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01   compreensão e interpretação de textos
 

01 compreensão e interpretação de textos

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    01   compreensão e interpretação de textos 01 compreensão e interpretação de textos Document Transcript

    • LÍNGUA PORTUGUESA COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Domínio das Relações Morfossintáticas, Semânticas e Discursivas Tipos de Questões Três são os tipos mais comuns de questões e convém conhecê-los. 1º Tipo: Comandos da questão: • Assinale V ou F, conforme julgue Verdadeira ou Falsa a informação: • Julgar os itens seguintes: • De acordo com o texto, pode-se afirmar: • As frases abaixo constituem seqüência lógica e coesa do enunciado seguinte: Seguindo-se as alternativas: (1) (2) (3) (4) (5) ou mais RESOLUÇÃO: Cada alternativa é independente das demais, podendo haver várias certas e várias erradas. Leia uma a uma e marque C ou E em cada, conforme a julgue certa ou errada. Pode também marcar V ou F, conforme a considere verdadeira ou falsa. Este tipo de questão você deve marcar com convicção, já que erradas anulam certas. 2º Tipo: Comandos da questão: • Assinale a alternativa correta. • Assinale a alternativa incorreta. Seguindo-se as alternativas: a) (1) b) (2) c) Ou (3) d) (4) e) (5) Página 1 de 47
    • RESOLUÇÃO:Cada alternativa depende das demais porque só uma poderá ser escolhida. Duas outrês delas são absurdas. Elimine as absurdas, leia as demais e compare-as paradescobrir em que são diferentes. Opte por uma. Na dúvida, pode marcar a que julgarmais coerente, caso não haja a afirmação de que erradas anulam certas.3º Tipo:Igual ao comando anterior, porém aparecendo seis alternativas: a) (1) b) (2) c) (3) d) (4) e) (5) f) (6) Desconheço a resposta correta ou Não sei.RESOLUÇÃO:Se você não sabe, responda a letra (f) ou o número (6), porque, com certeza, erradasanulam certas.Tipos de EnunciadosOs enunciados pedem ao candidato:• identificar, reconhecer, apontar elementos importantes do texto;• comentar, emitir juízo ou opinião, com base nos conhecimentos da teoria dacomunicação, ou nos conceitos que se espera tenha o aluno absorvido, no segundo outerceiro grau;• interpretar ou reaplicar a(s) idéia(s) do texto a outro contexto;• identificar a(s) idéia(s) de causa e efeito e suas relações de subordinação oucoordenação;• analisar ou afirmar as idéias com base em argumentos explorados no texto;• comparar, descobrir semelhanças e dessemelhanças entre as partes de um texto ouentre dois ou mais textos;• resumir, identificar as idéias principais ou agrupá-las sinteticamente;• parafrasear, isto é, reescrever, com outras palavras, as mesmas idéias.Erros ClássicosFreqüentemente, o candidato é conduzido, pelos examinadores, a três tipos de erros:extrapolação, redução e contradição. Fuja deles!a) Extrapolação• dizer mais que o texto;• generalizar o que é particular.Exemplo: Os portugueses José, Antônio e Joaquim são simpáticos. Página 2 de 47
    • A questão diz: Os portugueses são simpáticos.RESOLUÇÃO: O texto diz que aqueles três portugueses são simpáticos. A questão dizque todos os portugueses são simpáticos.b) Redução• particularizar o que é geral;• ater-se apenas a uma parte, esquecendo outras(s) importante(s);• desprezar o contexto e entender uma parte com outro significado.Exemplo: O estudo dá prazer, por isso deve ser cultivado.A questão diz: Quando se estuda bem, o estudo dá prazer.RESOLUÇÃO: O texto diz que o estudo dá prazer e não condicionou isso a umdeterminado modo de estudar.c) Contradição• concluir contrariamente ao texto;• omitir passagens importantes para fugir ao sentido original.Exemplo: O homem, racional, quando sob o domínio do ódio, pode agir como umanimal selvagem.A questão diz: O homem é racional, porque pode agir como um animal.RESOLUÇÃO: O texto diz que o homem, embora racional, pode agir como irracional. Aquestão diz que o homem é racional, porque pode agir como irracional.INTELECÇÃO E INTERPRETAÇÃOIntelecção: significa entendimento, compreensão. Os testes de intelecção ouentendimento exigem do candidato uma postura muito voltada para o que realmenteestá escrito. Os comandos enunciam-se assim:• O cronista sugere que...• O texto diz que...• Segundo o texto, é correto ou errado...• O narrador afirma que...Interpretação: significa explicar, comentar, julgar a intenção, tirar conclusão. Os testesde interpretação querem saber o que o candidato conclui sobre o que está escrito. Oscomandos enunciam-se assim:• Da leitura do texto, infere-se que...• O texto permite deduzir que...• Com base no texto pode-se concluir que...• Qual a intenção do narrador, quando afirma que... Página 3 de 47
    • Postura do CandidatoNormalmente, o candidato, no momento da prova, fica preocupado com o tempo,razão pela qual lê rapidamente o texto e vai direto às perguntas. Evite tal conduta. Otempo gasto com a leitura bem feita é compensado na hora de responder às questões.1) Leia duas vezes o texto. A primeira para ter a noção do assunto geral; a segundapara prestar atenção às partes de cada parágrafo ou cada estrofe. Lembre-se de quecada parágrafo desenvolve uma idéia.2) Leia duas vezes o comando da questão, para saber realmente o que está sendopedido.3) Leia duas vezes cada alternativa para eliminar o que é absurdo. Geralmente, umterço das afirmativas o é.4) Durante a leitura, pode-se sublinhar o que for mais significante e/ou fazerobservações à margem do texto.DICAS IMPORTANTES1. Se o comando pede a idéia principal (ou tema), esta, normalmente, situa-se noprimeiro ou último parágrafo (introdução ou conclusão).2. Se o comando busca argumentação, esta se localiza nos parágrafos intermediários(desenvolvimento). Página 4 de 47
    • LENDO E REDIGINDO TEXTOSAo interpretar textos, aproveite para redigir. Não queremos que você apenas resolvaquestões, assinalando as proposições que já vêm prontas. É necessário tambémtrabalhar com as idéias que você elaborou a partir de sua compreensão dos textos.Tente fazer com que as conclusões de suas interpretações sejam elaboradas em forma,pelos menos, de pequenas redações.Nesse sentido, apresentamos as seguintes sugestões: • faça interpretação esquemática, retirando as idéias nucleares; • faça interpretação explicativa dessas idéias; • faça interpretação imaginativa ou criadora, supondo o sentido que o autor quis dar ao texto; • redija um pequeno comentário ou uma conclusão pessoal a partir das sugestões do texto. Você já estará dando um importante passo no tocante ao trabalho de produção textual; • utilize linguagem própria. Explore o seu léxico internalizado.Vamos começar? MÚSICA-TEXTO DE APOIO Um amor assim delicado Você pega e despreza Não o devia ter despertado Ajoelha e não reza 5 Dessa coisa que mete medo Pela sua grandeza Não sou o único culpado Disso eu tenho certeza Princesa QUEIXA 10 Surpresa Você me arrasou Caetano Veloso Serpente Nem sente que me envenenou Senhora e agora 15 Me diga aonde vou Senhora Serpente Princesa Um amor assim violento 20 Quando torna-se mágoa É o avesso de um sentimento Página 5 de 47
    • Oceano sem água Ondas: desejos de vingança Nessa desnatureza 25 Batem forte sem esperança Contra a tua dureza Princesa Surpresa Você me arrasou 30 Serpente Nem sente que me envenenou Senhor e agora Me diga aonde eu vou Senhora 35 Serpente Princesa Um amor assim delicado Nenhum homem daria Talvez tenha sido pecado 40 Apostar na alegria Você pensa que eu tenho tudo E vazio me deixa Mas Deus não quer que eu fique mudo E eu te grito essa queixa 45 Princesa Surpresa Você me arrasou Serpente Nem sente que me envenenou 50 Senhora e agora Me diga aonde vou Amiga Me diga(Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, músico popular brasileiro. Um dos maistalentosos cantores e compositores do país, liderou com Gilberto Gil o movimentotropicalista na década de 1960.)Questões PropostasInterpretação:Com base na música-texto, julgue os itens a seguir. (Verifique o gabarito ao final destalição).a) Há, no texto, uma expressão popular adaptada com a qual o poeta revela a nãocorrespondência sentimental por parte da pessoa a quem se dirige.b) A “coisa” a que o poeta se refere no verso 5 é o amor. Página 6 de 47
    • c) O autor do texto utiliza substantivos ao final de cada movimento que expressamapenas duas imagens: a da mulher envolvente e sedutora e a da mulher delicada, belae formosa.d) Não há antítese no texto apresentado.e) No segundo movimento da música-texto, existe um neologismo.f) No último movimento, o poeta retoma a imagem inicial do texto, autovalorizando-se.g) A palavra “pecado” (l. 39) se relaciona a sentimentos e estados negativos.h) O sentimento que sobrevive no fim do poema é a amizade.Redação:Utilizando os dados que você pôde retirar do texto, explique a razão pela qual o autorescolheu o título “Queixa” para caracterizar a canção. Procure expressar suas idéiascom linguagem própria. DOMINANDO BASES CONCEITUAISAo responder às questões acima, você deparou com algumas dúvidas. Compreenderum texto, de fato, não é fácil. Tal ação exige técnica. O item 2, por exemplo, evidenciaapenas duas imagens expressas pelos substantivos, quando, na verdade, são três:Senhora (mulher orientadora, a quem o poeta respeita; Serpente (mulher envolvente esedutora); Princesa (mulher delicada, bela e formosa). No item 6, a palavra destacada,“pecado”, é, no dia-a-dia, associada a sentimentos e estados negativos. No texto,porém, isso não acontece: “Talvez tenha sido pecado / Apostar na alegria”.Considerações importantes:Os concursos públicos e exames vestibulares apresentam questões que têm porfinalidade a identificação do leitor autônomo. Por isso, não faltam situações que visama verificar não só o conhecimento do sistema lingüístico, mas também o conhecimentodos mecanismos de estruturação do significado. Hoje, portanto, o candidato devecompreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de necessitar deum bom léxico internalizado.É importante saber que texto, palavra de origem latina, significa “tecido”. Assim, éfundamental considerar que o texto não é um aglomerado de frases estanques,independentes umas das outras.As frases, na verdade, produzem significados diferentes de acordo com o contexto emque estão inseridas. Torna-se necessário sempre fazer o confronto entre todas aspartes que compõem um texto.Além disso, é importante apreender o pronunciamento contido por trás do texto, jáque este é sempre produzido para marcar uma postura ideológica frente a umaquestão qualquer. Página 7 de 47
