Minhas Três Vidas

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Autor: Nevas Amaral

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Minhas Três Vidas

  1. 1. 2
  2. 2. 3
  3. 3. 4
  4. 4. 5
  5. 5. 6
  6. 6. Considerações do Autor o começar a escrever este livro, deparei-me com al-A gumas barreiras preconceituosas aos meus escritos que considerava inadmissíveis, não me permitindo ir adiante. Porém, com minha persistência, conti- nuei. Mesmo com o pensamento inexato, sentiagrande necessidade de ir em frente, pois com a sensibilidadeque passei a adquirir notei que não era só ficção o que euestava passando para o papel. Alguma coisa ou alguém doplano metafísico me conduzia por meio da inspiração. Após alguns depoimentos de amigos e com as devidasprovas, como relatórios médicos em formato de documen-tos de onde ficou internado o jovem acidentado, cujo nomedo personagem, este sim é fictício assim como os demaispersonagens desta narrativa, continuei a escrever. O jovem acidentado será citado como Juarez, que teveuma cura verdadeira por meio de fenômenos de aparição ematerialização de espíritos luminosos, fenômenos esses na-turais, simples e verdadeiros, no entanto, complicados paraos leigos, que confundem esses abnegados trabalhadores comespíritos demoníacos ou almas perdidas. Procurei ser o mais coerente possível e gostaria de agra-decer aos filhos da União Espírita Ogum da Lua e CaboclaIara, pois foi pelo amor e dedicação desses irmãos que de-senvolvi meus escritos, por meio de psicografias enviadaspelos irmãos espirituais. Mas deixo um adendo. Como disseum pensador: “Muito tenho para aprender e pouco paraensinar”. 7
  7. 7. Com Deus e por Deus Deus, em sua infinita sabedoria, bondade e totalamor pela Criação, nos permite ter contato com o mundotranscendental, onde habitam os nossos entes queridos. Maspara que isso seja possível, necessário se faz estar com onosso pensamento claro e livre do orgulho, do egoísmo,da vaidade, da ganância etc., para que nossa aura não tenhanenhuma nódoa, assim, os nossos contatos além de ser to-talmente agradáveis, também serão terapêuticos. O que não podemos é dar margem a pensamentosobsoletos, pois sua negatividade enganará até mesmo o nos-so subconsciente, e aí então, em nossos sonhos, pode nosfazer vítimas de nós mesmos. Nesse contato que fazemos com o mundo espiri-tual, passamos não somente por sintonias em camadas su-periores, como também por camadas inferiores, às vezescom sortilégios tristes e sintomas ruins que se refletem emnós, adquiridos pela captação de energias negativas – so-fredoras, vingativas e outras. Por esse motivo, com Deus e o amor de Deus é quetemos como via de fato o nosso porto seguro, e a virtude detransformar energias ruins em fontes de luz que, se bemconduzidas, podem até ser transmitidas aos que necessitam. Se pensarmos no milagre da multiplicação dos pães,poderemos vê-lo todos os dias: na agricultura, nos mares,nos rios e na vegetação. Esse é o milagre que dificilmentenós enxergamos, e que acontece nas 24 horas do dia.Todos os dias.8
  8. 8. Então, necessário se faz que não odiemos as cama-das inferiores, popularmente ditas demoníacas, pois elastambém são parte da Criação do Pai. Por conseguinte, sãoeles nossos irmãos. É de nossa missão resgatá-los para Deus,pois a palavra expressa pelos lábios Divinos diz que nãoquer jamais um filho para o caminho da desonra. É necessário que não tenhamos ódio no coração,mas muito amor, fé, caridade, solidariedade e confiançano Criador. É necessário que aprendamos a não só a pedir,pedir, pedir, mas a agradecer o que Deus nos dá em abun-dância: o oxigênio, as frutas, as águas, os grãos, as vegeta-ções, as ervas medicinais e muito mais. Este é o verdadeiromilagre da multiplicação que esperamos. O milagre da multiplicação não se expres-sa somente na abundância de frutas, das águas, do oxigê-nio, dos grãos, da vegetação, dos peixes, dos pães, das er-vas medicinais e outros, para a nossa satisfação e cura ma-terial. O milagre da multiplicação se faz complementandoa tudo isso com o acréscimo do amor, para que sejam mul-tiplicados os alimentos do corpo e da alma com orações eatos da fé, com a grandeza e a arte da caridade e com asutileza da esperança, que se transformam em perdão eAMOR – magnífico é o Amor que se resume puramenteem Deus. Seguramente, nesse caminho seremos felizes, poisnos faz progredir no mundo físico e espiritual. Nós, deste planeta, vivemos em um plano de expia-ção e precisamos nos conduzir, porque somos sim, parci-almente limitados. E é justamente por esse motivo queestamos sujeitos à arrogância e à ignorância. Temos o nos-so livre-arbítrio para nos conduzir, mas temos as leis de 9
  9. 9. Causa e Efeito constituídas no Universo. Portanto, ao partirmos para o Plano Espiritual, lásim, estaremos em nosso verdadeiro lar. E voltamos paralá com o que conseguimos conquistar. Certamente, leva-mos o que é nosso de direito, deixando na Terra o que é daTerra (exemplo: os bens materiais). Levamos o que apren-demos ou o que de bom praticamos, com fé e solidarieda-de, para ganharmos amor, o amor de Deus, mas tambémlevamos o que de ruim praticamos: a desonra, o egoísmo,a calúnia, a ganância e a nossa ausência, quando se fazia tãonecessário a nossa presença. O Plano Espiritual é um de nossos lares. Certamen-te que, ao regressarmos para ele, seremos glorificados comas boas atitudes ou sofreremos o peso de nossas matulas.Os resultados para nele viver dependerão exclusivamentede nossas conquistas e dos nossos direitos. Então, no Pla-no Espiritual, somos conduzidos para as moradas que her-damos de fato e de acordo com o nosso psíquico. E paraque a nossa herança seja farta, é necessário que façamos umbom investimento na Terra! Um forte abraço e boa leitura. Nevas do Amaral10
  10. 10. Início da Saga Dona Antônia e seu marido trabalhavam muito paramanter João Eduardo em uma boa escola particular, dando-lhe tudo o que desejava: brinquedos, roupas caras e outrasvariedades, sempre do bom e do melhor. De momento ehora, faziam-lhe suas vontades, era só pedir. João, criado com muito mimo, era o caçula da famí-lia, a “raspa do tacho”, como se diz popularmente. Apósalguns anos, o menino, já transformado em homem, cursa auniversidade “São Francisco”, para logo começar a traba-lhar em um escritório de partido político, onde prontamen-te se destaca como um excelente líder, conquistando umapromoção e um elevado salário. Mas não é por aí que ascoisas ficam: João, por meio de elogios, se sente extrema-mente seguro em suas ambições, tornando-as ilimitadas. Seus pais, abarcados pela ambição do filho, reme-tem-no à segurança da recompensa pela criação de umacriança traquina, inteligente e encantadora. Foram nessesrequisitos que João se formou em sua intelectualidade. Epor tudo isso, compensou seus pais, porque o confortofinanceiro que João Eduardo lhes proporcionou, fora fan-tástico. “Valeu a pena”, diziam o senhor Arnaldo e sua es-posa dona Antônia. E João Eduardo, que a cada instante desejava aindamais provar a todos a sua imensa capacidade, até se exce-dia em seus desejos. A ganância o inquietava e isso não lhefazia bem, porque perdia a solidariedade de ceder a ou-trem a oportunidade de conquistar a felicidade, assim comoele , no tocante à parte financeira. João Eduardo só conse-guia ver abastanças e volumosas fortunas. Soam os sinos das eras. Aquele jovem, já próximoaos 28 anos, um dia se apaixona por uma mulher de pele 11
  11. 11. morena, olhos castanhos, muito sensual e de traços troianos.20 anos apenas: Ternamente linda. O que de mais interes-sante havia era justamente a ascendência dessa mulher e tam-bém a sua forma física. Seu nome era Izabel e, por coinci-dência ou destino, havia um parentesco entre ambos quenem eles, nem os de suas famílias sabiam. A única coisa quesabiam é que conviveram juntos durante a infância, moran-do no mesmo bairro e na mesma rua e o destino lhes colo-cou frente a frente novamente, em sua fase adulta. Izabel, uma mulher extremamente culta, apesar dapouca idade, era fluente nos idiomas inglês, alemão e fran-cês, que lhe caíam perfeitamente com os trejeitos do cor-po, do coração e da alma. Uma mulher com quem João seencantou e se casou, tendo com ela dois filhos: Junior eGabriela. Falemos um pouco neste parágrafo sobre as difi-culdades encontradas para que fosse realizada essa uniãoconjugal. Na verdade, para que fosse executado esse ma-trimônio, houve alguns transtornos quanto aos pais deIzabel, cuja educação lhe remetiam aos princípios matri-moniais de uma criação, muito rigorosa no contexto religi-oso, e que rejeita a ganância financeira. Porém, por maisuma vez o amor levou à deriva os preconceitos ou excessode cuidados. E isso não bastou. Izabel havia se prometidoa Lúcio, uma pessoa possessiva em seu modo de ser. Umhomem cuja paixão tresloucada, ínfima, mesquinha e im-perativa, deixa excedido e encarcerado seu coração pelaobsessão sentida por Izabel. Lúcio era homem tão posses-sivo quanto a sua própria loucura; um homem egoísta emseus desejos pessoais, amargo e irresoluto em relação à pró-pria vida. Para ele, Izabel serviria só e simplesmente para asua continuidade, fatal continuidade... Seria um objeto emsuas mãos.12
  12. 12. Lúcio, não conformado pela perda de Izabel, nadamais poderia fazer do que caluniá-la, difamá-la edesmoralizá-la com todo o ódio que sentia. Pensando eagindo dessa forma, faria dessa maneira o resgate de seubrio e sua acrimoniosa desforra. Seus apelos chegaram ao mais baixo caminho. Alémdos requisitos negativos predeterminados por ele, haviatambém práticas anônimas e demoníacas. Um homem semrecato nem honradez, que se fazia valer de missas, cultosevangélicos e até de feitiçarias, pois o que queria era lo-grar-se de um objetivo único, que era ver João Eduardo eIzabel arrastados num recife de lodo, pobres e loucos. Bem, como o amor sempre vence, as dificuldadesforam imensas para realizar-se o tão polêmico matrimô-nio, porém aconteceu, pois era inevitável, pelo amor quesempre vence. No entanto, Lúcio prometera a si que mesmo indopara o inferno, haveria de ver João e Izabel separados. Suasvisitas a lugares onde ficava sabendo que poderia recon-quistar Izabel eram frequentes, não importando qual a reli-gião ou rituais que pudesse trazê-la de volta para satisfazerseu ego. Com isso ele cada vez mais decaía no conceitoespiritual, dando vazão a espíritos de baixíssima frequência,energias estas captadas em lugares onde se praticam magianegra. Além do mais, suas orgias eram constantes: bebidas,tabagismo, drogas e amigos que estavam sempre na mes-ma sintonia. Com isso se formava um elo entre o mundofísico e as baixas camadas do mundo espiritual, onde amorada desses espíritos era em camadas obscuras, e lá queeram planejadas as desordens em laboratórios plasmados,tudo com a finalidade de prejudicar tanto espíritos perdi-dos em busca de um caminho, como também seres encar-nados. Em uma dessas orgias, Lúcio fora assaltado por 13
