TEXTO 01 - CRIMES VIRTUAIS                                A autoria dos ataques em massa no Brasil - com exceção do site d...
TEXT0 02 - MEIO AMBIENTE     ENTENDA A POLÊMICA ENVOLVENDO O NOVO CÓDIGO                           Anistia                ...
Após a invasão do Afeganistão por tropas soviéticas em 1979, pai e filho                      TEXTO 03 - BIN LADEN        ...
TEXTO 04 - VAZAMENTO NO GOLFO                                             depois da contenção do vazamento. A Louisiana é ...
TEXTO 05 - TRAGÉDIA NO JAPÃO                               Em 1933, um terremoto de 8,1 de magnitude matou 3 mil pessoas d...
TEXTO 06 - CRISE DOS ALIMENTOS                              Estima-se que até um terço da área cultivável da Terra esteja ...
TEXTO 07 - GADDAFI PODE SER O PRÓXIMO A CAIR                               Nas décadas seguintes, o ditador se tornou inim...
TEXTO 08 - PROTESTOS DERRUBAM DITADORJosé Renato Salatiel*                                                       As lidera...
TEXT0 09 - TENSÃO NO EGITO                               presente em 1981 quando o presidente Anwar Sadat foi morto por   ...
TEXT0 10 - CRISE NA TUNÍSIA                              jasmim" e organizado por meio do Twitter e do Facebook, a exemplo...
TEXT0 11 - TRAGÉDIA NO RIO                               Aquecimento global             O MAIOR DESASTRE NATURAL DO PAÍS  ...
TEXT0 12 - NOVO PAÍS                                  Kosovo  SUDANESES FAZEM REFERENDO PARA DECIDIR SEPARAÇÃO            ...
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  1. 1. TEXTO 01 - CRIMES VIRTUAIS A autoria dos ataques em massa no Brasil - com exceção do site do IBGE, reivindicada pelo grupo Fail Shell - foi atribuída ao coletivo de HACKERS PROMOVEM ONDA DE ATAQUES NO BRASIL hackers LulzSecBrazil, um braço do Lulz Security (ou LulzSec).José Renato Salatiel* O LulzSec se tornou conhecido em maio deste ano. Em dois meses, o grupo realizou ações contra os sites das empresas de videogame SonyO governo brasileiro foi alvo da maior onda de ataques a sites oficiais na e Nintendo, das redes de televisão americanas Fox e PBS, da CIAinternet de sua história. As ações começaram em 22 de junho e (agência de inteligência americana) e do FBI, a polícia federal dosduraram cinco dias. O grupo que assumiu a autoria é o mesmo que Estados Unidos.promoveu nos últimos dois meses os ataques a sites de empresas No Reino Unido, o serviço público de saúde NHS também sofreumultinacionais, da CIA e do FBI nos Estados Unidos. ataques. Dados de mais de 100 milhões de usuários foram divulgadosOs incidentes colocaram o Brasil na mira de uma nova tendência de no Twitter do coletivo. Apenas um suspeito foi preso, o britânico Ryanataques virtuais, de motivação política. Eles também deixaram o Cleary, 19 anos, apontado como um dos líderes do grupo. Ele foigoverno em alerta e mostraram o quanto empresas e Estado estão libertado após pagar fiança.vulneráveis a invasões e roubo de dados sigilosos no país, além de Segundo os integrantes, as incursões foram feitas apenas porabalarem a confiança dos usuários brasileiros em serviços públicos "diversão". Lulz é uma corruptela da sigla LOLs (Laughing Out Loud ouoferecidos na internet. "rindo alto", uma gíria da internet).Foram atingidos os sites da Presidência da República, do Portal Brasil, Especialistas classificam o coletivo como "chapéu cinza", que indicada Receita Federal, da Petrobras e dos ministérios do Esporte e da danos leves aos alvos, em atos encarados como brincadeiras pelosCultura. A página na internet do Instituto Brasileiro de Geografia e autores. Os hackers classificados como "chapéus brancos" apenasEstatística (IBGE) foi outra "vítima" dos hackers. informam as empresas de suas brechas na segurança, enquanto osAo todo, 20 portais do governo federal e 200 sites municipais, "chapéus pretos" ou crackers são considerados criminosos que violamprincipalmente de prefeituras, foram afetados, de acordo com estimativa dados sigilosos para obter lucro.feita pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados). Após 50 dias de atividades, o LulzSec anunciou sua dissolução no diaNa maior parte dos casos, os hackers usaram o método conhecido 26 de junho. Já a variação brasileira do grupo permanece ativa.como DoS (Denial of Service, em português, "negação de serviço"). Ele Segundo o CERT.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento deconsiste em infectar milhares de máquinas com programas robôs para Incidentes de Segurança no Brasil), o país registrou 142. 844 incidentesque façam acessos simultâneos a determinado site ou serviço na rede. no ano passado. Neste ano, de janeiro a março, foram 90.759. OO servidor, que possui um limite de acesso, não consegue responder e número corresponde a um aumento em quase 118% em relação aotrava ou desliga, tirando a página do ar. trimestre anterior e de 220% comparado ao mesmo período em 2010.Neste tipo de ataque não há invasão do computador ou roubo de dados Os casos incluem invasão de servidores, desfiguração de páginas dapessoais. Mas ele pode causar prejuízos a milhares de pessoas que web, fraudes, DoS e outros.dependem dos serviços oferecidos on-line. Sites de governos foramtirados do ar por meio dessa técnica. A maioria das investidas partiu de DIRETO AO PONTO – FICHA RESUMOcomputadores da Itália, para dificultar o rastreamento das autoridades. O governo brasileiro foi alvo da maior onda de ataques a sites oficiais naNa internet, os autores chegaram a divulgar informações pessoais sobre internet de sua história. As ações começaram em 22 de junho. Osfuncionários da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff e do prefeito de incidentes mostraram a fragilidade da segurança de serviços públicosSão Paulo, Gilberto Kassab. As informações, no entanto, eram falsas ou na internet e abalaram a confiança dos usuários.de conhecimento público. Foram atingidos os sites da Presidência da República, do Portal Brasil,Já o site do IBGE sofreu um tipo diferente de hackeamento. A da Receita Federal, da Petrobras, dos ministérios do Esporte e dahomepage (página de abertura) do site foi desfigurada, isto é, foi Cultura e de prefeituras. Os hackers usaram programas robôs parasubstituída por outra, contendo a imagem de um olho humano pintado fazer milhares de acessos simultâneos que tiraram as páginas do ar,como a bandeira do Brasil e um texto com ameaças de novos ataques. num ataque conhecido como DoS (Denial of Service, em português,Neste caso, houve invasão, mas, segundo o órgão, nenhum dado foi "negação de serviço").violado. Neste tipo de ataque não há invasão do computador ou roubo de dadosEm resposta, o governo informou que realizou a manutenção em alguns pessoais. Mas ele pode causar prejuízos a milhares de pessoas queportais, para aumentar a segurança. A Polícia Federal abriu uma dependem dos serviços oferecidos on-line.investigação para tentar identificar e indiciar os responsáveis. O coletivo de hackers LulzSecBrazil assumiu a responsabilidade pelos ataques. O grupo é um braço do Lulz Security, que nos últimos doisWikileaks meses realizou ações contra os sites de empresas e do governo dosOs hackers surgiram nos anos 1960 nos Estados Unidos, associados a Estados Unidos. Os hackers anunciaram a dissolução do grupo em 26uma ideologia libertária que pregava o acesso livre a informações na de junho.internet. Com o tempo, ficaram mais especializados e surgiram os A página na internet do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticachamados crackers, criminosos que invadem os computadores para (IBGE) foi outro alvo dos hackers. A homepage (página de abertura) doroubar senhas de cartões de crédito e outros dados pessoais dos site foi modificada pelo grupo Fail Shell.usuários. Segundo o CERT.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento deO vandalismo na rede cresceu nos anos 1990. Na década seguinte, foi Incidentes de Segurança no Brasil), o país registrou 142. 844 incidentesa vez do aumento dos crimes virtuais. Hoje, há modalidades mais no ano passado. Neste ano, de janeiro a março, foram 90.759.sofisticadas e que envolvem a segurança de países, como a ciberguerrae o ciberterrorismo. *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.Nos últimos meses se intensificaram as ações políticas na rede contrasites de governos. A explicação é a influência do Wikileaks, site do UOL EDUCAÇÃO - 01/07/2011australiano Julian Assange que ficou famoso ao vazar dadosconfidenciais de governos na rede (veja indicação de livro abaixo).Assange cumpre prisão domiciliar no Reino Unido enquanto aguardajulgamento por acusações de crimes sexuais.