    • Os diversos órgãos responsáveis pela elaboração de concursos públicos e examesvestibulares seguem praticamente os mesmos procedimentos estratégicos. As provasde língua portuguesa são, literalmente, provas de interpretação de textos com aseguinte estrutura básica: • Questões de interpretação textual (elementos estruturais) • Questões de interpretação semântica (relações de sentido) • Questões de interpretação gramatical (níveis estruturais da língua)Observação:Vale ressaltar que todas as questões elaboradas estabelecem uma ligação estreita como TEXTO.Como ler e entender o texto?Basicamente, o candidato deve ser conduzido a dois tipos de leitura:A informativa - requer a leitura seletiva, a identificação dentro de cada parágrafo dapalavra-chave, além daquelas que estruturam as frases constituintes da base deinformação.A interpretativa - A segunda requer o reconhecimento das capacidades decompreensão, análise e síntese das informações contidas no texto.I. Compreensão: capacidade de entender a mensagem literal contida em umacomunicação. As questões propostas versam, geralmente, sobre a tese defendida, apostura ideológica do autor, a idéia central do texto.II. Análise: capacidade de desdobrar o material em suas partes constitutivas,percebendo-se suas inter-relações e modos de organização.III. Síntese: capacidade de colocar em ordem os pensamentos essenciais do autor.Ao ler o texto, defina, portanto, dois campos importantes:I. Campo Semântico – Sublinhe sempre as palavras cujos significados, inicialmente,são desconhecidos. O contexto, muitas vezes, vai ajudá-lo a identificar os sinônimosde tais palavras. Tente buscar a acepção que melhor se coadune ao contexto.II. Campo Lexical – Em cada parágrafo, investigue qual a palavra-chave que constituio núcleo da idéia apresentada pelo autor. Você estará definindo os LexemasEssenciais, que são palavras ou expressões de significação mais importante naqueleparágrafo. Uma vez definidos os lexemas, procure chegar a uma síntese, à palavra ouexpressão que constitui o núcleo da tese defendida pelo autor durante todo o texto.Nesse momento, surge o Arquilexema.GABARITO:a) C - b) C - c) E - d) E - e) C - f) C - g) E - h) C Página 8 de 47
    • PROCESSOS COESIVOS DE REFERÊNCIA ENTENDENDO OS MECANISMOS DE COESÃO E COERÊNCIA MÚSICA-TEXTO DE APOIO É proibido fumar Diz o aviso que eu li É proibido fumar Pois o fogo pode pegar. 5 Mas não adianta o aviso olhar Pois a brasa que agora eu vou mandar Nem bombeiro pode apagar. É PROIBIDO Se pego uma garota FUMAR E canto uma canção 10 E nela dou um beijo Com empolgação Do beijo faz faísca (Roberto e E a turma toda grita Erasmo Carlos) Que o fogo pode pegar. 15 Nem bombeiro pode apagar O beijo que eu dei nela assim Nem bombeiro pode apagar Garota pegou fogo em mim. Sigo incendiando bem contente e feliz 20 Nunca respeitando o aviso que diz É proibido fumar.(Roberto Carlos e Erasmo Carlos são cantores e compositores brasileiros.Comandaram, na década de 1960, ao lado da cantora Vanderléia, o movimento daJovem Guarda e o programa de mesmo nome na TV Record. Líderes nas paradas desucesso, atingiram fama nacional prolongada. Quero que vá tudo pro inferno (1965),Eu sou terrível (1967), Detalhes (1971), Emoções (1981) são alguns dos seussucessos.) Página 9 de 47
    • Questão Proposta1. Com base na leitura da música-texto, julgue os itens.a) A letra da música “É proibido fumar” é motivada pelo trinômio uma garota / umbeijo / uma canção.b) Predomina, no texto, a denotação.c) Os versos 20 e 21 sugerem o gosto de transgredir a interdição.d) No tocante à forma, haja vista a banalidade dos versos, é possível afirmar que asrimas estão ausentes.e) Os elementos coesivos pois (l. 4) e Mas (l. 5) remetem, respectivamente, às idéiasde explicação e oposição.f) Os versos 2 e 5 apresentam a expressão o aviso. Caso o autor optasse por não arepetir, seria igualmente correto o emprego da expressão a advertência.g) Em “Nunca respeitando o aviso que diz” (l. 20), o elemento coesivo que retoma oantecedente “o aviso”.h) Em “E nela dou um beijo” (l. 10), o elemento destacado remete a “uma garota” (l.8).DOMINANDO BASES CONCEITUAISA partir da leitura do texto e da resolução da questão proposta, você percebeu quetodas as frases enunciadas mantêm um vínculo entre si. Percebeu, ainda, quedeterminados vocábulos retomam idéias anteriores ou são reforçados posteriormente.Manter os elos coesivos significa encaminhar o texto numa só direção. Para isso, épreciso saber usar com precisão os recursos de coesão e coerência.Qual a Relação Existente entre Coesão e Coerência?A coerência se relaciona com a linearidade do texto. Constitui, em linhas gerais, umprincípio de interpretabilidade e compreensão do texto caracterizado por tudo de que oprocesso aí implicado possa depender.Dessa forma, a coerência se relaciona com a coesão do texto, uma vez que esta éentendida como a ligação, a relação, os nexos que se estabelecem entre os elementosque constituem o texto. Essa conexão pode ser sintática e gramatical, mas tambémsemântica, pois, em diversos casos, os mecanismos coesivos se baseiam numa relaçãoentre os significados de elementos do texto. Página 10 de 47
    • A seguir, apresentamos uma síntese dos principais mecanismos de coesão, divididosem duas grandes modalidades: coesão referencial e coesão seqüencial.1. Coesão referencial: estabelecida entre dois ou mais elementos do texto queremetem a um mesmo referente. Pode ser obtida por meio da substituição (anáforas,pronomes, verbos, elipses e outros) e da reiteração (epítetos, sinônimos, nomesgenéricos, nominalizações, repetições e outros).2. Coesão seqüencial: obtida por meio da recorrência (paralelismos, paráfrases,aspectos fonológicos e outros). Nesse processo, é sempre importante garantir amanutenção temática e os encadeamentos, buscando os elementos lógicos eoperadores da seqüência lingüística que constitui o texto.Vale ressaltar que, embora a coesão auxilie no estabelecimento da coerência, ela não égarantia de se obter um texto coerente.O mau uso dos elementos lingüísticos de coesão pode provocar incoerências pelaviolação de sua especificidade de uso e função. Observe:Sem dúvida, o texto deve apresentar seqüências lingüísticas coesas para que sejapossível estabelecer um sentido global que as faça coerentes.Com o Texto Extra desta lição, Procuraremos entender, minuciosamente, os principaismecanismos dos quais estamos falando:GABARITO:a) C - b) E - c) C - d) E - e) C - f) C - g) C - h) C Página 11 de 47
    • FAZENDO CONEXÕES LENDO E ENTENDENDO O TEXTO MÚSICA-TEXTO DE APOIO Você disse que não sabe se não Mas também não tem certeza que sim Quer saber? Quando é assim 5 Deixa vir do coração Você sabe que eu só penso em você Você diz que vive pensando em mim Pode ser Se é assim SE... 10 Você tem que largar a mão do não Soltar essa louca, arder de paixão Djavan Não há como doer para decidir Só dizer sim ou não Mas você adora um se... 15 Eu levo a sério mas você disfarça Você me diz à beça e eu nessa de horror E me remete ao frio que vem lá do sul Insiste em zero a zero e eu quero um a um Sei lá o que te dá, não quer meu calor 20 São Jorge por favor me empresta o dragão Mais fácil aprender japonês em braile Do que você decidir se dá ou não(Djavan Caetano Viana, músico popular brasileiro. Cantor e compositor nordestino.Seu trabalho se caracteriza por original tratamento rítmico e pela exploração poéticada sonoridade das palavras. Meu bem querer, Oceano são alguns dos seus maioressucessos.) Página 12 de 47
    • Questões Propostas1. Julgue os itens abaixo de acordo com a análise da música-texto.a) O título do poema remete-nos a uma circunstância que exprime condição a qualvem expressa pela conjunção.b) O título proposto por Djavan é uma referência direta à pessoa a quem o eu-poéticofala.c) A pessoa a quem o poeta se refere possui as seguintes características: indecisa,dissimuladora, incoerente e convicta.d) Em “Você tem que largar a mão do não” (l. 10) temos linguagem com valorconotativo.e) Em “Sei lá o que te dá, não quer meu calor” (l. 19) a palavra sublinhada pode sersubstituída por dragão, uma vez que existe afinidade semântica entre elas.f) O verso 20 permite entrever o desespero do eu-poético diante da indecisão daamada.g) No verso 21, há uma figura de palavra denominada hipérbole.2. Julgue os itens abaixo.a) A palavra que (l. 1) constitui um pronome relativo.b) A locução conjuntiva “mas também” (l. 2) apresenta o sentido de adversidade.c) No verso 4, temos uma conjunção subordinativa temporal.d) No verso 13, a conjunção exprime negação.e) A conjunção presente no verso 14 possui o mesmo valor semântico da que está noverso 2.f) A conjunção encontrada no verso 18 apresenta o valor de adição.g) No último verso, identificamos três idéias expressas pelas conjunções: comparação,condição e alternância.DOMINANDO BASES CONCEITUAISAo resolver a segunda questão proposta, você foi convidado a pensar sobre osconectores ou conectivos. Eles desempenham um papel importante nos contextosmorfossintático e semântico de um texto e são responsáveis pela coesão de nossopensamento. Página 13 de 47