  13. 13. quatro bandidos; uma armação de seus falsos amigos. MasLúcio reagiu ao assalto e a fatalidade foi inevitável. Ele veioa falecer e em seguida foi resgatado pelos espíritos dastrevas. Por ser ele muito inteligente, rapidamente aprendeua se comunicar de forma telepática, e seu objetivo era adestruição do casal: João e Izabel. João Eduardo é perseguido por Lúcio João tinha como objetivo dar conforto para sua espo-sa e filhos, pois tinha em seu íntimo o mesmo intuito de seuspais: dar tudo do bom e do melhor para sua família. Além domais, seu ego era alimentado por todos que o cercavam, fa-miliares e seus superiores do trabalho: o partido político. Joãoqueria mais e mais, não importando a que custo. Com issocomeçou uma cadeia de egoísmo incalculável, aceitando subor-no pela troca de favores, facilitando assim a vida de amigos eparentes com bons empregos, excelentes salários e total esta-bilidade. Por serem empregos públicos, em repartições as quaisele tinha livre acesso, passou a ser um homem notável em seupoder. E ainda tinha Osmar, o presidente do partido em suasmãos. João sabia de tudo o que se passava no movimentopartidário, de todas as sujeiras. Passou então a tomar atitudesirrelevantes, adversas à conduta de um bom cidadão e pai defamília. João era solicitado pelo partido para viagens e maisviagens, e seu lar passou a ser os aviões e os carros, e em cadauma das viagens suas finanças aumentavam ainda mais, ge-rando mais entusiasmo, ou melhor, cada vez mais se dispu-nha a servir ao seu partido. Em uma dessas viagens conheceu Lídia, mulher debelo porte físico e muito sensual, mas problemática e de ca-14
  14. 14. ráter dúbio. Ela vivia com crises neuróticas, portanto, estavavulnerável a energias ruins. Então, Lúcio aproveita essa aber-tura ou oportunidade para usá-la como trampolim em suasações sórdidas contra João. E João, induzido pelos espíritosque acompanhavam Lúcio, enxergava em Lídia uma mulhermais interessante. Por ser extremamente sensual e a mais lin-da que já conhecera, estava deslumbrado por ela, que se mos-trava ou se insinuava, mostrando estar sempre disposta a sa-tisfazer as vontades eróticas de seu parceiro. As visitas deJoão a Lídia eram constantes e ela o seduzia para as orgias.Logo se tornaram amantes, e com as juras de amor ele mentiaprometendo a ela que logo estaria divorciado e livre de suaesposa, dizendo que o divórcio estava para sair e aí sim, osdois estariam totalmente livres. Aquela dama estava deslum-brada; além de ele ser um homem viril, ainda lhe dava váriospresentes, como carro, apartamento, jóias, vestidos e festas,na alta sociedade e nos meios políticos. Sua esposa começou a perceber que algo estava erra-do e passou a indagar. Com isso, Lúcio sentia que sua vingan-ça estava próxima. Mas João sabia se sair de situações piorescomo, por exemplo, quando era sabatinado por seus adversá-rios e convencer Izabel, uma simples dona de casa, seria fácil,pensava João. Izabel já não era mais a mesma. Suas amigas invejo-sas, querendo ver “o circo pegar fogo”, diziam: – Izabel, mi-nha querida, abra os seus olhos. Você parece que está cega!O João está sendo desonesto com você. Ele é um canalha,está na cara que ele tem outra. Cuidado... Cuide do seuhomem, boba! João já não era mais o mesmo, não era o homem cari-nhoso de outrora com sua esposa. Não participava da educa-ção de seus filhos, Junior e a pequena Gabriela, e estava cadavez mais afastado de sua ainda jovem esposa. Ela se sentia 15
  15. 15. sozinha e sucessivamente angustiada. Começou então a tersintomas de depressão. Perdera o interesse em se arrumar etudo ia mal com ela. Entre os colegas de João havia Alberto, um homemde meia idade que era realmente um bom amigo, sempre de-voto a Deus, bem conceituado em seu modo de vida, tantofamiliar quanto profissional. Era um funcionário que traba-lhava no partido, mas era terceirizado, e tentava passar paraJoão Eduardo suas experiências no campo amoroso e famili-ar, dando-lhe bons conselhos. Izabel, desmotivada com o comportamento munda-no do marido, deixa os cuidados do lar e a educação dos fi-lhos sob os auspícios de suas duas empregadas, para com al-gumas de suas atuais amigas, satisfazer-se em festas, afogan-do assim os seus sentimentos em taças de bebida. João, alertado por seu bom amigo, que lhe aconselha-va e implorava a Deus por ele e sua família, começou a per-ceber que estava perdendo algo muito precioso: sua esposa eseus filhos. E Izabel, sem perceber, estava dando vazão a espíritosde planos inferiores: era Lúcio sob o comando daquela le-gião, que aproveitava sua vulnerabilidade para sugar suasenergias. João, pensando no que dissera seu amigo Alberto emrelação à sua família, tomou uma decisão. Deixou de compa-recer a alguns encontros marcados com Lídia e aos poucosfoi se afastando daquela dama. Sua amante lhe cobrava poressas faltas, dizendo a ele que deveria ser mais presente e queela não aceitava ficar sozinha nos finais de semana, pois erajovem ainda e tinha de aproveitar o seu tempo. João estavaentre a cruz e a espada, e seu amigo tentava de alguma formafazer com que ele entendesse que sua família era tudo o queimportava em sua vida, enfatizando os clamores a Deus em16
  16. 16. prol de João e sua família e argumentando que a melhormulher do mundo literalmente é a nossa esposa, pois ela estásempre potente para qualquer situação, em momentos bonsou ruins. Uma amante só é interessante nos bons momentos,pois ela não está presente e é impotente nas horas amargas,isto, logicamente, com raras exceções.As amigas de Izabel lhe aconselhavam a ir em frente dizendo:– Larga de ser boba, não dá moleza. Vai passear, a noite éuma criança. Vamos sair e conhecer pessoas interessantes. Seele lhe trai, você deve pagar na mesma moeda. A quantidade de bebida que Izabel estava ingerindoera cada vez maior, sendo quase que diariamente. Nas suassaídas, as duas falsas amigas lhes diziam: – Você, Izabel, érealmente muito bonita! Olha como você esta sendo notada,veja como aquele rapaz não tira os olhos de você. Não percatempo sua boba, aquele rapaz é lindo, é um gato. Izabel respondia: – Não, literalmente não. Eu tenhoum marido. Não vou pagar na mesma moeda, pois isso não éde minha índole. Quando João percebeu que sua esposa estava para setransformar em uma alcoólatra, tomou uma atitude definiti-va. Separou-se de Lídia, que totalmente segura, achava queJoão estava por ela realmente apaixonado. Mas na realidade,nem ela e nem João sabiam do amor verdadeiro que ele tinhapela sua esposa e pelos filhos. Lídia, por meio de dívidas exageradamente feitas paramanter o seu alto padrão de vida, começa a vender os presen-tes que ganhou de seu amante João. Inconformada com a si-tuação, passa a persegui-lo, ligando diariamente para o seutrabalho. E ele, por sua vez, não quis mais atender às suasligações. Desesperada, Lídia passa a ligar para a casa de João,e não sabendo mais como agir, com arrogância conta tudo aIzabel, expondo-lhe a sua vida íntima com João e até as 17
  17. 17. aberrações que cometia com ele na parte sexual e o drama desua atual situação, exigindo dele que assumisse suas dívidasporque ela não era descartável. Disse-lhe também dos presen-tes ganhos, de seu status na sociedade e que num instanteperdera tudo. Izabel, com seus apelos a Deus, pedia forças parasuportar todos aqueles dissabores. E João, sem saber, recebiapor via telepática as vibrações de Lúcio, então com muitoódio, e pensou em várias formas para se ver livre de Lídia.Mas Alberto intercedeu, dando-lhe conselhos e pedindo-lheque se acalmasse para não tomar decisões precipitadas. Izabel queria divorciar-se a qualquer custo, mas nofundo sabia que mesmo com todos os problemas, João era oseu porto seguro. Ela ainda o amava e, afinal de contas, eleera o pai de seus filhos. Izabel dizia isso entre lágrimas, mas adepressão, as amigas e as energias negativas de espíritos debaixa freqüência e aproveitadores invadiram seu lar, come-çando uma desordenada vibração e causando uma grande dis-córdia. Esses espíritos, conhecidos como vampiros, se apro-veitavam da desarmonia do lar para se satisfazer com asvibrações de sadismo, ódio, traição e vícios em excesso. O casal de filhos de João era bem educado, apesar docaminho errado que o pai deles seguira. Com o lar se desfa-zendo, os filhos perdiam o entusiasmo pelos estudos. Nãoeram mais aquelas crianças dóceis e tornaram-se rebeldes porcausa da ausência dos pais, que se transformaram com o usodo álcool em excesso e das palavras grotescas que brotavamdos lábios de ambos. A mãe daqueles meninos, Izabel, além de alcoólatraestava tristemente para se transformar em uma pessoa gros-seira e amarga. Ela já não era mais a mãe dedicada e carinho-sa, e os maus espíritos se deliciavam com aquela situação,pois as energias ruins deles emanavam, se proliferavam com18
  18. 18. a presença de mais companheiros para preencher comdesordens o lar daquela família. Lídia, já sem propósito devida, fazia constante visitas a Izabel. Suas palavras pesadasagrediam até a alma de Izabel, que também tomada por ener-gias inferiores, fazia-se enlevar quase que totalmente. Malintencionada em suas palavras, Lídia tentava convencer Izabela se separar de João Eduardo, pois ele era um cafajeste, masmesmo assim, era o grande amor de sua vida. Izabel afirmavaque tudo o que tinha, havia conquistado pelo amor que JoãoEduardo sentia por ela. Naquele instante, ela ofegava diante das más energiasque recebia de Lídia. O que Izabel fez foi apelar para o nossotão esquecido Pai, o nosso amado Deus, que naquele momen-to de angústia e desespero fora lembrado. Com esse apelo, fo-ram emanadas sintonias de paz, que certamente absorveramos murmúrios de Lídia. No âmago daquele pedido a Deus, Izabel começa aatrair para si minúsculas gotículas de energias supremas e fa-voráveis a ela. Uma luz se acendera à sua volta. Ali se aproxi-maram novamente grandes e magníficos Anjos daespiritualidade, Espíritos Guardiões, que sem palavras e semque ambas percebessem a presença deles, fizeram com queaquelas energias ruins começassem a se dissipar. Lídia, nãose sentindo bem, se afasta incomodada, dizendo a Izabel queem outro dia se falariam. João, desolado com o que estava se passando, tinhauma preocupação quase única - seus filhos. Alberto, seu ami-go, insistia para que seus olhos se abrissem quanto a Lídia, ogrande obstáculo que atrapalhava a sua felicidade. Os filhosse afastavam dele; sua esposa, terna mulher, fragilmente pos-suída por más companhias quando ingeria bebidas alcoóli-cas, e com o ódio que sentia pelo que estava se passando emsuas vidas, dava vazão aos espíritos aproveitadores. João 19
