Mabe   Escola 1
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    Mabe   Escola 1 Mabe Escola 1 Document Transcript

    • O Modelo de Auto-Avaliação no contexto da Escola/ Agrupamento Everything in life that we really accept undergoes a change Katherine Mansfield A ligação entre a biblioteca escolar, a escola e o sucesso educativo é hoje um facto assumido por Organizações e Associações Internacionais que a definem como nucleo de trabalho e aprendizagem ao serviço da escola. É, no entanto, em primeiro lugar, importante reconhecer que o papel da biblioteca escolar está condicionado por uma série de factores inerentes à sua estrutura interna, às condições físicas e em termos de equipamentos e de recursos de informação que tem para oferecer, sendo ela própria um sistema integrado e aberto à influência de outros sistemas, a nível micro, meso e macro, com os quais interage. Condições socio-políticas e económicas a nível nacional e no contexto global Sistema educativo Escola BE Currículo É também sabido (a experiência mostra-nos isso) que duas escolas com contextos situacionais idênticos e integradas no mesmo sistema educativo têm posições e resultados diferentes relativamente ao uso e integração da biblioteca escolar. Sabemos igualmente que essa maior ou menor apropriação e uso resultam, em grande parte, da atitude e reconhecimento do órgão directivo, estando também muito relacionados com a cultura da escola e com os estilos implicados no processo de ensino/ aprendizagem. O currículo e a forma como está organizado, bem como os valores, modelos e as práticas de transmissão/apropriação do conhecimento são outros dos factores que mais condicionam o sucesso da BE. 1 - Biblioteca escolar e escola. Que caminhos? As relações que se estabelecem entre a escola e a biblioteca escolar podem assumir-se como determinantes ou inibidoras do seu sucesso. Essas relações realizam-se a diferentes níveis no que se refere à capacidade de decisão fundadora do processo de gestão e podem constituir-se como ameaças ou oportunidades, consoante são sólidas e fundadoras de práticas de integração e de trabalho comum ou são frágeis e coincidentes com uma cultura de escola pouco integradora e pouco aberta à inovação e à mudança e um professor coordenador sem visão e capacidade de liderança. Saber gerir a mudança, já aqui o referimos, é um dos desafios maiores para a biblioteca escolar. Os caminhos percorridos no âmbito tecnológico e digital introduziram mudanças significativas na sociedade e na forma de acesso, produção e comunicação da informação, novas estruturas 1
    • e novos espaços de aprendizagem. As TIC e a Internet, bem como a crescente portabilidade e facilidade de acesso a equipamentos e a documentação online re-orientam as necessidades dos utilizadores e as prioridades educativas. As bibliotecas enfrentam, neste novo contexto e na sua relação com a escola, novos desafios que obrigam à redefinição de práticas e a uma liderança e demonstração de valor que as integrem na estratégia de ensino/ aprendizagem da escola e nas práticas de alunos e professores. Um dos desafios actuais para a equipa é ultrapassar o modelo de biblioteca escolar centrado na oferta de um espaço equipado, a que é possível aceder e onde é possível aceder a um conjunto de equipamentos e de recursos de informação. Algumas bibliotecas desenvolvem excelente “oferta de serviços”, sobretudo culturais, mas estas representam nalguns casos excesso e sobrecarga para muitos professores. Muitas destas actividades passam ao lado da sua agenda de prioridades, estando desligadas dos objectivos programáticos e curriculares – prioridade da agenda da escola e dos docentes. Esta problemática é ilustrada por Doug Johnson (2002): [… ] too many media specialists create lovely programs that have very little to do with what transpires in the rest of the school. While I’m sure their library skills and activities do wonderful things for students, teachers and administrators are too often unaware of them and see little impact on the school’s overall learning goals. Classroom instruction is and will remain the primary focus of education, and unless we have an impact on it, we will be seen as superfluous. Our media program goals must be directly aligned to the instructional goals of the district, building, and classroom. Sometimes I sense that we work very, very hard to climb one mountain only to find the rest of the school on a completely