EU VOU FICAR AQUI - DERALDO CAMPOS PORTELA

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Autor: Deraldo Campos Portela
Instituição: Independente
Livro de memórias publicado por Doutor Deraldo Campos Portela, neste ano de 2012. A publicação trás lembranças de diversos momentos vivenciados pelo autor. Através dos textos escritos na obra, Doutor Deraldo relembra fases importantes de sua vida. Entre elas, a sua formatura, o internato e o exercício do cargo de prefeito de Irará na década de 1960. O livro também possui alguns poemas de autoria de Doutor Deraldo.

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EU VOU FICAR AQUI - DERALDO CAMPOS PORTELA

  1. 1. Eu Vou Ficar Aqui Deraldo Campos Portela 2012 Editor Associado: Rafael Barreto Irará - Bahia
  2. 2. Angélica Martins Clício José Dilma Leão Diógenes Barbosa João Martins Kau Santana Roberto de Jesus Zé Armando Colaboradores:
  3. 3. Para Carlos Salvador Monteiro Mestre em Artes Gráficas Editor de Alumbramentos
  4. 4. muitos cometem versos em sua juventude outros acham que podem fazer prosa alguns se tornam reincidentes poucos se arrependem todos devem ser perdoados 01
  5. 5. meus versos são meus e do meu amor e dos meus amigos e do mundo inteiro tu se não gostares não fiques zangado são versos apenas que uma vez gerados tive que dizer não pretendem nada não sabem o que são mas eu gosto deles e hei de ama-los mesmo quando todos digam que não têm valor pois são versos meus e do meu amor 03
  6. 6. Estão ficando cada vez mais distantes as eleições diretas para governador no Brasil. Menos nesta Bahia de tantos mistérios e privilégios onde a 15 de março deste ano elegemos o nosso governo. ARENA, MDB e as outras correntes, surpreendemo-nos unidos em uma verdadeira coligação popular. Todas as mãos foram ávidas para a urna que recebeu o candidato único: Cosme de Farias. Assim como ele fazia com a gente, a gente fez com ele: arrebatamos o homem das mãos das autoridades. Elevado sobre nossas cabeças no Terreiro de Jesus, aclamado com gritos e palmas, risos e lágrimas, preces e exclamações, ao som do Hino Nacional, foi proclamado governador. São Pedro, São Domingos e São Francisco tocavam seus sinos. Carregado por braços negros, brancos, caboclos e de outras tonalidades, o Major passou mais uma vez pelo coração da cidade. Passou pela catedral onde o Arcebispo sagrou-o com água sobre a fronte. Passou pela Praça da Sé buscando a Misericórdia que o acolheu como velho conhecido. Ele andava sempre pelos caminhos da misericórdia. A igreja cantou louvores do alto de sua torre e o velho Fórum fechou a cara para não chorar de emoção. Na Praça Municipal as bandeiras estavam no alto dos mastros. A Prefeitura sorriu orgulhosa e cúmplice. Aquela consagração tinha sido um pouco conquistada do alto dos seus degraus. ALadeira da Praça cantou o Hino ao Dois de Julho. Na Baixa dos Sapateiros apareceu um anjinho perdido no seu berço branco e no anoitecer. Naquela hora já deviam estar fechadas as portas da casa onde dormem os anjinhos seu Morte e Vida de um Governador 1972 05
  7. 7. derradeiro sono. “Vem cá meu anjo, - disse o Major – eu também vou para lá. Na morada dos anjos hoje me esperam de portas abertas.Tu entras comigo.” Por onde passava o Major ia fechando o comércio. Mas as Sete Portas se abriram para quem procurou perdoar setenta vezes sete. Na Estação Rodoviária o guarda conservou o sinal vermelho. Imóvel e silencioso no seu posto ele dava sinal de emoção. Os motoristas de táxi, de pé junto aos seus carros dispostos lado à lado, faróis acesos, iluminaram a passagem. Por todas as ruas da Bahia, na boca, no pensamento e no coração do povo, o Major foi passando. A Baixa de Quintas estava preta de gente e a ladeira branca de lenços agitados. Ele foi subindo. No alto a grande mansão o esperava. Ao chegar passou em revista uma tropa da Polícia Militar e foi saudado com clarins. Dentro e fora dos vastos portões, mais vasto era o povo que não se continha. Outra vez com grande clamor, lenços e camisas como bandeiras desfraldadas, foi conduzido para sua nova residência. Não quis ocupar os aposentos superiores. Para ficar mais perto da gente, acomodou-se no seio da BoaTerra. No seu primeiro decreto, extinguiu o analfabetismo. Da exposição de motivos constou que a instrução é um caminho para a verdade e só a verdade liberta definitivamente o homem. Foi um governador muito popular e muito forte. O pai dele é ainda mais forte e popular. É aquele que de modo semelhante foi por nós coroado rei, levado em passeata pelo coração da cidade, conduzido para o alto de uma colina, erguido sobre a multidão de nossas cabeças, semeado no chão. E já no terceiro dia vimos o esplendor e a força do seu governo. Cosme costumava chama-lo Senhor do Bomfim. Outros por aqui o chamam Oxalá. E ainda outros,Amor. 07
  8. 8. gostaria de ser engraxate pra limpar os sapatos bem limpos dos filhos de Deus gostaria de ser alfaiate pra cuidar de vestir bem vestidos os filhos de Deus gostaria de ser sanfoneiro pra tocar dia e noite nas festas dos filhos de Deus gostaria de ser um carteiro pra gritar pelas casas “correio!” aos filhos de Deus gostaria de ser um marido pra encher uma casa espaçosa de filhos de Deus gostaria de ser um doutor pra curar das doenças ligeiro os filhos de Deus gostaria de ser sacerdote pra fazer todo mundo lembrado que é filho de Deus VOCAÇÃO 09
  9. 9. Alfredo da Luz Apresentação do livro escrito por Nádia Santos Esta é a história de um homem que sabia sorrir com pouco dinheiro no bolso. Onde se vê que a tristeza pode virar alegria como uma noite escura pode se transformar num dia luminoso. Andava ligeiro. Parece que tinha pressa de viver, ciente de que não ia durar muito tempo. Alfredo Bispo dos Santos, conhecido como Alfredo da Luz por ser eletricista, iluminava a cidade com seu jeito de ser. Gostava de música. Tocava percussão na filarmônica e construiu um pequeno trio elétrico que levou grandes fuzarcas para as ruas. De herança deixou para os filhos a tarefa de continuar alegrando a gente. Um deles é sax tenor, outro é sax alto, tem também um trompete, um baixo si bemol, um baixo eletrônico e uma filha que gosta de escrever, a autora deste livro. Alfredo gastou o coração gostando das coisas e das pessoas. Vai ver foi por isso que morreu de coração. De tanto gostar da vida. 11
  10. 10. se eu morresse aqui na pensão queria um discurso de Jorge Montalvão tocassem depois meu disco que eu daria em breve testamento a Amauri ou Sarmento Luiz Rabelo podia arranjar quem dialogasse com ele uns salmos bem tristes com velas acesas e voz apagada no meio da noite quando os bondes deixassem de passar que mãe olhasse uma estrela na varanda lá de casa sentada com seu terço e pensasse que tudo estava bem ÚLTIMOS DESEJOS 1951 13 Quero também um canto de Incelência para abrir meu caminho nessa viagem. (1997)
  11. 11. e sorrisse de mansinho uma estrela qualquer lá no cemitério se houvesse de alguém jogar a pá de terra a primeira na tampa do caixão pois que jogasse ela a menina do laboratório mas só se não ficasse triste com o barulho que a terra ia fazer meu corpo à terra que é boa mas Deus é muito mais perdoa minha alma a Deus pois e a todos que ficassem flores lírios do campo para olhar de vez em quando 15
  12. 12. 17 Alcoólicos Anônimos Venho mais uma vez a uma reunião de Alcoólicos Anônimos. Da primeira vez senti vontade de chorar. As pessoas contando uma vida de sofrimentos, dizendo coisas assim: “Minha mulher e meus filhos perderam o respeito por mim, meus amigos se afastaram, todos procuravam me evitar.” Essas pessoas reconheciam que a origem desses males era a bebida. Queriam parar de beber e não conseguiam. Um dia porém ouviram falar de Alcoólicos Anônimos, compareceram a uma reunião e decidiram fazer a experiência. Pouco a pouco, caindo e levantando, as melhoras foram aparecendo. Os amigos foram se aproximando, a família voltou a trata-los com respeito e carinho, a autoconfiança reapareceu. Foi uma alegria profunda como se ganhassem a liberdade depois de muito tempo de prisão. Isso acontece aqui e em muitas outras salas de AA no mundo inteiro. Como médico tenho atendido a pessoas que procuram um remédio contra o álcool e tenho dito que não conheço outro remédio ou tratamento tão eficaz como o convívio comAlcoólicosAnônimos. É um remédio que não custa dinheiro, onde o médico é o próprio doente que com seu esforço, a invocação de um Poder Superior e a solidariedade dos companheiros, alcança o domínio sobre uma tendência perigosa. A maior parte das pessoas bebem quando querem e podem parar de beber quando percebem que chegou a hora. Mas há pessoas que não podem fazer isso. Quando começam a beber não sabem como parar. Não são viciados, são doentes e é para essas pessoas que se formaram as fraternidades dos Alcoólicos Anônimos. Sei bem que quase todos aqui sabem tudo isso, mas não faz mal repetir. Repetir uma verdade é uma das formas de faze-la entrar em nosso coração. Quanto a mim, venho para trazer um voto de confiança, encontrar amigos e renovar a minha reserva de esperanças.
