Fisioterapia em individuos queimados

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Fisioterapia em individuos queimados

  1. 1. 1 Abordagem fisioterapêutica e os cuidados específicos da pele no indivíduo queimado Cristiane Cardoso de Oliveira Andrade 1 crisjfisio@hotmail.com Soraya Leonidia de França Cunha2 Pós-graduação em Fisioterapia Dermato-Funcional – Faculdade ÁvilaResumoAs queimaduras são lesões traumáticas causadas por agentes térmicos, químicos, radioativosou elétricos. Este estudo teve como objetivo evidenciar a abordagem fisioterapêutica e oscuidados específicos da pele no indivíduo queimado. No desenvolvimento do trabalho emquestão, ainda serão abordados também a estrutura da pele, definição de queimadura, efisiopatologia da queimadura. A pesquisa é uma revisão bibliográfica, baseada nos livros,nas publicações e produções científicas em bancos de dados oficiais, como Biblioteca Virtualem Saúde (BVS), MEDLINE, SciELO. Essa revisão evidencia que na abordagemfisioterapêutica é realizada a avaliação sucessiva do paciente queimado para dirigir deforma específica a escolha das modalidades terapêuticas para o tratamento. Os principaisrecursos incluídos na abordagem são: a cinesioterapia, a massoterapia, a eletroterapia e atécnica de dessensibilização. A desidratação epidérmica da pele queimada deve ser corrigidacom o uso de cosméticos que associem propriedades emolientes e princípios ativos eficazescomo uréia, óleos (amêndoas doces, semente de uva). Além disso, para melhorar a estética dapele queimada, deve-se atentar para fotoproteção, hidratação, emoliência; aumento naelasticidade; redução de aderências. As metas e resultados da fisioterapia precisam sercuidadosamente individualizados e dependem do prognóstico do paciente e seu estadomédico atual.Palavras-chave: Pele, Queimaduras, Abordagem Fisioterapêutica.1. IntroduçãoAs queimaduras se tornaram um grande problema em relação à gravidade de suas lesões e asimportantes sequelas que marcam para sempre o paciente queimado.Atualmente, os recursospara a reabilitação do paciente queimado estão mais modernos,visando a prevenção desequelas e diminuição do tempo de internação. Buscando alcançar esse objetivo faz parte daequipe multidisciplinar, o profissional fisioterapeuta.Este estudo teve como objetivo evidenciar a abordagem fisioterapêutica e os cuidadosespecíficos da pele no indivíduo queimado. No desenvolvimento do trabalho em questão,ainda serão abordados também a estrutura da pele, definição de queimadura, fisiopatologia daqueimadura. E os cuidados da pele do paciente queimados, pois esses cuidados sãoimportantes para o resultado final funcional e estético que têm uma relação direta com areabilitação (DELISA, 1994).Silva e Castilhos (2010) salientaram que o corpo queimado tem sujeito e história, mas aindasofre uma injúria na sua interface com o mundo, no seu eu-pele o que gera implicaçõespsicológicas e posturais distintas de outras lesões. Para Gomes, Serra, Junior (2001), osconstantes avanços tecnológicos e da ciência médica reduziram expressivamente a morbidadee a mortalidade ocasionada pelas queimaduras e o processo de reabilitação também se1 Pós - graduação em Fisioterapia Dermato - Funcional.2 Fisioterapeuta Mestre em Clinica Médica pela Universidade Lusíada – Santos - SP.
  2. 2. 2modernizou, há pouco tempo, a fisioterapia só poderia começar sua abordagem terapêuticaapós a alta hospitalar. Atualmente, inicia sua intervenção na fase aguda da injúria térmica econtinua até quase dois anos após a alta hospitalar, ambulatorialmente. Esse fato nos levou ainiciar o estudo sobre a Abordagem fisioterapêutica e os cuidados específicos da pele noindivíduo queimado. Definiu-se como o problema da pesquisa o seguinte: Quais os principaisrecursos utilizados na abordagem fisioterapêutica e os cuidados específicos da pele noindivíduo queimado?2. Estrutura da pelePara Azulay e Azulay (2006), a pele do homem corresponde a 15% de seu peso corporal, éum órgão que reveste e delimita o organismo, protegendo-o e interagindo com o meioexterno. A pele apresenta alterações constantes,sendo dotada de grande capacidaderenovadora e de reparação, e de certo grau de impermeabilidade.A pele é uma cobertura impermeável resistente e flexível do corpo que se funde com asmembranas de revestimento. É considerada o maior órgão isolado do corpo e não somenteproporciona uma cobertura de superfícíe, mas também é um órgão sensitivo dotado de umainfinidade de terminações nervosas que fornecem sensbilidade ao tato e pressão, alterações detemperatura e estímulo dolorosos.No que diz respeito a sensibilidade geral, a pele é sua fonteprincipal (PALASTANGA, FIELD, SOAMES, 2000).Estruturalmente, segundo Silva (2010), a pele consistem em epiderme - camada mais externae que serve como proteção ao meio ambiente e é avascular; e a derme a camada mais internaonde se encontram vasos sanguíneos, glândulas sebáceas e nervos. Sob a derme, há também, otecido subcutâneo, formado por tecidos fibrosos, elásticos e gordurosos. A pele tem comoprincipais funções: revestimento de toda superfície corporal, proteção contra diversos tipos deagentes, regulação da temperatura corporal e sensibilidade.De modo geral, é conveniente considerar a epiderme como sendo dividida em várias camadasque são de dentro para fora, conhecidas como camada basal, camada espinhosa, camadagranulosa, camada lúcida e, finalmente, camada córnea. Já a derme é a malha entrelaçadamais profunda de colágeno e fibras elásticas e geralmente compreende a maior parte daespessura total da pele e pode ser dividida em uma camada papilar superficial de texturadelicada, a qual, embora claramente separada, interdigita-se com a epiderme, e uma grosseiraque se funde gradualmente com o tecido conjuntivo subcutâneo (PALASTANGA, FIELD,SOAMES, 2010).O conhecimento das intercorrências locais e sistêmicas produzidas pelas queimaduras mostraa grande importância da pele e consequentemente de suas funções protetoras do organismocontra agentes externos (GUIRRO E GUIRRO, 2002).Kede e Sabatovich (2004) explicam que o tegmento comum é uma complexa túnica quereveste toda a superfície do corpo e compreende a pele, seus anexos cutâneos e a telasubcutânea.A espessura da pele varia de 0,5 a 4mm; esta maior espessura é geralmenteencontrada na palma da mão e planta dos pés. A pele da criança é menos espessa que a doadulto.O tegumento, mesmo sem restringir a maleabilidade do corpo humano, constitui umabarreira eficiente contra agressões exógenas, de natureza química ou biológica e impede aperda de água e de proteínas para o exterior. A pele também age como órgão sensorial,participa do sistema imonológico e exerce outras funções, como a regulação da temperaturacorpórea, a produção da vitamina D, a excreção de eletrólitos e outras substâncias e confereuma proteção relativa contra insultos físicos. Embora a pele represente menos de 15% do peso
