Costume Chronicles

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Tradução de artigos da webzine Costume Chronicles.

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  • 1. Costume Chronicles
  • 2. Costume Chronicles - Tradução SUMÁRIOMaria Antonieta: a política da moda........................................................ 03A evolução de um conto de fadas............................................................ 08O mito e o simbolismo na Pequena Sereia............................................. 11Uma heroína improvável: Emma de Jane Austen.................................. 16A modernização de Jane Austen............................................................. 19Amor e Inocência...................................................................................... 26Uma lição no pós-modernismo................................................................ 29Zumbis, lobisomens e monstros marinhos (Minha nossa!).................. 32Portais mágicos ........................................................................................ 35REFERÊNCIAS........................................................................................... 37
  • 3. Costume Chronicles - Tradução Maria Antonieta: a política da moda.Há uma cena no filme de Sophia Coppola Marie Antoinette em que vemos ajovem Dauphine da França experimentando sapatos e guinchando sobre novosestilos de cabelo e tecidos suntuosos enquanto a canção “I want candy” tocaao fundo. É evidente a natureza superficial e materialista da corte francesa esua rainha, mas essa imagem de uma garota volúvel jovem, rindo com osamigos enquanto se afoga em champaign e bolos coloridos, é realmente justa?Marie Antonieta foi realmente tão superficial e leviana como o público na épocaacreditava e a história continuou a defender, ou havia algo mais pensativo atrásde suas roupas? Mais importante ainda, qual o papel que suas variadas opçõesdesempenharam em sua eventual ruína?O nome de Maria Antonieta traz consigo muitas histórias diferentes. Algumasdelas são verdadeiras e outras não, mas todas elas desempenharam um papelem sua morte, quando muitos desses rumores, não importa quão ultrajantes,foram usados contra ela em seu julgamento. A maioria destas históriasrelacionava-se às suas escolhas diferentes de roupas e, ao mesmo tempo emque é estranho pensar que o guarda-roupa pode ser um elemento legítimo paraarruinar alguém (não foi, de nenhuma maneira, a única fonte de sua queda),podemos encontrar vestígios ocultados da vida de Maria Antonieta quase logoapós sua chegada na França.Marie Antonieta viajou oito horas por dia, durante quase um mês para chegar aFrança, da Áustria, com a idade de quatorze anos. Lá, ela foi despida de todasua roupa e ritualisticamente colocada em roupas afrancesadas antes definalmente entrar na corte da França como Dauphine. Assim, pode-se dizer quedesde o início de sua vida como Dauphine, sua aparência e a escolha deroupas estaria sob controle rigoroso e desempenharia um papel vital em seussucessos e fracassos.Seu casamento não começou feliz. Enquanto ela e seu marido, Louis-Auguste,estavam em termos amigáveis, Louis era extremamente tímido e mostroupouco interesse em consumar o casamento, tornando a posição de Maria
  • 4. Costume Chronicles - TraduçãoAntonieta na França precária, pois seu casamento ainda poderia ser anuladose qualquer uma das partes quisesse. Em suas cartas, sua mãe, MariaTheresa, continuamente pressionava a filha, afirmando que ela não estariasegura até se tornar realmente a Dauphine. E assim, já que não havia nenhumherdeiro a caminho e seu casamento era infeliz, Maria Antonieta fez a únicacoisa que podia para regular sua situação na corte: se ela não poderia terqualquer poder, ao menos daria a impressão de ter. Apesar de muito jovem, elatinha plena consciência da política veiculada através do vestuário e sabia muitobem o poder e o domínio que Luís XIV tinha conseguido através do uso detrajes fantásticos muitos anos antes. Por parecerem majestosas, as pessoascomeçaram a acreditar que era assim. Quando muitos homens entre seuparlamento estavam ameaçando a rebelião, Louis XIV apareceu diante delesem uma peça de caça e botas. Voltaire, o historiador oficial da corte, escreveriamais tarde que essa aparência diante dos homens, vestido de tal maneira esoltando um "ar de superioridade", subjugou as denúncias.Tomando a sugestão do grande Rei Sol, Maria Antonieta começou a usarcalças masculinas de andar e montar que, não só contribuíram para afirmarseu poder, mas também lhe permitiu participar plenamente nas expedições decaça de seu marido e rei. Além disso, ela encomendou uma pintura magníficade si mesma em seu novo traje de caça, olhando magistral sobre um cavalodurante a caça. A corte ficou escandalizada e chocada, mas seu marido e reiLouis XV achou deliciosa. Infelizmente, foi sua escolha de usar roupasmasculinas que mais tarde iria levar a rumores de que a rainha era lésbica, aoque muitas vezes se referia na época como "o vice-alemão." A pequenaDauphine dificilmente poderia saber disso na época, mas anos antes de suamorte, as sementes de sua queda já estavam sendo plantadas.Era do conhecimento da corte de Versalhes que, aparte dar um herdeiromasculino ao trono, a rainha tinha quase nenhuma autoridade. Na verdade,geralmente era a amante do rei que tendia a ter mais poder político que arainha, além de viver um remoto e muito mais opulento estilo de vida. Louis-Auguste, no entanto, não tinha e nunca teria uma amante em seus 22 anos decasamento com Maria Antonieta. Após a morte de seu pai e do banimento de
  • 5. Costume Chronicles - Traduçãosua amante Madame Du Barry da corte, Louis-Auguste ascendeu ao tronocomo Luís XVI. Mas porque não havia nenhum amante para assumir o papelhabitual de tendências e festas bizarras, Maria Antonieta assumiu a tarefa deuma só vez ao assumir o papel de rainha e amante. A necessidade de manteressa fachada, ao aparecerem opulentos e poderosos agora era ainda maior,porque, como Maria Antonieta sabia, ela não era nem rainha, nem amante,porque ainda não havia produzido um herdeiro.A fim de continuar a dar uma aparência de autoridade, o cabelo de MariaAntonieta cresceu mais em um novo estilo conhecido como o pufe. Não sóestes penteados podem servir para dominar qualquer homem na sala, eletambém duplicou as declarações políticas, como o pouf à la Belle Poule, quecontinha uma réplica de um navio francês que ganhou uma grande vitória sobrea Grã-Bretanha na Revolução Americana. Mulheres de toda a França seguiramo exemplo, fazendo declarações com seus penteados altos. Isso provocouvários problemas, no entanto. Em primeiro lugar, imitações do look de MariaAntonieta criaram indignação, porque agora cada atriz (prostituta) e mulher declasse baixa poderiam ficar como ela. A crença no momento não era que aspessoas se parecessem com a rainha, mas sim a rainha parecer umaprostituta. O segundo problema com seu novo penteado era que, durante umtempo de colheitas pobres, o aumento dos preços, e muito pouca comida, umdos ingredientes utilizados no pó para cobrir esses poufs era farinha. Aspessoas olhavam para os penteados de Maria Antonieta como se ela estivesseroubando-lhes o pão.O vestuário de Maria Antonieta tornou-se mais opulento ao longo dos anos e,embora seja verdade que ela ultrapassou o seu subsídio de vestuário por ano,deve-se levar em consideração que seu orçamento não havia sido ajustadopela inflação. O problema não era tanto o fato de a rainha gastar muito emroupas, mas o fato de que, para isso, ela ignorou completamente o protocolousual da corte. Numa época em que muitos cortesãos da aristocracia nãofaziam muita coisa, eles disputavam o direito de simplesmente ficar em seulugar. Estas posições eram vistas como grandes honras e só eram sempreoferecido ao mais alto ranking de pessoas dentro da corte. Maria Antonieta, no
  • 6. Costume Chronicles - Traduçãoentanto, em sua busca para ser mais uma mulher a la mode em toda a França,começou a patrocinar o popular cabeleireiro Leonard, assim como umcomerciante parisiense com o nome de Rose Bertin, que ajudou a incrementaros vestidos. Logo a rainha estava dependendo deles para criar seus conjuntose, eventualmente, insistiu que a cada manhã eles deveriam apresentar-se emVersalhes para atender suas necessidades. Tal movimento era inimaginávelpara a corte. Pegando duas pessoas de classe baixa e elevando-as a umaposição tão alta enfureceu os que o viam como o seu direito. O fato de que arainha estava servindo apenas para burlar as linhas de classe não era apenasconsiderado inadequado, mas tornaria-se perigoso.Finalmente, após muitos anos, Maria Antonieta teve uma filha, seguida, um parde anos mais tarde, pelo herdeiro tão esperado para o trono. Nesse momento,a rainha percebeu que sua extravagância estava causando muita raiva entre opovo. Isto, combinado ao fato de que ela era mãe e agora queria viver umavida mais privada, casual, a fez escolher vestidos mais elegantes. Ela escolheupara usar a musselina gaulles, que não era muito diferente de uma camisasimples. Uma pintura sua vestida desta forma teve que ser retirada do Salão deParis devido à indignação que causou. A rainha fez-se olhar como nada maisdo que uma ama de leite!Há literalmente dezenas de exemplos de Maria Antonieta irritando as pessoasde todas as classes por suas escolhas quanto à moda, mas o ponto principal éque as pessoas prestavam atenção. A rainha queria ser o centro das atençõespara afirmar uma sensação de poder e tinha feito isso. Agora todos os olhosestavam sobre ela, e não importava se ela vestia-se de uma maneiracondizente com uma rainha ou uma serva, ela nunca seria capaz de agradar atodos. O problema foi que ela tentou servir a todos, mudou de tática, e acabouinsultando todos.Quando a revolução começou a amadurecer, as escolhas quanto à moda darainha voltaram para assombrá-la. Suas declarações políticas em seu pouferam vistos como uma prova de que ela tinha um grande poder sobre o rei egoverno e, portanto, foi responsável por grande parte das dificuldades impostasao povo. Sua escolha de equitação artística foi vista como prova de uma vida
  • 7. Costume Chronicles - Traduçãocheia de depravação sexual, e sua opção de um vestuário casual mais tardeem seu reinado apenas ajudou a fazer as pessoas se sentirem como se fosseum deles. E se ela era de fato um deles - se os monarcas fossem realmentecomo as pessoas comuns - então o que impediria as classes mais baixas dederrubá-los? Suas idéias políticas formaram o circo completo e saiu pelaculatra de uma forma que ela não poderia ter previsto: Maria Antonieta queriaparecer como os outros, e assim ela tornou-se como eles.Ironicamente o bastante, se Louis XVI tivesse tido uma amante, a vida de MariaAntonieta poderia eventualmente ter sido poupada. Os ataques viciososgeralmente reservados para uma amante caiu sobre seus ombros. De qualquerjeito, não havia ninguém para assumir a culpa, somente ela, e foi tida comotendo todo o poder - mesmo se fosse apenas uma ilusão. Foi uma ilusão queela criou aos catorze anos, mas trabalhou muito mais do que qualquer umpoderia ter imaginado e custou sua própria vida.
