Entrevista luis pierry
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    Entrevista luis pierry Entrevista luis pierry Document Transcript

    • ENTREVISTA – LUIZ PIERRY DO PGQP Polibio – Hoje vamos conversar com Luiz Pierry que é Secretário Executivo do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade, PGQP. Este empreendimento começou aqui no RS e se espraiou por todo o Brasil, mas o coração e o cérebro é no RS. Nós vamos conversar assuntos estritamente sobre qualidade e produtividade. O que é qualidade? O que é produtividade? Por que isso é importante no setor público, até na sua casa? Esse Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade surgiu pela primeira vez aqui no RS. Luiz – Não. Polibio – Não foi no RS? Luiz – Não, ele não surgiu no RS, ele deu certo no RS. Na verdade, no início da década de 90, quando nós tínhamos na presidência o Fernando Collor, ele fez toda uma ação de abertura da nossa economia. Tem uma frase célebre dele em que ele colocava que os carros brasileiros pareciam umas carroças. Em algumas coisas a gente pode dar crédito pra ele. Com esta frase ele colocou um desafio para a indústria automobilística de que tínhamos que melhorar a questão dos carros, automóveis, de uma forma geral no país e, com isso, lançou a abertura da economia num mundo globalizado, cada vez mais competitivo. A tendência ficava mais clara com relação a isso. Algumas empresas brasileiras, desde a década de 80 já estavam trabalhando essa questão da qualidade e aquele momento ajudou muito a compreender isso e se lançar o movimento. Dentro da estrutura do governo federal, através de dois ministérios – Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Comércio e Turismo – naquele momento lançaram mão de um instrumento através de seus técnicos que passou a ser denominado de Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade e esse era um instrumento de fortalecimento da nossa indústria, mecanismo de comércio exterior, enfim. Precisava levar o conhecimento de gestão para as organizações brasileiras para se preparar, se qualificar mais, para enfrentar essa concorrência da abertura da nossa economia. Polibio – O objetivo inicial era para as empresas ou já tinha o foco para o setor público também? Luiz – Era para as organizações de um modo geral. Organizações privadas e públicas. O Brasil precisava se preparar para isso. Então, através do PBQP, a concepção foi criar um programa nacional que estimulasse os Estados a se organizarem em programas estaduais e também o estímulo a programas setoriais. Na medida que os setores, Estados, as regiões do país começavam a mobilizar as organizações, começavam a trabalhar isso a gente ia preparando o país. Nós até não fomos o primeiro Estado que tomou a iniciativa. Isso aconteceu na década de 90, no final de 91 foi criada a Fundação Nacional da Qualidade, era um projeto dentro desse contexto e cenário. Polibio – Público? Luiz – Não, era uma iniciativa deste movimento nacional, não público porque ele reunia não só o setor público, mas também o privado, ali pra criar a Fundação Nacional de Qualidade que ia tratar do conhecimento necessário para ser levado às organizações para começar a trabalhar isso. De buscar lá foro esse conhecimento e assim por diante. Então, esse processo nasceu na década de 90, em 91 foi criada a Fundação e em 92 nós criamos o programa estadual de qualidade e produtividade, PGQP, isso nasceu dentro da estrutura de governo. Polibio – Mas aqui privado já? Luiz – Nasceu dentro da estrutura do governo, do governo Alceu Collares. Um grupo de técnicos das duas secretarias...
    • Polibio – Também surpreendendo muito essas duas figuras, o Collor e o Collares. Jamais imaginei que o Collares fosse se preocupar com isso! Luiz – Na verdade isso não estava na plataforma de governo. Os técnicos destas secretarias correspondentes aos ministérios decidiram “bom, nós temos que nos alinhar com essa estratégia nacional, criar um movimento estadual, a exemplo do que os outros estados estão fazendo”, ai então surgiu uma Comissão Estadual de Qualidade e Produtividade que aproveitou a iniciativa do Collares que era a criação daqueles conselhos regionais de desenvolvimento, o Conselhão. E dentro daquela estrutura existia a possibilidade de criar tantas comissões quantos fossem os problemas que fossem interessantes para o RS discutir e preparar para o seu desenvolvimento. Nasceram praticamente duas comissões. Uma comissão estudava a qualidade, que gerou o PGQP, e uma outra que era no campo da comunicação que era para vender o RS, a marca RS e o que se fazia aqui, liderada pelas entidades da área de comunicação que eram da época, uma comissão de