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Impacto de adubações mineral e orgânica sobre a incidência de tripes, Thrips tabaci lind., e míldio, Peronospora destructor berk. casp., e da diversidade vegetal sobre as populações de tripes  e sirfídeos predadores em cebola, Allium cepa L.
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Impacto de adubações mineral e orgânica sobre a incidência de tripes, Thrips tabaci lind., e míldio, Peronospora destructor berk. casp., e da diversidade vegetal sobre as populações de tripes e sirfídeos predadores em cebola, Allium cepa L.

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Tese de doutorado. …

Tese de doutorado.
Gonçalves, Paulo Antonio de Souza. Impacto das adubações mineral e orgânica sobre a incidência de tripes, Thrips tabaci Lind., e míldio, Peronospora destructor Berk. Casp., em cebola, Allium cepa L., e da diversidade vegetal na cultura sobre as populações de T. tabaci e sirfídeos predadores/ Paulo Antonio de Souza Gonçalves . Programa de Pós Graduação em Ecologia e Recursos Naturais. São Carlos : UFSCar, 2001. 123 p.

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  • 1. 1
  • 2. 2
  • 3. 3
  • 4. 4
  • 5. 5 Dedico este trabalho a minha esposa Maristela, meus filhos Lucas e Letícia, e a meus pais, Paulo e Eneida
  • 6. 6 AGRADECIMENTOS Ao prof. Dr. Carlos Roberto Sousa e Silva pela orientação, apoio e amizade. À minha esposa Maristela e aos meus filhos Lucas e Letícia pelo carinho, e paciência durante a realização do curso. À EPAGRI, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, pelo apoio na realização do curso. Aos ex-chefe da Estação Experimental de Ituporanga, Arno Alex Zimmerman Filho e ex-gerente regional da EPAGRI, Nelson Grau de Souza, pela liberação para o curso. Aos colegas da Estação Experimental de Ituporanga, pelo apoio e amizade. Aos Srs. Marcelo Pitz e Lourival Defreyn pelo auxílio nos levantamentos de campo. À Sra. Marlene Mattei e Sr. Sérgio Tamassia pelo suporte na área de informática. Às bibliotecárias da EPAGRI, Sras. Zilma Maria Vasco e Eliane Longen Kniss pela vasta bibliografia obtida por comutação.
  • 7. 7 À bibliotecária da UFSCar, Sra. Angélica Maria Dupas, pela revisão das citações bibliográficas. Aos estatísticos pesquisador Renato César Dittrich (EPAGRI) e Profa. Marinéia Lara Haddad (ESALQ - USP) pelos esclarecimentos na análise de dados. Ao pesquisador Clori Basso (EPAGRI, Estação Experimental de Caçador, SC) pela análise de adubos e níveis foliares de nutrientes. Aos taxonomistas L. Marinoni (Centro de Identificação de Insetos Fitófagos - Universidade Federal do Paraná), Christhian Thompson (USDA - EUA) pela identificação das espécies de sirfídeos. À tradutora Sra. Nicoleta T. N. Sabeztki (EPAGRI, Itajaí, SC) pelo apoio na redação do “abstract”. Aos colegas Vera Britez, José Ethan, Francisco Pegado, Maria Inês Nahas, Judith Bataglia, Alexandre, Flávia Moura, Sineide pela amizade e brilhante atuação como atores amadores. Aos demais colegas de curso pela amizade e atenção. À Universidade Federal de São Carlos, que possibilitou a realização do curso. Aos professores das disciplinas cursadas pela transmissão de conhecimento e maneira inovadora e respeitosa aos alunos na forma de conduzir um curso de pós-graduação. Aos revisores do trabalho de tese e qualificação Dr. Josué Marques Pacheco (UFSCar), Dr. Luiz A. C. Margarido (UFSCar), Dr. Newton
  • 8. 8 Macedo (UFSCar), Dr. Odair A. Fernandes (UNESP), Dr. Odo M. A. S. P. R. Primavesi (EMBRAPA) pelas sugestões e correções apresentadas. À Empresa de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) pela concessão de bolsa de estudo e maneira respeitosa nas avaliações. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1. Os efeitos do manejo convencional de agroecossistemas sobre a biodiversidade funcional (biota de solo e inimigos naturais) e predisposição a doenças e pragas (modificado de ALTIERI, 1999)................................................................................. ............8 FIGURA 2. Esquema de parcelas de cebola em monocultivo (a) e associada a diferentes espécies vegetais (b)...............................................52 FIGURA 3. Níveis de nutrientes em folhas de cebola sob fontes de adubação orgânica e mineral. Ituporanga, EPAGRI, 1998.................63 a 67 FIGURA 4. Níveis de nutrientes em folhas de cebola sob fontes de adubação mineral e orgânica. Ituporanga, EPAGRI, 1998.....................................................................................84 a 88 FIGURA 5. Coeficiente de correlação (r) e determinação (r2 %) entre o número médio geral de larvas de sírfideos/planta e número médio geral de ninfas de Thrips tabaci Lind./planta em cebola em monocultivo e associada com diferentes espécies vegetais. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998....................................................102
  • 9. 9 LISTA DE QUADROS QUADRO 1. Tratamentos com diferentes doses de nutrientes e fontes de adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998................................................................................41 QUADRO 2. Análise de solos da área experimental realizada pelo Laboratório de Análise de Solos, Estação Experimental de Ituporanga, EPAGRI, 1998.............................................................................................43 QUADRO 3. Níveis de nutrientes de diferentes fontes orgânicas de adubação. EPAGRI, 1998..............................................................................44 QUADRO 4. Análise de solos da área experimental realizada pelo Laboratório de Análise de Solos, Estação Experimental de Ituporanga, EPAGRI, 1998.............................................................................................48 QUADRO 5. Tratamentos com diferentes doses de nutrientes e fontes de adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998................................................................................49 QUADRO 6. Análise de solos da área experimental realizada pelo Laboratório de Análise de Solos, Estação Experimental de Ituporanga, EPAGRI, 1998..........................................................51
  • 10. 10 LISTA de TABELAS TABELA 1. Número médio de ninfas de Thrips tabaci em cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998.............................................................................61 TABELA 2. Porcentagem de folhas de cebola, cultivar Crioula, infectadas por Peronospora destructor , sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998....................................................62 2 TABELA 3. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Thrips tabaci Lindeman 1888. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998....................................................................................68 e 69 2 TABELA 4. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Peronospora destructor. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998....................................................................................70 e 71 TABELA 5. Produtividade comercial média e peso médio de bulbos de cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998.................................................................................. ..........72 TABELA 6. Número médio de ninfas de Thrips tabaci em cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998...............................................................................82 TABELA 7. Porcentagem de folhas infectadas por Peronospora destructor em cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998.....................................................83 2 TABELA 8. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Thrips tabaci Lindeman 1888. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998......................................................................89 e 90 2 TABELA 9. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Peronospora destructor. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998.......................................................................................91 e 92 LISTA de TABELAS TABELA 10. Produtividade comercial média e peso médio de bulbos de cebola, cultivar Crioula, sob adubações
  • 11. 11 mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998....................................................93 TABELA 11. Número médio de ninfas de Thrips tabaci em cebola, cultivar Crioula, em monocultivo e associada a diferentes espécies vegetais. EPAGRI, Ituporanga, 1998............................................99 TABELA 12. Número médio de larvas de sirfídeos predadores, Toxomerus spp., em cebola em monocultivo e associada a diferentes espécies vegetais. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998..................100 2 Tabela 13. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r ) entre média de ninfas de Thrips tabaci Lind./planta, e número médio de larvas de sirfídeos predadores, Toxomerus spp./planta. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998.............................................................................101 TABELA 14. Produtividade comercial média e peso médio de bulbos de cebola, cultivar Crioula, em monocultivo e consorciada. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998..............................................103 TABELA 15. Correlação entre variáveis climáticas e incidência de Thrips tabaci (Thysanoptera : Thripidae) , Peronospora destructor , e de sirfídeos predadores, Toxomerus spp. . EPAGRI, Ituporanga,1998......................................................................106 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO..................................................................................... ........1
  • 12. 12 1.1 Impacto da agricutura convencional nos agroecossistemas .....................6 1.2 Nutrientes em plantas e sua relação com a ocorrência de insetos e patógenos....................................................................................... ............9 1.2.1 Relação de nitrogênio (N) com a incidência de insetos e patógenos de plantas.......................................................................................... ..........10 1.2.2 Relação de demais nutrientes com insetos e patógenos de plantas.......................................................................................... ..........16 1.2.3 As relações entre nutrientes com a incidência de insetos e patógenos de plantas.......................................................................................... .....17 1.2.4 Influência da fertilização no desenvolvimento de míldio, Peronospora destructor, e espécies de tripes.............................................................19 1.2.5 Fertilizações mineral e orgânica e suas relações com infestação de insetos e patógenos de plantas..............................................................20 1.3 Diversidade vegetal: efeito sobre insetos fitófagos e inimigos naturais........................................................................................... ..........21 1.3.1 Hipóteses sobre a diminuição da herbivoria por insetos em ambientes
  • 13. 13 diversificados............................................................................... ...........24 1.3.1.1 Hipóteses de inimigos naturais versus concentração de recursos..................................................................................... ..........24 1.3.1.2 Hipótese da “qualidade” da planta hospedeira...................................27 1.3.1.3 Hipóteses da “diversidade de recursos e distúrbios intermediários”............................................................................. ...........27 1.3.2 Relação entre diversidade vegetal e densidade de herbívoros.............28 1.3.3 Efeito da diversidade vegetal sobre espécies de tripes.......................................................................................................31 1.3.4 Diversidade vegetal e sua relação com hábito alimentar de insetos, e sistemas anuais e perenes....................................................................35 1.4 A atuação de sirfídeos como predadores................................................37
  • 14. 14 2. MATERIAL E MÉTODOS...........................................................................40 2.1 Experimento 1. Densidade Populacional de T.tabaci , e infestação por P. destructor, em cebola sob diferentes fontes de adubação orgânica.................................................................. ..........40 2.2 Experimento 2. Densidade Populacional de T. tabaci, e infestação por P. destructor, em cebola sob diferentes fontes minerais de adubação................................................................ ..........47 2.3 Experimento 3. Densidade Populacional de T. tabaci, e sirfídeos predadores em cebola em monocultivo e associada com outras espécies vegetais..................................................50 2.4. Variáveis climáticas e correlação com a incidência de T. tabaci, P. destructor, e sirfídeos................................................................................53 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................54 3.1 Experimento 1. Densidade populacional de T. tabaci, e infestação por P. destructor, em cebola sob diferentes fontes de adubação orgânica.................................................................. ..........54 3.2 Experimento 2. Densidade populacional de T. tabaci, e infestação por P. destructor, em cebola sob diferentes fontes minerais de adubação................................................................ ..........73 3.3 CONCLUSÕES dos EXPERIMENTOS 1 e 2...........................................80 3.4 Experimento 3. Densidade Populacional de Thrips tabaci, e sirfídeos predadores em cebola em monocultivo e associada com outras espécies vegetais..................................................94 3.5 CONCLUSÕES DO EXPERIMENTO 3...................................................97
  • 15. 15 3.6 Correlação entre variáveis climáticas e incidência de T. tabaci, P. destructor, e de predadores Toxomerus spp. ........................................104 3.6.1 Conclusões sobre a relação entre variáveis climáticas e incidência de T. tabaci, P. destructor, e de predadores Toxomerus spp. ........................105 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................108
  • 16. 16 RESUMO O objetivo deste trabalho foi analisar a relação entre adubações minerais e orgânicas sobre a incidência de Thrips tabaci Lindeman 1888 (Thysanoptera: Thripidae) e Peronospora destructor Berk. Casp. (Peronosporales: Peronosporaceae), em cebola, Allium cepa L. (Alliaceae) e o efeito da diversidade vegetal na cultura sobre as densidades populacionais de T. tabaci e sirfídeos predadores. O trabalho constituiu-se de três experimentos montados na Estação Experimental de Ituporanga da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI). entre agosto e dezembro de 1998. Os tratamentos do experimento com adubação orgânica foram determinados de acordo com a necessidade de N para a cultura pela análise de solo. Os tratamentos foram diferentes fontes de adubo orgânico fornecendo 75 Kg/ha de N (estercos de suíno; adubo Barriga Verde , proveniente de esterco de aves; composto orgânico; esterco de peru; húmus); 37,5 Kg/ha de N (metade da dose normal com esterco de suíno); testemunhas com adubação mineral fornecendo dose normal de NPK (30-120-60 kg/ha de N-P2O5-K2O) e dobro da dose (60-240120 kg/ha de N-P2O5-K2O) e testemunha sem adubação. Os níveis dos tratamentos no experimento com adubação mineral foram determinados respectivamente por 1 e 3 vezes a recomendação da análise de solo: 30-120-60 kg/ha de N-P2O5-K2O; 90-360-180 kg/ha de N-P2O5-K2O; 75,0 Kg/ha de N; 225,0 Kg/ha de N; 80,0 Kg/ha de P2O5 ; 240,0 Kg/ha de P2O5; 60,0 Kg/ha de K20; 180,0 Kg/ha de K20; as testemunhas com adubação orgânica foram esterco de suíno + fosfato natural em três tratamentos (75,0 Kg/ha de N + 80,0 Kg/ha de P2O5 ; 225,0 Kg/ha de N + 240,0 Kg/ha de P2O5; 37,5 Kg/ha de N + 40,0 Kg/ha de P2O5) e
  • 17. 17 testemunha sem adubação. Os tratamentos do experimento sobre diversidade vegetal foram: cebola em monocultivo; cebola + trigo mourisco (Fagopyrum esculentum Moench) (Poligonaceae); cebola + nabo forrageiro (Raphanus sativus L. var. oleiferus Metzg.) (Brassicacae); cebola + cenoura (Daucus carota L.) (Umbeliferae), cv. Nantes e cv. Brasília; cebola + milho (Zea mays L.) (Poaceae); 6) Cebola + rúcula (Eruca sativa) (Brassicaceae) + vegetação espontânea. Nenhuma das fontes de adubação apresentou incidência de T. tabaci e P. destructor superior à testemunha sem adubo. A adubação mineral em relação à orgânica não favoreceu significativamente a incidência de T. tabaci e P. destructor . A incidência de T. tabaci, diferiu entre tratamentos apenas em solo com histórico de manejo convencional, independente da fonte de adubação utilizada (mineral ou orgânica), enquanto que no orgânico não houve diferença entre tratamentos. A correlação entre nutrientes, T. tabaci e P. destructor, na maioria das avaliações não foi linear. Nos períodos de maior incidência de T. tabaci a relação com nutrientes foi mais alta para K/Zn (positiva) e Ca/Fe (positiva) e para P. destructor para Mg (positiva) e Mg/B (negativa), respectivamente para experimentos com fontes orgânicas e minerais. A relação entre nutrientes inseto e patógeno foi variável entre datas de amostragem e foi distinta para fontes minerais e orgânicas. A adubação orgânica em dose normal atingiu níveis de produtividade similares à mineral. A associação de cebola com diferentes espécies vegetais não provocou diferenças significativas na incidência de T. tabaci e sirfídeos predadores. A correlação entre sirfídeos predadores e incidência de T. tabaci não foi significativa. A produtividade comercial e peso de bulbos de cebola foi similar em sistema de monocultivo e diversificado, o que sugere ser possível adotar tais sistemas sem perdas significativas em rendimento.
