Carijó e as Esmeraldas

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Carijó e as Esmeraldas

  1. 1. Carijó e as Esmeraldas: PREFACIO 12-05-11:Sentimentos do Autor quarta 25-05-11É incrível como ao escrevermos uma historia o autor se envolve com ospersonagens, seus dramas, suas aflições, suas alegrias e principalmente a eternabusca pela felicidade. São como filhos, que concebermos e conhecemos tão bem,cada um deles com sua personalidade própria, suas qualidades e seus defeitos,suas verdades e inverdades, suas lutas íntimas e a maneira peculiar que cada umpossui de encarar a vida e lidar com os desafios que lhes é permitido.Foi assim que vim a conhecer e admirar estes personagens tão especiais, unsconcedidos por mim (ficção), outros que faz ou fizeram parte da nossa realidade(extraídos de fatos reais). Sendo que todos eles descrevam nomes fictícios. Masque alguns destes personagens são reais ou foi. 1
  2. 2. Bem: Após pesquisas feitas por mim resolvi passar para o papel a saga de umajovem extremamente sofrida e massacrada pela desigualdade e injustiça da nossacruel sociedade. Porem, uma guerreira persistente e autentica, cujo seu nomefictício eu a concedi como Elisa.E ao decorrer das escritas desta história permaneci perplexo pela sua bondadeinvés de insurrecionada por tudo o que ela passou. E também fiquei atônito coma resignação de dona Dolores e Ramon.Um tanto admirado com a inteligência, dedicação e perseverança do menino“Carijó”(é espantoso como gênios são desperdiçados em nossa gananciosasociedade).Gostaria de lembrar também do Carlão, o grande ex-garimpeiro com coração deouro. E mais a meretriz que tem uma participação muito pequena na história,porem importante na nossa narrativa, ao mostrar-nos que às vezes somossujeitados a determinados atos considerados ilegítimos ou que nós mesmos ou asociedade de um modo geral, não os aceitam até que não necessitamos praticá-los e que por conseqüência temos que atuarmos, mesmo contra vontade, em prolda sobrevivência. Você, caro leitor, também irá conviver com estes personagense conhecê-los melhor, um a um. 2
  3. 3. É um conto emocionante com varias tramas, que tem por objetivo mostrar osdissabores ou desígnios de todos os personagens. Os ledores mais sensíveis seemocionam, ou sentirão contrariantes com as injustiças que impõe a nossa atrozsocial.Espero que seja tão envolvente para você quanto o foi para mim e que momentosde distração e cultura venham a somar e se perpetrar presentes a cada instante desua leitura. UM forte abraço o autor: 3
  4. 4. Agradecimento:Agradeço com profunda admiração a uma guerreira que carinhosamente nós desua família a chamamos de Reina, pois sem a mesma não seria possível à escritadeste texto. Que foi elaborado com total dedicação, abdicando de suas horas dedescanso, para digitar todas estas paginas. que foram escritas a mão por mim o“autor”. Pois quando ela voltava de seu trabalho além da mãe dedicada, a jovemRenata Amaral ainda achou tempo para dedicar-se ao meu projeto.Por isso minha querida sobrinha, só meu carinho pode demonstrar meuagradecimento e quero que saiba o quanto você é importante nesta empreitada,ou melhor, na conclusão deste livro. 4
  5. 5. Solidariedade Há momentos na vida em que precisamos de uma mão amiga para realizar os nossos-objetivos.O que seria de nós simples mortais se não fosse a mão amiga. Eu na minha ansiedade dever esta obra concluída, procurei, procurei, procurei,; vários e vários amigos e fui medeparar com Rosana Ferreira.Uma pessoa extremamente inteligente e sensível... Tudo que procurei em várias pessoas.E justamente nessa minha amiga não esperava encontrar Por quê? Porque ela camufla umtesouro de conhecimento e intelectualidade na sua humildade. Mas com suas geniaisaspirações, ajudou-me a burilar meus textos e acrescendo coisas interessantes sem nadapedir em troca.Naturalmente tornou-se minha parceira de escritas nessa tarefa de apresentar esta lindahistória baseada em fatos reais, na nossa cruel sociedade tanto em nosso país e tambémem relatos e de outros lugares.NEVAS AMARAL:Quando encontrares a luz, não as negue aos que ficaram nas trevas: autor desconhecido. 5
  6. 6. PARTE I CAPITOLO IEra maio. O zéfiro do cair da tarde ocasionava o perfume das flores quedançavam com beleza e graça como que numa coreografia saldando o belíssimopor -do - sol que maquiava o céu quase sem nuvens com suas cores de rarastonalidades, que nem mesmo o artífice por mais que talentoso que fosse, cujosuas obras valem fortunas conseguiria reproduzir em seu esplendor e esmero.Uma certa quantia de estrelas um tanto tímidas começavam a aparecer no céu eas aves com seus moldes brincalhões já estavam por mais um dia a roçar asnuvens com seus aspectos quase angelicais, como os primeiros convidados deuma festa que às vezes sentem-se um tanto quanto envergonhados por teremchegado cedo demais, mas cujo brilho que lhes é peculiar, não tarda a enfeitar ofirmamento, como pequenos brilhantes de valor inestimável.Seriam necessários olhos observadores e sensíveis que atentamente notassem taiscaprichos da natureza com seus requintes de sabedoria onde tudo se harmonizana obra prima do inventivo e, graças ao Criador, parece cumprir e realmentecumpre o seu destino que é a própria vida com toda sua força, onde todos tem asua função, e a razão de ser, tudo se completa gerando mais e mais vidas. Só 6
  7. 7. mesmo uma Força Superior decorrida de um ser extremante sábio poderia gerarvarias e varias dádivas com tanta generosidade e amor total pela criação, paracolocá-las a disposição do homem que é uma partícula dele mesmo. E que, porconseguinte também é parte de Sua Magnífica Obra.Infelizmente nem todos estão preparados para dar o carecido valor às suaspróprias vidas e à de seus semelhantes. Envolvidos que estão em suas própriaslimitações, ganância ou devaneios, então não conseguem erguer-se para enxergaralém do horizonte. Mas a vida ensina e todos, alguns mais cedo, outros maistarde, completam seus ciclos e acabam por aprenderem, mais este eventoacontecera quando é chegado o momento de cada um assimilar as lições e seguiradiante, elevando-se mais e mais rumo às verdades indestrutíveis que nosaguarda em algum ponto de nossa caminhada física ou metafísica, sempre acaminho da perfeição.Portanto...Em um lugarejo muito distante das grandes cidades...Joaquim que tal agente tomar uma dose La no boteco?Só se você pagar Zé.Vamos lá homem, eu vendi duas galinhas e uns porcos. Por tanto eu tenho dinheiro pranós dois tomár um porre!E lá se foram os dois pela estrada de terra batida rumo ao boteco mais próximo, ansiandopelos prazeres entre aspas, proporcionados pela bebida que também era uma forma de 7
  8. 8. fazê-los esquecer os dissabores e amarguras de uma vida que consideravam duras pordemais.Chegando ao boteco, Zé já se apressa em fazer o pedido colocando o dinheiro sobre amesa. Dá uma aí, seu Mané. Tá aqui o dinheiro. Uma prá mim e outra pro meu amigo aqui. Erápido, por favor, que noz dois está com a goela seca e temos muito dinheiro prá gastar.Mas rapaz, você tem muito mais do que o dinheiro de duas galinhas. Que dinheirama,hein! Dá até prá fazer uma festança e tanto, com arrasta-pé e tudo mais. Vamos beber atécair. ETA coisa boa é a tal da cachaça!É Joaquim, eu arrumei um bom dinheiro, desta vez.De que jeito, homem?Alem das galinhas eu vendi meus seis porco e minha égua.Uai, então vamos comemorar.Mas só que eu não posso gastar todo o meu dinheiro de uma só vez, agora,convenhamos... Que o danado do dinheiro é bom de gastar, ah, isso é... Escuta aquiJoaquim: Eu tenho uma proposta pra te fazer.E que proposta é essa? Posso saber?Vamos então beber depois eu lhe explico direitinho.Tá bom! Então o negocio é encher a cara e é isso o que importa!Ô,o,o,o, seu Mané, dá logo uma garrafa dessa danada pra noz dois.Diga-me uma coisa Joaquim: Faz muito tempo que você está sem a sua mulher?É rapaz, já faz onze anos. Prá ser mais preciso, desde que Elisa nasceu. 8
  9. 9. E afinal de contas, porque ela foi embora? Dolores era tão jovem e bonita! Umaformosura mesmo, eu me lembro muito bem dela... Tinha uns treze anos, quando ela sefoi. É mesmo Joaquim?Responde Joaquim: É verdade. Vou te contar o que na verdade aconteceu:Quando Elisa nasceu fui eu mesmo quem fez o parto, mas pra isto eu tive que ingeriremumas e outras. E quando eu a tirei da barriga de Dolores e foi exatamente ai quando eupercebi que ela não se mexia e não chorava, eu acho que de tão fraca que estava. Tambémnão tinha o que comer em casa. Então eu e minha mulher pensamos que a menina estavamorta. Aí, eu saí pra enterrar a coitadinha na beira do Rio Grande, a uns três quilômetrospra lá da nossa palhoça.E aí, homem?E aí?! Ah deixa pra lá, pois essa história é muito triste e me da um aperto no coração.Conta rapaz vai lhe fazer bem é bom pra desabafar. Bota pra fora que eu estou deverasmuito curioso.Bem, já que você está pagando todas, merece escutar a minha história. Afinal não é tododia que a gente arruma um par de ouvidos disposto a uma boa prosa. Ainda mais pagandoumas. E por falar nisso, esta cachaça é da boa mesmo, e disso eu sou bom entendedor.Após uma breve pausa para saborear a cachaça, e também como que para criar coragem,Joaquim continuou o seu relato.Quando cheguei próximo ao riacho eu vi que Elisa não estava morta coisa nenhuma, poisela se mexia tão devagar que quase não se percebia e logo começou a chorar um chorinhofraquinho, pois, a coitada, de tão fraca, não tinha força nem prá chorar. 9
  10. 10. Então resolvi voltar; Na volta, pedi ajuda prá uma senhora bem velha que morava numacasinha de barro sozinho lá por perto do tal riacho. Tem que ver que miséria. Muito piorque nós. A pobre vive lá na maior penúria. Não sei nem como consegue, mas enfim... Elacomeçou a tratar da menina e após alimentá-la a senhora começou a rezar uma rezaesquisita, parecia até uma velha dessas tal macumbeira, daquelas que cura tudo quanto édoença só com o poder da reza.Eu comecei a ficar meio assustado, pois, não gosto muito dessas coisas, Aí, eu memandei, aproveitando a distração da velha que parecia nem estar me vendo e acho que nãoestava mesmo, pois seus olhos pareciam estar assim meio que vidrados como se tivessevendo algo que não estava ali. Eu, hein... Dei no pé e ao invés de ficar esperando, fui paraum boteco não muito longe dali e comecei a beber umas e outras e aí já viu NE? Esquecida vida e da menina também. Nem vi o tempo passar... Só sei que fiquei um tempão ali,até escurecer.Após alguns minutos de silêncio e mais alguns goles...Continua homem!Comenta José: Agora que está ficando interessante. Estou vendo que aprosa vai longe. Mas não faz mal. Tempo é o que noz temos de sobra aqui neste fim demundo, não é mesmo?Bom, então vê se presta atenção que eu não gosto de ter que ficar repetindo, pois não soupapagaio. Só voltei lá depois de dois dias pra pegar a menina. Quando eu cheguei a minhacasa após os dois dias, depois da bebedeira, minha mulher não sabendo que a meninaestava viva chorou muito a perda da criança, afinal Elisa era a sua primeira filha. Chorou 10