different peak. Este paradigma, moldado na disponibilização de serviços e menos centrado na acção e no trabalho conjunto com a escola a que se associa um sistema de ensino expositivo e orientado para a sala de aula, reforçam a necessidade permanente de a equipa reorientar práticas e processos. A invisibilidade do professor coordenador deve dar lugar a uma acção integradora de objectivos e práticas que se adaptem à mudança e ao link considerado vital para a sobrevivência e para a qualidade da biblioteca escolar: a ligação ao currículo e ao sucesso educativo dos alunos. Esta ligação implica que: a)O Programa da Biblioteca Escolar passe a estar integrado nos planos estratégicos e operacionais da escola e na visão e objectivos educativos da escola. b)O papel do professor bibliotecário transite de gestor da informação a interventor no percurso formativo e curricular dos alunos e no desenvolvimento curricular em cooperação com os professores. Trabalhar e trabalhar com... no desenvolvimento das diferentes literacias, nomeadamente para as literacias digitais e para a Literacia da Informação, integrando e apoiando o desenvolvimento curricular, colocam-no neste novo papel. c)Haja um reforço no conceito de cooperação, baseado na planificação e no trabalho colaborativo com os professores das diferentes disciplinas. d)O professor coordenador tenha um papel activo no funcionamento e no sucesso (resultados) da escola que serve. e)O professor coordenador mantenha uma posição de inquirição constante acerca das práticas de gestão que desenvolve e do impacto que essas práticas têm na escola e no sucesso educativo dos alunos. f)Saiba agir e ser líder, demonstrando o VALOR da BE através da demonstração de evidências e da comunicação contínua com os diferentes actores e stakeholders na escola. 2
    • A questão da liderança e do exercício de uma visão e Sobre Liderança: gestão estratégica é determinante no desenvolvimento e no sucesso do processo de auto-avaliação. Como já Leadership style referimos, e reportando-nos de novo a Eisenberg e Miller (2002) significa: Transformational leadership as described by Caldwell and - Ter atitude e capacidade de intervenção face aos Spinks (1992) pertains to principals problemas identificados. and has vision and collaboration as cornerstones. - Reconhecer a oportunidade e ter sentido de agenda na abordagem dos problemas e na apresentação de There are four facets of the role of the propostas e estratégias junto do órgão de gestão. transformational leader: "cultural leadership, strategic leadership, - Articular prioridades e objectivos com a escola os educational leadership and programas e projectos em desenvolvimento. responsive leadership". - Desenvolver uma cultura de avaliação. Gerir as (Caldwell and Spinks 1992, p.50) evidências recolhidas no sentido de comunicar o valor The culture of a school can be da biblioteca escolar e corrigir os gaps identificados. described as the way in which day to - Articular, colaborar e comunicar em permanência na day activities are carried out. escola e com outros stakeholders. Underpinning the activities are the values held by the community and these determine excellent outcomes for students. Leituras sobre liderança Lyonton, Lynn (1992) “Transformational Leadership”. ERIC Strategic leadership is concerned Digest, Number 72. with the development of a long-term <http://www.ericdigests.org/1992-2/leadership.htm> improvement plan. Educational [20/08/2008] leadership refers to the image of the Hartzell, Gary (1997) “The Invisible School Librarian: Why leader nurturing a community of Other Educators Are Blind to Your Value”. School Library learners. Responsive leadership is Journal, 11/1/1997 essentially about accountability <http://www.schoollibraryjournal.com/article/CA152978.html? q=quality+school+libraries> [20/08/2008] In: Ryan (2004) Information literacy: evidence that school libraries can lead 2 - Avaliação e qualidade Diversos estudos têm vindo a elencar os factores inerentes a uma biblioteca escolar de qualidade e as acções e intenções que devem orientar as nossas práticas. Estes estudos relacionam de forma directa o trabalho das bibliotecas escolares com o currículo e com as aprendizagens, como temos vindo a referir e identificam como factores críticos de sucesso: - A existência de um professor coordenador, que Todd designa por learning specialist; - Uma relação directa com a missão da escola e um