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21Já Nebot (2000, p. 81-82) categoriza os conflitos escolares, segundo ÁlvaroChrispino (2007, p. 22), em organizacionais, ...
22de Chrispino (2007) e Martinez Zampa (2005), por questões tais como: os alunosnão entenderem o que os professores explic...
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24do mediador dá-se o nome de imparcialidade. A autora Maria José Lobato Azevedofala sobre a imparcialidade na mediação de...
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27           C3: Conflitante 3         D: DiálogoForam elaborados dois gráficos; o primeiro, representando a mediação de c...
28possível, o atendimento de interesses mútuos dos agentes conflitantes), ÁlvaroChrispino (2007: 22,23) explicita, em uma ...
29      3.2.2 Escuta ativa      A escuta ativa por parte do mediador é algo fundamental para uma eficientemediação de conf...
30       A escuta Ativa é uma técnica de comunicação essencial para a captação detoda mensagem e/ou informação que é passa...
31        Assim, a escuta ativa é uma técnica e ação indispensável a ser usada pelomediador na gestão de conflitos.       ...
324 GESTÃO EDUCACIONAL      Falar de gestão não é algo simples, principalmente quando se fala em gestãoeducacional.      E...
33      Por outro lado, como qualquer outra instituição, principalmente social, aescola é provida de uma estrutura organiz...
34funções e responsabilidades a serem exercidas e assumidas no que se refere àsmúltiplas áreas de desenvolvimento do ser h...
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36científico-racial) em um estilo de gestão centralizada e foca-se mais nas tarefas doque as relações entre as pessoas do ...
37        Desta maneira, percebe-se que o conceito de alguns termos relacionados àgestão e administração, quando referidos...
38escola têm como instrumento de trabalho a educação, e trabalhar com educaçãosignifica trabalhar com vidas e com formação...
39escola e educação, por exemplo: gestão dos projetos, ações e programasmunicipais, estaduais e federais a serem usados de...
40currículo, ensino, avaliação e semelhantes. Ainda, Libâneo (2004, p. 132) explicaque a função da gestão escolar consiste...
415 MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NA ESCOLA E O COMBATE ÀVIOLÊNCIA ESCOLAR       5.1 VIOLÊNCIA ESCOLAR      A palavra “violência” ...
42violência é uma ação intencional, voluntária e racional, cujo objetivo é destruir,prejudicar o outro. Já a agressividade...
43      No Brasil, situações semelhantes já foram detectadas, tais como alunosarmados dentro da sala de aula, agressões mo...
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Monografia versão finalíssima

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS I CURSO – PEDAGOGIA Elvys Tierney Santos Marinho A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NA ESCOLA PELO GESTOREDCUACIONAL COMO ALTERNATIVA DE COMBATE À VIOLENCIA ESCOLAR Salvador 2011
  2. 2. 2 ELVYS TIERNEY SANTOS MARINHO A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NA ESCOLA PELO GESTOREDUCACIONAL COMO ALTERNATIVA DE COMBATE À VIOLENCIA ESCOLAR Monografia apresentada como requisito parcial para avaliação da disciplina Orientação de TCC II, da Graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação do Prof. Dr. Luciano Costa Santos. Salvador 2011
  3. 3. 3 FICHA CATALOGRÁFICA : Sistema de Bibliotecas da UNEBMarinho, Elvys Tierney Santos A mediação de conflitos na escola pelo gestor educacional como alternativa de combate àviolência escolar / Elvys Tierney Santos Marinho . – Salvador, 2011. 52f. Orientador: Prof. Luciano Costa Santos. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade do Estado da Bahia.Departamento Educação. Campus I. 2011. Contém referências. 1. Violência escolar. 2. Violência na escola - Brasil. 3. Conflito - Administração. 4.Mediação. I. Santos, Luciano Costa. II. Universidade do Estado da Bahia, Departamento deCiências Humanas. CDD: 371.78
  4. 4. 4 ELVYS TIERNEY SANTOS MARINHO A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NA ESCOLA PELO GESTOREDUCACIONAL COMO ALTERNATIVA DE COMBATE À VIOLENCIA ESCOLAR Monografia apresentada como requisito parcial para avaliação da disciplina Orientação de TCC II, da Graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação do Prof. Dr. Luciano Costa Santos. Salvador____ de________________de 2011 ____________________________________________ Prof. Dr. Luciano Costa Santos (Orientador) Universidade do Estado da Bahia - UNEB_____________________________________________________________________________________________________________________________ Salvador 2011
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOSA Deus, meu Senhor, que é soberano e somente por sua vontade estou concluindoeste curso.Ao professor Luciano Costa Santos, pela orientação concedida, pelo compromisso ededicação, alguém que admiro e respeito.Aos demais professores e professoras da Graduação, pelo compromisso com aUniversidade e com este curso.Sou, também, muito grato a todos os meus colegas da Graduação, pela força ecompanheirismo; com eles dividi êxitos e dificuldades e hoje os vejo como amigos.À minha esposa, pelo companheirismo e por ter me apoiado e contribuído para aconstrução desta pesquisa.Aos meus pais e irmãos, pelo apoio, incentivo e subsidio fornecidos durante toda aGraduação.À Igreja de Cristo, pelas orações e incentivo.Enfim, a todos aqueles que não citei o nome, mas que, de alguma forma, tiveramalguma participação na concretização desta etapa da minha vida.Muito obrigado a todos!
  6. 6. 6“Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente.” Dn12:3.
  7. 7. 7 RESUMOUm dos eventos mais problemáticos que ocorre nas escolas atualmente é o daviolência escolar. Uma das causas principais da ocorrência da violência escolar é amá administração dos conflitos escolares, os quais não são necessariamentenegativos e prejudiciais aos componentes humanos da escola. Assim, esta pesquisabibliográfica busca mostrar quais as vantagens da mediação de conflitos escolarespelo gestor educacional como alternativa de combate à violência escolar. A partirdesta análise, percebe-se a importância da mediação como instrumento deadministração de conflitos, uma vez que a mediação de conflitos possibilitatransformar os mesmos conflitos em possibilidades de aperfeiçoamento, afinamento,crescimento, maturação, etc. das relações escolares, como também das própriaspráticas educativas propriamente ditas. Nesta pesquisa, foram utilizados teóricosvoltados ao estudo da mediação de conflitos escolares, tais como: Álvaro Chrispino(2007); Maria Jose Lobato de Azevedo; Ortega (2002); e teóricos voltados ao campoda Gestão Educacional, como por exemplo: José Carlos Libâneo (2004).1. Mediação 2. Conflito 3. Violência 4. Escola.
  8. 8. 8 ABSTRACTOf the events more problematic that occurs in schools currently is the schoolviolence. Among the main causes of the occurrence of school violence is themismanagement of conflicts schoolchildren, which are not necessarily negative andharmful to human components of the school. Thus, this bibliographical researchseeks to show the advantages of mediation by school educational manager as analternative to combat school violence. From this analysis, perceives-if the importanceof mediation as an instrument for the administration of conflicts, since the mediationof conflicts allows transform the same conflicts in possibilities of improvement,afinamento, growth, maturation, etc. for school relations, as well as the owneducational practices themselves. In this study, were used theoretical directed to thestudy of mediation schoolchildren, such as: Alvaro Chrispino (2007); Maria JoseLobato de Azevedo; Ortega (2002); and theoretical directed to the field ofEducational management, such as: Jose Carlos Libâneo (2004).1. Mediation 2. Conflict 3. Violence 4. School.
  9. 9. 9 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ..........................................................................102 O QUE É CONFLITO? ..............................................................12 2.1 DIMENSÃO ANTROPOLÓGICA E POSITIVA DO CONFLITO ....12 2.2 O CONFLITO EM ÂMBITO EDUCACIONAL ......................................183 MEDIAÇÃO ...............................................................................23 3.1 MEDIAÇÃO EM ÂMBITO EDUCACIONAL ..................................23 3.2 MEDIAÇÃO DE CONFLITOS ..............................................................27 3.2.1 Imparcialidade .................................................................................27 3.2.2 Escuta Ativa ....................................................................................29 3.2.3 Diálogo ..............................................................................314 GESTÃO EDUCACIONAL .......................................................32 4.1 O QUE É A ESCOLA? .......................................................................32 4.2 QUAL O PAPEL DO GESTOR EDUCACIONAL? ............................365 A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NA ESCOLA E O COMBATE ÀVIOLÊNCIA ESCOLAR ...............................................................41 5.1 VIOLÊNCIA ESCOLAR .....................................................................41 5.2 A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS ESCOLARES .............................44 6 CONCLUSÃO ..........................................................................50 REFERÊNCIAS ........................................................................52
  10. 10. 101 INTRODUÇÃO As escolas da atualidade têm se deparado com inúmeros casos de violênciaocorridos dentro de seu seio. São violências de diversos tipos e naturezas, taiscomo: violência sexual, moral, psicológica, bullying (comportamento intencional erepetido cujo objetivo é prejudicar e irritar o outro), física, praticadas principalmenteentre alunos e alunos e entre alunos e professores. Diante desta grave situação em que se encontra a escola brasileira, torna-senecessário estudar e descobrir quais ou qual o meio mais eficaz para solucionar ou,no mínimo, amenizar os eventos violentos praticados dentro da escola, seja qual fora natureza ou o tipo desta violência. Neste estudo bibliográfico, discute-se qual a relevância da mediação deconflitos na escola pelo gestor educacional como alternativa de combate à referidaviolência escolar, tendo sido utilizados teóricos tais como: Álvaro Chrispino (2007);Maria Jose Lobato de Azevedo; Ortega (2002), os quais são pesquisadores do tema“Mediação de Conflitos Escolares”; e teóricos, outros, voltados ao campo da gestãoeducacional, como por exemplo: José Carlos Libâneo (2004). A visão e concepção de conflito da maioria das pessoas comuns, lideres einstituições é reduzida a algo negativo e prejudicial ao ambiente de convívio etrabalho, ou seja, os mesmos enxergam, na maioria das vezes, o conflito como algoa ser evitado, uma vez que compreendem que o referido conflito é, unicamente, umasituação de deterioração das relações e atividades de determinadas instituições.Porém, esta concepção, segundo determinados autores e teóricos, não está correta.O conflito, no entendimento de certos pesquisadores do assunto, é umapossibilidade de aperfeiçoamento e amadurecimento das relações e atividades deuma instituição. Assim, o entendimento de que toda relação conflituosa consiste emuma relação de violência não é mais cabível, pois, na verdade, o conflito, quandonão corretamente administrado, pode desembocar em ações violentas, não sendo oconflito, em si mesmo, uma situação de violência. Diante deste cenário educacional brasileiro de má administração de conflitoque, desemboca em violência escolar, a mediação e a gestão dos embates
  11. 11. 11conflituosos pode ser de suma importância. Assim, no decorrer do texto destamonografia, será analisada qual a eficiência da mediação dos conflitos ocorrentes naescola como instrumento de combate à violência escolar, a partir do estudo dasaparentes vantagens ou desvantagens que a ação de mediar tráz em seuarcabouço. No primeiro capitulo do desenvolvimento deste texto será estudado o que éconflito, a partir de uma análise filosófica e antropológica e, ainda, será tratado, emsentido mais restrito, quais os conflitos mais frequentes no seio escolar. No segundocapitulo será analisado, à luz de uma pesquisa bibliográfica, o que é mediação,principalmente em contexto escolar. No terceiro capitulo do texto que se segue,estuda-se o que é escola e quais as funções centrais do gestor educacional, umavez que, nesta monografia, se discute como o gestor educacional pode se utilizar damediação para combater o advento da violência em sua escola. Por fim, no quartocapitulo, estuda-se o que é violência, centrando-se principalmente na violênciaescolar, e analisa-se como a mediação de conflito pode, então, combater estareferida violência na escola.