  19. 19. percebia também que sua vida profissional estava ameaçadapelos acontecimentos atuais. Seus superiores já não o viam maiscomo o supremo intelecto e excelente profissional de primeiralinha. Enfim, tudo na vida de João Eduardo transformara-seem um jogo de difícil resolução. Um jogo injusto, no qual opoder se encontrava totalmente nas mãos do inimigo. De tudo, o que ainda lhe segurava era o seu trabalho,pois diante de seus superiores uma cumplicidade os mantinhaunidos: os “segredos profissionais”. Profissionalmente, Joãoconhecia por demais os pontos podres, as chantagens, os cri-mes de colarinho branco etc. Se contasse aos adversários aquelessegredos, seria o partido totalmente desmascarado pelosoposicionistas. Osmar, o líder do partido, pensou, pensou e pediu aopinião dos demais. Cada um lhe passava um conceito.Haroldo, o vice-líder e conselheiro, braço direito de Osmar,disse: – Haveremos de dar um jeito em João Eduardo e emsua família, e isto será muito fácil. – Você é louco, Haroldo? – responde Osmar. Não hánecessidade de chegarmos a esse ponto, isso somente em úl-tima hipótese. João não é nada bobo e deve ter um excelenteSeguro de Vida. Se algo lhe acontecer, vamos ser sabatinadospor autoridades e por nossos adversários. Haverá uma inves-tigação minuciosa da seguradora, por isso, nem pensar nessahipótese. Devemos ter muita calma, Haroldo, pois existemoutros meios. Nós temos excelentes advogados e o nossodepartamento de marketing poderá montar boas estratégias.Afinal, João Eduardo não é louco, e certamente não nos de-nunciará. Não se esqueça de um detalhe, meu amigo: o di-nheiro compra tudo, e se há algo de que João gosta, é de di-nheiro, assim como nós. Fique tranquilo e deixe comigo, estábem?20
  20. 20. Após Osmar argumentar e colocar aos demais os seusplanos, todos se reuniram para chegar a um consenso, que foioferecer a João uma boa aposentadoria, mas ameaçando seele abrisse a boca, dizendo que ele poderia até sofrer umenfarte fulminante. E João, em pensamento, ao perceber que entre eleshavia muita astúcia, agiu de um modo que lhe era peculiar.Pediu-lhes, antes de qualquer proposta, uma reunião. Comisso João estava se prevenindo para não correr riscos com asua segurança. Imediatamente após lhe ser permitida a reunião, to-dos nela compareceram para, atentos, ouvirem as suas pro-postas. Na mesa onde estava reunidos, João Eduardo inicia oseu discurso usando o termo “ironia”, pois era disso que elesgostavam, e isso os excitava. E João Eduardo começa a ex-por seus argumentos. – Meus amigos e correligionários, vocês não imagi-nam o quanto eu amo o meu trabalho, e esta casa é tudo oque eu tenho, e o que sou, devo a vocês. Tanto aos meusantecessores, como também aos que chegaram após mim. Estacasa e todos vocês, muito me ensinaram. Por isso, sou grato acada um de vocês e jamais usarei de ingratidão, pois sei mui-to bem reconhecer o que de bom fizeram por mim, todosvocês. Hoje tenho uma família saudável e meus pais estãobem amparados financeiramente. Enfatizo: Tudo o que te-nho, devo a vocês. Porém, cometi uma falha, e somente euposso e devo corrigi-la. Enlevei-me, por algum tempo, pelabeleza de uma mulher, e dela fiz minha amante. Hoje, essamesma mulher tenta destruir o meu lar e age também emmeu trabalho e, após tantas sequelas, agora sei como evitá-lapara que não me ocorra mais catástrofes. Para preservar mi-nha família e principalmente este movimento (partido políti-co), ouvi Alberto, nosso companheiro que presta serviços para 21
  21. 21. esta boa casa. Digo boa casa pelas pessoas competentes queaqui estão à minha volta, e se estas pessoas são competentes,imaginem nossos líderes, que são nossos dirigentes, princi-palmente a pessoa de nosso presidente Osmar e nosso viceHaroldo, pessoas estas que elevo em meus pensamentos pelagrandeza de seus conceitos, caráter elevado e serviços pres-tados à nossa sociedade. Estes dois homens são os pais destepartido, e também excelentes pais de família. Gostaria de ci-tar também o quanto eles são grandes, tanto como pais destepartido, quanto com a preocupação que ambos têm com suadignidade e a de seus companheiros de trabalho, e também alealdade com os adversários. Estes meus comentários são sóuma pequena gota do que são verdadeiramente estes nobressenhores. Mas agora, quero voltar ao que me disse o nossoamigo Alberto, que me abriu os olhos em relação àquela mu-lher com quem me envolvi. Bem, diante deste impasse e commuita tristeza no coração, tenho que tomar uma decisão coe-rente, que é a seguinte: Para que eu não venha atrapalhar obom andamento desta conceituada casa, estou pedindo meudesligamento, sem nenhum prejuízo para nosso querido mo-vimento partidário. Mas pediria a compreensão dos senhores,pois não quero me desligar totalmente. – E o que você pretende? – Retruca Haroldo. Você Játem emprego em outro partido? – Bem, se eu renunciar do meu cargo de diretor exe-cutivo e tesoureiro, tudo aqui fica mais tranquilo. Mas se euficar, posso, com os meus problemas, atrapalhar o bom anda-mento desta casa. Fico torcendo para que tudo ande bem poraqui, portanto, vou abrir um escritório e dar assessoria finan-ceira ao partido. Prometo-lhes que jamais pertencerei a qual-quer outro partido, e se vocês me permitirem, poderei no fu-turo, quando lhes convier, assessorá-los com consultoria, poisé neste campo que desempenho bem o meu trabalho, assim22
  22. 22. como também a outras empresas privadas de outros segmen-tos. Gostaria de repetir, em alto e bom som: Prometo nãoprestar serviço a qualquer outro partido político, pois o meucoração ficará nesta casa. – E o que você precisa para montar seu escritório?– Pergunta Osmar, o presidente do movimento. – Bem, Tenho uma boa conta bancária e não pretendoincomodá-los, – responde João, já sabendo o que Osmar tinhaa lhe dizer. Osmar contesta. – E se você tiver uma ajuda do nossocaixa? Essa pergunta foi feita por Osmar com a intenção desuborná-lo ou comprar sua consciência. João, percebendo amanobra, sentiu-se aliviado, pois sabia que o seu silêncio es-tava sendo comprado. Menos mal, pois dessa maneira o riscode vida seria menor. Melhor assim do que tê-los comoinimigos declarados. João Eduardo pensa consigo mesmo: – A partir deagora vou tentar consertar as coisas. Não quero mais traba-lhar de maneira tão desonesta, pretendo me reconciliar comminha família. Mas neste momento vou seguir aquele velhoconselho, ou melhor, aquele velho ditado: “Se não pode comeles, junte-se a eles”. Essa é a única saída que vejo nesteexato momento. E João, fingindo estar pensado na propostade Osmar, faz uma pausa e depois diz: – Pois assim será. Aceito a vossa proposta, meu presi-dente, e podem contar com minha fidelidade e total discrição. – Com total ironia, João continua. – Pois bem, sei que adiscrição é nossa maior segurança para a nossa dignidade física.– Disse essas palavras para mostrar aos seus líderes que sabiao risco que corria se abrisse a boca em relação aos podres deseu partido. João Eduardo queria consertar os erros, porém, os atos 23
  23. 23. cometidos desde sua juventude, nos quais colocava o dinhei-ro como prioridade em sua vida, fez com que sempre estives-se vulnerável às vibrações negativas. Após montar seu escri-tório, passa por grandes dificuldades para conquistar sua cli-entela, mas, mesmo assim, sua vida profissional começa adar algum sinal de melhora e também a sua vida familiar. Izabel,no entanto, continuava bebendo quase que diariamente, eandava a cada dia mais deprimida. Lídia encontra João em um restaurante Lídia, após tomar conhecimento do afastamento deJoão de seu partido, se desespera, pois sabia claramente por-que isso aconteceu. O que Lídia também sabia era que JoãoEduardo tinha uma conta bancária altíssima, e vendo quetodo o apelo feito para reconquistá-lo não dera certo, começaa pensar em novas investidas. Tenta de todas as formaschantageá-lo, até que, num belo dia, por acaso encontra Joãoentrando em um dos restaurantes que os dois costumeiramentefrequentavam quando estavam juntos. – Olá meu caro, como está? Tudo bem? – PerguntaLídia, com um sorriso sarcástico. – Tudo bem – Responde João Eduardo receoso, poisnesse instante preocupou-se com os seus acompanhantes, queeram futuros clientes. Quando João vira-lhe as costas, Lídia oaborda. – Se você não me der atenção farei um grande escân-dalo aqui mesmo meu caro, na presença de seus amigos. Vocênão pode me descartar dessa forma. – Por favor, não me faça passar por esse vexame –responde João, preocupado com o que ela poderia fazer. –Dessa forma você só vai piorar a situação, pois essas pessoassão homens de negócios. Estou fechando bons contratos com24
  24. 24. eles e você pode acabar comigo. Tenha calma, vamosconversar. – Está bem. – Responde Lídia. – Só que agora não é possível – lhe diz João Eduardo,– marcaremos um encontro. – Nem pensar, meu caro. Você acha que sou boba deperder esta oportunidade? – Bem, então façamos o seguinte: aqui está o númerodo telefone do restaurante. Daqui a alguns minutos você meliga. Pensarei numa desculpa para dar aos meus clientes. – Está bem, mas não tente me enganar, pois poderálhe custar muito caro. João conseguiu sair-se bem, como sempre. Afinal, eleera muito astuto. Cinco minutos depois, o telefone do restau-rante toca e o garçom chama João, dizendo-lhe que era suaesposa afirmando urgência. Depois de atender ao telefone,João Eduardo volta aos seus clientes desculpando-se, poissua esposa não se encontrava bem e precisaria transferir areunião para o dia seguinte. Logo depois, João Eduardo eLídia se encontram como ele havia prometido. Ironicamente,Lídia diz: – João, que saudade! Você é o único homem de minhavida, eu te amo! Mas ele, não acreditando e procurando um meio parasair daquela situação, mostrando a Lídia um ar de decepção,lhe pergunta: – Será? – O que você quer dizer com isso? Ou melhor, o quevocê sabe? – Responde Lídia. – Não adianta você negar, você me traiu e sei muitobem com quem, sei de tudo. – Foi por isso que você deixou o seu emprego no partido? – O que você acha? 25
  25. 25. – Mas foi só uma aventura, meu amor. Contigo é dife-rente, porque você é um homem de verdade. Viril, inteligente,bonito... – E com eles foi tudo um fracasso, um grande fracasso,não é? João percebe que Lídia teve relações íntimas com al-guém de seu antigo trabalho e, jogando a sua esperteza, elediz o nome do líder. – Osmar é muito oportunista, minha cara. – Osmar lhe contou algo? – Olha Lídia, vamos acabar com esta palhaçada. Estátudo acabado, siga com a sua vida. – João, eu sai só uma vez com Osmar. – E com os demais? – Bem, com Haroldo foi quase à força, ele mechantageou. – E como ele chantageou você? Vamos fazer o se-guinte, Lídia. Siga a sua vida e não tente me perseguir. Eunão tenho mais nada com você. – João, isso não vai ficar assim, você não perde poresperar. Você usou e abusou de mim e agora quer me jogarfora, como se eu fosse descartável? Alguns dias após o encontro com Lídia, Alberto en-contra João e, com alegria pelo reencontro, os dois vão come-morar em um almoço no restaurante que sempre frequenta-ram. Durante o almoço, João argumenta que não quer maisnada com Lídia, mas confessa sentir que algo o empurra paraela, e que por algumas vezes fora procurá-la. Alberto lhe diz que ele deveria ser forte e não procurá-la, pois diante das chantagens de Lídia, as coisas só iriampiorar para João e sua família. Após os conselhos dado a João, Alberto, ao chegar à26