trabalho contínuo com professores e alunos, adequando o trabalho da BE aos objectivos educativos e ao sucesso dos alunos; - O desenvolvimento sistemático de formação e apoio individual ou em grupo no âmbito das literacias críticas (professores e alunos); - A disponibilização de uma colecção de Literatura rica e de programas de leitura que contribuam para o enriquecimento pessoal e para o gosto pela leitura; - O desenvolvimento de estratégias de cooperação com outras bibliotecas; - Uma estrutura tecnológica integrada que suporta as actividades de ensino-aprendizagem; - Um papel de liderança; Todd reforça o trabalho e a liderança interventiva e actuante do professor coordenador na formação para as Literacias e para a construção do conhecimento. A liderança transformativa deve, segundo Todd, ser orientada pela recolha de evidências - evidence based practice, já por nós referida. 3
    • 3 - O processo de auto-avaliação no contexto da Implementação do processo escola Problem identification: Organization becomes aware of the existence of a O processo de auto-avaliação deve enquadrar-se no problem that needs to be fixed. The contexto da escola e ter em conta as diferentes leader either recognizes and confronts it, estruturas com as quais é necessário interagir. or ignores it. Identifying priority: There may be many Essas estruturas ou clusters com os quais é preciso problems in a school libray in different interagir têm interesses e níveis de intervenção domains, for example, organization and diversos: o director que deve envolver-se desde o management, teaching and learning, ethos and support, as well as academic primeiro momento, ser líder coadjuvante no processo e and affective performance. Administrators aglutinar vontades e acções, de acordo com o poder should ascribe a priority to tackling these que a sua posição lhe confere. Mas existem ainda os problems according to the teachers' will professores, alunos, pais ou outros agentes que vão, and the students' needs. de uma forma ou de outra, ser chamados a participar. Defining important questions: Within an identified problem, the school should A maior ou menor aceitação e envolvimento dependem specify the key questions. These will be também da crença na utilidade do processo por parte answered following a systematic do professor coordenador que tem de desempenhar a procedure of data collection and analysis. função de catalizador junto da equipa e de todos os Data collection: Data can be collected outros agentes. A sua capacidade de comunicar e de through questionnaires, observations and/ or interviews, to ascertain whether the gerir a situação serão fundamentais. A resposta problem still exists. Consideration should poderá ser um barómetro da maior integração e be given to the source of data since this valoração das práticas da biblioteca, junto da may be significant to a genuine comunidade que serve. assessment of the school' performance. Data analysis: On the basis of data A escolha do domínio a avaliar deve assim partir do collected, attempts should be made to professor coordenador/ equipa, mas deve resultar de clarify, verify or re-define the problem as uma decisão fundamentada, por forma a poder ser required. validamente justificada junto dos órgãos executivos e Reporting and communicating: Staff de decisão pedagógica. Deve ser discutida com o should be briefed on diagnostic data and órgão directivo e ser determinada pelas prioridades e involved in developing strategies to solve the problem by providing opportunities for restantes processos existentes na escola. staff training on group dynamics, communication techniques, and goal setting. 4 - Gestão de evidências School library development planning: An attempt should be made to fix the gap The librarian who has done all this collecting, gathering between the current situation and what and measuring now has a huge amount of information should have happened. A consultant or similar expert may help in determining available. But information is not the same as what steps should be taken? By whom? knowledge; knowledge implies understanding. All this When? And how? Implementation should disparate information needs to be synthesised to be monitored to fix any difficulties as they become knowledge about how successfully the LRC is arise. fulfilling its function. Scott (2002) Team building: Efforts should be made to Existem diferentes níveis de trabalho e de gestão build