  3. 3. 3corporal, ela é considerada o maior órgão do humano, pois a sua extensão corresponde a umaárea de dois metros quadrados.3. QueimadurasUma queimadura é a lesão tecidual causada por excesso de calor, eletricidade, radioatividadeou por produtos químicos corrosivos que desnaturam as proteínas das células da pele. Asqueimaduras extingui algumas das importantes contribuição da pele para a homeostase – aproteção contra a invasão microbiana e a desidratação, bem como a regulação da temperaturacorporal (TORTORA, 2006).Conforme relata Silva e Neta (2010), as queimaduras são lesões frequentes em nosso meio.Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostra que dos 1.040 atendimentos deemergência por queimaduras, a maioria, 285 (27,4%), foi em crianças de zero a nove anos, e,dentro dessa faixa-etária, 91,6% (261 crianças) das queimaduras ocorreram dentro daresidência das vítimas.Ainda segundo a base do autor acima, entre as principais causas de queimaduras em criançasestão as provocadas por contato com substâncias quentes (líquidos, alimentos ou águaquente), responsáveis por 168 (58,9%) ocorrências. Em seguida, as queimaduras causadas porfogo ou chama (16,8%) e objetos quentes (13,7%). Apesar de ser a quarta causa deatendimentos a crianças de zero a nove anos nas unidades de urgência e emergência doSistema Único de Saúde (SUS), o dado é relevante, devido ao alto índice de crianças que sequeimam, e dos cuidados que se deve ter em razão da gravidade das sequelas deixadas na vidadelas.Borges (2006) conceitua queimadura como um trauma de origem térmica capaz de causarlesões diversas nos tecidos orgânicos. Essas lesões seguem desde hiperemia restrita à áreaqueimada, alterações celulares e imunológicas, envolvimento das vias aéreas e ocorrências detraumatismo associados, podendo evoluir até o óbito.Para Ferreira et al. (2003), a lesão provocada pela queimadura pode ser descrita com base nasua profundidade, sendo classificada como de primeiro grau, quando é comprometida apenasa epiderme, apresentando eritema e dor; de segundo grau, quando atinge a epiderme e parte daderme, provocando a formação de flictenas; e de terceiro grau, quando envolve todas asestruturas da pele, apresentando-se esbranquiçada ou negra, pouco dolorosa e seca. Naescolha do tratamento, deve-se considerar não só a profundidade da lesão, mas também a suafase evolutiva.4. Fisiopatologia da queimaduraA destruição tecidual resulta da coagulação, desnaturação da proteína ou ionização doconteúdo celular. A ruptura da pele pode levar a complicações como perda aumentada delíquidos, infecção, hipotermia, cicatrização, imunidade comprometida e alterações na função,aparência e imagem corpórea, edema, hipovolemia, problemas respiratórios e dor, entre outrascomplicações (SILVA E CASTILHOS, 2010).Tortora (2006) afirma que não haverá regeneração de uma nova pele, se um dano destruir acamada basal e suas células-tronco.Os ferimentos tegumentares dessa magnitude requeremtransplante de pele para cicatrizarem.Um transplante de pele envolve cobertura do ferimentocom um retalho de pele saudável extraída de um sítio doador.
  4. 4. 4Fato importante segundo Toledo (2003) é que na fisiopatologia das queimaduras se considerao aumento da permeabilidade capilar e o edema com as ocorrências maiores e fundamentais.Imediatamente após a queimadura, ocorre interrupção do fluxo sanguíneo provocando umaexposição do colágeno e liberação de histamina pelos mastócitos. A histamina provoca umaumento da permeabilidade capilar permitindo extravazamento de plasma para o espaçoinstersticial, provocando importante edema tecidual e significativa hipovolemia.Este aumentoda permeabilidade capilar é passageiro, durando em média de 18 a 24 horas e tem início logoapós o trauma e seu pico máximo ocorre após 8 horas, regredindo progressivamente.Outro fato a ser considerado, ainda segundo o autor supracitado é o aumento dapermeabilidade capilar decorrente da queimadura e permite a passagem, através dos porosmuito aumentados das soluções cristalóides e das soluções colóides.Consequentemente, háimportante edema dos tecidos afetados e a passagem dos colóides acarreta um aumento dapressão osmótica destes tecidos, agravando a retenção hídrica. A ativação do sistematromboxame-plasmina-trombina provoca depósito nas paredes capilares, determinandoaumento da pressão hidrostática capilar, coadjuvando a formação do edema. O início damigração celular nas bordas da ferida dá-se nas 24 horas. O calor excessivo provocaalterações como a competência imunológica deprimida, hipovolemia aguda por perda delíquidos para o compartimento extravascular , o subsequente choque por queimadura,hiperventilação causando alteração pulmonar e acentuado consumo de O2.A lesão provocada por trauma térmico promove alterações em diversos órgãos, sendo a pelesempre acometida em diversos graus. O mecanismo de cura das lesões térmicas se inicia nafase inflamatória como a eliminação dos tecidos desvitalizados, devido à lise enzimática efagocitose desse tecido. À medida que o processo inflamatório se intensifica, aumenta aclivagem entre os tecidos vivos e necróticos, o processo de regeneração vascular e conjuntivose inicia, dando formação ao tecido de granulação que preenche o vazio resultante do tecidoeliminado. O processo de reparo cutâneo dependerá de vários fatores, como a profundidade elocalização da lesão, dentre outros. A cura de uma lesão térmica se processa em quatro fasesprincipais: eliminação dos tecidos desvitalizados; regeneração do tecido vascular econjuntivo; epitelização e retração (GUIRRO E GUIRRO, 2002).Conforme afirmam Júnior e Serra (2006), a queimadura é uma lesão cuja evolução cicatricialse faz de forma rápida com grande potencial de sequela, assim o principal objetivo dafisioterapia