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Projeções e cenários para a carne bovina a 2021
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Projeções e cenários para a carne bovina a 2021

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Dados e fatos sobre a produção de carne bovina no mundo. Projeções sobre produção, commércio e consumo a 2021

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    Projeções e cenários para a carne bovina a 2021 Projeções e cenários para a carne bovina a 2021 Document Transcript

    • Projeções e Cenários para a Carne Bovina a 2021 Osler Desouzart osler@odconsulting.com.br A celebração de mais uma edição da FEINCO merece que prestemos nossa homenagem ao setor de bovinocultura de corte brasileiro. A forma será traduzir algumas tendências que se verificam até 2021 para a carne bovina a nível mundial e identificar o que as estatísticas indicam para os principais países produtores. Sendo o Brasil um dos principais exportadores mundiais, estenderemos essas tendências ao comércio internacional de carnes bovinas. Comecemos com uma indicação positiva, a de que a produção de carne bovina deverá crescer entre 2012 e 2021 a uma taxa média anual de 1,77%, uma aceleração do nível de crescimento se considerarmos que nos dez anos precedentes, 2002 a 2011, esse crescimento médio anual foi de 1,18%. Isso levará a produção mundial de carne bovina a 76.503.190 t em 2021, um crescimento de 10.872.196 t sobre o volume produzido na média do triênio 2009-2011 que foi de 65.630.994 t. O Gráfico I apresenta o Balanço Mundial da Carne Bovina a 2021. Gráfico I 1 1 Elaborado por ODConsulting a partir de dados data extraídos em 22 May 2013 16:01 UTC (GMT) da OECD.Stat. Beef & Veal 2021 Projections
    • Os Gráficos II e III apresentam os quinze principais produtores mundiais de carnes bovinas no triênio 2009-2011 e o projetado para 2021. É significativo no período o crescimento da Índia (média anual de 2,36% no período 2012-2021), que se torna o quinto maior produtor mundial e o explosivo crescimento do Paquistão a um ritmo médio anual de 4,09%. Gráfico II 2 Gráfico III 3 2 Elaborado por ODConsulting a partir de dados da OECD-FAO Agricultural Outlook 2012 - © OECD 2012 Cópia de Beef &_Veal OECD-FAO 2021 e média 2009-2011 SONIA Gráficos2021
    • As tabelas que se seguem traduzem as projeções feitas pelo USDA-ERS4 , OECD-FAO5 e nos casos do Brasil e da União Europeia são complementados pelas executadas respectivamente pelo MAPA6 e pela Comissão Europeia7 . Os períodos abrangidos serão de 2011 a 2021, respeitadas as estatísticas das publicações listadas nas notas de rodapé de 4 a 7, mesmo quando disponíveis números mais recentes publicados ulteriormente às referidas publicações. Cobriremos a evolução anual de países selecionados do Gráfico III. Há sempre diferenças entre os números projetados e mesmo no nível de crescimento apontado pelos diferentes estudos. Em alguns casos, essas diferenças são significativas e merecerão comentários. Iniciaremos pelos Estados Unidos, país farto em estudos e dados. Notem que as diferenças entre os números do USDA e da OECD-FAO não impedem que percebamos em ambos os estudos uma indicação da retomada da produção norte-americana a partir de 2016 graças à reposição de seus rebanhos. 3 Idem #3 4 USDA Agricultural Projections to 2022. Office of the Chief Economist, World Agricultural Outlook Board, U.S. Department of Agriculture. Prepared by the Interagency Agricultural Projections Committee. Long- term Projections Report OCE-2013-1 - Meats Poultry, Pork and Beef 2011-2022 US and other countries 5 OECD/FAO (2012), OECD-FAO Agricultural Outlook 2012-2021, OECD Publishing and FAO. http://dx.doi.org/10.1787/agr_outlook-2012-en 6 BRASIL PROJEÇÕES DO AGRONEGÓCIO 2011/2012 a 2021/2022 Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento - Assessoria de Gestão Estratégica 7 Prospects for Agricultural Markets and Income in the EU 2012-2020. European Commission, Directorate-General for Agriculture and Rural Development and in the Joint Research Centre – Institute for Perspective Technological Studies (JRC-IPTS