  • 18. 18 IMPACT OF MINERAL AND ORGANIC FERTILIZATION ON THE INCIDENCE OF ONION THRIPS, Thrips Tabaci LIND., AND DOWNY MILDEW, Peronospora destructor Berk. Casp., AND THE CROP VEGETAL DIVERSITY ON THE T. tabaci AND PREDATOR SYRPHIDS POPULATIONS ABSTRACT The purpose of this work was to analyze the relationship between mineral and organic fertilization on the
  • 19. 19 incidence Thripidae), of Thrips and tabaci Lindeman Peronospora 1888 destructor (Thysanoptera: Berk. Casp. (Peronosporales: Peronosporaceae), in onion, Allium cepa L., and the effect of the crop vegetal diversity on population densities of T. tabaci and predator syrphids. The work consisted of three experiments evaluated at Ituporanga Experiment Station, EPAGRI, Santa Catarina State, Brazil, from August to December 1998. The organic fertilization treatments were based on the N needs determined by previous soil analysis. The treatments were different organic sources: 75,0 Kg/ha of N (swine manure; Barriga Verde  poultry manure; compost; turkey manure; humus); 37,5 Kg/ha of N (swine manure half regular rate); control plants receiving regular mineral NPK (30-120-60 Kg/ha of N-P2O5-K2O) and double rate of NPK (60-240-120 Kg/ha of N-P2O5-K2O); and unfertilized control. In mineral fertilization experiment, the mineral levels were 1 and 3 times the rates recommended by the soil analysis: 30-120-60 Kg/ha of N-P2O5-K2O ; 90-360-180 Kg/ha of N-P2O5-K2O; 75,0 Kg/ha of N; 225,0 Kg/ha of N; 80,0 Kg/ha of P2O5; 240,0 Kg/ha of P2O5; 60,0 Kg/ha of K20; 180,0 Kg/ha of K20. Control plants being applied organic fertilization received swine manure + phosphate rock in three treatments (75,0 Kg/ha of N + 80,0 Kg/ha of P 2O5; 225,0 Kg/ha of N + 240,0 Kg/ha of P2O5; 37,5 Kg/ha of N + 40,0 Kg/ha of P 2O5) and unfertilized check. The treatments in the experiment about vegetal
  • 20. 20 diversity consisted of: onion monoculture; onion intercropped with buck wheat (Fagopyrum esculentum Moench) (Poligonaceae); onion intercropped with fodder radish (Raphanus sativus L. var. oleiferus Metzg.) (Brassicaceae); onion intercropped with carrot (Daucus carota L.) (Umbeliferae) cv. Nantes and cv. Brasília; onion intercropped with corn (Zea mays L.) (Poaceae); onion intercropped with Eruca sativa (Brassicaceae) and weed. The onion thrips and downy mildew incidence were similar between treatments with fertilizer and no-fertilizer control. The mineral fertilization did not increase significantly onion thrips and downy mildew incidence compared to the organic treatment. T. tabaci incidence differed among treatments only in conventionally managed soil, regardless of the fertilization source used (either organic or mineral), whereas in the organically managed soil thrips population density was similar. The correlation between nutrients T. tabaci and P. destructor was not linear. During severe infestation period, the nutrient relation and the T. tabaci incidence, was higher for K/Zn (negative) and Ca/Fe (positive); and for P. destructor was higher for Mg (positive) and Mg/B (negative) (respectively for mineral and organic fertilization). The nutrient relation between insect and pathogen varied according to sampling date and differed for mineral and organic sources. The regular rates of organic fertilization reached similar yield levels as the mineral treatment. The T. tabaci and predators syrphids populations
  • 21. 21 density were similar in onion monoculture and policulture. The correlation between T. tabaci and predators syrphids incidence was not significant. The commercial yield and onion bulb weight were similar in both the monoculture and the intercropped systems, thus suggesting the possibility of adopting policulture without yield losses. relevant
  • 22. 22 1. INTRODUÇÃO A monocultura da cebola, Allium cepa L. (Alliaceae), é uma das principais atividades de exploração agrícola de Santa Catarina, concentrada principalmente na região do Alto Vale do Itajaí. O estado de Santa Catarina é um dos principais produtores de cebola do país em volume de produção e área plantada (BOEING, 1999a; 1999b). O manejo da cultura da cebola tem-se caracterizado pelo tradicional pacote preconizado pela “Revolução Verde” (vide item 1.1): uso de fertilizantes químicos, aplicação de agrotóxicos, mecanização intensiva. O manejo fitossánitario da cultura na fase de lavoura tem-se caracterizado principalmente pela aplicação de agrotóxicos para controle de míldio, Peronospora destructor (Berk.) Casp. (Peronosporales: Peronosporaceae), e de tripes, Thrips tabaci Lindeman 1888 (Thysanoptera: Thripidae). GONÇALVES (1996a) observou que a aplicação de inseticidas para controle de tripes com organofosforados e piretróides tem sido relativamente exagerada em dose e número de aplicações com prejuízos a saúde do agricultor e do ambiente. T. tabaci mede aproximadamente 1 mm de comprimento, tem coloração esbranquiçada a verde amarelada na fase de ninfa e amarelo claro a marron, quando adulto (GALLO et al., 1988). Os insetos alojam-se na região da bainha, e em folhas
  • 23. 23 mais novas das plantas de cebola. A fase de ninfa tem duração de 5 a 10 dias de acordo com a temperatura, o período de pupa de 24 horas, e a longevidade de fêmeas de 20 dias (GALLO et al., 1988). SALAS (1994) compilou em vários trabalhos os seguintes dados de ciclo de vida para T. tabaci variáveis com temperatura e umidade relativa: período de ovo (4 a 4,8 dias); primeira fase ninfal (2,09 a 5,9 dias) e segunda (2,04 a 2,4 dias); pré-pupa (1,0 a 1,4 dias); pupa (2,0 a 2,4 dias); ovo a adulto (11,2 a 13,9 dias); pré-oviposição (2,7 a 3,0 dias); oviposição (19,5 a 50 dias); número de ovos/fêmea (37,0 a 80 ovos); longevidade (19,9 a 21,52 dias). Em infestações severas de T. tabaci a planta de cebola danificada apresenta-se de coloração prateada a esbranquiçada, com retorcimento, amarelecimento e secamento de folhas, do ápice para base (VANNETTI, 1960; MENEZES SOBRINHO, 1978; GALLO et al., 1988). Como conseqüência do dano as plantas não tombam por ocasião da maturação fisiológica (“estalo”), e tornam-se predispostas a entrada de água da chuva até o bulbo, com futuras perdas por apodrecimento (LORINI & DEZORDI, 1990) . O tamanho e peso de bulbos são reduzidos em condições de severas infestações. A ocorrência de altas densidades populacionais de T. tabaci sobre cebola para Ituporanga, SC, inicia-se a partir de meados de outubro, com pico populacional entre final de outubro a segunda quinzena de novembro, variável de acordo com a época de
  • 24. 24 transplante da cultivar (entre julho a setembro) (GONÇALVES, 1997a). O nível de dano econômico para condições brasileiras varia de 15-25 tripes/planta (DOMICIANO; OTA; TEDARDI, 1993), 15 ninfas antes e 30 após a formação do bulbo (GONÇALVES, 1997b), 6 tripes/folha (DÓRIA et al., 1998). Em literatura estrangeira, SUMAN & WAHI (1981) sugeriram uma escala com classificação de diferentes níveis de infestação (leve, ≤ 5 tripes/planta; moderada, 10 a 15 tripes/planta; severa ≥ 20 tripes/planta); SHELTON et al. (1987) adotaram o nível de 3 tripes por folha; FOURNIER; BOIVIN; STEWART (1995) estimaram 2,2 e 0,9 tripes/folha, sendo este último para condições de déficit hídrico. A variabilidade dos dados referente a nível de dano econômico de T. tabaci em cebola, devese a vários fatores, que condicionam a capacidade da planta tolerar o dano do inseto, tais como: genótipo utilizado, condições climáticas e de solo, manejo adotado na condução da cultura. A redução da produtividade causada por T. tabaci em cebola pode ser além de 50% em sistema de agricultura convencional (SAINI; DAHIYA; VERMA, 1989). Porém, em recentes trabalhos, tem-se observado que em solos sob plantio direto e altos níveis de matéria orgânica minimiza-se as perdas em produtividade independentemente do controle químico do inseto (GONÇALVES, 1998). O míldio causado pelo fungo P. destructor ocorre sobre várias espécies do gênero Allium, porém apresenta importância
  • 25. 25 como patógeno para produção de cebola no sul do país (GALLI et al., 1980). A incidência de P. destructor é uma das principais causas de perda de área foliar da cultura da cebola, na região do Alto Vale do Itajaí em Santa Catarina. Os sintomas de ataque caracterizam-se pela esporulação de cor acinzentada sobre tecido vivo das folhas, que depois amarelece e seca (EPAGRI, 2000). As condições climáticas para o desenvolvimento do fungo são dias nublados com baixas temperaturas (inferior a 22C) e alta umidade relativa (acima de 90%) (EPAGRI, 2000; GALLI et al., 1980). O fungo sobrevive de uma safra de cebola para outra em restos de cultura deixados a campo, ou em cebolinha de tempero, A. schoenoprasum L., e é disseminado pelo ar e água (EPAGRI, 2000; GALLI et al., 1980). As variedades de cebola cultivadas em Santa Catarina não apresentam resistência a incidência de P. destructor, consequentemente o controle com fungicidas tem sido utilizado pelos agricultores (EPAGRI, 2000). A EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) vem desenvolvendo trabalhos na área de agroecologia desde 1993, com maior intensidade a partir de 1995 com formalização de convênio com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e parceria com agricultores da região. Com relação a área fitossanitária desenvolveram-se duas dissertações de mestrado, que avaliaram sobre a cultura da cebola
  • 26. 26 a influência de diferentes espécies vegetais em bordadura sobre a densidade populacional de T. tabaci e sirfídeos predadores (DRIUTTI, 1998), e de sistemas de manejo de solo e adubação sobre incidência de pragas e doenças (McGUIRE, 1999). O presente trabalho foi desenvolvido simultaneamente com as dissertações anteriormente citadas e tem o intuito de colaborar na geração de informações para viabilizar práticas de agricultura sustentável para Santa Catarina. Os principais objetivos foram: avaliar o efeito das adubações química, orgânica e sua influência na ocorrência dos principais problemas fitossanitários da cultura da cebola na fase de lavoura, míldio, P destructor , e tripes, T. tabaci ; avaliar o efeito de diferentes espécies vegetais em associação com a cultura da cebola na ocorrência de T. tabaci, e sirfídeos predadores; avaliar o impacto dos diferentes tratamentos sobre a produtividade da cultura da cebola. 1.1 Impacto da agricutura convencional nos agroecossistemas Os agroecossistemas podem ser definidos de acordo com CONWAY (1987) como “sistemas modificados pelo homem para produção de alimento, fibra, e outros produtos agrícolas”. Embora o autor reconheça a complexidade dos agroecossistemas,
  • 27. 27 pois envolvem interações de processos ecológicos, sociais, econômicos e culturais. A agricultura nos últimos 50 anos tem sido direcionada para a especialização e a simplificação do agroecossistema, com redução do número de espécies vegetais e animais a ser explorada (ALTIERI, 1998; VANDERMEER et al.1998; ALTIERI 1999). extremamente Os agroecossistemas simplificados devido as tornaram-se práticas sistemas agronômicas adotadas, pois geralmente trabalha-se com uma espécie vegetal exótica (monocultura) oriunda de cruzamentos de plantas susceptíveis às pragas e doenças, mantida sob o aporte artificial de nutrientes, com o uso de agrotóxicos e mecanização intensiva do solo (GLIESSMAN, 1990; ALTIERI, 1991; PASCHOAL, 1994; ARAÚJO, 1996b; ALTIERI & NICHOLLS, 1997; MATSON et al., 1997; ALTIERI, 1998; ALTIERI & NICHOLLS, 1999 a,b). Ainda deve-se considerar que são sistemas abertos onde há considerável perda de energia, necessitando de constantes interferências humanas (adubos químicos, agrotóxicos) para se manter produtivo (CONWAY, 1987; GLIESSMAN, 1990; ALTIERI, 1991; PASCHOAL, 1994; ALTIERI, 1998). O impacto sobre a biodiversidade do agroecossistema pela intensificação de práticas agronômicas resulta em perdas de importantes “serviços” ecológicos: decomposição, ciclagem de nutrientes, predação, parasitismo (ALTIERI, 1999; ALTIERI & NICHOLLS, 1999a). Como consequência as plantas
  • 28. 28 desenvolvem-se em agroecossistemas com solos desequilibrados em nutrientes e com ausência de inimigos naturais tornando-as mais predispostas às pragas e doenças (PRIMAVESI, 1988; MATSON et al. 1997; ALTIERI & NICHOLLS, 1999b) (FIGURA 1). Os danos causados ao ambiente pela expansão agrícola acentuou-se sobretudo no início dos anos 60 e persiste até hoje após o fenômeno denominado “Revolução Verde”, que caracteriza-se pelo uso de variedades altamente produtivas, fertilizantes químicos, agrotóxicos, irrigação e mecanização intensiva (PASCHOAL, tecnológico 1994; promova EHLERS, no 1996). Embora agroecossistema altos este pacote níveis de produtividade, não tem sido capaz de mantê-la (“sustentabilidade”) e promover benefícios sociais (“equitabilidade”) (CONWAY, 1987). Os efeitos negativos da “Revolução Verde” são vários: aumento da erosão de solos; redução da biodiversidade; poluição do solo e da água; eutrofização de rios e lagos; alterações na atmosfera e clima.; resíduos de agrotóxicos nos alimentos; contaminação de agricultores; endividamento agrícola (CONWAY, 1987; PASCHOAL, 1994; MATSON et al. 1997; NICHOLLS & ALTIERI, 1997; EHLERS, 1996; ALTIERI, 1998). Portanto, a agricultura da maneira como tem sido praticada tornou-se insustentável ambientais, econômicos e sociais. sob vários aspectos:
  • 29. 29 Manejo convencional do agroecosssistema monocultura mecanização intensiva do solo solo no limpo práticas culturais adubação química agrotóxicos Redução da biodiversidade: biota de solo e inimigos naturais Aumento da incidência de doenças e pragas FIGURA 1. Os efeitos do manejo convencional de agroecossistemas sobre a biodiversidade funcional (biota de solo e inimigos naturais) e predisposição a doenças e pragas (modificado de ALTIERI , 1999). Em virtude do impacto no ambiente causado pela agricultura convencional emerge a disciplina agroecologia que procura resgatar conhecimentos ecológicos para manejo sustentável de agrecossistemas (GLIESSMAN, 1990). ALTIERI & NICHOLLS (1999b) definem a agroecologia como “a disciplina científica que fornece os princípios ecológicos básicos de como estudar, desenhar e manejar agroecossistemas que sejam produtivos e conservem os recursos naturais, e também culturalmente sensíveis, socialmente justos e economicamente viáveis”. O principal enfoque é
  • 30. 30 desenvolver agroecossistemas com dependência mínima de agroquímicos e insumos energéticos, para fomentar “interações” e “sinergismos” do componente biológico com intuito de obter um sistema não apenas produtivo, mas também sustentável em termos ambientais, sociais, econômicos e culturais (ALTIERI, 1994). Portanto, como ressalta GLIESSMAN (1990) a interdisciplinaridade é fundamental neste processo. 1.2 Nutrientes em plantas e sua relação com a ocorrência de insetos e patógenos A fertilização de plantas em agroecossistemas através da adubação química ou orgânica tem sido discutida como prática no manejo de pragas e doenças (PATRIQUIN; BAINES; ABBOUD, 1993; BORTOLLI & MAIA, 1994; PRIMAVESI, 1988). As práticas agrícolas que restabelecem a diversidade e densidade da biota do solo têm sido discutidas por alguns autores para favorecer a ciclagem de nutrientes e tornar as plantas mais “saudáveis” (equilibradas nutricionalmente), tais como: redução da mecanização do solo (plantio direto ou cultivo mínimo); uso de adubos verdes; plantas de cobertura; estercos; compostos (COOK, 1986; PRIMAVESI, 1988; ALTIERI, 1991; MONEGAT, 1991; PATRIQUIN; BAINES; ABBOUD, 1993; ALTIERI, 1994; MATSON et al. 1997;
  • 31. 31 YEPSEN JR. 1977; VANDERMEER, 1995; PINTO & CRESTANA, 1998; ALTIERI & NICHOLLS, 1999b). COOK (1986) ressaltou que “a saúde da planta deve-se iniciar com a saúde da raiz” e o excesso de fertilizantes e água podem acelerar o processo de desenvolvimento de doenças e invasoras. 1.2.1 Relação de nitrogênio (N) com a incidência de insetos e patógenos de plantas A maioria dos trabalhos relativos a interação entre nutrientes e incidência de insetos fitófagos apontam o nitrogênio (N) como causador de surtos populacionais (YEPSEN JR. 1977; PRIMAVESI, 1988; PATRIQUIN; BAINES; ABBOUD, 1993; BORTOLLI & MAIA, 1994). O nitrogênio via adubação estimula produções de biomassa, proteína total e atividade fotossintética das plantas (MATTSON, 1980). O mesmo autor ressalta que a fertilização parece ter maior efeito sobre os níveis de compostos nitrogenados solúveis, e também pode reduzir o teor de compostos fenólicos (redutores de digestibilidade) e a lignificação das plantas. Fatores ambientais adversos às plantas (estresse hídrico associado a temperatura, acidez, umidade, nutrientes do solo, salinidade), ataque por fitopatógenos (vírus, bactérias, nematóides, fungos), danos físicos (quebra de galhos ou folhas por ventos, geadas),
  • 32. 32 também podem provocar a hidrólise de proteínas e aumentar os níveis de aminoácidos solúveis (MATTSON, 1980; KYTÖ; NIEMELÄ; LARSSON, 1996) predispondo-as ao ataque de insetos (WHITE, 1984). FENNAH (1963) observou que Selenothrips rubrocinctus Giard (Thysanoptera: Thripidae), tem preferência alimentar por plantas de cajueiro, Anacardium occidentale L. (Anacardiaceae), sob estresse hídrico e folhas jovens com maior teor de  aminoácidos. Segundo PATRIQUIN; BAINES; ABBOUD (1993), ARAÚJO (1996a) não necessariamente as plantas estressadas (por ex., sob verões quentes e secos; deficientes em nutrientes) são as mais preferidas por insetos, há casos em que plantas vigorosas (taxa de crescimento superior ao normal para população) também podem ser preferidas para alimentação. Portanto, uma hipótese não exclui a outra, certos herbívoros podem preferir plantas vigorosas ou estressadas. Segundo a “teoria da trofobiose” adubos minerais (principalmente os agrotóxicos e nitrogenados) promovem o desequilíbrio no metabolismo das plantas por favorecerem a quebra de proteínas (“proteólise”) com liberação de aminoácidos solúveis, substâncias facilmente assimiláveis por insetos e microorganismos, com consequentes surtos populacionais de doenças e pragas. Caso ocorresse o processo (“proteossíntese”), a ao planta contrário, estaria síntese sadia, de pois proteínas insetos e
  • 33. 33 microorganismos não assimilam substâncias complexas (CHABOUSSOU, 1987). Os agricultores que se dedicam a agroecologia no Brasil têm utilizado os conhecimentos da Trofobiose para promover, na prática, a suspensão do uso de adubos minerais e quaisquer agrotóxicos. O adubo mineral têm sido substituído por composto, húmus, adubação verde, estercos, biofertilizantes; e os agrotóxicos, por calda bordalesa, sulfocálcica, extratos vegetais, e Bacillus thuringiensis. Os adubos amoniacais (tais como uréia, sulfato de amônio) comparados aos nítricos (nitrato de cálcio, nitrato de sódio) geralmente têm maior propensão a favorecer o desequilíbrio nutricional das plantas através do acúmulo de nitrogênio solúvel, facilmente assimilado por insetos e fitopatógenos (CHABOUSSOU, 1987; PRIMAVESI, 1988; BORTOLLI & MAIA, 1994). Porém, pode ocorrer o contrário ou o efeito entre fontes nitrogenadas ser não significativo como observado em insetos por VOS & FRINKING (1997) e fungos por GLADSTONE & MOORMAN (1989); SCHENK & BETTIN (1990). A relação equilibrada nitrato/amônia também tem importância na aceitação da planta pelo inseto como constatado por FERNANDES & BORTOLLI (1998); FERNANDES; BORTOLLI; BERLLINGIERI (1998). A fertilização de plantas com altos teores de N acelera, em lepidópteros, o desenvolvimento larval (TAYLOR, 1984;
  • 34. 34 MANUWOTO & SCRIBER, 1985; KAROWE & MARTIN 1989; MASON et al. 1992) e a infestação (LÓPEZ; FERNANDEZ; LÓPEZ, 1982), bem como a fecundidade e densidade populacional de ácaros (HODA, et al. 1986). A severidade de bacterioses também é incrementada por altos níveis de N (BRUGGEN et al. 1990; CANADAY & WYATT, 1992), bem como viroses (OGBE; OHIRI; NNODU, 1993), e doenças fúngicas (BROSCIOUS; FRANK; FREDERICK, 1985; DITSCH & GROVE, 1991; DAANE et al., 1995; VOS & FRINKING, 1997). Porém, há relatos em que o nitrogênio pode inibir a ocorrência e desenvolvimento de insetos fitófagos (BORTOLLI & MAIA, 1994; SALAS; CORCUERA; ARGANDONA, 1990; RUTZ et al., 1990) e fungos (TAYLOR et al. 1983; TEICH & NELSON, 1984; MOORMAN, 1986; ELMER & LAMONDIA, 1999). A inexistência de correlação também pode ocorrer para insetos (POWER, 1989; McCULLOUGH & KULMAN 1991; BLUA & TOSCANO 1994); fungos (HERRMAN & WIESE, 1985; PUMPHREY et al., 1987; HONEYCUTT; CLAPHAM; LEACH, 1996) e nematóides (BURBANO et al., 1990). O efeito “indutor de resistência” também tem sido observado para N, embora não afete diretamente o desenvolvimento do inseto pode promover incrementos de rendimento nas plantas (CLAVIJO, 1984; RIEDELL, 1990). Portanto, generalizar o efeito do N como causador de desequilíbrio nutricional de plantas e predispor à incidência de pragas e doenças de plantas
  • 35. 35 pode não ser verdadeiro (WHITE, 1984; BARRETO & CASTELLANI, 1994; BORTOLLI & MAIA, 1994). Alguns autores observaram que há um nível intermediário de N para condicionar a infestação máxima de herbívoros (BAULE ,1976; citado por MATTSON, 1980; POPP; KULMAN; WHITE, 1986; BREWER.; O’NEILL; DESHON JR., 1987; HEIDORN & JOERN, 1987; BETHKE; REDAK; SCHUCH, 1998; JOERN & BEHMER, 1998) e fungo (SCHENK & BETTIN, 1990). WHITE (1984) também concordou com a idéia de um nível ótimo de N, associado à forma de aplicação do fertilizante, dose, época, e interação com fatores ambientais. Porém, há casos em que níveis extremos (alto ou baixo) de adubação nitrogenada favorecem o desenvolvimento de insetos (PFEIFFER & BURTS, 1983). O hábito alimentar de insetos pode influenciar a resposta de herbívoros a N. STRAUSS (1987) e LIGHTFOOT & WHITFORD (1987) observaram que insetos sugadores tiveram maior tendência a se alimentar em plantas fertilizadas com nitrato de amônia, que mastigadores. A maior mobilidade dos sugadores comparada aos mastigadores foi apontada como fator que facilitava a localização de alimento com maior teor de N (LIGHTFOOT & WHITFORD, 1987). KYTÖ; NIEMELÄ; LARSSON (1996) observaram que os resultados positivos de N sobre sugadores, geralmente foram constatados em nível de população a campo,
  • 36. 36 porque a predação e o parasitismo é dificultada devido ao mutualismo com formigas, enquanto os mastigadores estariam mais expostos aos inimigos naturais. Ainda, segundo estes autores, os sugadores por alimentarem-se diretamente da seiva seriam menos vulneráveis às defesas químicas e enrijecimento dos tecidos das plantas. ORIANS & FRITZ (1996) não recomendaram a associação de guilda quanto a hábito alimentar com a resposta de artrópodos a adubação. Pois, estes autores constataram diferentes resultados sobre a abundância de herbívoros da mesma guilda com adubação NPK 20-20-20 em salgueiro, Salix sericea Marshall (Salicaceae). 1.2.2 Relação de demais nutrientes com insetos e patógenos de plantas O responsável potássio (K) geralmente é apontado como por aumentar a resistência das plantas a insetos (BORTOLLI & MAIA, 1994); ácaros (AJUDARTE; LUZ; CALAFIORI 1997); fungos (BURBANO et al., 1990), e o fósforo por vezes é citado como neutro (BORTOLLI & MAIA, 1994; MARZO et al., 1997). Porém, como ocorre com o nitrogênio há polêmica a respeito. Deve ser considerado a dose de adubo usada e a fonte (mineral ou orgânica) para possíveis generalizações. O efeito positivo de K sobre fungos foi constatado por GUPTA & SINGH (1995), de P para
  • 37. 37 insetos foi observado por POPP et al. (1989) e fungos por GLADSTONE & MOORMAN (1989); VOS & FRINKING (1997). O efeito inibidor de P sobre fungos foi constatado por TAYLOR et al. (1983), TEICH & NELSON (1984). O efeito não significativo das adubações fosfatada e potássica sobre a severidade de viroses foi constatado por OGBE; OHIRI; NNODU, 1993. A informação sobre a incidência de artrópodos e patógenos de plantas relacionadas a micronutrientes é relativamente escassa. Segundo CHABOUSSOU (1987) “ainda temos muito que aprender sobre o papel dos diversos oligoelementos na fisiologia e, portanto, na resistência da planta a seus diversos agressores”. Este autor observou a importância dos micronutrientes na ativação de enzimas, principalmente na síntese de proteínas, fundamental para aumentar a resistência da planta a “moléstias”. Segundo GUPTA & SINGH (1995), os micronutrientes B (em destaque) seguido por Zn e Fe, provocaram redução na incidência primária de míldio, Sclerospora graminicola (Sacc.) Schrot. (Peronosporales: Peronosporaceae), em Pennisetum glaucum (L.) R. Br. (Poaceae). 1.2.3 As relações entre nutrientes com a incidência de insetos e patógenos de plantas
  • 38. 38 O balanço entre nutrientes e a relação inseto-planta geralmente é não linear (CLANCY, 1992; PHELAN; NORRIS; MASON, 1996), e desempenha papel importante na ativação de enzimas que participam nos processos metabólicos relacionados a herbivoria (síntese de carboidratos, vitaminas, ácidos graxos, e compostos de defesa na folhagem) (CLANCY, 1992). O efeito desequilibrador do N em relação aos outros nutrientes, principalmente com K, é o caso mais relatado. O excesso de N em relação a K geralmente tem sido citado por favorecer desenvolvimento de fungos (STACK; HORST; LANGHANS, 1986) e insetos (SAMPAIO; AZEREDO; CASSINO 1998; SAMPAIO; CASSINO; PINTO, 1998). Portanto, sugere-se haver um efeito do K como indutor de resistência de plantas, neutralizando o efeito positivo de N sobre pragas e doenças. Porém, este efeito não é possível generalizar, pois há casos em que o K condiciona nível de infestação superior para insetos (PINTO et al., 1998), ou não significativo (SILVA et al., 1998). A associação de macronutrientes N, P e K via adubação pode induzir resistência a insetos (SHAW; WILSON; RHYKERD, 1986) e patógenos (REUVENI et al., 1993); porém, o incremento de herbívoros pode ocorrer (ANDRADE et al., 1998) ou o efeito ser não significativo (McHUGH JR. & FOSTER, 1995).
