Your SlideShare is downloading. ×
0
ESPAÇO, TERRITÓRIO E AMBIENTE:
    UMA DISCUSSÃO TEÓRICA


           Marília Steinberger

   Rio Branco-AC, 23 de novembr...
CONFUSÕES TERMINOLÓGICAS
Falar sobre espaço, território e meio ambiente
não é uma tarefa fácil - por que?
 As três palavr...
O senso comum sobre espaço, território e meio
ambiente aplicado na academia e no planejamento
 Na academia é freqüente a ...
I) A RELAÇÃO ESPAÇO-TERRITÓRIO

 Não basta só compreender o que é o espaço e o que é o
  território separadamente.
 Espa...
Referencial teórico adotado: teoria espacial de
Milton Santos
 Desmistificar a idéia de que Milton Santos é
  complicado....
 A escolha da teoria de Milton Santos - entre os autores
  mais conhecidos (Henri Lefebvre, Manuel Castells e
  David Har...
O espaço como categoria histórica e permanente

 O espaço é uma categoria porque possui um significado
  ontológico, ou s...
Ser categoria histórica e permanente permite
entender que o espaço é social e é natureza
 Desde 1977/78, o autor afirma q...
 A partir dessa definição diz que “produzir e produzir
  espaço são atos indissociáveis”, ou seja, “o ato de
  produzir é...
A forma-conteúdo como um elo do espaço com o
território

 À compreensão de que o espaço é social e é
  natureza porque mu...
 Além disso, diz que as formas exercem o papel de
  “atrizes” porque, no decorrer do tempo histórico, os
  objetos geográ...
A totalidade como um outro elo do espaço com o
território
 Ainda em 1978, Milton Santos introduz uma reflexão
  sobre o e...
 Para ele, a totalidade do espaço é uma abstração que
  não pode realizar-se senão por meio de “uma outra
  totalidade”– ...
 Aprofunda essa explicação em 1996 ao dizer que “a
  totalidade está sempre em movimento, num incessante
  processo de to...
Sobre o território e sua relação com o espaço
(menções ainda sem explicação)
 A essas alturas constata-se que, nos recort...
Podem-se alinhar três respostas:

a) Porque é necessário primeiro compreender o espaço
  como categoria histórica e perman...
c) Porque todas as menções a território só ganham sentido
   quando referidas ao espaço. Assim:
 Os objetos geográficos na...
 Essas respostas longe de pregarem que o espaço é
  anterior ao território, comprovam a existência da
  relação espaço-te...
A leitura do território e de sua relação com o
espaço na teoria de Milton Santos

 O autor, em várias publicações explici...
O território e as frações do território

 Em 1978 considera que o território é um dos
  elementos de um Estado-Nação e di...
A configuração territorial

 Em 1988, passa a falar não só em território, mas em
  configuração territorial como uma noçã...
 Em 1994, define configuração territorial como a soma de
  “realizações atuais e de realizações do passado.” Explica
  qu...
O território usado

 Milton Santos começa a falar explicitamente sobre o
  uso do território em 1994.
   Diz que “é o uso...
 Em 1999, diz que o território em si não é uma
  categoria de análise, mas sim o território usado, por ser
  mais adequad...
 Em 2001, avança na relação espaço-território, ao
  afirmar que o espaço geográfico se define como união
  indissolúvel d...
Espaço territorial

 Também em 2001, assevera que se impõe a noção de
  “espaço territorial”, pois o território usado é s...
 Nesse sentido, volta à idéia de configurações
  territoriais para dizer que elas são o conjunto dos
  sistemas naturais ...
II) A RELAÇÃO TERRITÓRIO-AMBIENTE

A interpretação dualista homem-natureza
• Henri Lefebvre considera que o núcleo explica...
Meio ambiente e meio

• Segundo Milton Santos, as relações homem-natureza são,
  de fato, as relações sociedade-meio que, ...
Ambiente e território são complementares

• O território é uma presença constante nas três fases
  históricas das relações...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

EspaçO Territorio Ambiente Marilia Steinberg

6,145

Published on

Marilia Steinberg

Published in: Technology, Business
0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
6,145
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
153
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "EspaçO Territorio Ambiente Marilia Steinberg"