    • Tabela I Nosso Brasil é o segundo, onde todas as projeções apontam crescimento de dois dígitos para o período. Seguiremos entre os três maiores produtores, exportadores e, sobretudo, consumidores de carnes bovinas. Tabela II Para a UE-27, os três estudos convergem em indicar uma redução da produção e as razões centram-se no baixo dinamismo de sua demanda. Essa situação poderá inclusive ser
    • discretamente acentuada pelos impactos da crise econômica que moderará a demanda pelas carnes mais caras e promoverá uma migração do consumo dos menos afluentes e dos mais afetados pelas medidas econômicas para alternativas mais acessíveis. A terceira força produtora mundial manterá uma postura conservadora e de autossuficiência, com 98% de seu consumo atendido por produção própria. Tabela III 8 Naturalmente nenhum estudo sobre carnes é completo se ignorar o Planeta China, onde crescimentos de dois dígitos parece ser a regra geral. Com a carência de recursos naturais do país e a expansão de seu consumo de todas as proteínas animais, acreditamos que todos os estudos existentes que indicam à China autossuficiência em termos de carnes bovinas correm um elevadíssimo risco de serem contraditos pela realidade do mercado. 8 Fonte para os dados EEuropa.eu: Prospects for Agricultural Markets and Income in the EU 2012-2020 http://ec.europa.eu/agriculture/publi/caprep/prospects2012/fullrep_en.pdf
    • Tabela IV O quinto maior produtor em 2021 será a Índia que ocupará a posição atualmente detida pela Argentina. Há diferenças muito significativas entre os números de produção da Índia em 2011 do USDA e da OECD-FAO e consequentemente as projeções, calculadas a partir de dados do passado, traduzem essa disparidade. Seria então de indagar quem está com a razão e quais os números mais reais, os do USDA ou da OECD-FAO. Não há infelizmente uma fonte de informação alternativa que nos permita responder a essa pergunta. Várias referências da imprensa indiana apresentam dados de que a produção de abatedouros registrados galgou de 557.000 t em 2008 para 805.000 t em 20119 . O Relatório Anual 2011-2012 do Ministério de Agricultura da Índia menciona uma produção de “carnes”, sem detalhamento por espécies e que coloca a produção indiana de “carnes” em 2010- 11 em 4,1 milhões de toneladas. No Anexo V, pg 87, figuram os esclarecimentos que dita quantidade provem “do setor reconhecido” e que a partir “2007-08 a produção de carnes de granjas comerciais de aves” estão incluídas. Como o último Censo Agropecuário da Índia data de 2007, como perto de 95% do comércio de frangos se realiza sob a forma de aves vivas, é lícito concluir que os dados do relatório (cf. Gráfico IV) sejam estimativas. Na ausência de um dado oficial fica difícil determinar quais dos números dos dois organismos internacionais estejam corretos. Poderíamos contribuir para essa confusão de números com os dados da FAOSTAT que revela que em 2011 a produção da Índia de carnes bovinas e bubalinas foi de 2.589.320 t, sendo 1.502.820 t de carne de búfalo e 1.086.500 t de carne bovina. 9 http://www.ibtimes.com/wheres-beef-india-believe-it-or-not-1258469 + http://articles.timesofindia.indiatimes.com/2013-04-01/india/38188217_1_buffalo-meat-tonnes-transport- and-slaughter
    • Tabela V Gráfico IV 10 Acreditamos que a Índia para dar continuidade ao seu espetacular crescimento de exportações de carnes de gado deverá dotar as partes interessadas – produtores, exportadores, importadores, autoridades dos diferentes países envolvidas no processo, operadores de logística, etc – de uma base de dados adequada a seu crescimento. 10 India Meats Production according to Annual Report, Ministry of Agriculture