  • 39. 39 1.2.4 Influência da fertilização no desenvolvimento de míldio, Peronospora destructor, e espécies de tripes A fertilização nitrogenada aumentou o nível foliar de proteína solúvel e favoreceu a incidência de Frankliniella occidentalis (Pergande) (Thysanopera : Thripidae) em crisântemo, Dendranthema X grandiflorum Ramat. (SCHUCH; REDAK; BETHKE, 1998), porém pode ter efeito não significativo como observado por VOS & FRINKING (1997) em pimenta (Capsicum spp.) para Thrips parvispinus Karny (Thysanoptera: Thripidae). O P apresentou efeito positivo na severidade de ataque de T. parvispinus em folhas e frutos de pimenta (VOS & FRINKING, 1997). A severidade de míldio, P. destructor, em cebola, A. cepa, para produção de sementes foi correlacionada com incremento de nível de P e principalmente de N (DEVELASH & SUGHA, 1997). Enquanto que, o aumento dos níveis de K retardou o desenvolvimento da doença.
  • 40. 40 1.2.5 Fertilizações mineral e orgânica e suas relações com infestação de insetos e patógenos de plantas Os trabalhos que comparam a fertilização artificial em agroecossistemas geralmente atribuem maior ocorrência de insetos fitófagos e patógenos de plantas ao adubo mineral comparado ao orgânico (PEREIRA et al., 1987; ROSSETO; FLORCOVSKI; CALAFIORI, 1997; DEVÓLIO; PEREIRA; CALAFIORI, 1998; COELHO et al., 1998). Os solos sob manejo orgânico geralmente são apontados como fator fundamental na obtenção de plantas saudáveis (PATRIQUIN; BAINES; ABBOUD, 1993; PHELAN, 1997). O solos com histórico de manejo convencional têm uma tendência de favorecer a ocorrência de pragas, mesmo se forem adubados temporariamente com fontes orgânicas (PHELAN; MASON; STINNER, 1995; PHELAN, 1997). O efeito da adubação orgânica como indutor de resistência a patógenos tem sido relatado por alguns autores principalmente sob a forma de compostos (MELLONI; DUARTE; CARDOSO, 1995; RAVIV et al., 1998). A rápida solubilização e alta concentração de nutrientes dos adubos minerais têm sido utilizada como argumento para explicar a predisposição à ocorrência de problemas fitossanitários
  • 41. 41 (PATRIQUIN; BAINES; ABBOUD, 1993). A diminuição de metabólitos secundários que conferem resistência contra os herbívoros também pode ser influenciada pela fertilização mineral, principalmente nitrogenada (BRYANT et al. 1987; PAHLSSON, 1992; ESTIARTE et al., 1994; HUNTER & SCHULTZ, 1995; RUOHOMÄKI et al.,1996). O incremento de compostos de defesas a insetos pode ocorrer com adubação com N (McCULLOUCGH & KULMAN, 1991), porém caso haja aumento de aminoácidos solúveis a herbivoria é favorecida (BJÖRKMAN; LARSSON; GREF, 1991). A generalização do conceito de que a adubação orgânica favorece a menor densidade populacional de pragas em relação a mineral pode não ser verdadeira, pois o efeito de ambas pode ser similar (BASTOS et al., 1998). 1.3 Diversidade vegetal : efeito sobre insetos fitófagos e inimigos naturais A diversidade vegetal em agroecossistemas é sugerida por vários autores para gerar estabilidade na dinâmica populacional de insetos fitófagos (PERRIN, 1977; YEPSEN JR. 1977; ANDOW, 1983; LETOURNEAU, 1990; ALTIERI, 1991; ANDOW, 1991; HOKKANEN, 1991; THEUNISSEN, 1994; ALTIERI & NICHOLLS, 1997, 1999a,b). A monocultura é considerada uma das principais causas da quebra de estabilidade de agroecossistemas e
  • 42. 42 predisposição à ocorrência de pragas (ALTIERI, 1994, 1998). Porém, o potencial da diversidade de cultivos para manejo de pragas e doenças tem sido pouco explorado (PERRIN, 1977; ANDOW, 1983; MATSON et al., 1997). Embora recentemente, em virtude do reconhecimento da importância da diversidade vegetal na sustentabilidade dos agroecossistemas, o volume de pesquisa tem aumentado, através da associação de cultivos agrícolas, agroflorestais e manejo de plantas de coberturas em pomares (ALTIERI & NICHOLLS, 1997, 1999a,b). No Brasil o termo “consórcio” tem sido comumente empregado para designar a associação de plantas em agroecossistemas. O termo “policultivo” (“policulture”) é mais utilizado em literatura estrangeira, que é definido por ANDOW (1991) como a associação de diferentes espécies de plantas com máxima sobreposição ao longo do tempo. O mesmo autor considera monocultivo como o plantio de apenas uma espécie vegetal em solo nú, popularmente chamado no Brasil de plantio “solteiro”. Segundo ANDOW (1991) ao revisar a relação entre artrópodos e diversidade vegetal, comparando monocultivo e policultivo em 209 trabalhos com 287 espécies de herbívoros, observou que: 51,9% das espécies apresentaram menor densidade populacional em policultivo, e apenas 15,3% tinham maiores neste sistema, enquanto que 20,2% apresentaram resposta variável e
  • 43. 43 12,5% não houve diferença. A convivência de diferentes espécies vegetais na mesma área, em faixas ou bordaduras é o esquema mais comum utilizado nestes trabalhos, que envolvem além de espécies cultivadas em associação com plantas de cobertura, vegetação espontânea (daninhas ou invasoras), influência de matas ou florestas no entorno da área cultivada, sucessão e rotação de culturas em diferentes épocas de plantio. ALTIERI; GLASER; SCHMIDT (1990) e ALTIERI (1994) agrupam os trabalhos que estudam a relação da diversidade vegetal e ecologia de insetos em quatro categorias: 1) análise de mecanismos ecológicos que atuam sobre a dinâmica de população de herbívoros e inimigos naturais; 2) efeitos do consórcio de culturas sobre a abundância de insetos; 3) interação entre plantas invasoras (“daninhas”) e populações de insetos de plantas cultivadas; 4) dinâmica de pragas específicas em culturas perenes e relação com a riqueza floral de plantas adjacentes.
  • 44. 44 1.3.1 Hipóteses sobre a diminuição da herbivoria por insetos em ambientes diversificados As principais hipóteses que tem sido formuladas para explicar as variações na densidade populacional de insetos herbívoros em ambientes diversificados em áreas agrícolas são: 1) concentração de recursos e 2) inimigos naturais (ROOT, 1973; PERRIN, 1977; ALTIERI, 1991; ANDOW, 1983, 1991). Além destas duas hipóteses, SZENTKIRÁLYI & KOZÁR (1991), analisaram a “hipótese da diversidade de recursos” e “hipótese de distúrbios intermediários”, enquanto que THEUNISSEN (1994) postulou a importância da “qualidade da planta hospedeira”. 1.3.1.1 Hipóteses de inimigos naturais versus concentração de recursos Segundo a hipótese de concentração de recursos os insetos especialistas têm maior facilidade de colonizar e permanecer sobre plantas que estão em maior disponibilidade em uma área (monocultura típica), que em ambientes diversificados (ANDOW, 1991). Os mecanismos básicos da concentração de recursos que podem atuar no encontro do hospedeiro pelo herbívoro e influenciar a permanência na cultura são: 1) interferência química e visual (a
  • 45. 45 confusão ou repelência causada por odores de plantas, bem como o contraste de cores pode dificultar a colonização); 2) a qualidade da planta hospedeira (nutricional, química, morfológica, tornando a planta mais atrativa); 3) a área de superfície do não hospedeiro pode dificultar o encontro do hospedeiro (o herbívoro gasta mais tempo para localizá-lo e por vezes abandona a cultura rapidamente); 4) efeitos de microclima (sombreamento, proteção do vento, temperaturas, insolação) sobre herbívoros e inimigos naturais; 5) efeito de borda : a conectividade entre superfícies pode ser modificada pela diversidade de plantas no sistema (complexidade estrutural). A hipótese dos inimigos naturais postula que em ambientes com maior diversidade vegetal a densidade de insetos hebívoros é menor devido à maior ocorrência de predadores e parasitóides. ANDOW (1991) considerou que embora a maioria dos trabalhos apontem a concentração de recursos para explicar a herbivoria em policultivo (sistemas diversificados), lembra que não é possível generalizar, pois há casos em que a hipóteses de inimigos naturais é importante. Os fatores que condicionam a menor densidade populacional de pragas em ambientes diversificados não necessariamente atuam separadamente, a concentração de recursos e inimigos naturais podem pressionar conjuntamente a densidade populacional de insetos (LETOURNEAU, 1990).
  • 46. 46 As principais causas citadas para maior abundância de inimigos naturais em “policultivo” comparado ao monocultivo são: presas e hospedeiros específicos e alternativos estão em maior densidade populacional e são mais disponíveis; em ambientes diversificados há uma maior variedade de microhabitats que abrigariam mais herbívoros e seus inimigos naturais; há maior quantidade de alimento, tais como néctar e pólen, consequentemente a capacidade reprodutiva dos inimigos naturais é maior (ANDOW 1983, 1991; ALTIERI & NICHOLLS, 1997, 1999a). Há casos em que o estabelecimento de inimigos naturais em ambiente diversificado pode ser dificultado como também observado por ANDOW (1991): a associação de plantas produz substâncias voláteis que perturbam o olfato de parasitóides especialistas e dificulta o encontro do hospedeiro; a estrutura vegetal mais complexa (maior superfície disponível) dificultaria a capacidade de busca de parasitóides. O manejo de agroecossistemas tem efeito direto e indireto na manutenção de inimigos naturais. ALTIERI & NICHOLLS (1997, 1999a,b) enumeraram como estratégias para incremento da diversidade de inimigos naturais: “diversificação do habitat “ (o policultivo, uso de plantas de cobertura, quebra-ventos, rotação de culturas); manejo ecológico do solo (adubação verde, orgânica, compostagem e evitar revolvimento por mecanização). Enquanto
  • 47. 47 que, citaram como práticas que seriam prejudiciais a manutenção de inimigos naturais: monocultura; a fertilização mineral; o revolvimento do solo por mecanização; remoção total de plantas invasoras; agrotóxicos. 1.3.1.2 Hipótese da “qualidade” da planta hospedeira A hipótese da “qualidade” da planta levantada por THEUNISSEN (1994) baseia-se nas mudanças na qualidade nutricional da planta hospedeira devido a competição por recursos em condições de consórcio. As trocas fisiológicas no metabolismo de cairomônios e nutrientes alterariam a atratividade da planta ao inseto fitófago e seus inimigos naturais. 1.3.1.3 Hipóteses da “diversidade de recursos e distúrbios intermediários” As hipóteses da “diversidade de recursos e distúrbios intermediários”, foram relatadas por SZENTKIRÁLYI & KOZÁR (1991) ao analisar a riqueza de espécies em pomar de macieira. Estes autores observaram que a riqueza de espécies de insetos poderia estar sob a influência da diversidade vegetal (“hipótese da diversidade de recursos”) e práticas de manejo agrícola,
  • 48. 48 principalmente aplicação de agrotóxicos (” hipótese de distúrbios intermediários”), tanto dentro do pomar quanto no entorno (em nível local e regional). Desta forma observaram que a riqueza de insetos em geral foi maior em pomares próximos a ambiente vegetal diversificado e com menor aplicação de agrotóxicos. Enquanto que, o número de espécies de pragas agrícolas e inimigos naturais generalistas foram influenciadas pela diversidade vegetal do entorno (“hipótese da diversidade de recursos”) e pragas específicas de macieira foram limitadas pela intensidade de aplicação de agrotóxicos (” hipótese de distúrbios intermediários”). 1.3.2 Relação entre diversidade vegetal e densidade de herbívoros A importância de diversificar agroecossistemas em nível de paisagem com corredores de espécies que floresçam, e reconhecer a influência da vegetação natural (matas e invasoras) do entorno das áreas cultivadas tem sido sugerida por alguns autores como estratégia de manejo de pragas e inimigos naturais em agroecossistemas (HRADETZKY & KROMP, 1997; NICHOLLS; PARRELLA; ALTIERI, 1999). A utilização de plantas de cobertura no manejo do solo tem sido relatadas como forma de atuar na diversidade vegetal e
  • 49. 49 inibir a ocorrência de insetos pragas de plantas cultivadas. A escolha da planta de cobertura deve ser avaliada através da análise do impacto causado no complexo pragas e inimigos naturais, pois pode ocorrer a inibição do desenvolvimento de herbívoros (ALTIERI; GLASER; SCHMIDT, 1990; THEUNISSEN; BOOIJ; LOTZ, 1995), incremento (BUGG; PHATAK; DUTCHER, 1990), ou ser não significativo (WILAND et al., 1996). As plantas de cobertura podem incrementar inimigos naturais e pressionar significativamente os insetos fitófagos, bem como exercer efeito não significativo (GARCIA & ALTIERI, 1993; THEUNISSEN; BOOIJ; LOTZ, 1995; GOLLER; NUNNENMACHER; GOLDBACH, 1997; KIENZLE; ZEBITZ; BRASS, 1997). A presença de plantas invasoras nos agroecossistemas como maneira de se interferir na diversidade de ácaros e insetos tem sido discutida por alguns autores (ALTIERI & WHITCOMB, 1979; ALTIERI & LETOURNEAU, 1982; GARCIA, 1988; GARCIA , 1992). Geralmente nestes trabalhos aponta-se a necessidade de manejar as invasoras de modo que não prejudiquem a cultura principal e usufrua-se dos benefícios do incremento de inimigos naturais pelo fornecimento de néctar, pólen e abrigo para hospedeiros e presas alternativas (KLOEN & ALTIERI, 1990; MORAES; SILVA; DELALIBERA JR., 1992; PAVARINI & GRAVENA; 1994; SCHUCH & BELARMINO, 1994; WYSS, 1995;
  • 50. 50 WYSS, 1996; HONEK, 1997), bem como as invasoras sirvam de planta armadilha evitando que os herbívoros ataquem a cultura principal (ALTIERI; GLASER; SCHMIDT, 1990), ou dificultem a colonização e distribuição de insetos pela concentração de recursos (ANDOW, 1991; ANDOW, 1992). A seleção da invasora a associar é importante porque pode ocorrer que a alta atratividade da invasora sobre o herbívoro também provoque dano sobre a cultura principal (KLOEN & ALTIERI, 1990; AHMED; ALI; SALMAN (1987). No Brasil houve vários trabalhos com relação a incidência de insetos em consórcio de milho, Zea mays L. (Poaceae), com feijoeiro comum, Phaseolus vulgaris L. (Fabaceae), e feijão caupi, Vigna sinensis (L). Savi (Fabaceae). Geralmente, nestes trabalhos, houve em condições de consórcio redução da incidência de cigarrinha, (Homoptera: Cicadellidae), cartucho, Spodoptera Empoasca Kraemeri (Ross & Moore) porém o efeito sobre lagarta do frugiperda (J. E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae) foi variável (MILANEZ, 1987; OLIVEIRA et al., 1987; GONÇALVES & CIOCIOLA, 1991; OLIVEIRA et al., 1995). 1.3.3 Efeito da diversidade vegetal sobre espécies de tripes
  • 51. 51 Os trabalhos que investigaram a incidência de T. tabaci em aliáceas em sistemas diversificados geralmente constataram efeito de substâncias voláteis do não hospedeiro sobre o inseto (UVAH & COAKER, 1984) ou mesmo mudanças fisiológicas na planta que inibiram a herbivoria (THEUNISSEN & SCHELLING, 1996), enquanto a ação de inimigos naturais foi não significativa. A densidade de T. tabaci foi menor em cebola, A. cepa L., em sistema de consórcio com cenoura, Daucus carota L. (Umbeliferae), plantada em alta densidade (uma linha de plantio de cebola: para uma cenoura) (UVAH & COAKER, 1984). Os autores argumentaram que as substâncias voláteis emanadas pelas culturas interferiram na ocorrência do inseto, pois não houve consistência entre a presença de inimigos naturais e os resultados observados. O efeito da concentração de voláteis pareceu ser maior sobre cebola jovem que próximo a maturação fisiológica (bulbificação). A densidade populacional de tripes, T. tabaci, e incidência de ferrugem, Puccinia allii, foram menores em alho-porró, A. porrum L., associado com trevo, Trifolium subterraneum L. (Fabaceae), em cobertura em relação ao solo nú (THEUNISSEN & SCHELLING, 1996). Neste trabalho, a menor susceptibilidade de alho porró a tripes e ferrugem em sistema de consórcio foi atribuída à “qualidade da planta” (trocas fisiológicas no metabolismo). Os autores observaram que a densidade de inimigos naturais foi muito baixa. Ainda no mesmo
  • 52. 52 trabalho, embora o consórcio apresentasse menor nível de problemas fitossanitários e consequentemente maior qualidade comercial do alho-porró produzido, houve redução da produtividade pela competição entre plantas. Os autores sugerem ser necessário o agricultor aceitar a perda na produtividade para produzir sem o uso de agrotóxicos. O uso de cultivares apropriadas para consórcio e capinas nas entrelinhas foram sugeridos pelos autores para minimizar a redução na produtividade. THEUNISSEN (1994) já argumentava a necessidade de se desenvolver manejo de ervas invasoras e variedades apropriadas para aumentar a viabilidade produtiva e econômica do consórcio de hortaliças. ANDOW (1983) levantou a importância de se quantificar a produtividade das culturas envolvidas em condição de consórcio, pois não basta apenas ocorrer redução de dano por insetos fitófagos, mas também proporcionar produtividade aceitável comercialmente. Em trabalhos com outras espécies de tripes em ambientes diversificados o microclima gerado (KYAMANYWA & AMPOFO, 1988) e a emissão de voláteis infuenciaram a ocorrência do inseto (KYAMANYWA; BALIDDAWA; AMPOFO, 1993a), enquanto que a presença de inimigos naturais ora exerceu pressão sobre o inseto (LETOURNEAU, 1990), foi não significativa (KYAMANYWA; BALIDDAWA; OMOLO, 1993b) ou não relatada (POTTS & GUNADI, 1991). A densidade média de tripes, F.
