Your SlideShare is downloading. ×
O anúncio do fim do programa nuclear da alemanha
O anúncio do fim do programa nuclear da alemanha
O anúncio do fim do programa nuclear da alemanha
O anúncio do fim do programa nuclear da alemanha
O anúncio do fim do programa nuclear da alemanha
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

O anúncio do fim do programa nuclear da alemanha

412

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
412
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
3
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. | N° Edição: 2169 | 04.JunA escolha alemãO anúncio do fim do programa nuclear da Alemanha gera decisões semelhantes emoutras partes do mundo - e pode mudar planos do Brasil em relação às suas usinasAndré JuliãoCONDENADASTodas as 17 usinas nucleares alemãs serão desativadas até 2022
  • 2. A Alemanha tomou uma decisão histórica na semana passada ao anunciar o desligamentoprogressivo de todos os seus reatores nucleares até 2022. A medida, anunciada pelachanceler Angela Merkel, prevê a aposentadoria das 17 instalações atualmente emfuncionamento no país – responsáveis por mais de 20% do fornecimento da energia elétricalocal. As fontes renováveis devem tomar o lugar da fissão, embora ainda não seja claro comoisso vai ocorrer.O desafio é grande. Mesmo que a Alemanha dobre a participação da energia eólica, solar ede biomassa (atualmente de 18%), como promete, não dará conta de suprir a necessidade dopaís. Por isso, o governo aposta também em medidas de estímulo à redução do consumo,como incentivos fiscais a construções com baixo gasto de eletricidade. Segundo o plano, oconsumo deve cair 10% até 2020.Especialistas, no entanto, acreditam que nos próximos anos a desativação deve provocar oaumento do uso de energia termoelétrica, obtida a partir da queima do carvão e responsávelpor grande parte das emissões globais de gases do efeito estufa (leia quadro). Essa forma degeração energética responde hoje pela maior parte do abastecimento local. Isso, porém, sedaria apenas nos primeiros anos da década, quando as alternativas renováveis entãoganhariam mais espaço. “A Alemanha tem um bom potencial para energia eólica e solar”, dizo físico nuclear José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia daUniversidade de São Paulo (IEE-USP).
  • 3. FUTUROA chanceler Angela Merkel aposta nas energias limpas. Nas outras fotos, protestosantinucleares em BerlimO anúncio de Angela Merkel ocorre num momento de crescimento do Partido Verde alemão –que deve sua origem à luta antinuclear – e de pressões populares. Há dois anos, a chancelerhavia revisto uma decisão de 2002 do então mandatário Gerhard Schroeder, que previa oencerramento da atividade nuclear da nação até 2030. Em vez disso, ela decidiu prorrogar aatividade dos reatores até 2042. A medida desagradou ao ministro do Meio Ambiente eorganizações ambientalistas. Dois dias antes da decisão, dezenas de milhares de pessoassaíram às ruas em 20 cidades alemãs para pedir o fim da energia atômica no país.Dos 17 reatores alemães, oito estão no chamado “estado de hibernação”. Isso ocorre desdemarço, quando as instalações nucleares de Fukushima, no Japão, entraram em colapso. Aparada nas atividades, que seria temporária, agora será definitiva. Dos nove ainda emfuncionamento, seis serão desativados até 2021 e os últimos três, em 2022 (leia gráficoabaixo). Depois do vazamento japonês, Suíça, Áustria e Dinamarca também secomprometeram a abandonar a fissão nuclear. Já a Itália, China, Tailândia e Malásia adiaramplanos de construir novas instalações. Por sua vez, França, Grã-Bretanha e os países doLeste Europeu se recusam a abrir mão de seus reatores.A escolha alemã de se tornar a primeira nação europeia a abandonar a energia nuclearressoou também no Brasil. A construção de quatro novas usinas nucleares até 2030 está sobreavaliação na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão submetido ao Ministério deMinas e Energia e responsável pelo novo Plano Nacional de Energia (PNE), com a estratégiapara o setor até 2035. As quatro novas usinas – duas no Nordeste e duas no Sudeste –podem ser excluídas das prioridades. “É um bom sinal, mas isso não quer dizer, ainda, que asusinas não serão mais construídas”, explica Ricardo Baitelo, especialista em energia doGreenpeace.A decisão brasileira, porém, só será anunciada no ano que vem. O plano era construir maisquatro usinas, além de Angra 3, que teve as obras retomadas após uma interrupção de 20anos. Os equipamentos dessa usina e de Angra 2 são alemães, mas não devem ser afetadospelo fim do programa nuclear do país europeu do ponto de vista tecnológico – todo o materialjá estaria no Brasil. O problema é financeiro. Cerca de 30% do valor da usina cerca de (R$ 3,4bilhões) viria de investimentos da França, garantidos por um mecanismo de crédito do
  • 4. governo alemão. Sem uma definição sobre o futuro nuclear no País, a oposição alemãpressiona para que o crédito seja cancelado. Por isso, o BNDES já se comprometeu a pagaressa parte, arcando com todo o custo da obra – cerca de R$ 10,4 bilhões. A Alemanha provouque o fim das usinas tem um poder de se espalhar maior do que o da radiação.SUJASUsinas termoelétricas alemãs serão mais usadasLimpa por um lado, suja por outroUma notícia pode abalar o clima de festa que se seguiu ao anúncio do fim do programanuclear alemão. A Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu que 2010 foi o ano com asmaiores emissões de gases do efeito estufa da história. Os defensores da energia atômicapodem argumentar que o desligamento das usinas alemãs vai aumentar as emissões porcausa do aumento da queima de carvão. Com alguma razão. Antes do anúncio do fim doprograma nuclear alemão, a AIE já havia advertido que a “hibernação” dos sete reatores iriaacrescentar 25 milhões de toneladas por ano às emissões de dióxido de carbono do país. “Seconsiderarmos o ciclo inteiro, da mineração até o descarte do material radioativo, porém, elaemite muito mais do que qualquer outra fonte energética”, diz Ricardo Baitelo, doGreenpeace. Para José Goldemberg, da USP, as piores consequências do aquecimentoglobal serão sentidas em 30 ou 40 anos. “Mas um acidente nuclear tem desdobramentosimediatos.”

×