marketing. Esta segunda ficou no meio do caminho, ela não avançou. Nós, naquele momento, tínhamos tomado uma decisão de conceber um programa que fosse uma parceria entre setor público e privado. A gente não acreditava num programa que fosse oficial de dentro do governo e que ficasse só no governo, porque a tendência, a gente sabe que os governos, pelas mudanças de gestão, programas criados num governo no outro tendem a sucumbir. A gente já concebia isso. Polibio – No mínimo muda de nome. Luiz – No mínimo muda de nome, muda uma roupagem, já não era mais o que era e passa a ser outra coisa. Do ponto de vista técnico, nós tivemos todos os cuidados com relação a isso. Na época, o secretário de Indústria e Comércio era o Cláudio Henrique Moreira e o secretário de Ciência e Tecnologia era o vicegovernador do Estado, João Gilberto Lucas Coelho. Eles nos solicitaram sugerir alguns nomes de empresários que a gente entendia que poderiam conduzir isso no RS. E nós preparamos uma lista tripla com os técnicos e depois foi discutida com eles e tal e o primeiro nome dessa lista era o empresário Jorge Gerdau. Por uma razão simples: ele já estava envolvido com isso em suas empresas e ele conhecia o assunto, estava praticando nas suas organizações. Ai outros dois nomes que foram levados ao governador. O governador, quando recebeu estes nomes, ele tinha sido colega no curso de Direito do Sr. Jorge Gerdau e ai ele disse “o Jorge é meu amigo” e levantou o telefone na hora, ligou pro Sr. Jorge e para surpresa nossa o Sr. Jorge aceitou o desafio. Pra surpresa porque ele nunca tinha aceito nenhum tipo de convite nem para ministério, nem para outra função pública. Mas ele depois nos manifestou que ele compreendeu este convite como “aqui tem algo concreto que eu posso ajudar o meu Estado, eu vou trabalhar pela nossa paróquia e vou dar uma contribuição para a sociedade”. Polibio – O PGQP passou a ter um enfoque privado, não foi mais público. Luiz – Eu diria que foi a nossa salvação por várias razões. Este processo precisa ter lideranças muito comprometidas. Lideranças que acreditem fortemente e que se dediquem. É um processo que exige mudança. Para se fazer uma mudança, você tem que mobilizar as pessoas. Você vai ter que vencer resistências, é um processo quase que de conquistas. E ele tinha que estruturar tudo isso, tinha que pensar maneiras, formas que pudessem garantir que a gente chegaria a algum resultado. Então, ele é presidente desde aquela época, ele nunca abandonou o PGQP. Hoje ele preside o nosso Conselho Superior e nós temos hoje o empresário Ricardo Felizolla, que é um empresário jovem, novo, bastante competitivo da área da tecnologia da informação e eletroeletrônico, tem 3 empresas e conhece bem este processo. Está ai vivendo um processo de construção de uma empresa nova com os coreanos. Tudo isso trouxe um nível de conhecimento para este processo muito rico. Com estas lideranças, nós já tivemos outras pessoas que ocuparam estas posições como o Joal Teitelbaum que foi durante um tempo presidente do Conselho Diretor e que hoje é vice-presidente do Internacional, na construção de uma Joinventer que nós temos com a ASQ,
    • nós representamos no Brasil a Sociedade Americana de Qualidade numa parceria. Fizemos um namoro de quase 10 anos com eles. Polibio – E hoje tem programas estaduais como o nosso em praticamente todos os Estados? Luis – É, na verdade, nós reunimos aqui em Porto Alegre neste mês, a semana passada, nós reunimos 18 programas estaduais. Nós temos hoje 21 programas estaduais funcionando no Brasil. Nenhum deles conseguiu reproduzir o que nós acabamos fazendo aqui, O que nós fizemos aqui foi um conjunto de fatores e acertos que nós tivemos. Um outro estado não tem um Jorge Gerdau para liderar um processos desse como a gente tem aqui. Isso é um diferencial enorme. Nós tivemos 194 reuniões com ele que eu registrei e eram reuniões que levavam quase um turno inteiro. Segunda-feira de manhã, 7h30min e ia até quase meio-dia. Poucas pessoas em uma mesa redonda em que a gente analisava o que dava para fazer, definir os projetos, a gente identificava estratégias de atuação e agente nunca lançou uma coisa no PGQP que não tivesse continuidade. Polibio – Vocês começaram com enfoques tipo “vamos atuar primeiro nas empresas privadas aqui do RS, é isso? Primeiro na indústria, primeiro no comércio, como? Luiz – Na verdade, a primeira coisa que nós fizemos foi instituir um termo de adesão ao PGQP e ai as organizações que se interessavam em se engajar nesse processo, tinham interesse no assunto, estavam praticando isso, que eram as grandes empresas naquele momento do setor industrial... Polibio – Foram as que mais chegaram