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As revelações dos sócios de Marcos Valério
 

As revelações dos sócios de Marcos Valério

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    As revelações dos sócios de Marcos Valério As revelações dos sócios de Marcos Valério Document Transcript

    • BRASIL – ISTOÉ - N° Edição: 2271 | 24.Mai.13 - 20:40 | Atualizado em 26.Mai.13 - 14:48As revelações dos sócios de Marcos ValérioApós 8 anos em silêncio, os ex-sócios de Valério na agência SMP&BCristiano Paz e Ramon Hollerbach abrem o jogo e contam como foimontada a estratégia para ganhar dinheiro com o PT e revelam osbastidores da aproximação e briga com o operador do mensalãoPor Paulo Moreira LeiteSentados numa sala de reuniões no primeiro andar de um edifício discreto no bairro de Santa Lúcia, em Belo Horizonte, ospublicitários Ramon Hollerbach Cardoso, 65 anos, e Cristiano Paz, 61, aguardam pelo debate de recursos no SupremoTribunal Federal para saber qual será seu futuro – o próximo e o distante. No final de 2012, quando o Supremo TribunalFederal anunciou as 25 condenações do mensalão, Hollerbach recebeu a pena de 29 anos, 7 meses e 20 dias de prisão.Cristiano pegou 25 anos, 11 meses e dez dias. Apenas Marcos Valério, sócio de ambos em duas agências de publicidade,recebeu pena maior que a deles: 40 anos.Se não conseguirem obter nenhuma revisão da sentença nos próximos meses, Paz e Hollerbach passarão pelo menosquatro anos e dez meses na cadeia. São projeções otimistas, na verdade. Além do mensalão no STF, os dois enfrentamoutros inquéritos em instâncias inferiores da Justiça que podem produzir novas penas – e novos períodos de restrição deliberdade, como diz a linguagem jurídica. Em qualquer caso, Hollerbach terá completado 95 anos quando a sentença querecebeu no final de 2012 chegar ao fim. Pelo menos até os 86 anos Paz estará submetido à condição de apenado, mesmoque fora do cárcere. “Somos vítimas de uma história que começou errada, continuou errada, mas não pode terminarerrada,” afirma Hollerbach. O ex-sócio, como Paz, na semana passada, quebrou um silêncio de oito anos sobre o caso. Ementrevista à ISTOÉ, ambos contaram como e por que se aproximaram e, depois, brigaram com Marcos Valério e em quesituação foram apresentados a Delúbio Soares, ex-tesoureiro petista. Revelaram ainda os bastidores da reunião em queacertaram o empréstimo de R$ 10 milhões ao PT com um dirigente do Banco Rural.Toda pessoa que já conversou com um condenado a caminho da cela sabe que ouvirá juras permanentes de inocência equeixas veementes contra a Justiça. É compreensível e mesmo humanitário. A dúvida é saber quando essas manifestaçõesexpressam o interesse individual de quem tenta recuperar a liberdade a qualquer custo, e quando expressam fatosverdadeiros, que merecem um novo exame da Justiça. Qualquer que seja o juízo que se faça sobre o destino de Hollerbach ePaz, é preciso reconhecer que se trata de uma situação que não pode ser resolvida em ambiente de Fla-Flu. Envolvedenúncias e provas aceitas pela mais alta corte de Justiça do País, mas também inspira um debate sempre bem vindo sobredireitos e garantias individuais, que será feito nos próximos meses, quando o STF examinar os recursos dos condenados.