  1. 1. ESPAÇO, TERRITÓRIO E AMBIENTE: UMA DISCUSSÃO TEÓRICA Marília Steinberger Rio Branco-AC, 23 de novembro de 2007 Curso Academia Amazônica 1
  2. 2. CONFUSÕES TERMINOLÓGICAS Falar sobre espaço, território e meio ambiente não é uma tarefa fácil - por que?  As três palavras são utilizadas em linguagem corrente com pouca ou nenhuma precisão conceitual.  Há uma carga teórica complexa, pesada e, em geral, confusa por trás dessas palavras.  A proposta aqui é não só elucidar cada uma, mas ressaltar a relação entre elas.  O desafio dessa proposta é discutir sua acepção teórica de uma maneira simplificada, ou seja, lançando mão do mínimo necessário de teoria.  Essa discussão será apresentada em três partes: a relação espaço-território; a relação território-ambiente; as frações do espaço e do território. 2
  3. 3. O senso comum sobre espaço, território e meio ambiente aplicado na academia e no planejamento  Na academia é freqüente a utilização indistinta ou misturada de espaço e território – vários autores definem território dizendo: “o território é o espaço...” (de reprodução da vida, de poder, etc.). Também é freqüente traduzir meio ambiente por natureza ou recursos naturais.  Entre os técnicos de planejamento que formulam políticas públicas prevalece o senso comum de que o espaço é o endereço onde as ações acontecem, o palco de intervenção, a localização, o receptáculo inerte e passivo. Também prevalece a idéia de que o objeto da política ambiental é a preservação e a conservação de pedaços da natureza.  Na verdade, como será visto adiante: o espaço não é inerte nem passivo – ao contrário, tem um poder de determinação; e o ambiente deve ser tratado conjuntamente com o espaço e o território. 3
  4. 4. I) A RELAÇÃO ESPAÇO-TERRITÓRIO  Não basta só compreender o que é o espaço e o que é o território separadamente.  Espaço não é anterior nem posterior ao território.  Espaço não existe espaço sem território e vice-versa.  Essa afirmação é a base do reconhecimento de que há uma relação entre espaço e território – leva a identificar os elos entre espaço e território.  Antes, porém, é preciso mostrar com que referencial teórico essa discussão será realizada. 4
  5. 5. Referencial teórico adotado: teoria espacial de Milton Santos  Desmistificar a idéia de que Milton Santos é complicado.  Tomar a sua linha de pensamento desde o fim dos anos 1970 e não ler um livro publicado quase 20 anos depois, como Natureza do Espaço, e querer entendê-lo. 5
  6. 6.  A escolha da teoria de Milton Santos - entre os autores mais conhecidos (Henri Lefebvre, Manuel Castells e David Harvey), ele é o único que, ao trabalhar o conceito de espaço como categoria histórica e permanente, permite entender outras noções necessariamente associadas ao espaço: território, ambiente, lugar, região, campo e cidade (explicar a utilização dos termos conceito e noção).  Sua teoria permite discutir todas essas noções, mas aqui vamos nos deter na relação espaço-território, explicando primeiramente porque o espaço é uma categoria histórica e permanente, pois aí está a chave dessa relação. 6
  7. 7. O espaço como categoria histórica e permanente  O espaço é uma categoria porque possui um significado ontológico, ou seja, existe e é inerentemente comum a todos os seres (e todas as coisas).  O espaço é histórico porque “a história não se escreve fora do espaço”, uma vez que “não há sociedade a- espacial”.  O espaço é permanente porque sua existência é uma presença constante na vida em sociedade ao longo da história. 7
  8. 8. Ser categoria histórica e permanente permite entender que o espaço é social e é natureza  Desde 1977/78, o autor afirma que o espaço realiza uma dupla e simultânea função: produtor e produto. Segundo ele, a base desse entendimento vem do trabalho do homem para transformar a natureza.  Daí a sua definição de espaço geográfico como “natureza modificada pelo homem através do seu trabalho. A concepção de uma natureza natural, onde o homem não existisse, cede lugar à construção permanente da natureza artificial ou social”. 8
  9. 9.  A partir dessa definição diz que “produzir e produzir espaço são atos indissociáveis”, ou seja, “o ato de produzir é igualmente o ato de produzir espaço”.  Essa produção de espaço implica em compreender que o espaço é social e é natureza, pois “sua tendência é mudar com o processo histórico”. 9
  10. 10. A forma-conteúdo como um elo do espaço com o território  À compreensão de que o espaço é social e é natureza porque muda com o processo histórico, o autor acrescenta, também em 1977/8, que o espaço pode ser visto como um conjunto de formas, as quais testemunham uma história escrita no passado e no presente - rugosidade/inércia dinâmica. 10