  • 53. 53 occidentalis, foi maior em monocultivo de abóbora (Cucurbita pepo L.) até aos 65 dias após plantio em relação ao policultivo com milho (Z. mays) e feijão caupi (V. sinensis) (LETOURNEAU, 1990). Segundo este autor, o predador Orius tristicolor (White) (Hemiptera: Anthocoridae) exerceu pressão sobre F. occidentalis e colonizou mais rapidamente parcelas em policultivo devido à maior riqueza de microhabitats. A densidade populacional de tripes, Megalurothrips sjostedti Trybom (Thysanoptera: Thripidae), em caupi, V. unguiculata Walp, foi menor em condição de plantio consorciado com milho, Z. mays, devido à menor intensidade de luz (KYAMANYWA & AMPOFO, 1988) e substâncias voláteis exaladas pela presença da cultura não hospedeira (KYAMANYWA; BALIDDAWA; AMPOFO, 1993a). A densidade de predadores generalistas não foi incrementada no consórcio milho/caupi, o que sugere a hipótese da concentração de recursos para explicar a redução populacional de M. sjostedti (KYAMANYWA; BALIDDAWA; OMOLO, 1993b). Os autores sugerem que a eficiência de predadores generalistas em controlar tripes é baixa (citam LEWIS, 1973), além do tempo de permanência de culturas anuais no campo ser curto para o estabelecimento de inimigos naturais. A população de tripes, T. palmi e T. parvispinus, foi maior sobre batata, S. tuberosum, quando plantada no mesmo canteiro ou até a distância de 0,75 m de aliáceas, cebola (A. cepa) e alho (A. sativum),
  • 54. 54 provavelmente houve migração dos insetos proveniente das aliáceas adjacentes (POTTS & GUNADI, 1991). A preferência alimentar de espécies de tripes sobre a cultura da cebola e ervas invasoras foi estudada por DOEDERLEIN & SITES (1993) em nível de campo no Texas. Estes autores observaram “forte” preferência de T. tabaci por plantas de cebola, comparado ao F. occidentalis , que embora presente na cultura não a exibiu na mesma intensidade. F. occidentalis foi observado em maior grau sobre as invasoras Salvia sp., Amaranthus palmeri Wats e Kochia scoparia (L.) Schard em ordem descendente de preferência. Porém, ambas espécies de tripes foram encontradas sobre as ervas invasoras anteriormente mencionadas. Os autores sugeriram que a eliminação de invasoras, embora possa não influenciar a incidência de T. tabaci sobre cebola, pode favorecer a migração do polífago F. occidentalis para a cultura. Convém ressaltar que, nos trabalhos citados anteriormente, os autores em geral desconsideraram que o encontro do hospedeiro por tripes pode ser diminuído pelo efeito de barreira mecânica, além do deslocamento do inseto ser influenciado pelo vento, como constatado por YUDIN et al. (1991). 1.3.4 Diversidade vegetal e sua relação com hábito alimentar de insetos, e sistemas anuais e perenes
  • 55. 55 A maioria dos trabalhos relatam maior densidade populacional de insetos polífagos em ambientes diversificados quando estes possuem maior número de espécies hospedeiras, enquanto que os monófagos ocorrem em menor densidade (ANDOW, 1991). Neste caso, a concentração de recursos condicionaria a densidade de insetos, pois inimigos naturais atuam indistintamente sobre monófagos ou polífagos, porém ambos fatores podem ocorrer simultaneamente regulando a dinâmica dos insetos (ANDOW, 1990, 1991). O comportamento e bioecologia dos polífagos podem influenciar a densidade populacional em ambientes diversificados. ANDOW (1991) divide os polífagos em dois grupos quanto a estas características : 1) sequenciais (alternam gerações em diferentes hospedeiros), 2) simultâneos (numa mesma geração alimenta-se de diferentes hospedeiros). Desta forma, segundo ANDOW (1991), os polífagos sequenciais seriam beneficiados quando alcançam sucesso na imigração e para obter gerações futuras estariam mais vulneráveis, a qualidade, disponibilidade do hospedeiro e microclima. Enquanto os polífagos simultâneos poderiam ser prejudicados caso haja dificuldade de movimentar-se, uma vez que necessitam migrar de diferentes hospedeiros para se alimentar.
  • 56. 56 A incidência do crisomelídeo, Diabrotica virgifera virgifera (LeConte), foi superior em milho, Z. mays L., em plantio em faixa com soja, G. max, principalmente em sistema de plantio convencional que direto (TONHASCA JR. & STINNER, 1991). Neste trabalho o inseto ovipositou sobre ambas culturas, o que favoreceu o incremento populacional. Portanto, o hábito polífago de D. virgifera virgifera favoreceu o estabelecimento em sistema de consórcio. Segundo ANDOW (1983, 1991) maior densidade populacional de herbívoros tem sido relatada em sistemas diversificados perenes, porque estes são mais facilmente localizados que os anuais. Porém, segundo ANDOW (1991) para insetos polífagos a densidade populacional geralmente tende a ser maior em plantios anuais, que em perenes, devido à maior pressão de inimigos naturais nestes últimos. 1.4 A atuação de sirfídeos como predadores Os dípteros da família Syrphidae geralmente são citados como predadores de homópteros (pulgões, cochonilhas e ou cigarrinhas). LEAL; OLIVEIRA; SMITH (1976) relataram os sirfídeos Toxomerus watsoni Curran, T. laciniosus (Loew), próximos às árvores de citros colonizadas pelo afídeo, Toxoptera citricidus (Kirk, 1907). As seguintes espécies de sirfídeos predadores de afídeos
  • 57. 57 foram observadas por CORDEIRO & CORSEIUL (1998) em levantamento baseado em pesquisa bibliográfica e coleções de museus do Rio Grande do Sul: Allograpta exotica (Wiedemann, 1830), Ocyptamus gastrostactus (Widemann, 1830), Pseudodorus clavatus (Wiedemann, 1830), Toxomerus tibicen (Wiedemann, 1830), e Xanthandrus bucephalus (Wiedemann, 1830). Porém, há relatos de sirfídeos como predadores de tripes. GONÇALVES & GONÇALVES (1976) observaram o sirfídeo Ocyptamus zenia (Curran) (= Baccha livida auct., nec Schiner) predando o tripes do ficus, Gynaikothrips ficorum (Marchal) (Thysanoptera: Phloeothripidae), em folhas de Ficus retusa nitida. A densidade populacional de sirfídeos em levantamento de campo geralmente é relativamente baixa em relação aos demais predadores. Em levantamento da entomofauna em campo de produção orgânica de centeio, Secale cereale L. (Poaceae) os sirfídeos representaram 1,6% do total de 8% para predadores, enquanto que os insetos fitófagos foram 47% (HRADEZTKY & KROMP, 1997). WYSS (1995) observou em Berna, Suíça, que a presença de sirfídeos em pomar de macieira, P. malus, restringiu-se à primavera, enquanto que predadores Araneae, Heteroptera, Coccinellidae e Chrysopidae, ocorreram praticamente toda estação de desenvolvimento vegetativo. em
  • 58. 58 O número de sirfídeos adultos, A. obliqua (Say), Eupeodes (Metasyrphus) sp., Syrphus sp. e T. marginata (Say), foi incrementado pelas seguintes plantas de cobertura de inverno para uso potencial em cultivos de hortaliças e nogueira pecã, Carya illinonensis (Wangenheim) K. Koch (Juglandaceae): tremoço azul, Lupinus angustifolius L., trevo vesiculoso, T. vesiculosum Savi cv. “Yuchi”, trevo encarnado, T. incarnatum L. cv. “Dixie”, e ervilhaca “Cahaba White” (Vicia sativa L. x V. cordata Wulf), ervilhaca peluda, V. villosa cv W67-HU-704 (Fabaceae) (BUGG; PHATAK; DUTCHER, 1990). Estes autores, constataram que entre os afidófagos, os sirfídeos foram menos frequentes que os coccinelídeos. Em contraste, segundo KLOEN & ALTIERI (1990) a taxa de predação por sirfídeos sobre o afídeo, Brevicoryne brassicae (L.) (Homoptera, Aphididae), foi superior em brócolos, Brassica oleracea botrytis var. Futura (Brassicaceae), com associada a invasora B. hirta, comparada ao monocultivo, embora o número de ovos e larvas dos predadores foi similar em ambos sistemas de plantio.
  • 59. 59 2. MATERIAL E MÉTODOS Os experimentos foram conduzidos na Estação Experimental de Ituporanga, SC, EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), situada a 475 m de altitude, 27º22’ S de latitude e 49º35’ W de longitude, em solo classificado como Cambissolo Húmico distrófico álico. A cultivar de cebola utilizada em todos experimentos foi a Crioula. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com quatro repetições. 2.1 Experimento 1 Densidade Populacional de T. tabaci, e infestação por P. destructor, em cebola sob diferentes fontes de adubação orgânica Este experimento foi realizado durante o período de 28/08/98 (transplante) a 16/12/98 (colheita, duração do ciclo de 110 dias). O tamanho de parcela foi 2,8 m X 3,0 m (8,4 m2) e espaçamento 40 X 10 cm, total de 210 plantas/parcela. As parcelas eram distanciadas 1 m entre si. O preparo do solo foi realizado sob plantio direto em palhada de centeio, S. cereale, semeado anteriormente no mês de
  • 60. 60 maio. A máquina utilizada foi um microtrator adaptado para este fim. Os tratamentos foram diferentes doses de adubo orgânico e minerais como encontra-se no QUADRO1. QUADRO1. Tratamentos com diferentes doses de nutrientes e fontes de adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998. Tratamentos Doses de nutrientes (kg/ha) N (esterco de suíno) N (esterco de suíno) N (esterco Barriga Verde,  aves) N (composto orgânico) N (esterco de perú) N (húmus) N P K (5-20-10) N P K (5-20-10) testemunha sem adubação Doses de fontes (kg/ha) 75,0 37,5 75,0 15743,6 7871,8 6023,6 75,0 75,0 75,0 30,0 + 120,0 + 60,0 60,0 + 240,0 + 120,0 20299,9 6393,5 6516,4 600,0 1200,0 As doses de adubos dos tratamentos foram estimadas baseadas na recomendação da análise de solo, exceto o tratamento com esterco de suíno (37,5 kg/ha de N e 7871,8 kg/ha de esterco, que corresponde a metade da dose normal), e NPK 5-20-10 (60,0 + 240,0 + 120,0 kg/ha de nutrientes NPK e 1200,0 kg/ha de adubo, que representa o dobro da dose), com a finalidade de caracterizar níveis extremos de fertilização orgânica e mineral. Uma vez que o nitrogênio é, geralmente, apontado como causador de desequilíbrios nutricionais, predispondo as plantas à incidência de doenças e
  • 61. 61 pragas, a determinação da quantidade de adubos orgânicos em kg/ha foi baseada na necessidade deste nutriente para a cultura, de acordo com a fórmula : Quantidade de esterco/ha = (100000 x N) /(MS x NMS x 0,5); onde N é quantidade de nitrogênio em kg/ha necessário para a cultura da cebola; MS é o teor de matéria seca do esterco em porcentagem; NMS quantidade de nitrogênio em g por kg de matéria seca do esterco; e 0,5 é o índice de liberação de nitrogênio pelo esterco (50% no primeiro ano de aplicação), para P considera-se 0,6, (adaptado de COMISSÃO de FERTILIDADE do SOLO RS/SC, 1994), e análise de solo (QUADRO 2). A análise de nutrientes dos adubos orgânicos foi realizada pelo Laboratório de Fisiologia e Nutrição Vegetal da Estação Experimental de Caçador, SC, EPAGRI (QUADRO 3). O composto orgânico foi proveniente de resíduos culturais de cebola, esterco de suíno, capim-cameroon, Pennisetum clandestinum Hochst. ex. Chiov., e o húmus foi obtido de esterco de suíno. Os adubos orgânicos foram espalhados manualmente sobre a superfície do solo, enquanto as fontes minerais incorporadas com microtrator adaptado para plantio direto. foram
  • 62. 62 QUADRO 2. Análise de solos da área experimental realizada pelo Laboratório de Análise de Solos, Estação Experimental de Ituporanga, EPAGRI, 1998. pH pH P K M.O Al Ca Mg Argila (água) (SMP) (mg/kg) (mmolc (g/Kg) (mmolc (mmolc (mmolc (g/kg) dm ) 3 dm3) dm3) 0,0 74 A 38 A 3 dm ) 6,3 A 6,1 A 25,5 1 MB 50 M 330 A OBS: A, MB, M respectivamente níveis alto, muito baixo e médio, segundo COMISSÃO de FERTILIDADE do SOLO RS/SC, 1994.
  • 63. 63 QUADRO 3. Níveis de nutrientes de diferentes fontes orgânicas de adubação. EPAGRI, 1998. Nutrientes Fontes de adubo orgânico suíno Barriga composto húmus perú Verde MS* 27,30 93,97 36,40 61,22 79,80 N1 34,90 26,50 20,30 37,60 29,40 P1 23,60 15,80 14,70 26,60 20,80 K1 1,80 15,0 3,40 7,20 25,40 Ca1 52,80 64,60 29,00 58,00 31,00 Mg1 4,20 15,60 5,00 6,40 8,20 Fe2 3822,00 10740,0 8686,0 6008,00 7230,0 Mn2 368,00 636,00 318,00 634,00 574,00 Zn2 650,00 298,00 244,00 990,00 468,00 Cu2 596,00 108,00 232,00 734,00 112,00 31,00 53,00 34,00 42,00 58,00 B2 OBS: 1 e 2, respectivamente quantidade de nutrientes em g/kg e mg/Kg(ppm) de matéria seca (MS*, em %) do adubo; análises realizadas pelo Laboratório de Fisiologia e Nutrição Vegetal da Estação Experimental de Caçador, SC, EPAGRI, exceto matéria seca pelo Laboratório de Análise de Solos Estação Experimental de Ituporanga, SC, EPAGRI.
  • 64. 64 A amostragem de tripes foi realizada a campo pela contagem semanal do número de ninfas com auxílio de lupa manual (75 mm de diâmetro, marca Classic Magnifier), em todas as folhas em 5 plantas/parcela ao acaso. As datas de avaliação foram 14/10 (47dias após transplante, DAT), 21/10 (54 DAT), 28/10 (61 DAT), 04/11 (68 DAT), 11/11 (75 DAT), 19/11 (83 DAT), 25/11 (89 DAT) e 02/12/1998 (96 DAT). A amostragem de infestação por míldio, P. destructor, realizou-se pela determinação semanal do percentual de folhas infectadas míldio por (número de folhas infectadas pelo fungo/número total de folhas X 100) em 1 m linear/parcela escolhido ao acaso. O controle de invasoras foi realizado com enxada até a primeira semana de novembro. A análise de nutrientes foliares foi realizada no Laboratório de Fisiologia Experimental de Caçador, e Nutrição SC, EPAGRI, Vegetal da Estação em amostras de 5 plantas/parcela, após a secagem em estufa a 60° C. As datas de coleta de amostras e respectivos dias após transplante (DAT) foram: 14/10 ( 47 DAT), 11/11 (75 DAT) e 02/12/1998 (96 DAT). A amostragem para produtividade realizou-se pela colheita de 60 bulbos ao acaso por parcela. Os bulbos foram classificados pelo diâmetro de acordo com aceitação para o mercado (classe 1 ≤ 3,5 cm; classe 2 > 3,5 até 5 cm; classe 3 > 5
  • 65. 65 até 7cm; classe 4 > 7 até 9 cm, classe 5 > 9 cm). Apenas a produtividade comercial (bulbos de classes 2 a 5) foi considerada para avaliação. Os dados para análise estatística em geral foram previamente submetidos ao teste de Bartlett para verificar a homogeneidade de variâncias e definir a aplicação de métodos paramétricos ou não paramétricos. Geralmente após a transformação de dados foi possível realizar a análise de variância paramétrica. O número médio de T. tabaci foi transformado para log (x + 0,5). A porcentagem de infestação por P. destructor foi transformada por arco seno  x + 0,5. As médias foram comparadas respectivamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Os percentuais foliares de nutrientes e produtividade foram submetidos a análise de variância sem transformação de dados. O coeficiente de correlação de Spearman (r), determinação (r2), e análise multivariada com regressão múltipla (“proceeding stepwise” do programa estatístico SAS) foram aplicados entre a incidência de T. tabaci, P. destructor, e níveis foliares de nutrientes.
  • 66. 66 2.2 Experimento 2 Densidade Populacional de T. tabaci, destructor, e infestação por P. em cebola sob diferentes fontes minerais de adubação O experimento foi conduzido entre o período de 01/09/98 (transplante) a 16/12/98 (colheita, ciclo de 106 dias). Os tratamentos constaram de diferentes níveis de nutrientes fornecidos por adubação mineral, e as testemunhas foram doses de esterco de suíno associadas com fosfato natural (para suprir nitrogênio e fósforo de acordo com análise de solo) e ausência de adubação. As dosagens foram determinadas com nível normal de adubação pela análise de solo (segundo COMISSÃO de FERTILIDADE do SOLO RS/SC, 1994, QUADRO 4) e superdosagem (três vezes a dose normal). Nos tratamentos com adubação orgânica (esterco de suíno + fosfato natural), além da dosagem normal e superdosagem, incluiu-se uma terceira com metade da dose normal. O cálculo da quantidade/ha e análise do esterco de suíno, segue o mesmo padrão de determinação do experimento 1 (vide item 2.1). Os tratamentos encontram-se no QUADRO 5. As fontes de adubação química de N, P 2O5 e K20 e teores de nutrientes nos adubos foram respectivamente, uréia
  • 67. 67 (44%), superfosfato triplo (41%) e cloreto de potássio (58%). O fosfato natural utilizado foi GAFSA® com P 2O5 total de 28%, e solúvel de 9%, e teor de Ca de 34%. QUADRO 4. Análise de solos da área experimental realizada pelo Laboratório de Análise de Solos, Estação Experimental de Ituporanga, EPAGRI, 1998. pH pH P K M.O Al Ca Mg Argila (água) (SMP) (mg/Kg) (mmolc (g/Kg) (mmolc (mmolc (mmolc (g/Kg) 3 dm ) 5,1 B 5,0 MB 21,5 A +3,9 A dm ) 3 62 A dm ) 3 dm ) 3 9A 79 A 53 A 300 OBS: A, MB, respectivamente níveis alto e muito baixo , segundo COMISSÃO de FERTILIDADE do SOLO RS/SC, 1994. QUADRO 5. Tratamentos com diferentes doses de nutrientes e fontes de adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998.