    • Esses conectores – preposições, advérbios, pronomes relativos, conjunções, termosdenotativos – precisam ser usados com precisão a fim de que os segmentos das frasesfiquem bem ajustados.Valor Representativo: a terceira classe de palavras, pois, é a do conectivo – do latimconectere = unir, juntar – classe que depende inteiramente das outras duas (= donome e do verbo).Conectivos, portanto, são partículas que representam no universo da linguagem asligações existentes entre os elementos constitutivos do universo humano.Neste, basicamente há três tipos de ligações: a que se estabelece entre dois seres (= ente, coisa ou fenômeno); a que se estabelece entre um processo ou ação e um ser; e a que se estabelece entre dois processos, ou ações.No universo da linguagem a ligação entre seres, isto é, nomes, é representadafundamentalmente pelo conectivo nominal: preposição; e a ligação entre processos,isto é, verbos, é representada também de modo fundamental pelo conectivo verbal:conjunção.Há outras possíveis, no entanto. O esquema global seria:1. Ligações entre dois nomes:a) Por subordinação de um nome ao outro, representadas por preposição – “O livro dePedro.”b) Por coordenação de um nome ao outro, representadas pelas conjunções “e”, “ou” –“O cavalo e o cão”; “o menino ou a menina.”2. Ligações entre um verbo, ou oração, e um nome:a) Por subordinação do nome ao verbo, representadas pela preposição – “Olhou paramim”; “Fugiu do colégio”.b) Por subordinação do verbo ao nome, representadas pelo pronome relativo – “Ohomem que eu vi.”3. Ligações entre dois verbos, ou orações:Por coordenação ou subordinação, representadas por conjunçõesa) “Ele lutou mas não venceu” (coordenação);b) “Ele chegou quando a chuva caiu” (subordinada). Página 14 de 47
    • Valor Estilístico: a presença, ausência ou acúmulo de conectivos pode ter uma grandesignificação estilística. Assim, só o desvio da norma lingüística é que ofereceráinteresse para a análise do conectivo, do ponto de vista literário.O que é um conectivo?Conectivo é uma designação genérica de diferentes vocábulos, invariáveis ou variáveis,que estabelecem ligação entre palavras, frases e entre palavras e frases. Abrangepreposições, conjunções e pronomes relativos.1. Conetivos conjuntivosAssim como as preposições ligam duas outras palavras entre si, estabelecendo entreelas determinadas relações, as conjunções ligam orações ou termos com a mesmafunção sintática.Chama-se de conjunção o conectivo (palavra ou locução) que liga duas orações ou doistermos semelhantes da mesma oração.Isso pode ser feito por coordenação: quando as orações ou termos da oração são sintaticamente independentes, ou por subordinação, quando uma das orações interligadas (a subordinada) depende da outra (a principal) para completar seu sentido.Há também as chamadas locuções conjuntivas, formadas pela partícula que precedidapor advérbios, preposições ou particípios (antes que, desde que, dado que etc.).Vamos rever as aulas de gramática.As conjunções coordenativas dividem-se em cinco tipos:(1) aditivas, que expressam idéia de soma:“O trabalho gera riqueza e produz alegria.”; “Não hesitaremos nem desistiremos.”(2) adversativas, que relacionam elementos contrastantes:“Foi a Roma, mas não viu o papa.”(3) alternativas, que relacionam elementos excludentes:“Dinheiro demais ou é bênção ou maldição.”; “Quer queiras, quer não queiras, iráscomigo.”(4) conclusivas, que exprimem idéia de conclusão:“Estudou bastante, logo deve ser aprovado.”(5) explicativas, que exprimem explicação, motivo:“Não vás, porque te arrependerás.” Página 15 de 47
    • A Nomenclatura Gramatical Brasileira reconhece dez tipos de conjunção subordinativa:(1) integrantes, que encabeçam orações que servem de sujeito, objeto, complementonominal, predicativo ou aposto a outra:“É necessário que acabemos logo.”; “Não sei se isto é válido.”(2) causais, que justificam o exposto na oração anterior:“Os preços caíram porque cresceram as importações.”; “Por que não vais a ele, se étão amigo teu?”(3) concessivas, que indicam um fato contrário à ação principal, mas insuficiente paraanulá-la:“Insistiu em sair, embora fosse tarde.”(4) condicionais (se, caso, contanto que etc.), que põem a oração subordinada emrelação de condição, hipótese ou suposição para com a principal:“Caso viaje, não poderei estar contigo.”(5) conformativas, que exprimem a conformidade da oração subordinada com aprincipal:“Esses dados, conforme já anunciado, são falsos.”(6) finais, que iniciam orações indicativas da finalidade da principal:“Fale baixo, para que Marta não acorde.”(7) proporcionais, que introduzem orações nas quais menciona-se na subordinada umfato realizado ou a realizar-se simultaneamente com o da principal:“À medida que a cidade crescer, mais difícil será resolver seus problemas.”(8) temporais, que iniciam uma oração subordinada indicadora de circunstância detempo:“Quando estiveres irado, conta até dez.”; “Mal chegou, foi começando a gritar.”(9) comparativas, que ligam à principal uma subordinada que encerra comparação:“Nada é mais caro que a ignorância.”(10) consecutivas, que iniciam uma oração na qual se indica conseqüência do que foideclarado na anterior:“Trabalhe sério, de modo que o respeitem.”Em síntese, veja quais são os principais conectivos conjuntivos:Uma preocupação de quem lê e escreve é verificar se os conectores estão empregadoscom precisão. A toda hora estamos fazendo uso deles. Por isso, damos a seguir umalista sucinta desses conectivos e suas respectivas funções. Página 16 de 47
    • 1. Conjunções, locuções conjuntivas, preposições e locuções prepositivas:1. adição – e, nem, também, não só... mas também.2. alternância – ou... ou, quer... quer, seja... seja.3. causa – porque, já que, visto que, graças a, em virtude de, por (+ infinitivo).4. conclusão – logo, portanto, pois.5. condição – se, caso, desde que, a não ser que, a menos que.6. comparação – como, assim como.7. conformidade – conforme, segundo.8. conseqüência – tão... que, tanto... que, de modo que, de sorte que, de forma que,de maneira que.9. explicação – pois, porque, porquanto.10. finalidade – para que, a fim de que, para (+ infinitivo).11. oposição – mas, porém, entretanto.12. proporção – à medida que, à proporção que, quanto mais, quanto menos.13. tempo – quando, logo que, assim que, toda vez que, enquanto.14. concessão – embora, ainda que, conquanto, mesmo que, apesar de (+ infinitivo).2. Pronomes relativos: que – quem – cujo – ondeAo empregar um pronome relativo, devemos ter o seguinte cuidado: observar apalavra a que ele se refere para evitar erros de concordância verbal.Exemplos:a) Encontramos um bom número de pessoas que estavam reivindicando os mesmosdireitos dos vinte funcionários vitoriosos.b) Os militares possuíam um foro particular que os livrava da submissão à Igreja.Ao empregar um pronome relativo, devemos ter o seguinte cuidado: > observar apalavra a que ele se refere para evitar erros de concordância verbal. Use a palavra“onde” somente se estiver fazendo referência a lugar.Exemplos:Errado: Tal fato aconteceu nos anos 80, onde a música era agente de transformaçãosocial.Correto: Tal fato aconteceu nos anos 80, quando a música era agente detransformação social.3. Termos de transição (entre períodos e parágrafos)Quando redigir, lembre-se de utilizar os operadores de seqüenciação adequados. Nãodeixe que as idéias fiquem soltas, como se tivessem sido registradas mecanicamente.Use expressões do tipo: Sendo assim, além desses elementos, a par dessasdificuldades, nesse sentido, nesse contexto, outros indicadores, vale ressaltar ainda,de um lado, de outro lado, (...). Página 17 de 47
    • Outros termos:1. afetividade: felizmente, queira Deus, pudera, oxalá, ainda bem (que).2. afirmação: com certeza, por certo, certamente, de fato.3. conclusão: em suma, em síntese, em resumo.4. conseqüência: assim, conseqüentemente, com efeito.5. continuação: além de, ainda por cima, bem como, também.6. dúvida: talvez, provavelmente, quiçá.7. ênfase: até, até mesmo, no mínimo, no máximo, só.8. exclusão: apenas, exceto, menos, salvo, só, somente, senão.9. explicação: a saber, isto é, por exemplo.10. inclusão: inclusive, também, mesmo, até.11. oposição: pelo contrário, ao contrário de.12. prioridade: em primeiro lugar, primeiramente, antes de tudo, acima de tudo,inicialmente.13. restrição: apenas, só, somente, unicamente.14. retificação: aliás, isto é, ou seja.15. tempo: antes, depois, então, já, posteriormente.GABARITO:1. a) C - b) C - c) E - d) C - e) E - f) C - g) C2. a) E - b) E - c) C - d) E - e) E - f) E - g) E Página 18 de 47
