Your SlideShare is downloading. ×
  • Like
“Psicologia, uma (nova) introdução”   resumo
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×

Now you can save presentations on your phone or tablet

Available for both IPhone and Android

Text the download link to your phone

Standard text messaging rates apply

“Psicologia, uma (nova) introdução” resumo

  • 16,010 views
Published

Abstract

Abstract

Published in Education
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
No Downloads

Views

Total Views
16,010
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
202
Comments
0
Likes
5

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. Psicologia, uma (nova) introduçãoResumo do primeiro capítulo do livro “Psicologia, uma (nova)introdução”.O ponto chave deste capítulo é entender a maneira como a sociedadechegou a produzir o sujeito dotado de “Subjetividade”,“Individualidade” e “Identidade”.A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA INDEPENDENTEUma visão panorâmica e críticaO processo de criar uma nova ciência é muito complexo: é precisoum objeto próprio e métodos adequados ao estudo desse objeto. Opresente texto pretende apresentar resumidamente uma visãopanorâmica e crítica da psicologia contemporânea.Só em época muito recente surgiu o conceito de ciência tal comohoje é de uso corrente. Ainda mais recentemente, no século XIX,começou-se a elaboração dos primeiros projetos de psicologia comociência independente.Na Idade Moderna, as ciências da sociedade tiveram início.Ciências como a Economia Política, a História, a Antropologia, aSociologia e a Linguística.Auguste Comte (1798 – 1857)Em seu sistema de ciências não cabe uma “psicologia” entre as“ciências biológicas” e as “ciências sociais”. O principalempecilho para a psicologia seria seu objeto: a “psique”,entendida como “mente”. Por não apresentar-se como um objetoobservável, não se enquadra às exigências do positivismo.Ainda hoje, após mais de cem anos de esforços para se criar umapsicologia científica, os estudos psicológicos mantêm relaçõesestreitas com muitas ciências biológicas e com muitas ciênciassociais. Isso cria uma situação curiosa: por um lado, a psicologiareivindica um lugar à parte entre as ciências e, por outro, nãoconsegue seu desenvolvimento sem estabelecer relações estreitascom as ciências biológicas e com as ciências sociais.
  • 2. PRECONDIÇÕES SOCIOCULTURAIS PARA O APARECIMENTO DA PSICOLOGIA COMOCIÊNCIA NO SÉCULO XIXA experiência da subjetividade privatizadaSão necessárias duas condições para conhecermos cientificamente o“psicológico”:a) uma experiência muito clara da subjetividade privatizada, eb) a experiência da crise dessa subjetividade.A experiência da subjetividade privada é quando todos sentem suasexperiências como íntimas, ninguém mais tem acesso a ela. Épossível, por exemplo, ficar um longo tempo pensando se vamos ounão fazer uma coisa, quase decidir por uma e no final optar poroutra, sem que ninguém fique sabendo. A possibilidade de mantermosnossa privacidade é altamente valorizada por nós e é relacionadaao nosso desejo de sermos livres para decidir nosso destino.Essa experiência de sermos sujeitos capazes de decisões,sentimentos e emoções privadas, só desenvolve-se, aprofunda-se edifunde-se amplamente numa sociedade com determinadascaracterísticas. Nossa preocupação é identificar sumariamenteessas características.As grandes irrupções da experiência subjetiva privatizada ocorremem situações de crise social, quando uma tradição cultural(valores, normas e costumes) é contestada e dá lugar a novasformas de vida. Em situações como essas, os homens se vêemobrigados a tomar decisões nas quais não conseguem o apoio dasociedade. Nessas épocas, as artes revelam a existência de homensmais solitários e indecisos, diferentemente das épocas sem grandesconflitos, nas quais dominam as velhas tradições.A perda de referências coletivas como a religião, a família, ouuma lei confiável, obriga o homem a construir referênciasinternas, assim surge o espaço para a experiência da subjetividadeprivatizada. A consequência desses contextos é o desenvolvimentoda reflexão moral e do sentido da tragédia - uma tragédia se dáquando um indivíduo se encontra numa situação de conflito entreduas obrigações igualmente fortes, mas incompatíveis.No campo das artes, além do surgimento e desenvolvimento do gênero“tragédia”, observa-se na literatura, o aparecimento da poesialírica. Nela o poeta expressa seus sentimentos e desejosparticulares muitas vezes opostos ao esperado pela sociedade, comoamores socialmente não recomendados ou mesmo proibidos. Opensamento religioso acompanha esse processo de subjetivação eindividualização e, nos momentos de crise, de desagregaçãosociocultural, assim surgem novos sistemas religiosos ou variantesde sistemas antigos, surgem heresias enfatizando aresponsabilidade individual e atribuindo à consciência e àsintenções mais valor que aos próprios atos e obras.
