apanhador. Alvo preferia à primeira. 151
  • 152. A manhã de domingo amanheceu da maneira que Erico Laughalot tanto ansiava.O sol brilhava sem muitas forças e o céu se assemelhava a uma imensidão azul, mascontinha nuvens carregadas em forma de algodão que tampavam a grande bola defogo que clareava todo o país. Mesmo com a primeira vitória da Grifinória no diaanterior, Erico se mostrava inabalável. O que surpreendia a todos, principalmenteaos grifinórios de seu ano que precisavam de muita criatividade para irritar ocapitão. Já na hora do café os nervos já se mostravam a flor da pele de todos os estudantese professores. Os alunos da Lufa-Lufa, guiados pela Profª Vector (que depois demuitos anos retirou sua antiga túnica amarela de seu armário, porém esta aindacontinha um desagradável cheiro de naftalina) ensaiavam gritos de guerra e cançõespara desnortear os adversários a todo volume, o que provocou alguns conflitos entreos alunos do sétimo ano da Sonserina com os eufóricos da Lufa-Lufa. Se não fosse oProf Longbottom, Nico Higgs teria sido esmurrado no nariz por Daniel Fincher, obatedor da Lufa-Lufa. Enquanto os alunos do último ano trocavam xingamentos emurros, o Prof Slughorn se mostrava inalterável, desfilando pela mesa da Sonserinacom suas vestes verdes de linho e seu sorriso bobo. A cada membro da equipe,Slughorn abraçava com entusiasmo e sussurrava alguma coisa ao pé de seu olvido. – Deve estar oferecendo notas extras por boa conduta – resmungou Isaac ajeitandoseu distintivo colorido que umas garotas da sonserina distribuíam pelo SalãoPrincipal. – Ele deveria ganhar a Ordem de Merlim por ‚bajulações sonserinas‛. – Alvo meu rapaz! – exclamou o alegre professor de Poções puxando Alvo pelamanga de seu uniforme de Quadribol e o envolvendo em seus braços fofos. – Umbom jogo para você, meu garoto. Quem sabe se a Sonserina ganhar hoje eu me alegretanto que me esqueça do seu dever de casa e do Sr Prescott. – Slughorn sorriu paraIsaac, mesmo depois de ter errado seu nome. – Obrigado, senhor! – exclamou Isaac saltando para fora de sua cadeira eagarrando a mão de Slughorn. – Tenho certeza de que nosso amigo, Alvo, não irá nosdecepcionar hoje! – Do que está falando, Prescott? – perguntou Slughorn parecendo ofendido. Oprofessor lançou outro sorriso a Alvo e seguiu para perto de Demelza e Cadu queconversavam a poucos metros dele. – Meu nome é tão complicado de ser dito? – Não. Manias de nosso chefe de casa. – Bom, se ele mantiver a promessa... Ótimo, sou o Sr Prescott! Então, Alvo,mantenha o foco e pense neste distintivo que tive de comprar – Isaac apontou com oindicador para o distintivo que brilhava sobre suas vestes. Pela primeira vez Alvo prestou mais atenção no que diziam as letras prateadas quesaltavam de um lado para o outro no distintivo de Isaac. 152
  • 153. Vamos arrasar! Vamos ganhar! E aqueles malditos lufalufinos detonar! Depois o distintivo dava uma pirueta fazendo com que as palavras dessem lugar auma maliciosa cobra enroscada sobre um texugo velho e acabado. – Custou um sicle – afirmou Isaac em tom de orgulho. Com toda aquela agitação os alunos e professores mal notaram a revoada decorujas que avançou pelo Salão Principal entregando as correspondências aos alunosde Hogwarts. Alvo imaginava que a costumeira carta matutina que sua mãe enviavacontivesse votos de boa sorte para o jogo de estréia. Mas quando Artie, a corujacinzenta e gorducha de Alvo aterrissou próximo ao prato do café dele, algo o diziaque o que continha na carta era muito mais que apenas votos de boa sorte. Relutantee curioso, Alvo rasgou o envelope e abriu a carta escrita por sua mãe. Querido, Alvo O Natal está se aproximando e com isso você deve decidir se vai ou não voltar para casapara passar o feriado conosco. Sugiro que não tarde em fazê-lo, pois se ainda for como era emmeu tempo, a Profª McGonagall não vai gostar nada de receber seu bilhete em cima da hora.Imagino que est{ pergunta fosse facilmente respondida por você. “Sim mamãe, queropassar o feriado com você, já que estou morrendo de saudades.‛ Mas creio que já estána hora de você saber exatamente o que está acontecendo aqui fora, Al. Seu pai e eu estávamosprotelando ao máximo dar-lhe está notícia, mas como o feriado se aproxima... Bem, acho queestá na hora de você, seu irmão e seus primos saberem de tudo... Não houve nenhum sucesso em tentar trazer sua tia-bisavó Muriel para morar n’ A Tocacom sua avó. Pode acreditar, foi uma decisão que alegrou muito seus tios. Seu tio-avô Eliasmal deu sinal de vida. Enviamos todas as nossas corujas com cartas urgentes para ele, massempre foi muito difícil de encontrar seu tio-avô. Ele deve estar viajando pelo mundo com suafamília. O que dá grande trabalho às corujas para localizá-lo. Antes que você se descabele com esta informação, quero que saiba que fora muito difícil paratodos nós, os adultos é claro, chegar a esta decisão. Espero com o coração apertado que nãofique muito abalado com a notícia, mas... Nós resolvemos vender A Toca. Colocamos o aviso de venda a alguns meses em jornais trouxas e no Profeta (não imaginoque nenhum de vocês leia a seção de classificados). Há alguns dias recebemos uma propostamuito boa de uma família trouxa disposta a pagar uma boa quantia pelo terreno. Não sei se oque seu tio Percy disse foi verdade, mas a família trouxas esta disposta a derrubar A Tocapara levantar uma casa nova. Pelo menos o pomar ficará intacto. Estou lhe contando tudo isso porque está em nossos planos esvaziar A Toca durante oferiado. Será nosso último Natal lá, mas eu e seu pai iremos entender se você preferir ficar aiem Hogwarts para não ter de sofrer mais do que já deve estar sofrendo. Mil beijos em suas bochechinhas 153
  • 154. Gina PS: Seu pai me contou que hoje será seu primeiro jogo de quadribol como apanhador daSonserina. Então boa sorte, querido, e capture esse pomo como um Potter faz. Alvo mal teve estômago para se alegrar com o desejo de sorte de sua mãe. Seucorpo havia desabado como se ele fosse obrigado a carregar todo o equipamento daequipe da Sonserina em suas costas mais seus componentes. Como os adultoschegaram à decisão de vender algo tão precioso para Alvo quanto A Toca, queatravessou várias gerações junto à família Weasley. E ainda vender para sangues-ruins como o dessa família trouxa miserável que teria a ousadia de derrubar A Toca.E onde se enfiava esse tal de tio Elias, que mal dava as caras para saber como ia seuirmão. Talvez ele não fosse realmente o melhor bruxo a tomar conta d’ A Toca.Talvez ele fosse uma dessas pessoas que venderia a casa somente para comprar umagarrafa de hidromel. Revoltado, Alvo amassou a carta de sua mãe com raiva e ajogou em um canto fazendo Artie piar assustado e levantar vôo desesperadamente.Depois de ver sua coruja voar para longe dele, Alvo espichou o pescoço para ver seos outros Weasley também haviam recebido suas cartas. Na mesa ainda festeira da Lufa-Lufa, Vitória, Dominique e Luís trocavamcotoveladas para tentar ler a carta que a tia Fleur havia escrito em quanto sedebulhava em lágrimas. Na mesa da Corvinal, Molly lia atentamente cada parágraforígido que sua mãe, a tia Audrey, havia escrito pouco antes de sair para seu trabalhono Ministério. Já na mesa da Grifinória, Alvo pode ver com clarividência Rosa levaras mãos à boca em quanto seus olhos enchiam-se de água. Também era possível ver acara de ira de Tiago em quanto Fred lia em voz alta a carta que a tia Hermioneenviara. – Vamos, Al! Está na hora! – alertou Erico puxando Alvo pelo ombro e o levandopara o meio da multidão de alunos e professores que deixavam o Salão Principal emdireção ao campo de Quadribol. Alvo mal pode prestar atenção nas últimas instruções que Erico lhe dizia pelocanto do ouvido enquanto os dois mergulhavam na aglomeração de eufóricos alunosque cantavam, provocavam e gritavam pelos corredores da escola. Alvo só pensavana carta enviada por sua mãe. Na injustiça que os adultos cometeram ao resolvervender a casa sem ao menos pedir a opinião dos mais novos. Alvo estava decididoem enviar uma carta para a mãe dizendo que de maneira alguma iria passar o Nataldestruindo tudo o que o vovô Weasley levara a vida construindo... Mas Alvo deveria espantar aqueles pensamentos, nem que por alguns momentos.Ele deveria se focar somente nas instruções e táticas passadas por Erico durante osmeses anteriores. Alvo não poderia decepcionar os sonserinos depois de tudo... Enquanto Alvo atravessava o caminho de terra que levava ao campo de Quadribol.Algumas figuras incomuns começavam a aproximar-se dele à medida que o grupo 154
  • 155. de estudantes passava pelas portas da cabana de Hagrid. Alvo comprimiu os olhospara enxergar as seis figuras que caminhavam na contramão em direção aoapanhador. Possivelmente os estudantes seriam vaiados pelos sonserinos quepassavam ao seu redor, porém os cinco grifinórios estariam seguros enquantoandassem junto à figura gigantesca do Prof Hagrid. – Viemos desejar-lhe boa sorte, pequeno explosivim – disse Tiago ao aproximar-sedo irmão mais novo. – Já que a Grifinória ganhou ontem, não temos com o que nospreocupar. Infelizmente, não pude fazer nada além de torcer. – Arrebenta com eles, Al! – exclamou Agamenon sorrindo. – Anseio que a partida não demore muito – disse Rosa ainda atordoada após ler acarta enviada por sua mãe. – Digo, ah, boa sorte. – Espero que não quebre nenhum osso, Potter! – resmungou Escórpio sorrindoabobalhadamente. – Significa boa sorte, no quadribol... Deveria saber disso. – Confesso que nunca, nunquinha em minha vida eu torci pela Sonserina, Al –afirmou Hagrid sério. – Mas por você eu abro uma exceção. Mas não me peça paranão ficar feliz quando acertarem um balaço naquele tal de Laughalot. Comoprofessor não eu posso dizer nada contra o rapaz, mas como guarda-caça eu possoafirmar que ele não é um sujeito muito amigável. – Tudo bem – assentiu Alvo, lembrando-se de como Erico tratou Bowy, o elfodoméstico da cozinha no dia dos testes. – Me sinto bem melhor sabendo que vocêsestão torcendo por mim. Alegra-me muito depois de saber que venderão a Toca. Hagrid pigarreou. – Ah, Agamenon, Malfoy... Acho que deveríamos ir pegando alguns lugares.Sendo como sou as pessoas não gostam muito que eu fique na primeira fila. – É, também acho que seja uma boa – garantiu Agamenon se adiantando edeixando Alvo, Rosa e Tiago sozinhos. – Estaremos guardando lugares para vocês. – Você já soube? – perguntou Tiago quando Hagrid, Escórpio e Agamenonentraram no campo. – Todos nós já soubemos, irmão – Alvo se mostrava impaciente. – Quer dizer,fomos os últimos a sermos informados da venda. Até Lílian e Hugo souberam antesde nós. Ficamos em último plano. – Eles só não queriam nos magoar – disse Rosa tentando defender os parentes. – E agora estou radiante! – exclamou Alvo debochando. – Que diferença faz se nosavisassem depois de terem colocado a Toca a venda? E por que não nos perguntaramo que achávamos da venda? – Não faria diferença o que achamos ou deixamos de achar – comentou Tiago. – Então estão dispostos a passarem o Natal desmanchando a casa no mesmoinstante em que a vovó chora pelos cantos. Dizendo que foi a poeira! – a cada minuto aquantidade de alunos diminuía. Alvo estava começando a se atrasar. 155
  • 156. – Não dissemos que o faríamos! – protestou Rosa. – É verdade, Alvo-fofoqueiro. Nenhum de nós tem a mínia intenção de sair deHogwarts nas férias – Tiago se mostrava firme, como se tentasse mostrar a Alvo queele era o mais velho. – Nem Luís, nem Dominique, Fred ou Molly estão interessadosem deixar a escola. Somente Vitória terá de voltar para a Toca, pois foi intimada pelatia Fleur a passar o Natal com a família. – Ela tem medo que Teddy de um pulinho aqui na escola para se agarrar com suafilhinha perfeita. Diz que é melhor ter Vitória sob seus olhos – contou Rosa baixinho. – Potter, o que está fazendo?! – berrou Demelza correndo a toda velocidade eagarrando o braço de Alvo como um esfomeado quando encontra um prato decomida. – Erico está quase tendo um ataque do coração. E você está aqui com esses...– por um instante Alvo, Rosa e Tiago estavam esperando ouvir a palavra “traidores dosangue” ser ditas por Demelza, porém ela se conteve. – Vamos logo! Demelza guiou Alvo até o vestiário da Sonserina, um lugar não muito diferentedos habituais refúgios dos garotos serpentes. As paredes eram de pedra polida. Osbancos e as pias eram negros com detalhes prateados e com serpentes da mesma corespalhadas por todas as quinas do recinto. Em cima dos bancos deveriam estar asvestes completas com todos os equipamentos dos jogadores, naquele momento,porém só continham dois pares de vestes. Um menor, o de Alvo, e outro maior, o deDemelza. – Aqui está seu apanhador! – exclamou Demelza apontando com o indicador paraAlvo. – Onde você... Não importa... Hoje, ah... – Erico suava frio, a todo o momento eleabanava o pescoço molhado com uma das mãos. – Está na hora. E espero o máximode vocês, caras... – E garota – completou Demelza ofendida. – E garota – repetiu. – Hoje é o grande dia, nós treinamos arduamente e hoje... – Já sabemos o que vai dizer – disseram Nico e Demelza ao mesmo tempo. – É,capitão. Eustáquio disse a mesma coisa nos anos anteriores. – Mas os outros não o ouviram! – Erico bateu o pé. – Esse é o melhor ano para aSonserina. Eustáquio venceu ano retrasado, mas nos outros foi vice. Não querovoltar para casa com os grifinórios apontando o dedo para mim. Vamos vencer! Mas seu olhar não mostrava tanta convicção. – Rápido, peguem suas vassouras! – e com um salto, Erico se lançou para suaNimbus 2010. Seu olhar caiu sobre a Firebolt. – Ela é sua hoje, Potter. Alvo terminou de abotoar suas vestes e correu para a Firebolt. Antes de sair dovestiário, Alvo encarou cada jogador com bastante atenção. A cada vez que ummembro da equipe se aproximava, Alvo estudava sua aparência para saber se asensação que ele estava sentindo era normal. Queria saber se os demais alunos 156
  • 157. também sentiam o mesmo nó no estômago que ele sentia. Era uma sensaçãoestranha, como se um grupo de grifinórios houvessem sabotado seu suco de abóborae colocado algumas gotas de Poção de Enjôo no suco matinal. Mas não havia maisescapatória. Alvo demonstrara que herdara o dom dos Potter de dominar a vassouracomo um peão domina seu cavalo. Aquele era o primeiro jogo da temporada, masque também influenciava a Taça das Casas. Se a Sonserina ganhasse o primeiro jogocontra a Lufa-Lufa alcançaria a primeira posição, superando a Corvinal que somara omaior numero de pontos até aquele domingo de novembro. Pela primeira vez Alvo entrava no campo de Quadribol de Hogwarts e viaexatamente o que fora descrito por seus pais e tios. As arquibancadas que já haviamsido magras, esqueléticas e assustadoras tomavam uma aparência festiva combandeiras e bandeirolas das equipes sendo abanadas de um lado para o outroanimando ainda mais a festa dos torcedores. Os alunos das quatro casas estavammuito mais animados do que de costume, embora os da Grifinória e Corvinalfizessem apenas o papel de frios críticos esportivos. Os professores começavam atomar seus lugares e seus convidados também. Entre o Prof Slughorn e a ProfªMcGonagall, o Maligno Eduardo Jones dava as boas vindas aos torcedoressegurando o megafone próximo aos seus lábios. ‚E ai vem o time da Sonserina” começou Eduardo sobre os gritos eufóricos dossonserinos e das vaias dos lufalufinos. ‚O capitão e artilheiro Laughalot, seguido por seusdois companheiros de posição Willians e Branstone. Mais atrás os batedores Murdock eBeetlebrick. Por último e não menos importante, o goleiro Higgs e o primeiranista maispopular da casa, Potter!” As arquibancadas sonserinas ensaiaram um cântico para Alvo, mas o tumulto eratanto que Alvo mal pode distinguir seu nome. Poucos minutos depois a equipe da Lufa-Lufa chegou ao campo para partida. Seusuniformes amarelos deslizavam pela grama rala e bem aparada do estádio deHogwarts. Naquele momento os papéis se inverteram. A torcida da Lufa-Lufa quecantava os nomes dos jogadores enquanto a da Sonserina vaiava. Geralmente ouniforme da Lufa-Lufa causava náuseas aos oponentes quando a luz do sol radiantetocava nestes. Naquele domingo, para sorte de Erico e de todo o time sonserino, o solestava encoberto por nuvens algodão que lançavam uma leve cortina d’{gua sobre ocampo. ‚Ai está o time da Lufa-Lufa” gritou Eduardo, desta vez, mais entusiasmado. ‚Ocapitão Summers, seguido da belíssima artilheira Templeton, os McLeod, Fincher, Alderton enosso apanhador... Humberstone!” – Capitães – disse o Prof Towler pedindo que os capitães de cada equipe dessemum passo à frente. – Eu quero um jogo limpo. Sem faltas ou ossos fraturados.Entendido? Apertem-se as mãos. 157
  • 158. Laughalot e Summers não tiveram nenhum problema do tipo, um tentar fraturaros dedos do adversário. Simplesmente apertaram as mãos sem nenhuma cerimônia.Pelo rabo do olho, no mesmo momento em que os capitães voltavam para junto desuas equipes, Alvo espiou sua torcida. Isaac, Ralf, Perseu, Lucas e até mesmoAntônio abanavam suas flâmulas e bandeiras verdes e prateadas pelos ares. Dooutro lado da arquibancada verde e prata, os Nott discutiam táticas de jogo para o SrFilch que somente balançava a cabeça positivamente. Por um segundo, antes do ProfTowler ordenar que todos montassem em suas vassouras, Alvo se sentiu maisconfiante. Sentiu como se ele fosse três vezes maior que Humberstone, e que essefosse tão desnorteado e fora de si quanto um diabrete. – Ao soar do apito – bradou o professor e árbitro chutando a familiar caixaretangular libertando os dois balaços e o pequenino pomo de ouro. Towler colocoucuidadosamente seu apito prateado na boca e agarrou a maior das bolas doQuadribol, a goles. – Três... Dois... Um... Alvo não conseguiu ouvir o soar do apito do Prof Sabino. Os gritos eufóricosvindos das arquibancadas se misturaram com o pio vindo do projétil de prata.Quando o Prof Towler lançou a goles no ar todos os jogadores levantaram vôo. Alvofoi o último a deixar o chão, mas logo pode sentir a velocidade da Fireboltemprestada, pois rapidamente Alvo tomou distância e superou os dois batedoreslufalufinos. “A goles é lançada pelo Prof Sabino Towler; inicio de jogo! Laughalot rouba a bola deTempleton – mas não desanime Templeton. Você é mais jogadora e mais bonita do que ele,e...” – Jones! – censurou a Profª McGonagall olhando furiosamente para Eduardo portrás de seus óculos. “Desculpe Profª Minerva. Laughalot ainda com a bola. O passe para Branstone, e... Quefalta de sorte do Summers. Ele estava perto de defender. Dez a zero para a Sonserina.” O desanimo de Eduardo e da torcida lufalufina era facilmente visível. Porém Alvoestava a mil. Desviava dos balaços lançados pelos batedores da Lufa-Lufa quevinham como touros em direção ao apanhador. Ethan por outro lado não recebiatanta atenção de Murdock e de Beetlebrick, que estavam mais ocupados em marcaros artilheiros da Lufa-Lufa do que o próprio Humberstone. ‚Willians com a goles. UAU! Que roubada de bola executada por McLeod... O passe foifeito para Templeton, a bola retorna para McLeod. Do outro lado Alderton pede a bola para ocompanheiro. VAMOS JUCA! OLHA O ALDERTON DESMARCADO! FANTÁSTICO...!GOL DA LUFA-LUFA! Naquele momento não era só a alegria da Lufa-Lufa que aumentava. As nuvens dealgodão começavam a se tornar cada vez mais escuras e a chuva, que antes era 158
  • 159. apenas uma leve umidade junto ao vento, começava a despencar em forma degrossas gotas d’{gua. CHISPA. – foi o zumbido que Alvo ouviu próximo de sua orelha esquerda, antesde Eduardo Jones gritar: “UAU! VOCÊS VIRAM ISSO? O balaço lançado por Fincher quase racha o cr}nio dePotter ao meio!” – Isso é jogo perigoso! – Alvo ouviu Isaac gritar. – Expulsa ele! Faça alguma coisaTowler! O jogo seguia e a Sonserina voltara a assumir a frente no marcador. O último gritode Eduardo fora para anunciar o quinto gol sonserino. Agora o marcador mostravaSonserina: Cinqüenta; Lufa-Lufa: Trinta. A cada jogada desperdiçada e a cada defesados goleiros o jogo ficava mais truncado e agressivo. Ombro a ombro artilheiros eapanhadores disputavam um micro-espaço para tomarem a frente de seu adversário.Alvo estava na cola de Ethan. O sextanista voava para todos os cantos do campo aprocura do pomo de ouro e Alvo o seguia firmemente. Assim como Erico haviaassinalado, Alvo conseguia manejar a Firebolt muito melhor que a Nimbus, o que odava alguma vantagem sobre Humberstone. Já o apanhador lufalufino possuía osbraços mais longos que os de Alvo, facilitando a captura da pequena bolinhadourada. “McLeod com o controle sobre a bola. Ele parece decidido a voar pelo campo todo com aposse da goles. Seu companheiros pedem que ele passe, mas ele os ignora. Laughalot tentainterceptá-lo, mas ele desvia! McLeod ainda domina a bola. Murdock tenta arremessar obalaço... VEJAM ISSO! ELE DESVIOU TAMBÉM. McLeod arremessa... GOL! GOL DALUFA-LUFA QUE ENCOSTA NO PLACAR! Aprenda com os profissionais Higgs! – Jones! – desta vez quem protestou foi o Prof Slughorn. O vento aumentava de força a cada instante, empurrando Alvo e Ethan contra seusdestinos. Ambas as vestes dos apanhadores eram puxadas com força pelas rajadasgélidas e raivosas. Os cabelos de Alvo caiam sobre seus olhos impossibilitando-o dever os obstáculos a sua frente. ‚Branstone com a posse... EI! CUIDADO POTTER! Cadu Branstone passara a todo vapor no lado esquerdo de Alvo e por pouco osdois não se chocaram. O que causaria delírio aos lufalufinos. – Preste atenção no seu jogo, Alvo – aconselhou Ethan sorrindo para o adversário. – Alvo, mantenha-se seguro! – berrou Nico tentado ajudar o companheiro. – Só semova quando necessário! Você é nosso apanhador! Não pode ser atacado semnecessidade. Com esse conselho, que mais parecia uma bronca, vinda de Nico, Alvo deixouEthan seguir em sua ronda pelo estádio enquanto ele se protegia dos balaços e dos 159
  • 160. batedores da Lufa-Lufa, Fincher e McLeod, que faziam todo o possível paraarrebentar a vassoura (e o crânio) de Alvo. – Faça alguma coisa juiz! – berrou Luís indignado quando o Prof Towler nãomarcou a falta de Demelza sobre a artilheira da Lufa-Lufa. – Manda pro chuveiro! Cartão vermelho! – completava Morgana Hallterman. – Morg, não existe cartão vermelho no Quadribol – explicava Inácio Finch-Fletchley para a amiga. – Não existe nem expulsão. – Que injusto! – protestou Morgana fazendo beiço. “Bom, mesmo depois de claramente agredida por Willian, Templeton continua com a posseda goles.” – Jones! – resmungou novamente o Prof Slughorn indignado com os comentáriosdesnecessários do narrador. – Você é pago para narrar o jogo! “Tecnicamente, senhor, eu nem sou pago. Mas isso não vem ao caso! Alderton com a bola...O passe feito para McLeod e... OLHA O BALAÇO! Beetlebrick tenta uma marcação maisofensiva par cima de McLeod. Talvez... Porém Jones se calou ao perceber o olhar raivoso do professor de Poções. As nuvens começavam a se unir e os relâmpagos e trovões enchiam os ouvidosdos jogadores e torcedores de medo. A chuva começara a castigar o gramado docampo. Formando poças de lama em várias regiões que antes era verdes e brilhosas.Alvo sentia suas vestes pesarem, o que dificultava mais ainda seu desempenho. Aágua que escorria por seus cabelos e chegava a seus olhos também não facilitava avida do apanhador que, de tempos em tempos, era obrigado a levar a mangaencharcada das vestes para tentar amenizar o incômodo provocado pela água. “Laughalot passa o comando da bola para Willians. Willians desvia de seu marcador e est{livre para executar o arremesso. Ela está prestes a... Sai fora, sua mosca chata! Ei, isso não éuma mosca! É O POMO! Ethan, ele est{ aqui!” O grito de Jones fez com que todos os olhos, de todos os presentes no estádio, sevoltarem para cima dos cabelos rebeldes e castanhos do locutor nada imparcial. Alvo utilizou de toda sua habilidade sobre a vassoura para dar um giro de cento eoitenta graus que animou a torcida sonserina que se protegia da chuva por baixo desuas bandeiras e cartazes. Alvo perdera todo seu medo de ser atingido pelos balaçoslançados pelos batedores rivais. Ele se movimentava como um gato arisco, desviandode tudo e de todos. Alvo passou a poucos centímetros da artilheira da Lufa-Lufa,Fiera Templeton, que só tivera tempo de soltar um gritinho nervoso quando as vestesmolhadas de Alvo chicotearam seus óculos. Fincher e McLeod pareciam duasabelhas a procura de sua presa. A velocidade da Firebolt de Erico era mil vezessuperior a das vassouras dos batedores, que só tinham tempo de desviar o rostomolhado do vulto verde que era Alvo. Em questão de segundos, o apanhadorsonserina trocava empurrões com o êmulo lufalufino. Alvo e Ethan se encaravam e 160