  • 8. Costume Chronicles - Tradução A evolução de um conto de fadas.A Bela Adormecida. Branca de Neve. A Pequena Sereia. A Bela e a Fera.Chapeuzinho Vermelho. Todos conhecem muito bem as histórias, quer seja apartir de animações da Disney ou de livros de histórias para crianças dormirem.Mas elas são tão inocentes quanto parecem? Qual é a verdadeira história portrás do conto de fadas?Por que os contos, ditos feitos para colocar as crianças para dormir, muitasvezes ignorados como inconseqüentes, têm tanto poder para continuarem tãofortes? Sua resistência sugere que eles pré-formam uma função socialimportante em ajudar as crianças no desenvolvimento de comportamentos, ou,como disse Wilhelm Grimm, são - um manual de boas maneiras para ascrianças.Não há versão definitiva de qualquer conto de fadas, apesar do que contaram avocê quando criança. Estes contos não começaram com a Disney, nem com osIrmãos Grimm. Cada variação desses contos ao longo da história tem umafinalidade diferente e um efeito diferente.A tradição oral antiga do folclore dos contos de fadas foi que eles foramtransmitidos ao longo de gerações através do boca a boca. Esses contospopulares não eram especificamente destinados a crianças, e reflete todos oselementos da sociedade, tais como crenças, linguagem, filosofia, dança, arte,música, tradições e costumes. Estes contos cativaram o público, assim comoos entretenimentos atuais, com horror, comédia, sexualidade e violência surreale magia. Essas histórias envolvem um elemento didático, na medida em que asmensagens não foram incorporadas como um aviso nascido da necessidade desobreviver. Na vida do início do século XVI a vida era difícil para a maioria daspessoas, especialmente quando viviam perto da natureza e da dureza da vidaselvagem. As primeiras versões dos contos de fadas refletem essa batalha desobrevivência entre a humanidade e a natureza, como exemplificado nashistórias do Chapeuzinho Vermelho, onde ela usa sua inteligência e astúciaselvagem, a fim de sobreviver.
  • 9. Costume Chronicles - TraduçãoNa França, em meados da década de 1700, a primeira forma escrita do contode fadas, nasceu devido à popularidade da tradição oral com a aristocracia. Noentanto, o horror e a sexualidade foram muito atenuados e essas históriasforam re-escritas, como veículos exploratórios úteis para as idéias que ocupama aristocracia da época.Um exemplo disto pode ser encontrado em A Bela e a Fera, que basicamentereflete a prática social de um casamento arranjado e funciona como um recursoterapêutico na prestação de conforto em que o monstro (maridos indesejáveis)pode ter boas qualidades. Esta versão de A Bela e a Fera reitera normaspatriarcais e as expectativas sociais de subordinação feminina aos desejosmasculinos.Os irmãos Grimm "foram os primeiros a dirigir seus contos de fada (publicadoao longo do século XIX), às crianças, e destiná-las para educar, disciplinar eentretê-los. Valores cristãos foram inseridos nas histórias pela primeira vez,como a inocência infantil que substituiu a sexualidade brutal de trabalhosanteriores e papéis de gênero sendo reforçados. No entanto, a mensagem daauto-suficiência foi preservada nos contos de fadas orais, com histórias comoChapeuzinho Vermelho mantendo suas idéias terríveis e assustadoras.Durante os últimos vinte anos, a re-contagem dos contos de fadas têm muitasvezes incluído uma heroína independente, que é feminina e tem personalidadeforte, como a Belle de A Bela e a Fera e Ariel em A Pequena Sereia. Issoreflete o movimento feminista cada vez mais prevalecendo na cultura ocidental,com as mulheres do mundo real começando a afirmar sua independência eautonomia, do mesmo modo que suas contrapartes literárias. Em outraspalavras, em vez de o herói salvar o dia, a heroína é esperada para salvar a simesma.Nos séculos XX e XXI, os contos de fadas foram recontados e reinventados emforma de animação (por exemplo, A Bela Adormecida da Disney, Cinderela eBranca de Neve e os Sete Anões), na literatura (por exemplo, o BloodyChamber e outras histórias, de Angela Carter, Confissões de uma irmã deCinderela, de Gregory Maguire), o movimento pós-modernista tem permitidopara os gostos de auto-conhecimento sátiras, como Shrek, um enorme sucesso
  • 10. Costume Chronicles - Traduçãode bilheteria popular, o que gerou duas continuações. Estes são contos que seadaptaram com a idade, e foram moldados pela cultura em que existem, poiseles são o que a sociedade da época precisa ser, e repetidas recontagens doconto de fadas mostra o prazer que as crianças e adultos ainda encontramnessas histórias antigas.
