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25 de Abril PS Alvalade
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25 de Abril PS Alvalade

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Apresentação de fotografia e poesia evocativa do 25 de Abril - PS Alvalade

Apresentação de fotografia e poesia evocativa do 25 de Abril - PS Alvalade

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  • 1. Um povo imbecilizado eresignado, humilde emacambúzio, fatalista esonâmbulo, burro de carga, bestade nora, aguentandopauladas, sacos devergonhas, feixes demisérias, sem uma rebelião, ummostrar de dentes, a energia dumcoice, pois que nem já com asorelhas é capaz de sacudir asmoscas;Um povo em catalepsiaambulante, não se lembrandonem donde vem, nem ondeestá, nem para onde vai; umpovo, enfim, que euadoro, porque sofre e é bom, eguarda ainda na noite da suainconsciência como que umlampejo misterioso da almanacional, reflexo de astro emsilêncio escuro de lagoa morta.
  • 2. “A música é o barulho que pensa.” Victor Hugo
  • 3. “Aqui estamos pois diante de ti, mundo oficial, constitucional, burguês, proprietário,doutrinário e grave!Não sabemos se a mão que vamos abrir está ou não cheia de verdades. Sabemos queestá cheia de negativas. (…)Donde vimos? Para onde vamos? – Podemos apenas responder:- Vimos donde vós estais, vamos para onde vós não estiverdes.” As Farpas – Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão
  • 4. A um PoetaTu que dormes, espírito sereno,Posto à sombra dos cedros seculares,Como um levita à sombra dos altares,Longe da luta e do fragor terreno.Acorda! É tempo! O sol, já alto e plenoAfugentou as larvas tumulares...Para surgir do seio desses maresUm mundo novo espera só um aceno...Escuta! É a grande voz das multidões!São teus irmãos, que se erguem! Sãocanções...Mas de guerra... e são vozes de rebate!Ergue-te, pois, soldado do Futuro,E dos raios de luz do sonho puro,Sonhador, faze espada de combate! (Antero de Quental)
  • 5. “No seu pavor, eles largam as armas, quecaem todas no solo; tal era a força que tinhaa voz da deusa! Os inimigos de Ulissesvoltam as costas, fogem para a cidade, já nãotendo senão um desejo, o de fugir.Entretanto, o nobre Ulisses, modelo deresistência, toma impulso com um um gritoterrível, lança-se como a águia de vooaltaneiro.” Odisseia - Homero
  • 6. “O seu nome é Revolução: revolução não querdizer guerra, mas sim paz: não quer dizerlicença, mas sim ordem, ordem verdadeira pelaverdadeira liberdade. Longe de apelar para ainsurreição, pretende preveni-la, torná-laimpossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mãos das armas. Emsi, é um verbo de paz, porque é o verbo humanopor excelência.” Antero de Quental
  • 7. “Fugiu do cemitério aos companheiros:Anda agora purgando seus pecadosGlosando aos cagaçais pelos outeiros.” -Bocage
  • 8. Grândola, vila morenaTerra da fraternidadeO povo é quem mais ordenaDentro de ti, ó cidadeDentro de ti, ó cidadeO povo é quem mais ordenaTerra da fraternidadeGrândola, vila morenaEm cada esquina, um amigoEm cada rosto, igualdadeGrândola, vila morenaTerra da fraternidadeTerra da fraternidadeGrândola, vila morenaEm cada rosto, igualdadeO povo é quem mais ordenaÀ sombra duma azinheiraQue já não sabia a idadeJurei ter por companheiraGrândola, a tua vontadeGrândola a tua vontadeJurei ter por companheiraÀ sombra duma azinheiraQue já não sabia a idade
  • 9. “Mas eu que já esperava altasmudanças,Melhor tempo aguardei; e na algibeiraMeti a petição e as esperanças.” Nicolau Tolentino