  • 161. olhavam para a bolinha sem rumo que voava de um lado para o outro sobre ascabeças dos professores. – Dessa vez não, Alvo! – exclamou Ethan, flexionando seu corpo para frentetentando ganhar mais velocidade. Naquele momento os dois apanhadores estavam afavor do vento, o que aumentava a velocidade dos dois em dez vezes, o que fez comque o coração de Alvo batesse dez vezes, mais rápido. “Humberstone e Potter, ombro a ombro, disputam a frente em direção ao pomo.Humberstone na frente... Não, Potter... Humberstone... Quer saber, acompanhem vocêsmesmos.” O pomo estava próximo ao chapéu amarelo berrante da Profª Vector, que batiapalmas alegremente para Humberstone que chegava cada vez pais perto dela.Quando os dois apanhadores estavam chegando mais e mais próximos da professorade Aritmancia, sua aparência alegre deixou rapidamente sua face assim como a corque continha. A professora fez uma careta e mergulhou o rosto junto às coxas. Abolinha dourada girou e subiu, ganhando mais altitude. Alvo e Ethan a seguiamincansavelmente. Alvo se precipitara e esticara o braço em direção ao pomo, masainda não conseguia tocá-lo. Só havia uma chance, ele teria de saltar por cima de suavassoura e torcer para cair em alguma coisa fofa. Porém não foi bem isso queaconteceu... Quando Alvo estava prestes a executar sua manobra arriscada, várias coisasaconteceram ao mesmo tempo. Estevão Murdock deu um encontrão tão forte emEthan que não só deslocou o apanhador de sua vassoura como também acertouAlvo. Ele, por sinal, acabara de saltar de sua vassoura esticando seu braço direitocom todas as forças que continha. Assim que Ethan e Estevão se chocaram com obraço de Alvo o garoto sentiu como se esse fosse lançado nas chamas. Uma dorincondicional tomou seus ossos impedindo Alvo de raciocinar. Seu últimomovimento antes de cair bruscamente no meio dos torcedores da Corvinal foi fechara mão direita, torcendo... Alvo estava com os olhos e as mãos fechadas. O braço direito provocava umasessão de dores que mal fazia Alvo ponderar. Porém algo a mais fez com que a dorde seu braço parecesse um pequeno inconveniente, e não fora a vergonha de estarsobre os vários olhares dos corvinalinos espantados com sua manobra arriscada esim o pequenino objeto que vibrava por entre seus dedos dormentes. LentamenteAlvo começou abrir sua mão, mesmo que isso ainda o causasse certas dores. Mastudo fora compensado quando o pomo de ouro abrira suas asinhas e planara apoucos centímetros de sua pele. A exclamação desanimada de Eduardo e o apito final do Prof Towler mal foramouvidos por Alvo que ficara perdido sobre os gritos de exclamação, euforia e alegriavindos da arquibancada da Sonserina. 161
  • 162. Dois corvinalinos do quinto ano levantaram Alvo com certa falta de cuidado, oque fez com que seu braço direito vibrasse de dor. Logo em seguida Erico e Nicoaterrissaram na arquibancada da Corvinal abrindo espaço entre os primeiranistassem nenhuma cerimônia e indo direto para Alvo. – Você o pegou! – exclamou Nico, tão alegre que, mal conseguiu formar uma frase. – PEGUEI! – respondeu Alvo não muito diferente. – Nós vencemos, Alvo! VENCEMOS! – bradava Erico completamente fora desintonia no meio dos corvinalinos. – Sim, mas... Sua vassoura... Cai de sua vassoura! – Não importa! – Erico parecia ter tomado uma injeção de alegria. – Nossaprimeira vitória! Estamos na ponta! Aquele momento ficou gravado na mente de Alvo por várias noites. Sempre queele montava em uma vassoura, se lembrava da sensação de ser o herói da Sonserina.De como fora bom ter seu nome gritado por vários alunos de diferentes idades. Decomo foi bom erguer o pomo de ouro molhado mesmo estando com o braçoquebrado. Alvo demorara muito a esquecer aquele momento de glória. Uma glóriaque estava voltada somente para ele. 162
  • 163. Capítulo Dez O Segredo de McNaught U ma hora depois da vitória da Sonserina sobre a Lufa-Lufa (o que levara a casa a assumir a primeira colocação tanto do Campeonato de Quadribol quanto da Taça das Casas) Alvo estava deitado em umacama na Ala Hospitalar sobre os cuidados de Madame Pomfrey, que aindareclamava pela demora do rapaz a ser levado à enfermaria. Alvo ficara um bomtempo entre seus colegas de casa depois do jogo. Mesmo com o braço dolorido, oapanhador – e recente herói sonserino, se divertiu cantando com seus colegas peloscorredores da escola. – Isso foi muito irresponsável de sua parte, Potter! E sua também Laughalot! –vozeava Madame Pomfrey enquanto atravessava as camas impecavelmentearrumadas até chagar à que Alvo ocupava. Atrás dela sua ajudante das horas vagas,Sara Aubrey trazia consigo uma bandeja de prata com uma garrafa contendo umlíquido transparente e um copo de cerâmica. – Ah, obrigada, Aubrey. Tome issoPotter... Se vocês quiserem ficar em minha enfermaria tratem de se apresentarem demaneira mais, limpa – Madame Pomfrey fazia referência aos uniformes molhados ecobertos de lama dos jogadores. – Eh, Humberstone, isso, segure a tala de Fincher. – Ei! – protestou Cadu, irritado, elevando sua voz a uma tonalidade quedesagradava muito Madame Pomfrey. – Humberstone também está tão imundoquanto nós! – Ele pelo menos está ajudando! Diferente de você, Sr Branstone! E pare de gemerFincher! Só deslocou o ombro. – Só! – repetiu o batedor surpreso. – Eca! – resmungou Alvo contendo a vontade de cuspir o líquido servido por Sara.– Isso tem gosto de xixi de trasgo! – Já provou xixi de trasgo? – Sara parecia completamente fora do contesto caótico edesorientado que se encontrava a enfermaria. – Feche os olhos e tome tudo de umgole só. Esse remédio possui um efeito mais rápido do que os demais. Em três diasseu braço já estará bom. – Três dias! – gritou Laughalot entre os empurrões de Madame Pomfrey forçandoele e o resto do time a deixarem as instalações. – Nós começaremos os treinos para ojogo contra a Corvinal depois de amanhã! – Mas não vamos mesmo! – afirmou Demelza que mesmo sendo mais nova epossuindo alguns centímetros a menos que Erico; dispunha de grande força nosbraços, capaz de arremessar a cabeça do capitão com a mesma força que elaarremessava a goles. – Vai passar a noite aqui, está entendido, Potter? – Sim, senhora – respondeu rapidamente, não querendo contrariar a enfermeira. 163
  • 164. Se alguém perguntasse a Alvo qual era a melhor coisa para dissipar o estresseganho durante um jogo de quadribol, o jovem sonserino lhe responderia: dormir naenfermaria. As camas impecavelmente aquecidas eram dez vezes mais confortáveisque as dos dormitórios. Como se os Feitiços de Relaxamento lançados sobre estasfosse muito mais potente que os lançados sobre as camas dos dormitórios sonserinos.Os travesseiros (eram dois por cama) eram tão fofos que Alvo tinha a impressão deestar afundando a cabeça em dois tufos de algodão egípcio. O que era muito maisconfortável do que dormir sobre tufos de feno rodeado por famílias de galinhas nadasimpáticas. Alvo já vivera esta experiência cinco anos antes de completar idadesuficiente para ingressar à Hogwarts, quando ele, Tiago e Lílian passaram as fériasna Toca e acabaram cochilando na granja depois de brincarem de pique esconde.Nem mesmo a tipóia colocada por Sara em seu braço direito nem as doses doremédio que Madame Pomfrey obrigava Alvo a tomar poderiam impedir que ogaroto tivesse sua melhor noite de sono. O colega de enfermaria de Alvo era ninguém menos que Daniel Fincher, o batedorda Lufa-Lufa que tentara quebrar a cabeça de Alvo lançando um balaço errantecerteiro que, por sorte, passara a poucos centímetros de sua orelha. Fincher semostrava muito frio com relação a Alvo. Sempre que o primeiranista tentava iniciaruma conversa com o batedor do sétimo ano, ele desviava o rosto para a saída daenfermaria e olhava para além das janelas. Seu olhar se perdia por entre as árvoresda Floresta Negra. Talvez toda aquela antipatia de Fincher dava-se por sua condiçãocomo nascido-trouxa. Daniel nunca fora bem tratado pelos sonserinos. Sempre queseus colegas da casa verde se referiam a ele era através de adjetivos preconceituososcomo ‚sangue-ruim‛ ou ‚sangue-sujo‛. Mesmo que Alvo não tivesse intenções dechamar Fincher por esses nomes, o batedor considerava o fato de Alvo ser daSonserina como um motivo para considerá-lo um inimigo. Às sete horas da noite, Madame Pomfrey percorreu a enfermaria checando a tipóiade Alvo, a tala de Daniel e fechando as cortinas, impedindo que a luz do luarclareasse o mármore ilustrado da instalação. Madame Pomfrey era muito rígida comrelação às regras. As que ela mais gostava eram as do silêncio obrigatório e do toquede recolher às oito horas. A enfermeira detestava visitas inesperadas. No final datarde, quando um grupo de lufalufinas risonhas entrou na enfermaria dispostas aentregar uma caixa de bombons para Fincher, Madame Pomfrey irrompeu de seuescritório pedindo para que as garotas se retirassem da enfermaria alegando que ogrupo causava muito rebuliço. E pediu para que todas aguardassem a saída deFincher, no dia seguinte. – Quando as luzes apagarem, eu não quero ouvir um pio dos senhores – ordenou aenfermeira, mesmo que nenhum dos presentes houvesse trocado prosas. 164
  • 165. Andar por Hogwarts com uma tipóia no braço não é nada muito confortante. Amochila de Alvo parecia dobrar de peso quando o garoto a colocava obre o ombro dobraço bom. Ter de escrever usando a mão esquerda também não era muito bom.Sendo destro, Alvo tivera grande dificuldade em escrever com a outra mão, o queformava garranchos muito piores que suas letras habituais. Dependendo da aula (etambém do professor) Alvo era poupado de escrever com a mão ruim e somenteassistia às aulas práticas enquanto uma pena encantada escrevia para ele. Fora assimdurante as aulas do Prof Slughorn, onde Alvo não tivera grandes participações naextraordinária poção preparada por Agamenon. Escórpio também não colaboroumuito, somente lutara bravamente contra os olhos de sapo. O Prof Flitwick tambémliberara Alvo de escrever e de lançar feitiços assim que percebeu que o feitiçoIncendio lançado pela mão esquerda de Alvo poderia causar um tumultogeneralizado que provocaria a interdição da sala de Feitiços e a cremação de todos oslivros do professor. Já outros professores menos interessados nos acidentes deQuadribol obrigaram Alvo a dar seu melhor durante suas aulas. O Prof King não secomovera com o braço de Alvo, alegando que um braço ou uma perna fraturada sãoossos do ofício de um jogador de quadribol. Ele mesmo já fraturara os dois braços euma perna durante seus tempos como jogador da Grifinória. Dezembro estava chegando e com ele a ansiedade das férias de Natal. Desde o diaprimeiro, A Profª McGonagall distribuía as listas para os alunos escreverem seficariam ou o não na escola durante o feriado. Alvo não tardou em escrever seunome junto aqueles que passariam o natal em Hogwarts. Para sua alegria seu amigoLucas ficaria na escola durante o feriado, o que era bom já que a grande maioria dossonserinos escolhera passar o Natal o mais longe possível do castelo. – Eu e minha família passaremos o Natal em Nova York – disse Isaac para Alvoquando eles, Lucas e Perseu se encaminhavam para a aula de Herbologia. – Papaiconseguiu passagens com o pessoal do trabalho dele. Assim poderemos ficar comminha tia Mafalda e com a família dela no feriado. Ela se mudou para os EstadosUnidos quando o marido dela conseguiu uma vaga no Ministério da MagiaAmericano. – E você, Perseu? – perguntou Alvo. – O que vai fazer nas férias? – Nada. Ficarei em casa – respondeu ele sem muita animação. – Minha mãe gostade passar o Natal junto da família. Então eu terei de ir à Sheffield para passar o Natalcom meus avós. – E você, Lucas... Por que ficará em Hogwarts? – perguntou Isaac interessado.Todos já sabiam o motivo de Alvo para ele não querer sair do castelo, por isso seusamigos tentavam não tocar no assunto. – Meu pai – respondeu. – Ele não está na Inglaterra. Foi pesquisar sobre a tumbade um faraó esquisito no Egito. Então não tenho autorização para deixar o castelo. 165
  • 166. Mesmo com o frio que pairava sobre toda Hogwarts as estufas se mantinhamquentes e, por algum motivo misterioso, muito mais aconchegante do que antes. Nãoera pela nova espécie que o Prof Longbottom cultivava com todo o cuidado quedeixava as estufas com esse ar de aconchego. O Morangueiro Revoltado continuavacom os nervos a flor do casco. Volta e meia, alguns morangos eram lançados contraalunos dispersos que mal tinham tempo de desviar das frutas utilizadas como balas.Sempre que Alvo passava pelo Morangueiro Revoltado junto de Escórpio e de Rosa,os dois garotos não perdiam tempo em lembrar Rosa do grande estrago que elacausara ao transformar o morango de Cameron em uma árvore com problemas detemperamento. Outra aluna que desprezava a nova aquisição de Neville era Irene. Ajovem corvinalina sempre olhava para o chão e para as paredes das estufas a procurade vinhas perdidas que pudessem repetir os feitos da vinha da Ditamínea. Sempreque o morangueiro lançava uma leva de morangos sobre a estufa número um, Irenese encolhia procurando o causador de tamanho rebuliço, temendo que suas pernasfossem presas novamente. A pior experiência de Alvo naquele primeiro de dezembro fora quando ele,acompanhado de Escórpio e Rosa, deixou a sala de Artes dos Trouxas em direção aoSalão Principal para almoçar. Alvo e Escórpio mal prestaram atenção no que o ProfMcNaught explicara sobre cores simétricas e assimétricas. A maior parte do tempoeles travavam guerras fictícias com suas varinhas o que, ocasionalmente provocavauma chuva de prata vinda de uma delas. O que irritava muito Rosa que nãoacreditava como os dois poderiam ser tão infantis e como poderiam ter tanto descasocom um professor tão fantástico como McNaught. – Rosinha, eu não sei se está lembrada, mas este homem está tramando algosuspeitíssimo! – chiou Alvo às portas do Salão Principal. – Suspeito ou não ele ainda é fantástico. Quero dizer, gosto de Artes dos Trouxas.E quem te deu permissão para me chamar de Rosinha?! – reclamou Rosa com asorelhas enrubescendo. – Só meu pai me chama assim. – Será mesmo que Alvo Potter pode ser tão retardado quanto o pai? – perguntouuma voz feminina e gozadora às suas costas. – Cuide de sua vida – resmungou Alvo dando de ombros para Rosier e suasamigas. – Nós tentamos, Potter-Áspide – retrucou Pucey irônica, utilizando o novo apelidoinventado pelo grupo de Finnigan. – Mas como podemos fazer isto em segurança seseu pai mal consegue comandar os aurores? – É verdade – concordou Montague com uma espécie de ronronado. – Sempre ouvibastante sobre Harry Potter. Mas pelo que diz o Profeta, Harry Potter é um daquelesque lança feitiços para depois saber quem são suas vítimas – e riu estranhamentecomo aquilo fosse algo que ela gostasse muito de fazer. 166
  • 167. – Se realmente sabe alguma coisa sobre o tio Harry, deveria saber que o ProfetaDiário não é seu melhor informante – alegou Rosa relembrando as reportagensmentirosas e confusas escritas no jornal na época que o então ministro CornélioFudge não aceitava a volta do Lorde das Trevas. Tachando Harry de mentiroso. – Melhor não se meter, Weasley – interrompeu Rosier erguendo sua mão pedindopara que Rosa se silenciasse. – Não somos nós que estamos dizendo isso, Potter-Áspide. É o Profeta. Rosier enfiou a mão dentro de sua mochila e retirou um recorte da edição matutinado Profeta Diário. A reportagem contava com a foto de Harry com o tio Rony, ambosem pé junto ao ministro Shacklebolt. Alvo então leu a reportagem, com Rosa eEscórpio fungando sobre seus ombros. Invasão em St. Mungus e desordem entre Aurores. Assim começa a semana no Ministério. Discussões e prisões de inocentes assombram ministro e aurores. Será o fim dos ditos tempos de paz? Há três meses o Profeta Diário anunciou em primeira mão que um esquadrão do Quartel-General dos Aurores declarou a descoberta do cativeiro trouxa onde foram encontradas asvítimas de um seqüestro até então desconhecido pelos aurores. O Sr Plochos de Floumatass e aSrtª Serena Tyranicus foram encontrados em uma residência trouxa nos arredores do povoadode Budleigh Bugmoreton, ambas as vítimas estavam sobre efeitos de poderosos feitiços emaldições. Desde então o senhor Simon Wilkes, inspetor chefe ministerial, aceitou o pedidofeito por T. J. Garland, nosso colunista de segurança, para manter nossos leitores informadosde um caso que poderia abalar drasticamente nosso atual período de paz. A cada semana oinspetor Wilkes divulgava uma nota sobre os bastidores de tal episódio. Sua nota eraanalisada por nossos melhores repórteres e editores e enfim tal nota era propalada para ossenhores leitores. Porém a última nota apregoada pelo Sr Wilkes na semana passada fora tãobombástica e tão esclarecedora que gerou um rebuliço entre nossos editores e repórteres queresolveram transformar esta nota em matéria de primeira página. No último dia vinte e quatro de novembro o inspetor Wilkes enviou uma nota a nossocolunista, o Sr Garland, notificando o falecimento da Srtª Tyranicus e do Sr de Floumatass.Após a divulgação do óbito das vitimas do seqüestro misterioso, nossa sempre atenta repórterRita Skeeter nos divulgou a informação de que o Quartel-General dos Aurores havia abertoum inquérito para averiguar a morte dos enfermos. O auror Ronald Weasley (o qual já haviadado declarações nada satisfatórias na primeira vez que lhes informamos sobre o atual estadodo Sr de Floumatass e da Srtª Tyranicus) liderou um grupo de aurores a procura de provassobre a maneira em que os pacientes do St Mungos foram assassinados. Foram descobertosvestígios de uma poção muitíssimo perigosa e dificílima de ser preparada chamada Febre deDragão misturada junto aos medicamentos do Sr de Floumatass. O duende faleceu no diavinte e três de novembro às nove horas da manhã. Já a Srtª Tyranicus fora encontrada 167
  • 168. asfixiada por um visgo do diabo, que antes avaliado como uma vinha de Ditamínea. Talacontecimento nos faz lembrar o trágico assassinado de outro Inominável no St Mungus. OSr Broderico Bode, que morreu em 1996, vítima do mesmo crime. Serena Tyranicus faleceu nomesmo dia vinte e três de novembro ao meio dia. Até então os aurores fizeram bem seu trabalho. Mas foi a partir daí que o Quartel-General,liderado pelo renomado herói do mundo moderno Harry Potter, começa a meter os pés pelasmãos. O primeiro suspeito a chamado para depor fora o curandeiro responsável pelos pacientesassassinados. Depois os aurores chamaram o chefe da segurança e encarregado de inspecionartodos os presentes e pacotes enviados aos pacientes, o qual declarara o visgo entregue noquarto da Srtª Tyranicus como uma vinha. Após dois dias de investigações muito duvidosas ocurandeiro Teobaldo Chambers, 39, recebeu ordem de prisão dos aurores e fora enviado aAzkaban sendo condenado por envenenamento de um duende e assassinato de um membroministerial. Após muito rebuliço proveniente dos curandeiros do St Mungos, revoltados pela prisãoprecipitada do colega, O Quartel-General dos Aurores resolveu iniciar novas investigaçõessobre o assassinato dos dois pacientes. Finalmente o Sr Potter e o Sr Weasley chegaram ao realarquiteto de ambos os assassinatos. Depois de uma meticulosa investigação em todas as lojasvendedoras de poções e ingredientes para poções, a Auror Raquel Burke, 25, fora quemlocalizou a loja que vendera a poção Febre de Dragão para o suspeito. Traçando a rota doassassino até a loja em questão, localizada na Travessa do Tranco, os aurores chegaram àmoradia do assassino do Sr de Floumatass e da Srtª Tyranicus. Bruno Gastão Avery, 31, fora encontrado em sua residência e levado para depor pela aurorRaquel Burke, pelo subchefe do Quartel-General, Ronald Weasley e pelo chefe do Quartel-General dos Aurores, Harry Potter. O Sr Avery é ninguém menos que o filho de GastãoClarêncio Avery, bruxo condenado a Azkaban pelos crimes de tortura a trouxas e de afiliaçãoaos seguidores d’Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e sobrinho de Gaspar Cornélio Avery,Comensal da Morte atualmente preso em Azkaban. Posteriormente Bruno Avery confessouter praticado o crime contra o duende e contra a Inominável, porém deixou um mistériorondando a cabeça confusa de Harry Potter. Segundo o Sr Avery, outro bruxo lhe ofereceucem galeões pela morte de Plochos de Floumatass e de Serena Tyranicus. No dia vinte e sete de novembro, o curandeiro do St Mungos, Teobaldo Chambers fora soltoda prisão dos bruxos, recebendo a quantia de setenta galeões do ministro Shacklebolt comoindenização e pedido de desculpas pelo equivoco dos aurores. O trabalho dos aurores ainda não terminou. Cabe a eles procurarem pelo mandante docrime que pagara a Bruno Avery para cometer os assassinatos. Mas fica a dúvida se o jovemSr Potter é realmente capaz de comandar um departamento tão importante como o dosAurores. Não podemos negar que Harry Potter é um bruxo dotado de extrema habilidade em 168
  • 169. lançar feitiços e azarações, mas será que ele também é tão bom assim para preencher papeladase aplicar as leis? Assim que Alvo terminara de ler o artigo recortado do Profeta, Rosier arrancou opedaço de papel, mal recortado e o devolvera para o fundo de sua mochila. – Está vendo, Potter? – perguntou Rosier sobre os risos irritantes de Pucey eMontague. – Não somos nós que estamos falando sobre seu pai. O próprio Profetaestá alertando sobre ele. E ainda dizem que ele pode ser o novo ministro! É sério, seum Potter chegar a ser ministro um me mundo deste país! – Olha como fala do meu pai! – bradou Alvo levando a mão ao bolso e cerrando opunho contra sua varinha. Porém quando viu que Valerie e as amigas faziam omesmo, Alvo se conteve. – Se não fosse por meu pai nenhum de nós estaria vivo!Nem mesmo seu pai e sua mãe que nada fizeram durante a guerra! – Meus pais fizeram muita coisa! – protestou Rosier apertando sua varinha, massem medo de atacar. – Meus pais eram corajosos! Lutaram bravamente na nasrepressões de Voldemort na França... – Mentira! Metade de sua corja Rosier era aliada a Voldemort! E Hoje tentammostrar que estão de nosso lado – interrompeu Alvo ignorando as caretas feitas porRosa, Héstia de Isla. – Se não fosse meu pai, o seu já deveria estaria morto. E sua mãenão deve ser uma daquelas que gosta de uma confusão... – O que está havendo? – perguntou uma voz galante e jovial vinda de dentro doSalão Principal. – Ah, por Debret! É uma discussão. Por favor, garotos, não o façam.Já pensou se Picasso se revoltasse sempre que falassem mal de suas obras? O Prof McNaught estava ao lado de Rosa, que não conseguia conter suasrisadinhas apaixonadas. Ele alisava os cabelos loiros angelicais e sorria para Alvo eRosier que estavam perto de iniciarem uma briga. Alvo nunca estivera tão próximodo professor de Artes dos Trouxas. O mais perto de McNaught que Alvo já chegarafora quando eles estavam separados por quatro fileiras de alunas, risonhas edeslumbradas. E agora sabendo que o professor tramava uma arriscada revolução eque certo dia quase pegara Alvo o espionando, ele não se animava muito de estar tãoperto de McNaught. – Não sei qual é o motivo da discussão, mas aconselho que os senhores aesqueçam, sigam para o salão e encham suas barrigas de comida. A propósito, Potter.Gostei muito de sua obra de agora pouco, muito criativa. – E a minha, professor? – perguntou Rosa subindo na ponta dos pés para chegar omais próximo possível do roso quase perfeito de McNaught. – Também, Srtª Weasley. – ele lançou uma piscadela que quase fez Rosa desmaiar.– Uma obra notável, que despertou o amor meu coração. – Obrigada. 169
  • 170. – Vamos então! – disse Escórpio puxando Alvo e Rosa para dentro do SalãoPrincipal. A última coisa que Escórpio esperava ouvir do Prof McNaught era umelogio por seu desenho de palitos. Na semana seguinte a quase briga de Alvo com Rosier, Hagrid convidara a ele,Escórpio e Rosa para tomar um chá em sua cabana. Estava muito frio e Alvo nãopoupou esforços para vestir-se com o máximo de agasalhos que ele podia colocarsobre suas vestes. O que alegraria muito sua mãe. A tipóia já havia sido retirada deseu braço e os exercícios das aulas e os treinos de quadribol voltaram a todo vapor.Relutantes os jogadores da Sonserina voltaram a treinar sob o comando de Erico queestava muito mais rigoroso com seus comandados depois da vitória sobre a Lufa-Lufa. O vento soprava forte sobre o rosto de Alvo e era muito difícil se comunicarcom seus companheiros, pois sempre que se abria a boca uma rajada de vento (quemais parecia uma enxurrada de gelo) penetrava rapidamente por seu corpo gerandofortes dores de garganta. Já era final de tarde quando Alvo, Escórpio e Rosa se encontraram na PonteSuspensa para visitarem a cabana de Hagrid. O domingo amanhecera nublado, massem previsões de chuva. Mesmo que ainda fossem seis horas o céu já era tomadopelas cores negras da noite e as tochas e candelabros de Hogwarts já estavam acesosa algum tempo. – Demoraram – disse Alvo aos amigos. – O Prof Slughorn não queria nos deixar sair – contou Rosa cuspindo os pelossoltos de seu cachecol vermelho e dourado. – Ele estava muito relutante. Disse queera perigoso que nós saíssemos à noite. – Ai eu pedi para Rosa distraí-lo e fiz com que uma armadura começasse a sedebater contra a parede – disse Escórpio com orgulho do feito. – Slughorn nosdeixou em paz e, bem... Estamos aqui. – Brilhante! – exclamou Alvo enquanto os três desciam as escadarias de pedra emdireção a cabana do professor e guarda-caça. Quando os três chegaram à cabana Rosa bateu fortemente na grande porta demadeira. Houve um latido abafado, que Alvo imaginou ser de Rolino (o cão mastimnapolitano que Hagrid comprara pouco depois de seu antigo cachorro, Canino,falecer de velhice) e depois o arrastar de uma cadeira seguida por passos pesados. – Já vai! – gritou Hagrid aparentemente apressado. Quando o gigante abriu a portaseu rosto se iluminou e um sorriso apareceu entre a barba escura do guarda-caça. –Olá, Al, Rosa... e veja, o jovem Malfoy concordou em vir! – E exatamente por que eu não o faria, professor? – quis saber Escórpio um tantoenvergonhado no instante em que os três jovens entravam na cabana. – Primeiro: não precisa me chamar de professor – disse Hagrid sorrindo para ogaroto de cabelos loiros. – Aqui somos apenas amigos. Segundo: eu dei aulas para 170