  • 11. Costume Chronicles - Tradução O mito e o simbolismo n’A Pequena Sereia.Desde o início dos tempos, contos e folclore, mitologia e contos de fadas têmsido preenchidos por criaturas fantásticas e míticas, e desde o início até hojetemos contado estes contos encantados, de temíveis dragões que guardamcavernas escuras, uma Esfinge que pode deixar você viver se desvendar suamisteriosa idade, e de fadas que dançam em volta das clareiras à noite fazendotravessuras.Mas nenhuma dessas criaturas tem encantado mais as pessoas quanto asereia. Desde que o homem partiu pelo horizonte, ele voltou com histórias desua beleza e a mitologia grega escreve sobre suas vozes assombradascrescendo em música, atraindo marinheiros para suas profundezas aquosas. AOdisséia de Homero conta como Ulisses amarrou a si mesmo ao mastro deseu navio para que pudesse ser capaz de ouvir sua música encantadora semsofrer as conseqüências. No entanto, a mais lembrada, e talvez o retrato maisamado de uma sereia é de Hans Christian Anderson, A Pequena Sereia (DenLille Havfrue em sua terra natal, em dinamarquês), que foi publicado no terceirovolume de seus Contos de Fadas para Crianças.Na época, os contos de fadas serviam para educar as crianças sobre a morale, normalmente, ensinava uma lição valiosa. Embora não se possa dizer quetodos os contos de Anderson são completamente desprovidos de qualquerlição de moral, é verdade que os críticos na época, ocasionalmente,encontraram seu trabalho mal pensado, com várias de suas históriasmostrando um simbolismo um pouco confuso. É por esta razão que ainterpretação de A Pequena Sereia confundiu os críticos durante anos. Algunsacreditam que é um conto pagão, enquanto outros vêem o simbolismoaltamente religioso ser evidente. Ainda outros acreditam que a históriatransmite um olhar sobre as diferenças sobre as quais se apóia o amor entrehomens e mulheres. Então, qual é a resposta? Existe uma resposta, ou no finalé simplesmente isso – uma história sem ligações reais com o simbolismo?É possível que a história poderia ser apenas para entreter. No entanto, deve-senotar que, mesmo que num nível inconsciente por parte de Anderson, existe
  • 12. Costume Chronicles - Traduçãouma grande dose de simbolismo cristão presente na história. A pequena sereia,caçula de seis filhas do Rei do Mar, anseia por viver na superfície. Cada sereiatem permissão para visitar a superfície ao atingir o seu décimo quintoaniversário, e como cada uma delas retorna para casa ano após ano comhistórias de icebergs que brilham como diamantes e peixes que crescem emárvores, cidades cheias de atividade, crianças brincando nos córregos e o céucheio de estrelas cintilantes, a pequena sereia anseia pela superfície mais doque nunca.As irmãs também têm um fascínio por tudo que é humano, cada uma delasrecolhe objetos caídos de destroços no mar. No entanto, à medida quecresciam, seus interesses por essas coisas diminuíam. Mas não para apequeno sereia, que continua a passar seu tempo cuidando de seu jardim domar e sentando sob a proteção de uma estátua de um homem que tinha elatinha colocado lá. Há algo a ser dito sobre a determinação da jovem princesa.Sua luta e determinação, juntamente com a de suas irmãs, é semelhante ao docaminho com o qual muitos de nós amamos, esperamos e sonhamos, seja elesobre nosso relacionamento com Deus, ou mesmo uma ambição que temospara o nosso futuro. Muitos de nós, assim como as outras princesas, superamseu amor pelo mundo humano, considerado fantasia de sua infância. Apequena princesa, no entanto, vê claramente que este mundo é o que ela quere está determinada a nunca abandonar esse sonho.Quando a pequena sereia faz quinze anos, ela finalmente vai para a superfícieonde encontra um navio. As pessoas a bordo participando de uma festamaravilhosa e fogos de artifício iluminam o céu escuro. A pequena princesaobserva o príncipe, para quem as comemorações são destinadas. Depois deassistir por algum tempo, uma tempestade se aproxima e o navio é lançado aomar. A pequena sereia salva o príncipe, descobrindo que ele lembra muito aestátua em seu jardim. Deixando-o em segurança na praia, a pequena sereiaobserva em desespero quando outra mulher encontra-o e vem em seu socorro.Quando a jovem princesa pergunta a sua avó como os seres humanosmorreriam se não podem se afogar em terra, a avó diz-lhe que os corpos dosseres humanos morrem, mas que suas almas vão para o céu onde vivem para
  • 13. Costume Chronicles - Traduçãosempre. Sereias têm uma vida útil de trezentos anos, mas após a sua morteviram espuma do mar. "Existe algo que eu possa fazer para ganhar uma almaimortal?" A Pequena Sereia pede, e assim começa sua verdadeira jornada. Seusonho não é apenas se tornar humana, não apenas para se encontrar com opríncipe que ela salvou, mas ser capaz de viver eternamente no reino celestial.Sua sábia avó continua a explicar que se um ser humano amá-la o suficientepara casar com ela "[ele] daria a alma para você e manteria a dele também."Esta poderia ser uma alusão à Noiva de Cristo sendo a Igreja, e o fato de que oamor de Cristo e sua morte por nossos pecados é o que nos permitiu sermossalvos e entrarmos no céu.A pequena sereia, determinada a obter uma alma imortal, visita uma feiticeiraem busca de ajuda. A descrição de sua casa é infernal, como algo imaginadopor Dante para o seu Inferno, sua casa é construída com ossos de sereshumanos náufragos. Concordando em ajudar, ela dá a pequena sereia umapoção que irá transformar sua cauda em pernas, mas prometendo que “após aprimeira manhã após [ele] se casar com outra, o seu coração vai quebrar, evocê se tornará espuma na crista das ondas" e depois corta a língua daprincesa, levando com ela a sua bela voz. Perder a voz é significativo, porque éa bela voz da sereia que atrai os marinheiros para a morte. Com ela, apequena sereia certamente poderia usá-la para fazer o príncipe se casar comela - sem isso, ela perdeu sua identidade e propósito como uma sereia.Depois de tomar a poção, a cauda da sereia se transforma em duas pernas, eela é finalmente encontrada pelo príncipe, que a adota como sua querida eamada amiga. Todos os que puseram os olhos nela ficam fascinados por suabeleza e graça. Ela dança mais perfeitamente que qualquer outra no reino, massua graça custa um preço ainda maior, pois cada passo que ela dá sobre aterra é como pisar em facas. Seus pés sangram muito, e ainda assim apequena sereia ri, contente por ficar ao lado do príncipe, apesar da dor. Aindaassim, Anderson faz saber que, apesar do carinho do príncipe pela pequenasereia, "nunca entrou em sua cabeça fazê-la sua esposa:" Nesse ponto agora osimbolismo parece ter mudado, e por enquanto é a pequena sereia queassume o simbolismo de Cristo, enquanto o príncipe representa a raça
  • 14. Costume Chronicles - Traduçãohumana. Então, muitas vezes estamos alheios ao que está em frente de nós:temos um Deus que perdoa os nossos pecados e nos ama incondicionalmente,e muitos de nós nunca paramos para prestar-lhe toda a atenção, ou paraconfiar n’Ele o suficiente para ter um relacionamento.Quando o príncipe é convocado para visitar a princesa de um reino vizinho, naesperança de que ele goste dela o suficiente para casar, ele logo descobre quea princesa é a mesma menina que o encontrou na praia. Acreditando que estamenina tenha sido totalmente responsável por salvá-lo do naufrágio do navio,ele declara seu amor, assim como seu desejo de casar com ela. O simbolismode Cristo continua na sereia que foi responsável por salvá-lo e não a princesada praia. Tantas vezes nós olhamos para outras coisas na nossa vida paraamar e ocupar o nosso tempo. Mas estas coisas não podem nos salvar, domesmo modo que a menina da praia nunca salvou o príncipe. Somente Cristo,seu amor e sangue podem nos salvar – assim como o amor constante dapequena sereia que salva o príncipe do afogamento e se torna humana – seusangue flui de seus pés a cada passo que ela dá em nome do amor.O príncipe casa com a princesa, a quem ele acredita que deve sua vida. Asirmãs da pequena sereia aparecem, com os cabelos cortados pela bruxa domar (o cabelo é outro aspecto de renome das sereias, a beleza, e uma possívelalusão religiosa para o corte de cabelo de Sansão), para contar a pequenasereia que se matar o príncipe com um punhal e deixar seu sangue escorrerem seus pés, ela volta a ser uma sereia. No entanto, quando vê seu amadoadormecido pacificamente, ela é incapaz ir em frente e joga o punhal nooceano e, em seguida, se joga do navio, à espera de se tornar espuma do mar.Quando passa um momento e ela não se sente como se estivesse morrendo, osimbolismo muda novamente outro mais confuso que é considerado por algunscríticos até mesmo ter sido adicionado como um epílogo para tornar a históriamais triste. Uma voz aparece para a pequena sereia falando a ela sobre "asFilhas do Ar", que poderia ser melhor descrito como um estado purgatório. Se apequena sereia se esforça para fazer boas ações por trezentos anos, elesserão recompensados com uma alma imortal. Assim, a pequena sereia temviajado por três elementos: água, terra, ar.