  • 3. Esse movimento em direção a um aprofundamento da experiênciasubjetiva privatizada não foi um processo linear pelo qual tenhampassado todas as sociedades humanas. No conjunto, porém, pode-sedizer que ao longo dos séculos as experiências da subjetividadeprivatizada foram se tornando cada vez mais determinantes daconsciência humana sobre a sua própria existência.A crença na liberdade é um dos elementos básicos da democracia eda sociedade de consumo e não estamos dispostos, em geral, a pôrem risco nossos valores. Em alguns aspectos importantes essaimagem é completamente ilusória, e uma das tarefas da psicologiaserá a de revelar essa ilusão.Constituição e desdobramento da noção de subjetividade naModernidadeDe forma simplificada, podemos firmar o início de nossa noção desubjetividade privada nos três últimos séculos: da passagem doRenascimento para a Idade Moderna.Em A Invenção do Psicólogo, desenvolvemos a ideia de que noRenascimento teria surgido uma experiência de perda dereferências. A falência do mundo medieval e a abertura do ocidenteao restante do mundo teriam lançado o homem europeu numa condiçãode desamparo.O Renascimento foi um período muito rico em variedade de formas eem experiências, teve assim uma produção intensa de conhecimento.O contato com a diversidade das coisas, dos homens e das culturasimpôs novos modos de ser. O homem viu-se obrigado a escolher seuscaminhos e arcar com as consequências de suas opções.A crença em Deus não desapareceu, mas Deus ficou distante e foiposto “sobre” o mundo. O mundo passou a ser considerado cada vezmenos como sagrado e cada vez mais como objeto de uso – movido porforças mecânicas – a serviço dos homens. Essa transformação éparte essencial da origem da ciência moderna.Michel de Montaigne (1533 – 1592)Na introdução de seus Ensaios, Montaigne diz ao leitor que tomaráa si mesmo como assunto, ainda que sua vida seja comum, totalmentedesprovida de feitos heróicos ou notáveis. O livro foi muitocriticado com o argumento de que uma vida comum não mereceria serobjeto de tal obra, mas a questão que nos interessa é justamente osurgimento da valorização de cada indivíduo, da construção de cadaindividualidade única.Os céticos achavam impossível que pudéssemos obter algumconhecimento seguro sobre o mundo: a qualquer afirmação poderiaser oposta outra de igual valor, qualquer impressão que tenhamospoderia ser um engano de nossos órgãos dos sentidos.A descrença cética somada ao grande individualismo nascente acaboupor produzir uma reação de duas feições bem distintas: a reaçãoracionalista e a reação empirista. Em ambas, contudo,
  • 4. estabeleciam-se novas e mais seguras bases para as crenças e paraas ações humanas, essas bases estavam no âmbito das experiênciassubjetivas.A Igreja Católica e as novas Igrejas Protestantes (Luteranos eCalvinistas) fizeram um esforço enorme para articular a crença noDeus onipotente e no livre-arbítrio. O sujeito deveria “sujeitar-se” uma vez mais a uma ordem superior, desvalorizando seus desejose projetos particulares. Daí surge um regime onde o corpo,sobretudo, deve ser controlado e desvalorizado, pois ele sempre éfonte de desejo e dispersão.René Descartes (1596 - 1650)Descartes é o fundador do racionalismo moderno. Estabeleceu ascondições de possibilidade para obtermos um conhecimento seguro daverdade. Ele se alinha entre aqueles que quiseram superar a grandedispersão do Renascimento e, o mais importante, superar oceticismo. Diz ele: parece que tudo o que tomo como objeto de meujulgamento se mostra incerto, mas, no momento mesmo de minhadúvida, algo se mostra como uma ideia indubitável. Enquantoduvido, existe ao menos a ação de duvidar, e essa ação requer umsujeito. Surge então frase “penso, logo existo” [Cogito, ergosum]. O ato de duvidar deixa evidente a existência do agentepensante. A evidência primeira é a de um “eu” e ele será a partirde agora o fundamento de todo o conhecimento.O homem moderno não busca a verdade num além, em algotranscendente, a verdade agora significa adquirir umarepresentação correta do mundo. Essa representação é interna, ouseja, a verdade reside no homem.Francis Bacon (1561 - 1626)Contemporâneo de Descartes, Bacon foi o fundador do empirismo.Para Bacon, a razão deixada em total liberdade poderia tornar-seespeculativa e delirante ao ponto de não ser digna de crédito. Énecessário dar à razão uma base nas experiências dos sentidos, dapercepção, desde que essa percepção tenha sido purificada,liberada dos erros e ilusões a que está submetida no cotidiano.Bacon, como Descartes, é um dos grandes pioneiros na preocupaçãocom o Método, no trabalho da produção de conhecimentos filosóficose científicos de toda a Modernidade ocidental desde o século XVIIaté os dias de hoje.A crise da Modernidade e da subjetividade moderna em algumas desuas expressões filosóficasIluminismo, séc. XVIIINo Iluminismo as grandes conquistas do racionalismo cartesianoeram articuladas com a valorização das experiências individuaistal como promovidas pelos filósofos empiristas que formavam aoutra grande corrente da Modernidade.