  12. 12. 122 O QUE É CONFLITO? 2.1 DIMENSÃO ANTROPOLÓGICA E POSITIVA DO CONFLITO O conflito é algo inerente ao ser humano. Assim, toda pessoa viva sedeparará com situações conflituosas. Segundo o Dicionário Brasileiro Globo, do qualconsultamos as definições de termos e conceitos relacionados ao tema destamonografia, conflito é: “embate de pessoas que lutam; altercação, pendência;choque: conflitos de interesses; briga; luta; disputa; antagonismo; conjuntura; pleito.(Do latim conflictu). Assim, conflito é todo choque, antagonismo, disputa etc. entredois ou mais elementos. Relacionando o conflito ao ser humano, que é o foco destetrabalho, pode-se defini-lo como toda e qualquer divergência evoluída em confrontoou choque entre duas ou mais pessoas, ocorrido geralmente devido a modosdiferentes de enxergar, entender e interpretar a realidade e os acontecimentos.“Conflito é toda opinião divergente ou maneira diferente de ver ou interpretar algumacontecimento.” (CHRISPINO, Álvaro, 2007, p. 15). Todo ser humano se deparará com o conflito, principalmente aquele que viveem agrupamento e/ou família. Em seu artigo Gestão do conflito escolar: daclassificação dos conflitos aos modelos de mediação, Àlvaro Chrispino traz algumasclassificações de conflitos relacionados a pessoas. Dentre essas classificações,podemos citar os conflitos intrapessoais (ocorridos no campo interno ou interior dohomem) e os conflitos interpessoais (ocorridos no campo externo ou exterior aohomem). Os conflitos intrapessoais são aqueles que não são causados por outroindividuo, mas, são questões internas e pessoais do sujeito, por exemplo: ir/não ir,fazer/não fazer, falar/não falar, comprar/não comprar, vender/não vender, casar/nãocasar etc.; e os conflitos interpessoais são aqueles oriundos do relacionamento deuma pessoa com outra. Os conflitos interpessoais se desdobram em vários campos,tais como: relacionamento conjugal, familiar, amizade, relacionamentos entreprofessores e alunos, coordenadores e professores e outros. Outra autora, cujonome é Maria José Lobato Azevedo, também nos traz, segundo sua concepção,uma definição plausível de conflito. Ela diz:No decorrer de sua obra, Álvaro Chrispino descreve mais precisamente o que é conflito a partir da descrição de sua origem:“De outra forma, é dizer ao jovem e à criança que suas diferenças podem transformar-se em antagonismos e que, seestes não forem entendidos, evoluem para o conflito, que deságua na violência.” (CHRISPINO, 2007, p. 23).
  13. 13. 13 Quando foi solicitada uma definição de conflito, defini conflito como sendo uma situação que revela desentendimento, confronto de opiniões, entre duas ou mais pessoas, situação essa que não tem de ser necessariamente negativa. (AZEVEDO, Maria José Lobato, p. 3). Desde os tempos antigos, a humanidade tem se deparado com conflitos.Como já foi anteriormente afirmado, só o fato de o homem estar vivo e,principalmente, viver em família e sociedade, o leva a enfrentar embates, confrontos,divergências etc.. Ainda, inúmeras são as causas dos conflitos entre os indivíduos e,dentre essas causas, poder-se-iam citar aquelas advindas da necessidade desobrevivência, autodefesa e domínio por parte do homem, assim como acontececom os animais irracionais, segundo a perspectiva darwiniana. Porém, outrodeterminante para o nascimento de conflitos entre as pessoas é a capacidadepensante do homem, ou seja, a sua capacidade de pensar, refletir, questionar,duvidar, negar, comparar, descobrir e construir conhecimento, e neste âmbito, o serhumano se difere dos animais irracionais, pois só os seres humanos constroemconhecimento. Desta maneira, a capacidade pensante do homem possibilitanaturalmente o surgimento de conflitos (uma vez que irá questionar, duvidar, refletir,comparar, descobrir etc.) assim como a sua necessidade de sobrevivência,autodefesa e domínio das coisas e seres, semelhantemente aos animais. Karl Marx, teórico que tratou dos campos da economia, sociedade e politicademonstra, através de suas reflexões e obras que, na vida em sociedade, luta,embate e conflitos são inevitáveis. Estes conflitos ocorridos na sociedade, emespecial, na sociedade capitalista, ele chama de luta de classes. Em sua obraManifesto Comunista, Karl Marx assinala que a luta e o confronto fazem parteinerente do sistema social. Segundo Karl Marx, viver em sociedade é vivercotidianamente uma luta de classes. A história de toda sociedade até nossos dias é a historia da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de oficio e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, se encontram sempre em constante oposição, travando uma luta sem trégua, ora disfarçada, ora aberta, que terminava por uma transformação revolucionária de toda a sociedade, ou então, pela ruína das diversas classes em luta. (MARX, karl, p. 26).E são essas lutas de classes que possibilitaram revoluções, como por exemplo aRevolução Francesa em 1789, que trouxeram benefícios para todo o mundo adespeito de todo sofrimento e dor causados pelas guerras e violências ocorridasnestas revoluções. Assim, Karl Marx é mais um pensador que assinala a presença
  14. 14. 14 inerente do conflito na vida do homem e, em especial, na vida do homem em sociedade. Fazendo uma adaptação de Redorta (2004, p. 33), Àlvaro Chrispino nos fornece, mediante uma tabela, um panorama histórico rico no que concerne à presença do conflito na vida do ser humano. Nesta tabela, Chrispino descreve quatro áreas do homem que, no decorrer de sua história e áreas da vida, têm enfrentado conflitos. Essas áreas são: a sexual, biológica, sociológica e psicológica. Analisemos a tabela abaixo:AUTOR TIPO DO CONLFITO PROCESSO SÍNTESE RESULTANTEFreud Conflito entre o desejo e a proibição Repressão e defesa Luta pelo deverDarwin Conflito entre o sujeito e o meio Diferenciação e Luta por existir adaptaçãoMarx Conflito entre classes sociais Estratificação social e Luta pela hierarquia igualdadePiaget Conflito nas decisões e experiências Aprendizagem Luta por ser Resolução de problemas Portanto, essas são as áreas em que o ser humano tem enfrentado conflitos.Conflitos são confrontos que se originam a partir das diferenças de interesses,ideologias e valores. Contudo, não se deve confundi-los sumariamente com violência,seja ela qual for. A esse respeito, Ortega (2002:143) afirma que: O conflito emerge em toda situação social em que se compartilham espaços, atividades, normas e sistemas de poder e a escola obrigatória é um deles. Um conflito não é necessariamente um fenômeno da violência, embora, em muitas ocasiões, quando não abordado de forma adequada, pode chegar a deteriorar o clima de convivência pacífica e gerar uma violência multiforme na qual é difícil reconhecer a origem e a natureza do problema. Desta maneira, percebe-se que é possível existir o conflito sem que haja violência. Para que isto aconteça, é necessário que as partes que conflitam tenham maturidade para dialogar entre si e aprender a entender ou, no mínimo, aceitar o ponto de vista alheio. Contudo, sabe-se que isto é difícil. É nesta conjuntura que se torna imprescindível a presença de um mediador de conflitos. Percebe-se, então, que uma das razões para a não resolução dos conflitos e/ou transformação dos
  15. 15. 15mesmos em violência é a falta de comunicação e diálogo entre os agentesconflitantes. Álvaro Chrispino escreve sobre a diferenciação de conflito e violência,relatando que, em muitos casos, os conflitos só são percebidos quando os mesmosgeram ou se transformam em violência. Em geral, nas escolas e na vida, só percebemos o conflito quando este produz suas manifestações violentas. Daí podemos tirar, pelo menos, duas conclusões: a primeira é que, se ele se manifestou de forma violenta, é porque já existia antes na forma de divergência ou antagonismo, e nós não soubemos ou não fomos preparados para identificá-lo; a segunda é que, toda a vez que o conflito se manifesta, nós agimos para resolvê-lo, coibindo a manifestação violenta. (2007, p.16) Sabendo-se que conflito não constitui necessariamente violência, pode-seentão chegar à conclusão de que o conflito também não é algo necessariamentenegativo. Assim, não se pode afirmar que todo conflito existente, inclusive na escola,seja de cunho negativo e prejudicial para os seus envolvidos. A construção daaprendizagem, da formação e da excelência do trabalho se dá com conflitos, e isto éinegável. Não há crescimento sem conflitos, não há aprendizagens sem confrontos.Quando o tão renomado Sócrates introduz o seu método da ironia e maiêutica, omesmo demonstra que, para que aconteça uma verdadeira aprendizagem, énecessário haver um conflito cognitivo no aprendiz. O método da maiêutica e daironia ensina que é através do confronto que se chega ao conhecimento e àverdade. De modo semelhante, o filósofo grego Heráclito foi o primeiro pensador aconceber a realidade como uma síntese de contrários, ou seja, a afirmar que oconhecimento só é alcançado quando há a junção de elementos opostos. SegundoEricsson Venâncio Coriolano, Heráclito confirma a visão positiva do conflito nofragmento 53, em que escreve: “O combate (pólemos) é de todas a coisas o pai, de todasrei (...)” (Sobre a Natureza (DK 22 b 1-126) Apud HERÁCLITO de Éfeso, p. 30). Assim, Heráclito afirma que a realidade procede e processa-se mediante umaluta (polemos), o que resulta posteriormente em harmonia. Ainda Ericsson Venânciodiz que Heráclito mostra que nenhum ser é (em sua essência) sem o seu elementocontrário, e que das diferenças vem a universalidade e a harmonia. Heráclito pensa o Logos a partir dos contrários, ou seja, a partir de uma negação determinada. Dessa forma, o ser não tem fundamento apenas em si mesmo, mas no seu contrário, ou seja, no não-ser. O não-ser aqui é uma posição determinante e ser não pode ser compreendido isoladamente. A unidade é o acolhimento da multiplicidade enquanto harmonia dos desarmônicos. Isso fica claro no fragmento 8: “Heráclito (dizendo que) o contrário é convergente e