  • 171. seu pai e sua mãe e tenho certeza de que não estava na lista de seus professoresfavoritos. Talvez Snape estivesse. Mas eu nunca. Imaginei que você fosse igual a eles. Escórpio lançou a Hagrid um sorriso tanto forçado. Alvo não sabia exatamente omotivo, mas Escórpio não falava muito sobre seus pais. Talvez porque nenhum deseus amigos (mesmo que fossem esses poucos) não tivesse muita simpatia pelosantigos membros da família Malfoy. O pouco que Alvo sabia sobre o pai de Escórpionão fora dito pelo amigo, mas sim pelo tio Gui que geralmente mencionava o nomede Draco quando falava sobre seu trabalho no Gringotes. ‚Mesmo sendo quem é nãoimagino que Draco tire proveito de seu posto no banco.” ou “Ontem vi Malfoy junto aoduende encarregado pelos cofres dos Lestrange e dos Crouch. Achei melhor não me meter.”. EAlvo nada sabia sobre a mãe de Escórpio, somente que seu nome era Astoria. – Então como estão indo os testes do quadribol, Al? – Muito bem! – exclamou Alvo servindo-se do grande bule de chá preparado porHagrid. – Agora sem aquela droga de tipóia, Erico Laughalot voltou com os treinos.Modesta parte eu estou bem melhor... Um forte piado e o tinir de barras de ferro tomaram os ouvidos de Alvo, Escórpioe Rosa. A cada segundo o barulho ficava mais alto e Hagrid mais nervoso. Rolinoque até então cheirava os sapatos de Rosa, saltou para o colo de Escórpio,amedrontado. O que quase fez com que o garoto caísse de sua cadeira. – O que tem ali, Hagrid? – perguntou Rosa apontando para um lençol muitoremendado sobre o que parecia uma gaiola. – N-nada! – Hagrid estava tão nervoso que mal conseguia se servir de chá. –Querem um bolo? Eu preparei agora... – Hagrid, você não sabe mentir – falou Alvo disposto a puxar o lençol a força. – Não estou mentindo! – contrapôs Hagrid. – Está! – insistiu Rosa. – Hagrid, você não comprou nenhum animal, ah, exótico,comprou? – Não comprei nada... Tudo bem, eu ganhei essa beleza. Mais cedo ou mais tardevocês descobririam mesmo – Hagrid se levantou de sua cadeira e pegou com suasgrandes mãos a gaiola coberta pelo lençol remendado. – Quem me deu fora adiretora uma bruxa velha... Ela disse que faltava espaço em sua casinha e que ficousabendo eu era a pessoa ideal para cuidar dela nesta região. Por dentro Alvo não ficou feliz de saber que quem presenteara Hagrid fora umabruxa estranha. O que não eliminava a possibilidade do amigo estar carregando umbebê acromântula. Com um forte puxão, Hagrid tirou o lençol com força revelando o animal que Alvomenos esperava encontrar na cabana do amigo. O animal que por muito pouco nãofez Alvo chorar de alegria. 171
  • 172. – Isto é... Ela é... – Rosa estava sem fala. Mal conseguia formar uma frase comsentido, o que não era comum para ela. – Uma fênix – completou Escórpio tão estupefato quanto seus amigos. Não era uma fênix qualquer. Era uma fênix de cauda larga e chamuscaste, compenetrantes e saltados olhos negros que piscavam loucamente. Sua plumagem eraem tons de fogo, mas sua crina era azulada, como as das labaredas do fogocrepitante. – C... como a conseguiu? – perguntou Alvo ainda titubeante. – Eu a comprei, como já disse, mas fora quase que dada – soluçou Hagrid tantoemocionado. – Eu estava no Três Vassouras quando uma mulher se interessou pormim e quis saber se eu estava interessado em comprar o ovo. Ela era suspeita,parecia metade duende e trasgo ao mesmo tempo. Pelo preço que comprei pareciauma pechincha, ela parecia estar doida para se livrar da fênix. E eu não podia deixaro coitadinho do ovo nas mãos daquela gárgula quadrada! Ela seria maltratada, entãoa trouxe comigo... Mas Filch descobriu que eu estava a guardando aqui em minhacabana quando ouviu o ovo rachar e a fênix cantar. Ele me delatou para a diretoraque confiscou o ovo de mim. Hagrid pegou um lenço, que mais parecia uma fronha de travesseiro e assuou onariz nela. – Não acreditei quando a diretora me devolveu minha pequenina Faísca, esse é onome dela, sabem? Pois não produziu nada que não fosse uma faiscazinha – soluçavaHagrid limpando uma lágrima com seu dedo gorducho. – Foi em outubro. Faíscahavia queimado e a professora não soube o que fazer. Ela não era muito boa comcriaturas mágicas, sabem? Daí ela achou melhor eu cuidar dela. – Isso mostra que a diretora confia em você – disse Rosa para animar o amigograndalhão. – Sim – soluçou Hagrid em resposta. Alvo, Escórpio e Rosa sabiam que comeriam somente as sobras do jantar já quepassaram bastante tempo conversando com Hagrid e apreciando Faísca. O que gerouinveja em Rolino que sempre que tinha uma brecha lambia o rosto de um dos trêsjovens antes de lançar um latido. Hagrid já se despedia dos três quando um forte estrondo pode se ouvir vindo daFloresta Negra. Os quatro se voltaram para a escuridão que tomava conta da floresta,esperando talvez ouvir o galopar dos centauros ou o rugir de outra fera. Porém só oque se ouviam eram mais estampidos e disparos semelhantes a tiros. – O que está havendo? – Hagrid se precipitara para a orla da floresta. – Não são oscentauros. Isso não é barulho de flechas. Parece um duelo. 172
  • 173. Um grito de desespero pode ser ouvido pelos três. O pânico tomou completamenteAlvo, Escórpio, Hagrid e Rosa. Os olhos de todos estavam muito arregalados,esperando alguma precipitação vinda da floresta. Mas nada acontecia. – Temos que entrar! – bradou Alvo sacando sua varinha. – Perdeu o juízo, Alvo! – Hagrid parecia muito surpreso. – Não pode entrar nafloresta! – Não podemos entrar na floresta, desacompanhado. – completou Escórpio. – É melhor chamar ajuda! – disse Hagrid relutante em aceitar a idéia de umaaventura pela Floreta Negra. – Não há tempo. Pode haver alguém em perigo. E você é professor, pode nos levarpara a floresta quando quiser! – E ninguém conhece esta floreta como você, Hagrid – falou Rosa encorajandoHagrid a aceitar a exploração à floresta. – E ainda tem o Grope! – exclamou Alvo se adiantando para dentro da floresta. –Não tem quem possa nos fazer mal. – Ótimo, mas alguém fica aqui. – Por que? – perguntaram Alvo, Escórpio e Rosa juntos. – Ah, é verdade. Casoaconteça alguma coisa conosco é melhor estar alguém a salvo para poder chamarajuda. – Eu indico a Rosa! – bradou Escórpio apontando para a amiga. – Que machista! – resmungou Rosa em tom de ofendida. – Sei mais feitiços quevocê, Malfoy! – Acho que não precisamos de encantamentos básicos. Precisaremos de magiadefensiva e nenhum primeiranista é melhor que eu ou Potter neste assunto, estouerrado? – Não – concordou Alvo. – Então está feito – disse Hagrid armando-se com uma espécie de arco, seu guarda-chuva cor de rosa estava preso ao cinto de couro. – Rosa, você fica aqui com Rolino.Se não voltarmos em uma hora você chama a diretora e o máximo de professores queconseguir. Rosa assentiu apreensiva. – Vocês sabem pelo menos o Feitiço de Luz, não sabem? – Rosa mal acreditaraquando os dois garotos negaram. – Francamente, que heróis são vocês. Estudamosisso em novembro com o Prof Flitwick... – Rosa! – gritaram Alvo e Escórpio. – Ok. Somente digam ‚Lumus”. “Lumus” repetiram Alvo e Escórpio fazendo com que a ponta de suas varinhasiluminasse, clareando alguns metros à frente. 173
  • 174. – Uma hora – repetiu Hagrid penetrando entre os galhos das árvores na FlorestaProibida. Pela primeira vez Alvo sentiu medo em entrar na Floresta Proibida. Das outrasvezes em que o sonserino penetrara por entre os galhos e raízes da floresta era dia,podia-se ver o movimento dos galhos e das criaturas que corriam de um lado para ooutro e além do mais ele estava acompanhado por mais de duas pessoas. Claro,Hagrid era a única pessoa que conhecia a floresta como a palma de sua mão. Volta emeia o professor passeava por entre as árvores da floresta a procura de seu meio-irmão gigante. Grope morava a alguns quilômetros da orla da floresta proibida. Suamoradia não era nada exuberante, somente alguns restos de brinquedos eequipamentos velhos jogados em uma pilha amontoada próxima às árvores. Quasetodo dia Hagrid levava comida para seu irmão, que retribuía batendo palmas egritando seu nome. – O acha de chamarmos Grope? – perguntou Alvo saltando de uma raiz para outraquando os três bruxos já estavam absolutamente envoltos nas trevas da floresta. – Elemora aqui perto, não é? – Sim, mas... Ah, Grope não está mais sozinho. Ele tem uma companheira... – Uma namorada – exclamou Alvo tão alto que um animal voador levantou vôoassustado. – Sim – conformou Hagrid encabulado. – O nome dela é Frochka, uma giganta dasmontanhas. É bem maior que ele, mas parecem se entender bem. Frochka gosta deficar fazendo suas jóias enquanto Grope procura comida. – Uma giganta fazendo jóias? – Escórpio se mostrava muito surpreso. – Jóias... Armas. Deve ser a mesma coisa na língua dos gigantes. – Amor, blharg, eu quero, blharg, algumas lanças para me, blharg, enfeitar! – brincouEscórpio tentando animar seus companheiros, mas sem sucesso. Novos estalos e estampidos tomaram os ouvidos dos três. A cada segundo maisaltos, o que significava que eles estavam mais próximos da vítima ou do inimigo. – Preparem suas varinhas garotos! – urrou Hagrid arrancando com as própriasmãos uma árvore do solo e a jogando pala longe. – Nosso destino é logo ali! – Como você sabe? – perguntou Escórpio apontando sua varinha para ondeHagrid assinalara. – ABAIXEM! PARA TRÁS DAQUELA ÁRVORE! – Hagrid agarrou Alvo e olançou na direção de Escórpio fazendo com que os dois jovens caíssem um sobre ooutro. O professor de Trato das Criaturas Mágicas levou sua enorme mão ao guarda-chuva cor-de-rosa e o abriu, como se estivesse esperando cair um temporal, porémeste na horizontal. 174
  • 175. – Alarme f... – uma rajada de pedras atingiu o guarda-chuva de Hagrid em cheio.Mas o gigante estava atento e não fraquejou. Repeliu as pedras como se utilizasse umFeitiço Escudo e em seguida voltou a guardas sua peça. – Armadilhas – sussurrou Alvo levantando-se. – Sim, e das boas. Faremos uma mudança de planos – Hagrid se virou para os doisgarotos e começou a sussurrar como um soldado em frente à frota inimiga. – Se algoder errado, lancem centelhas vermelhas de sua varinha. É o sinal de perigo. Rosadeve estar atenta aos céus. Depois disso procurem um lugar seguro e se protejam. – Hagrid, o que é aquilo? – Alvo apontava para um monte de pedras esculpidas aalguns metros dos três. Era uma pilha muito íngreme e colossal, como umaestalagmite gigante. Inquieto, Alvo tentou se aproximar das pedras lentamente coma varinha em punho, cauteloso com relação a novas armadilhas. – Potter, está louco?! – advertiu Escórpio pouco atrás. – Tem alguém ali – Alvo indicou com a ponta luminosa da varinha por entre aspedras. Ele fez com que a luz projetada pela varinha aumentasse de força, para clarearmais alguns metros. Quando a luz incidiu entre as pedras em forma de estalagmite, orosto da figura caída sobre as pedras se tornou mais nítido. Ele não estava morto,mas era apenas questão de tempo. – Prof McNaught! – exclamou Alvo se antecipando para perto do professor,cruzando um riacho ribeirinho que contornava as pedras. Mas conforme Alvochegava mais perto de McNaught, mais tinha dúvidas se aquele realmente era seuprofessor. Os cabelos loiros angelicais estavam muito desgrenhados e com tufos negrosbrotando da sua raiz. O rosto estava mais jovem, porém mais acabado do que a dobelo professor conquistador. Os olhos azuis capazes de despertar o amor de umaviúva cuja capacidade de amar falecera junto com seu marido já não se mostravammais tão belos quanto antes. Sua tonalidade mudava de cor tornando-se cada vezmais escuros até assumirem um tom de castanho. As vestes eram as mesmas queMcNaught usava quando desfilava pelos corredores da escola, rodeado por suasadmiradoras, mas naquele momento elas estavam mais folgadas e completamenterasgadas. Além de estarem cobertas de sangue. Seu rosto e seu corpo estavamcobertos por cortes profundos e dolorosos. O homem perdia muito sangue. – Intruso – murmurou Escórpio quando chegou ao lado de Alvo. Hagrid poucoatrás. – Cuidado – gemeu o intruso em tom de ultimato – É uma emboscada. Quando o intruso terminara sua frase o vento chocara-se contra Alvo, Escórpio eHagrid com a força de um tornado. E era quase isto que se formavam poucos metrosdos três. Uma miniatura de um tornado crescia puxando os três para perto dele. 175
  • 176. Areia, terra e lama se fundiam tornando o vento mais assustador. A tempestade deareia formada pelo tornado feria os olhos e a pele. Alvo já sentia seu corpo ser levadopelo tornado. Seus pés começaram a deslizar pela terra, arrastando consigo algumaspedrinhas e poeira. Sua grande aventura terminaria naquele instante, e não havianada a ser feito... – Ainda não, Al! – gritou Hagrid para Alvo. Sua voz abafada chegou aos ouvidosdo garoto no mesmo momento em que a mão de Hagrid agarrou seu ombro e opuxou para trás, colocando-o cuidadosamente ao lado de Escórpio atrás do casacãode toupeira de Hagrid, aonde o vento do tornado não chegava. – Mas e você? – perguntou Alvo preocupado com o amigo grandalhão. – Esse ventinho não é forte o suficiente para me derrubar! – gritou Hagrid comdesdém. E como se essas fossem as palavras mágicas o tornado evaporou, mas não asarmadilhas. Tentáculos vindos das árvores, de todos os tamanhos e grossuras irromperam o arcomo chicotes prontos para punir uma centena de pessoas. Hagrid endireitou o arcoe o carregou com uma dúzia de flechas, disparando-as contra as inocentes árvoresvítimas das maldições lançadas sobre elas. Mesmo com as flechas lançadas por Hagrid e pelos feitiços que Alvo e Escórpioconjuravam de maneira aleatória, os tentáculos continuavam a atiçar os três,cortando o ar e acertando sem piedade a pele dos bruxos. – Vou lançar as centelhas vermelhas! – disse Escórpio pouco depois de ter o rostocortado por um tentáculo. – Periculum. Assim que Escórpio terminou de pronunciar o feitiço um tentáculo acertou suaperna fazendo com que ele cambaleasse, o que impediu que as centelhas vermelhastomassem os céus. A rajada de luz vermelha se perdeu por entre as árvores daFloresta Negra até sumir da vista. – A-ALVO! – chamou Hagrid desesperado, despertando a atenção de Alvo, quelutava contra um tentáculo assassino que cortava suas roupas como navalha. Alvo se virou rapidamente para Hagrid e o que vira fora algo tão assustador quefez com que seu coração batesse mais rápido do que nunca antes. Hagrid estavatomado por tentáculos que se enroscavam em suas pernas e em seus braços comtodas as forças mágicas que haviam obtido. A barba de Hagrid estava encoberta pordois tentáculos que tentavam asfixiar o professor de todas as maneiras. Alvoirrompera em choque, afastando todos os tentáculos que se aproximavam dele comazarações e feitiços errantes. Primeiramente Alvo tentou se livrar dos tentáculos queenforcavam seu amigo com as mãos, mas depois de conseguir um ferimento nadaagradável ele resolveu utilizar os métodos mágicos. – Não se mova! – ordenou Alvo apontando sua varinha para os tentáculos –Diffindo! 176
  • 177. Alvo repetiu o Feitiço do Corte em todos os tentáculos presos a Hagrid. Emquestão de segundos os braços e pernas do gigante já estavam livres, e sua traquéiadesobstruída. Hagrid cauí de joelhos sobre a terra e então disse: – Obrigado, Al – disse ele lentamente tentando recuperar o ar. – Estou te devendouma. – Potter! – gritou Escórpio desesperado, mancando para junto de Alvo e Hagridcom uma mão na perna esquerda que sangrava e a outra apontando para entre asárvores. – Aranhas! Aranhas Gigantes! Alvo teve de apertar os olhos para distinguir os borrões negros que chegavam porentre os arbustos e as árvores da floreta. Uma dúzia de aranhas de tamanhosobrenatural avançava pesadamente em direção aos três. Suas pinças batiam contra ochão com raiva e ira, igual quando fizeram com Harry e o tio Rony no segundo anodeles, todas famintas e lideradas por Aragogue. Desta fez, seus netos eram quemestavam presentes no ataque, seus vários olhos negros fixados nas três figurasinvasoras. O intruso que tomara a forma do Prof McNaught gemia de medo,tentando se afastar ao máximo dos aracnídeos famintos. Mas as aranhas pareciamignorar sua forma decadente e desesperada. – Hagrid – falou Alvo esperando que ele tivesse uma longa amizade com os netosde sua aranha de estimação. – Posso tentar – afirmou Hagrid como se tivesse lido os pensamentos de Alvo. –Parem! Sou eu Rúbeo Hagrid, o criador de Aragogue! Respeitem sua memória e nãoavancem! A maior aranha entre as muitas que se aproximavam tomou a frente do bandoainda batendo as pinças contra o chão. Ele começou a dizer algumas coisas, mas queforam muito difíceis de entender por causa do barulho das demais aracnídeas. – Eu sou Moragogue! – apresentou-se o aracnídeo gigante. – Primogênito deFerogue, o rei de nossa colônia. Sou o próximo na linhagem real. E não aceito ordensde humanos! Nem mesmo daquele que criou meu avô! As aranhas voltaram a avançar cada vez mais violentas e com mais sede desangue. Alvo e Escórpio se entreolharam no mesmo momento em que Hagridarmava novamente seu arco. – Vocês não são como Aragogue – murmurava ele irritado. – Ele era bom. Vocêsnão! – Sabe algum feitiço? – perguntou Escórpio suando frio. – Uma vez eu ouvi o nome de um... Mas não sei se dará certo! – Alvo tremia até aespinha. A varinha apontada para Moragogue de maneira ameaçadora. Conforme asaranhas avançavam a coragem tomava mais o corpo de Alvo. Suas pernas nãoestavam mais bambas e seus braços estavam rígidos. Melhor morrer lutando. Pensouele quando Hagrid lançou a primeira flecha. 177
  • 178. Alvo encheu os pulmões e gritou com todas as forças: – Arania Exumai! Quatro aranhas foram lançadas para longe, o que encheu o coração de Moragoguede raiva. – Você irá pagar, humano asqueroso! – rugiu a aranha investindo contra Alvo. Com um giro e um chute, Alvo acertara a cabeça do príncipe das aranhas, quegritou e caiu inerte. A batalha com as aranhas estava chegando ao fim. Eram poucas as netas e netos deAragogue, liderados pelo príncipe conquistador, Moragogue, que ainda eramvisíveis. Quando as flechas de Hagrid acabaram, ele começou a distribuir socos epontapés para cada aranha que chegasse perto demais de seu alcance. ‚Eles não são como Aragogue!‛ exclamava Hagrid indignado ‚Não merecem omesmo tratamento‛. Mas para a surpresa de Alvo, a vítima de seu poderoso chute não havia sidolocauteada por completo. Moragogue recobrara os sentidos e avançara a todo panoem direção ao humano que o humilhara na frente de seus irmãos e irmãs. Suaspresas estavam banhadas de veneno. A ira e o ódio tomavam seus olhos. As pinçasvoltaram a se debater contra o chão. Finalmente ele avançou. – Morra humano! – Moragogue estava tão próximo de Alvo que dava para sentirsua respiração ofegante. Mas no último segundo antes da aranha se chocar contra osonserino outro ser havia empurrado Alvo em outra direção. Fazendo com que apresa de Moragogue ficasse a salvo e esse novo ser fosse encoberto pela aranhapeluda. – Tira isso de mim! Tira! – gritou Escórpio desesperado após salvar Alvo do ataquedo príncipe aracnídeo. – Humano tolo! Não era sua hora de morrer, mas já que se meteu entre mim eminha presa... Este será seu fim! – Arania Exumai! – gritou Alvo, mas para sua surpresa nada ocorreu. Escórpiocontinuava sobre o domínio da aranha com sede de vingança. E todos os feitiços queAlvo lançava contra seu inimigo ricocheteavam contra o corpo de Moragogue semsurtir efeito. – Hagrid, Potter! Ajudem-me! – as presas de Moragogue estavam mais próximasdo rosto de Escórpio, o veneno escorrendo pela boca em direção ao garoto. Chispa! Uma flecha em alta velocidade cortara o ar e passara tão próximo de Alvo que elesentiu uma brisa perto de sua orelha pouco antes de um fio de seu cabelo escuro cairsobre as folhas secas. A flecha atingiu em cheio Moragogue, que com um suspiro deindignação tombou para a direita liberando Escórpio de seu domínio. Alvo girou nos 178
  • 179. tornozelos para poder ver quem salvara a vida de Escórpio. Quem fora o arqueiroque lançara a flecha certeira que passara a um milímetro de sua orelha... – Firenze! – exclamou Hagrid conforme o centauro se aproximava dos trêshumanos guiando seu grupo de homens cavalo. – Como vai, Rúbeo? – disse o centauro Firenze com sua voz calma e aconchegante,o arco que salvara Escórpio já preso em suas costas. – Estão vendo. Eu disse que a luzde Vênus incidindo a leste era o sinal de alguém em perigo. – Como chegaram até aqui? – perguntou Hagrid se recompondo do ataque dasaranhas. – Uma luz incomum em Vênus incidindo a leste era o sinal de alguém em perigo –repetiu Firenze com naturalidade, seus olhos percorriam a chacina de aranhas. – Já sabemos disso! – afirmou Escórpio. – Também percebemos uma luz vermelha vinda desta direção – afirmou outrocentauro detrás de Firenze. Este possuía cabelos e barba avermelhada, além de umalonga cauda que tocava o solo. – Ah, como vai, Ronan? – Hagrid sorriu para o segundo centauro, o chamadoRonan, que olhava apreensivamente para os dois garotos. – Ah, estes são EscórpioMalfoy e Alvo... – Dumbledore? – pigarreou outro centauro. Ele era o menor entre os cinco alipresentes. Sua cabeleira era loira e rebelde com uma barbicha bifurcada e uma caldainquieta. – Não, Garano. Alvo Potter. – Filho de Harry Potter? – sugeriu Firenze se aproximando de Alvo. Seus olhosnegros estudaram Alvo com cuidado parando sobre seus olhos verdes. Seu rosto seiluminou. – Sim – assentiu Alvo, envergonhado. – Firenze, veja! – exclamou Garano que galopara até onde o falso Prof McNaughtestava caído. – Este humano está morrendo! – Quem ele é? – perguntou Ronan recostando o intruso nas pedras da grandeestalagmite. – Não sabemos – disse Alvo ajudando os centauros. – Achávamos que era nossoprofessor... Sabem lá do castelo. Mas ele está muito diferente. – Como teus amigos lhe chamam, jovem humano? – perguntou Ronan para ointruso. – Foi tudo minha culpa! – afirmou o intruso culpando-se. Seus olhos saltavam dasórbitas e sua boca espumava. Uma gota de saliva escorria pelo canto de sua boca, atécair sobre suas vestes rasgadas. – Foi tudo minha culpa! Eu... eu fiz uma burrada! Seeu não tivesse me juntado, todos estariam vivos. A culpa foi minha! – Como te chamas! – insistiu Ronan batendo os cascos. 179
  • 180. – Malcolm Prisco Baddock – respondeu o homem mais tranquilamente. – Membrodo Departamento de Transportes Mágicos... Ah, como vai Sr Weasley. – Baddockolhou para Ronan como se ele fosse um dos Weasley que trabalhavam no ministério,talvez o cabelo vermelho o tenha ajudado. – Já vou preparar sua papelada sobre ocontrabando de tapetes voadores no sul da Turquia. Pode informar a seu superiorque a papelada estará em suas mãos no fim do dia. Seus olhos voltaram a sair de órbita. Baddock começou a tagarelar com Firenzecomo se ele fosse o Ministro da Magia, contando como estava o processo contra BahirRashid, um bruxo que fora apanhado contrabandeando tapetes voadores no norte aÁsia. Poucos minutos depois eles voltaram ao lugar, fixando-se em Alvo. – Preciso falar com alguém. Preciso confessar todos os meus erros... Se não fossepor mim... Vocês correm perigo, e a culpa é minha! – Baddock gaguejava, malformava suas frases. Mas a cada sílaba que saia de sua boca, mais aqueles queestavam à sua volta se interessavam pelo que ele dizia. – Eu o matei! Matei umhomem indefeso, o meu chefe não disse quem era, mas eu o matei mesmo assim! – Está falando de Dagoberto Snowyowl, chefe de seu departamento? – perguntouEscórpio ignorando a dor provocada por sua perna. – Não, Sr Malfoy – protestou Baddock voltando a falar normalmente. Ele nãoparecia se dirigir a Escórpio, mas sim a seu pai. – O Sr Snowyowl me pediu paradepositar esta quantia em seu cofre. Fomos companheiros de casa, Draco. Pensei quevocê facilitaria minha vida. Evitando que eu passe por toda aquela burocracia dosduendes. – Senhor, não fale – pediu outro centauro. Ele era o mais pesado dos cinco, comuma barriguinha nada charmosa, sua barba era irregular e os cabelos eram tãonegros quanto os olhos. – Eu fiz uma... idiotice – afirmou Baddock. – Todos... Mortos por minha causa...Serena, Rúbo, Acrusto é até o Plochos... mortos... Ele... voltará... Artes das Trevas...esquecidas... Potter... abrir... Lorde Voldemort... Ele o trará de volta! – Quem trará Voldemort de volta? – o coração de Alvo disparou. O garoto nemligou quando os centauros e Hagrid torceram os rostos quando Alvo pronunciou onome do Lorde das Trevas. Ele estava mais preocupado em ouvir o que Baddockrelatava. – O Comensal da Morte – chiou Baddock. – Preciso falar com a diretora Crouch! – Precisamos levá-lo para o castelo – interveio Hagrid se aproximando do grupode centauros. – Aqui ele pode acabar se infeccionando. – Levá-lo desta forma pode causar uma hemorragia interna – falou o centaurobarrigudo. Seus dedos eram enrolados por entre sua barba negra. – Sei disso, soucurandeiro. Temos de removê-lo em uma maca. – Não me deixem morrer! – suplicou Baddock lacrimejando. 180
  • 181. – Conseguem levá-lo para a cabana? – perguntou Alvo, uma idéia aflorava em suamente. – Posso ir até o castelo e chamar ajuda. Será mais fácil para Madama Pomfreytratar dele na cabana do que aqui. Você, Sr Centauro-Curandeiro... –... Varenze... – disse o centauro se apresentando. –... Sr Varenze. Preciso que você transporte esse homem até a cabana de Hagrid,mas também gostaria que cuidasse da perna de meu amigo – Alvo encarou a pernaensangüentada de Escórpio. – Eu o devo uma. Sem demora, Varenze ordenou que o centauro mais jovem, Garano e o outro (queaté então não se pronunciara) voltassem a sua tribo e trouxessem uma maca paratransportar Baddock. Depois ele se encaminhou para Escórpio e somente com aservas que encontrara naquela redondeza, conseguiu fabricar um remédio paraestancar o sangue. – Como pretende chegar à Hogwarts? – perguntou Firenze quando Alvo se dirigiacom Hagrid para fora da floreta. – Correndo – afirmou Alvo. – Que tal dar uma cavalgada? Montar em um centauro não é nada fácil. Não há sela para poder se equilibrar nemum domador disposto a ajudá-lo. Se não fosse por Hagrid que erguera Alvo comoum bebê, o garoto não teria conseguido. Porém galopar em cima de um centauro émuito melhor do que em um cavalo comum. Não há tensão com relação osmovimentos do animal, pois todos são muito bem orquestrados pela parte humanado centauro. Volta e meia Firenze se excedia um pouco empinando e saltandodistâncias muito longas. Mas Firenze se mantinha cortês e sempre pedia desculpas aseu passageiro quando percebia que Alvo estava desgostoso. Os cabelos do centaurotambém eram muito mais magníficos do que os de um cavalo comum. Sempre que aluz do luar incidia sobre a nuca de Firenze seus cabelos brilhavam e atingiam umatonalidade prateada, como se fosse uma esponja de aço. – Quem tentaria matar o tal Baddock? – perguntou Alvo à Firenze que estavamuito compenetrado em seu trajeto. – No mundo dos humanos existem muitas rivalidades, Alvo Potter – afirmouFirenze calmamente. Seus olhos deixaram o caminho por um instante e se voltarampara as estrelas. – Muitos homens são tomados e deixam ser manipulados por umaemoção muito perigosa. A ganância, a sede por poder. Quando um humano étomado por este sentimento ele mal é capaz de raciocinar. Mataria seu melhor amigose necessário. Talvez, o tal Baddock seja uma vítima de sua própria ganância. – Como você fala parece que somente os humanos podem ser tomados pelo poder.Centauros também podem ter uma sede como esta em questão, estou correto? –pensou Alvo em voz alta. – Sim – concordou. 181