  2. 2. TEXT0 02 - MEIO AMBIENTE ENTENDA A POLÊMICA ENVOLVENDO O NOVO CÓDIGO Anistia FLORESTAL O projeto exclui a obrigatoriedade para pequenos proprietários (donosJosé Renato Salatiel* de terras com até quatro módulos fiscais, ou, aproximadamente, de 20 a 400 hectares) de recuperarem áreas que foram desmatadas para plantio ou criação de gado. Para os médios e grandes proprietários sãoEspecial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação mantidos os porcentuais, com a diferença de que eles poderão escolherO Congresso chegou a um impasse na votação do projeto de lei que a área da RL a ser preservada. O dono de uma fazenda em Matoaltera o Código Florestal brasileiro. Os ruralistas defendem as Grosso, por exemplo, poderia comprar terras com vegetação natural emalterações propostas pelo governo, que irão beneficiar os pequenos Minas para atender aos requisitos da lei.agricultores, enquanto os ambientalistas temem o risco de prejuízos ao Para a oposição, há pelo menos dois problemas. Fazendeiros podemmeio ambiente. dividir suas propriedades em lotes menores, registrados em nome deO Projeto de Lei no 1.876/99, elaborado pelo deputado federal Aldo familiares, para ficarem isentos da obrigação de reflorestamento. E,Rebelo (PCdoB), tramita há 12 anos na Câmara dos Deputados, em caso possam comprar reservas em terrenos sem interesse para aBrasília. Ele foi aprovado em julho do ano passado por uma comissão agricultura, poderão criar "bolsões" de terras áridas. A bancada ruralista,especial e colocado em pauta para ser votado no último dia 12 de maio. ao contrário, acredita que a medida vai favorecer produtores que nãoPorém, prevendo uma derrota, a bancada governista retirou o projeto de têm condições de fazer reflorestamento.pauta, que agora não tem prazo definido para voltar ao plenário. O terceiro ponto de discórdia diz respeito à anistia para quem desmatou,O Código Florestal reúne um conjunto de leis que visam à preservação tanto em Áreas de Preservação Permanente quanto em Reserva Legal.de florestas, como limites para exploração da vegetação nativa e a O Código Florestal prevê que serão multados proprietários quedefinição da chamada Amazônia Legal (área que compreende nove desmataram em qualquer época. O texto em debate isenta osEstados brasileiros). O primeiro código data de 1934 e o atual (Lei no produtores de multas aplicadas até 22 de julho de 2008 - data em que4.771), de 1965. entrou em vigor o decreto regulamentando a Lei de Crimes Ambientais.O documento adquiriu maior importância nos últimos anos por conta das Os contrários à proposta acham que a anistia criará precedente que iráquestões ambientais. Ao mesmo tempo, precisa ser atualizado para se estimular a exploração predatória das florestas.adequar à realidade socioeconômica do Brasil.Estima-se que 90% dos produtores rurais estejam em situação irregular Direto ao pontono país, pois não seguiram as especificações do código de 1965. Eles A polêmica em torno do projeto de lei que estabelece o novo Códigoplantam e desmatam em locais proibidos pela legislação. É o caso, por Florestal emperra sua votação na Câmara dos Deputados. De um lado,exemplo, de plantações de uvas e café nas encostas de morros e de os ruralistas defendem as mudanças propostas pelo governo. Do outro,arroz em várzeas, em diversas regiões do país. os ambientalistas apontam riscos do crescimento de florestasPara regularizar a condição dessas famílias, o novo Código Florestal desmatadas e de prejuízos ao meio ambiente. A votação foi suspensapropõe, entre outras mudanças, a flexibilização das regras de plantio à no último dia 12 de maio, sem prazo para voltar à pauta.margem de rios e de reflorestamento. Os ambientalistas, no entanto, O Código Florestal, em vigor desde 1965, reúne um conjunto de leis quecontestam o projeto. Segundo eles, haverá incentivo ao desmatamento visam à preservação das florestas. Porém, ele não foi seguido pelae impactos no ecossistema. maioria dos produtores rurais. Estima-se que 90% estejam emO desafio será equacionar a necessidade de aumentar a produtividade condições irregulares. O principal objetivo das mudanças é regularizar aagrícola no país e, ao mesmo tempo, garantir a preservação ambiental. situação desses produtores. Os três principais pontos em discussão são:Pontos de discórdia APPs (Áreas de Preservação Permanente): são áreas de vegetaçãoEntre os principais pontos polêmicos do novo Código Florestal estão os nativa nas margens de rios e encostas de morros que devem serreferentes às APPs (Áreas de Preservação Permanente), à Reserva preservadas. O projeto prevê uma diminuição da faixa mínima a serLegal (RL) e à "anistia" para produtores rurais. mantida pelos produtores rurais e a permissão de determinadas culturas em morros.Áreas de Preservação Permanente são aquelas de vegetação nativaque protege rios da erosão, como matas ciliares e a encosta de morros. RL (Reserva Legal): são trechos de vegetação nativa localizados dentroO Código Florestal de 1965 determina duas faixas mínimas de 30 de propriedades rurais. As mudanças na lei beneficiam pequenosmetros de vegetação à margem de rios e córregos de até 10 metros de proprietários, que ficarão isentos de reflorestar áreas desmatadas.largura. A reforma estabelece uma faixa menor, de 15 metros, para Anistia: o novo Código propõe suspender a multa e sanções aplicadas acursos dágua de 5 metros de largura, e exclui as APPs de morros para proprietários rurais até 22 de julho de 2008 - data em que entrou emalguns cultivos. vigor o decreto regulamentando a Lei de Crimes Ambientais.Entidades ambientalistas reclamam que a mudança, caso aprovada,aumentará o perigo de assoreamento e afetará a fauna local (peixes e *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.anfíbios), além de incentivar a ocupação irregular dos morros, inclusive UOL EDUCAÇÃO - 20/05/2011em áreas urbanas. Já os ruralistas acreditam que a alteração vai ajudarpequenos produtores, que terão mais espaço para a lavoura.Um segundo ponto diz respeito à Reserva Legal, que são trechos demata situados dentro de propriedades rurais que não podem serdesmatados. Cerca de 83 milhões de hectares estão irregulares noBrasil, segundo a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso daCiência).A lei determina que todo dono de terreno na zona rural deve manter avegetação nativa em proporções que variam de acordo com o bioma decada região. Na Amazônia é de 80%, no cerrado, 35%, e nas demaisregiões, 20%.
  3. 3. Após a invasão do Afeganistão por tropas soviéticas em 1979, pai e filho TEXTO 03 - BIN LADEN receberam apoio da CIA, o serviço secreto americano, para combater os comunistas. A Al Qaeda foi fundada por Bin Laden em 1988, um ano MORRE O TERRORISTA MAIS PROCURADO DO MUNDO antes da retirada dos soviéticos do território afegão.Em 1989, oJosé Renato Salatiel* terrorista retornou ao país de origem. Com o início da Guerra do Golfo (Kuwait), em 1991, ele criticou a monarquia saudita por abrigar soldadosOsama bin Laden, responsável pelo maior ataque terrorista em solo americanos no país durante a guerra contra Saddam Hussein. Ele entãonorte-americano, foi morto no último domingo (1º. de maio) por forças fugiu para o país vizinho, o Sudão, onde passou a financiar campos deespeciais da Marinha dos Estados Unidos. Ele estava escondido em treinamento de terroristas. A pressão de Washington o levou a seruma cidade próxima à Islamabad, capital do Paquistão. O saudita, de 54 expulso do país africano e buscar abrigo no Afeganistão.anos, era o homem mais procurado no mundo. Em 7 de agosto de 1998 Bin Laden foi responsabilizado pelo ataqueA morte de Bin Laden foi anunciada pelo presidente norte-americano contra embaixadas norte-americanas na Tanzânia e no Quênia, queBarack Obama a poucos meses do aniversário de dez anos dos deixaram 224 mortos e milhares de feridos. Por conta disso, no anoatentados de 11 de setembro de 2001. seguinte ele foi incluído na lista do FBI das dez pessoas maisDe acordo com a Casa Branca, o líder da Al-Qaeda resistiu à prisão e procuradas do mundo.foi baleado na cabeça e no peito. O corpo foi lançado ao mar após um Em 11 de setembro de 2001, terroristas sequestraram quatro aviõesritual religioso feito conforme a tradição islâmica. O motivo do americanos de passageiros. Dois deles foram jogados contra as torressepultamento no oceano seria o fato de que dificilmente algum país gêmeas do World Trade Center em Nova York, e outro sobre oaceitaria receber os restos mortais do terrorista para um funeral. Pentágono, em Washington. A quarta aeronave, a United Flight 93, caiuO anúncio da morte do terrorista foi comemorado em Nova York e em no interior da Pensilvânia depois que os passageiros reagiram e lutaramWashington, cidades alvos dos ataques do 11 de setembro. O governo contra os agressores. Cerca de 3.000 pessoas morreram nos ataques.dos Estados Unidos decretou alerta máximo em bases militares e para A Al Qaeda foi responsabilizada pelos atentados e Bin Laden se tornouviagens turísticas, em vista de eventuais retaliações de radicais o terrorista mais procurado em todo o mundo. Outras dezenas de crimesislâmicos. foram reivindicadas pela rede terrorista, entre eles os atentados aos trens de Madri, em 2004, e ao metrô londrino, em 2005. Desde então,As consequências da morte de Bin Laden, porém, ainda são incertas. Bin Laden só aparecia em vídeos gravados, em que fazia ameaça deOs seguidores do extremista em todo mundo poderão se unir em torno novos ataques.de sua figura de mártir, ou então, o fim da caçada ao terrorista poderáabreviar o término da guerra no Afeganistão, iniciada para promover sua No entanto, as revoluções árabes em curso em países como Líbia,captura e de outros líderes