  16. 16. 16 dos divergentes nasce a mais bela harmonia, e tudo segundo a discórdia”; e no 10: “Conjunções o todo e o não todo, o convergente e o divergente, o consoante e o dissonante, e de todas as coisas um e de um todas as coisas”. Aqui reside sua obscuridade, admitir o absoluto como devir. O universal dá-se a partir dos opostos, ou seja, das diferenças. (CORIOLANO, Ericsson Venâncio, p. 34).Diante das reflexões do filósofo Heráclito, percebe-se que o conflito é algo integrantedo ser, e mais: nada é ou existe sem a presença do outro, da oposição, da negação,do embate, do conflito. Outrossim, conflitar é ser, permanecer, crescer e aperfeiçoar-se. O próprio ato do pensar, inquirir e refletir é fruto do embate e do confronto. Oconflito e a contradição são o que levam o homem a pensar e a descobrir, gerandoaprendizagem, construindo conhecimento e produzindo o que se chama de ciência.Segundo Venâncio, em Heráclito: A oposição, enquanto devir, é colocada como catalisadora do pensar e é ela – a oposição, a unidade dos opostos – que impulsiona o homem para o Logos. (CORIOLANO, Ericsson Venâncio, p. 34). O conflito é uma situação que desvela pontos de vista, ideologias, valores einteresses diferentes, sendo uma circunstância que conduz ao verdadeiroconhecimento, até mesmo dos axiomas de situações problemáticas. Deutsch (1990), um conceituado teórico alemão, entende o conflito como umfator positivo contra a estagnação. Ele defende que o conflito é uma oportunidade dedescoberta das causas dos problemas e, consequentemente, de possiblidade deresolução dos mesmos. Ele afirmou: O conflito pode assumir-se como um poderoso antídoto contra a estagnação na medida em que estimula o interesse, a curiosidade, tornando-se talvez no meio mais credível para que os problemas possam ser esclarecidos, debatidos e discutidos, ou seja, para que seja possível encontrar soluções na medida em que se o assume como a raiz das mudanças pessoais e sociais. Outrossim, no artigo “Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitosaos modelos de mediação”, Álvaro Chrispino (2007, p.17) afirma sobre o conflitoque: • Ajuda a regular as relações sociais; • ensina a ver o mundo pela perspectiva do outro; •permite o reconhecimento das diferenças, que não são ameaça, (...); • ajuda a definir as identidades das partes que defendem suas posições; • permite perceber que o outro possui uma percepção diferente; • racionaliza as estratégias de competência e de cooperação; • ensina que a controvérsia é uma oportunidade de crescimento e de amadurecimento social.
  17. 17. 17 Assim, é preciso entender que é através dos conflitos, quando corretamenteadministrados, que serão amadurecidos os diversos tipos de relacionamentos esolucionadas as situações de complexidade. Maria José Lobato Azevedo, em seutexto “Mediação de Conflitos”, confirma que a existência do conflito não determinapor si só uma situação de negatividade: Entendo que o conflito é um fenómeno normal, que existe onde existem pessoas (1), e continuo, desta forma a entender, que o conflito não tem de ser necessariamente negativo, pois, pode representar a oportunidade de crescimento e coesão entre as pessoas, permite o desenvolvimento de capacidades sociais, uma maior capacidade de comunicação e mesmo de autonomia. O conflito, porque se constitui e se forma a partir de pontos de vista diferentes, se bem gerido, proporciona a percepção de diferentes modos de pensar, diferentes modos de abordar a realidade, que se partilha com os outros. Todas estas possibilidades são uma mais valia para a formação da nossa própria pessoa, do nosso modo de ser e estar no Mundo. (AZEVEDO, Maria José Lobato p. 3). As autoras Eunice Maria Nascimento e Kassem Mohamed El Sayedtambém compreendem o conflito numa visão positiva. Elas esclarecem, na sua obra“Administração de Conflitos”, que o mesmo possibilita a ampliação da visão sobredeterminado assunto, permitindo enxergá-lo sob ângulos diferentes, o que ajuda nacompreensão e conhecimento de determinada realidade. O conflito é fonte de idéias novas, podendo levar a discussões abertas sobre determinados assuntos, o que se revela positivo, pois permite a expressão e exploração de diferentes pontos de vista, interesses e valores. (p. 47).Essas autoras também explicitam que a ocorrência do conflito dissolve a existênciada monotomia, inércia e estagnação, gerando um processo de renovação einovação no que concerne ao campo da relação e do trabalho. Em alguns momentos, e em determinados níveis, o conflito pode ser considerado necessário se não se quiser entrar num processo de estagnação. Assim, os conflitos não são necessariamente negativos; a maneira como lidamos com eles é que pode gerar algumas reações. (p. 48).
  18. 18. 18 2.2 O CONFLITO EM ÂMBITO EDUCACIONAL Como já foi explanado no capitulo anterior desta monografia, o conflito é algoque se faz presente onde há vida, principalmente vida humana; em qualquer relaçãodo homem para consigo mesmo ou para com o seu semelhante, o conflito será onecessário instrumento de aperfeiçoamento, descoberta, crescimento, renovação einovação, etc.. No ambiente escolar não é diferente, pois, da mesma maneira comoacontece nos demais setores da sociedade e da vida humana, o conflito neleocorrerá, uma vez que o meio escolar é um lugar de ressonância daspotencialidades e fragilidades deste ser denominado humano. Luís Marques e PedroCunha escrevem em seu artigo “Estilos de gestão de conflito em contexto escolar:Análise de algumas variáveis relevantes” que: A Escola constitui um espaço de socialização por excelência. Tida como elo de ligação com a família, assume-se como um mecanismo de ressonância das dificuldades, dos conflitos e das potencialidades que o adolescente experimenta. (...) O conflito, nomeadamente o conflito em contexto escolar, é uma realidade incontornável e intrínseca do nosso quotidiano que, em nosso entender, assume uma inegável pertinência e actualidade no contexto educativo português. (p. 97). Ademais, não se pode entender que todo conflito existente na escola seja decunho negativo e prejudicial para os alunos, funcionários, professores,coordenadores e gestores. Concernente à origem dos conflitos no ambiente educativo, Àlvaro Chrispino(2007) escreve, segundo sua perspectiva, que uma das primeiras causas deconflitos na escola é a junção de alunos de perfis diferentes dentro do espaçoeducativo, ou seja, alunos de vivências e realidades diferentes, de valoresdiferentes, de interesses e objetivos diferentes e assim por diante. A aglomeração dediferenças, segundo Àlvaro Chrispino (2007), além de proporcionar uma maiorvariedade, quantidade e dimensão de conflitos na escola, causa, quando os conflitosnão são correta e competentemente administrados, o surgimento da violênciaescolar. Ele assinala que, em um passado remoto, os alunos que estudavam emuma mesma escola apresentavam perfis semelhantes, aproximados, e isso reduziaa quantidade, variedade e dimensão dos conflitos existentes dentro da instituiçãoescolar. Na concepção deste autor, no decorrer da história os perfis dos alunos da
  19. 19. 19escola se multiplicaram e a escola continuou a mesma, sem se preparar para estanova demanda. Antes, em passado remoto, a escola era procurada por um tipo padrão de aluno, com expectativas padrões, com passados semelhantes, com sonhos e limites aproximados. Os grupos eram formados por estudantes de perfis muito próximos. Com a massificação, trouxemos para o mesmo espaço alunos com diferentes vivências, com diferentes expectativas, com diferentes sonhos, com diferentes valores, com diferentes culturas e com diferentes hábitos [...], mas a escola permaneceu a mesma! Parece óbvio que este conjunto de diferenças é causador de conflitos que, quando não trabalhados, provocam uma manifestação violenta. Eis, na nossa avaliação, a causa primordial da violência escolar. (CHRISPINO, Àlvaro, p.16).Essa variedade de perfis dos alunos que compõe a escola pública ou privada leva,consequentemente, ao acontecimento de inúmeros conflitos nas mesmas, uma vezque, devido a essa miscigenação ocorrente no seio educativo da escola, os embatesserão sem dúvida alguma uma realidade cotidiana. Como a escola está acostumada historicamente a lidar com um tipo padrão de aluno, ela apresenta a regra e requer dos alunos enquadramento automático. Quanto mais diversificado for o perfil dos alunos (e dos professores), maior será a possibilidade de conflito ou de diferença de opinião. (CHRISPINO, Àlvaro, p. 17). As diferenças de opiniões entre professores e coordenadores, professores ealunos, coordenadores e alunos sobre atos e acontecimentos que ocorrem dentro daescola são inevitáveis. Essas divergências de opiniões e de modos de visualizaruma situação-problema dentro da escola são fatores primordiais que levam aosurgimento do conflito. Em outras palavras, o embate, o confronto e o choquedessas diferentes ideias e modos de interpretar uma determinada realidade sãoocasiões do conflito propriamente dito. No entanto, como já foi explicitado, o conflitonão é algo necessariamente negativo, nem tampouco atenta contra a ordem vigente.Na verdade, o conflito possibilita a ordem, a ordem democrática que deve serdifundida e mantida, pois é mediante o conflito que a democracia se faz real. Diantede uma visão positiva do conflito, deve-se também ter em mente que oamadurecimento, aperfeiçoamento e inovação de ideias e projetos educativos noseio da escola se darão mediante o confronto de pontos de vista diferentes. A respeito das diferenças de opiniões, ideias e pontos de vista dentro daescola sobre determinadas realidades e que levam ao conflito, Álvaro Chrispino(2007) escreve:
  20. 20. 20 Ao definirmos conflito como o resultado da diferença de opinião ou interesse de pelo menos duas pessoas ou conjunto de pessoas, devemos esperar que, no universo da escola, a divergência de opinião entre alunos e professores, entre alunos e entre os professores seja uma causa objetiva de conflitos. (...) Podemos esperar que, pela diferença entre as opiniões, haja conflito no espaço escolar. Um conflito criado pela diferença de conceito ou pelo valor diferente que se dá ao mesmo ato. Professores e alunos dão valores diferentes à mesma ação e reagem diferentemente ao mesmo ato: isso é conflito. (p. 16,17). Sabe-se também que os campos de ocorrência de conflitos escolares sãodiversos, tais como: conflitos interpessoais entre coordenadores e gestores, entrefuncionários e docentes, entre docentes e docentes, entre docentes e discentes,entre discentes e discentes etc.. Desta maneira, percebe-se a dimensão do conflitoescolar, uma vez que a escola é um lugar onde as relações entre pessoas se fazemde modo muito intenso e diversificado, ou seja, entre os vários componenteshumanos presentes na instituição escolar, os quais têm funções diversas dentro damesma, tais como: docência, discência, coordenação, direção, limpeza etc., comofoi relatado. Álvaro Chrispino (2007) cita, em seu texto que trata sobre a gestão deconflitos na escola, Martinez Zampa (2005, p. 30-31), o qual divide os conflitoseducacionais em quatro tipos: • Conflito em torno da pluralidade de pertencimento: surge quando o docente faz parte de diferentes estabelecimentos de ensino ou mesmo de níveis diferentes de ensino. • Conflitos para definir o projeto institucional: surge porque a construção do projeto educacional favorece a manifestação de diferentes posições quanto a objetivos, procedimentos e exigências no estabelecimento escolar. • Conflito para operacionalizar o projeto educativo: surge porque, no momento de executar o projeto institucional, surgem divergências nos âmbitos de planejamento, execução e avaliação, levando a direção a lançar mão de processos de coalizão, adesões, etc. • Conflito entre as autoridades formal e funcional: surge quando não há coincidência entre a figura da autoridade formal (diretor) e da autoridade funcional (líder situacional). (p. 20).Assim, conclui-se que estes se dão em quatro âmbitos, os quais são: • Por questões de interesses pessoais (profissionais) por parte dos docentes. • Por questões de ordens administrativas da escola. • Por questões de ordens de ações pedagógicas na escola. • E por questões de relações de poder dentro da instituição.