  • 182. Por um momento os dois permaneceram em silêncio. Somente o barulho doscascos de Firenze chocando-se contra o solo chegava aos ouvidos de Alvo. – Centauros não são criaturas abençoadas com o dom de serem imunes aossentimentos que em quantidade se tornam maléficos – afirmou Firenze depois decerto tempo calado. – Eu tinha um amigo, Agouro, ele era de minha tribo. Seu modode ver este e os outros mundos sempre fora diferente do meu. Depois que eu volteide Hogwarts ele foi um dos poucos centauros que não aprovavam meu retorno. Nósbrigamos, e Agouro, depois de derrotado, partiu de nossa tribo. Ele formou um novogrupo. Um grupo que nem quanto Urano brilhar mais que os demais planetas;poderá ter compaixão pelos humanos. Agouro não perdoa os feitos dos humanos nopassado. A ditadura, os assassinatos a sangue frio... Firenze começara a relatar a Alvo todos os antigos feitos deste centauro, Agouro,ao longo do passado. Firenze estava completamente aturdido pelas lembranças doantigo companheiro. O transe do passado encobrira seus olhos, mas por sorte orestante de seu corpo permanecia no presente, impedindo um choque do centauro ede Alvo com as árvores. Somente quando um uivo de alegria fez com que o chãotremesse, Firenze voltou completamente à realidade. – Lobisomem? – perguntou Alvo assustado. – Possivelmente – disse Firenze. – Desde a batalha que corrompera Hogwarts,desde que Mercúrio começou a ter seu hemisfério sul mais brilhante que o de Marte,existe um boato de que um lobisomem estava perdido entre as muitas e muitasárvores da floresta. Por um segundo Alvo pensou em Remo Lupin, o pai de Ted que morrera durantea Batalha de Hogwarts. Naquele segundo Alvo teve esperanças de que Remo fosse olobisomem perdido, mas depois concluiu que era impossível, pois seu pai havia vistoo cadáver de Remo no Salão Principal e que havia testemunhas de seu duelo com oComensal da Morte Antônio Dolohov, tio de Ralf. – Alvo! – exclamou Rosa quando Alvo e Firenze chegaram à cabana de Hagrid.Rosa estava pronta para voltar ao castelo. Já se passava de uma hora. – Onde estãoEscórpio e Hagrid? E quem é esse centauro? – Rosa, Firenze. Firenze, Rosa... – apresentou a amiga ao centauro que salvara avida de Escórpio. – Ele nos ajudou muito quando chegamos à emboscada. Escórpio eHagrid estão bem, estão trazendo um homem junto com o resto do bando decentauros de Firenze. O que me lembra... Rosa, preciso que esquente um poucod’{gua, arrume a cama de Hagrid e fique atenta | floreta. Assim que os centauroschegaram deixe que Varenze coloque o tal de Malcolm na cama. Estou indo chamarCrouch e Madame Pomfrey. Rosa assentiu e correu para dentro da cabana. – Firenze, se importa de me deixar no castelo? 182
  • 183. – Será uma honra, Alvo Potter. Há muitos anos que não volto para o castelo deHogwarts – Firenze esticou o pescoço e admirou as janelinhas iluminadas quebrilhavam pelas paredes do castelo. Firenze levou a metade do tempo que Alvo levaria para chegar ao castelo. Passarpela Ponte Suspensa não fora nada fácil. Alvo teve de se encolher sobre as costas deFirenze para se manter seguro. Alguns alunos que ainda vagavam pela parte externada escola se assustaram com o homem-cavalo que percorria o pátio com um alunomontado sobre ele. Alvo pode ver Estevão Murdock cutucar um amigo e apontarpara Alvo e para Firenze quando eles passaram pelo vestíbulo do Salão Principal. – Tudo bem, daqui eu sigo sozinho. Obrigado pela... – Alvo pensou em dizer‚carona‛, mas depois achou que isso ofenderia o centauro. – Obrigado por tudo. – Disponha, Alvo Potter – Firenze faz uma reverência para Alvo e se dirigiu paraum pessegueiro, onde colheu algumas frutas e as devorou rapidamente. Alvoimaginou qual seria a reação do Morangueiro Revoltado se o centauro fizesse omesmo com suas frutas. Alvo disparou pelos corredores de Hogwarts sem tomar conhecimento de quemou de que ele deixava para trás. Geralmente quando ele se chocava com algum seranimado um uivo de dor ou de raiva cortava o ar com ferocidade e ecoava por todo ocastelo, mas Alvo mal entendia o que aqueles gritos significavam. Ele corria comtanta vontade que não se importava com quantos alunos ele deixava para trás, caídosno chão. O que seria uma boa tática para os jogos de futebol organizados pelo ProfFinch-Fletchley. Foi o que Alvo pensou após derrubar Cameron Creevey assim queele saltou três degraus para não gastar tempo. Os quadros dos bruxos, bruxas,videntes e arqueólogos censuravam a atitude de Alvo, mas o garoto só entendeuquando um cavaleiro desastrado e apócrifo começou a gritar para Alvo de maneiraeufórica e competitiva. – Isto é o máximo que tu consegues dar, jovem plebeu? – gritou a pintura docavalheiro Sir Cadogan avançando por vários quadros tentando vencer Alvo em umacompetição de corrida imaginária. – Um cavalheiro veraz e hábil consegue alcançarmaiores velocidades somente com a ajuda de um modesto potro. Sem dar importância aos argumentos importunos lançados por Sir Cadogan paraque seu oponente perdesse o foco de seu caminho, Alvo seguiu uma bateria deescadas em direção ao gabinete da diretora. ‚Ó jovem sem espírito competitivo!‛ reclamou Sir Cadogan quando Alvoabandonou sua competição ao subir a bateria de escadas. ‚Em minha próximaoportunidade mostrarei a ti, plebeu, todos os atributos esportivos que Sir Cadogangoza.‛ Finalmente Alvo chegara ao pedestal onde a gárgula protetora da passagem quelevava ao gabinete da Profª Crouch ficava. O garoto estava pronto para subir as 183
  • 184. escadas de caracol que davam para o gabinete, mas Alvo esquecera-se de algo degrande importância. A senha que liberava a passagem e que impediria que a gárgulabloqueasse o portal. – Eu não sei a senha! – repetiu Alvo inquieto para a gárgula sentinela. – Somentetenho que falar com a Profª Crouch imediatamente! É assunto de vida ou morte! – Lamento meu jovem, mas sem senha não entra! – informou a gárgula persistente.– Se quer falar com a diretora... Diga-me a senha! Foi então que um estalo fez com que Alvo se lembrasse de algo dito por Filch nodia em que ele, junto de Bruto e Flora, escoltou Alvo, Isaac, Valerie e Isla para ogabinete da diretora esperançoso para que a diretora aplicasse uma severa puniçãonos garotos. Filch reclamara que a nova senha de Crouch era muito mais complicadaque a dos antigos diretores, mas sem muita cerimônia ele a dissera com rispidez. Erauma palavra complicada, mas que Alvo conhecia há muito tempo. Gravada sobre obrasão da família Black, o que acentuava a ligação da família Crouch com a famíliaBlack. Alvo só precisava dizer a frase que ele tanto lia na Sala das Tapeçarias donúmero doze do Largo Grimmauld para poder finalmente se encontrar com adiretora. – ‚Toujours pur”! – exclamou Alvo, eufórico. – Senha incorreta – sibilou a gárgula imitando uma voz eletrônica. – Olhe sua gárgula imbecil. Eu preciso com urgência falar com a diretora! E se vocênão liberar a passagem eu explodirei sua cabeça. – a gárgula não precisava saber queAlvo não sabia como explodir as coisas. Mas talvez se ele agitasse sua varinha comforça algum resultado catastrófico ocorreria. – Ali está ele, professora! – grunhiu uma voz rouca e seca vinda de trás de Alvo. Filch vinha mancando pelo corredor gesticulando furiosamente para Alvo. Seespreitando sobre suas pernas estava a sempre atenta gata do zelador, Madame Nor-r-ra. Seus olhos amarelos estavam fixos em Alvo. O que fez com que uma ondaelétrica tomasse seu corpo. O zelador resmungava para alguma professora que oseguia enquanto sua gata idolatrada ziguezagueava por suas pernas tortas. ‚Aqui est{ nosso arruaceiro!‛ rezingou Filch ainda apontando para Alvo. Detrás do zelador uma mulher de vestes longas cor de esmeralda que balançavasobre o mármore como um jacaré na espreita surgiu. Seus olhos severos estudavamAlvo por trás de seus óculos quadrados. Seu coque apertado parecia estar na mesmaproporção rígida que a própria. Alvo esperava qualquer professora, menos a velha eprudente Minerva McGonagall. A professora sempre se mostrava severa com seusalunos, mas sempre era mais ‚amigável” com os grifinórios do que com os demais.Alvo temia que por ele ser um membro da Sonserina, sua compreensão fosse menospassiva quanto quando se tratava de um aluno de sua casa. 184
  • 185. – Ele derrubou meia dúzia de alunos, Profª McGonagall – Filch mostravasatisfação em relatar as infrações de Alvo para a professora. – Estava correndo noscorredores, isso é contra as regras. Mísero sangue Potter! – Já basta, Argo – interrompeu a Profª McGonagall erguendo uma das mãos parasilenciar Filch. – Espero que Potter possua motivos muito fortes e convincentes paraestar correndo pela escola como se fosse seguido por uma nuvem de dementadores. O olhar de McGonagall só não era mais assustador do que o de Madame Nor-r-ra.A gata de Filch parecia ter perdido o interesse de piscar. Seus olhos estavam fixos emAlvo como se ele fosse um rato gigante que a felina pudesse abocanhar com umgolpe só. Sua calda de escova balançava inquieta. Suas patas estavam flexionadas demaneira pronta para atacar. E sua língua deslizava de um canto ao outro de sua bocafelpuda. Madame Nor-r-ra estava desejosa de ter Alvo como seu jantar. – Professora, eu tenho que falar com a diretora Crouch – persistiu Alvoenfrentando o olhar ameaçador de McGonagall. – É um assunto muito delicado. – Ora, se deseja relatar algo tão... extremo, quando isto, Potter, então diga a mim!Não sei se está lembrado, mas sou a vice-diretora. Relutante, Alvo narrou para a Profª McGonagall e para Filch tudo o que ele,Escórpio e Hagrid passaram quando entraram na floresta para salvar o intrusochamado Malcolm Baddock. A expressão de McGonagall ficava mais chocada a cadapalavra que deixava a boca de Alvo e chegava a seus ouvidos. Seu rosto enrugadoperdia a cor e seu cenho estava o mais comprimido possível. Já Filch tomara umaaparência débil e cômica. A cada cinco palavras ditas por Alvo, o zelador dava a crerque entendia somente uma. Quando finalmente Filch convenceu-se de que nãoestava entendendo nada do que Alvo relatava, o zelador carrancudo, velho de cabeloopaco agachou-se para por sua amada gata no colo e começou a aninhá-la. – O que está me dizendo, Potter, é muito grave – informou a Profª Minervaquando Alvo terminara de contar toda sua aventura à professor da Transfiguração. –Um invasor em Hogwarts! Forjando ser professor! Definitivamente o trabalho do SrDolohov não está sendo bem... – Não! – protestou Alvo se lembrado de Dêniston Dolohov, o homem gorducho,pequeno, de cabelo fino e negro e com um tique nervoso na sobrancelha esquerda,que circulava por Hogwarts testando as novas proteções contra invasões trouxas queo mesmo inventava ou aperfeiçoava. – O pai de Ralf não têm culpa! O tal Baddockestava disfarçado de Prof McNaught, deve estar se passando por ele desde o iníciodo ano. Parecia estar utilizando Poção Polissuco. Eu já vi as reações da metamorfose.Uma fez meu pai a utilizou para vasculhar um povoado trouxa e... – Basta, Potter! – McGonagall estava intrigada, e ao mesmo tempo temerosa. Aprofessora hesitou se colocando à frente de Alvo, se virando para a gárgula. –‚Pudicitia Impeccabilem”! 185
  • 186. A gárgula parecia feliz em poder liberar a passagem sem ter seus membros depedra destruídos. McGonagall e Alvo saltaram para junto das escadas de caracol eesperaram, impacientes os degraus mágicos rodopiarem como uma escada rolante deum Shopping Center trouxa. Quando Alvo e McGonagall chegaram à porta decarvalho com aldrava em forma de grifo, a professora se adiantou passando a frentede Alvo a todo vapor. O garoto cambaleou quando a Profª Minerva o atingiu. Alvoesperava que sua professora de Transfiguração batesse na porta e esperasse que suacolega e diretora a atendesse, mas McGonagall não hesitou. Meteu a mão namaçaneta e escancarou a porta do escritório da Profª Crouch. – Minerva?! – reclamou a diretora arregalando os olhos para a vice-diretora que seadiantara e, com passos largos, entrava sem consagrações pelo escritório. – Potter, oque estão... Que vestimenta é está Potter? O senhor está... Não vêem que estou emuma reunião?! Alvo mal reparara, mas a diretora não estava sozinha. Em uma cadeira bemconfortável, colocada cautelosamente bem à frente da escrivaninha da diretora, paraque seu convidado não perdesse o foco da conversa, um homem estava sentado.Esticando o pescoço para poder ver quem eram os dois invasores, o homem podemostras suas feições sarcásticas e gozadoras. Ele possuía cabelos castanhos e longos,um cavanhaque mal aparado e uma barbicha rebelde, seus olhos eram negros comoum corvo e a maneira como ele prestava atenção nos fatos e detalhes ao seu redor,lembrava uma coruja, girando sua cabeça para observar tudo o que acontecia à suavolta. – Servilia, desculpe-me pela intromissão... Este deve ser o novo professor quemencionou. “Novo professor!”, pensou Alvo curioso. – Precisa saber o que Potter alega ter presenciado – a Profª McGonagall começou arelatar a diretora tudo o que ela ouvira de Alvo. A expressão severa e amofinadaCrouch foi deixando seu rosto aos poucos. No lugar destas o espanto tomou seurosto. O cenho estava comprimido e seus olhos olhavam atentamente o movimentodo maxilar de McGonagall. Uma veia em seu pescoço pulsava mais rápido. Crouchestava completamente assustada. – Isto é, isto é... – a diretora parecia procurar palavras para poder formar uma frasecom sentido. Uma gota de suor frio escorria por sua testa. – Inacreditável. Umprofessor falso. Alguém estava se passando por Epibalsa! Isto é o fim. Amanhãmesmo o ministério estará mandando uma bateria de aurores para revistar o castelo.Os repórteres do Profeta virão logo em seguida e não poderei impedi-los de entrar nocastelo. Meu nome na capa do jornal... É um desastre! 186
  • 187. – Professora! – gritou Alvo, impaciente. – Intruso ou não, tem um homem no leitode morte! Ele está muito mal. Os centauros na cabana de Hagrid não poderão fazermuita coisa somente com ervas e chás! – Está certo, Potter – assentiu Crouch erguendo-se de sua cadeira e contornandosua escrivaninha em direção a seus os dois novos visitantes. – Minerva, eu quero quealerte Madame Pomfrey. Peça para que ela reúna o maior número de remédios epoções possíveis, depois que me encontre na Ponte Suspensa o mais rápido quepuder. Artabano, – ela se voltou para o homem que presenciava atentamente tudo oque ocorria no gabinete – gostaria nossa conversa fosse menos tumultuada. Você semostrou hábil a conquistar uma vaga dentro de nosso corpo docente. Está liberado aseguir. Pode usar minha chaminé se quiser... – Eu posso ajudar – afirmou o homem chamado Artabano dando um salto de suacadeira. – Como um bom tratador eu tenho certo entendimento sobre primeiros-socorros. Era uma espécie de pré-requisito. – Excelente. Potter, - Crouch baixou seus olhos sobre Alvo. – quero que fique aqui.Quando tudo for resolvido quero ouvir detalhadamente – a diretora deu ênfase a estapalavra, como se tivesse certeza de que Alvo ocultara alguma informação para osprofessores – o que você tem a dizer sobre este lamentável fato. Os três professores saíram em disparada para fora do gabinete de Crouch,deixando Alvo sozinho, tendo apenas os retratos dos antigos diretores de Hogwartscomo companhia. Durante algum tempo Alvo ficou andando em círculos pelo escritório da diretoraCrouch. Ele observou seus objetos mágicos de latão, que se moviam, piavam esoltavam fumaça. Alguns demonstravam estar a muito sem uso, pois uma camadade poeira se estendia por toda sua superfície. Depois de ficar entediado de não fazernada e de ser o único a não saber o que acontecia na cabana de Hagrid, Alvo sesentou na cadeira da diretora e começou a fingir que era ele quem mandava emHogwarts. Em menos de cinco minutos três garotos imaginários da Grifinóriahaviam sido postos em detenção e seis sonserinas mais velhas havia ganhado pontosextras por elogiar os novos sapatos imaginários de Alvo. Mas foi quando o jovemsonserino começou a examinar as pinturas dos antigos diretores (alguns se sentiamincomodados de ter um aluno sozinho em seu antigo gabinete) que ele perdeucompletamente seu interesse em saber o que acontecia na cabana do guarda-caça eseu tédio fora lançado a toda velocidade em uma enorme lata de lixo. Um homemmagro de olhos e cabelos negros e sedosos, pele pálida, nariz torto o sondava comose esperasse ansiadamente um deslize para expulsá-lo da escola. – O que está fazendo sozinho aqui, Potter? – perguntou o retrato do Prof SeveroSnape com rispidez. 187
  • 188. – A Profª Crouch pediu para que eu a aguardasse – falou Alvo, um tanto temeroso.– Ela quer ouvir minha versão do... – Alvo se conteve, não esperava que o antigodiretor fosse a melhor pessoa para desabafar. – Não ira arrancar nada de mim. – Hum – pigarreou o retrato. – Já era hora de você voltar a este escritório. Sãotodos iguais... Todos os Potter são sempre a mesma coisa. Todos são arruaceiros,quebram as regras, prejudicam aqueles que nada têm a ver com suas armações. Nãoperca seu tempo perguntando quem eu sou. Nem pergunte o porquê de eu ter tantodesprezo pelo nome Potter. Entretanto sua resposta foi mais honesta que a de seusparentes. – O senhor está errado – silvou Alvo com veemência. – Não tente iludir-me. Sou muito mais safo do que você, jovem – Snape fez umapausa. – Tem sorte de não ter-me como seu diretor. McGonagall, Crouch, nenhumadas duas seria capaz de arrebatar a verdade de dentro de um Potter como eu. Sou oúnico que poderia conquistar algo que uma legião de professores tenta. – Então, sorte a minha que você não é meu diretor – Alvo pensou em dizer que asorte era por Snape estar morto e enterrado a mil quilômetros de distância dele. Masentão se lembrou do grande respeito que seu pai demonstrava quando mencionava oantigo professor de Poções. Lembrou-se também do que ele havia lhe dito naplataforma no dia primeiro de setembro. E de seu nome do meio, Severo, umahomenagem ao homem mais corajoso que Harry Potter conhecera. – É bom que pense assim – Snape ensaiou o que mais parecia um sorriso. – Seu painão diria o mesmo. Talvez, mesmo eu sendo um retrato, diria que eu não teriaproblemas em arrancar alguns pontos da Grifinória. Também diria que eu protegiaos sonserinos. Típico preconceito grifinório. E falsas alegações vindas de alguém quesempre vivera por baixo das asas de alguém mais forte. Deve pensar o mesmo. Quesua Grifinória ainda é injustiçada por nós da Sonserina. – Não – disse Alvo, para espanto de Snape. – Nunca vi nossa Sonserinaarquitetando maneiras de injustiçar a Grifinória. Talvez não seja isto que meu irmãomais velho diga. Mas é o que eu acho. – Você não é da Grifinória? – Snape parecia não acreditar em seus ouvidos como sealgum artista houvesse pintado em seu quadro ceras de ouvido mágicas. – Não. Eu, Alvo Severo Potter, sou da Sonserina – Alvo sorriu para o retrato dodiretor. – Parece que eu errei meu conceito com relação à família Potter – Snape pareciadesolado com a revelação. – Tal pai, tal filho. Pelo que vejo é mais que isso. UmPotter freqüentando minha casa. Algo, consideravelmente anormal. – Eu não diria que ‚anormal‛ seria o adjetivo mais qualificado para me classificarcomo sendo da Sonserina – disse Alvo com perseverança. – Me identifico com aSonserina. Talvez mais do que com a Grifinória. Tenho amigos em minha casa, e 188
  • 189. também nas demais. Acredito que eu seja um sonserino de sangue Potter. Aqueleque pertence a uma casa, a muito vista com maus olhares, mas que não tolera certostítulos e rótulos utilizados por alguns de meus contemporâneos. – Como? – quis saber Snape. – Como as variações de sangue-puro e ‚sangue-ruim‛ – Alvo mal notava, masgeralmente, em seus pensamentos mais profundos e obscuros, ele utilizava acaracterística de ‚sangue-ruim” contra aqueles que lhe causavam dor e sofrimento.Assim como a família trouxa que demoliria a Toca. – Nunca, repita estas palavras em minha presença, Potter! – rosnou Snapeseveramente. – Mesmo que pertença a minha casa não pode dar-se ao luxo de olharpara mim e dizer tudo o que pensa. Pode ser sonserino, mas ainda é um Potter! Tembastante de seu pai ai dentro. É arrogante, egoísta! Quem sabe minha teoria sobrevocês não esteja tão incorreta. Mesmo sendo de casas distintas vocês ainda sãoPotter! E merecem uma atenção especial. – O que quer dizer com isso? – Nada – sussurrou Snape como se acabasse de perceber que sua língua o traíra. –Mais tarde saberá. E espero não ser por mim. Snape não pensou duas vezes antes de dar as costas para Alvo sem ao menos sedespedir. O retrato do diretor de cabelos sedosos deixou sua cadeira e abandonouseu quadro de Hogwarts. Novamente Alvo ficou sozinho, sem nenhum diretor querealmente valesse apena conhecer (o diretor Fineus Black não estava em seucostumeiro quadro). Quando o ponteiro menor do relógio preso perto a escrivaninha da Profª Crouchse aproximava das dez horas na noite, Alvo estava convencido de que os outroshaviam esquecido de que o garoto estava no gabinete da diretora. ProvavelmenteMadame Pomfrey havia curado o intruso e para comemorar todos os outrosenvolvidos haviam ido à cozinha para comemorar. Alvo gostaria de estar presenteno banquete, pois sua barriga roncava de fome com tanta intensidade que o ChapéuSeletor, adormecido, parecia estar sendo incomodado por seu ranger. Já eram dez evinte quando a porta do escritório de Crouch se abriu. A Profª McGonagall adentrarade cabeça baixa, seu chapéu cônico preso por entre suas garras felinas. Atrás delaestava a Profª Crouch, e mais atrás Rosa e Escórpio – que ainda mancava. Todos comuma aparência abalada e tristonha. Com certeza nenhum deles havia voltado de umbanquete. – Então, o que houve? – quis saber logo Alvo, curioso. Rosa desmanchara em lágrimas e Escórpio fora obrigado a ceder seu ombro paraque a garota pudesse chorar. McGonagall continuara calada e fria. Já Crouch fora aúnica que tivera coragem de encarar Alvo. 189
  • 190. – Suas intenções foram nobres, Potter – Crouch falava em um tom mórbido.Segundo seus amigos, você lutou contra as armadilhas depositadas na floresta econtra as aranhas de maneira louvável. Você guiou os centauros e fez de todo opossível para salvar a vida de um estranho, o qual infringiu inúmeras leis e nosfizera de gaiatos se passando por um professor. Você, Potter, mostrou ter grandefibra moral, mas como pode ver... Foi um choque para todos nos presenciarmos oque presenciamos, mas... Malcolm Baddock, o intruso, está morto. 190
  • 191. Capítulo Onze Férias em Hogwarts A notícia de que havia um intruso em Hogwarts disfarçado de Prof McNaught se espalhou pelo castelo mais rápido do que as vinhas natalinas às vésperas do feriado. Poucos sabiam sobre o tal intruso, obruxo Malcolm Baddock, funcionário do Ministério que pouco levantava suspeitas.As aulas de Artes dos Trouxas foram suspensas até a diretoria encontrar umsubstituto para o lugar do falso McNaught. Mas somente depois que se foidescoberto que havia um intruso na escola que várias informações chegaram aosouvidos dos alunos. Os professores tentavam ocultar as partes mais intrigantes eproblemáticas, mas Filch e o restante dos professores já faziam rondas noturnas àprocura de um astuto ladrão que roubava o estoque de poções da sala do ProfSlughorn. Muitos ficaram intrigados e perturbados, imaginando por que a série defurtos de ingredientes de poções voltara a assombrar o castelo. Assim como fizeraBartolomeu Crouch Júnior quando se disfarçava de Prof Moody na mesma época emque Harry ingressava em seu quarto ano e se via no meio do Torneio Tribruxo. Osassaltos à sala do Prof Slughorn eram menos freqüentes do que os da sala do ProfSnape há vinte e três anos – e também não aconteciam quaisquer fatos anormais quealarmassem mais aos professores. Ninguém desconfiava do galante Prof McNaught,ele sempre se mostrava muito amistoso com seus colegas, principalmente com o ProfSilvano já que os dois tramavam algo suspeitíssimo. Foi durante o intervalo na semana que antecedia os segundos jogos doCampeonato de Quadribol que uma aluna quartanista da Corvinal, Josefina Littleby– uma garota muito atenta a conversa dos outros e que nunca desperdiçava aoportunidade de se meter em uma fofoca, descobriu que uma safra de aurores ejornalistas do Profeta Diário chegaria à escola no final do dia. Assim como a diretoratemia, seu nome já circulava nas páginas do jornal bruxo, que media todos seusesforços para encher suas páginas de notícias alarmantes (e muitas vezes falsas)sobre a própria diretora. – Será que aquela víbora da Rita Skeeter aparecerá por aqui? – cochichou Rosa àAlvo e Escórpio durante uma conturbada aula de Feitiços. O Prof Flitwick pedirapara que os alunos incendiassem pequenas pilhas de papel, mas o resultado obtidopelo professor fora sua pilha de livros, incendiados, e os cabelos de Héstia Puceyqueimando depois de um feitiço errado lançado pela amiga Isla Montague. – Não duvido nada – sibilou Escórpio enquanto Flitwick apagava o fogo que ardiao cocuruto de Héstia. – Me jogo no Poço dos Dementadores se ela não aparecer! – Mas a Profª Crouch não pode simplesmente bani-la da escola? – chiou Alvo pertoda orelha da prima. – É mais complexo do que isso – riu Rosa incendiando mais uma pilha de papéis. 191