da Al Qaeda. Egito, Iêmen e Síria mostraram que o mundo islâmico vislumbra um futuro mais democrático, onde o extremismo religioso perde força e aO que é certo, dizem os analistas, é que o episódio não foi o capítulo herança de Bin Laden se torna cada vez mais desbotada.final da luta contra o terrorismo globalizado. DIRETO AO PONTONos últimos anos, Bin Laden exercia uma influência mais simbólica doque efetiva no comando da Al Qaeda. Os esforços por sua captura o Osama bin Laden foi morto no último domingo (1º. de maio) por forçasobrigavam a viver em esconderijos e com poucos contatos. Na prática, o especiais da Marinha dos Estados Unidos. Ele estava escondido emegípcio Ayman al-Zawahiri, sucessor de Bin Laden, responderia pelo uma cidade próxima à Islamabad, capital do Paquistão. O saudita, de 54controle da rede terrorista. Al-Zawahiri ocupa o segundo lugar na lista anos, era o homem mais procurado no mundo e responsável pelo maiordos mais procurados do governo norte-americano. ataque terrorista cometido em solo americano.Paquistão A morte de Bin Laden foi anunciada pelo presidente norte-americano Barack Obama a poucos meses do aniversário de dez anos dosBin Laden estava escondido em uma mansão na cidade de Abbottabad, atentados de 11 de setembro de 2001. Ele foi morto com dois tiros, nalocalizada a cerca de 50 km da capital paquistanesa. A cidade abriga a cabeça e no peito, e teve o corpo sepultado no mar. O fim do terroristaprincipal academia militar do país. Ele estaria refugiado no país há pelo foi comemorado nos Estados Unidos, que entrou em alerta contramenos cinco anos. eventuais retaliações da Al Qaeda.Outras quatro pessoas ? entre elas um dos filhos de Bin Laden ? foram A operação militar provocou uma tensão diplomática entre Estadosmortas na operação, que contou com 20 militares do Seals (forças Unidos e Paquistão. O governo paquistanês só soube da invasão àespeciais da Marinha norte-americana). Os militares invadiram a fortaleza do líder terrorista após o término da ação, enquanto osfortaleza em dois helicópteros, numa ação que durou cerca de 40 americanos questionaram a ignorância do paradeiro do saudita porminutos. parte dos paquistaneses.Autoridades paquistanesas só ficaram sabendo da operação militarapós seu término, numa clara violação da soberania do país asiático. O As consequências da morte de Bin Laden, porém, ainda são incertas.atrito diplomático entre as duas nações foi alimentado por Há anos, sua influência sobre a Al Qaeda era mais simbólica do quedesconfianças, por parte dos americanos, de que o terrorista tenha tido efetiva. As revoltas em países árabes, porém, apontam para um destinoapoio de pessoas ligadas ao governo do Paquistão. mais democrático para o mundo muçulmano, bem distante dos ideais do terrorista morto.HitlerO plano de Bin Laden era recriar o Império Otomano, a única potênciamuçulmana a desafiar o Ocidente entre os séculos 15 e 17. O que ele *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.conseguiu foi redefinir o terrorismo no século 21, que se tornouglobalizado, e entrar para o imaginário dos americanos como aencarnação do mal, do mesmo modo que Hitler no século passado.Bin Laden nasceu em Riad, na Arábia Saudita, em 10 de março de1957. Era um dos 52 filhos de Muhamad Bin Laden, um camponês quese tornou magnata da construção civil e que usou sua fortuna parafinanciar uma "guerra santa" contra as duas superpotências militares doséculo 20, os Estados Unidos e a antiga União Soviética.
  4. 4. TEXTO 04 - VAZAMENTO NO GOLFO depois da contenção do vazamento. A Louisiana é o maior Estado produtor de camarões nos Estados Unidos.UM ANO DEPOIS, ECOSSISTEMA SE RECUPERA IndústriaJosé Renato Salatiel Em janeiro deste ano, um relatório da comissão presidencial que investigou o vazamento recomendou ao Congresso americano queNo aniversário de um ano do acidente que causou o pior vazamento de aprove novas regulamentações para o setor de exploração de petróleopetróleo da história dos Estados Unidos, estudos feitos pelo governo em águas profundas.norte-americano e por cientistas independentes chegaram a duas De acordo com o relatório, a explosão na plataforma ocorreu, em parte,conclusões: a natureza se recuperou mais rápido do que o esperado e, por causa de falhas na regulamentação da indústria petrolífera. Oapesar disso, a extensão real dos danos ao meio ambiente levará anos documento dizia ainda que, a menos que sejam feitas mudanças, outropara ser conhecida. acidente ocorreria.Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater As companhias contra-argumentaram que a adoção de novas medidasHorizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11 de segurança, além de desnecessária, aumentaria o custo da produçãofuncionários. Dois dias depois, a plataforma afundou a do minério.aproximadamente 80 quilômetros da costa da Louisiana, sul dosEstados Unidos. A BP, empresa que administrava a plataforma onde houve a explosão, criou um fundo de US$ 20 bilhões (R$ 31,8 bilhões) para pagarO petróleo começou a vazar da tubulação rompida a 1,5 quilômetros da indenizações a milhares de famílias e empresários prejudicados pelosuperfície do mar, formando uma enorme mancha próximo ao litoral. acidente que recorreram à Justiça.Durante 86 dias vazaram 4,9 milhões de barris de petróleo cru, além degás natural e dispersantes químicos no norte do Golfo do México. Foram feitas mais de 500 mil reclamações de diversos Estados, sendoA quantidade é maior que o vazamento do navio petroleiro Exxon que 200 mil pessoas já foram ressarcidas em sete meses, 135 milValdez, ocorrido no Alasca em 24 de março de 1989, até então aguardam liberação do dinheiro e o restante foi negado por falta deconsiderado o mais grave. Na ocasião, foram espalhados entre 250 e provas. As indenizações pagas deixaram alguns empresários e750 mil barris de petróleo cru no mar, provocando a morte de milhares comerciantes milionários, enquanto alguns pescadores ainda enfrentamde animais. dificuldades para sobreviver.O desastre no Golfo também afetou a economia local, prejudicando a No dia 20 de março deste ano, o governo dos Estados Unidos autorizouindústria pesqueira, o comércio e o turismo na região. Estima-se que a primeira perfuração de um novo poço de petróleo no Golfo do México.três mil pessoas perderam o emprego, num cenário já abalado pela A exploração havia sido suspensa desde o acidente e o fim da moratóriacrise financeira de 2008. só foi decretado em outubro de 2010 por pressão da indústria e das cidades afetadas, que precisavam se recuperar do prejuízo econômico.Sucessivas falhas nas tentativas de conter o vazamento desgastaram opresidente Barack Obama, que iniciava seu segundo ano de mandato.O vazamento só foi contido pela BP em 15 de julho, três meses depois FICHA RESUMOdo acidente. Um ano depois do acidente que causou o pior vazamento de petróleo daA imagem do pelicano-marrom, ave símbolo do Estado de Louisiana, história dos Estados Unidos, estudos apontam que a natureza secoberto de óleo, foi uma das mais representativas da catástrofe recuperou mais rápido do que o esperado, mas que, apesar disso,ambiental. Milhares de animais, aves, peixes, crustáceos, corais e levará anos para se saber a real extensão dos prejuízos causados aooutras espécies da fauna marinha morreram nos meses seguintes à meio ambiente.tragédia. Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11Limpeza funcionários e liberou 4,9 milhões de barris de petróleo cru no norte do Golfo do México. O vazamento durou 86 dias.Passado um ano, amostras de água colhidas pelo governo e porcientistas indicam que a maior parte da mancha negra na superfície foi O desastre no Golfo também afetou a economia, prejudicando aremovida por equipes de limpeza, espalhada pelas marés ou consumida indústria pesqueira, o comércio e o turismo na região. A BP criou umpor bactérias marinhas. A limpeza da costa litorânea, dizem fundo de US$ 20 bilhões para indenizar comerciantes e pescadores. Aespecialistas, aconteceu de um modo muito mais rápido do que o demora na contenção do vazamento desgastou o presidente Barackprevisto, contrariando prognósticos mais pessimistas. Obama, que prometeu rever a regulamentação e decretou moratória no setor.Apesar disso, estima-se que entre 11% e 30% do produto ainda estejapresente no ecossistema, parte dele no fundo do mar e nos pântanos, Passado um ano, amostras de água colhidas pelo governo e poronde é difícil de ser visualizado. cientistas indicam que a maior parte da mancha negra foi removida pelo homem e pela própria natureza, contrariando os prognósticos maisTambém se desconhece o impacto total da contaminação da vida pessimistas. Mas ainda resta produto acumulado no fundo do mar e sãomarinha, especialmente de micro-organismos que estão na base da desconhecidas as consequências para a fauna marinha nos próximoscadeia alimentar de outras espécies. A contaminação se deve não anos.somente pelos produtos químicos que vazaram da plataforma, comotambém pelo dispersante Corexit 950, usado pela empresa para diluir amancha de petróleo na superfície do oceano. 22/04/2011 UOL EDUCAÇÃOPescadores da região são céticos quanto aos relatórios oficiais. Eles *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.temem que as consequências do vazamento sobre larvas de camarõese de crustáceos só irão aparecer nas próximas estações de pesca. Oque é certo, entretanto, é que os cientistas terão anos de estudos pelafrente.Na época do acidente, a pesca comercial e recreativa foi proibida. Omotivo era proteger a população do consumo de moluscoscontaminados com componentes cancerígenos do petróleo. A pesca emalto mar começou a ser liberada em agosto do ano passado, um mês