  11. 11. muito, mais ao mesmo tempo se conformara, pois na cabeça dela, Deus apeteceu assim,então o único jeito era se conformar.Pobre não tem muita escolha, não é mesmo? Ela só sabia como é de costume que tudo oque eu ia fazer primeiro eu tinha que passar no boteco prá encher a cara, como sempre eufiz... Agora me fala homem. Eu tinha que passar no botequim, pra afogar as mágoas? Poisé. Sei lá... Parece que o diabo atenta. É, moço, pinga é coisa do cão. Não precisa nem dedinheiro, pois a gente sempre acha alguém disposto a nos oferecer à danada. E aí a gentebebe porque está contente, ou então por tristeza! Sempre se arruma uma desculpa, poismotivo é o que não falta, não é mesmo? Estão-se felizes temos que beber pra comemorare ficar mais alegre ainda. Mas se infelizes, aí é que a malvada tem ainda mais serventia,que é pra afogar as mágoas no peito e esquentar o coração...E aí, homem. Vê se acaba de contar que eu já estou me consumindo todo de tantacuriosidade e você fica aí dando volta e mais volta. Vê se você desembucha logo, semtanto rodeio. Você esta até parecendo fumo de corda de tão enrolado. Pode beber o tantoque você quiser desde que me conte essa história direitinha. Toma mais um trago, estaaqui é direta do alambique. É da boa.Joaquim já sob o efeito da bebida, pois para ele bastavam alguns goles, começou a soltar alíngua aproveitando a ocasião, pois não era sempre que se encontrava alguém disposto aouvir suas histórias. Hoje era seu dia de sorte pensou consigo mesmo.Continuou a narrativa... 11
  12. 12. Zé, como você sabe, minha mulher era muito nova. Tinha apenas treze anos quando Elizanasceu e era muito bonita mesmo, uma belezoca tinha um corpo perfeito e já formado, apele boa, uns dentes que parecia que era fabricado por um doutor. Pra encurtar a história,quando eu cheguei a minha casa com a menina, cadê a danada da mulher? Ela tinha idoembora. Dá pra acreditar, homem? Eu procurei a infeliz por toda parte. Só depois é queme dei conta que ela tinha dado no pé, pois, seus pertence, ou melhor, suas roupas nãoestavam mais lá em casa e o armário estava vazio. Eu devia era ter contado logo pra elaque a menina ainda estava viva, mas também como é que eu ia adivinhar que ela meabandonaria? E depois, se a menina não estivesse resistida? Ai meu amigo iria ser pior.Mas Dolores foi embora achando que sua filha estava morta? E eu só fiquei sabendo queela deu no pé por dona Norminha, aquela que conhece a vida de todo mundo de Riachogrande, sabe até dos pulos que a primeira dama da com aquele mulato o tal de Felisberto. E como você já sabe meu amigo, eu comprei a virgindade dela, dei um bom dinheiropara o seu pai. E eu a queria só por uns momentos, mas acabei me apaixonando por elaentão eu trouxe Dolores para a minha tapera na condição de esposa, que para o velho paidela fora um grande alivio.É... Eu senti muito quando Dolores foi embora. É isso que da morar no meio do matonesse fim de mundo onde não tem nenhum medico. Pra você ver eu mesmo que tive quefazer o parto. E Dolores quando percebeu que a menina não chorou e nem respirou, entãonós achamos que a pobrezinha estava morta mesmo, mas também pudera a mulher nãocomia quase nada, por isso que a menina nasceu tão fraquinha daquele jeito. Não sei nemcomo sobreviveu. Foi um milagre. 12
  13. 13. Continua Joaquim.Dolores só deixou um recado com a dona Norminha: prá eu não procurá-la mais, pois euera o culpado. E se não fosse esse maldito vicio que eu tenho “a cachaça”, talvez nóstivéssemos salvado a nossa filha. Mas sabe de uma coisa? Eu acho até que aquela meninanem é minha filha. Pois ela é muito branquinha, que nem leite e assim que minha mulherfoi embora o filho do seu Ricardo foi-se embora também. Não é mesmo muitacoincidência?! Quero dizer, coincidência coisa nenhuma, NE? Tá na cara que eles doisfugiram junto sei la pra onde. Sabe de uma coisa, a menina tem os traços daquela famíliase você observar bem. Só cego não vê._ É mesmo, Joaquim: Mas você também é bem claro agente percebe pela cor dos seusolhos e você esta é bronzeado de tomar tanto sol homem de Deus._ Sei não! Bem mas se isso aconteceu até que foi bom. Ela implicava muito com aspoucas cachaças que eu tomo, e você vê que eu quase não bebo não é mesmo meu amigo?E amigo, além do mais onde já se viu mulher querer mandar em homem. Não tem nemcabimento. O homem é que manda na mulher e a mulher só presta mesmo é pra servir oseu homem, não é mesmo? Uma coisa eu te digo: Não se pode confiar em mulher, não.Mulher é bicho ingrato e traiçoeiro. Eu que o diga..._É... Mas, a sua filha está uma moça bem bonita, uma mulher e tanto!_ É mesmo, homem, ela já está quase no ponto de casar e me deixar sossegado. Eu jáestou ficando velho. Quero mais é sombra e água fresca. Tá na hora de ter um pouco desossego na vida. 13
  14. 14. _ Quantos anos ela tem? Pergunta Zé com certa malicia._ Onze anos, rapaz._ É... Já está no ponto de ser desfrutada como uma uva._ O que você falou? Pergunta Joaquim com a voz exaltada pela bebida e pelo susto quequase fez engasgar com o gole que havia acabado de tomar e que desta vez desceu comoque queimando a garganta, fazendo com que ele ficasse vermelho também de indignaçãocom a ousadia do amigo._ Nada, não. Responde Zé meio sem jeito, pois ele havia pensado alto, já sonhando com amenina, pois há muito tempo havia reparado na sua formosura e meiguice. Mas o que oatraia mesmo e dava asas à sua imaginação fértil era a inocência e pureza da menina queera quase uma criança, embora o seu corpo já houvesse tomado formas de menina - moça,coisa que ela nem se dava conta._ Pensei que você tinha dito algo da minha filha. Acho que a danada da cachaça já estáme fazendo ouvir coisas._ Não,,não falei nada não, homem. Olha quer saber de uma coisa? Acho que esta garrafaestá é furada. Vamos pedir mais uma que esta aqui não deu nem pro cheiro. E não sepreocupe, pois eu pago toda a despesa. Hoje é tudo por minha conta e você é meuconvidado de honra. Vamos pedir também um tira gosto, senão... Se nós continuar sóbebendo sem comer nada vamos sair daqui carregado que nem dois sacos de batata. 14
  15. 15. ETA coisa boa! Vamos aproveitar a vida enquanto a gente pode. Amanhã não se sabe nemse nós estaremos vivos. ... Traz aí mais uma garrafa de cachaça da boa e alguma coisa pranós comermos. Hoje eu quero é comemorar com meu amigo. Só está faltando mesmo éumas mulheres aqui bonitas e meia gordas. Bem bonitas pra fazer um chamego em nós,não é mesmo, Joaquim?!_ E a tal da proposta que você queria me fazer, Zé? Quero saber se vai me render algumdinheiro, meu amigão._ Ah, deixa pra lá. Depois nós falamos sobre isso. Responde Zé percebendo que após detoda aquela bebedeira, aquele não seria o momento mais propício para fazer a suaproposta. Esperaria por um momento mais adequado. Ele saberia esperar. Ah! E comosaberia... Afinal de contas, tinha a certeza de que valeria a pena.Parte 1 capítulo 2 15
  16. 16. No caminho de volta para casa, Zé e Joaquim mal conseguiam parar em pé, de tãoembriagados que estavam.Já completamente entorpecidos pelos efeitos do álcool iam a passos trôpegos,cambaleando aqui e acolá, sendo que um se apoiava no outro da maneira que podiam.Como marinheiros à deriva num mar revolto em dia de tempestade, parando de vez emquando e rindo muito, achando a maior graça em tudo, os dois amigos riam até aslagrimas e sentiam-se bastante relaxados e descontraídos.Já na casa de Joaquim, bêbados e ainda com fome, pois o que degustaram no bar não foi osuficiente para saciar o apetite dos dois que agora se sentiam realmente famintos. Joaquimmanda a filha preparar algo para comerem, nem se dando conta de que não havia coisaalguma na despensa, aliás, o que era muito freqüente, pois o pouco dinheiro que eleganhava mal dava para o sustento dos dois e isso sem falar no que ele acabava gastandocom o seu vício nos botecos da redondeza._ Elisa, vê se faz alguma coisa pra mim e pro Zé comer, nós estamos com uma fome decão. E seja rápida menina! Vê se não fica lerdeando como de costume. Minha barriga estároncando prá valer. Dá até prá ouvir o barulho.A menina, cabisbaixa, responde num tom de revolta e medo. Medo da reação de seu paique andava muito nervoso ultimamente, descontando nela as suas amarguras einsatisfação com a vida._Não tem nada pra por no fogo, pai. Eu também estou com fome, mas não temos o quecomer, não. 16
  17. 17. _ Dá um jeito, menina._ Mas que jeito? Responde a menina já aflita e quase chorando.- Vai pegar umas verduras na horta, procura uns ovos nestes ninhos de galinha por ai e vêse arruma um pouco de farinha de mandioca emprestada com dona Maria ou com donaNorminha. Vai logo e não fica olhando pra minha cara, sua inútil. Ou você pensa que é sóobrigação minha trazer comida prá esta casa, enquanto você fica aí de papo pro ar o diainteiro, completa Joaquim já enfurecido._Só verdura, pai? Nós vamos comer só verdura? Responde a menina já com lágrimas nosolhos, pois sua barriguinha também estava roncando de fome. Uma fome que às vezeschegava a doer._ Deixa que eu dê um jeito. Responde Zé passando a mão no corpo da menina com certamalícia, aproveitando-se da distração de Joaquim.Logo em seguida ele sai e vai até o armazém mais próximo e trazendo ovos, carne, arroz,feijão, farinha, sal até alguns doces para agradar a menina. Ela, por sua vez, vai até a hortae colhe um pouco de verdura para o jantar._ Mas rapaz sua filha está mesmo uma moça vistosa, muito bonita mesmo. Parece até umagazela! Uma flor do campo que acabou de ser colhida.Após o jantar que, naquele dia fora um verdadeiro banquete os dois, após saciarem a fomedormiram ali mesmo, roncando profundamente como dois porcos e Elisa quase não 17
  18. 18. conseguia dormir e ao deitar-se ficou pensando na sua vida, em como ela gostaria que suamãe estivesse ali e que eles fossem de fato uma família feliz.Pensando ela chorou bastante e depois vencida pelo cansaço adormece. No seu sono elasonhou que estava em um lugar muito bonito e florido com um lago de águas cristalinas eborboletas coloridas por toda parte. Logo apareceu um rapaz de túnica branca, de umabeleza angelical e ela achou que ele fosse mesmo um anjo. Eles começaram a conversar eElisa que no início sentia-se triste e sem esperança logo começou a sentir-se bem melhor.Feliz até. Ele falou-lhe da importância da paciência e resignação e garantiu-lhe que umdia tudo ia melhorar e ela iria vencer e ser muito feliz. Pediu para que ela confiasse nofuturo e que jamais perdesse a sua fé. Era seu mentor espiritual, ou anjo da guarda que lhedava forças enquanto seu corpo refazia-se.Na manhã seguinte no âmago do amanhecer, Elisa lembrou-se vagamente de seu sonho,mas mesmo tendo uma vaga lembrança sentiu um bem estar enorme, uma sensação muitoboa de paz e felicidade que ela não sabia explicar, mas que era maravilhoso, tão bom, mastão bom que fazia com que ela se sentisse leve como uma pluma flutuando no ar eanalisando o pouco do ela lembrava do seu sonho ela determinou a si mesma que a suafelicidade seria só uma questão de tempo.Joaquim e seu amigo Zé finalmente acordaram. Um pouco zonzos ainda da bebedeira dodia anterior e com a cabeça pesada, mas nada que um bom café forte não curasse, e porsinal Elisa já estava coando um café bem forte e amargo para os dois na cozinha, de ondevinha um aroma agradável. 18