  • 192. Eram poucas as pessoas que sabiam que a repórter jornalística, investigadora eautora de livros polêmicos, Rita Skeeter era um animago. Sua forma de besouro erapouco conhecida por entre os bruxos, facilitando seu trabalho como jornalista.Skeeter se transformava em besouro para xeretar nos lugares mais secretos e restritosdo mundo. Era difícil manter um segredo quando se está em uma sala onde háentradas e buracos menores que a cabeça de um alfinete, mas onde um besouroastuto pode penetrar. Contudo, havia uma única bruxa no mundo da magia queconseguia intimidar Rita. A tia Hermione era uma das poucas bruxas que sabiam dosegredo de Rita Skeeter, mas era a única que tirava proveito de tal. Hermioneameaçava entregar Rita ao Controle Nacional de Bruxos que se Convertem aAnimagos, alegando que a jornalista poderia se hospedar em Azkaban caso fossedescoberta a ilegalidade de suas transformações. Suas matérias quase nunca sereferiam a Hermione Weasley ou a seu departamento, caso contrário alguém poderiapisar “sem querer” em um besouro xereta. Para a sorte de Escórpio, o garoto não teria de se atirar no Poço dos Dementadores;pois junto com a comissão de aurores, três repórteres e fotógrafos do Profeta Diárioeram guiados ansiosamente por uma mulher magrela de cabelos ondulados loiros,dedos com unhas longas pintadas de vermelho vivo, dentes de ouro e com uma penaencantada que escrevia em um bloquinho tudo o que ela falava. Rita Skeeter fuçavacada corredor a procura de um aluno disposto a relatar a ela tudo o que sabiam sobrea invasão à Hogwarts. ‚Ele se mostrava esquivo, sinistro ou até... com um ar assassino?‛ queria saberSkeeter interessada a cada aluno que passava por ela, mesmo que esse não estivessedisposto a revelar nada. ‚Querida, você sabe se seu professor.. Hum... o intrusopossuía alguma amizade especial?‛ Melissa Goyle não tardou em revelar à Rita Skeeter que o falso McNaught ficaramuito amigo do Prof Silvano, o que acabara com toda a calma e serenidade que oprofessor dispunha. Em poucos dias, enquanto Dêniston Dolohov e Hagrid guiavamo grupo de aurores pela Floresta Negra à procura de pistas sobre o autor a tentativade assassinato de Baddock e do ataque a Hagrid, Alvo e Escórpio; Rita Skeeter e osdemais membros do Profeta tentavam arrancar de todas as formas algumainformação do professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Silvano mal podiasair de sua sala sem ser rodeado por um ou dois repórteres. – O senhor parece ser muito perspicaz – disse Skeeter analisando o Prof Silvano decima a baixo por detrás de seus óculos pontudos. – Como um bruxo que ocupa umavaga como professor de Defesa Contra as Artes das Trevas não conseguiu detectarque seu colega e amigo era nada mais nada menos que uma fraude? Não notounenhum sinal que o entregasse? Não percebeu o forte bafo gerado pela PoçãoPolissuco? Dizem que tem um forte aroma de urina de duende. 192
  • 193. Alvo também não conseguiu fugir dos repórteres do Profeta Diário. Quando elesaiu da aula de Geomancia, um repórter baixo de camisa pólo vermelha e um coletemarrom, com uma pena prateada presa junto à orelha esquerda, arriscou abordarAlvo para tentar alguma declaração do jovem que se envolvera no ataque a Baddock. Arsênio Cowley estava no ramo do jornalismo a mais de dez anos. O jornalistaastuto começou como estagiário, fazia de tudo um pouco, desde entregar cafés paratodos os andares da editora do Profeta Diário até se arriscar como examinador, tendode chegar cada parágrafo escrito por seus superiores. Arsênio admirava todos osmembros do jornal, mas não conseguia se conformar como o jovem ErnestoMcmillan conseguira chegar ao topo do Profeta em tempo recorde, enquanto elecontinuava a corrigir colunas sociais e entregar cubos de açúcar aos repórteres eredatores. Com dez anos de serviço Arsênio fora chamado pelo editor do ProfetaBarnabás Cuffe para cobrir uma invasão de gnomos em residências trouxas. Naúltima terça-feira daquela semana, Arsênio fora indicado para se juntar a RitaSkeeter para investigar sobre a invasão à Hogwarts por um bruxo funcionário doministério. Arsênio fora instruído a não deixar nenhum fato passar despercebido, enão voltar para a editora sem o depoimento de um dos envolvidos no escândalo. Porém Alvo não estava nem um pouco interessado em dividir com um repórtersua experiência na floresta. Ele temia que o repórter distorcesse tudo o que elefalasse. Dando a entender que ele era um pobre garotinho incompreendido quetentava a todo custo chegar a um patamar mais elevado que o de seu pai famoso.Assim, quando Alvo viu o homem lhe chamando desesperadamente com a pena naorelha e um bloco de notas em uma das mãos, Alvo não pensou duas vezes antes desair correndo pelos corredores como uma bola de canhão. Os aurores também eram bem importunos. Na quinta-feira pela manhã, Hagridteve de cancelar sua aula de Trato das Criaturas Mágicas com o segundo ano parapoder prestar depoimento sobre o caso. Alvo aproveitou seu tempo livre, o qual seriaocupado pela aula de Vôo que os membros dos times não são obrigados a participar,para passar um tempo com seu irmão. Mas algo o incomodava. Se os auroresestavam averiguando cada ruela do castelo de Hogwarts e interrogando todosaqueles que estavam ligados ao assassinato de Malcolm Baddock, fatalmente Alvoseria chamado para depor. Porém a última coisa que ele queria fazer era relatar maisuma vez tudo o que acontecera com ele na noite de segunda-feira, ainda mais paradois aurores desconhecidos. Talvez se quem o interrogasse fosse um membro de suafamília, Alvo tivesse mais liberdade para revelar a eles as partes que ele haviaocultado dos professores. Todavia nenhum parente auror de Alvo aparecera naescola. O auror que mais era próximo de Alvo era ninguém menos que TitoHardcastle, um auror gorducho e estúpido de feições rígidas e muito chegado ao seuchefe. 193
  • 194. Porém não foi Tito quem fora encarregado de interrogar a Alvo. O garoto estavano Salão Principal jogando Snap Explosivo com Tiago e Ralf quando dois aurores damesma idade o abordaram. Um dos aurores era uma mulher. Tinha cabelos ruivostrançados que chegavam a tocar seus ombros. Um grampo de cabelo cor-de-rosaprendia firmemente uma de suas tranças, seus olhos eram verdes como de verdurasfrescas que acabavam de sair da terra. Suas vestes eram verdes esmeralda com listrascombinado, o tecido parecia se fundir majestosamente em seu corpo escultural. Aauror parecia ser uma jovem que acabara de sair de junto dos estagiários. Ao lado dabela auror estava um homem mais alto do que ela; tinha cabelos marrons como cascade madeira e grandes mãos rígidas. Seus olhos eram cinzentos como um dia detempestade e seu rosto não poderia ser mais severo quanto àquele que aparentavanaquele instante. Ele também não mostrava desleixo com relação em suas vestes.Elas deveriam ter sido escolhidas meticulosamente a dedo. As listras negras que seespalhavam pelas vestes combinavam com seu chapéu-coco negro. Ele tambémparecia não ter mais de trinta anos. Ambos se mostravam um par perfeito. – Alvo Severo Potter – falou o auror em tom autoritário. – O senhor deverá nosacompanhar para depor sobre o assassinato do Sr Malcolm Prisco Baddock e datentativa de assassinato dos senhores Rúbeo Hagrid, Escórpio Hipérion Malfoy e doseu próprio, Sr Potter. – E quem seriam os senhores? – intrometeu-se Tiago saltando de sua cadeira. Tiagosempre ficava alerta quando se encontrava com aurores que ele não conhecia. – Não os primarei de apresentações, senhor Tiago Potter – falou a auror sorrindopara Tiago e para Alvo. – Sou Raquel Burke. E este é meu marido Patrice Burke. – Meu pai escalou vocês para me interrogar? Raquel Burke, porém, não respondeu. A auror agachou-se até o tamanho de Alvo eencarou seus olhos verdes. Antes de falar ela lhe lançou um sorriso. – Você tem bastante de seus pais em você, jovenzinho – ela inclinou a cabeça eolhou através de Alvo. A Srª Burke fitava Tiago. – O senhor também, Tiago. Amboscom grande potencial. Espero que se juntem a nós no Q. G. – Raquel – pigarreou o Sr Burke apontando para seu relógio. – Claro. Vamos, Alvo. Temos de cumprir com nossas ordens. O Sr e a Srª Burke guiaram Alvo até uma sala vazia no primeiro andar. A sala,mesmo estando vazia naquele momento, parecia ser freqüentemente utilizada, poisnão havia sinais de abandono. O único sinal de sujeira que Alvo conseguiu detectarfora uma leve película de poeira sobre o quadro-negro móvel. Nele, escrito emgrandes letras de forma por um giz pequenino e frágil havia uma frase escrita, umaqual Alvo j{ ouvira v{rias vezes: ‚FUNDO DE APOIO A LIBERTAÇÃO DOSELFOS‛. Aquela era a sala que os membros da FALE usavam durante seus encontrossemanais. Alvo vira uma lista recrutando novos membros presa no mural da sala 194
  • 195. comunal da Sonserina. Foram pouquíssimas as assinaturas recolhidas de membrosda Sonserina, mas Alvo acreditava que a organização conseguira mais membros nasoutras casas da escola. – Sente-se – aludiu o Sr Burke para Alvo, pedindo que ele se sentasse em umacadeira cuidadosamente colocada no centro da sala de aula. Quando Alvo sentou-se na cadeira indicada pelo Sr Burke, o garoto sentiu o friosol do fim do outono tocar sua pele por trás do vitral do deus grego Hermes, queflutuava de um lado ao outro recebendo e entregando mensagens divinas. – Bem, Sr Potter, nós já coletamos os depoimentos do Sr Malfoy e do Sr Hagrid –contou a Srª Burke a Alvo. – Nosso colega Tito Hardcastle está neste momento sedirigindo à tribo do centauro Firenze para coletar seus depoimentos. Só nos restainterrogá-lo. – Se já colheram tantas informações, por que necessitam saber o que um garotoidiota como eu viu? – perguntou Alvo relutante em revelar aos aurores tudo o quepresenciara. – Já ouviram Escórpio. O que ele diz não é muito diferente do que eutenho a lhes dizer. – Mesmo assim temos de interrogá-lo – insistiu a Srª Burke com paciência. – Hum – tossiu o Sr Burke revirando os olhos. – É igual ao pai. – Potter, nós precisamos ouvir tudo o que você sabe sobre o assassinato deMalcolm Baddock. Isto foi um acontecimento gravíssimo. Uma invasão ao castelo deHogwarts, a tentativa de assassinato de dois alunos e de um professor, o assassinatode um homem cujas lembranças guardam respostas que nós desejamos obter e apossível ligação deste com a morte de outras quatro pessoas. Nós podemos resolvero caso ou chegar muito perto do real mandante. Podemos voltar a transmitir umasensação de paz à população e finalmente calar a boca de bruxos e bruxas irritantes ementirosos como aquela Skeeter! As palavras da Srª Burke conseguiram confortar a Alvo. Ela parecia o tipo depessoa que trabalhava arduamente para garantir o sossego e a paz dos outros. Elanão se irritara com a dificuldade de alcançar seu objetivo junto a Alvo. Raquel Burkeconseguira driblar uma centena de obstáculos para poder arrumar o depoimento deAlvo, isso sem ao menos o ameaçar. Alvo estava disposto a revelar aos aurores boaparte do que acontecera na Floresta Negra, mas alguns os trechos que Alvo julgavaimportantíssimos, o garoto guardaria somente para si. Alvo já estava na metade da história quando fora interrompido pelo abrir dasportas. Ele contava ao Sr e a Srª Burke o momento em que a acromântula Moragoguee seu bando de irmãos e irmãs os atacava. Um homem de cabelos rebeldes; óculosredondos; e uma face mesclada entre severa e aventureira atravessou a porta a todovapor e os Burke não pensaram duas vezes. Giraram nos tornozelos apressados paracumprimentar seu chefe. 195
  • 196. – Raquel, Patrice. Quero que vocês dois vão à cabana de Hagrid e o peçam paraque os leve até a tribo dos centauros. Foi burrice minha deixar Tito ir sozinho.Duvido que os centauros falem mais do que predições sobre os astros. – E o garoto? – perguntou o Sr Burke. – Deixem que com ele eu me entendo – afirmou Harry Potter autoritariamente. Eleagarrou uma das carteiras vazias da sala onde os membros da F. A. L. E. se reuniame depositou-a à frente de Alvo. Quando Raquel e Patrice Burke deixaram a salaHarry não conteve seu sorriso e logo puxou o filho para entre seus braços. Já faziaalgum tempo que os dois não se falavam que dirá se abraçavam. Alvo ficouabraçando seu pai por não menos de cinco minutos até que Harry o soltou. – Como está? – perguntou Harry ao filho. – Não respondeu a carta de sua mãe. Elaestava irada. Ameaçou enviar-lhe dez berradores como presentes de Natal. – Como eu poderia responder a mamãe se os aurores interceptaram todas ascorujas? A escola está um caos. Nossas aulas são interrompidas, os corredores estãocheios de jornalistas e aurores, e nem me pergunte sobre Skeeter! – E o Quadribol? – Estou bem. Só preferia não ter de usar a vassoura do capitão durante os jogos. – Você é muito ansioso – afirmou Harry ainda sorrindo. – Espere até o Natal.Digamos, digamos apenas que seu presente virá voando do Largo Grimmauld –Harry lançou uma piscadela a Alvo, pouco antes de seu sorriso murchar e em seurosto, uma expressão fria e atenta tomar sua face. – Você não veio aqui somente para saber como eu estou, não é? – Alvo também jánão mais sorria. Ele voltou lentamente para sua carteira, um tanto tristonho. – Não, Alvo. Por mais que eu quisesse ficar aqui com você o dia todo conversandoe brincando, meu trabalho me força a ser mais severo e focado – Harry se sentou nacadeira que ele retirara do meio das demais. Seus olhos estavam fixos em Alvo, comose ele pudesse ler sua mente apenas olhando por trás de seus óculos redondos. – Al,eu preciso que me conte sobre o atentado de segunda-feira. Raquel e Patrice jádevem ter lhe dito como isto é de extrema importância, então espero que coopere... Alvo se sentiu estranho. Nunca pensara em seu pai realmente como o chefe doQuartel General dos Aurores, até aquele momento. Ele sabia como era seu trabalho econhecia seu escritório, mas nunca vira o pai em ação. Alvo sabia que estava diantede seu pai, o mesmo que assaltava a geladeira nas madrugadas e se encolhia por trásdas almofadas quando Gina levantava a voz, mas naquele momento Alvo não estavadiante de Harry Potter, o pai dedicado que sempre achava graça do feito dos filhos.Naquele instante, Alvo estava diante Harry Potter, o chefe de uma legião de aurores,disposto a descobrir a verdade mais oculta dentro de Alvo. Harry sentia a mesma coisa. 196
  • 197. Nunca imaginara ver Alvo como ele via naquele momento. Não era mais o AlvoPotter bobinho que ficava invocado com as implicâncias do irmão mais velho e quegostava de fingir ser um grande bruxo mestre do Quadribol. Harry via um AlvoPotter assustado e amedrontado. Uma testemunha que sobrevivera a um crime demaneira admirável quando se julga sua idade. Harry estava orgulhoso do filho, masnaquele momento ele só queria ouvir a verdade. – Ok, você venceu – disse Alvo lançando um sorriso tanto envergonhado. – Vouser mais breve em certos momentos e mais detalhado em outros. Desta vez Alvo relatou precisamente o que ocorrera no interior da FloretaProibida. Harry fora o primeiro bruxo a ouvir da boca de Alvo as súplicas e ossegredos de Malcolm Baddock, que revelara ter matado o verdadeiro EpibalsaMcNaught. Mas o momento em que Harry ficou mais absorto fora quando Alvorecitara as últimas palavras que ele ouvira de Baddock. Antes de ele implorar parapermanecer vivo. Alvo relatou com precisão as palavras de Baddock com relação aoretorno de Voldemort. Ao fim, pai e filho ficaram calados. Um olhando para o outro,como se buscassem a resposta para suas dúvidas no olhar e nas expressões de cadaum. – Isso é possível, pai? – perguntou Alvo receoso. – Eu não sei – afirmou Harry com um suspiro. – Existem lendas, crenças e mitosque poderiam comprovar as alegações de Baddock... Mas não existe veridicamenteuma magia capaz de trazer os mortos de volta a vida, você sabe disso. Voldemort sóvoltou porque ele não estava realmente morto. Havia as Horcrux. Mas depois que euo silenciei, não deveria existir nenhuma magia capaz de trazê-lo de volta. Alvo pensou em revelar ao pai tudo sobre o que ele Rosa e Escórpio sabiam comrelação ao Prof Silvano, mas algo dentro de sua mente o impediu. Ao invés dissooutra coisa deixou sua boca. – Pai, isso que eu te revelei agora, sabe, sobre Voldemort... Eu não contei aninguém. Não sei se Escórpio e Hagrid contaram aos aurores durante ointerrogatório, mas eu não o creio. Escórpio estava com a perna ensangüentada, comfortes dores e Hagrid, bem, eu acho que ele se interessaria mais se estivessem falandode outro bebê Fofo. Não sei por que não contei nada a McGonagall ou a Crouch, masme senti melhor contando para você. Acha que eu errei? – De forma alguma – falou Harry sorrindo. – Al, isso só mostra o que eudesconfiava. Você confia em mim. Mais do que na diretora ou em Raquel. Isso medeixa feliz. Mas se tem mais alguma coisa a me dizer, melhor que diga agora. O coração de Alvo pesou. Como ele poderia trair o pai naquele momento? Comopoderia não revelar das tramóias do professor? Mas sua mente permaneceu nocomando de suas ações. Alvo permaneceu em silêncio. – Ok. Acho que terminamos – disse Harry. 197
  • 198. – Por quanto tempo ficará aqui em Hogwarts? – quis saber Alvo com esperançasde que seu pai visse seu jogo contra a Corvinal. – Vou embora amanhã de manhã. Com toda esta zoeira não posso deixa o QuartelGeneral somente com seu tio Rony. Ele ficaria mais pirado do que já é. Por mais que Alvo desejasse que o feriado demorasse a chegar, o tempo pareciaestar gozando de sua cara. O garoto mal notara que em questão de dias já erainverno. Os gramados verdes que rondavam todo o redor do castelo de Hogwarts jánão eram mais vistos. Em seu lugar uma grossa camada de neve cobria todo o chãofazendo com que o frio – que já era comum – se tornasse cada minuto mais colossal.Foram poucos os professores que admitiram que suas aulas se transformassem emverdadeiras zorras durante a última semana. O Prof Flitwick deixara que os alunosbrincassem com suas almofadas e seus objetos durante as aulas. Feitiços eramlançados a cada minuto e várias reações inesperadas aconteciam em menos de cincominutos. Outro que não se importou em liberar seus alunos foi Neville. Em vez depreparar uma revisão entediante sobre tudo o que fora passado durante o primeirosemestre, o professor de Herbologia liberou a turma para explorar as estufas. Forampoucos os que não aproveitaram a folga dada pelo professor, a maioria eram garotaslideradas por Irene que passara a detestar o Morangueiro Revoltado, o qual queparecia sentir o mesmo pela garota. Sempre que ela passava com suas amigas, EmíliaJenkins e Ísis Cresswell, o morangueiro disparava uma chuva de morangos mágicossobre suas cabeças. Outros professores não aceitavam que os primeiranistas tivessemfolga. A Profª McGonagall reforçou os tempos de Transfiguração e agora a turmadevia transformar animais em objetos comuns. Alvo se saiu muito bemtransfigurando um porco-espinho em um alfineteiro, diferente de Lucas Pritchardque transformara seu canário em um apontador com asas. Silvano tambémcontinuou com suas praticas de Azarações, porém o professor parecia muito maisirritado após uma semana assédio dos repórteres. Ao invés das aulas práticas deazarações tomarem todo o tempo das aulas, o Prof Silvano pediu dois rolos depergaminho com os principais usos das Azarações e seus malefícios quando usadasincorretamente. Escórpio só faltou lançar uma maldição no professor quando eleexigiu dever de casa para depois das férias. – Vou dizer que fui atacado por um explosivim – debochou o garoto, insatisfeitoao fim da aula. – Que ridículo! Dever de casa para depois das férias de Natal! Porém o que mais chateou Alvo durante a última semana de aulas antes do feriadode Natal não foram os excessivos deveres de casa exigidos por Silvano ou as poçõesque ele tinha dificuldades em preparar (Rosa já o atormentava com relação aosexames), mas sim o jogo contra a Corvinal. 198
  • 199. Fora a tarde mais fria de todo o ano. A neve e o vento pareciam não se entender,provocando nevascas que impediam que Alvo pudesse enxergar o pomo de ouro. Oar retumbava com ira dificultando a comunicação dos artilheiros sonserinos. Asjogadas eram mal executadas e o placar da casa fora muito magro. Diferente daCorvinal que possuía jogadores capazes de executar jogadas individuais comprecisão. Emília Jenkins mal notava a presença dos adversários. Ela desviava deErico e de Demelza com tanta destreza que em questão de segundos marcava maisum gol para sua casa. Alvo amaldiçoava-se cada vez que confundia o pomo com umdos balaços. Suas mãos suavam e pareciam congelar no cabo da Firebolt. As vaias quevinham das arquibancadas pareciam estar em volume máximo, pois conseguiamchegar com clareza aos ouvidos dos jogadores. As torcidas estavam revoltadas com oque viam. Estava pior do que um jogo dos Chudley Cannons. E Alvo não conseguiafazer nada. No fim a Corvinal ganhou com folga. O placar fora duzentos e quarenta aquarenta. Henrietta Pole, a apanhadora da Corvinal, contornou a arquibancada desua casa festejando junto a seus colegas. Entre eles estavam o monitor Owen Khan,goleiro da equipe. Alvo estava irado com a derrota, mas não mais do que Erico Laughalot queberrava com o time ao entorno de estádio. A sorte da equipe era que a nevascaimpedia que todas as frases ditas por Erico fossem ouvidas pelos demais. – Nós não estamos em último. Ainda temos chances de nos classificarmos! –berrava Demelza sobre o ruído da multidão que marchava para fora do estádio. Aartilheira estava vermelha de tanto gritar. – Teremos de jogar com a sorte. E eu detesto isso! – Erico chutava os montes deneve ao seu redor, ignorando completamente o que seus companheiros diziam. – AGrifinória já está classificada. Que bando de filhos... – Erico! – rugiu Demelza batendo o pé. Não existia nevasca no mundo mais forteque a voz da garota. – Acalme-se! No sábado há tarde o castelo de Hogwarts já estava praticamente evacuado. Forampouquíssimos os alunos que se mantiveram no castelo para as férias de Natal, emsua maioria os Weasley. Alvo nunca ficara tanto tempo com Luís e Fred quantonaquela noite. Os únicos sonserinos que fariam companhia a Alvo eram LucasPritchard, Ralf Dolohov, Chester Paulson, um setimanista, Carter Danforth, o melhoramigo sonserino de Ralf e Sara Aubrey. Não havia muita coisa a se fazer na salacomunal naquela noite. Os três garotos se revezaram jogando Snap Explosivo eArranques e Brocas, sob o olhar distraído de Sara que prestava mais atenção em seulivro. A garota só deixou os três sozinhos na sala comunal quando percebeu queseria perigoso para ela permanecer na sala. Uma das brocas, um bisbilhoscópio 199
  • 200. quebrado do tamanho do punho da estátua de Sir Abraxamagos e tão pesadoquanto, chegou a menos de dois centímetros de seu livro. Já era quase meia noite quando Ralf, Lucas e Alvo decidiram parar com as brocas eas explosões. Dois quadros de herdeiros de Slytherin haviam ganhado como presentede Natal novas rachaduras em sua superfície e uma manta que cobria um dos sofásde couro negro teve de ser lançada à lareira para evitar um incêndio generalizado.Alvo se negou a deixar a sala comunal, alegando que gostaria de treinar mais suasjogadas com as brocas. Ele permaneceu na vazia e fria sala comunal depois de sedespedir de Ralf e Lucas, que seguiram para seus respectivos dormitórios. Mas Alvonão tinha a intenção de permanecer treinando jogada alguma, ele forasuficientemente bem para ganhar de Ralf, na verdade Alvo queria tirar algumashistórias a limpo, a começar pelos furtos a sala de Slughorn, a tanto abafados. Alvonecessitava perguntar a alguém que tivesse livre circulação pelo castelo. Um amigofantasma que há muito tempo ele não via. Alvo teria que cuidadosamente se dirigir àTorre Oeste, onde ficava o Memorial de Hogwarts, e onde poderia se encontrar comColin Creevey. Pelo fato de não haver um considerável número de alunos no castelo, a vigilâncianos corredores, feita por Filch e por sua gata assustadora, era menos rigorosa, o quepermitiu a Alvo desfilar pelo castelo com menos medo e apreensão de ser capturadopelo zelador. Alvo não se limitou a andar pelo castelo de pijamas. O sonserino sevestiu como uma longa capa negra que o cobria da cabeça aos pés. A única coisa quepoderia denunciá-lo era o escudo do Puddlemere United gravado nas costas, masAlvo tinha esperança de que ele não era o único aluno remanescente no colégio quetorcesse para aquela equipe. Alvo chegou com tranqüilidade até a Torre Oeste. Seus pés descalços vibravamcom o frio do mármore dos corredores, mas ele não tivera tempo para se calçar. Acada vulto que se movia em algum corredor, Alvo se escondia atrás de algumaarmadura ou estátua. O garoto ficou uns cinco minutos atrás da estátua de Prometeu,o biruta, quando uma enxurrada de cavaleiros fantasmas passou a todo vapor pelocorredor. Também era comum o aparecimento de ratos. Os roedores se espremiamnos cantos das paredes a procura de suas tocas. Alvo tentava evitar as patas dosroedores que não se importavam e escalar seus pés, mas ele sentia um leve arrepioatrás da nunca, pois acreditava que os ratos estavam fugindo de uma predadora que,caso não capturasse um rato, ficaria satisfeita em alertar seu amado dono para queele encontrasse Alvo fora da cama. Contudo, Alvo não teve o desprazer de esbarrarcom a gata. Quando ele chegou ao Memorial de Hogwarts, não havia nenhum fantasma ouroedor ao seu redor. A estátua de ouro brilhava como seu uma luz secreta incidisse 200