  5. 5. TEXTO 05 - TRAGÉDIA NO JAPÃO Em 1933, um terremoto de 8,1 de magnitude matou 3 mil pessoas de Tóquio e cidades próximas. No mais mortífero, em 17 de janeiro de TREMOR ARRASA CIDADES E PROVOCA CRISE NUCLEAR 1995, 6.424 pessoas morreram na região de Kobe-Osaka. Os abalosJosé Renato Salatiel atingiram 7,2 graus na escala Richter. Por esta razão, todas as construções japonesas são feitas comUm terremoto de 9 graus na escala Richter, o mais forte já registrado no tecnologia moderna de engenharia civil. A população também recebeJapão, causou um tsunami que devastou a costa nordeste do país no treinamento específico para se proteger em caso de terremotos edia 11 de março. Ondas de até 10 metros de altura arrastaram tudo que tsunamis. Tais medidas preventivas e alertas de segurança contribuíramencontravam pela frente – navios, barcos, carros, casas e pessoas. para evitar que o número de morte e os prejuízos fossem maiores nesteO número de mortos chega a mais de 4 mil, a maioria na província de último tremor de terra.Miyagi, localizada próximo ao epicentro. Outras 9.083 continuamdesaparecidas. Cidades inteiras foram destruídas. Em outras Dekasseguislocalidades, faltam água, luz, alimentos e combustível. Estima-se em bilhões de dólares o montante gasto com a recuperaçãoO tsunami também danificou as instalações de usinas nucleares. No das cidades. A tragédia pegou os japoneses em um momentocomplexo de Fukushima Daiichi, uma das 25 maiores usinas do mundo, econômico difícil. Depois de três décadas de crescimento, contando aem quatro dias ocorreram três explosões na estrutura que abriga os partir dos anos 1960, há 15 anos a economia japonesa está estagnada.reatores. O país acumula hoje uma dívida líquida que corresponde a 180% doO acidente elevou uma nuvem radioativa que obrigou a retirada PIB (no Brasil, a porcentagem é de 41%). No ano passado, o Japão foiemergencial de 200 mil moradores da região. A população de Tóquio, ultrapassado pela China como a segunda maior economia mundial,capital, está assustada com a possibilidade dos ventos espalharem a posição que ocupava desde 1968.radioatividade para o restante do país. A exposição prolongada à O Brasil e o Japão possuem uma longa história de intercâmbio, comradiação causa mutação celular e câncer. fluxos migratórios de ambos os lados. Os primeiros imigrantesCientistas alertaram para o risco de um acidente nuclear como o japoneses chegaram ao país em 1908 no navio Kasato Maru. Desdeocorrido em Tchernobil, na Ucrânia, em 1986. Na época, a radiação se então, formou-se a maior comunidade de japoneses e descendentesespalhou pela Europa, matando milhares de pessoas e contaminando o que vivem fora do país de origem.solo. Foi o pior desastre nuclear da história. No final dos anos 1980, foi a vez de descendentes brasileirosA diferença é que, no caso de Tchernobil, houve explosão no reator emigrarem para o Japão, em busca de melhores oportunidades denuclear, liberando partículas radioativas na atmosfera. No Japão, os emprego.problemas foram causados pela falha no sistema de resfriamento dos Hoje os dekasseguis (trabalhador imigrante) de origem brasileirareatores, que geram energia elétrica a partir do urânio. compõem o maior contingente no Japão. A região atingida porDesde então, as equipes tentam impedir o derretimento do núcleo dos terremoto, porém, é o destino menos usual desses trabalhadores. Atéreatores, o que causaria uma catástrofe atômica. agora, não há registro de brasileiros mortos na tragédia.O Japão usa energia nuclear há quatro décadas, sem nunca terregistrado acidentes. São 55 reatores em operação em 17 usinas que, FICHA RESUMOjuntas, são responsáveis pela geração de um terço da energia elétricaconsumida no território japonês. Um terremoto de 9 graus na escala Richter, o mais forte já registrado no Japão, causou um tsunami que devastou a costa nordeste do país noEm comparação, o Brasil possui duas usinas em funcionamento, Angra dia 11 de março. Ondas de até 10 metros de altura arrastaram cidades1 e Angra 2, ambas situadas na cidade de Angra dos Reis, no litoral sul e deixaram 4,3 mil mortos e milhares de desaparecidos.do Rio de Janeiro. O complexo gera apenas 2,5% da eletricidadeconsumida no país. O tremor também provocou explosões na estrutura de reatores nucleares no complexo de Fukushima Daiichi, uma das 25 maioresAs catástrofes combinadas – terremoto, tsunami e vazamento radioativo usinas do mundo. O acidente elevou uma nuvem radioativa que obrigou– formam a pior crise enfrentada pelos japoneses desde o final da o deslocamento de 200 mil moradores das comunidades próximas. ASegunda Guerra Mundial (1939-1945), quando a população sofreu um energia nuclear no Japão responde por um terço do abastecimento debombardeio atômico. energia elétrica no país. O terremoto no Japão é o quinto mais forte desde 1900, quandoAbalos começaram os registros mais confiáveis. O pior aconteceu em 22 deO terremoto no Japão é o quinto mais forte desde 1900, quando maio de 1960, no Chile, com magnitude de 9,5.começaram os registros mais confiáveis. O pior aconteceu em 22 de O Japão está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico", quemaio de 1960, no Chile, com magnitude de 9,5. concentra as maiores atividades sísmicas do mundo. A tecnologiaMais recentemente, em 26 de dezembro de 2004, um terremoto de 9,1 empregada na construção dos prédios e as medidas preventivasna escala Richter na ilha de Sumatra, na Indonésia, causou um tsunami evitaram que a catástrofe fosse maior.que matou 230 mil pessoas em 14 países do sudeste asiático. O Brasil e o Japão possuem uma longa história de intercâmbio, comOs tremores de terra são provocados pelo movimento de placas fluxos migratórios de ambos os lados. O Brasil tem a maior comunidadetectônicas na superfície terrestre. Quando os terremotos acontecem no japonesa fora da pátria, e no Japão, o maior número de dekasseguismar, como no caso desse no Japão, o leito do oceano sofre uma (trabalhadores imigrantes) são de brasileiros.elevação, deslocando um grande volume de água que forma uma sériede ondas gigantes. 17/03/2011 - UOL EDUCAÇÃOO Japão está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico", que *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.inclui Filipinas, Indonésia e países menores. A região concentra asmaiores atividades sísmicas do mundo.Um total de 20% de todos os tremores de magnitude superior a 6 queacontecem no mundo afetam o Japão. Todos os dias o país é abaladopor sismos, a maioria deles imperceptíveis para os habitantes.
  6. 6. TEXTO 06 - CRISE DOS ALIMENTOS Estima-se que até um terço da área cultivável da Terra esteja sendo perdida pela erosão do solo, que não consegue se recuperar ENTENDA OS DESAFIOS PARA ALIMENTAR A POPULAÇÃO naturalmente a tempo da próxima colheita. Por isso, países como o Haiti MUNDIAL e Coreia do Norte, com problemas sérios de erosão de solo cultivável,José Renato Salatiel* dependem de ajuda externa para alimentar a população.Qualquer dona-de-casa sabe que os alimentos estão mais caros. Mas o Por outro lado, há o esgotamento dos recursos hídricos do planeta. Aque os gastos do brasileiro no supermercado têm a ver com protestos situação é crítica no Oriente Médio, cuja escassez de fontes de águano Oriente Médio, a indústria de biocombustível nos Estados Unidos e o deve levar, nos próximos anos, à dependência da importação de grãosaquecimento global? em países como a Arábia Saudita. A água mais escassa e mais cara vaiTodos estes fatores estão ligados à crise dos alimentos, um fenômeno aumentar os custos da produção de alimentos.mundial que foi parar no topo da lista de preocupações dos países Por último, as mudanças no clima no planeta acarretaram ondas dedesenvolvidos. O motivo é que, neste começo de 2011, o preço dos calor, seca e inundações que prejudicaram a colheita em países comogêneros alimentícios atingiu o pico pela segunda vez em menos de Rússia, Ucrânia, Austrália e Paquistão em 2010. Agora, a seca ameaçaquatro anos. destruir a safra de trigo da China, a maior do mundo.Na outra vez, entre 2007 e 2008, milhares de pessoas atravessaram alinha que separa a pobreza da miséria. Houve protestos em países da Nove bilhõesÁfrica e da Ásia. As causas foram praticamente as mesmas da criseatual: aumento do número de consumidores, alta do barril de petróleo, As consequências do aumento do preço dos alimentos já são sentidasqueda do dólar (os alimentos são cotados no mercado internacional em em todo o mundo. Segundo o Banco Mundial, no segundo semestre dodólar) e mudanças climáticas. ano passado 44 milhões de pessoas caíram abaixo do limite da pobreza (pessoas que vivem com US$ 1,25 dólar por dia).Na verdade, a crise dos alimentos é fruto do desequilíbrio na relaçãoeconômica entre oferta e procura. Há uma diminuição na oferta de A crise afeta principalmente países pobres e dependentes daprodutos e uma maior procura, o que encarece a mercadoria. Imagine exportação de alimentos. Mas também está por trás da maior onda deque uma safra de tomates seja perdida devido a enchentes. E que a manifestações ocorridas no Oriente Médio, que derrubou ditadores dademanda pelo produto tenha crescido. Com menos tomates no mercado Tunísia e Egito e que agora, ameaça o regime na Líbia.e mais gente querendo comprar, os comerciantes irão cobrar mais caro O fim da comida barata vai coincidir com a explosão populacional. Entrepelos estoques. 