  • 15. Costume Chronicles - TraduçãoEm seguida, vem a lição final, que também parece ter sido adicionada comouma reflexão tardia. As filhas do ar podem obter uma alma em menos detrezentos anos se entrarem em uma casa e "encontrarem um bom filho, que é aalegria de seus pais e merece seu amor." Mas, se vêem "um impertinente ouuma criança má, nós derramamos lágrimas de tristeza, e para cada lágrima umdia é adicionado ao nosso tempo de provação".É um estranho tipo de lição e, sinceramente, não faz muito sentido. No entanto,as crianças certamente entenderam a mensagem: se fossem boas, a pequenasereia obteria sua alma mais rapidamente. Apesar de sua mistura um poucocomplicada e uma complexa mudança de imagens, a história foi, no entanto,amada por muitos, logo se tornando um clássico e, eventualmente, tornando-seainda mais famosa quando ele foi transformado em filme de animação daDisney. Tão cativante é a história que uma estátua da pequena sereia residena cidade natal de Anderson, Copenhagen. E lá fica a pequena sereia,empoleirada em cima de uma rocha, silenciosa e solitária, os olhos voltadospara o mar adiante, sonhando com o dia em que ela vai obter uma almaimortal.
  • 16. Costume Chronicles - Tradução Uma heroína improvável: Emma de Jane Austen.Emma Woodhouse é uma heroína improvável. Mesmo a especulativa JaneAusten sentiu que sua personagem não seria muito apreciada pelos outros. Noentanto, ela deve ter visto o valor de Emma, e o resultado de sua escritaproduziu a querida novela de mesmo nome. Desde então, o livro foitransformado em mais de uma adaptação para o cinema com uma variedadede membros do elenco interessante e estilos diferentes de narrativa visual.O que faz de Emma Woodhouse uma heroína improvável é que o livro Emma édiferente de muitas novelas de época de Jane Austen. Era comum durante osséculos XVIII e XIX que os livros retratassem heroínas como tendo um caráterde quase perfeita moral, mas Jane Austen nos apresenta aquele que éflagrantemente imperfeito. Há aqueles que estão divididos sobre se deve ounão gostar da ficcional Emma Woodhouse, como Jane Austen haviaantecipado, mas apesar da forma como a autora pensou que o público pudessever Emma, Miss Emma Woodhouse ganhou muitos fãs e é conhecido comouma fantástica heroína literária escrita.Aqueles familiarizados com o cânone literário de Jane Austen podem saber queseu romance A Abadia de Northanger zomba do conceito de romance gótico.Emma está de acordo com esta tendência de comédia e satiriza a idéia do quesignifica ser uma heroína. Uma razão pela qual o livro foi bem-sucedidosatirizando heroínas é porque é assim que Emma se assemelha a nósmesmos, inclusive quando estamos no nosso pior. Jane Austen mostra que épossível resgatar alguém que mancha sua própria reputação. Nós podemosdesejar que isso seja verdade de nós mesmos, e o realismo humorístico queencontramos em Emma nos dá esperança para o nosso próprio mundo, e parao que às vezes podem parecer imperfeições irreparáveis.No clássico de Jane Austen, a autora enfatiza ao invés de disfarçar nossasfaltas, e consegue retratar o lado humano de seus personagens. Este temabrilha fortemente na adaptação da BBC de 2009, que assume a forma de umapeça de quatro partes e 240 minutos de série de televisão. Ao contrário deoutras versões, esta mostra os disparates da heroína, assim como sua forte,
  • 17. Costume Chronicles - Traduçãodeliciosa capacidade enquanto personagem. Mais importante, ela traz ainteligência e bom humor encontrados no livro original de Jane Austen com umimpulso de energia nova.O novo filme é bonito de olhar. As cores são vibrantes, os figurinos eiluminação espetaculares, e refletem a personalidade alegre de Emma. Oelenco também é bem escolhido. Romola Garai faz talvez a Emma maisconvincente ainda, e Johnny Lee Miller confortável e espetacularmentepreenche o papel de Mr. Knightley. O foco do filme não se torna muito asimperfeições relatáveis desconfortáveis de Emma e seus erros ridículos, nem oorgulho de Mr. Knightley, mas a comédia da vida de Emma e da situação emuma escala maior. O filme passa muito tempo olhando para a maneira que asinterações de amizade entre Emma e Mr. Knightley moldam sua amizade, ecomo o riso é central para o relacionamento dos dois personagens.Frequentemente Emma e Knightley usam humor para chegar a um acordo nosconflitos de personalidade, bem como as suas perspectivas de mundo e daspessoas nele. Suas diferenças, influenciadas por suas origens, os anos deidade, a expectativa de vida e os papéis sociais podem causar conflitos, massão complementares; e enquanto Emma e Mr. Knightley podem argumentar hásempre uma fundação sólida de camaradagem real na base de sua amizade.Sua cálida amizade é bem desenvolvida nessa adaptação.Algumas das linhas do livro foram reescritas para um melhor aproveitamentoda série. Os diálogos fluem com facilidade e ajudam a preencher ospersonagens.Mais que um amigo, Mr. Knightley é um obstáculo necessário e divertido praevitar que Emma fique totalmente entregue a sua própria sorte. O dom naturalde Emma para a auto-humilhação através de sua correspondência comexcesso de zelo, pressupostos defeituosos e completa cegueira sãocuidadosamente equilibrados pela crítica fria de Mr. Knightley a educação deEmma na ausência uma forte figura parental.Emma Woodhouse é uma das personagens mais livres de Jane Austen, semqualquer figura familiar autoritária e sem ninguém para vigiá-laverdadeiramente, com exceção do seu pai passivo e hipocondríaco. Isto
  • 18. Costume Chronicles - Traduçãopermite a Emma ser independente e capaz de agir da forma que quiser sem omínimo de reprovação, exceto Mr. Knightley e suas críticas. O levedesencorajamento de Mr. Knightley do freqüente comportamento excêntrico deEmma serve tanto para protegê-la quanto para moldá-la em uma jovem mulherconfiante e bem sucedida.Emma e Mr. Knightley não são exemplos exclusivos de personagens comqualidades humorísticas nem no romance nem nesta adaptação em particular.As atenções obsequiosas de Mr. Elton oferecem alívio cômico e a bajulação deFrank Churchill fala claramente ao orgulho de Emma. Outros personagenscomo Miss Bates (uma fonte de tagarelice sem fim) e o tímido detemperamento Mr. Woodhouse contribuem para esta retratação da sociedadedo século XIX através das lentes do ridículo. Esta adaptação vai superar asexpectativas de muitas pessoas e faz um trabalho maravilhoso em que retrataa história de Emma como uma comédia leve e divertida cheia de familiares eamigos divertidos que chamam a atenção para nossas falhas e zombam denosso orgulho. Para citar um amigo, Emma confunde um grande momento,mas nós a amamos do mesmo jeito.