  • 201. sobre ela. Alvo se conteve a não mirar a placa de bronze, com receio de sernovamente transportado para outra dimensão. – Colin! – chamou Alvo pelo canto da boca. – Colin você está ai! Sou eu Alvo. AlvoPotter! Preciso falar com você. Porém não ouve resposta. Alvo ficou no silêncio, sem ao menos receber um ‚ol{‛ do amigo fantasma. Pareciaque Colin havia embarcado em uma das carruagens e passado o Natal fora da escola.Desacreditado de que Colin estivesse disposto a conversar com ele, Alvo voltou lentae tristonhamente para a sala comunal. Ele esperava obter algumas respostas dofantasma que, ou bem ou mal, poderia saber de alguma coisa, já que ele, diferentedos alunos, tinha livre acesso a todas as instalações do castelo. Depois de muitos meses Alvo voltou a ter pesadelos. Desta vez ele caminhava sozinho pela Floresta Proibida, descalço e vestido apenascom seu pijama. Não havia vento, as árvores e suas folhas permaneciam imóveis,sem sinal de vida ou de magia. Muitos bruxos e bruxas acreditam que as árvores sãoum dos seres que mais possuem habilidades mágicas. Alguns acreditam quealgumas são hospedeiras de dríades, ninfas associadas ao carvalho, que nasciamjunto com as árvores tornando-se apenas uma. Havia, há muitos séculos atrás, umaarte esquecida de se comunicar com as dríades, mas aqueles que a dominavam forammorrendo aos poucos e sem passar seus ensinamentos para outros bruxos ou bruxas. Aos poucos as árvores se tornavam maiores e mais densas até que ele chegounovamente ao ponto onde Hagrid levava sua turma para estudar sobre as lesmaslançadoras de pus. Desta vez havia somente um homem perto da árvore e ao seulado um grande morcego prateado que parecia lhe passar instruções. Alvo nãoentendia o que o morcego prateado falava com o outro homem, ele estava distantedos dois. Também não havia como identificar o bruxo, pois ele estava coberto poruma capa tão grande que mais parecia flutuar sozinha. Quando o morcego terminou de orientar seu subordinado, o bruxo fez uma cortêsreverência e partiu de volta, na direção do castelo. O morcego então se voltou paraAlvo. O garoto não sabia se aquilo era real ou não. Não tinha certeza de se erasomente um sonho, uma visão ou predição. Parecia mania dos Potter ter sonhosconfusos que no final significavam algo de importante. – Esta é apenas a forma que eu uso quando quero deixar meu esconderijo –afirmou o morcego com uma voz tenebrosa, fria e alarmante. – Este é apenas meuPatrono, Alvo Potter, sim eu posso conjurar um. E será muito bom que você me tema.Em breve nós encontraremos cara a cara e fatalmente serão seus últimos segundosvivo. Necessito de você para finalizar meu plano e receber minha merecidacondecoração. 201
  • 202. Alvo queria falar. Fazer uma centena de perguntas ao Patrono, mas sua vozparecia ter sumido. Fugido com tanto medo que o deixara surpreso. – Você... – grunhiu Alvo com muita dificuldade. – Você que matou Baddock. – Perspicaz – riu o Patrono debochando. – Ele não merecia viver. Eu deveria teraprendido antes que: se você quer utilizar pessoas para lhe ajudar a cumprir seusobjetivos, o melhor que se tem a fazer é controlá-las como marionetes! O Patrono encarou Alvo como se estivesse se contendo para não avançar em seupescoço. Assim que o animal prateado se dissipou, Alvo caiu no chão. Seu corpoardia como se ele fosse queimado e eletrocutado ao mesmo tempo. Parecia que dezComensais da Morte lhe lançavam Maldições Cruciatus sem dó ou piedade. Alvo já estava convicto de que aquele seria seu último suspiro. Já aguardava serabraçado pela morte assim como Ambratorix após terminar sua obra. Mas, derepente, a dor cessou. Um brilho esverdeado florescente brotava de trás de uma árvore. Ela brilhava dez,não, cem vezes mais que o Patrono morcego. Por onde o brilho passava cresciamflores. O vento começou a agitar as árvores e Alvo começou a se encher de vida e depoder. O brilho se agrupava e se esticava, formando uma forma humana, como deuma mulher alta e magra, envolta em uma manta verde como os campos mais bemcuidados do mundo. Seu cabelo também era verde com um arco de gravetos e floreso enfeitando. Seu rosto era belo, mas muito severo. Sua aura mágica era muito maisforte do que de um bruxo comum, como se fosse uma fusão entre duas auras degrande poder. – Levante-se, Alvo Severo Potter – ordenou a mulher verde em tom autoritário. –Segundo filho de Harry Tiago Potter e de Ginevra Molly Potter. Irmão de TiagoSirius Potter e Lílian Luna Potter. – Quem, ou o que, você é? – Sou uma dríade. Um espírito do bosque. Uma ninfa. Sou irmã de todas asárvores do mundo. Cada uma contém sua própria dríade. Porém todas estãoadormecidas, somente eu acordei de um sono de mais de três séculos. Mas a cadadia, uma possível ressurreição das dríades se torna menos possível. Nossa famíliaestá morrendo. Nossas forças estão se esgotando, nossas vinhas e nossos coraçõesestão tão enterrados na terra que chegam ao ponto de desaparecer. Foram poucos oshumanos dotados do conhecimento da comunicação conosco. Não é um dom que seensina e sim que se conquista. Hoje, quase não há seres neste mundo que mereçam odireito de se comunicarem conosco. Somos espíritos dóceis, porém velhos erabugentos. De muita dignidade. Não concedemos o dom da fala para qualquer umque possa vir a nos matar. Nós estamos a muito adormecidas. Mas por algum motivoincógnito, eu fui agraciada por alguma aura poderosa que me despertou de meu 202
  • 203. sono de séculos. Mas não me alegro com isso, Alvo Severo Potter. O tempo dasdríades, náiades já se esgotou. Somos espíritos esquecidos. – Você não tem idéia de quem a despertou? – perguntou Alvo. – Não há como eu saber. Minha magia é pouca e sozinha não sou capaz de grandesfeitos – afirmou ela aborrecida. Um líquido esverdeado como clorofila escorreu pelocanto do rosto belo da dríade. Ela estava desapontada consigo mesma. – Meu maiorfeito desde que fui despertada foi salvar sua vida, Alvo Severo Potter. Este lugar nãoé seguro para espíritos... – Quer dizer que eu estou morto?! – gritou Alvo desesperado. – Sou um fantasma?! – Não – silvou a dríade. – As mais antigas crenças dizem que quando sonhamosnossos espíritos deixam nossos corpos para vagarem pelo mundo. Revivendo opassado e, às vezes, mostram o futuro. – Então, isso vai acontecer de novo? – Não – disse a dríade novamente. – Digamos que isto é apenas uma reflexão. Masserá melhor que você nunca volte aqui como um espírito. Não poderei salvá-lonovamente. O melhor que pode fazer é acordar. Mas lembre-se: As batalhas de seu paichegaram ao fim. Mas a partir de agora, as suas começam. Alvo queria falar mais com a dríade. Talvez o nome de Ambratorix fizesse comque ela se lembrasse de mais informações importantes. Mas antes que ele pudessetomar forças para falar com dríade ele voltou para seu dormitório. Suas roupas de cama estavam tão encharcadas que pareciam ter sido jogadas aoLago Negro. O suor escorria por seu pescoço e por sua testa, as camas e os objetosespalhados pelo dormitório estavam turvos, como se a visão de Alvo fosseinfinitamente pior do que a de seu pai. Aos poucos as figuras foram ficando cada vezmais nítidas. Porém Alvo perdera completamente o sono. Ele se remexeu em sua cama procurando a melhor maneira de voltar a dormir.Passaram-se alguns minutos até que o garoto se convenceu de que não voltaria tãocedo a dormir. Alvo ficara sentado em sua cama úmida de suor, relembrando seupesadelo, onde ele fora torturado por um Patrono misterioso que dava instruções aum homem encapuzado e logo depois fora salvo por uma dríade tristonha que lheinformava que começariam novas batalhas e que ele seria o centro de muitas. Asbatalhas de seu pai chegaram ao fim. Mas a partir de agora, as suas começam. As palavras da dríade martelavam sua cabeça como informações de um testeimportantíssimo. Elas se repetiam várias e várias vezes, cada vez mais agudas. Comose o espírito do bosque estivesse novamente se comunicando com ele. De repente Alvo deu um salto tão assustado que caiu de sua cama. Como um gritoabafado de suplico. Ele espiou atentamente ao redor do dormitório às escuras. Nadase movia A exceção de Lucas que se remexia incansavelmente em sua cama. Ocompanheiro de dormitório de Alvo não havia sido desperto com o grito que 203
  • 204. preenchera o ar e chegara retumbando aos ouvidos de Alvo. Depois o garoto ouviuum chamado. Baixo e oco, como se seu autor não quisesse ser apanhado por maisninguém. Alvo Potter. Alvo arregalou os olhos surpreso. Um garoto de mais ou menos dezesseis anos, decabelos bem penteados e roupa de dormir, flutuava a poucos centímetros do chãocom sua coloração branco-pérola. O fantasma abriu sua boca e formou com os lábioso nome de Alvo. Pouco depois o som do chamamento chegou aos ouvidos do rapaz. O fantasma indicou com a cabeça a porta que levava às escadarias que davam paraa sala comunal. Sem cerimônias o fantasma atravessou a porta sem olhar para trás,ficando apenas na esperança de que Alvo o seguisse. Alvo hesitou. Saltou para perto de seu malão e retirou um roupão aconchegante everde, que lhe encobria apenas os joelhos. O garoto apresou-se e meteu a mão namaçaneta e desceu as escadas correndo, saltando os degraus três em três, parapoupar tempo. – Olá – sussurrou Alvo chegando à sala comunal. – Olá... Tem alguém ai? Bruxo,bruxa... Fantasma? Ninguém respondeu. Alvo estava quase convicto de que todo aquele rebuliço degritos e chamamentos fora apenas o fruto de sua imaginação. Coisas que um garotoque mal dormira inventara graças a sua imaginação fértil. Alvo já estava voltandopara o dormitório quando uma figura embaçada chamou sua atenção. Ela estavasentada em um dos sofás de couro negro espiando o crepitar da brasa esverdeadaque sobrara na lareira fria. O fantasma de Colin Creevey girou o pescoço até chegar aAlvo. Então ele piscou. – Olá, Alvo. Desculpe pela minha maneira de te chamar. Ainda tenho dificuldadesem me comunicar com os vivos. – Ah, Colin, não tem importância – disse Alvo se aproximando do fantasma. – Eugosto de ser acordado de madrugada te maneira suspensiva. Como vai? – Morto – respondeu Colin meio chocho. Mas Colin estava diferente de quando encontrou Alvo pela primeira vez, estavamais “sólido”. Há três meses quando Colin salvou Alvo de uma morte interdimensional, o fantasma do estudante estava quase que transparente, sua foz era finae arrastada. Desta vez, Colin se comunicava como qualquer outro fantasma deHogwarts. Era apenas a forma branco-pérola de um bruxo já morto. – Você está diferente. – De fato – assentiu Colin. – Há noite eu me sinto mais forte. Mais fantasmagórico.Arrisco a dizer que me sinto mais neste mundo do que naquele que estavaaprisionado junto ao memorial. Talvez seja uma modificação do estado de espectroao de fantasma. Mas me diga, você esteve em minha área mais cedo. O que queria? 204
  • 205. Alvo poderia enrolar o fantasma, dizer que queria conversar, pois não seencontrava com o espectro há algum tempo, mas decidiu ser mais direto. – Colin, ah, estão acontecendo coisas estranhas na escola – disse Alvo com certoreceio de encarar o fantasma. – Professores falsos, assaltos as salas, mortes... Eu, euqueria saber se você, alguma vez viu alguém roubando a sala do Prof Slughorn, oualgum desconhecido perambulando pela redondeza. – Sim, eu vi – afirmou Colin com toda a naturalidade do mundo. – Fui eu quem, decerta forma, alertei a diretora sobre os assaltos. Quando a pessoas esquisitas, não.Nunca vi ninguém pelos terrenos, mas já percebi movimentos estranhos na floresta.Seres adormecidos, despertos. E uma luz incomum incidindo a orla durante asmadrugadas... Isso lhe responde? Alvo assentiu. Então era verdade. Realmente existia um Patrono de algum invasor rondandopelos terrenos da escola. O Patrono do assassino de Baddock que penetrara nossonhos de Alvo e quase o matara se não fosse pela intervenção da dríade. O bloqueiode Hogwarts havia sido perfurado por algum bruxo que, secretamente tambémtramava uma conspiração. Talvez ele também quisesse o Olho entre os Mundos, e ajulgar pelo modo como ele abordara a Alvo, com certeza tal bruxo não pretendiareviver um membro da Ordem da Fênix. – Como, “de certa forma”, você alertou a diretora sobre os furtos a sala de Slughorn?– perguntou Alvo. Colin permaneceu, alguns segundos, em silêncio. Seus olhos branco-pérolaobservavam a brasa verde que murchava entre o carvão, cada vez mais fraca eimpotente. – Na hora certa você saberá, Alvo – disse o fantasma como se escolhessecuidadosamente as palavras. – Digamos que fiz alguns amigos... O que acha de ‚OAluno da Batalha Final‛? – O que? – Estou pensando em um nome de fantasma. Sabe? Como ‚Barão Sangrento‛,‚Nick-Quase-Sem-Cabeça‛ ou ‚Frei Gorducho‛... – Colin analisava Alvo, que faziacara de desentendido. – Eu queria um nome maneiro. Pensei em ‚O Aluno daBatalha Final‛. – Muito longo – disse Alvo franzindo o cenho. – E não é tão impactante quanto‚Barão Sangrento‛. Colin condescendeu. – Imagina algo melhor? – Olhando para você, não tenho muitas idéias, mas... Você lutou em uma batalha... – Onde fui morto – completou Colin tristonhamente. 205
  • 206. – Isso não importa! – exclamou Alvo. – Você lutou. Isso já o torna alguém deconsiderável honra. Bem, eu tenho um nome em mente... Se não gostar não ria –Alvo fez uma pausa, engoliu em seco e prosseguiu. – O que você acha de ‚OEspectro Guerreiro‛? Colin parou, e pensou. Seu corpo fantasma ficara inquieto no sofá, o que fazia comque o fantasma afundasse alguns centímetros do estofamento. Quando a cintura deColin estava omitida pelo couro do sofá, o fantasma deu um salto. – Perfeito! – gritou o fantasma abrindo um espectral e feliz sorriso. – ‚O EspectroGuerreiro‛! – Bom, assim fica dado seu presente de Natal – Alvo apontou para o relógio dasala comunal que indicava que já era Natal. – Feliz Natal, Colin. – Feliz Natal, Alvo. Eu só não... – ele mostrou as mãos vazias. – Não tenho nadapara lhe oferecer. – Não precisa. Quer dizer... Bem, desde que Nick-Quase-Sem-Cabeça foi aceito noclube Caça Sem Cabeça, a Grifinória não tem mais fantasma. Não sei qual foi suacasa em Hogwarts, mas... – Quer que eu peça para ser o novo fantasma da casa – completou Colin como se jáesperasse ouvir aquele pedido de alguém, mas para sua surpresa, o pedido fora feitopor um sonserino. – Mas, você é da Sonserina. Vocês detestam a Grifinória. Sei disso. – Mas não sou um sonserino convencional. Digamos apenas que não me enquadroaos padrões – Alvo encolheu os ombros. – E além do mais, boa parte de minhafamília fez ou faz parte da Grifinória. E sei que eles detestam não ter um fantasmapróprio. Todas as outras casas têm. Alguns achavam que seu novo fantasma seria ovelho Prof Dumbledore, mas foi em vão. Tiago e Sabrina me contaram que sempreque um fantasma barbudo vagava pelos corredores ele era parado. E eu tive aoportunidade de conhecer um fantasma que se enquadra nos perfis da Grifinória! Ealém do mais, lhe batizei com um nome fantasmagórico que fará até o Barão lherespeitar. O que seria um Barão seu seus guerreiros? – Não sei – falou o Espectro Guerreiro coçando sua nuca. – Existe muito burocraciaenvolvendo fantasmas e casas... Nunca fui tímido, mas ainda não me sinto muito à-vontade tendo de encarar vocês, vivos, sendo eu um fantasma. – Compreendo. E respeito – completou Alvo encarando o amigo fantasma. – Masse você se interessar... Creio que os grifinórios ficariam felizes em terem um fantasmacomo você representando sua casa. Alvo se despediu de Colin e seguiu para as escadas que levavam aos dormitórios.Ele olhou por trás do ombro e viu o fantasma sair alegremente da sala comunal.Colin estava feliz com o novo nome. Alvo acordou na manhã de Natal com o forte cheiro de ganso ensopado, peixadafresca, ovos estrelados, pernil, um dedo gordo com unas mal cortadas e uma voz de 206
  • 207. rã aguda e rouca tomando seus ouvidos. Quando o garoto abriu os olhos deparou-secom duas criaturazinhas encolhidas ao redor de sua cama, ambas segurandobandejas de prata com um verdadeiro banquete à mostra. A criatura mais gordaestava vestida com um avental sujo vermelho vivo, com sinos natalinos e vinhasespalhadas por entre as várias dobras e buracos chamuscados. A mais magra estavacom seu habitual traste velho amarrado com vários nós como uma toga. Os dois elfosse esforçavam para mostrar um sorriso agradável, mas tudo que conseguiam eraexibirem seus dentes tortos amarelos e mal cuidados. – Monstro... Bowy! – exclamou Alvo erguendo-se de sua cama e sentando nocolchão, – O que, o que estão fazendo? – Feliz Natal, mestre Alvo – disse Monstro dando uma cotovelada em Bowy etomando a frente. O elfo doméstico dos Potter fez uma reverência cortês. Seu narizpontudo chegou a tocar a sua bandeja de prata. – Feliz Natal, Alvo Potter! – soluçou Bowy amarrando a cara para Monstro. – Osenhor dorme ali como uma pedra, Alvo Potter. Parece que está desacordado. Osenhor age com se a comida do café nunca esfriasse. O senhor é muito otimista, AlvoPotter. – Ah, obrigado? – Alvo se mostrava atordoado. Esfregando os olhos para poderenxergar melhor os dois elfos. Bowy se adiantou repousando sua bandeja sobre o criado mudo. Arrastando ovazo escuro com uma rosa negra que pousava ali desde que Alvo chegara aodormitório. – Bowy preparou seu café, Alvo Potter – disse ele com orgulho do próprio feito. –Bowy escolheu a dedo cada tempero e ingrediente. Temos pernil, ovos estrelados,Bolos de Caldeirão e Bruxas de Aveia. – Monstro preparou sua especialidade, mestre Alvo – grunhiu Monstro colocandosua bandeja no colo de Alvo. – Ganso ensopado e peixada fresca. Acompanhado desuco de abóbora e barras de chocolate, feitas a mão. Alvo sorriu para os dois elfos. Mas a idéia de ter de comer os dois caféspreparados pelos elfos o atormentava. Erico o lançaria aos braços do SalgueiroLutador se voltasse das férias e deparasse com seu apanhador com alguns quilos amais. Alvo, Monstro e Bowy chegaram a um comum entendimento, onde ele, Alvo,comeria metade de cada banquete. – Espero que tenha você gostado, Alvo Potter – falou Bowy ansioso. – Estava formidável. E o seu também, Monstro – acrescentou o garoto antes queseu elfo manifestasse quaisquer sinais de irritação. – Monstro foi instruído por sua mestra a avisar-lhe que seus presentes seencontram junto com os do mestre Tiago e da mestra Rosa na Torre da Grifinória –informou o elfo com cordialidade. – Após o jantar, meus senhores irão se comunicar 207
  • 208. com você, mestre Tiago e mestra Rosa na sala comunal da Grifinória através da Redede Flu... Ah, já ia me esquecendo. A mestra Hermione – Alvo percebeu que Monstrofizera grande esforço para pronunciar aquele nome. Ele ainda não se conformava emter de chamar a tia Hermione de mestra – ordenou que eu entregasse estaencomenda. Ela pediu que você use-o durante o dia de Natal. Ela gosta muito deornamentações. Alvo tomou o embrulho de Monstro. Ao desembrulhá-lo deparou-se com umgorro verde pomposo feito de lã, com sinos que, ao menor sinal de movimento,disparavam a tocar canções natalinas. – Bom, devo seguir até o dormitório do mestre Tiago e da mestra Rosa. Não seesqueça mestre Alvo... Depois do jantar. E não tente abrir seus presentes sem acompanhia de seu irmão e sua prima. Monstro estará de olho. Lamento. Ordens deminha senhora. Monstro estalou os dedos e desaparatou. Deixando Alvo e Bowy sozinhos. – Ah, já é minha hora, Alvo Potter. Sem minha presença não haverá banquete deNatal. Espero que tenha gostado de minha comida – Bowy se arrastou até os restosdeixados por Alvo e prometera que os guardaria para quando Alvo estivesse comfome. – Espere ai, Bowy! – exclamou Alvo saltando da cama e mergulhando por baixo dacama de Isaac, onde o amigo largara um par de meias exageradamente extravagantese multicoloridas, que a avó havia tricotado para ele, mas que encolhera após alavagem feita pelos elfos da limpeza. – Para você – e estendeu o par inútil. – Um presente, Alvo Potter – chorou Bowy agarrando o par e o guardando nobolso do avental, junto com seu distintivo da F. A. L. E. – Feliz Natal, senhor. Bowy também estalou os dedos e sumiu com um crepito. Deixando um aroma debiscoitos com gotas de chocolate e salmão defumado. Alvo deixou a sala comunal junto com seu único amigo remanescente daSonserina. Ele e Lucas seguiam para o Salão Principal, mas Alvo somente o seguiapara não deixar o amigo sozinho. Mesmo abrigando poucos alunos, o castelo de Hogwarts estava bem enfeitado combolas de Natal, árvores bem enfeitadas, visgos presos entre as janelas e armaduras decavalheiros enfeitiçadas para cantas canções de Natal sempre que um aluno passavaperto delas. Alvo tentava balançar o mínimo sua cabeça para não fazer com que seugorro natalino começasse a cantar. Mas ele não tinha muito com que se preocupar.Quase todos seus amigos não estavam no castelo, e os mais velhos se revezavamentre fugir e caçar visgos. Ao chegar às portas do Salão Principal, Alvo se deparou com seu irmão e suaprima chegando ao salão junto de Fred e Sabrina Hildegard. O sonserino deduziu 208
  • 209. que os dois já haviam sido visitados por Monstro, pois também usavam o gorroencantado da tia Hermione. Fred também. – Encantador – sibilou Fred revirando os olhos indicando o gorro com o polegar. – Eu os acho fofos – disse Sabrina sorrindo. Seus dedos alisavam a pena lilás quelevava em seus cabelos vermelhos. – Queria que minha mãe tricotasse um dessespara mim. – Pode ficar! – riu Fred. – Você não vai passá-lo adiante! – reclamou Rosa batendo pé. – Ok, foi só uma brincadeira – Fred estava escarlate. – Ei, Al. Acredito que seu estômago esteja mais do que bem estofado – disse Tiagopara o irmão. – O que acha de dar um pulinho na Torre da Grifinória para abrirnossos presentes? Monstro me ameaçou se eu tentasse espiar um deles. – Mentira – sibilou Rosa. – Ora, não o proteja – resmungou Tiago. – Então, vai ou não? Não me force autilizar uma Maldição Imperius em você. – Mas eu estou com Lucas – disse Alvo olhando por trás do ombro para o amigoque ficara calado até então. – Deixe Pritchard com Ralf e vamos! Alvo continuou olhando para Lucas. O jovem, por sua vez, apenas deu de ombrose seguiu para dentro do Salão Principal. Mas Alvo pode ouvir Lucas murmurandomaldições, baixinho para Tiago e para o restante dos Grifinórios. Fora a primeira vez que Alvo subira até a Torre da Grifinória. Mesmo que Tiago,Rosa e Escórpio o encorajassem a segui-los a sala comunal, Alvo não tinha coragemde se deparar com um bando de grifinórios mais velhos, que fatalmente nãoachariam sua presença agradável, só pelo fato dele ser membro da Sonserina. ‚Mas tem o Ralf. Ele nunca foi barrado ou chateado‛ contava Tiago sempre queAlvo parava na entrada para a torre, à frente do retrato da mulher Gorda. ‚A história de Ralf é mais longa do que a nossa. Existem vários motivos para eleter sido aceito. Diferente de mim‛ contestava Alvo. – Você é meu irmão. E filho de Harry Potter. Só um idiota se meteria a besta comvocê. – Não, obrigado – era sempre a resposta definitiva de Alvo. Mas naquele dia era diferente. A sala comunal estaria vazia. Assim como ossonserinos, os grifinórios não fizeram questão de ficar no colégio para passar o Natal.Foram poucos os que permaneceram e em sua maioria eles, pelo menos,simpatizavam com Alvo (ou fingiam muito bem). Sabrina Hildegard tivera de ficarna escola, pois seus pais, ambos, funcionários de alto escalão no Ministério, foramconvidados a se reunirem com os integrantes dos ministérios da França e do LesteEuropeu para esclarecer últimos os tópicos do Torneio Tribruxo de daqui dois anos. 209
  • 210. Junto com ela três garotos e duas garotas de diferentes anos e o restante dos Weasleyda Grifinória permaneceram no castelo. – Luzes Florescentes – disseram Rosa e Tiago em uníssono. – Mais é claro – riu a Mulher Gorda girando as fechaduras de seu quadro epermitindo a passagem dos garotos. – Violeta me visitará de noite. Ela disse quetraria vinho. A sala comunal da grifinória era uma sala cilíndrica e espaçosa que seguia ocompasso das paredes da Torre Oeste. O chão era coberto por um carpete vermelho,combinando com as cortinas da mesma. Poltronas fofas e aconchegantes estavamcuidadosamente arrumadas ao redor de uma lareira um pouco maior do que a daSonserina. O fogo que lá crepitava, era vermelho vivo, como a chama de uma fênix.Mais para o canto havia duas escadas, que diferente das da sonserina que giravamcomo caracol, eram retas e levavam ao dormitório feminino e ao masculino. Quando os três entraram na sala houve um estampido e Monstro se materializou àfrente dos três garotos. Uma forma grande e peluda – que Alvo acreditava ser umaalmofada – saltou do sofá com um forte miado e se escondeu entre as pernas deRosa. O gato arranhava o ar ameaçadoramente, tentando afastar-se de Monstro. – Magia de elfos – disse Tiago inspirando o ar com prazer. Como se Monstrotrouxesse consigo o aroma de um perfume exuberante como os da tia Fleur, deVitória e Dominique. – Nunca me canso disso. – Esse é o gato de Sabrina – afirmou Rosa colocando o animal peludo cor de fogono colo. – Peludinho. Ele gosta de mim. Queria ganhar um animal para o ano quevem. Sabe... Você tem Artie; Tiago tem Nobby, Luís tem Frank. Até Fred com aquelerato dele. Fred detesta o Peludinho. Vive ameaçando Sabrina de que vai transformá-lo em pufe para os pés. Mas eu quero um gatinho meu! Quem sabe eu arranjo umaamiga para você. Peludinho? – Mestre Alvo. Mestre Tiago. Mestra Rosa – interrompeu Monstro com sua vozrouca de velho. – Todos estão presentes e dispostos a arrancarem os embrulhos queMonstro demorou tanto a preparar. Feliz Natal, meus mestres. Monstro estalou os dedos e o aroma, o ar e a iluminação da sala comunalmudaram. As luzes vindas das velas presas aos candelabros oscilaram. Uma correntede vento gélida circulou pela sala como se uma barreira de proteção houvesse sidoremovida da árvore onde estavam os presentes dos três. O aroma mudou de cheirodo eucalipto e brasa que deixava a lareira para o de chocolate quente, perfumesfranceses, e plástico novo. Alvo não perdeu tempo. Abriu caminho entre Tiago e Rosa e mergulhou de cabeçana maioria dos presentes com seu nome. Ele tateava às cegas, procurando algumindício do presente que seu pai dera a entender que comprara. Talvez o cabo polidoe imaculado da vassoura nova. Ou a piaçava milimetricamente medida, sem 210