  26. 26. sua casa, continua com suas suplicas a Deus em prol do ami-go, enfraquecendo assim as energias ruins de Lúcio e seuscomparsas do mundo espiritual, vindas dos umbrais onde sesituam os maus espíritos. Lídia encontra uma amiga – Lídia! Como você está, minha amiga? Há quantotempo não nos vemos! Como vai, tudo bem? – pergunta Anita. – O que você acha, Anita? – Pensando bem, me parece que você está comproblemas. – Problemas? Pode por problema nisso, minha cara. – Mas na última vez em que nos falamos você meparecia tão bem. Estava alegre, até achei você um poucometida. Você estava com um caso, se não me engano ele sechama João Eduardo, e agora você me parece tão impotente. – E você, como está? – pergunta Lídia. – Comigo está quase tudo bem. No amor estou mal,mas vou superar essa dificuldade, você verá. – Por que tem tanta certeza assim Anita? – Bem, o Marcos me trocou por outra mulher, e eu fuiorientada a procurar um Pai de Santo que faz trabalhos parao amor, trazendo o namorado de volta. Estou trabalhandopara isso, porque o meu objetivo é tê-lo de volta. – Anita, me dê o endereço desse feiticeiro, pois o meumaior problema é esse. Você se lembra bem de JoãoEduardo, não é? – Lógico que me lembro! Um gato. Como poderiaesquecê-lo? E ele, como está? – Pois é menina, ele também me largou, deu-me ascostas. Demitiu-me de sua vida e eu o quero de volta, custe oque custar. 27
  27. 27. – Por falar em custe o que custar, vou logo lhe avisan-do que não são baratos os trabalhos do tal feiticeiro, minhacara. – Para que existem cheques? – Só que tem que ter fundo, minha cara Lídia. – Vamos logo. Dê-me esse endereço que estou ansiosa.Lá eu darei um jeito, deixe comigo. Lídia e o Pai de Santo Lídia bate palmas para chamar alguém. Quando apa-rece o tal Pai de Santo, ela diz: – Bom dia! Gostaria de falar com o Pai Gildo. – Aqui não se diz bom dia, e sim boa noite, minhasenhora. Mas vai falando o que deseja. – Eu quero falar com Pai Gildo. – Sobre o quê? – Quero fazer uma consulta. É o Senhor? – Sim, sou eu. Mas pode me chamar de Pai Quiumba.Entre que eu vou lhe atender. Sente-se e espere, porque eutenho mais gente para consultar. O lugar onde Lídia estava era ameaçador e commuitos trabalhos espalhados pelo chão. Ali, tudo parecia termau cheiro. Era assombroso! O tal pai Gildo era esquisito emisterioso, ou melhor, totalmente desconfiado, com um olharsinistro. Após Lídia esperar por duas horas, o tal Pai Gildo cha-mou-a para uma pequena sala, cuja porta era uma cortina em pés-simo estado, suja e mal cheirosa. Ali se inicia uma variedade deperguntas. Queria o tal Pai Gildo saber quem a tinha mandado e oque ela fazia em sua vida. Sua profissão etc. Após váriasperguntas, ele afirma: – Você veio aqui por causa de um homem, não é verdade?28
  28. 28. – Sim, é verdade. O senhor acertou em cheio. No desespero em que Lídia se encontrava, ela nãopercebera a artimanha que tinha sido usada pelo mal espíritapara mostrar-lhe que profetizava. – Eu estou sofrendo muito por causa desse homem. – Mas você é tão apaixonada por ele a ponto de viraqui, pedir que eu o traga de volta? – Entenda do jeito que o senhor quiser, eu o quero dequalquer jeito. Farei o possível e o impossível para tê-lo devolta. Lúcio estava próximo de Lídia para que ela nãodesistisse de suas investidas. – Olhe, minha senhora, não é muito barato! Quanto asenhora pode gastar para que eu o traga de volta, com umtrabalho feito em amarração? – Bem, eu vou deixar um cheque em branco com osenhor, e aí o senhor vê em quanto fica, está bem? – Dona Lídia, não trabalhamos com cheques, tem queser dinheiro vivo. – Bem, em dinheiro eu só tenho no momento o daconsulta. – E como você quer um homem? Pensa que é assim?Paga logo a minha consulta e volta quando tiver o dinheiro,dona. Lídia não tinha escrúpulos. De caráter dúbio, porémnão tão esperta quanto pensava, achando que poderia tapearo feiticeiro com cheque sem fundo. Nesse momento, Lúcioentra em total sintonia telepática com Lídia e faz com que elaresponda ao tal “Pai Quiumba”. – O senhor fique tranqüilo, que volto ainda hoje como dinheiro. Darei um jeito. Até mais tarde. – Eu sei que você irá dar um jeito, pois quando vocêsquerem um homem, não medem as consequências. Em pen-samento, Pai Gildo diz: “Essas mulheres ficam até sem 29
  29. 29. comer para arrumar dinheiro e ter o seu homem de volta. Equem se dá bem sou eu!”. Lídia dá o golpe para conseguir dinheiro Lídia apela para alguns amigos sem sucesso, pois seucrédito estava cortado em todos os lugares. Pensando emcomo fazer para conseguir o dinheiro, tenta vender algumacoisa que lhe restava, porém, não consegue. Vai para casadesesperada e sente uma dor horrível nos rins. Há dias passa-dos já vinha tendo algumas crises, talvez pelo desenfrear desua agitação. Mas mesmo com dores, a sua prioridade era fa-zer talvez até o impossível para reconquistar João. Lúcio vi-brava para Lídia reatar com João Eduardo. Lídia Pensou, pensou e então se lembrou que tinhauma folha de cheque em um velho talão da antiga conta deJoão, que ele esquecera em sua casa. João Eduardo era bemconceituado financeiramente e Lídia não teve dúvidas. Pre-encheu uma folha de cheque, colocou uma assinatura seme-lhante à dele, pois ela tinha algumas notas de compras com Aassinatura de João, e foi procurar Alberto, amigo de João, in-ventando uma história, ou melhor, dando-lhe uma desculpa,dizendo que João havia lhe dado aquele cheque. Alberto, encurralado, mesmo sabendo que Lídia esta-va mentindo achou melhor trocar o tal cheque e ficar livredas ameaças que ela estava fazendo. Lídia disse a Albertoque mostraria o cheque à esposa de João, pois precisava da-quele dinheiro para cuidar de sua saúde, quando na verdade,ela o queria era para fazer o tal trabalho com o inescrupulosofeiticeiro.30
  30. 30. Lídia, de volta ao Pai Gildo Já era quase meia-noite quando Lídia chega ao seudestino. Bate palmas e logo é recebida pelo auxiliar do Pai deSanto, que logo foi dizendo que ele estava ocupado e nãopoderia atendê-la naquele instante. Diga ao Pai que arrumei dois mil reais. Pergunte-lhese esse dinheiro é o suficiente. O homem, já de volta, através do velho portão demadeira, quase caindo, convidou-a para entrar dizendo-lhe: – Dona Lídia, sente-se que vou lhe servir um café. OPai Gildo não tardará a lhe atender. Em seguida, entra na sala Pai Gildo, sorrindo-lhe ebeijando-lhe a testa, dizendo: – Vamos conseguir trazer o seu homem, você verá! – Mas por que o senhor fala com tanta firmeza? Pai Gildo era raposa velha, como diz o ditado, e sesaindo bem, ele responde: – Porque você provou-me que é uma mulher forte,uma guerreira que não desiste nunca. Então, vamos iniciar ostrabalhos? O feiticeiro pediu a Lídia que escrevesse o nome dosdois, dela e João Eduardo, pedindo-lhe também algum objetopertencente ao rapaz. Ela entregou-lhe algumas fotos e osendereços de ambos. Logo em seguida, tomado por energias,o inescrupuloso “Pai de Santo” pronunciava palavras de bai-xo calão, de espíritos atrasados e revoltados, que de algumaforma se tornam obedientes ao que o feiticeiro lhe mandavafazer. Esses espíritos, equivocadamente são confundidos comExus, que na verdade são espíritos ou energias que traba-lham em uma linha intermediária, que divide o bem do mal.São espíritos voluntários e em elevação, que aceitam missõesdifíceis, assim como algumas profissões no plano terrestre. 31
  31. 31. Eles se sujeitam até mesmo a ser escarnecidos, taxados comodiabo ou satanás, não somente por outros credos, como tambémpor espíritas mal informados. Os que aceitam presentes para fazer o mal são conhe-cidos como quiumbas por grandes mestres e bons pesquisa-dores da verdadeira teologia do conhecimento espiritual pós-vida (quiumba é uma palavra de origem africana que significaespírito das trevas). O tal Pai, logo após o iniciar dos trabalhos, passa a darum atendimento “vip” a Lídia para tirar-lhe mais dinheiro, fa-zendo dela sua vítima. Assim que sai do transe, pergunta àmoça: – Lídia, você sentiu boas vibrações, minha amiga? – Pai Gildo, será que ele volta? – Eu lhe prometi que o prazo para ele voltar é de setea vinte e um dias. Agora, é só uma questão de tempo. As dores de Lídia aumentaram e ela pediu ajuda a “Pai Gildo”. – O senhor pode me dar um passe para aliviar as doresque tenho nos rins? – Minha cara, aqui nós só trabalhamos com magia ne-gra, e o seu caso pertence à Medicina. Vá procurar um médico,nós não tratamos de pessoas materialmente enfermas. A casa do tal feiticeiro ficava num bairro da periferia.Um lugar muito perigoso, pois ali havia uma comercializaçãodescontrolada de drogas. Naquele lugar, estava outra vítimade “Pai Gildo”, um consulente que se sente honrado emoferecer a Lídia uma carona, porque para sair daquele lugar apé, seria um tanto arriscado. Dali Lídia segue, levada por essa pessoa, a um hospi-tal, pois realmente não se sentia bem de saúde. Agradece aohomem, que ainda persistente oferece-lhe mais ajuda, dizen-do que a esperaria após a consulta feita para levá-la até sua32
  32. 32. casa, dizendo um até breve. Depois de um ansioso e longo tempo de espera, umaatendente lhe chama para que o médico a examinasse. Omédico, no entanto, após diagnosticá-la, diz: – Senhorita, o seu caso é sério, muito sério, você pre-cisa cuidar-se. Vá a um especialista o mais rápido possível.Depois de dito isso, o médico lhe aplicou uma injeção, recei-tou-lhe alguns comprimidos e mandou-a para casa. Lídia, ao sair dali, propõe-se a buscar um táxi. Porém,percebe que tinha pouco dinheiro. Resolve então voltar paracasa de ônibus, porque o dinheiro que tinha era suficienteapenas para uma passagem de coletivo. Ao chegar ao seu apar-tamento, o único dos presentes que lhe restava, dado por JoãoEduardo, estava sendo questionado na Justiça pela adminis-tradora do prédio por falta de pagamento de condomínios eoutras taxas ativas. Lídia, como sempre, continua adiandosuas dívidas na esperança de que João Eduardo voltasse, con-forme prometido por pai Gildo. Só assim resolveria todos osseus problemas financeiros. O tempo passa e nada de João Passaram-se vinte e um dias. Ansioso foi esse tempopara Lídia, e nada. Assim como no início dos trabalhos do tal“Pai Gildo”, Lídia estava no mesmo ponto inicial: na estacazero. Nada, simplesmente nada no que se referia ao retornode seu homem, seu provedor João Eduardo. Enquanto isso, João, envolvido pelo feitiço de PaiGildo, lutava e relutava contra sua vontade. A vontade derever Lídia fazia com que ele sentisse algo que lhe puxavapara aquela excitante mulher. Ao mesmo tempo, tinha comoobjetivo reconquistar Izabel. Era a luta entre o bem e o mal,do ódio contra o amor de sua amada esposa, que após aquele 33