  • 19. Costume Chronicles - Tradução A modernização de Jane Austen.Adaptação, algo com que o qual todos os grandes leitores e amantes docinema já devem ter se deparado em algum momento. Cedo ou tarde, autoresconsiderados pela sociedade como sucessos (ou pelo menos suficientementeinteressantes) terão uma de suas obras adaptadas para outro meio. Na eravitoriana, obras literárias populares, tais como Jane Eyre de Charlotte Bronte eDrácula de Bram Stoker foram modificadas e apresentadas como peças deteatro. Uma vez que muitas cenas eram claramente impossíveis de seremrealizadas, estas peças tomaram lugar em “salas” um pouco diferentes,preenchidas com o material original adaptado de acordo. Não há nenhumasurpresa, então, que com o advento da imagem em movimento no final doséculo XIX e a ascensão de Hollywood no início do século XX, os estúdiosrapidamente mudassem para produzir adaptações de clássicos muito amados.Jane Austen é uma romancista tal que teve todos os seis trabalhos publicadosadaptados em um grande filme ou mini-série.A fim de compreender plenamente essas novas versões de romances clássicoscomo filmes, os espectadores também devem estar cientes que a adaptaçãonão significa apenas a mudança literal necessária para transformar a palavraescrita no meio visual de um filme. Isso também significa que o trabalho em sipoderia ser moldado e modificado a fim de se adaptar às condições atuais epontos de vista da época, sejam elas sociais, políticas, éticas ou ateístas.Essencialmente, os romances não são apenas alterados a fim de fazer atransição entre página e tela, eles também são alterados para refletir melhor acultura moderna e sensibilidades do momento. Sim, é verdade que existemadaptações de romances de Austen, como Clueless e O Diário de BridgetJones, que são remakes literalmente modernos, sendo suas sugestões deEmma e Orgulho e Preconceito, respectivamente, mas pode-se dizer quemesmo as adaptações destinadas ao público durante o período de Austen sãomodernziadas de várias maneiras.Muitos espectadores não totalmente em sintonia com o período de tempoespecífico que estão observando na tela podem não perceber que muitos
  • 20. Costume Chronicles - Traduçãoelementos do filme em si, das roupas, opções de cores, cabelo e maquiagematé o diálogo e até mesmo uma ênfase em uma parte do roteiro sobre outrosão todas escolhas feitas pelo escritor, diretor, produtor, figurinista e pelaequipe de produção para ajudar a aclimatar o espectador moderno e aceitar oque eles estão vendo na tela. Às vezes, essas escolhas são feitaspropositadamente, enquanto outras mudanças são feitas inconscientemente.Mas as adaptações de Jane Austen são financiáveis e pode contar que trazemuma audiência significativa. Pessoas simplesmente apresentadas a Austenpodem sair do cinema com a impressão de que o que elas viram foi umarepresentação fiel do romance e do período de tempo em que ocorreu, quandonenhuma das numerosas adaptações podem ser consideradas totalmente fiéisao trabalho de Austen.Hollywood deve dar graças quando se trata de adaptações dos romances deJane Austen. Afinal, alguns dos seus trabalhos tem muito pouco diálogo, alémdos pensamentos internos dos protagonistas e, portanto, um script para movera história deve ser elaborado ou ajustado a fim de continuar o enredo. Emoutros momentos, faz sentido omitir um personagem ou combinar doispersonagens devido ao tempo e funcionalidade. Certamente, janeites em todosos lugares podem gritar interiormente e protestar, mas no final do dia nenhumaadaptação de um romance pode ser descrita com precisão na tela, não sódevido a tempo e razões orçamentais, mas também porque duas pessoas nãotem a mesma visão do que um romance deve ser. É aí que reside o verdadeiroproblema com as adaptações porque, enquanto não há uma visão do queAusten deve ser, há coisas muito reais que os filmes de Jane Austen nãodevem ser.Ao longo dos anos, Hollywood tem tentado moldar sua visão do que JaneAusten escreveu com base em sua própria mentalidade ou sobre o que iriavender ingressos para o cinema. Uma pessoa que viu a primeira produção decinema de Orgulho e Preconceito, em 1940, estrelada por Greer Garson eLaurence Olivier, viu um filme especificamente adaptado aos ideais do dia. Damesma forma, alguém que viu a versão de 2005 com Keira Knightley eMatthew Macfadyen viu um filme que se adequava a perspectiva geral do
  • 21. Costume Chronicles - Traduçãoespectador moderno e sua opinião sobre Jane Austen. Enquanto o slogan deprodução de 1940 propagava: “Five grgeous beauties on a mad-cap manhunt!”,a tagline de 2005 dizia “Experience the greatest love story of all time.” Para oobservador casual, isso pode passar completamente despercebido e semcontestação, no entanto, a verdadeira Janeite sabe que Austen nem escreveuuma comédia screwball, nem romance, ainda que a comédia screwball tenhasido muito popular nas bilheterias de 40, como foi Laurence Olivier, e em 2005,todos ansiavam por romance, drama e Keira Knightley. Assim, Jane Austen foiadaptada para atender às necessidades e aos desejos do público corrente.Espectadores nos anos 40 podem ter ficado com a impressão de que JaneAusten estava escrevendo comédia, enquanto os membros da audiência em2005 ficaram com a impressão de que ela era uma grande romântica. Averdade, é claro, está em algum lugar entre ambos, pois Jane Austen escreviasátira, algo que algumas adaptações parecem entender com menos sucessodo que outras.O equívoco de que as histórias de Jane Austen são romances é um erro fácilde fazer para alguém não familiarizado com as obras. O início dos anos 90 viuum ressurgimento enorme das adaptações de Jane Austen e com eles ainsistência de que a autora escrevia romance. Personagens em muitas dasadaptações mais recentes são íntimos entre si de tal forma que nunca seriamna época de Austen, ainda que o telespectador médio de hoje seja consideradopor Hollywood como demasiado impaciente para passar por um namoro longo,que envolva não muito mais do que falar sobre a família e o tempo e nãotermine em beijos apaixonados. Quando Hollywood obriga o espectador e dá oque ele quer ver, ela apenas promove a idéia de que Austen é romance. Aversão de 1995 de Razão e Sensibilidade sofreu muito com este problema.Enquanto o maravilhoso roteiro de Emma Thompson consegue captar muitobem uma boa dose da sagacidade de Austen, muitas das cenas em queMarianne chora por Willoughby ou se joga na cama são feitas como cenaslegitimamente dramáticas e não como tolas, a garota sofrendo por amor agindodramaticamente. Enquanto no romance, o leitor pode simpatizar com o fato deque Marianne tenha sido levada e usada erroneamente por um homem,
  • 22. Costume Chronicles - Traduçãosupostamente não devemos encorajar suas exibições dramáticas. Até omomento em que o filme começa a se aproximar do fim, Marianne é mostradaao público andando na chuva e olhando, doente de amor, além das colinaspara a casa de seu amado Willoughby enquanto recita poesia. É uma cenabonita, no entanto mais adequada a um romance gótico do que a uma sátira,algo que aqueles que leram Abadia de Northanger de Jane Austen podemachar altamente irônico.Não só Austen foi adaptada para o gênero com o qual o público em geral,erroneamente, associa a ela, também a aparência geral de cada filme éatualizada de acordo com o que é o padrão de beleza de cada década.Estrelas populares são escaladas para o elenco porque se encaixam no moldedo que o público vê como belo. Os penteados são quase semprecontemporâneos ou, pelo menos, uma adaptação moderna de um penteado deépoca, enquanto a maquiagem sempre reflete a época do público. As cincogarotas Bennet em Orgulho e Preconceito de 1940 são mostradas ostentandoas sobrancelhas finas e arqueadas e o batom vermelho pesado da moda nadécada de 30, enquanto Orgulho e Preconceito de 1995 e Emma de 1996favoreceram uma sobrancelha mais natural e maquiagem em tons de coral erosa para seus personagens, com o Orgulho e Preconceito de 2005 retratandoos lábios mais naturais e sombras em tons diferentes de marrom. Trajestambém ecoam a época em que o filme foi feito, em vez do período em que ahistória supostamente acontece, mesmo que um figurinista se esforce paraprecisar o figurino do período. Normalmente, escolhas padrões de tecido ecores são feitas do que seriam usados em uma tentativa de ser mais amigávelaos olhos de um espectador moderno, com a maioria das adaptações tambémoptando por mostrar um pouco mais de decote do que seria consideradoadequado. Joe Wright, diretor de Orgulho e Preconceito de 2005, percebeu quea linha de cintura império da época era desagradável e pediu a figurinistaJaqueline Durran para reduzi-las. A versão de 1940 foi tão longe que colocou ofilme na década de 30 para que os vestidos fossem mais vibrantes e distantesna tela do que os vestidos simples em linha reta da Regência. No entanto, osvestidos ainda claramente representaram um 1930 ateísta em suas escolhas,