  • 211. imperfeições ou buracos vazios. Mas Alvo não encontrou nada. O máximo queconseguiu foi um corte no dedo quando o rato de Fred o mordeu. Alvo xingoubaixinho e deu um murro no pelo cinzento do rato. Talvez ele o tenha esquecido? Pensou Alvo levando o dedo ensangüentado a boca.Enquanto ele sentia o gosto de ferro de seu sangue ele procurava os motivos maislógicos para não ter recebido o presente. – Monstro, - começou Alvo levantando-se no momento em que Rosa e Tiagocomeçavam a rasgar os papéis de seus presentes – o pai e a mãe lhe entregaram todosos presentes destinados a mim a Tiago e a Rosa? – Todos, mestre Alvo – afirmou o elfo que acompanhava os garotos abrindo seuspresentes. – Monstro os trouxe na calada da noite. Um por um. O escritório do meusenhor Harry está vazio. Um pouco menos animado Alvo se virou para seus presentes. Começou a rasgaros embrulhos festivos um por um. Ao som das canções cantadas pelo gorro da tiaHermione. Alvo ganhara de sua vovó Weasley um cachecol verde limão junto com o famoso etradicional suéter com um grande ‚A” tricotado a mão por ela. O tio Gui e a tia Fleurlhe deram outro bonequinho de membros do Puddlemere United. O goleiro DavidAbercrombie. O tio Rony lhe enviou um clássico da literatura ligada ao Quadribol, o“Voando com os Canhões.”, que ele afirma ser útil para qualquer iniciante doquadribol. A tia Hermione foi mais a fundo. Ela lhe dera um livro que poderia ajudara Alvo a se defender dos feitiços errados lançados por seus colegas. ‚Um guia deautoproteção contra Feitiços Acidentais.”. Tio Fred e tai Angelina lhe enviaram umpacote com Sapos de Chocolate, uma nova safra de Feijõezinhos de Todos os Sabores– agora com sabores de sangue, caramelo em calda, feijão lima-limão e gelatina tutti-frutti quebra-queixo – e um bisbilhoscópio junto com um cartão escrito pelo tio.‚Nunca se sabe quando um Potter precisa de um desses.” Hagrid lhe enviara um balde delatão com uma quantidade absurda de bolinhos com gotas de chocolate. Alvo nãoprecisaria mais ter de se preocupar com as refeições se os mantivesse em segurança.Mas o garoto teria que amolecê-los o máximo, pois cada bolinho poderia fazer umestrago maior do que um balaço. O único presente enviado por seus pais fora umbolinha de vidro do tamanho de uma grande bola de gude. Uma fumaça brancacomo leite girava tentando se libertar de sua prisão de vidro. Alvo tateou a superfíciedesenhada de vidro do Lembrol com desânimo. Ele não ganhara uma vassoura... O almoço do dia de Natal fora o mais vazio de Alvo na escola. Quando ele, Tiago eRosa chegaram ao Salão Principal, se depararam com as quatro mesas recostadas nasparedes. A mesa dos professores havia desaparecido e os educadores estavammisturados junto aos alunos. Quando os três chegaram ao salão, acompanhados deum pequeno grupo de outros alunos que chegavam para almoçar, a diretora Crouch 211
  • 212. se ergueu de seu lugar, ao lado de Slughorn e de Vector, e deu as boas-vindas aosalunos. – Feliz Natal – disse a diretora com um sorriso incomum. – Somosinexplicavelmente poucos. Achei melhor unir as mesas em uma só. Sentem-se. A grande mesa exposta por Crouch já estava parcialmente ocupada. Osprofessores Crouch, McGonagall, Flitwick, Slughorn, Hagrid, Knossos, Vector eSinistra ocupavam seus respectivos lugares, assim como Madame Pomfrey, MadamePince, que despira seu chapéu cônico verde-musgo pontudo e deixara a mostra seuscabelos lisos e Argo Filch, o zelador que deixara suas surradas e velhas vestes detrabalho cinza gris e vestira um terno marrom cheio de remendos e imperfeições.Madame Nor-r-ra se enroscava em suas pernas. Junto a seu filho, em uma conversaanimada com muitos gestos e socos na mesa, estava Dêniston Dolohov, o funcionárioda escola responsável por suas defesas contra invasores não-bruxos. Alvo nunca viraDênis pessoalmente, somente quando via o bruxo baixinho perambulando pelosterrenos da escola. Dênis parecia muito mais alegre visto pessoalmente. Ele perto deRalf, Carter Danforth e de Lucas parecia mais um aluno da escola. Os demais alunosque Alvo não conhecia baseavam-se em três secundaristas da Lufa-Lufa, umcorvinalino muito assustado em ter de ficar tão perto de Filch, duas garotassardentas e risonhas da Grifinória e três garotos magrelos da mesma. Alvo, Rosa e Tiago se juntaram ao restante de seus primos. Os Weasley estavamreunidos no centro da mesa. Hagrid estava próximo do grupo, assim como Sabrinaque parecia bem alegre com as canções que o professor murmurava. Todos osWeasley se mostravam bem enérgicos, falando alto e fazendo brincadeiras um comos outros. Luís prendera Fred em uma conversa animada sobre os Detonadores, oesquadrão de bruxos guardiões similares aos aurores, mas que atuavam nos paísesmais brutos e gélidos da Europa. Molly falava rapidamente com Dominiquegesticulando rápido com as mãos. Volta e meia uma das garotas tampava a boca comuma das mãos ou abafava seus risinhos. Logo que se sentou ao lado de Tiago e de Luís, Alvo avançou em uma tigela comum punhado de Penas de Açúcar. Alvo já havia comido algumas das guloseimasenviadas por seus parentes, mas seu apetite estava cada vez maior. Nada como estarem faze de crescimento. Tiago perecia também estar com tanta fome quanto o irmão.Em poucos segundos seu prato já estava cheio de balas e chocolates. – Bem, foi uma surpresa saber que seriamos tão poucos a passarmos o Natal aquiem Hogwarts – comentou a Profª Servilia erguendo-se de sua cadeira einterrompendo sua conversa com a Profª Vector. A diretora estava sendo modesta,ou até falsa, pois sabia que após os recentes acontecimentos na escola os pais nãopensariam duas vezes em mandar berradores para seus filhos caso eles escolhessempermanecer na escola. O Profeta falara muito sobre a invasão ao colégio, e muitos 212
  • 213. pais só ficaram satisfeitos quando o ministro Shacklebolt assegurou que uma frota deaurores patrulharia os terrenos durante as primeiras semanas do segundo trimestre.– Espero que apreciem nossa ceia. Bon appétit. Em uma fração de segundo todos os presentes no Salão Principal avançaram emdireção as travessas de comida. Alvo não pensou duas vezes em rechear seu pratocom costelas, ovos, ensopados e batatas assadas. Sua taça de ouro não estava cheiacom o costumeiro Suco de Abóbora, mas sim com uma bebida de aspecto leitoso ebem calorosa. Quando Alvo a bebeu sentiu seu corpo aquecer, o que ajudava muitoquando se levava em conta que o país estava preso em uma onda de ventos gélidos enevascas. Quando Alvo terminava suas batatas assadas e se dirigia para a sopa de ervilhas,as portas do salão se abriram e uma mulher magra; com grandes óculos queaumentavam o tamanho de seus olhos em dez vezes – estes que piscava como os deuma coruja – entrou deslizando pelo mármore do Salão Principal. Seu vestido eraextravagante e misterioso. Com paetês espalhados por sua superfície junto combroches, vários cordões que envolviam seu pescoço e dezenas de pulseiras presassobre os braços. Alvo reconheceu a professora no exato momento em que ela entrou.Ela era a Profª Sibila Trelawney, vidente e mestra em adivinhações. Mesmo que semostrasse como uma maluca, Alvo sempre fora alertado com relação às predições daprofessora. Algumas eram bem doidinhas, que dificilmente poderiam se realizar,mas outras estavam realmente marcadas para acontecer. – Que bom que decidiu se juntar a nós, Sibila! – disse a Profª Crouch sorrindo paraa colega. – Meu atraso foi proposital, diretora – disse Trelawney com um sussurro tímido eagudo. – Ontem à noite, enquanto consultava minha bola de cristal, pouco depois deter terminado meu solitário jantar, previ que algo aconteceria e que eu deveria meatrasar para o banquete. Ela estava certa, se eu não me atrasasse, talvez não visse abela chuva de cristais de gelo que vi. Também foi previsto que a senhora, diretora,diria suas ultimas palavras em francês. Antes de servir-se com sua sopa de legumes. Ninguém contestou a professora, mas desde que Servilia ordenara que ospresentes avançassem em sua comida, a diretora só havia comido tripas. Fora muito estranho ter de almoçar com a Profª Sibila. Uma mulher imprevisívelque de momento em momento tinha predições catastróficas sobre os presentes. – Gertrudes, não! Você não pode se servir com mais uísque de fogo. Será a décimaterceira pessoa a fazê-lo... Meu pobre rapaz, eu vejo que se você comer este doce teráum futuro tenebroso – afirmou para Chester Paulson a maior vítima de suaspredições. Segundo a bruxa, Chester correria grande perigo se comesse mais umBolo de Caldeirão. 213
  • 214. Mas para a surpresa da maioria dos presentes no Salão Principal para o banquetede Natal fora o correio extra que irrompera pelos vitrais do salão. Várias corujas dediversos tamanhos e cores voavam pelo salão energicamente. A que mais chamou aatenção de Alvo fora uma coruja negra como a noite, de penas grossas e compactas,amontoadas de maneira hostil. Os olhos eram amarelos como os de um falcão, masum tanto inofensivos. A ave estava abatida, como se voasse por muitos dias semcomer ou beber. A coruja pousou ao lado de Alvo, deixou sua encomenda e ficouencarando o cálice com a bebida quente do garoto. – Pode beber – disse Alvo levando o cálice ao bico da coruja que aceitou semmodéstia. – Eu não te conheço. Conheço? Depois de bicar a bebida de Alvo a coruja negra girou a cabeça em direção aopacote que ela enviara. Estava endereçado a Alvo e também a Rosa. – Prima, vem cá! – exclamou Alvo chamando Rosa para perto dele. A garota selevantou de seu lugar e com um salto chegou ao lado do primo. – É de Escórpio. Alvo desembrulhou o pacote que continha duas barras de chocolate meio amargoe alguns Feijõezinhos de Todos os Sabores. Junto aos doces, havia um bilhete. Enviei Galdino para Hogwarts a fim de entregar-lhes seus presentes. Não tenho muito quefazer aqui em casa, então vocês podem escrever para mim? Não é tão legal jogar SnapExplosivo com meu elfo doméstico. Feliz Natal Escórpio PS: Podem dar alguma comida para minha coruja? Ele está viajando há bastante tempo eduvido que se alimente bem. – O Diabrete Malfoy lhe enviou um presente? – sibilou Tiago um tanto intrigado. –Deveríamos fazer alguns testes antes de vocês comerem o que está ai. Quem sabe oque a família Malfoy pode ter posto junto aos caramelos. – Não enche – rosnou Alvo, dando uma dentada na barra de chocolate enviada porEscórpio. Tiago estava prestes a começar uma sessão de implicâncias com o irmão. Masambos voltaram suas atenções para um grupo de nada menos de cinco corujas quearduamente traziam um grande pacote para a mesa. Alvo sentiu tanta curiosidadeem saber para quem era a encomenda que mal notara que a ave que guiava o bandoera uma velha conhecida coruja de celeiro com muitas viagens nas costas. Quandoele percebeu a presença da ave de penas marrom-claras e face branca, Alvo deu umsalto, com os olhos presos no pacote. Matilda, a ave dos Potter batia suas asas comenergia planando junto ao grupo de corujas que deixou cuidadosamente o pacote nasmãos de Alvo. No bico de Matilda havia uma carta, mas esse não se endereçava aAlvo, mas sim a Tiago. 214
  • 215. Sob o olhar curioso de alunos e professores que dispensaram sua ceia para olhar ocorreio, Alvo notou um pequeno bilhete escrito em papel carta cor de rosa, comletras grandes e redondas. Não conte nada a Lílian! Ela não sabe que lhe enviamos o presente. Também não precisa se preocupar com seu irmão.Sabemos exatamente como calar sua revolta. Feliz Natal e aproveite sua nova vassoura de corrida, o mais novo nome em vassouras comodisse sua mãe, espero que ajude nos jogos. Um abraço Harry Alvo não tivera como se conter. Tentar disfarçar sua alegria junto ao restante daescola. Um sorriso esperançoso e contente tomou seu rosto sem rodeios. Alvo rasgoua embalagem e se deparou com o projétil mais belo que ele já havia visto em suavida. Ela era mais bem formada do que a Firebolt. O cabo não era reto, o que ajudavao manejo e a deslocação quando montado nela. Era de amieiro, sem quais querimperfeições, também continha um número de prata que Alvo entendeu como sendoseu número de fabricação, juto com sua marca ‚Thunderstorm” e o nome de seu dono,no caso o de Alvo. A piaçava era negra com detalhes em prata. O que possibilitavaque a vassoura atingisse a marca de 260/km em menos de dez segundos. Além depossuir um sistema de telepatia facilitando o arrojo de seu dono e um sistema maismoderno e quase infalível de freios. – É a nova Thunderstorm! – exclamou Fred antes de pedir permissão a Alvo paraacariciar a vassoura. – Não tente sabotá-la! – gritou Ralf abrindo espaço entre as desinteiriçadasDominique e Molly. – Uma vassoura, hum? De que modelo é? – quis saber o Prof Flitwick ajeitandoseus óculos para analisar melhor os detalhes da Thunderstorm de Alvo. – Thunderstorm – disse Alvo com desdém. Ele mal notara, mas a única pessoa quenão dera importância para o presente fora seu irmão, que lia e relia atentamente acarta que viera junto com Matilda. – Precisará mais do que uma vassoura boa para nos ganhar, Potter – disse a ProfªMcGonagall com certo temor na voz. Seus olhos não desgrudavam da vassoura. – Ora. Vamos, Minerva. O que acha de fazermos uma aposta com relação aopróximo jogo da temporada? – perguntou a Profª Crouch sorrindo maliciosamentepara a vice-diretora. – Tenho fé em minha equipe, Servilia – afirmou McGonagall com um pigarro. –Estamos invictos! Mas não será por isso que irei apostar meu suado ordenado comvocê. 215
  • 216. Alvo não entendeu o porquê de Tiago não ter ficado uma fera com o presenteenviado a ele. Harry dissera na carta que sabia como conter a revolta do irmão, masisso não foi o suficiente para conter a curiosidade de Alvo. Depois do almoço Alvo, Rosa, Tiago, Luís e Ralf se dirigiram ao Pátio deTransfiguração onde se empenharam bastante em construir um boneco de neve. Nãofora um boneco como outro qualquer. Fora um boneco que poderia atingir a mesmaaltura que um trasgo montanhês. Não fora difícil empilhar as bolas de neveridiculamente grandes. Os cinco jovens usaram suas varinhas para colocar uma emcima da outra com precisão. A pior parte fora a construção do rosto do boneco deneve. A primeira idéia fora a prática da Azaração de Impedimento em um dos cincopara que esse chegasse ao mesmo nível que a menor bola de neve, uma vez quenenhum dos garotos fosse capaz de chegar a tal altitude. Luís perdera o jogo de azarproposto por Ralf. Um jogo nada complexo e com poucas regras, denominado‚Pedra, Papel e Tesoura‛. Alvo, Tiago, Rosa e Ralf tentaram fazer com que Luísatingisse a altura desejada, para que ele pudesse colocar os olhos de carvão e o narizde cenoura, mas os outros quatro não conseguiram manter o lufalufino de maneirainstável, o que provocou uma cambalhota e Luís suspenso pelos tornozelos no ar. – Socorro! Não me deixem cair! – gritava Luís abanando as mãos com raiva. Seurosto ficara muito vermelho e seu gorro caíra de sua cabeça. À medida que Alvo,Tiago, Rosa e Ralf riam sem parar os olhos de Luís se enchiam de lágrimas queescorriam por suas bochechas rosadas. – Coloque a cenoura – gritou Alvo para o primo. – É tão difícil assim? – Ora, se é tão fácil assim, prenda-a você mesmo! Alvo assentiu. Aproveitou a oportunidade para estrear sua vassoura nova. Elemontou na Thunderstorm e começou a dar voltas ao entorno do boneco de neve.Com uma risada cômica e um giro ainda mais gozador, Alvo tomou a cenoura damão de Luís e a pressionou contra a superfície fofa do rosto do boneco. – Da próxima vez você será o encarregado da cenoura, Al! – chiou Luís batendo aspernas pouco antes de tocar a superfície escorregadia do pátio. Os cinco enfim entraram no castelo enquanto o sol se punha no horizonte comuma brilhante cor branco pálida. Deixaram que as suas capas de neve, gorros festivose luvas fizessem seu rasto gotejante e escorregadio pelos corredores conforme ogrupo faladeiro se aproximava do Salão Principal para um chocolate quente e lanchenatalino. Alvo estava contente pela folga e pelo tempo passado em família.Propositadamente ele tinha evitado falar sobre a venda da Toca com os amigos. Eleainda não se conformava em nunca mais poder passar as férias na fazenda da famíliaWeasley ou dividir o quarto irregular com o irmão mais velho. Quando eles chegaram ao Salão Principal, Alvo pediu para um elfo enrugado etristonho que trouxesse as sobras do banquete preparado por Monstro e por Bowy. 216
  • 217. Quando os restos de seu café surgiram em pratos de ouro resplendentes, Alvo seperguntou como os elfos fizeram para conservar o calor da comida, pois parecia tersido feita na hora. – Poderíamos fazer isso mais vezes, não acham? – disse Luís por cima de seuchocolate quente com marshmallow. – É legal ter o castelo só nosso. Sem se preocuparcom Filch ou com os horários. É muito mais legal ficar aqui do que passar as fériastodas ouvindo Vitória falar do namorado e Dominique cantando as músicas d’ OsEstrondosos. – Acho que qualquer coisa é melhor que ficar embrulhando tudo na Toca – disseTiago sem muita animação. – Para onde a vovó Weasley vai depois da venda? – Lá para casa – afirmou Rosa. – Só por uns tempos. Ela está procurando umapartamento pequeno em Londres. Algum lugar próximo do Largo Grimmauld. – Está feito, não é? – perguntou Alvo melancólico. Os olhos baixos sobre o pratovazio. – Não tem mais volta. A Toca já não é mais nossa. – Temos de encarar os fatos – disse Rosa de maneira compenetrada e firme. – Nãodava para vovó morar lá. A granja, o celeiro, as hortaliças. Ela não é tão jovem parapoder cuidar de tudo. E também se sentiria muito sozinha. – Ora bolas! Ainda temos o vampiro – exclamou Alvo franzindo o cenhodesgostoso. – E ele ainda é bem parecido com o tio Rony. Poderíamos dar um dosquartos para ele, ao invés do sótão. – E quem vai ficar com aquilo? – perguntou Luís catando os marshmallows de seucopo. – Melhor que não acabe no Chalé das Conchas. – Claro que não, Luisinho – tranqüilizou Tiago lançando se malicioso sorriso.Todos já esperavam uma piada ou gozação. – Tio Rony e tia Hermione ofereceram oquarto de Rosa de bom grato. Eles não se incomodam de transferi-la para o quarto deHugo. Como Alvo disse, ele ainda é bem parecido com o tio Rony. Talvez seja maislegal que você, Rosinha. – Tiago Potter, não me provoque! Isso ainda é pouco para me tirar do sério. Alémdo mais, não há mais nada que caiba em nossa casa no Portal de Ferro. – Vocês se acostumam – disse Alvo pouco mais animado. – Se eu aturo Tiago atéhoje, logo, logo você e o vampiro estarão trocando maquiagens. Após o jantar de Natal, Alvo, Rosa, Tiago e Fred subiram a todo vapor até a Torreda Grifinória. Já era quase sete e cinqüenta da noite e Monstro havia dito que a Tocafaria ligação com o castelo aos oito em ponto. Os quatro jovens passaram pelo retratoda Mulher Gorda como balas, o que irritou o retrato da mulher e de sua amigaVioleta. Que bebiam alegremente e riam de qualquer coisa. 217
  • 218. Os quatro chegaram à frente da chaminé com folga. O fogo dançava na madeiracrepitante sozinho, sem nenhum sinal de nenhum membro da família Potter ou dafamília Weasley. – Está vendo, Rosinha. Estamos adiantados. Mal pude me servir de mais pudimpor sua pressa excessiva – resmungou Fred acariciando seu estômago magro. – Deixe de reclamar – retrucou Rosa encarando o primo mais velho. – Não é o fimdo mundo se você comeu quatro ou cinco pedaços de pudim. Não faz diferença.Você terá de entrar numa dieta de qualquer maneira. – Faz diferença para mim! E não reclame, mamãe! Não sei para onde vai, mas nadado que como se acumula. Não sou gordo! – Chii! Silêncio! – reclamou Alvo, os olhos fixos no fogo. – Olhem a chaminé. Olá,papai. Feliz Natal. – Feliz Natal para você também, Al – disse Harry, Seu rosto saltara de entre a brasacrepitante e o fogo caloroso. – Para você também. Tiago, Rosa, Fred. – Feliz Natal, pai – disse Tiago. – Feliz Natal, tio Harry – disseram Fred e Rosa juntos. – Como vão as coisas ai naToca. Espero que não tenha havido nenhuma explosão. – Fique tranqüila, Rosa. Nós sabemos nos comportar... Tudo está saindo melhor doque o planejado. Claro, volta e meia algo sai dos conformes, mas se não saíssem qualseria a graça? Gostaram dos presentes? Monstro trouxe tudo diretinho? Ficamos atéde madrugada enviando os pacotes. – Adorei o cachecol e o suéter – disse Alvo. – O Lembrol, o goleiro em miniatura...Os doces estavam fantásticos! A Thunderstorm... – Gostou mesmo? Espero que vocês cheguem pelo menos às finais. Nossoinvestimento em suas vitórias foi mais do que suficiente... E, espere, você comeutodos os doces?! – Comi – respondeu ingenuamente. – Mas não conte à mamãe. Ela não entendeque sou uma criança em fase de crescimento e preciso de mais do que legumes. Harry passou um bocado de tempo discutindo com os filhos e os sobrinhos comoestava à arrumação da Toca e colhendo informações sobre como permaneciaHogwarts. Geralmente a voz ao fundo de algum parente podia ser ouvida. O quegerava muitas risadas. – Lílian e Hugo queriam falar com vocês – disse Harry. – Eles estão lá em cimacom Andrômeda Tonks e Teddy. Eles fizeram a gentileza de virem para cá. É bomque eles estejam distraindo as crianças... Tá bom Gina, não vou deixar Lílian colocaro rosto no fogo. Esperem aí que a fila é grande para falar com vocês. O rosto de Harry deixou o braseiro. Em seu lugar, a face chorosa da tia Hermioneapareceu. Ela continha as lágrimas. 218
  • 219. – Rosinha! – exclamou ela. – Feliz Natal, filha! A vocês também Alvo, Tiago e Fred.Como está ai em Hogwarts. – Uma loucura, mas estamos nos virando bem – disse Tiago se aproximando dabrasa. – Você mais do que ninguém deveria saber que Hogwarts nunca estátranqüila. E depois das férias teremos a visita dos aurores... – É melhor que fique assim – cochichou ela. – Já estamos a par das situações ai emHogwarts. Mas fico feliz em saber que estão bem. – Nós somos duros na queda, tia Hermione. Ainda não existe bruxo que possadeter nosso sangue... – Só um momentinho... Jorge largue esses biscoitos! Já disse que não são seus. Oque? Não me interessa se Teddy está prestes a quebrar um recorde... Quantos ele jácomeu? O rosto de Hermione deixou a chaminé. No seu lugar apareceu o do tio Rony. – Saudações da casa dos desesperados. Como estão vivendo a vida cercados pordeveres de casa? – Olá, papai – disse Rosa enrubescendo. – Como vocês estão? – Dadas as circunstâncias atuais, estamos bem. Dentre os chiliques de Fleur ao verTeddy e Vitória juntos e as brincadeiras idiotas de Jorge, estamos bem. Pelo menosisso alegra as crianças. Hugo e Ted ficam brincando de explodir as caixas velhasenquanto Lúcia, Lílian e Rosana se distraem com Andrômeda. E você, Rosinha?Esses brutamontes irresponsáveis estão lhe tratando bem? E Alvo-Serpente? Comoestá a casa Sonserina? – Muito bem, obrigado – respondeu Alvo rapidamente. – Como estão os trabalhos ai? – quis saber Fred. – Já empacotaram tudo? – A grande maioria. Está sendo um Natal magnífico. Carlinhos é quem leva ascaixas para o jardim, enquanto fica tagarelando com Harry sobre os dragões daRomênia. Suas tias são as responsáveis por embrulhar tudo e nos forçar a revivernossas piores lembranças de infância... O que me lembra. Será que existe uma camasobrando em seu dormitório sonserino? Está difícil de respirar aqui. – Sim! – disse Alvo mais rápido ainda. – Pode vir pela Rede de Flu. Você fica nacama de Isaac, que é próxima a minha. Pode conhecer nosso dormitório e a casa demáquinas. – Você vai ficar bem onde está, Ronald Weasley! – exigiu a voz autoritária da tiaAudrey. – Caramba, Audrey. Não posso nem mais brincar? Perdeu a noção de uma piadadepois de tantas viagens com aqueles embaixadores chatos. Você é realmente o parperfeito de Percy... E não, Fleur. Não uso mais esse casaco. Pode se livrar disso. O rosto do tio Rony foi substituído pelo do tio Jorge. 219
  • 220. – Que bom que aquele chato do Rony foi embora... Como está ai, filhão? Prontopara arrasar os sonserinos no Quadribol? Sem ofensa, Alvo. Sabe como é, velharivalidade grifinória. – Não me importo. – Ok. Serei breve, pois Audrey e Fleur ainda farão ligação com o dormitório daCorvinal e da Lufa-Lufa. Gostaria apenas de desejar feliz Natal a vocês. Desfrutembem de meus presentes e se possível... Deixem Filch e sua escova de sapatos velhadoidos. Em breve estarei fornecendo novos produtos para nossa filial emHogsmeade. O jovem Lupin está encarregado dos carregamentos. Desfrutem denossos novos logros... Ah, filho, sua mãe manda lembranças. Ela quem estáconsolando mamãe. Foi duro para velha Molly desfazer a coleção de fechaduras e detomadas do papai. Ok, Gina, já estou indo... Já estou indo! Tchau, garotos! O rosto de Jorge sumiu por entre as chamas e outro rosto, um mais radiante doque o comum, com olhos severos e amáveis explodiu em chamas a mil por hora. Orosto de Gina explodira junto a algumas novas labaredas que fizeram o rosto de Alvoarder e corar ao mesmo tempo. – Olá garotos! Olá, Rosa! Feliz Natal! – disse Gina com um sorriso ainda maisradiante sobre a luz das chamas. – Oi, mamãe. O que está acontecendo agora ai na Toca? – perguntou Alvo, o rostoainda corado. – Parece estar havendo um tumulto. – Vocês têm sorte de estarem em Hogwarts – bufou Gina olhando por trás doombro. – Já era de se esperar que com tantos Weasley sob o mesmo teto algo fosseocorrer. Parece que Teddy está passando mal. Jorge o persuadira a quebrar umrecorde de comer biscoitos de chocolate. Mas acho que ele misturou alguma coisa amais. Algum produto das Gemialidades. – a voz de Andrômeda e da tia Angelinapuderam ser ouvidas. Elas gritavam com Ted e com Jorge, que não parava de rir. –Deixo essa nas mãos de Hermione. Mas fora isso está tudo bem. Gui e Rony estãoesvaziando os quartos e cuidando dos animais. Andrômeda e Teddy ficam com ascrianças, nós nos revezamos em consolar a mamãe e arrumar as coisas nas caixascorretas. Carlinhos e seu pai... Bem, eles cuidam das caixas. Seu pai tem sido ótimo.Muito útil e prestativo como nunca antes eu vira – Gina faz uma pausa. Sua imagemficou borrada por alguns instantes. – Somente as camas ainda estão montadas.Ficaremos aqui até o final das férias. Pouco antes de irmos, nós desmontaremos ascamas e juntaremos com o restante dos móveis. Como está sendo na Sonserina, Al?Eles estão lhe tratando mal? Tem se alimentado bem? E que história é essa de casa demáquinas? Quero você bem longe... – Mãe! – protestou Alvo. – A casa de máquinas não é nada de mais. Serve para memanter aquecido e protegido do frio provocado pelas águas do Lago Negro. E todosnós comemos no mesmo lugar. O Salão Principal. Qual é! Vocês acham que o 220