naquele momento. Luiz – A nossa ideia era mobilizar as 200 principais empresas industriais do RS que aderissem e junto conosco começassem a discutir isso e tratassem esse conhecimento para ser levado para as demais. Naquele momento nós conseguimos 200, mas isso nunca mais parou. Hoje, 21 anos depois, a gente tem uma média ai de 400, 500 novas empresas todo ano aderindo ao PGQP. Polibio – Só industriais? Luiz – Não só industriais. Hoje eu diria assim: nós temos 10.700 organizações com adesão, 2.100 são do setor industrial, nesse grupo tem de grande, médio e pequeno porte, o restante inteiro são 75% dessas adesões são de pequenas e médias empresas de todos os setores. Só em órgãos públicos nós temos uns 700 órgãos públicos com adesão ao PGQP. Prefeituras, algumas Câmaras do interior, secretarias de Estado, fundações. Num primeiro momento vieram as estatais, as antigas estatais, hoje até elas não estão mais ai, foram privatizadas, enfim. Mas na medida que esse processo foi sendo trazido da indústria para a área de comércio, de serviços para o próprio setor público, foi sendo necessário fazer uma adaptação de metodologia, de aplicação. Isso foi uma fase muito difícil. Polibio – Agora nós vamos conversar um pouco sobre qualidade e produtividade. Vamos tratar primeiro de qualidade. Nós podemos estabelecer um conceito do que é qualidade e até dar um exemplo sobre qualidade, por que é importante você ter qualidade, principalmente num mundo competitivo como esse ai. Até por nós mesmos, nós exigimos cada vez mais qualidade. Com que conceito o PGQP trabalha essa palavra, qualidade? Luiz – Qualidade é você fazer bem feito tudo o que você faz, o que você tem que fazer. O mais bem feito que você puder fazer e ai tem métodos, ferramentas para você aplicar e conseguir fazer bem feito. Também a busca da satisfação de quem interage com você naquilo que você está fazendo. A gente chama das partes interessadas no sucesso do seu negócio.
    • Polibio – Um exemplo assim que eu considero prático: coisa de 30 anos, quando eu recém era casado, eu procurava comer alguma coisa que hoje é parecido com um hambúrguer em Porto Alegre, e tinha uma ou duas lancherias e nem eu, nem meu pessoal, nos dávamos por satisfeitos com aquilo ali. Passados uns anos surgiu o MC Donalds aqui, ai mudou não apenas a maneira de nós nos alimentarmos com lanches, mas mudou todo o mercado que teve que subir de patamar. Esse é um exemplo prático de como a qualidade é importante. Ou até o do carro, esse do Collor. Luiz – Eu costumo dizer o seguinte: qualidade é uma filosofia de vida. Quando você conhece as ferramentas, conhece os princípios que estão por trás, você começa a se comportar com muita naturalidade, você internaliza esse conceitual todo e ai você não quer mais largar isso. Polibio – Você está falando do consumidor? Luiz – Do consumidor no seu comportamento e tal. Costumo dizer inclusive que o pessoal que entende de qualidade é muito chato porque você não aceita mais as coisas sem qualidade, um produto ou um serviço. Você não aceita mais um preço que não é justo e você não aceita comprar alguma coisa, pagar e de repente não te entregarem o que você está comprando. E hoje a gente vê, especialmente na área de serviços, qualquer coisa que você precise fazer, desde uma oficina onde você vai arrumar seu carro, você vê que falta muita coisa ainda pra dizer “bom, aqui tem qualidade”, desde o atendimento até a qualidade técnica da fiscalização do serviço em questão ali. Polibio – O setor de serviços, disparado, acho que é o que tem a pior qualidade no Brasil. Luiz – É porque essa é a indústria nova, a indústria mais moderna, o que mais cresce hoje no mundo. Polibio – E não tem um estrangeiro para competir aqui dentro. Luiz – Mas eu acho que esse processo ajuda a uma conscientização e vai se alcançando não só o conhecimento, mas também as condições para que o setor de serviços, desde uma pequena empresa, um escritório com meia dúzia de pessoas já comece a trabalhar seguindo essa regras. Que regras são essas? Você não faz nada que não tenha primeiro que planejar. Depois, aquilo que você planejou precisa ser executado porque não adianta só planejar e não executar e ai é o grande pecado que a gente vê na maioria das grandes organizações, faz um planejamento maravilhoso, mas não consegue executar nada. Stormer – O mesmo acontece com o trader. Às vezes um aluno nosso, um trader, vai lá e faz um plano perfeito para executar a compra e a venda da ação, mas não consegue executar. Luiz – Não se dedica para a execução. Não tem a disciplina que precisa, e estar comprometido com o que planejou. Quando você executa, logo na sequência você tem que avaliar o