    • RESUMINDO I DOMINANDO BASES CONCEITUAIS TEXTO DE APOIO• Observe o plano de estruturação do seguinte texto:[Imagens do nosso planeta: na França, aconteceram eleições dentro de uma perfeitacalma, com a pitada de surpresa necessária para despertar o interesse. No mesmo dia,em Ruanda (África Negra), 5 mil ou talvez 8 mil hutus foram assassinados porsoldados tutsis, essa mesma Ruanda que no ano passado assistiu a um genocídiotraduzido em meio milhão de cadáveres.Ainda no mesmo dia, mas dessa vez na Itália, aconteceram eleições regionais,enquanto nos Estados Unidos se descobria, com ânsia de vômito, que a carnificina deOklahoma City foi obra de americanos de verdade, patriotas, totalmente brancos, queamam as árvores e os pássaros. Finalmente em Tóquio, o número dois da seita Aum,Shinri Kyo, suspeito de ter organizado o atentado com gás de combate ao metrô deTóquio, foi apunhalado por um fanático de extrema direita.É difícil para um jornalista descobrir suas âncoras e suas observações entre tantasimagens incompatíveis, cujo espectro abrange desde a rotina eleitoral à mais puraerupção de loucura coletiva. Devemos confessar que às vezes temos certos escrúpulosde dedicar extensos comentários a acontecimentos tão clássicos, simplistas eordenados quanto as eleições presidenciais, por exemplo, ao mesmo tempo em que ademência do planeta nos faz assistir, de Tóquio a Michigan e a Ruanda, ao início doapocalipse.Esses acontecimentos tão díspares merecem, no entanto, uma interrogação comum. Acerimônia eleitoral tão terna, tão pouco romântica, ocorrida no domingo não extrairiaseu mérito precisamente do abominável espetáculo que nos foi oferecido pelo mundo(Japão, Ruanda), quando a democracia não esteve presente para erradicar os impulsosda morte e de assassinato que devastam os homens e as sociedades humanas?Sem dúvida, a democracia não tem nada de cômico. Falta-lhe talento. Ela nãoconseguiria competir com o genial diretor teatral, trágico e sádico, que joga centenasde milhares de crianças perdidas nas suaves colinas da África tropical, em Ruanda. Éverdade: falta brilho à democracia. Ela é aborrecida, sem imaginação, repetitiva,medíocre. E no entanto...[No entanto, ela constitui a última proteção, tão frágil e poderosa ao mesmo tempo,que as sociedades podem opor ao desencadear de suas pulsões mais sombrias, maisdiabólicas. Pulsões que vemos se desencadear assim que saltam os marcos dademocracia. Página 19 de 47
    • É o que ocorre em Ruanda, onde massacres se sucederam ao fracasso do pactodemocrático. No Japão, o crime do metrô foi perpetrado por uma seitaantidemocrática: militarizada, hierarquizada, fúnebre, secreta e mórbida. E se amatança de Oklahoma City foi cometida num país absolutamente democrático, os EUA,seus atores são homens que declararam guerra principalmente à democracia. Esses“bárbaros” brancos, que se autodenominam patriotas, querem voltar aos bons velhostempos dos pioneiros, do desbravamento das fronteiras e em seu ódio irracional porWashington – quer dizer, pela lei democrática – matam centenas de cidadãos aoacaso.]Nesse sentido é que continua sendo, sem dúvida, legítimo escrever longos artigossobre as eleições democráticas na França ou na Itália. Precisamente para tentar lutarcontra essas outras notícias do dia que, de Ruanda a Michigan, só nos falam sobre ofascínio da morte.(Gilles Lapouge. O Estado de S. Paulo. 26/4/95, A8.)• Observe, agora, o plano de condensação:1ª parte (dois primeiros parágrafos) : concomitância de acontecimentos contraditóriosno mundo: rotina eleitoral versus massacres e chacinas;2ª parte (terceiro parágrafo): escrúpulos do jornalista em tratar de acontecimentosnão espetaculares, quando acontecimentos dramáticos ocorrem;3ª parte (quarto parágrafo): o mérito da rotina eleitoral surge do contraste com osimpulsos da morte;4ª parte (quinto parágrafo): ausência de uma dimensão espetacular da democracia;5ª parte (sexto e sétimo parágrafos): democracia – última proteção contra as pulsõesmais sombrias da sociedade, como o comprovam todos os casos de massacres echacinas;6ª parte (oitavo parágrafo): validade de escrever artigos sobre eleições democráticas –luta contra as pulsões da morte.• Possível redação do resumo do texto:Acontecimentos contraditórios ocorrem todos dias no mundo: de um lado, eleiçõesrealizadas na mais absoluta ordem; de outro, massacres e atos terroristas. Umjornalista, diante desse quadro, sente escrúpulos em tratar de acontecimentos nãodramáticos, como eleições.O mérito da rotina eleitoral, entretanto, surge do contraste com os acontecimentos querevelam os impulsos da morte. A democracia não tem uma dimensão espetacular. Noentanto, é a última proteção contra as pulsões mais sombrias da sociedade, pois, comoo comprovam recentes acontecimentos, massacres e atos de terror são devidos à faltade democracia ou ao ódio a ela. O que legitima, portanto, escrever artigos sobreeleições democráticas é que eles fazem parte da luta contra o desejo de matar.(Francisco Savioli e José Luiz Fiorin. Manual do candidato/Português. Brasília, Funag,1995, p. 214.) Página 20 de 47
    • Distorções conceituais sobre o resumo:a) Não é um plano, um esquema de notas dispostas em ordem e redigidotelegraficamente, ou seja, a partir de palavras-chave.b) Não é uma colagem de fragmentos do texto original, um mosaico de frases ouexpressões do autor, uma montagem de citações do texto a ser resumido, umajustaposição de trechos do original. Não reproduza frases inteiras ou segmentos defrases, ainda mais sem aspas.c) Não constitui uma redução mecânica do texto original. Não se deve construir umresumo com tantos parágrafos quantos forem os do texto original. Embora a ABNTrecomende a redação do resumo em um só parágrafo, não existe tal obrigatoriedade.O plano de estruturação do texto original é que vai determinar o plano decondensação.d) Não é um comentário, nem um julgamento de valor. É imprescindível que hajasubmissão ao pensamento do autor, fidelidade ao sentido do texto original. Não sepode fazer objeções, nem críticas. Por isso, evite expressões do tipo: “No texto lido, oautor comenta...”.e) Não é uma análise, em que se explica o que o objetivo do autor, o modo deargumentação, a forma de divisão ou estruturação de idéias, etc.Concepções corretas acerca do resumo:a) É um texto redigido com períodos completos que sintetizam, numa determinadaproporção, um texto mais longo, sem acrescentar-lhe nenhum dado pessoal, e cujaarticulação corresponde à organização geral do texto original. Nos concursos,recomenda-se, em geral, que o tamanho do resumo corresponda a ¼ da extensão dotexto a ser condensado.b) É uma condensação que evidencia o entendimento do texto e isso só se demonstrapor meio de uma formulação pessoal. Apresentam-se, com suas próprias palavras, ospontos relevantes do texto.c) É uma redução do texto original, procurando captar suas idéias essenciais naprogressão e no encadeamento que aparecem no texto. Por isso, para resumir épreciso estar atento a três aspectos do texto: suas partes, sua progressão, a conexãoentre elas.d) É um texto com características do texto dissertativo. Isso significa que o resumo deuma narração não será redigido como uma pequena narração, mas como a explicitaçãodo assunto nela tratado. Página 21 de 47
    • Passos para a elaboração de um bom resumo:1. Primeira leitura: ler o texto inteiro, unindo cuidadosamente os parágrafos afins(Rever o texto apresentado e a utilização dos colchetes).2. Segunda leitura: agora com interrupções, definir o campo lexical e o significado depalavras desconhecidas. Dar atenção também às palavras coesivas, isto é, àquelas queestabelecem conexões ou retomam o que foi fito (por exemplo, assim, mas, porconseguinte, seu, isso, ele, aqui). Ao verificar as conexões entre as partes, percebe-seo movimento do texto, sua progressão, o encadeamento das idéias.3. Segmentação: dividir o texto em unidades temáticas. Encontrar a divisão maisadequada do texto.4. Redação: fazer a redação final com suas próprias palavras. Nela, apresentam-se ostemas de cada parte, encadeados na progressão em que aparecem no texto,respeitando-se as relações estabelecidas entre eles no texto. Cuidado com os períodoslongos demais.5. Recomendação: quando condensar um texto longo (solicitação da maioria dasbancas elaboradoras de concursos), estruturar o resumo em parágrafos – respeitando-se as orientações acima. Eles deixam entrever o plano da condensação realizada. Página 22 de 47
    • RESUMINDO IISeguindo as orientações e os passos apresentados neste capítulo, redija um bomresumo para o texto a seguir:Estamos à margem da lei?A descoberta de uma quadrilha de bandidos travestidos de fiscais na AdministraçãoRegional de Pinheiros, bairro da zona sudoeste de São Paulo, não deve tersurpreendido ninguém. Qualquer pessoa que tenha precisado podar uma árvoreameaçadora, retirar entulho, fazer uma pequena reforma ou algo do gênero nessaregião já terá experimentado o peso da burocracia organizada para criar dificuldadescom o objetivo de vender facilidades.Era corrente a idéia de que não adiantava reclamar de bares ruidosos, restaurantesfuncionando em locais impróprios ou construções irregulares. O alerta dos cidadãos sóajudava os fiscais a localizar novas fontes de renda para si mesmos. E o interesse dacidade? Ora, o interesse da cidade... Não espanta a existência da quadrilha, mas atranqüilidade com que funcionava, com o beneplácito do Executivo e do Legislativo, oapoio de maus cidadãos (sim, pois não há corruptos sem corruptores) e a conivênciada população, que via a região se deteriorando e achava que as coisas eram “assimmesmo”.Os fatos são graves, muito graves mesmo. A ocupação indiscriminada do solo e a suaimpermeabilização, com vistas apenas a interesses comerciais imediatos, implicam adestruição da já rara área verde que a região possui, com graves conseqüências sobrea vida urbana, como o transbordamento dos córregos (já que a água não tem como seinfiltrar no solo) e a piora do trânsito e de nossa já não tão excepcional qualidade devida. A abertura de barzinhos em locais proibidos prejudica o sono e a segurança davizinhança, levando para áreas residenciais boêmios e arruaceiros, além de ocuparcalçadas e até partes da rua com cones, filas duplas e tudo o mais. Ingênuos os queachavam que a prefeitura, por ter poucos fiscais, não tinha como atacar o problema.Ele era atacado, mas em proveito de gangues organizadas exatamente por quemdeveria lutar contra irregularidades.Mas há um aspecto que talvez seja o mais grave: o fracasso do Estado exatamentenuma das áreas em que sua atuação é insubstituível. Na verdade, a corrupção faz comque os agentes do governo (no caso, os fiscais), que deveriam ter por função apenasexecutar as leis (supostamente inspiradas pelo povo e criadas pelo Legislativo), tomema si o direito de criar seus próprios regulamentos, aplicá-los e tirar proveito pessoaldessa aplicação. É como se houvesse uma lei “para inglês ver” e outra para valer. É sóperguntar às centenas de comerciantes que pagavam propina qual poder elesrespeitavam. Página 23 de 47