é tratar essas sequelas antes de sua instalação, fixação e transformação emretrações.A cicatrização e regeneração da pele em queimaduras de espessura parcial ocorrem a partirdos revestimentos epiteliais incluindo os folículos pilosos e glândulas sudoríparas.Dependendo da profundidade, a cicatrização se completa de 14 a 21 dias (DELISA, 2002).Os principais tipos de cicatrização no indivíduo queimado são cordões fibrosos, bridas eplacas cicatriciais. A brida se distingui por formar uma dobra ou plicatura em sua extensão epela alta resistência tênsil. Os cordões fibrosos, as bridas e as placas cicatriciais resultam dasconstantes remodelações do tecido de granulação, incitadas pela lise e síntese do colágeno,fibroblastos e substâncias enzimáticas do local. Esse fenômeno, próprio das queimadurasprofundas, é denominado cicatrização anárquica, pela forma com que as camadas celulares sedispõem, desordenadamente, e tendendo a aproximação dos segmentos corporais (BORGES,2006).5. Abordagem fisioterapêutica
  5. 5. 5Abordagem fisioterapêutica envolve terapias locais e sistêmicas para prevenir e/ou tratar assequelas locais(GUIRRO E GUIRRO, 2002).O tratamento fisioterapêutico deve ser iniciado precocemente após o acidente, com rarasexceções. O principal objetivo da intervenção fisioterapêutica em pacientes queimados éprevenir a perda de movimento, minimizar e evitar as deformidades anatômicas, diminuir aperda de massa corporal. O papel do fisioterapeuta envolve, também, a elaboração de umprograma de tratamento adequado a cada tipo de paciente, as atividades devem ser planejadase com assistência diária, avaliando as condutas diariamente de acordo com a evolução dopaciente, visto que as necessidades de reabilitação se modificam com frequência (ROCHA,2010).A fase de reabilitação começa ainda na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Corresponde àreabilitação física, como a dieta hiperproteica para melhorar a cicatrização e o posicionamentodos membros inferiores estendidos, evitando-se cicatrizes hipertróficas e contraturasarticulares. Outra questão é o suporte emocional, já que a queimadura gera alterações na auto-imagem, além de sentimentos como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático (SILVA ECASTILHOS, 2010).O`Sullivan e Schimitz (2004) relataram que as metas previstas e resultados esperados sãobaseadas na avaliação, na extensão e na profundidade da queimadura, no estado de saúdeatual, na idade e nas condições físicas e mental do paciente, o prognóstico pode ser estimadopela equipe de queimados.Para Gomes; Serra; Junior (2001), o processo de reabilitação compreende várias etapas onde ameta é o restabelecimento funcional e social do paciente. Durante este processo derecuperação, a Fisioterapia utiliza-se de vários métodos e técnicas terapêuticas, sendo asprincipais condutas: a cinesioterapia, que faz uso do movimento e de exercícios terapêuticos,e a massoterapia, que utiliza como recurso terapêutico as técnicas de massagens.As metas e resultados da fisioterapia precisam ser cuidadosamente individualizados edependem do prognóstico do paciente e seu estado médico atual e são: favorecer acicatrização da ferida e dos tecidos moles; reduzir o risco de infecção e complicações; reduziro risco de comprometimentos secundários; obter a amplitude de movimento máxima;restaurar o nível pré-lesão de resistência carviovascular; obter força boa a normal; obterdeambulação independete; aumentar a função independente; minimizar a formação decicatrizes; aumentar a compreensão do paciente, da família e dos cuidadores acerca daperspectiva, metas e resultados; aumentar a capacidade aeróbia; melhorar a capacidade dopaciente e cuidar de seus sintomas.O resultado ideal da reabilitação é o retorno do paciente àfunção e ao estilo de vida anteriores à lesão (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).O tratamento envolve uma equipe multiprofissional. A conduta inicial a qualquer intervençãodeve ser conduzida por uma anamnese efetiva cuja finalidade é direcionar as condutas aserem realizadas, visando resultados eficientes(GUIRRO E GUIRRO, 2002).Borges (2006) diz que é importante que tenhamos conhecimento das informações contidas nahistória clínica do paciente queimado, pois dela dependem um bom tratamentofisioterapêutico. Algumas das informações que podem ser obtidas através da anamnese destetipo de paciente são: agente causal, tipo de acidente, data e hora do acidente, data e hora dainternação e da alta; assinalar sim ou não quanto a inalação de fumaça, gases e traumatismosassociados; cálculo do percentual de superfícies corporal queimada e profundidade; pesquisarintervenções cirúrgicas; se faz uso de malha compressiva, qual tipo, data de início, número dehora/dia de uso e intercorrências; presença de mudanças de rotina e/ou comportamento comoindícios da necessidade de abordagem terapêutica e/ou psiquiátrica.
  6. 6. 6De acordo com Guirro e Guirro (2002), alguns itens fazem parte da avaliação física dopaciente queimado: avaliação respiratória; avaliação articular e funcional; avaliação postural;avaliação das parestesias; avaliação do tônus e força muscular; avaliação das feridas nãocicatrizadas; avaliação do tipo de enxerto; avaliação das cicatrizes;verificar intercorrênciascomo prurido, dor, câimbras e formigamentos.Diante dos sinais e sintomas clínicos da primeira fase após a queimadura, devem-se definir asmetas e os recursos para a intervenção no processo de reparação. Se houve cirurgia, ofisioterapeuta deve atuar com cautela. Dentre alguns cuidados, destacam-se: evitar manobrasde massagem clássica ou drenagem com movimentos de deslizamentos durante o período depelo menos 20 dias (esse período pode variar de acordo com as características da cicatriz);restringir o uso de radiação ultravioleta, pelo perigo de hiperpigmentação; projetar órteses eplanejar posicionamento dos segmentos acometidos visando a prevenção de contraturassecundárias; proporcionar um programa de exercícios para prevenir complicações comoflebite, pneumonia e contraturas; orientar o paciente sobre a aparência dos enxertos (violáceono início e róseo posteriormente); posicionamento correto dos segmentos; mudanças nosdiferentes decúbitos a cada duas horas; membro queimado deve ser elevado com a finalidadede melhorar o retorno venosos e linfático, prevenindo