  • 23. Costume Chronicles - Traduçãocom muitas listras diagonais e muitas das peças cortadas em viés, o quepermitiu aos vestidos acentuar e se agarrar melhor as curvas da atriz. Operíodo de 2007-2009 viu cinco de seis trabalhos publicados de Austenadaptados para a televisão, com cada um usando maquiagem e penteadosmodernos em sua maioria. Os trajes eram de época, mas quase todos foramreciclados de outros filmes, pois foram feitos durante o tempo em que aeconomia estava em apuros e os orçamentos dos filme estavam sendobastante reduzidos.No entanto, o visual dos personagens no filme não é a única coisa em perigode ser modernizado pela nossa sociedade. Jane Austen também foitransformada para ser mais agradável aos olhos do espectador. Um retrato deJane pintado por sua irmã Cassandra em 1810, quando Jane tinha 35 anos, foirefeito e refeito várias vezes ao longo dos anos. A versão vitoriana fez seusolhos muito maiores e suavizou suas feições, enquanto recentemente, quandoa editora Wordsworth Editions Ltd. considerou Miss Austen muito poucoatraente para a capa de um livro sobre sua vida, criou uma versão do retratoque não somente acrescentou maquiagem, mas tirou a touca para revelartodos os seus cabelos, algo que a real Jane Austen raramente fez.Outro elemento da adaptação que é completamente trazido para a época emque foi feita é o diálogo. Certas obras de Austen tem mais diálogo do queoutras e o que existe é dito de uma forma que poderia sobressaltar umespectador moderno. Assim, o diálogo muitas vezes é modernizado, mas àsvezes o roteirista vai tão longe que inventa conversas e palavras que ospersonagens nunca disseram e, em alguns casos, nunca teriam dito. Desdeque os roteiros dos filmes devem apelar a um público amplo que não podeestar familiarizado com o modo de vida na Inglaterra regencial, muitosescritores sentem a necessidade de ter personagens comentando a situaçãoatual. "Ele me oferece uma casa confortável e proteção. Eu tenho 27 anos deidade. Não tenho dinheiro nem perspectivas. Eu já sou um fardo para os meuspais", diz Charlotte Lucas na versão de 2005 de Orgulho e Preconceito, para ocaso de que a audiência não esteja clara quanto às razões pelas quaisCharlotte se casaria com alguém tão tolo quanto Mr.Collins. Em Razão e
  • 24. Costume Chronicles - TraduçãoSensiblidade de 1995, Elinor declara que "Casas passam de pai para filho, enão de pai para filha." A idéia de uma mulher casar por segurança, em vez deamor, e a dificuldade que envolve famílias bem colocadas seriam situações játotalmente compreendidas durante a época de Austen.Infelizmente, os roteiristas não param de escrever expondo os motivosclaramente, mas também vão bem longe ao inserir modernas convicçõespolíticas ou até mesmo ao mudar um personagem completamente. Muitas dasheroínas de Jane Austen no filme são retratadas com uma ligeira inclinaçãofeminista, em falta nos originais. A versão de 1999 de Mansfield Park vai maislonge a ponto de transformar a personalidade da silenciosa e pensativa FannyPrice, em uma menina alta e barulhenta. Suas ações são mostradas sob umaótica feminista, em vez de baseados na fé e na vontade de fazer a coisa certa.Uma breve referência à escravidão no livro torna-se um tema presente em todoo filme, com Fanny vendo um navio negreiro no oceano, enquanto Edmund alembra que Mansfield Park existe inteiramente por causa das plantações emAntígua e, assim, devido ao comércio de escravos. Este é um exemplo decolocar crenças modernas em um filme e tentar fazer de Austen algo que elanão era. Enquanto não sabemos sua visão sobre o assunto da escravidão,sabemos que suas obras giram em torno do casamento, não da política, e alémde uma referência ou duas aos soldados, raramente há qualquer alusão àpolítica do dia.Muitas vezes, os aspectos modernos menos visíveis das adaptações são osmovimentos corporais dos personagens. A era regencial viu ambos os sexosagindo com civilidade e decoro na presença dos outros. Isto significava sentar-se em linha reta com as mãos colocadas uma sobre a outra no colo ou darpequenos passos graciosos ao andar. Orgulho e Preconceito de 2005 tem asmais jovens das irmãs Bennet correndo e pulando em cada volta. Lizzy estápropensa a colocar os pés sobre os móveis quando senta-se na presença desua família, dobrando os joelhos sob o queixo, enquanto Mrs. Bennet pode servista desleixadamente em sua cadeira na mesa de jantar em mais de umaocasião. Mansfield Park de 1999 tem Fanny e Edmund correndo pela casagritando enquanto arremessam seus casacos um para o outro. Jim OHanlon, o
  • 25. Costume Chronicles - Traduçãodiretor de Emma de 2009, realmente encorajou seus atores a usar umalinguagem corporal moderna, assim, Emma anda com pouca graça e é vistadesleixadamente em sua escrivaninha.Por todas estas razões, não pode haver dúvida de que qualquer adaptação dotrabalho de Jane Austen poderia ser chamada de uma representaçãoadequada da época. Certamente, algumas produções são louvadas sobreoutras por serem mais precisas, mas isso simplesmente significa que asalterações feitas para o espectador eram mais sutis, e muitas vezes umavisualização feita anos depois pode ajudar a revelar o quão bem datada umaadaptação realmente foi.O que Jane Austen acharia se visse algumas das suas obras adaptadas aocinema? Ela ficaria horrorizada ao ver mulheres atuando com tão poucodecoro? Ela ficaria triste ao constatar que a sociedade tinha transformado suasobras satíricas em romances? Talvez ela ficasse desapontada ou talvez ocínico nela, que tão incisivamente riu dos costumes da sociedade, achariadivertida a forma como o público optou por assimilar aspectos de seu trabalhoque prefere, ignorando outros. Não há nenhuma maneira de saber comoAusten reagiria, mas não há dúvida de que o público continuará a afluir asadaptações de sua obra. A questão real é onde a sociedade moderna levaráJane Austen?
  • 26. Costume Chronicles - Tradução Amor e Inocência: uma biografia não autorizada.O filme Amor e Inocência foi lançado em 2007 e criado em 1795. A Jane destefilme está em seus 20 anos, mal-humorada e espirituosa como se poderiaesperar, mas para alguns, o filme não correspondeu às expectativas. Emboraeu goste do filme por muitas razões, é compreensível que muitos fãs podemnão estar tão interessados nessa versão da vida de Jane Austen. Amantes defigurinos encontram muito para se embasbacar com os vestidos suntuosos egravatas formais de Amor e Inocência, mas também verão figurinos que sãoclaramente da época errada. Fãs de Jane Austen pode desfrutar do espíritoindependente da Jane interpretada por Anne Hathaway, mas ficam estarrecidoscom a tentativa de Hathaway com o sotaque britânico. A trama toda équestionável em sua apresentação como uma história da história de JaneAusten, assim como grande parte da história é fabricada em vez de ser fiel àsua vida, e há mais algumas cutucadas e momentos trêmulos que merecemapenas uma avaliação-PG (por incrível que pareça, o filme foi re-avaliado apartir da classificação PG-13 para PG). No entanto, apesar de tudo isso, háalgo sobre esse filme que eu acho encantador.Há tanto para encontrar em Amor e Incocência que imita cenas dos romancesde Jane Austen, que pode ser divertido tentar procurar. Por exemplo, há um“momento Mr. Darcy”, quando Jane acidentalmente ouve Tom Lefroycomentando sobre a qualidade de sua oratória. Ele chama sua escrita de nãomarcante” e apenas “mais ou menos”, semelhante a Mr. Darcy falando deElizabeth Bennet como não sendo suficientemente bonita para tentá-lo. Isso foifeito intencionalmente, como você verá se assistir os bônus do filme. Outroângulo da situação é a idéia de que o real Tom Lefroy pode ter influenciado aredação do personagem Mr. Darcy, que é levemente aludido no filme e umapossibilidade histórica.Embora eu deva concordar com aqueles que dizem que Amor e Inocência émais um conto de ficção do que um baseado na verdade, é repleto de iguariashistóricas da vida de Jane Austen que algum bom leitor pode reconhecer e nãoé totalmente uma história de ficção. É, no entanto, mais verdade do que ficção,
  • 27. Costume Chronicles - Traduçãono sentido de que ela revela temas como a dificuldade em depender de alguémpor uma fonte de renda na sociedade regencial, seja homem ou mulher. É bemsabido que a maioria das mulheres deste período teve que se casar porsegurança financeira, mas os homens não estavam isentos das restrições dasociedade. No filme, o talentoso James McAvoy interpreta Tom Lefroy, umestudante de direito que está confiante na dependência de seu tio. Os parentespróximos de Lefroy são pobres e dependentes de sua assistência financeira,complicando ainda mais sua situação financeira. Esta complexidade deconexões familiares e a dispersão da riqueza são fundamentais para a trama,já que detém a chave para a felicidade futura entre Jane e Tom. No entanto,surpreendentemente, ao contrário das histórias de Jane Austen, uma grandeverdade de sua vida é enfatizada: Jane nunca se casou. É fácil ser pego nahistória de amor do filme e convenientemente esquecer esse fato, até alguémser forçado a compreender, através de um fim trágico que parece mais amargoque doce. Ele deixa a cargo da imaginação como a ausência de um maridoafetou a escrita de Jane Austen e o que sua vida teria sido se as circunstânciastivessem sido diferentes. Se ela não tivesse sido pobre, teria sido obrigada aescrever os romances que lemos hoje? Sabe-se que uma quantidadesignificativa de sua correspondência com a irmã, Cassandra, foi destruida; elaspoderiam ter revelado esperanças frustradas, um passado tão trágico quanto ofim de Amor e Inocência? Talvez as cartas guardem um mistério destanatureza e, portanto, tem sido o tema de alguma fan-ficiton.O pouco de verdade a ser encontrada aqui é que Tom Lefroy foi mencionadoem duas cartas da correspondência sobrevivente entre as irmãs Jane Austen eCassandra, parte da inspiração para Amor e Inocência. Existe alguma basepara esta idéia, pois o real Tom Lefroy confessou ter amado Jane Austen, maschamou de “amor juvenil”. No entanto, no momento em que foi questionado, elejá havia sido casado com sua esposa Mary por 71 anos. Talvez ele pudesse terdescrito seus sentimentos por Jane Austen de modo diferente em outromomento em sua vida. Tom Lefroy nomeou uma de suas filhas Jane, levandoalguns a sugerir que ele realmente tinha sentimentos mais profundos por elaque escolheu admitir, mas isso nunca foi comprovado.