  • 68. 68 Tratamentos N P2 O5 K2 0 (5-20-10) N P2 O5 K2 0 (5-20-10) N (uréia) N (uréia) P2 O5 (super triplo) P2 O5 (super triplo) K2 0 (cloreto de potássio) K2 0 (cloreto de potássio) N + P2 O5 (esterco de suíno + fosfato natural) N + P2 O5 (esterco de suíno + fosfato natural) N + P2 O5 (esterco de suíno + fosfato natural) Testemunha sem adubação Doses de nutrientes (kg/ha) 30,0 + 120,0 + 60,0 90,0 + 360,0 + 180,0 75,0 225,0 80,0 240,0 60,0 180,0 75,0 + 80,0 225,0 + 240,0 37,5 + 40,0 Doses de fontes (kg/ha) 600,0 1800,0 170,5 511,5 195,1 585,3 103,4 310,2 15743,6 + 212,7 47230,7 + 638,1 7871,8 + 106,4
  • 69. 69 O tamanho de parcela, espaçamento da cultura, métodos de amostragem para tripes, T. tabaci, míldio, P. destructor, análise foliar de nutrientes e produtividade, bem como análise estatística foram similares ao experimento 1. As datas de avaliação para tripes e míldio com respectivos dias após transplante (DAT), foram: 15/10 (44 DAT), 22/10 (51 DAT), 29/10 (58 DAT), 05/11 (65 DAT), 12/11 (72 DAT), 20/11 (80 DAT), 26/11 (86 DAT) e 03/12/1998 (93 DAT). As coletas para análise foliar foram realizadas em: 15/10 (44 DAT), 12/11 (72 DAT) e 03/12/1998 (93 DAT). 2.3 Experimento 3 Densidade Populacional de T. tabaci e sirfídeos predadores em cebola em monocultivo e associada com outras espécies vegetais. O experimento foi realizado entre o período de 27/08/98 (transplante) a 16/12/98 (colheita, ciclo 111 dias). O tamanho das parcelas foi de 5,6 m x 6,0 m (33,6 m 2), total de 560 plantas/parcela, e o espaçamento foi de 40 cm X 15 cm. Entre parcelas havia um isolamento de 2 m. A área estava previamente com adubação verde, mucuna, Stilozobium sp., associada a milho,
  • 70. 70 Z. mays. O sistema de plantio foi direto como nos experimentos anteriores. A análise de solo da área experimental, encontra-se no QUADRO 6. A adubação da cultura da cebola de acordo com COMISSÃO de FERTILIDADE do SOLO RS/SC (1994) foi de 11545,3 Kg/ha de esterco de suíno (análise do esterco no QUADRO 3, vide fórmula no item 2.1 para cálculo da quantidade de esterco/ha) para suprir nitrogênio (55 Kg/ha), a fim de se evitar desequilíbrio nutricional e predispor a cultura a doenças e pragas, e o fósforo (50 Kg/ha de P2O5) foi complementado pela adição de 59,7 Kg/ha de fosfato natural de GAFSA® (utilizado no experimento 2). QUADRO 6. Análise de solos da área experimental realizada pelo Laboratório de Análise de Solos, Estação Experimental de Ituporanga, EPAGRI, 1998. pH pH P K M.O Al Ca Mg Argila (água) (SMP) (mg/Kg) (mmolc (g/Kg) (mmolc (mmolc (mmolc (g/kg) 3 dm ) 6,1 A 5,8 M + 50 A + 3,9 A dm ) 3 59 A dm ) 3 dm ) 3 0,0 69 A 44 A 280 OBS: A, M, respectivamente níveis alto e médio, segundo COMISSÃO de FERTILIDADE do SOLO RS/SC, 1994. Os tratamentos foram: 1) Cebola em monocultivo; 2) Cebola + trigo mourisco, Fagopyrum esculentum Moench
  • 71. 71 (Poligonaceae); 3) Cebola + nabo forrageiro, Raphanus sativus L. var. oleiferus Metzg., (Brassicaceae), 4) Cebola + cenoura, D. carota, cv. Nantes e cv. Brasília, respectivamente nas laterais direita e esquerda da parcela; 5) Cebola + milho (Z. mays), super precoce híbrido Pioneer® 3072; 6) Cebola + rúcula (Eruca sativa) (Brassicaceae) na lateral direita da parcela + vegetação espontânea na lateral esquerda. As linhas centrais da parcela (3,2 m) foram ocupadas com cebola, e as 6 linhas laterais (1,2 m de cada lado) em bordadura foram destinadas às culturas em consórcio (vide FIGURA 2). 5,6 m 5,6 m 1,2 m 6,0 m cccccccccccc cccccccccccc cccccccccccc cccccccccccc cccccccccccc a 6,0 m xx xx xx xx xx 3,2 m ccccc ccccc ccccc ccccc ccccc b 1,2 m xx xx xx xx xx Legenda: c = cebola x = outras espécies em bordadura FIGURA 2. Esquema de parcelas de cebola em monocultivo (a) e associada a diferentes espécies vegetais (b). O número de ninfas de tripes e larvas de sirfídeos predadores foi avaliado ao acaso em 10 plantas/parcela em todas as folhas com auxílio de lupa manual Magnifier®, 75 mm de
  • 72. 72 diâmetro. As datas de avaliação e respectivos dias após transplante (DAT) foram: 06/10 (40 DAT), 13/10 (47 DAT), 20/10 (54 DAT), 27/10 (61 DAT), 03/11 (68 DAT), 10/11 (75 DAT), 17/11 (82 DAT), 24/11 (89 DAT) e 01/12/1998 (96 DAT). A identificação das espécies de sirfídeos foi realizada comparando-se aos adultos obtidos anteriormente por GONÇALVES (1996b) oriundos de larvas, que completaram o ciclo em laboratório, alimentadas com afídeos coletados em invasoras. A avaliação de produtividade e análise estatística seguiram metodologias adotadas para o experimento 1. O número médio de larvas de T. tabaci, e total de larvas de sirfídeos foram transformados para log (x + 0,5) e submetidos a análise de variâncias e testes de médias. O coeficiente de correlação (r) e determinação (r2 X 100) foi realizado entre número médio geral de larvas de sirfídeos e ninfas de tripes, T. tabaci. 2.4 Variáveis climáticas e correlação com a incidência de T. tabaci, P. destructor, e sirfídeos. O coeficiente de correlação entre número médio de ninfas de T. tabaci, porcentagem de infestação por P. destructor, e variáveis climáticas (médias semanais de temperaturas média, mínima e máxima  C; média de insolação em número de horas de
  • 73. 73 sol/semana, e precipitação acumulada em mm/semana) foi determinado por experimento e segue metodologia adotada no experimento 1 (vide item 2.1). Os resultados também foram comparados com dados climáticos normais para a Estação Experimental de Ituporanga, SC. Os dados climáticos foram obtidos junto ao CLIMERH (Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina) da EPAGRI. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Experimento 1 Densidade Populacional de T. tabaci, e infestação por destructor, P. em cebola sob diferentes fontes de adubação orgânica O número médio de ninfas de T. tabaci , não diferiu entre tratamentos em nenhuma das semanas de avaliação (TABELA 1). Portanto, como constatado por OSUNA et al. (1989); MARZO et al. (1997); BASTOS et al. (1998); SILVA et al. (1998); não necessariamente a utilização de adubação mineral favorece a maior densidade populacional de herbívoros, pois o efeito pode ser não significativo ou até mesmo inferior ao adubo orgânico. A porcentagem de folhas infectadas por P. destructor, foi tardia (TABELA 2). A análise de variância não foi realizada em 14/10
  • 74. 74 devido a inexistência da doença na maioria dos tratamentos, exceto 0,5% de infestação para NPK dose normal. A incidência da doença diferiu apenas em 19/11, quando o esterco Barriga Verde foi superior ao composto orgânico, porém foi semelhante aos demais (TABELA 2). O efeito de fontes orgânicas de adubação como indutores de resistência a patógenos foi não significativo comparado a adubação mineral como observaram MELLONI; DUARTE; CARDOSO (1995); RAVIV et al. (1998). Portanto, a fertilização não apresentou uma ação definida sobre a incidência do patógeno. Porém, estes resultados contrastam com McGUIRE (1999), que observou menor incidência de P. destructor em cebola sob adubação orgânica comparado a mineral. O nível de nutrientes foliares foi similar entre tratamentos na maioria das datas de avaliação (FIGURA 3), exceto para N em 11/11, (FIGURA 3.2) e para Fe em 02/12 (FIGURA 3.18). Em 11/11 o teor de N foi superior para os estercos de suíno em ambas doses, esterco Barriga Verde, e composto, em relação ao húmus, porém não diferiram dos demais tratamentos. Na data de 2/12 o teor de Fe no composto orgânico foi superior em relação a fórmula NPK 5-20-20 dose dupla, porém foi semelhante aos demais. Portanto, as fontes de adubação utilizadas, com dosagens de adubo entre normal até no máximo o dobro recomendado pela análise, não proporcionaram diferenças significativas nos teores de
  • 75. 75 nutrientes foliares na maioria das avaliações que pudessem refletir na incidência de T. tabaci e P. destructor em cebola. Deve-se considerar também, que a área experimental estava em processo de conversão para manejo orgânico há dois anos. Como ressaltado por PHELAN; MASON; STINNER (1995), PHELAN (1997), os solos com histórico de manejo orgânico apresentaram menor nível de oviposição de Ostrinia nubilalis (Hübner) (Lepidoptera: Pyralidae) em milho, em relação ao convencional, independente da fonte de adubação ser química ou orgânica. Os valores de coeficientes de correlação linear (r) e determinação (r2 %) entre nutrientes, inseto e patógeno foram não significativos em geral (TABELAS 3 e 4). Portanto, a relação entre nutrientes, inseto e fungo geralmente não foi linear. A relação não linear entre nitrogênio e artrópodos já havia sido constatada anteriormente (WHITE, 1984; POPP; KULMAN; WHITE, 1986; BREWER; O’NEILL; DESHON JR., 1987; RUTZ et al., 1990; BETHKE; REDAK; SCHUCH, 1998; JOERN & BEHMER, 1998), bem como para patógenos (BROSCIOUS; FRANK; FREDERICK, 1985). Os níveis de coeficiente de correlação foram altamente significativos** para ocorrência de T. tabaci no fim do ciclo da cultura (02/12/98) para K/Cu (r= -0,49**) e nas relações inversas de nutrientes com Mn (N/Mn, r = 0,44**; P/Mn, r = 0,46**; Mg/Mn, r = 0,45**) (TABELA 3). A relação da incidência de T. tabaci foi
  • 76. 76 negativa nesta data para Mn (r = -0,29), K (r = -0,38*) e positiva para Cu (r = 0,33*) (TABELA 3). O excesso dos nutrientes N, P e Mg em relação a Mn favoreceu a ocorrência de T. tabaci, enquanto o aumento de K em relação a Cu diminuiu a incidência do inseto. Convém ressaltar, que tais relações foram verificados no período de maturação fisiológica da cultura, quando a presença do inseto entra naturalmente em declínio e não provoca maiores danos a cultura (o nível de dano econômico de dano nesta fase é de 30 ninfas/planta, segundo GONÇALVES, 1997b). O potássio como indutor de resistência a insetos e patógenos foi relatado por CHABOUSSOU (1987), PRIMAVESI (1988) e BORTOLLI & MAIA (1994); e Mn por CHABOUSSOU (1987). O valor de r foi significativo (*) ainda para os seguintes nutrientes: K (em 11/11 com relação positiva para K/ZN, e 2/12 negativa para K, K/Mg, K/B); Cu (em 2/12 positiva para Cu), N (em 2/12 positiva para N/K), P (em 2/12 positiva para P/K) , Ca/Mn (positiva em 2/12), Mn/Zn (negativa em 2/12) (TABELA 3). A análise de regressão múltipla apresentou as seguintes equações para relação entre número médio de ninfas de tripes (y) e nutrientes: para início da infestação do inseto em 14/10 com população abaixo do nível de dano econômico (N. D. E.), y= +10,94 -0,04xP/B (r2 %= 10,16); em 11/11, uma semana antes do pico populacional de T. tabaci, com todos tratamentos acima do N. D. E., y= -51,35 +0,008xK/Zn (r2 %= 13,32) +0,89xB (r2 %= 10,04)
  • 77. 77 +1,63xN (r2 %= 9,84); e no declínio populacional em 02/12, com todos tratamentos abaixo do N.D.E., y= +21,32 -0,004xK/Cu (r2 %= 23,68) +1,48xMn/Cu (r2 %= 14,09) +0,059xP/Mn (r2 %= 8,53) -0,38xFe/B (r2 %= 6,89). A equação geral envolvendo as três datas 2 de amostragem foi: y= +34,22 -0,80xB (r %= 30,98) -0,39xFe/B (r2 %= 5,61) -0,009xN/Zn (r2 %= 1,96). O coeficiente de correlação (r) entre nutrientes e infestação de P. destructor foi significativo em 2/12 para : com relação negativa para K, K/Mg, K/Cu, Mn/Zn, N/Mg, Fe/Zn, e positiva para Mg, Mg/Mn e Zn (TABELA 4). O efeito negativo de K/Mg, K/Cu e Mn/Zn para o patógeno, P. destructor, ocorreu similarmente ao observado para T. tabaci (TABELAS 3 e 4). A incidência de P. destructor não foi correlacionada com incremento de P e N de maneira isolada como observaram DEVELASH & SUGHA (1997), porém similarmente a relação de K com a doença foi negativa. A análise de regressão múltipla entre nutrientes e infestação de P. destructor apresentou as seguintes equações: para data 11/11 com nível de infestação máximo de 5%, y= -2,56 +9,10xP/Ca (r2%= 7,77); para data 02/12 com o mais alto nível de infestação da doença (13%, TABELA 2), y= -3,48 + 3,7xMg (r2%= 17,98) -0,86xFe/Zn (r2%=14,44) +0,49xFe/Mn (r2%= 9,88). A equação geral foi y= -17,21 +17,4xMg (r 2 2 %= 25,31) -3,03xN (r %= 7,55) +5,43xN/Mg (r2 %= 4,92) -0,07xFe/Cu (r2 %= 4,73) +0,012xN/Zn (r2 %= 3,47).
  • 78. 78 A generalização de N como causador de desequilíbrio nutricional e favorecimento na ocorrência de pragas e doenças pode não ser correto como observado por BORTOLLI & MAIA (1994), pois a relação isolada de N apresentou valores não significativos para incidência de T. tabaci e para P. destructor (respectivamente TABELAS 3 e 4). O efeito positivo de N para incidência de T. tabaci foi verificado de maneira significativa para o nutriente em excesso em detrimento de Mn e K (relações N/Mn, e N/K), enquanto que para P. destructor para N/Mg (data 2/12, respectivamente TABELAS 3 e 4). Os resultados contrastam daqueles obtidos por SCHUCH; REDAK; BETHKE (1998), que observaram que a infestação de F. occidentalis, em crisântemo, D. grandiflorum, foi favorecida por altos níveis de adubação nitrogenada. Os resultados foram similares ao observado por VOS & FRINKING (1997), com efeito não significativo de N sobre T. parvispinus , em pimenta, Capsicum spp. (Solanaceae), porém a relação positiva de P sobre o inseto, observada por estes autores, não foi constatada, pois a relação foi significativamente positiva apenas para relação P/K em 02/12 (TABELA 3). A produtividade comercial foi similar entre tratamentos (TABELA 5). O peso médio de bulbos foi superior para esterco de perú em relação ao composto orgânico, esterco de suíno (dosagem normal), e húmus. O adubo químico NPK em ambas as dosagens
  • 79. 79 utilizadas também apresentou peso médio de bulbos superior ao composto orgânico. Porém, nenhum tratamento proporcionou incremento significativo no peso médio de bulbos em relação a testemunha sem adubo (TABELA 5). Provavelmente o nível de fertilidade da área experimental (alto teor de P e nível médio de matéria orgânica, aliada a condição de plantio direto, QUADRO 2) proporcionou a testemunha sem adubação apresentar níveis de produtividade similar aos demais tratamentos.
  • 80. 80 TABELA 1. Número médio de ninfas de Thrips tabaci em cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998. Tratamentos Doses de nutrientes (kg/ha) Datas de avaliação 14/10 21/10 28/10 04/11 11/11 19/11 25 /11 02/12 N (esterco de suíno) 75,0 3,8 a 3,1 a 5,2 a 15,9 a 30,9 a 53,6 a 16,1 a 11,8 a N (esterco de suíno) 37,5 3,8 a 3,1 a 6,5 a 17,2 a 29,9 a 47,7 a 17,6 a 16,7 a N (esterco Barriga Verde,  aves) N (composto orgânico) N (esterco de perú) 75,0 1,2 a 3,1 a 9,4 a 16,1 a 36,6 a 65,1 a 12,2 a 15,0 a 75,0 2,5 a 4,1 a 7,6 a 14,0 a 24,6 a 59,4 a 17,7 a 12,1 a 75,0 2,7 a 4,0 a 6,0 a 18,5 a 35,2 a 41,8 a 17,2 a 8,3 a N (húmus) 75,0 4,9 a 2,6 a 4,5 a 13,9 a 21,8 a 48,5 a 25,7 a 15,3 a N P K (5-20-10) 30-120-60 3,2 a 6,4 a 9,1 a 16,7 a 29,5 a 62,0 a 20,6 a 10,7 a N P K (5-20-10) 60-240-120 2,8 a 6,3 a 6,8 a 18,8 a 36,1 a 61,2 a 22,9 a 13,9 a 3,4 a 7,0 a 5,0 a 20,4 a 22,0 a 53,9 a 22,0 a 16,2 a 63,5 49,8 34,1 11,7 9,3 9,1 12,6 16,9 testemunha sem adubação CV% Obs: Médias seguidas da mesma letra na vertical não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. (a análise de variância foi realizada com dados transformados para log x +0,5, porém os resultados apresentados são dados originais).