2011 e 2012, a população mundial deve atingir 7 bilhões. Para 2050,Mas quais são as causas desse desequilíbrio na economia mundial dos serão 9 bilhões de pessoas na Terra.alimentos? Por conta disso, as potências incluíram a alta dos alimentos na lista de suas preocupações, junto com as finanças mundiais. O assunto foi parar no topo da agenda do G20 (grupo formado pelas 19 maiores economiasCarros x pessoas mais a União Europeia). Os líderes discutem medidas como pacotes deDo lado da demanda, há um constante aumento do consumo de estímulo à agricultura.alimentos. Isso ocorre por dois fatores principais. O desafio de alimentar a população nas próximas quatro décadas vaiPrimeiro, o crescimento da população mundial, que hoje é de 6,9 exigir política, tecnologia e, sobretudo, mudanças de hábitos dasbilhões. Apesar do número de habitantes do planeta ter registrado uma sociedades modernas.queda de 1,2% no ano passado, ele quase dobrou desde os anos 1970.E, para as próximas quatro décadas, estima-se 80 milhões de bocas amais para alimentar a cada ano. FICHA RESUMOEm segundo lugar, aumentou também o consumo de alimentos – grãos, Neste começo de 2011, os preços dos gêneros alimentícios atingiram ocarnes, leite e ovos – em países em desenvolvimento, como a Índia e o pico pela segunda vez em menos de quatro anos. Na outra crise, entreBrasil. Na China, por exemplo, o consumo de carne é quase o dobro 2007 e 2008, milhares de pessoas atravessaram a linha que separa ados Estados Unidos. E, para produzir carne, são necessários grãos (oito pobreza da miséria.quilos de grãos para cada quilo de carne bovina). A crise dos alimentos é fruto do desequilíbrio na relação econômicaAlém disso, a elevação do preço do barril de petróleo estimulou os entre oferta e procura. Há uma redução na oferta de produtos e umainvestimentos em biocombustíveis. Nos Estados Unidos, da colheita de maior procura, o que encarece as mercadorias.416 milhões de toneladas grãos em 2009, 119 milhões de toneladas Os principais fatores que geraram este desequilíbrio, do lado daforam destinados a destilarias de etanol, para produzir combustível para demanda, sãocarros. A quantia seria o suficiente para alimentar 350 milhões de --Crescimento da população mundial, que hoje é de 6,9 bilhões.pessoas durante um ano. No Brasil, o etanol é produzido com cana-de- --Aumento do consumo de alimentos em países em desenvolvimento.açúcar.Com isso, aumentaram os preços do milho e da ração e, --Elevação do preço do barril de petróleo, que estimulou osconsequentemente, dos produtos bovinos e suínos, uma vez que os investimentos em biocombustíveis a base de grãos.animais também comem ração a base de milho. E o efeito dominó E, no lado da ofertaatinge outros alimentos, como a soja, já que os agricultores plantam --Limites de recursos naturais (terra e água)milho no lugar da soja, para atender as indústrias. --Mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.A demanda por combustível alternativo, a base de milho ou vegetais, Como consequência, a crise dos alimentos provocouvem ainda reduzindo ano após ano as terras destinadas à plantação dealimentos na Europa, além de incentivar a devastação de florestas --A queda de 44 milhões de pessoas abaixo do limite da pobreza (US$tropicais na Ásia. 1,25 dólar por dia) --Protestos no Oriente Médio e Norte da África, que já derrubara dois ditadores.Oriente Médio Por isso, as potências mundiais discutem soluções como pacotes deNo lado da oferta, há duas razões principais para a crise: os limites dos estímulo à agricultura e implementação tecnológica.recursos naturais e as mudanças climáticas provocadas peloaquecimento global. 04/03/2011 - UOL EDUCAÇÃO *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário
  7. 7. TEXTO 07 - GADDAFI PODE SER O PRÓXIMO A CAIR Nas décadas seguintes, o ditador se tornou inimigo do Ocidente, comparável ao iraquiano Saddam Hussein. Nos últimos anos,José Renato Salatiel* entretanto, conseguiu se reaproximar das potências ocidentais.Muammar Gaddafi é considerado o pior ditador no mundo árabe. Ele Terrorismoestá há 41 anos no poder – é o mais longevo entre os governantes – enão hesitou em usar as Forças Armadas para reprimir protestos, que Gaddafi ficou conhecido pelo jeito extravagante de se vestir, ossão proibidos na Líbia. discursos incoerentes e a habilidade diplomática. Nos anos 1980, foi monitorado pelos serviços de inteligência por ligações com gruposAgora, cada vez mais isolado, ele pode ser o próximo líder muçulmano terroristas.a deixar o cargo por conta das manifestações pró-democracia que seespalharam pela África do Norte e o Oriente Médio. O movimento já O governo da Líbia foi responsabilizado por atentados na Europa e noderrubou dois presidentes, da Tunísia e do Egito, em menos de dois Oriente Médio. O mais conhecido foi o ataque à bomba no voo da Panmeses. Am sobre Lockerbie, na Escócia, que matou 270 pessoas em 1988.A queda de ditadores é algo inédito na história da região. Os países Dois anos antes, em 1986, o ex-presidente americano Ronald Reaganárabes são governados por monarquias ou ditaduras. O aumento no (que chamou Gaddafi de "cachorro louco”) autorizou um ataque aéreo àpreço dos alimentos, o desemprego e a insatisfação dos jovens deram capital Trípoli. A investida ocorreu em represália a um atentado contrainício às revoltas por abertura política. Os levantes chegaram a Bahrein, uma discoteca em Berlim Ocidental, que matou dois militaresMarrocos, Iêmen, Jordânia, Irã e Arábia Saudita. americanos. Entre os mortos no ataque à Trípoli estava a filha adotiva de Gaddafi.Na Líbia, o governo reagiu com violência. Quase 300 pessoas morreramem conflitos com forças de segurança desde o dia 16 de fevereiro. O Depois do 11 de Setembro, Gaddafi passou a colaborar com osditador líbio chegou a usar aviões e tanques contra as multidões. americanos na guerra contra o terrorismo. Em 2003, ele assumiu a autoria do atentado de Lockerbie e pagou uma indenização bilionária àsOs protestos começaram após a prisão de um advogado ligado à causa famílias das vítimas.dos Direitos Humanos. O maior foco dos distúrbios é Benghazi, segundamaior cidade, localizada na região leste. A estratégia visava suspender as sanções impostas pela ONU. Deu certo. Nos últimos anos, Trípoli reatou legações diplomáticas eA cada dia a situação fica mais difícil para Gaddafi. Dentro do país, os comerciais com a Europa e dos Estados Unidos, atraindo investidoresrevoltosos assumiram o controle de cidades no leste. Na região estrangeiros. A crise atual mudou o panorama. Os governos ocidentaisnordeste, militares aderiram à "revolução do povo". No exterior, a agora pedem a saída do ditador e fazem a retirada em massa depressão diplomática é a cada vez maior para que ele deixe o poder. estrangeiros.Em um pronunciamento raivoso na TV, em 21 de fevereiro, o líder líbio,de 68 anos, desafiou os revoltosos e disse que iria “morrer como ummártir”. Antes, seu filho Saif al-Islam advertiu para o risco de guerra civil. FICHA RESUMONo dia 22 de fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU condenou o Os protestos pró-democracia que se espalharam pelo mundo árabeuso da violência contra manifestantes na Líbia e pediu a ameaçam agora derrubar o ditador líbio Muammar Gaddafi. Quase 300responsabilização dos culpados. A decisão deve ser seguida se novos pessoas já morreram desde o início das manifestações na Líbia.embargos contra o regime. Gaddafi, porém, está cada vez mais isolado. Ele enfrenta deserções em seu Exército e a pressão internacional para que deixe o cargo, que ocupa há 41 anos.Petróleo No último dia 22 de fevereiro, o Conselho de Segurança da ONUA Líbia é um país rico em petróleo. É o quarto maior produtor da África, condenou o uso da violência contra os líbios. Em pronunciamento nadepois da Nigéria, Argélia e Angola, com reservas estimadas em 42 TV, Gaddafi disse que “morreria como um mártir”, e ameaçou reprimirbilhões de barris (para efeito de comparação, as reservas brasileiras os manifestantes.são de 14 bilhões de barris). A maior parte da produção é exportadapara a Europa. A Líbia é o quarto maior produtor de petróleo na África e tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente. A riqueza,O país, de 6,4 milhões de habitantes (equivalente à população do Rio contudo, não é bem distribuída entre a população.de Janeiro), tem ainda o maior Índice de Desenvolvimento Humano(IDH) da África. A riqueza, porém, não é bem distribuída entre a Gaddafi chegou ao poder em 1969 por meio de um golpe de Estado.população. A despeito das melhorias em relação ao período anterior à Nos anos 1980, financiou grupos terroristas, sofreu bombardeioGaddafi, um terço vive na pobreza e a taxa de desemprego é de cerca americano e sanções da ONU. Na última década, se reaproximou dosde 30%. Esse é um dos principais motivos dos protestos. Estados Unidos e da Europa. A atual crise no país mudou a situação favorável do país junto ao Ocidente.A Líbia foi província romana, domínio do Império Otomano e colôniaitaliana. Após a Segunda Guerra Mundial, o território foi repartido entre As revoltas árabes já derrubaram dois presidentes – na Tunísia e noa França e o Reino Unido. Em 1º de janeiro de 1952, a ONU aprovou a Egito – e chegaram à Bahrein, Marrocos, Iêmen, Jordânia, Irãindependência, reunindo os territórios no Reino Unido da Líbia. O emir Arábia Saudita.Sayyid Idris al-Sanusi foi coroado rei Idris I, primeiro e único monarca agovernar a nação. 25/02/2011 - UOL EDUCAÇÃONos anos seguintes, Estados Unidos e Reino Unido instalaram bases *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.militares em solo libanês. Mas a descoberta de petróleo levou o governoa pedir a retirada das tropas estrangeiras. O minério também mudou operfil econômico e social do país, que até então era um dos mais pobresdo continente africano.Um golpe de Estado depôs a monarquia em 1º de setembro de 1969,sem derramamento de sangue. Gaddafi, com apenas 27 anos, assumiuo comando. Até hoje, a Líbia não tem Constituição ou partidos políticos,e a oposição é proibida.