que você executou comparado com o que você planejou e para identificar o quanto você não conseguiu executar. Se necessário você vai corrigir a sua capacidade de planejar considerando bem os recursos que estão a sua disposição para que você tenha melhor condição de executar o que você planeja. Essa questão depende muito de um conjunto de recursos. Se você planeja, sonha, pensa em determinadas coisas pra fazer com a ambição que se precisa ter na hora de planejar, mas você não avalia corretamente os recursos que você vai precisar para realizar aquilo, você não realiza. Não consegue realizar. Leandro – É aquele problema básico da economia: as necessidades são infinitas, os recursos são finitos, a única forma de aumentar o nível de riqueza é extrair o máximo daqueles recursos e ai vem a qualidade e a eficiência. Luiz – Quando a gente faz qualidade é para melhorar a eficiência naquilo que a gente está fazendo. Isso está muito relacionado com a gestão, mas serve para a vida da gente. Na nossa casa estamos convivendo o tempo
    • todo com o desperdícios, com falta de otimização das coisas, dos recursos que estão ao nosso redor e agente vai tendo perdas. O combate a esses desperdícios, a essas perdas, ele é permanente e você vai se organizando, a gente falava aqui da tua capacidade pessoal de organização Polibio, isso pelas experiências que tu teve na vida, quando melhor você se organiza, melhor vai ser a sua capacidade de execução. Os resultados que você vai gerar com esse nível de organização é que vai gerar o nível de eficiência que você é capaz de produzir. Polibio – Quando vocês trabalham com qualidade, por exemplo no PGQP, vocês estabelecem como farol de comparação? O que tem de melhor no mundo naquele momento? Claro que a melhoria da qualidade não tem limite, o elemento de comparação seria a qualidade melhor que teria naquele produto, naquele serviço em algum lugar ai do mundo onde está lá no topo. Luiz – Você dá a oportunidade de duas coisas importantes. Primeiro, quando se começa um processo de qualidade ele não tem fim porque quanto mais você melhorar, mais você pode enxergar que pode fazer. E é isso que leva este caminho a não ter fim. Você pode chegar a um nível de maturidade elevada e ai não tem fim. A outra questão que você levanta é “como eu fico sabendo como está minha qualidade em relação a que, como que eu comparo?”. A gente usa como modelo, como ferramenta os referenciais comparativos que tem a ver como que chamamos de benchmarketing. Quem é o seu benchmarketing? Você conhece o seu benchmarketing? A gente faz uma escala por ondas: quem é seu benchmarketing mundial? Pra quem você olha pra ver a até copiar o que você está fazendo, para ir aperfeiçoando o que você está fazendo. A quem você olha no teu país, na tua comunidade, no teu vizinho, no teu concorrente? Quais são os teus relógios pra ti estar te comparando o tempo todo até para identificar se aquilo que você está fazendo, você esta conseguindo evoluir. Se está conseguindo avançar. Por isso a gente trabalha muito na questão de melhorar processos, tudo aquilo que você entrega, quer seja um produto ou um serviço, vem em decorrência de um processo que você atua na rotina. Você tem que ter procedimentos definidos, nível de organização excelentes. Polibio – Existe um ranking de qualidades por países? Existe isso? Quem seria o exemplo assim... Luiz – Sim, sim. Depende muito da área que se for comparar. Se eu for comparar hoje a grande referência em qualidade, quem mais evoluiu nisso foi o Japão. Porque o Japão na década de 60, período pós-guerra, se utilizou dos americanos para lá dentro começar a qualificar isso que nós fazemos aqui com o PGQP na década de 60 o Japão já fazia para reerguer sua economia e fortalecer as suas organizações para poder ocupar um espaço no mercado internacional. Polibio – E o Brasil, nesse Ranking, está em que lugar? Luiz – Estamos em 55°, estamos perdendo posição. Stormer – Como o japonês tem uma cultura de sempre querer fazer o melhor em tudo o que estiver fazendo, eles acabam se beneficiando. Leandro – Essa era minha pergunta: até que ponto a cultura de um país, de um estado, a forma de as coisas acontecerem como tempo, vocês que têm uma experiência tanto no setor privado quanto no setor público, até que ponto a cultura pode facilitar ou dificultar a implementação de uma visão de qualidade, de eficiência? Luiz – No caso do Japão, que é o país com mais qualidade, a gente costuma olhar as coisas que o Japão faz e a gente fica se perguntando: como aqueles olhos tão pequenos conseguem enxergar tanto? E a gente com olhos grandes consegue enxergar tão pouco? Polibio – Vai ver que é por isso, eles vão no detalhe.