  • 81. 81 TABELA 2. Porcentagem de folhas de cebola, cultivar Crioula, infectadas por Peronospora destructor , sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998. Tratamentos Doses de nutrientes (kg/ha) 14/10* 21/10 28/10 Datas de avaliação 04/11 11/11 19/11 25/11* 02/12 N (esterco de suíno) 75,0 0,0 0,0 a 0,0 a 0,8 a 0,0 a 8,6 ab 0,0 4,4 a N (esterco de suíno) 37,5 0,0 0,9 a 1,2 a 0,7 a 1,6 a 7,3 ab 0,0 5,8 a N (esterco Barriga Verde,  aves) N (composto orgânico) 75,0 0,0 0,0 a 0,9 a 0,0 a 5,0 a 16,4 a 0,0 9,8 a 75,0 0,0 0,0 a 0,4 a 0,0 a 0,6 a 5,3 b 0,0 9,1 a N (esterco de perú) 75,0 0,0 0,5 a 0,9 a 0,6 a 1,5 a 10,9 ab 0,0 13,0 a N (húmus) 75,0 0,0 3,4 a 0,4 a 1,2 a 1,6 a 11,1 ab 0,0 8,6 a N P K (5-20-10) 30-120-60 0,5 0,0 a 0,0 a 0,4 a 0,3 a 8,4 ab 0,0 7,5 a N P K (5-20-10) 60-240-120 0,0 0,0 a 0,7 a 0,8 a 1,3 a 9,6 ab 0,0 6,3 a 0,0 0,9 a 0,4 a 0,8 a 2,3 a 7,1 ab 0,0 6,7 a 600,0 227,6 134,7 159,9 123,1 22,7 testemunha sem adubação CV% 55,2 Obs: Médias seguidas da mesma letra na vertical não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. (a análise devariância foi realizada com dados transformados para arco seno √x/100, porém os resultados apresentados são dados originais). * Nas datas de avaliações de 14/10, 25/11 não foi realizada análise de variância devido a baixa incidência ou inexistência da doença.
  • 82. 68 TABELA 3. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r2 %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Thrips tabaci Lindeman 1888. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Datas de avaliação Nutrientes N P K Ca Mg Fe Mn Zn Cu B N/P N/K N/Ca N/Mg N/Fe N/Mn N/Zn N/Cu N/B P/K P/Ca P/Mg P/Fe P/Mn P/Zn P/Cu P/B K/Ca K/Mg K/Fe K/Mn K/Zn K/Cu K/B r 0,05 -0,21 0,02 0,00 0,09 -0,07 -0,16 0,17 -0,26 0,12 0,20 0,00 0,00 -0,09 0,18 0,12 0,00 0,14 -0,14 -0,13 -0,19 -0,19 0,12 0,05 -0,11 0,05 -0,32 0,00 -0,04 0,16 0,14 0,00 0,14 -0,07 14/10 r2 % 0,17 4,57 0,03 0,00 0,81 0,44 2,49 2,79 6,75 1,50 3,97 0,00 0,00 0,81 3,24 1,52 0,00 1,84 1,95 1,81 3,65 3,54 1,41 0,21 1,26 0,20 10,16 0,00 0,18 2,57 1,83 0,00 1,99 0,47 r 0,16 -0,12 0,29 -0,05 -0,03 0,13 0,03 -0,25 -0,15 0,21 0,17 -0,23 0,12 0,06 -0,13 -0,11 0,27 0,24 -0,12 -0,30 -0,02 -0,08 -0,22 -0,15 0,23 0,15 -0,19 0,25 0,18 0,08 0,00 0,36* 0,32 0,03 11/11 r2 % 2,55 1,34 8,64 0,24 0,10 1,74 0,07 6,34 2,16 4,21 3,02 5,38 1,41 0,40 1,80 1,16 7,26 5,67 1,37 8,72 0,05 0,59 4,72 2,37 5,25 2,37 3,43 6,14 3,13 0,60 0,00 13,32 10,19 0,07 r 02/12 r2 % 0,10 0,15 -0,38* -0,09 0,21 -0,10 -0,29 0,00 0,33* 0,19 -0,11 0,33* 0,11 -0,17 0,03 0,44** 0,02 -0,19 -0,20 0,38* 0,17 0,01 0,14 0,46** 0,13 -0,05 -0,12 -0,25 -0,34* -0,17 0,18 -0,22 -0,49** -0,40* 0,99 2,32 14,18 0,74 4,45 0,95 8,27 0,00 10,99 3,46 1,31 10,64 1,11 2,98 0,10 19,58 0,05 3,76 4,11 14,27 2,90 0,02 1,89 21,14 1,72 0,22 1,36 6,41 11,39 2,79 3,21 5,01 23,68 15,79 Obs: * e **, respectivamente r diferente de zero pelo teste de T ao nível de 5 e 1% de probabilidade.
  • 83. 69 Continuação da TABELA 3. Datas de avaliação Nutrientes Ca/Mg Ca/Fe Ca/Mn Ca/Zn Ca/Cu Ca/B Mg/Fe Mg/Mn Mg/Zn Mg/Cu Mg/B Fe/Mn Fe/Zn Fe/Cu Fe/B Mn/Zn Mn/Cu Mn/B Zn/Cu Zn/B Cu/B r -0,07 0,17 0,10 0,00 0,11 -0,15 0,21 0,13 0,03 0,16 -0,03 0,00 -0,11 -0,01 -0,10 -0,14 0,07 -0,20 0,15 0,11 -0,29 14/10 r2 % r 11/11 r2 % 0,56 2,95 1,10 0,00 1,22 2,15 4,49 1,69 0,07 2,59 0,07 0,00 1,26 0,01 1,10 1,96 0,49 3,88 2,15 1,29 8,24 -0,04 -0,18 -0,11 0,21 0,15 -0,11 -0,18 -0,16 0,22 0,23 -0,15 0,00 0,23 0,18 -0,03 0,09 0,10 -0,13 0,01 -0,29 -0,13 0,18 3,18 1,26 4,43 2,39 1,17 3,20 2,56 4,64 5,27 2,23 0,00 5,23 3,42 0,08 0,88 1,06 1,69 0,01 8,24 1,68 r 02/12 r2 % -0,28 0,02 0,35* 0,00 -0,24 -0,23 0,08 0,45** 0,08 -0,15 -0,07 0,11 -0,04 -0,08 -0,20 -0,35* -0,21 -0,30 -0,03 -0,13 0,27 7,87 0,04 12,38 0,00 5,71 5,52 0,67 20,01 0,68 2,18 0,56 1,25 0,13 0,63 3,84 12,14 4,53 9,09 0,08 1,75 7,32
  • 84. 70 TABELA 4. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r2 %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Peronospora destructor. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Nutrientes Datas de avaliação r N P K Ca Mg Fe Mn Zn Cu B N/P N/K N/Ca N/Mg N/Fe N/Mn N/Zn N/Cu N/B P/K P/Ca P/Mg P/Fe P/Mn P/Zn P/Cu P/B K/Ca K/Mg K/Fe K/Mn K/Zn K/Cu K/B -0,05 0,08 0,11 -0,19 -0,26 0,00 0,13 -0,09 0,08 -0,08 -0,12 -0,13 0,19 0,23 -0,08 -0,20 0,10 -0,04 0,03 -0,08 0,28 0,22 -0,02 -0,18 0,19 0,02 0,06 0,22 0,18 0,01 -0,15 0,18 0,02 0,07 11/11 r2 % 0,24 0,67 1,24 3,71 6,95 0,00 1,73 0,80 0,62 0,63 1,41 1,71 3,69 5,27 0,57 4,05 0,92 0,16 0,08 0,59 7,77 5,00 0,03 3,38 3,79 0,03 0,33 4,95 3,06 0,01 2,12 3,28 0,03 0,55 r -0,07 -0,20 -0,35* 0,10 0,42* -0,10 -0,28 0,33* 0,07 -0,07 0,20 0,31 -0,14 -0,39* 0,05 0,28 -0,21 -0,18 0,06 0,09 -0,19 -0,31 -0,04 0,15 -0,31 -0,24 -0,10 -0,30 -0,37* -0,15 0,00 -0,30 -0,39* -0,20 02/12 r2 % 0,49 3,91 12,27 1,06 17,98 1,08 8,04 10,86 0,46 0,47 4,19 9,56 1,94 15,45 0,29 7,56 4,52 3,11 0,32 0,88 3,53 9,52 0,15 2,34 9,59 5,61 0,93 8,75 13,42 2,21 0,00 9,13 15,53 3,85 Obs: * e **, respectivamente r diferente de zero pelo teste de T ao nível de 5 e 1% de probabilidade.
  • 85. 71 Continuação da TABELA 4. Nutrientes Datas de avaliação r Ca/Mg Ca/Fe Ca/Mn Ca/Zn Ca/Cu Ca/B Mg/Fe Mg/Mn Mg/Zn Mg/Cu Mg/B Fe/Mn Fe/Zn Fe/Cu Fe/B Mn/Zn Mn/Cu Mn/B Zn/Cu Zn/B Cu/Zn Cu/B 0,00 -0,16 -0,20 0,00 -0,09 -0,04 -0,19 -0,24 -0,03 -0,13 -0,07 -0,13 0,08 -0,01 0,04 0,17 0,05 0,07 -0,12 -0,07 0,14 0,06 11/11 r2 % 0,00 2,41 4,17 0,00 0,89 0,19 3,43 5,64 0,10 1,80 0,48 1,79 0,68 0,02 0,18 2,75 0,26 0,48 1,53 0,54 1,98 0,37 r -0,26 0,12 0,32 -0,12 -0,11 0,10 0,20 0,41* 0,00 -0,03 0,29 0,13 -0,34* -0,15 -0,08 -0,34* -0,22 -0,15 0,06 0,22 0,01 0,10 02/12 r2 % 7,00 1,39 10,42 1,56 1,30 1,04 3,88 16,79 0,00 0,07 8,34 1,69 11,25 2,11 0,64 11,88 4,90 2,36 0,35 4,95 0,01 0,96
  • 86. 72 TABELA 5. Produtividade comercial média e peso médio de bulbos de cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Tratamentos Doses de nutrientes (Kg/ha) Produtividade Peso médio de bulbos (g) N (esterco de suíno) 75,0 (t/ha) 12,9 a N (esterco de suíno) 37,5 12,2 a 54,4 bc N (esterco Barriga Verde,  aves) N (composto orgânico) 75,0 13,9 a 62,8 abc 75,0 11,6 a 52,2 N (esterco de perú) 75,0 16,9 a 71,9 a N (húmus) 75,0 12,0 a 55,6 bc N P K (5-20-10) 30-120-60 15,6 a 68,8 ab N P K (5-20-10) 60-240-120 15,7 a 69,2 ab 12,0 a 55,8 abc testemunha sem adubação CV% 17,6 58,1 abc c 11,0 OBS: Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
  • 87. 73 3.2 Experimento 2 Densidade Populacional de T. tabaci, e infestação por P. destructor, em cebola sob diferentes fontes minerais de adubação A incidência de T. tabaci foi relativamente baixa entre 15/10 a 29/10/98, tornando-se próxima ao nível de dano econômico (segundo GONÇALVES 1997, 15 ninfas/planta antes da bulbificação), apenas a partir de 5/11/98 para esterco de suíno na dosagem mais alta (TABELA 6). O número médio de ninfas de T. tabaci foi superior em 05/11 para dosagem tripla de esterco de suíno + fosfato natural em relação ao NPK 5-20-10 e P2O5 (super triplo) em doses normais e não diferiu dos demais (TABELA 6). Os tratamentos com adubação apresentaram níveis populacionais de T. tabaci similares à testemunha sem adubo. Em 12/11/98 o esterco de suíno + fosfato natural na dosagem tripla e normal e o NPK dose normal apresentaram maior incidência de T. tabaci que N dose triplicada (TABELA 6). O nível foliar de nutrientes diferiu apenas para N em 15/10 e P em 12/11, os demais apresentaram níveis semelhantes entre tratamentos (FIGURA 4). No início das avaliações (15/10) o fornecimento de N foi superior para esterco de suíno e N mineral (uréia) em doses triplicadas em relação ao NPK dose normal, P mineral em ambas dosagens e testemunha (Figura 4.1). Em 12/11 o nível de P foi superior para esterco de suíno + fosfato natural em dose normal comparado a N em dose triplicada (Figura 4.5). As diferenças entre níveis foliares de nutrientes entre tratamentos (Figura 4) não proporcionaram efeito semelhante na incidência de T. tabaci (Tabela 6). Este resultado contrasta com McGUIRE (1999) que observou densidade populacional de T. tabaci superior para
  • 88. 74 tratamento com maior teor de N foliar, em fase de pleno desenvolvimento vegetativo. Convém ressaltar, que este experimento foi montado em área com histórico convencional de manejo de solo, o que provavelmente favoreceu a diferença entre tratamentos independente da origem da fonte de adubação utilizada. McGUIRE (1999) em experimento montado em Ituporanga, SC, em propriedade rural com manejo de solo convencional há dez anos, observou que o adubo orgânico apresentou maior densidade populacional de T. tabaci em cebola comparado ao mineral. PHELAN; MASON; STINNER (1995), PHELAN (1997) observaram que há uma maior tendência de incidência de insetos em solo mantido historicamente com agroquímicos comparado ao orgânico, mesmo que a adubação utilizada no manejo da cultura seja orgânica. A porcentagem de infestação foliar por míldio foi similar enre tratamentos entre 15/10 a 05/11 (TABELA 7). A infestação de P. destructor apenas diferiu entre tratamentos quando ocorreu o nível mais alto de severidade da doença na testemunha (23,1% em 12/11), com NPK 5-20-10 dose tripla superior a N dose normal (TABELA 7). Tal diferença poderia ser atribuída a maior quantidade de N solúvel fornecida pelo NPK 5 -20-10 em superdosagem, porém, como os níveis foliares de N foram semelhantes entre tratamentos em 12/11 (FIGURA 4.2), descarta-se tal possibilidade. Similar ao ocorrido no experimento 1 os valores dos coeficientes de correlação (r) e determinação (r2 %) foram geralmente não significativos entre nutrientes e incidência de T. tabaci e P. destructor (TABELAS 8 e 9). O coeficiente de correlação foi altamente significativo ** no início da colonização de T. tabaci, em 15/10, para a relação N/Mn (r = 0,42**) (TABELA 8). Em
  • 89. 75 15/10, r foi significativo também para Mn isoladamente (r= -0,29*) e em relação inversa com outros nutrientes: K/Mn (r= 0,35*), Mg/Mn (r= 0,35*), Ca/Mn (r= 0,34*), P/Mn (r= 0,33*) (TABELA experimento 1. 8); como observado no Portanto, a incidência de T. tabaci apresentou correlação positiva principalmente com Mn em relação inversa com outros nutrientes (N/Mn, P/Mn, Mg/Mn, Ca/Mn, K/Mn) no início da infestação em 15/10/98 (TABELAS 6 e 8). O aumento dos níveis destes nutrientes em relação a Mn promoveu maior densidade populacional do inseto, porém no início da infestação com população abaixo do nível de dano econômico (TABELA 6). Recentemente na região do Alto Vale do Itajaí, SC, tem-se observado deficiência de Mn em plantas de cebola, principalmente pelo cultivo sucessivo na mesma área, baixa disponibilidade do nutriente nos solos da região, pH elevado, ausência de matéria orgânica, compactação e erosão do solo (EPAGRI, 2000). CHABOUSSOU (1987) fez referência à importância do manganês e sua ação na resistência da planta. Em cebola, A. cepa, o Mn reduz a incidência de doenças fúngicas (HUBER, 1994). O manganês atua sobre a respiração e transpiração vegetal, plantas deficientes neste nutriente absorvem mais água (PRIMAVESI, 1982). O manganês atua ainda como ativador de enzimas em várias reações, sobre a fotossíntese (a carência do nutriente diminui a intensidade do processo), na formação da clorofila e cloroplastos (MALAVOLTA et al., 1974). Na semana que antecedeu o pico populacional de T. tabaci , 12/11 (TABELA 6), o Ca em relação inversa com Fe (Ca/Fe, r= 0,33*) e N/Zn (r= -0,29) apresentaram níveis significativos de r (TABELA 8). Em 3/12, no final do ciclo da cultura (maturação fisiológica das plantas), observou-se o maior valor de r para N (r= 0,40*), N/Mg (r= 0,31*). A
  • 90. 76 análise de regressão múltipla entre níveis foliares de nutrientes e incidência de T. tabaci (representado por y) apresentou as seguintes equações para início da infestação do inseto em 15/10/98 (TABELA 6), y = -1,06 +0,017xN/Mn (r2%= 17,63); para densidade populacional iniciando a ultrapassar o nível de dano econômico (15 ninfas/planta antes da bulbificação, segundo GONÇALVES, 1997), data 12/11/98, y= 14,15 +0,07xCa/Fe (r 2%= 10,62); para fase de maturação fisiológica da cultura, quando há um declínio natural da infestação do inseto, data 03/12/98, y= -6,25 +1,17xN (r2%= 16,20) +8,14xP/Mg (r2%= 6,96) -0,44xCa/Fe (r2%= 7,64). A equação geral envolvendo as três datas de amostragem apresentou a seguinte equação, y= 12,18 -0,22xMn/Cu (r2%= 21,19) +0,21xMg/Fe (r2%= 15,43) -0,27xN (r2%= 5,88) +0,02xFe (r2%= 3,12) +2,86xP/Mg (r2%= 1,62). O nitrogênio geralmente é o nutriente com maior volume de relatos como causador de surtos populacionais de insetos fitófagos (YEPSEN JR. 1977; PRIMAVESI, 1988; PATRIQUIN; BAINES; ABBOUD, 1993; BORTOLLI & MAIA, 1994). A influência positiva da fertilização com N sobre o sugador T. tabaci no final do ciclo da cultura (data 03/12, TABELAS 6 e 8) está de acordo com o levantado por STRAUSS (1987) e LIGHTFOOT & WHITFORD (1987), que observaram surtos populacionais de insetos sugadores devido ao excesso de N. A incidência de T. tabaci nos experimentos 1 e 2 (respectivamente fontes orgânicas e minerais) apresentou correlação positiva principalmente nas relações com Mn em relação inversa (N/Mn, P/Mn, Mg/Mn, Ca/Mn) e negativa para (Mn/Zn) (TABELAS 3 e 8). Porém, a relação de nutrientes envolvendo Mn ocorreu em períodos em que a população do inseto estava abaixo do nível de dano econômico, na fase de maturação fisiológica no experimento 1 (02/12, TABELA 1), ou no início da
  • 91. 77 infestação no experimento 2 (15/10, TABELA 6). O aumento de níveis de N, P, Mg e Ca em relação a Mn promoveu maior densidade populacional do inseto, enquanto que o excesso de Mn em relação a Zn diminuiu a ocorrência de T. tabaci. CHABOUSSOU (1987) ressaltou a importância do equilíbrio entre macronutrientes e micronutrientes para a planta atingir um “ótimo de proteossíntese”, processo fundamental na resistência a pragas e patógenos de plantas (vide item 1.2.1). PRIMAVESI (1982) também salientou a necessidade de manter níveis adequados entre macronutrientes e micronutrientes, tais como nas relações N/Cu, P/Zn, P/Mn, P/Fe, K/B, N-NO3/Mo, N-NH4/Mn, Ca/Fe, Ca/B, Ca/Zn. Nos experimentos com fontes orgânicas 1 e minerais2, através da análise de regressão múltipla constatou-se que a incidência de T. tabaci esteve relacionada no início da infestação principalmente de forma negativa com P/B 1, positiva com N/Mn2 , próximo ao pico populacional foi positiva com K/Zn 1, B1, N1 e Ca/Fe2 e no declínio populacional foi negativa com K/Cu 1, Fe/B1 e Ca/Fe2 e positiva com Mn/Cu1, P/Mn1, N2, P/Mg2. Nas datas de maior infestação do inseto a relação com nutrientes foi mais alta para relação K/Zn e Ca/Fe (respectivamente para experimento com fontes orgânicas e minerais). Provavelmente as relações entre os nutrientes apontados acima não estavam em níveis “adequados” que pudessem inibir a presença de T. tabaci. No experimento 1 (com fontes orgânicas de adubação) as correlações entre inseto e nutriente foram significativas principalmente no fim do ciclo (02/12/98) (TABELAS 1 e 3), enquanto que para fontes minerais ocorreu no início do ciclo (15/10/98) (TABELAS 6 e 8). Provavelmente no experimento 1 as relações entre nutrientes e o inseto foram significativas
  • 92. 78 tardiamente devido ao histórico de manejo de solo da área experimental: plantio direto e adubação com fontes orgânicas, que são de lenta mineralização, com disponibilidade de nutrientes vagarosa em relação aos adubos químicos. A correlação entre P. destructor e nutrientes apresentou valores significativos apenas na semana de maior severidade da doença na testemunha, 12/11 (TABELA 7) para relações com B (r= 0,29*); Mg/B ( r= -0,31*) ; e P/Zn (r= 0,30*) (TABELA 9). O efeito positivo de B com relação a P. destructor, contrastou com resultados de GUPTA & SINGH (1995), que observaram redução na incidência primária de míldio, S. graminicola, na gramínea, P. glaucum, devido aos micronutrientes B, Zn e Fe. A análise de regressão múltipla para incidência de P. destructor e sua relação com nutrientes apresentou as seguintes equações: no início da infestação da doença não houve relação significativa (em 15/10, TABELA 7); com pico de severidade da doença na testemunha (em 12/11), y= -36,16 -0,16xMg/B (r2 %= 9,72) +0,26xP/Fe (r2 %= 6,63); próxima a maturação fisiológica com nível de infestação de P. destructor entre 5,6% a 22,6% (em 03/12), y= -20,80 -0,02xP/Cu (r2 %= 8,97). A equação geral foi y= +31,55 -0,69xN (r2 %= 20,22) +0,014xP/Zn (r2 %= 6,73). Através da análise regressão mútipla foi possível verificar que a relação entre P. destructor e nutrientes para fontes orgânicas foi condicionada de maneira positiva para Mg, Fe/Mn e P/Ca, e negativa para Fe/Zn, enquanto que para minerais foi negativa para Mg/B, P/Cu e positiva para P/Fe. O nível mais alto de relação patógeno nutrientes na data de maior severidade da
  • 93. 79 doença foi verificado para fontes orgânicas de maneira positiva com Mg e para minerais negativa para Mg/B. A relação entre nutrientes, T. tabaci e P. destructor, ocorreu de forma distinta entre as fontes minerais e orgânicas, pois houve variabilidade dos resultados entre cada data de amostragem e experimentos, portanto deve ser considerado a complexidade entre nutrição da cultura da cebola e estes parasitas. Para elucidar esta relação serão necessários futuros trabalhos com determinação da marcha de absorção de nutrientes com a cultivar Crioula para condições de solo do Alto Vale do Itajaí; investigar relações de T. tabaci e P. destructor com substâncias mais complexas tais como nitrato; aminoácidos, proteína, determinação da relação com enxofre, pois o nutriente é absorvido em grandes proporções pela cultura (HAAG citado por MALAVOLTA et al. 1974) e também constituinte de vários aminoácidos. A produtividade comercial foi superior para os tratamentos esterco de suíno + fosfato natural na dosagem tripla e normal, NPK dose tripla em relação a testemunha e demais tratamentos (TABELA 10). O peso médio de bulbos foi superior a testemunha sem adubação apenas para esterco de suíno + fosfato natural na dosagem tripla (TABELA 10). A produtividade comercial e peso médio de bulbos foi similar tanto para adubação mineral quanto orgânica em dose normal recomendada pela análise de solo (TABELA 10). As condições de fertilidade da área experimental com altos níveis de macronutrientes e matéria orgânica (vide análise de solo em material e métodos, QUADRO 6), aliado a condição de plantio direto, provavelmente permitiram que a testemunha apresentasse níveis de produtividade similares aos tratamentos com adubação na dose normal.