  19. 19. Após tomarem o café silenciosamente eles continuaram a prosa do dia anterior._ O que você vai fazer hoje, Joaquim?_ Sei não, Zé._ Vamos tomar uma, homem? Precisamos conversar. Contrapõe Zé, já disposto a levar oamigo para o botequim mais próximo onde finalmente faria a sua proposta._ E a conversa será sobre o que Zé? Pergunta Joaquim meio desconfiado._ Lembra da proposta que eu queria lhe fazer? Pois bem, ainda está de pé._ Fale então homem! Do que se trata? Não carece de tanto rodeio. Desembucha logo.Afinal de contas, nós somos amigos ou não?! Tá me deixando já com a pulga atrás daorelha, de tanto mistério._Vamos lá pro bar que eu lhe falo. Já estou até com a garganta seca, precisando de unsgoles pra criar coragem.Os dois chegaram ao boteco e logo após alguns goles de cachaça continuam a prosa.Ainda é cedo e o sol mal acabava de apontar no horizonte para mais um dia de jornada,mas para eles não havia mesmo hora para começar a beber, pois todo dia era dia e todahora era hora. Pouco importava... Zé pigarreando e com um tom um tanto solene disse aoamigo com a voz entrecortada._ Joaquim meu grande amigão, como você sabe, eu sou muito só. Neste mundão já há umbom tempo, eu estou me sentindo muito desamparado necessitando de uma mulher domeu lado. Acho até que preciso- me casar para começar uma nova vida e constituir minha 19
  20. 20. própria família, quem sabe... Você sabe um homem sozinho não progride, não tem futuroe eu... Bem eu não quero envelhecer só, pois é muito triste. Ah, deixa pra lá..._ Fala homem, não fica aí enrolando mais do que sucuri quando se enrosca com a presa._ Pois bem você está precisando de dinheiro e eu tenho o dinheiro que você precisa. Táme entendendo?_ Pois é Zé eu estava até pensando em te pedir um pouco emprestado. Só não sei quandoposso te pagar, pois você sabe muito bem a minha situação é muito difícil e a minhasaúde não anda lá essas coisa e ainda por cima essa minha perna inchada que não ajudamuito por isso é que eu nem consigo trabalhar.Zé esperou pacientemente que o amigo acabasse com a sua costumeira lamúria e arriscou._ Pois é Joaquim: Eu posso fazer melhor. Posso te dar de presente esse dinheiro que vocêtanto precisa._ Como assim?! Surpreende-se Joaquim com tanta generosidade do amigo para com suapessoa, mas na verdade ele ja sabia de antemão qual era a proposta de seu amigo Zé. Aítem coisa, pensou ele agora ainda mais desconfiado._ Pois é... Se você conseguir convencer a sua filha Elisa de se casar comigo, essadinheirama toda será sua. Eu prometo._ Você está falando que eu devo vender minha filha pra você, homem de Deus? E ter omesmo destino da mãe dela. 20
  21. 21. _ Veja bem, Joaquim; Não é vender não! Não é bem assim... E além do mais você mesmodisse que a menina nem é parecida com você e talvez nem seja sua filha de fato. Entãoqual é o problema?_ Mais se não é vender, é o que então? Você esta me chamando de burro? Eu posso nãoter estudo, mas burro eu não sou não. E além do mais, minha filha é moça virgem ainda,ninguém tocou nela ainda. Por isso eu boto minha mão no fogo.Zé sente-se ainda mais digamos, entusiasmado com a revelação, mas procura disfarçar.Seus olhos brilham de desejo, pois já percebeu que o amigo apesar de fazer-se deofendido vai acabar não resistindo á sua proposta. Então responde, mal podendo conter-se:_ Entenda do jeito que você quiser Joaquim, eu só sei que eu estou doido por aquelaformosura que é a sua filha Elisa. Penso nela dia e noite; e quando durmo até sonho comela. Acho que estou endoidando de paixão. Além do mais, ela já está na hora de se casar,de ser feliz e ter um bom marido feito eu, você não acha, não? Coisa melhor do que eu elanão vai arrumar, por estas bandas, pode crer.Joaquim entre um gole e outro parece refletir começando a achar que o amigo tem razão.Zé continua, percebendo que o Joaquim está quase cedendo._ Veja bem homem, daqui a pouco ela acaba se engraçando com algum frangote aqui daredondeza que vai desvirginá-la e aí então é que ela não irá valer muita coisa. Isso semfalar que ela pode até acabar engravidando e aí é que eu quero ver. Você é que vai ter quecriar a criança. Já pensou, mais uma boca prá você sustentar? Eu já sou homem feito, játenho trinta e oito anos. Vou poder sustentar a sua filha e a prole toda que vier e te garanto 21
  22. 22. que vai ser grande, pois eu sei que sou um bom reprodutor, praticamente um garanhão.Sem querer me “gabá”._ Sei não... Responde Joaquim quase convencido.Zé dá sua cartada final, blefando é claro, mas arrisca:_Quer saber de uma coisa Joaquim? Se você não me quiser como genro eu entendo,afinaldas contas Elisa é a sua única filha, mas fique sabendo que está cheio de pai por estasredondezas doidinho prá vender as filhas donzela e virgem como vieram ao mundo eaceitam até muito menos do que eu estou te oferecendo. Então se você não quiser, eu nãopretendo mais perder meu tempo. Vou é sair por aí em busca de uma noiva quem sabe atémais formosa que a sua filha, Ela não é a única moça destas redondezas.Zé já ia levantando, se fazendo de ofendido quando Joaquim olhando em seus olhos comum olhar de cumplicidade e cobiça coloca a mão em seu ombro e pergunta baixinho comoque selando o pacto entre os dois:_ Quanto é que você tem prá me oferecer pela virgindade da minha filha, por ser oprimeiro homem com quem ela ira se deitar._ Tenho uns duzentos reais._ Mas só?! Responde Joaquim querendo mais, apesar de Zé ter oferecido mais do que eleesperava._ 22
  23. 23. Essa quantia é só um agrado, depois eu arrumo muito mais prá nós. Eu te dou a minhapalavra, homem! Pode confiar. Ou você não confia mais nesse seu amigo aqui? RespondeZé já vitorioso._ Vamos ver... Eu vou conversar com Elisa. Tentar convencê-la de que você é um bompartido, o marido ideal prá ela. Sei não... Mas vê se você toma ao menos um bom banhoprá tirar essa catinga de bode velho, viu? Responde Joaquim já matutando como iriaconvencer a filha a aceitar o Zé como marido, pois ele sabia previamente que ela nãogostava dele, principalmente por causa do seu bafo de cachaça. Não seria fácil mais eleiria tentar. E se não fosse por bem então seria por mal.Joaquim despediu-se de seu futuro genro e foi para casa pensando naquela conversa toda eresolveu que sua filha teria que lhe obedecer, afinal de contas ele era seu pai. Teria que secasar com o Zé de qualquer jeito, quer ela queira, quer não. Seria um bom negócio,pensava Joaquim, e ele finalmente ficaria livre da responsabilidade, pois uma vez casada,ela não seria mais problema seu, e sim de seu futuro marido, o Zé.Afinal, arrazoava ele, já pensou se ela acaba se deitando aí pelos matos com algumaproveitador e além de ficar desonrada ao perder seu bem mais precioso, a virgindade, elapoderia acabar até caindo na vida e virando mulher da vida tendo que se deitar com tudoque é homem.Ou se pior, ela engravidasse, ele é que teria que arcar com as responsabilidades e além deter que sustentá-la, teria que sustentar a criança também. Definitivamente o Zé estavacerto. Joaquim chegou a esta conclusão visando é claro, apenas os seus próprios interesses 23
  24. 24. e querendo livrar-se de uma vez por todas do estorvo que Elisa representa em sua vida,pois cada vez que olhava para a menina, ele achava que ela não podia ser sua filha.A dúvida o atormentava dia e noite e a simples presença da menina o incomodava, poisele jamais aceitaria a possibilidade de um dia ter sido traído. Já até pensara em ele própriodesvirginar a menina e viver com ela não como pai, mas como amante. Iria fazer isso emnome de sua honra e antes que outro qualquer o fizesse. Mas sempre lhe faltava coragem,pois havia a dúvida e afinal, se ela fosse mesmo sua filha? Esse remorso ele nãosuportaria carregar até o fim dos seus dias. Mesmo sendo uma pessoa sem escrúpulos,Joaquim não desejava correr esse risco e do outro lado havia uma boa quantia nas mãos deZé que poderia ser seu bastava ele dizer sim.Com a cabeça fervendo de tanto pensar, Joaquim está quase chegando a sua humilde casaquando avista Elisa correndo e brincando com Pingo, seu cachorro de estimação. Elacorria de um lado para o outro, risonha e alegre tendo um raro momento de diversão comseu melhor amigo e como a criança que ainda ela era de fato. Ao ver a cena Joaquimchegou a se emocionar. Coisa rara de acontecer, pois em seu coração endurecido eamargurado pelo o abandono de Dolores, raramente havia espaço para as emoçõessinceras. Seu conflito íntimo era visível naquele momento, que pena! Ele não saber queElisa realmente era sua filha e que era sangue do seu sangue. 24
  25. 25. Parte 1 Capítulo IIIElisa ao avistar o pai acenou-lhe sem nem ao menos imaginar o que o destino lhereservava. Destino este já traçado sem que ela tivesse qualquer chance de optar e decidirpor si própria. Seu pai já havia decidido seu futuro.Chegando a casa, Joaquim chamou a filha para conversar dizendo num tom meio melosoo que não era seu costume, pois quase sempre a tratava de uma maneira um tanto rude._ Elisa, venha cá, minha filha. Eu quero falar com você: Já está na hora de noz dois teruma conversa de pai pra filha. É, está sim! É um assunto de muita importância e é sobre oseu futuro. 25
  26. 26. A pobre menina estranhou o tom de voz do pai e ficou muito curiosa a respeito, mas o queela nunca podia imaginar era o que viria a seguir, pois Elisa era ainda praticamente umacriança tal era a sua ingenuidade._ Elisa, minha filha, já está na hora de você pensar em se casar e ser feliz, com um bommarido que possa te dar uma vida melhor que essa que você leva aqui com seu velho pai.Diz Joaquim como que querendo açucarar as palavras para torná-las doces aos ouvidos damenina.Elisa assustou-se e com os olhos arregalados fitava o pai com incredulidade. Por algunsinstantes não sabia o que dizer, sendo que ela mesmo nem sabia a dimensão da palavracasamento. Não sabia o seu significado em toda sua amplitude. Depois respondeu umpouco assustada:_ Não pai, eu sou muito nova prá pensar nisso. Eu ainda nem penso nessas coisas. Deusme livre e guarde.Mal ela sabia que o pai queria mesmo era livra-se dela de uma vez por todas e ganhar oque seria para ele um bom dinheiro._ Mas minha filha, você já está prometida. Revela Joaquim finalmente._ Como assim? Não entendi, pai._ Você nunca saiu desse lugar. Já está na hora de ter sua própria vida, sua própria casa. Eujá até arrumei um noivo prá você. Eu tive conversando com o Zé e ele quer que você secase com ele. Ele é um sujeito bonzinho. Zé vai ser muito bom prá você menina. Podeacreditar em seu pai. Eu só quero o melhor prá você minha filha, Elisa... Não duvide deseu pai. 26
  27. 27. Eu te criei até agora e está mais do que na hora de você pensar no seu futuro. Pronto estáresolvido! Afinal eu sou seu benfeitor e quem da às ordens aqui sou eu!_ Bonzinho, o Zé? Admira-se Elisa. O senhor acha isso porque ele vive pagando pingapro senhor lá no bar. Responde Elisa, perplexa com as idéias de seu pai, mal podendoacreditar no que acabara de ouvir._ Escuta minha filha, ele gosta muito de nós. Você viu ontem a compra boa que ele fez?Tinha de tudo que carecia pra nós comer até uns doces ele comprou para você, deixa deser ingrata. Se não fosse o Zé não sei o que seria de nós. Além do mais ele é meu amigo eé de confiança. Ele prometeu que ira nos ajudar. Isto é... Se você se casar com ele._ Pai! Retruca Elisa indignada... Por favor, pensa um pouco. Ele não é nosso amigo e eunão gosto dele. O senhor bem sabe disto._ Você já está de olho em alguém, é? Será algum moleque da maldita fazenda do seuRicardo, ou então algum vagabundo? Veja bem, porque se for eu não respondo por mim.Vê lá, hein, menina desavergonhada. Responde Joaquim em tom ameaçador e pegandoElisa pelo braço, sacudindo-a, já cego de raiva continua:_ Fala, menina. Confessa! Será que você está com cachorrada comigo, é? Você não podeme dar esse prejuízo, não. É o Zé que vai tirar a sua virgindade. Eu até já prometi prá eleque ele vai ser o primeiro e agora não posso dar prá trais. Filha ingrata que você é! Eu tecriei sem mãe, dediquei toda minha vida por você! Por tanto eu sou seu pai e sua mãe esei muito bem o que estou fazendo e o que é melhor pra você.Joaquim não se conformava. 27