a formação de edemas (GUIRRO EGUIRRO, 2002).Para DeLisa (2002), no período de assistência aguda, a prevenção de contratura através doposicionamento apropriado é fundamental para o programa geral. O paciente queimado demodo óbvio se acha muito desconfortável e busca alívio movendo os membros e o tronco parauma posição relaxada de modo a remover o estiramento do tecido queimado. Para isso, eleprimariamente flexiona e faz adução dos membros em uma posição de conforto.Segundo Borges (2006), a fisioterapia articular, funcional e postural envolve exercíciospassivos que auxiliam no retorno venosos e linfático, preservação ou recuperação daintegridade articular, prevenindo a rigidez articular e o encurtamento de tecidos moles,impedindo aderências e dificultando a atração tecidual: exercícios ativos assistidos; exercíciosativos: o paciente é estimulado a executar sozinho os movimentos, vencendo a força dagravidade; exercícios resistidos que atuam no sentido de recuperar e/ou aumentar a força e ovolume muscular, a resistência deve ser progressiva: exercícios isométrico cuja finalidade émanter massa muscular nesse paciente e é utilizada em regiões enxertadas do 5º ao 8º dia depós-cirúrgico; estiramento: técnica utilizada para alongamento de fibras musculares eestruturas tendinosas com base em fixação do segmento, colaboração do paciente e utilizaçãode padrões funcionais de movimentos: exercícios de equilíbrio, coordenação e propriocepção;exercícios para correção postural.Embora a atividade física possa ser dolorosa para o queimado, o início do exercício deve serprecoce, pois além da importância da manutenção da amplitude articular, auxilia na sua auto-estima. A deambulação deve ser iniciada assim que possível. A massagem prévia comsubstâncias lubrificantes (parafina ou glicerina) que promovam um aumento da mobilidadetecidual pode facilitar a execução dos exercícios, que inicialmente são passivos, passando aativo assistido e finalmente com resistência progressiva. As órteses para queimadosusualmente visam aplicações estáticas como na prevenção de contraturas, manutenção dosganhos obtidos pela cinesioterapia e conservação do segmento em repouso após enxertia(GUIRRO E GUIRRO, 2002).Durante a convalescência, um alongamento delicado e constante é mais eficaz do quemovimento múltiplos para alongar o tecido queimado. Antes que o terapeuta inicie umprograma de exercícios, a região a receber o tratamento necessita ser vista após a limpeza:
  7. 7. 7caso contrário uma lesão não identificada afetando estruturas poderia ser agravada peloprograma de exercícios (DELISA, 2002).Ainda o autor supracitado afirma que existe certa modalidade comumente usada na clínica dareabilitação que têm se mostrado úteis no tratamento de complicações específicas dequeimaduras.Conforme Borges (2006) a massagem tem papel fundamental na reabilitação do pacientequeimado. Embora controversa, pode ser utilizada em regiões cicatrizadas, enxertadas ouáreas doadoras, desde que observado o tipo de cicatriz. Ela tem a finalidade de melhorar aaparência do plano cicatricial e liberar aderências, tornando-o mais elástico e uniforme. Porvezes é utilizado corticóide tópico para inibir a hipertrofias segundo prescrição médica, juntocom manobras de pressão, deslizamento e técnicas de liberação miofascial. A existência debridas contra-indica o uso destas técnicas, devendo ser corrigidas pelo cirurgião plástico.As modalidades de massagem utilizadas mais indicadas são: massagem clássica – melhora acirculação e facilita a penetração de agentes lubrificantes; drenagem linfática –atenua edemase linfedemas, principais problemas apontados por ocasião da lesão térmica e / ou nas cirurgiasreparadoras; massagem transversa profunda- rompe as aderências, possibilitando um aumentona maleabilidade tecidual; massagem reflexa-especificamente as manobras propostas porFélix Wetterwald que têm como objetivo principal a liberação de aderências, aumento dacirculação e analgesia; a utilização de curativos de silicone gel pode complementar os efeitosproduzidos pela massagem, produzindo uma melhora no aspecto das cicatrizes hipertróficas equeloideanas; a vacuoterapia também pode completar a massoterapia, pois apresenta umaação desfibrosante de grande interesse em cicatrizes aderentes, promovendo seuremodelamento (GUIRRO E GUIRRO, 2002).Acredita-se que a massagem transversa descola o tecido cicatricial, mobilizando o tecidocutâneo do tecido subjacente e agindo para quebrar as aderências. Quando a massagem éusada junto a exercícios, a cicatriz imatura pode ser alongada com mais facilidade e acontratura pode ser corrigida. Embora nenhum estudo tenha validado seu uso em pacientescom lesões por queimaduras, a longo prazo a maleabilidade e a textura da pele parecemmelhorar com o uso da massagem. Cicatrizes firmes rotineiramente massageadas tendem aamolecer. As beiras ou costuras dos enxertos ou qualquer área que esteja elevada e rígidapodem se beneficiar da massagem. As cicatrizes devem ser massageadas de maneira lenta efirme, por 5 a 10 minutos, 3 a 6 vezes por dia (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).DeLisa (2002), afirma que a massagem das feridas cicatrizadas pode melhorar a lubrificaçãoda pele, diminuir a sensibilidade aumentar a maleabilidade da pele.Outro ponto importante é que a remodelagem da cicatriz é possível enquanto esta se achapassando por mudanças internas ativas, como degradação e deposição de colágeno e atividademio-fibroblásticas. Assim que a cicatiz da queimadura amadurece, o alongamento dacontratura da pele traz menos benefícios. Em relação a eletroterapia, na estimulação elétricase usa uma corrente alternada,pois é útil para tratar aderências de tendões ao tecido cicatricialsubjacente.A corrente alternada bipolar, pulsada ou oscilante, ajudar a reduzir o edema eaumentar a amplitude de movimento (DELISA, 2002).A eletroestimulação tem se mostrado eficaz para a regeneração tecidual. Em estudocomparativo, a microcorrente e o laser (AsGa) se mostraram recursos extremamente eficazespara a cura de feridas, podendo, portanto serem utilizados para a regeneração tecidual dasferidas causadas pelas queimaduras de primeiro grau. Segundo alguns autores, aeletroestimulação em alta voltagem também pode ser utilizada em processos cicatriciais,inclusive de queimaduras superficiais (BORGES, 2006).