  11. 11.  Além disso, diz que as formas exercem o papel de “atrizes” porque, no decorrer do tempo histórico, os objetos geográficos que as representam ganham não só novo valor, mas novo conteúdo. Assim, cunha o termo “forma-conteúdo”. (simplificação - modo de produção)  A elaboração mais detalhada desse termo vem, em 1985, ao afirmar que a essência social do espaço está em ele ser constituído, de um lado, por “objetos geográficos naturais e artificiais, distribuídos sobre um TERRITÓRIO, cujo conjunto nos dá a Natureza”, e, de outro lado, por processos sociais que dão vida a esses objetos. Tais processos realizam-se não apenas por meio das formas, porém das formas-conteúdo que “terminam por adquirir uma EXPRESSÃO TERRITORIAL”. 11
  12. 12. A totalidade como um outro elo do espaço com o território  Ainda em 1978, Milton Santos introduz uma reflexão sobre o espaço como totalidade.  Diz que a história da produção e a história do espaço constituem uma única história - a da realidade total que é a sociedade, na qual o espaço está inserido.  Paralelamente, diz que o movimento resultante da interação entre espaço e sociedade interessa às diversas frações do espaço e da sociedade. 12
  13. 13.  Para ele, a totalidade do espaço é uma abstração que não pode realizar-se senão por meio de “uma outra totalidade”– a “realidade historicamente determinada, fundada sobre uma BASE TERRITORIAL”. (simplificação - FES e FSE)  Admite que a noção de totalidade sempre foi confusa, a menos que sua divisão em partes esteja presente.  Assim, em 1985, explica que “o espaço deve ser considerado como uma totalidade”. Que, “o espaço como realidade é uno e total”, mas a sociedade atribui a cada um dos seus movimentos, um valor diferente a cada FRAÇÃO DO TERRITÓRIO. 13
  14. 14.  Aprofunda essa explicação em 1996 ao dizer que “a totalidade está sempre em movimento, num incessante processo de totalização”.  Para ele, esse movimento permanente retrata: “a totalização já perfeita, representada pela paisagem e pela CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL e a totalização que está se fazendo, significada pelo espaço”. 14
  15. 15. Sobre o território e sua relação com o espaço (menções ainda sem explicação)  A essas alturas constata-se que, nos recortes antes selecionados, Milton Santos ao conceituar espaço acionou os seguintes termos: TERRITÓRIO EXPRESSÃO TERRITORIAL BASE TERRITORIAL FRAÇÃO DO TERRITÓRIO CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL. Cabe então perguntar: por que selecionamos recortes em que tais termos foram acionados pelo autor sem, paralelamente, explicá-los? 15
  16. 16. Podem-se alinhar três respostas: a) Porque é necessário primeiro compreender o espaço como categoria histórica e permanente para, então, chegar ao entendimento de território e suas derivações (expressão territorial, base territorial, configuração territorial). b) Porque é essa compreensão que nos permite aprender com o autor que o espaço é geográfico por ser definido como natureza modificada pelo homem. Que o espaço é social e é natureza. Que o espaço é um conjunto de formas. E, por fim, que o espaço é uma totalidade. 16
  17. 17. c) Porque todas as menções a território só ganham sentido quando referidas ao espaço. Assim: Os objetos geográficos naturais e artificiais distribuídos sobre o TERRITÓRIO aparecem para explicar a essência social do espaço. A EXPRESSÃO TERRITORIAL aparece como uma manifestação das formas-conteúdo que em conjunto constituem o espaço. A BASE TERRITORIAL aparece para concretizar a abstração do espaço como totalidade. A FRAÇÃO DO TERRITÓRIO aparece para mostrar a necessidade de dividir a totalidade em partes que a sociedade atribui valores diferentes. A CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL aparece como totalização perfeita para estabelecer um confronto com a totalização em movimento que é o espaço. 17
  18. 18.  Essas respostas longe de pregarem que o espaço é anterior ao território, comprovam a existência da relação espaço-território, pois o sentido das menções sobre o território e suas derivações está sempre referido ao espaço. 18
  19. 19. A leitura do território e de sua relação com o espaço na teoria de Milton Santos  O autor, em várias publicações explicitou o que é o território e suas derivações.  Vejamos, cronologicamente, seus entendimentos sobre território, frações do território, configuração territorial, território usado e espaço territorial. 19
  20. 20. O território e as frações do território  Em 1978 considera que o território é um dos elementos de um Estado-Nação e diz que “a utilização do território pelo povo cria espaço”.  Em 1985, continua a se referir ao território do Estado, mas acrescenta que o território é formado por frações que têm funções diversas e que essa funcionalidade depende de demandas a vários níveis, desde o local até o mundial. 20
  21. 21. A configuração territorial  Em 1988, passa a falar não só em território, mas em configuração territorial como uma noção mais ampla, pois envolve o território e o conjunto de objetos existentes sobre ele.  Enfatiza que em qualquer país, independente do estágio do seu desenvolvimento, há sempre “uma configuração territorial formada pela constelação de recursos naturais, lagos, rios, planícies, montanhas e florestas e também recursos criados: estradas de ferro e de rodagem, condutos de toda ordem, barragens, açudes, cidades, o que for”. 21