    • Luiz – Você vê um jardim no Japão e você fica impressionado porque aquilo é quase a perfeição. Leandro – mais impressionante é a paciência do japonês cuidando do jardim. Luiz – Eles perseguem a perfeição e eles têm muita disciplina para fazer as coisas, uma coisa que não é o forte da nossa cultura. Essa paciência, a disciplina e a humildade a gente aprende quando está fazendo com qualidade, por isso eu falava que é uma filosofia de vida, porque é isso que faz com que você consiga melhorar a sua capacidade de se relacionar com quem você precisa, tanto com seu fornecedor quanto com seu cliente. Mas aqui no Brasil não está tudo perdido porque a gente tem algumas coisas muito importantes que são cada vez mais valorizadas. Primeiro a capacidade criativa, nós somos muito afeitos a correr riscos, o apetite pelo risco, pela mudança. Hoje nós estamos vivendo a era da inovação, porque nós precisamos de resultados. O consumidor lá fora está dizendo assim “esses resultados que vocês estão me entregando ai não me serve mais, isso não é suficiente, eu quero um resultado melhor”. Pra gente fazer um resultado melhor, nós temos que mudar a forma de como nós estamos fazendo. Polibio – Até porque a qualidade não é tudo num produto e num serviço. Luiz - A gente tem que analisar desde o processo e a gente tem que melhorar, inovar no processo, inovar no produto, no serviço que a gente está entregando porque isso é o que vai impactar num resultado melhor. Isso é o que o cliente, o consumidor lá fora, o usuário no caso do serviço público espera. Muito dessa manifestação e dessa movimentação que está ai nas ruas, a gente vai olhar a pauta “nós queremos qualidade; nós queremos que o setor público entregue aquilo que nós contratamos; eu estou pagando o imposto, mas não estou recebendo o serviço”. Leandro – Não existe, no momento, no setor público interesses contrários à qualidade? Luiz – Tem ações, mas é por desconhecimento. Leandro – Você acha que é mais por desconhecimento do que por má intenção mesmo? Luiz – Eu acho que é mais por desconhecimento e acho que isso está evoluindo bastante. Na medida que começam a surgir os exemplos, os cases, começam a minar essa reação e ai a gente consegue começar a constranger quem não faz. Leandro – O público foi tolerante à falta de qualidade. Luiz – Exatamente. Tudo isso que está nas ruas, na pauta é por solicitação de mais participação, as pessoas não querem mais ficar alheias ao que está acontecendo e os acomodados lá fazendo o que querem sem dar satisfação. Pra mim é a primeira questão. Agora, se você pegar toda a pauta que estão falando “mais qualidade em tudo que nos entregam; prioridades no país para a questão da saúde, pra questão da educação, pra questão do transporte; fim a corrupção” todas essas coisas, o que está por trás disso? Bom, se nós vivemos numa democracia, agora nós queremos cidadania. Acho que a construção desse momento é por cidadania e não é o conceito que nós temos hoje de cidadania, é um conceito mais evoluído do que esse que ai vai exigir das pessoas mais responsabilidade, mais consciência nas suas atitudes e no seu comportamento. Isso vai moldar um novo conceito de cidadania e isso está muito alinhado com os temas que hoje estão na pauta de sustentabilidade, de melhorar nossa capacidade de governança. Leandro – Afinal de contas nós entregamos 50% do PIB para o governo... Luiz- É a maior empresa que nós temos e ela tem que funcionar bem. Eu sempre digo para o setor público, quando eu estou no setor público, eu digo “olha, se um empresário vai abrir uma empresa, ele não tem que buscar num outro empresário um exemplo para abrir a empresa, ele teria que vir ao setor público, nós deveríamos ser o melhor modelo de funcionamento de uma organização”. E outra coisa que tem que nos
    • ajuda muito é que o Brasil é um país com uma capacidade empreendedora grande, por essa razão de ser criativo e tal, está na sua cultura. Nós temos que explorar, potencializar isso. Nós temos que explorar mais a promoção da cultura do empreendedorismo no país. Mas quando um empreendedor começa a trabalhar em cima do seu negócio, daquilo que ele faz e tal ele busca de imediato a questão da gestão. Porque ele percebe “eu já sei o que vou fazer, eu quero fazer uma coisa grande, significativa, que agregue valor para as pessoas; eu quero deixar um legado”. Um empreendedor sempre pensa assim “eu quero fazer algo que tenha valor”. Mas ai ele percebe que para conseguir fazer isso, ele tem que trabalhar a gestão e ele vai tentando aperfeiçoar a sua gestão para realmente conseguir atingir o objetivo que ele tem. Leandro – Qual seria sua dica, tipo o B A BA para começar? Como a pessoa pode instituir um programa de gestão na sua carreira ou para uma pequena empresa? Luiz – Nós resolvemos adotar, no Brasil inteiro hoje toda a comunidade de qualidade, o movimento Brasil Competitivo que é o nosso