  8. 8. TEXTO 08 - PROTESTOS DERRUBAM DITADORJosé Renato Salatiel* As lideranças jovens, por outro lado, resistem à alternativa de um Estado mulçumano. Por isso, há chances de que, após a queda dos ditadores, haja uma inédita transição democrática nestes países, comoDepois de 18 dias de manifestações populares, o presidente egípcio vem ocorrendo na Tunísia.Hosni Mubarak renunciou ao cargo no dia 11 de fevereiro de 2011,encerrando três décadas de ditadura. O feito, considerado histórico, foicomemorado em todo o mundo. FuturoO Egito é o mais populoso e influente país árabe. Nunca antes um A saída de Mubarak não resolveu os problemas no Egito. Os protestosgovernante havia sido deposto por força de um movimento popular. A prejudicaram a já debilitada economia, baseada no petróleo e noprimeira vez que isso aconteceu no mundo árabe foi na Tunísia, em 14 turismo. Várias categorias continuam em greve por melhores salários.de janeiro. Na ocasião, o presidente Zine El Abidine Ben Ali também Além disso, décadas de ditadura deixaram um vazio político no país,cedeu aos protestos e renunciou, após 23 anos no poder. com ausência de lideranças políticas para disputar eleições livres. UmRapidamente, a onda de protestos pró-democracia se espalhou por movimento influente entre as camadas mais pobres é a Irmandadeoutros países do Norte da África e do Oriente Médio. Os especialistas, Mulçumana, de caráter religioso, que representará risco ao Ocidenteentretanto, eram céticos quando à possibilidade de queda do ditador (sobretudo a Israel) caso conquiste espaço no novo governo. Aegípcio. Isso porque o Egito possui o maior aparato policial da região, irmandade, fundada em 1928, é o grupo fundamentalista islâmico maisfinanciado pelos Estados Unidos. antigo.Porém, os manifestantes desafiaram o toque de recolher imposto pelas Outra questão em aberto é o peso que a queda de Mubarak vaiautoridades e transformaram a praça Tahrir (libertação, em árabe), provocar nos países vizinhos. Nos últimos dias, manifestaçõeslocalizada no centro do Cairo, num monumento de resistência ao ganharam força no Iêmen, na Argélia, na Líbia e em Bahrein, no Golforegime. No local, eles confrontaram a polícia e simpatizantes de Pérsico.Mubarak. Mais de 300 pessoas morreram em duas semanas de No Irã, voltaram a ocorrer protestos, mesmo com a proibição dodistúrbios. governo. Em 2009, o regime iraniano reprimiu com violência protestosO presidente tentou de todas as formas evitar a renúncia. Ele prometeu contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.que não iria concorrer às próximas eleições, marcadas para setembro, Alguns países anunciaram medidas econômicas, em benefício datrocou o ministério e indicou um vice. Menos de 24 horas antes da população, e de segurança, com o objetivo de prevenir levantesrenúncia, anunciou na TV que delegaria alguns poderes ao vice- populares. As revoltas árabes podem ainda alterar a geopolítica dapresidente, Omar Suleiman, e faria reformas constitucionais. região e a diplomacia com os Estados Unidos e países europeus, queNada disso adiantou. O último discurso do presidente somente serviu antes toleravam ditaduras para conter o avanço dos radicais islâmicos.para revoltar mais a população, que exigia sua saída. Nos bastidores,os Estados Unidos faziam pressão diplomática para que fosse feita a DIRETO AO PONTO – FICHA RESUMOtransição de poder. Sem apoio das Forças Armadas, que sustentou sua O presidente egípcio Hosni Mubarak renunciou ao cargo no dia 11 deditadura por três décadas, só restou a renúncia, que foi festejada nas fevereiro, encerrando três décadas de ditadura. Ele cedeu a 18 dias deruas do país. protestos ininterruptos no Cairo, com conflitos que deixaram mais deNo lugar de Mubarak assumiu o Conselho Militar do Egito. Os militares 300 mortos.dissolveram o Parlamento e o gabinete ministerial, ambos ligados ao ex- O Egito é o mais populoso (80 milhões de habitantes) e influente paíspresidente. Em seguida, prometeram revogar a Lei de Emergência – árabe. A queda de um ditador por força de movimentos populares é algoque há 30 anos restringe as liberdades civis – e fazer um referendo para inédito. Isso aconteceu pela primeira vez na Tunísia, em 14 de janeiro.mudar a Constituição. A Carta vigente dá plenos poderes ao presidente. Desde então, as manifestações espalharam-se pela região, ameaçandoAs Forças Armadas devem permanecer por seis meses no controle, até ditaduras militares e monarquias absolutistas.a formação de um novo governo. O Conselho Militar do Egito assumiu o poder e prometeu mudanças na Constituição. As próximas eleições estão marcadas para setembroDitadura deste ano. O futuro do país, porém, é incerto. Há falta de liderançasHosni Mubarak chegou à Presidência em 14 de outubro de 1981, oito políticas e sobram problemas econômicos. Não se sabe também quedias depois do assassinato do presidente Anwar Al Sadat por efeitos a queda de Mubarak irá provocar no mundo árabe, onde já foramextremistas islâmicos. Na época, os radicais estavam descontentes com registrados protestos em outros países, inclusive no Irã.o acordo de paz assinado com Israel em 1979.Nos anos seguintes, com a justificativa de conter o terrorismo, Mubarak 18/02/2011 - UOL EDUCAÇÃOadotou medidas cada vez mais restritivas às liberdades políticas e civis. *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.Ele também foi reeleito sucessivas vezes em eleições fraudulentas ecom apoio das potências ocidentais.A situação do Egito não é diferente dos demais Estados árabes. Elessão governados por monarquias absolutistas, ditaduras militares outeocracias. Por isso, as revoltas atuais são comparadas àquelas quelevaram à queda dos regimes comunistas no Leste Europeu, no finaldos anos 1980.Durante décadas, os árabes toleraram a falta de liberdade em troca deestabilidade econômica. A alta do preço dos alimentos e o desempregomudaram este quadro nos últimos meses. Outro fator que originou omovimento foi o crescimento da população mais jovem e mais instruída,que reivindica abertura democrática. Os jovens usam a internet e asredes sociais para praticarem ativismo político, o que levou os Estadosárabes a aumentarem a censura à rede.
  9. 9. TEXT0 09 - TENSÃO NO EGITO presente em 1981 quando o presidente Anwar Sadat foi morto por fundamentalistas durante uma parada militar na capital. MILHARES VÃO ÀS RUAS CONTRA DITADURAJosé Renato Salatiel Outro fator que garantiu a permanência de ditaduras por décadas na região foi a estabilidade econômica. Isso mudou com a crise financeiraA onda de protestos pela democracia que se espalhou pelo mundo mundial de 2008 e a recente alta dos preços dos alimentos. A taxa deárabe assumiu proporções dramáticas no Egito. Manifestantes ocupam desemprego no Egito é de 9% (no Brasil é de 6,7%) e um egípcio emas ruas do Cairo há uma semana para pedir a renúncia do presidente cada dois vive com apenas dois dólares por dia.Hosni Mubarak, há três décadas no poder.A maior mobilização ocorreu na última terça-feira (1º de fevereiro). Além disso, a população mais jovem - um em cada três egípcios temQuase um milhão de pessoas lotaram a Praça Tahrir, no centro da menos de 15 anos - e mais bem educada não tolera mais a repressãocapital. Diferente dos primeiros dias, não houve confrontos com a dos governos e nem teme a tomada de poder por grupos religiosos. Sãopolícia. eles que estão dando novos rumos ao mundo árabe.Nem mesmo o bloqueio da internet e o toque de recolher impediram osegípcios de promoverem o ato. Antes disso, Mubarak tentou, sem DIRETO AO PONTO – FICHA RESUMOsucesso, contornar a situação. Ele destituiu todo o alto escalão e A onda de protestos pela democracia no mundo árabe chegou ao Egito.nomeou um vice-presidente, fatos inéditos em seu governo. Há uma semana, manifestantes pressionam o presidente HosniApós o megaprotesto, Mubarak anunciou na TV estatal que não Mubarak para que deixe o cargo que ocupa há três décadas.concorreria às eleições presidenciais de setembro, mas que Depois de um megaprotesto que reuniu quase um milhão de pessoas nopermaneceria no cargo até o fim do mandato. Ele tinha planos de Cairo, capital egípcia, Mubarak garantiu que não vai concorrer àspassar o poder ao filho, numa sucessão dinástica comum em países eleições marcadas para setembro. Mesmo assim, as manifestaçõesárabes. continuam a pedir sua renúncia.O recuo do presidente teve o peso da influência dos Estados Unidos,que sinalizaram para uma retirada do apoio ao regime. A oposição, O Egito é o país árabe mais populoso, com 80 milhões de habitantes, eporém, pretende continuar a pressão até a renúncia do ditador egípcio. um importante aliado dos Estados Unidos e de Israel na região. Governos ocidentais temem que o poder seja assumido por gruposO Egito é o país árabe mais populoso, com 80 milhões de habitantes. O fundamentalistas islâmicos.território abriga uma antiga civilização que legou monumentos famososcomo as pirâmides de Gizé e a Grande Esfinge. O país é também um O mesmo receio serviu de justificativa para Mubarak se manter naimportante aliado do Ocidente no Oriente Médio, uma das regiões mais Presidência e endurecer o