  8. 8. 8Guirro e Guirro (2002), afirma que na corrente excitomotoras, a ativação elétrica do sistemaneuromuscular produz efeitos terapêuticos, sendo bastante utilizada na recuperação da funçãomotora perdida ou diminuída. A estimulação elétrica possibilidade um aumento na atividademuscular, por influenciar as propriedades morfológicas, fisiológicas e bioquímicas,as quaisresultam no aumento de força em indivíduos e são importante para recuperação de músculoshipotrofiados pelo desuso.Para DeLisa (2002) o estimulador elétrico transcutâneo é útil para o tratamento de váriosproblemas de dor, particularmente aqueles que envolvem o ombro devido ao posicionamentoprolongado ou defeituoso. Sobre a estimulação elétrica transcutânea (TENS), Guirro e Guirro(2002), propõe a aplicação da TENS durante 20 a 30 minutos,com o objetivo de diminuir ador e a tensão dos pacientes com programação de trocas de curativos.A radiação laser, pode ser utilizada em queimaduras superficiais ou de lesão restrita a derme,principalmente os laser HeNe (638,8nm) e o InGaIP(670nm), pois apresentam alto poderregenerativo e podem ser usados em feridas abertas sem que haja contato da caneta laser e otecido em regeneração (BORGES, 2006).Para Andrade e Albuquerque (2010), os primeiros trabalhos com laser de baixa intensidadeforam conduzidos pelo professor Mester, que observou que o laser é capaz de modularprocessos biológicos, em particular, estimular processo de regeneração tecidual.Mello et al. apud Andrade e Albuquerque (2010) confirmam os efeitos positivos da irradiaçãocom o laser terapêutico, observando que as queimaduras do seu grupo experimental tratadaspelo método varredura estavam cicatrizadas ao 14° dia, enquanto que as do grupoexperimental tratadas pelo método pontual e as do grupo controle não estavam cicatrizadas.O ultra-som pode ser utilizado na fase ambulatorial, na dosagem de 1 a 2W/cm2, modocontínuo, objetivando efeito lítico, atuando na modelagem das fibras colágenas subjacentes àlesão cicatricial e possui alto poder de regeneração (BORGES, 2006).Na prática clínica, em pacientes vítimas de queimaduras, a aplicação de ultra-somnormalmente é feita após epitelização completa da lesão com o objetivo de adquirir oufavorecer um realinhamento do colágeno. Se for usado o ultra-som continuamente emdosagens de 1 a 2w/cm2, e diretamente sobre a cicatriz durante seis a oito minutos, talprocesso poderá facilitar aumentos na amplitude de movimentos e poderá reduzir a dorassociada à cicatriz. O ultra-som trabalha mais efetivamente se for usado nas cicatrizes commenos de um ano de idade (JÚNIOR E SERRA, 2006).6. Cuidados específicos relacionados à pele do indivíduo queimadoA pele queimada apresenta uma gama enorme de alterações, desde comprometimentossuperficiais até os profundos. Quando a camada epidérmica é destruída, nos casos dequeimaduras de 1º grau, a regeneração formará um epitélio idêntico à pele normal, porém,atéa formação de toda as camadas da epiderme e do estrato córneo, esta pele se apresentaráressecada, com perda transdérmica de água elevada e manto lipídico insuficiente.Queimaduras mais profundas formarão um tecido morfologicamente e funcionalmentediferente da pele não-queimada. E apresentará alterações na perda transepidérmica de água,conteúdo sebáceo e propriedades físicas da pele (JÚNIOR E SERRA, 2006).A descamação da pele, a desidratação epidérmica deve ser corrigida com o uso de cosméticosque associem propriedades emolientes a princípios ativos eficazes como uréia, óleos (amêndoas doces, semente de uva) em proporções de 2 a 10%, segundo alterações observadas(BORGES, 2006).
  9. 9. 9Os princípios de terapia tópica estética em pacientes com sequelas de queimaduras tende acresce. A seguir, podemos verificar os fundamentos deste tipo de procedimento que visa àmelhora estética da pele queimada: fotoproteção, redução nos processoscicatriciais/queloidianos; esfoliação; hidratação/emoliência; aumento na elasticidade; reduçãode aderências; melhor textura cutânea. Além disso, deve-se higienizar e tonificar a peleutilizando produtos que preparam a pele para a aplicação dos princípios ativos, remoção decélulas mortas, oleosidade, maquiagem, leve esfoliação para regulagem do pH (JÚNIOR ESERRA, 2006).Os cuidados apropriados com a pele requerem a especificação do tipo de sabonete e cremeque o paciente usará. Em geral,o sabonete deve ser suave, sem perfumes ou outros irritantes.Um sabonete hidratante poderá se usado depois que todas as áreas abertas tiveremcicatrizadas. Os cremes hidratantes devem ser aplicados 2 a 3 vezes ao dia e não devem conterperfumes ou uma quantidade significativa de álcool. Os pacientes devem ser instruídos aespalhar o creme completamente na pele para evitar o acúmulo na superfície. Caso o pacientese exponha ao sol, um protetor solar fator 15 no mínimo deverá ser usado e reaplicado comfrequência (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).Pode-se encontrar várias loções que não são irritantes, como hidratantes de aloevera,unguento de vitamina E, manteiga de cacau e hidratantes cosméticos tipo base facial (DELISA, 2002).A fotoproteção é indispensável, sendo seu objetivo primordial: minimizar a ocorrência deinteração/efeito pele e radiação ultravioleta, pigmentante direta ouindireta,eritemática,inflamatória,imunossupressora,alterações microcirculatórias e degeraçõesoxidativas, sobretudo de membrana celular com comprometimento dérmico acentuado,carcinogêncio e relacionados ao fotoenvelhecimento (JÚNIOR E SERRA, 2006).Os pacientes devem ser alertados para evitar o sol o máximo possível e usar chapéus ouroupas para ajudar a proteger sua pele contra os raios solares.Áreas abertas pequenas esuperficiais podem incomodar o paciente por muitos meses depois do fechamento da feridapor causa da sua fragilidade após a cicatrização. O paciente deve se instruído a lavar essasáreas duas vezes ao dia, aplicar uma pequena quantidade de pomada antibiótica e cobrir aárea com curativo antiaderente. Deve-se prevenir irritação ou maceração adicional evitandoforças de cisalhamento, ajuste impróprio das roupas, limpar de forma brusca, ficar tempodemais dentro da água ou aplicar creme em excesso. O prurido pode se intensificar enquantoas feridas cicatrizam. O paciente deve ser instruído a dar pequenos tapinhas na área irritada,ao invés de coçá-la. A aplicação de creme pode ajudar a diminuir o prurido; contudo, algunspacientes talvez precisem de um medicamento via oral para ajudar a controlar esse problemaprescrito pelo médico (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).6.1 Problemas após cicatrização no paciente queimadoDiversos problemas adicionais podem ocorrer após a cicatrização, tais como rachadura napele, bolhas, ulceração e reações alérgicas. A pele recém-formada é especialmente frágil, emesmo o trauma mais leve, como o que poderia ocorrer com exercícios de alongamento,pressão das talas e roupas podem causar abrasões e bolhas.As principais sequelas desenvolvidas durante o período hospitalar são as cicatrizeshipertróficas, queloides, rigidez articular, contraturas de tecidos moles e/ou articulares. Acicatrização hipertrófica é a resposta exagerada do tecido de granulação, conduzindo àreparação tecidual alterada com deposição colagenosa exacerbada. Forma-se a partir daí umfeixe colagenoso rígido e avermelhado de tecido conjuntivo que cresce sobre a superfície de