  21. 21. 21Já Nebot (2000, p. 81-82) categoriza os conflitos escolares, segundo ÁlvaroChrispino (2007, p. 22), em organizacionais, culturais, pedagógicos e de atores. Osconflitos na escola de cunho organizacional, segundo os referidos autores, sãoaqueles que acontecem no campo administrativo e financeiro da escola, porexemplo: respectivamente, divisão de trabalhos e pagamentos de salários. Osconflitos na escola de cunho cultural são aqueles que acontecem oriundosprincipalmente da interferência e influência da comunidade na escola nela inserida:(...) por exemplo, os bairros e suas características, as organizações sociais dobairro, as condições econômicas de seus habitantes, etc. (p. 22); e também aidentidade dos habitantes do bairro, como por exemplo, a predominância racial eétnica dos moradores da comunidade, a qual, dependendo da raça ou etniamajoritária, carrega em seu bojo costumes, hábitus e rituais locais que interferem einfluenciam na comunidade escolar do bairro. Os conflitos de âmbito pedagógicopara Nebot (2000), segundo Chrispino, são aqueles causados por divergências emquestões curriculares, de avaliação e de metodologias de ensino da escola. Por fim,os conflitos categorizados por Nebot (2000) em “de atores”, segundo Chrispino, sãoaqueles que envolvem diretamente pessoas, por exemplo, nas seguintes situações:grupos e subgrupos formados dentro da instituição escolar; a relação dosfuncionários da educação com os familiares dos alunos e o surgimento de patologiasou doenças quaisquer e algum membro da comunidade escolar, os quais podemgerar conflitos de variadas espécies dentro da escola. Com relação ao último casocitado (o surgimento de patologias ou de doenças quaisquer em algum membro dacomunidade escolar) este pode gerar estigmatização e repulsa do membro dacomunidade escolar pelos colegas. Àlvaro Chrispino (2007, p. 21)) faz em seu texto, ainda, uma adaptação daconcepção do autor Martinez Zampa (2005, p. 31-32) concernente à outraclassificação de conflitos educacionais e sobre quais os conflitos mais frequentes naescola segundo o entendimento deste autor. Chrispino, citando Martinez Zampa(2005, p. 31-32), classifica os conflitos educacionais mais freqüentes em outrosquatro tipos, a saber: entre docentes; entre alunos e docentes; entre alunos e entrepais; e entre docentes e gestores. As causas dos conflitos entre docentes, segundoChrispino e Zampa, se dão pela deficiência de comunicação; pela luta de poder; porquestões de interesses; e por terem, muitas vezes, valores e ideologias diferentes.Já os conflitos educacionais entre docentes e alunos se dão, segundo a perspectiva
  22. 22. 22de Chrispino (2007) e Martinez Zampa (2005), por questões tais como: os alunosnão entenderem o que os professores explicam; notas arbitrárias; divergência sobrecritério de avaliação; discriminação; falta de material didático; não serem ouvidos(tanto alunos quanto docentes); desinteresse pela matéria de estudo. Os conflitosentre discentes são explicados pelas respectivas causas: mal entendidos; rivalidadeentre grupos; discriminação; bullying (comportamento intencional e repetido cujoobjetivo é prejudicar e irritar o outro); namoro; assédio sexual; perda ou dano debens escolares; eleições (de variadas espécies); dentre outras. Por fim, os conflitosentre pais, docentes e gestores são originados, segundo Chrispino e Zampa, pelasseguintes razões: agressões ocorridas entre alunos e entre os professores; perda dematerial de trabalho; falta ao serviço pelos professores; falta de assistênciapedagógica pelos professores; critérios de avaliação, aprovação e reprovação; usode uniforme escolar; não-atendimento a requisitos “burocráticos” e administrativosda gestão; etc.. Diante das reflexões destes autores sobre as causas e a natureza dosconflitos educacionais, nota-se, então, a sua amplitude e diversidade, e consolida-seo entendimento, mediante a análise dos dados bibliográficos aqui levantadosconcernente aos conflitos escolares, que estes são inevitáveis e nãonecessariamente prejudiciais aos agentes conflitantes, ou seja, estes variadosconflitos escolares podem ser oportunidades de aperfeiçoamento, crescimento,renovação, inovação, correção, etc., no processo de ensino-aprendizado e noprocesso de educação em si. Portanto, o gestor educacional e os demais agentes daeducação que atuam na escola, devem ter esta concepção do conflito educacional,buscando, essencialmente, evitar que o mesmo se transforme em violência, o queseria, então, um fator negativo para o processo de educar, tornando-se necessáriotambém, diante de toda esta conjuntura, a presença de um coordenador pedagógicoe de um mediador de conflitos para que se exerça a mediação destes referidosconflitos..