    • É, entretanto, inegável que a Índia rompeu com a hegemonia exercida por largo tempo pelo triunvirato da exportação da carne bovina mundial, Austrália, Brasil e Estados Unidos. Com os dois próximos países, Argentina e Austrália, encerraríamos esse maior detalhamento dos dados sob pena de tornar este artigo pesado e maçante. Tanto USDA e OECD-FAO partilham de uma visão otimística sobre a produção argentina de carne bovina, cujo crescimento é estimado em 2,06% anuais na próxima década, contra 1,06% da Austrália, ainda que na década precedente ambos os países tenham experimentado um crescimento médio anual de 0,23% e 0,25% respectivamente Tabela VI Tabela VII As importações mundiais devem crescer em 1.816.66211 toneladas, passando em 2021 a 10.026.294 t, um crescimento a uma taxa média anual de 2,1% ao ano na década 2012- 2021, contra uma expansão média anual de 2,36% na década anterior. As modificações mais significativas entre os gráficos V e VII que representam respectivamente os principais países importadores em 2009-11 e em 2021 está na perda da posição relativa da União Europeia-27 e o avanço da Turquia e da África do Sul ao rol dos principais importadores. Gráfico V 11 Beef & Veal 2021 Projections
    • 12 Gráfico VI 13 12 Idem #2 13 Idem #2. Os números relativos a USA, Rússia, Turquia e KSA foram ajustados pelos do USDA-ERS
    • Os volumes de exportação seguirão os de importação, mas a grande expectativa reside na liderança da Índia em termos de volumes exportados, isso na visão das projeções do USDA-ERS. Não há nessa previsão unanimidade, mas inegavelmente teremos na Índia um fornecedor de peso de carne bovina e de búfalo. A Tabela VIII lista os principais exportadores até 2021 na visão do Economic Research Service do USDA. Tabela VIII – Principais Exportadores de Carnes de Gado – Bovina e Bubalina 14 Ao realizar a seleção de dados para confeccionar essa tabela chamou-me a atenção que países como México, Paraguai e Uruguai se aproximavam dos totais exportados pela Argentina, país que no passado deteve mais de 10% do mercado internacional de carnes bovinas e cujos produtos eram quase que sinônimo de carne bovina de qualidade, com restaurantes fazendo questão de indicar em seus cardápios que se tratava de “carne argentina”. Que não se ofendam meus amigos mexicanos, paraguaios e uruguaios por listá-los, mas a intenção é só destacar que não tinham a tradição e a posição da Argentina no mercado internacional de carne bovina, e aos vossos países adiria o Brasil, cujas exportações de carnes bovinas só se tornam explosivas a partir dos anos 90. Essa expressiva participação de mercado da Argentina em período que se estende a meados dos anos 80 começa de então a se deteriorar até alcançar uma posição de 3% do mercado nos últimos dois anos. Os prognósticos da OECD-FAO é de que a Argentina melhore essa participação no período de 2021 a 2021 (em azul transparente no Gráfico VII), quando a fatia de mercado do país ascenderia a mais de 5%. 14 Fonte: International Data Baseline, USDA/ERS Meats Poultry, Pork and Beef 2011-2022 US and other countries
    • Não farei paralelos com as exportações de carne bovina na EU que em meados dos anos 80 era a potência exportadora dominante, posição que deteve até meados dos anos 2000 e que desde então despencou. A União Europeia não exportava carne, exportava subsídios, enquanto que a Argentina exportava carne de qualidade. A perda de posição argentina deve servir a todos nós de lição, um “sic transit gloria mundi”, o quão efêmero pode ser o a glória, o êxito. Gráfico VII 15 Não tenho o objetivo de fazer essa análise, até porque seria desrespeitosa com pesquisadores e estudiosos daquele país. Uso o exemplo para indicar que como classe devemos sempre estar profundamente atentos: I. aos câmbios de hábitos e de tendências dos países consumidores; II. ao posicionamento de nossos concorrentes; III. ao monitoramento de nosso SWOT; IV. aos intervencionismos estatais; V. ao tribalismo que leva a que muitos desprezem a defesa da cadeia para focarem no elo que representam na cadeia; VI. ao processo de melhorias constantes; VII. à adaptação às mudanças dos mercados; 15 Beef & Veal 2021 Projections