guarda-chuva maior, a Fundação nacional da Qualidade tem vários modelos de gestão. Modelos normativos e outros vários, mas nós escolhemos os critérios de excelência em gestão. Este modelo é baseado em 11 fundamentos que são usados no mundo inteiro e eles passam a ser praticados para avaliar a gestão nas organizações. Então, quando você faz a sua autoavaliação, com base nesse conhecimento, isso é produzido em 8 critérios práticos e perpassa todo o pensamento sistêmico que tem que estar por trás da organização, seja ela privada, pública ou de terceiro setor. São critérios que vão desde as lideranças, da definição das estratégias, de como é tomada a decisão, como está a relação com os clientes, como está a relação com o mercado e com a sociedade. Como você faz a sua gestão de pessoas, quanto você domina os seus processos e o quanto tudo isso está gerando resultado. A gente faz qualidade para melhorar resultado senão não faria sentido nenhum. Então, nós disponibilizamos este conhecimento, esta metodologia, oportunizamos às organizações a fazer a avaliação e essa metodologia, se há algo muito importante que nós fizemos no PGQP que o Brasil inteiro copiou e ai portanto nós passamos a ser a referência, é que nós pegamos os critérios de excelência do PNQ que é muito complexo, é para grandes organizações que estão num nível de maturidade muito elevado, e descomplicamos isso. Simplificamos tudo e criamos escalas de passo a passo, degrau por degrau. Ai, a gente tem hoje, desde um sisteminha de avaliação bem simples para empresas que recém estão começando esse processo. Hoje de manhã eu estava em Gravataí, por exemplo, tinha lá quase 100 organizações e 21 anos depois do PGQP eu pergunto: quantas dessas empresas aqui já têm adesão ao PGQP? E ai meia dúzia, 10 organizações levantaram a mão. Quantas não têm, eu já sabia a resposta? Majoritariamente, 21 anos depois, 90% das empresas ainda não estão trabalhando conosco. Polibio – Como é feita essa adesão? Luiz – Essa adesão pode ser feita hoje pela internet que é uma tecnologia que a gente tem e cada vez mais precisamos adotá-la para que a gente possa usar as ferramentas todas que estão à disposição para agilizar o que estamos fazendo nas organizações. Lá no portalqualidade.com/pgqp tem a possibilidade de fazer a adesão ao programa, não paga nada para fazer. Polibio – Feita essa adesão, qual é o passo seguinte? Luiz – Lá no próprio portal já está toda a instrução, você fez a adesão, o que faz agora? Em 10 passos tem como você começa a se organizar desde a estrutura que você tem que ter interna, da necessidade de capacitação que você precisa para que você possa ir melhorando a sua capacidade de se avaliar. Polibio – Ali tem uma ideia de custos também? Luiz – Tudo que nós fazemos no PGQP e foi para isso que surgiu o PGQP, é tudo muito acessível. Nós não fazemos nada de graça, mas ninguém consegue fazer uma outra organização de mercado o que ela consegue
    • fazer com o PGQP em função do seu custo e do seu objetivo e a ação do PGQP de levar esse conhecimento para as várias organizações. Polibio – Então, o que significa, no conceito do PGQP, produtividade? Tem que ter produtividade na produção. Luiz – Na verdade, qualidade é um valor e quando a gente falar em produtividade a gente precisa ser produtivo para ter qualidade. Polibio – Qualidade é até difícil de mensurar matematicamente. Luiz – E a produtividade é o complemento disso. Polibio – É o que dá para mensurar matematicamente. Luiz – Exatamente, por isso nós nos chamamos Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade porque você não tem qualidade se não tem produtividade e a produtividade é a otimização do uso dos seus recursos. Você está gerando enquanto resultado aquilo que se espera que você seja capaz de realizar pela avaliação dos recursos que você tem. Polibio – Produtividade, digamos assim, você produz 1000 carros e eu quero aumentar a minha produtividade, com os mesmos recursos que eu tenho e com a mesma qualidade, eu tenho que produzir mais unidades. Luiz – E talvez até diminuir o preço em função da possibilidade que você tem de potencializar no mercado a venda do seu produto. Na verdade, o ganho de escala, isso ajuda muito no teu crescimento, tua rentabilidade, mas é porque você está otimizando, você está fazendo todo o esforço que você pode fazer para otimizar, potencializar o que você está fazendo a partir dos recursos que você tem. Por isso a gente fala muito em indicadores nesse tema da qualidade, na gestão, você tem que colocar meta, você tem que ter o acompanhamento da execução, das ações que você tinha pra fazer e planejou fazer. Você vai tendo o uso de indicadores para ver se você está conseguindo realmente executar, você define uma meta, você faz tudo que acha que tem que fazer e no final você vê se cumpriu a meta ou não. Você não gerenciou a meta, você foi reativo. A ideia é que você, através