  23. 23. 23 3 MEDIAÇÃO 3.1 MEDIAÇÃO EM ÂMBITO EDUCACIONAL Diante do tema abordado, a saber, “A Mediação de conflitos na escola peloGestor Educacional como alternativa de combate à violência escolar”, depara-se,nesta pesquisa, com uma variedade de conceitos, os quais precisam ser definidos,esmiuçados e esclarecidos de modo competente para que haja uma maiorcompreensão do que este texto defende. Começar-se-á este processo de definição dos conceitos contidos neste temaanalisando primeiramente o que é “mediação”. O Dicionário Brasileiro Globo,elaborado por Francisco Fernandes, Celso Pedro Luft e F. Marques Guimarães(2001), define os termos mediar, mediação e mediador como: Mediar – repartir emduas partes iguais; dividir ao meio; tratar como medianeiro; estar no meio; sermedianeiro ou mediador (...). Mediação – ato de mediar; intervenção (...); (do latimmediatione). Mediador – diz-se do que intervém; medianeiro; árbitro. (do latimmediatore). Desta maneira, pode-se notar que mediar é estar entre os sujeitosconflitantes, buscando atender, em sentido genérico, as reivindicações de ambas aspartes, mediante o desenvolvimento de estratégias de consenso. As autoras IsabelOliveira e Catarina Morgado, em seu artigo Mediação em contexto escolar:transformar o conflito em oportunidade, definem mediação da seguinte maneira: A Mediação é uma negociação com a intervenção de um terceiro neutral, baseada nos princípios da voluntariedade das partes, da neutralidade e imparcialidade do terceiro (mediador) e na confidencialidade do processo, a fim de que as partes em litígio encontrem soluções que sejam mutuamente satisfatórias. (2009, p. 48) Pode-se perceber, então, a partir desta citação acima, a profundidade eresponsabilidade do que é mediar, pois, mediar é, antes de tudo, uma negociaçãopela intervenção de um ser terceiro ao conflito. No entanto, este ser terceiro deveser neutro, ou seja, deve ser imparcial em relação às partes envolvidas no conflito.Isto significa que o mesmo não deve buscar solucionar a situação conflitantepreocupando-se unicamente em atender os interesses de uma das partesconflitantes que lhe for conveniente. A esta característica de neutralidade por parte
  24. 24. 24do mediador dá-se o nome de imparcialidade. A autora Maria José Lobato Azevedofala sobre a imparcialidade na mediação de conflitos: Na mediação a resolução do problema implica sempre a existência de uma pessoa imparcial ao conflito que terá por função facilitar a identificação e a construção da solução para o conflito. Este procedimento é por natureza mais formal, pois implica todo um conjunto de actuações que têm que ser organizadas à partida. (AZEVEDO, Maria José Lobato, p. 6) O ato de mediação é definido pelo Instituto Mediare do Rio de Janeiro(1998:06) como “um processo não adversarial, confidencial e voluntário, no qual umterceiro imparcial facilita a negociação entre duas ou mais partes, onde um acordomutuamente aceitável poderá ser um dos desenlaces possíveis”. Ortega (2002:147) aponta que: A mediação é a intervenção, profissional ou profissionalizada, de um terceiro – um especialista – no conflito travado entre duas partes que não alcançam, por si mesmas, um acordo nos aspectos mínimos necessários para restaurarem uma comunicação, um diálogo que é necessário para ambas (...) com o reconhecimento da responsabilidade individual de cada um no conflito e o acordo sobre como agir para eliminar a situação de crise com o menor custo de prejuízo psicológico, social ou moral para ambos os protagonistas e suas repercussões em relação a terceiros envolvidos. Assim, Ortega ensina que “mediação” é, antes de tudo, uma açãointervencionista, profissionalizada e especialista que visa solucionar ou no mínimoamenizar as tensões causadas pelo conflito, buscando alternativas para a realizaçãodos interesses de ambas as partes conflitantes. Ao usar a expressão “intervençãoprofissional e especializada”, Ortega assinala que esta intervenção denominada“mediação” precisa ter intencionalidade, imparcialidade, estratégias e metodologiasde ação. Contudo, o processo de mediar não é algo fácil, ele requer recursos ecompetências essenciais para a eficácia da mediação. Um dos recursosindispensáveis para essa eficácia do processo de mediação de conflitos é o diálogoe a comunicação, e estes só são possíveis através da linguagem. Não é possível umser terceiro, neutro, imparcial e independente à relação conflituosa conseguir gerar erecriar uma relação de negociação e acordo entre as partes conflitantes sem se
  25. 25. 25utilizar da linguagem, do diálogo e da comunicação. Porém, o processo decomunicação não deve única e simplesmente partir do mediador para as partes queconflitam; o mediador precisa ter a habilidade e competência para criar e recriar arelação entre os seres que conflitam, ou seja, fazer com que os mesmos dialoguem.Lilia Maia de Morais Sales, Professora titular da Universidade de Fortaleza –UNIFOR, doutora em Direito e Emanuela Cardoso Onofre de Alencar, advogada(2004: 91) explicitam que, de fato, o mediador de conflitos precisa não somente criarrelações e diálogos de si mesmo para com os protagonistas do conflito, mastambém entre estes. Elas afirmam que “a mediação também facilita a comunicaçãoentre as partes. Muitas vezes o conflito se desenvolve e as pessoas envolvidas jánão têm a capacidade de juntas conversarem e tentarem descobrir a melhor formade resolvê-lo. Na sessão de mediação, o mediador atua para auxiliar as partes adialogarem, de forma pacífica e respeitando o outro, propiciando que as querelasvenham à tona e possam ser trabalhadas pelos próprios envolvidos.” Assim, amediação permite o embate das diferenças através de uma terceira partefacilitadora. Para que ocorra na escola uma boa mediação de conflitos, sãonecessárias, portanto, por parte do mediador, determinadas práticas fundamentais,dentre as quais se destaca o diálogo. Um provérbio português diz: “da discussãonasce a luz.” Portanto, é por intermédio do diálogo que se poderá chegar a umdenominador comum para os sujeitos conflitantes. Maria José Lobato Azevedo diz: (...) a comunicação eficaz, o diálogo que se estabelece entre as partes será revelador de toda intenção e disponibilidade na esolução do conflito, o que aliado, e neste caso particular na mediação, às habilidades cognitivas, facilitará todo o processo. (AZEVEDO, Maria José Lobato, p. 6).Segundo esta autora, é através do diálogo conduzido pelo mediador entre as partesenvolvidas num conflito, que será descoberta a disposição para se resolvê-lo. ÁlvaroChrispino (2007) também escreve sobre a importância do diálogo para a resoluçãode conflitos, e afirma que é através do mesmo que se descobrem novas e melhoresopções para melhor decidir numa situação conflitante: As escolas que valorizam o conflito e aprendem a trabalhar com essa realidade, são aquelas onde o diálogo é permanente, objetivando ouvir as diferenças para melhor decidirem; são aquelas onde o exercício da explicitação do pensamento é incentivado, objetivando o aprendizado da exposição madura das idéias por meio da assertividade e da comunicação eficaz; onde o currículo considera as oportunidades para discutir soluções alternativas para os diversos
  26. 26. 26 exemplos de conflito no campo das idéias, das ideologias, do poder, da posse, das diferenças de toda ordem; onde as regras e aquilo que é exigido do aluno nunca estão no campo do subjetivo ou do entendimento tácito: estão explícitos, falados e discutidos. Em síntese, devemos ser explícitos naquilo que esperamos dos estudantes e naquilo que nos propomos a fazer. (CHRISPINO, Álvaro, 2007, p. 23)Assim, este autor também defende a validez do diálogo para resolução de conflitos,descrevendo que o diálogo ajuda a decidir de modo mais eficaz e preciso nas horasconflituosas. Foi elaborado um gráfico que permite compreender melhor o percurso e afunção da comunicação e do diálogo (os quais se dão mediante a linguagem) entremediador e partes conflitantes e entre as partes conflitantes.Legenda: M: Mediador C1: Conflitante 1 C2: Conflitante 2
  27. 27. 27 C3: Conflitante 3 D: DiálogoForam elaborados dois gráficos; o primeiro, representando a mediação de conflitosentre pares de pessoas; e o segundo, representando a mediação de conflitos entremais de duas pessoas. 3.2 MEDIAÇÃO DE CONFLITOS Diante de toda esta abordagem teórico-filosófica a respeito da conceituaçãodos termos mediação e conflito, torna-se necessário, também, estudar e aprofundarquais os pressupostos necessários e fundamentais para que haja uma eficazmediação de conflitos. Cabe ressaltar que, no decorrer desta pesquisa bibliográfica,será tratado ainda quais são os conflitos ocorrentes na escola e como o gestoreducacional pode mediá-los. Mediar conflitos não é fácil. É necessária, antes de tudo, uma maturidade porparte do mediador para esta mediação, como também a percepção da origem e danatureza do conflito. Mediar conflitos é uma ação de pacificação, colaborativa e de facilitação parao alcance de soluções do conflito ocorrente entre duas ou mais pessoas, ação estafeita por um ser neutro ao conflito e aos agentes conflitantes, ou seja, imparcial (...).(SALES, Lilia Maia de Morais e ALENCAR, Emanuela Cardoso Onofre 2004, p. 92). Alguns pressupostos são imprescindíveis para a mediação de conflitos, osquais devem fazer parte integrante do comportamento e das atitudes do mediador.Dentre esses pressupostos, destacam-se a imparcialidade, escuta ativa e acomunicabilidade em forma de diálogo. 3.2.1 Imparcialidade A imparcialidade é uma característica que de maneira alguma deve faltar a ummediador de conflitos, uma vez que o mesmo, no processo de mediar, deve buscaratingir, na medida do possível, os interesses de ambos os protagonistas conflitantese não unicamente os de uma das partes que conflitam, ou seja, deve “gerar opçõesde ganhos mútuos e estabelecer acordos de benefícios mútuos” (NASCIMENTO,Eunice Maria/ SAYED, Kassem Mohamed El, p. 54). No tocante a isto (aimparcialidade por parte do mediador de conflitos, cujo objetivo é, na medida do
  28. 28. 28possível, o atendimento de interesses mútuos dos agentes conflitantes), ÁlvaroChrispino (2007: 22,23) explicita, em uma descrição do que é mediação, o seguinte: Chamaremos de mediação de conflito o procedimento no qual os participantes com a assistência de uma pessoa imparcial – o mediador –, colocam as questões em disputa com o objetivo de desenvolver opções, considerar alternativas e chegar a um acordo que seja mutuamente aceitável. A palavra imparcialidade significa literalmente “não parcial”, não tomar parteou não tomar partido. Assim, para que o mediador de conflitos seja imparcial em suamediação e gestão de conflitos, o mesmo precisa ser um agente “neutro” no queconcerne ao envolvimento pessoal com os protagonistas do conflito e/ou com osinteresses desses protagonistas. Assim, entende-se que a imparcialidade é fator determinante para que umindivíduo possa atuar como mediador de conflitos. O mesmo esclarece Maria JoséLobato Azevedo, a qual afirma que, para a resolução de um problema que envolvemais de uma pessoa, é imprescindível a presença de uma pessoa imparcial, paraassim ocorrer facilitação e pacificação das e nas relações entre os agentes quecolidem. Na mediação a resolução do problema implica sempre a existência de uma pessoa imparcial ao conflito que terá por função facilitar a identificação e a construção da solução para o conflito. Este procedimento é por natureza mais formal, pois implica todo um conjunto de actuações que têm que ser organizadas à partida. (AZEVEDO, Maria José Lobato, p. 6).Ser imparcial na mediação de conflitos é ser neutro, íntegro e justo na avaliação enas decisões a serem tomadas no que se refere ao conflito e aos protagonistas dele. Lilia Maia de Morais Sale e Emanuela Cardoso Onofre de Alencar (2004, p.89,90), também descrevem em seu artigo algumas características que devem fazerparte da mediação de conflitos, destacando, entre elas, a imparcialidade e acapacitação, por parte do mediador, como características indispensáveis para oexercício da tarefa de mediar. Elas afirmam que: A mediação de conflitos é um meio pacífico, amigável e colaborativo de resolução de controvérsias que busca a melhor solução pelas próprias partes. É um procedimento por meio do qual uma terceira pessoa imparcial e capacitada age no sentido de encorajar e facilitar a resolução de uma disputa, evitando antagonismos, porém sem prescrever uma solução.