  • 10. “Aprende a nadar, companheiroaprende a nadar, companheiroQue a maré se vai levantarque a maré se vai levantarQue a liberdade está a passar por aquique a liberdade está a passar por aquique a liberdade está a passar por aquiMaré altaMaré altaMaré alta” Sérgio Godinho
  • 11. Canta camarada cantacanta que ninguém te afrontaque esta minha espada cortados copos até à pontaEu hei-de morrer de um tiroOu duma faca de pontaSe hei-de morrer amanhãmorra hoje tanto contaTenho sina de morrerna ponta de uma navalhaToda a vida hei-de dizerMorra o homem na batalhaViva a malta e trema a terraAqui ninguém arredounem há-de tremer na GuerraSendo um homem como eu sou (Fernando Lopes Graça)
  • 12. Era um Abril de amigo Abril de trigoAbril de trevo e trégua e vinho e húmusAbril de novos ritmos novos rumos.Era um Abril comigo Abril contigoainda só ardor e sem ardilAbril sem adjectivo Abril de Abril.Era um Abril na praça Abril de massasera um Abril na rua Abril a rodosAbril de sol que nasce para todos.Abril de vinho e sonho em nossas taçasera um Abril de clava Abril em actoem mil novecentos e setenta e quatro.Era um Abril viril Abril tão bravoAbril de boca a abrir-se Abril palavraesse Abril em que Abril se libertava.Era um Abril de clava Abril de cravoAbril de mão na mão e sem fantasmasesse Abril em que Abril floriu nas armas. Manuel Alegre
  • 13. "Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estadossociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamosacabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vircomigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma.Quem não quiser sair, fica aqui!“
  • 14. “É estranho na Europa qu a liberdade venha comos militares. É a primeira vez. Mas deve dizer-seque Portugal não era um país europeu. Nascondições em que estava Portugal, o golpe deEstado trouxe a liberdade.”Corrado Incerti – Enviado especial de L’Europeo, a26/04/1974
  • 15. Eu vi Abril por fora e Abril pordentrovi o Abril que foi e Abril de agoraeu vi Abril em festa e Abril lamentoAbril como quem ri como quemchora.Eu vi chorar Abril e Abril partirvi o Abril de sim e Abril de nãoAbril que já não é Abril por vire como tudo o mais contradição.Vi o Abril que ganha e Abril queperdeAbril que foi Abril e o que não foieu vi Abril de ser e de não ser.Abril de Abril vestido (Abril tãoverde)Abril de Abril despido (Abril quedói)Abril já feito. E ainda por fazer. Manuel Alegre
  • 16. Se por vinte annos, nesta furna scura,Deixei dormir a minha maldição,- Hoje, velha e cançada de amargura,Minh’alma se abrirá como um vulcão.E, em torrentes de colera e loucura,Sobre a tua cabeça ferverãoVinte annos de silencio e de tortura,Vinte annos de agonia e solidão…Maldita sejas pelo Ideal perdido!Pelo mal que fizeste sem querer!Pelo amor que morreu sem ter nascido!Pelas horas vividas sem prazer!Pela tristeza do que eu tenho sido!Pelo esplendor do que eu deixei de ser! Olavo Bilac
  • 17. “Era uma vez um paísde tal maneira exploradopelos consórcios fabrispelo mando acumuladopelas ideias nazispelo dinheiro estragadopelo dobrar da cervizpelo trabalho amarradoque até hoje já se dizque nos tempos do passadose chamava esse paísPortugal suicidado.” Ary dos Santos
  • 18. “Presto as minhas homenagens às Forças Armadas, que restituíram ao país a voze a alegria, num acto histórico que jamais poderemos esquecer. Compete agoraao povo, aos trabalhadores, organizar a democracia.” Mário Soares, 28/04/1947
  • 19. “Este dia é um canteirocom flores todo o anoe veleiros lá ao largonavegando a todo o pano.E assim se lembra outro dia febrilque em tempos mudou a histórianuma madrugada de Abril,quando os meninos de hojeainda não tinham nascidoe a nossa liberdadeera um fruto prometido,tantas vezes proibido,que tinha o sabor secretoda esperança e do afectoe dos amigos todos juntosdebaixo do mesmo tecto.” José Jorge Letria