  • 28. Costume Chronicles - TraduçãoTalvez Amor e Inocência não seja exatamente um livro fiel sobre a vida deJane Austen, principalmente porque as personagens do filme apresentammuito menos decoro e restrição do que se poderia imaginar, mas enquanto nãoé “kosher” Jane, propriedade, honra e sensibilidade triunfam no fim, e nocaráter sofredor de Jane deve haver algum consolo. Em algum lugar no fundode sua “Jane Austen” há realmente uma Jane real. Ela só se mostra um pouco,bem como um encontro com a dura realidade. Os temas das expectativas declasse e gênero são fortes neste filme, mas o que corre profundamente docomeço ao fim não é tanto a história como uma história divertida e um final detirar o fôlego, resumindo o que algumas pessoas se perguntam sobre JaneAusten. Teve a sua história de vida realmente um final feliz?
  • 29. Costume Chronicles - Tradução Uma lição no pós-modernismo: tornando-se Lost in Jane Austen.Você não pode negar: cada vez que você pega Orgulho e Preconceito e lê asprimeiras linhas, você gostaria de alguma forma poder fazer parte dessa vida.Basta imaginar uma época onde bailes ocorrem frequentemente, não faltamhomens jovens e oportunidades, e você sabe não só tocar piano, mas tambémcantar, dançar e desenhar. O mais importante, porém, é que Mr. Darcy seriareal.Mas e se sua entrada na história não significasse que você seria Lizzy Bennet,mas ainda você e ela não fizesse parte da história? Na produção da ITV, Lostin Austen, essa idéia é examinada.O que torna o filme tão fascinante é o quão bem as diferentes idéias daInglaterra regencial e do século XXI são transmitidas, uma vez que uma jovemem 1800 era muito diferente de uma jovem atual. Amanda Price, a heroína quetroca de lugar com Elizabeth Bennet, é a imagem da moderna jovem britânica:ela vive com o namorado e tem todas as necessidades dos dias modernos,mas ainda anseia por um Mr. Darcy vir tirá-la do chão ... pois Mr. Darcy é algoque o namorado dela claramente não é.Quando ela é levada para o mundo dos Bennet, Amanda acredita que estásendo trocada. Ela continua tentando usar seu telefone celular e até mesmotem um flash de Lydia em certo ponto, na esperança de que o choque de fazeruma coisa dessas fará a equipe de filmagem aparecer de repente. Mas comonada muda e os personagens continuam chocados com seu comportamento evestuário, Amanda deve aceitar o fato de que está realmente presa naInglaterra regencial. É claro que uma menina moderna em um mundoantiquado é obrigada a criar algumas situações interessantes, e em muitosaspectos, isso é algo que os produtores fizeram bem. Tanto quanto você podeter lido sobre Orgulho e Preconceito e a época, quando na verdade está diantedo fato de ter que viver nele, você é obrigado a cometer erros, e são essesmomentos ímpares que acrescentam humor e falta de jeito na história. Durantetodo o tempo, Amanda está tentando descobrir como se certificar de que cadapersonagem se apaixone pela pessoa certa, com diferentes sucessos.
  • 30. Costume Chronicles - TraduçãoSeu primeiro grande erro ocorre durante o baile em que Bingley e Darcycompareceram. Amanda está determinada a se certificar de que Bingley dancecom Jane, mas ao invés disso acaba por tê-lo muito mais ligado a ela, o que sótorna-se mais problemático quando ela o beija depois de ter bebido muito. Istoleva a uma série de erros infelizes, como Bingley continuando a perseguirAmanda, apesar de seus melhores esforços para impedi-lo. Ela finalmente vaiao extremo quando confrontada por ele quando Jane está doente emNetherfield, dizendo-lhe que ela não está interessada em homens. Isso maistarde volta para assombrá-la quando Caroline vem atrás dela. Isso representaa fusão do passado e do presente para criar uma idéia pós-moderna: Carolineteria sido realmente lésbica e Austen teria sequer presumido tal coisa? Éseguro dizer que não, ela não teria. No entanto, quando se cria algo novo comalgo velho, parece ser uma tendência acrescentar algo indevidamentechocante.Através destas interações, vemos a diferença na vida de uma mulher modernae uma da época da Regência. Não importa o que Amanda faça, ela continua aperturbar os eventos do livro ... e se apaixona por Mr. Darcy no processo. Se aconsistência é um problema, há uma coisa que Lost in Austen é capaz de fazerbem: Mr. Darcy. Talvez porque tenha havido tantas versões de Darcy, ouporque ele é tão bem definido na mente do leitor, que não deixa deimpressionar. Ele é bonito, indiferente, até gentil, com todos os atributos que seesperaria dele. Não é realmente uma surpresa que, tendo sido apaixonada porele no livro, Amanda acabaria por se apaixonar por ele na vida real, mesmoque ela saiba que supostamente ele está apaixonado por Lizzy. Mas com Lizzyausente, Amanda não tenta pará-lo. Na verdade, Darcy vai ao ponto de propore ela aceita ... e em uma recriação da clássica cena favorita de todos daminissérie, ela o vê saindo de um lago no jardim de Pemberley, comentando terpassado por um “estranho momento pós-moderno”.Na verdade toda a mini-série é um momento pós-moderno, a mistura dopassado e do presente, mas ainda contém a moral e as noções da épocaanterior, incluindo complicações que surgem quando Darcy descobre queAmanda esteve com um homem antes.
  • 31. Costume Chronicles - TraduçãoDe repente, Amanda é transportada de volta para a moderna Inglaterra, ondeencontra Elizabeth trabalhando como babá. Lizzy não só está adaptada em suanova vida, cortando o cabelo curto, ela também descobriu os romances deJane Austen! Aqui vemos outra questão colocada em contraste com o passado:e se Lizzy entrou em nosso mundo com o mesmo espírito independenteretratado nos livros? Como ela reage às nossas vidas? E será que ela quervoltar, depois de ter essa independência? Lost in Austen teoriza que ela estariamuito feliz no mundo moderno para querer voltar ao que conhece. Embora elatente, e ainda conheça Mr. Darcy, ela ainda se encontra insatisfeita com suavida passada. Quando Amanda volta a Longbourn do futuro, ela está triste coma forma de consertar as coisas, especialmente quando percebe que Lizzy eDarcy não têm nenhum interesse um no outro. No entanto, sob os auspícios deLady Catherine de Bourgh, tudo está situado no mundo de Austen. Bem, quasetudo. Lizzy retorna à moderna Inglaterra, sob a bênção de seu pai, e Amandaviaja para Pemberley onde Mr. Darcy aceita-a uma segunda vez.Muitas vezes, todas nós desejamos poder entrar em nosso livro favorito, ser onosso personagem favorito e ser tiradas do chão por um herói bonitão. Lost inAusten maravilhosamente examina a idéia com voltas e reviravoltas que deixao espectador atordoado e satisfeito. Embora não possa ser assim para o gravepurista de Austen, muitos que gostam de Austen apreciarão esta novaadaptação de um clássico favorito.