  13. 13. meu sangue é morno não matarei ninguém meu sangue é morno ninguém me matará eu sou sozinho não sei amar existe algum caminho que seja o meu caminho? qualquer caminho é um caminho pois todos os caminhos são do Senhor em todos ele está ou para ser pisado ou para ser amado companheiro se uma mulher andar comigo e em nosso amor na alegria e na luz em nosso amor no medo e na esperança em nosso amor no sangue e na agonia e em nosso amor amar comigo a vida as coisas as pessoas buscar comigo a Fonte do Amor então eu serei único insubstituível serei amado assim como eu a amo irremediavelmente se não serei como um irmãozinho de todo mundo ou como um vagabundo MONÓLOGO DE FORMATURA - 1953 19
  14. 14. Dr. Francisco Isoldi
  15. 15. Internato – 1955 Depois da colação de grau não tive forças para me instalar no interior, longe dos mestres, dos colegas, dos cursos de aperfeiçoamento, e da possibilidade de contar com o recurso dos exames complementares. Após uma tentativa pouco satisfatória, um caminho de repente se abriu como um presente caído do céu. Fui aceito para fazer o Internato no Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. Lá encontrei a complementação profissional que me faltava e a amizade de um grupo de colegas que me acolheram como um membro da família, eu que era o único diplomado por uma faculdade diferente. Para Sônia, Cecchi, Isoldi, Laurival, Liogi, Mandia e Pessanha escrevi umas quadrinhas, misturando verdades e bobagens que não guardei na memória. Ao receber o título de Médico Interno disse também algumas palavras de agradecimento e de louvor à Escola, palavras que também se perderam. Agora quando faço este livrinho de retalhos não quero deixar de me referir ao Internato, uma experiência muito rica e agradável, externando mais uma vez contentamento e gratidão por esse episódio tão valioso e marcante da minha formação médica. Das quadrinhas mencionadas, lembro estas duas: Irará é minha terra São Paulo é grande lição Irará está no mapa São Paulo no coração eu vim de lá do norte eu vim lá da Bahia vim aprender medicina vim ensinar geografia 21
  16. 16. eu vim de São Paulo esta terra da gente saltei na Bahia eu sou como um peixe eu sou como um peixe que salta no rio que salta no rio que nuvem tão branca que mar bem pintado em céu tão azul de praia de renda que azul tão puro que palmas que abanam tão puro e tão doce milhares de brisas no berço do dia que verde que brilho tão puro e magoado que branco que anil com o sol no poente eu sou como um peixe que terra tão clara que salta no rio BAHIA - 1956 Quando voltei do internato vim pelo Rio São Francisco. Tomei o trem em São Paulo, passei por Belo Horizonte e fui até Pirapora esperar o vapor. Em Pirapora me hospedei com a família de comadre Esmeralda, a zeladora da Casa dos Médicos Internos que ficava na Rua Pedro de Toledo. Embarquei no vapor São Francisco que lentamente foi descendo o rio, passando por Januaria, Bom Jesus da Lapa e Barra do Rio Grande até me deixar em Juazeiro. Durante a viagem observei grupos de pequenos peixes prateados que pulavam fora dagua descrevendo um atrás do outro um arco perfeito para mergulhar mais adiante. Os peixinhos estavam brincando de sair de casa e entrar em casa. De Juazeiro o trem me levou Bahia a dentro até a estação de Água Fria onde peguei vinte quilômetros de carona no carro do prefeitoAmaro Medeiros até Irará. 23
  17. 17. que casas tão velhas que tanto passeiam que casas tão novas no Farol da Barra que ruas sem rumo em bandos bonitos sem régua sem prumo as filhas da terra que torres pra o céu eu penso naquela que esquinas cheirosas que acho a mais bela de coisas gostosas eu sou como um peixe eu sou como um peixe que salta no rio que salta no rio cheguei cinco vezes que riso tão fácil voltando do sul que andar descansado cheguei de avião que tanta fartura de trem de navio no cais do mercado de pura alegria chegando à Bahia saveiro de perto eu sou como um peixe trabalho de mouro que salta no rio saveiro de longe enfeite de mar que terra tão quente esta terra da gente eu tomo um sorvete de côco e mangaba eu sou como um peixe que salta no rio 25
  18. 18. Dez anos de Formatura – 1963 Para não morrer de tristeza os homens se reúnem. Aqui estamos nós. Ninguém pode ficar sozinho por muito tempo. É preciso beijar os nossos filhos, abraçar o amor que Deus nos deu, sorrir e dialogar com os amigos num encontro de dez anos depois. Somos colegas, nos consideramos iguais, irmãos, daí a nossa alegria. Haja esta relação entre os homens e o mundo será feliz. Às vezes a gente pensa que ficando ricos seremos felizes. Mas só se todo mundo ficasse rico também. A riqueza tem uma tendência muito forte à distribuição. Quem se recusa a dividi-la normalmente, arrisca-se a ficar louco e será forçado a dividi-la com os psiquiatras. No plano das comunidades a mesma coisa. Os paises mais fortes sentem que ajudar os mais fracos é uma necessidade mutua de sobrevivência. Democracia ou comunismo, de um jeito ou de outro, somos solicitados à fraternidade. As maldades orientais e ocidentais podem ser diferentes, mas a bondade lá e cá é uma só: o desejo de organizar uma comunidade feliz. Voltando ao nosso pequeno mundo de colegas, faço um pedido: vamos ter cuidado com a amizade que nos une; o nosso amor é frágil e inconstante, é poeira apenas do Amor Autêntico que mesmo sem saber estamos sempre a procurar. Quando escolhemos a medicina estávamos em busca do amor, pois ela é uma das profissões que mais revelam a preocupação constante dos homens com o bem estar das pessoas. Que a alegria desta noite seja impulso para uma alegria maior cada vez que nos reunirmos e para uma alegria completa na reunião derradeira, quando descobriremos a verdade de todas as coisas dentro de uma amizade definitiva e inviolável. 27
  19. 19. sou pobre mas quero bem sou triste mas quero bem sou sujo mas quero bem sou mudo mas quero bem a você DECLARAÇÃO 29
  20. 20. Banco do Brasil 30 de novembro de 1964 Como prefeito do município, o meu voto na inauguração desta agência bancária é que ela seja um instrumento de libertação econômica para os pequenos proprietários da região. Alegro-me em ver aqui novamente reunidos Água Fria, Ouriçangas, Pedrão, Santanópolis e Irará e alegro-me mais ainda porque ao nosso grupo junta-se Coração de Maria. A semelhança de produção, costumes e interesses faz destes seis municípios uma unidade regional cujo fortalecimento só pode trazer vantagens recíprocas. Aos novos bancários apresento as boas vindas. Que se ambientem com rapidez em nosso meio e que isso seja motivo de alegria para vocês e para nós. Aos que colaboraram com a prefeitura na parte que lhe coube da tarefa de construir este prédio, o nosso agradecimento. Quero mencionar o esforço e a boa vontade do Presidente da Câmara e dos Vereadores, dos Prefeitos da região, do Secretário de Obras Públicas e de todos os particulares que atendendo ao nosso apelo tornaram possível o que a principio parecia tão difícil. Para sintetizar em um só nome a participação dos nossos cidadãos, cito um nome: Djalma Reis. Porque o trabalho foi de muitos hoje a alegria é maior. Louvo a direção do Banco do Brasil ao reconhecer a oportunidade de instalar a agência e tenho um louvor especial a dois Elysios. Elysio Santana que considero a pessoa mais interessada na vinda do Banco para Irará, demonstrando mais 31