  • 20. "Terra Pátria serás nossa,Mais este sol que te cobre,Serás nossa,Mãe pobre de gente pobre.O vento da nossa fúriaQueime as searas roubadas;E na noite dos ladrõesHaja frio, morte e espadas.Terra Pátria serás nossaMais os vinhedos e os milhos,Serás nossa,Mãe que não esquece os filhos.Com morte, espadas e frio,Se a vida te não remir,Faremos da nossa carneAs searas do porvir.E se a loucura da sorteassim nos quizer perder,Abre os teus braços de morteE deixa-nos aquecer.“ Carlos Oliveira
  • 21. Ouvi banqueiros fascistasagiotas do lazerlatifundiários machistasbalofos verbos de enchere outras coisa em istasque não cabe dizer aquique aos capitães progressistaso povo deu o poder!E se esse poder um diao quiser reoubar alguémnão fica na burguesiavolta à barriga da mãe!Volta à barriga da terraque em boa hora o pariuagora ninguém mais cerraas portas que Abril abriu! José Carlos Ary dos Santos
  • 22. “Dahi a mola occulta, a força ingenita,A causa porque tu, no ardor da guerra,Revolves sem cessar o céu, a terra,A alma e o coração,E fazes e desfazes, sem descanço,Systemas, religiões, philosophias;Depões a Deuses, reis e tiranias,Em nome da Rasão!...” Manuel de Arriaga
  • 23. “A Águia procurao vértice,o instante,onde o dia évertigeme o sol se despenha.” José Alberto Oliveira
  • 24. "Homem, se homem queres serE não uma sombra triste,Olha para tudo o que existeCom olhos de bem ver.Nada,Nada receies saber.Ao que não amas, resiste.Mesmo vencido, persisteE acabarás,E acabarás por vencer.Quere,Quere e poderás poder.Vai por onde decidiste.A liberdade consisteNo que a razãoNo que a razãoNo que a razão te impuser.“Armindo Rodrigues
  • 25. “Fala o canhão. Estala o riso da metralha Os clarins muito ao longe tocam a reunir. O Deus da guerra ri nos campos de batalha E tu, ó Pátria minha, ergues-te a sorrir! Vestes alva cota bordada e rosicleres Desfraldas a bandeira rubra dos combates, Levas no heróico seio a alma das mulheres E ergue-se contigo a alma de teus vates!Levanta-se do túmulo a voz dosteus heróis,Cintila em tua fronte o brilhodesses sóis,Até o próprio mar t’incita acombater!Nun’Álvares arranca a espada deglóriaE diz-te em voz serena: “Em buscada vitóriaMeu belo Portugal, combate atémorrer!” Florbela Espanca
  • 26. “Só há liberdade a sério quando houvera paz o pãohabitaçãosaúde educaçãosó há liberdade a sério quando houverliberdade de mudar e decidirquando pertencer ao povo o que o povoproduzir.” Sérgio Godinho
  • 27. “Os Cavaleiros tende em muita estima,Pois com seu sangue intrépido e ferventeEstendem não sòmente a Lei de cima,Mas inda vosso Império preminente.Pois aqueles que a tão remoto climaVos vão servir, com passo diligente,Dous inimigos vencem: uns, os vivos,E (o que é mais) os trabalhos excessivos.” Os Lusíadas – Luis Vaz de Camões
  • 28. Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo umcrime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer. Bernardo Soares – Livro do Desassossego
  • 29. “Como sabe, é a festa popular, é aAlegria, é o ambiente deconfraternização entre o Povo e asForças Armadas, como só sepresenciou, em 1910, depois daproclamação da República.É, pois, a saída de uma longa noitee o começo de uma nova vida, comtodos os problemas daíresultantes. Temos, agora, dereconstruir urgentemente o País.” Mário Soares, in Flama, 1974