  29. 29. 29 3.2.2 Escuta ativa A escuta ativa por parte do mediador é algo fundamental para uma eficientemediação de conflitos. A escuta ativa consiste na prática de ouvir, escutaratenciosamente os pareceres dos elementos que conflitam, para, assim, o mediadorde conflitos perceber e compreender os interesses que envolvem os agentesconflitantes, a causa do conflito, as possíveis soluções para o alcance dosdeterminados interesses e, a partir disto, poder mediar. É uma forma de diagnósticoque se faz para tal: “ouvir ativamente, pois metas e intenções não compreendidaslevam sempre a uma resolução sem sucesso” (NASCIMENTO, Eunice Maria/SAYED, Kassem Mohamed El, p. 54). Àlvaro Chrispino (2007, p. 23) escreve sobre a importância do ouvir para amediação de conflitos na escola, afirmando que é preciso ouvir as diferenças paramelhor decidir e, ainda, que é preciso incentivar a exposição e explicitação maduradas ideias por parte dos protagonistas do conflito para que se possa administrarmelhor os conflitos escolares. Maria José Lobato Azevedo também assinala que, dentre os muitosimportantes requisitos para a mediação de conflitos, a escuta ativa se encontrapresente. Segundo ela, para que aconteça uma excelente mediação e negociação,três elementos devem fazer parte deste processo, a saber; a escuta ativa,habilidades cognitivas e assertividade. Assim, é possível perceber que a prática doouvir é de extrema importância para uma justa e certeira intervenção em umasituação de desacordo: A resolução dos conflitos obriga a análise de técnicas de resolução desses mesmos conflitos, pelo que se realiza uma análise comparativa entre negociação e mediação. Tal análise conduz ao determinar da importância destes procedimentos, aliados a técnicas de escuta activa, habilidades cognitivas e assertividade. (AZEVEDO, Maria José Lobato, p. 2).Maria José ainda descreve que, em uma mediação de conflitos, é necessário ocontrole das emoções, para que assim seja possível ao mediador, através daescuta, conhecer de modo imparcial e acertado a causa verdadeira do conflito: É fundamental, antes de mais nada, perceber que o conflito é um processo co-construído, é preciso conhecer e controlar as emoções, perceber realmente do que se está a tratar. Muito importante, para ambas as situações, é a atitude assertiva, a escuta activa e empatia. (AZEVEDO, Maria José Lobato, p. 6)
  30. 30. 30 A escuta Ativa é uma técnica de comunicação essencial para a captação detoda mensagem e/ou informação que é passada pelos atores conflitantes. Em umprocesso de comunicação, especialmente em uma situação de conflito, além dasverbalizações (aquilo que é expresso através da voz, oralmente) ocorridas no ato dacomunicação entre os protagonistas do diálogo, muitas outras mensagens einformações circulam, complementam, desmentem, acrescentam etc., aquilo que édito oralmente. Essas outras mensagens e informações não são conhecidas atravésda verbalização, elas se encontram nos seguintes planos: nas emoções esentimentos emitidos durante a verbalização, no contexto em que as verbalizaçõessão proferidas, nos valores dos verbalizadores e nas expressões faciais e gestuaisdos mesmos. Desta maneira, o mediador de conflitos, mediante o uso desta técnicade comunicação chamada escuta ativa, observará e ouvirá não somente o que osprotagonistas do conflito dizem com suas palavras, mas também todas as demaismensagens e informações passadas e que estão além da oralização dos sujeitos.Maria José Lobato Azevedo separa, em seu artigo intitulado “Mediação de Conflitos”,um capítulo inteiro para tratar da importância da escuta na resolução de conflitos edas mensagens e informações que estão além da verbalização. Ela cita M.ª OdeteFachada, a qual escreve: A escuta activa implica que prestemos atenção não só ao conteúdo da mensagem de cada uma das partes, mas também aos sentimentos e emoções nelas implicados, aos índices não verbais e ao contexto em que a mensagem é proferida. (p, 8 apud 1991, p. 323).Ainda, Maria José Lobato de Azevedo diz que a escuta, na mediação de conflitos,cria empatia, e esta mesma empatia, criada mediante a escuta ativa, “facilita epermite a obtenção de um ambiente mais propicio ao encontro de soluçõessatisfatórias para o conflito.” (p, 8). As autoras Lilia Maia de Morais Sales e Emanuela Cardoso Onofre de Alencar(2004:92) também esclarecem em seu texto a importância da escuta ativa e tambémdo diálogo como uma das técnicas fundamentais para a mediação de conflitos. Elasafirmam assim: A mediação, por meio do diálogo e da escuta ativa, possibilita que as partes exponham o problema e este seja trabalhado de uma forma positiva, possibilitando que os envolvidos consigam encontrar a melhor solução para as divergências.
  31. 31. 31 Assim, a escuta ativa é uma técnica e ação indispensável a ser usada pelomediador na gestão de conflitos. 3.2.3 Comunicabilidade e diálogo O papel da comunicação na gestão de conflitos também é fator determinantepara o sucesso da mesma. É impossível gestar e mediar conflitos sem utilizar-se dacomunicabilidade e do diálogo. Comunicabilidade é a qualidade daquilo que écomunicável e diálogo é uma conversação entre pessoas. Assim, esta terceiracaracterística (comunicabilidade e diálogo) deve estar presente na pratica demediação de conflitos. Sem diálogo não há comunicação nem solução possível para os problemas; a maioria dos erros, omissões, irritações, atrasos e conflitos são causados por uma comunicação inadequada. (NASCIMENTO, Eunice Maria/ SAYED, Kassem Mohamed El, p. 54).Já foi tratado no capítulo 1.1- MEDIAÇÃO, de modo mais detalhado, a função e importância da comunicação edo diálogo para a mediação de conflitos.
  32. 32. 324 GESTÃO EDUCACIONAL Falar de gestão não é algo simples, principalmente quando se fala em gestãoeducacional. Existe uma pergunta que tem sido feita frequentemente nos cursos degraduação em educação, a saber: por que atualmente se usa o termo gestãoeducacional e não administração educacional? Para responder esta pergunta, énecessário, antes de tudo, definir e conceituar o que é gestão. O dicionário BrasileiroGlobo (2001) define gestão como o ato de administrar, gerir, gerenciar, dirigir. Ainda,na família desta palavra (gestão), encontra-se a palavra gerar. Isto significa quegestar é muito mais do que simplesmente administrar algo, mas é viver e dar vida aeste algo. Um fator importante a se destacar nesta discussão é que a escola, em si, éuma das instituições mais complexas e importantes que existem. A comunidadeescolar, depois da família, é considerada como o mecanismo de maior influência naformação da personalidade de um indivíduo. Diante disto, se gestar já é uma açãocomplexa em si mesma, gestar uma escola, muito mais. Desta maneira, serátratado, neste capitulo, em que consiste o campo educacional e qual o papel dogestor nesta conjuntura. 4.1 O QUE É A ESCOLA? A escola é um espaço educativo. Em outros termos, é o lugar que fazparceria, em especial à família, na tarefa de educar. Antônio Nóvoa (1999) em seutexto intitulado: Para uma análise das instituições escolares, descreve tecnicamenteescola da seguinte maneira: A escola é encarada como uma instituição dotada de uma autonomia relativa, como um território intermédio de decisão no domínio educativo, que não se limita a reproduzir as normas e os valores do macro-sistema, mas que também não pode ser exclusivamente investida como um micro-universo independente do jogo dos actores sociais em presença. (p.2).Assim, Nóvoa (1999) compreende a escola como um lugar no qual se faz educação,tendo ela certa autonomia para tal, mas não soberania, uma vez que, sendo umainstituição social, sofre influência do meio em que está inserida, e mais: deve prestarsatisfação de suas ações ao mesmo, em um processo de constante diálogo com ele.
  33. 33. 33 Por outro lado, como qualquer outra instituição, principalmente social, aescola é provida de uma estrutura organizacional. Antônio Nóvoa (1999, p.3) divideesta macro estrutura organizacional da escola em três áreas, as quais são: A estrutura física da escola: Dimensão da escola, recursos materiais, número de turmas, edifício escolar, organização dos espaços, etc. A estrutura administrativa da escola: Gestão, direcção, controle, inspecção, tomada de decisão, pessoal docente, pessoal auxiliar, participação das comunidades, relação com as autoridades centrais e locais, etc. A estrutura social da escola: Relação entre alunos, professores e funcionários, responsabilização e participação dos pais, democracia interna, cultura organizacional da escola, clima social, etc.Estas três estruturas da escola são interdependentes e não pode estardebilitada/deteriorada, nenhuma delas, pois isto prejudicaria determinadas funçõesda instituição educativa e, consequentemente, o seu andamento. O entendimento do que é a escola varia de acordo com o ângulo em que seestá analisando-a; se do ponto de vista social, educativo, físico, técnico, etc.. Nolivro: Trabalhando com Educação de Jovens e Adultos, Elisabete Costa, SôniaCarbonell Álvares e Vera Barreto (2006: 23) trazem uma descrição coerente do queé escola. Elas dizem que, partindo do que mostra a realidade, pode-se pensar aescola sob diferentes perspectivas: a escola como espaço de sociabilidade, detransformação social e como espaço de construção do conhecimento. Nestaperspectiva, nota-se que a escola tem, em sentido generalizado, duas funçõesbásicas: 1- criar possibilidades de construção de conhecimentos; e 2- criarpossibilidades de relações sociais. Assim, a escola é uma instituição de ensino, umainstituição educativa e uma instituição social. E, como instituição social, ela tem aincumbência de não só criar relações sociais entre os seus membros internos, mastambém, entre estes e a comunidade em que a escola está inserida. José Carlos Libâneo (2004), em seu livro: Organização e Gestão da Escola:Teoria e Prática, também propõe importantes interpretações do que é a escola equal o seu papel fundamental para com seus alunos e para com a sociedade. Ele dizque a escola é uma instituição singular presente na sociedade, pois, apesar demuitas outras instituições sociais terem e efetuarem também, de certa maneira, atarefa sublime de educar, tais como a família, os sindicatos, as igrejas, as ONGs, osclubes e outras, nenhuma delas, na concepção de Libâneo, sintetiza diversas
  34. 34. 34funções e responsabilidades a serem exercidas e assumidas no que se refere àsmúltiplas áreas de desenvolvimento do ser humano. Ele afirma que: Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância, como a de prover formação geral básica -capacidade de ler, escrever, formação científica, estética e ética, desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. (p. 47). Ainda neste mesmo livro (Organização e gestão da escola; Teoria e Prática),Libâneo (2004), citando outros teóricos que embasaram sua pesquisa e seu livro,concebe a escola como um “espaço de síntese”. Esta concepção da escola comoum espaço de síntese consiste, do ponto de vista de Libâneo, na visão do espaçoeducativo como o lugar onde se juntam e se mesclam duas formas básicas,essenciais e ricas de construção e produção de conhecimento e saberes: a empíricae a científica. A aprendizagem, tanto pelo senso-comum como pelo rigor técnico ecientífico, faz parte da educação escolar dos alunos, mais notadamente em sala deaula. Por este prisma, o entendimento da escola como uma agência de educaçãoconteudista ou bancária (Paulo Freire) deixa de existir no pensamento de Libâneo(2004, p. 47). Por isso, gradativamente, a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas, 1994). A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias, a transmitir o conhecimento do livro didático. Ela é urna síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade, na rua, nas praças, nos pontos de encontro, nos meios de comunicação, na família, no trabalho etc., e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos, das habilidades de pensamento.Fica notório, então, que o centro educativo chamado escola, não se resumemeramente a um centro de cursos disciplinares, ou seja, que tenha unicamente atarefa de ministrar conteúdos específicos de determinadas disciplinas escolares. Aescola é, na verdade, além de um centro de produção e construção deconhecimentos lógicos e disciplinares, é, antes de tudo, um centro cultural; um lugaronde se faz cultura, onde se troca cultura, onde se transforma a cultura e onde se étransformado por esta mesma cultura. Cultura é algo que transcende a disciplinaridade. Sendo assim, os assuntosculturais consistem em temas transdisciplinares (que transcendem adisciplinaridade).