    • VIII. biossegurança, biossegurança, biossegurança. Tudo que tenhamos feito de certo em nossas empresas nos trouxe até o dia de hoje, não nos garante o amanhã. Todas as glórias que conquistamos e que foram trombeteadas em prêmios, loas, encômios e louvações - algumas até sinceras - são transitórias. Hoje o Brasil figura entre os três principais líderes do mercado internacional de carne bovina, mas o preço de garantirmos que o passado de conquistas se prolongue ao máximo no futuro está numa atenção permanente a fatores como os exemplificados acima, na formação de uma consciência de busca permanente de aprimoramento e da dotação de meios de defesa do setor bovino, defesa esta conduzida por entidades de classe neutras e profissionalmente administradas, da qual a ABIEC é um ótimo exemplo. E dotação de meios significa estar pronto a investir na defesa da cadeia quando sempre ficamos mais confortáveis em investir no elo que nos representamos. O consumo da carne bovina apresentará uma tendência de crescimento na próxima década, o que fica perceptível ao examinarmos o Gráfico VIII, onde é nítida a reversão da tendência à queda paulatina do consumo per capita para voltar a crescer a partir de 2013. Gráfico VIII 16 16 Elaborado por ODConsulting a partir de dados da OECD.Stat. Mundo Carnes
    • No Gráfico IX há a quantificação desse consumo total e uma constatação muito interessante. Ao contrário das demais carnes, principalmente a de aves, o ritmo de crescimento do consumo da carne bovina nos Países Desenvolvidos ganha um novo alento. Verifiquem na Tabela IX que de 2011 a 2021 o consumo de carnes bovina nesta categoria de países se expandirá em 9,1%, contra uma queda experimentada na década anterior. Naturalmente, os Países em Desenvolvimento seguirão sendo o grande vetor de consumo, mas este prognóstico de reversão da queda do consumo nos Países Desenvolvidos é um divisor de águas, mormente se considerarmos a carga de publicidade negativa que a carne bovina recebe nessa categoria de países, alcançando seu auge na década de 90 quando éramos quase visto como criminosos, genocidas, ecocidas, promotores de doenças cardiovasculares, etc. Tabela IX Gráfico IX 17 Os Gráficos X e XI identificam os principais países consumidores de carne bovina nos anos 2009-11 e em 2021, ainda que as projeções para a China me pareçam extremamente modestas. Gráfico X 17 Idem #16. Beef & Veal 2021 Projections
    • 18 Gráfico XI 19 18 19 Cópia de Beef &_Veal OECD-FAO 2021 e média 2009-2011 SONIA Gráficos2021
    • Acreditamos que o fator preço sempre tem sua importância fundamental, mormente entre os consumidores que representam o “bottom billion20 ”, que representaria o bilhão de pessoas na população mundial de 7 bilhões que vivem em miséria bíblica e sujeitos à subnutrição. O “bottom billion” vive em países onde a renda per capita é inferior a US& 7/ dia. Entretanto, há no mundo um “top billion”, um bilhão de pessoas cujos ingressos lhes permitem acesso a todos os tipos de alimentos. O consumo de alimentos está diretamente ligado aos ingressos. Na medida em que a renda sobe a dieta humana migra de produtos de origem vegetal para os produtos de origem animal, principalmente carnes. Escrevi inúmeras vezes sobre esse tema que há muito evoluiu de tese para fato a partir da demonstração estatística. Há aqueles que comem o que querem e que são muito mais influenciados por conceitos e modismos do que pelo preço dos alimentos, mas seria estulto negar que preço tem zero influência sobre o consumo. Nesses países onde conceitos são determinantes e ativismo é uma forma de vida a renda per capita é sempre superior a US$ 75/ dia. Nos próximos dez anos os preços agrícolas em geral e das carnes devem ficar em patamares mais elevados que na década anterior, sendo previstos preços particularmente elevados para produtos pecuários. Os preços de componentes de rações não devem crescer tanto quanto os das carnes e isso dará a base para o crescimento de rebanhos, aumento da produção de carnes e lácteos até 2021. Atualmente, todos os prognósticos indicam que o rebanho bovino de alguns dos grandes produtores mundiais estará reposto a partir de 2016. O Gráfico XII permitirá visualizar essa ascensão dos preços das carnes, mas o que chama particularmente a atenção é que a partir de 2010 os preços das carnes bovinas acentuam seu distanciamento em relação às carnes suínas e de aves. 20 A expressão “bottom billion” surge no livro The Bottom Billion: Why the Poorest Countries are Failing and What Can Be Done About It, do Professor Paul Collier, da Universidade de Oxford..