  10. 10. 10uma lesão por queimadura. A contratura é observada após queimaduras graves, podendolimitar a amplitude dos movimentos das articulações envolvidas. Isso se deve à tendência docolágeno de se contrair e de reter seu menor comprimento possível ( ALBUQUERQUE ESILVA, 2010).No início a cicatriz hipertrófica é prontamente influenciada pelas força compressivas e,portanto respondem a terapia empregando compressão. Quanto mais cedo o tecido cicatricialé exposto a pressão, melhor o resultado. Em geral,se a cicatriz tem menos de 6 meses, elaresponderá à terapia compressiva se adequando à pressão, permanecendo plana e nasuperfície e não desenvolvendo uma cicatriz hipertrófica. Contudo, se a cicatriz ainda estiverativa ou mostrar sinais de vascularização (cor vermelha), a terapia compressiva poderá tersucesso mesmo se a cicatriz já tiver 1 ano de idade. Em geral, quando as feridas de umpaciente cicatrizam em menos de 10 a 14 dias, uma indicação de queimadura superficial deespessura parcial, a pressão talvez não seja necessária. Quanto a cicatrização leva mais de 10a 14 dias (como em queimaduras profunda de espessura parcial) ou quando é feito enxerto depele, a pressão em geral é indicada (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).A pele queimada, tratando-se de injúrias de 2º e 3º graus requer observação continuada paraque complicações como cicatrização hipertrófica e limitações funcionais sejam avaliadasconjuntamente com o cirurgião plástico tão logo se manifestem. A hipersensibilidade é queixafrequente e está relacionada aos processos aos quais esses pacientes foram submetidos comoos desbridamentos, as enxertias, os banhos e curativos diários com retirada dos tecidosdesvitalizados e a fisioterapia contínua, associada ao uso de malha que comprimem o tecidocausa sensações associadas ao desconforto, tipo câimbras, formigamento, prurido e mesmodor. Abordagem fisioterapêutica envolve técnicas de dessensibilização com texturas variadas.Hiposensibilidade é usual em sítios enxertados por um período entre seis a dezoito meses. Ograu de diminuição das sensações pode oscilar, sendo que as bordas têm sua sensibilidaderestaurada antes do epicentro. Esse fenômeno pode ser minimizado com técnicas desensibilização por contato de superfícies térmicas e texturas variadas. Os fatos como aaderências cicatriciais ou dos planos enxertados são corrigidos com a combinação de técnicasde massoterapia, como deslizamento e liberação miofascial e também com exercícios deestiramento para alongamento (BORGES, 2006).O exercício é essencial durante a cicatrização de lesões por dois motivos: primeiro pelo fatode estimular a circulação e, portanto, aumentar o fornecimento de oxigênio. Segundo, oexercício promove tensão no tecido, direcionando assim a reestruturação do colágeno. Apesardos benefícios, o exercício deve ser controlado, com atenção especial, sendo seu excessoprejudicial à cicatrização. A tensão excessiva no tecido neoformado pode promover orompimento das novas fibras até mesmo sua proliferação em excesso (GUIRRO E GUIRRO,2002).Para Urk, Oliveira, Gragnani (2010), o tratamento cirúrgico da queimadura incluidesbridamentos e cobertura cutânea por autoenxertia de pele parcial das áreas queimadas desegundo grau profundo e terceiro grau. O desbridamento precoce aparentemente reduz a taxade mortalidade em pacientes sem lesão inalatória .Depois do fechamento da ferida, o enxerto de pele ou a ferida cicatrizada é avascular, plano emacio. Durante os 3 a 6 meses seguintes, podem ocorrer mudanças notáveis. As áreas recém-cicatrizadas podem tonar-se elevadas e endurecidas. A pressão tem sido usada com sucessopara acelerar a maturação da cicatriz e minimizar a formação de cicatriz hipertrófica.Contudo,nenhum estudo valida o mecanismo pelo qual a pressão altera o tecido cicatricial. A pressãopode exercer controle sobre a formação de cicatriz hipertrófica por (1) afinamento da derme,(2) alteração da estrutura bioquímica do tecido cicatricial, (3) diminuição do fluxo sanguíneo
  11. 11. 11para a área, (4) reorganização dos feixes de colágeno para a área, (5) diminuição do conteúdode água no tecido. Curativo com pressão constante ou peças de vestuários que exercempressão acima de 25mmHg diminuirão a vascularização, a quantidade demuscopolissacarideos e a deposição de colágeno, além de amenizar de forma significativa oedema localizado (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).6.2 Vestes compressivas e placa de silicone gelPodem ser usadas faixas elásticas para prover suporte vascular ao enxertos de pele e aos sítiosdoadores, assim como controlar o edema e a formação de cicatrizes. As faixas elásticas devemser usadas até que a pele do paciente ou as cicatrizes possam tolerar as forças de cisalhamentoda aplicação de malhar compressivas e as áreas abertas sejam mínimas. As faixas elásticas sãoaplicadas em padrão de “8” sobre os membros inferiores. Uma faixa espiral pode ser usadanos membros superiores e uma faixa circular, no tronco. Uma bandagem elástica autoaderentepode ser usada para as mãos e os dedos do pé. Essa bandagem adere apenas nela mesma epode ser usadas sobre o curativo antes das feridas terem cicatrizado e ajuda a minimizar oedema e a controlar a formação de cicatrizes, podendo ser usada antes da aplicação de umaluva (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).As vestes compressivas são parte do tratamento ambulatorial das queimaduras profundas de2º e 3º graus, têm por finalidades exercer pressão contínua sobre as áreas cicatrizadas eenxertadas, de forma a manter o tecido cicatricial elástico e homogêneo, prevenindo ahipertrofia cicatricial (BORGES, 2006).Várias empresas fabricam malhas compressivas. Algumas estão disponíveis em pronta entregae vêm diversos tamanhos que servem para a maioria do pacientes; outras são feitas sobmedida para cada paciente. Para as malhas sob medida, o fisioterapeuta usa uma fita métricapara determinar a circunferência do membro a cada 38mm de extensão para que cada malhafique justa no membro e com a pressão apropriada. É feita a medição para a fabricação dasmalhas quando o paciente tem apenas poucas áreas abertas remanecescentes.Elas são bemapertadas e difíceis de colocar, mas a pressão é necessária para prevenir a formação decicatrizes hipertróficas. Podem ser encomendadas malhas para qualquer parte do corpo, oupara todas elas, incluindo a face e a cabeça,e podem se encontradas em muitos estilos,opçõese cores. As malhas podem ser vestidas quando a pele ou cicatriz puderem tolerar a força decisalhamento da aplicação. Uma meia-calça pode ser usada sob malhas compressivas na alturada cintura para ajudar na colocação (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).A atuação do fisioterapeuta deverá se direcionar para prescrever, quando necessário o tipo emodelo de vestes compressivas, checar tamanho, modelo, ajustamentos e compressão; vestirjunto com o paciente ou acompanhante, orientando quanto à melhor maneira de fazê-lo;orientar e observar o aspecto da higiene do cliente e da malha, orientar quanto à necessidadede uso contínuo, observar ganhos ou estabilização da área cicatricial, prescrever placas desilicone, observar estabilização dos ganhos, planejar alta do uso da veste compressiva juntocom o cirurgião plástico (BORGES,2006).As malhas em geral são usadas 23 horas por dia (removidas para o banho) por até 12 a 18meses para assistir no remodelamento da cicatriz. Essas peças podem se lavadas diariamente afim de impedir o acúmulo de suor e cremes hidratantes que podem levar a maceração dacicatriz. Em geral, o paciente recebe dois conjuntos de malhas, um para usar enquanto o outroestá sendo lavado após o uso. Em superfícies côncavas, como o esterno e as axilas, a pressãoadequada pode ser difícil de produzir com faixas elásticas ou malhas compressivas, podendose necessário o uso de um calço. Os calços podem ser feitos de muitos materiais incluindo