  35. 35. 35 A cultura, seja na educação ou nas ciências sociais, é mais do que um conceito acadêmico. Ela diz respeito às vivências concretas dos sujeitos, à variabilidade de formas de conceber o mundo, às particularidades e semelhanças construídas pelos seres humanos ao longo do processo histórico e social. Os homens e as mulheres, por meio da cultura, estipulam regras, convencionam valores e significações que possibilitam a comunicação dos indivíduos e dos grupos. Por meio da cultura eles podem se adaptar ao meio, mas também o adaptam a si mesmos e, mais do que isso, podem transformá-lo. (GOMES, Nilma Lino, p. 75, 76).Segundo Rodrigues (1986, p.11), a cultura é como um mapa que orienta ocomportamento dos indivíduos em sua vida social. De modo semelhante, com relação à cultura e a escola, Brunet (1988) afirmaque “As organizações escolares, ainda que estejam integradas num contexto culturalmais amplo, produzem uma cultura interna que lhes é própria e que exprime osvalores e as crenças que os membros da organização partilham”. Assim, existemdois tipos de cultura escolar: a cultura interna e a cultura externa à escola. A internadiz respeito ao conjunto de significados e referências partilhados por membros deuma comunidade ou organização escolar em particular e a externa diz respeito àsvariáveis culturais que circundam a instituição e que interferem e influenciam nela(NÓVOA, Antônio, 1999, p. 4). Para Nóvoa (1999, p. 4), a escola também é organizada a partir de basesconceituais e de pressupostos invisíveis, os quais são: as crenças, os valores e asideologias; e também de manifestações, as quais podem ser: verbais e conceituais(objetivas, metafóricas, etc.); visuais e simbólicas (arquitetura, lemas, divisas, etc.); ecomportamentais (cerimônias, regulamentos, etc.). Essas bases conceituais,pressupostos invisíveis e manifestações, Nóvoa (1999) chama de elementos dacultura organizacional da escola ou também, segundo Libâneo (2004, p. 107),currículo oculto da escola. No capitulo XVI do livro: Organização e Gestão da Escola; Teoria e Prática,José Carlos Libâneo (2004, p. 120, 121) explica que existem, em sentidogeneralizado, duas concepções básicas, porém divergentes, sobre a função social epolítica da educação escolar: “a concepção científico-racial e a concepçãosociocrítica” (p. 120). A escola, sob uma concepção científico-racial, é aquela quetem uma visão de trabalho tecnicista, burocrática, fundamentada na hierarquização eno autoritarismo de seus dirigentes. Baseia-se (a escola sob uma concepção
  36. 36. 36científico-racial) em um estilo de gestão centralizada e foca-se mais nas tarefas doque as relações entre as pessoas do trabalho. A escola, sob uma concepçãosociocrítica, é aquela que trabalha em uma perspectiva descentralizada de gestão.Nela, o foco maior da atenção de seus líderes são as pessoas e as suas relações, enão prioritariamente as tarefas. Os projetos e ações ocorridos numa escola sob estaconcepção (sociocrítica) são elaborados por todos de forma democrática ecolaborativa. Pode-se olhar a escola sob ângulos diversos; sob os pontos de vista técnico,social, politico, educativo, físico e institucional. Contudo, o papel educacional eeducativo da escola é a sua incumbência e responsabilidade maior, pois nistoconsiste a sua existência. 4.2 QUAL O PAPEL DO GESTOR EDUCACIONAL? Na introdução deste capitulo foi falado sobre a diferença entre gestãoeducacional e administração educacional e, a partir disto, é possível diferenciar afunção de um administrador escolar com relação à de um gestor educacional. A diferença de um administrador para um gestor é que o administrador sóadministrará o que se tem com o que se tem, enquanto que o gestor, além deadministrar o que se tem com o que se tem, ainda vai criar novas possibilidades esituações, gerando recursos, soluções, etc. para a instituição que dirige. Entende-se,então, neste sentido, que o gestor deve trazer situações novas e resultados econquistas novos à sua instituição. Portanto, gestar, além de administrar e gerenciar,é também gerir, gerar e criar novos projetos, idéias, soluções, resultados econquistas. Ainda, ser gestor não é ser meramente um patrão, mas sim um líder nocampo em que trabalha. Utilizamos, pois, a expressão organização e gestão da escola, considerando que esses termos, colocados juntos, são mais abrangentes que administração (LIBÂNEO, José Carlos, p. 100). Esta reflexão sobre gestão serve também para o gestor educacional ou gestorde uma escola, o qual não deve ser meramente um patrão em seu ambiente degestão, mas sim, como foi dito, um líder, ou seja, alguém disposto a e capaz de nãose limitar às barreiras e dificuldades encontradas em seu campo de gestão etrabalho, buscando soluções e superações para as mesmas.
  37. 37. 37 Desta maneira, percebe-se que o conceito de alguns termos relacionados àgestão e administração, quando referidos à escola, são diferentes do conceito dosoutros tipos de gestão e administração, por exemplo, da gestão e administração deempresas convencionais. O termo dirigir/direção é um exemplo disto. O significado do termo direção, tratando-se da escola, difere de outros processos de direção, especialmente os empresariais. Ele vai além daquele sentido de mobilização das pessoas para a realização eficaz das atividades, pois implica intencionalidade, definição de um rumo, uma tomada de posição perante os objetivos sociais e políticos da escola, em uma sociedade concreta. (LIBÂNEO, José Carlos, 2004, p. 140). Porém, segundo José Carlos Libâneo (2004, p. 97-100), muitos teóricos queestudam o campo da administração, organização, direção, gestão e tomada dedecisões, reúnem todas essas tarefas no conceito de administração, configurandoassim uma ciência ou teoria da administração, a qual pode ser aplicada à escola,formando o conceito de administração escolar ou educacional. Concernente a estaconcepção de administração escolar ou educacional, a qual reúne em seu bojo asdemais tarefas de organizar, dirigir, planejar, etc., Santos (1966, p. 19) esclarece oseguinte: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar, organizar, dirigir e controlar os serviços necessários à educação. Ela inclui, portanto, no seu âmbito de ação, a organização escolar. No entanto, outros autores, segundo o mesmo Libâneo (2004, p. 98,99),reconhecem as particularidades e especificidades das instituições escolares, asquais se diferenciam, em muitas características, de empresas outras(convencionais), tais como: de fabricação de papel, carro, lojas, mercados, etc..Assim, esses autores defendem que, na escola, o conceito de administração ésubalterno ao conceito de organização. Dentre esses autores, pode-se citarLourenço Filho (1976): Em uma de suas obras mais difundidas Lourenço Filho também destaca o caráter grupal e cooperativo das instituições, definindo a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas, à qual a administração é subordinada. (LIBÂNEO, 2004, p. 100). Gestar é algo complexo e requer entrega e dedicação. Augusto Curyescreveu que um bom professor se utiliza de boas metodologias, porém, umprofessor fascinante se utiliza de sensibilidade. Esta mesma sentença é valida parao gestor de uma instituição escolar, pois tanto o professor como o gestor de uma
  38. 38. 38escola têm como instrumento de trabalho a educação, e trabalhar com educaçãosignifica trabalhar com vidas e com formação de personalidade. É devido a isto queum gestor deve ter uma formação especifica em gestão, para que o mesmocompreenda, antes de exercer a função, a realidade de gestar. Josemary Morastony(2005), mestre em educação pela universidade Tuiuti do Paraná, escreveu que énecessária uma formação específica para o exercício da função de gestoreducacional, dada a complexidade e especificidade da atuação deste profissionaldentro do contexto escolar (p.13). Quando uma escola tem um bom gestor, um bompercentual dos problemas da mesma está resolvido. Muitas pesquisas sobre a eficácia escolar indicam que a forma de gestão eorganização das escolas é responsável por 32% das variáveis de desempenho dosalunos entre as escolas (ROSENHOLTZ, 1985). Isto mostra que mais de um terçodo desempenho dos alunos, positivo ou negativo, é reflexo da organização da escolacomo um todo. Para uma eficiente gestão escolar, é preciso conhecer os muitos elementosque compõem o ambiente educativo. Antônio Nóvoa (1999, p.1), em seu artigo Parauma análise das instituições escolares, propõe uma análise mezzo das escolas, enão unicamente uma visão macro ou micro das mesmas. Entende-se que, ao sereferir à visão macro das escolas, trata-se da observação e intervenção no sistemaeducacional vigente na escola, enquanto que, na visão micro, trata-se daobservação e intervenção nos processos educativos das mesmas, especialmenteem sala de aula. Visão mezzo, segundo Antônio Nóvoa (1999), nada mais é que afocalização simultânea dos elementos macro e micro da instituição escolar. Assim, ogestor educacional fará uma gestão (observação e intervenção) em nível micro e emnível macro na escola que dirige, ou seja, fará uma gestão “educativa” e uma gestão“educacional” na instituição escolar na qual é gestor. Quando se usa o termo “gestãoeducativa”, refere-se à gestão da prática pedagógica da escola, como também, emespecial, à pedagogia usada em sala de aula. Esta é a gestão dos elementos “micro”da escola e educação. O termo “educativo” denota a prática e vivência da educaçãodentro da própria escola, sala de aula, comunidade e família em sentido maisespecifico e direto. Portanto, entende-se por gestão educativa, a gestão dosseguintes elementos relacionados à escola: currículo, projeto político pedagógico, arelação professor-aluno e a relação aluno-família e comunidade. Quanto àexpressão “gestão educacional”, refere-se à gestão dos elementos “macro” da
  39. 39. 39escola e educação, por exemplo: gestão dos projetos, ações e programasmunicipais, estaduais e federais a serem usados dentro dos estabelecimentos deensino, a gestão financeira da escola, contratação de funcionários e assim pordiante. Portanto, educativo é um termo usado para as práticas diretas de ensino eaprendizagem ocorridas em seus diversos níveis e setores, e educacional, termousado para órgãos, instituições, programas, sistemas e outros, voltados erelacionados à educação, que proporcionarão que essas práticas educativasocorram com mais eficiência. O papel do gestor educacional é multifuncional. Ele tem diversasincumbências e responsabilidades para com a escola que dirige. Entretanto, aprincipal função do gestor educacional é a tomada de decisão. Todas as demaisatividades e funções do gestor educacional convergem nesta principal tarefa dogestor: tomar decisão. Libâneo (2004, p. 101) escreveu que: Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Ainda, esta função essencial do gestor educacional, a saber, tomar decisões,pode ser feita basicamente sob duas concepções de administração: a técnico-cientifica ou a democrático-participativa. A concepção de administração técnico-cientifica é centralizadora, ou seja, o gestor concentra em seu poder toda tomada dedecisão a ser executada dentro da escola. É uma forma de gestão da escola a partirda hierarquização, ou seja, de decisões tomadas em sentido vertical, de cima parabaixo, partindo do gestor para os seus liderados, sem coparticipação da comunidadeescolar nos processos decisórios. Já a gestão democrático-participativa, é aquelaque acontece com a participação da comunidade escolar nos processos decisóriosda escola (LUCK, 1996). Além de decidir, o gestor educacional tem a função de supervisionar, avaliar eintegrar os funcionários da educação que trabalham em sua escola. Libâneo (2004,p. 269) escreve em seu livro Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática, quea atuação do gestor educacional na escola se dá em dois campos: no técnico-administrativo e no pedagógico-curricular. O campo técnico administrativo refere-seà gestão dos recursos físicos, materiais, financeiros e tecnológicos da escola. Ocampo pedagógico-curricular refere-se à gestão dos seguintes elementos da escola:
  40. 40. 40currículo, ensino, avaliação e semelhantes. Ainda, Libâneo (2004, p. 132) explicaque a função da gestão escolar consiste básica e principalmente em planejamento,organização, direção e avaliação.