regime. Nos últimos anos porém, a criseconflituosas do planeta e rica em petróleo. econômica e o surgimento de uma população mais jovem e bem educado mudaram o panorama político no país, culminando no recenteOs recentes protestos começaram com a "revolução do jasmim", que ativismo.derrubou o presidente Zine El Abidine Ben Ali, na Tunísia, em 14 dejaneiro deste ano. Ben Ali estava há 23 anos na Presidência. Foi aprimeira vez na história que um líder árabe foi deposto por um 04/02/2011 - UOL EDUCAÇÃOmovimento popular. *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.Na sequência, as manifestações pró-democracia se disseminaram poroutros países da região, como a Argélia e o Iêmen. Nenhum delas,contudo, teve tanta expressão quanto a que acontece atualmente noEgito.As revoltas nos países árabes lembram os levantes que provocaram aqueda dos regimes comunistas na Europa, entre o final dos anos 1980 eo começo dos anos 1990. Entretanto, em países como o Egito, aausência de tradição democrática torna a situação mais perigosa.Radicais islâmicosSociedades árabes conhecem apenas duas formas de governo:monarquias absolutistas ou ditaduras, sejam elas militares ou religiosas.Assim, nessas nações não existem partidos que possam disputareleições após a queda de um tirano.O mais comum, nestes casos, é que o Estado secular seja substituídopor um sistema fundamentalista. Foi o que aconteceu em 2007 na faixade Gaza. Na ocasião, o Hamas, grupo fundamentalista islâmicopalestino, conquistou o poder com a derrota do Fatah. Desde então,vive em conflito com Israel.No Egito, a crise beneficia a Irmandade Mulçumana, que tem expressãoentre as camadas mais populares da população. Acontece que o país euma peça-chave no equilíbrio de forças no Oriente Médio. Ele é aliadotanto dos Estados Unidos quanto de Israel contra governos como o doiraniano Mahmoud Ahmadinejad.Egito e Israel já travaram guerras. Os dois países assinaram um acordode paz em 1979. Já o governo norte-americano fornece quase US$ 2bilhões por ano de ajuda econômica e militar ao Cairo. Somente oEstado de Israel recebe maior incentivo da Casa Branca.Internamente, Mubarak usou a justificativa de combater os radicaisislâmicos para se manter no poder e restringir liberdades. Ele era vice-
  10. 10. TEXT0 10 - CRISE NA TUNÍSIA jasmim" e organizado por meio do Twitter e do Facebook, a exemplo dos protestos iranianos, ocorridos em 2009. LEVANTES AMEAÇAM REGIMES ÁRABESJosé Renato Salatiel* Não se sabe, por enquanto, quais as consequências destes distúrbios em países como o Egito. O impasse também persiste na Tunísia, onde,Pela primeira vez na história, um líder árabe foi deposto por força de até agora, o regime persiste, mesmo com a saída do presidente. Amovimentos populares. Isso aconteceu na Tunísia, país mulçumano ausência de lideranças políticas deixa o país sem alternativas paralocalizado ao norte da África. O presidente Zine Al-Abdine Bem Ali compor um novo governo. Mas pelo menos um tabu foi quebrado, numarenunciou em 14 de janeiro após um mês de violentos protestos contra região em que ditadores só eram depostos mediante golpes de Estadoo governo. Ele estava há 23 anos no poder. ou invasões estrangeiras.Há décadas que governos árabes resistem a reformas democráticas.Agora, analistas acreditam que a revolta na Tunísia pode se espalhar FICHA RESUMOpor países do Oriente Médio e ao norte da África. O Egito foi o primeiroa enfrentar manifestações inspiradas pela “revolução do jasmim” (flor O presidente da Tunísia, Zine Al-Abdine Bem Ali renunciou em 14 denacional da Tunísia). janeiro após um mês de violentos protestos contra o governo. Ele estava há 23 anos no poder. Foi a primeira vez que um líder árabe foiO novo ativismo no mundo árabe é explicado pela instabilidade deposto por força de movimentos populares.econômica e pelo surgimento de uma juventude bem educada einsatisfeita com as restrições à liberdade Analistas acreditam que a revolta na Tunísia pode se espalhar por países do Oriente Médio e ao norte da África. O Egito foi palco deNa Tunísia, os protestos começaram depois da morte de um manifestações inspiradas pelas da Tunísia, no dia 25 de janeiro.desempregado em 17 de dezembro do ano passado. MohamedBouazizi, 26 anos, ateou fogo ao próprio corpo na cidade de Sidi O novo ativismo no mundo árabe é explicado pela instabilidadeBouzid. Ele se autoimolou depois que a polícia o impediu de vender econômica e pelo surgimento de uma juventude bem educada efrutas e vegetais em uma barraca de rua. insatisfeita com as restrições à liberdadeO incidente motivou passeatas na região, uma das mais pobres da Na Tunísia, os protestos começaram depois que Mohamed Bouazizi, 26Tunísia, contra a inflação e o desemprego. A partir daí, o movimento se anos, ateou fogo ao próprio corpo na cidade de Sidi Bouzid, em 17 deespalhou pelo país e passou a reivindicar também mudanças políticas. dezembro do ano passado. Ele fez isso depois que a polícia o impediu de vender frutas e vegetais em uma barraca de rua.O governo foi pego de surpresa e reagiu com violência. Estima-se que O governo tunisiano foi pego de surpresa e reagiu com violência.mais de 120 pessoas morreram em confrontos com a polícia. Na capital Estima-se que mais de 120 pessoas morreram em confrontos com aTunis foi decretado estado de emergência e toque de recolher. Mesmo polícia. O primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, aliado político deassim, milhares de manifestantes tomaram as ruas. Bem Ali, assumiu o cargo no governo provisório. Por isso, na prática, oBen Ali foi o segundo presidente da Tunísia desde que o país se tornou regime foi mantido, e os protestos continuam.independente da França, em 1956. Ele ocupava o cargo desde 1987,quando chegou à presidência por meio de um golpe de Estado. Em2009, foi reeleito com quase 90% dos votos válidos para um mandato 28/01/2011 - UOL EDUCAÇÃOde mais cinco anos. *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitárioDepois de dissolver o Parlamento e o governo, Bem Ali deixou o paísjunto com a família, rumo à Arábia Saudita. No seu lugar, assumiu oprimeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, um aliado político. Por isso,na prática, o regime foi mantido, e os manifestantes continuam emfrente ao Palácio do Governo. Eles exigem a saída de todos osministros ligados ao ex-presidente, que ainda ocupam cargos-chave nogoverno de transição.EgitoSob certos aspectos, a Tunísia é o país mais europeu do continenteafricano, com classe média e liberal, alta renda per capta e belas praiasmediterrâneas. Mas também possui um dos governos mais corruptos erepressivos de toda a região. A história do país é parecida com asdemais nações árabes: foi domínio otomano, colônia europeia e, depois,ditadura. A falta de liberdades civis em países como a Tunísia semprefoi compensada por progresso econômico. Crises recentes como a doIrã, desencadeadas por jovens descontentes com os rumos econômicose políticos do país, mostram que a população chegou ao seu limite.Há o risco da revolta se espalhar por países vizinhos como Egito, Líbia,Síria, Iêmen, Omã, Jordânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.Na Líbia e em Omã, por exemplo, o ditador Muammar Gaddafi e osultão Qaboos bin Said, respectivamente, estão no poder há mais de 40anos.Os primeiros protestos inspirados pela Tunísia aconteceram no Egito.Em 25 de janeiro, policiais e manifestantes entraram em choque nasruas da capital Cairo. Eles pediam a saída do presidente HosniMubarak, há 30 anos no comando. Pelo menos quatro pessoasmorreram.O movimento, chamado "dia da revolta" foi inspirado pela "revolução do
  11. 11. TEXT0 11 - TRAGÉDIA NO RIO Aquecimento global O MAIOR DESASTRE NATURAL DO PAÍS O aquecimento global está por trás das mudanças climáticas que explicam os contrastes de seca e enchentes em várias partes doJosé Renato Salatiel* mundo. No Brasil, os prejuízos financeiros e as mortes se acumulam a cada verão.Chuvas intensas que caíram na região serrana do Rio de Janeiro No ano passado, 283 pessoas morreram no Estado do Rio entre osprovocaram o pior deslizamento da história do Brasil. Até o último dia 18 meses de janeiro e abril. As catástrofes aconteceram em Angra dosde janeiro, o número de mortos chegava a 710 em quatro cidades. Reis, Niterói (Morro do Bumba), na capital e em outras cidades. Em SãoOutras 7.780 pessoas estão desalojadas – morando em casa de Paulo, a chuva destruiu a cidade histórica de São Luiz do Paraitinga.vizinhos ou familiares – e 6.050 desabrigadas. Um total de 207 estão Em 2008, houve 135 mortes em Santa Catarina.desaparecidas. Compete aos governos municipais regulamentar e fiscalizar o uso doA tragédia foi causada por um fenômeno raro que combina fortes solo. O objetivo é impedir a construção de moradias nas encostas echuvas com condições geológicas específicas da região. Porém, ela foi zonas de risco. Já os governos estadual e federal precisam investir emagravada pela ocupação irregular do solo e a falta de infraestrutura programas preventivos e encontrar soluções menos burocráticas paraadequada para enfrentar o problema, que se repete todos os anos no garantir