    • Infelizmente, o caso dos fiscais não é isolado. Arrancar recibo de certos dentistas emédicos é quase tão difícil quanto receber uma nota fiscal de muitas lojas. Máquinasregistradoras que não emitem cupons fiscais, só boletos de “controle interno”, sãocomuns, e é freqüente o pedido de uma nota fiscal ser recebido com expressão de ódiomortal por parte do comerciante. Esse sentimento de impunidade só pode se escudarnuma (digamos assim) colaboração estreita com aqueles que teriam por função fazercumprir a lei.Isso vale, é claro, para “colaborações” em esferas mais elevadas. Não consigo acharque seja menos do que um escândalo a apropriação indébita do INSS do empregado,descontado da folha de pagamento e não recolhido pelo empregador. Vez por outrasaem listas dos maiores devedores, muitos dos quais empresas da área decomunicação, e não posso deixar de imaginar qual seria a contrapartida exigida pelos“bondosos” governantes pelo perdão informal das dívidas. É, mais uma vez, ofuncionário de governo extrapolando suas funções, corporificando todos os poderes,arrogando-se poderes imperiais, como se a Revolução Francesa não tivesse existidopara nada.De resto, ainda somos um país que tem leis escritas que “não pegam” e leis não-escritas que já pegaram. Legislar para o nada é inócuo, na melhor das hipóteses. E, naprática, sempre há algum agente fazendo algum tipo de lei funcionar. Bom exemplo éo de estupradores (ou supostos estupradores) encarcerados. Por mais desprezo que sepossa sentir por eles, não é aceitável que sejam postos numa cela com arecomendação dos carcereiros para que sejam sodomizados pelos companheiros, comopunição pelo seu ato. Aqui, temos carcereiros julgando e condenados executando a lei.Ora, sejamos sérios. Ou os legisladores assumem que somos trogloditas e colocam asodomização como pena para o estupro ou façamos cumprir a lei. Para todos.(Jaime Pinsky, 59, historiador e editor, doutor e livre-docente pela Universidade deSão Paulo, é professor titular do Departamento de História da Unicamp (UniversidadeEstadual de Campinas) e autor de “Cidadania e Educação”, entre outros livros. E-mail:pinsky@ruralsp.com.br) Página 24 de 47
    • PARAFRASEANDO I Lendo e entendendo o texto MÚSICA-TEXTO DE APOIO Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais, braços dados ou não Nas escolas, nas ruas, campos, construções Caminhando e cantando e seguindo a canção. 5 Vem, vamos embora que esperar não é saber Quem sabe faz a hora, não espera acontecer Vem, vamos embora que esperar não é saber Quem sabe faz a hora não espera acontecer. PRA NÃO Pelos campos há fome em grandes plantações DIZER QUE 10 Pelas ruas marchando indecisos cordões NÃO FALEI DAS Ainda fazem da flor seu mais forte refrão FLORES E acreditam nas flores vencendo o canhão. Há soldados armados, amados ou não Geraldo Vandré Quase todos perdidos de armas na mão 15 Nos quartéis lhes ensinam antigas lições De morrer pela pátria e viver sem razão. Nas escolas, nas ruas, campos, construções Somos todos soldados, armados ou não Caminhando e cantando e seguindo a canção 20 Somos todos iguais, braços dados ou não. Os amores na mente, as flores no chão A certeza na frente, a história na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinando uma nova lição.(Vandré – Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, músico brasileiro. Compositor de músicasditas de protesto, muito popular na época dos festivais da canção, na década de 1960.Porta-estandarte (1965), Disparada (1966), Pra não dizer que não falei de flores(1968) constituem alguns dos seus maiores sucessos.) Página 25 de 47
    • Questão Proposta1. Julgue os itens a seguir.a) “Caminhando” constitui uma canção brasileira de protesto.b) Pela sua estrutura formal, “Caminhando” constitui um soneto.c) Considerando a metrificação e a cadeia sonora do texto, é possível dizer que estelembra uma marcha entoando em ritmo lento os versos com acento contínuo naterceira sílaba: “caminhando e cantando e seguindo a canção.”d) O propósito de Geraldo Vandré era fazer um canto pessoal, inexistindo, portanto,marcas do coletivo no discurso.e) Com os versos “esperar não é saber / não espera acontecer”, deve-se observar quea canção presentifica o tempo.f) A última estrofe deixa transparecer sentimentos de amor, revolta, ousadia earrefecimento de ânimos.g) Reescrevendo o verso 9, sem alterar-lhe o sentido primeiro, obtém-se: “Peloscampos existe fome em grandes plantações.”h) O verso 15 pode ser reescrito da seguinte maneira: “Nos quartéis nos ensinamultrapassadas lições”, sem alteração do sentido original.i) Uma outra possibilidade de reescritura do verso 15, sem alterar-lhe o sentidoprimitivo, é: “Antigas lições são ensinadas a eles nos quartéis.”Dominando bases conceituaisVocê notou, com base na resolução dos últimos itens da questão proposta, que alíngua possui uma série de recursos lingüísticos que permitem dizer a mesmamensagem com estruturas diferentes. O ponto de partida é sempre o texto-fonte.Esses recursos constituem uma forma de intertextualidade que denominamosPARÁFRASE.A paráfrase contribui para o aprimoramento do vocabulário e proporciona inúmerasoportunidades de reestruturação de frases, considerando as múltiplas possibilidadescombinatórias da nossa língua.Dessa forma, a paráfrase corresponde a uma espécie de tradução dentro da próprialíngua, em que se diz, de maneira mais clara, num texto B o que contém um texto A,sem comentários marginais, sem nada acrescentar e sem nada omitir do que sejaessencial, tudo feito com outros torneios de frase e, tanto quanto possível, com outraspalavras, e de tal forma que a nova versão – o que pode ser sucinta sem deixar de serfiel – evidencie o pleno entendimento do texto original.Em síntese, PARÁFRASE é a reescritura do texto, mantendo-se o sentido original,primeiro. Página 26 de 47
    • Vejamos, portanto, algumas dessas possibilidades combinatórias da nossa língua:1) Substituição lexical (relações de sinonímia): A. Embora falasse a verdade, ninguém acreditou em seu discurso. B. Conquanto falasse a verdade, ninguém acreditou em seu discurso.2) Inversão dos termos da oração ou das orações do período:I- A. Grande parte de nossas vidas transcorre em locais de trabalho. B. Em locais de trabalho, grande parte de nossas vidas transcorre.II - A. Irei ao Japão quando me formar. B. Quando me formar, irei ao Japão.3) Transposição da voz ativa para a voz passiva e vice-versa: A. Ele elogiou a obra literária. B. A obra literária foi elogiada por ele.4) Transposição do discurso direto para o discurso indireto e vice-versa: A. O padre confessou: – Estou muito doente. B. O padre confessou que estava muito doente.Na passagem do discurso direto para o indireto ou vice-versa, observe as seguintestransformações:a) discurso direto: primeira pessoa Eles indagaram: – O que devemos resgatar? Discurso indireto: terceira pessoa Eles indagaram o que deviam resgatar.b) discurso direto: imperativo O chefe ordenou: – Redijam o relatório. Discurso indireto: pretérito imperfeito do subjuntivo O chefe ordenou que redigíssemos o exercício.c) discurso direto: futuro do presente O médico explicou: – Com o exame, a criança ficará curada. Discurso indireto: futuro do pretérito O médico explicou que, com o medicamento, a criança ficaria curada.d) discurso direto: presente do indicativo Gudestéia me perguntou: – A quem devo informar o problema? Discurso indireto: pretérito imperfeito do indicativo Gudestéia me perguntou a quem devia informar o problema.e) discurso direto: pretérito perfeito Abigail disse: – Estive no STF e falei com o presidente. Discurso indireto: pretérito mais-que-perfeito Abigail disse que estivera no STF e falara com o presidente. Página 27 de 47
    • 5) Substituição da oração adverbial, substantiva ou adjetiva pelas classes gramaticaiscorrespondentes ou vice-versa:I - A. A moça escorregou porque ventava. (oração adverbial causal) B. A moça escorregou por causa do vento. (locução adverbial causal)II - A. Desejo que você silencie. (oração substantiva) B. Desejo o seu silêncio. (substantivo)III - A. Ela é uma pessoa que tem convicções. (oração adjetiva) B. Ela é uma pessoa convicta. (adjetivo)6) Substituição de orações desenvolvidas por reduzidas ou vice-versa:A. É importante que o trabalho seja prosseguido. (oração desenvolvida)B. É importante prosseguir o trabalho. (oração reduzida)GABARITO:a) C - b) E - c) C - d) E - e) C - f) E - g) C - h) E - i) C Página 28 de 47
    • SIGNIFICADO CONTEXTUALIZANDO A PALAVRA: DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO MÚSICA-TEXTO DE APOIO Uma lata existe para conter algo, Mas quando o poeta diz lata Pode estar querendo dizer o incontível Uma meta existe para ser um alvo, 5 Mas quando o poeta diz meta METÁFORA Pode estar querendo dizer o inatingível Por isso não se meta a exigir do poeta GILBERTO GIL Que determine o conteúdo em sua lata Na lata do poeta tudo-nada cabe, 10 Pois ao poeta cabe fazer Com que na Lata venha caber O incabível Deixe a meta do poeta, não discuta, Deixe a sua meta fora da disputa 15 Meta dentro e fora, lata absoluta Deixe-a simplesmente metáfora(Gilberto Gil, cantor e compositor baiano. Em 1967, com as músicas Domingo noparque – de sua autoria – e Alegria, alegria – de Caetano Veloso – inaugurou otropicalismo na música popular brasileira. Em 1968, Gil e Caetano gravaram o famosodisco Tropicália. Perseguido pela ditadura militar, Gilberto Gil mudou-se para Londresem 1969 e, como despedida, compôs Aquele abraço. De volta ao país em fevereiro de1972, lançou o disco Expresso 2222. Quatro anos depois, gravou Doces bárbaros comCaetano Veloso, Maria Betânia e Gal Costa.) Página 29 de 47