  • 94. 80 3.3 CONCLUSÕES dos EXPERIMENTOS 1 e 2. A incidência de T. tabaci, diferiu entre tratamentos apenas em solo com histórico de manejo convencional, independente da fonte de adubação utilizada (química ou orgânica), enquanto que no orgânico não houve diferença entre tratamentos. A adubação mineral em relação a orgânica não necessariamente favoreceu a incidência de T. tabaci e P. destructor . A correlação entre nutrientes, T. tabaci e P. destructor geralmente não foi linear . A rápida disponibilidade de nutrientes da adubação mineral em relação a orgânica associada ao histórico de manejo convencional do solo, pareceu favorecer a ocorrência antecipada de correlação significativa entre nutrientes, T. tabaci e P. destructor . Na fase de maior densidade populacional de T. tabaci a relação com nutrientes foi mais alta para relação K/Zn e Ca/Fe (respectivamente para experimento com fontes orgânicas e minerais). Nas datas de maior severidade de P. destructor houve relação mais alta com os seguintes nutrientes: para fontes orgânicas de maneira positiva com Mg e para minerais negativa para Mg/B. A relação entre a nutrição da cultura da cebola e a incidência de T. tabaci e P. destructor foi variável entre as fontes minerais e orgânicas e envolveu vários nutrientes não sendo restrita a certos elementos, mas sim complexa. Futuros trabalhos deverão ser desenvovidos para complementar estas informações tais como: determinação da marcha de absorção de
  • 95. 81 nutrientes para a cultivar Crioula para condições de solo do Alto Vale do Itajaí, SC; relação entre inseto e patógeno com enxofre (pois não foi verificado no presente trabalho) e substâncias mais complexas tais como nitrato, aminoácidos e proteínas. A adubação orgânica em dose normal recomendada para a cultura da cebola atingiu níveis de produtividade similares a adubação mineral.
  • 96. 82 TABELA 6. Número médio de ninfas de Thrips tabaci em cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998. Tratamentos NPK (5-20-10) NPK (5-20-10) Doses de nutrientes (kg/ha) 30-120-60 90-360-180 N (uréia) 75,0 N (uréia) 225,0 P2 O5 (super triplo) 80,0 P2 O5 (super triplo) 240,0 K2 0 (cloreto de 60,0 potássio) K2 0 (cloreto de 180,0 potássio) N + P (esterco de suíno 75,0 + 80,0 + fosfato natural) N + P (esterco de suíno 225,0 + 240,0 + fosfato natural) N + P (esterco de suíno 37,5 + 40,0 + fosfato natural) Testemunha C.V (%) 15/10 22/10 29/10 Datas de avaliação 05/11 12/11 20/11 26/11 03/12 2,1 a 3,1 a 2,1 a 4,8 a 1,3 a 6,3 a 2,9 b 3,6 ab 16,8 a 14,2 ab 32,2 a 32,4 a 9,8 a 8,2 a 8,1 a 9,1 a 1,8 a 0,7 a 0,6 a 3,8 a 0,6 a 2,4 a 2,2 a 1,0 a 2,2 a 0,8 a 4,6 a 3,3 a 0,4 a 2,4 a 1,7 a 4,3 ab 4,9 ab 2,5 b 4,3 ab 4,1 ab 13,8 ab 6,7 b 12,5 ab 12,9 ab 15,3 ab 26,6 a 25,5 a 19,8 a 26,4 a 23,0 a 12,9 a 7,4 a 8,9 a 10,7 a 11,5 a 9,9 a 11,6 a 9,9 a 9,5 a 10,3 a 0,8 a 1,3 a 2,8 a 4,6 ab 12,0 ab 22,4 a 10,6 a 9,6 a 4,0 a 0,9 a 2,2 a 4,2 ab 18,4 a 30,1 a 17,7 a 12,8 a 2,7 a 3,8 a 4,4 a 26,6 a 41,3 a 8,5 a 8,8 a 2,3 a 2,5 a 2,3 a 7,4 ab 15,8 ab 23,2 a 11,6 a 11,0 a 2,1 a 177,8 1,2 a 144,8 3,2 a 89,7 6,2 ab 40,8 13,8 ab 14,5 21,4 a 9,3 13,6 a 17,6 9,5 a 19,1 14,2 a Obs: Médias seguidas da mesma letra na vertical não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. (a análise de variância foi realizada com dados transformados para log x +0,5, porém os resultados apresentados são dados originais).
  • 97. 83 TABELA 7. Porcentagem de folhas infectadas por Peronospora destructor em cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI,1998. Tratamentos Doses (kg/ha) 15/10 22/10 29/10 Datas de avaliação 05/11 12/11 20/11 26/11 03/12 NPK (5-20-10) 30-120-60 0,5 a 2,6 a 2,0 a 1,7 a 22,9 ab 13,8 a 4,6 a 9,8 a NPK (5-20-10) 90-360-180 0,5 a 5,3 a 6,9 a 5,0 a 36,3 a 10,5 a 11,6 a 10,0 a 0,6 a 0,0 a 0,0 a 1,4 a 1,1 a 4,1 a 3,0 a 3,3 a 0,9 a 2,3 a 1,3 a 3,0 a 2,0 a 0,9 a 3,7 a 3,7 a 2,0 a 3,3 a 0,9 a 3,6 a 13,6 b 21,4 ab 19,9 ab 14,7 ab 27,2 ab 14,9 a 17,1 a 6,4 a 6,8 a 13,0 a 6,2 a 4,2 a 6,1 a 8,3 a 15,1 a 22,6 a 17,3 a 10,2 a 21,4 a 18,6 a 0,9 a 2,3 a 1,5 a 2,2 a 14,2 ab 10,1 a 8,6 a 20,4 a 0,5 a 2,4 a 1,3 a 3,8 a 19,9 ab 14,3 a 18,6 a 21,1 a 1,6 a 2,6 a 2,7 a 3,4 a 30,1 ab 10,9 a 15,0 a 5,6 a 0,0 a 2,8 a 2,7 a 7,0 a 18,9 ab 11,6 a 10,0 a 18,2 a 0,0 a 1,4 a 2,4 a 3,0 a 23,1 ab 9,9 a 5,7 a 13,6 a 63,3 22,3 N (uréia) 75,0 N (uréia) 225,0 P2 O5 (super triplo) 80,0 P2 O5 (super triplo) 240,0 K2 0 (cloreto de 60,0 potássio) K2 0 (cloreto de 180,0 potássio) N + P (esterco de suíno 75,0 +180,0 + fosfato natural) N + P (esterco de suíno 225,0 + 40,0 + fosfato natural) N + P (esterco de suíno 37,5 + 40,0 + fosfato natural) Testemunha C.V (%) 193,4 76,7 74,3 24,3 38,1 38,0 Obs: Médias seguidas da mesma letra na vertical não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey (a análise de variância foi realizada com dados transformados para arco seno √x/100, porém os resultados apresentados são dados originais).
  • 98. 89 TABELA 8. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r 2 %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Thrips tabaci Lindeman 1888. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Nutrientes Datas de avaliação r N P K Ca Mg Fe Mn Zn Cu B N/P N/K N/Ca N/Mg N/Fe N/Mn N/Zn N/Cu N/B P/K P/Ca P/Mg P/Fe P/Mn P/Zn P/Cu P/B K/Ca K/Mg K/Fe K/Mn K/Zn K/Cu K/B 0,15 0,16 -0,02 0,07 0,06 -0,21 -0,29* 0,13 0,10 -0,06 0,01 0,16 0,06 0,09 0,22 0,42** 0,01 0,09 0,14 0,14 0,08 0,09 0,20 0,33* 0,02 0,07 0,16 -0,09 -0,03 0,16 0,35* -0,11 0,03 0,08 15/10 r2 % 2,28 2,49 0,03 0,59 0,33 4,60 8,14 1,70 1,04 0,31 0,00 2,55 0,42 0,76 4,65 17,63 0,01 0,79 2,00 2,01 0,58 0,85 4,11 10,87 0,04 0,55 2,64 0,82 0,07 2,51 12,04 1,10 0,06 0,64 r -0,05 0,04 -0,09 0,17 0,12 -0,17 -0,03 0,23 0,04 -0,10 -0,07 0,05 -0,19 -0,14 0,22 -0,02 -0,29* -0,05 0,02 0,12 -0,09 -0,02 0,19 0,00 -0,21 -0,02 0,12 -0,18 -0,12 0,16 -0,05 -0,26 -0,05 -0,01 12/11 r2 % 0,27 0,16 0,87 2,93 1,35 2,96 0,07 5,21 0,12 0,91 0,50 0,24 3,48 2,10 4,79 0,04 8,60 0,24 0,04 1,48 0,73 0,05 3,56 0,00 4,41 0,03 1,47 3,31 1,45 2,58 0,22 6,91 0,28 0,01 r 0,40** 0,10 0,08 0,11 -0,14 0,14 -0,08 -0,16 0,06 0,22 0,06 0,11 -0,03 0,31* 0,00 0,13 0,20 0,08 -0,10 0,07 -0,01 0,12 -0,08 0,09 0,16 0,06 -0,01 -0,04 0,12 -0,11 0,09 0,18 0,03 -0,13 03/12 r2 % 16,20 0,96 0,63 1,26 2,04 1,89 0,65 2,56 0,33 4,90 0,41 1,20 -0,10 9,48 0,00 1,74 4,00 0,60 0,94 0,47 0,01 1,55 0,64 0,76 2,42 0,33 0,02 0,20 1,34 1,19 0,89 3,37 0,11 1,74 Obs: * e **, respectivamente r diferente de zero pelo teste de T ao nível de 5 e 1% de probabilidade.
  • 99. 90 Continuação da TABELA 8. Nutrientes Datas de avaliação r Ca/Mg Ca/Fe Ca/Mn Ca/Zn Ca/Cu Ca/B Mg/Fe Mg/Mn Mg/Zn Mg/Cu Mg/B Fe/Mn Fe/Zn Fe/Cu Fe/B Mn/Zn Mn/Cu Mn/B Zn/Cu Zn/B Cu/B 0,04 0,19 0,34* -0,03 0,05 0,11 0,19 0,35* -0,05 0,04 0,11 0,02 -0,23 -0,19 -0,14 -0,32* -0,15 -0,12 0,07 0,16 0,14 15/10 r2 % 0,19 3 50 11,72 0,06 0,28 1,14 3,58 11,97 0,27 0,14 1,13 0,03 5,31 3,51 1,95 10,19 2,38 1,38 0,45 2,70 1,95 r 0,14 0,33* 0,10 -0,09 0,07 0,17 0,28 0,04 -0,20 0,02 0,09 -0,17 -0,23 -0,16 -0,17 -0,19 -0,02 -0,02 0,13 0,18 0,06 12/11 r2 % 2,00 10,62 1,01 0,83 0,52 2,73 8,02 0,18 4,05 0,03 0,76 2,92 5,42 2,55 2,90 3,61 0,04 0,03 1,68 3,13 0,35 r 0,16 0,05 0,15 0,16 0,09 -0,02 -0,13 0,02 0,08 -0,06 -0,27 0,08 0,19 0,07 0,00 0,02 -0,07 -0,19 -0,13 -0,20 -0,07 03/12 r2 % 2,43 0,22 2,11 2,61 0,81 0,05 1,75 0,05 0,57 0,31 7,44 0,63 3,58 0,56 0,00 0,06 0,43 3,65 1,69 3,89 0,54 Obs: * e **, respectivamente r diferente de zero pelo teste de T ao nível de 5 e 1% de probabilidade.
  • 100. 91 TABELA 9. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r 2 %) entre níveis de nutrientes em folhas de cebola, cultivar Crioula, e incidência de Peronospora destructor. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Nutrientes Datas de avaliação r N P K Ca Mg Fe Mn Zn Cu B N/P N/K N/Ca N/Mg N/Fe N/Mn N/Zn N/Cu N/B P/K P/Ca P/Mg P/Fe P/Mn P/Zn P/Cu P/B K/Ca K/Mg K/Fe K/Mn K/Zn K/Cu K/B 0,02 -0,02 -0,05 0,00 -0,03 0,05 -0,11 -0,13 -0,08 -0,12 0,00 0,04 0,05 0,06 -0,09 -0,01 0,19 0,05 0,17 0,03 0,00 0,00 -0,08 -0,03 0,12 0,05 0,15 -0,02 -0,01 -0,10 -0,03 0,14 0,03 0,14 15/10 r2 % 0,04 0,05 0,27 0,00 0,12 0,29 1,15 1,61 0,60 1,43 0,00 0,14 0,27 0,32 0,84 0,01 3,80 0,27 2,95 0,07 0,00 0,00 0,61 0,09 1,41 0,22 2,39 0,03 0,01 1,01 0,08 1,89 0,09 2,07 r 0,11 0,22 0,15 0,05 -0,16 0,15 -0,09 -0,26 -0,07 0,29* -0,10 -0,10 0,03 0,22 -0,02 0,12 0,26 0,02 -0,22 0,14 0,13 0,26 0,12 0,18 0,30* 0,09 -0,03 0,07 0,21 0,03 0,15 0,26 0,04 -0,15 12/11 r2 % 1,11 4,88 2,32 0,26 2,55 2,33 0,80 6,58 0,52 8,14 0,95 1,01 0,06 4,87 0,05 1,55 6,80 0,04 4,79 2,01 1,68 6,95 1,40 3,23 9,11 0,90 0,06 0,55 4,55 0,08 2,34 6,60 0,18 2,12 r -0,02 0,21 -0,01 0,04 -0,02 -0,06 0,25 -0,04 -0,13 -0,04 -0,14 0,01 -0,02 -0,02 0,06 -0,09 -0,05 0,10 0,01 0,22 0,16 0,21 0,27 0,05 0,08 0,21 0,15 -0,02 0,00 0,09 -0,15 -0,05 0,09 0,01 03/12 r2 % 0,04 4,39 0,02 0,18 0,03 0,42 6,15 0,14 1,79 0,14 2,02 0,01 0,04 0,03 0,41 0,87 0,21 1,06 0,02 4,90 2,70 4,29 7,55 0,23 0,63 4,51 2,22 0,02 0,00 0,86 2,34 0,25 0,86 0,02 Obs: * e **, respectivamente r diferente de zero pelo teste de T ao nível de 5 e 1% de probabilidade.
  • 101. 92 Continuação da TABELA 9. Nutrientes Datas de avaliação r Ca/Mg Ca/Fe Ca/Mn Ca/Zn Ca/Cu Ca/B Mg/Fe Mg/Mn Mg/Zn Mg/Cu Mg/B Fe/Mn Fe/Zn Fe/Cu Fe/B Mn/Zn Mn/Cu Mn/B Zn/Cu Zn/B Cu/B 0,02 -0,08 -0,01 0,18 0,07 0,18 -0,11 -0,02 0,15 0,05 0,18 0,08 0,09 0,04 0,17 -0,01 0,01 0,03 -0,05 0,03 -0,01 15/10 r2 % 0,05 0,65 0,01 3,28 0,50 3,40 1,27 0,05 2,25 0,24 3,40 0,68 0,85 0,17 2,91 0,01 0,02 0,12 0,21 0,12 0,01 r 0,19 0,02 0,11 0,24 0,03 -0,13 -0,12 0,02 0,20 -0,06 -0,31* 0,15 0,27 0,14 0,00 0,06 -0,04 -0,18 -0,20 -0,28 -0,17 12/11 r2 % 3,59 0,04 1,18 5,89 0,07 1,64 1,50 0,03 4,07 0,34 9,72 2,30 7,47 2,06 0,00 0,39 0,19 3,10 3,97 7,67 2,78 r 0,02 0,04 -0,01 0,00 0,05 0,03 0,07 -0,09 -0,06 0,09 0,00 -0,19 -0,05 0,12 -0,05 0,03 0,19 0,11 0,10 0,00 -0,04 03/12 r2 % 0,03 0,13 0,01 0,00 0,23 0,11 0,56 0,79 0,41 0,86 0,00 3,73 0,27 1,38 0,24 0,07 3,71 1,19 0,92 0,00 0,17 Obs: * e **, respectivamente r diferente de zero pelo teste de T ao nível de 5 e 1% de probabilidade.