  12. 12. 12espuma, elastômero de silicone, massa de elastômero e bolsas de gel. Esses itens precisam seremovidos e limpos regularmente para prevenir a maceração do tecido subjacente. Aaplicação precoce e consistente de pressão resulta em cicatrizes planas, maleáveis,dessensibilizadas e protegidas, produzindo alívio do prurido. A pressão necessária até amaturação da cicatriz, quando apresenta uma aparência pálida, plana e macia (O`SULLIVANE SCHIMITZ, 2004).O silicone utilizado para o tratamento das cicatrizes de queimaduras se apresenta como gelsólido e constitui produto não-medicamentoso, atóxico, hipoalérgico e lavável. Dispostos emplacas, puras ou revestidas com tecido, recortáveis para melhor adaptção. Tem-se visto que ocontato do gel sólido com a pele lesada (após cicatrização) prevenir a formação fibrótica eacelera a reabsorção das cicatrizes hipertróficas quando conciliado ao tratamento pressórico,sob malha compressiva. O tempo de uso recomendado é de seis a oito horas por dia, podendochegar a 12 horas por dia. Alguns cuidados específicos devem ser tomados, tais como nãoperfurar o silicone, lavá-lo com água corrente e sabão neutro, e polvilhar talco despois deseco.O ideal é começar o tratamento com um plano de horas de uso progressivo para evitarreações cutâneas como dermatite de contato ( JÚNIOR E SERRA, 2006).6.3 Maquiagem para camuflagemPara cicatrizes de face, pescoço e mãos pode ser usada maquiagem de camuflagem. Esse tipode maquiagem pode ser útil quando uma pessoa tem hiperpigmentação ou hipopigmentaçãoda pele decorrente da lesão por queimaduras. Além disso, a maquiagem pode ser usada antesda maturação da cicatriz,quando ela ainda está vermelha e o paciente deseja sair em públicosem as malhas ou dispositivos compressivos por curtos períodos de tempo. Os cosméticossão opacos, corrigem a cor das cicatrizes e estão disponíveis em múltiplas tonalidades paraacomodar várias cores de pele. São também à prova d’água e podem se usados durante todasas atividades. Esses produtos podem ser comprados em lojas de departamento ou em lojas quevendem artigos para teatro (O`SULLIVAN E SCHIMITZ, 2004).6.4 Produtos naturais no tratamento de queimadurasSegundo Ferreira et al. (2003) no tratamento de queimaduras, utiliza-se o mel e a papaína.Omel promove a cicatrização. As substâncias contendo açúcar, como mel e derivados da cana-de-açúcar, vêm sendo usadas há vários anos no tratamento de lesões de pele com excelentesresultados clínicos. Considera-se que propicia os seguintes efeitos: rápida diminuição dacongestão passiva e do edema locais, estímulo da epitelização e granulação tissular e açãoantibacteriana. O mel inibe o crescimento de cepas gram-negativas e gram-positivas, devidoao baixo pH, e promove uma barreira viscosa que impede a invasão de microorganismos, bemcomo a perda de fluidos das lesões. Também, contém enzimas como a catalase, que auxilia noprocesso de cicatrização. Promove efeito osmótico suficiente para inibir o crescimentomicrobiano e, quando diluído, produz peróxido de hidrogênio, que é um agenteantimicrobiano.Outro agente tópico utilizado é a papaína, que é um complexo de enzimas proteolíticas,retirado do látex do mamão papaia (Carica papaya), cujo sítio ativo é portador de um radicalsulfidrila (SH), tornando-se difícil sua associação com outro recurso terapêutico, visto que elasofre oxidação pela substituição do enxofre, por derivados de ferro, oxigênio e iodo. Seumecanismo de ação ocorre através da dissociação das moléculas de proteína, resultando emdesbridamento químico, por ser uma enzima de fácil deterioração, deve ser sempre mantidaem lugar fresco, seco, ventilado e protegido da luz. O carvão ativado, outro agente muito
  13. 13. 13utilizado em feridas infectadas, tem a ação de absorver o exsudato da lesão e diminuir seuodor fétido (FERREIRA et al. 2003).7. Acompanhamento do paciente queimadoAntes que o paciente receba alta hospitalar o fisioterapeuta deve fornecer informações sobreum programa de exercícios domiciliares (PED), uso de órteses e programa de posicionamento,assim como os cuidados com a pele. O PED deve continuar salientando exercícios frequentesde amplitude de movimento em combinação com massagem. Além disso, os pacientes devemser encorajados a fazer as atividades de vida diária do modo mais independente possível(O`SULLIVAN E SCHIMITZ,2004).Ainda segundo o autor citado acima, o fisioterapeuta pode filmar o programa de exercíciosdo paciente para que ele, sua família e o terapeuta que fará o atendimento ambulatorial vejamo padrão atual de amplitude de movimento e os movimentos usados em cada exercício.Umvídeo facilita a educação das pessoas envolvidas no programa de reabilitação do paciente eajuda a assegurar um tratamento coerente após a alta. O esquema de uso de órteses e oprograma de compressão no hospital um pouco antes da alta do paciente devem sercontinuados em casa. Antes da alta, o paciente, os membros da família e/ou cuidadores devemser capazes de aplicar e remover todas as órteses e dispositivos de compressão de modoindependente.8. Prevenção de queimadurasQueimadura é um trauma de grande complexidade, de difícil tratamento, com alta taxa demorbidade e mortalidade em todo o mundo, afetando mais de um milhão de pacientes ao ano,e que poderia ser evitado por campanhas de prevenção e divulgação de informações àpopulação (GRAGNANI E FERREIRA, 2009).A prevenção é a arma mais importante para diminuir o número de acidentes e mortesrelacionados às queimaduras. A divulgação de medidas preventivas e orientação da populaçãopor meio de campanhas educacionais é fundamental e de responsabilidade das equipes desaúde e do poder público (TAKEJIMA, 2011).Para Rossi (2003), algumas situações que oferecem riscos para acidentes por queimaduras sãoconhecidas, como, por exemplo, a manipulação de líquidos superaquecidos, produtosquímicos e/ou inflamáveis, metais aquecidos, o uso de fogões improvisados na presença decrianças, e a manipulação de panelas no fogão, com o cabo para fora, de tomadas elétricas, ede fios desencapados ao alcance de crianças. Entretanto, necessitamos conhecer como osacidentes ocorrem para que os programas possam ser elaborados a partir da perspectiva dospacientes portadores de queimaduras e de seus familiares. Acreditamos que a implementaçãode programas educativos poderia reduzir a incidência de queimaduras.Para VALE (2005) as campanhas educativas para serem mais eficazes devem se focar emdados epidemiológicos seguros que identifiquem causas específicas de queimaduras erespectivas populações de risco, as quais devem ser periodicamente dirigidas.9. MetodologiaA pesquisa realizada é uma revisão bibliográfica, baseada nos livros, nas publicação eprodução científica em bancos de dados oficiais,como Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),MEDLINE, SciELO.