    • 1. Com base na música-texto.a) O que caracteriza o texto de Gilberto Gil, enquanto poético, é o fato de, ao mesmotempo que se refere à ambigüidade das palavras, cria essa ambigüidade no seuinterior.b) Predomina, no texto, a linguagem com valor conotativo, ou seja, figurado.c) Nos versos 9 e 15, a ambigüidade está ausente.d) O verso 14 evidencia um jogo de palavras que recupera o título do poema.e) Os versos de 10 a 12 revelam que o poeta, ao jogar com a linguagem, leva o leitora uma desautomatização.f) No verso 11, a palavra “Lata” foi grafada com maiúscula porque está presente nopenúltimo verso da maior estrofe do poema.g) No verso 4, a palavra meta significa objetivo.h) No verso 7, a palavra meta significa almejar.i) No verso 15, a palavra meta significa colocar.DOMINANDO BASES CONCEITUAISa) Forma e SignificadoHá muitos candidatos que, ainda, entendem o estudo da língua como conjunto deinstruções programadas no cérebro. Sabemos, porém, que precisamos transcender talrealidade. Todos os componentes fonológicos, morfológicos, sintáticos e semânticosdevem ser explicitados, articulados, contextualizados.Dessa maneira, é importante saber que as unidades lingüísticas apresentam doisaspectos fundamentais:a FORMA (ou “significante”) e o SIGNIFICADO.Portanto, uma unidade como a palavra LATA pode ser estudada do ponto de vistaformal: sua pronúncia, sua composição e classificação morfológica e seucomportamento sintático. Por outro lado, a mesma palavra LATA pode ser estudada doponto de vista semântico, isto é, do significado.Vale ressaltar que os dois aspectos, o formal e o semântico, estão presentes napalavra LATA, mas precisam ser separados na descrição, pois a relação que existeentre as formas gramaticais e os significados que elas veiculam é extremamentecomplexa.Tudo depende do CONTEXTO. Por isso, hoje as provas de concursos públicos e examesvestibulares priorizam o TEXTO, visando a perceber a capacidade de raciocínio lógicodo candidato. Página 30 de 47
    • A descrição de uma língua deve ser entendida como composta essencialmente de trêscomponentes:1. descrição formal (fonologia, morfologia, sintaxe);2. descrição semântica (relação de sentido);3. interpretação semântica (articulação dos dois primeiros componentes).Observe os exemplos:A. Meu filho detesta berinjela.B. Meu filho não gosta de berinjela.(Propriedades formais diferentes / aproximação semântica).C. Esta é a mulher mais bonita de Campo Grande.D. Esta é a poesia mais bonita de Cecília Meireles.(Propriedades formais iguais / evidentes diferenças semânticas)Os exemplos mais complexos – e que surpreendem os candidatos desavisados – sãoaqueles em que uma diferença formal corresponde a uma diferença semântica.b) Denotação e ConotaçãoObserve, agora, como Carlos Drummond articula forma e significado. No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Carlos Nunca me esquecerei desse acontecimento Drummond na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra.A partir da leitura do texto acima, surgem alguns questionamentos: qual o realsignificado dessa “pedra” e desse “caminho”? Centenas de interpretações já foramconstruídas na tentativa de desvendar o poema.Serão obstáculos à ação do homem? Será o enigma da existência? Ou o poemaregistra apenas signos reais? O caminho seria simplesmente um caminho, por onde iao poeta quando deparou com aquela pedra obstruindo-lhe a passagem?Diante da reflexão existencial que caracteriza a poesia drummondiana é, no entanto,difícil não sentirmos naquele “caminho” e naquela “pedra” densos signos metafóricoscarregados de significações ocultas. O que importa, afinal, é que o poema continuavivendo, entregue a cada um de nós, oferecendo a cada um o que quisermos encontrarnele. Página 31 de 47
    • Entre a “pedra” e os possíveis “obstáculos da vida” sente-se a implacável resistênciacontra a qual todos os esforços são inúteis.A linguagem conotativa configura-se a partir de uma associação de caráter semântico,isto é, o termo real é expresso por um termo ideal a ele relacionado por determinadasignificação. É o que acontece com o poema de Drummond, em que a “pedra” – pelasua dureza, irredutibilidade e situação de “obstáculo” ao caminhar livre (denotação) –é logo associada à significação de uma vida frustradora, dura e cheia de poréns à livrerealização do homem (conotação).Vamos entender bem esses dois conceitos.A conotação é conhecida como linguagem figurada, plurívoca, translata, aquela que fazuso de todo o arsenal retórico de que a língua dispõe como forma de expressão.Há nuvens negras na economia brasileira.Houve, aqui, a associação por similaridade: nuvens negras/tempestade/ situação ruim.Dessa forma, um signo “emprestou” sua significação a outro.O outro nível de linguagem é a denotação. Esta tenta uma aproximação mais diretaentre o termo e o objeto.Há nuvens negras na atmosfera.Nesta frase, percebemos que a expressão nuvens negras está sendo usado no seusentido próprio, real, unívoco. O SIGNIFICADO Denotação e Conotação Polissemia e Monossemia1. Denotação e ConotaçãoAtenção outra vez para o significado, que no Capítulo II já vimos ser uma imagemmental ou conceito. Se perguntarmos a alguém que fale a nossa língua, qual osignificado de “chave”, o primeiro pensamento que lhe ocorra talvez seja “uma peça demetal que abre fechadura”, pois esse é o significado mais usual, é o primeirosignificado, é o significado denotativo. É o significado ligado principalmente aexperiências coletivas.Contudo, o emissor, ao elaborar sua mensagem, ao realizar seu ato de fala,freqüentemente dá asas à criatividade e, inserindo o signo em determinado contexto,modifica, amplia ou reduz seu significado, o que equivale a dizer que o emissor deixade lado o significado denotativo, passando a usar a conotação ou significadosecundário, periférico.• contexto 1: Perdi a chave da minha mala.• contexto 2: Esta é a chave do sucesso.• contexto 3: Ele encerrou o poema com chave de ouro. Página 32 de 47
    • Observe que dentre os três contextos acima, em apenas um (o primeiro) a palavradestacada está usada com sentido denotativo, ao passo que nos contextos dois e trêssão ressaltados os sentidos conotativos. Veja:Com base em tais dados, conclui-se que denotação é o significado mais objetivo, é osignificado de primeira linha, o dicionarizado, enquanto a conotação é o significadosubjetivo, secundário, periférico, bastante ligado às experiências pessoais. Conotação,em outras palavras, é produto da linguagem figurada.2. Polissemia e MonossemiaSema é uma unidade de significado. Poli significa muito, vários. Polissemia significavários significados. Diz-se que uma palavra é polissêmica quando é capaz de despertarmais de um significado denotativo, indiferentemente às conotações.No Novo Dicionário Aurélio, a palavra “manga” está assim registrada:· “Manga (1). (Do lat. manica ‘manga de túnica’) S.f. 1.Parte do vestuário onde seenfia o braço. 2. Filtro afunilado para líquidos.· Manga (2). (Do lat. manica < manus, ‘exército, hoste’) S.f. 1. Hoste de tropas. 2.Grupo, ajuntamento, bando, turma.· Manga (3). (Do mal. manga) S.f. 1. fruto da mangueira. 2. mangueira.· Manga (4). (Do esp. plat. manga) S.f. 1. Bras. AM. - Parede de cerca que vai da beiraaté as asas dos currais-de-peixe, perpendicularmente ao rio.· 2.Bras.MA - Espécie de corredor com paredes de varas, que conduz a um rio ou umigarapé e serve para guiar os bois que vão ser embarcados.· 3. Bras.CE a BA e MG a GO - Pastagem cercada onde se guarda o gado, 4...”Podem-se criar várias frases em que a palavra “manga” assume vários significadosdenotativos.a) A manga do seu vestido está rasgada .(denotação)b) Esta mangueira dá excelentes mangas. (denotação)c) Preparemo-nos para atacar pelos flancos a manga inimiga. (denotação)Em cada um dos três exemplos citados, a palavra manga é monossêmica. Nodicionário, são quatro palavras manga diferentes que, por acaso, se escrevem damesma forma. Trata-se de homônimos perfeitos.Porém, se em um enunciado como “vivi porque me senti atraído pela manga” ligado adeterminada situação ou contexto, permitir ao ouvinte entender a palavra com mais deum significado denotativo, (manga,1,2...), aí acontecerá o fenômeno da polissemia.Por tudo que já se viu, infere-se que a significação de uma palavra ou de um signo sóse define em relação ao contexto em que se encontra, e que a polissemia sempre éditada pela situação ou contexto, tanto quanto a monossemia. Página 33 de 47
    • NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO E DISSERTAÇÃO ITextoEm um cinema, um fugitivo corre desabaladamente por uma floresta fechada, fazendoziguezagues. Aqui tropeça em uma raiz e cai, ali se desvia de um espinheiro, látranspõe um paredão de pedras ciclópicas, em seguida atravessa uma correnteza afortes braçadas, mais adiante pula um regato e agora passa, em carreira vertiginosa,por pequena aldeia, onde pessoas se encontram em atividades rotineiras.Neste momento, o operador pára as máquinas e tem-se na tela o seguinte quadro: umhomem (o fugitivo), com ambos os pés no ar, as pernas abertas em larguíssimapassada como quem corre, um menino com um cachorro nos braços estendidos, orosto contorcido pelo pranto, como quem oferece o animalzinho a uma senhora deolhar severo que aponta uma flecha para algum ponto fora do enquadramento da tela;um rapaz troncudo puxa, por uma corda, uma égua que se faz acompanhar de umpotrinho tão inseguro quanto desajeitado; um pajé velho, acocorado perto de umachoça, tira baforadas de um longo e primitivo cachimbo; uma velha gorda e sujadorme em uma já bastante desfiada rede de embira fina, pendurada entre uma árvoreseca, de galhos grossos e retorcidos e uma cabana recém-construída, limpa, alta, depalhas de buriti muito bem amarradas...Antes de exercitar com o texto, pense no seguinte:Narrar é contar uma história. A Narração é uma seqüência de ações que se desenrolamna linha do tempo, umas após outras. Toda ação pressupõe a existência de umpersonagem ou actante que a pratica em determinado momento e em determinadolugar, por isso temos quatro dos seis componentes fundamentais de que um emissorou narrador se serve para criar um ato narrativo: personagem, ação, espaço e tempoem desenvolvimento. Os outros dois componentes da narrativa são: narrador e enredoou trama.Descrever é pintar um quadro, retratar um objeto, um personagem, um ambiente. Oato descritivo difere do narrativo, fundamentalmente, por não se preocupar com aseqüência das ações, com a sucessão dos momentos, com o desenrolar do tempo. Adescrição encara um ou vários objetos, um ou vários personagens, uma ou váriasações, em um determinado momento, em um mesmo instante e em uma mesmafração da linha cronológica. É a foto de um instante.• A descrição estática não envolve ação.Exemplos:“Uma velha gorda e suja”.“Árvore seca de galhos grossos e retorcidos”. Página 34 de 47
    • • A descrição dinâmica apresenta um conjunto de ações concomitantes, isto é, umconjunto de ações que acontecem todas ao mesmo tempo, como em uma fotografia.No texto, a partir do momento em que o operador pára as máquinas projetoras, todasas ações que se vêem na tela estão ocorrendo simultaneamente, ou seja, estãocompondo uma descrição dinâmica. Descrição porque todas as ações acontecem aomesmo tempo, dinâmica porque inclui ações.DISSERTARDissertar diz respeito ao desenvolvimento de idéias, de juízos, de pensamentos.Exemplos: “As circunstâncias externas determinam rigidamente a natureza dos seres vivos, inclusive o homem...” “Nem a vontade, nem a razão podem agir independentemente de seu condicionamento passado.”Nesses exemplos, tomados do historiador norte-americano Carlton Hayes, nota-se bemque o emissor não está tentando fazer um retrato (descrição); também não procuracontar uma história (narração); sua preocupação se firma em desenvolver umraciocínio, elaborar um pensamento, dissertar.Quase sempre os textos quer literários, quer científicos, não se limitam a serpuramente descritivos, narrativos ou dissertativos. Normalmente um texto é umcomplexo, uma composição, uma redação, onde se misturam aspectos descritivos commomentos narrativos e dissertativos e, para classificá-lo como narração, descrição oudissertação, procure observar qual o componente predominante. Página 35 de 47
    • NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO E DISSERTAÇÃO IIa) Prosa e VersoAntes de apresentar as modalidades textuais, façamos a distinção entre verso e prosa.Está plenamente demonstrado que o verso é mais antigo do que a prosa, a qual nãodeve confundir-se, como freqüentemente se faz, com a linguagem falada. Esta, porsua finalidade e características, difere muito tanto da linguagem literária da poesiacomo da prosa.A oposição entre prosa e verso parte do fato de que a prosa se concentra no conteúdoe, portanto, busca basicamente a clareza expositiva, enquanto na poesia a formapredomina sobre o conteúdo, e seu principal objetivo é a busca da beleza para aprodução de prazer estético.A prosa preocupa-se, antes de tudo, com a idéia, embora não com sua reflexão. Suaessência é a análise, ou seja, a decomposição da idéia em todos os seus elementos.Em conseqüência, a linguagem da prosa procura ser lógica, coerente, e distinguir oque se sabe do que se imagina. A poesia, ao contrário, atua por meio de síntesesintuitivas e pretende comover o leitor ou ouvinte.Outro princípio de diferenciação observa-se na utilização dos adjetivos. Na poesia sãofreqüentíssimos os adjetivos “não pertinentes” — como na expressão “palácioscariados” (João Cabral de Melo Neto), ou que em seu significado não qualifiquem ossubstantivos — como em “dúbios caminhantes” e “linhos matinais” (Cesário Verde) —,que a prosa, em geral, rejeita.Também serve de exemplo o uso da coordenação, que na poesia pode seraparentemente inconseqüente, como nos versos de Drummond: “Pensando com unha,plasma, / fúria, gilete, desânimo.” A inconseqüência não só se dá na coordenação,mas, em geral, na própria sucessão das idéias. Na prosa, ao contrário, espera-se quecada idéia apresentada se articule com as necessidades do discurso.b) Narração – Descrição – DissertaçãoTodas as formas de expressão escrita podem ser classificadas em formas literárias —como as descrições e narrações, e nelas o poema, a fábula, o apólogo, o conto e oromance, entre outros — e não-literárias, como as dissertações e redações técnicas.Descrição. Descrever é representar um objeto (cena, animal, pessoa, lugar, coisa etc.)por meio de palavras. Para ser eficaz, a apresentação das características do objetodescrito deve explorar os cinco sentidos humanos — visão, audição, tato, olfato epaladar —, já que é por intermédio deles que o ser humano toma contato com oambiente. Página 36 de 47
    • A descrição resulta, portanto, da capacidade que o indivíduo tem de perceber o mundoque o cerca. Quanto maior for sua sensibilidade, mais rica será a descrição. Por meioda percepção sensorial, o autor registra suas impressões sobre os objetos, quanto aoaroma, cor, sabor, textura ou sonoridade, e as transmite para o leitor.Narração. O relato de um fato, real ou imaginário, é denominado narração.Pode seguir o tempo cronológico, de acordo com a ordem de sucessão dosacontecimentos, ou o tempo psicológico, em que se privilegiam alguns eventos paraatrair a atenção do leitor. A escolha do narrador, ou ponto de vista, pode ticipou doacontecimento de forma secundária ou ainda um espectador onisciente, quesupostamente esteve presente em todos os lugares, conhece todos os personagens,suas idéias e sentimentos.A apresentação dos personagens pode ser feita pelo narrador, quando é chamada dedireta, ou pelas próprias ações e comportamentos deste, quando é dita indireta.As falas também podem ser apresentadas de três formas: discurso direto, em que o narrador transcreve de forma exata a fala do personagem; discurso indireto, no qual o narrador conta o que o personagem disse, lançando mão dos verbos chamados dicendi ou de elocução, que indicam quem está com a palavra, como por exemplo “disse”, “perguntou”, “afirmou”; e discurso indireto livre, em que se misturam os dois tipos anteriores.O conjunto dos acontecimentos em que os personagens se envolvem chama-seenredo. Pode ser linear, segundo a sucessão cronológica dos fatos, ou não-linear,quando há cortes na seqüência dos acontecimentos. É comumente dividido emexposição, complicação, clímax e desfecho.Quanto ao foco narrativo, ou seja, a posição escolhida pelo narrador para desencadearos fatos, podemos caracterizar três tipos básicos de narrador:1. Narrador-personagem: 1ª pessoa/ O narrador participa dos fatos explicitados.Exemplo:Eu e meu avô conversávamos sobre o passado. Fiquei a pensar sobre a rápidapassagem do tempo.2. Narrador-observador: 3ª pessoa/ O narrador apenas observa os fatos explicitados.Exemplo:Margarida e Olímpico estavam sentados em um tronco. Conversavam sobre apossibilidade de casarem-se. Página 37 de 47
    • 3. Narrador-onisciente: 3ª pessoa/ Sabe tudo: além de observar os fatos explicitados,conhece intrinsecamente as personagens.Exemplo:Regina Célia despediu-se de Gomes. Naquele momento, ela precisou de muita forçapara suportar a ânsia que lhe invadia o peito.O gênero narrativo envolve:Dissertação. A exposição de idéias a respeito de um tema, com base em raciocínios eargumentações, é chamada dissertação. Nela, o objetivo do autor é discutir um tema edefender sua posição (postura ideológica) a respeito dele. Por essa razão, a coerênciaentre as idéias e a clareza na forma de expressão são elementos fundamentais.A organização lógica da dissertação determina sua divisão em introdução, parte emque se apresenta o tema a ser discutido; desenvolvimento, em que se expõem osargumentos e idéias sobre o assunto, fundamentando-se com fatos, exemplos,testemunhos e provas o que se quer demonstrar; e conclusão, na qual se faz odesfecho da redação, com a finalidade de reforçar a idéia inicial.Texto jornalístico e publicitário. O texto jornalístico apresenta a peculiaridade de podertransitar por todos os tipos de linguagem, da mais formal, empregada, por exemplo,nos periódicos especializados sobre ciência e política, até aquela extremamentecoloquial, utilizada em publicações voltadas para o público juvenil. Apesar dessaaparente liberdade de estilo, o redator deve obedecer ao propósito específico dapublicação para a qual escreve e seguir regras que costumam ser bastante rígidas edefinidas, tanto quanto à extensão do texto como em relação à escolha do assunto, aotratamento que lhe é dado e ao vocabulário empregado.Redação técnica. Há diversos tipos de redação não-literária, como os textos demanuais, relatórios administrativos, de experiências, artigos científicos, teses,monografias, cartas comerciais e muitos outros exemplos de redação técnica ecientífica.Embora se deva reger pelos mesmos princípios de objetividade, coerência e clarezaque pautam qualquer outro tipo de composição, a redação técnica apresenta estruturae estilo próprios, com forte predominância da linguagem denotativa. Essa distinção ébasicamente produzida pelo objetivo que a redação técnica persegue: o de esclarecer enão o de impressionar.c) Aprofundando os Tipos de Discursoc.1 Discurso diretoCaracterísticas:a) Fala fiel dos interlocutores ou das personagens.b) Freqüentemente, um verbo dicendi (falar, dizer, responder, afirmar, indagar,perguntar, etc.).c) Na ausência do verbo dicendi, um sinal de pontuação: dois pontos, travessão, aspasou mudança de linha. Página 38 de 47