  28. 28. Elisa já chorando e sem entender do que o pai estava falando, muito assustada com o seuacesso de raiva pergunta:_ O que o senhor falou pai?_ Nada, nada. Não interessa. Na hora você vai saber. Você terá que se casar com o Zé epronto. Não se fala mais nisso. Ele é um homem bom e já está decidido. Vê se temcabimento... Eu sou seu pai e sou eu é que mando e você tem que me obedecer. Ora essa..._ Pai, pelo amor de Deus, não faz isso comigo. Implora Elisa já chorando. Eu sou muitonova e aquele seu amigo fede e eu não quero me casar agora. Elisa aos prantos tentando entender porque teria que receber tamanho castigo, pois eraexatamente o que aquela união com Zé representava para ela, destruindo todos os seussonhos de adolescente._ Já está feito, e o que tá feito não tem contorno. Não tente me desobedecer e fazer igual àvagabunda da sua mãe, aquela cadela vadia que foi embora com outro só porque pensouque você tinha morrido... Aquela ingrata! Responde Joaquim cheio de mágoa. Mágoa quecorroia o seu coração desde que ele fora abandonado e que só a cachaça parecia amenizar._ Pai, que mal eu fiz pro senhor? Que fiz eu prá receber tamanha punição? Pergunta amenina já em prantos como uma última tentativa de revogar a atitude de seu pai e fazercom que seu pai mudasse de idéia._ Você é igual sua mãe... O comportamento, a mesma cara. E nós estamos é passandofome. Será que você não vê isso? Pensa bem, o Zé ira te dar as coisas prá você, do bom edo melhor e eu... Eu pego o dinhei... Joaquim quase ia revelando o seu plano, sem querer,mas interrompeu-se a tempo. 28
  29. 29. _ O que, pai? Indaga Elisa, sem compreender _ Nada, menina. Prepara-se, pois você vaise casar com ele amanhã a noite. E chega de conversa. Eu sou seu pai e decido o que émelhor prá você.Elisa abaixa a cabeça e sente as lágrimas rolarem em seu rosto em brasas, mas sabe que sólhe resta obedecer e se conformar, pois o que mais ela poderia fazer? ... Inexperiente eindefesa não podia contar com a ajuda de ninguém. Não havia saída para ela. Por maisque não quisesse teria que submeter-se às ordens de seu pai.Como a vida lhe era cruel, pensava Elisa com o olhar perdido no horizonte. Neste instanteuma brisa suave tocou seu rosto e seus cabelos macios como que a acariciando com umcarinho imenso e ela lembrou-se do sonho que tivera com o rapaz de branco que maisparecia um anjo e que lhe pedira para que ela fosse forte e tivesse fé, pois um dia tudo iriamelhorar.Naquele momento era como se o rapaz em sua beleza angelical estivesse ali ao seu ladodando-lhe apoio e sustentação. Ela chegou até mesmo a sentir um agradável e suaveperfume que era diferente de quaisquer outro que já sentira antes. Um perfumeinigualável. Fechou seus olhos e aproveitou aquela deliciosa sensação de frescor econfiança que experimentava sentindo-se leve e de certa maneira até mesmo resignadacom o que o destino lhe reservara.Aquela sensação de bem estar fez com que todo o seu ser se sentisse revigorado e elaficou a observar o lindo pôr - do - sol que contornava o céu alaranjado e transmitia-lheuma grande paz interior fazendo com que ela esquecesse por algum tempo do seu drama 29
  30. 30. íntimo. Pingo, seu melhor amigo a olhava com um olhar triste e com muito carinho foi aoseu encontro e colocou a cabeça em seu colo suspirando, como que desejando consolá-lapelo seu infortúnio. Se ele pudesse falar diria: Coragem, minha amiga, coragem! Era oque seu olhar canino expressava com todo seu amor por aquela fiel companheira.Parte 1 Capítulo IVNaquela noite Elisa não conseguia dormir e sentindo-se acuada como uma presa fácildiante de um terrível predador, tenta preparar-se para uma fuga, mas pela suainexperiência, não sabia como fugir. Não sabia nem para onde ir, se sentia em umlabirinto e não tinha tempo para pensar em algum plano que desse resultado. Queria sumirse pudesse, mas para onde e como?Sem dinheiro e naquele fim de mundo a menina nem tinha idéia de como sair daquelelugar onde passara toda sua vida sem dar um único passo adiante e como não tinha aquem recorrer sentiu que o jeito era resignar-se com a situação, pois não havia o que elapudesse fazer. Se ao menos sua mãe estivesse ali para defendê-la e protegê-la ou atémesmo ajudá-la fugir daquele destino cruel...Mas ela nem se quer a conhecera. Ficava tentando imaginar como ela seria. Seu rosto osom da sua voz, e até o gosto que teria a sua comida ela tentava adivinhar. Em vão... Àsvezes sentia tanta falta de um carinho de mãe que muitas e muitas vezes, chorava 30
  31. 31. escondida num canto qualquer, mas sempre escondida de seu pai que não suportavaaquelas lamuria, como ele próprio dizia.E agora o destino mais uma vez estava sendo duro com ela. Por quê?Ela não conseguia encontrar uma explicação por mais que tentasse. Nada fazia sentido...Sua mãe a abandonara quando ela nasceu, pois pensava que ela havia morrido. Mas comoisso aconteceu? Elisa não compreendia... O fato de saber que sua mãe fora embora sóporque pensava que ela estivesse morta até que lhe servia de consolo às vezes. Ela atéconseguia entender o porquê de sua mãe, que ela nem conhecera, não querer maiscontinuar vivendo com seu pai. Homem rude que era deve tê-la feito sofrer muito e elacom certeza foi tentar ser feliz e levar uma vida mais digna com outro, o filho do senhorRicardo um fazendeiro próximo daquelas redondezas. Será que sua mãe era feliz com seuatual marido? Assim pensando em sua genitora Elisa acabou adormecendo, pois se sentiaexausta, emocionalmente falando. No dia seguinte Zé sentiu - se radiante. Tomou até um banho caprichado, barbeou - se evestiu a sua melhor roupa para a grande ocasião. Mal podia esperar para ter a menina nosseus braços e transformá-la em mulher. Não que a amasse, mas desejava-a ardentemente.Desejava possuí-la de qualquer maneira e só de imaginar o frescor e a maciez da sua pele,a doçura de seus lábios que nunca haviam sido beijados ele já ficava quase louco depaixão. Sempre quisera desfrutar de uma virgem, ter a sensação de ser o primeiro homema deitar-se com ela e fazê-la mulher. E na sua fantasia, ela se apaixonaria por ele noprimeiro contato e estaria sempre pronta a servi-lo a qualquer hora do dia ou da noite, pois 31
  32. 32. essa era a obrigação da mulher no seu modo de pensar. A doce e meiga Elisa, que logoseria sua...Ele iria possuí-la e dominá-la totalmente. Ela seria finalmente toda sua. Além disso, Elisairia cozinhar lavar e cuidar das suas coisas. E é claro eles iriam ter muitos filhos, umafamília bem grande. Ela era jovem e saudável e com certeza seria uma boa parideira.Afinal de contas, pensava Zé, mulher foi feita para isso mesmo. Ele já até sentia-seorgulhoso da fama que teria na região futuramente, pelo número de filhos. Teria um filhopor ano e aqueles que vingassem, assim que estivesse crescidinhos, ele iria por paratrabalhar na roça para ajudá-lo. Não iria ficar sustentando vagabundos, não. Se quisessemcomer teriam que trabalhar. Pois assim ele fora criado.Seu pai também colocava os filhos, que eram muitos, para trabalhar desde a mais tenraidade. E era trabalho duro, de sol a sol, mas se quisessem comer seria assim. Sua mãemorreu cedo, acho que de tanto parir, pensava Zé... Mas afinal, mulher era feita prá issomesmo e com Elisa não seria diferente.Todo orgulhoso e muito ansioso seguia Zé seu caminho para a casa de sua noiva e futuraesposa. Ia cantarolando todo feliz da vida.Logo ele, pensava todo contente, que até agora só se deitara com meretrizes que só lhedavam amor, ou melhor, prazer, em troca de algumas moedas. O que era bom, ele nãopodia negar, mas com Elisa seria o Maximo, pois as mulheres de programa apesar deserem lindas elas se deitavam com todo mundo, qualquer um mesmo, desde que pagassemé claro. 32
  33. 33. Elisa não! Ela seria só sua: Jamais conheceria outro homem, afinal ele jamais admitiria ecaso isso acontecesse e ele descobrisse a mataria, assim como tabém o cabra safado queousasse seduzi-la, lavaria sua honra com o sangue dos dois, isso sim, pois ele era o Zé enunca admitiria ser passado para trás.Foi com a cabeça fervilhando de idéias e já com muito ciúme que ele chegou à casa de suanoiva.Conforme combinado antecipadamente, Joaquim havia saído sem Elisa perceber,deixando-a sós.Ao vê-lo se aproximando Elisa teve vontade de sair correndo e fugir para bem longe, maspara onde? Ele com toda certeza a alcançaria rapidamente e talvez fosse até pior pensavaElisa. Nem adiantaria tentar...Zé cumprimenta-a todo solene dando-lhe um pequeno buquê de flores do campo que elemesmo colhera e amarrara com uma fita de cetim branca, pois queria agradar sua noivapura como uma rosa em botão que era, e que ele faria desabrochar com muito orgulho._ Boa noite, minha noiva! Diz Zé com uma voz melosa, querendo agradar._ Eu não sou sua noiva, vá embora ou eu vou chamar meu pai! Responde Elisa rudementee nem sequer pegou as flores que Joaquim lhe ofertara.Ele nem se abalou. Sorriu ironicamente e disse com um tom de deboche:_ Bobinha! Você não sabe que teu pai me vendeu por duzentos reais?! Eu até bebi umashoje prá comemorar o nosso consórcio. Veja: Eu até tomei um banho completo! Sente só!Estou até perfumado só pra você, minha noiva. Vem cá, dá um abraço e um beijo no teu 33
  34. 34. homem... Diz ele já agarrando a menina e tentando beijá-la, mas seu hálito de bebida erainsuportável para ela.Elisa tinha que prender a respiração para poder agüentar ao mesmo tempo em que tentavadesvencilhar-se dele. Em vão, pois ele era muito mais forte e quase já a dominava porcompleto. Estava muito perto de realizar seu sonho...Ainda como ultima tentativa e bastante assustada Elisa disse já aos prantos:_ Seu Zé, por favor, não faça isso. Deixe-me em paz! Eu não quero... Vê se arruma outranoiva.Zé já ofegante pelo esforço em dominar a menina que não parava de espernear aindadisse:_ Elisa, minha cabritinha, desde que você era pequena eu já pensava em ser seu homem,seu marido e pai dos seus filhos. Vem cá, não tenta fugir não, que vai ser pior prá você.Eu vou te fazer feliz, pode ter certeza de que você vai gostar...Então ele pega a menina no colo e joga-a na cama, e ela pela sua pouca idade, aindaindefesa que era acaba cedendo e entregando-se àquele ato forçado.Pronto! Estava consumado. Zé afoito que estava não tomou os devidos cuidados com amenina no sentido de ser mais carinhoso e cuidadoso. Praticamente a violentou, não seimportou com suas dores físicas e muito menos morais. 34