  41. 41. 415 MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NA ESCOLA E O COMBATE ÀVIOLÊNCIA ESCOLAR 5.1 VIOLÊNCIA ESCOLAR A palavra “violência” é derivada da palavra “violentar” ou “violar”. Isto significaque violência é todo ato/ação de violentar ou de violação do direito, individualidadeou liberdade alheia. Trata-se da negação de direitos básicos, um ataque à cidadania. Há violência em toda ação consciente ou voluntária de um indivíduo, grupo ou classe, com o propósito de impedir a outro indivíduo, grupo ou classe, o pleno exercício de um direito. Tal ação pode ser direta ou indireta, ou explícita, e comporta sempre a negação do outro. Inclui atos paroxísticos que provocam danos físicos, morais e psicológicos, mas não se esgota nos mesmos, podendo se manifestar também em ações como o descaso, o desrespeito, a falta de reconhecimento do valor social do outro. (LOPES, Claudivan Sanches e GASPARIN, João Luiz 2003, p. 297). No entanto, a expressão “violência”, na concepção de alguns autores,também pode denotar intensidade, impetuosidade, etc. e não necessariamente umato de violação. Um determinado teórico define violência como: Qualidade do que atua com força ou grande impulso; força, ímpeto, impetuosidade (...) // intensidade (...) // irascibilidade // força que abusivamente se emprega com o direito // opressão, tirania // ação violenta // (jur.) constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer ou a deixar de fazer um ato qualquer; coação (CALDAS, Aulete, 1964, p. 4231-4232).Assim, a expressão “violência” pode ou não anunciar uma ação negativa. Osteóricos Claudivan Sanches Lopes e João Luiz Gasparin (2003, p. 296), em seuartigo “Violência e conflitos na escola: desafios à prática docente”, tambémesclarecem sobre a ambiguidade do sentido do termo “violência”. Eles dizem que: Não pode passar despercebida a ambiguidade revelada. Como diz Aquino (1998: 13), “o termo não implica exclusivamente uma conotação negativa. Ou melhor, ele comporta uma ambivalência semântica digna de interesse”. Por comportar significados tais como: “força”, “vigor” ou “potência”, tal termo carrega, ao mesmo tempo, conotações que podem ser positivas ou negativas. (p. 296). Ainda, muitos teóricos fazem uma diferenciação entre a expressão “violência”e a expressão “agressividade”. Segundo Claudivan Sanches Lopes e João LuizGasparin (2003, p. 296), teóricos como Costa (1984), Fukui (1992), Candau, (2000)e Laterman (2000) diferenciam “violência” de “agressividade”, ressaltando que a
  42. 42. 42violência é uma ação intencional, voluntária e racional, cujo objetivo é destruir,prejudicar o outro. Já a agressividade é uma ação instintiva (instintual), biológica,natural dos animais, cujo objetivo é a sobrevivência (ou a auto-afirmação). Assim, apartir do momento que uma ação agressiva na escola, praticada por um aluno ouprofessor para com outro aluno ou professor (ou para com quem quer que seja),imbuir-se de intencionalidade, voluntariedade e de desejo de destruição do outro,esta ação agressiva transfigurou-se em uma ação violenta, segundo ClaudivanSanches Lopes e João Luiz Gasparin (2003). Diante desta perspectiva, torna-senecessário distinguir, na escola, uma ação de rebeldia/agressividade (a qual nemsempre é de cunho negativo) de uma ação de delinquência (a qual é sempre decunho prejudicial). A violência pode ser exercida em diversos campos da vida humana, taiscomo: psicológico, moral, físico e sexual. É notória também, a ocorrência acentuada da violência na escola,principalmente na escola pública, e muitos e variados são os casos ocorridos.Dentre estes, poder-se-iam citar a violência entre discentes e entre discentes edocentes, sendo estes os casos mais frequentes de violência escolar detectados edebatidos. Diante desta situação (violência escolar), o medo tornou-se um sentimentoessencialmente presente no seio da escola: medo por parte dos professores, medopor parte dos pais e medo por parte dos alunos. Lilia Maia de Morais Sales eEmanuela Cardoso Onofre de Alencar (2004, p. 89,90), em seu artigo: Mediação deconflitos escolares – uma proposta para a construção de uma nova mentalidade nasescolas, dizem que, devido à propagação da violência nas escolas, medidas decunho policial tiveram que ser tomadas nas mesmas, como aconteceu nos EstadosUnidos. Segundo Lilia Emanuela (2004), muitas escolas dos E.U.A. de 1° e 2° graustiveram que implantar detectores de metal e outros tipos de monitoramentos paraevitar tragédias causadas por atos de violência praticados por alunos, como foi ocaso ocorrido em 20 de abril de 1999, na Columbine High School, escola norte-americana, onde 2 alunos entraram armados nesta referida escola e atiraram contravárias pessoas que estavam neste local, matando 12 colegas, uma professora edepois suicidando-se.
  43. 43. 43 No Brasil, situações semelhantes já foram detectadas, tais como alunosarmados dentro da sala de aula, agressões morais e físicas de alunos contraprofessoras e professores, por motivos banais ou não, dentre inúmeras outras. As causas da propagação da violência escolar são diversas. Lilia Maia eEmanuela Cardoso (2004, p. 90) trazem alguns dados coletados por pesquisadoresdo tema, sobre as causas da violência praticada por jovens e adolescentes e queacabam por se refletir na escola. Elas dizem que: Os pesquisadores e estudiosos apresentam diversas justificativas para as crescentes violências praticadas por crianças e jovens. Apontam a perda de valores de solidariedade na sociedade, o individualismo exacerbado, a deterioração das relações interpessoais, problemas familiares e a pouca convivência dos jovens com a família, uma vez que os pais passam o dia fora, trabalhando, e os filhos ficam na convivência de terceiros. Júlio Groppa Aquino (1998, p. 7,8), mestre e doutor em Psicologia Escolarpelo Instituto de Psicologia da USP, tenta explicar as causas da violência escolarsob duas perspectivas: uma, de cunho sociologizante, e outra de matiz mais clínico-psicologizante. A perspectiva de cunho sociologizante consiste na influência que omeio (politica, economia, cultura, família, mídia, etc.) exerce no individuo,positivamente ou negativamente. A perspectiva de cunho clínico-psicologizanteconsiste nas características da personalidade e temperamento dos indivíduos, comotambém, se for o caso, em patologias nos mesmos. Assim, segundo Júlio GroppaAquino (1998), fatores macro (de cunho sociologizante) e fatores micro (de cunhoclínico-psicologizante) são conjuntamente responsáveis pelas reações e açõesviolentas dentro da escola. Todavia, a violência escolar não consiste unicamente em casos dedelinquência, de policia, de agressões físicas ou explícitas/visíveis. Violência escolaré, na verdade, toda ação de recusa do direito escolar de outrem, restringindo odesenvolvimento e a vivência de que esse precisa e que lhe é de direito. Assim, podemos caracterizar a violência escolar como todo ato que impede, em sentido amplo, o pleno desenvolvimento dos atores sociais aí presentes. Trata-se da negação de direitos básicos, um ataque à cidadania. (LOPES e GASPARIN, 2003, p. 297). Ainda, os tipos de violência escolar são múltiplos. Podemos citar alguns, taiscomo: a violência física, a violência moral, a violência intelectual, a violênciapsicológica e a violência sexual. As causas dessas violências também são diversas.

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