    • Sócios e parceiros na SMP&B, a mais bem-sucedida agência de publicidade do País fora do eixo Rio-São Paulo,os dois não são personagens secundários da sociedade mineira. Paz é um publicitário respeitado pelo arrojocriativo que lhe permitiu colecionar prêmios internacionais e uma grande carteira de clientes. Em 2002,Hollerbach fez parte da coordenação da campanha que levou Aécio Neves ao governo de Minas Gerais. No fimdaquele ano, Marcos Valério, sócio mais recente, que tivera a capacidade de retirar a SMP&B do fundo de umpoço financeiro, apareceu acompanhado de um personagem que mudou a vida dos três: Delúbio Soares,tesoureiro da campanha petista.A motivação que levou dois profissionais bem-sucedidos a se aproximar do esquema de finanças do Partido dosTrabalhadores em 2002 envolve a ambição de ganhar muito dinheiro e conquistar posições no mercado – emtroca de favores prestados aos aliados do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Assegurando que os dois apenasseguiram a estratégia de crescimento de outras grandes agências do País, Paz afirma: “Com a ajuda do governofederal nós poderíamos ganhar uma estatura que jamais seria obtida no mercado. O governo abre portas, ajudaa obter contratos e clientes.” Para Hollerbach, a aproximação representava a chance de participar decampanhas eleitorais. “O que se ganha em quatro meses de campanha pode ser mais do que quatro anos deatividade no mercado,” afirma. “Numa campanha você começa a discussão sobre seu ganho líquido, que estágarantido. Coloca dinheiro no bolso e, depois, cobra os custos.”Nem a vontade de enriquecer nem a troca de favores, mesmo enunciada com franqueza tão rara e explícita,explicam as condenações de 25 ou 29 anos. Os dois foram condenados por crimes graves: corrupção ativa,peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ao pedir a condenação de Paz, Joaquim Barbosadenunciou “toda uma parafernália, um mecanismo bem azeitado de desvio de recursos públicos.” Ressalvandoque os antecedentes de Paz são “absolutamente impecáveis, recomendáveis”, o revisor Ricardo Lewandovski,que se opôs a Joaquim Barbosa em vários momentos do julgamento, considerou que o réu “cometeu crimesgravíssimos” e decidiu condená-lo, mesmo aplicando penas mais leves.FIM DA GÊNESE DO ESQUEMAFilial de Brasília da SMP&B Comunicações foi fechadaem 2005 no rastro do escândalo do mensalão.Parece difícil negar que havia fundamento para condenar Hollerbach e Paz por lavagem de dinheiro,responsável por cinco anos de prisão e dez meses para cada um. Os dois emprestaram ao PT um dinheiro quenão era deles nem de suas agências, mas do Banco Rural, um dos potentados financeiros de Minas na época.Interessado, ele também, em aproximar-se do PT, José Antonio Drummond, executivo da instituição que iria
    • morrer num desatre de automóvel, chamou Paz e Rollerbach para uma conversa onde sugeriu umatriangulação. Os publicitários pediriam o empréstimo de R$ 10 milhões para repassar o dinheiro para o PT,enquanto o banco ficaria nos bastidores, pronto para prestar socorro em qualquer eventualidade. Quando foinecessário, o Rural renovou o empréstimo.Mesmo sem ter um papel executivo na DNA, matriz do esquema de distribuição de dinheiro clandestino para osdeputados do PT, Hollerbach e Paz tinham participação acionária naquela agência. Mas faziam aquilo que erafundamental para alimentar o esquema: assinavam cheques ao portador. Além da SMP&B, possuíam partipaçãonuma holding, a Grafitte, que era dona de metade da DNA, onde ingressaram por indicação de Valério. No dia adia, a agência era comandada por Marcos Valério e dois publicitários, presidente e vice, que nem sequer foramchamados a prestar depoimento. Quando, por uma razão ou outra, os diretores estavam ausentes, Paz eHollerbach faziam o serviço. Talvez tenham sido duas dezenas, num universo que pode chegar a milhares.<><><><><><><><><><><><><>O pessoal do PT não sabia e nem sabe de nada!!!!!!!!!!!!!!