  • 5. David Hume (1711 — 1776)Para Hume, somos algo formado e transformado pelos embates daexperiência e já não podemos nos conhecer como base e sustentaçãodos conhecimentos e de nós mesmos. Nessa medida, o conhecimentoentendido como domínio dos objetos por um sujeito soberano nãopode mais se sustentar.Immanuel Kant (1724 — 1804)Em A Crítica da Razão Pura, Kant afirma que o homem só tem acessoàs coisas tais como essas coisas se apresentam para ele: a issoele chama “fenômeno”. A única forma de produzirmos algumconhecimento válido é nos restringirmos ao campo dos fenômenos,pois as “coisas em si”, independentes do sujeito, sãoincognoscíveis. Tudo o que é cognoscível repousa na subjetividadehumana.Romantismo, séc. XIXO Romantismo nasceu no final do século XVIII exatamente como umacrítica ao Iluminismo e, mais particularmente, à vertenteracionalista do Iluminismo.Aquilo que na fundação da modernidade deve ser excluído do “eu” oumantido sob o férreo controle do Método parece agora invadi-lo. Arazão é destronada, o Método é feito em pedaços e o “eu” racionale metódico é deslocado do centro da subjetividade e tomado comouma superfície mais ou menos ilusória, encobrindo algo profundo eobscuro.Assim o Romantismo é um momento essencial na crise do sujeitomoderno pela destituição do “eu” de seu lugar de senhor, desoberano.Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 — 1900)O ponto mais agudo da crise do sujeito moderno acontece nafilosofia de Nietzsche. Nela as ideias do “eu” ou do “sujeito” sãointerpretadas como ficções (isso dá continuidade à crítica de Humeà suposta substancialidade e estabilidade do sujeito).Nietzsche dá um passo bem largo e radical: não só o homem édeslocado da posição de centro do mundo, como a própria ideia deque o mundo tenha um centro ou uma unidade é destruída. A questãopara Nietzsche é saber o quanto cada ilusão em cada contexto semostra útil para a expansão da vida.Sistema mercantil e individualizaçãoPara existirem trabalhadores necessitados de garantir a própriasobrevivência alugando sua força de trabalho, é preciso antes aperda das condições mais antigas de vida e produção. Issosignifica a ruptura dos vínculos que nas sociedades tradicionais
  • 6. pré-capitalistas uniam os produtores uns aos outros e todos aosmeios de produção.O trabalhador livre é aquele capaz de buscar no mercado detrabalho sua ocupação. Essa liberdade, contudo, é muito ambígua.Ela é principalmente uma liberdade negativa, o sujeito, ao ganhá-la, perde uma porção de apoios e meios de sustentação. Perde asolidariedade do seu grupo: a família ou a aldeia deixam de serauto-suficientes e cada indivíduo vai isoladamente procurar o seusustento.Ideologia liberal iluminista, romantismo e regime disciplinar.De acordo com a Ideologia Liberal, cujas principais ideiasmanifestaram-se na Revolução Francesa, os homens são iguais emcapacidade e devem ser iguais em direitos. Sendo assim, todosdevem ser livres e, como todos são iguais, é possível supor umcomportamento fraterno.No Romantismo reconhece-se a diferença entre os indivíduos e aliberdade é exatamente a liberdade de ser diferente.Na Ideologia Liberal, como no Romantismo, expressam-se osproblemas da experiência subjetiva privatizada: segundo aIdeologia Liberal, todos são iguais, mas têm interesses próprios(individuais). Segundo o Romantismo, cada indivíduo é diferente,mas sente saudade do tempo no qual vivia em comunidade, e espera oretorno desse tempo. Enquanto esse tempo não vem, os românticosacreditam na reunião dos homens por meio dos grandes e intensossentimentos, apesar de suas diferenças. Já os liberais apostam nafraternidade.A crise da subjetividade privatizada ou a decepção necessáriaUma das condições para o surgimento dos projetos de psicologiacientífica é a clara ideia da experiência da subjetividadeprivatizada, mais ainda: é preciso que essa experiência entre emcrise. Algumas das manifestações filosóficas dessa crise foramapontadas nos itens anteriores.Ao lado dessa necessidade emergente no contexto das experiênciasindividuais - saber o que somos, quem somos, como somos, por queagimos de uma ou outra maneira -, surge para o Estado anecessidade de recorrer a práticas de previsão e controle – comolidar melhor com os sujeitos individuais, como educá-los de formamais eficaz, treiná-los e selecioná-los para os diversostrabalhos? Em todas essas questões se expressa o reconhecimento daexistência de um sujeito individual e a esperança da possívelpadronização desse sujeito segundo uma disciplina, uma norma, paraser possível colocá-lo, enfim, a serviço da ordem social. Surgedesse modo a demanda por uma psicologia aplicada, principalmentenos campos da educação e do trabalho. Ou seja, o RegimeDisciplinar, em si mesmo, exige a produção de certo tipo deconhecimento psicológico, de modo a tornar mais eficaz suastécnicas de controle. As subjetividades formadas pelos modelos
  • 7. liberais e românticos, sentindo-se contestadas e problematizadas,são atraídas pelos estudos psicológicos.Referência Bibliográfica:FIGUEIREDO, L. C. M. e SANTI, P. L. R. Psicologia, uma (nova)introdução; uma visão histórica da psicologia como ciência. 2ªed., p. 13 – 52. São Paulo: EDUC, 2000.http://nicolas-pelicioni.blogspot.com/