  • 30. Porque os outros se mascaram mas tunãoPorque os outros usam a virtudePara comprar o que não tem perdão.Porque os outros têm medo mas tu não.Porque os outros são os túmuloscaiadosOnde germina calada a podridão.Porque os outros se calam mas tu não.Porque os outros se compram e sevendemE os seus gestos dão sempre dividendo.Porque os outros são hábeis mas tu não.Porque os outros vão à sombra dosabrigosE tu vais de mãos dadas com os perigos.Porque os outros calculam mas tu não. Sophia de Mello Breyner Andresen
  • 31. Ao lado do homem vou crescendoDefendo-me da morte quando douMeu corpo ao seu desejo violentoE lhe devoro o corpo lentamenteMesa dos sonhos no meu corpo vivemTodas as formas e começamTodas as vidasAo lado do homem vou crescendoE defendo-me da morte povoandode novos sonhos a vida. Alexandre O’Neill
  • 32. “Venham mais cinco,duma assentada que eu pago jáDo branco ou tinto,se o velho estica eu fico por cáSe tem má pinta,dá-lhe um apito e põe-no a andarDe espada à cinta,já crê que é rei d’aquém e além-marNão me obriguem a vir para a ruaGritarQue é já tempo d’ embalar a trouxaE zarparA gente ajuda, havemos de ser maisEu bem seiMas há quem queira, deitar abaixoO que eu levanteiA bucha é dura, mais dura é a razãoQue a sustem só nesta rusgaNão há lugar prós filhos da mãeNão me obriguem a vir para a ruaGritarQue é já tempo d’ embalar a trouxaE zarparBem me diziam, bem me avisavamComo era a leiNa minha terra, quem trepaNo coqueiro é o rei.”
  • 33. Uma gaivota voava, voava,Asas de vento,Coração de mar.Como ela, somos livres,Somos livres de voar.Uma papoila crescia, crescia,Grito vermelhoNum campo qualquer.Como ela somos livres,Somos livres de crescer.Uma criança dizia, dizia“quando for grandeNão vou combater”.Como ela, somos livres,Somos livres de dizer.Somos um povo que cerrafileiras,Parte à conquistaDo pão e da paz.Somos livres, somos livres,Não voltaremos atrás.
  • 34. “Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo” Sophia de Mello Breyner Andresen
  • 35. “MATILDEMas eles ainda não foram julgados! Que espéciede Deus é o vosso que condena antes de ouvir?Que gente sois, senhores, que Reino é este emque tive a triste sorte de nascer?Sr. Marechal: quanto vale, para vós, a vida dumhomem?BERESFORDDe que homem, minha senhora?De qualquer homem.MATILDEBERESFORDDepende do seu peso, da sua influência, dasvantagens ou dos inconvenientes que, paramim, resultem da sua morte.E nada mais?MATILDEBERESFORDNão há mais nada a considerar, minha senhora.” Luís de Stau Monteiro, Felizmente Há Luar!
  • 36. “Mas há sempre uma candeiadentro da própria desgraçahá sempre alguém quesemeiacanções no vento que passa.Mesmo na noite mais tristeem tempo de servidãohá sempre alguém queresistehá sempre alguém que diznão.” Manuel Alegre
  • 37. “A terra é feita de céuA mentira não tem ninho.Nunca ninguém se perdeu.Tudo é verdade e caminho.” Fernando Pessoa
  • 38. “Eles não sabem que o sonhoé uma constante da vidatão concreta e definidacomo outra coisa qualquer,como esta pedra cinzentaem que me sento e descanso,como este ribeiro mansoem serenos sobressaltos,como estes pinheiros altosque em verde e oiro seagitam,como estas aves que gritamem bebedeiras de azul.” António Gedeão
  • 39. E vós, ó militares, para o quartel(sem que, no entanto, vos deixeispurgarao ponto de não serdes o que deveisser:garantes de uma ordem democráticaem que a direita não consiga nuncaditar uma ordem sem democracia).E tu, canção-mensagem, vai e dizo que disseste a quem quiser ouvir-te.E se os puristas da poesia te acusaremde seres discursiva e não galanteem graças de invenção e delinguagem,manda-os àquela parte. Não é tempopara tratar de poéticas agora. Jorge de Sena
  • 40. Somos muitos mil para recordar e continuar Abril!