  14. 14. 1410. DiscussãoComo observado no levantamento apresentado a destruição dérmica da pele causa umacadeia de eventos que podem ser classificadas como locais e sistêmicos. A quantidade detecido destruído depende das relações locais e sistêmicas causadas pelos calor, duração,intensidade da exposição térmica e pelas características da área queimada (TOLEDO, 2003).A literatura pesquisada aponta que é essencial intervir precocemente no processo cicatricialdo paciente queimado, de modo a evitar complicações inerentes de uma hospitalizaçãoprolongada e diminuir o comprometimento estético e funcional.Ainda os autores Guirro e Guirro (2002) e Borges (2006) afirmam que através da avaliaçãoconsegue-se coletar informações acerca do estado geral e particular do paciente queimado eque irão dirigir,de forma específica,as modalidades terapêuticas implementadas.Na visão de Borges (2006), a abordagem fisioterapêutica do paciente queimado tem doisfundamentos primordiais: avaliação do potencial de sequela da injúria térmica e avaliação dacondição psicossocial do indivíduo.Esses dois pólos são necessários para que se estabeleçauma relação terapêutica de colaboração e envolvimento do paciente em sua reabilitação.O fisioterapeuta gastará um bom tempo com cada paciente durante cada sessão deexercícios.As recompensas de um programa de tratamento bem-sucedido são enormes quandoum paciente que sofreu uma queimadura potencialmente fatal é capaz de sair andando dohospital e retornar para um desenvolvimento produtivo na comunidade.Sendo assim naabordagem fisioterapeutica,o processo de reabilitação compreende várias etapas onde a meta éo restabelecimento funcional e social do paciente.Sobre os cuidados com a pele, Junior e Serra (2006), O`Sullivan e Schimitz(2004),explicamque para melhorar a estética da pele queimada a fotoproteção é indispensável. Deve-sehidratar a pele, melhorar a elasticidade,diminuir as aderências e melhorar a textura cutânea.Além disso, deve-se higienizar e tonificar a pele utilizando produtos que preparam a pele paraa aplicação dos princípios ativos, remoção de células mortas, oleosidade, maquiagem, leveesfoliação para regulagem do pH. O sabonete deve ser suave, sem perfumes ou outrosirritantes. Um sabonete hidratante poderá se usado depois que todas as áreas abertas tiveremcicatrizadas.Os cremes hidratantes devem ser aplicados 2 a 3 vezes ao dia e não devem conterperfumes ou uma quantidade significativa de álcool. A abordagem fisioterapêutica do paciente queimado envolve desde a fase de internação edeve ser precoce e contínua. A atuação de uma equipe multidisciplinar se faz necessária paraalcançar os melhores resultados.11. ConclusãoA abordagem fisioterapêutica ao paciente queimado é essencial para a reabilitação maisrápidas e com mínimas sequelas. Neste estudo, percebeu-se que a avaliação por meio dafisioterapia visa direcionar as decisões para que seja determinado os recursos que podem serutilizados. Durante este processo de recuperação, a Fisioterapia utiliza-se de vários métodos etécnicas terapêuticas, sendo as principais condutas a cinesioterapia, que faz uso do movimentoe de exercícios terapêuticos, e a massoterapia, que utiliza como recurso terapêutico técnicasde massagem.As metas e resultados da fisioterapia precisam ser cuidadosamente individualizados parafavorecer a cicatrização da ferida e dos tecidos moles;reduzir o risco de infecção e
  15. 15. 15complicações;reduzir o risco de comprometimentos secundários;obter a amplitude demovimento máxima;resturar o nível pré-lesão de resistência carviovascular;obter força boa anormal;obter deambulação independete;aumentar a função independente;minimizar aformação de cicatrizes;aumentar a compreensão do paciente,da família e dos cuidadoresacerca da perspectiva,metas e resultados.Espera-se que esse trabalho estimule a elaboração de mais pesquisas sobre atuação dofisioterapeuta em pacientes queimados.ReferênciasANDRADE, Alexsandre G; LIMA, Cláudia F; ALBUQUERQUE, Ana Karlla B. Efeitos dolaser terapêutico no processo de cicatrização das queimaduras: uma revisãobibliográfica. Rev Bras Queimaduras. 2010.ALBUQUERQUE, Monique Lannes L; SILVA, Guilherme F; DINIZ, DeniseSM;FIGUEIREDO, Alessandra MF; CÂMARA Teresa MS; BASTOS, Vasco PD. Análisedos pacientes queimados com sequelas motoras em um hospital de referência na cidadede Fortaleza-CE. Rev Bras Queimaduras.AZULAY, Rubem David; AZULAY, David Rubem. Dermatologia. 4.ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan,2006.BORGES, Fábio dos Santos. Dermato-Funcional: modalidades terapêuticas nasdisfunções estéticas. São Paulo: Phorte, 2006.DELISA, Joel A. Tratado de medicina de reabilitação. Princípios e Práticas. 3. ed. SãoPaulo: Manole, 2002.v.2.FERREIRA, Enéas et al . Curativo do paciente queimado: uma revisão de literatura. Rev.esc. enferm. USP, São Paulo, v. 37, n. 1, mar. 2003 . Disponível em<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342003000100006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 03 dez. 2011.GOMES, Dino Roberto; SERRA, Maria Cristina; JUNIOR, Luiz Macieira Guimarães.Condutas Atuais em Queimaduras. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.GRAGNANI, Alfredo; FERREIRA, Lydia Massaco. Pesquisa em queimaduras. Rev BrasQueimaduras. 2009.JÚNIOR, Edmar Maciel Lima; SERRA,Maria Cristina do Valle Freitas.Tratado deQueimaduras. São Paulo: Atheneu, 2006.KEDE, Maria Paulina Vilarejo; SABATOVICH, Oleg. Dermatologia estética.São Paulo:Atheneu, 2004).PALASTANGA, Nigel; FIELD, Derek.; SOAMES, Roger. Anatomia e MovimentoHumano. Estrutura e Função.3.ed.São Paulo:Manole, 2000.
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