  35. 35. Agora ela era sua, toda sua, sua propriedade pensava ele satisfeito. A primeira vez eraassim mesmo, depois ela acabaria se acostumando e gostando. Dali a pouco seria elaquem iria pedir, pensava Zé todo orgulhoso.Orgulhoso e egoísta do jeito que era pensando em si próprio, somente em si ele nem sedava conta de que as mulheres da vida com quem estava acostumado a deitar-se nem delonge sentiam o prazer que ele imaginava.Apenas fingiam para agradar o cliente. Não que também ele se preocupasse com isso, poispara ele pouco importava desde que ele satisfizesse os seus mais primitivos instintos. Àsvezes até mesmo humilhando-as quando não o agradavam.Sendo que o exagero com a bebida é que muitas vezes impedia que conseguisse consumaro ato intimo e sagrado que nos traz prazer e colabora com a continuação da humanidade,quando praticado sem a aberração.Mas ele ignorante e agressivo que o era colocava a culpa nas próprias criaturas quetinham a infelicidade de atendê-lo prestando um serviço sexual para o seu bel prazer e quesó o faziam por ser a única maneira que conheciam de sobrevivência para se sustentarementre outros clientes afoitos e que dependiam do fruto de seu trabalho tropeço ou não.Mas poucos homens compreendem isso e as julgam muito mal.Apesar de usufruírem e serem coniventes usa e abusa constantemente de seus serviços, astratam cruelmente como se fossem animais ou pior até... Para eles não existe o respeitonem a dignidade que devem ser atribuídos a qualquer ser humano, independentemente de 35
  36. 36. raça, sexo, cor ou credo. A ignorância de Zé aquele homem matuto não percebia o quantoaquelas damas da noite sofria em busca de seu sustento e ao mesmo tempo colaborandode forma marginalizada com a sociedade no sentido de atender aqueles clientes incapazesde conquistar uma boa companheira para seu convívio conjugal e intimo, muitosfreqüentava aquela casa de prostituição em busca de saciar suas fantasia a maioria delespraticavam aberrações em seus atos sexuais e cruéis.Quanto a Elisa só resta conformar-se com sua nova condição que lhe fora imposta contrasua vontade. Sendo assim ela, que agora era uma mulher e não mais uma inocente menina,pois já havia sido deflorada e destituída de sua pureza só lhe restava conviver com suanova vida.Ela tinha esperança de mesmo sem gostar do Zé, agora seu marido, conseguir viver comele maritalmente. Apesar da repugnância que ele lhe causava, não tinha outro jeitomesmo.Haveria de se conformar, pois revoltar-se seria muito pior. Zé já lhe mostrara suas garrase do que ele era capaz e Elisa não queria de modo algum contrariá-lo para não sofrer asconseqüências.A menina sentia que agora pertencia a ele, e ele poderia fazer dela o que bem entendesse,portanto seria muito melhor para ela que não o aborrecesse e nem o contrariasse.Mesmo com a sua pouca maturidade ela conseguia perceber o que era melhor para si,quase que como um instinto de sobrevivência. Seu pai fora capaz de vendê-la, sua mãe aabandonara. Agora seu destino estava nas mãos daquele estranho que agora era seumarido. Até quando? Só o tempo diria. 36
  37. 37. Capítulo1 parte VAssim os anos foram passando. Lentamente, sem pressa alguma naquele lugarejo onde aspessoas não tinham grande afã de tocar a vida, pois nada era urgente, nada era tãoimportante que não pudesse ser adiado por dias, meses ou até anos. Sim, pois o tempo émuito relativo, para as pessoas que vivem nas grandes cidades, nas metrópoles e sãomuito ocupadas com muitos afazeres, as vinte e quatro horas do dia parecem pouco oupelo ao menos é essa a sensação que elas têm; mas para quem vivem no campo sem aagitação e correria típicas das cidades, os dias parecem passar muito lentamente; entre onascer e o pôr - do -sol há tempo mais que suficiente para que as pessoas cumpram comsuas poucas obrigações cotidianas.É assim que vamos encontrar Elisa. A viver um dia de cada vez. E já bem adaptada a suanova vida ela agora finalmente esperava seu primeiro filho. Zé realmente a assistia nãodeixando lhes faltar o necessário, somente o necessario. Nem pra ela nem para seu pai,conforme o prometido. Não passavam mais fome e isso já era uma grande coisa. Não queele fosse um sujeito agradável, muito pelo contrário, mas a menina acostumara-se comseus modos rudes e grosseiros. Ela demorara a engravidar, pois quando se casou, ou 37
  38. 38. melhor, quando se juntou ao Zé seu corpo de menina - moça ainda em formação nãoestava preparado para ser a progenitora com maturidade. Sua vida sexual começara muitocedo, mas seus órgãos ainda não estavam suficientemente maduros para a procriação.Zé não se conformava com o fato de ela não engravidar logo, pois tinha pressa em iniciarsua prole. Na sua ignorância não compreendia que a natureza feminina precisa estar noponto para gerar bebês sadios. Ele começava até duvidar se fora um bom negócio investirnaquela união, quando finalmente e inconsciente o semblante de Elisa denúncia seuestado de gestação com enjôos e a transformação de seu corpo agora de mulher; Enjôosprincipalmente pela manhã o que não deixava dúvidas quanto a uma gravidez. Ela agoramais saudável, pois se alimentava bem estava apta a ter uma boa gravidez, apesar dapouca idade.Zé estava orgulhoso, mal cabia em si. E que fosse homem o seu primeiro rebento, pensavaele sem nem sequer cogitar a possibilidade de nascer uma menina. Ao menos o primeirotinha que ser homem. Depois não importava, pois a prole seria grande..Por Elisa demorarpara engravidar, Zé quase o matara de impaciência., Zé tinha vontade de gritar e, sumir.Não conseguia compreender sendo que chegava até a pensar que ela não engravidava depropósito, como que para castigá-lo por saber que ele queria tanto, para ele era questão dehonra.Sua virilidade estava em jogo. O que diriam seus amigos, companheiros de farra e debebedeira? Ele que se dizia um verdadeiro garanhão não podia dar esse vexame. Isso erademais... 38
  39. 39. No dia em que soube que Elisa estava grávida, Zé tomou o maior porre de sua vida. Pagoubebida para todos lá no botequim e bebeu tanto que teve de ser carregado até sua casaquase matando Elisa de susto quando o viu chegar naquele estado deplorável.Um belo dia, Zé resolveu vender sua chácara. Abandonou seu sogro já doente a própriasorte e foi viver com sua adolescente esposa, em um lugar ainda bem mais isolado queaquele lugarejo, ele trocou o seu pequeno sitio e adquiriu na barganha uma extensão deterra infinitamente maior, mas sem valor nenhum onde havia um grande rio que passavadentro daquela propriedade. Porem, nesta troca lhe sobraria algum dinheiro, pois aquelasterras que agora comprara era bem mais barata por ser totalmente afastada da cidade.Elisa não se conformava, mas o que ela poderia fazer a não ser acompanhá-lo? O terrenoera maior, mas a casa estava em condições precárias, feita de barro, sem portas, sendo quea passagem era um buraco onde tinham que abaixar para entrar. Ele comprara umapropriedade de menor valor e sem vizinhos por perto, pois assim sobraria dinheiro parasuas orgias, ainda mais agora que Elisa estava grávida e com o corpo alterado em suaformosura pela gravidez precoce ele não tinha mais vontade de deitar-se com ela, poisagora para ele não havia mais graça, ao menos enquanto ela estivesse naquele estado.Segundo Zé Ele aproveitara o melhor de seu corpo e de sua inocência e agora já um poucocansado daquela rotina conjugal voltava à sua antiga vida de noitadas, bebedeiras emulheres para saciar os seus mais desvairados desejos que aumentavam cada vez mais,como um vício, tal qual a cachaça, a qual ele já não podia viver sem. 39
  40. 40. Ele pensava consigo mesmo: _Não suporto mais essa situação, mas tenho que pensarnessa criança que está prá chegar afinal de contas é meu filho. Mas ao mesmo tempo sedeixava levar pelos vícios e pelo ciúme que demonstrava ter por Elisa e que aumentavacada vez mais, pois a julgava sua propriedade e não queria nem que ela tivesse amizadecom outras mulheres do povoado e por isso usou como argumento que mudara-se para tãoisolado lugar.Assim nenhum homem poria os olhos na menina e ele sabia que seu corpo após a gravideztomaria formas de mulher e com isto atrairia a cobiça masculina e poderiam até quererroubá-la dele. Ah, isso ele não iria permitir. Era melhor mesmo precaver-se, na suamaneira romanesca de pensar.Finalmente a criança nasceu. Um lindo menino que apesar das condições precáriasnascera forte e saudável e quando sentia fome chorava com força até que sua mãe saciassesua fome com os seios fartos de leite. No início Elisa teve muita dificuldade em aprendera lidar com o bebê.Inexperiente e isolada do jeito que estava não podia contar com a ajuda de ninguém.Somente a parteira que Zé arrumou no povoado quando ela começou as sentir a dores lhedeu algumas orientações sobre como cuidar do seu bebê, o restante Elisa foi aprendendopor si própria com seu instinto maternal.E assim o tempo foi passando e o menino crescendo forte como um touro e tambémcrescendo cada vez mais o ciúme que Zé tinha do próprio filho, achando que eledesfrutava mais da intimidade de Elisa do que ele próprio, que era o marido. Todas as 40
  41. 41. atenções e todo carinho dela eram somente para o menino, não sobrando nada para ele quese sentia preferido.À vezes ele fica observando-a amamentar de longe e quase não agüentando de ciúmes saíapara o povoado buscando o consolo nos braços das prostitutas que lhe consolavam comopodiam. Ele nunca imaginou que seu próprio filho, motivo de muito orgulho e alegriatambém seria causador daquele ciúme que o torturava dia e noite. Um ciúme doentio quelhe tirava o sossego.Zé tinha sentimentos contraditórios e somente duas coisas o aliviavam: mulherada ecachaça. Já nem tinha vontade de trabalhar mais como antes. Suas terras já não produzemcomo outrora. E o que ele conseguia ganhar gastava a maior parte para alimentar seupernicioso vício aos quais estava cada vez mais entregue.Certo dia, ele chegou a sua casa meio bêbada e ordenou como era de costume:_ Elisa, faz alguma coisa aí pra eu comer, mulher, que eu estou com uma fome de cão !_ Não tem nada, Zé. Responde ela temerosa por sua reação, pois ele não gostava nem umpouco de ser contrariado._ E o menino está comendo o que? Indaga-o, já com raiva._ Hoje ele comeu fubá com água, temperado com coentro. É só o que tem Zé._ E onde é que você arrumou fubá, sua vadia? Será que você andou vadiando por aí, práconseguir? Pergunta Zé já cheio de desconfiança e imaginando um monte de besteiras emsua mente doentia. 41
  42. 42. _ Zé, aqui nós vivemos isolados, não tem nem vizinho, homem! Ela responde malacreditando nas insinuações do marido. Mesmo conhecendo bem o homem que tinha nãopensava que ele pudesse ir tão longe, mas suas suspeitas já eram praticamente delírios deuma mente perturbada.Ele retruca não se dando por vencido:_ Quer dizer que se tivesse homem aqui por perto...? Diz Zé já colérico, só em pensar napossibilidade de ser traído.Era um sentimento que o dominava completamente. Bem lá no seu subconsciente, elesabia que não havia motivos para tal desconfiança, mas não conseguia se controlar,principalmente quando estava embriagado como naquele momento.Talvez porque ele sabia que ela não se unira a ele por amor, mas sim porque fora forçadapelo seu pai, e isso o atormentava dia e noite e às vezes até mesmo roubava-lhe o sonoquando sua consciência falava mais alto.E Elisa reagia da maneira que podia:_ Para com isso, Zé! Que prosa é essa agora, homem de Deus? Você está ficando louco.Acho que é a cachaça que está te deixando assim, só pode ser._ Mais você não gosta de mim nem nunca gostou. Ou pensa que eu não sei? Responde Zémagoado._ Eu nunca lhe neguei isso. Realmente eu não gosto de você, e você sempre soube, eununca escondi! O que é que eu posso fazer? Não tive outra escolha na vida. O meu destinojá estava traçado... Se eu pudesse escolher, nunca que eu ia escolher você. Pronto ta 42