    • Se é sempre difícil fingir que nada há de muito esquisito em universos de operações poucoclaras, no dia em que lhe pediram para assinar um cheque ao portador no valor de R$ 500 mil,Paz resolveu cair fora. Já lhe coubera, um pouco antes, assinar um cheque igualmentevolumoso, de R$ 326 mil. Deixando evidente que havia um submundo naquele negócio que nãoconhecia – nem pretendia conhecer –, Paz alega: “Eu não sabia o que estava acontecendo, nãosabia para onde aquilo estava me levando e resolvi parar”.Quando informou a Marcos Valério que não iria mais assinar cheques, ouviu uma respostaimediata. Se era assim, teria de se desligar da agência. Concordou, vendendo sua parte paraRomilda, a mulher de Valério. Foi o início de uma ruptura, consolidada pelo escândalo. A últimavez em que os dois conversaram foi em 2007, o ano em que foram aceitos como réus peloSupremo. A primeira conversa tinha sido uma década e meia antes, quando Valério apresentou-se à sede da SMP&B com uma proposta para reestruturar uma agência que acumulava prêmios edívidas na mesma velocidade. “O Marcos tem um talento que precisa ser reconhecido,” diz Paz.Tem visão de negócio, sabe identificar um problema e encontrar uma solução.”Algumas condenações que atingiram Hollerbach e Paz dizem respeito a um ponto anterior atudo. Consiste em saber a natureza daquele esquema financeiro que Delúbio e Valériocolocaram em movimento, com a participação de Paz e Hollerbach. Na verdade, é a maisdelicada discussão em torno do mensalão.DEPOIS DA BONANÇA, A BRIGASócios romperam com Marcos Valério por causa de cheque mal explicadoPara o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e para a maioria dos ministros doSupremo, trata-se de um sistema de corrupção de parlamentares e compra de votos na Câmarados Deputados. Desse ponto de vista, aquele dinheiro que os parlamentares recebiam erapropina – ainda que muitos o usassem para pagar compromissos eleitorais. Por causa dessa visão,majoritória no STF, os cheques da DNA que os dois assinaram em crime de corrupção ativa deparlamentares (quatro anos e dez meses de prisão), além de corrupção ativa e peculato naCâmara (cinco anos e seis meses de prisão). Conforme este raciocínio, um cheque de R$ 326 mil– assinado por Paz – sacado a pedido de Henrique Pizzolato, diretor de marketing do Banco doBrasil, foi visto como prova num caso de corrupção ativa e peculato na instituição (penassomadas de seis anos e seis meses). Os condenados, naturalmente, defendem outro ponto devista. Para eles, os recursos manipulados pela agência faziam parte da distribuição de verbas de
    • campanha, segundo as regras de caixa 2 do sistema eleitoral brasileiro. O tesoureiro DelúbioSoares chegou a defender esse ponto de vista, no início do escândalo, mas a versão logo perdeuforça.Com base no testemunho de uma publicitária que atuava na área de marketing do Banco doBrasil, os ministros respaldaram a denúncia de que o esquema desviou R$ 73 milhões dainstituição para garantir a festa petista. O esquema do mensalão, em síntese, seria isso. OSupremo chegou a esse montante durante o próprio julgamento, que teve início a partir deestimativas ainda mais altas.Num esforço para demonstrar a inocência dos clientes, seus advogados realizam, desde ojulgamento, um exercício de engenharia reversa para demonstrar que o dinheiro desviado foigasto, efetivamente. Percorrem escritórios de fornecedores e parceiros – e mesmo repartiçõespoliciais onde o material foi apreendido – à procura de notas fiscais e material que possademonstrar os gastos. Numa estimativa preliminar, transmitida à ISTOÉ na sexta-feira 24, eles sediziam capazes de demonstrar 90% dos gastos realizados, ou R$ 69.384.146,19. Dada aimportância dessa revelação, que poderia representar uma mudança espetacular na visão demuitas pessoas sobre o julgamento, ela necessita de exames independentes para merecer ocrédito devido.
    • Num dado que chamou pouca atenção durante o julgamento, os autos da ação penal 470 incluemum trabalho de investigação realizado por 24 auditores do Banco do Brasil, em que se concluiuque os recursos que a empresa Visanet enviou à DNA não podem ser definidos como “dinheiropúblico.” Segundo a página 21 do documento, intitulado “Síntese de trabalho de auditoria”, aVisanet, criada pela empresa multinacional que é proprietária do cartão Visa, com gestão edireção autônomas, aplicava recursos próprios na DNA, “não pertencendo os mesmos ao Bancodo Brasil”.Uma informação surgida no acórdão de Joaquim Barbosa, o ministro que liderou a votação noSupremo, pode trazer conforto direto a Hollerbach. Numa denúncia que contribuiu para reforçara pena dele, Barbosa afirmou que uma perícia criminal havia encontrado um depósito de R$ 400mil na conta de uma empresa da qual seria proprietário encoberto. O problema é que, sabe-se
    • hoje, tratava-se de uma acusação com base falsa. O laudo em que o presidente do STF se baseoupara fazer a acusação não estabelece nenhuma ligação direta entre Hollerbach e aqueledepósito. O nome do publicitário nem sequer é mencionado naquele trecho e a empresa, queseria propriedade do publicitário, é uma tradicional produtora de marketing do Rio de Janeiro, aRSC, abreviatura de Rio, Samba e Carnaval, com anos de atuação na cidade, e recebeu odinheiro por um serviço prestado. No acórdão, em que trouxe por escrito o voto que havia lidono tribunal, Joaquim Barbosa deixou claro que reconhecia o erro: suprimiu as linhas em que sereferia ao episódio.