  22. 22.  Em 1994, define configuração territorial como a soma de “realizações atuais e de realizações do passado.” Explica que “no começo da história do homem, a configuração territorial é simplesmente o conjunto de complexos naturais. À medida que história se vai fazendo, a configuração territorial é dada pelas obras dos homens”.  Em 1996, esclarece o elo entre configuração territorial e espaço, ao afirmar que “a configuração territorial é dada pelo conjunto formado pelos sistemas naturais existentes em um dado país ou numa dada área e pelos acréscimos que os homens superimpuseram a esses sistemas naturais. A configuração territorial não é o espaço, já que sua realidade vem de sua materialidade, enquanto o espaço reúne a materialidade e a vida que a anima”. 22
  23. 23. O território usado  Milton Santos começa a falar explicitamente sobre o uso do território em 1994. Diz que “é o uso do território, e não o território em si mesmo, que faz dele objeto de análise social”. Explica que território é uma noção que carece de constante revisão histórica e o que ele tem de permanente é ser o nosso quadro de vida. Diferencia território de território usado, ao ressaltar que “o território são formas, mas o território usado são objetos e ações”. 23
  24. 24.  Em 1999, diz que o território em si não é uma categoria de análise, mas sim o território usado, por ser mais adequada à idéia de “um território em mudança, de um território em processo. Se o tomarmos a partir do seu conteúdo, uma forma-conteúdo, o território tem de ser visto como algo que está em processo”. Como um campo de forças, “lugar do exercício, de dialéticas e contradições entre o Estado e o mercado, entre o uso econômico e o uso social dos recursos”. 24
  25. 25.  Em 2001, avança na relação espaço-território, ao afirmar que o espaço geográfico se define como união indissolúvel de sistemas de objetos e sistemas de ações, e suas formas híbridas, as técnicas, que nos indicam como o território é usado: como, onde, por quem, por que, para quê. Segundo ele, apreender “a constituição do território, a partir dos seus usos, permite pensar o território como ator e não apenas como um palco, isto é, o território no seu papel ativo”. 25
  26. 26. Espaço territorial  Também em 2001, assevera que se impõe a noção de “espaço territorial”, pois o território usado é sinônimo de espaço geográfico. Mostra que o uso do território é definido pela implantação de infra-estruturas e pelo dinamismo da economia e da sociedade. Porém, explica que é preciso “levar em conta a interdependência e a inseparabilidade entre a materialidade, que inclui a natureza, e o seu uso, que inclui a ação humana e a política”. 26
  27. 27.  Nesse sentido, volta à idéia de configurações territoriais para dizer que elas são o conjunto dos sistemas naturais e dos sistemas de engenharia, isto é, objetos técnicos e culturais historicamente estabelecidos. No entanto, ressalta que a atualidade das configurações territoriais advém das ações realizadas sobre elas. É desse modo que se pode dizer que o espaço é sempre histórico. Sua historicidade deriva da conjunção entre as características da materialidade territorial e as características das ações. 27
  28. 28. II) A RELAÇÃO TERRITÓRIO-AMBIENTE A interpretação dualista homem-natureza • Henri Lefebvre considera que o núcleo explicativo do processo histórico é a relação entre o homem e a natureza, mas na práxis há um desencontro entre o homem produtor da sua própria história e divorciado da sua própria história. • Esse desencontro também é reconhecido por Milton Santos, razão por que chama atenção para o erro da interpretação dualista das relações homem-natureza, pois o espaço é social e é natureza. 28
  29. 29. Meio ambiente e meio • Segundo Milton Santos, as relações homem-natureza são, de fato, as relações sociedade-meio que, historicamente, correspondem a três fases: - meio natural, quando a natureza constituía a base material da vida e confundia-se com o território; - meio técnico, iniciada no fim do século XVIII com a mecanização do território; - meio técnico-científico-informacional, cujo marco é o fim da Segunda Guerra, quando o território ganha um conteúdo maior em ciência, tecnologia e informação. • Para o autor, não existe meio ambiente diferente de meio. O que hoje se chamam de agravos ao meio ambiente, não são outra coisa senão agravos ao meio de vida do homem. 29
  30. 30. Ambiente e território são complementares • O território é uma presença constante nas três fases históricas das relações sociedade-meio, ao passo que a palavra meio ambiente surge apenas na fase atual. • A singularidade da noção de ambiente está nos efeitos das relações homem-natureza, ou seja, no acúmulo de maus tratos e agravos do homem à natureza como seu meio de vida. Ela resulta desses efeitos que acontecem em frações do espaço e em frações do território (usado). • Uma análise do meio ambiente passa necessariamente por uma análise do território (usado). 30
  1. A particular slide catching your eye?

    Clipping is a handy way to collect important slides you want to go back to later.

×