  21. 21. uma vez a preocupação que sempre tem pelo bem estar da comunidade em que vive. E Elysio Dorea, agente instalador, cavalheiro, buscando a perfeição em todos os detalhes. Ao seu dinamismo devemos a satisfação de poder contar já na próxima safra, com os benefícios do crédito agrícola. A sua permanência como gerente é uma garantia de que a agência tenderá para atingir a meta a que me referi de início: ser um instrumento de libertação para que as pessoas trabalhando em melhores condições, produzam mais, vejam e segurem com as mãos o fruto do seu trabalho e possam ter o conforto físico necessário ao pleno desenvolvimento de suas personalidades. Na verdade todos nós, corruptos ou poetas, fomos feitos segundo o mesmo modelo e por um caminho ou por outro, queremos alcançar a perfeição. No princípio Deus criou o céu e a terra. Depois disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança e seja ele senhor das águas, dos peixes, das aves, dos animais e de toda a terra”. Que esta agência bancária nos ajude a cumprir a ordem de Deus. Que nos ajude a ser realmente senhores desta região e a compreender que unidos a todos os outros homens, devemos ser um dia, em verdade, senhores de toda aTerra. 33
  22. 22. a estrela é minha que Deus me deu a estrela brilha de lá do céu a estrela sabe de meus penares a estrela é linda eu posso vê-la a estrela é minha e não posso tê-la A ESTRELA 35
  23. 23. Maria Inês 15 dias atrás, ao inaugurar-se o prédio da Escola Herculano Braz de Queiroz, na Picada, louvei o espírito de improvisação do brasileiro, quando posto a serviço de sua terra, na pessoa do patrono daquela escola. Hoje devo louvar a honestidade, a perseverança, a franqueza, a lealdade, a limpidez, a simplicidade, a coragem, a bondade, na pessoa daquela que dá o nome a esta escola – Maria Inês de Campos Genê – mestra de muitos cidadãos de nossa terra, que foi também minha mestra para felicidade minha. Devemos-lhe não somente instrução, mas também educação, exemplo de uma vida bem vivida, dedicada ao trabalho e ao aperfeiçoamento de seus alunos em todos os sentidos. Foi para mim alegria, sancionar a lei que dá a denominação desta escola, lei que foi iniciativa da Câmara de Vereadores em hora de boa inspiração e a alegria se prolonga até hoje, ao presidir a modesta solenidade de inauguração deste prédio. Modesta homenagem, que bem merecia ser muito maior, porém que sendo assim está louvando também a modéstia da professora e sendo este prédio ao lado do Cruzeiro da Queimada, está a lembrar que a sua vida sempre esteve sob a benéfica influência de Jesus Cristo e que ela foi e ainda é como uma vela que pouco a pouco vai sendo queimada para espalhar onde esteja, a luz do saber que traz consigo. --------------------------------- No ato da inauguração a Bandeira Brasileira foi hasteada pelo Secretário de Obras Públicas do município, Eduardo Campos Portela, que também foi aluno de Maria Inês, ao som do Hino Nacional executado pela Filarmônica 25 de Dezembro. 37
  24. 24. escreva pra me dizer que o dia é luminoso que há riso de alegria e música de festa porque vejo tudo escuro e um silêncio pesado me domina escreva que só acredito em você A CARTA 39
  25. 25. O oratório – 1967 Há cerca de 250 anos neste lugar foi construída uma igreja em agradecimento a uma bondade de Nossa Senhora. Depois, casa a casa, um povoado arrodeou-a e pediu-lhe um nome de batismo. Assim nasceu o arraial da Purificação dos Campos, que um dia foi vila, um dia foi cidade e hoje é esta praça por lei municipal n° 71 de 17 de agosto de 1964. Praça da Purificação dos Campos velando um oratório de Maria onde está uma imagem que viu a cidade nascer. O oratório fica entregue ao povo para lembrar a igreja que já não existe, para lembrar o primeiro nome do lugar, para louvar a primeira dona do lugar e para rezar pela purificação do lugar e do mundo. A cidade dominou vasta região e teve quatro filhos. Água Fria, Ouriçangas, Pedrão e Santanópolis são agora quatro cidades independentes cujos nomes ficam hoje gravados em nossas ruas e praça. O oratório é uma homenagem à Mãe desta cidade. Que ele seja sempre um motivo de união e fraternidade para os iraraenses e para todo mundo que por aqui passar. 41
  26. 26. mil andanças eu tivesse de fadigas para ver o meu amor mil festejos eu faria de alegria para mim e meu amor vivo pensando em meu amor que longe vai SAUDADE 43
  27. 27. Transmissão do cargo 07/04/1967 Ao terminar estes quatro anos de serviço público minhas primeiras palavras são de agradecimento pela honra que me foi concedida de ocupar o cargo de prefeito. Agradeço também aos companheiros que se esforçaram quanto puderam para que a tarefa fosse bem cumprida. Quero depois fazer um pouco a defesa do meu governo que enfrentou sérias dificuldades financeiras acentuadas pela intervenção militar no governo federal. De quatro anos destaco quatro obras: 1 –Ainstalação da agência do Banco do Brasil. 2 –Anova rede de energia elétrica. 3 – Melhoramentos no setor da educação. 4 –Atualização dos vencimentos dos funcionários. Na instalação da agência bancária a prefeitura teve participação decisiva porque quando foi exigido um prédio adequado e não havia esse prédio nem dinheiro para construí- lo, solicitamos autorização da Câmara Municipal e fizemos um empréstimo popular, levantando fundos para a construção. Estando já a obra adiantada, foi adquirida e concluída pelo Banco e assim pudemos devolver ao povo o dinheiro emprestado sem juros. A rede elétrica foi colaboração do Estado através da Coelba, mas foi preciso vencer muitas pequenas batalhas aqui e principalmente em Salvador até que o convênio fosse assinado. Por fim os trabalhos foram iniciados e a nova linha de 45