    • Gráfico XII 21 As carnes de aves prosseguirão seu caminho para se tornar em 2021, na visão da OECD-FAO, ou em 2020 nas projeções da ODConsulting, a carne mais produzida. A percepção de que tal se explica pelo menor preço das carnes de aves é simplista. Antes que preço, as carnes de aves são susceptíveis de serem produzidas em mais países. Primeiro porque não sofrem como a carne suína qualquer restrição de caráter religioso e em segundo lugar porque exigem menos recursos naturais para sua produção. Tabela X 21 Fonte: Secretariados da OECD e da FAO. Os preços apresentados e projetados para as carnes são baseados para a carne bovina nos preços de Nebraska, USA, US Choice steers, carcaças de 500-590 kg. Os preços de caprinos/ovinos estão baseados nos preços neo-zelandeses, média de todas as categorias. Os preços de suínos (US Barrows and gilts, No. 1-3) equivalem aos de carcaças de 104,5-113,6 kg, mercados de Iowa e sul de Minnesota. Os preços de frango baseiam- se na média do preço brasileiro abatido a nível de produtor. OECD-FAO AGRICULTURAL OUTLOOK 2012 © OECD/FAO 2012 Preços agrícolas evolução a 2021
    • Temos recursos naturais limitados – água e terra arável – e esses recursos serão cada vez mais utilizados para produzir alimentos, matérias-primas para rações e energia. Produção de bovinos a pastos torna-se a cada dia, pois as terras escassas cada dia assistem ao avanço dos grãos e, no caso brasileiro, da cana-de-açúcar. Mesmo no caso de gado confinado, usa-se de 5,5/6,5 kg de grãos e ± 12kg de volumoso para a produção de um quilo de carne, enquanto que para a principal de carne de aves, o frango, a conversão média atual é de 1,7 kg de ração para 1 kg de peso vivo, sendo já existentes vários exemplos de produção a nível comercial onde essa conversão média é de 1,4 kg, quantidade que vários estudiosos, entre os quais nos incluímos, indicam que será a regra e não a exceção em 2021. Além disso, é hoje possível produzir um frango comercial de 2,2kg em ≤40 dias, prazo que continuará a sofre redução graças a melhoras que nos aportam ciência e tecnologia. Longe de ser uma ameaça à carne bovina que seguirá tendo seu segmento em expansão tanto em produção quanto em demanda, há aqui um desafio a que o setor se submeta a uma reinvenção representada pelo aporte constante de ciência e tecnologia à bovinocultura, assegurando assim um processo de melhorias constantes. Em conferência em Acreúna perguntei ao público de produtores de gado qual notícia que preferiam ouvir primeiro, uma boa ou uma má. Surpreendentemente optaram por ouvir primeiro a má notícia e essa era a de que mui possivelmente somente 20% dos presentes seguiriam na atividade nos próximos 20 anos. E alguém então perguntou se havia então alguma boa notícia depois de uma péssima notícia como a que eu havia enunciado. E respondi que sem dúvida havia
    • uma ótima notícia: a bovinocultura de carne continuaria a crescer e o Brasil seguiria sendo um dos principais produtores mundiais. Não mudaria o “que”. Mudaria o “quem”. A tendência é que a atividade se torne progressivamente concentrada naqueles que se reinventarem, que buscarem melhorias constantes e que forem capazes de se ajustar mais rapidamente que seus colegas de atividade às constantes mudanças do mercado. Há futuro para aqueles que se prepararem para o futuro antecipando-o. Como se diz na minha terra, “quem chega no rio primeiro bebe água mais limpa”.