de alguns indicadores identificados você consiga ir fazendo a medição de tempo em tempo, você está gerenciando e você tem quase a garantia de que vai conseguir chegar à meta, você vai atingir a meta. Então, essa produtividade é como você vai realmente conseguir fazer qualidade. A gente falava que um setor que de repente não consegue ser produtivo ele tem perda de competitividade, ele passa a ter muitas dificuldades de sobrevivência até no próprio processo econômico. Leandro – Nós temos aqui uma comunidade de pessoas que operam no mercado e pessoas que investem em ações de empresas, já foi provado que empresas que pautam pela qualidade, pela produtividade, pela organização maior, são empresas que geram maior valor para o acionista. Quais são os sinais para um avaliador normal que vai chegar até a empresa e vai avaliar esta empresa, quais são os sinais principais de que de fato há nessa empresa um programa de qualidade, de eficiência? Se você fosse avaliar uma empresa inicialmente, que tipo de informação você buscaria que demonstra que essa empresa está comprometida com esses princípios? Luiz – É um conjunto de 7 fatores. Então, a gente não avalia apenas o resultado financeiro. O critério resultados, que equivale a quase 50% dessa avaliação, lá nos resultados a gente avalia e mede em função de 7 grupos de indicadores. Você avalia o resultado financeiro, você avalia o resultado para os fornecedores, você avalia o resultado dos seus processos, você avalia o resultado das suas pessoas. Tem um conjunto de resultados que são avaliados pra poder dizer assim “bom, você está conseguindo realmente ter uma estrutura, um sistema de gestão que está estruturado de maneira a atingir esse nível de resultados. Às vezes a
    • gente encontra as organizações que são muito boas num tipo de resultado, o resultado financeiro, mas no resto todo ela não está atuando. Leandro – Até por um resultado financeiro muito substancial se corta outras possibilidades. Luiz – Ai você fica dependente da conjuntura. Porque se mudou a conjuntura ou entra uma legislação que interrompe aquela situação ali, você já está capenga de novo. O equilíbrio que esses elementos todos é que acabam garantindo que você está pensando a organização no seu todo. O que importa muito hoje, as organizações profissionais e tal, elas trabalham com distribuição de resultados. Uma das coisas que elas fazem muito seguido é a distribuição de resultados. São avaliados também os resultados que a organização está conseguindo obter com relação ao desenvolvimento da comunidade na qual ela está inserida. A relação com a sociedade. Os critérios de responsabilidade social, quanto você está conseguindo ajudar a sua comunidade. Leandro – Ambiental também. Luiz – Ambiental, tudo é avaliado. Polibio – Falávamos há pouco, no intervalo, sobre São Leopoldo que hoje é um polo de tecnologia da informação importantíssimo, mas que de repente esbarra ali na questão educacional, que foge, escapa da própria Tecnosinos e ai tem que melhorar as questão de educação da própria cidade. Luiz – De ambiente, hoje eu converso muito com empresários daquela região e eles têm muito interesse em ajudar, mas não ajudar financeiramente a determinadas iniciativas pontuais. Eles querem ajudar na melhoria de gestão com a segurança de que vão gerar um ambiente mais favorável, com resultados que possam permanecer na organização. Isso não tem outra maneira, é através da melhoria de gestão. Polibio – Em matéria de produtividade, é a indústria que puxa isso ai. Luiz – Sim, porque o sistema de produção da indústria é modelado, você tem ali um conjunto de técnicas muito aprimoradas para o controle de cada etapa do processo. Polibio – Isso já vem há mais tempo, desde o Henry Ford com o fordismo, produção em série, depois com o sistema Toyota. Luiz – Exatamente. O bom disso é que se espalhou para todas as outras funções. Polibio – Se não se espalha o concorrente morre, ele perde. Luiz – Você não consegue mais hoje, neste mundo em que nós estamos vivendo, trabalhar sem organização. Leandro – E como o PGQP aborda a questão da inovação, como entra a inovação nisso? Luiz – Essa questão da inovação sempre existiu, mas ela está tendo uma ênfase muito grande neste momento e isso é quase uma obrigatoriedade pra todo mundo, tanto para as empresas privadas quanto para o setor público. A gente instituiu uma metodologia também de avaliação, para avaliar resultados das iniciativas de inovação, as propostas das organizações e é por uma razão simples, porque como o consumidor lá na forma de cliente ele está dizendo assim “as coisas que vocês estão entregando não servem mais”, a gente tem que inovar pra colocar isso num outro patamar. Eu não posso continuar fazendo do jeito que eu faço hoje achando que o resultado vai ser melhor. Polibio – Mas eu ligo muito essa questão da inovação à inovação do produto final, não é isso?