  • 32. Costume Chronicles - Tradução Zumbis, lobisomens e monstros marinhos (Minha nossa!).“É uma verdade universalmente reconhecida que um zumbi em posse decérebro deve estar em busca de mais cérebros” é a frase de abertura daadaptação de Seth Graham-Smith da tradicional obra de Jane Austen Orgulhoe Preconceito, agora apropriadamente chamada Orgulho e Preconceito e osZumbis.Devo confessar desde o início que essa e outras adaptações semelhantes nãome ofendem. Na verdade eu vejo isso como algo positivo, pois trouxe “JaneAusten” de volta a conversa diária e deu novo entusiasmo na cultura sobreAusten e seus escritos. Tenho notado duas reações opostas a esta recente“reescrita” dos clássicos de Austen. Os fãs, ou ficam absolutamentehorrorizados que outro autor ouse tocar a perfeição e arruiná-la completamenteou tomam como uma homenagem humorada a um clássico que todos leram ouassistiram e desfrutam da nova reviravolta na história. Este novo “monstro dogênero mash-up” abriu um mundo de literatura para aqueles que anteriormentenão teriam tocado a preferência por Austen. Nesta versão, Elizabeth Bennet éuma menina briguenta que carrega uma espada, matando zumbis em seucaminho para visitar sua irmã doente em Netherfield. Minha experiênciapessoal com este livro é ter visto homens pegando um “romance clássico” semtemer longas horas de leitura de uma história “para meninas”.O aspecto do “horror” não é algo novo para o mundo de Jane Austen. Todomês de outubro a “Derbyshire Writers Guild” realiza um evento chamado “JaneAusten October Gothic Horror Nonsense Challenge” (JAOctGoHoNo paraencurtar). Isto é onde essencialmente nasceu Jane Austen misturada ao horrorgótico. Seth Graham-Smith só foi um pouco mais longe e teve sua fan-fictionpublicada. Agora ele está sendo transformado em um filme, atualmente emfase de desenvolvimento. Outros romances semelhantes foram lançados nomercado: Sense & Sensibility & Sea Monsters, Emma & the werewolves,Mansfield Park & Mummies, e Mr. Darcy, Vampyre. O fenômeno tambémproduziu uma seqüência, uma graphic novel, e um jogo íncrivel para iPhone.
  • 33. Costume Chronicles - TraduçãoNão só Jane tem sido revitalizada no aspecto de terror, mas ela também temimpactado o mundo do cinema moderno. Na série Diário de Bridget Jones,existem muitas semelhanças com Orgulho e Preconceito. Uma das mais óbviasé que o namorado de Bridget chama-se “Darcy” e também é interpretado porColin Firth, o ator que interpretou Darcy na versão de 1995 da minissérieOrgulho e Preconceito. Outras adaptações modernas de Austen incluem Bride& Prejudice (Bollywood), Lost in Austen e Clueless (uma adaptação de Emma),todos os quais se inspirararam em seus livros e colocaram seu próprio toqueno original.Meu pessoal favorito é uma adição recente ao fenômeno de Jane Austen nacultura pop. É um falso trailer intitulado Jane Austen’s fight club. A primeiraregra do clube da luta é não falar dele, no entanto, acho que estou autorizada aquebrar a regra só desta vez. No mundo dos personagens de Jane Austen,Fanny, Emma e as irmãs Dashwood foram confinados por uma sociedade quenão permitia-lhes a liberdade ... até que ela chegou. Então tudo mudou - Lizzieas apresentou ao conceito de “clube de luta”, e as fez não mais parte da “boasociedade”. Vale a pena uma visita pelo menos uma vez (ou 20 vezes, se vocêé como eu!).Finalmente, a maneira de dizer se um autor realmente teve um impacto sobre asociedade não é se eles ganharam prêmios de prestígio, nem quantassemanas eles estão na lista dos mais vendidos, mas se tiverem uma figura deação. Sim, você leu corretamente, uma figura de ação. Seguindo os passos deShakespeare, Charles Dickens e Oscar Wilde, Jane Austen é uma das poucasmulheres literárias a ter sua própria figura de ação. Ela ainda vem com suaprópria secretária e caneta de pena! Jane Austen tinha sagacidade, então oque mais se pode pedir na área de proteção em sua figura de ação? JaneAusten faz com que todos perguntem: “Quem era Super-Homem?”Eu vejo o impacto de Jane sobre a cultura pop como algo positivo, ainda quenada possa ser melhor que o original. Enquanto Jane não está mais aqui, elaainda está sempre a “reinventar-se”, aparecendo em ondas diferentes e dediversas formas, o que lhe permite nunca desaparecer ou ser esquecida.Haverá sempre uma geração precisando de educação sobre Austen, então sua
  • 34. Costume Chronicles - Traduçãoexibição na cultura pop é uma maneira de apresentá-la a uma raçainteiramente nova de leitores.
  • 35. Costume Chronicles - Tradução Portais mágicosTocas de coelho, guarda-roupas, tornados... apenas três das maneiras que ascrianças de suas respectivas histórias são transportadas de suas vidasmundanas para mundos mágicos e paralelos. Nosso fascínio por outras terrase os “guarda-roupas” para alcançá-los está espalhado em toda a literatura. Damitologia antiga, quando as outras dimensões eram vistas como partes físicasda terra (o submundo, os deuses do Olimpo) a fantasia moderna, não há comonegar que este é um tema que tem grande apelo para nós.Meu próprio fascínio começou, como eu suspeito que para muitos na infância,com O Mágico de Oz, embora eu não recomende que alguém tente o métodode transporte de Dorothy para chegar a Oz! O filme de televisão de 1985 Alicein Wonderland / Through the Looking Glass também ocupa um lugar fixo emminhas memórias e, possivelmente, é a raiz da minha fixação em espelhos-como-portais. A partir destas primeiras influências, eu me coloquei atrás deespelhos antigos, procurei por casas de gnomos nas árvores, e fique atentapara ver coelhos brancos em coletes.Brincar de fingir não é incomum, como a maioria das crianças faz, mas muitasvezes eu me pergunto quando elas crescem, se elas algum dia ultrapassamessa fase. Passei a maior parte da minha infância procurando portas secretas,salas e corredores na casa da minha avó, empurrando armários cheios deroupa, convencida de que havia algo maravilhoso e misterioso na parte de trás.Mesmo na adolescência eu fingia (somente na minha cabeça) que era umanoviça em Avalon por trás das névoas ou que eu vivia na The Paris OperaHouse de Gaston Laroux. Sendo tímida e socialmente desajeitada, essasfantasias normalmente envolviam um lugar para me esconder dos meus parese ser notada pelos outros como alguém especial (algo que minhapersonalidade acanhada não me deixaria expressar na vida real).Deparei-me com Nárnia muito mais tarde, não tendo sido introduzido ao gênerode fantasia fora dos filmes até minha adolescência. Talvez me falte o amor erespeito para com este universo que eu poderia ter tido se o tivesse conhecidoquando criança; no entanto, ele ainda atingiu em mim a vontade e o desejo de
  • 36. Costume Chronicles - Traduçãoencontrar um mundo secreto. Como eu assisti ao filme de ação, encontrei-meincrivelmente com inveja de Lucy Pevensie quando ela tropeçou na parte detrás do armário para a Nárnia cheia de neve. Não tenho certeza se teriagostado de encontrar a Feiticeira Branca ou lutar uma batalha contra ela, mas adescoberta é certamente atraente.Como as décadas seguem e o mundo habitual torna-se mais científico etecnológico, há menos espaço para a admiração. Enquanto há muitas coisasque não podemos explicar, ainda assim, há muito que podemos explicar. Oespaço para a descoberta está encolhendo, aparentemente relegado paraestudiosos e cientistas. A magia do mundo está desaparecendo. Precisamosdessas histórias em nossa consciência coletiva, precisamos de C.S. Lewis paranos mostrar o caminho para a magia escondida, porque um mundo desprovidode magia é um lugar realmente sombrio. O desejo de fugir, de sertransportados para Nárnia, Oz, ou mesmo para o país das Maravilhas é tãoarraigado em nossa cultura que não parece justo que não exista um guarda-roupa mágico esperando em algum lugar para cada um de nós.Ou será que existe?
  • 37. Costume Chronicles - Tradução REFERÊNCIASARCHER, Esther. Zombies, werewolves and sea monsters (Jane Austen in popculture). Costume Chronicles, v. 1, 2011. p.03-05.FITZNER, Christine. Magical doorways. Costume Chronicles, v. 2, 2011.p.16-17.KINGSLEY, Hannah. A unlikely heroine: Jane Austen’s Emma. CostumeChronicles, v. 2, 2010. p.14-15.KINGSLEY, Hannah. Becoming Jane: the unauthorized biography. CostumeChronicles, v. 1, 2011. p.20-22.PITTS, Laura. The evolution of a fairytale. Costume Chronicles, v. 6, 2009.p.28-29.SLAWSON, Katie. Marie Antoinette: the politics of fashion. CostumeChronicles, v. 3, 2009. p.07-09.SLAWSON, Katie. The modernization of Jane Austen. Costume Chronicles, v.6, 2010. p.03-07.SLAWSON, Katie. The myth and symbolism in The little mermaid. CostumeChronicles, v. 6, 2009. p.20-22.WATSON, Lydia. A lesson in post-modernism: becoming Lost in Jane Austen.Costume Chronicles, v. 1, 2011. p.27-29.