  28. 28. transmissão e a rede de distribuição foram concluídas e recentemente inauguradas. No setor da educação tivemos a supervisão das classes rurais, cursos de aperfeiçoamento para os professores leigos, instalação do curso pedagógico para formação de professores primários e a construção de seis prédios destinados as escolas Celso Rodrigues, no Murici, Deus Menino em Boca de Várzea, Herculano Braz, na Picada, Maria Inês, na Queimada, Mario Campos em Bento Simões, e Rei Pelé aqui na cidade. Lembro com prazer especial os prédios de Boca de Várzea e do Murici construídos com ativa colaboração popular. Encontrei 21 classes municipais, deixo 43. Deixo também uma imensa tarefa a ser realizada. De toda parte chegam pedidos de novas escolas e chegou também a seguinte carta: “Fazenda Preguiça, 24 de fevereiro de 1967 Excelentíssimo Senhor Prefeito de Irará Tenho a digna honra de comunicar a V. Exª. sobre os bancos e a mesa que o senhor disse que ia arranjar para a escola. Eu já estive lá duas vezes e não encontrei o senhor. Então lhe peço que resolva este problema breve, porque tenho 34 alunos de freqüência e só tem dois bancos.As crianças estão estudando em pé. Atenciosamente, Maria José Sena Cerqueira.” A quarta realização que destaco é a atualização dos vencimentos do funcionalismo, o salário móvel, vinculado ao 47
  29. 29. Prefeitura Municipal de Irará
  30. 30. salário mínimo nacional. Agora quem ganha menos recebe um salário e quem ganha mais, o prefeito, recebe três salários incluída a verba de representação. Os professores leigos infelizmente não foram contemplados nesse benefício. Entretanto eles recebiam uma gratificação de 2.000 cruzeiros mensais e passaram a ganhar 20 cruzeiros novos (10 vezes mais), o que é insuficiente, mas é o que está dentro das possibilidades do tesouro municipal. Foi a realização mais dispendiosa e é a que menos aparece. Mas me deu muito prazer. Nenhuma dessas quatro obras contudo é a mais importante. Todos sabiam que o Dr. Deraldo não tinha experiência política e de administração pública e que não tinha tempo suficiente para bem cuidar das suas obrigações de médico e professor, ao lhe acrescentarem o cargo de prefeito. O que queriam, penso, era paz, companheirismo, conciliação, um tratamento igual para todos e isso eu procurei realizar. Aqui termino esta breve prestação de contas porque o dia de hoje pertence mais aos novos governantes. Através do voto um novo governo se instala. Nova orientação, buscando entretanto o mesmo objetivo: dias melhores para a comunidade.Alberto de Santana é uma pessoa digna do cargo que hoje ocupa. Pertence a uma família de bela tradição de serviços prestados ao município e ao país. Possui as qualidades de honradez, liderança, experiência e sobretudo de amor a esta terra para exercer a chefia da administração municipal. Por isso, é com satisfação e esperança, que lhe passo o honroso cargo, pondo a sua disposição os meus préstimos de cidadão. 49
  31. 31. não quero ver ninguém ficando triste nada está perdido tenho de você uma imagem tão bonita sinto que você também gosta de mim vamos proteger esse tesouro nada mais que isto eu te proponho nunca despertar de nosso sonho O SONHO 51
  32. 32. Salve a Retreta Salve a Retreta é o nome de um programa radiofônico onde as filarmônicas da Bahia se apresentaram sucessivamente para gravação e posterior divulgação pelo rádio. Louvo a Argos Industrial de São Paulo e a Rádio Sociedade da Bahia pela organização deste programa. Agradeço a todos que contribuíram para a renovação da filarmônica, de modo especial a Alberto Nogueira que reuniu os primeiros músicos e presidiu a primeira diretoria; a Cristóvão Ferreira que comprou o tecido para a farda e ao prefeito José Valverde que mandou costurar-la. Entre os muitos colaboradores distingo ainda Everton Martins de Cerqueira, Elpídio Marques de Oliveira, Joaquim Meneses, e Lourdes Portela que por sua generosidade mereceram o título de sócios beneméritos. E faço o elogio do corpo musical: o mestre Betinho, o contra-mestre Zequinha e seus instrumentistas, sapateiros, alfaiates, funileiros, lavradores, comerciários, eletricistas e estudantes. Eles, por amor à música e ao companheirismo compõem a nossa modesta e valorosa Filarmônica 25 de Dezembro. Há quem diga que as filarmônicas são expressão do passado e tendem a desaparecer. Não concordo. Há quem diga que o céu é um lugar paulificante onde os santos vestidos em grandes camisolos brancos passam a eternidade de mãos postas cantando benditos. Também não concordo. O que deve haver por lá é muitas filarmônicas. Porque o Dono do céu já declarou que lá é o lugar dos meninos e de quem se fizer semelhante a eles. E os meninos gostam muito de filarmônica. Por isso, mesmo que vocês todos gente grande de Irará, não estivessem aqui demonstrando que a Vinte e Cinco é boa e lhes agrada, eu ficaria com os meninos da cidade e do mundo, gritando bem alto e feliz: “Viva a Filarmônica! Salve a Retreta!.” 53
  33. 33. como os anjos em Belém um dia se juntaram em coro de alegria e cantaram hinos de louvor ao nascimento do Deus de Amor nós também nos reunimos ao clarão da estrela do natal pra cantar de mil maneiras a canção da paz universal Hino da Filarmônica 25 de Dezembro 55
  34. 34. No dia 04 de novembro de 2006 foi sepultado no Jardim da Saudade o corpo de Norberto deAquino, o Maestro Xaxá. Ele foi regente da Banda de Música do Corpo de Bombeiros em Salvador durante um longo e brilhante período. Começou a sua música na Filarmônica Euterpe de Cruz das Almas, onde nasceu em 1918. Em Salvador freqüentou o Seminário de Música da Universidade Federal, tornou-se amigo de Lindemberg Cardoso e destacou-se como arranjador, regente e trombonista. Participou de famoso grupo musical de lazer como instrumentista e diretor, animando as festas dos grandes clubes da época, o Bahiano de Tênis, o Yacht e a Associação Atlética. Dirigiu também a charanga do Bloco do Jacu nos carnavais. Foi jurado em festivais de música popular na Bahia e em Pernambuco e nos Festivais de Filarmônica do Interior no Campo Grande. Em Feira de Santana e Cachoeira ministrou cursos de aperfeiçoamento para regentes de filarmônica. Depois de reformado como Major Músico da PM, passou a reger a Filarmônica 25 de Dezembro de Irará, imprimindo notável qualidade de expressão aos seus músicos aplaudidos em muitas cidades baianas e também em Estância, Aracaju, Recife, Rio de Janeiro, na Universidade de Feira de Santana, na reitoria da Universidade Federal da Bahia e no Teatro Castro Alves.ACâmara Municipal de Irará concedeu-lhe a cidadania. No funeral os músicos da Vinte e Cinco tocaram para ele a cantata 156 de Bach e conduziram o seu corpo para a sepultura. Um orador falou que Xaxá tomou conta cuidadosamente da família e dos subordinados, foi simples e solidário e alegrou e elevou o nosso espírito através da música. O Maestro deve estar agora num lugar muito bom onde espera por nós. Enquanto isso guardaremos a sua memória com saudade e gratidão. Maestro Xaxá 57
  35. 35. 59 é a angústia de perder e procurar que faz o júbilo do reencontro o nosso amor tem mil abismos manchados de sangue e mil e uma alegrias imaculadas Luz e Sombra