  • 102. 93 TABELA 10. Produtividade comercial média e peso médio de bulbos de cebola, cultivar Crioula, sob adubações mineral e orgânica. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Tratamentos NPK (5-20-10) NPK (5-20-10) N (uréia) N (uréia) P2 O5 (super triplo) Doses Produtividade (kg/ha) 30-120-60 90-360-180 75,0 225,0 80,0 (t/ha) 6,3 b 10,9 ab 8,5 b 8,5 b 5,3 b P2 O5 (super triplo) 240,0 K2 0 (cloreto de potássio) 60,0 K2 0 (cloreto de potássio) 180,0 N + P (esterco de suíno + 75,0 + 80,0 fosfato natural) N + P (esterco de suíno + 225,0 + 240,0 fosfato natural) N + P (esterco de suíno + 37,5 + 40,0 fosfato natural) Testemunha C.V (%) 7,8 b 8,3 b 5,7 b 9,9 ab 15,3 a Peso médio de bulbos (g) 41,6 b 52,7 ab 49,4 b 48,3 b 38,7 b 46,5 43,7 40,0 50,1 b b b b 66,8 a 8,5 b 47,1 b 8,1 31,4 b 40,6 b 13,5 OBS: Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
  • 103. 94 3.4 Experimento 3 Densidade Populacional de T. tabaci, e sirfídeos predadores em cebola em monocultivo e associada com outras espécies vegetais. A incidência de T. tabaci esteve abaixo do nível de dano econômico, N.D.E., quinze ninfas/planta antes e 30 após bulbificar, GONÇALVES, 1997) entre 06/10 a 27/10 (TABELA 11). A partir de 03/11 os tratamentos cebola em monocultivo, cebola + nabo forrageiro, cebola + cenoura ultrapassaram o N.D.E. Em 10 e 17/11, todos os tratamentos estiveram acima de N.D.E. e retornaram abaixo deste limiar em 24/11 e 01/12 (período de bulbificação). Indiferente ao sistema de plantio os tratamentos apresentaram níveis de ninfas de T. tabaci semelhantes, exceto em 10/11, para a cebola + nabo forrageiro que apresentou infestação inferior a cebola + trigo mourisco, porém não diferiu dos demais tratamentos. Os sistemas de plantio adotados não proporcionaram impacto significativo na densidade populacional do inseto (TABELA 11). Estes resultados diferem de UVAH & COAKER (1984), que observaram menor densidade populacional de T. tabaci em consórcio cebola e cenoura, porém neste trabalho o esquema de plantio (uma linha de cenoura: uma linha de cebola) propiciou um maior efeito de densidade de plantas que no presente trabalho (vide esquema de parcela FIGURA 2). Porém, como observado por ANDOW (1991) cerca de 12,5% dos trabalhos que comparam o efeito da diversidade vegetal apresentaram efeito não significativo. A utilização de sistema de plantio direto (cobertura com
  • 104. 95 palhada de mucuna, Stilozobim sp. e milho (Z. mays) pode ter favorecido a infestação similar de T. tabaci em sistema de cebola em monocultivo e consórcio. As plantas de cobertura podem influenciar a colonização de insetos pelo efeito visual (ALTIERI; GLASER; SCHMIDT, 1990), provocar mudanças fisiológicas no metabolismo das plantas e induzir a resistência a pragas (THEUNISSEN, 1994). Os adultos de sirfídeos obtidos foram identificados anteriormente em 1998 como, Toxomerus difficilis (Curran) por L. Marinoni, Centro de Identificação de Insetos Fitófagos da Universidade Federal do Paraná, UFPR. Porém, em trabalho posterior realizado no mesmo local DRIUTTI (1998) coletou sirfídeos adultos em visita a nabo forrageiro, R. sativus, em plantio em bordadura com cebola, que foram identificados por EUA) como Toxomerus difficilis C. Thompson (USDA, (Curran), T. dispar (Fabricius), T. watsoni, além de espécies de Toxomerus não identificadas. Portanto, é possível que as larvas encontradas sobre plantas de cebola se constituam em várias espécies de Toxomerus. Portanto serão referenciadas no presente trabalho como Toxomerus spp. O número médio de larvas de sirfídeos, Toxomerus spp., foi similar entre tratamentos (TABELA 12). A correlação entre larvas de sirfídeos e incidência de ninfas de T. tabaci foi não significativa (TABELA 13 e FIGURA 5). Este resultado concorda com DRIUTTI (1998) que também não observou em experimento realizado no mesmo local uma interação significativa entre presapredador na relação entre T. tabaci e sirfídeos em cebola. Portanto, nenhum dos tratamentos proporcionou redução populacional de T. tabaci ou incrementou a densidade do predador Toxomerus spp. de maneira
  • 105. 96 significativa. A fragmentação da paisagem e a persistência de práticas agrícolas nocivas a inimigos naturais (aplicação de agrotóxicos, baixa diversidade vegetal) no entorno e na própria Estação Experimental de Ituporanga pode ter contribuído para a relativa baixa densidade populacional de sirfídeos. Como ressaltaram ALTIERI & NICHOLLS (1999a), a diversificação de agroecossistemas em nível de paisagem tem reflexos na dinâmica de populações de insetos praga e inimigos naturais dentro das áreas cultivadas. A remoção de invasoras dentro da área experimental (capina com enxada) também pode ter contribuído para a baixa densidade populacional de sirfídeos. As invasoras apresentam benefícios no incremento de inimigos naturais pelo fornecimento de alimento e abrigo para oviposição, acasalamento, reprodução (ALTIERI & WHITCOMB, 1979; ALTIERI & LETOURNEAU, 1982; KLOEN & ALTIERI, 1990; GARCIA 1992). Embora o valor de r fosse baixo, houve sincronia e correlação negativa entre densidade populacional do inseto e predador (FIGURA 5). A pressão de predação foi relativamente baixa, provavelmente, pelo fato das larvas de sirfídeos serem polífagas. Como constatado por KYAMANYUA et al. (1993b) a eficiência de predadores generalistas no controle de tripes é baixa. Os resultados estão de acordo com BOOIJ & NOORLANDER (1992) que observaram, ao comparar sistemas de manejo integrado, convencional e orgânico, que as culturas de cebola e cenoura tiveram baixo poder de abrigar predadores, comparado a trigo e ervilha que apresentaram estrutura vegetal para abrigá-los. A produtividade comercial e peso médio de bulbos (TABELA 14) não diferiu entre tratamentos. Portanto, foi possível associar cebola com outras espécies vegetais sem redução na produtividade. A constatação de
  • 106. 97 THEUNISSEN & SCHELLING (1996), que o agricultor deve aceitar perdas na produtividade para produzir sem o uso de agrotóxicos, não foi observada. Obviamente para manter níveis de produtidade em manejo orgânico compatíveis com o convencional deve-se trabalhar principalmente o manejo de solo. 3.5 CONCLUSÕES DO EXPERIMENTO 3 A associação de cebola, A. cepa, com cenoura, D. carota; trigo mourisco, F. esculentum; rúcula, E. sativa, + vegetação espontânea e nabo forrageiro, R. sativus, não provocou diferenças significativas na incidência de tripes, T. tabaci, e sirfídeos predadores. A correlação entre sirfídeos predadores e a incidência de T. tabaci foi negativa, porém não foi significativa. A pressão exercida pelos predadores não foi suficiente para causar redução populacional significativa da praga. O sistema de plantio direto adotado no experimento pode ter favorecido a infestação similar de T. tabaci e sirfídeos predadores entre cebola em monocultivo e associação com outras espécies vegetais, pois influencia na colonização de insetos (efeito visual), e pode provocar mudanças fisiológicas na planta, que alteram a atratividade aos fitófagos. A relativa “pobreza” estrutural da cultura da cebola no fornecimento de alimento e abrigo para inimigos naturais, aliado a remoção mecânica de invasoras na área experimental, provavelmente favoreceram a
  • 107. 98 baixa incidência de predadores. Além da fragmentação da paisagem no entorno, aplicação de agrotóxicos e baixa diversidade vegetal. A produtividade comercial e de bulbos de cebola foi similar em sistema de monocultivo e diversificado, o que sugere ser possível adotar tais práticas sem consideráveis perdas em rendimento.
  • 108. 99 TABELA 11. Número médio de ninfas de Thrips tabaci em cebola, cultivar Crioula, em monocultivo e associada a diferentes espécies vegetais. EPAGRI, Ituporanga, 1998. Datas de avaliação Tratamentos 06/10 13/10 20/10 27/10 03/11 10/11 17/11 24/11 01/12 Cebola em monocultivo 2,3 a 3,4 a 7,1 a 9,0 a 16,7 a 27,1 ab 40,7 a 20,3 a 15,3 a Cebola + trigo mourisco 4,3 a 3,6 a 4,4 a 8,1 a 12,9 a 34,1 a 39,5 a 21,1 a 13,0 a Cebola + nabo forrageiro 2,0 a 2,9 a 6,7 a 9,2 a 15,7 a 21,8 b 39,7 a 17,4 a 14,1 a Cebola + cenoura 3,8 a 3,2 a 4,5 a 9,1 a 16,3 a 30,2 ab 35,3 a 24,5 a 12,9 a Cebola + milho 2,0 a 5,1 a 5,1 a 9,5 a 14,1 a 29,1 ab 46,1 a 23,4 a 17,0 a Cebola + rúcula + vegetação espontânea CV (%) 2,7 a 1,9 a 6,5 a 10,4 a 14,2 a 32,7 ab 34,7 a 24,4 a 10,9 a 37,7 43,8 29,4 8,4 8,4 4,8 7,4 10,0 5,2 Obs: Médias seguidas da mesma letra na vertical não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. (a análise de variância foi realizada com dados transformados para log (x + 0,5), porém os resultados apresentados são dados originais).
  • 109. 100 TABELA 12. Número médio de larvas de sirfídeos predadores, Toxomerus spp., em cebola em monocultivo e associada a diferentes espécies vegetais. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Datas de avaliação Tratamentos 06/10 13/10 20/10 27/10 03/11 10/11 17/11 24/11 01/12 Cebola em monocultivo 0,03 a 0,03 a 0,05 a 0,00 a 0,05 a 0,03 a 0,03 a 0,10 a 0,00 a Cebola + trigo mourisco 0,03 a 0,08 a 0,03 a 0,00 a 0,05 a 0,00 a 0,03 a 0,15 a 0,00 a Cebola + nabo forrageiro 0,03 a 0,03 a 0,08 a 0,10 a 0,08 a 0,08 a 0,03 a 0,05 a 0,00 a Cebola + cenoura 0,00 a 0,03 a 0,00 a 0,00 a 0,05 a 0,03 a 0,03 a 0,03 a 0,08 a Cebola + milho 0,00 a 0,03 a 0,00 a 0,03 a 0,05 a 0,03 a 0,03 a 0,03 a 0,10 a Cebola + rúcula + vegetação espontânea 0,03 a 0,05 a 0,03 a 0,00 a 0,03 a 0,08 a 0,08 a 0,10 a 0,03 a CV (%) 11,7 18,0 14,9 19,1 17,6 10,5 13,2 26,3 12,7 Obs: Médias seguidas da mesma letra na vertical não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. (a análise de variância foi realizada com dados transformados para log (x + 0,5), porém os resultados apresentados são dados originais).
  • 110. 101 TABELA 13. Coeficientes de correlação (r) e determinação (r 2) entre média de ninfas de Thrips tabaci Lind./planta, e número médio de larvas de sirfídeos predadores, Toxomerus spp./planta. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Datas de avaliação rNS r2 06/10 0,07 0,46 13/10 -0,09 0,78 20/10 0,22 4,84 27/10 0,12 1,44 03/11 0,10 1,06 10/11 -0,28 8,00 17/11 -0,29 8,31 24/11 -0,34 11,52 01/12 -0,05 0,23 Obs: rNS, r não difere de zero pelo teste de T respectivamente aos níveis de 5 e 1% de probabilidade.
  • 111. 102 Larvas de sirfídeos r = -0,29 NS r2 %= 8,36 17 16,5 0,05 16 0,04 15,5 0,03 15 14,5 0,02 14 0,01 13,5 0 13 CEB CEB + TM CEB + Nabo CEB + Cenoura CEB + CEB + Ruc Milho + Veget FIGURA 5. Coeficiente de correlação (r) e determinação (r2 %) entre o número médio geral de larvas de sírfideos/planta e número médio geral de ninfas de Thrips tabaci Lind./planta em cebola em monocultivo e associada com diferentes espécies vegetais. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. NS = r não difere de zero ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de T. Tratamentos *: CEB (cebola em monocultivo); CEB + TM (cebola + trigo mourisco, Fagopyrum esculentum); CEB + Nabo (cebola + nabo forrageiro, Raphanus sativus); CEB + Cenoura (cebola + cenoura, Daucus carota); CEB + Milho (cebola + milho, Zea mays); CEB + Ruc + Veget (cebola + rúcula, Eruca sativa, + vegetação espontânea). Número médio geral de ninfas de tripes/planta Número médio geral de larvas de sirfídeos/planta 0,06 Ninfas de tripes
  • 112. 103 TABELA 14. Produtividade comercial média e peso médio de bulbos de cebola, cultivar Crioula, em monocultivo e consorciada. Ituporanga, SC, EPAGRI, 1998. Tratamentos Produtividade (t/ha) Peso médio de bulbos (g) Cebola em monocultivo 13,5 a 79,4 a Cebola + trigo mourisco 13,6 a 84,5 a Cebola + nabo forrageiro 12,5 a 77,7 a Cebola + cenoura 12,0 a 73,4 a Cebola + milho 12,2 a 75,4 a Cebola + rúcula + vegetação espontânea 13,1 a 79,2 a 15,7 14,0 CV (%) OBS: Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste deTukey ao nível de 5% de probabilidade.
  • 113. 104 3.6 Correlação entre variáveis climáticas e incidência de T. tabaci , P. destructor , e de predadores Toxomerus spp. Os valores das variáveis climáticas durante a avaliação dos experimentos 1, 2 e 3 foram respectivamente para média de temperaturas mínima (15,2º C; 15,2º C; 15,1º C), máxima (26,3º C; 26,4º C; 25,5º C), média (19,5º C; 19,5º C; 19,1º C); insolação acumulada (240,6 Hs.; 241,7 Hs; 258,0 Hs); precipitação acumulada (125,1 mm; 138,9 mm; 159,0 mm); umidade relativa média (78,0%; 78,1%; 78,9%). Os dados climáticos para os meses de outubro/novembro referente ao normal histórico para a Estação Experimental de Ituporanga, foram similares aos observados nos experimentos para média de temperaturas mínima (14,9º C), máxima (25,4º C), média (19,2º C) e umidade relativa média (78,9%), porém os valores acumulados de precitação (270,4 mm) e insolação (284,8 horas) foram menores. A densidade populacional de T. tabaci não apresentou correlação significativa com as variáveis climáticas. Porém, a correlação entre a incidência do inseto e temperatura geralmente foi positiva, e para precipitação, negativa (TABELA 15). A elevação de temperatura favoreceu o aumento da densidade populacional de T. tabaci, enquanto a precipitação inibiu, embora não significativamente. A insolação e umidade relativa, apresentaram correlação variável (positiva ou negativa) dependendo do experimento, mas também de maneira não significativa. O número médio de larvas de sirfídeos, Toxomerus spp., apresentou correlação significativa apenas com precipitação, r= -0,78**
  • 114. 105 (TABELA 15). Portanto, a precitação apresentou efeito negativo sobre a debnsidade populacional de larvas de Toxomerus spp.. A porcentagem de infestação de folhas pelo fungo, P. destructor, apresentou correlação positiva com temperatura mínima no experimento 1, com valor de r= 0,76* e não significativa de maneira positiva com insolação, e negativa para umidade relativa. 3.6.1 Conclusões sobre a relação entre variáveis climáticas e incidência de T. tabaci , P. destructor , e de predadores Toxomerus spp. A elevação de temperaturas mínima e média favoreceu a incidência de T. tabaci, e a precitação acumulada inibiu, porém não de maneira significativa. A insolação e umidade relativa apresentaram influência variável de acordo com o experimento e não foi possível precisar o seu efeito sobre os componentes bióticos. O número médio de larvas de sirfídeos, Toxomerus spp., foi reduzido de maneira significativa pela precipitação. A infestação de míldio, P. destructor, foi favorecida pelo incremento da temperatura (principalmente mínima) e insolação, e negativamente para umidade relativa e precipitação. A infestação da doença foi baixa, o que dificulta a certeza desta relação.
  • 115. 106 TABELA 15. Correlação entre variáveis climáticas e incidência de Thrips tabaci (Thysanoptera : Thripidae) , Peronospora destructor , e de sirfídeos predadores, Toxomerus spp. . EPAGRI, Ituporanga, 1998. Variáveis Biológicas Variáveis climáticas Experimentos T. mín. (º C) 1 T. max. (º C) 1 T. média (º C) 1 Insolação (º C) 1 Precipitação (mm) 2 1 UR (%) Ninfas de tripes Experimento 1 0,32 0,14 0,23 -0,27 -0,43 -0,07 Experimento 2 0,40 0,27 0,36 -0,08 -0,41 0,06 Experimento 3 0,51 0,44 0,55 0,17 -0,49 -0,32 Experimento 1 0,76* 0,55 0,63 0,22 -0,29 -0,09 Experimento 2 0,44 0,44 0,54 0,28 -0,23 -0,17 -0,05 0,41 0,35 0,37 -0,78** -0,65 Porcentagem de míldio Larvas de sirfídeos Experimento 3 Obs: 1, média semanal; 2 ,soma acumulada na semana, T. = temperatura, min. = mínima, max. = máxima, UR = umidade relativa. Obs:valor de r * e r**, respectivamente r diferente de zero pelo teste de T ao nível de 5 e 1% de probabilidade.
  • 116. 107 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AJUDARTE, J. C.; LUZ, E. B.; CALAFIORI, M. H. Influência da adubação potássica no dano da vaquinha, Diabrotica speciosa (Germar, 1824), na cultura do feijão, Phaseolus vulgaris L. Ecossistema, v. 22, p. 13-16, 1997. AHMED, S. A.; ALI, A. W. M.; SALMAN, A. M. Effect of weed control on the diversity and abundance in potatoes. Acta Horticulturae, v. 220, p. 417424, 1987. ALTIERI, M. A. How best can we use biodiversity in agroecosystems ? Outlook on Agriculture, v. 20, n. 1, p. 15-23, 1991. ALTIERI, M. A. Bases agroecologicas para una producción agricola sustentable. Agricultura Tecnica, v. 54, n. 4, p. 371-386, 1994. ALTIERI, M. A. Ecological impacts of industrial agriculture and the possibilities for truly sustainable farming. Monthly Review, v. 50, p. 60-71, 1998. ALTIERI, M. A. The ecological role of biodiversity in agroecosystems. Agriculture, Ecosystems and Environment, v. 74, p. 19-31, 1999. ALTIERI, M. A.; GLASER, D. L.; SCHMIDT, L. L. Diversification of agroecosystems for insect pest regulation: experiments with collards. In: GLIESSMAN, S. R. (Ed.). Agroecology : researching the ecological basis for sustainable agriculture. New York: Springer-Verlag, 1990. p. 70-82. (Ecological Studies, 78). ALTIERI, M. A.; LETOURNEAU, D. K. Vegetation management and biological control in agroecosystems. Crop Protection, v. 1, n. 4., p. 405-430, 1982. ALTIERI, M. A.; NICHOLLS, C. I. Biological control in agroecosystems through management of entomophagous insects. In: DHALIWAL, G. S.; HEINRICHS, E. A. (Ed.). Critical issues in pest management. Ludhiana, India: National Agricultural Technology Information Center, 1997. p. 67-86. ALTIERI, M. A.; NICHOLLS, C. I. Biodiversity, ecosystem function, and insect pest management in agricultural systems. In: COLLINS, W. W.; QUALSET, C. O. (Ed.). Biodiversity in agroecosystems. Boca Raton: CRC Press, 1999a. p. 69-84. ALTIERI, M. A.; NICHOLLS, C. I. Ecologically based pest management: a key pathway to achieving agroecosystem health. In: NICHOLLS, C. I.; GARCIA,
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