Edicao3 - 2009/2010

  • 321 views
Uploaded on

3ª edição do jornal PáginasTantas, no ano letivo 2009/2010

3ª edição do jornal PáginasTantas, no ano letivo 2009/2010

More in: Education
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
321
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
0
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro Editorial Mais novidades, umas frescas outras não, coisas que não devem ficar esquecidas... elas aqui estão! Agora que estamos a mudar de instalações vamos todos tentar fazer da escola um lugar diferente! Mais empenho, mais atenção, mais produção e muita alegria! E não te esqueças, se queres relembrar actividades em que tenhas participado, deixar registado algum testemunho ou qualquer outra coisa, colabora no PáginasTantas, o nosso jornal de Escola! Luísa Lopes 1 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 2. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro americanos, entre outros, têm vindo a constatar que as mudanças introduzidas nas últimas duasCentenário da República – décadas no sistema de ensino e de avaliação dos alunos estão a contribuir activamente para afastar da escola um número cada vez maior de rapazes. Produziu-se uma inversão. O fenómeno, que é comum à maioria dos países ocidentais, Portugal incluído, está a alargar o fosso entre rapazes e raparigas no sistema educativo. As raparigas têm hoje melhores notas e vão mais longe; os rapazes desistem, muitos deles logo no fim da escolaridade obrigatória. Nos 27 países da União Europeia, só aVamos Comemorar Alemanha mantém, no ensino superior, valores equilibrados deCuriosidades participação dos dois sexos. Para o director do instituto britânicoVem aí uma geração de rapazes de políticas para o ensino superiorfrustrados (HEPI, na sigla em inglês), Bahram Bekhradnia, estamos já numa corrida contra-relógio. "Penso que corremosEm quase todos os países o perigo de estar a criar uma novaocidentais, os rapazes classe baixa", constituída só porabandonam cada vez mais o rapazes, diz, depois de um estudoensino no final da escolaridade recente daquele organismo terobrigatória. Têm capacidades confirmado a dimensão crescente do fosso entre raparigas e rapazes, epara ir mais longe, mas as lançado algumas pistas inquietantesescolas poderão estar a avaliá- sobre os motivos que explicam olos mal, privilegiando as fenómeno.raparigas. Podemos estar a criar(ou já criámos?) uma geração de O problema não são os bonsexcluídos e uma nova classe resultados alcançados pelasbaixa - a dos homens. raparigas, mas as fracas classificações obtidas pelos Por Clara Viana rapazes e aquilo que isso implica: a responsabilidade da escola nestaUm calafrio: investigadores situação, o que isto está a provocarportugueses, ingleses e norte- neles e nelas, e as consequências 2 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 3. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereirosociais do insucesso escolar poderá conduzir a umamasculino. "Vamos ter uma geração "sobreavaliação" das alunas e a umade rapazes frustrados e excluídos dos "discriminação" dos alunos.sistemas escolares e profissionais porincapacidade de rivalizar com o Para a sua tese de doutoramento, agénero oposto", prevê a socióloga da socióloga e investigadora do Institutoeducação Alice Mendonça nas Superior de Ciências do Trabalho e darespostas que enviou, por e-mail, às Empresa, em Lisboa, Teresa Seabraquestões do P2. analisou, por seu turno, os resultados escolares de estudantes do 2.º cicloEm países como o Reino Unido e os do ensino básico (11-12 anos).EUA, mas não só, a questão já entrou Comprovou que "os resultados dosna agenda política. Em Portugal não. rapazes e das raparigas se igualavamExiste investigação sobre o tema, há quando excluía da amostra os alunosestatísticas à espera de serem com problemas disciplinares", o que ainterpretadas e... muito silêncio. Alice leva a concluir, disse ao P2, que,Mendonça sublinha, porém, que "os "como o comportamento afecta depais têm de ser alertados para as modo significativo o aproveitamento,consequências" do que se está a a pouca conformidade às regraspassar. escolares estará na base dos piores resultados dos rapazes". A "atitude", oIsto está a acontecer não por os comportamento dos rapazes, estará arapazes se terem tornado, de comprometer irreversivelmente osrepente, mais estúpidos, mas em resultados da sua avaliação.grande medida, avisam os Especialista em assuntos deinvestigadores, por eles estarem Educação, o sociólogo francêsa ser ensinados e avaliados num Christian Baudelot defende que, antessistema que valoriza as de mais, aquilo que é pedido pelacaracterísticas próprias das escola é a interiorização das suas regras, mas que estereótipos sociaisraparigas e penaliza as dos ainda dominantes valorizam nosrapazes. rapazes o desafio, a violência e o usoZero em comportamento da força - um verdadeiro "arsenal antiescolar". As raparigas, peloNos últimos anos, Alice Mendonça, contrário, são socializadas na famíliatambém docente na Universidade da em moldes que facilitam a adaptaçãoMadeira, centrou a sua investigação, às exigências escolares: maisprecisamente, no insucesso escolar na responsabilidade, mais autonomia,perspectiva do género. Percorreu mais trabalho. "Trata-se de umtodos os ciclos escolares. Sustenta conjunto de competências que asque, para os professores, na sua torna menos permeáveis àesmagadora maioria mulheres, o indisciplina", observa Teresa Seabra.modo como as raparigas se No ano passado, em Espanha, 80 porcomportam e trabalham é "mais cento dos alunos com problemasconforme com as suas representações disciplinares eram do sexo masculino.do bom aluno ou aluno ideal" - o que 3 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 4. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/FevereiroAlice Mendonça confirma que as classificações obtidas nos examesraparigas, "mais conformes às finais. Depois de 1982, passou a vigorar um sistema misto, com osregras escolares", ganham uma exames a contribuir apenas com uma"vantagem decisiva" sobre os parcela, sendo as outras derivadas dorapazes quando chega o trabalho ao longo do ano na sala demomento da avaliação. Em aula e fora dela.Portugal, como também noutrospaíses, o comportamento passou a Após comparar os resultados antes econtar para a contabilização da nota depois, o HEPI constatou que osfinal atribuída aos alunos. rapazes começaram a ficar sistematicamente atrás das raparigasTeresa Seabra defende que se tornou depois desta reforma. "É precisoindispensável lançar um debate sobre reconhecer que o problema existe",a actual forma de avaliar. "No alerta. E chama a atenção para omomento actual, a escola é seguinte: "Se o fosso entre os sexos no final da escolaridade obrigatóriachamada a avaliar também o (e as consequentes diferenças na"saber ser", mas nem sempre foi participação no ensino superior) seassim e não tem que assim ser", deve em grande parte à mudança doargumenta. tipo de exames e de avaliação - eVida futura afectada existem provas de que esta mudança é, pelo menos, parte da razão -, então,"É perverso que se avaliem instâncias nos últimos 20 anos, os rapazes têmcognitivas com base em alcançado menos do que eramcomportamentos. Se um aluno capazes, e isso afectou a sua vidaindisciplinado aprende, a sua futura."aprendizagem tem de serreconhecida", sustenta Nuno Leitão, O dobro dos chumbosantropólogo, mestre em Ciências da Em Portugal, como em vários países,Educação e director da cooperativa A a entrada maciça do sexo femininoTorre, um colégio de Lisboa que tem a nas escolas e universidades é umsua matriz inicial no Movimento fenómeno relativamente recente,Escola Moderna, que propõe uma tornado possível pela igualização daspedagogia alternativa àquela que é oportunidades de acesso. Hoje ascomum aos sistemas oficiais de raparigas são mais numerosas,ensino. valorizam mais os estudos, têm maisNo Reino Unido, o estudo divulgado êxito. "A diferença de resultadospelo HEPI, que esteve na base do entre rapazes e raparigas temalerta lançado por Bekhradnia, dá vindo a acentuar-se, aumentandoconta de que os alunos do sexo exponencialmente à medida quemasculino poderão estar a ser vítimas acrescem os ciclos de escolaridade, eda reforma do sistema de avaliação atinge o seu auge no ensinoadoptada em 1982. Antes, para a universitário", refere Alice Mendonça.conclusão da escolaridadeobrigatória, eram determinantes as 4 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 5. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/FevereiroLogo aos 7 anos, no 2.º ano do ensino Para além de ser uma resposta aobásico, há mais rapazes a ficar para fracasso experimentado na escola,trás. À entrada do segundo ciclo, no este abandono precoce, maioritário5.º ano, as taxas de retenção nos rapazes, é também fomentado,masculinas têm quase duplicado as em Portugal, por um "mercado defemininas. No 7.º, ano de estreia do trabalho que procura mão-de-obra3.º ciclo do ensino básico, as barata (desqualificada),percentagens de chumbos entre eles especialmente masculina", observapermanecem acima dos 20 por cento. Teresa Seabra.Entre as raparigas, este é também oano mais complicado, mas nos Pelo contrário, as raparigas vêem nosúltimos tempos a taxa de insucesso estudos "um modo de assegurar a suanão foi além dos 17 por cento. independência enquanto adultas". É uma forma de emancipação. NoNo 9.º ano, o último da escolaridade conjunto do ensino superior, jáobrigatória, as taxas de retenção das representam mais de 50 por centoraparigas têm oscilado entre os 11 e dos inscritos e ultrapassam os 70 poros 16 por cento; as dos rapazes nunca cento em cursos como os de Direitoestão abaixo dos 16 por cento e têm ou os que estão ligados à saúde. Entreultrapassado os 20 por cento. os que conseguem chegar ao fim de um curso e obter uma licenciatura, 60Antes de entrar na Torre, em 1996, por cento são mulheres.Nuno Leitão deu aulas no ensinooficial. Começou pelo 12.º ano, Estudos da Organização para aacabou no 2.º ciclo. Lembra-se de os Cooperação e Desenvolvimentoter à frente, alunos com 15 anos a Económico (OCDE) confirmam quemarcar passo no 7.º ano. De como uma pessoa licenciada tem muitoestavam magoados, encurralados: "Já mais hipóteses de vir a auferir umnão são repetentes, são resistentes à rendimento superior ao de uma que oescola." não seja. Em Portugal, no caso dos homens, aquela organização situou aMão-de-obra barata diferença nos oito por cento.Continuam a nascer mais rapazes do Num artigo publicado no jornalque raparigas (em cada 100 britânico Observer, Bahramnascimentos, 105 são do sexo Bekhradnia lembra outras vantagensmasculino). Por causa disso o seu de ter um diploma: sabe-se que "anúmero é superior nos primeiros educação superior acarreta benefíciosanos de escolaridade. Mas, devido a sociais e académicos", que "umataxas de retenção muito superiores às pessoa que esteve na universidadedo género oposto, e também porque tende a apresentar uma melhor saúdesão largamente maioritários entre os física e mental", que esta formação ejovens que abandonam precocemente experiência têm "um enorme efeitoa escola, em grande parte por causa socializante".da experiência de insucesso quandolá estão, em Portugal os rapazes No passado, estes benefícios foramcomeçam logo a estar em minoria no negados à maioria das mulheres.9.º ano. Agora, são os homens que, "ao não 5 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 6. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroirem para a universidade em tão larga por alunos provenientes de famíliasescala", estão a ser privados disto em que os níveis de educação e otudo. "Penso que é uma verdadeira status profissional são mais elevados.desgraça", diz Bekhradnia. Mas, em média, foram os rapazes que apresentaram melhores resultadosNo Reino Unido, para igualar a taxa em Matemática e Ciências e asde participação feminina, teria sido raparigas em Leitura.preciso que, s?? no ano passado,entrassem, nas universidades Os exames nacionais do 9.º e 12.º anobritânicas, mais 130 mil estudantes têm, em Portugal, confirmado estado sexo masculino. tendência. Mas no ano passado a média das raparigas nos exames deDiferentes apetências Matemática do secundário foi"Se os professores não aprendem a superior à dos rapazes. E estalidar com as diferenças, os alunos inversão poderá não ser esporádica,acabam por chumbar. E isto verifica- avisa Alice Mendonça: "O aumento dase sobretudo com os rapazes", avisou, discrepância na capacidade de leituranuma entrevista à Visão, o filósofo entre os sexos faz com que asnorte-americano Michael Gurian. raparigas comecem a ultrapassar os rapazes nestas matérias." PorPara além das diferenças entre os enquanto, e apesar de maioritárias nogéneros que são culturalmente ensino superior, elas continuam a serinduzidas, vários estudos franca minoria nos cursos deneurológicos têm demonstrado que Informática, Arquitectura e nos deas raparigas têm mais apetência para Engenharia Técnica.a comunicação verbal e paramovimentos finos, "tarefas" a cargo Separá-los resulta?do hemisfério esquerdo do cérebro, Para conter a maioria feminina, emque se desenvolve nelas bem mais Portugal, há alguns anos, houve quemcedo do que nos rapazes. E os rapazes chegasse a propor a introdução detêm mais apetência para tarefas quotas para homens nas faculdadesvisuo-espaciais, uma vez que o de Medicina. Em países onde o debatehemisfério direito, "construtor e está lançado, há quem defenda ogeómetra", é mais activo no sexo regresso às escolas separadas. Masmasculino. "Têm vias e tácticas são mais os que propõem estratégiasdiferentes para aprender o mesmo", de ensino diferenciado que coabitemdisse ao diário espanhol El País o no mesmo espaço. Seja através deneurologista Hugo Liano. aulas separadas para as disciplinasO projecto PISA, lançado pela OCDE onde as diferenças são maiores, sejapara medir a capacidade dos jovens, através de reforços específicos dede 15 anos, na literacia em Leitura, certos conteúdos pedagógicos.Matemática e Ciências, demonstrou, Nos Estados Unidos, onde os rapazescom a série de três provas já estão a abandonar o equivalente aorealizadas nos 32 países-membros, ensino secundário a um ritmoque os melhores resultados a superior ao das raparigas (em cercaMatemática tendem a ser alcançados de 30 por cento), as escolas oficiais 6 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 7. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroforam autorizadas a abrir turmas Nuno Leitão concorda que, no geral, ediferenciadas. não só no pré-escolar, os programas oficiais deixam um bom espaço deNo Reino Unido, as escolas do pré- manobra: "É o professor quemescolar receberam instruções do decide, na sala de aula, a organizaçãoGoverno para, a partir deste mês, das aprendizagens. Pode fazê-loreforçarem os exercícios de escrita optando pela que lhe dá mais jeito,com "materiais engraçados", junto mas também pode escolher, em vezdos rapazes de 3/4 anos, de modo a disso, a que é melhor para os alunos."reduzir as fortes diferenças entre ossexos na escrita e leitura, que se Defende que os professores devemfazem sentir pouco depois, à entrada estar sensibilizados para asna primária. diferenças entre os dois géneros, mas não apoia a adopção de estratégiasEsta iniciativa está a ser contestada diferenciadas. Na sua escola, quepor especialistas de desenvolvimento funciona do pré-escolar ao 2.º ciclo,infantil que chamam a atenção, entre incentivam-se as perguntas dosoutros factores, para o facto de alunos (uma "pedagogia preciosa"), omuitas crianças, e especialmente as debate colectivo, as experiênciasdo sexo masculino, não terem ainda feitas pelas próprias crianças (em vezadquirido, nestas idades, as de estarem a ver o professor a fazê-capacidades de motricidade fina las), a curiosidade, a memorização.necessárias ao desenvolvimento daescrita. "Dá-se a oportunidade aos alunos de conseguirem, deAlice Mendonça vê a adopção de forma autónoma, construir umestratégias diferenciadas nas escolas sentido para as coisas, que é ocomo "um novo desafio social" a queurge deitar a mão. Em Portugal, não que eles procuram antes defazem parte do programa do Governo. mais, criando assim umaResposta ministerial ao P2: "Não motivação intrínseca que os levaexiste qualquer orientação expressa a querer saber mais."pelo Ministério da Educação sobre aabordagem diferenciada por género, É quase uma ilha. E não só pelo factocomo estratégia de aprendizagem." de não se registar ali o hiato de resultados entre raparigas e rapazesO ministério lembra que a Lei de que anda a sobressaltar meio mundo.Bases do Sistema Educativo, Esse hiato, frisa Teresa Seabra, éaprovada em 1986, atribui ao Estado também fomentado pelos modelosa responsabilidade de "assegurar a veiculados pelos media: "Ser bomigualdade de oportunidade para aluno, sendo rapaz, funciona, emambos os sexos", e que, no ensino alguns grupos de pares, como umpré-escolar, "cada educador tem handicap."autonomia e responsabilidade paragerir o currículo", devendo "estimular Se os rapazes passarem ao desenvolvimento da criança tendo interiorizar, maioritariamente, aem conta as suas características ideia de que desafiar a escola eindividuais". 7 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 8. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroser mau aluno é "normal",estarão criadas as condiçõespara que os homens sejam,amanhã, uma nova classe baixadas sociedades desenvolvidasocidentais.NOTÍCIA:A Prof. Teresa Câncio reformou-se.Gostaria de lhe dedicar algumas linhas Da Matemática...de admiração por ter chegado ao fim deuma carreira que nem sempre nos trazgrande reconhecimento mas quecertamente nos traz sempre a alegria de Jogo H E Xajudar e acompanhar jovens no seucrescimento. O jogo Hex foi inventado na décadaApesar de ter tido pouca convivência de 1940, pelo físico dinamarquêscom a Prof. Teresa C. sinto a sua falta e Piet Hein. Anos mais tarde, opesa-me o vazio que ela deixou. Todos matemático americano John Forbesfazemos falta afinal! Nash – prémio Nobel da Economia – reinventou-o pois não sabia que o mesmo já tinha sido inventado. O Hex é um jogo de tabuleiro que, semelhantemente ao jogo das Damas ou Xadrez, por exemplo, é jogado por duas pessoas. O objectivo do jogo é construir uma sequência contínua de peças até unir duas margens opostas. Ao XADREZ NA BIBLIOTECA mesmo tempo que se constrói a sequência, é indispensável impedir o adversárioO João Reis e o Miguel Janela, do 11.º de o fazer. Ganha quem concluirA, foram os primeiros alunos a jogar primeiro a sequência, ou seja, quem conseguir primeiro fazer umaxadrez na biblioteca. “linha” contínua de peças que toqueVem descobrir esta actividade. nas duas margens opostas. Foto e texto: Prof.ª Lurdes Fonseca 8 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 9. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/FevereiroAbaixo, passo a transcrever asregras que retirei do site OFICINA DE Escritawww.ludicum.org:«O jogo inicia-se no tabuleiro vazio. temáticaEm cada turno, cada jogador colocauma peça da sua cor num hexágonovazio. O jogador das pretas ganha a Auto-apresentaçãopartida se criar um caminho queuna as margens negras no diagrama, Encostado a uma porta,noroeste e sudeste). Por sua vez, o contemplo os seus movimentos, osjogador das brancas ganha a partida seus gestos e os seus tiques. Nestese criar um caminho que una as momento, encontra-se a observar um mapa-múndi; possivelmente,margens brancas (no diagrama, está a imaginar o seu futuro na Grã-nordeste e sudoeste). Troca de cores: Bretanha, rodeada por pessoasO segundo jogador, no seu primeiro com hábitos e costumes muitolance (se vir vantagem nisso) pode diferentes dos do povo português,aproveitar o lance efectuado pelo os malditos ingleses. Talvez seja porseu adversário, impondo a troca de isso que está a ler Pride andcores. Neste exemplo, as pretas Prejudice (Orgulho e Preconceito)ganham o jogo (se for a sua vez de de Jane Austen, na versão original,jogar) colocando uma peça na casa e ficou fascinada com um filme que falava da relação de amor/ódio dag2. autora do livro.No âmbito do campeonato de Hex Fartou-se do mapa-múndi eque se realizará no presente ano encostou-se a uma cadeira a ouvirlectivo na nossa escola, o professor a música que passa na rádio.de MACS dedicou uma aula à Consigo ler-lhe os pensamentos;prática deste jogo. Grande parte dos deve estar a pensar como é quealunos, senão mesmo a totalidade, vai começar um texto ou o queteve contacto com o jogo pela terá de importante para escreverprimeira vez quando o professor no diário. Leva as mãos à cabeça,nos falou do mesmo. num acto de desespero e frustração – já deve estar a pensarPenso que os resultados foram que a vida é ingrata e que não lhepositivos. O jogo despertou arranja motivos para escrever einteresse nos alunos, sendo um jogo para sorrir. Está tão enganada,de lógica que exige muita basta olhar à sua volta. Fecha osconcentração. Foi possível observar olhos e adormece. Pudera, com oque os alunos estiveram pouco que anda a dormir e com ointeressados em fazer “combates” muito que anda a sonhar…com diversas pessoas, inclusive com Enquanto dorme, eu vouo professor. aproveitar para decifrar um pouco mais o que vai naquela cabecinha. Beatriz Esteves, nº7 da turma 10º N Reina o mistério naquele metro e setenta e dois de altura. Ninguém, por muito bem que a conheça, 9 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 10. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroconsegue desvendar aquilo que ela especial para o teste de Português.está a pensar, em determinada Achou que não precisava dealtura. Guarda para si qualquer tipo estudar e foi o que se viu; para ode sentimentos, não os segundo, já se agarrou aos livros,demonstrando com facilidade, com unhas e dentes. Agora restaespecialmente nos dias que correm esperar para ver se os resultadosporque mesmo estando triste por se correspondem.ter separado dos seus dois Por fim, acho que ela já reparoucompinchas, não o revela a em mim a observá-la com umninguém. Mas eu sei que ela sente bloco e um lápis na mão. Ficoua falta deles e do seu apoio vermelhíssima e irritada. Odeia queincondicional. a observem fixamente. Deve ter Penso que acordou. Será que teve imaginado que estava a desenharalgum sonho? Teve, só que não foi o seu retrato, mas nada disso.com o príncipe encantado Quem tem jeitinho para desenhar émontado num cavalo branco. ela. Só é pena não saber aproveitarAquela personalidade muito fria e o seu tempo livre, porque já nãoracional faz com que não queira desenha nem escreve estóriasperder tempo com questões do interessantes há tanto tempo. Eforo amoroso. Tem muito para como eu adoro aquelas estóriasestudar e este ano não se está a dela!revelar nada fácil. Enquanto que o Joana Ribeiro11º ano correu lindamente e às milmaravilhas, tirando o exame deFísica e Química A, o 12º começa a Páginas perdidasrevelar-se problemático e instável,com particular atenção à Enquanto espero vouMatemática. A continuar assim, e Escrevendoiremos ter uma nova Geometria Falando e olhandoDescritiva; tão depressa tira positivacomo no teste seguinte vai por ali Ocupando o tempoabaixo, surgindo as tão odiadas Vê-lo passarnegativas. E sentindo o ar A Joana odeia mediocridade.Não suporta a falta de esforço das Sinto que está friopessoas, detestando ver pessoas Os cobertores sãointeligentes a não tirarem proveito No mínimo convidativos.das suas capacidades. Vai daí, ficar Marisa Carrasqueirapior que estragada quando tirauma negativa. É que as negativas 12ºInão levam a lado nenhum e, sepretende seguir Ciências Lá vai ela descalça pela ruaFarmacêuticas (é verdade, depoisde ponderar tantas opções, Lá vai ela, pobre criança indefesaacabou por escolher a menos Pela rua descalça.previsível), tem que se esforçar mais Já não tem pai nem mãe,e não pode andar na brincadeira Foram uns tios que tomaram contacomo andou neste período, em por pena, 10 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 11. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/FevereiroDesde quando ainda ela era pequena. Que não tem nem um cêntimo nem carteira,O seu choro causa-me angústia, É o homem pobre de espírito, sem tomSoluça quase roxa por um bocado de de brincadeira.atenção.Não tem amor nem o aconchego de Do egoísmo e da inveja humana,uma família, Ninguém distingue crueldade tamanha. É visível até aos olhos de um cego,Não tem carinho nem um beijo de Mas a riqueza ao homem só serve paraboa noite. lhe alimentar o ego.Lá vai ela descalça pela rua, Entre o homem rico e o rico homem,Gritando por uma luta que não é Já se sabia a diferença desde ontem,apenas a sua. Mas é hoje que ela tem de ser atenuadaE eu tenho vontade de a agarrar pela Para que amanhã não seja maismão, lembrada.Trazê-la comigo, dar-lhe um abrigo eum pedaço de pão. O pobre que não tem um tostão para viver,Lança-me um olhar enternecido que Sobrevive da generosidade alheia,quero ser capaz de agarrar. Que tanto o rico dá como pode vender,Tão pequena e com ela traz um cruz Porque ganhando ou roubando temtão grande que nem consegue sempre a sua barriga cheia.carregar. Joana RodriguesToda ela é sofrimento, condensada 12ºInum pigmento de gente,Todos a vêem e não entendem que éapenas uma criança diferente.Tem um primo que a vem acalmar,Mas as lágrimas correm-lhe pela carasem cessar.Ela afoga-se em tristeza e solidãoE eu impotente não lhe posso servir Apenas mais um diade salvação. De um longo ano Que vem por aí fora Joana Rodrigues 12ºI Mas a ansiedade e expectativa Pessoas e possíveis acontecimentosNão tem casa nem abrigo, Fazem com que eu queiraNem um tecto que o abrigue da noitefria. Que esse diaO seu cobertor é um jornal, Chegue e se apresenteOnde alguém num discurso bonito disse Dizendo “é hoje”que ia reduzir a pobreza. Marisa Carrasqueiro 12ºIMais pobre do que ele, 11 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 12. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro No entanto, a alimentação não previne oESTILOS DE VIDA aparecimento de determinadas infecções, como é o caso da divulgada Gripe A, já que como referem os especialistas trata-se deSAUDÁVEL !!!! uma infecção. Ou seja, por mais sumo de laranja que beba, se entrar em contacto com o vírus H1N1 é provável que adoeça.ALIMENTAÇÃO EM TEMPOS DE GRIPE Isto porque se trata de um vírus novo, para o qual ainda não temos defesas e anti- Agora que o Inverno chegou e, com ele corpos desenvolvidos.todas as adversidades climatéricasassociadas, que nos deixam mais “A gripe é uma doença que requersusceptíveis de contrair infecções, uma cuidados alimentares simples", alerta Mariaquestão impera entre todos nós: Como Daniel Almeida. O fundamental é apreparar-se para evitar a gripe? Esta é hidratação. Os sintomas como: febresuma questão que preocupa famílias, altas, vómitos, diarreia e tosse provocam,escolas e organizações. naturalmente, perda de líquidos, o que pode agravar o estado do doente. Uma boa alimentação não previne osvários tipos de gripe, mas pode ajudar o Por tudo isto, durante a gripe, é essencialorganismo a reagir melhor à doença, manter o corpo bem hidratado: recorra àalertam os nutricionistas. Por isso, a ingestão de água, sumos, chá, tisanas,Faculdade de Ciências da Nutrição e leite e iogurtes. E, deve beber sempre queAlimentação do Porto elaborou um guia tiver sede ou mesmo que não tenha,para ajudar os portugueses a superar a tentando chegar aos três litros por dia, nopandemia, disponível na internet. Todos caso das mulheres e, perto dos quatro novós poderão encontrar e consultar estas e caso dos homens. Por outro lado, há queoutras informações, em ter especial atenção às bebidas quehttp://sigarra.up.pt/fcnaup/noticias_geral.ver desidratam, como são os exemplos das_noticia?P_nr=586. bebidas alcoólicas e de outras muito açucaradas. "Uma pessoa bem nutrida está mais aptaa aguentar melhor qualquer doença. Os Também é importante que os doentessintomas são atenuados", explica a combatam a falta de energia e falta denutricionista Maria Daniel Almeida, uma apetite típicas da doença. Os doentesdas coordenadoras do guia "Alimentação muitas vezes perdem o apetite, mas deixarem Tempo de Gripe". "Qualquer doença de comer enfraquece o doente e dificulta ainfecciosa tem tendência a espalhar-se em recuperação. Por isso devem fraccionarcorpos subnutridos. Por isso, um corpo as refeições, comer pouco e mais vezesbem alimentado está mais protegido", ao longo do dia.concorda o infecciologista FernandoMaltez. Além disso, também responde E existem ainda mitos que, devem sermelhor à vacinação, acrescenta. combatidos. Como é o caso, da ideia de que, as bebidas e comidas quentes são A endrocrinologista, Isabel do Carmo boas para combater as gripes. Naexplica que, as pessoas com distúrbios realidade, as comidas quentes fazem comalimentares, como a anorexia, estão muitas que a pessoa transpire ainda mais evezes subnutridas e, por isso, mais desidrate mais facilmente.fragilizadas. Assim, são pessoas que têmum maior risco de contraírem infecções e, Para terminar, cito Alexandra Bento,consequentemente, enfrentarem um maior presidente da Associação Portuguesa denúmero de complicações. "Qualquer Nutricionistas, elogia ideia e realça adoença crónica ou aguda deixa as pessoas importância de "consumir alimentos quemais frágeis à gripe. São duas agressões", reforçam as nossas defesas: vitaminasacrescenta Maria Daniel Almeida. 12 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 13. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroe minerais. Ou seja, muita fruta e com a sua imaginação.hortícolas". O tempo atraiçoa-a Rita Antunes “Outra vez não!” O fim?Outras páginas soltas Sua aparência… adoração! Leonor Neto, 10 de Novembro 2009- 12ºAAdoraçãoAcordam e recordarão…O dia de ontem foi ontem!Para quê aceitar um não?! Quem foi?Oh dia de hoje, oh amanhã…Procura uma resposta nos teus lábios,um carinho nas tuas mãos.Procura a verdade e o afecto,encara o mundo com compreensão.Ouve ao longe um suspiro…Será a razão?… Corre desesperada nessa direcção. Bartolomeu de GusmãoLouca olha para o abismo Pesquisa e manda para o jornal o teu“Acolhe-me. trabalho de recolha de informaçãoSuga-me esta solidão.”Odeia o tempo! INVASÕESPassa rápido http://linhasdetorres.wordpress.com/quando quer a sua lentidão,Lento quando pedeum momento,um soar de compaixão.A cair…Apenas consegue pensarum mundo iludido 13 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 14. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro a tão receada agulha iriaPáginas soltas penetrar a sua carne jovem e sensível.Retalhos de umas infernais idas Passados três ou quatro anos, aao médico menina já não tem mais aquele cabelo à rapazola nem usa É dia de levar uma vacina, suspensórios; deixou o cabeloessa coisa medonha e crescer e furou as orelhas.assustadora que se encontra Cresceu e já vê o mundo cominserida numa horripilante outros olhos, excepto as idas aoseringa. Tem uma agulha na laboratório de análises, onde aponta, que é temida por uma bruxa má, aquela carcaçamenina pequenina com cabelo velha, ainda a aguarda com umà rapazola e suspensórios. Olha sorriso desdentado e maléfico epara o objecto, com com uma verruga que nãodesconfiança, e sente um nó na prima pela beleza. Passougarganta. "Nem pense que me também a odiar tudo o quevai picar, eu não vou deixar", envolve batas brancas epensa ela para si, olhando ora estetoscópio ao pescoço,para a seringa ora para os seus devido a uma pequena cirurgiapais, que começavam a prever que não o chegou a ser.uma desgraça. É então que, ao Em pleno mês de Agosto, umver a seringa cada vez mais sol abrasador despertava porperto, as lágrimas começam a entre as poucas nuvens quecorrer pela cara da menina e surgiam, convidando a umasesta desata numa choradeira idas à praia com toda a pompainfernal. Ninguém a consegue e circunstância. A menina, comoacalmar, nem mesmo os pais a maioria dos portugueses queque pacientemente estavam ali, se encontravam de férias, nãonaquele momento doloroso, ao foge à regra e dirige-se tambémseu lado. A menina chora, a à praia, não sem antes verificarmenina grita, a menina se estava tudo em ordem - oesperneia e olha com um olhar fato de banho estava emferoz a enfermeira, que condições, a toalha de praiaaparenta um ar de bruxa má, também estava a postos, talcom direito a verruga e tudo. Se como o protector solar. Só haviao olhar matasse, a enfermeira já uma coisa a mais: umtinha sido aniquilada há muito, desconfortável cravo no braçotal era a raiva que a menina dos esquerdo, que só lhe davasuspensórios nutria por aquela preocupações. Arreliados com abruxa. Levantando-se da situação, os pais pegam amarquesa num ápice, a menina pela mão e consultampequena foge para junto dos um dermatologista, que apesarseus pais, adiando o dia em que de não ter semelhança alguma 14 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 15. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereirocom a bruxa má do laboratório, menina deitar-se na marquesa eera igualmente assustador. tirar a blusa. Revoltada, já comAquele ar de cromo da banda, uma lágrima no canto do olho,a bata branca impecavelmente pergunta à sua mãe por queengomada e uns óculos que razão é que a enfermeira separeciam diminuir o globo estava a dirigir para ela comocular, transformavam-no num uma seringa na mão, pelo que aser estranho, que não inspirava mãe lhe explica que se tratavagrande confiança. Agarrando e da anestesia. "Mas, é que, nemanalisando o braço da menina, pensar!", protesta asem dó nem piedade, lá rapariguinha, ao mesmo tempoconcluiu que se tratava de um que chora baba e ranho. Chora,furúnculo, uma espécie de chora, chora e insiste que nãoerupção cutânea; tinha lhe podem tocar com aquilo,portanto, um braço com aquela coisa assustadora,propriedades vulcânicas, capaz aquele objecto de tortura.de entrar em erupção. Após Depois de uma hora a chorar ereflectir sobre aquilo que a protestar, os pais, já fartos deacabara de concluir, retorquiu a tamanha teimosia e mimo,solução que a frágil criança mais regressam a casatemia: "essa bolinha que tens no acompanhados pela menina ebraço só sai daí com uma pelo cravo, que se tornou um fielpequena cirurgia". Ela sabia o companheiro até ao dia emque isso era e sabia que existiam que, após umas quantasanestesias, bisturis e pontos ou aplicações de água oxigenadaagrafes envolvidos. e muita água do mar à mistura, Chegado o dia da cirurgia, a acabou por cair.menina dirige-se com os seuspais a um hospital, do maischique que pode existir, talvez ainstituição mais privada do país,com todas as mordomiasnecessárias para agradar aoenfermo. Mas, nem esse luxo eessa ostentação chegavampara consolar e acalmar agarota que lutava internamentecontra o seu nervosismo. Com a Hoje em dia, a menina jáaproximação da hora, deixou de o ser e tornou-seterrivelmente esperada, a família numa jovem quase adulta,dirige-se a uma sala onde uma prestes a entrar para aenfermeira que, tal como a universidade e a tirar a carta. Ooutra, de meiga não tinha nada, medo face às agulhas continua,pega numa seringa e manda a mas já provou que não vai voltar 15 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 16. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroa chorar; seria uma vergonha se verão cheira a “Lar, doce lar” comoo fizesse. Quanto às cirurgias, já diz a minha irmã. O cheiro a “lar,está mais calma e até nutre um doce lar” não é mais que a ceracerto fascínio por blocos para os móveis e a flores, é umoperatórios, batas e bisturis. cheiro muito leve e muito calmo, éContudo, se puder evitar estes agradável, é familiar. No dia seguinte, vim para adois procedimentos, fará tudo o escola, cheira a obras e a perfume.que estiver ao seu alcance. Toda a gente parecia ter despejadoQuanto mais não seja, utilizando o frasco inteiro do perfume. Não,água oxigenada. não era um cheiro particularmente agradável, admito. Agora, no últimoJoana Firmino Ribeiro Nº 13 12º D ano do secundário, a escola torna-2 de Dezembro de 2009 se pequena para nós, as pessoas à nossa volta tornam-se um tanto ouTexto de Reflexão quanto infantis e demasiado familiares. Agora que é Inverno, está frio E a rotina, essa cheira a café.e húmido. Cheira a Natal, a chuva. O café pela manhã ali, no “Padeiro”,Aquele cheiro a molhado, a estrada rotina de todos os dias, todas ase a terra que a chuva tem, faz-me semanas, com o mesmo grupo, a lersempre lembrar o Natal. É como o os mesmos jornais e a ter ascheiro de yougurt de pêssego me mesmas conversas. Não gosto defaz lembrar o rotina, mas esta é umaverão, não sei boa rotina, a conversa éexplicar. E hoje boa, o café é bom, ocheira tão bem no tempo passa.meu quarto, a Durante o período,chuva e a frio, que não senti muito este cheirodecidi reflectir a a escola porque felizmentepartir dos cheiros. o nosso horário permite-Sim, parece-me nos uma certa liberdadeoriginal. para fazermos o nosso trabalho extra-curricular e Quando o não só..período começou Durante estecheirava a período, cheirou sobretudoprotector solar. Ah, a mudança, a passado e acomo eu gosto do cheiro do futuro. Tivemos um sem conta deprotector solar. Acabou tão conversas sobre a nossa infância, odepressa o verão que eu nem dei infantário, a escola primária, aspor isso, e quando vim para a férias, as festas de aniversário e osescola tinha acabado de chegar a que deixámos para trás. Lembrámo-casa, tinha ido acampar com os nos , quer dizer lembrei-me, domeus amigos e quando vim para cheiro às tostas mistas do bar docasa cheirava a minha casa depois ciclo, do cheiro a velho da nossado verão. A minha casa depois do primeira sala de aulas, do cheiro 16 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 17. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereirodas minhas primeiras sapatilhas deballet. Uma certa nostalgia no ar, as Nenhum olharvezes, cheira a vida. Tivemos umoutro sem número de conversassobre o futuro, os sonhos de cadaum, as faculdades, os carros, aindependência. Compreendam-me,aqui estive a vida toda, faço omesmo percurso todos os dias, Vejo-te partir.cumprimento as mesmas pessoas,bebo o mesmo café, sento-me na Mas não olho…mesma carteira, todos os dias,como é normal, com o tempo o Não posso!cheiro torna-se enjoativo, não só Olhar era mostrar o sentir,para mim, para todos. E, assim,vamo-nos interrogando e sofrer com a despedida!desconversando sobre o que ainda Vejo…não conhecemos e queremosconhecer, sobre os horizontes Aprecio a tua saídamaiores. Necessito desenjoar, com um sorriso.preciso do cheiro do ar fresco. Este período, cheirou a livros E como se quisesse olhar,e a laboratórios, foi-nos dada muitomaior autonomia e uma maior como se pudesse,liberdade de escolhas. Estou feliz uma lágrima de desabafocom o percurso até aqui, demonstroevolução. obriga-me a fechar os olhos. E agora, agora cheira a Com a vista já limpa,Natal, deve ser o melhor cheiro detodos. Este é o cheiro dos melhores com o olhar tapado,momentos da vida, cheira aos meusavós e aos meus primos, à minha não vejo ninguém.lareira e a bolo-rei. Estou a Meu amor… partiste!aproveitar com o olfacto inteiro estecheiro a natal, a vitória e a Deixaste-me e eu…mudança. Quero aproveitar a vida O que posso dar?assim não só com o olfacto, comtodos os sentidos. Apenas… 15/12/2009 Diana Branco Nenhum olhar! Leonor Neto, 12ºA 17 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 18. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro EE agora agora que que jjá á nos nosS. VALENTIM e o conhecemos há allgum ttempo,, conhecemos há a gum empoAMOR apenas posso diizer que tte amo e que apenas posso d zer que e amo e que estta é reallmentte a úniica certteza que es a é rea men e a ún ca cer eza queDettestto--tte por tte amarDe es o e por e amar ttenho acerca do amor.. enho acerca do amor Não nos conhecííamos há Não nos conhec amos há Neuza Amaralmuiitto ttempo e eu jjá tte dettesttava,, mu o empo e eu á e de es ava Projjecto de Pro ecto depor vezes ttenttava jjusttiiffiicar esse por vezes en ava us car essesenttiimentto que me domiinava,, mas sen men o que me dom nava mas Solliidariiedade Sociiall So dar edade Soc aera iimpossíívell,, e piior,, é que a cada era mposs ve e p or é que a cadadiia que passava dettesttava--tte cada d a que passava de es ava e cada Os fenómenos de pobreza evez maiis.. Porque iimplliicavas vez ma s Porque mp cavas exclusão social são consequência decomiigo,, porque me conttrariiavas,, com go porque me con rar avasporque porque ffallavas,, a avas porque porque vários factores e, por isso, tocam todossiimpllesmentte exiisttiias,, e aciima de s mp esmen e ex s as e ac ma de os sectores da sociedade. Para combatê-ttudo porque me ffiizestte amar--tte.. udo porque me zes e amar e los, é necessário compatibilizar e Era iinsuporttávell conviiver Era nsupor áve conv verconttiigo,, na miinha cabeça esttava con go na m nha cabeça es ava articular todos os esforços possíveis,ttudo cada vez maiis conffuso,, as udo cada vez ma s con uso as tanto a nível escolar como local.noiittes mall passadas,, as náuseas por no es ma passadas as náuseas portte ver e o senttiimentto de ódiio por Neste âmbito, a Escola pretende e ver e o sen men o de ód o porgosttar ttantto de ttii.. gos ar an o de ajudar os alunos de famílias mais E chamam a iistto amor?!! A E chamam a s o amor? A carenciadas que frequentam estettoda estta dor.. Será que o amor é oda es a dor Será que o amor émasoquiismo,, será que é desprezo masoqu smo será que é desprezo estabelecimento de ensino bem comopello outtro,, ou era eu que por ttantto pe o ou ro ou era eu que por an o outros membros da comunidade escolar.tte amar e não querer,, o conffundiia e amar e não querer o con und acom um senttiimentto mau.. Não Propõe-se, assim, intervir em acções de com um sen men o mau Nãoconseguii perceber atté ao diia em que consegu perceber a é ao d a em que solidariedade social, nomeadamente,mudastte e que por siinall mudastte mudas e e que por s na mudas e numa campanha de recolha de bensttambém a miinha viida.. As noiittes em ambém a m nha v da As no es embranco ttornaram--se nos maiis bellos branco ornaram se nos ma s be os alimentares, donativos monetários, entresonhos que allguma vez ttiive e as sonhos que a guma vez ve e as outros.náuseas passaram a ser a saudade e náuseas passaram a ser a saudade e Os objectivos deste Projecto são:a allegriia por tte ver.. a a egr a por e ver Será que é iistto o amor?!! Estta Será que é s o o amor? Es a  contribuir para a melhoria dafforça que me percorre e que me orça que me percorre e que me qualidade da vida escolar dosdeiixa com vonttade de tte beiijjar,, de de xa com von ade de e be ar deesttar conttiigo e de tte poder perdoar es ar con go e de e poder perdoar alunos com mais dificuldadespor me tteres ffeiitto dettesttar--tte em por me eres e o de es ar e em económicas;ttempos.. empos 18 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 19. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro  contribuir para a melhoria da Acções desenvolvidas para angariação de fundos qualidade de vida de outros Para dar cumprimento ao membros da comunidade Projecto, os colaboradores encetaram escolar; várias acções, nomeadamente:  promover o envolvimento de  reuniões de trabalho para todos os elementos da planificação das acções a comunidade educativa e local; desenvolver:  promover a capacidade de - 30-09-2009 interacção da comunidade com - 21-10-2009 atitudes solidárias. - 28-10-2009 - 04-11-2009Colaboradores do Projecto - 02-12-2009 Este Projecto nasceu devido à - 21-12-2009situação muito precária de um aluno do  sensibilização dos alunos atravésCurso Profissional de Informática. dos Directores de Turma para a Dada a sua dimensão social, problemática e importância dahouve necessidade de integrar vários sua colaboração com donativos;professores e funcionários para cumprir  sensibilização da comunidadeos objectivos propostos. Assim, os educativa, professores eintervenientes neste projecto são: funcionários para a angariação de donativos;Coordenadora Professoras Funcionárias  envio de correspondência aFernanda Eugénia CéliaAntónio Pestana Gonçalves várias entidades da comunidade Helena Lurdes Dias mafrense a solicitar apoio Ferreira monetário ou outros. Luísa Fachada Estas acções tiveram como Margarida suporte textos informativos que se Cachão Teresa encontram em anexo, bem como a Prelhaz informação sobre os donativos recebidos. 19 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 20. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro 5ª feiraActividades desenvolvidasTendo em conta os donativos recebidos, Data Nome Valorfoi possível realizar a seguinte Angariadoactividade: 16 de Eugénia 30 euros  entrega de cabazes de Natal a Novembro – 2ª Pestana seis famílias da comunidade feira 19 de Fernanda 19 euros escolar no valor total de 261,30 Novembro – 5ª António € (duzentos e sessenta e um feira euros e trinta cêntimos). 23 de Luísa 12 eurosAngariação de donativos Novembro – 2º Fachadaatravés de bens alimentares feira 26 de Luísa 12 eurose outros Novembro – 5ª FachadaNovembro e Dezembro de 2009 feira 2 de Dezembro Margarida 10 eurosData Nome – 2ª feira Cachão16 de Novembro – Eugénia Pestana 3 de Dezembro Teresa 10 euros2ª feira – 5ª feira Prelhaz19 de Novembro – Fernanda António 7 de Dezembro Ana Ribeiro 12 euros5ª feira – 2ª feira23 de Novembro – Luísa Fachada 9 de Dezembro Teresa 12 euros2º feira – 4ª feira Oliveira26 de Novembro – Luísa Fachada 14 de Helena 11 euros5ª feira Dezembro – 2ª Ferreira2 de Dezembro – Margarida Cachão feira2ª feira Total 128 euros3 de Dezembro – Teresa Prelhaz Data Nome Valor5ª feira Angariado7 de Dezembro – Ana Ribeiro Dezembro Ana Gonçalves 10 euros2ª feira Dezembro Café Cerâmica 20 euros10 de Dezembro – Teresa Oliveira5ª feira14 de Dezembro – Helena Ferreira2ª feira17 de Dezembro – Ana Paula Luis 20 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 21. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/FevereiroDezembro Caixa de 500 euros P3 ------- Crédito Q3 ------- Agrícola de Total 77,38 euros 1 MafraDezembro Castelão 6 bolos reis Total de dinheiro angariado: 128 + 30 +Dezembro Intermarché Desconto de 77,38 = 235,38 € 10% nas Valor das compras com 10% de desconto = compras 263,97 – 2,672= 261,30 € Débito = 261,30 - 235,38 = 25,92 € Alma sem título Por entre linhas escrevo o que me vai na alma, é tanta coisa que nem sei por onde começar, sei que quero gritar e a alguémAngariação de donativos – 12ºanos dizer que amo, mesmo que não conheça, simplesmente dizer que a amo, pois todos nós estamos de alguma forma Turma Valor ligados uns aos outros. Angariado Tantas vezes eu me questiono, como Euros podem as pessoas ser tão cruéis umas A 15,45 com as outras, não pode ser apenas B ------- deficiência de Cérbero, deficiências a C ------- nível genético ou mesmo a tal teoria de que as pessoas cruéis ou más são assim D 9,53 devido aos factores que lhes são E 17,07 exteriores, tal como o ambiente que que F ------- estão inseridos. Como, mas como se pode ser assim? G 14,75 Ignorar o mal dos outros, quando nós H 2,57 estamos mal, também gostaríamos de ter apoio? I 8,80 O que é que se pode fazer para chamar a J ------- atenção das pessoas, chamá-las há L ------- realidade e tentar mudar o mundo, porque nada é impossível, recuso me a M 9,21 acreditar nisso, que uma só pessoa não O3 ------- pode mudar o mundo, vemos tantas pessoas que sozinhas conseguiram mudar o mundo, e sempre que o vejo1 nunca é para bem, sempre para mal, O dinheiro dado por esta entidade encontra-seem poder da escola. Não foi utilizado para os 2cabazes. Valor acumulado no cartão intermarché 21 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 22. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroserá que somos mesmo maus por maneira que temos vindo a pensar, quenatureza? Será que não existe o triunfo só nós sabemos, eu sei, eu eu e mais eu,do bem sobre o mal? não se dão oportunidades, não se dão aoAs respostas são visíveis e cada vez respeito, na minha vida eu tento ser omais, parece que somos maus por melhor possível, dando me ao respeitonatureza, não consigo encontrar para que me respeitem também,nenhuma resposta ou explicação defendendo as minhas convições dumaracional para tudo isto que acontece. maneira racional e com educação semSerá que não é possível sermos todos partir para “violência verbal”, tento seriguais e todos difrentes, já que os nossos o máximo possível humilde e ao mesmoobjectivos são os mesmos e fisicamente tempo ter a noção daquilo que sou, poissomos iguais ? eu tenho tantas qualidades quantoO que muda são as personalidades, a defeitos.individualidade de cada um, mesmo que Digo isto porque o que para mim é bom,hoje o que se veja são grupos “iguais”, para ti pode ser mau e o que pode paraparece deixar de haver a tal mim ser mau para ti ser bom, por issoindividualidade, mas não é sobre isto digo que tenho tantas qualidades quantoque quero escrever, o que eu quero defeitos.escrever, e por a minha ideia em algum Por causa do desrespeito pelos outrossitio, é que todos nós temos o objectivo cada vez mais vemos guerras e maisde ser felizes, e temos o mesmo coração guerras, e quando falo de guerras nãoque bate e bombeia o sangue no nosso são aquelas do género da primeira oucorpo de modo a podermos viver, acho segunda guerra mundial, falo dastão fascinante o modo de como fomos guerras travadas nas vidas de todos nós,criados, tão perfeitos, tão complexos… por causa do não haver respeitoPara muitos estes textos que escrevo, sentimo-nos feridos interiormente epodem parecer confusos , embora de decidimos fazer o mesmo aos outros, ecerto modo sejam pois têm tanto então leva a uma bola de neve, criandosentimento por entre estas palavras, uma avalanche, por isso cada vez maisquero dizer tanta coisa que não sei por vemos desgraça, é tão estranho eu estaronde começar, por isso deixo fluir, sempre a pensar negativo, sempre quetentado criar a minha própria escrita, escrevo são só sentimentos negativos,sem base ou apoio noutros textos. não sei porquê mas tudo o que vejo no mundo entristece-me, fazendo-me terPorque é que já não existe respeito vontade de escrever sobre o que vejo, ehoje em dia uns pelos outros, tentar de algum modo ir fazendo mudarporque é que tem de haver este as pessoas.desacordo entre as religiões, quando Limito-me a observar as atitudes eDeus é um e um só, o mesmo para todas comportamentos que nós temos, mesmoelas , porque é que as pessoas são eu me ponho a estudo, e tantas vezesignorantes ao ponto de abrir os olhos, o vejo falsidade, mentira, rancor, raiva,que se deve ter é fé e religiosidade, pois ira, descrença em si própria, “morte”isso leva a preconceitos, e males piores, tudo o que é mau, mas, alegro-mepois ninguém é perfeito, todos erramos, quando olho para a televisão e oiço nãopor isso o que a religiosidade quer é que sei quem salvou aquela pessoa, não seise seja perfeito, mas isso não será quem impediu que algo de maupossível, enquanto pensarmos da acontecesse, alegro-me tanto 22 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 23. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroquando as televisões seenchem de boas atitudes, de O que é para mimatitudes de benovelência, Deus?tolerância, por isso não acredito Deus, tal como em quasetotalmente na nossa “má natureza”, tudo o que nos rodeia, por enquanto é algo abstracto, nunca saberemos a total verdade nem nunca ficaremos totalmente esclarecidos, e é por isso, que para cada um de nós há um significado diferente de tudo, e este assunto não é excepção. Quando há algo que não está a bater certo, quando estamos ou pensamos estar perdidos, quando já ninguém parece estar doparece que ainda vai havendo alguém nosso lado, existe uma força quecom o poder sufeciente de enfrentar o nos consegue levantar. Uma forçamundo, mesmo que sozinhas, para mim que muitos consideram o resultadoos heróis são aqueles que pensam tanto de ter fé e acreditar, e outrosem si como nos outros, mostra carácter, consideram uma força de vontademostra coragem, ousadia para ser interior, mas tudo isto tem umadiferente…Espero um dia poder vir a provar a mim origem.mesmo e ao mundo que também sou Para mim, existe um só Deus,assim ou posso vir a ser assim, espero mas que está repartido por cada umum dia ver o sol nascer, encher o peito de nós, isto é, existe uma parte dede ar, e gritar de alegria, espero um dia Deus bem no nosso interior, noestar ao entardecer na praia com a brisa interior do nosso coração e mente.a dar me nos ombros ao lado de quem Este pouco de Deus está maisamo, e apenas dizer lhe que a amo, semgrandes conversas, espero um dia poder presente do que pensamos, é o nossovoar pelo céu estrelado, espero um dia juiz de valores, é a nossa consciência,nunca parar de sonhar, espero, espero, é a nossa noção de bem e mal, certoter, e nunca deixar de ter esperança, e errado, é o poço de onde retiramospois a esperança é algo que nunca, mas as nossas ideias e a árvore de ondeNUNCA pode ser tirando de nós, é a colhemos as nossas decisões. É aúnica coisa que nos vai mantendo vivos,a esperança é uma coisa boa, algo que terra onde caminhamos, o ar quenos alimenta… respiramos, a lata de tinta com que pintamos o mundo, é a escola daMIGUEL ÂNGELO CASTRO OLIVEIRA vida. É o nosso detector de erros, é o08-02-201012ºM nosso “anjo da guarda”, é o nosso 23 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 24. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroporto seguro, quando sabemos que • Um torneio de cartas; • Um torneio de Xadrez;não temos mais nada. • Um torneio de Matraquilhos; • Um torneio de Snooker; Micaela Ferreira Nº11, 12ºM • Um torneio inter-turmas; Departamento Sócio-Recreativo ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES Coordenador: Carolina Marcelino Realização de: • Festas de final de período; • Festas temáticas ao longo do ano;A Lista M venceu as eleições • Um baile de Máscaras;para a Associação de • Uma festa de fecho da campanha; Estudantes. Departamento Acção Social Coordenador: Bárbara GouveiaPrograma eleitoral Realização de:DIRECÇãO • Palestras; • Recolhas de bens de 1ª necessidade paraPresidente: Ricardo Batista causas humanitárias e sua distribuição pelosVice-presidente: Joana Martinho sem-abrigo;Braço direito: Pedro Barão e Carolina • Campanha de sensibilização ao abandonoVazquez dos animais; • Sensibilização contra o racismo;Secretário: Tiago Robalo • Campanha de sensibilização para osTesoureira: Joana Pereira diferentes tipos de descriminação social;Directora Cultural: Carolina FerreiraDirector Desportivo: Tiago LourençoDirectora Sócio-recreativo: Alexandra BorgesDirectora Acção Social: Rita PereiraDirectora Comunicação e Multimédia: MafaldaSantosDirector Baile de Gala e Viagemde Finalistas: Paulo JorgeDEPARTAMENTOS:Departamento Sócio-CulturalCoordenador: Nádia LourençoRealização de:•Exposiçõeso Pintura;o Desenho;o Trabalhos Manuais (Esculturas);o Fotografia;o Literatura;o Trabalhos Plásticos;• Semana das artes;• Criação do blog com ostrabalhos dos alunos;Departamento DesportivoCoordenador: João MarquesRealização de:• Um torneio de (Basquetebol, Voleibol,Futebol, Badmington) em parceria com asturmas na área de desporto; 24 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 25. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro me dela, esqueço-me de a viver. Esqueço-me das pessoas, esqueço-me dos lugares e até me esqueço de momentos, porque durante a minha viagem tudo se dissipa e aí fico eu e apenas eu. A única lembrança que tenho ocorre-me através de um sonho, o sonho que é a minha luta na vida de todos os dias e a mesma que é ganha enquanto durmo na cama de alguém longe daqui. E é longe que sou feliz, porque não penso na vida. Sorriu para a vida porque ela me sorri. E sonho porqueComunicação e MultimédiaCoordenador: Francisco Moreira estou a dormir longe do inimigo.Realização de: E na manhã, em que a chuva• Exposições sobre as tecnologias; bate no parapeito da janela, acordo ao• Elaboração do site da associação de ouvir o seu toque na portada semi-estudantes;• Criação de um perfil nas redes sociais mais serrada. Abro os olhos a custo, porqueconhecidas; não me apetece ir embora. Trocava tudo• Colaboração na campanha eleitoral; na vida para agarrar a natureza que está• Recuperação da rádio da escola; do lado de fora da janela, mas tão longe• Realização de uma LAN party. da minha casa.Baile de Gala e Viagem de Finalistas O momento da partidaCoordenador: Pedro Machado aproxima-se com o progredir do tic-tacOrganização da: do relógio, que marca o compasso da• Viagem de Finalistas:o Andorra; vida acelerada de todos os dias deixadao Benalmadena; para trás. Em breve terei de a agarrar de• Elaboração do Jantar e Baile de Gala; novo.• Colaboração na semana de campanha. São mais três horas de viagem*Pedido de sugestões aos alunos através de de regresso. Três horas que passaminquéritos realizados em cada período.* mais devagar do que as três horas da chegada. Distância separada pelo tempo. Distância igual que demora maisÉ BOM VIAJAR para baixo do que para cima. Para cima É bom viajar. Eu gosto e não me somos levados pela alegria e pelaimporto que o destino seja o mesmo há saudade, ouvem-se risos na viagem.17 anos. Durante cerca de três horas Para baixo somos levados pela tristeza esinto-me como que abandonando pela monotonia da vida de todos os dias,qualquer coisa. Deixo a minha vida para ouve-se o silêncio aterrorizante do vaziotrás e vou em busca de outra. que preenche a estrada atrás de nós. A ansiedade rouba-me o sono no O outro lado da estrada espera-momento da partida, porque sei de nos no próximo ano, para uma novaantemão o que me espera lá em cima. viagem.Não estou no meu reino mas quase.Durante o tempo que permaneço longe Janeiro de 2010da minha vida de todos os dias esqueço- Joana Rodrigues,12ºI 25 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 26. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro também positivos, como sabedoria eÁREA DE PROJECTO tranquilidade.Idadismo – Portugal e Então porque existe este estigma em relação aos mais velhos? Osos idosos especialistas salientam três factores mais importantes: o primeiro é o facto Idadismo é como racismo ou da maioria destas pessoas não estarem asexismo, mas desta vez o preconceito trabalhar activamente, o que numaestá relacionado com a idade, sociedade que tanto valoriza anomeadamente a idade avançada. produtividade se traduz numa perda deInfelizmente, Portugal integra-se nas riqueza e poder. O segundo trata-se dasociedades industrializadas que tendem questão de serem um fardo para aa desvalorizar as pessoas de idade sociedade, tendo o estado de assegurar oavançada (superior a 65 anos), onde o pagamento de reformas e cuidados deseu estatuto social é inferior ao das de saúde, entre outros. Finalmente omeia-idade (entre os 35 e os 65 anos) e terceiro: o envelhecimento dos outrosao das jovens (entre os 18 e os 35 anos). lembra-nos a inevitabilidade do que nosAinda assim, segundo estudos europeus, espera. Todos temem perder anão é o pior país nesta matéria. vitalidade, beleza e saúde da juventude Em Portugal, o modo como os e muitas vezes isso traduz-se naidosos são tratados reflecte uma negligência às pessoas idosas.imagem negativa do envelhecimento. Outro problema dos idosos é queUm exemplo disso é o pictograma dos estão mais vulneráveis a sofrertransportes públicos ou filas de espera: a comportamentos negativos. Oimagem de um indivíduo curvado com preconceito está associado auma bengala. O termo “velhos” é discriminação, que pode assumir-senegativo porque estão-lhe sempre mais explicitamente, originandoassociados doença, incapacidade e violência, ou mais subtilmente,incompetência. É preferível utilizar negligenciando (má alimentação, faltaoutros termos como “idosos” ou de limpeza, perigosas condições de“seniores”, uma vez que estes englobam habitação, etc.). Sabe-se até que 40 milaspectos negativos, mas desta vez 26 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 27. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroidosos que vivem em suas casas lidam acompanhamento individual de cadacom dificuldades na sua alimentação. utente, quer a nível psicológico quer aExistem outros tipos de abuso, como o nível da sua saúde física. O Instituto definanceiro, onde se utilizam dinheiro e Segurança Social lançou guias debens da pessoa sem o seu conhecimento qualidade para os serviços sociaisou autorização, ou ainda o abandono de essenciais para a melhoria, ainda queidosos, por exemplo nos hospitais ou gradual (devido ao aperto financeiro),em suas casas sem qualquer tipo de da oferta social para as pessoas idosasapoio. Os seus “agressores” são no nosso país. Para além disso, já éprincipalmente pessoas próximas, como visível a sua grande participação emos cuidadores, companheiros ou filhos. universidades seniores.Contrariamente ao que se possa pensar, A psicóloga Síbila Marques,nem sempre se age intencionalmente: investigadora na área da acção social,muitas vezes as pessoas que têm idosos elaborou uma tese que procuraa seu cargo simplesmente não sabem compreender como a activação decomo devem agir. Como é óbvio, toda diferentes conteúdos de estereótipoesta violência deixa marcas nas pessoas associado ao envelhecimento podede idade, não só marcas corporais mas influenciar as percepções etambém diminuição da dignidade e comportamentos na saúde dos idosos.auto-estima de cada um. Em termos gerais, o objectivo consistia Sendo assim, o que nos torna em colocar as pessoas idosas numdiferentes dos outros países? “cenário” fictício em que são activadasMundialmente, a China tem uma longa imagens mais positivas ou maistradição de honra e culto às pessoas negativas do envelhecimento. Osmais velhas, onde o respeito se mantém resultados da actividade foram muitocomo um valor essencial na família e, surpreendentes: quando se utilizava umem muitos casos, várias gerações vivem panfleto, para apresentar umajuntas na mesma habitação, lideradas instituição, com uma imagem “positiva”pelo membro mais velho. Em Portugal, das pessoas idosas, os inquiridosestão neste momento a ser introduzidas apresentavam significativamente maisgrandes mudanças relativas ao bem-estar, menor percepção de risco de 27 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 28. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereirodoença e ansiedade. Desta forma, é formação nas escolas poderá ser umalegítimo concluir-se que a quantidade forma adequada de intervenção precoce.de estímulos (essencialmente negativos) Sempre que pensamos nasa que estas pessoas estão sujeitas na viagens que não fizemos, nos livros quesociedade actual, podem afectar o seu não lemos, nos momentos com os netos,desempenho. É por isso que se no descanso que não tivemos, ocorre-consideramos as pessoas idosas nos que, reformados, haverá tempo paraincompetentes e doentes, elas irão, tudo isso, mas a verdade é que o queprovavelmente, tornar-se incompetentes não faltam são idosos deprimidos,e doentes. desocupados e sozinhos. O nosso Quando pediu às pessoas idosas modelo social não permite assegurarque realizassem uma tarefa muito difícil uma qualidade de vida adequada aos(contar para trás a partir de cem em três cidadãos nos seus últimos anos de vida.minutos), a investigadora confessa ter Até porque mesmo que queiramossido afectada por pensamentos regressar ao mercado de trabalho,“idadistas”, uma vez que estava encontramos sempre as portas fechas.convencida de que os inquiridos não Somos sempre considerados demasiadoestavam aptos para a concretizar. “velhos” neste mercado capitalista eResultado: dos sessenta que idadista.participaram, não houve um que fosse Fazendo agora uma associaçãoincapaz de realizar a tarefa. entre jovens e idosos, como podem e O que é facto é que fazia falta devem eles assegurar a “dignidade” daem Portugal um Instituto de Estudos sua velhice? Planeamento e poupançapara o Envelhecimento (IEE), como o são fundamentais desde a infância.que acabou e ser inaugurado, uma vez Contudo, identificam-se razões para aque terá um papel importante ao nível ausência de comportamentos deda caracterização da realidade dos poupança dos portugueses, como é oidosos em Portugal e na mudança das caso da confiança no sistema deatitudes idadistas prevalecentes na nossa segurança social público - não queremsociedade. Para além de isto, a sacrificar o bem-estar presente por um destino que ainda vem longe, o que 28 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 29. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiromostra que ainda não há uma “Neurónios espelho”consciência clara do problema que se Alguma vez sentiram um impulso paranos avizinha. Se pensarmos num futuro imitar ou copiar o que os outros fazem?negativo, temos mais dificuldade em É natural, até porque existe uma explicação neurológica para este tipo depoupar. Se o futuro se nos afigura comportamento. Desde pequenos quepositivo, mais facilmente planeamos o copiamos os movimentos daqueles que nos rodeiam, gesto essencial paranosso envelhecimento. apreender comportamentos e Como se pode ver, muitos de competências sociais básicas e recebernós são idadistas. Mesmo sem querer, o conhecimentos e informações.perconceito está intrínseco na nossa Toda esta tendência para imitar quemsociedade, é inevitável. Por isso, cabem- nos rodeia tem origem numa região donos as tarefas de actuar e pensar que cérebro onde estão alojadas asesta parte de população merece o nosso chamadas células “neurónios espelho”.apoio e consideração. Já chega de fechar A descoberta desta área partiu de umaos olhos! experiência em macacos, onde se verificou que uma região do cérebro eraAna Catarina Serra, Anna Carolina activada sempre que havia movimentoLuzia, Catarina Lima, Sara Malheiro gestual, quer fosse com a mão ou com a 12ºE boca. O mais curioso é que esta mesma área se activava também quando o animal via outro realizar esses mesmosUm livro sobre a máquina movimentos, ou seja, simulava esse mesmo movimento como forma de ado pensamento interpretar. Graças a estes “neurónios espelho”, somos capazes de interpretar o que osNo âmbito da disciplina de Área de outros fazem. É esta também aProjecto, o nosso grupo (“Os Quebra- explicação para o facto de o riso e oCabeças”), do 12º Ano Turma D, choro, entre outras emoções, serempropôs-se elaborar um livro sobre o contagiantes. Ao vermos outra pessoacérebro humano, e a deixar na expressar um sentimento, nós própriosbiblioteca da escola, onde trataremos sentimos e identificamo-nos com essevários aspectos sobre as características sentimento. Esta capacidade estádo mesmo, nomeadamente o intimamente ligada ao surgimento dafuncionamento, as emoções, a linguagem. Ao sermos capazes deinteligência e a saúde. Muitos de vós já interpretar os gestos dos outros, ter-se-átiveram um primeiro contacto com o criado um código gestual comum e, anosso projecto, através da resposta a um partir daí, terá surgido a linguagem.inquérito que realizámos em algumas Para além da linguagem, estesturmas da escola mas, desta vez, vimos neurónios terão sido extremamentemostrar-vos um dos assuntos que importantes no desenvolvimento dasaprendemos e que irão figurar no capacidades artísticas no Homem,projecto final. apesar de o cérebro ter o actual tamanho há 250.000 anos, a arte e a música 29 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 30. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroapenas se desenvolveram há 40.000 Somos um grupo de alunos do 12ºanos, altura em que os “neurónios ano, turma D que está a desenvolverespelho” terão começado a ser na disciplina de Área de Projecto oactivados.No entanto, a sua função não se fica por tema: “Próteses”. Iniciámos o nossoaqui. Quando vemos uma pessoa a fazer projecto com alguma pesquisa,algo, no nosso cérebro activam-se os visitámos a Escola Superior de“neurónios espelho” e a actividade Tecnologia e Saúde de Lisboa,passa a ganhar sentido para cada um de munimo-nos de toda a informaçãonós, com excepção da não activação dafunção motora. Esta descoberta revelou- específica e tivemos o apoio dese muito importante, uma vez que fica especialistas na área.demonstrado o entendimento do nosso Pela pertinência desta temática, e umacérebro relativamente à actividade dos vez que o futuro é uma incógnita paraoutros e ainda entende e prevê a acçãoseguinte. Esta é a razão e a causa da todos nós, pretendemos dar a conhecernossa inteligência, ao invés da à comunidade em geral, o que éesperteza, uma vez que somos capazes possível fazer para o ser humano sede prever o que vai acontecer tornar útil, se sentir bem consigofuturamente, baseado no presente. próprio, inserido numa sociedade que compreende perfeitamente a sua“Os Quebra-Cabeças” - 12ºD: Gonçalo inclusão.Bonifácio, Vanessa Barros, Marjolene Serra,Rita Valentim Planificámos a criação de um blogue – “Próteses Escola Secundária José Saramago” Próteses – O http://protesesesjs.blogspot.com – onde mecanismo do futuro? vamos introduzindo toda a informação pertinente sobre esta temática eHoje, por condicionalismos de vária gostaríamos de vos convidar paraordem, como acidentes, problemas de visitarem o nosso blogue. Abordaremossaúde, deficiências congénitas, entre os vários tipos de próteses e paraoutras, assistimos a casos de pessoas apresentar o produto final do nossoque desenvolvem o seu percurso e projecto, realizaremos uma exposiçãoprojecto de vida de uma forma muito no 3º período, com possíveisnatural, com o recurso a próteses. exemplares de maquetes de próteses.Estas podem ser da mais variada Pela pertinência do projecto,natureza e nós, geralmente, nem consideramos relevante dar a conhecersempre estamos atentos nem nos os valores e a atitude de cada um deapercebemos de tal facto, face à nós para transformar esta sociedadequalidade que este equipamento tem num espaço de maior solidariedade evindo a ser colocado à disponibilidade integração.do ser humano. 