  36. 36. Câmara Municipal de Vereadores Sessão inaugural de legislatura e posse do prefeito 01 de fevereiro de 1977 Ao encerrar esta sessão, agradeço ao nosso pároco Mons. José da Rocha Bruno, a autorização para realizar nesta igreja a cerimônia de instalação do novo governo municipal. O fato de estarmos aqui reveste o ato de posse, que se queria tão simples, de uma singular solenidade. Este compromisso que prestamos diante de Deus e dos homens é uma ação oportuna para assinalar a vigília da Festa da Purificação. É preciso que tenhamos um desejo intenso de purificação para que possamos cumprir com fidelidade o juramento que acabamos de fazer. Prometemos respeitar as leis e promover o bem da comunidade. Teremos que conhecer e estudar todas as leis? Temos que nos esforçar nesse sentido. Entretanto, nas paredes deste templo ressoa uma voz que nos tranqüiliza: - “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Esta lei suprema que é a Constituição do Mundo, pode nos orientar em qualquer momento de dúvida. Peço a Deus bênçãos para o novo governo e ao povo peço ajuda, apoio, compreensão, sugestões, críticas e se necessário o seu clamor e a sua revolta. Está encerrada a sessão. 61
  37. 37. sou meio mudo e meio morto e além de mudo porco e além de morto podre em certas noites contudo há uma pequena chama muito pura e um pedaço de canção muito suave que eu quero possuir eu os alcanço com duas lágrimas e um sorriso manso 63 Confissão
  38. 38. Hoje é a noite dos agricultores. E como já tivemos a noite do Sindicato Rural, que é o sindicato dos proprietários rurais, hoje é a noite do povo da roça, do povo que trabalha na roça, mas não é, ou quase não é, proprietário. De quem só tem o dia e a noite. Vende o dia e fica com a noite. Para o descanso, para a festa e para o amor. Hoje é uma noite de festa e uma noite de amor, do povo da roça para Nossa Senhora. É certo que os grandes proprietários também são filhos de Deus. A abundancia dos bens materiais é, as vezes, indicada como sinal de proteção divina. Entretanto, o Filho de Deus nasceu, podemos dizer, no meio da roça, num lugar mais destinado a animais do que a pessoas, mas que podia servir também de abrigo aos trabalhadores mais humildes do campo. Isso me parece um sinal de que, embora Deus goste de todo mundo, ele gosta mais do povo da roça. Os Reis Magos vieram ver o Menino e trouxeram presentes de ouro e perfumes. É mais uma prova de que os ricos e poderosos são filhos de Deus. Mas, os primeiros a ver e louvar o Deus Menino, foram os pastores dos arredores de Belém, o que mostra de novo a preferência de Deus pela gente mais simples do campo. Por isso, esta noite de agricultores é talvez a preferida de Nossa Senhora. Porque faz lembrar a noite em que seu filho nasceu. Irará é uma cidade parecida com Belém. Uma cidade pequena, cheirando a coisas do campo. E nesta noite, o povo veio dos campos de Irará para prestar sua homenagem, como outrora os pastores vieram dos campos de Belém. Lucas 2,7 – porque não havia lugar para eles nas pousadas. Novena da Purificação I 65
  39. 39. Quem mora em Irará, seja monsenhor ou doutor, está de vez em quando ou quase sempre lidando com coisas da roça. Por isso todos nós somos um pouco da roça.Até Nossa Senhora aqui é Nossa Senhora da Purificação dos Campos. Vamos, pois nesta noite dos agricultores, despertar o espírito de gente da roça que existe em nós, esse espírito de simplicidade, de justiça e de bondade, para pedir a Nossa Senhora que esta festa seja para nós, uma verdadeira festa de purificação. Belém estava cheia de gente naquele tempo. E José não encontrou um lugar apropriado para se hospedar com Maria. Em Irará a cidade fica também cheia de gente no tempo da festa. E mesmo tendo esta igreja toda arrumada e enfeitada, é preciso nos prevenir para que não falte lugar para a dona da festa. De nada adianta lavar, arrumar e enfeitar nestes nove dias esta casa sagrada, se não for para dentro dela, lavar, arrumar e enfeitar também os nossos corações. Vamos, pois nos preparar para a festa, de jeito que ela seja de fato uma festa para Nossa Senhora. E uma festa para Nossa Senhora é quando ela encontra dentro de nós, um lugar preparado para o nascimento do seuAmor. 67
  40. 40. e todo ano chega o tempo bom de esquecer as brigas e as intrigas lembrar que somos muito parecidos juntar as mãos em palmas e louvores treinar os pés no balanço do samba pulsar o sangue em ritmo de irmão voltar cantando para a casa dela pelos caminhos da purificação. Dois de Fevereiro 69
  41. 41. Na cidade de Caná da Galiléia houve uma festa de casamento. Jesus e sua mãe foram convidados. No meio da festa faltou vinho. Maria disse a Jesus: “Meu filho, eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu: “Ainda não é chegada a minha hora”. Ela não disse mais nada. Também não ficou zangada. Conhecia bem o filho e sabia que maior do que a justiça de suas palavras é a bondade do seu coração. Sabia que para não ver o templo transformado em casa de comércio, ele seria capaz de derrubar mesas e chicotear pessoas, mas sabia também que por amor a essas mesmas pessoas ele se deixaria mais tarde derrubar e chicotear também. Sabia que ele falava que nem uma vírgula da lei deixaria de ser cumprida, mas em seguida colheria espigas e curaria doentes em dias de sábado, porque a lei foi feita para o homem e não o homem para a lei. Sabia que ele poderia chamar os homens de raça de víboras, sepulcros caiados e dizer que é melhor amarrar uma pedra no pescoço e se jogar no fundo do mar, mas que ao menor sinal de arrependimento ele os perdoaria, como perdoou o ladrão, a adúltera e muitos outros pecadores de toda espécie, entre eles um amigo que o negou três vezes e a quem ensinou que devemos perdoar setenta vezes sete. Sabia que ele considerava a morte como a volta à casa paterna, mas vendo que os homens não se lembram disso e têm medo de morrer, ele ressuscitaria a filha do rico Jairo e o filho da pobre viúva de Naim e ao sentir que até mesmo Marta e Maria João 2,3 – Eles não têm mais vinho. Novena da Purificação II 71
  42. 42. não conseguiam entender o sentido da morte, ressuscitaria para elas o irmão e para ele, Deus e homem, o amigo Lázaro. Sabia também que uma espada de dor ia ferir seu coração, mas que ao terceiro dia uma luz brilharia em seus olhos e um sorriso em seus lábios. Sabia de tudo isso e guardava todas essas coisas em seu coração. Ora, um filho tão amável que não queria que se quebrasse uma vara rachada ou que se apagasse uma vela que ainda tivesse um pouco de luz, como poderia deixar sem vinho a festa do amigo? Por isso não disse mais nada a Jesus. Procurou os serventes e falou: “Façam o que ele disser.” E as talhas se encheram de água e os copos, de vinho. É para pensar em coisas como estas que fazemos a novena de Nossa Senhora. Para tirar das talhas da purificação o vinho da amizade. Para lembrar que Jesus transformou a água em vinho e o vinho em sangue e ao derramar o sangue por nós, deu outro grande e precioso sinal de união quando entregou sua mãe para ser nossa mãe. “João, eis ai a tua mãe.” Só depois de bem lembrados destas coisas é que podemos cantar e dançar e deixar que o vinho alegre nosso coração. Porque então estaremos certos de que somos uma só família. Que podemos brigar o ano todo por isso ou por aquilo, mas no dia Dois de Fevereiro vamos fazer um culto de fraternidade e aclamar — como fizeram durante dois mil anos e hão de fazer todas as gerações — e aclamar Maria a bem aventurada, a compadecida, a nossa Mãe e Senhora da Purificação do Campos de Irará. 73