  33. 33. episódio sórdido, percebera o quanto amava. Mas, diária econtinuamente, Izabel ingeria bebidas alcoólicas e sua casacontinuava uma desordem. Não havia entendimento entreJoão, seus filhos e a esposa. Bastava-lhes algum gesto ouqualquer diálogo para que entrassem em choque. Enquanto Lúcio e os espíritos trevosos vibravam paraque João voltasse para Lídia, assim a desordem seria total, osespíritos de luz, protetores de Izabel e João, ou melhor, seusanjos da guarda, vibravam a favor da reconciliação do casal edos filhos. Era uma luta constante. As atitudes do passado e do presente, de ambas aspartes, abriam um grande espaço aos espíritos negativos ecorruptos, que aceitavam as ofertas ou presentes em troca dever aquela família na lama, assim como eles são: perversos,vingativos e sádicos. Essas energias espargiam naquele larum desconforto total, com atitudes e explanações errôneas eagressivas, sempre sob as más inspirações. Entre essa classe espiritual, há, assim como no planomaterial, uma divisão em diversas classes. Verifica-se no en-tanto que ali, no lar de João Eduardo, há uma definida classeespiritual trabalhando, composta de energias vãs emanadaspor espíritos corruptos, concentrados entre a orgia e os víci-os gerais, trazendo aos poucos, àquele lar, uma atmosferadegradante e pontuada por más vibrações. O que se percebia era uma tentativa de invasão dosbons amigos do Plano Espiritual Superior. Porém, lhes eramescassas a luz que os irradiariam para o auxílio aqueles ir-mãos tão carentes. Não percebia João e toda a sua família, agrande tentativa que faziam os bons espírito ou anjos, irmãosespirituais abnegados, para ajudar a resolver tal situação. Eeles persistiam, e eternamente continuariam, mesmo com to-das as dificuldades, a jorrar-lhes nem que fosse uma ínfimapartícula de raios de amor, enlevada por suas boas vibrações.34
  34. 34. Por isso a degradação não era total, porque havia uma peque-na luz no fim do túnel. O mau pensamento ou as más atitudes se transfor-mam em más sintonias, que consequentemente atraem mausespíritos. O bom pensamento ou boas atitudes, por conse-guinte atraem bons espíritos e a paz. João não cultuava ne-nhuma fé ou não se lembrava sequer da existência de Deus.Ele continuava e persistia preocupado com o dinheiro emabundancia, com o lucro em alta escala. O dinheiro era a suavida. O ser humano que vive em contato com nosso querido Deus O criador de todas as coisas, ou seja, o nosso DeusOnipotente, não importando a fé, ou as denominações que lhederem, sempre será o nosso porto seguro. Quem não tem umafé, certamente se torna escravo de si mesmo ou escravo de seupróprio egoísmo, além de estar totalmente vulnerável e sujeitoàs vibrações negativas. E quando isso ocorre com pessoas demá índole, que permanecem no erro e que não tem escrúpulos,geram em torno de si maus pensamentos: inveja, ciúmes, ego-ísmo, ganância desenfreada, corrupção, individualismo, calu-nia etc. E quando um espírito do mal se aproxima, encontra omaior de seus desejos, que é o de atormentar as pessoas, mate-rializando doenças e tirando o máximo de proveito que puder,sugando suas energias, incentivando aos vícios pelo psiquismo,ao roubo e até a homicídios. Essa pessoa, estando total ouparcialmente indefesa (sem nenhuma fé), logicamente seráatingida, tornando-se uma presa fácil dessas vibraçõesmaléficas. Sintomas físicos como mal estar, insônia, angústia,choros desmotivados, previsão ou sensação de morte e 35
  35. 35. outros males. São assim que começam a se revelar as mássintonias. Isto é só o fim, ou o começo de uma situaçãodegradante. Mas quando o ser humano tem sua fé, seja ela qualfor, que pregue o amor ao próximo, à família, solidariedade eprincipalmente amor a Deus, tudo leva a crer que terá o seuanjo ou espírito guardião fortalecido, bem sintonizado, desig-nado por Deus 24 horas por dia, não importando se o nomede sua proteção seja Anjo da Guarda, Protetor, EspíritoSanto, Energia ou Orixá. Nosso querido mestre Jesus afastava e conduzia osespíritos que obsedavam as pessoas para outras dimensões.Essas pessoas obsedadas estavam vulneráveis por causa deseus atos improcedentes. Provavelmente, João Eduardo, suaesposa e seus filhos, estavam vulneráveis e expostos a talobsessão. Observemos o que dizia o Mestre Jesus às pessoas queeram vítimas de espíritos obsessores, também conhecidos como“legião”: – “Vás e não peques mais”. Ou pode-se dizer: Vá etenha bons pensamentos e boas atitudes. Lídia volta ao Pai Gildo Lídia, voltando àquele lugar, bate palmas e logo é atendida.O auxiliar pede para que ela entre. Em seguida, surge Pai Gildo. – Tudo bem? Veio trazer-me boas notícias, não é mesmo? – Não – responde Lídia, desolada. O senhor prome-teu-me que João Eduardo voltaria entre sete a vinte e um dias.Já faz quase dois meses e nada. Ele ainda não voltou. Estoudesesperada e com dívidas, muitas dívidas. Não tenho maisnem o que comer, e eu quero o João se arrastando aos meuspés, não só pelo que ele foi para mim ou porque ele me dava detudo, agora eu o quero por vingança – e põe-se a chorar.36
  36. 36. Magoada pelos enganos e mentiras de João Eduardo e depai de Gildo, frente a frente com seu guru, cheia de tormentos, sediz vencida por Izabel nessa batalha. E é bem verdade que Izabel,com todos aqueles problemas, era realmente uma vencedora.Afinal, ela usava uma poderosa arma: o amor que doava saído desuas entranhas, aos filhos a ao marido. Amor que estava guardadoem seu íntimo, mas a bebida alcoólica estava lhe prejudicando,numa busca inútil por consolo e resolução dos problemas. Izabel, vagamente se apegava à fé, mas o que pedia,clamando, era com palavras verdadeiras. Nesses momentos, o seucoração se abria, despojado e seguro às suas preces. Mas, é claroque entre eles havia uma fenda já um tanto profunda, para que asenergias inconstantes dali se provessem, para que os maus espíri-tos entrassem em sintonia com o ódio e a vaidade, cujo únicoobjetivo era explorar esses sentimentos ao máximo, para comple-tar a maldosa destruição daquele lar. Enquanto isso, Pai Gildo diz a Lídia que é precisoreforçar o trabalho. – Então reforce, – respondeu Lídia, com muito ódio. – Vamos reforçar minha filha, só que eu preciso de maisdinheiro. – Dinheiro? Eu não o tenho mais dinheiro. Já lhe disseque não tenho nem o que comer. – Mas você disse que tem um bom apartamento. Vai terde vendê-lo. – O Senhor acha que devo vender meu apartamento paracontinuar esse trabalho? – Minha filha, o que mais vale? O apartamento ou essehomem? – E se ele não voltar? – pergunta Lídia. – Você tem de confiar em mim, o trabalho já está quasedando o resultado que você deseja. Agora, só precisa de umpequeno reforço. 37
  37. 37. – E em quanto fica esse “pequeno reforço?”. – Para que ele fique bem feito, quero que você metraga o quanto antes a quantia de sete mil reais. Garanto-lheque o seu homem voltará, com certeza, no prazo de três dias. Lídia, espantada e com ironia, responde a pai Gildo. – Mas meu amigo, eu não tenho mais dinheiro, nempara comer. Ajude-me, por favor! Traga-me este homem quedepois eu saberei ser muito generosa com você. Poderei atelhe dar um carro novo. – Pois venda o seu apartamento. Sem dinheiro, nãotem trabalho. E vá embora, porque tenho muita gente paraatender. Lúcio, furioso, assim que Lídia vira as costas para PaiGildo, com sua vibração ruim faz com que o tal “PaiQuiumba” leve um belo tombo, caindo de boca no chão. Lídia, por mais uma vez se sente derrotada e com osrins cada vez mais problemáticos. No desespero que sentiapara alcançar aquele objetivo, a conquista do seu homem, elase esquecera do mais importante: sua saúde, que se agravara. Ao chegar em seu apartamento, Lídia procura um com-panheiro para o seu consolo: o rádio. Sintoniza-o em qual-quer emissora e ouve a voz do locutor, que diz: – Você está desesperada, não é mesmo? Nada estádando certo em sua vida? Sua saúde está abalada? Seu espo-so ou namorado se foi? Nós temos a solução. Ligue-nos agoramesmo, porque teremos resposta de imediato para o seu caso.Temos aqui vários depoimentos e uma equipe que ora porvocê. Ouça alguns depoimentos. Lídia, muita atenta, começa a se envolver e a sentir-se realizada com aqueles depoimentos. Não teve dúvidas. Foià casa de Anita, também enganada por Pai Gildo, e as duastomaram uma decisão. Ansiosa, Lídia liga para o líder religio-so, o locutor, para um contato imediato. Logo ela é atendida38
  38. 38. pela secretária da tal emissora pirata, que lhe pede que escre-va uma carta para ser lida ao vivo pelo locutor. No dia se-guinte, após a carta chegar às mãos do locutor, este a respon-de, pedindo que as duas fossem à igreja para serem atendidaspelo reverendo. Eis o que o locutor respondeu no ar: – Eu sou o Reverendo Luiz e aqui estou com a cartade Lídia, que me conta sobre o seu estado de saúde, causadopela má situação financeira que está atravessando, além datriste ausência e o abandono de seu namorado. Eis o que estase passando com você, minha filha. Você está com um traba-lho de feitiçaria muito pesado. Um Exu e uma Pomba-Giraaceitaram uma tarefa para acabar com você, e essa pessoavocê conhece bem. É ela mesma, é exatamente quem vocêesta pensando neste exato momento. A minha vidência aindame mostra todo o mal que fizeram a você. Esse trabalho par-tiu também de uma vizinha sua. Procure-nos com urgência,mas venha rápido, para que possamos fazer-lhe uma forte cor-rente de orações. Eu tenho o poder para lhe salvar dessasituação. Vou abençoar-lhe e seu namorado voltará urgente,mais rápido do que você pensa, minha querida ouvinte.Venha hoje mesmo. Lídia, já um tanto debilitada e com um péssimo as-pecto, consegue, com a ajuda de Anita, chegar ao local ondeo reverendo reunia, pela força da comunicação, o rádio, mui-tas pessoas que se encontravam desesperadas e sem saber oque fazer. O encontro 39
  39. 39. Quando Lídia se apresenta à secretária do reverendo, estapercebe que a pobre moça não se prezava mais ao futuro. Masmesmo assim, após varias e varias perguntas, Silvia, a secretáriado reverendo, diz à Lídia: Venda o seu apartamento e volte aqui. Nós não cobramosnada, mas você precisa só colaborar com ofertas para que possa-mos continuar pagando o aluguel desse enorme salão e o progra-ma de rádio, por meio do qual prestamos auxilio às pessoas quetêm problemas iguais aos seus. Lídia alegou que seu apartamento estava à venda já háalgum tempo, porém, não conseguia vender, pois nunca haviaaparecido ninguém interessado. – Posso lhe dar uma idéia? – diz-lhe a secretária. Abaixe opreço que você está pedindo para vendê-lo, assim, ficará mais fácila negociação do seu imóvel. Eu pedirei ao reverendo para que oremuito por você, e verá como será rápida a venda do apartamento.Façamos o seguinte: você me dá o seu endereço para que eu ocoloque na fogueira da prosperidade. No dia seguinte, logo após lídia se levantar, toca a campa-inha. Era uma pessoa interessada na compra do apartamento: – Bom dia! Quero falar com dona Lídia. – Pois não, sou eu mesma. O que o senhor deseja? – A senhora está vendendo o apartamento? – É, estou. – Bem, estou interessado. Quanto a senhora quer por ele? – Veja bem meu senhor, o apartamento vale oitentamil, mas estou pedindo cinqüenta mil, pois tenho urgênciaem vendê-lo. – Têm dividas? – pergunta-lhe o comprador. – Algumas taxas de condomínio atrasadas. Lídia lhemostra os boletos. – Aqui está o que devo: Três mil reais. – Bem, eu lhe dou vinte mil reais. É pegar ou largar.40