  43. 43. falado. É isso que você queria ouvir?Mas pensa bem o que você fala por que eu não souvulgar, se você e meu marido é com você que tenho que viver._ Ah! Eu vou te matar, sua ingrata! Esbraveja Zé, completamente fora de si depois do queouvira.Respirando fundo prá não cometer uma loucura ele completa enfurecido:_ Se você quer saber, Elisa, eu até acho que esse filho não é meu.Elisa, perplexa, responde:_ Por que essa conversa mole agora, Zé? Você é que sai toda noite, vai prá suas orgias eagora desconfia de mim, é? Eu é que tenho motivo de sobra prá estar com bronca de você, ou você pensa que eu nãosei prá onde você vai quando dá suas sumidas por aí. Mas se você quer mesmo saber, euestou pouco me importando, prá falar a verdade você bem que podia ir aí prá suasnoitadas e nunca mais voltar, que eu iria achar era bom.Elisa não sabia onde encontrava tanta coragem para enfrentar Zé daquela maneira, mascontinuou falando o que lhe seria em sua alma, sem se importar com as conseqüências,mas seus protetores estavam ali lhes encorajando, pois era necessário que ela sedefendesse das calunias_ Se você não voltasse mais, homem seria muito bom, pois eu não precisaria te agüentar enem ouvir tanto desaforo Zé.Àquela altura Elisa já chorava copiosamente. Sensível como era ela não aceitava asimparciais acusações de Zé sobre a sua conduta. 43
  44. 44. Os ânimos estavam se exaltando cada vez mais. Elisa já não suportava mais aquelas crisesde ciúmes de Zé, acusando-a injustamente de um adultério que ela jamais cometera.Ainda mais que ele não tinha decência nem moral para sequer pensar tais coisas a seurespeito.Logo ele que chegava a sua casa tarde da noite, bêbado e cheirando a perfume e pensavaque Elisa não percebia.De repente Zé disse algo que a deixou mais perplexa ainda._ Sei não... Já tive varias mulheres nessa vida e nunca consegui ser pai. Por isso eu tepergunto Elisa, será que esse filho é mesmo meu?_ Claro que é Zé! Eu bem que gostaria que não fosse, pois acho que meu filho merecia terum pai melhor. Responde Elisa não conseguindo mais esconder sua revolta._ Sei não, logo que casei com você sempre tinha homem perto de casa._ Zé, ali onde nós morávamos era passagem de um povoado pro outro, é por isso quesempre tinha gente por lá. Tanto homem como mulheres e criança também. Deixe de sermaldoso. Você vê maldade em tudo, mas a malícia está é na sua cabeça e nessa malditamania que você tem de falar do que não sabe. Tenha dó e vê se não me enche mais comessa prosa. Vê se não me amola!_ Eu bem que notei umas duas vezes você conversando com uns estranhos, ou você pensaque eu sou cego. Eu vi bem com esses olhos que a terra há de comer. Zé continua com asacusações sem fundamento, é claro, mas que para ele, representavam a mais purarealidade. 44
  45. 45. _ Zé, era só algumas pessoas que paravam ali prá pedir água prá eles e pros cavalos. Eágua a gente não deve negar prá ninguém,_ Não sei não, essa história tá mal contada, mulher. Não adiantava, pois nada que Elisadizia Zé acreditava. O ciúme e a desconfiança já havia tomado totalmente a sua razão. Oque ele não via e nem poderia ver eram os vultos escuros que o abraçavam envolvendo-oe incutindo em sua mente perturbada cada vez mais idéias absurdas, aproveitando-se deseu ciúme, desconfiança e principalmente da sua má conduta moral, esses espíritosinferiores, de energia pesada e com idéias nefastas faziam com que Zé até mesmovisualizasse em sua mente doentia cenas de sexo entre Elisa e outros homens. Eles emitiam essas imagens e Zé em sua ignorância e baixa vibração as captavam comose fossem reais. Isso só acontecia porque Zé se encontrava em plena sintonia com essesirmãos inferiores, espíritos vampiricos que sugava suas energias devido a sua freqüênciavibratória que eram semelhantes.E como neste mundo os que são afins se atraem... É a lei da causa e efeito. Zé os atraiapara si, mesmo inconscientemente e eles o acompanhavam sempre e com enorme prazerparticipavam de seu desespero e do sofrimento que aquelas desconfianças lhe causavam.Eram na realidade, inimigos de outras vidas que havia jurado vingança e que agoraexecutavam seu plano sendo que Zé através de sua má conduta e vícios abriam a guarda,um enorme espaço para que essa vingança se tornasse plenamente possível.Se a conduta moral de Zé fosse outra ele não estaria na mesma faixa vibratória daquelesseres sedentos de vingança que desejavam acertar contas do passado e, portanto ele nãoentraria em sintonia com aqueles espíritos, mas Zé não tinha Deus em seu coração, aliás, 45
  46. 46. ele nem se lembrava do Criador e jamais se lembrava de rezar; nem para pedir proteção emuito menos para agradecer. Do outro lado Eliza precisaria passar por aquele sofrimento para ajustar erros de vidaspassadas, onde ela mesma condicionou o seu histórico de vida ainda quando habitava noplano espiritual, mas pela sua boa conduta, ela mesma sem saber atraia os seus protetoresque estavam sempre atentos e assim sendo ela estava em um bom estagio a caminho daperfeição.E ao contrario Zé levando uma vida totalmente desregrada estaria em, mas lençóis, poisele apenas pensava nos prazeres materiais com total egoísmo e mais nada.No auge da discussão, Elisa defendia-se como podia._ Zé, para com isto: Só essa me faltava! Você desconfiar de mim... Mas isso acontececom todo homem que é mulherengo e safado. Não confia no que tem em casa e acha que agente faz as mesmas cachorradas que eles.Mas bem: eu deveria ter fugido com um daqueles hómens. Como é que eu não penseinisso antes... ? Você bem que merecia que eu te largasse e levasse o nosso filho junto. Aíquem sabe você iria dar o devido valor._ Esse menino não é meu mesmo! Toda vez que eu vou pegar ele no colo ele começa achorar e berrar. Conta-me essa história direito Elisa, sua ordinária, vagabunda! Ou eu lheencho de pancada e faço você confessar de uma vez por todas, sua cadela vadia. E aquivocê pode gritar a vontade que ninguém vai ouvir, ninguém vai te acudir. Aliais, porque éque você acha que eu te trouxe prá esse fim de mundo? 46
  47. 47. Parece que Zé queria que Elisa confessasse para que ele tivesse então um bom motivopara espancá-la até a morte e assim ele se livraria de uma vez por todas daquele pesadeloque o atormentava._ Então muito bem! Disse Elisa._ Eu vou lhe dizer uma coisa,..Você, Zé, tem um cheironojento, uma catinga de bode. Além disso, você fede a cachaça. A criança, ou melhor, oCarlinhos tem nojo do teu cheiro, do teu bafo de pinga velha. Ele também vive com fome,pois você gasta o que ganha com bebedeira e com suas noitadas com as mulheres da vidae deixa seu filho e sua mulher, que sou eu, passar fome. Se o pobrezinho fica quieto nacama, tudo bem, mas se você pega ele no colo, a barriga dele dói de fome e aí, é claro queele vai começar a chorar. Entendeu agora? Vê se entende de uma vez por todas, pelo amorde Deus._ Que conversa fiada é essa agora, mulher? Isso é conversa prá boi dormir. Você está éarrumando tudo quanto é desculpa prá se safar, sua vagabundinha! Mas você não perdepor esperar, pois eu vou dar um jeito nessa situação. É só esperar prá ver.Elisa já estava exausta daquela conversa. Não podia mais suportar aquela situação, masconformava-se e resignava-se com seu destino. Pensava somente no seu filho quedependia totalmente ou unicamente dela, a criança era tão inocente e indefeso, tão alheio atoda aquela sujeira e miséria. Carlinhos era um anjo em sua vida de amarguras onde aalegria e a paz não existiam, Muito pior que a miséria em que viviam as necessidadesmatérias, a fome que passavam; em fim: A falta de amor de compreensão e respeito. Masela enxergava naquela criança o seu porto seguro, seu único alento. 47
  48. 48. Zé não acreditava mesmo em Elisa, e ela decidiu que não perderia mais tempo tentandoconvencê-lo com seus argumentos que era a mais pura verdade, pois ele era mais teimosoque uma mula quando empaca. Enfim, era essa a sua cruz e ela iria agüentar firme atéquando pudesse. Ela sabia que lá no céu alguém olhava por ela, com certeza. O mesmoSer que criou a natureza e tudo o que há nela.Elisa tinha a intuição de olhar e ver observando nos mínimos detalhes a beleza que seapresentava todas as manhãs quando o sol despontava no horizonte até ao cair da noitequando o espetáculo continuava com o céu repleto de estrelas e a lua majestosa que maisparecia uma mãe amorosa a velar pelo sono de seus filhos.Ela analisava com admiração a obra do criador em seu todo: O sol, as estrela, chuva,vegetações e tudo mais em sua volta, então ela mesmo sem um único dia de escolaridadeconseguia enxergar com profundidade todo aquele complexo agradecendo a Deus pormais um dia de vida, onde muitos com um bom nível de escolaridade não conseguiamenxergar na mesma profundidade com que Elisa a via e então ela dizia com sigo mesma,Deus existe sim: Sem duvida ele existe, pois uma obra tão perfeita só mesmo sendo criadapelo pai que esta no céu.E com este modo de pensar ela cada vez mais adquiria forças para continuar.O que Elisa não sabia, é que por sua bondade, resignação e pureza de sentimentos elaestava sempre em sintonia com os bons espíritos designados pelo o criador que aamparavam nos momentos mais difíceis. Ela não os podia ver, mas se pudesse, veriaquanta luz eles emitiam iluminando o seu árduo caminho. 48
  49. 49. Muito ainda estava por vir, mas ela seria forte e com seu espírito elevado. O tempo, só otempo poderia dizer o quanto ela era especial.Parte II Capítulo IEm Belo Horizonte, a bela capital mineira onde vivem Dolores e Ricardo, um simpáticocasal que, como tantos acalentam o sonho de ter filhos sem no entanto conseguir realizarseu intento, porém não perdem a esperança, pois sabem que para Deus nada é impossível.E com os avanços da medicina nesta área, muitos desses sonhos acabam tornando-serealidade. Avanços esses que são alcançados graças à bondade do Pai, pois tais conceitosda ciência são permitidos pela Espiritualidade Maior para o benefício das pessoas de umamaneira geral, para que elas tornem-se mais felizes, mais realizadas. É uma pena que muitas vezes a maioria dos empresários desta área manipule estesprogressos de acordo com os seus interesses que muitas vezes atendem não à humanidadecomo um todo, mas apenas a alguns da elite, que por terem bem mais recursos financeirosconseguem ter acesso as mais novas descobertas da medicina. Tais conquistas deveriamestar ao alcance de todos, sem distinção. Ah, que bom seria...Obviamente é importante que para alcançar seus objetivos essas pessoas necessitem demuita paciência e uma boa dose de perseverança. De consultório em consultório estescasais tentam novos tratamentos e sempre os médicos lhes dão muitas esperanças 49