  43. 43. sentado à mesa do rei ele era um príncipe à mesa do lavrador um companheiro comendo o pão com o mendigo era um amigo no dia em que ele morreu pra sua satisfação chegada a hora do almoço sentou-se perto do rei sentou-se junto ao mendigo e ao lado do lavrador como irmão. Família Real 75
  44. 44. Inicialmente proponho substituir a expressão Lei Moral por Lei Natural. E explico: A Lei Moral se modifica, a Lei Natural permanece. O que consideramos moralmente correto aqui, pode ser incorreto em outra região, em outra cultura. O moralmente correto hoje, pode ser o incorreto de ontem ou de amanhã.ALei Natural é imutável. Mas o que é Lei Natural? – É um dom que existe dentro de nós e que vamos descobrindo pouco a pouco, não somente olhando para dentro de nós, mas procurando ler o livro aberto da natureza, as rochas, as águas, as plantas, os animais, as pessoas, meditando sobre os acontecimentos, as descobertas dos pesquisadores, sobre a constituição, o desenvolvimento e a reprodução dos seres vivos. A Reprodução do Homem e a Lei Natural é o nosso tema. A reprodução é um dos capítulos da lei e o instinto sexual um dos seus artigos. A princípio esse instinto está adormecido, mas chega o tempo em que desabrocha e pede satisfação. Envolto numa atmosfera de prazer, tem a finalidade de reproduzir a espécie e nos conduz para as alegrias e sofrimentos da vida familiar. A finalidade natural do sexo é portanto a reprodução. O prazer é um acompanhante também natural. Quando colocamos o prazer como finalidade e eliminamos deliberadamente a Do Centro EspíritaACaminho da Luz recebi a proposta de desenvolver o tema acima e apresenta-lo a um grupo de pessoas sob a forma de exposição e debate. A Lei Moral e a Reprodução 77
  45. 45. possibilidade de reprodução, penso que não estamos observando a lei, o que pode trazer conseqüências desagradáveis. A desobediência à Lei Natural é o que algumas religiões chamam de pecado. No seu livro “Orações”, no capítulo “O Hospital” o escritor cristão francês Michel Quoist diz o seguinte: “A todo pecado, algum dia, em algum lugar do mundo, corresponde um sofrimento.” Na minha interpretação, ele está dizendo que o pecado produz sofrimento, para quem o pratica ou para outra pessoa, hoje ou amanhã, aqui ou em outro lugar qualquer, Não quero dizer que toda relação sexual improdutiva esteja fora da lei. O planejamento familiar me parece um procedimento correto. A finalidade aqui é a construção de uma família equilibrada. Num casal heterossexual a infertilidade ou a menopausa nunca foram empecilho para a prática do sexo. O que certamente fere a lei é quando interferimos no processo reprodutivo já iniciado, interrompendo a gestação sem que para isso haja motivo suficiente. Isto porque, quando a semente do homem fertiliza o óvulo da mulher, começa a formação de uma vida nova, que não pertence exclusivamente ao pai e à mãe. A vida nova é principalmente do filho que se não for hostilizada, vai florescer em mais um habitante do planeta. Estou me referindo ao aborto provocado. Um caso especial é quando o embrião se fixa na trompa, que é um lugar inadequado para o seu desenvolvimento. Neste caso a medicina tem o dever de impedir o crescimento da gestação e estará apenas antecipando a morte prematura do filho e protegendo a vida da mãe. 79
  46. 46. Outro ponto a analisar em nosso tema é a homossexualidade. Quando duas pessoas do mesmo sexo convivem sexualmente não é possível a reprodução. É uma atração natural, porém equivocada. Um cochilo da natureza. Atualmente vejo desenvolver-se o conceito que considera o relacionamento homossexual como um comportamento normal. Fala-se em respeitar a opção sexual das pessoas. É bom respeitar a diversidade no sexo, tanto mais porque não devemos falar em opção. Fazemos opção quando escolhemos livremente entre duas ou mais possibilidades. Quanto a sexo, creio que já nascemos com uma tendência definida e, até onde estou informado, ainda não se conseguiu uma maneira de modificar essa inclinação. Não há portanto opção. A abstinência, para homos ou héteros é uma limitação que pode ser mortificante, mas pode também produzir resultados bons e gratificantes quando o impulso for orientado para uma finalidade importante. ALei Natural desaconselha a relação homossexual? Será ela um pecado que vai produzir sofrimento no tempo ou no espaço? Uma relação homossexual harmoniosa não será uma forma de a natureza tentar corrigir o seu engano, criando um ambiente familiar propício para abrigar crianças sem lar? – Não sei. O que sei é que tanto os homo como os heterossexuais podem ser naturais ou extravagantes, amorosos ou agressivos, legais ou pecadores. Não pretendo que todas as declarações feitas aqui sejam consideradas verdadeiras. Desde o início desta exposição, falo 81
  47. 47. daquilo que penso atualmente sobre o tema que me foi proposto, procurando despertar nos ouvintes a vontade de meditar sobre ele, que sem dúvida atrai a atenção de muita gente. Nenhum de nós é dono da verdade, embora estejamos sempre a procura-la. – “O que é a verdade?” já Pilatos perguntava a Jesus. Ela é talvez o tesouro escondido do Evangelho que me parece não vamos encontrar nesta vida. Em outra página entretanto o mesmo Evangelho nos dá uma esperança quando diz que é preciso buscar o Reino de Deus e a sua Justiça e o mais nos será dado. A nossa tarefa portanto é apenas procurar. O mais, a posse do tesouro, só vamos encontrar depois, num lugar muito agradável, onde estaremos reunidos toda a humanidade e onde seremos possuidores de toda sabedoria e de toda amizade para sempre. Mas eu não vim aqui somente pra falar. Quero escutar e conversar, porque sei que vocês também andam a procura de um tesouro. 83
  48. 48. minha namorada mora no país dos desordeiros me apedrejaram uma noite em que fui vê-la minha namorada mora no país dos farofeiros ganhei um revolver que me serviu de passaporte minha namorada é a mais bonita do mundo troquei o revolver por uma sanfona minha namorada vai ficar contente vai ser namorada de um sanfoneiro A SANFONA 85