  • 221. dormitório da Sonserina é um castelo subterrâneo de horrores. Não temos um salãopara refeições particulares, caixões, câmaras de tortura ou fossos. – Acalme-se, Al – disse Tiago dando um empurrãozinho no irmão. – É. Sabemos que vocês não possuem um fosso – completou Fred. – Quietos, os dois! – chiou Rosa. – Tudo bem, Rosa. Obrigada – disse Gina serenamente. – Sabe que nunca estive oupretendo estar na sala comunal da Sonserina. Tenho arrepios das partes maissombrias das masmorras. Mas eles estão te tratando bem? – Mais é claro, mamãe – assentiu Alvo. – Os sonserinos só implicam com os carasdas outras casas. Gosto de estar lá. – E você, Tiago? – Estou bem – respondeu. – Recebi a carta que papai enviou por Matilda. Vocêssão espertos. – Foi tolice sua tentar nos ludibriar. Somos mais arguciosos que você. Seria muitaingenuidade se não notássemos algo como isso. Além do mais eu e seu pai fomostreinados a notar cada desarmonia em nosso lar. Seria patético o chefe do QuartelGeneral dos Aurores não perceber o que seu filho mais velho fez. E fique feliz por terrecebido uma carta e não um berrador. E agradeça ao Alvo também. Se ele nãotivesse ganhado a vassoura o estrago para seu lado teria sido muito maior. – Ok – disse Tiago desanimado. – Mas como souberam de cara que fui eu? Por quenão acharam que Monstro havia pegado, como fazia com as coisas da Srª Black paraprotegê-las de um destino terrível nas latas de lixo de Londres? – Porque Monstro não tem acesso ao escritório de seu pai sem ordens – respondeuGina com firmeza. – Ele diferente de alguém, cumpre as ordens que lhe são dadas semdesobedecer. – De certo ponto de vista. – Como quiser – retrucou Gina dando um basta no assunto. – Vovó deseja-lhes umFeliz Natal. Para os joelhos dela, se agachar enfrente a lareira é um convite paradores diárias. Cuidem-se, ouviram?! Rosa, conto com você para fazer com que essestrês andem na linha. Gostaria que inspecionasse suas comidas para ver se existealguma coisa saudável nelas. Estudem bastante. E não procurem mais confusões. – Mamãe, nós nunca procuramos confusões – disse Alvo dando de ombros. – Sãoas confusões que nos encontram. – Boa noite para vocês – sussurrou Gina. – Feliz Natal, e vão para suas camas, já étarde. – Tudo bem, mãe – disse Tiago. – É ninguém aqui gosta de dormir muito tarde mesmo – disse Fred com desdém. – Boa noite para você também, tia Gina. De um abraço em Lílian e em Hugo pormim – pediu Rosa. 221
  • 222. – Assim será feito. – Tchau, mãe – disse Alvo no instante em que o rosto de Gina sumia entre afumaça cinza escura do fogo. – É, estávamos certos quando quisemos ficar aqui. Alvose atirou contra uma poltrona aconchegante. Tiago, Rosa e Fred fizeram o mesmo. Ogato peludo de Sabrina fugiu rapidamente de perto de Fred e saltou no colo de Rosa. – O que acham que eles farão com as coisas do vovô? – perguntou Fred depois deencarar Peludinho. – Vocês sabem; as coleções de artefatos trouxas, as roupas, e oFord Anglia voador. Fred mencionara o velho carro que pertencera ao Vovô Weasley e que passara umaboa temporada escondido na Floresta Proibida. Há dezenove anos ele fora umagrande dor de cabeça para dois Comensais da Morte que não conseguiram controlá-lo e acabaram presos em seu porta-malas. O carro fora encontrado por um grupo deaurores que conseguiram domá-lo. Desde então ele fora limpo e estacionado em suaantiga habitação, a garagem d’ A Toca. Onde o Vovô Weasley gastava horas e horasfazendo reparos e manutenções. – Quem se importa? – acenou Tiago olhando para a brasa. – Só o vovô que seimportava com aquelas coisas. Agora que ele morreu são apenas cacarecos. – Tenho absoluta certeza de que ninguém ira jogá-los fora – disse Rosa convicta,levantando do sofá e se dirigindo as escadas que davam ao dormitório feminino. – Otio Harry não vai deixar que o façam. São as memórias do vovô. Acharam um meiode guardarem aquilo. Tiago olhou para Rosa, mas não encontrou palavras que descrevessem seussentimentos. Fred preferiu olhar para fora da torre, mas Alvo sabia exatamente o quedizer. – Eles acharam um lugar para a Toca? – disse ele irritado. – Preferiram vendê-la.Qualquer lugar que aceite as ferraduras será um bom lugar, ah? Qualquerdesmontadora ficará com o Ford voador. Grande solução... E Tiago, – seus olhosdeixaram Rosa e fixaram em Tiago, analisando-o. – o que a mamãe quis dizer com‚... não perceber o que seu filho mais velho fez”? O que estava escrito naquela carta queMatilda trouxe? – Não é da sua conta, Alvo-fofoqueiro – disse Tiago ajeitando seus odiáveis óculos.– Algo que fiz, mas que mamãe e papai já me perdoaram. – E o que ela quis dizer com ‚Agradeça ao Alvo.”? – insistiu. – Já disse que não é da sua conta. – repetiu Tiago, desta vez mais seriamente. – Vou lá para baixo – resmungou Alvo. – Vejo vocês amanhã. Ele se despediu dos parentes e seguiu em silêncio até as masmorras. Sua cabeçalatejava a cada pesado passo que dava conforme descia as escadas. E suadesconfiança com relação a Tiago cada vez mais aumentava. 222
  • 223. Capítulo Doze As Investigações de Rosa A lvo estava aproveitando bastante suas férias, sozinho em Hogwarts. Depois da discussão com Tiago na sala comunal da Grifinória, os dois irmãos se falaram menos do que antes do dia de Natal. Alvopassou a maior parte de seu tempo na neve com seus amigos sonserinos. Eledescobriu bastante sobre Sara Aubrey e Carter Danforth. O melhor amigo de Ralf eraum garoto obcecado por coleções. Ele colecionava tudo o que se podia imaginar.Desde figurinhas dos Sapos de Chocolate até rótulos antigos de cerveja amanteigada.Quando Ralf e Carter levaram Alvo e Lucas para jogar Snap Explosivo com as cartasde Carter – ele era o maior possuidor de figurinhas da Sonserina – Alvo podeconhecer a coleção de pedras do garoto. Uma fila de pedregulhos de todas as formase tamanhos estavam expostas no entorno de sua cama e em seu criado mudo. Alvogostou mais da coleção de fotos de Feitiços do Patrono do que das pedras bempolidas. Mesmo que Carter tivesse gostado da idéia de mostrar como ele limpava epolia suas pedras, Alvo ficou mais interessado em ver as fotos dos animaisprateados. Ele procurou por algum Patrono parecido com o que ele vira em seusonho. Mas o mais parecido com o morcego fora um pavão real. Sara Aubrey era uma garota recatada que gostava de ficar lendo seus livros dehistórias ou medicinais em um canto, sem ser interrompida. A garota sabia qualquercoisa sobre medicina bruxa, e arriscava alguns métodos trouxas. Alvo imaginou queSara não havia sido selecionada para a Sonserina por causa de sua fascinação porpureza de sangue ou por detestar os nascidos-trouxas, mas sim por sua sede degrandeza. Sua bisavó era nascida-trouxa, seu avô Bertram sonserino e seu pai, LepusAubrey fora selecionado para a Corvinal porque pedira insistentemente para oChapéu Seletor. Ele tinha vergonha da Sonserina e temia que fosse mal visto por seusamigos caso seguisse o caminho da casa da cobra. Já Sara acabou aceitando de bomgrato a casa. E fora bem acolhida pelos sonserinos, embora a garota preferisse passara maior parte de seu tempo estudando sobre medicina junto à Madame Pomfrey. Por mais que Alvo desejasse ficar brincando na neve pelo resto do ano, com opassar do tempo e com o fim do ano, a temperatura começou a esquentar e os alunoscomeçavam a voltar para o castelo... Para um Potter, o tempo pode ser o melhor amigo ou o pior inimigo. Quando umdeles está em uma situação tensa ou perigosa, o tempo os ajuda dando reflexosrápidos e segundos precisos para salvarem suas vidas e de seus amigos. Mas quandoeles estão próximos a uma data indesejada, o tempo parece fazer o máximo para essachegar o mais depressa possível. E com Alvo não foi diferente. Quanto mais elerezava para a volta às aulas demorarem a chegar, mais essas se aproximavam. 223
  • 224. Escórpio voltou a Hogwarts junto com a maioria dos estudantes que aindaestavam em suas casas. As carruagens puxadas pelos testrálios chegaram aoanoitecer de sábado. Ele, junto de um numeroso grupo de primeiranistas, chegouensopado de neve derretida no vestíbulo do Salão Principal. Poças d’{gua seformavam ao redor dos alunos que não poupavam tempo para por o assunto em diacom seus amigos. Escórpio ficara em um canto calado. O único que estava disposto afalar com ele era Agamenon, mas ele estava muito ocupado junto de outros Malignosque chagavam das carruagens. Quando Alvo, seguido de Rosa, encontrou o amigo em um canto, ele saltou paraperto de Escórpio, agarrando a manga molhada do grifinório, lançando um saudososorriso à Malfoy. – Como foi o Natal? – perguntou Rosa interessada. – Nada muito especial. – Aposto como foi melhor que o nosso – disse o risonho Alvo ajudando Escórpiocom as malas. Arrastando-as para dentro do Salão Principal. Escórpio contou para Alvo e Rosa como fora seu Natal na Mansão Malfoy.Segundo os relatos de Escórpio, ele não fizera muito além de escrever para osamigos, ler livros de aventuras e andar pela mansão, sozinho, apenas tendo seu elfodoméstico lhe perguntando de minuto a minuto o que ele queria. – Mas e seus pais? – indagou Rosa. Escórpio revirou os olhos. Segundo ele, seu pai, Draco, mal ficara em casa noferiado. A maior parte do tempo o Sr Malfoy tivera de ficar trabalhando noGringotes após um chamado urgente do duende chefe. Não era nada muitodesafiador, que Draco não pudesse resolver em alguns dias, mas o homem não eramuito festivo e preferia trabalhar a ter de forçar um sorriso falso para os convidadosde sua esposa e de sua mãe. A Srª Malfoy reunira alguns amigos para passar atemporada festiva em sua mansão. Escórpio relatara que nenhum dos filhos dosamigos de Astoria eram pessoas agradáveis. O menos idiota fora um menino de oitoanos que forçara Beredy, a elfa doméstica dos Malfoy, a quebrar um porta-retratosvelho e consertá-lo várias vezes. Ao fim da noite a elfo mal conseguia dizer ‚Sim,meu amo.‛ – Um bando de ricos esnobes. Mesmo que eu já tenha sido um... – completouEscórpio. – Mas vendo-os assim, parecem muito mais antipáticos. O banquete de volta ás aulas foi bastante farto. Depois de uma maravilhosa ceia deNatal na companhia dos professores, as quatro mesas das casas voltaram a suashabituais localidades. Alvo se despediu de Rosa e Escórpio e seguiu para a mesa daSonserina, onde seus amigos Perseu e Isaac já discutiam com Lucas sobre as fériasfora do castelo. 224
  • 225. A maior parte do tempo entre o banquete e o discurso da Profª Crouch forapreenchido por Isaac, que relatara com precisão como fora suas férias nos EstadosUnidos com seus tios. Ele contou que o marido de sua tia Mafalda havia o levadopara conhecer sua sala no ministério americano. Ele ensinou Isaac como jogarTrancabola, uma modalidade esportiva similar ao Quadribol, onde os jogadoresdeveriam levar uma goles modificada até a superfície de um caldeirão antes de essaexplodir. Isaac mostrou o distintivo de um dos times de Trancabola mais famososdos Estados Unidos, os Cadentes de Manhattan. – Eles até tem uns times de Quadribol – disse Isaac aos sussurros ao perceber amovimentação da diretora na mesa dos professores. – Tio Arnaldo me levou para verum jogo, mas foi horrível! Deixamos o estádio depois de dez horas de jogo. Claro, ogosto de tio Arnaldo por Quadribol nunca foi dos melhores. Ele escolheu o pior timeamericano para torcer. Seria como os Chudley Cannon, porém com sotaque. Quando a Profª Crouch se ergueu de sua mesa, os múrmuros e conversas cessaramem segundos. O Salão Principal mergulhou em um mórbido silêncio. Cortado apenaspelo soar do vento e das gotas d’{gua chocando-se contra as janelas. – Aqui estamos de volta – disse a Profª Crouch de uma maneira forçada, a diretoraparecia exausta. – As férias se foram com tamanha rapidez. Agora espero que seusouvidos estejam aguçados e dispostos a captarem todas as informações ditas pelosprofessores. Essa é a reta final. Pararemos somente para as férias de Páscoa, masespero que vocês permaneçam atentos aos estudos para os exames... ‚Infelizmente meu discurso não estar{ focado apenas |s novidades implantadas naescola para essa nova etapa. Como vocês devem saber, nossa escola foi vítima deuma invasão e acredito que todos aqui tenham o direito de saber exatamente o queaconteceu pouco antes das férias de Natal. Nós professores, e os funcionários doMinistério; tentáramos impedir que vocês tomassem conhecimento dos reaisacontecimentos que atormentaram nossas cabeças. Fui aconselhada pelo Ministro daMagia a não revelar-lhes as informações mais confidenciais. É difícil discriminar oque deve ser dividido e o que deve ser mantido em segredo. Pois bem... Crouch respirou fundo encarando todos os estudantes. Esses olhavam atentamentea professora, suas orelhas ansiosas para receberem novas informações. Os olhos malpiscavam, todos recaídos sobre a diretora nada confortada em sua posição comomediadora entre o Ministério e os alunos. – Um bruxo, associado às artes das trevas, tramou uma invasão em nosso colégio.Malcolm Baddock era funcionário do Ministério da Magia, mas acabou se aliando aforças negras e fora corrompido por pensamentos tenebrosos. Baddock burlounossas leis da magia e por meio de uma série de assassinatos ocupou uma vaga comoprofessor de Artes dos Trouxas. Durante sua estadia em Hogwarts, Baddock supriu-se com uma grande leva de Poção Polissuco, cujos ingredientes foram roubados de 225
  • 226. nossa despensa. Durante todo esse tempo, Malcolm Baddock se passou por EpibalsaMcNaught, bruxo de extremas qualificações que acabara morto nas mãos desseassassino. Não sabemos quais eram as reais intenções de Baddock, pois caso elequisesse tão arduamente se tornar professor, creio que uma simples entrevista deemprego bastasse – uma leva de risadas tomou o salão, mas fora rapidamenteextinta. – Tia Mafalda comentou sobre o caso – sussurrou Isaac ao pé da orelha de Alvo. –Ela e tio Arnaldo foram colegas do tal Baddock. Disseram que ele era apenas umgaroto ranzinza, mas sem idéias conquistadoras e assassinas na mente, o que eracomum naqueles dias. Eles disseram que Baddock estava na Sonserina somenteporque detestava sangues-sujos. Segundo meus tios, este Baddock fora corrompidocom pensamentos negros com o passar do tempo. – Bem, visto que nosso professor de Artes dos Trouxas era nada menos que umafraude, sou obrigada a informar-lhes que todas as classes de Artes dos Trouxasforam canceladas. Aqueles estudantes inscritos nessa aula estão isentos de prestarexames finais sobre a didática. Espero que no ano que vem possamos retomar nossasatividades com relação a essa didática, mas por hora... ‚Também devo informar-lhes que atendendo aos pedidos dos pais e de membrosministeriais teremos alguns patrulheiros Aurores rondando por nossas terras paragarantir a segurança de todos os presentes.‛ ‚Mais uma coisa, antes que sigam para seus dormitórios. Uma nova didática seráimplantada em nossos horários. Esta seria propagada nos tempos livres de cada ano,mas com o fim das aulas de Artes dos Trouxas, digamos que os horários ficarammais... flexíveis.‛ ‚H{ muitos anos, Hogwarts abrigou a did{tica de Aula das Corujas. Nosso únicoprofessor fora o senhor Santor Patrick Dagh, que lecionou a didática durante vinteanos. Em 1799, a então Ministra da Magia, Srtª Artemisa Lufkin, proibiu o estudoapós ocorrentes denúncias de ataques de corujas a cidadãos trouxas de todo o país.Segundo a ministra, a aula estava ensinando aos alunos como atiçar as aves contrapessoas trouxas.‛ ‚Hoje, o Ministro da Magia, liberou a reposição da did{tica em nossos hor{rios deestudos. Por favor, assim que voltarem a seus dormitórios; peço para que osinteressados se alistem na nova matéria. Para isso, necessitaremos de um professorcapaz, que possa ensinar-los como cuidar de suas corujas sem provocar ataques atrouxas. Por favor, aplaudam o Prof Artabano Monomon, que aceitou a vaga comoprofessor de Aula das Corujas.‛ O homem que Alvo havia visto no gabinete da Profª Crouch antes do Natal seergueu. Seus olhos negros de corvo estudavam os aplausos recebidos com muito 226
  • 227. prazer. Enquanto ajeitava os longos cabelos castanhos, o Prof Monomon lançou atodos seu sorriso maroto. Mostrando ser um bom rapaz. Depois da apresentação do Prof Monomon o tempo pareceu pregar uma peça nadasimpática em Alvo. Em um instante o garoto estava conversando com seus amigosdescontraidamente sob a luz das velas do Salão Principal, no instante seguinte ele jádescia as escadas que levavam às masmorras morrendo de sono, sendo forçado acobrir a boca com uma das mãos para não mostrar seus bocejos. Em outro instanteele já estava de pijama envolto pelas mantas macias de sua cama. Alvo mal tevetempo de aproveitar seu sono, pois o tempo não estava satisfeito em roubar seuprazer. Para ele, Alvo, o sono não durara mais que dez minutos, pois em questão deinstante já era acordado por Isaac chamando-o para o café. Alvo pensou estar sendomanipulado como um brinquedo, tendo o tempo como manipulador e gozando depoder decidir o rumo e a intensidade dos fatos. Em um momento Alvo já se viatrinando para o jogo contra a Grifinória. Jogo decisivo que Erico fazia questão de semostrar impecável. A derrota para a Corvinal parecia ter-lo o feito pirar de vez, masas férias o proporcionaram um tempo maior para armar novas estratégias. QuandoAlvo já estava satisfeito com o tempo acreditando que ele já havia terminado debrincar, foi surpreendido. Pois quando Alvo deu-se por si, já era quarta-feira e elecochichava com Lívio e Ísis durante a aula do Prof Binns. Já se passava uma semana do fim das férias e Alvo já estava exausto. A quantidadede deveres de casa exigidos pelos professores parecia multiplicar a cada dia. Com aaproximação dos exames, os professores determinavam o máximo de compromisso eatenção de cada um dos alunos. Em cada matéria Alvo se mostrava distinto. Em Defesa contra as Artes das Trevase Feitiços, Alvo era um dos melhores alunos. Os professores Silvano e Flitwick malperdiam seu tempo explicando-lhe como deveriam ser executados os feitiços a seremaprendidos. Junto de Alvo, Rosa e Escórpio se mostravam igualmente capacitados aazarar ou se defender de qualquer inimigo. Em Transfiguração e Poções, Alvo nãoera um dos piores alunos, mas também não era dos melhores. Em Poções não haviaestudante que superasse Agamenon. A maioria das aulas, o Prof Slughorn pedia queo jovem grifinório o ajudasse a inspecionar os alunos. Em Transfiguração eram Lucase Rosa que comandavam as aulas. Mesmo tendo algumas dificuldades natransfiguração de frutas, Lucas se mostrou muito hábil em transformar alimentos emanimais ou vice versa. As demais didáticas Alvo levava com um pé nas costas.Exceto História da Magia, mas para essa, Alvo poderia contar com a ajuda dasrespostas gravadas nas carteiras da sala de aula. Na outra segunda-feira, após o regresso dos demais alunos à Hogwarts, a Aula deCorujas ainda não havia sido encaixada nos horários dos alunos de Hogwarts. Por 227
  • 228. ela ser opcional em seu primeiro semestre na escola; muitos alunos relutavam aindaem se alistar as aulas do Prof Monomon. Alvo ainda não decidira se participaria ounão da didática, não tinha absoluta certeza do que esperar da aula. Gostaria de saberqual era a melhor maneira de cuidar de Artie, mas tinha receio de mergulhar em umglobo entediante quando as aulas avançassem para a parte teórica. Cuidar de umacoruja talvez fosse divertido, mas descrever em menos de cinco minutos todos osmembros do intestino delgado da mesma seria muito chato. No fim do café uma discussão rondou o pequeno grupo de quatro amigos que sedistanciavam de suas respectivas mesas. Alvo e Agamenon começaram com umaconversa sobre as passagens secretas de Hogwarts. Como membro oficial dosMalignos, Agamenon já havia utilizado quase todas as entradas e saídas secretasdesobstruídas da escola, exceto uma. O minúsculo túnel subterrâneo que dava àCasa dos Gritos. Construção a muito amaldiçoada pelos habitantes de Hogsmeade,que alegavam ouvir vários gritos uivos e barulhos de objetos sendo destruídosdurante a noite. Nenhum Maligno até hoje havia um motivo demasiadamenteconcreto para se arriscar de tal forma, pois além de estar violando algumas regras deHogwarts, o estudante também deveria arriscar sua integridade ao opor-se à imensaárvore que era o Salgueiro Lutador. Foram Ted Lupin, Ethan Humberstone e SabrinaHildegard os únicos Malignos que tentaram atravessar a passagem. No segundo anode Ted (o primeiro de Ethan e Sabrina), os jovens queriam desvendar o mistério dapassagem e se aventurar pelo povoado de Hogsmeade, pois ainda não tinhampermissão para fazê-lo. No final das contas Ted havia sido locauteado por algunsramos do Salgueiro, enquanto Sabrina e Ethan tiveram cortes superficiais no rosto enos braços, mas nada que estragasse a diversão e o prazer dos garotos. – Então o faremos agora – disse Alvo a Escórpio, Agamenon e Lívio, já articulandocomo chegar ao túnel. – Segundo o relatado por Sabrina e Ethan, existe um nó específico que, caso sejatocado por qualquer objeto, transforma o Salgueiro Lutador em um mero ArbustoDócil, capaz de deixar que qualquer um usufrua de sua passagem. – contouAgamenon, quando os quatro deixaram o vestíbulo do Salão Principal. – Mas Lívionão deveria estar em alguma aula junto da Lufa-Lufa? Lívio remexeu por entre suas vestes e retirou um novíssimo e pequeno bloco denotas encadernado com couro de seu bolso. Fora o presente que seu velho e doenteavô lhe dera de Natal. Um presente simples, mas útil que impedia Lívio de ter decarregar uma quantidade extra de rolos de pergaminhos. Eu deveria estar na aula de Feitiços. Mas como ela é opcional para mim, e vocês parecemtão dispostos a mergulharem nessa arriscada brincadeira junto ao Salgueiro Lutador... Nadacomo me enturmar um pouco mais. 228
  • 229. Realmente Lívio havia conquistado muitos mais amigos com o passar do tempo.Nenhum membro de sua casa continuara a caçoar de sua mudez. Em sua grandemaioria, os corvinalinos o respeitavam e o tratavam como um igual. Somenteprecisavam de certa paciência quando estabeleciam um diálogo com Lívio. Seusmelhores amigos consistiam em Kevin Marsten e José Goldstein. Um, assim comoLívio começava a se acostumar com o fato de estar em um mundo onde você podelevitar alguns objetos e alterar a forma de outros. E José servia como um mediadordos dois ao mundo da magia. O que era muito benéfico, ainda mais quando senecessitava passar pelo retrato da {guia detentora da ‚chave” para acessar a salacomunal da Corvinal. A presença de Lívio nas aulas de Defesa contra as Artes dasTrevas e Feitiços, também contribuía para sua integração com os demais alunos.Algumas garotas até arriscavam alguns suspiros encantados quando Lívio conseguiaexecutar um feitiço não-verbal na primeira tentativa. Isso mostrava que as aulasnoturnas com Flitwick e Silvano estavam dando bons resultados. Os quatro deixaram o castelo em poucos minutos. Passaram rapidamente pelacabana de Hagrid que estava completamente apagada. A grossa porta de madeiraoca fortemente trancada, todas as cortinhas arriadas sem deixar nenhum filete do solfrio da manhã entrar e sem nenhuma fumaça serpenteando para fora da chaminé.Alvo acreditou que Hagrid estava com algum grupo de alunos explorando a FlorestaProibida. No caminho em direção ao Salgueiro Lutador, Alvo, Escórpio, Agamenon e Líviotambém se depararam com Ethan Humberstone encostado sobre uma árvore comvários diagramas e pergaminhos espalhados desorganizadamente por seus pés. Aolado de Ethan, uma garota de cabelos escuros com mechas cor rosa choque estavarecostada sobre o ombro do lufalufino. Ela também fazia mapas estelares ediagramas cósmicos apoiando um grosso livro de Adivinhação sobre o colo. Seusolhos eram chamativos com uma tonalidade verde incomum, o nariz era levementearrebitado e as unhas dos dedos eram pintadas com diferentes tonalidades de roxo. – Laura Fawcett – sussurrou Agamenon ao ouvido de Alvo com se soubesse queele a olhava. – Também faz parte dos Malignos. Digamos somente que, desde o iníciodo mês passado, ela e Ethan estão andando cada vez mais juntos... Se você me entende. – Ei, garotos! – gritou Ethan ao notar a presença dos quatro primeiranistas. – O quefazem aqui? Não deveriam estar estudando? – Ethan parecia levemente irritado coma presença dos garotos, mas como era muito educado conseguiu ocultar seus reaissentimentos. – Temos o tempo vago – adiantou-se Alvo. – Nossos horários ainda não estãocompletos. A Aula das Corujas só começa a valer semana que vem. E você, nãodeveria estar estudando? 229
  • 230. – E o que acha que estou fazendo? – gritou Ethan em tom de ofendido. – Eu eLaura temos uma leva de deveres de Adivinhação para depois de amanhã. É maisdifícil do que parece calcular todos os alinhamentos planetários deste ano. – Vocês primeiranistas tem sorte! – afirmou Fawcett virando a página de seu livrode Adivinhação. – Quando chegar ao terceiro ano e começarem a ter aulas com aTrelawney é que vão ver como Adivinhação é algo muito chato. E se preparem paraouvirem predições sobre sua morte a cada aula... Semana passada Amélia Panoniafoi sentenciada a morrer ao ingerir um cálice de uísque de fogo quando completarvinte anos. Ela ficou arrasada. Chorou o dia todo e só ficou tranqüila quando a ProfªMcGonagall disse que todo ano alguém é sentenciado pela Coruja Velha – elarevirou os olhos para Ethan, que ria. – No terceiro ano, Trelawney me disse que eu morreria aqui em Hogwarts,sentenciado pelo passado dos mais próximos. Não sei o que significa, mas início eufiquei muito mal, mas logo mudei de idéia quando ela disse que Erminio Dingle seriaasfixiado por bombas de bosta – Ethan con