a culture of trust and confidence, relacionados com as evidências: improve communications, teambuilding, skills in problem solving, and develop 1 – A fase de recolha de evidências (Perceber as cooperation between and amongst relações que se estabelecem, que evidências recolher, different subsystems of the organization. que informação é mais pertinente e válida para o problema que foi identificado). Feedback and evaluation: Feedback should be provided to staff at the 2 – A fase de gestão e interpretação da informação completion of a school self-evaluation recolhida. (A informação tal como a recolhemos não cycle. The cyclical process nedsto be passa nalguns casos de mera informação. Há que continued to institutionalize school development as an ongoing process of extrair sentidos interpretando-a e estabelecendo innovation and change (Rudd & Davies, ligações entre os dados. A interpretação e 2000 ). Adaptado transformação da informação em conhecimento permitirá ajuizar e retirar consequências e linhas de orientação do processo). 4
    • 3 – A fase de gestão dessas evidências ao nível da escola. (Os diferentes clusters a quem direccionamos serviços constituirão diferentes targets com os quais devo interagir de forma diferente). A comunicação dos resultados da avaliação deve fazer uso dos diferentes canais de comunicação da BE com o exterior. O Relatório de auto-avaliação deve ser discutido e aprovado em Conselho Pedagógico, bem como o plano de melhoria que vier a ser delineado. A avaliação da BE deve estabelecer ligações com a avaliação da escola. Do relatório de avaliação da BE deve transitar uma síntese que venha a integrar o relatório da escola. A avaliação externa da escola pela Inspecção poderá, assim, avaliar o impacto da BE na escola, mencionando-a no relatório final de avaliação da escola. Todo o processo requer a ética que subjaz e preside a estes processos. O desvendar da verdade deve ser isento, também na perspectiva que a viciação de dados inquinará o processo, cuja mais valia primeira é a melhoria organizacional. Bibliografia: 5
    • Alewine, Martha (2006) “School Library media Specialists: Essentially Administrators”. Knowledge Quest. American Library Association. <http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/aasl/aaslpubsandjournals/kqweb/kqarchives/vol32/alewine.cf m> [20/08/2008] Brophy, Peter. Measuring library performance; principles and techniques. London: Facet Publishing, 2006. Eisenberg, Michael & Miller, Danielle (2002) “This Man Wants to Change Your Job”, School Library Journal. 9/1/2002 <http://www.schoollibraryjournal.com/index.asp? layout=article&articleid=CA240047> [20/08/2008] Johnson, Doug (2002) “The Seven Most Critical Challenges That Face Our Profession”, Teacher-Librarian. May/June 2002 <http://www.doug-johnson.com/dougwri/seven-most-critical- challenges-that-face-our-profession.html> [20/08/2008] Johnson, Doug (2005) “Getting the Most from Your School Library Media Program”, Principal. Jan/Feb 2005 <http://www.doug-johnson.com/dougwri/getting-the-most-from-your- school-library-media-program-1.html> [20/08/2008] Rudd, P. & Davies, D. (2000). Evaluating school self-evaluation. Paper presented at the British Educational Research Association Conference, Cardiff University, 7-10 September 2000. Scott, Elspeth (2002) “How good is your school library resource centre? An introduction to performance measurement”. 68th IFLA Council and General Conference August. <http://www.ifla.org/IV/ifla68/papers/028-097e.pdf> [20/08/2008] Shaughnessy, Thomas (ed) (1996) Library Trends – Perspectives on Quality in Libraries. Winter 1996, 44(3)459-678. <http://www.ideals.uiuc.edu/bitstream/2142/8042/3/librarytrendsv44i3_opt.pdf > [20/08/2008] Stripling, Barbara (1996) “Quality in school library media programs: focus on learning ”, Library Trends. Winter 1996, 44(3)459-678. <http://findarticles.com/p/articles/mi_m1387/is_n3_v44/ai_18015827/print?tag=artBody;col1> [20/08/2008] Todd, Ross (2002) “School librarian as teachers: learning outcomes and evidence-based practice”. 68th IFLA Council and General Conference August. <http://www.ifla.org/IV/ifla68/papers/084-119e.pdf> [20/08/2008] Todd, Ross (2004) “School libraries: Making them a class act.” Broome-Tioga BOCES School Library system Annual Librarian/Administrator Breakfast. Binghamton, NY. <http://www.scils.rutgers.edu/~rtodd/WA%20School%20Libraries%20A%20Class %20Act.ppt#540> [20/08/08] 6