  49. 49. Homenagem aos idosos Sessão Especial da Câmara Municipal de Irará 19/09/2005 Agradeço à presidente Maria Bacelar por me ter distinguido com o convite para dizer aqui algumas palavras.Aela que faz aniversário na próxima semana, desejo agora e sempre, muitas alegrias. A vida da gente é como o sol. Nasce na claridade leve da manhã, cresce em luz e calor até o meio dia e vai declinando para dormir na sombra da noite. Hoje parece que somos a mesma pessoa de ontem, mas vamos mudando. Nossos cabelos estão mais crescidos, aparece depois um fio branco. E não é só o corpo que se modifica. Ontem gostamos de uma bola, uma boneca, depois uma bicicleta, um time de futebol, uma festa, uma viagem, uma música, um abraço e um beijo. Vamos esquecendo uma coisa e querendo outra. Ficamos curiosos para saber como é que chegamos a existir. Tanta beleza, tanta perfeição, como é que tudo isso apareceu? E depois da morte, o que nos espera? Vai acontecer ainda alguma coisa? A morte. Vamos envelhecendo, vamos pensando nela. Algumas pessoas dizem que não têm medo de morrer. Outros dizem que desejam morrer. A maioria não esconde o medo que sentem. Vou contar uma estória: - Um velho morava sozinho numa pequena casa. Um dia saiu para buscar lenha. Só muito longe encontrou o que queria. Juntou um feixe, botou na cabeça e foi voltando. No meio do caminho sentiu-se mal. Arriou a lenha no 87
  50. 50. chão, sentou na beira da estrada e falou baixinho: “Não sei se agüento chegar em casa. Estou cansado de viver. Queria que a morte viesse logo e me levasse.” Mal acabou de falar, a Morte apareceu e disse: “Olhe eu aqui. Vim para fazer a sua vontade. O que é que você quer?” Ele se levantou assustado e respondeu: “Ah Dona Morte, que bom que a senhora chegou. O que eu quero é que a senhora me ajude a levar este feixe de lenha lá pra casa.” A vida da gente é como o sol, que produz o dia e a noite. Temos horas luminosas e horas escuras.Alegrias e tristezas. Na velhice continuamos a viver situações de contraste. Podemos ser reverenciados como nesta reunião e podemos ser desprezados, como bananeira que já deu cacho ou como crianças que não entendem direito os acontecimentos. As vezes damos aos nossos velhos casa, comida, roupa limpa e remédios, mas negamos carinho e amizade que são os melhores alimento da velhice. Hoje nos alegramos ao receber esta homenagem. É muito bom. Pena que a reunião daqui a pouco vai acabar. Acredito, entretanto, que vamos nos encontrar novamente, num lugar ainda mais agradável, onde estará presente toda a humanidade e onde encontraremos aquela felicidade que estamos sempre a procurar seja através da política, da religião ou de outras atividades. Parabenizo os mais velhos. Desejo aos mais novos que alcancem a velhice. Que ninguém tenha medo de morrer. E que todos cultivem a esperança de uma vida eterna cheia de sabedoria e amizade. 89
  51. 51. ?
  52. 52. tudo já foi dito e vivido e eu só quero repetir alguma coisa ou nada foi dito ainda do que importa o essencial de cada um é único e eu tenho que viver uma estrada virgem? 91
  53. 53. O Conselho da Comunidade O capítulo oitavo da Lei de Execução Penal trata do Conselho da Comunidade. Diz que cada Comarca deve ter o seu Conselho, composto por representantes de diversas classes, destacando as classes dos advogados, assistentes sociais, comerciantes e industriais.Anomeação dos conselheiros cabe a um Juiz da Comarca e aos conselheiros compete visitar as prisões, entrevistar presos e colaborar no atendimento de suas necessidades. Esse trabalho é útil sobretudo para os presos mais carentes e a prioridade apresentada por eles é o andamento dos seus processos. (Aqui reside um gargalo por onde devem passar os processos da maioria de nossos prisioneiros, aqueles que não tem recursos para contratar um advogado. Por isso, devemos insistir na necessidade do fortalecimento e expansão da Defensoria Pública). Em seguida vêm solicitações relativas a saúde, alimentação, higiene e lazer, enfim tudo que possa produzir um pouco de bem estar e contribuir para o processo de recuperação. Na prática isso se traduz por fornecimento de medicamentos, colchões, livros, revistas, baralhos etc. e pela simples presença solidária dos conselheiros. Assim participamos dos cuidados que devem ter as autoridades responsáveis pela custódia, cujas possibilidades estão quase sempre aquém do que é desejável. É um trabalho que faz bem aos presos e aos conselheiros. Falo do ponto de vista de uma comunidade pequena sem esquecer que nas cidades maiores predomina absurdamente o fator superlotação que assume a proporção de tortura permanente e provoca episódios freqüentes de rebeliões, 93
  54. 54. depredações, fugas e agressões, produzindo não raro, mortes. E ficamos sem saber quais são os mais infelizes, se os que mataram ou os que morreram. Estes pelo menos conseguem se libertar da prisão humilhante e há uma grande esperança de encontrar outra vida plena e compensadora. A superlotação. Temos prisões onde todos não podem se deitar ao mesmo tempo para dormir. É preciso que alguns fiquem de pé ou agachados esperando a sua vez. E o mau cheiro de suor. E a agonia de não ter o que fazer. O pensamento da fuga é permanente e o suicídio chega a ser uma opção. Aimprensa fala que mais da metade dos presos poderiam estar legalmente soltos se seus processos fossem devidamente apreciados, tendo em vista a conclusão com as respectivas sentenças ou a obtenção de benefícios como o livramento condicional. Seria bom portanto priorizar a agilização dos processos sem descuidar a construção de novas prisões mais adequadas à recuperação dos internados. É onde sentimos novamente a deficiência na organização da Defensoria Pública Nacional. Há relatos de prisões bem organizadas que infelizmente aparecem como exceções. Nessas, a ação dos Conselhos é menos necessária. Nas piores somos dominados por um sentimento de quase impotência. Em condições intermediárias, nas quais se encontram grande parte de nossos estabelecimentos penais, é onde o nosso trabalho pode ser mais útil. É verdade que o preso merece o seu castigo mas é preciso lembrar que o castigo previsto na lei é a perda da liberdade e não a tortura que produz revolta. Outro objetivo da lei, também pouco lembrado, é a recuperação do preso para a vida social. A maior parte do sentenciados, recuperados ou não, 95
  55. 55. serão libertados após cumprir suas penas. É trabalho dos conselheiros colaborar na recuperação para que as pessoas ao sair da prisão estejam dispostas a vencer dificuldades, tornando-se úteis a si próprias, às famílias e à sociedade. Em toda parte há quem se interesse por esse tipo de atividade. É bom que saibam que cada comarca pode ter o seu Conselho, cuja ação é gratificante e deve durar até o dia em que as prisões estejam devidamente humanizadas ou quem sabe até quando não sejam mais necessárias.