    • Luiz – Não, ai neste caso é inovação tecnológica, mas a gente está falando na inovação da gestão. Esse sistema de gestão que a gente está incorrendo, que inclui o produto, processo, até mesmo negociação do próprio negócio, às vezes é o negócio que não tem mais nenhuma chance de vencer e você tem que alterar o seu negócio. Leandro – Exemplo uma câmera fotográfica, uma grande produtora como a Kodak que faliu. Luiz – Você tem que partir para um processo de mudança, quase de ruptura para estabelecer uma nova possibilidade de negócio com chance de vencer neste novo cenário que se instala, mas é porque aumentaram as exigências do mercado, do consumidor, que nós precisamos apresentar resultados melhores, nós somos obrigados a inovar. Basicamente é isso. Polibio – Inovar na gestão e inovar no produto final. Leandro – E além disso tem a questão da velocidade que o mercado tomou de uma conexão muito forte das pessoas, desde os consumidores até os próprios empresários. Um tempo atrás um ciclo de inovação levava 10 anos, 15 anos, hoje em 2 anos. Se a gente pegar serviços pela internet de 2 anos atrás, hoje é totalmente diferente, já é internet 3.0, 4.0. Luiz – Nada do que nós usamos hoje para produzir, para trabalhar, há 10 anos atrás existia. O ciclo está cada vez mais curto e a lei é “você tem que estudar e buscar aprender sempre”. Polibio – Dentro dessas questões que vocês estão colocando, eu tive uma surpresa esta semana inclusive, em matéria de inovação. Eu passei a ver este programa aqui na minha TV, porque eu passei a assinar o NetFix, comprei um aparelho que custa R$ 300,00, coloco no wirelles dentro da minha casa, plugo na televisão e estou me vendo, esse programa, na televisão. Luiz – Todo mundo consegue fazer isso já. Leandro – Sim, a inovação já foi até mais longe, as TVs mais modernas hoje já são um computador. Já vem com o aplicativo que dá conexão direta com a internet e a pessoa pode inclusive fazer um chat direto na TV. A tendência é todos os aparelhos conversarem entre si e todos eles estarem conectados na internet. Isso cria uma velocidade da informação que é assustadora até. Luiz – É por isso que hoje a gente está alertando as nossas organizações, de uma maneira geral, que a lei é inovar. Pelo seguinte: você tem que incorporar as tecnologias que hoje estão disponíveis, quanto mais tarde você fizer isso, pior será para sua organização. Por outro lado você tem que buscar a inovação, para criar um ambiente favorável a isso você precisa ter pessoas internas que tenham essa capacitação. Tipo: tem que ter gente com capacidade de gerar ideias, tem que ter talento, tem que ter gente com cultura empreendedora, pessoas com valores claros estabelecidos. É por isso que a gente faz esse congresso, esse prêmio, traz conhecimento internacional pra cá, foi o melhor de todos os anos da nossa trajetória o que nós acabamos fazendo agora, Congresso Nacional da Gestão, sempre em julho. Esse é o momento que damos mais visibilidade para o que estamos fazendo por todo o ano através de uma rede de comitês, são 80 comitês, que multiplicam e espalham isso no RS. Nesse congresso a gente trabalha duas coisas: o conhecimento novo que a gente está disponibilizando e o reconhecimento às organizações que estão se submetendo a estas avaliações e estão se candidatando ao prêmio, prêmio qualidade ou inovação que nós temos, e com isso são aplaudidos por uma grande massa da população. Bom “vocês estão fazendo o que nos interessa”. Polibio – Concluindo, e os desafios? Luiz – Os desafios são grandes, até em função do que a gente percebe que está acontecendo no país, a gente tirou 5 grandes pontos pelos quais nós estamos nos organizando para trabalhar cada vez mais fortes por eles
    • e estamos recomendando que todo mundo faça isso, tanto as organizações privadas quanto as públicas. O primeiro ponto é que nós precisamos ter uma maior poder e maior força para as cidades. Nós, no Brasil hoje, precisamos apostar nas cidades. Porque não adianta nada ter todo recurso aqui e vai lá pra Brasília, se perde um monte no meio e depois vem um pouquinho que não é nem 30% para o município fazer tudo o que precisa fazer. É uma descentralização e a população está aqui nas cidades. A segunda questão é que precisamos resolver o problema da educação e temos que chegar num nível de gestão nas escolas. Ter escolas de resultado. O terceiro ponto é todo mundo cumprindo metas, se a gente não coloca metas, a gente não faz o esforço que pode. O quarto ponto é todos nós buscando cumprir metas e espalhar e promover uma cultura empreendedora no país. Estes pontos é o que a gente está colocando ai que são praticamente os resultados que nós tiramos do Congresso, em cima de todas as oportunidades de trabalho que nós tivemos lá dentro, os palestrantes internacionais que vieram. Além daquilo que é programação pro grande público, nós temos várias atividades de reflexão próprias do programa utilizando os palestrantes internacionais para pensar o nosso futuro. E o outro ponto que eu estava esquecendo aqui, é o controle da qualidade com o gasto. Isso não importa se é organização privada ou pública. Nós todos estamos preocupados enquanto cidadãos, qual são os projetos que você está fazendo? São bons? Esses projetos nos interessam? O quanto você está gastando para executar estes projetos? A qualidade deste gasto está sendo controlada? Porque às vezes se faz planejamento, não se sabe o que vai fazer com os recursos que se tem, e financeiros para fazer o investimento. Se define um projeto, mas este projeto não serve para ninguém, ou servem para poucos. Temos que ter muita clareza do que precisamos executar e em que controle que nós estamos fazendo com esses investimentos, porque os recursos são cada vez mais escassos. Se são escassos, nós temos que ter mais controle sobre eles.