  50. 50. fortalecendo seus ânimos; mas não são esperanças vazias, carentes de fundamento, pois ébem verdade que as pesquisas, especialmente nesta área de reprodução humana, estãoevoluindo a cada dia e ajudando muitos casais a concretizar um sonho.Porém, não é tão simples como parece. Às vezes leva-se um bom tempo para acertar otratamento mais adequado, dependendo, é claro, não só da disponibilidade financeira,visto que esses tratamentos dependem muito do estado psicológico da futura mamãe alemde serem caros, infelizmente.Quando ha uma possibilidade em clinicas gratuito às filas é longo assim como as listas deespera e então o processo todo é muito demorado e exaustivo. Às vezes acaba atédesgastando o bom relacionamento do casal, por mais que o mesmo seja bem estruturado,com bases no amor, paciência e tolerância mutuas.Mas enfim, Dolores e Ricardo conversavam mais uma vez sobre o assunto como tantasoutras vezes, só que desta vez já desanimados, pois haviam varias vezes tentadas semresultado; e o sonho de ter um filho tinha que ser mais uma vez adiado, eles sabiam quenão deviam se deixar abater pelo desânimo, mas estava cada vez mais difícil.Ricardo não tinha como prioridade um filho e sim a sua esposa que lhe completavaplenamente, mas Dolores pelo contrario um filho iria lhe preencher o vazio que a sua filhaa deixou ao vir ao mundo já morta alegava Dolores.Em alguns casos isso se torna uma obsessão, uma idéia fixa chegando a interferir norelacionamento do casal e levando até mesmo, às vezes, à separação, pois um sente-se em 50
  51. 51. dívida com o outro não podendo conviver com esse sentimento de culpa, que por sua vezgera conflitos desnecessários e muito sofrimento para ambas as partes.O que as pessoas em geral não compreendem na maioria dos casos, é que não cai umafolha de uma árvore sem o consentimento de nosso Pai Celestial e que muitas vezesprecisamos passar por certas provações, não como um castigo, mas sim provações que nosmesmos indicamos para as nossas vidas carnais antes de reencarnarmos, para o nossoaprimoramento espiritual, agora, a maneira como vamos passar por isso é escolha nossa éo nosso livre arbítrio que determinara e que dependera exclusivamente de nós.- Dolores, querida, diz Ricardo a sua esposa: Você já fez vários tratamentos e nada deengravidar...- É, Ricardo, o maior sonho da minha vida, como você sabe é acalentar o nosso bebê,trocar suas roupinhas, alimentá-lo, educá-lo e amá-lo.- Você Dolores vivia com o Joaquim, aquele infeliz, numa situação paupérrima e acabouperdendo a sua filha no parto, acho que isso a traumatizou, querida. Considerou Ricardo.Pensativo ele se lembra de quando conheceu Dolores. Há uns doze anos atrás e quanto aalmejou assim que avistou pela primeira vez, seu desejo de estar junto a ela e sabendo desua situação planejou rapidamente como livrar aquela mulher tão bonita e tão jovem aindauma menina que lhe pareceu tão especial, apesar de estar mal tratada, daquela miséria emque vivia com um bêbado que maltratando-a deixou a deriva.Foi assim que o respeito e gratidão em formato de amor nasceram no coração de Dolores;Será que foi amor a primeira vista e que foi aumentando cada vez mais e quando Dolores 51
  52. 52. estava no auge de seu desespero, ao pensar que sua filhinha havia morrido logo após onascimento foi ai que Ricardo apareceu na porta de sua casa e a convidou para se casar emorar com ele em Belo Horizonte, alegando que a amava muito e que Joaquim era umirresponsável, deixando-a só naquela situação, ela relutou a principio, mas acabouaceitando, pois já estava cansada daquela vida de amarguras e privações. Ricardo pareciaum bom homem, de uma boa família e parecia sincero e respeitador. Dolores vislumbravaa oportunidade, a chance de uma nova vida ao lado de quem realmente a amasse ecuidasse dela, já que com Joaquim ela não podia contar.Então ela e Ricardo decidiram irem juntos para a capital mineira para começar uma vidanova, pois para Dolores não havia mais sentido em continuar levando aquela vidamiserável, com tantas privações e principalmente sem dignidade.A pobreza, a miséria em si já é difícil, e quando não há amor, respeito, compreensão eprincipalmente dignidade tudo se torna muito mais difícil de suportar. Joaquim nunca arespeitara nem como mulher, nem como ser humano, pois a união de ambos foiconseqüência de uma pequena negociação financeira entre Joaquim e o pai de Dolores.Joaquim tratava-a como um objeto de sua propriedade e ainda a culpava da situaçãoprecária em que viviam, sendo que não enxergava que, ele sim com o vício da bebidadeixava de cumprir suas responsabilidades de chefe de família, deixando de proporcionaruma vida melhor para sua esposa e si própria, pois gastava quase tudo o que ganhava noboteco mais próximo. 52
  53. 53. Dolores padeceu de uma desnutrição quase profunda durante a gravidez, quando agestante tem que alimentar-se bem e de maneira balanceada, incluindo em suas refeiçõesdiárias todos os grupos de alimentos, para que assim o feto possa desenvolver-se de umamaneira saudável. Porém isto não ocorreu então esta desnutrição de Dolores fez com quesua filha nascesse muito fraquinha, embora saudável, porém não tendo forças para chorar,mal podendo respirar e por isso fora dado como morta pelo seu pai na hora do parto, poisparecia mesmo estar sem vida.Dolores por alguns instantes recordou-se daqueles momentos difíceis de sua vida,momentos que ela nem gostava de lembrar-se, mas as tristes lembranças vinham, quasetodos os dias lhe torturar, mesmo contra a sua vontade e ela não conseguia evitá-las.Então, com lágrimas nos olhos disse olhando para Ricardo.- Eu não gostaria de falar nesse assunto, se você não se importa. Hoje sou uma mulherfeliz em sua companhia, Ricardo e espero nunca me decepcinar. Eu até rejuvenesci, poisvocê me trata como uma rainha e me faz feliz e realizada pode acreditar. Eu aprendi até afalar direito e a me comportar em sociedade. Tudo graças a Deus e a você. Eu devo-lhetudo que sou hoje, Ricardo. Você me salvou e devolveu-me a dignidade, por isso eu queroretribuir-lhe, dando-lhe um filho, com o qual você tanto sonha, não é mesmo?- Eu também sou feliz, minha querida, porque tenho você, mas posso afirmar quepodemos ser mais felizes ainda, por você com um filho me fará mais feliz ainda. 53
  54. 54. - Já sei que para a nossa felicidade seja completa falta uma criança aqui em casa, rindo,correndo, brincando, enchendo nossos corações de alegria. É verdade, às vezes eu ficomuito deprimida...- Dolores, ouça bem, nós não somos ricos, mas temos uma situação financeira bemequilibrada; temos algumas economias guardadas, não é mesmo? Pois eu quero lhe fazeruma proposta.- Qual é Ricardo? Surpreende-se Dolores já bastante curiosa.- Lógico, meu amor, que você hoje e uma mulher bem informada, pois conseguiufreqüentar uma boa escola, estes anos todos, por tanto você já ouviu falar em inseminaçãoartificial. Não é mesmo?- É claro que sim, é um procedimento para casais com dificuldades em conceber. Fala-semuito a respeito, mas esta realidade só será possível daqui a uns dez anos, digo: Ainseminação será possível aqui no nosso país. E eu não sei se conseguiria esperar portanto tempo assim...- Mas podemos ir aos Estados Unidos e tentar esse procedimento, lá onde a medicina jáestá muito mais avançada nessa área. O que você acha?- Ricardo eu não gostaria de servir de cobaia, pois mesmo lá, os médicos ainda estão emfase de experiência com essa tal inseminação artificial, mais conhecida como “bebê deproveta”. 54
  55. 55. Acho que não seria prudente, afinal de contas trata-se da vida de uma criança, ou melhor,dizendo, o nosso filho! Sinceramente acho melhor esperar mais um pouco e tenho certezaque encontraremos uma solução. Não vamos nos precipitar, querido. Eu sei que é tudo oque você mais deseja na vida, mas temos que ter paciência. Acredite em mim, quandomenos esperarmos essa criança estará a caminho para completar a nossa felicidade etransformar as nossas vidas.Ricardo refletiu melhor e acabou concordando com sua esposa. Como sempre ela estavacerta. Era incrível como Dolores era uma pessoa ponderada e sensata e, além disso, tinhao dom de acalmá-lo e fazer com que ele se sentisse mais confiante e otimista. Talvez portodo sofrimento que ela havia passado afinal o sofrimento nos proporciona um bomaprendizado e por isso ela tornara-se uma pessoa tão especial. Como esposa então, ela eraincrível. Administrava tudo com eficiência e capricho. E como mulher uma amanteexcepcional e carinhosa, sempre disposta a lhe dar amor e satisfazer seus desejos dehomem.Ao contrário de seus amigos, ele não precisava ter encontros amorosos fora do casamentopara sentir-se satisfeito. Pelo contrario, Dolores o completava plenamente e ele não searrependia de ter escolhido-a para partilhar sua vida. Ele costumava dizer que ela osalvara, dando um sentido para a vida monótona e sem graça que ele levava, só vivendopara os estudos na época em que eles se conheceram.Mas agora, como era bom! Pensava ele, voltar para casa após um exaustivo dia detrabalho e ter aquela mulher bonita e cheirosa, sempre muito bem arrumada esperando-o 55
  56. 56. com um jantar especial e sempre disposta a agradá-lo na intimidade, suas “armadilhas” desedução. Ah, ela nem de leve lembrava aquela jovem mal-tratada que morava comJoaquim e era tão espezinhada e humilhada por ele. Ricardo conseguiu perceber em Dolores na época que ela vivia com Joaquim que era umamulher atraente e sensual. Apenas precisava de uma vida melhor e alivies cuidados. Umbom tratamento a fez desabrochar como mulher, esbanjando beleza e feminilidade poronde quer que passe, seus amigos o invejavam e ele orgulhava-se disso. Só faltava mesmoo tão sonhado filho para completar a felicidade de sua esposa, mas era só uma questão detempo.Aí sim ele iria sentir-se totalmente realizado presenteando a sua bela esposa com umfilho.Ricardo era um homem acostumando a conseguir tudo o que queria e não poupavaesforços para alcançar seus objetivos, sentia-se extremamente frustrado quando algumacoisa não saia como ele planejava, porém era persistente e não desistia facilmente de seusintentos. Foi assim com Dolores, pois não foi tão fácil conseguir conquistá-la, mas quantomais difícil, mais prazer lhe dava, pois ele adorava desafios. Aprendera com seu pai que oque era muito fácil não tinha valor, não proporcionava o sabor da vitória.Dolores, apesar das dificuldades que enfrentava e da vida dura que levava ao lado deJoaquim, era uma mulher honesta e não cedeu facilmente aos apelos de Ricardo. Sómesmo quando perdeu sua filha ela desiludiu-se totalmente da vida e resolveu largar tudopara traz e partir para uma vida nova, quem sabe bem melhor, mesmo sem ter muita noção 56
  57. 57. do que provocava em Ricardo, pois ela não o fazia de propósito, mas foi justamente essaingenuidade e falta até de malícia que ascendeu de vez os desejos do jovem Ricardo. Elequeria essa mulher, ah, como queria... E nada iria impedi-lo de conseguir seu intento. Erasó uma questão de paciência e perseverança. E agora mais uma vez essas duas virtudes sefaziam necessárias em sua vida.Parte 2 Capítulo IIMais um belo dia nascera no lugarejo abandonado onde vivem Elisa e seu filho. Anatureza exuberante com seus encantos em sua explosão de cores e diversificações deespécies parece alheia aos dramas de cada ser humano; pois para ela basta ser o que é eseguir o seu curso que é sempre harmonioso desde que é claro, não seja agredida pela mãoinsensata do homem.Assim como na natureza, os seres humanos, cada qual possui as suas característicaspróprias, sua individualidade, sua maneira de ser e todos precisam respeitar-semutuamente para que se viva em harmonia e equilíbrio; cada um na sua função,cumprindo o papel que lhe cabe na sociedade para que todos possam ter felicidade e paz.Não é bem num ambiente de paz, infelizmente que vamos encontrar Elisa. Perdida emseus adágios, ela recorda-se de seu pai e de como era a sua vida antes de juntar-se ao Zé.Pensava consigo mesma em voz alta, pois a solidão e o isolamento eram imensos einúmeras vezes ela falava sozinha, como se estivesse conversando com alguém, só parasentir-se menos só. 57