  40. 40. – O senhor aceita um café? É a única coisa que possolhe oferecer no momento. Lídia lhe oferece um café para ter tempo de pensar,pois estava sendo pressionada. Enquanto fazia o café, marti-rizava-se em pensamentos: “Aquele pessoal da igreja do re-verendo Luiz é realmente incrível. Fui ontem ter com eles ehoje já estou vendo o resultado. Isto é um verdadeiro mila-gre. Não é bem o que eu queria, mas até agora não haviaaparecido nenhum comprador, e se eu pegar os vinte milreais e tiver o João de volta, tudo estará resolvido em minhavida, pois se aconteceu este milagre, com certeza outro mila-gre acontecerá: João irá voltar”. Mas o que Lídia não sabia é que aquele sujeito, o com-prador sem escrúpulos e mal intencionado, era comparsa dorevendo Luiz e de sua secretária Silvia, que o enviaram atéLídia para extorqui-la, executando uma compra desonesta eoportunista do imóvel, a preço irrisório, sabendo eles perfei-tamente, que através da sensibilidade emocional em que amoça se encontrava, certamente seria uma presa fácil, e elesbem sucedidos com a compra do imóvel. Com isso, teriamum bom lucro após vender o apartamento para outra pessoapelo preço de mercado. Lídia, voltando da cozinha com o café, diz ao homem: – O senhor não pode melhorar um pouco mais a suaproposta? – Senhora, na verdade eu já estou quase arrependido,pois percebo que nesse apartamento tem alguma coisa. Aquihá uma tristeza muito grande, parece-me que tem macumba,feitiçaria, enfim, uma energia totalmente negativa que tomaconta deste lugar. Quem morar aqui só terá problemas. Pa-rece-me que tem um feitiço muito bravo, coisas de vizinho. Após ouvir atentamente aquele homem, Lídia deduzrapidamente que João fora embora porque alguma vizinha 41
  41. 41. invejosa lhe fez algum trabalho para tirar João de sua vida.Ao ouvir as estranhas palavras daquele homem, inesperada-mente, quase que suplicando, diz ao homem: – Pensando bem... Não, não vá embora! Vamosconversar! – Não, dona Lídia, eu não vou comprar mais oapartamento da senhora. – Então está bem, eu aceito os vinte mil. Fechamos onegócio agora? O comprador convida Lídia a ir ao seu escritório paraconcluir o negócio. Assim, consumado o negócio, ela entregaas chaves do apartamento ao homem. E a convite de suaamiga Anita, Lídia vai morar com ela, dividindo ambas asdespesas de aluguel, telefone, alimentação e outros. – Você viu Anita? Agora vai ser tudo do jeito que euquero. Aquele canalha logo em breve estará aqui, em minhasmãos. O pessoal do reverendo Luiz é ótimo, fomos num dia eno dia seguinte consegui vender o apartamento. Temos que irlá o quanto antes para eu dar a minha oferta, para que JoãoEduardo esteja logo, bem aqui, aos meus pés. Vamos Anita,arrume-se enquanto eu pego um táxi. – Que nada Lídia! Vamos de ônibus, você precisaeconomizar. – Que economizar, que nada. Logo, logo o João vol-tará e meus problemas financeiros estarão resolvidos, mesmoporque, eu não estou bem de saúde. De vez em quando medá umas crises e eu tenho muitas dores nos rins. Estouurinando sangue. – Cuidado Lídia, você precisa se cuidar, mulher ! – pre-vine Anita. – Assim que João voltar para mim amiga, irei tomarprovidências em relação à minha saúde. Irei me tratar nasmelhores clínicas e aproveitarei para fazer algumas correções,42
  42. 42. com cirurgias plásticas e estéticas faciais. E você Anita? O seunamorado não voltou? – É, mas eu prefiro não mexer mais com essas coisas,vou deixar nas mãos de Deus. O que for meu virá em minhasmãos. Bem, até que enfim chegamos à igreja do reverendo. Na igreja Lídia aborda um atendente. – Boa tarde moço, querofalar com a Sílvia. – Quem quer falar-lhe? – Diga que é a moça do apartamento que ela saberá . – Qual é o seu nome moça? – Diga-lhe que é a Lídia. Em seguida, aparece Sílvia. E Lídia, dirigindo-se a elacom entusiasmo, diz: – Vocês são demais. Eu vim o mais rápido para agrade-cer-lhes, e também para trazer a oferta prometida. Diga-me oquanto devo dar como colaboração, além do meu testemunho. – Bem Lídia, você colaborando com ofertas, no máxi-mo em três dias seu namorado estará de volta, com toda agarantia. – Quero saber o quanto devo doar. – Quanto mais você puder colaborar, mais rápido seunamorado voltará. Faça esse desafio e você verá como o mila-gre acontece rápido. Faça isso. – Duzentos reais está bom? – Se você acha que estamos aqui pedindo esmolas, estátotalmente enganada, moça. Isso é uma ofensa. Bem, faça oseguinte: Doe a metade do que conseguiu com a venda do seuapartamento e você verá o milagre acontecer. Reafirmo-lhe queem três dias você terá o seu homem de volta, eu lhe garanto. Anita quis interferir, dizendo que aquilo era um 43
  43. 43. absurdo. A secretária Sílvia, porém, percebendo a intromissãode Anita, chamou Lídia para outra sala para torná-la sua presa. – Dez mil reais? – indaga Lídia, com admiração. – Sim, exatamente dez mil reais – afirma a secretariado tal reverendo. E foi o preço que Lídia pagou por seu atode simplicidade, desespero e fé naquela quadrilha. Silvia, asecretária confiável do reverendo, participava de um esque-ma sórdido, cuja finalidade era só usufruir do desespero daspessoas com promessas e garantias em tudo o que se diziarelativo à solução de problemas. Lídia em estado grave Lídia, ansiosa, aguardara os três dias. Porém, JoãoEduardo não regressara. Os dias se passavam e o seu cora-ção, totalmente em frangalhos, se desajustava em seu peitosórdido, seco, frio, quase em morte. E João Eduardo, não mais.Ou nunca mais. Sua doença estava cada vez mais grave e Anita tenta-va ajudá-la do jeito que podia. Lídia dizia à amiga que os seuscaminhos se estreitavam a partir dali. Enferma de corpo ealma, se calava pelos cantos. Porém, com muita revolta, nãoouvia ninguém, e também não obtinha mais respostas aosseus clamores. Talvez a vida lhe obrigara, a partir daquelemomento, a se conformar. Anita, por sua vez, passou a frequentar um templobudista, onde, bem orientada, se instruiu e passou às medita-ções e à leitura de bons livros, tornando-se em pouco tempouma pessoa mais alegre, passando a compreender e a aceitaro que a vida podia lhe dar. Entendia que na vida, faz-sesintonia com as leis de causa e de efeito. O bom torna-sebom, o ruim se multiplica e torna-se ainda pior. Metafisicamente falando, o sobrenatural aprofunda-se44
  44. 44. nela através de leituras feitas em livros extraordinários, assimcomo os bons livros espíritas, e, além do mais, de fundo cientí-fico elevado, trazendo-lhe fontes tranquilas para a sua alma. Lídia, totalmente apegada aos seus encantamentos, es-quece de sua saúde física, já um tanto afetada pelas esperas e pelaangústia. É aconselhada várias vezes por sua amiga a cuidar desua saúde. Após visitar um consultório médico, imediatamenterecebe das mãos do doutor uma guia de internação em caráterde urgência, por sorte em um hospital que ficava bem próximoà casa onde ela morava com sua amiga Anita. Após vários exames realizados por uma junta médica,foi feita uma biopsia e concluiu-se que os rins de Lídia esta-vam totalmente comprometidos, pois ela tardara a procurarpor tratamento. Após o diagnóstico feito, encontraram umenorme tumor maligno bem próximo ao seu coração e outrono rim. Quem sabe não teria sido o resultado de tantas lágri-mas, tanto ódio e tanta angústia? Ou, quem sabe, não estariaali já há muito tempo, somente aguardando o momento demostrar-se em dores, para arrancar-lhe o máximo de sofrimento. O tempo, curto o tempo, deixa por alguns dias a jo-vem mulher banhar-se com as próprias lamúrias, para depois dederrubadas suas lágrimas, afagar suave o “benéfico mal” que guar-dava em seu peito com as delicadas mãos, aceitando-o diante dotempo que ainda lhe restava de vida. Termina aqui a passagemde Lídia pelo plano Terrestre, mas perguntas pairam: Será queLídia teve oportunidades de resgatar dívidas? E para ondeteria ido? Lídia acreditava parcialmente que as pessoas, JoãoEduardo, por exemplo, é que tinham por obrigação cumprircom os compromissos dela e promover seus devaneios. SeriaJusto? Lúcio, junto àquela legião de espíritos trevosos,resolve que deveria resgatar Lídia para se juntar a eles, massabendo de antemão que não seria tão fácil, afinal, ela tinha 45
  45. 45. seu livre-arbítrio. – Será que Lídia perdera essa oportunidade de sevingar de João? – questiona Lúcio.Há um pequeno trecho bíblico que diz: “Nem filho paga porpai, nem pai paga por filho”. Será que essa lei fará com que a alma de Lídia fique poraí, vagando? Após a morte de Lídia, Anita resolve mudar-se, poissentia um grande vazio em sua casa: faltava-lhe a amiga. Anitarecordava-se muito de Lídia e passou a frequentar um bomcentro espírita. Lá, formavam-se grupos de voluntários paravisitas constantes às crianças excepcionais. E Anita semprese fazia presente nessas oportunidades, além de continuar fre-quentando o templo budista, onde aprendera a meditação, ojejum e a reflexão. Entre os frequentadores daquela casa decaridade, Anita conheceu Oscar, um homem culto, de meiaidade e boa procedência, cuja humildade jorrava de seus lábi-os em forma de sorriso. Um cavalheiro que lhe cercava deatenção, fazendo-a dele se aproximar num encantamento deamor. Houve entre ambos, as flores e o namoro. O desejo de estar sempre junto dela, de lhe dar flores,era uma realidade fantástica que fazia Anita fruir em seu co-ração, também muito sofrido, o desejo da vida, o desejo deamar. Mas como em todo sonho ou conto de fadas, derepente, sem motivo, uma emoção profundamente triste, va-zia, faz surgir dos lábios de Oscar uma doçura ternamentetransformada em um gosto amargo, ao dizer a Anita que nãopoderiam mais se envolver, que ele se afastaria dela por mo-tivos alheios à sua vontade. Há dois anos, Oscar tivera um romance com uma moçachamada Camila. Depois de perceber que não havia nada emcomum entre ele e Camila, que eram desajustados, ele foi amar-gamente traído por aquela mulher, que preocupada somente com46
  46. 46. o seu bem-estar, feriu-o intensamente com suas falsas juras deamor, transformadas por Oscar em decepção e desconfiançano sexo oposto. Certamente que Anita lhe parecia diferente, no en-tanto, não confiava nela o suficiente para viver uma bela his-tória de amor, assim como sonhara. Quis colocar à prova apaixão, o amor e a honestidade de Anita. Esse afastamento de Oscar foi uma determinação umtanto insegura e vulgar da parte dele, que por não ter nenhu-ma experiência com as mulheres, acreditava que seria o úni-co caminho para chegar ao que ambos buscavam: o amor.O coração de Oscar ficou imensamente amargurado, e o deAnita, duplamente amargurado, pois sabia o que havia acon-tecido no passado entre Oscar e outra mulher. – Anita! O melhor que devemos fazer é nos separar,paremos por aqui. Não mereço você, sou só um tolo, não seilidar com as mulheres, não podemos mais ficar juntos Ela rebate as suas palavras respondendo-lhe: – Oscar! Que brincadeira é essa? O que estáacontecendo? – e se põe a chorar. Momentaneamente, ao levantar o rosto, percebe queo homem a quem estava aprendendo a amar se encontrava alichorando, e a passos lerdos ia aos poucos se afastando dela,silencioso, pés rastejantes, para que talvez nem mesmo osseus rastros ficassem. Ele sabia perfeitamente que seus ras-tros seriam as suas saudades. Oscar não diz mais nada e vai-se embora, com a cer-teza de que Anita sairia à sua procura. Pobre mulher... Ali,surpreendida, os seus braços não se moviam e suas pernas sólhe deram forças para que se ajoelhasse no chão, sozinha, lançan-do um grito triste acompanhado de um choro sórdido, tão sór-dido, que instantaneamente a fez se calar. Aquela noite, uma noite de inverno, estava muito fria. 47