    • Exemplo:Malvina aproximou-se de manso e sem ser pressentida para junto da cantora,colocando-se por detrás dela esperou que terminasse a última copla.— Isaura!... disse ela pousando de leve a delicada mãozinha sobre o ombro dacantora.— Ah! é a senhora?! — respondeu Isaura voltando-se sobressaltada.— Não sabia que estava aí me escutando. (Bernardo Guimarães. A Escrava Isaura)c.2 Discurso indiretoCaracterísticas:a) Fala não-visível das personagens, mas explicitada pelo narrador (numa oraçãosubordinada substantiva).b) Verbo dicendi.c) Freqüentemente, terceira pessoa na oração subordinada substantiva.Exemplo:Ao som de sua voz, ela despertou amedrontada mas logo sorriu e toda a sala pareceusorrir com ela. Pôs-se de pé, as mãos ajeitando os trapos que vestia, humilde e claracomo um pouco de luar. Nacib então disse que ela poderia dormir, que não precisavase preocupar. (Jorge Amado. Gabriela)c.3 Discurso indireto livre ou semi-indiretoCaracterísticas:a) Falta do verbo dicendi, dois pontos, travessão ou aspas.b) Fala não-visível das personagens, cuja voz parece confundir-se com a do narrador.c) Períodos livres (sem elo subordinativo).Exemplo:Fabiano escutou, ouviu o rumor do chumbo que se derramava no cano da arma, aspancadas surdas da vareta na bucha. Suspirou. Coitadinha da Baleia. (GracilianoRamos. Vidas Secas) Página 39 de 47
    • TIPOS DE NARRADOR IO narrador, a voz que conta a história, pode apresentar-se em três posições diferentescom relação aos acontecimentos que esteja narrando.Exemplo 1:Na avenida, Gabriela passou por mim e fez questão de demonstrar entusiasmo, pelotom com que me cumprimentou.O narrador se coloca dentro da história, é um dos personagens, porque usa a primeirapessoa “mim”, “me”. Qualquer referência à primeira pessoa (eu, nós, meu, nosso...)mostra ao leitor que o narrador está dentro da história, que é uma das personagens(principal ou secundária). Chama-se narrador-personagem, narrador-participante,ponto de vista interno ou narrador subjetivo. Na simbologia matemática usa-se afórmula: narrador = personagem. Página 40 de 47
    • TIPOS DE NARRADOR IIO narrador, a voz que conta a história, pode apresentar-se em três posições diferentescom relação aos acontecimentos que esteja narrando.Exemplo 2:Gabriela atravessava a rua pensando em encontrar-se com Joaquim.Neste exemplo,o narrador coloca-se fora da história, ele não é uma das personagens,mas tem a capacidade de enxergar o que passa dentro da personagem, no seu espaçointerno, íntimo, psicológico ou sentimental... É chamado de narrador onisciente (quesabe tudo) na simbologia matemática usa-se a fórmula:Narrador>personagem. Página 41 de 47
    • TIPOS DE NARRADOR IIIO narrador, a voz que conta a história, pode apresentar-se em três posições diferentescom relação aos acontecimentos que esteja narrando.Exemplo3:Gabriela atravessava a rua e parecia preocupada com alguma coisa. Talvez estivessepensando em procurar Joaquim.Neste terceiro exemplo,o narrador também se coloca fora da história, também não éuma das personagens,mas é diferente do que escreveu o exemplo 2. Aqui, o narradornão sabe o que acontece no mundo interno da personagem, o que se deduz do fato deter dito“parecia preocupada” e “talvez estivesse pensando”. Trata-se do narradorobservador. Na simbologia matemática, usa-se a fórmula:narrador<personagem.Observação importante para classificar tipo de narrador1.Ler todo o texto ;2.Se em algum momento o narrador se coloca dentro da história, usando algumaprimeira pessoa, está definido: trata-se de narrador-personagem;3.Se em nenhum momento aparece índice de 1ª pessoa,o narrador já é externo àhistória. Resta saber se é onisciente ou observador.4.Se em alguma passagem, o narrador mostra o íntimo da personagem, vê por dentrodo seu estado de espírito, então, já se trata de narrador-onisciente.5.Só se classifica o narrador como observador, se em nenhum momento ele for capazde descrever o íntimo da personagem. Algumas vezes o narrador-observador podemostrar-nos o íntimo da personagem, mas por características externas.Por exemplo, ao ler:“Erasmo, trêmulo, cabisbaixo, voz apagada, gaguejante, roía as unhas no canto dasala...”percebe-se que o narrador está vendo por fora do pensamento da personagem, estádescrevendo atitudes externas, por isso mesmo caracteriza-se como observador,embora suas observações nos levem a deduzir o estado interno da personagem. Página 42 de 47
    • TIPOLOGIA TEXTUAL Estrutura Textual DissertativaPrimeiro detalhe: não dê título ao seu texto, a não ser que o comando explicitado naprova solicite. Comece, na linha 1 da folha para o texto definitivo, o seu parágrafo deintrodução.Agora, portanto, vamos entender os três aspectos importantes que compõem aestrutura clássica do texto dissertativo.Introdução adequada ao tema/posicionamentoApresenta a idéia que vai ser discutida, a tese a ser defendida. Cabe à introduçãosituar o leitor a respeito da postura ideológica de quem o redige acerca dedeterminado assunto. Lembre-se: ela deve conter a tese e as generalidades que serãoaprofundadas ao longo do desenvolvimento do texto.Nada impede que você utilize ganchos, artifícios de redação que, embora não sejampropriamente argumentativos, ilustram a tese e prendem a atenção do leitor: um fatoda atualidade, uma alusão histórica, uma citação, uma frase de impacto, um dadoestatístico, uma pergunta. O importante é que a sua introdução seja completa e estejaem consonância com os critérios de paragrafação. Cuidado: não misture idéias.Nesse sentido, surgem alguns tipos de introdução: Introdução-roteiro (plano de desenvolvimento): refere-se ao tema a ser discutido (tese) e à forma como o texto será organizado; Introdução-tese (direta): menciona-se o que se pretende provar; Introdução com exemplo: colocam-se exemplos de como a situação exposta ocorre; Introdução-interrogação: apresenta questões que serão respondidas ao longo do texto.Ao selecionar o tipo de introdução que irá redigir, esteja seguro da organização desuas idéias. Para efeito de concursos públicos ou vestibulares, sugerimos: introdução-roteiro (plano de desenvolvimento) ou gancho + introdução-roteiro (plano dedesenvolvimento). Página 43 de 47
    • DesenvolvimentoApresenta cada um dos argumentos ordenadamente, analisando detidamente as idéiase exemplificando de maneira rica e suficiente o pensamento. Nele, organizamos opensamento em favor da tese. Cada parágrafo (e o texto) pode ser organizado dediferentes maneiras: Estabelecimento das relações de causa e efeito: motivos, razões, fundamentos, alicerces, os porquês/conseqüências, efeitos, repercussões, reflexos; Estabelecimento de comparações e contrastes: diferenças e semelhanças entre elementos – de um lado, de outro lado, em contraste, ao contrário; Enumerações e exemplificações: indicação de fatores, funções ou elementos que esclarecem ou reforçam uma afirmação.Lembre-se: recorra às múltiplas áreas de conhecimento para fundamentar bem a suatese: História, Sociologia, Medicina, Biologia, Direito e outras. Cuidado para não deixartransparecer que você só domina informações televisivas e/ou superficiais. Página 44 de 47
    • TIPOS DE DISCURSOO narrador, para relatar ao leitor a fala dos personagens, pode servir-se de dois tiposde discurso: No DISCURSO DIRETO, o narrador reproduz a fala do personagem de tal modo que o leitor ouve exatamente as mesmas palavras que o personagem proferiu.Exemplo: Liza sussurrou: “Renan, passe-me a bula”. Página 45 de 47
    • TIPOS DE DISCURSO II No DISCURSO INDIRETO, o narrador traduz para o leitor o que o personagem disse.Exemplo: Liza sussurrou para o Renan que lhe passasse a bula. DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO§ Presença de travessão ou aspas: § Presença de conjunção clara ou elíptica:- Paulo venha cá. Ela gritou que Paulo fosse lá.“Paulo venha cá.” Ela gritou Paulo fosse lá.§ Verbo no mesmo tempo e modo que o § Verbo no mesmo tempo e modo que opersonagem usa: “Venha” narrador usa: “Fosse”OBSERVAÇÃO:Modernamente pode-se encontrar o diálogo ou discurso direto sem sinais gráficoscomo travessão ou aspas:Ela pediu: Paulo, venha cá.Como recurso intermediário, muitos narradores modernamente se servem do discursoindireto livre. Página 46 de 47
    • TIPOS DE DISCURSO III No DISCURSO INDIRETO LIVRE, estabelece-se um elo psicológico entre narrador e personagem, de tal modo que não é possível precisar com certeza se aquelas palavras ou pensamentos são do narrador, do personagem, ou de ambos.Na novela Uma Voz em Segredo, Autran Dourado escreveu:“Foram muito duros os primeiros dias na casa de primo Conrado. Se pudesse, se não oolhasse com tanto medo, se tivesse coragem de enfrentá-lo, dirigir-lhe uma palavra,se não...”Observando com atenção, na cabeça de quem se passam tais pensamentos? Na donarrador? Na da personagem? Na de ambos?Qualquer interpretação pode ou não ser válida, mas o que importa é o fato de que onarrador se mostra tão envolvido na narração que permitiu confundirem-se aospensamentos da personagem Biela com os seus próprios. É o discurso indireto livre. Página 47 de 47