  56. 56. quero sentir todas as tristezas do mundo afogar-me na angústia universal sepultar-me na amargura de cada coração desesperado ninguém veja minha lágrima no turbilhão de lágrimas do povo e meu corpo se desfaça em poeira de dor sobre o deserto da miséria comum 97 COMUNHÃO
  57. 57. Cinquenta e Cinco Anos de Formatura 2008 Fomos diplomados há 55 anos. Foi ontem. Depois nos dispersamos na geografia e nos diversos ramos da atividade médica. Entretanto há uma força que nos une e nos conduz para reuniões como esta. Será a vontade de reviver a juventude? De encontrar um pouco da pujança, da alegria, da leveza daquele tempo? O desejo de comentar com os colegas nossos primeiros projetos e o que conseguimos realizar até agora? Não sei. O que sei é que há um impulso que nos traz até aqui onde nos sentimos muito a vontade, muito iguais, apesar de todas as diferenças. Sei também que ainda vamos nos encontrar algumas vezes e que a ultima reunião será num lugar muito agradável onde estaremos presentes todos os 114 que nos formamos em 1953 e onde seremos possuidores de toda sabedoria e de toda amizade para sempre. 99
  58. 58. Pai pedi um amigo ao Senhor e quando o amigo chegou não me lembrei que ele era um enviado do Senhor estas coisas que são minhas foram muitas pedidas ao Senhor mas quando as tenho entre as mãos não me lembro que são todas presentes do Senhor por isso não mereço Senhor que amanhã me mandeis a miséria porque se assim fizerdes como um meio encontrado para prender em vós meu pensamento é bem possível que eu não vos reconheça a intenção eu sempre me esqueço não herdei nem um pouco da vossa memória fabulosa porque dizer então que há um sangue que nos une? porque me procurais? quereis de mim o que? porque não me abandona o vosso olhar um instante? tendes sêde Senhor? eu sou areia mas nesta sêde de amor sou vosso filho 101
  59. 59. Conclusão de curso no Ginásio São Judas Tadeu 08/12/1959 Possuímos hoje a alegria desta festa. Trabalhamos longamente para alcançá-la e amanhã começaremos outro esforço visando novas conquistas. A cada dia porém, basta a sua lida. O dia hoje é de festa.Aleluia. Meus caros afilhados: quero muito que vocês sejam felizes, mas assim como não podemos morar na alegria desta festa, não lhes posso desejar uma vida de prazeres contínuos. O prazer continuado me parece impossível e sem sentido. O ritmo da vida é dia e noite, inverno e verão, tempestade e bonança. Estamos em nosso dia de bonança.Aleluia. A idade de vocês é a idade da insurreição. Vocês se levantam contra as coisas estabelecidas, percebem talvez nelas alguma falsidade e lutam por uma verdade nova. Desse conflito entre a tradição defendida pelos mais velhos e o instinto de renovação da juventude, surge a estrada por onde caminha a humanidade em busca do seu destino. Não sou velho nem muito novo. Quero que minha mensagem esteja fora do conflito das idades. Mas vou seguir a tradição dos paraninfos trazendo nesta noite alguns conselhos. O primeiro é que sejam humildes e é como se eu dissesse sejam irmãos. Irmãos de todo mundo. As letras que formam estas palavras aprendi na escola.Avoz com que lhes falo veio do pão que comi, de alguém que plantou o trigo, de alguém que assou a massa fermentada, de alguém que serviu a mesa. A roupa que me veste foi tecida por um, costurada por outro, 103
  60. 60. lavada e passada por outros. Por isso, a honra desta paraninfia eu devo em primeiro lugar a vocês, mas também à professora que me ensinou a ler, ao lavrador, ao padeiro e ao alfaiate que me prepararam para a festa. Assim, o certificado que receberam. É fruto do esforço de vocês, mas também do trabalho dos pais e professores e de todos que contribuíram para instalação e manutenção do Ginásio. Devemos um pouco de gratidão a Miúda que entregou a correspondência do Ginásio, ao lavrador que comprou na loja do Sr. Teófilo ou na venda do Sr. Manoelzinho e que não sabe que o seu trabalho floresceu nesta noite de alegria para todos nós. Sejamos pois humildes e seremos participantes da fraternidade universal. O segundo conselho é que sejam fieis à verdade. A verdade é a preocupação constante do homem. Desde criança, quando começa a falar, vai perguntando: “O que é isto?” “Pra que é isto?” “Porque é assim?”Acriança pensa que o pai e a mãe sabem toda a verdade. Depois cresce, amadurece, envelhece, interessa-se por muitas coisas e se desinteressa dessas mesmas coisas, mas nunca perde a vontade de saber o porque verdadeiro desta vida. O curso ginasial com tantas matérias e programas tão vastos, objeto da nossa crítica e reprovação, me parece o resultado desse anseio do homem e do pressentimento de que a vida é muito curta para alcançar a posse da verdade total. Quando eu lhes dizia “não pesquem nas provas” é porque a pesca é uma mentira e toda vez que mentimos estamos traindo o nosso destino que é a busca da verdade. E o terceiro e último conselho: Queiram bem. Deixem que 105
  61. 61. o amor tome conta da vida de vocês. Vivemos em crise, inflação, doença, miséria, desonestidade, injustiça. Parece que estamos a beira de um abismo. Parece que tudo está perdido. Contudo, nada está perdido. Nada está perdido porque existem vocês, existe a juventude que é capaz de amar e o amor pode tudo salvar. Um homem santo falou certa vez assim: “Aprendam a amar e façam depois tudo o que quiserem.” Ele sabia que quem ama verdadeiramente, só pode fazer o bem. Queiram bem pois, deixem que o amor tome conta da vida de vocês e façam o mundo feliz. Queiram bem um pouco também a este padrinho que nestas palavras, como numa última aula, quis ensinar o que de melhor sabia e sente que deve confessar afinal, que sabe muito pouco e não tem a voz bastante firme para falar dessas coisas de amor. 107
  62. 62. eu vou ficar aqui porque imaginar caminhos difíceis que conduzam a palácios encantados? sou uma semente que já foi plantada aqui terei a terra, o sol, a água aqui terei o sol, a fome, a sêde aqui serei abôrto uma vida esmagada ou crescerei mansamente a sorrir e a chorar e um dia serei fruto ao alcance de alguém que passar ( 1955 ) moro num campo de poucos espinhos agonias lentas e um tesouro escondido que ainda hei de morrer de procurar faz-me falta uma rosa uma estrela uma fonte de lágrimas de luzes para os meus olhos (1957 ) Irará 109
  63. 63. ando por este chão de dores e de amores e vai ficando cada vez mais leve a minha bagagem de esperanças se um dia eu me purificar em orvalho transparente hei de viver o instante breve e luminoso antes de me perder nesta terra da gente e neste céu formoso e assim talvez germine uma semente nova (1976 ) 111
  64. 64. Morte e Vida de um Governador .......................................................05 Vocação ..........................................................................................09 Alfredo da Luz .................................................................................11 Últimos Desejos ..............................................................................13 Alcoólicos Anônimos .......................................................................17 Monólogo de Formatura ..................................................................19 Internato ..........................................................................................21 Bahia ...............................................................................................23 Dez Anos de Formatura ..................................................................27 Declaração ......................................................................................29 Banco do Brasil ................................................................................31 A Estrela ..........................................................................................35 Maria Inês ........................................................................................37 A Carta ............................................................................................39 O Oratório .......................................................................................41 Saudade .........................................................................................43 Transmissão do Cargo ....................................................................45 O Sonho ..........................................................................................51 Salve a Retreta ................................................................................53 Hino da Filarmônica .........................................................................55 Maestro Xaxá ..................................................................................57 Luz e Sombra ..................................................................................59 Sessão da Câmara Municipal ..........................................................61 Confissão .......................................................................................63 Novena da Purificação I ..................................................................65 Dois de Fevereiro ...........................................................................69 Novena da Purificação II ................................................................71 Família Real ..................................................................................75 A Lei Moral e a Reprodução ............................................................77 A Sanfona .......................................................................................85 Homenagem aos Idosos .................................................................87 Pergunta .........................................................................................90 O Conselho da Comunidade ...........................................................93 Comunhão ......................................................................................97 Cinquenta e Cinco Anos de Formatura ............................................99 Pai .................................................................................................101 Ginásio São Judas ........................................................................103 Irará ..............................................................................................109 Índice

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