  47. 47. Anita tinha preparado uma bebida muito saborosa, com umareceita elaborada por sua mãe que ela jamais esquecera. Nessabebida estavam incluídos os seguintes ingredientes: chocola-te, ovos, leite, açúcar e uma pequena dose de conhaque. Jun-to àquela bebida viria também um pouco de sua história devida, de suas labutas e tudo pelo que já tinha passado em suavida. Anita nascera em uma família pobre, originária do suldo Brasil. Ainda menina, que viera para a cidade grande paraconquistar uma vida mais digna. Mas e o seu amor? Por que não teria Anita sorte com oamor? Que Deus tomasse conta de sua alma. Alguns dia se passam e Oscar, por intermédio de ou-tras pessoas, fica sabendo notícias de Anita. Ela não andavabem, estava abatida e muito deprimida. A verdade é que ele aqueria, e sofria muito com a separação. Oscar era um homem simples; não possuía bens e vi-via com um salário razoável. Um homem de 40 anos cujavida sempre fora voltada para o trabalho. Após o episódiocom Camila, Oscar jurou para si mesmo que nunca mais pas-saria por uma situação daquela natureza, que o envolvera emtraumas, tristezas profundas, traição, desilusões e inquieta-ções. Mas Anita, não! Por que Anita? O seu amor por elatirava-lhe os domínios que impusera para o seu destino! Deve-ria procurá-la? Sim é claro que deveria, porque nada souberade erros passados. Anita lhe dissera tudo num gesto transpa-rente, para nada ficar-lhe oculto. E será que ela o perdoaria? O que Anita nem imaginava era que Oscar, na verda-de, era um empresário bem sucedido, que ocultara dela osseus grandes bens financeiros. Era dono de uma siderúrgica queempregava 1.500 funcionários. A tristeza, irmã melancólica da depressão, comparti-lhava as horas com Anita após a sua separação de Oscar. Do48
  48. 48. silêncio oculto que se fazia em sua casa, nada se ouvia além delamesma e de suas lamentações. Para si, todas as manhãs lhe eramvazias, as tardes pareciam não existir mais, e desejava o véu danoite pra morrer com ele. As noites lhe eram frias e trevosas. Àsvezes chamava por sua amiga que já se fora, outras vezes temia apresença de Lídia, chegando a sentir fortes arrepios e temoresem um dia que invocou a presença da amiga falecida. E poucaslhe foram as noites tranquilas em que conseguia dormir. De repente, numa manhã, ao levantar-se da cama olhapara o espelho e assustada e põe-se a chorar. Teria perdidouns bons quilos de peso corporal. Sua fisionomia era cadavé-rica, flagelada. Imediatamente toma o seu banho e troca asua roupa para dirigir-se a um hospital, pois daquela formanão poderia continuar. Que Ironia, mais uma vez, o destino Anita, em uma de suas idas ao hospital, ao passar poralguns exames não sabia que ali, onde se tratava doentes, umdos provedores do hospital teria o nome de Oscar. Ela real-mente não se importava com o nome, porque não seria omesmo Oscar a quem ela tanto amava, jamais, pois ele nãoteria o mínimo de condição para ser um provedor daquelecomplexo hospitalar. Em uma das consultas, um médico sim-pático chama-lhe pelo nome ao atendê-la. Dr. Osvaldo, ao examiná-la sorrindo, lhe dá odiagnóstico: chama-o de “solidão”.Essa situação despertou nela grandes atenções, e aquele doutorpassou-lhe um carinho especial através das palavras, pois sabiaque a situação daquela senhorita estava ligada somente ao fatorpsicológico. O que resta dizer é que, após algumas visitas ao hos-pital, Anita sente que ainda teria possibilidades de se reerguer, 49
  49. 49. por encontrar ali uma pessoa que se tornou um grande amigo,que era o Dr. Osvaldo. Mas ela sentia que ele lhe omitia algu-ma coisa, ainda assim, confiara a sua vida a ele, pois suaspalavras lhe confortavam, e muito. O tempo passava. Depois de suas visitas ao médico,Anita conseguira se estabilizar, retornando à vida ativa. Nãose esquecera por todo de Oscar, mas já se sentia melhor, qua-se pronta para o labor. Algumas sessões lhe foram feitas porprofissionais na área de psicologia, para ajudá-la em seu pro-gresso íntimo. E sempre ali presente estava o seu “Dr. Ami-go”. E nessa vigilância, com algumas visitações médicas,Anita sente-se muito bem. Só que uma coisa começava a afli-gir a sua mente. Por que tanta atenção do Dr. Osvaldo? Foiquando caiu em si. – Meu Deus! Não pode ser! Eu não devomais passar por essa penosa situação. Um dia, ao examiná-la, Dr. Osvaldo, não contendomais sua paixão mas sem lhe faltar com o devido respeito,fez-lhe um elogio, convidando-a para jantar. – Anita, você é e está hoje ainda mais bonita. Nãogostaria de jantar comigo? – Dr. Osvaldo, o senhor é realmente uma pessoa mui-to interessante, bonito. Um excelente médico, de boa posiçãosocial e tem uma missão maravilhosa, que é a de curar aspessoas. O senhor é tudo que uma mulher equilibrada sonha.Mas o meu coração doutor, meu coração está totalmenteocupado, e para sempre. – Você me desculpe, Anita. Pensei que você fossesolteira e que não tinha compromisso algum. A sua ficha dizque você é solteira. – Sim, sou solteira e não tenho namorado, não tenhoninguém. Quem eu realmente amo, profundamente, foiembora sem dar-me explicações. – E como se chama esse felizardo, Anita?50
  50. 50. – Isso agora não importa, doutor. – Desculpe a minha curiosidade, estou querendosaber demais de sua vida. – Não, não há problema. Eu é quem lhe devo descul-pas. Fui um tanto grosseira e o senhor me é tão gentil. Apessoa a quem amo se chama Oscar. Ele trabalha em umasiderúrgica. Não tem o seu status, é uma pessoa simples fi-nanceiramente, porém, um perfeito cavalheiro tanto quantoo senhor, doutor. Ele é tudo o que eu sonhei para completara minha felicidade: Um homem pobre financeiramente, masrico de alma, rico em suas convicções, em seus planos. Sóque eu não entendo porque ele se foi. Não pensou nas sequelasque me deixaria ao afastar-se de mim, sem que existisse al-gum motivo ou justificativa para isso. – Ele não lhe deu nenhuma explicação? – perguntaDr. Osvaldo. – Por que Oscar? Por quê? Se você soubesse como eute amo e o quanto te odeio por isso. Eu tinha planos para nósdois, mas tudo não passou de uma mentira. Em seguida, Anita se despede de Dr. Osvaldo e elelhe pede desculpas. – O senhor não imagina o bem que me fez com esseconvite, auxiliando-me em meu interior, levantando minhaautoestima. Quando vim a este hospital, desolada, jamaispensei em meu regresso como pessoa normal. Mas com asbênçãos divinas, encontrei-me com o senhor e lhe fiquei de-vedora. Foi aqui, através de seu braço amigo e de seu coraçãomaravilhoso que me fiz novamente filha de Deus, umapessoa normal. E foi exatamente isso que eu tanto precisei paraerguer-me novamente. Fico-lhe grata doutor, muito grata. QueDeus o ilumine sempre. Oscar, além de provedor daquele hospital, também oera em outras instituições filantrópicas, em especial numa casa 51
  51. 51. espírita, onde ele se sentia muitíssimo bem na companhia decrianças “especiais”. Mas mantinha sigilo total, para que suasolidariedade não perdesse a essência da caridade. Lídia vaga sobre a Terra Após a morte de Lídia, com o seu espírito já desliga-do do corpo físico, ela se encontra numa dimensão de baixafrequência, com outros espíritos da mesma faixa vibratória. – Que lugar é este? – pergunta Lídia. – Que horrível!Onde estou? Responde-lhe, telepaticamente, um dos espíritos alipresentes: – Aqui, minha cara, é a sua nova casa. – Como assim? Eu tenho de encontrar Anita. Pelo quesei, ela estava comigo no hospital, e aqui não me parece serum hospital. – Verdadeiramente, aqui não é um hospital, você estacerta. Aqui é outro lugar, é a sua nova casa. O seu corpovocê deixou lá no hospital, e de lá ele foi levado para o cemi-tério. Seu corpo agora está podre! Podre, você entendeu? Emdecomposição. – Não entendi e você está falando bobagem. Euestou aqui, viva e com muitas dores. Diga-me onde possoencontrar um médico. Como ninguém a atendia em seus apelos, confusamenteela perguntava: – Por favor, diga-me a verdade! Eu quero voltar pra casa! – Como você se chama? – alguém pergunta. – Eu me chamo Lídia. – Olhe aqui moça, você agora é um espírito, só espírito.O seu corpo está debaixo da terra, podre, todo podre. Vocêentende isso? Logo ali na frente tem um homem que se cha-52
  52. 52. ma Lúcio. Ele esta à sua procura faz tempo. Tem outro alique você já conhece. Foi assassinado de tanto enrolar os ou-tros enquanto viveu na Terra. Um belo dia ele achou um quefez dele churrasco! Vá até lá que você descobrirá quem ele é. – E você, quem é? Pergunta Lídia. – Bem, eu era ladrão, assassino, estuprador etc. Sóque, após vários anos, comecei a entender que estou aqui nacondição de espírito, sofrendo um monte neste lugar horrí-vel. Estou aqui de acordo com as minhas ações. É aqui onosso lugar, e pode ir se acostumando, minha cara. – Estou com frio, com fome e com muitas dores. – Para você se alimentar terá que esperar. Bem, eu nãoestou aqui pra lhe ensinar nada, aqui é cada um por si. – E onde está a pessoa que eu conheço? – Vá andando por aí. Depois daquele lodo você oencontrará. Será fácil você encontrá-lo, pois ele está tododeformado, talvez se banhando no lodo que ele mesmoconstruiu. – Então ele está vivo! – responde Lidia. – No meucaso, se eu sinto dores em todo o meu corpo, certamente éporque também estou viva. Sabe de uma coisa, você está meenrolando, seu mentiroso. Naquele momento, surge na presença de Lídia umespírito de aparência suave. Após cumprimentá-la, ele lhe diz: – Chamo-me Rafael, sou um espírito que trabalha nalinha que divide o bem do mal. Sou conhecido por váriosnomes no planeta Terra. Alguns me chamam de Guardião,outros de Exu, Portal, Auxiliar... Assim, rotulando-me comnomes diferentes e credos também diferentes. Por vezes somosconfundidos com espíritos que sentem prazer em fazer o mal.O que fazemos, no entanto, é trabalharmos ardorosamente paramanter o equilíbrio no Universo, e vim aqui neste lugar de tre-vas com a missão de lhe fazer um convite. Venha conosco para 53
  53. 53. uma colônia espiritual, onde você terá grandes oportunidadesde um bom aprendizado e conforto espiritual. – Bem, Sr. Gabriel ou Sr. Rafael, – responde Lídia –isso pra mim não tem a menor importância. O que me inte-ressa no momento é falar com o homem que aquele outroespírito diz que eu conheço. Você pode me dizer onde eleestá? – Eu lhe recomendo que não o veja, pelo menos poragora. – Veja bem, Sr. Rafael ou Sr Exu, seja lá o que for.Sempre fui dona do meu nariz. Não lhe conheço e não aceitosuas ordens ou recomendações. Eu tenho um objetivo, que éreconquistar o homem que perdi. Não estou bem de saúde,sinto muitas dores. Sinto fome e muito frio. Quero resolverminhas pendengas. Você pode me dizer onde está a talpessoa que aquele cara disse que eu conheço? Sim ou não? – Aqui você tem vontade própria, ou seja, tem o seu“livre-arbítrio”. Portanto, você é livre para ir e vir. Siga o seucaminho e encontrarás quem procura – responde Rafael. Após algum tempo, Lídia se depara com Lúcio e Gildo,o tal feiticeiro. Com muito espanto, ela exclama: – Você por aqui? Nossa! Pai Gildo, como você estápéssimo, seu pilantra! Cadê o João, que você jurou que nomáximo em 21 dias estaria comendo em minhas mãos? – Agora ficou mais fácil, minha cara! Este aqui é Lucio.Você não o conhece, mas ele esteve sempre ao seu lado, ten-tando lhe ajudar. Ele era namorado da esposa do seu amante.Vamos formar uma equipe e nos preparar para uma viagem, elá você terá o seu homem a hora em que você quiser. O terá até24 horas por dia. O que você acha? – Você está tentando me enrolar outra vez, não émesmo? – diz Lídia. – Tente entender uma coisa moça, nós estamos mor-54