30 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 31. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro “Os Pernas de Pau” do 12º Ano –D : ao consumo energético da escola. David Mestre, Como tal, no passado mês de Janeiro, realizámos uma “saída de Guilherme Cerqueira, campo” (ainda na zona antiga, que João Carrasqueira, incluiu os pavilhões A, C, D e F, os Tatiana Costa monoblocos e a “portaria”), na qual falámos com algumas funcionárias e observámos o estado em que se encontravam as instalações. Eficiência Energética – Pudemos verificar que quanto à Muda a tua atitude! iluminação, as luzes exteriores encontravam----se desligadas das 8h às 17h (período de Inverno) eActualmente, o planeta caminha a ligadas até às 24h, e que as luzespassos largos para a destruição, interiores, nos pavilhões A, C e D,com a ocorrência de fenómenos estavam ligadas durante o dia, oatmosféricos extremos, como que era completamentetempestades, secas e degelo. Estes desnecessário já que haviafenómenos derivam do iluminação natural suficiente;agravamento das alterações também as salas de aulas tinham asclimáticas, que têm vindo a interferir luzes ligadas, durante um dia de sol.com os ritmos naturais da Terra. O facto de a maioria dos estores sePara tentar combater a gravidade apresentarem danificados tambémdestas situações, nasce a eficiência faz com que seja necessária a luzenergética, que pode ser traduzida artificial no decorrer do dia. Quantocomo o aproveitamento de energia às árvores de folha caduca, pertode uma forma rentável, com o das janelas, aferimos que erampropósito de evitar perdas da inexistentes, tal como o isolamentomesma. A eficiência energética é nessas mesmas janelas. A nãouma das melhores formas de ajudar existência de isolamento nasa reduzir as emissões de GEE janelas, os estores são fechados(Gases com Efeito de Estufa), uma para fornecerem uma certavez que usufrui o mais possível das protecção à comunidade escolar,fontes de energia renováveis, de nos dias mais frios, o que, mais umauma forma inteligente. vez, obriga a que a iluminaçãoAo pertencermos a um grupo de interior esteja ligada. QuandoÁrea de Projecto cujo tema são as estamos em aula, numa das salasAlterações Climáticas e a Eficiência com computadores, apercebemo-Energética (tendo por detrás um nos que estes permanecem emconcurso a nível nacional que tem modo stand-by, desperdiçando,como objectivo principal sensibilizar desta guisa, energia, o mesmoa comunidade escolar para o tema, sucedendo nos monoblocos,levando a cabo acções que quando a maioria das salas depermitirão uma maior racionalização aulas tinham o ar condicionado emdo uso da energia eléctrica na funcionamento, ao mesmo tempoescola), pensámos que seria em que as janelas estavam abertas.correcto fazer uma breve avaliação Quanto aos ecopontos, pudemos 31 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 32. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroobservar que só existiam na zona Inverno, quando não têm folhas, ado bar e perto do portão antigo, luz e o calor entrassem no edifício.sendo que estes últimos não eram Já no Verão, a sua folhagempraticamente utilizados devido à sua impediria a entrada directa da luz,localização. Para terminar, contribuindo para a manutenção deaveriguámos, ainda, que as uma temperatura mais fresca notorneiras das casas de banho interior do mesmo. No que se refereestavam todas fechadas e que a às salas de aulas comtelevisão do pavilhão F se computadores, deveriam serencontrava desligada - dois bons utilizadas tomadas com váriasexemplos. entradas e que permitissem desligarÉ portanto, com base na recolha a passagem da corrente, através dedestes dados que iremos sugerir um pequeno interruptor. Aomedidas e soluções que podem, e interromper a passagem dadevem, ser tomadas no recinto corrente, haverá uma maiorescolar. Acerca da iluminação poupança de energia já que osexterior, pensamos que não haja aparelhos (neste caso, osnada a referir, desde que os computadores) deixam de estar emhorários de Inverno e de Verão stand-by, ficando totalmentesejam tidos em conta. Já quanto à desligadas.iluminação interior, é importante Contudo, nem todo o nosso trabalhoafirmar que ao existirem condições de investigação de dados foide luz naturais propícias e negativa. Constatámos com prazeradequadas para iluminar o interior que as torneiras das casas dede um pavilhão, estas devem ser banho se encontravam fechadas,aproveitadas. De forma a permitindo, assim, desperdício deconseguirmos aproveitar essa tal luz água de forma desnecessária de umnatural nas salas de aulas, os bem tão escasso e essencial. Oestores devem estar em condições mesmo sucedeu com o aparelho dee em funcionamento. Quanto ao televisão do pavilhão F queaquecimento, as janelas devem pudemos concluir ser uma boaestar isoladas, de modo a impedir prática, uma vez que este seque haja fuga de calor no Inverno e encontrava desligado. Quanto aosque entre no Verão. A calafetagem ecopontos, há que mencionar que,das janelas permitirá uma embora a escola disponha depoupança de consumo de energia, alguns, a sua localização não é ana ordem dos 5 %. Não devemos, melhor. Face a exposto, sugerimostambém, recorrer a aparelhos de que, na actual sala de convívio doclimatização, como o ar pavilhão B praticamente disponível,condicionado, quando as portas e sejam colocados e sinalizadosjanelas se encontram abertas, já alguns ecopontos, seguindo oque estaríamos a desperdiçar a exemplo do ponto electrão.energia produzida pelo aparelho. É Estas são pequenas sugestões quena parte do aquecimento que poderão a tornar a nossa escolaentram as árvores de folha caduca. uma zona melhor e mais eficiente, aA plantação de árvores deste tipo, nível energético, já que ser eficienteperto de janelas, permitiria que no significa gastar menos energia, 32 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 33. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereironunca perdendo o conforto, se mete em coisas destas.condição essencial para que acomunidade escolar se sinta bem eintegrada. Joana Firmino Ribeiro, 12ºD III Passeio Nocturno do GJCheleiros Os primeiros metros estavam Terceiro passeio nocturno, e em perfeitos mas logo na primeira descidatodos os anteriores existiram situações errámos o caminho, virámos para ade que jamais me esquecerei, este não esquerda em vez de virar para a direitafoi excepção. embora tenhamos chegado onde se Era 20h30 quando começamos deveria passar.por nos reunir na sede do Grupo Jovens, Entramos para o “rio da Borrija”perto de 60 pessoas divididas por 11 (só tem água quando chove) e passamosgrupos. O relógio deveria rondar as por uma passagem subterrânea que21h30 quando o primeiro grupo saiu, existe por baixo das casas que dáseguido dos outros grupos com minutos direcção ao rio, dando assim com ode diferença para evitar colagens primeiro ponto. Saímos do túnel einiciais. O meu grupo era o penúltimo, fomos em direcção ao rio pela estrada,ao sairmos tiraram a típica foto para entrámos num caminho de terra batida eregisto dos aventureiros, e sinceramente mais à frente estava o segundo ponto,não se pode chamar outro nome a quem local em que ficamos a saber que dos onze grupos apenas e só apenas quatro tinham passado por ali (contando o 33 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 34. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereirogrupo que saíra depois de nós) - tínhamos de andar a ver trilhos paracambada de aldrabões a cortarem caracóis! Fomos parar nos moinhos dacaminho - subimos até às “Cardozas” Cabrela (aldeia no concelho de Sintra),voltámos a olhar para o mapa e passámos campos, saltámos muros,encontrámos a palavra trilho, ou seja, abrimos caminho pelas silvas, voltámostínhamos de chegar a um local a passar por campos, a saltar muros e adesignado por “Ribeira” através daí, desbravar mato! Passámos peloscomo vimos um trilho descemos o mesmos sítios e pelos outros gruposmonte e quando chegámos lá abaixo umas dezenas de vezes! Conclusãoqual não foi o nosso espanto, caminho simples, fácil e rápida…PERDIDOS!errado – volta para cima que faz bemandar – novamente no caminho das“Cardozas” desta acertámos com asaída. Mais um pé dentro deágua…mais um monte para subir!Agora o ponto a atingir era a aldeia dasBroas (uma aldeia pequena, desabitada,situada no meio do mato a meio de umacolina, existe também uma lenda/mitosobre este local). O pessoal já estava com os bafosde fora, não tínhamos chegado a meio eestávamos parcialmente mortos – o que Depois disso cada grupo seguiué sempre bom! um caminho. Apenas o primeiro, o meu e várias pessoas de outros grupos Seguindo o mapa virámos à ficaram naquela área. Formou-se doisesquerda, onde encontraríamos um grupos. Já não sabíamos a nossatrilho, expressão utilizada no mapa: localização embora soubéssemos que“não percas o trilho”, estávamos no tínhamos de chegar pelo menos a meiomeio do mato, no meio do nada, com do monte que estava do outro lado doervas consideravelmente grandes e vale, à nossa frente. Entretanto, alguém 34 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 35. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroteve uma ideia “Vamos experimentar por causa de trilhos, novo trilho, seguedescer a encosta”, tipo esperto sim o trilho, não percas o trilho, continua nosenhor não podia ter melhor ideia?! a trilho, trilho…trilho…trilho…acabámosencosta era bastante íngreme mas como perdidos) cheguei mesmo a dizer parajá estávamos por tudo para pudermos que quem organizou o passeio os fossesair dali fomos em cima das costas da fazer e os metesse no sítio certo.proposta…sorte, sorte! Finalmente vimos o único posto Seria assim tão óbvio?! Não de abastecimento, a meio do percurso echegámos a lado nenhum e tivemos prestes a rifar quem fez o mapa,obrigatoriamente de voltar para trás, comemos e bebemos (as nossas garrafaspois chegou a um ponto em que se de água estavam vazias à horas)continuássemos a descer a parva e podíamos ali mas não era a mesmaestúpida pergunta “o que queres coisa. Queríamos mostrar a todos quefazer..morrer, morrer ou morrer?” iria apesar de termos andado perdidos íamosfazer sentido! chegar ao fim. Para cúmulo, faltava E lá andávamos nós, às voltas, ainda, meio para subir e o únicoaos ziguezague, para a esquerda e para a caminho possível era por um terrenodireita, até que surgiu novamente uma lavrado! Mesmo cansados continuámos!ideia – bem melhor do que a outra sem À nossa frente havia mais doissombra de duvida, e que deveria ter sido grupos, no topo cruzámos com uma primeira a surgir – “Vamos descer as grupo que se tinha enganado, unimo-nosBroas!” sinceramente gostei desta! e fomos até à estrada principal, aí elesChegando relativamente ao fim da desceram para Cheleiros enquanto nósdescida das Broas demos com um seguimos o mapa indo até Rebanquecaminho que nos dava acesso onde (uma localidade).teríamos de ir. Quem quis desistir, O grupo restante, para além dedesistiu, quem quis continuar juntou-se nós, também andara perdido e aoformando um grupo. aperceber-se mudaram de caminho para Saímos daquele monte e a Rebanque, escondemo-nos para ossubimos o outro, voltando de novo a enganar mas não valeu de nada porquepalavra “trilhos” (que raio de palavra, nos viram! E ali nasceu o último grupo, 35 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 36. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroconstituído por doze pessoas. Seguimos saímos da sede até chegarmos foramcaminho mas não dando caminho quase 5h!errado, quem mandou virar no sítio Digam lá que não deveríamosantes?!... Mais uma encosta íngreme, ganhar?!claro que depois do que passámos, mais Só rotos que ali estavam à esperauma menos uma, a diferença era de nós! Cheguei toda feliz da vida,nenhuma! quando parei tive uma bruta cäimbra na O resto do pessoal, já todo na perna, tinha dores, uns quantossede, gozava connosco pois eles arranhões e uns picos espetados masconseguiam ver-nos devido às luzes das além disso fiquei também comlanternas. memórias e recordações deste passeio A maneira mais fácil para descer que jamais esquecerei.sem cair de cabeça lá em baixo, era pôr- Atribulado mas divertido enos de cócoras e ir descendo, coisa que parecendo que não, são coisas únicas,fiz mas deu para o torto…escorreguei e espectaculares, começo a achar quevim por ali abaixo de rabo no chão, quando andamos perdidos tem muitocheguei viva! Atravessámos o rio e mais piada do que possamos imaginar.partimos em direcção à sede do GJ. Marisa Carrasqueira Fomos os últimos a chegar mas 12ºIconsideramo-nos como vencedores comv grande! Andámos perdidos, ás voltascom trilhos, “enrolados” nas silvas econseguimos fazer com que o percursofosse mais longo do que devia – quepiada!!! Aproximadamente, o passeiotinha 13km, que segundo o organizador:“faz-se bem em apenas 3h30minutos!”.Enfim, com tudo isto andámos por voltade 20km devido ás voltasinterminavelmente perdidas, desde que 36 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 37. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiro formiga; de artistas criativos e livres versus cientistas produtores de salsichas de saber em programadas máquinas metodológicas”. Beethoven , Lewis Carrol, Da Vinci, Newton, Einstein, Eco e Kundera juntam-se a António Alberto Silva para nos fazer crer na sua teoria inicial e no título desta obra. NOVOS LIVROS O autor destas notas pendentes é na verdade mestrado em Física pela«Ciência é Cultura» Universidade do Porto e doutorado em Didática pela Universidade deAntónio Alberto Silva publica obra Aveiro. Desde 1976 que Antónioonde junta a física à poesia e a Alberto Silva é docente do ensinociência ao quotidiano superior e é autor de diversos livros a artigos, a nível nacional e“Escreva num processador de texto, internacional.navegue na Internet em consultas oujogos de bolsa, brinque com jogos de No final, ainda somos surpreendidosconsolas, vá leccionar aulas de cultura por uma análise do livro de Hugoapoiado num quadro interactivo, nos Monteiro, doutorado em Filosofia,intervalos fale ao telemóvel, apanhe que desconstrói e remete a atençãoum táxi e vá fazer um TAC ao hospital” dos leitores para pormenores destaé um dos parágrafos iniciais do «Ciência obra.é Cultura − notas pendentes para aFilosofia de um professor pendente daFísica», da autoria de António Alberto Teorias e quotidianoSilva que mais à frente afirma “Ah poisa técnica dá muito jeito”, para ilustrara importância da ciência no nossoquotidiano.Este livro, que vai surpreendendo oleitor ao longo dos capítulos, nãopretende apenas dizer que a ciência fazparte da cultura mas vai mais longe,afirmando desde a introdução que«Ciência é Cultura».Como o próprio autor explica António Alberto Silva, autor do livro“pretende-se ir para além dosestereótipos da cigarra versus 37 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 38. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/FevereiroO livro, que alterna entre metáforas, existência. Nascido e criado emexemplos do dia-a-dia ou antigas França, nunca abandou o país. Nãoteorias, consegue divertir ao mesmo obstante, criou uma empresa (1983)tempo que nos obriga a pensar. de gráficos de computador que englobaria o seu país natal e os«Ciência é Cultura» é sempre dirigido EUA. Acabaria por sair da empresaao leitor e não se trata de um livro em 1989, posto isto, não desistiu eapenas para cientistas ou para acabaria por criar outra empresa,intelectuais, mas sim para todos desta vez de design de interiores eaqueles que se interessam pelo construção com dois amigos,mundo que nos rodeia. tornando-se esta uma das primeiras “firmas”/empresas neste ramo deSob a chancela da Politema, Editorial actividade em França.do Politécnico do Porto, a obra, já Diz-se que a sua carreira começoudisponível na biblioteca da Escola quando escreveu um romance sobreSuperior de Educação, será lançada o seu filho e o que ele poderia vir aem breve para as livrarias. ser um dia (If Only it Were True – 1999), resolvendo a sua irmãNÂO É NOVO MAS VALE publicá-lo. Esse livro, foi de tal forma importante para a suaA PENA LER OU RELER carreira, que viria a ser exibido nos grandes ecrãs por Steven Spielberg. Com tanto sucesso, desta forma, directa ou indirectamente, Marc Levy tornar-se-ia um dos autores Franceses mais lidos em todo o Mundo (Fonte: Ipsos/Livres Hebdo/Le Figaro) Este livro fala-nos sobre um grupo de meia dúzia de amigos, todos adolescentes, provenientes de França, Espanha, Itália e outros países da Europa, muito embora, o livro retrate principalmente um grupo de adolescentes que se tornaram amigos logo após se conhecerem. Curiosamente,Os filhos da Liberdade conheceram-se com o mesmoAutor: Marc Levy espírito, isto é, já se conheciam, já seDados biográficos do autor: Nascido identificavam, já se amavam muitoa 16/10/1961 em Boulogne- antes de se conhecerem fisicamente,Billancourt, Hauts-de-Seine pois, o acto de se conheceram(França). Fará este ano 50 anos de 38 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 39. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereirofisicamente em nada pode ser principal combater nas ruas dasequiparado ao espírito de revolta, cidades francesesas, lutar contra asjustiça, indignação e angústia que Milícias, provocar pequenos motins,todos nutriam para com a chamar a atenção da populaçãoAlemanha de Hitler e para com (fugindo sempre às represálias dasPhilipe Pétain. Embora não fossem Milícias e mudando,apoiantes do General De Gaulle, constantemente, de identificação),lutavam todos por uma França livre recuperar mercadoria, passare queriam terminar o que diziam ser mensagens e, se fosse esse o caso,um “governo fantoche” liderado por matar um qualquer Miliciano ou umPétain na sua França. Chefe de Governo (incluindo osJeannot, que era Raymond, e seu diferentes Ministros e osirmão Claude, vêem-se “obrigados” Comandantes das Milícias).a entrar para a Resistência, pois, Como se pode constatar ao longo dosendo adolescentes judeus, a sua livro, esta adolescência não é,porvida em França não tinha sido das um lado, desejável a ninguémmelhores e, com a chegada de Pétain porque todos estes jovens acabaramao poder, seus pais acabariam por privados de um dos períodos maisser enviados para os campos de importantes das suas vidas, aconcentração nazis na Alemanha. adolescência. Por outro lado, eComo tal, também eles se sentiram apesar de estarem longe dasrevoltados e “aptos” para lutar famílias, longe de quem os amava,contra o futuro dos seus pais e dos dão a entender que a sensação demilhares de outros por essa França luta por algo que consideramos serfora. benéfico para a sociedade, aIronicamente, a França havia sido constante roda vida a que estesdivido em duas partes (norte e sul). jovens foram sujeitos, parece dar aoA norte estava ocupada pelos leitor uma sensação de invenja, pois,Alemães e a Sul (parte livre) as as emoções seriam, certamente, ascondenações a comunistas e judeus, sensações mais distintas e maisas leis contra liberdade de brilhantes da história de cada um.expressão, os condicionalismos por Nas diferentes brigadas, existiamparte do poder à população “camaradas” franceses, polacos,acabariam por aumentar, acabando húngaros, polacos, italianos,também a Milícia por patrulhar, espanhóis, ou seja, apesar de Pétainconstantemente, as ruas do Sul de e outros (nomeadamente chefes daFrança. Milícia) os considerarem apátridas,Como referi anteriormente, o sentimento de Francês para comRaymond e Claude acabariam por os outros existia e todos confiavamse juntar à Resistência, mais nesse mesmo sentimento. Não haviapropriamente, à 35ªBrigada discussões por serem ou não“sedeada” em Toulouse. Esta, e imigrantes, por serem ou nãotantas outras, tinham por objectivo judeus, por serem pretos, brancos, 39 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010
  • 40. Nº3- Ano lectivo 2009/2010 – Janeiro/Fevereiroamarelos ou por deixarem de o ser, o pai do romancista, não conseguirapois, nesse momento, nada disso até à data contar-lhe o que seimportava. O que importava era o passara em França durante afuturo do país, e era para isso que ocupação Nazi e durante o períodotodos “trabalhavam”. da II Guerra Mundial) é-nos contada“Trabalhavam” em prol do país. sobre um país que, também ele, foiOutro dos sentimentos presentes no vítima de um dos ataques maislivro, é o desejo de amar. Com a violentos (a todos os níveis) aoconfiança, e por se tratarem de povo.adolescentes, os rapazes e raparigas O livro tenta, também, descrever asque entravam nas diferentes condições desumanas das prisõesbrigadas acabariam muitos por se que eram “atribuídas” aosapaixonar, mas, por estarem dentro Resistentes, aos Judeus, aosdas diferentes Brigadas, não se estrangeiros e a tantos outros, aspoderiam apaixonar, e todos os condições desumanas existentes nossentimentos em redor do amor eram combois que transportavam asimediatamente “eliminados” pelo pessoas para os campos dechefe da Brigada, que acabaria por concentração na Alemanha e oos trocar de lugar ou até de cidade. sofrimento diário e sentido em todoQualquer pormenor poderia o cidadão comum no mais ínfimocomprometer o secretismo das pormenor do quotidiano, aquandoBrigadas e da Resistência, portanto, da liberdade de expressão e denada poderia correr mal e todos opinião.esses “erros” teriam, Esta é, não só uma história verídica,necessariamente, de ser eliminados. como é também uma história deUma das figuras referidas, milhares de Resistentes que aindaconstantemente, ao longo da obra é hoje lutam por esse Mundo fora. É,o nome de Marcel Langer. Um portanto, uma história de liberdade,jovem comunista polaco, cuja uma história de mais uns “filhos dafamília ver-se-ia obrigada a emigrar liberdade”.para a Palestina por causa dos Ricardo Farinha, 12ºIconstantes ataques à integridadepessoal das políticas e dos actos Ficha técnica:anti-semitas, que acabaria por Colaboraram nesta edição: Prof.ª Lurdes Fonseca, Beatriz Esteves, Joanamorrer na prisão de Saint-Michell Ribeiro, Marisa Carrasqueira, Joana(Toulousse). Todos os elementos da Rodrigues, Rita Antunes, Leonor Neto, Diana35ªBrigada o admiravam devido à Branco, Neuza Amaral, Fernanda António, Miguel Angelo Oliveira, Micaela Ferreira,sua coragem e, por não ser Francês, Bárbara Lourenço, Ana Catarina Serra, Annarepresentava o espírito de união Carolina Luzia, Catarina Lima, Sara Malheiro,entre os diferentes povos. Gonçalo Bonifácio, Vanessa Barros,Esta herança, transmitida de pai Marjolene Serra, Rita Valentim, David Mestre, Guilherme Cerqueira, Joãopara filho (a história é contada com Carrasqueira, Tatiana Costa, Ricardo Farinha.leveza mas com muita emoção, pois, Coordenação: Luísa Lopes 40 PáginasTantas - nº3 – Março de 2010