que os recursos cheguem até as cidades.país. Um exemplo foi a liberação imediata de R$ 780 milhões da União paraO número de vítimas superou o registrado em Caraguatatuba, em 1967. ajudar na reconstrução dos municípios afetados pelas chuvas desteNa época, tempestades e deslizamento de terra mataram 436 pessoas mês. A verba foi liberada por meio de uma medida provisória assinadana cidade do litoral norte de São Paulo. Nesse mesmo ano, uma pela presidente Dilma Rousseff. O valor gasto com a recuperação,enchente deixou 785 mortos no Rio. todavia, é superior ao que seria gasto com prevenção. Sem falar nasNa madrugada do último dia 12 de janeiro, uma enxurrada de toneladas vidas perdidas.de lama, pedras, árvores e detritos desceu a montanha arrastando tudopelo caminho. Os rios se encheram rapidamente, inundando as cidades. FICHA RESUMOA destruição foi maior nas cidades Nova Friburgo e Teresópolis, quecontabilizam o maior número de mortos. Essas cidades turísticas O pior deslizamento da história do país deixou 710 mortos em quatrorecebem visitantes na temporada, que aproveitam o clima ameno da cidades da região serrana do Rio de Janeiro. Um total de 13,8 milserra. pessoas estão desalojadas ou desabrigadas. O número de vítimas é maior que o registrado em Caraguatatuba, em 1967 (436 mortos).Ruas foram cobertas por um mar de lama, com corpos espalhados,casas destruídas e carros empilhados. A queda de pontes em rodovias A tragédia foi causada por um fenômeno raro que combina fortesdeixou cidades isoladas, e os moradores ficaram sem luz, água e chuvas com condições geológicas específicas da região. Porém, ela foitelefone. agravada pela ocupação irregular do solo e a falta de infraestrutura nas cidades atingidas.Em Nova Friburgo, o rio subiu mais de cinco metros de altura e aenchente derrubou casas. Em Teresópolis, o cenário era devastador. Os deslizamentos ocorreram na madrugada do dia 12 de janeiro.Condomínios, chácaras, pousadas e hotéis de luxo foram arrasados Toneladas de lama desceram as montanhas e destruíram favelas epelas avalanches de terra. imóveis de alto padrão. Os rios encheram e inundaram as cidades. Os estragos foram maiores em Nova Friburgo e Teresópolis, cidadesA estrutura de atendimento às vítimas entrou em colapso. O IML turísticas.(Instituto Médico Legal) e os cemitérios ficaram lotados. Parentes das Os efeitos do aquecimento global tornam as chuvas mais intensas avítimas tiveram que fazer enterros às pressas em covas rasas. cada ano. Para evitar tragédias, os governos precisam impedir aUma das imagens mais impressionantes foi a de uma mulher sendo ocupação das encostas e investir em programas de prevenção.salva da inundação. Ela foi içada por uma corda do alto de um prédio,enquanto o cachorro que trazia nos braços era arrastado pelaenxurrada. 21/01/2011 - UOL EDUCAÇÃO *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.CausasO ar quente e úmido vindo da Amazônia gerou nuvens carregadas noSudeste. Na região serrana do Rio, as montanhas formaram umaespécie de barreira que impediu a passagem de nuvens e concentrou achuva numa única área.Somente em Nova Friburgo, onde a chuva foi mais intensa, em 12 diaso volume foi 84% a mais do que o previsto para todo mês de janeiro.A água da chuva foi responsável por dois fenômenos distintos. Primeiro,a cheias nas nascentes dos rios, no alto das montanhas, que causou asenchentes. O sistema de drenagem dos municípios era obsoleto e nãoconseguiu escoar as águas.E, mais grave, os deslizamentos. O solo das encostas é constituído poruma camada fina de terra e vegetação sobe a rocha. Quando ficaencharcado, se descola da montanha, descendo feito uma avalanche. Agrande inclinação das montanhas fez com que o deslizamento atingisseaté 150 quilômetros por hora, aumentando a potência de destruição.Boa parte das mortes, contudo, poderia ter sido evitada com políticaspúblicas. Durante décadas, os governos foram omissos – quando nãoestimularam – os loteamentos em áreas de risco permanente. Na rotada lama que desceu das encostas havia dezenas de imóveis, desdefavelas até hotéis e casas de alto padrão.
  12. 12. TEXT0 12 - NOVO PAÍS Kosovo SUDANESES FAZEM REFERENDO PARA DECIDIR SEPARAÇÃO Outras regiões do mundo, caracterizadas por diferenças étnicas, religiosas e linguísticas, lutam pela independência. Entre as maisJosé Renato Salatiel* conhecidas estão o País Basco, localizado entre a França e a Espanha; a Chechênia, que tenta se desligar da Rússia; e o Tibete, que lutaUma nova nação deve surgir na África nos próximos meses. A contra o domínio chinês. Em 2008, o Kosovo, na península balcânica,população do Sudão iniciou no último dia 9 de janeiro um referendo que declarou independência da Sérvia. Ele foi reconhecido pelos Estadosdeve aprovar a separação entre as regiões Sul e Norte do país. Divisões Unidos e alguns países da União Europeia.étnicas, tribais e religiosas causam conflitos que duram décadas noterritório. Agora, a disputa por reservas de petróleo ameaça dar início a FICHA RESUMOoutra guerra. O Sudão iniciou no último dia 9 de janeiro um referendo que deveA votação vai até o dia 15 e o resultado será anunciado em 22 de aprovar a separação entre as regiões Sul e Norte. Divisões étnicas,janeiro. É preciso um comparecimento de 60% dos eleitores. Se for tribais e religiosas causam conflitos que duram décadas no país.aprovado nas urnas – há estimativa de 90% a favor –, será criado emjulho o 193º país do mundo. A votação vai até o dia 15 e o resultado será anunciado em 22 de janeiro. É preciso um comparecimento de 60% dos eleitores. HáO novo país pode se chamar Sudão do Sul, Novo Sudão ou Kush, nome estimativa de 90% a favor. Ser for aprovado, será criado em julho o 193ºde uma das primeiras civilizações que habitavam a região. A cidade de país do mundo. O nome ainda não foi decidido.Juba será a capital. O Sudão é o maior país do continente africano. A região Norte é deO Sudão é o maior país do continente africano. A região Norte é de maioria árabe e mulçumana, enquanto no Sul há predomínio damaioria árabe e mulçumana, enquanto no Sul há predomínio da população negra e cristã. Houve duas guerras pela independência dopopulação negra e cristã. Houve duas guerras pela independência do Sul: uma entre 1955 e 1972, e outra entre 1983 e 2005. Cerca de 2,5Sul. A primeira começou em 1955 e terminou em 1972, após um acordo milhões de pessoas foram mortas.de paz. Um acordo estabelecido com o último cessar-fogo conferiu ao SulOs conflitos recomeçaram em 1983 e só foram interrompidos com um autonomia do governo central de Cartum. Caso se torne um país, ocessar-fogo em 2005, entre o Exército e os rebeldes sulistas do SPLA Sudão do Sul será um dos mais pobres do mundo.(Exército Popular de Libertação do Sudão). Estima-se que a guerra civiltenha deixado 2,5 milhões de mortos e 5 milhões de refugiados. Um O Sudão, contudo, é rico em petróleo. Apesar de o Sul concentrar 80%acordo estabelecido com o último cessar-fogo conferiu ao Sul das reservas, a exportação do produto depende do acesso ao Marautonomia do governo central de Cartum. Vermelho, que é feito pelo Norte do país.Caso se torne um país, o Sudão do Sul será um dos mais pobres domundo. A região é pouco maior que o Estado de Minas Gerais e possui 14/01/2011 - UOL EDUCAÇÃO8,5 milhões de habitantes. Segundo dados da ONU, 90% da população *José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.vive abaixo da linha da pobreza. Até 85% da população adulta éanalfabeta, metade não tem acesso à água potável e quase não háestradas ligando o território.PetróleoO Sudão, contudo, é rico em petróleo, o que pode vir a ser a fonte denovos conflitos. As reservas são conhecidas há três décadas.Recentemente, descobriu-se que são muito maiores, de até 6,7 bilhõesde barris (em comparação, calcula-se que o pré-sal de Tupi, no Brasil,tenha entre 5 e 8 bilhões de barris).Os termos do acordo de paz, firmado há seis anos, incluíam a divisãoigualitária dos rendimentos com a exportação do minério entre asregiões Norte e Sul, até 2011. A renegociação do acordo após oreferendo é um dos pontos mais delicados no processo de separação.Apesar de o Sul concentrar 80% das reservas, a exportação do produtodepende do acesso ao Mar Vermelho, que é feito pelo Norte do país.Além disso, o distrito de Abyei, localizada na fronteira, é rico empetróleo. A população local fará um referendo para saber se junta-se aoNorte ou ao Sul.Há ainda outro componente delicado na transição: os caprichos de umditador. O Sudão é governado por Omar Bashir, acusado de genocídioem Darfur, região oeste do país. Os conflitos étnicos em Darfurcomeçaram em 2003 e deixaram 50 mil mortos. Há uma ordem deprisão do Tribunal Penal Internacional contra Bashir por crimes deguerra.O ditador deu indícios de que aceitará o resultado das urnas, mas dissetambém que o Sul não está preparado para constituir um Estadoindependente. Pelo menos 30 pessoas morreram em ataques nosprimeiros dias de votação. Analistas temem que o plebiscito prejudiqueo cessar-fogo. O país vizinho, Quênia, se prepara para uma eventualonda de refugiados.

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