  54. 54. tos! Mortos, entendeu? Estamos mortos fisicamente, como sediz na Terra. Agora nós estamos em outro plano, que muitoschamam de “Inferno”. Aqui, ou você se une a nós, ou você sedeclara nossa inimiga. Como queira minha cara. Lídia, já um tanto amedrontada, procura disfarçar,buscando resolver as suas preocupações e necessidades físicas. – Como é que a gente se alimenta por aqui? Estoucom muita fome... Sinto frio e tenho dores. – Para nos alimentarmos por aqui – diz o feiticeiro –temos que vagar sobre a Terra para sugar as energias daspessoas que nos dão abertura. – Como assim? O que é abertura? Não estou enten-dendo nada, meu caro – responde Lídia. – Quanto mais as pessoas cometem erros, mais elasficam vulneráveis, ficando assim mais fácil para nós. Mas nãotenha pressa para aprender, pois você terá tempo disponívelem seu aprendizado. Aos poucos você aprenderá a fazer isso,é muito fácil. O que basta é que você não tenha piedade deninguém, pois o ódio é a arma mais eficiente para nós. Lídia, muito confusa com aquela situação, não sabiase era realidade ou sonho. Dizia para si mesma ser só um sonho,apenas um sonho. Era o que estava lhe acontecendo, era no queela queria acreditar. Aquilo tudo não se passava de um sonho ba-nal, afirmava Lídia para si mesma. Mesmo acreditando que estava sonhando e que ainda es-tava viva e na Terra, ela pergunta ao feiticeiro: – Então, Pai Gildo, diga-me, o que foi que lhe aconteceu? – Bem, minha cara, das coisas que não resolvi em suavida, muitas outras pessoas eu também enganei com minhasmentiras e traições. Até que um dia, de tanto enrolar os outros,acabei me dando mal. – Mal como? – É, minha cara, fui procurado por um libertino ex- 55
  55. 55. plorador de mulheres, popularmente conhecido como cafetão,você entende? Ele estava desesperado para conquistar umabacana e tomar o dinheiro dela. Eu o fiz vender o carro e acasa para me pagar um trabalho, que jamais fiz direito. E foidaí que, após a promessa vencida, ele notou que eu não tinhafeito trabalho algum, da forma como ele queria que aconte-cesse e, mordido de raiva, me arrancou da Terra e me man-dou pra cá, para o inferno. Jogou gasolina em meu corpo esem piedade ateou fogo. Por isso estou todo deformado. Masestou convicto de que aqui é realmente o meu lugar, pelofato de ter enrolado muitas pessoas. Mas não me arrependode nada de errado que fiz. Aos gritos, o feiticeiro retumba bem alto: – Queroque se dane! E, voltando para Lídia, ele diz: – Agora, depois deestar ciente que aqui é o meu lugar, faço uma imensa questãode buscá-lo para que ele viva aqui também. Esta será a mi-nha vingança, ele será meu escravo, pois este é o meu, maiorobjetivo. – Mas aqui há muitos moradores? – pergunta Lídia. – Sim, aqui há muitos moradores, e vão bem maisalém do que você imagina. Aqui é a morada de corruptos queenganam as pessoas, exploradores mentirosos etc. Mais prabaixo, é a de assassinos, gananciosos, mesquinhos e fraudu-lentos. Mais abaixo, de estupradores e outros, enfim, de ho-mens que conhecem o poder Divino, mas que persistem noerro ou na rejeição, assim como eu, que estou aqui por minhaopção, porque sou alimentado pelo ódio e seduzido a conti-nuar aqui por aqueles espíritos que trabalharam comigo, osquiumbas (espíritos trevosos). E aqui há muitos políticos e líde-res de nações, que manipulavam o seu povo e ainda manipu-lam, interferindo junto aos maus políticos que lá na Terra aindavivem, pessoas que eram consideradas importantíssimas na Ter-56
  56. 56. ra, mas que aqui são consideradas lixo dos mais podres. Novamente Lídia pergunta ao feiticeiro: – Mas se vocêmorreu recentemente, como pode saber de tudo isso e eu não? – Você se esqueceu de quem eu fui? Fui e sou umfeiticeiro, fiz vários trabalhos para atrapalhar os outros e porisso lhe afirmo: sou um mau espírita com muito prazer. Eupraticava somente magia negra, trabalhava com espíritos pe-rigosos e hei de me tornar um desses líderes ou gênios domal. Vivia constantemente invocando espíritos trevosos parafazer o mal às pessoas. Lídia, confusa com as respostas dadas pelo feiticeiro,confessou-lhe que realmente estava uma tanto atrapalhada,porque não imaginava nada daquilo.O tal Pai Gildo, no entanto, entre comparações lhe diz: – Minha cara, assim como existem maus espíritas, háde existir também maus pastores, maus padres, e tantas ou-tros, de tantas outras religiões existentes na face da Terra.Eu, Pai Gildo, o feiticeiro, conheci a vida e a morte. Por op-ção dediquei minha vida em lidar com essa qualidade de espí-ritos, pois me identifiquei com eles. Só não sei lhe dizer se fuifruto desse ambiente. Mas aqui estou por questão pessoal e medou bem, mesmo sofrendo muito. O sofrimento me traz maisódio, e o ódio me alimenta. Me considero um psicopata, apren-diz de gênio do mal. – Mas por que você quer ser tão perverso assim? – Você, moça, não conhece o que é maldade, pensa quesabe fazer o mal, mas na verdade é uma otária. Nós aqui nadasomos em relação aos nossos chefes, os chamados espíritos das tre-vas. – E os Exus? – pergunta Lídia – Quem são eles? – Os Exus podem ser comparados a policiais. Algunsmais evoluídos, outros menos, alguns mais severos outros maisamenos. Eles trabalham como voluntários na linha que divide o 57
  57. 57. bem do mal, para manter o equilíbrio universal, assim dizem eles. – E você pretende sair daqui e ir para um lugar melhor? – O que me segura e me alimenta aqui é o ódio, como jálhe disse, pois foi pelo ódio fui criado por meus genitores. Meupai carnal era um matador pistoleiro feroz, um pistoleiro quematava pra ver o tombo, e minha mãe uma pilantra de marcamaior. Gosto muito de ver os outros sofrerem, assim como eusofri na minha infância e juventude. Tornei-me um sádico, porisso sempre gostei de invocar os maus espíritos para fazer amar-rações e também para fazer o mal aos outros E você Lídia, quersair daqui? – Se é que não estou sonhando, e se tenho o poder defazer o mal aos outros também, então, só tenho um objetivo,uma só coisa a fazer: Quero o João Eduardo em minhas mãos,quero vê-lo se arrastando aos meus pés como um animal ferido. Nesse momento, Lúcio solta varias gargalhadas e afirma: – É isso aí! E pode contar comigo, Lídia, já que é issoque você quer e agora sabe que não é um sonho! – É, eu sei que nada mais conseguirei, o que me restaagora é me consolar com essa situação e trazer aquele maldi-to para este lugar, para eu saciar minha vingança. O feiticeiro lhe diz: – Pois é, já que você não acredita totalmente em suamorte física, vou lhe mostrar um quadro visionário de comovocê morreu e como está hoje o seu corpo embaixo da terra,decomposto após algumas semanas devido à ausência de suaalma. Assim, você poderá tirar todas as suas dúvidas. Agora olhenesse espelho que está logo aí, na sua frente. Lídia, ao ver sua própria imagem fria e triste, numasepultura solitária, fica também muito triste e começa a solu-çar, dizendo que aquilo não era possível, porque ela estavaali, totalmente lúcida a conversar com Pai Gildo e Lucio, queaquilo não passava de mais um truque baixo daquele patife.58
  58. 58. O falso Pai de Santo, sarcasticamente se põe a sorrir com altasgargalhadas, dizendo-lhe: – Minha cara, isso que você está sentindo é totalmen-te normal. Porém, terá que aceitar por ser esta a sua realidadeagora, pois você se encontra em outro plano de vida. – Não me venha com mais uma de suas mentiras –responde Lídia – Eu não acredito mais em você! – Eu queria poupá-la de mais sofrimentos, mas já quevocê insiste, então olhe mais uma vez no espelho que verá noseu quadro de existência: a sua própria morte, física, é claro. Lídia, ao voltar-se de frente para o espelho, fica es-pantada ao ver-se morrendo naquele hospital. Lembra-se que,agonizante, pedia às pessoas que estavam ao seu lado porajuda, mas ninguém lhe fazia caso. Certamente porque ela,naquele momento, já se encontrava desligada, para fora deseu corpo físico e se transferindo para o Plano Espiritual,pelo fato de ninguém estar ouvindo os seus apelos, poisespírito não tem cordas vocais. Aos poucos Lídia vai se afastando do espelho ao verexatamente a triste cena de sua própria morte. Ao perceber-se de frente para o espelho, reconhece que naquela imagem oseu corpo entra em estado profundo de inércia, para logo apóserguer-se, como uma cópia feita ou um clone de seu própriocorpo físico, na condição de espírito ou alma miserável emtotal degradação. Naquele instante, mistura-se nela medo e revolta, pornão poder rever seus bens materiais, o luxo ou a boa vida quedesfrutou na companhia de João Eduardo. Só lágrimas, alémdas dores, fome e frio. Muitas lágrimas! O tal Pai Gildo, ao vê-la sentada no chão com as mãosdesesperadas sobre a cabeça, tenta lhe dizer algo. – É assim mesmo, minha cara, é assim mesmo. É a leide causa e efeito. 59
  59. 59. O feiticeiro, como já era prático na indução das pessoas, e prin-cipalmente de espíritos, quando em seus momentos psicológi-cos frágeis, aproveita para induzi-la aos seus planos sórdidos. – Veja, é como eu lhe falei. Vamos formar uma equipe evocê aprenderá muitas coisas. Ficaremos mais fortes nos unindo,aí, você poderá fazer dele, digo, do tal de João Eduardo, o quevocê quiser. Pense, pense bastante e não tenha pressa. Após algum tempo, Lídia, obstinada e um tanto re-voltada por sua atual situação, aprende, por meio da induçãodo feiticeiro, como se tornar um espírito obscuro. E com umaequipe pronta, sob o comando de Pai Gildo, parte em buscados seus maldosos objetivos. Lúcio se oferece para participardaquela equipe, sem saber que se tornaria mais um escravodo tal feiticeiro. Na casa de João João, conversando com Izabel, diz: – Bem que você poderia amenizar mais com a bebida,Izabel. Eu acho melhor procurarmos ajuda, existem clínicasespecializadas para esse caso. – Não se esqueça João, foi você quem provocou estasituação – responde Izabel. – Izabel, você está dando um péssimo exemplo aosnossos filhos. Eles não são mais crianças, já estão saindo da in-fância para a adolescência, e esses maus exemplos lhes são muitoperigosos. – João, eu tenho consciência disso, quero parar, masnão consigo. Mas e você, já pensou nos seus maus exemplos? – Izabel, você deve procurar fazer um tratamento, poisestá se tornando uma alcoólatra. – Não vai adiantar João, porque isso não é doença.60

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