  58. 58. _ É meu pai morreu de tanto beber e eu agora estou sozinha nesse mundo. O que vai serde mim e do meu filho? Com todos os defeitos de meu pai ele tinha seu lado bom poremruim com ele mesmo, bem: Ruim com o meu pai, pior agora sem ele. Eu, praticamentesosinha com esta criança no mundo para criar, não posso contar com o Zé, que é só orgiae cachaça. Se pelo ao menos ele se preocupasse um pouco com o menino... Mas elecismou que o filho não é dele e ninguém tira isso da sua cabeça que só vê maldade emtudo, ninguém presta pra ele, como pode!.Elisa tenta encontrar uma solução para seus problemas, mas como? Com uma criançapequena nos braços tudo se torna ainda mais difícil, pois não pode arriscar a vida de seufilhinho adorado. Perdida num turbilhão de pensamentos ela nem percebe quando Zéchega e já vai logo dizendo ironicamente, aliás, como de costume._ Elisa,, vê se melhora essa cara, pois eu arrumei um emprego pra você, e posso lheafirmar que é do jeito que você gosta...Elisa, tentando se remanejar do susto, pois ela não havia visto Zé entrar, pergunta comhumildade:_ Aonde, Zé? Se dé pra levar o Carlinhos comigo eu vou sim, homem de Deus. Tenhomuita disposição e vontade de trabalhar pra vêr se melhora a nossa situação. Pelo aomenos pra gente ter o que comer..._ Você deixa o menino comigo, que lá não pode levar criança não. Aonde já se viu? Vocênão desgruda desse menino o dia inteiro e isso não está certo não! Parece até carrapato. Táaqui o endereço, é só você procurar a dona Dondoca e diga a ele que fui eu que mandei 58
  59. 59. você, entendeu? Se não entendeu é porque e burra mesmo e nesse caso não tem jeito, euvou ter que explicar tudo de novo, mas vê se desta vez presta bem atenção, mulher, porque eu não sou papagaio pra ficar repetindo. Ou quem sabe se eu te der uma sova vocênão entende rapidinho. Aliais faz tempo que eu tenho vontade de di dar uma surra bemdada, Eu acho até que você deve estar sentindo falta disso. Quando eu te bater e depois denós irmos pra cama fazer safadeza ficara até mais gostoso, você não acha? Ah deixa issopra lá, vamos direto ao que interessa.Elisa ouviu as observações de Zé, indignada. Sim, foram muitas ameaças que ele fazia esem motivo. Sempre que algo dava errado para Zé ele ia pra casa e descontava em Elisa asua raiva, a sua ira. Depois ainda por cima tomava-a a força como um animal.Geralmente nesses momentos ele estava sempre embriagado e em péssimas companhiasespirituais, verdadeiros vultos negros que o envolviam e abraçados e ele desfrutavatambém dos prazeres sexuais que no seu caso eram baseados em puro sadismo. Essesespíritos de vibração inferior estavam sempre com ele vibrando para que tudo desseerrado com aquela família.Era desta forma que supostamente Zé se vingava de Elisa com seus vícios: o álcool e aperversidade sexual. E seus oponentes espirituais queriam cada vez mais e com maisintensidade, portanto instigavam-no a ser violento, principalmente com as mulheres.Assim era também com as prostitutas que eram obrigadas a deitar-se com ele, pois eramraras às vezes em que elas não eram humilhadas antes de servi-lo. Quando ele chegava,todas tinham vontade de se esconder para escapar de tamanha ignorância e mau cheiro e 59
  60. 60. ele cada vez mais parecia só chegar a uma plena satisfação sexual após cometer taisbarbarias. Algumas diziam que ele parecia ficar possuído quando começava o coito.Ouve uma vez em que ele por não conseguir atingir o ápice de prazer tentou espancaruma das moças que ele contratou para a sua orgia, só não chegou a batê-la por que ela eraforte, mas mesmo assim, só depois de uns dois meses é que ela se recuperou do susto.Janete esse era o seu nome, deixou de atendê-lo como cliente assim que pode por medo deter que servir o “Demônio” novamente.Este era o apelido de Zé no bordel e ele fazia jus ao mesmo. De tão mal educado que era.E assim Zé ia levando a sua vida e nada parecia detê-lo. Seus “comparsas” espirituaisestavam sempre com ele, pois havia tamanha sintonia entre eles que era como se fossemduas pessoas no mesmo corpo. Zé tomava como seus, os pensamentos daquela legião deespíritos perdidos em seus devaneios, facilmente registrava tais pensamentos como sefossem seus próprios.Ele era também uma vitima e a única maneira de livrar-se de tal obsessão seria mudar asua conduta moral, abandonando os vícios perniciosos e voltando-se a Deus. Mas isso nãoseria nada fácil e exigiria muito esforço e força de vontade o que não era bem umacaracterística da sua personalidade ou índole do seu espírito que trazia em seusubconsciente ou egocentrismo o objetivo de vingança de uma vida passada.Pelo contrário, ele só pensava nos prazeres imediatos o que contribuía e alimentava emsuas obsessões vampirescas e sedentos de vingança de algo que nem ele mesmo sabiadecifrar e ávidos de prazer de toda espécie. Caso Zé resolvesse mudar de vida e se 60
  61. 61. empenhasse muito para isso, tais obsessões estariam sempre na espreita para que aomenor vacile de sua parte eles pudessem arrastá-lo novamente para aquele redemoinho deperdição.Portanto ele teria que cometer um esforço enorme para não cair em tentação novamente,pois qualquer vacilo seu seria fatal. Por isso que muitos, ou melhor, a maioria nãoconsegue se livrar tão facilmente. Só mesmo com muita fé e força de vontade. O melhormesmo é não envolver-se em tais processos destrutivo, pois uma vez dentro, torna-sedifícil a recuperação, porem se tivermos fé acima de tudo, pois para Deus nada éimpossível e cada caso é um caso a ser considerado. No que se refere ao Zé, ele estavacada vez mais comprometido com o astral inferior, infelizmente.Elisa, já amedrontada, pois é claro, não queria apanhar, porque se assim fosse perderiatoda sua dignidade, mas também não tinha como defender-se então ela responde com avoz tremula: _ Eu entendi, sim, Zé, não carece de repetir e te agradeço muito por terarrumado um emprego pra mim. Mas..._ Mas o que, Elisa? Não me venha com desculpa, pois está tudo arranjado. Você não vaime fazer essa desfeita, sua cadela vadia! Está tudo combinado com sua futura patroa!_ É que eu não queria deixar o nosso filho aqui. Ele ainda é muito pequeno e precisa demim. Responde Elisa com o coração apertado de dor.Pode deixar você ira se dar bem. Vai por mim. Agora vem cá, vamos deitar que eu quero-te ensinar umas coisinhas novas. E vai ser de muita utilidade no seu trabalho novo. 61
  62. 62. Você tem que aprender de uma vez por todas a agradar um homem na cama. Está mais doque na hora. Vem cá que eu vou-te ensinar tudo que uma mulher deve saber. E riu comosatisfação.Elisa ficou contente com a notícia, mas ao mesmo tempo receosa por causa de seu filho;mas se era para ter uma vida melhor, pensou, valia a pena o sacrifício.Embora muito preocupada por causa da criança, ela não podia perder essa chance dearrumar um trabalho, pois afinal de contas não era sempre que aparecia uma oportunidadede emprego, ainda mais naquele fim de mundo onde tudo era tão difícil.No dia seguinte, logo cedo, ela arrumou-se da melhor maneira que pode e foi até oendereço que Zé lhe dera. Um tanto quanto insegura, mas esperançosa ela ao chegar aodestino procura pela pessoa que Zé indicara._ Por favor, eu quero falar com a dona Dondoca. Pede ela humildemente a mulher deaparência estranha que atende a porta e a mede da cabeça aos pés com um ar de desdém._ Mais uma prá concorrer conosco. Aqui já tem mulher demais, meu bem! Responde amoça com uma voz nada amistosa._ Você é a mulher do Zé? Pergunta outra moça com o rosto tão pintado que mais pareciauma boneca._ Sim, sou eu. Meu nome é Elisa. O Zé me mandou aqui pra eu arrumar um emprego.Sabe moça eu estou precisando muito de um trabalho pra vê se melhora a nossa situação 62
  63. 63. que vai de mal a pior. Tem dia que nós não temos o que comer; E, além disso, eu tenhoum filho pequeno pra criar._ Vai embora, menina. Você é quase uma criança ainda. E aqui é uma casa deprostituição, casa de mulher dama, ou mulher da vida, um prostíbulo, se é que você estáme entendendo..._ O que é um prostíbulo? Eu acho que não entendi muito bem. Desculpe-me dona, mas éque eu estou um pouco confusa. Elisa dentro da sua ingenuidade de menina-moça aindanão consegue entender do que se tratava.Uma das moças após dar uma sonora gargalhada responde séria:_ Aqui nós vendemos o corpo prá sobreviver, prá não morrer de fome. Temos que sesujeitar a estas humilhações noz que aqui vivemos somos prostitutas, Mas o nome nãoimporta. O que realmente importa é que a gente é obrigada a ir prá cama com todo tipo dehomem que aparece, não temos o direito de escolher é questão de sobrevivência menina,vai embora, pois aqui não serve pra você. E se você quer saber: Até mesmo com odesgraçado do seu marido agente tem que se deitar. Aliás, mocinha, sabe qual é o apelidodele aqui? Pois bem: Eu vou lhe dizer...Demonio!De repente dona Dondoca aparece e ao escutar a outra falando com Elisa daquelamaneira, ela fica furiosa. Bate duas vezes na cara daquela que falou demais e retruca:- Não se meta nos meus negócios ou eu lhe corto a língua da próxima vez! Quantas vezeseu preciso repetir que quem manda aqui sou eu, sua linguaruda? Agora vê se some daqui evai procurar alguma coisa pra fazer. Serviço é o que não falta por aqui. Olha esse chãocomo está sujo! Quer que eu esfregue a tua cara nele? ... 63
  64. 64. Virando-se para Elisa que assustada com a cena, estava boquiaberta, diz com uma voztoda amável, pois percebe que a menina estava muito impressionada com tudo quepresenciara. Tentou tirar essa má impressão da menina e como era muito experiente elaconvida a menina para entrar..._ Entra, minha filha, fique a vontade, sinta-se como se estivesse em sua casa. Você vai sesair muito bem aqui, ainda mais sendo assim tão novinha. Você é muito bonita, sabia?Bem que o Zé falou...Essa vagabunda está é com uma baita inveja da sua formosura e juventude. De umavoltinha, filha. Deixa ver como você está bem servida de carnes. Sabe como é homemgosta é disso, principalmente no traseiro... É, acho que tá tudo certo. Pele boa, dentesbons, seios razoavelmente que da par encher uma taça, mas cabem numa mão, ancaslargas e... O principal é essa carinha de menina inocente. Sabe menina, os homens adoramuma carinha de anjo num corpo de mulher, eles pagam até mais, sabia? Você poderáganhar muito dinheiro aqui e estou pronta para lhe ajudar.Dizem que dá mais prazer. Se ainda for virgem então... Bem, não é o seu caso, mas nãofaz mal. Você vai me render um bom dinheiro. E se algum homem endinheirado gostar devocê até pode estar disposto a pagar pela exclusividade, ou seja, tu só irás pra cama comele e na hora que ele quiser e é claro tem que fazer tudo que ele exigir. Acho que eu vouter que te ensinar muita coisa a você... Mas quando chegar na hora “H” você se faz deingênua com os homens, isso deixa eles doido. Sabe, certa vez apareceu aqui um coronelque gostou tanto de uma menina que tinha o rosto todo pintadinho. Uma cara de sapeca 64

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